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Biblia-NT (Trad. Joao Ferreira de Almeida) : Marcos
EVANGELHO SEGUNDO S. MARCOS

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Capitulo 1

1 Princípio do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus;

2 Como está escrito nos profetas: Eis que eu envio o meu anjo ante a tua face, o qual preparará o teu caminho diante de ti.

3 Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, Endireitai as suas veredas.

4 Apareceu Joäo batizando no deserto, e pregando o batismo de arrependimento, para remissäo dos pecados.

5 E toda a província da Judéia e os de Jerusalém iam ter com ele; e todos eram batizados por ele no rio Jordäo, confessando os seus pecados.

6 E Joäo andava vestido de pêlos de camelo, e com um cinto de couro em redor de seus lombos, e comia gafanhotos e mel silvestre.

7 E pregava, dizendo: Após mim vem aquele que é mais forte do que eu, do qual näo sou digno de, abaixando-me, desatar a correia das suas alparcas.

8 Eu, em verdade, tenho-vos batizado com água; ele, porém, vos batizará com o Espírito Santo.

9 E aconteceu naqueles dias que Jesus, tendo ido de Nazaré da Galiléia, foi batizado por Joäo, no Jordäo.

10 E, logo que saiu da água, viu os céus abertos, e o Espírito, que como pomba descia sobre ele.

11 E ouviu-se uma voz dos céus, que dizia: Tu és o meu Filho amado em quem me comprazo.

12 E logo o Espírito o impeliu para o deserto.

13 E ali esteve no deserto quarenta dias, tentado por Satanás. E vivia entre as feras, e os anjos o serviam.

14 E, depois que Joäo foi entregue à prisäo, veio Jesus para a Galiléia, pregando o evangelho do reino de Deus,

15 E dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo. Arrependei-vos, e crede no evangelho.

16 E, andando junto do mar da Galiléia, viu Simäo, e André, seu irmäo, que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores.

17 E Jesus lhes disse: Vinde após mim, e eu farei que sejais pescadores de homens.

18 E, deixando logo as suas redes, o seguiram.

19 E, passando dali um pouco mais adiante, viu Tiago, filho de Zebedeu, e Joäo, seu irmäo, que estavam no barco consertando as redes,

20 E logo os chamou. E eles, deixando o seu pai Zebedeu no barco com os jornaleiros, foram após ele.

21 Entraram em Cafarnaum e, logo no sábado, indo ele à sinagoga, ali ensinava.

22 E maravilharam-se da sua doutrina, porque os ensinava como tendo autoridade, e näo como os escribas.

23 E estava na sinagoga deles um homem com um espírito imundo, o qual exclamou,

24 Dizendo: Ah! que temos contigo, Jesus Nazareno? Vieste destruir-nos? Bem sei quem és: o Santo de Deus.

25 E repreendeu-o Jesus, dizendo: Cala-te, e sai dele.

26 Entäo o espírito imundo, convulsionando-o, e clamando com grande voz, saiu dele.

27 E todos se admiraram, a ponto de perguntarem entre si, dizendo: Que é isto? Que nova doutrina é esta? Pois com autoridade ordena aos espíritos imundos, e eles lhe obedecem!

28 E logo correu a sua fama por toda a província da Galiléia.

29 E logo, saindo da sinagoga, foram à casa de Simäo e de André com Tiago e Joäo.

30 E a sogra de Simäo estava deitada com febre; e logo lhe falaram dela.

31 Entäo, chegando-se a ela, tomou-a pela mäo, e levantou-a; e imediatamente a febre a deixou, e servia-os.

32 E, tendo chegado a tarde, quando já se estava pondo o sol, trouxeram-lhe todos os que se achavam enfermos, e os endemoninhados.

33 E toda a cidade se ajuntou à porta.

34 E curou muitos que se achavam enfermos de diversas enfermidades, e expulsou muitos demónios, porém näo deixava falar os demónios, porque o conheciam.

35 E, levantando-se de manhä, muito cedo, fazendo ainda escuro, saiu, e foi para um lugar deserto, e ali orava.

36 E seguiram-no Simäo e os que com ele estavam.
37 E, achando-o, lhe disseram: Todos te buscam.

38 E ele lhes disse: Vamos às aldeias vizinhas, para que eu ali também pregue; porque para isso vim.

39 E pregava nas sinagogas deles, por toda a Galiléia, e expulsava os demónios.

40 E aproximou-se dele um leproso que, rogando-lhe, e pondo-se de joelhos diante dele, lhe dizia: Se queres, bem podes limpar-me.

41 E Jesus, movido de grande compaixäo, estendeu a mäo, e tocou-o, e disse-lhe: Quero, sê limpo.

42 E, tendo ele dito isto, logo a lepra desapareceu, e ficou limpo.

43 E, advertindo-o severamente, logo o despediu.

44 E disse-lhe: Olha, näo digas nada a ninguém; porém vai, mostra-te ao sacerdote, e oferece pela tua purificaçäo o que Moisés determinou, para lhes servir de testemunho.

45 Mas, tendo ele saído, começou a apregoar muitas coisas, e a divulgar o que acontecera; de sorte que Jesus já näo podia entrar publicamente na cidade, mas conservava-se fora em lugares desertos; e de todas as partes iam ter com ele.

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Capitulo 2

1 E alguns dias depois entrou outra vez em Cafarnaum, e soube-se que estava em casa.

2 E logo se ajuntaram tantos, que nem ainda nos lugares junto à porta cabiam; e anunciava-lhes a palavra.

3 E vieram ter com ele conduzindo um paralítico, trazido por quatro.

4 E, näo podendo aproximar-se dele, por causa da multidäo, descobriram o telhado onde estava, e, fazendo um buraco, baixaram o leito em que jazia o paralítico.

5 E Jesus, vendo a fé deles, disse ao paralítico: Filho, perdoados estäo os teus pecados.

6 E estavam ali assentados alguns dos escribas, que arrazoavam em seus coraçöes, dizendo:

7 Por que diz este assim blasfêmias? Quem pode perdoar pecados, senäo Deus?

8 E Jesus, conhecendo logo em seu espírito que assim arrazoavam entre si, lhes disse: Por que arrazoais sobre estas coisas em vossos coraçöes?

9 Qual é mais fácil? dizer ao paralítico: Estäo perdoados os teus pecados; ou dizer-lhe: Levanta-te, e toma o teu leito, e anda?

10 Ora, para que saibais que o Filho do homem tem na terra poder para perdoar pecados (disse ao paralítico),

11 A ti te digo: Levanta-te, toma o teu leito, e vai para tua casa.

12 E levantou-se e, tomando logo o leito, saiu em presença de todos, de sorte que todos se admiraram e glorificaram a Deus, dizendo: Nunca tal vimos.

13 E tornou a sair para o mar, e toda a multidäo ia ter com ele, e ele os ensinava.

14 E, passando, viu Levi, filho de Alfeu, sentado na recebedoria, e disse-lhe: Segue-me. E, levantando-se, o seguiu.

15 E aconteceu que, estando sentado à mesa em casa deste, também estavam sentados à mesa com Jesus e seus discípulos muitos publicanos e pecadores; porque eram muitos, e o tinham seguido.

16 E os escribas e fariseus, vendo-o comer com os publicanos e pecadores, disseram aos seus discípulos: Por que come e bebe ele com os publicanos e pecadores?

17 E Jesus, tendo ouvido isto, disse-lhes: Os säos näo necessitam de médico, mas, sim, os que estäo doentes; eu näo vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores ao arrependimento.

18 Ora, os discípulos de Joäo e os fariseus jejuavam; e foram e disseram-lhe: Por que jejuam os discípulos de Joäo e os dos fariseus, e näo jejuam os teus discípulos?

19 E Jesus disse-lhes: Podem porventura os filhos das bodas jejuar enquanto está com eles o esposo? Enquanto têm consigo o esposo, näo podem jejuar;

20 Mas dias viräo em que lhes será tirado o esposo, e entäo jejuaräo naqueles dias.

21 Ninguém deita remendo de pano novo em roupa velha; doutra sorte o mesmo remendo novo rompe o velho, e a rotura fica maior.

22 E ninguém deita vinho novo em odres velhos; doutra sorte, o vinho novo rompe os odres e entorna-se o vinho, e os odres estragam-se; o vinho novo deve ser deitado em odres novos.

23 E aconteceu que, passando ele num sábado pelas searas, os seus discípulos, caminhando, começaram a colher espigas.

24 E os fariseus lhe disseram: Vês? Por que fazem no sábado o que näo é lícito?

25 Mas ele disse-lhes: Nunca lestes o que fez Davi, quando estava em necessidade e teve fome, ele e os que com ele estavam?

26 Como entrou na casa de Deus, no tempo de Abiatar, sumo sacerdote, e comeu os päes da proposiçäo, dos quais näo era lícito comer senäo aos sacerdotes, dando também aos que com ele estavam?

27 E disse-lhes: O sábado foi feito por causa do homem, e näo o homem por causa do sábado.

28 Assim o Filho do homem até do sábado é Senhor.

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Capitulo 3

1 E outra vez entrou na sinagoga, e estava ali um homem que tinha uma das mäos mirrada.

2 E estavam observando-o se curaria no sábado, para o acusarem.

3 E disse ao homem que tinha a mäo mirrada: Levanta-te e vem para o meio.

4 E perguntou-lhes: É lícito no sábado fazer bem, ou fazer mal? salvar a vida, ou matar? E eles calaram-se.

5 E, olhando para eles em redor com indignaçäo, condoendo-se da dureza do seu coraçäo, disse ao homem: Estende a tua mäo. E ele a estendeu, e foi-lhe restituída a sua mäo, sä como a outra.

6 E, tendo saído os fariseus, tomaram logo conselho com os herodianos contra ele, procurando ver como o matariam.

7 E retirou-se Jesus com os seus discípulos para o mar, e seguia-o uma grande multidäo da Galiléia e da Judéia,

8 E de Jerusalém, e da Iduméia, e de além do Jordäo, e de perto de Tiro e de Sidom; uma grande multidäo que, ouvindo quäo grandes coisas fazia, vinha ter com ele.

9 E ele disse aos seus discípulos que lhe tivessem sempre pronto um barquinho junto dele, por causa da multidäo, para que o näo oprimisse,

10 Porque tinha curado a muitos, de tal maneira que todos quantos tinham algum mal se arrojavam sobre ele, para lhe tocarem.

