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Sempre Te Amei
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Sérgio Couto : Sempre Te Amei
Sérgio Resende Couto
Sempre Te Amei
Cartas, Poemas e Pensamentos
Editora Planeta Paz

Revisão: Osmar Mendes, Rolf Von Czékus, washingtom Araújo

O leitor tem em mãos um livro precioso por duas razões. A primeira é que em 57 cartas, 22 poemas, 138 pensamentos, uma reflexão e um relato de viagem aos índios kiriris, iremos nos deparar com o testemunho vivo de alguém que ousou amar o próximo que pode ao seu criador. É a trajetória de Sérgio Resende Couto pelos caminhos do coração.

A segunda razão é que estes textos nos falam de palavras antigas com novos significados: pecado e virtude, amor e desprendimento, martírio, pureza e santidade. E nos desafiam a fazermos nossa trajetória humana em busca do Mais Amado, o Amoroso Criador, Deus.

A palavra gratidão também salta destas páginas: mais que uma dezena de pessoas que se beneficiaram da convivência com o autor destes textos escrevem seus testemunhos.

... na verdade, me considero um servo de Bahá'u'lláh e do Mestre. Um obreiro, um caminheiro-peregrino, e não me sinto indispensável. Nem importante, e nem proeminente.

Não possuo conhecimento inato, e sem os livros bahá'ís que carrego não consigo dar uma aula ou explanação sequer sobre a Fé Bahá'í.

Portanto, a única coisa que desejo... é poder fazer a vontade de Deus, que ele guie meus passos, cada passo, cada hábito de vida, cada minuto, cada dia, e cada amanhecer.

Que eu retorne para Ele assim como Ele quis que eu retornasse.

Sabe, obedecer é tão doce. Muito doce. É uma mistura de mel com almíscar, e recoberto de pólem de flores. Na verdade, assim como amor, é uma bebida que inebria. Que Deus me tenha inspirado nesta carta, e tenha conseguido que você compreenda que eu sou só e simplesmente um bahá'í que está tentando desesperadamente seguir o seu Bem-Amado.

Com profundo amor bahá'í,
Sérgio
Sérgio Resende Couto
UM PERFIL BIOGRÁFICO

Sérgio Resende Couto nasceu em 8 de maio de 1942. Era o quinto e mais jovem filho de uma família católica de Sergipe que se mudou para a Bahia quando ele tinha 4 anos. Aos 12 anos conheceu a Fé Bahá'í através do "Clube de Jovens" que havia sido formado graças aos esforços da Sra. Margot Worley e de seus filhos, reconhecendo Bahá'u'lláh como Mensageiro de Deus para esta época e tornando-se um ativo apoiador da Causa.

Em 1963 foi comemorado o centenário da Declaração de Bahá'u'lláh no Congresso Mundial de Londres, quando também foram apresentados os membros eleitos na primeira eleição para a Casa Universal de Justiça. Na época, Sérgio, então com 21 anos, decidiu participar desse evento internacional, não medindo esforços para reunir os recursos financeiros necessários, tendo por exemplo que engraxar sapatos para pagar a viagem. Embora sua família não compreendesse o motivo de tanto sacrifício, uma vez mais ele demonstrava a sua força de vontade e determinação. Neste grande evento, que reuniu cerca de oito mil bahá'ís, ele, por acaso, sentou-se junto de uma jovem chamada Ann, uma bahá'í irlandesa. Ela, observando o crachá de Sérgio, confundiu o nome do país Brasil com Britain. Começaram a conversar e tinha início então uma bonita história de amor que se manteve por correspondência durante sete anos, culminando com seu casamento realizado no Brasil. Dessa união nasceu Clara alguns anos depois em São Paulo.

A presença da Mão da Causa de Deus, Dr. Rahmat Muhájir, na Convenção Nacional de 1976, na Bahia, criou uma atmosfera de intenso amor ao ensino da Fé Bahá'í e de ardente desejo de conquistar os corações dos povos para a Mensagem de Bahá'u'lláh. O poder que emanava das palavras de Dr. Muhájir havia tocado todos os corações nesta Convenção, cada um desejando participar de alguma forma. Quem chegou a conhecer o Dr. Muhájir jamais esquecerá os seus olhos cheios de luz e de uma convicção que por si só convenciam as almas quanto a importância dos esforços de ensino.

