Announcing: BahaiPrayers.net


More Books by Shoghieh Shaikhzadeh

Jornadas na Senda do Amor - Peças de Teatro
Tahirih - A Pura
Free Interfaith Software

Web - Windows - iPhone








Shoghieh Shaikhzadeh : Tahirih - A Pura
Peça Teatral
TÁHIRIH - A PURA
Escrita por SHOGHIEH SHAIKHZADEH
Baseada na obra
Táhirih, uma vida pela emancipação da mulher
de Martha Root
PERSONAGENS
Narrador
Táhirih
Hájí Mullá Sálih (pai de Táhirih)
Mullá Javád (primo de Táhirih)
Marzieh (irmã de Táhirih)
Mullá Muhammad (esposo de Táhirih)
Prefeito de Teerã
Khaton (esposa do prefeito de Teerã)
CENA 1: INFÂNCIA DE TÁHIRIH

(Música ao fundo. Táhirih está sentada na lateral do palco)

NARRADOR
Ó FILHO DA JUSTIÇA!

Aonde pode ir o apaixonado senão à terra de sua bem-amada? E aquele que procura, poderá ele ficar tranqüilo longe do desejo de seu coração? Para quem ama verdadeiramente, a união é vida e a separação morte. Vazio de paciência está seu peito; privado de paz, seu coração. A miríades de vidas ele renunciaria a fim de se apressar para onde se encontra a bem-amada.

Século XIX. As profecias indicavam que este seria um século abençoado. O século que presenciaria o aparecimento do Prometido anunciado nos Livros Sagrados de todas as religiões. Na Pérsia, muitos sábios e estudiosos tinham certeza de que estavam na Terra do Prometido.

Foi neste país que no ano de 1817, em uma família de nobre linhagem e grande reputação, nasceu uma menina cuja vida e heroísmo, elevariam-na ao pináculo da fama, sendo imortalizada como Táhirih, A Pura.

Desde a mais tenra infância atraía para si a atenção de todos, por sua inteligência. Ao invés de dedicar-se a jogos e entretenimentos, como suas amigas, dedicava horas inteiras à leitura. Era considerada pelos amigos e familiares e até mesmo pelos sacerdotes, um verdadeiro prodígio. Prodígio não só devido a sua inteligência, como também, a sua beleza, já que ao crescer tinha se transformado numa jovem em cujo rosto resplandecia uma beleza radiante.

Quando nasceu deram-lhe os nomes de Umm-Salmá, porém nunca a chamavam por esse nome. Chamavam-na sim por Zarín-Táj, que significa "Aquela coroada com ouro".

(Táhirih sentada no palco, levanta, anda um pouco e diz com nobreza)

TÁHIRIH

Minha vida foi muito abençoada por Deus.(Pai entra, pega o Alcorão e caminha, lendo, até sentar-se) Passei a maior parte de minha infância ouvindo os meus pais e familiares falarem sobre Deus, e desta forma foram me ensinando muitos assuntos espirituais. Entretanto, apesar de serem tão religiosos, pouco sabiam do verdadeiro significado espiritual. (fala em frente ao pai) Meu pai era um sacerdote de grande renome, muito versado nas tradições da lei muçulmana. Era muito respeitado e dava aulas sobre as doutrinas do Islã e as profecias do Profeta Muhammad. Em suas classes de religião haviam centenas de homens, mas nenhuma mulher (voz mais alta e serena). Mulheres eram tratadas como inferiores. Os homens achavam que as mulheres só serviam para cuidar da casa e ter filhos. E também só podiam aparecer em público usando véu.

Papai, deu-me permissão para ouvir suas aulas, porém eu deveria sentar-me atrás de uma cortina e permanecer escondida. Nenhum dos homens poderia saber que eu estava presente. Apesar disso, eu estava muito feliz por poder ouvir as aulas de meu pai. Às vezes, eu não conseguia ficar completamente quieta, então, um dia acabei ficando tão agitada por uma explicação errada de meu pai, que sem pensar, de trás da cortina disse que ele estava enganado no que acabara de dizer. Meu pai ficou muito surpreso e bravo, mas para sua maior surpresa, eu provei que ele estava errado, e assim todos acabaram percebendo que eu escondia-me atrás da cortina há muito tempo.

(Luz se apaga e Táhirih sai de cena. Acende a luz no pai)

PAI

Sou Hájí Mullá Sálih, o pai de Zarín-Táj. Minha filha desde criança sempre foi muito especial. A sua inteligência aguçada despertava a admiração de todos. Sabia tudo sobre as tradições islâmicas e até os melhores sacerdotes e o clero ficavam boquiabertos com sua inteligência. Quando aparecia uma dúvida na família, fosse esta sobre qualquer assunto, ela sabia responder perfeitamente.

Ela também tinha o dom de escrever belas poesias. Possuía um temperamento ardente e uma coragem indomável. (Triste) Pena que ela era uma menina. Oh, se fosse um menino como seria um motivo de orgulho para a família; seria meu sucessor. Era realmente uma pena.