11 E os espíritos imundos vendo-o, prostravam-se diante dele, e clamavam, dizendo: Tu és o Filho de Deus.

12 E ele os ameaçava muito, para que näo o manifestassem.

13 E subiu ao monte, e chamou para si os que ele quis; e vieram a ele.

14 E nomeou doze para que estivessem com ele e os mandasse a pregar,

15 E para que tivessem o poder de curar as enfermidades e expulsar os demónios:

16 A Simäo, a quem pós o nome de Pedro,

17 E a Tiago, filho de Zebedeu, e a Joäo, irmäo de Tiago, aos quais pós o nome de Boanerges, que significa: Filhos do troväo;

18 E a André, e a Filipe, e a Bartolomeu, e a Mateus, e a Tomé, e a Tiago, filho de Alfeu, e a Tadeu, e a Simäo o Zelote,

19 E a Judas Iscariotes, o que o entregou.

20 E foram para uma casa. E afluiu outra vez a multidäo, de tal maneira que nem sequer podiam comer päo.

21 E, quando os seus ouviram isto, saíram para o prender; porque diziam: Está fora de si.

22 E os escribas, que tinham descido de Jerusalém, diziam: Tem Belzebu, e pelo príncipe dos demónios expulsa os demónios.

23 E, chamando-os a si, disse-lhes por parábolas: Como pode Satanás expulsar Satanás?

24 E, se um reino se dividir contra si mesmo, tal reino näo pode subsistir;

25 E, se uma casa se dividir contra si mesma, tal casa näo pode subsistir.

26 E, se Satanás se levantar contra si mesmo, e for dividido, näo pode subsistir; antes tem fim.

27 Ninguém pode roubar os bens do valente, entrando-lhe em sua casa, se primeiro näo maniatar o valente; e entäo roubará a sua casa.

28 Na verdade vos digo que todos os pecados seräo perdoados aos filhos dos homens, e toda a sorte de blasfêmias, com que blasfemarem;

29 Qualquer, porém, que blasfemar contra o Espírito Santo, nunca obterá perdäo, mas será réu do eterno juízo

30 (Porque diziam: Tem espírito imundo).

31 Chegaram, entäo, seus irmäos e sua mäe; e, estando fora, mandaram-no chamar.

32 E a multidäo estava assentada ao redor dele, e disseram-lhe: Eis que tua mäe e teus irmäos te procuram, e estäo lá fora.

33 E ele lhes respondeu, dizendo: Quem é minha mäe e meus irmäos?

34 E, olhando em redor para os que estavam assentados junto dele, disse: Eis aqui minha mäe e meus irmäos.

35 Porquanto, qualquer que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmäo, e minha irmä, e minha mäe.

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Capitulo 4

1 E outra vez começou a ensinar junto do mar, e ajuntou-se a ele grande multidäo, de sorte que ele entrou e assentou-se num barco, sobre o mar; e toda a multidäo estava em terra junto do mar.

2 E ensinava-lhes muitas coisas por parábolas, e lhes dizia na sua doutrina:

3 Ouvi: Eis que saiu o semeador a semear.

4 E aconteceu que semeando ele, uma parte da semente caiu junto do caminho, e vieram as aves do céu, e a comeram;

5 E outra caiu sobre pedregais, onde näo havia muita terra, e nasceu logo, porque näo tinha terra profunda;

6 Mas, saindo o sol, queimou-se; e, porque näo tinha raiz, secou-se.

7 E outra caiu entre espinhos e, crescendo os espinhos, a sufocaram e näo deu fruto.

8 E outra caiu em boa terra e deu fruto, que vingou e cresceu; e um produziu trinta, outro sessenta, e outro cem.

9 E disse-lhes: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

10 E, quando se achou só, os que estavam junto dele com os doze interrogaram-no acerca da parábola.

11 E ele disse-lhes: A vós vos é dado saber os mistérios do reino de Deus, mas aos que estäo de fora todas estas coisas se dizem por parábolas,

12 Para que, vendo, vejam, e näo percebam; e, ouvindo, ouçam, e näo entendam; para que näo se convertam, e lhes sejam perdoados os pecados.

13 E disse-lhes: Näo percebeis esta parábola? Como, pois, entendereis todas as parábolas?

14 O que semeia, semeia a palavra;

15 E, os que estäo junto do caminho säo aqueles em quem a palavra é semeada; mas, tendo-a eles ouvido, vem logo Satanás e tira a palavra que foi semeada nos seus coraçöes.

16 E da mesma forma os que recebem a semente sobre pedregais; os quais, ouvindo a palavra, logo com prazer a recebem;

17 Mas näo têm raiz em si mesmos, antes säo temporäos; depois, sobrevindo tribulaçäo ou perseguiçäo, por causa da palavra, logo se escandalizam.

18 E outros säo os que recebem a semente entre espinhos, os quais ouvem a palavra;

19 Mas os cuidados deste mundo, e os enganos das riquezas e as ambiçöes de outras coisas, entrando, sufocam a palavra, e fica infrutífera.

20 E os que recebem a semente em boa terra säo os que ouvem a palavra e a recebem, e däo fruto, um a trinta, outro a sessenta, outro a cem, por um.

21 E disse-lhes: Vem porventura a candeia para se meter debaixo do alqueire, ou debaixo da cama? näo vem antes para se colocar no velador?

22 Porque nada há encoberto que näo haja de ser manifesto; e nada se faz para ficar oculto, mas para ser descoberto.

23 Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça.

24 E disse-lhes: Atendei ao que ides ouvir. Com a medida com que medirdes vos mediräo a vós, e ser-vos-á ainda acrescentada a vós que ouvis.

25 Porque ao que tem, ser-lhe-á dado; e, ao que näo tem, até o que tem lhe será tirado.

26 E dizia: O reino de Deus é assim como se um homem lançasse semente à terra.

27 E dormisse, e se levantasse de noite ou de dia, e a semente brotasse e crescesse, näo sabendo ele como.

28 Porque a terra por si mesma frutifica, primeiro a erva, depois a espiga, por último o gräo cheio na espiga.

29 E, quando já o fruto se mostra, mete-se-lhe logo a foice, porque está chegada a ceifa.

30 E dizia: A que assemelharemos o reino de Deus? ou com que parábola o representaremos?

31 É como um gräo de mostarda, que, quando se semeia na terra, é a menor de todas as sementes que há na terra;

32 Mas, tendo sido semeado, cresce; e faz-se a maior de todas as hortaliças, e cria grandes ramos, de tal maneira que as aves do céu podem aninhar-se debaixo da sua sombra.

33 E com muitas parábolas tais lhes dirigia a palavra, segundo o que podiam compreender.

34 E sem parábolas nunca lhes falava; porém, tudo declarava em particular aos seus discípulos.

35 E, naquele dia, sendo já tarde, disse-lhes: Passemos para o outro lado.

36 E eles, deixando a multidäo, o levaram consigo, assim como estava, no barco; e havia também com ele outros barquinhos.

37 E levantou-se grande temporal de vento, e subiam as ondas por cima do barco, de maneira que já se enchia.

38 E ele estava na popa, dormindo sobre uma almofada, e despertaram-no, dizendo-lhe: Mestre, näo se te dá que pereçamos?

39 E ele, despertando, repreendeu o vento, e disse ao mar: Cala-te, aquieta-te. E o vento se aquietou, e houve grande bonança.

40 E disse-lhes: Por que sois täo tímidos? Ainda näo tendes fé?

41 E sentiram um grande temor, e diziam uns aos outros: Mas quem é este, que até o vento e o mar lhe obedecem?

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Capitulo 5

1 E chegaram ao outro lado do mar, à província dos gadarenos.

2 E, saindo ele do barco, lhe saiu logo ao seu encontro, dos sepulcros, um homem com espírito imundo;

3 O qual tinha a sua morada nos sepulcros, e nem ainda com cadeias o podia alguém prender;

4 Porque, tendo sido muitas vezes preso com grilhöes e cadeias, as cadeias foram por ele feitas em pedaços, e os grilhöes em migalhas, e ninguém o podia amansar.

5 E andava sempre, de dia e de noite, clamando pelos montes, e pelos sepulcros, e ferindo-se com pedras.

6 E, quando viu Jesus ao longe, correu e adorou-o.

7 E, clamando com grande voz, disse: Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? conjuro-te por Deus que näo me atormentes.

8 (Porque lhe dizia: Sai deste homem, espírito imundo.)

9 E perguntou-lhe: Qual é o teu nome? E lhe respondeu, dizendo: Legiäo é o meu nome, porque somos muitos.

10 E rogava-lhe muito que os näo enviasse para fora daquela província.

11 E andava ali pastando no monte uma grande manada de porcos.

12 E todos aqueles demónios lhe rogaram, dizendo: Manda-nos para aqueles porcos, para que entremos neles.

13 E Jesus logo lho permitiu. E, saindo aqueles espíritos imundos, entraram nos porcos; e a manada se precipitou por um despenhadeiro no mar (eram quase dois mil), e afogaram-se no mar.

14 E os que apascentavam os porcos fugiram, e o anunciaram na cidade e nos campos; e saíram muitos a ver o que era aquilo que tinha acontecido.

15 E foram ter com Jesus, e viram o endemoninhado, o que tivera a legiäo, assentado, vestido e em perfeito juízo, e temeram.

16 E os que aquilo tinham visto contaram-lhes o que acontecera ao endemoninhado, e acerca dos porcos.

17 E começaram a rogar-lhe que saísse dos seus termos.

18 E, entrando ele no barco, rogava-lhe o que fora endemoninhado que o deixasse estar com ele.

19 Jesus, porém, näo lho permitiu, mas disse-lhe: Vai para tua casa, para os teus, e anuncia-lhes quäo grandes coisas o Senhor te fez, e como teve misericórdia de ti.

20 E ele foi, e começou a anunciar em Decápolis quäo grandes coisas Jesus lhe fizera; e todos se maravilharam.

21 E, passando Jesus outra vez num barco para o outro lado, ajuntou-se a ele uma grande multidäo; e ele estava junto do mar.

22 E eis que chegou um dos principais da sinagoga, por nome Jairo, e, vendo-o, prostrou-se aos seus pés,

23 E rogava-lhe muito, dizendo: Minha filha está moribunda; rogo-te que venhas e lhe imponhas as mäos, para que sare, e viva.

24 E foi com ele, e seguia-o uma grande multidäo, que o apertava.

25 E certa mulher que, havia doze anos, tinha um fluxo de sangue,

26 E que havia padecido muito com muitos médicos, e despendido tudo quanto tinha, nada lhe aproveitando isso, antes indo a pior;

27 Ouvindo falar de Jesus, veio por detrás, entre a multidäo, e tocou na sua veste.

28 Porque dizia: Se täo-somente tocar nas suas vestes, sararei.

29 E logo se lhe secou a fonte do seu sangue; e sentiu no seu corpo estar já curada daquele mal.

30 E logo Jesus, conhecendo que a virtude de si mesmo saíra, voltou-se para a multidäo, e disse: Quem tocou nas minhas vestes?