Durante as suas palestras, o Dr. Muhájir parecia ler o âmago de cada um dos seus ouvintes, quando lhes fitava os olhos. Como de costume a Mão da Causa não só estimulava os bahá'ís para o ensino como também já deixava uma equipe treinada para as tarefas do plano antes de partir. Desta vez Dr. Muhájir queria que Sérgio, a Sra. Touba Maani e mais algumas pessoas que já vinham participando de ensino e reuniões místicas em São Paulo e Belo Horizonte ficassem na Bahia para servirem de tempo integral por algum tempo.

Nesta época, Sérgio e Ann viviam em São Paulo e Clara tinha dois anos, mas sem hesitação a família respondeu ao chamado. Ann voltou temporariamente para São Paulo, e Sérgio, Sras. Touba, Beth Guia e Marisa Seabra e um punhado de jovens de Belo Horizonte nem retornaram para suas casas para trazer o resto de suas bagagens. Eles simplesmente ficaram em Salvador! O fogo que ardia em seus corações não permitia que dessem atenção a coisas secundárias.

Após a partida de alguém tão especial quanto o Dr. Muhájir, que já havia incendiado os corações, fez-se necessária a presença do Conselheiro Sr. Raul Pavón para orientar melhor a equipe no modo de transmitir de forma clara a mensagem bahá'í.

Esta fase da vida de Sérgio foi a de maior intensidade no serviço à Causa e parece ter sido o auge de sua vida espiritual. Talvez tenha sido assim para todos os instrutores que participaram do ensino na Bahia em 1976.

Uma pequena casa de construção simples, circundada por árvores, em um terreno imenso, era para Sérgio e seus companheiros a imagem do Forte Shaikh Tabarsí, imortalizado na história bahá'í pela narrativa de Nabil (Os Rompedores da Alvorada), de onde saíam com o brado de Yá Sahibu'l-Zamán (Ó Tu, Senhor do Tempo!) para as áreas de ensino e de lá retornavam ainda mais felizes com as vitórias conquistadas.

O envolvimento com esta missão era tão intenso que muitos chegaram a acreditar que o restante de suas vidas seria desta forma. Varar a madrugada, lendo e saboreando o significado de trechos das Escrituras, tinha se tornado rotina. As histórias dos santos, heróis e mártires afugentava o sono dos olhos cansados com as tarefas do dia. As experiências místicas experimentadas em diversas ocasiões enchiam os corações de indizível enlevo e felicidade. As dádivas do Senhor dos Exércitos que generosamente choviam em suas vidas traziam aos corações a doçura de seu amor. Parecia que bastava abrir o coração para ser alvo de graças infindáveis.

O seu lema "ordem e beleza" podia ser visto em sua caligrafia, em seus inúmeros cadernos de anotação, em sua mesa de trabalho, em sua estante de livros e mesmo em todos os cantos da casinha que alojava em média doze instrutores. A sua capacidade de compreender os problemas e aplicar soluções com "rapidez e eficiência", como ele costumava repetir nas suas aulas de treinamento de instrutores, serviriam de exemplo para os jovens que mais tarde teriam que desincumbir-se de tarefas de grande responsabilidade dentro da Causa. Naturalmente a convivência próxima por tanto tempo com pessoas tão pertencentes à mesma família não era nada fácil; não havia como evitar os atritos e choques de personalidades distintas. Costumava dizer que "as arestas somente seriam polidas com muito atrito, e então, a unidade seria preservada através de consultas francas e amorosas..."

O ano de 1976 foi repleto de vitórias e provações mas também de dádivas. A maior de todas, para muitos dos que estiveram na Bahia naquele ano, foi a presença da Mão da Causa de Deus, Sr. Enoch Olinga, por um período de um mês, antes da Conferência Internacional Bahá'í de Ensino que se realizaria em janeiro de 1977 no bonito Teatro Castro Alves. Durante este tempo quase que diariamente Sérgio encontrava-se com esse grande oceano de amor que era o Sr. Olinga e sua esposa Elizabeth, retornando embevecido à Sede Bahá'í. Os instrutores também tiveram oportunidades inesquecíveis de serem alvos de atenção amorosa e o toque de suas mãos espirituais que inundavam de felicidade os corações.