(Apaga-se a luz lentamente enquanto personagem sai)

CENA 2: BUSCANDO A VERDADE
(Acende-se a luz e Táhirih entra)
TÁHIRIH

Ah, lembro-me exatamente do dia em que fui visitar um de meus primos e descobri alguns livros em sua biblioteca que muito me interessaram. Eles haviam sido escritos por devotados pesquisadores do Islã: Shaikh Ahmad e seu sucessor, Siyyid Kázim.

(Mullá Javád chega e vê Táhirih mexendo em seus livros)

MULLÁ JAVÁD
(Surpreso) Prima!
TÁHIRIH
Oh, primo, como vai?
MULLÁ JAVÁD

Estou bem, minha querida. Que surpresa ver você por aqui!

TÁHIRIH

Desculpe-me, por estar mexendo em seus livros. Encontrei estes e li algumas páginas; (interessada) percebi que Shaikh Ahmad é um grande estudioso e fala sobre a vinda do Prometido que todas as religiões estão esperando para esta época. Poderia emprestá-los à mim?

MULLÁ JAVÁD

Minha querida prima (preocupado), seu pai não gostaria nem um pouco que você lesse estes livros porque eles foram escritos por pensadores modernos. Eles vão contra os pensamentos de seu pai e de seu tio, que é seu sogro. Se ficarem sabendo que você os está lendo, primeiro vão me matar e depois castigarão você. Eu realmente temo as conseqüências!

TÁHIRIH

Não, não tenha medo! Por favor, é muito importante para mim. Há muito tempo que eu estou buscando informações sobre o Prometido de Deus que vai aparecer. Gostaria de pesquisar mais a respeito. Por favor, empreste-me os livros.

MULLÁ JAVÁD

(Triste) Querida prima, devo adverti-la, mais uma vez, que estes livros não concordam com os pensamentos de teu pai...

TÁHIRIH

(Firme) Eu sei, me interessei por eles exatamente por isso. Também não concordo com muitos dos pensamentos dele.

(Mullá Javád dá alguns livros na mão Táhirih)
TÁHIRIH

Oh, obrigada primo. Prometo cuidar muito bem de teus livros.

(Táhirih sai de cena entusiasmada e abraçada aos livros)

MULLÁ JAVÁD

Oh Deus, Ajudai-nos... (Balança a cabeça desaprovando a atitude de Táhirih. Sai de cena.)

CENA 3: A CAMINHO DE KARBILÁ
TÁHIRIH

Em um destes livros, eu li que o Profeta de Deus anunciado nas Escrituras Sagradas em breve apareceria, cumprindo as profecias de todas as religiões. E que Seu advento estava próximo, muito próximo! Os livros eram tão lógicos e convincentes que eu ansiava poder encontrar estes professores (suspira), mas logo soube que Shaikh Ahmad havia falecido há pouco tempo e Siyyid Kázim vivia muito longe, em uma cidade do Iraque, chamada Karbilá.

Karbilá é uma das cidades sagradas do Islã e todos os anos muitas pessoas vão até lá com o objetivo de visitar os Santuários. Eu sempre quis visitar os Santuários Islâmicos, porém não é permitido que uma mulher viaje sozinha. Foi então que um dia tive a idéia de chamar minha irmã. (chama a irmã, com empolgação) Marzieh! Marzieh!

(Marzieh entra em cena)
MARZIEH
(Assustada) O que aconteceu, Zarín?
TÁHIRIH
(Empolgada) Marzieh, quero pedir-lhe uma coisa.
MARZIEH
O quê?
TÁHIRIH

Eu estive pensando em visitar Karbilá. Mas, tenho certeza que papai não vai deixar-me ir sozinha.

MARZIEH
É evidente que não, Zarín. Você está sonhando?
TÁHIRIH

Não. Não estou sonhando. Só tive uma idéia fantástica e quero que você me ajude.

IRMÃ

Por acaso, essa idéia não é fazer-me ir para Karbilá junto com você, é?

TÁHIRIH
É isso mesmo. Marzieh, por favor...
MARZIEH

(Interrompe) Minha irmã, pela lei muçulmana não é permitida à mulher viajar sozinha. Mas, não acredito que papai deixe que nós, duas mulheres, façamos esta viagem juntas.

TÁHIRIH

Eu sei. Mesmo assim, vou tentar falar com ele. Quem sabe dá-nos permissão? Principalmente porque estamos indo juntas. Eu não viajarei sozinha.

MARZIEH

Talvez você tenha razão. (afasta um pouco, levanta os braços e virando a cabeça em direção de Táhirih diz) Que Deus nos ajude, Zarín. Que Deus nos que ajude! Mas, e seu marido? O que você vai dizer a ele?

(O marido de Táhirih entra em cena furioso)
MARIDO
Zarín, o que é que a senhora está pensando?
IRMÃ
Com licença. (Constrangida, sai de cena)
MARIDO

Eu, como seu marido e pai de teus três filhos, pergunto que caminho é este que está escolhendo para si mesma?