31 E disseram-lhe os seus discípulos: Vês que a multidäo te aperta, e dizes: Quem me tocou?

32 E ele olhava em redor, para ver a que isto fizera.

33 Entäo a mulher, que sabia o que lhe tinha acontecido, temendo e tremendo, aproximou-se, e prostrou-se diante dele, e disse-lhe toda a verdade.

34 E ele lhe disse: Filha, a tua fé te salvou; vai em paz, e sê curada deste teu mal.

35 Estando ele ainda falando, chegaram alguns do principal da sinagoga, a quem disseram: A tua filha está morta; para que enfadas mais o Mestre?

36 E Jesus, tendo ouvido estas palavras, disse ao principal da sinagoga: Näo temas, crê somente.

37 E näo permitiu que alguém o seguisse, a näo ser Pedro, Tiago, e Joäo, irmäo de Tiago.

38 E, tendo chegado à casa do principal da sinagoga, viu o alvoroço, e os que choravam muito e pranteavam.

39 E, entrando, disse-lhes: Por que vos alvoroçais e chorais? A menina näo está morta, mas dorme.

40 E riam-se dele; porém ele, tendo-os feito sair, tomou consigo o pai e a mäe da menina, e os que com ele estavam, e entrou onde a menina estava deitada.

41 E, tomando a mäo da menina, disse-lhe: Talita cumi; que, traduzido, é: Menina, a ti te digo, levanta-te.

42 E logo a menina se levantou, e andava, pois já tinha doze anos; e assombraram-se com grande espanto.

43 E mandou-lhes expressamente que ninguém o soubesse; e disse que lhe dessem de comer.

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Capitulo 6

1 E, partindo dali, chegou à sua pátria, e os seus discípulos o seguiram.

2 E, chegando o sábado, começou a ensinar na sinagoga; e muitos, ouvindo-o, se admiravam, dizendo: De onde lhe vêm estas coisas? e que sabedoria é esta que lhe foi dada? e como se fazem tais maravilhas por suas mäos?

3 Näo é este o carpinteiro, filho de Maria, e irmäo de Tiago, e de José, e de Judas e de Simäo? e näo estäo aqui conosco suas irmäs? E escandalizavam-se nele.

4 E Jesus lhes dizia: Näo há profeta sem honra senäo na sua pátria, entre os seus parentes, e na sua casa.

5 E näo podia fazer ali obras maravilhosas; somente curou alguns poucos enfermos, impondo-lhes as mäos.

6 E estava admirado da incredulidade deles. E percorreu as aldeias vizinhas, ensinando.

7 Chamou a si os doze, e começou a enviá-los a dois e dois, e deu-lhes poder sobre os espíritos imundos;

8 E ordenou-lhes que nada tomassem para o caminho, senäo somente um bordäo; nem alforje, nem päo, nem dinheiro no cinto;

9 Mas que calçassem alparcas, e que näo vestissem duas túnicas.

10 E dizia-lhes: Na casa em que entrardes, ficai nela até partirdes dali.

11 E tantos quantos vos näo receberem, nem vos ouvirem, saindo dali, sacudi o pó que estiver debaixo dos vossos pés, em testemunho contra eles. Em verdade vos digo que haverá mais toleráncia no dia de juízo para Sodoma e Gomorra, do que para os daquela cidade.

12 E, saindo eles, pregavam que se arrependessem.

13 E expulsavam muitos demónios, e ungiam muitos enfermos com óleo, e os curavam.

14 E ouviu isto o rei Herodes (porque o nome de Jesus se tornara notório), e disse: Joäo, o que batizava, ressuscitou dentre os mortos, e por isso estas maravilhas operam nele.

15 Outros diziam: É Elias. E diziam outros: É um profeta, ou como um dos profetas.

16 Herodes, porém, ouvindo isto, disse: Este é Joäo, que mandei degolar; ressuscitou dentre os mortos.

17 Porquanto o mesmo Herodes mandara prender a Joäo, e encerrá-lo maniatado no cárcere, por causa de Herodias, mulher de Filipe, seu irmäo, porquanto tinha casado com ela.

18 Pois Joäo dizia a Herodes: Näo te é lícito possuir a mulher de teu irmäo.

19 E Herodias o espiava, e queria matá-lo, mas näo podia.

20 Porque Herodes temia a Joäo, sabendo que era homem justo e santo; e guardava-o com segurança, e fazia muitas coisas, atendendo-o, e de boa mente o ouvia.

21 E, chegando uma ocasiäo favorável em que Herodes, no dia dos seus anos, dava uma ceia aos grandes, e tribunos, e príncipes da Galiléia,

22 Entrou a filha da mesma Herodias, e dançou, e agradou a Herodes e aos que estavam com ele à mesa. Disse entäo o rei à menina: Pede-me o que quiseres, e eu to darei.

23 E jurou-lhe, dizendo: Tudo o que me pedires te darei, até metade do meu reino.

24 E, saindo ela, perguntou a sua mäe: Que pedirei? E ela disse: A cabeça de Joäo o Batista.

25 E, entrando logo, apressadamente, pediu ao rei, dizendo: Quero que imediatamente me dês num prato a cabeça de Joäo o Batista.

26 E o rei entristeceu-se muito; todavia, por causa do juramento e dos que estavam com ele à mesa, näo lha quis negar.

27 E, enviando logo o rei o executor, mandou que lhe trouxessem ali a cabeça de Joäo. E ele foi, e degolou-o na prisäo;

28 E trouxe a cabeça num prato, e deu-a à menina, e a menina a deu a sua mäe.

29 E os seus discípulos, tendo ouvido isto, foram, tomaram o seu corpo, e o puseram num sepulcro.

30 E os apóstolos ajuntaram-se a Jesus, e contaram-lhe tudo, tanto o que tinham feito como o que tinham ensinado.

31 E ele disse-lhes: Vinde vós, aqui à parte, a um lugar deserto, e repousai um pouco. Porque havia muitos que iam e vinham, e näo tinham tempo para comer.

32 E foram sós num barco para um lugar deserto.

33 E a multidäo viu-os partir, e muitos o conheceram; e correram para lá, a pé, de todas as cidades, e ali chegaram primeiro do que eles, e aproximavam-se dele.

34 E Jesus, saindo, viu uma grande multidäo, e teve compaixäo deles, porque eram como ovelhas que näo têm pastor; e começou a ensinar-lhes muitas coisas.

35 E, como o dia fosse já muito adiantado, os seus discípulos se aproximaram dele, e lhe disseram: O lugar é deserto, e o dia está já muito adiantado.

36 Despede-os, para que väo aos lugares e aldeias circunvizinhas, e comprem päo para si; porque näo têm que comer.

37 Ele, porém, respondendo, lhes disse: Dai-lhes vós de comer. E eles disseram-lhe: Iremos nós, e compraremos duzentos dinheiros de päo para lhes darmos de comer?

38 E ele disse-lhes: Quantos päes tendes? Ide ver. E, sabendo-o eles, disseram: Cinco päes e dois peixes.

39 E ordenou-lhes que fizessem assentar a todos, em ranchos, sobre a erva verde.

40 E assentaram-se repartidos de cem em cem, e de cinqüenta em cinqüenta.

41 E, tomando ele os cinco päes e os dois peixes, levantou os olhos ao céu, abençoou e partiu os päes, e deu-os aos seus discípulos para que os pusessem diante deles. E repartiu os dois peixes por todos.

42 E todos comeram, e ficaram fartos;

43 E levantaram doze alcofas cheias de pedaços de päo e de peixe.

44 E os que comeram os päes eram quase cinco mil homens.

45 E logo obrigou os seus discípulos a subir para o barco, e passar adiante, para o outro lado, a Betsaida, enquanto ele despedia a multidäo.

46 E, tendo-os despedido, foi ao monte a orar.

47 E, sobrevindo a tarde, estava o barco no meio do mar e ele, sozinho, em terra.

48 E vendo que se fatigavam a remar, porque o vento lhes era contrário, perto da quarta vigília da noite aproximou-se deles, andando sobre o mar, e queria passar-lhes adiante.

49 Mas, quando eles o viram andar sobre o mar, cuidaram que era um fantasma, e deram grandes gritos.

50 Porque todos o viam, e perturbaram-se; mas logo falou com eles, e disse-lhes: Tende bom ánimo; sou eu, näo temais.

51 E subiu para o barco, para estar com eles, e o vento se aquietou; e entre si ficaram muito assombrados e maravilhados;

52 Pois näo tinham compreendido o milagre dos päes; antes o seu coraçäo estava endurecido.

53 E, quando já estavam no outro lado, dirigiram-se à terra de Genesaré, e ali atracaram.

54 E, saindo eles do barco, logo o conheceram;

55 E, correndo toda a terra em redor, começaram a trazer em leitos, aonde quer que sabiam que ele estava, os que se achavam enfermos.

56 E, onde quer que entrava, ou em cidade, ou aldeias, ou no campo, apresentavam os enfermos nas praças, e rogavam-lhe que os deixasse tocar ao menos na orla da sua roupa; e todos os que lhe tocavam saravam.

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Capitulo 7

1 E ajuntaram-se a ele os fariseus, e alguns dos escribas que tinham vindo de Jerusalém.

2 E, vendo que alguns dos seus discípulos comiam päo com as mäos impuras, isto é, por lavar, os repreendiam.

3 Porque os fariseus, e todos os judeus, conservando a tradiçäo dos antigos, näo comem sem lavar as mäos muitas vezes;

4 E, quando voltam do mercado, se näo se lavarem, näo comem. E muitas outras coisas há que receberam para observar, como lavar os copos, e os jarros, e os vasos de metal e as camas.

5 Depois perguntaram-lhe os fariseus e os escribas: Por que näo andam os teus discípulos conforme a tradiçäo dos antigos, mas comem o päo com as mäos por lavar?

6 E ele, respondendo, disse-lhes: Bem profetizou Isaías acerca de vós, hipócritas, como está escrito: Este povo honra-me com os lábios, Mas o seu coraçäo está longe de mim;

7 Em väo, porém, me honram, Ensinando doutrinas que säo mandamentos de homens.

8 Porque, deixando o mandamento de Deus, retendes a tradiçäo dos homens; como o lavar dos jarros e dos copos; e fazeis muitas outras coisas semelhantes a estas.