Durante este tempo, o Sr. Enoch Olinga e sua esposa acompanharam os instrutores para os diversos bairros da periferia de Salvador onde o ensino havia sido iniciado. Numa ocasião em Pau da Lima, uma multidão se reunir ao redor de Sr. Olinga atraídos por seu sorriso amoroso, sua face radiante e o seu digno porte de figura africana.

Nas consultas com Sérgio que nesta época servia como o Membro do Corpo Auxiliar de Propagação, e com os instrutores, o Sr. Olinga dirigia palavras sempre encorajadoras dando um grande valor ao trabalho que estava sendo feito. Chegou até a comentar que a Bahia estava sendo palco do mais verdadeiro ensino às massas que ele tinha visto.

A alegria foi imensa quando o casal Olinga aceitou passar dois dias na Sede Bahá'í. Hospedaram-se no quarto de Sérgio e Ann, os quais estavam radiantes com o fato. Numa noite já bem tarde em uma reunião com todos, o Sr. Olinga disse estar sentindo-se dentro do Forte Shaikh Tabarsí. Desnecessário afirmar que aquela noite foi inesquecível.

Viver com intensidade era outra característica de Sérgio. O seu intenso amor criava em seu coração o desejo de entrega completa ao Bem-Amado. Ele tinha uma atração muito forte pelos mártires da Fé, sabia os pormenores da história de alguns desses mártires, que por sua vez, relatava com inúmeras aulas de aprofundamento. Emocionava e reacendia a chama, o amor de Deus nos corações de seus ouvintes.

Quando ele contava a história dos heróis do Forte Shaikh Tabarsí, parecia que ele estava lá e assim ele conduzia os ouvintes àquela ocasião única da história espiritual da humanidade. A confiança que depositava na infinita generosidade do Criador fazia-o acreditar que a dádiva de ser mártir não poderia ser exclusivamente dos crentes da idade heróica da Fé; anelava, então, ser mártir apesar de saber não ser merecedor dessa posição.

Quando falava de martírio os seus olhos brilhavam. Acreditava existir a cidade do martírio como uma das cidades do Reino nas Alturas significando assim uma atitude, um estado de espírito acima das limitações físicas. Quem viesse a saborear a doçura desta condição espiritual não abandonaria esta cidade. Em uma ocasião com Beth Guia, numa reunião com clima muito espiritual, compartilhou com alguns amigos o seu desejo de ter sido alvejado no dedo para poder escrever com o seu sangue: "e eu muito Te amei."

Em julho de 1980, enquanto residindo em uma casa simples, na periferia de Salvador, em um bairro vizinho ao Instituto Bahá'í da Bahia, Sérgio ofereceu-se para receber e cuidar, em sua própria residência, da Sra. Leonora Stirling Armstrong, considerada como a "mãe espiritual dos bahá'ís do Brasil e da América Latina", que, em idade avançada e com dificuldades de locomoção, estava enferma e requerendo cuidados especiais. Durante três meses ele cuidou pessoalmente dessa ilustre e bem-amada hóspede, até o seu passamento em 17 de outubro daquele mesmo ano.

A última década de sua vida foi quase que exclusivamente dedicada à realização de terapia, definida por ele como sendo auto-conhecimento. O desejo de servir à humanidade e de lhe aliviar o sofrimento associado à sua grande habilidade de escutar e o conhecimento profundo tanto das Escrituras Sagradas como das ciências da comunicação, psicologia e talvez até de um certo dom de cura, o fizeram bem sucedido na terapia de cerca de quinhentas pessoas com enfermidades da alma, cujo sofrimento as levava à busca de soluções. Sérgio ajudava a todos que o buscassem, auxiliando-os a aplicarem tais soluções a nível do espírito, alma, mente, corpo e psiqué.

A sua atitude de empatia e de não julgar deixava as pessoas muito à vontade para expor os problemas que as estavam afetando. Por um lado, profundamente convicto de provir de Deus a cura para todas as enfermidades humanas, por outro lado, muito aberto e paciente com os problemas humanos e todo o seu emaranhado, Sérgio orientava na construção de uma ponte que tornasse possível a cura do espírito através do amor de Deus.