TÁHIRIH

De que caminho o senhor, meu marido, está falando?

MARIDO

O caminho dos pesquisadores da volta do Prometido de Deus. A senhora parece não perceber que a única coisa que eles fazem é enganar o povo.

TÁHIRIH

Ah sim? E como o senhor chegou a esta conclusão? (corajosa)

MARIDO

(Furioso) Está me perguntando como eu percebi? A senhora se esquece de que sou filho de um sacerdote muito famoso e ninguém pode se igualar a ele em conhecimento? E que, além disso, eu mesmo sou um profundo conhecedor sobre este assunto?

TÁHIRIH

Desculpe-me, por dizer isto ao senhor e ao senhor seu pai, que possuem tanto conhecimento. (respira fundo e diz corajosa) Será que em todos estes dias, os senhores realmente têm ido a mesquita falar ao povo, guiando-os e alertando-os sobre a volta do Prometido, conforme as escrituras anunciam? Penso que deveriam pesquisar sobre estes sábios estudiosos, ler seus argumentos. Assim, compreenderiam a época que estamos vivendo.

MARIDO

Chega! Chega! (Gritando) A senhora nunca deve falar sobre estes assuntos. Sua obrigação é ficar em casa e cuidar dos filhos. (Sai)

TÁHIRIH

(Para o público) Tenho feito isso senhor. Já lhe dei três filhos, e peço a Deus que os proteja. Mas, não posso permitir que nada se interponha entre mim e Deus. Não posso fechar os olhos para as evidências que anunciam o cumprimento da vontade divina. Sinto que, a partir de hoje, eu devo escolher outro caminho. (pega as suas coisas e sai)

CENA 4: A 17.ª LETRA DO VIVENTE

(Hájí Mullá Sálih está sentado e Marzieh em pé perto dele. Táhirih entra, cabisbaixa)

PAI

O que aconteceu, minha filha? (levanta-se surpreendido)

TÁHIRIH
Deixei minha família.
PAI

Deixastes teu marido e teus filhos... E por que ? Foi por causa desta bobagem sobre vinda do Prometido, não foi? (Irritado) Zarín, você envergonha nossa família. Tenho trabalhado a vida toda e tenho uma posição respeitada nessa cidade. (Suspira) Minha filha, eu te dei a oportunidade de estudar, de adquirir sabedoria. Como podes agir assim? Que bobagem é está agora? Como podes acreditar nesta bobagem sobre a vinda do Prometido de Deus e deixar sua família para trás?

TÁHIRIH

As Escrituras Sagradas afirmam, meu pai. O Prometido irá se declarar em breve, e por isso, devemos...

PAI

Cale-se! (Interrompendo) Feche esta boca e não fale bobagem. (Senta-se)

(Táhirih vai até ele, ajoelha-se e coloca as mãos carinhosamente sobre seus joelhos)

TÁHIRIH

Meu pai (com delicadeza) O senhor se lembra de quando eu era pequena e assistia às suas aulas? O senhor costumava me dar um conselho: "Minha filha, dentro do Alcorão há muitos mistérios ocultos, ouça com o seu ouvido interior. Ouça com o seu ouvido interior." Nunca me esqueço deste teu conselho. (Com convicção) Siyyid Kázim está falando a verdade, pois é um estudioso das escrituras. É por isso que devemos abrir nossos olhos e ouvidos interiores, meu pai! Muitas outras pessoas também acreditam que o aparecimento deste Ser Sagrado está próximo.

(Bravo, empurra as mãos de Táhirih, levanta-se e fica de costas para ela)

PAI

Não quero ouvir mais nada! Tudo isso em que vocês acreditam é contra o Alcorão.

(Táhirih vai atrás dele)
TÁHIRIH

(Firme) Isto que o senhor está falando não é motivado pela fé, mas pelo seu próprio ego. Meu pai (Meiga), o senhor é tão sábio! Se buscar enxergar as evidências do cumprimento das profecias estará seguindo a fé muçulmana, acredite! Se fizer o contrário estará prejudicando a si mesmo. Oh, querido pai, a chegada do Prometido está próxima, não devemos deixar que os véus do preconceito nos impeçam de reconhecê-Lo. Devemos tirar estes véus.

(O pai com calma, vira-se para ela)
PAI
O que queres que eu faça?
TÁHIRIH

Quero ir para Karbilá, quero pesquisar a verdade. (Respira fundo) Quero que meu pai esteja desprendido das riquezas mundanas, da sua atual posição e venha comigo.

PAI

Zarín...(hesitante) Não, eu não vou fazer isso. (Firme) Faça o que você achar melhor. Eu não vou deixar que te prejudiquem.

(Marzieh vem até o pai)
MARZIEH

Meu pai, se o senhor permitir, irei com Zarín-Táj à Karbilá.

PAI
(surpreso) O quê? Viajarem juntas para Karbilá?
MARZIEH
Sim, o senhor permite?