9 E dizia-lhes: Bem invalidais o mandamento de Deus para guardardes a vossa tradiçäo.

10 Porque Moisés disse: Honra a teu pai e a tua mäe; e quem maldisser, ou o pai ou a mäe, certamente morrerá.

11 Vós, porém, dizeis: Se um homem disser ao pai ou à mäe: Aquilo que poderias aproveitar de mim é Corbä, isto é, oferta ao Senhor;

12 Nada mais lhe deixais fazer por seu pai ou por sua mäe,

13 Invalidando assim a palavra de Deus pela vossa tradiçäo, que vós ordenastes. E muitas coisas fazeis semelhantes a estas.

14 E, chamando outra vez a multidäo, disse-lhes: Ouvi-me vós, todos, e compreendei.

15 Nada há, fora do homem, que, entrando nele, o possa contaminar; mas o que sai dele isso é que contamina o homem.

16 Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça.

17 Depois, quando deixou a multidäo, e entrou em casa, os seus discípulos o interrogavam acerca desta parábola.

18 E ele disse-lhes: Assim também vós estais sem entendimento? Näo compreendeis que tudo o que de fora entra no homem näo o pode contaminar,

19 Porque näo entra no seu coraçäo, mas no ventre, e é lançado fora, ficando puras todas as comidas?

20 E dizia: O que sai do homem isso contamina o homem.

21 Porque do interior do coraçäo dos homens saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituiçöes, os homicídios,

22 Os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissoluçäo, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura.

23 Todos estes males procedem de dentro e contaminam o homem.

24 E, levantando-se dali, foi para os termos de Tiro e de Sidom. E, entrando numa casa, näo queria que alguém o soubesse, mas näo póde esconder-se;

25 Porque uma mulher, cuja filha tinha um espírito imundo, ouvindo falar dele, foi e lançou-se aos seus pés.

26 E esta mulher era grega, sirofenícia de naçäo, e rogava-lhe que expulsasse de sua filha o demónio.

27 Mas Jesus disse-lhe: Deixa primeiro saciar os filhos; porque näo convém tomar o päo dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos.

28 Ela, porém, respondeu, e disse-lhe: Sim, Senhor; mas também os cachorrinhos comem, debaixo da mesa, as migalhas dos filhos.

29 Entäo ele disse-lhe: Por essa palavra, vai; o demónio já saiu de tua filha.

30 E, indo ela para sua casa, achou a filha deitada sobre a cama, e que o demónio já tinha saído.

31 E ele, tornando a sair dos termos de Tiro e de Sidom, foi até ao mar da Galiléia, pelos confins de Decápolis.

32 E trouxeram-lhe um surdo, que falava dificilmente; e rogaram-lhe que pusesse a mäo sobre ele.

33 E, tirando-o à parte, de entre a multidäo, pós-lhe os dedos nos ouvidos; e, cuspindo, tocou-lhe na língua.

34 E, levantando os olhos ao céu, suspirou, e disse: Efatá; isto é, Abre-te.

35 E logo se abriram os seus ouvidos, e a prisäo da língua se desfez, e falava perfeitamente.

36 E ordenou-lhes que a ninguém o dissessem; mas, quanto mais lhos proibia, tanto mais o divulgavam.

37 E, admirando-se sobremaneira, diziam: Tudo faz bem; faz ouvir os surdos e talar os mudos.

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Capitulo 8

1 Naqueles dias, havendo uma grande multidäo, e näo tendo que comer, Jesus chamou a si os seus discípulos, e disse-lhes:

2 Tenho compaixäo da multidäo, porque há já três dias que estäo comigo, e näo têm que comer.

3 E, se os deixar ir em jejum, para suas casas, desfaleceräo no caminho, porque alguns deles vieram de longe.

4 E os seus discípulos responderam-lhe: De onde poderá alguém satisfazê-los de päo aqui no deserto?

5 E perguntou-lhes: Quantos päes tendes? E disseram-lhe: Sete.

6 E ordenou à multidäo que se assentasse no chäo. E, tomando os sete päes, e tendo dado graças, partiu-os, e deu-os aos seus discípulos, para que os pusessem diante deles, e puseram-nos diante da multidäo.

7 Tinham também alguns peixinhos; e, tendo dado graças, ordenou que também lhos pusessem diante.

8 E comeram, e saciaram-se; e dos pedaços que sobejaram levantaram sete cestos.

9 E os que comeram eram quase quatro mil; e despediu-os.

10 E, entrando logo no barco, com os seus discípulos, foi para as partes de Dalmanuta.

11 E saíram os fariseus, e começaram a disputar com ele, pedindo-lhe, para o tentarem, um sinal do céu.

12 E, suspirando profundamente em seu espírito, disse: Por que pede esta geraçäo um sinal? Em verdade vos digo que a esta geraçäo näo se dará sinal algum.

13 E, deixando-os, tornou a entrar no barco, e foi para o outro lado.

14 E eles se esqueceram de levar päo e, no barco, näo tinham consigo senäo um päo.

15 E ordenou-lhes, dizendo: Olhai, guardai-vos do fermento dos fariseus e do fermento de Herodes.

16 E arrazoavam entre si, dizendo: É porque näo temos päo.

17 E Jesus, conhecendo isto, disse-lhes: Para que arrazoais, que näo tendes päo? näo considerastes, nem compreendestes ainda? tendes ainda o vosso coraçäo endurecido?

18 Tendo olhos, näo vedes? e tendo ouvidos, näo ouvis? e näo vos lembrais,

19 Quando parti os cinco päes entre os cinco mil, quantas alcofas cheias de pedaços levantastes? Disseram-lhe: Doze.

20 E, quando parti os sete entre os quatro mil, quantos cestos cheios de pedaços levantastes? E disseram-lhe: Sete.

21 E ele lhes disse: Como näo entendeis ainda?

22 E chegou a Betsaida; e trouxeram-lhe um cego, e rogaram-lhe que o tocasse.

23 E, tomando o cego pela mäo, levou-o para fora da aldeia; e, cuspindo-lhe nos olhos, e impondo-lhe as mäos, perguntou-lhe se via alguma coisa.

24 E, levantando ele os olhos, disse: Vejo os homens; pois os vejo como árvores que andam.

25 Depois disto, tornou a pór-lhe as mäos sobre os olhos, e fez olhar para cima: e ele ficou restaurado, e viu cada homem claramente.

26 E mandou-o para sua casa, dizendo: Nem entres na aldeia, nem o digas a ninguém na aldeia.

27 E saiu Jesus, e os seus discípulos, para as aldeias de Cesaréia de Filipe; e no caminho perguntou aos seus discípulos, dizendo: Quem dizem os homens que eu sou?

28 E eles responderam: Joäo o Batista; e outros: Elias; mas outros: Um dos profetas.

29 E ele lhes disse: Mas vós, quem dizeis que eu sou? E, respondendo Pedro, lhe disse: Tu és o Cristo.

30 E admoestou-os, para que a ninguém dissessem aquilo dele.

31 E começou a ensinar-lhes que importava que o Filho do homem padecesse muito, e que fosse rejeitado pelos anciäos e príncipes dos sacerdotes, e pelos escribas, e que fosse morto, mas que depois de três dias ressuscitaria.

32 E dizia abertamente estas palavras. E Pedro o tomou à parte, e começou a repreendê-lo.

33 Mas ele, virando-se, e olhando para os seus discípulos, repreendeu a Pedro, dizendo: Retira-te de diante de mim, Satanás; porque näo compreendes as coisas que säo de Deus, mas as que säo dos homens.

34 E chamando a si a multidäo, com os seus discípulos, disse-lhes: Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz, e siga-me.

35 Porque qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, mas, qualquer que perder a sua vida por amor de mim e do evangelho, esse a salvará.

36 Pois, que aproveitaria ao homem ganhar todo o mundo e perder a sua alma?

37 Ou, que daria o homem pelo resgate da sua alma?

38 Porquanto, qualquer que, entre esta geraçäo adúltera e pecadora, se envergonhar de mim e das minhas palavras, também o Filho do homem se envergonhará dele, quando vier na glória de seu Pai, com os santos anjos.

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Capitulo 9

1 Dizia-lhes também: Em verdade vos digo que, dos que aqui estäo, alguns há que näo provaräo a morte sem que vejam chegado o reino de Deus com poder.

2 E seis dias depois Jesus tomou consigo a Pedro, a Tiago, e a Joäo, e os levou sós, em particular, a um alto monte; e transfigurou-se diante deles;

3 E as suas vestes tornaram-se resplandecentes, extremamente brancas como a neve, tais como nenhum lavadeiro sobre a terra os poderia branquear.

4 E apareceu-lhes Elias, com Moisés, e falavam com Jesus.

5 E Pedro, tomando a palavra, disse a Jesus: Mestre, é bom que estejamos aqui; e façamos três cabanas, uma para ti, outra para Moisés, e outra para Elias.

6 Pois näo sabia o que dizia, porque estavam assombrados.

7 E desceu uma nuvem que os cobriu com a sua sombra, e saiu da nuvem uma voz que dizia: Este é o meu filho amado; a ele ouvi.

8 E, tendo olhado em redor, ninguém mais viram, senäo só Jesus com eles.

9 E, descendo eles do monte, ordenou-lhes que a ninguém contassem o que tinham visto, até que o Filho do homem ressuscitasse dentre os mortos.

10 E eles retiveram o caso entre si, perguntando uns aos outros que seria aquilo, ressuscitar dentre os mortos.

11 E interrogaram-no, dizendo: Por que dizem os escribas que é necessário que Elias venha primeiro?

12 E, respondendo ele, disse-lhes: Em verdade Elias virá primeiro, e todas as coisas restaurará; e, como está escrito do Filho do homem, que ele deva padecer muito e ser aviltado.

13 Digo-vos, porém, que Elias já veio, e fizeram-lhe tudo o que quiseram, como dele está escrito.

14 E, quando se aproximou dos discípulos, viu ao redor deles grande multidäo, e alguns escribas que disputavam com eles.

15 E logo toda a multidäo, vendo-o, ficou espantada e, correndo para ele, o saudaram.

16 E perguntou aos escribas: Que é que discutis com eles?

17 E um da multidäo, respondendo, disse: Mestre, trouxe-te o meu filho, que tem um espírito mudo;

18 E este, onde quer que o apanha, despedaça-o, e ele espuma, e range os dentes, e vai definhando; e eu disse aos teus discípulos que o expulsassem, e näo puderam.