Tendo sido avô há apenas dois meses, Sérgio Resende Couto veio a falecer ao entardecer do dia 26 de julho de 1996, aos cinqüenta e quatro anos de idade. A Comunidade Bahá'í do Brasil, que ele tanto amou e serviu, representada por sua instituição máxima, a Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá'ís do Brasil, enviou a seguinte mensagem eletrônica para a Casa Universal de Justiça, no Centro Mundial Bahá'í, em Haifa, Israel:

CORAÇÕES CONSTERNADOS COMUNICAMOS INESPERADO PASSAMENTO AMADO AMIGO SÉRGIO RESENDE COUTO PT SUPLICAMOS ORAÇÕES SAGRADO LIMIAR BEM-AMADO MUNDO ACOLHER SEUS DOMÍNIOS CELESTIAIS ESTA PRECIOSA ALMA VG ABNEGADO SERVO DE BAHÁ VG INFATIGÁVEL E DESTEMIDO PROMOTOR ENSINO AS MASSAS NO BRASIL VG CONFIANÇA INABALÁVEL PROMESSAS 'ABDU'L-BAHÁ DESTINO GLORIOSO BAHIA VG COMUNIDADE BAHÁ'Í BRASILEIRA SEMPRE O LEMBRARÁ COM PAI DOS INSTITUTOS PERMANENTES BRASIL PT LONGOS ANOS SUA VIDA DEDICADA AO ENSINO E A SOCORRER COM FOGO AMOR DE DEUS CORAÇÕES ALMAS MENTES AFLITAS VG INSPIRADOR JUVENTUDE BAHÁ'Í DIVERSAS DÉCADAS VG DESTACADOS SERVIÇOS CONFERÊNCIA INTERNACIONAL ENSINO BAHIA PT SEMPRE LEMBRAREMOS SUA DEDICAÇÃO EXEMPLAR ULTIMOS ANOS VIDA MÃE ESPIRITUAL AMÉRICA SUL LEONORA ARMSTRONG VG LONGA LISTA DE SERVIÇOS A CAUSA DE DEUS PERMANECERÃO PÁGINA RADIANTE HISTÓRIA 75 ANOS DA CAUSA DEUS NO BRASIL PT SUPLICAMOS ORAÇÕES CONFORTO ESPIRITUAL ESPOSA ANN FILHA CARLA PT ASSEMBLÉIA ESPIRITUAL NACIONAL DOS BAHÁ'ÍS DO BRASIL.

Em 30 de julho de 1996 a Casa Universal de Justiça enviou a seguinte mensagem eletrônica à Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá'ís do Brasil:

A CASA UNIVERSAL DE JUSTIÇA COM TRISTEZA FOI INFORMADA ATRAVÉS DE SUA MENSAGEM ELETRÔNICA DE 30 DE JULHO DE 1996 DO PASSAMENTO DO SERVO DE LONGA DATA SR. SÉRGIO RESENDE COUTO. SUA DEVOÇÃO À FÉ E SEU VIGOR EM SEUS SERVIÇOS SERÃO RECORDADOS NOS ANOS VINDOUROS. ORAÇÕES SERÃO OFERECIDAS NOS SANTUÁRIOS SAGRADOS PARA O PROGRESSO DE SUA ALMA NOS MUNDOS DIVINOS. ORAÇÕES TAMBÉM SERÃO RECITADAS PARA SUA QUERIDA ESPOSA, ANN E SUA FILHA CLARA E SUA FAMÍLIA E OS PARENTES DO SR. RESENDE COUTO PARA QUE SEJAM CONFORTADOS E FORTALECIDOS.

Este livro é um convite a que mergulhemos na vida, no pensamento e nos elevados sentimentos que inspiraram a trajetória de nosso querido Sérgio Resende Couto em sua peregrinação humana em busca do... Divino. Com esta coletânea de suas cartas, poemas e pensamentos e também com textos escritos por aqueles que estiveram muito próximos a ele, esperamos poder expressar nossa terna gratidão por uma vida tão impregnada de amor a Deus e a Bahá'u'lláh, Sua Manifestação para a época atribulada em que vivemos.

Ridván 154 / Abril 1997
Emélia Bassreí
Cartas do Coração
São Paulo, 27 de fevereiro de 1975
S.,

À cada dúvida corresponde uma certeza no mundo material. No mundo do espírito, a dúvida leva a uma única certeza. Só há uma verdade, uma realidade, uma vida, um amor, um Deus. E só há um caminho. O caminho da certeza!