(Pai caminha de um lado para o outro refletindo, balançando a cabeça)

PAI

Não sei o que dizer. (pensativo) Está bem, eu permito. Quem sabe ao ver os Santuários Islâmicos, tu (aponta para Táhirih) mudes de idéia e te tornes novamente uma verdadeira muçulmana.

(Pai sai e Marzieh fica em cena, na penumbra)
TÁHIRIH

"Ó meu Deus, meu Senhor e meu Mestre! Desliguei-me de meus parentes e procurei, através de Ti, tornar-me independente de todos os que habitam na terra e, sempre pronto para receber o que a Teus olhos for louvável. Confere-me um bem que me torne independente de tudo, menos de Ti, e concede-me um quinhão mais amplo de Teus ilimitados favores. Em verdade és Tu o Senhor de graça abundante."

(A luz abre e Táhirih volta-se radiante para Marzieh)

TÁHIRIH
Marzieh, vamos arrumar nossas coisas!

(Entra música para a viagem, coreografia. Táhirih e sua irmã vão chegando no palco, com as mãos dadas, e caminhando para junto da luz no palco, narrando a viagem. Durante a narração de Táhirih, Marzieh pega as trouxas e sai de cena)

TÁHIRIH

Viajei com Marzieh para Karbilá em 1843. Naquela época eu tinha 26 anos. Estava muito ansiosa para encontra-me com Siyyid Kázim, pois já tínhamos nos correspondido e cada vez mais eu tinha certeza que ele poderia ajudar-me a reconhecer o Prometido. (Triste) Porém, chegando lá, tive uma grande decepção: Siyyid Kázim havia falecido há apenas 10 dias. Mas sua família convidou-me para ficar com eles. Sua esposa contou-me que ele havia pedido para eu não desistir de minha busca e que eu certamente encontraria o Prometido.

Durante 3 anos ficamos em Karbilá. A cada dia aumentava meu anseio pela manifestação do Prometido. Uma noite, após um período de jejum e meditação, tive um sonho. Sonhei com um Jovem que era descendente do Profeta Muhammad. Este Jovem aparecia em meu sonho pairando no ar, repetindo certas palavras e orações. Quando acordei, recordei-me de algumas daquelas palavras e decidi escrevê-las.

Poucos dias depois soube que o marido de minha irmã, de repente, deixara sua cidade natal e saíra em busca do Prometido. Mandei-lhe então uma carta lacrada para que fosse entregue ao Prometido quando ele O encontrasse. Disse-lhe: "Certamente você irá encontrá-Lo em sua jornada".

O meu cunhado se dirigiu então para Shíráz. Naquela cidade, ele e mais 15 pessoas já haviam reconhecido um Jovem meigo com os sinais e evidências dAquele que seria o Prometido tão ansiosamente aguardado. Ele era chamado de O Báb, que significa A Porta.

Esses primeiros 15 discípulos do Báb foram denominados Letras do Vivente. O meu cunhado foi a 16.ª Letra. Nesta mesma ocasião, ele entregou minha mensagem ao Báb. (Emocionada) Oh, que bênção! Que privilégio! Quando o Báb leu minha carta, imediatamente declarou-me como a 17º Letra do Vivente e assim tornei-me a única Letra do Vivente que jamais esteve na presença dEle.

O Báb enviou-me alguns dos Seus Escritos em árabe e, para minha surpresa, quando os li, eram exatamente as mesmas palavras que eu tinha ouvido em sonho. (Neste momento, duas pessoas entram e permanecem em um canto conversando) Tive então, certeza de que O Báb era o mesmo Jovem que eu tinha visto em sonho, o tão ansiado Prometido.

CENA 5: ANOS EM KARBILÁ

(Táhirih se dirige para as pessoas e começa a conversar com elas. A irmã entra pelo fundo do palco e começa a narrar, apontando para Táhirih)

MARZIEH

Logo, todos em Karbilá souberam que Táhirih se tornou bábí, pois ela ensinava abertamente sua Fé na própria cidade sagrada do Islã. (As duas pessoas saem e Táhirih caminha devagar no palco. Nesse momento, entram duas pessoas vestidas de negro e olham para Táhirih com repúdio e saem dando as costas para ela) Ah, lembro-me do aniversário do martírio de Imame Hussain, um dia muito sagrado para os muçulmanos. Ela pediu a mim e aos outros parentes que não usássemos roupas negras, como é tradição naquele dia, mas que usássemos roupas com cores bem vivas e brilhantes. Sabem porquê? Porque aquele dia também era o dia do nascimento do Báb, e por isso era um dia de muita alegria e felicidade. (Pausa. Táhirih sai cabisbaixa) Quando os sacerdotes souberam disso, reportaram suas ações ao governo e exigiram que ela fosse encontrada e punida.

Os funcionários que a estavam procurando, prenderam, por engano, outra mulher. Quando ela soube disso, escreveu ao governador dizendo que haviam prendido a mulher errada. Imediatamente, ele mandou prendê-la e por 3 meses Táhirih ficou enclausurada na casa do governador. Naqueles dias não era permitido que alguém a visse. Ninguém podia visitá-la, nem ela podia sair.