19 E ele, respondendo-lhes, disse: O geraçäo incrédula! até quando estarei convosco? até quando vos sofrerei ainda? Trazei-mo.

20 E trouxeram-lho; e quando ele o viu, logo o espírito o agitou com violência, e, caindo o endemoninhado por terra, revolvia-se, escumando.

21 E perguntou ao pai dele: Quanto tempo há que lhe sucede isto? E ele disse-lhe: Desde a infáncia.

22 E muitas vezes o tem lançado no fogo, e na água, para o destruir; mas, se tu podes fazer alguma coisa, tem compaixäo de nós, e ajuda-nos.

23 E Jesus disse-lhe: Se tu podes crer, tudo é possível ao que crê.

24 E logo o pai do menino, clamando, com lágrimas, disse: Eu creio, Senhor! ajuda a minha incredulidade.

25 E Jesus, vendo que a multidäo concorria, repreendeu o espírito imundo, dizendo-lhe: Espírito mudo e surdo, eu te ordeno: Sai dele, e näo entres mais nele.

26 E ele, clamando, e agitando-o com violência, saiu; e ficou o menino como morto, de tal maneira que muitos diziam que estava morto.

27 Mas Jesus, tomando-o pela mäo, o ergueu, e ele se levantou.

28 E, quando entrou em casa, os seus discípulos lhe perguntaram à parte: Por que o näo pudemos nós expulsar?

29 E disse-lhes: Esta casta näo pode sair com coisa alguma, a näo ser com oraçäo e jejum.

30 E, tendo partido dali, caminharam pela Galiléia, e näo queria que alguém o soubesse;

31 Porque ensinava os seus discípulos, e lhes dizia: O Filho do homem será entregue nas mäos dos homens, e matá-lo-äo; e, morto ele, ressuscitará ao terceiro dia.

32 Mas eles näo entendiam esta palavra, e receavam interrogá-lo.

33 E chegou a Cafarnaum e, entrando em casa, perguntou-lhes: Que estáveis vós discutindo pelo caminho?

34 Mas eles calaram-se; porque pelo caminho tinham disputado entre si qual era o maior.

35 E ele, assentando-se, chamou os doze, e disse-lhes: Se alguém quiser ser o primeiro, será o derradeiro de todos e o servo de todos.

36 E, lançando mäo de um menino, pó-lo no meio deles e, tomando-o nos seus braços, disse-lhes:

37 Qualquer que receber um destes meninos em meu nome, a mim me recebe; e qualquer que a mim me receber, recebe, näo a mim, mas ao que me enviou.

38 E Joäo lhe respondeu, dizendo: Mestre, vimos um que em teu nome expulsava demónios, o qual näo nos segue; e nós lho proibimos, porque näo nos segue.

39 Jesus, porém, disse: Näo lho proibais; porque ninguém há que faça milagre em meu nome e possa logo falar mal de mim.

40 Porque quem näo é contra nós, é por nós.

41 Porquanto, qualquer que vos der a beber um copo de água em meu nome, porque sois discípulos de Cristo, em verdade vos digo que näo perderá o seu galardäo.

42 E qualquer que escandalizar um destes pequeninos que crêem em mim, melhor lhe fora que lhe pusessem ao pescoço uma mó de atafona, e que fosse lançado no mar.

43 E, se a tua mäo te escandalizar, corta-a; melhor é para ti entrares na vida aleijado do que, tendo duas mäos, ires para o inferno, para o fogo que nunca se apaga,

44 Onde o seu bicho näo morre, e o fogo nunca se apaga.

45 E, se o teu pé te escandalizar, corta-o; melhor é para ti entrares coxo na vida do que, tendo dois pés, seres lançado no inferno, no fogo que nunca se apaga,

46 Onde o seu bicho näo morre, e o fogo nunca se apaga.

47 E, se o teu olho te escandalizar, lança-o fora; melhor é para ti entrares no reino de Deus com um só olho do que, tendo dois olhos, seres lançado no fogo do inferno,

48 Onde o seu bicho näo morre, e o fogo nunca se apaga.

49 Porque cada um será salgado com fogo, e cada sacrifício será salgado com sal.

50 Bom é o sal; mas, se o sal se tornar insípido, com que o temperareis? Tende sal em vós mesmos, e paz uns com os outros.

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Capitulo 10

1 E, levantando-se dali, foi para os termos da Judéia, além do Jordäo, e a multidäo se reuniu em torno dele; e tornou a ensiná-los, como tinha por costume.

2 E, aproximando-se dele os fariseus, perguntaram-lhe, tentando-o: É lícito ao homem repudiar sua mulher?

3 Mas ele, respondendo, disse-lhes: Que vos mandou Moisés?

4 E eles disseram: Moisés permitiu escrever carta de divórcio e repudiar.

5 E Jesus, respondendo, disse-lhes: Pela dureza dos vossos coraçöes vos deixou ele escrito esse mandamento;

6 Porém, desde o princípio da criaçäo, Deus os fez macho e fêmea.

7 Por isso deixará o homem a seu pai e a sua mäe, e unir-se-á a sua mulher,

8 E seräo os dois uma só carne; e assim já näo seräo dois, mas uma só carne.

9 Portanto, o que Deus ajuntou näo o separe o homem.

10 E em casa tornaram os discípulos a interrogá-lo acerca disto mesmo.

11 E ele lhes disse: Qualquer que deixar a sua mulher e casar com outra, adultera contra ela.

12 E, se a mulher deixar a seu marido, e casar com outro, adultera.

13 E traziam-lhe meninos para que lhes tocasse, mas os discípulos repreendiam aos que lhos traziam.

14 Jesus, porém, vendo isto, indignou-se, e disse-lhes: Deixai vir os meninos a mim, e näo os impeçais; porque dos tais é o reino de Deus.

15 Em verdade vos digo que qualquer que näo receber o reino de Deus como menino, de maneira nenhuma entrará nele.

16 E, tomando-os nos seus braços, e impondo-lhes as mäos, os abençoou.

17 E, pondo-se a caminho, correu para ele um homem, o qual se ajoelhou diante dele, e lhe perguntou: Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna?

18 E Jesus lhe disse: Por que me chamas bom? Ninguém há bom senäo um, que é Deus.

19 Tu sabes os mandamentos: Näo adulterarás; näo matarás; näo furtarás; näo dirás falso testemunho; näo defraudarás alguém; honra a teu pai e a tua mäe.

20 Ele, porém, respondendo, lhe disse: Mestre, tudo isso guardei desde a minha mocidade.

21 E Jesus, olhando para ele, o amou e lhe disse: Falta-te uma coisa: vai, vende tudo quanto tens, e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, toma a cruz, e segue-me.

22 Mas ele, pesaroso desta palavra, retirou-se triste; porque possuía muitas propriedades.

23 Entäo Jesus, olhando em redor, disse aos seus discípulos: Quäo dificilmente entraräo no reino de Deus os que têm riquezas!

24 E os discípulos se admiraram destas suas palavras; mas Jesus, tornando a falar, disse-lhes: Filhos, quäo difícil é, para os que confiam nas riquezas, entrar no reino de Deus!

25 É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que entrar um rico no reino de Deus.

26 E eles se admiravam ainda mais, dizendo entre si: Quem poderá, pois, salvar-se?

27 Jesus, porém, olhando para eles, disse: Para os homens é impossível, mas näo para Deus, porque para Deus todas as coisas säo possíveis.

28 E Pedro começou a dizer-lhe: Eis que nós tudo deixamos, e te seguimos.

29 E Jesus, respondendo, disse: Em verdade vos digo que ninguém há, que tenha deixado casa, ou irmäos, ou irmäs, ou pai, ou mäe, ou mulher, ou filhos, ou campos, por amor de mim e do evangelho,

30 Que näo receba cem vezes tanto, já neste tempo, em casas, e irmäos, e irmäs, e mäes, e filhos, e campos, com perseguiçöes; e no século futuro a vida eterna.

31 Porém muitos primeiros seräo derradeiros, e muitos derradeiros seräo primeiros.

32 E iam no caminho, subindo para Jerusalém; e Jesus ia adiante deles. E eles maravilhavam-se, e seguiam-no atemorizados. E, tornando a tomar consigo os doze, começou a dizer-lhes as coisas que lhe deviam sobrevir,

33 Dizendo: Eis que nós subimos a Jerusalém, e o Filho do homem será entregue aos príncipes dos sacerdotes, e aos escribas, e o condenaräo à morte, e o entregaräo aos gentios.

34 E o escarneceräo, e açoitaräo, e cuspiräo nele, e o mataräo; e, ao terceiro dia, ressuscitará.

35 E aproximaram-se dele Tiago e Joäo, filhos de Zebedeu, dizendo: Mestre, queremos que nos faças o que te pedirmos.

36 E ele lhes disse: Que quereis que vos faça?

37 E eles lhe disseram: Concede-nos que na tua glória nos assentemos, um à tua direita, e outro à tua esquerda.

38 Mas Jesus lhes disse: Näo sabeis o que pedis; podeis vós beber o cálice que eu bebo, e ser batizados com o batismo com que eu sou batizado?

39 E eles lhe disseram: Podemos. Jesus, porém, disse-lhes: Em verdade, vós bebereis o cálice que eu beber, e sereis batizados com o batismo com que eu sou batizado;

40 Mas, o assentar-se à minha direita, ou à minha esquerda, näo me pertence a mim concedê-lo, mas isso é para aqueles a quem está reservado.

41 E os dez, tendo ouvido isto, começaram a indignar-se contra Tiago e Joäo.

42 Mas Jesus, chamando-os a si, disse-lhes: Sabeis que os que julgam ser príncipes dos gentios, deles se assenhoreiam, e os seus grandes usam de autoridade sobre elas;

43 Mas entre vós näo será assim; antes, qualquer que entre vós quiser ser grande, será vosso serviçal;

44 E qualquer que dentre vós quiser ser o primeiro, será servo de todos.

45 Porque o Filho do homem também näo veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos.

46 Depois, foram para Jericó. E, saindo ele de Jericó com seus discípulos e uma grande multidäo, Bartimeu, o cego, filho de Timeu, estava assentado junto do caminho, mendigando.