Com amor bahá'í,
Ann, Clara e Sérgio
Salvador, 9 de setembro de 1976
Querido irmão Y.,

Foi com imensa alegria e orgulho que vi você partir para Natal, como soldado de Bahá'u'lláh, para outras fontes, outros horizontes, outros serviços, outras provas, e outras vitórias.

É sempre motivo de satisfação ver as almas desabrocharem no serviço da Causa, e nenhum lugar melhor para desabrochar do que um serviço tão diferente.

Que bom que a Assembléia Local aprovou a atividade de proclamação. Como você sabe, nós não podemos fazer nenhuma atividade sem que a Assembléia Local antes aprove. Este foi o passo inicial aos jovens. Acredito que em virtude de tanto tempo já decorrido desde o seu treinamento até a sua aula na escola, que você deva dar mais uns dois ou três treinamentos aos mesmos participantes para deixar bem gravado em suas mentes como fazer. A razão pela qual eu recomendo isso à você é que depois que você tiver de sair de Natal para Salvador eles devam saber fazer sozinhos, sem necessitar de mais ajuda.

Gostaríamos de recomendar que se os colégios da parte da tarde são todos particulares, vocês tentem primeiro todos os colégios estaduais à noite. Não se esqueça que Natal tem também a Escola Técnica que é enorme e é federal. Acredito que não devem se prender a uns poucos colégios. Se as escolas não podem no momento aceitar, comecem pelas faculdades. Dêem aulas para crianças.

Também acho que à tarde você seria de grande ajuda no trabalho de ensino em conversão em massa. Agora que... retornou é muito importante que você dedique as tardes também nas áreas de conversão em massa.

Não se esqueça das promessas de Bahá'u'lláh e 'Abdu'l-Bahá de que Ele ajudaria quem quer que se levante para o triunfo de Sua Causa. Ser soldado de Bahá'u'lláh é realmente um privilégio muito grande. Os instrutores que foram a Natal devem animar os corações dos jovens e dos adultos a desenvolverem um amor extraordinário pelo ensino, e a ter amor e ânimo quando forem ensinar. Portanto, é de muita importância que ao sair com ... e os demais jovens você os ajude a amar ainda mais o ensino. A cantarem, a dar aulas para crianças, a fazer orações matinais, semanais, na área de conversão em massa.

Você não imagina o trabalho bonito que um instrutor faz quando chega em sua comunidade. Não se esqueça de que você é uma luz mais forte que foi ajudar aos seus irmãos mais humildes em Natal.

Caso ... tenha de vir para a Bahia para ver o assunto de trabalho e mudança para cá é quase que indispensável que você possa ajudar os jovens de Natal no ensino de conversão em massa, pois ..., .... e ... são esteios para a conversão em massa, e se saírem, mesmo que seja por alguns dias, devemos ter outro instrutor que saibamos que poderemos contar. Não deixe a conversão em massa parar. Anime, incentive os outros, fale das maravilhas do ensino, conte histórias sobre Mullá Hussain, Quddús, Táhirih, e outros heróis da Fé.

Quando você se sentir em tribulação, ore, e peça ajuda a Deus. Quando se sentir só, lembre-se das hostes que estão com você, e de que Bahá'u'lláh ficou só por muito tempo. "Lembra-te dos Meus dias, durante os teus dias..." Basta lembrar desta frase da Epístola de Ahmad para você se sentir melhor. Bem-Aventurados são aqueles que estão em tribulação no caminho da Abençoada Perfeição, pois, eles irão se desprender mais rápido de tudo o que existe.

Com amor bahá'í,
Sérgio
Salvador, 28 de fevereiro de 1977
À
Equipe Quddús
Soldados de Bahá'u'lláh
Queridos irmãos A, B, C e D
Alláh'u'Abhá!

Sinto uma profunda alegria em poder escrever para vocês. Alegria e privilégio, pois quem está na frente do campo de batalha recebe a graça e misericórdia de Deus e de Bahá'u'lláh. Não posso dizer que sinto saudades de vocês, pois o orgulho que sinto pelo serviço que estão fazendo é maior do que os meus humanos sentimentos de saudade.

Cada dia que passa sinto a presença espiritual de vocês aqui no Centro. A alegria contagiante, a força espiritual, a unidade, a humildade, o amor que cada um de vocês têm por Bahá'u'lláh. Tudo isso deixou as próprias paredes do Haziratu'l-Quds impregnadas. Basta se encostar nas paredes para sentir de perto todo este amor e dedicação. Por este motivo estamos sempre juntos, e sempre iremos estar. Quando nós dormimos nós sonhamos, e nos planos espirituais, iguais a um exército nos reunimos para trocar idéias e formular planos.