Foi justamente nestes dias que ela soube que O Báb havia convocado uma Conferência dos líderes bábís na província de Khurasán, no Irã. (com voz alta) Mas sendo prisioneira na casa do governador, como ela poderia estar presente? Entretanto, acreditava que nada a poderia impedir-lhe de ir a esta Conferência e assim, escreveu ao governador dizendo que gostaria de mudar de Karbilá para Bagdá. Os sacerdotes tentaram impedir a sua saída. Eles ainda queriam que ela fosse publicamente castigada. Mas, por fim, o governador permitiu a sua saída. Quando estávamos saindo da cidade por várias vezes fomos apedrejadas pelas pessoas. Chegando em Bagdá, meu pai soube dos acontecimentos e pediu aos nossos irmãos que nos encontrassem e nos levassem de volta para casa.

CENA 6: O REENCONTRO COM A FAMÍLIA

(Táhirih entra em cena. Narrando, encontra-se com Marzieh e caminham em direção à família, que já está no palco)

TÁHIRIH

Saímos de Bagdá acompanhadas de alguns bábís. Atravessamos diversas cidades, onde encontramos muito respeito e cortesia. Quando cheguei encontrei reunidos: meu tio, que era meu sogro e o meu marido. (com grande alegria vai até eles e diz) Vocês sabiam que O Prometido, O Báb já chegou? Minha maior alegria é poder divulgar os Seus ensinamentos."

PAI

(indignado) Pensei que quando vocês voltassem dos Santuários Sagrados, iriam esquecer de tudo isso. Não estou nada satisfeito! Você, com tanta sabedoria e inteligência está acreditando em um Jovem de Shíráz? Se você tivesse nascido um homem, em vez de mulher, e se dissesse que era o Prometido, eu acreditaria.

TIO

(levanta e com raiva fala) Por que você está falando isso? Por que acredita nessas bobagens? Por que não ouve seu pai, seu marido, sua família? O Báb é uma farsa! Um herege! Volte para sua casa, para seu marido e seus filhos.

TÁHIRIH

Se meu esposo desejasse e realmente quisesse ser um fiel companheiro para mim, teria se apressado em encontrar-me em Karbilá e ele mesmo teria guiado a pé, meu howdah por todo o caminho até Qazvín, e eu o teria acordado de seu sono e indiferença e mostrado-lhe o caminho da Verdade. Não voltarei para casa! Já se passaram três anos, desde nossa separação! Não temos nada em comum! (Corajosa) E por rejeitarem a religião de Deus, são todos impuros!

(O tio dá um empurrão em Táhirih e ela cai. Sai muito bravo, seguido pelo pai e a irmã de Táhirih. A luz se fecha, Táhirih levanta-se devagar e fala com tristeza)

TÁHIRIH

No dia seguinte à briga numa sexta-feira, o feriado dos muçulmanos, meu tio foi assassinado em uma mesquita. Apesar de todos saberem que o assassino não era um seguidor do Báb, eu fui acusada. E o meu esposo ficou ainda mais furioso comigo. Com muito ódio, juntamente com o clero, pediu ao xá que eu e outros seguidores do Báb recebêssemos uma dura punição. (pausa) Eu recebi ordens para não sair do quarto e foram colocadas algumas mulheres para me vigiar. Muitos outros bábís foram presos e como não conseguiram achar o verdadeiro assassino, declararam um de nós como culpado e o mataram.

Ainda assim, meu marido não sossegou. O ódio transbordava e ele insistentemente pedia ao governador mais e mais punição. Assim, o governador deu ordens ao executor para trazer ferro quente para nos marcar. Para nos aterrorizar, colocaram as mãos de minha criada na minha frente pretendendo marcá-las. Primeiro marcariam minha querida criada e depois a mim. (fala com convicção e firmeza) Mas, eu tinha certeza que eles não conseguiriam fazer isso. Meu único refúgio era O Todo-Poderoso. Descobri o meu rosto e virei-me em direção a prisão do Báb, em Máh-Kú e comecei a orar. Os ferros em brasa foram trazidos a frente e as mãos de Káfiyih foram preparadas para serem queimadas. De repente, a voz de um pregoeiro foi ouvida do lado de fora da rua: "O assassino foi achado. O assassino foi achado" (uma pessoa entra gritando e sai logo). Assim, eu e minha querida criada fomos libertadas e fui levada até a casa de meu pai. (pausa) Mas meu esposo continuou a me odiar e me maltratar, tentando até envenenar-me.

(Táhirih em cena, congelada. Música)
CENA 7: CONFERÊNCIA DE BADASHT
NARRADOR

Táhirih continuou ensinando, onde quer que fosse e onde pudesse. De novo, o clero e o povo daquela cidade ficou contra ela, dizendo que deveria ser morta o mais rápido possível, pois não deveria sair viva de Qazvín. E, mais do que nunca, ela era vigiada. (pausa) Porém, em uma noite, calmamente conseguiu escapar com alguns amigos para Teerã.