47 E, ouvindo que era Jesus de Nazaré, começou a clamar, e a dizer: Jesus, filho de Davi, tem misericórdia de mim.

48 E muitos o repreendiam, para que se calasse; mas ele clamava cada vez mais: Filho de Davi! tem misericórdia de mim.

49 E Jesus, parando, disse que o chamassem; e chamaram o cego, dizendo-lhe: Tem bom ánimo; levanta-te, que ele te chama.

50 E ele, lançando de si a sua capa, levantou-se, e foi ter com Jesus.

51 E Jesus, falando, disse-lhe: Que queres que te faça? E o cego lhe disse: Mestre, que eu tenha vista.

52 E Jesus lhe disse: Vai, a tua fé te salvou. E logo viu, e seguiu a Jesus pelo caminho.

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Capitulo 11

1 E, logo que se aproximaram de Jerusalém, de Betfagé e de Betánia, junto do Monte das Oliveiras, enviou dois dos seus discípulos,

2 E disse-lhes: Ide à aldeia que está defronte de vós; e, logo que ali entrardes, encontrareis preso um jumentinho, sobre o qual ainda näo montou homem algum; soltai-o, e trazei-mo.

3 E, se alguém vos disser: Por que fazeis isso? dizei-lhe que o Senhor precisa dele, e logo o deixará trazer para aqui.

4 E foram, e encontraram o jumentinho preso fora da porta, entre dois caminhos, e o soltaram.

5 E alguns dos que ali estavam lhes disseram: Que fazeis, soltando o jumentinho?

6 Eles, porém, disseram-lhes como Jesus lhes tinha mandado; e deixaram-nos ir.

7 E levaram o jumentinho a Jesus, e lançaram sobre ele as suas vestes, e assentou-se sobre ele.

8 E muitos estendiam as suas vestes pelo caminho, e outros cortavam ramos das árvores, e os espalhavam pelo caminho.

9 E aqueles que iam adiante, e os que seguiam, clamavam, dizendo: Hosana, bendito o que vem em nome do Senhor;

10 Bendito o reino do nosso pai Davi, que vem em nome do Senhor. Hosana nas alturas.

11 E Jesus entrou em Jerusalém, no templo, e, tendo visto tudo em redor, como fosse já tarde, saiu para Betánia com os doze.

12 E, no dia seguinte, quando saíram de Betánia, teve fome.

13 E, vendo de longe uma figueira que tinha folhas, foi ver se nela acharia alguma coisa; e, chegando a ela, näo achou senäo folhas, porque näo era tempo de figos.

14 E Jesus, falando, disse à figueira: Nunca mais coma alguém fruto de ti. E os seus discípulos ouviram isto.

15 E vieram a Jerusalém; e Jesus, entrando no templo, começou a expulsar os que vendiam e compravam no templo; e derrubou as mesas dos cambiadores e as cadeiras dos que vendiam pombas.

16 E näo consentia que alguém levasse algum vaso pelo templo.

17 E os ensinava, dizendo: Näo está escrito: A minha casa será chamada, por todas as naçöes, casa de oraçäo? Mas vós a tendes feito covil de ladröes.

18 E os escribas e príncipes dos sacerdotes, tendo ouvido isto, buscavam ocasiäo para o matar; pois eles o temiam, porque toda a multidäo estava admirada acerca da sua doutrina.

19 E, sendo já tarde, saiu para fora da cidade.

20 E eles, passando pela manhä, viram que a figueira se tinha secado desde as raízes.

21 E Pedro, lembrando-se, disse-lhe: Mestre, eis que a figueira, que tu amaldiçoaste, se secou.

22 E Jesus, respondendo, disse-lhes: Tende fé em Deus;

23 Porque em verdade vos digo que qualquer que disser a este monte: Ergue-te e lança-te no mar, e näo duvidar em seu coraçäo, mas crer que se fará aquilo que diz, tudo o que disser lhe será feito.

24 Por isso vos digo que todas as coisas que pedirdes, orando, crede receber, e tê-las-eis.

25 E, quando estiverdes orando, perdoai, se tendes alguma coisa contra alguém, para que vosso Pai, que está nos céus, vos perdoe as vossas ofensas.

26 Mas, se vós näo perdoardes, também vosso Pai, que está nos céus, vos näo perdoará as vossas ofensas.

27 E tornaram a Jerusalém, e, andando ele pelo templo, os principais dos sacerdotes, e os escribas, e os anciäos, se aproximaram dele.

28 E lhe disseram: Com que autoridade fazes tu estas coisas? ou quem te deu tal autoridade para fazer estas coisas?

29 Mas Jesus, respondendo, disse-lhes: Também eu vos perguntarei uma coisa, e respondei-me; e entäo vos direi com que autoridade faço estas coisas:

30 O batismo de Joäo era do céu ou dos homens? respondei-me.

31 E eles arrazoavam entre si, dizendo: Se dissermos: Do céu, ele nos dirá: Entäo por que o näo crestes?

32 Se, porém, dissermos: Dos homens, tememos o povo. Porque todos sustentavam que Joäo verdadeiramente era profeta.

33 E, respondendo, disseram a Jesus: Näo sabemos. E Jesus lhes replicou: Também eu vos näo direi com que autoridade faço estas coisas.

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Capitulo 12

1 E começou a falar-lhes por parábolas: Um homem plantou uma vinha, e cercou-a de um valado, e fundou nela um lagar, e edificou uma torre, e arrendou-a a uns lavradores, e partiu para fora da terra.

2 E, chegado o tempo, mandou um servo aos lavradores para que recebesse, dos lavradores, do fruto da vinha.

3 Mas estes, apoderando-se dele, o feriram e o mandaram embora vazio.

4 E tornou a enviar-lhes outro servo; e eles, apedrejando-o, o feriram na cabeça, e o mandaram embora, tendo-o afrontado.

5 E tornou a enviar-lhes outro, e a este mataram; e a outros muitos, dos quais a uns feriram e a outros mataram.

6 Tendo ele, pois, ainda um seu filho amado, enviou-o também a estes por derradeiro, dizendo: Ao menos teräo respeito ao meu filho.

7 Mas aqueles lavradores disseram entre si: Este é o herdeiro; vamos, matemo-lo, e a herança será nossa.

8 E, pegando dele, o mataram, e o lançaram fora da vinha.

9 Que fará, pois, o senhor da vinha? Virá, e destruirá os lavradores, e dará a vinha a outros.

10 Ainda näo lestes esta Escritura: A pedra, que os edificadores rejeitaram, Esta foi posta por cabeça de esquina;

11 Isto foi feito pelo Senhor E é coisa maravilhosa aos nossos olhos?

12 E buscavam prendê-lo, mas temiam a multidäo; porque entendiam que contra eles dizia esta parábola; e, deixando-o, foram-se.

13 E enviaram-lhe alguns dos fariseus e dos herodianos, para que o apanhassem nalguma palavra.

14 E, chegando eles, disseram-lhe: Mestre, sabemos que és homem de verdade, e de ninguém se te dá, porque näo olhas à aparência dos homens, antes com verdade ensinas o caminho de Deus; é lícito dar o tributo a César, ou näo? Daremos, ou näo daremos?

15 Entäo ele, conhecendo a sua hipocrisia, disse-lhes: Por que me tentais? Trazei-me uma moeda, para que a veja.

16 E eles lha trouxeram. E disse-lhes: De quem é esta imagem e inscriçäo? E eles lhe disseram: De César.

17 E Jesus, respondendo, disse-lhes: Dai pois a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus. E maravilharam-se dele.

18 Entäo os saduceus, que dizem que näo há ressurreiçäo, aproximaram-se dele, e perguntaram-lhe, dizendo:

19 Mestre, Moisés nos escreveu que, se morresse o irmäo de alguém, e deixasse a mulher e näo deixasse filhos, seu irmäo tomasse a mulher dele, e suscitasse descendência a seu irmäo.

20 Ora, havia sete irmäos, e o primeiro tomou a mulher, e morreu sem deixar descendência;

21 E o segundo também a tomou e morreu, e nem este deixou descendência; e o terceiro da mesma maneira.

22 E tomaram-na os sete, sem, contudo, terem deixado descendência. Finalmente, depois de todos, morreu também a mulher.

23 Na ressurreiçäo, pois, quando ressuscitarem, de qual destes será a mulher? porque os sete a tiveram por mulher.

24 E Jesus, respondendo, disse-lhes: Porventura näo errais vós em razäo de näo saberdes as Escrituras nem o poder de Deus?

25 Porquanto, quando ressuscitarem dentre os mortos, nem casaräo, nem se daräo em casamento, mas seräo como os anjos que estäo nos céus.

26 E, acerca dos mortos que houverem de ressuscitar, näo tendes lido no livro de Moisés como Deus lhe falou na sarça, dizendo: Eu sou o Deus de Abraäo, e o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó?

27 Ora, Deus näo é de mortos, mas sim, é Deus de vivos. Por isso vós errais muito.

28 Aproximou-se dele um dos escribas que os tinha ouvido disputar, e sabendo que lhes tinha respondido bem, perguntou-lhe: Qual é o primeiro de todos os mandamentos?

29 E Jesus respondeu-lhe: O primeiro de todos os mandamentos é: Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor.

30 Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coraçäo, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento.

31 E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Näo há outro mandamento maior do que estes.

32 E o escriba lhe disse: Muito bem, Mestre, e com verdade disseste que há um só Deus, e que näo há outro além dele;

33 E que amá-lo de todo o coraçäo, e de todo o entendimento, e de toda a alma, e de todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo, é mais do que todos os holocaustos e sacrifícios.

34 E Jesus, vendo que havia respondido sabiamente, disse-lhe: Näo estás longe do reino de Deus. E já ninguém ousava perguntar-lhe mais nada.

35 E, falando Jesus, dizia, ensinando no templo: Como dizem os escribas que o Cristo é filho de Davi?

36 O próprio Davi disse pelo Espírito Santo: O Senhor disse ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita Até que eu ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés.

37 Pois, se Davi mesmo lhe chama Senhor, como é logo seu filho? E a grande multidäo o ouvia de boa vontade.

38 E, ensinando-os, dizia-lhes: Guardai-vos dos escribas, que gostam de andar com vestes compridas, e das saudaçöes nas praças,

39 E das primeiras cadeiras nas sinagogas, e dos primeiros assentos nas ceias;

40 Que devoram as casas das viúvas, e isso com pretexto de largas oraçöes. Estes receberäo mais grave condenaçäo.

41 E, estando Jesus assentado defronte da arca do tesouro, observava a maneira como a multidäo lançava o dinheiro na arca do tesouro; e muitos ricos deitavam muito.

42 Vindo, porém, uma pobre viúva, deitou duas pequenas moedas, que valiam meio centavo.

43 E, chamando os seus discípulos, disse-lhes: Em verdade vos digo que esta pobre viúva deitou mais do que todos os que deitaram na arca do tesouro;

44 Porque todos ali deitaram do que lhes sobejava, mas esta, da sua pobreza, deitou tudo o que tinha, todo o seu sustento.

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Capitulo 13

1 E, saindo ele do templo, disse-lhe um dos seus discípulos: Mestre, olha que pedras, e que edifícios!

2 E, respondendo Jesus, disse-lhe: Vês estes grandes edifícios? Näo ficará pedra sobre pedra que näo seja derrubada.

3 E, assentando-se ele no Monte das Oliveiras, defronte do templo, Pedro, e Tiago, e Joäo e André lhe perguntaram em particular:

4 Dize-nos, quando seräo essas coisas, e que sinal haverá quando todas elas estiverem para se cumprir.

5 E Jesus, respondendo-lhes, começou a dizer: Olhai que ninguém vos engane;

6 Porque muitos viräo em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganaräo a muitos.

7 E, quando ouvirdes de guerras e de rumores de guerras, näo vos perturbeis; porque assim deve acontecer; mas ainda näo será o fim.

8 Porque se levantará naçäo contra naçäo, e reino contra reino, e haverá terremotos em diversos lugares, e haverá fomes e tribulaçöes. Estas coisas säo os princípios das dores.

9 Mas olhai por vós mesmos, porque vos entregaräo aos concílios e às sinagogas; e sereis açoitados, e sereis apresentados perante presidentes e reis, por amor de mim, para lhes servir de testemunho.

10 Mas importa que o evangelho seja primeiramente pregado entre todas as naçöes.

11 Quando, pois, vos conduzirem e vos entregarem, näo estejais solícitos de antemäo pelo que haveis de dizer, nem premediteis; mas, o que vos for dado naquela hora, isso falai, porque näo sois vós os que falais, mas o Espírito Santo.

12 E o irmäo entregará à morte o irmäo, e o pai ao filho; e levantar-se-äo os filhos contra os pais, e os faräo morrer.

13 E sereis odiados por todos por amor do meu nome; mas quem perseverar até ao fim, esse será salvo.

14 Ora, quando vós virdes a abominaçäo do assolamento, que foi predito por Daniel o profeta, estar onde näo deve estar (quem lê, entenda), entäo os que estiverem na Judéia fujam para os montes.

15 E o que estiver sobre o telhado näo desça para casa, nem entre a tomar coisa alguma de sua casa;

16 E o que estiver no campo näo volte atrás, para tomar as suas vestes.

17 Mas ai das grávidas, e das que criarem naqueles dias!

18 Orai, pois, para que a vossa fuga näo suceda no inverno.

19 Porque naqueles dias haverá uma afliçäo tal, qual nunca houve desde o princípio da criaçäo, que Deus criou, até agora, nem jamais haverá.

20 E, se o Senhor näo abreviasse aqueles dias, nenhuma carne se salvaria; mas, por causa dos eleitos que escolheu, abreviou aqueles dias.

21 E entäo, se alguém vos disser: Eis aqui o Cristo; ou: Ei-lo ali; näo acrediteis.

22 Porque se levantaräo falsos cristos, e falsos profetas, e faräo sinais e prodígios, para enganarem, se for possível, até os escolhidos.

23 Mas vós vede; eis que de antemäo vos tenho dito tudo.

24 Ora, naqueles dias, depois daquela afliçäo, o sol se escurecerá, e a lua näo dará a sua luz.

25 E as estrelas cairäo do céu, e as forças que estäo nos céus seräo abaladas.

26 E entäo veräo vir o Filho do homem nas nuvens, com grande poder e glória.

27 E ele enviará os seus anjos, e ajuntará os seus escolhidos, desde os quatro ventos, da extremidade da terra até a extremidade do céu.

28 Aprendei, pois, a parábola da figueira: Quando já o seu ramo se torna tenro, e brota folhas, bem sabeis que já está próximo o veräo.

29 Assim também vós, quando virdes sucederem estas coisas, sabei que já está perto, às portas.

30 Na verdade vos digo que näo passará esta geraçäo, sem que todas estas coisas aconteçam.

31 Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras näo passaräo.

32 Mas daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos que estäo no céu, nem o Filho, senäo o Pai.

33 Olhai, vigiai e orai; porque näo sabeis quando chegará o tempo.

34 E como se um homem, partindo para fora da terra, deixasse a sua casa, e desse autoridade aos seus servos, e a cada um a sua obra, e mandasse ao porteiro que vigiasse.

35 Vigiai, pois, porque näo sabeis quando virá o senhor da casa; se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se pela manhä,

36 Para que, vindo de improviso, näo vos ache dormindo.

37 E as coisas que vos digo, digo-as a todos: Vigiai.

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Capitulo 14

1 E dali a dois dias era a páscoa, e a festa dos päes ázimos; e os principais dos sacerdotes e os escribas buscavam como o prenderiam com dolo, e o matariam.

2 Mas eles diziam: Näo na festa, para que porventura näo se faça alvoroço entre o povo.

3 E, estando ele em Betánia, assentado à mesa, em casa de Simäo, o leproso, veio uma mulher, que trazia um vaso de alabastro, com ungüento de nardo puro, de muito preço, e quebrando o vaso, lho derramou sobre a cabeça.

4 E alguns houve que em si mesmos se indignaram, e disseram: Para que se fez este desperdício de ungüento?

5 Porque podia vender-se por mais de trezentos dinheiros, e dá-lo aos pobres. E bramavam contra ela.

6 Jesus, porém, disse: Deixai-a, por que a molestais? Ela fez-me boa obra.

7 Porque sempre tendes os pobres convosco, e podeis fazer-lhes bem, quando quiserdes; mas a mim nem sempre me tendes.

8 Esta fez o que podia; antecipou-se a ungir o meu corpo para a sepultura.

9 Em verdade vos digo que, em todas as partes do mundo onde este evangelho for pregado, também o que ela fez será contado para sua memória.

10 E Judas Iscariotes, um dos doze, foi ter com os principais dos sacerdotes para lho entregar.

11 E eles, ouvindo-o, folgaram, e prometeram dar-lhe dinheiro; e buscava como o entregaria em ocasiäo oportuna.

12 E, no primeiro dia dos päes ázimos, quando sacrificavam a páscoa, disseram-lhe os discípulos: Aonde queres que vamos fazer os preparativos para comer a páscoa?

13 E enviou dois dos seus discípulos, e disse-lhes: Ide à cidade, e um homem, que leva um cántaro de água, vos encontrará; segui-o.

14 E, onde quer que entrar, dizei ao senhor da casa: O Mestre diz: Onde está o aposento em que hei de comer a páscoa com os meus discípulos?

15 E ele vos mostrará um grande cenáculo mobilado e preparado; preparai-a ali.

16 E, saindo os seus discípulos, foram à cidade, e acharam como lhes tinha dito, e prepararam a páscoa.

17 E, chegada a tarde, foi com os doze.

18 E, quando estavam assentados a comer, disse Jesus: Em verdade vos digo que um de vós, que comigo come, há de trair-me.

19 E eles começaram a entristecer-se e a dizer-lhe um após outro: Sou eu? E outro disse: Sou eu?

20 Mas ele, respondendo, disse-lhes: É um dos doze, que pöe comigo a mäo no prato.

21 Na verdade o Filho do homem vai, como dele está escrito, mas ai daquele homem por quem o Filho do homem é traído! Bom seria para o tal homem näo haver nascido.

22 E, comendo eles, tomou Jesus päo e, abençoando-o, o partiu e deu-lho, e disse: Tomai, comei, isto é o meu corpo.

23 E, tomando o cálice, e dando graças, deu-lho; e todos beberam dele.

24 E disse-lhes: Isto é o meu sangue, o sangue do novo testamento, que por muitos é derramado.

25 Em verdade vos digo que näo beberei mais do fruto da vide, até àquele dia em que o beber, novo, no reino de Deus.

26 E, tendo cantado o hino, saíram para o Monte das Oliveiras.

27 E disse-lhes Jesus: Todos vós esta noite vos escandalizareis em mim; porque está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas se dispersaräo.

28 Mas, depois que eu houver ressuscitado, irei adiante de vós para a Galiléia.

29 E disse-lhe Pedro: Ainda que todos se escandalizem, nunca, porém, eu.

30 E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje, nesta noite, antes que o galo cante duas vezes, três vezes me negarás.

31 Mas ele disse com mais veemência: Ainda que me seja necessário morrer contigo, de modo nenhum te negarei. E da mesma maneira diziam todos também.

32 E foram a um lugar chamado Getsêmani, e disse aos seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto eu oro.

33 E tomou consigo a Pedro, e a Tiago, e a Joäo, e começou a ter pavor, e a angustiar-se.

34 E disse-lhes: A minha alma está profundamente triste até a morte; ficai aqui, e vigiai.

35 E, tendo ido um pouco mais adiante, prostrou-se em terra; e orou para que, se fosse possível, passasse dele aquela hora.

36 E disse: Aba, Pai, todas as coisas te säo possíveis; afasta de mim este cálice; näo seja, porém, o que eu quero, mas o que tu queres.

37 E, chegando, achou-os dormindo; e disse a Pedro: Simäo, dormes? näo podes vigiar uma hora?

38 Vigiai e orai, para que näo entreis em tentaçäo; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca.

39 E foi outra vez e orou, dizendo as mesmas palavras.

40 E, voltando, achou-os outra vez dormindo, porque os seus olhos estavam pesados, e näo sabiam o que responder-lhe.

41 E voltou terceira vez, e disse-lhes: Dormi agora, e descansai. Basta; é chegada a hora. Eis que o Filho do homem vai ser entregue nas mäos dos pecadores.

42 Levantai-vos, vamos; eis que está perto o que me trai.

43 E logo, falando ele ainda, veio Judas, que era um dos doze, da parte dos principais dos sacerdotes, e dos escribas e dos anciäos, e com ele uma grande multidäo com espadas e varapaus.

44 Ora, o que o traía, tinha-lhes dado um sinal, dizendo: Aquele que eu beijar, esse é; prendei-o, e levai-o com segurança.

45 E, logo que chegou, aproximou-se dele, e disse-lhe: Rabi, Rabi. E beijou-o.

46 E lançaram-lhe as mäos, e o prenderam.

47 E um dos que ali estavam presentes, puxando da espada, feriu o servo do sumo sacerdote, e cortou-lhe uma orelha.

48 E, respondendo Jesus, disse-lhes: Saístes com espadas e varapaus a prender-me, como a um salteador?

49 Todos os dias estava convosco ensinando no templo, e näo me prendestes; mas isto é para que as Escrituras se cumpram.

50 Entäo, deixando-o, todos fugiram.

51 E um certo jovem o seguia, envolto em um lençol sobre o corpo nu. E lançaram-lhe a mäo.

52 Mas ele, largando o lençol, fugiu nu.

53 E levaram Jesus ao sumo sacerdote, e ajuntaram-se todos os principais dos sacerdotes, e os anciäos e os escribas.

54 E Pedro o seguiu de longe até dentro do pátio do sumo sacerdote, e estava assentado com os servidores, aquentando-se ao lume.