Foi em Teerã que ela esteve na presença de Bahá'u'lláh e prontamente reconheceu a futura Glória de Deus, predita pelo Báb. Alguns dias após a chegada de Táhirih, Bahá'u'lláh decidiu enviá-la à Conferência de Badásht. A Conferência foi muito esperada pois havia sido convocada pelo próprio Báb, e Bahá'u'lláh deveria seguir para lá poucos dias depois. O propósito desta reunião era duplo, primeiro: identificar quais eram as medidas a serem adotadas para que a Fé do Báb não fosse vista como uma seita do Islã e sim como uma Fé independente com seu próprio Profeta e Escrituras; e segundo: se haveria alguma forma de livrar o Báb da cruel prisão de Chihriq. Quanto ao primeiro objetivo, a Conferência foi um sucesso, mas falhou no segundo, pois O Báb não foi libertado da prisão.

(fazer cena com pessoas)

Bahá'u'lláh chamou um de Seus irmãos e deu-lhe instruções sobre a viagem de Zarín-Táj. A Conferência aconteceu na província de Khurasán, no pequeno vilarejo de Badásht. Era um lugar de veraneio cheio de jardins. Quando a Abençoada Beleza, Bahá'u'lláh chegou em Badásht, Ele alugou três jardins. No meio dos três jardins havia uma parte aberta, como se fosse um pátio, onde os amigos podiam conversar livremente. O Báb não pôde ir porque estava na prisão. Entretanto aquelas 81 almas que se reuniram em Badásht, tiveram o privilégio em participar daquela Conferência.

Todos os dias, Bahá'u'lláh revelava uma nova Epístola ou explanação, que era entoada para todos por um dos bábís. Nestas Epístolas, Ele deu a cada um, um novo nome para o Novo Dia. Ele próprio aceitou o nome de Bahá, o qual o Báb já lhe havia concedido. E para Zarín-Táj deu o título de "Táhirih" que significa "A mais pura". Táhirih era a única mulher presente e participante das consultas. Isso deixava muitos homens intrigados, mesmo estando ela, escondida atrás de uma cortina.

Porém, o preconceito dominava. Certo dia um homem perguntou à ela, como uma mulher podia participar das consultas com os homens. Ela respondeu:

TÁHIRIH

Nossas conversas são sobre Deus, religião, aspectos espirituais e sobretudo, acerca de nossas vidas no Caminho da Verdade.

Um dia, Bahá'u'lláh ficou doente e não saiu da Sua tenda. Sem dúvida, havia uma sabedoria nisso. Todos os crentes, a não ser eu, porque era mulher, foram visitar Bahá'u'lláh. Enquanto todos se reuniam em volta dEle, eu mandei uma mensagem para Qúddus para que fosse me encontrar no jardim. Qúddus recusou-se a ir, mas (pausa) eu fui vê-lo. (Táhirih aproxima-se do grupo) Ao entrar no jardim onde todos os homens estavam, tirei o véu. (tira o véu) Com a maior calma, andei em frente e fiquei ao lado de Qúddus. Todos ficaram com medo, com raiva e confusos. (algumas pessoas saem indignadas da cena) Muitos ficaram sem palavras perante mim. Eu tinha um sentimento de muita alegria e não ligando para o medo e a raiva de meus companheiros, disse-lhes: "Este é um dia para sermos felizes. Este é o Dia em que se deve esquecer tudo do passado. Que todos nós que compartilhamos desta grande ocasião, levantemo-nos e abracemo-nos. Este é um Dia de festas e de júbilo universais. O Dia em que algemas do passado foram despedaçadas."

Após este acontecimento, por vários dias Qúddus não conversou comigo. (as pessoas vão se levantando e saindo em grupos, aos poucos) Mas depois de alguns dias, Bahá'u'lláh, com Seu jeito maravilhoso, aproximou-nos e, juntos, começamos a servir a Causa de forma muito construtiva. Os seguidores do Báb começaram a dirigir-se para todas as direções. Cada um levou para a sua própria região as estimulantes notícias dos acontecimentos em Badásht.

(Táhirih vai caminhando para frente do palco e a luz fecha-se nela)

CENA 8: PRISÃO DOMICILIAR EM TEERÃ

Por ordem do rei, fui levada até Teerã e fiquei presa na casa do prefeito. No começo, eu fiquei em um pequeno quarto, o qual não tinha degraus. Toda vez que eu queria sair ou entrar colocavam uma escada. Mas, de qualquer forma, eu estava muito feliz pois tinha meu Amado dentro do meu coração.

(Neste intervalo batem na porta e entra o prefeito com a esposa que está usando um chador. Táhirih logo põe o chador. Abre a luz no novo cenário)

PREFEITO

Muito bem, por enquanto a senhora está na minha casa, presa neste quarto. Peço a senhora que obedeça as leis que o rei estabeleceu. A senhora não tem direito de visitar ninguém a não ser a minha esposa Khaton, a qual estará sempre com a senhora. Minha casa é vigiada por soldados por todos os lados, portanto não pense que poderá fugir.

TÁHIRIH
E por que eu desejaria fugir, senhor prefeito?
PREFEITO

Não sei. De qualquer forma eu voltarei mais vezes e caso haja alguma ordem do rei lhe informarei.

(Prefeito sai, Táhirih tira chador e vai perto de Khaton)

TÁHIRIH

Muito bem, minha carcereira, o que desejas e o que devo fazer?

KHATON

Minha querida senhora, o que posso dizer para estes seus olhos que tanto brilham cheios de fé. Enquanto conversava com Mahmud, meu marido, notei que és diferente dos outros. Por favor, diga o que eu posso fazer pela senhora...(receosa) Por outro lado, se eu não cumprir as ordens de meu marido ele é capaz de me matar. Mas não desejo fazer-lhe mal algum (com súplica) Por favor, diga o que eu posso fazer?

TÁHIRIH

A senhora não deve fazer nada a não ser aquilo que seu marido mandou. Devemos ter certeza que Deus está conosco e que vai acontecer a vontade de Deus, portanto obedeça ao seu marido.

KHATON

Estranho, é muito estranho. Quando o meu marido disse que conforme a ordem do xá, você ficaria como prisioneira na nossa casa, ele me disse: "Khaton, escute bem o que estou falando. Táhirih é uma pessoa muito perigosa. Ela quer fazer a maior confusão neste país." Ele me pediu para vigiá-la o tempo todo para que não fugisse. Mas quando a vi pensei, como pode uma mulher tão amável e cheia de fé ser perigosa para o nosso país?

TÁHIRIH

Khaton, querida... peço a Deus que te guie e te ajude a acreditar na vinda do Prometido.

(de repente a voz do prefeito vem de trás da porta)

PREFEITO
Posso entrar?
(Táhirih logo levanta e põe chador na cabeça)
TÁHIRIH
Sim, senhor prefeito, pode entrar.
PREFEITO
Eu trouxe uma boa notícia.
KHATON
Que notícia?
PREFEITO

Estou voltando da presença do xá e ele ordenou sua liberdade. A senhora está livre!

TÁHIRIH
Eu sei o motivo pelo qual o rei libertou-me.
PREFEITO

Não, a senhora não sabe. Eu trouxe-lhe uma carta do rei. (abre a carta e começa a ler)

"Estimada senhora Táhirih,

Eu, como rei da Pérsia, durante várias ocasiões, ouvi falar da sua sabedoria e inteligência e gostaria de dizer-lhe que estou apaixonado pela senhora. Porém, sei que a senhora diz que acredita no Báb. Assim, se disser que não é mais bábí e sim uma verdadeira muçulmana, eu lhe darei uma posição muita elevada: a escolho como a rainha da Pérsia. Logo após a sua resposta, a receberei em minha presença."

Ass. Naseredin Sháh Ghojar

A senhora permite que eu seja a primeira pessoa a parabenizá-la por este privilégio? O ministro disse que a primeira providência que devo tomar depois da resposta positiva da senhora, será levá-la para dois sacerdotes muçulmanos. Eles vão perguntar se a senhora é bábí ou não. É muito simples, é só dizer que não e eles não farão mais pergunta nenhuma.

TÁHIRIH
De jeito nenhum. Eu nunca negarei minha fé.
PREFEITO

Não é exatamente negar a sua fé, eles sabem que no fundo do coração a senhora é bábí, mas na presença deles é só dizer uma palavra: não. É assim, tão simples minha senhora!

TÁHIRIH

Não, nem por um segundo negarei minha fé por causa desta vida mundana, que não tem nenhum valor, nem significado.

PREFEITO

É esta a sua resposta ao o rei? Sua palavra final?

TÁHIRIH
Sim. É minha palavra final.
PREFEITO

Muito bem, eu vou embora, mas ainda vou esperar. (vira para a sua esposa) Espero que você, Khaton, consiga convencê-la. Quem sabe ela toma juízo. (sai)

CENA 9: O MARTÍRIO DE TÁHIRIH

(Khaton vai ao encontro de Táhirih e fala com muito amor)

KHATON

Minha querida irmã, pense bem no privilégio que a senhora vai ter. É só dizer uma palavra, não, e a senhora vai ser a rainha da Pérsia.

TÁHIRIH

Muitas pessoas tomaram com muita alegria e regozijo a taça do martírio. Eu não quero ser menor que elas. Se eu negar esta religião, estarei negando todas as religiões anteriores, como a de Jesus Cristo, de Moisés e do Profeta Muhammad que também profetizou a vinda do Prometido de Deus, cabendo a nós pesquisar a verdade. Querida irmã, você acha que ser rainha é grande honra? Por favor, não se deixe iludir por estas coisas materiais, esta coroa e este trono não tem nenhum valor verdadeiro. (pausa) Pense na vida de Jesus Cristo, quando Ele disse: "Eu sou o Rei dos Reis". Os fanáticos riram dEle e por fim O crucificaram. Mas hoje está claro que ele é o Rei dos Reis.