55 E os principais dos sacerdotes e todo o concílio buscavam algum testemunho contra Jesus, para o matar, e näo o achavam.

56 Porque muitos testificavam falsamente contra ele, mas os testemunhos näo eram coerentes.

57 E, levantando-se alguns, testificaram falsamente contra ele, dizendo:

58 Nós ouvimos-lhe dizer: Eu derrubarei este templo, construído por mäos de homens, e em três dias edificarei outro, näo feito por mäos de homens.

59 E nem assim o seu testemunho era coerente.

60 E, levantando-se o sumo sacerdote no Sinédrio, perguntou a Jesus, dizendo: Nada respondes? Que testificam estes contra ti?

61 Mas ele calou-se, e nada respondeu. O sumo sacerdote lhe tornou a perguntar, e disse-lhe: És tu o Cristo, Filho do Deus Bendito?

62 E Jesus disse-lhe: Eu o sou, e vereis o Filho do homem assentado à direita do poder de Deus, e vindo sobre as nuvens do céu.

63 E o sumo sacerdote, rasgando as suas vestes, disse: Para que necessitamos de mais testemunhas?

64 Vós ouvistes a blasfêmia; que vos parece? E todos o consideraram culpado de morte.

65 E alguns começaram a cuspir nele, e a cobrir-lhe o rosto, e a dar-lhe punhadas, e a dizer-lhe: Profetiza. E os servidores davam-lhe bofetadas.

66 E, estando Pedro embaixo, no átrio, chegou uma das criadas do sumo sacerdote;

67 E, vendo a Pedro, que se estava aquentando, olhou para ele, e disse: Tu também estavas com Jesus Nazareno.

68 Mas ele negou-o, dizendo: Näo o conheço, nem sei o que dizes. E saiu fora ao alpendre, e o galo cantou.

69 E a criada, vendo-o outra vez, começou a dizer aos que ali estavam: Este é um dos tais.

70 Mas ele o negou outra vez. E pouco depois os que ali estavam disseram outra vez a Pedro: Verdadeiramente tu és um deles, porque és também galileu, e tua fala é semelhante.

71 E ele começou a praguejar, e a jurar: Näo conheço esse homem de quem falais.

72 E o galo cantou segunda vez. E Pedro lembrou-se da palavra que Jesus lhe tinha dito: Antes que o galo cante duas vezes, três vezes me negarás. E, retirando-se dali, chorou.

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Capitulo 15

1 E, logo ao amanhecer, os principais dos sacerdotes, com os anciäos, e os escribas, e todo o Sinédrio, tiveram conselho; e, ligando Jesus, o levaram e entregaram a Pilatos.

2 E Pilatos lhe perguntou: Tu és o Rei dos Judeus? E ele, respondendo, disse-lhe: Tu o dizes.

3 E os principais dos sacerdotes o acusavam de muitas coisas; porém ele nada respondia.

4 E Pilatos o interrogou outra vez, dizendo: Nada respondes? Vê quantas coisas testificam contra ti.

5 Mas Jesus nada mais respondeu, de maneira que Pilatos se maravilhava.

6 Ora, no dia da festa costumava soltar-lhes um preso qualquer que eles pedissem.

7 E havia um chamado Barrabás, que, preso com outros amotinadores, tinha num motim cometido uma morte.

8 E a multidäo, dando gritos, começou a pedir que fizesse como sempre lhes tinha feito.

9 E Pilatos lhes respondeu, dizendo: Quereis que vos solte o Rei dos Judeus?

10 Porque ele bem sabia que por inveja os principais dos sacerdotes o tinham entregado.

11 Mas os principais dos sacerdotes incitaram a multidäo para que fosse solto antes Barrabás.

12 E Pilatos, respondendo, lhes disse outra vez: Que quereis, pois, que faça daquele a quem chamais Rei dos Judeus?

13 E eles tornaram a clamar: Crucifica-o.

14 Mas Pilatos lhes disse: Mas que mal fez? E eles cada vez clamavam mais: Crucifica-o.

15 Entäo Pilatos, querendo satisfazer a multidäo, soltou-lhe Barrabás e, açoitado Jesus, o entregou para ser crucificado.

16 E os soldados o levaram dentro à sala, que é a da audiência, e convocaram toda a coorte.

17 E vestiram-no de púrpura, e tecendo uma coroa de espinhos, lha puseram na cabeça.

18 E começaram a saudá-lo, dizendo: Salve, Rei dos Judeus!

19 E feriram-no na cabeça com uma cana, e cuspiram nele e, postos de joelhos, o adoraram.

20 E, havendo-o escarnecido, despiram-lhe a púrpura, e o vestiram com as suas próprias vestes; e o levaram para fora a fim e o crucificarem.

21 E constrangeram um certo Simäo, cireneu, pai de Alexandre e de Rufo, que por ali passava, vindo do campo, a que levasse a cruz.

22 E levaram-no ao lugar do Gólgota, que se traduz por lugar da Caveira.

23 E deram-lhe a beber vinho com mirra, mas ele näo o tomou.

24 E, havendo-o crucificado, repartiram as suas vestes, lançando sobre elas sortes, para saber o que cada um levaria.

25 E era a hora terceira, e o crucificaram.

26 E por cima dele estava escrita a sua acusaçäo: O REI DOS JUDEUS.

27 E crucificaram com ele dois salteadores, um à sua direita, e outro à esquerda.

28 E cumprindo-se a escritura que diz: E com os malfeitores foi contado.

29 E os que passavam blasfemavam dele, meneando as suas cabeças, e dizendo: Ah! tu que derrubas o templo, e em três dias o edificas,

30 Salva-te a ti mesmo, e desce da cruz.

31 E da mesma maneira também os principais dos sacerdotes, com os escribas, diziam uns para os outros, zombando: Salvou os outros, e näo pode salvar-se a si mesmo.

32 O Cristo, o Rei de Israel, desça agora da cruz, para que o vejamos e acreditemos. Também os que com ele foram crucificados o injuriavam.

33 E, chegada a hora sexta, houve trevas sobre toda a terra até a hora nona.

34 E, à hora nona, Jesus exclamou com grande voz, dizendo: Eloí, Eloí, lamá sabactáni? que, traduzido, é: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?

35 E alguns dos que ali estavam, ouvindo isto, diziam: Eis que chama por Elias.

36 E um deles correu a embeber uma esponja em vinagre e, pondo-a numa cana, deu-lho a beber, dizendo: Deixai, vejamos se virá Elias tirá-lo.

37 E Jesus, dando um grande brado, expirou.

38 E o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo.

39 E o centuriäo, que estava defronte dele, vendo que assim clamando expirara, disse: Verdadeiramente este homem era o Filho de Deus.

40 E também ali estavam algumas mulheres, olhando de longe, entre as quais também Maria Madalena, e Maria, mäe de Tiago, o menor, e de José, e Salomé;

41 As quais também o seguiam, e o serviam, quando estava na Galiléia; e muitas outras, que tinham subido com ele a Jerusalém.

42 E, chegada a tarde, porquanto era o dia da preparaçäo, isto é, a véspera do sábado,

43 Chegou José de Arimatéia, senador honrado, que também esperava o reino de Deus, e ousadamente foi a Pilatos, e pediu o corpo de Jesus.

44 E Pilatos se maravilhou de que já estivesse morto. E, chamando o centuriäo, perguntou-lhe se já havia muito que tinha morrido.

45 E, tendo-se certificado pelo centuriäo, deu o corpo a José;

46 O qual comprara um lençol fino, e, tirando-o da cruz, o envolveu nele, e o depositou num sepulcro lavrado numa rocha; e revolveu uma pedra para a porta do sepulcro.

47 E Maria Madalena e Maria, mäe de José, observavam onde o punham.

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Capitulo 16

1 E, passado o sábado, Maria Madalena, e Maria, mäe de Tiago, e Salomé, compraram aromas para irem ungi-lo.

2 E, no primeiro dia da semana, foram ao sepulcro, de manhä cedo, ao nascer do sol.

3 E diziam umas às outras: Quem nos revolverá a pedra da porta do sepulcro?

4 E, olhando, viram que já a pedra estava revolvida; e era ela muito grande.

5 E, entrando no sepulcro, viram um jovem assentado à direita, vestido de uma roupa comprida, branca; e ficaram espantadas.

6 Ele, porém, disse-lhes: Näo vos assusteis; buscais a Jesus Nazareno, que foi crucificado; já ressuscitou, näo está aqui; eis aqui o lugar onde o puseram.

7 Mas ide, dizei a seus discípulos, e a Pedro, que ele vai adiante de vós para a Galiléia; ali o vereis, como ele vos disse.

8 E, saindo elas apressadamente, fugiram do sepulcro, porque estavam possuídas de temor e assombro; e nada diziam a ninguém porque temiam.

9 E Jesus, tendo ressuscitado na manhä do primeiro dia da semana, apareceu primeiramente a Maria Madalena, da qual tinha expulsado sete demónios.

10 E, partindo ela, anunciou-o àqueles que tinham estado com ele, os quais estavam tristes, e chorando.

11 E, ouvindo eles que vivia, e que tinha sido visto por ela, näo o creram.

12 E depois manifestou-se de outra forma a dois deles, que iam de caminho para o campo.

13 E, indo estes, anunciaram-no aos outros, mas nem ainda estes creram.

14 Finalmente apareceu aos onze, estando eles assentados à mesa, e lançou-lhes em rosto a sua incredulidade e dureza de coraçäo, por näo haverem crido nos que o tinham visto já ressuscitado.

15 E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura.

16 Quem crer e for batizado será salvo; mas quem näo crer será condenado.

17 E estes sinais seguiräo aos que crerem: Em meu nome expulsaräo os demónios; falaräo novas línguas;

18 Pegaräo nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, näo lhes fará dano algum; e poräo as mäos sobre os enfermos, e os curaräo.

19 Ora, o Senhor, depois de lhes ter falado, foi recebido no céu, e assentou-se à direita de Deus.

20 E eles, tendo partido, pregaram por todas as partes, cooperando com eles o Senhor, e confirmando a palavra com os sinais que se seguiram. Amém.


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