KHATON

Táhirih, querida Táhirih, você é muito mais que uma rainha.

TÁHIRIH
Deixe que eu beije o seu rosto.
(Abraçam-se e beijam-se)
TÁHIRIH

Estou me preparando para encontrar-me com meu Bem-Amado e desejo livrar-me das coisas deste mundo.

(Khaton começa a chorar e soluçar)
KHATON

Por favor, Táhirih, não fale isso. Eu não posso me separar de ti.

TÁHIRIH

Não chores. Aproxima-se a hora em que serei levada e condenada (tira um lenço branco de seda e diz) e desejo compartilhar contigo meus últimos desejos. (Serena) É meu desejo ser estrangulada com este lenço, o qual guardei com este objetivo. E meu último pedido a ti é que não deixes que ninguém entre no meu quarto até a hora em que eu for chamada para deixar esta casa. Desejo jejuar, um jejum que não será rompido até que eu me encontre face a face com meu Bem-Amado. (pausa) Por favor, vá e feche a porta.

(Khaton fica num canto do palco e Táhirih no outro. A luz se fecha em Táhirih e ela faz uma oração.)

TÁHIRIH

Ó Deus, meu Deus! Confiaste às minhas mãos uma incumbência de Ti e agora, segundo o beneplácito de Tua Vontade, a chamaste para regressar a Ti... Tua serva, ó meu Senhor, fixou suas esperanças em Tua graça e generosidade. Permita que ela obtenha o que a faça aproximar-se de Ti e a beneficie em cada um de Teus mundos. Tu és Quem perdoa, o Todo-Generoso. Não há outro Deus, salvo Tu, Quem a tudo ordenas, o Ancião dos Dias.

(A luz permanece em Táhirih e outra se abre em Khaton)

KHATON

Táhirih orou a noite toda para que pudesse ser digna de encontrar-se com Deus, o Todo-Poderoso. Quatro horas após o pôr-do-sol ouvi baterem na porta. Corri até meu filho e contei-lhe a última vontade de Táhirih. Ele foi abrir a porta e voltou dizendo que os guardas do governo estavam ali para levar Táhirih. (pausa) Fiquei aterrorizada. Caminhei até o seu quarto (vai até Táhirih) e, com as mãos trêmulas, abri a porta. Logo que me viu, Táhirih aproximou-se e beijou-me (Táhirih beija a testa de Khaton e entrega-lhe uma caixa. A luz abre no cenário novamente)

TÁHIRIH

Deixo-lhe isto como uma lembrança minha. Quando abrir este baú e segurar as coisas que nele contém, espero que se lembre de mim e se regozije na minha alegria. (Emocionada) Adeus, minha querida irmã.

(Assim, Táhirih sai e Khaton, com cabeça baixa e triste, fica em um canto do palco)

NARRADOR

Levaram Táhirih para um jardim fora dos portões da cidade de Teerã. O chefe e seus tenentes estavam no meio de uma bebedeira e tinham esquecido completamente da execução de Táhirih. Táhirih pediu ao filho do prefeito que, como um amigo, a acompanhasse. "Eles deverão me estrangular. E há muito tempo separei um lenço branco de seda para que fosse usado com esse propósito. Entrego-o em suas mãos. Não desejo dirigir nenhuma palavra aos meus assassinos". O filho do prefeito conseguiu que os carrascos aceitassem o pedido de Táhirih, utilizando aquele lenço ao redor do seu pescoço como instrumento de seu martírio. Contam que suas últimas palavras foram:

TÁHIRIH

(voz-off) Podereis matar-me assim que quiserdes, mas não podeis estagnar a emancipação da mulher!

KHATON

Meu filho voltou contando o que tinha acontecido. Chorei lágrimas amargas, quando ele relatou a trágica história. Enquanto segurava a caixa que ela tinha me dado, fiquei pensando como uma grande mulher poderia abandonar por sua fé, todas as riquezas e honras com a qual tinha sido cercada. Qual teria sido o segredo daquele poder que a arrebatou do lar e da família?

NARRADOR

Táhirih foi fiel à Fé do Báb desde o momento em que a aceitou até a hora de seu martírio, e nem por um momento, deixou vacilar sua firme crença.

Táhirih estava em toda a sua plenitude e poder quando foi martirizada. Tinha 36 anos. Siyyid Kázim chamou-a de "Qurratu'l-Ayn", que significa "Consolo dos Olhos". Outros chamaram-na de Zarín-Táj, "A coroa de ouro". Mas o nome pelo qual permanecerá através dos séculos nos corações de todos os povos é Táhirih, "A Pura".

(Música. A luz vai baixando lentamente. Cai o pano)

1

Table of Contents: Albanian :Arabic :Belarusian :Bulgarian :Chinese_Simplified :Chinese_Traditional :Danish :Dutch :English :French :German :Hungarian :Italian :Japanese :Korean :Latvian :Norwegian :Persian :Polish :Portuguese :Romanian :Russian :Spanish :Swedish :Turkish :Ukrainian :