Depois do início sentimental da carta deixe-me relatar as últimas novidades e acontecimentos aqui em Salvador. Não só vocês tiveram provações e dificuldades. Creio que as (provações) de todos os grupos não se comparam com as (provações) de quem ficou. (...)

Já estamos dirigindo até Pituba, Aeroporto, Lauro de Freitas e Portão.

Hoje ... irá apanhar a autorização com ... e já poderá dirigir até a cidade. Quando ... e ... saíram aí que o centro realmente ficou vazio. Parece até um mosteiro de tão silencioso. ... nos deu alguns sustos noturnos, pois foi à praia, mergulhou e apanhou uma bruta infecção nos dois ouvidos, e um dia tivemos de sair a procura de médico até as 4 horas da manhã. Graças a Deus ficou boa e sem nenhum problema.

Tão logo vocês saíram o meu coração chorou por esta conversão em massa. O que fazer agora? Onde buscar mão-de-obra para continuar? Com quem? Resolvemos por inspiração de Bahá'u'lláh, convocar uma reunião com 21 bahá'ís aqui de Salvador e Lauro de Freitas e apresentar o projeto de continuação do ensino aqui em Salvador, que está uma maravilha.

Todos eles se levantaram, e a partir deste próximo fim de semana, teremos assegurado a continuidade de atividades da segunda fase em 16 bairros: orações matinais, aulas para crianças, jovens, senhoras, Comitês Locais e Festas de 19 dias. (...)

Tivemos uma série de problemas no Instituto. Aqueles que vocês já conhecem tão bem. Latrina entupida, falta de água, bomba com defeito, moscas, mosquitos, etc.

Na escola de verão, tínhamos de ir ao aeroporto 2 vezes ao dia para irmos ao banheiro. Mas com força de vontade conseguimos realizar a escola. Após esta, o Sr. ... veio nos ajudar a consertar a bomba. Temos apenas 50 cm de água no poço, o que significa que qualquer atividade maior teremos o mesmo problema de água. Ter-se-á de abrir um outro poço mais embaixo, pois além de tudo isto o vizinho abriu um poço em seu terreno, mais fundo do que o nosso e está desviando o lençol de água para o lado de lá.

Além de tudo isso a ... a partir de amanhã, estará estudando e só poderá sair para o ensino nos fins de semana.

Aliado a tudo isto ainda vamos ter a eleição de delegados em toda a área da Bahia e de Sergipe e Alagoas, sob nossa responsabilidade.

Com referência ao projeto, estamos fazendo as seguintes experiências piloto que vocês já podem usar de imediato aí. Estamos realizando conferências de mulheres com o seguinte escalonamento: tivemos ontem nos núcleos de D. Izabel e um de São Cristóvão. Domingo que vem teremos conferência de mulheres na rua do núcleo. Depois no bairro, depois marcaremos a primeira conferência de mulheres na cidade de Salvador, seguida de outra em outro dia para o estado, e depois da Convenção para toda a região.

Você já poderiam iniciar a realizar nos núcleos. A finalidade destas conferências é preparar as mulheres para a Conferência Nacional de Mulheres que irá ocorrer até o final do ano de 77, em local e data a ser designada pela Assembléia Nacional. A conferência tem a finalidade quádrupla de:

1. Levantar mulheres para educação de crianças;

2. Levantar mulheres para serem instrutoras de aulas para crianças;

3. Levantar mulheres para levar a mensagem a personalidades femininas (tais como esposas de Governador, Prefeitos, Diretoras de Bibliotecas, etc.);

4. Preparar as mulheres para a vida administrativa bahá'í.

Outro ponto que estamos fazendo é mexer com as massas, ou sejam instrutores de um local ou bairro se levantarem para ensinar em outro bairro. Toda a família de D. Izabel se levantou para sair para ensino nos domingos à tarde. Será pela primeira vez no Brasil que iremos ter uma família saindo para ensinar a outra família.

Dentro de mais uns dias um grupo de crianças irá abrir e eleger a Assembléia Espiritual Local de Feira de Santana. Após um treinamento específico as crianças irão abrir, dar a mensagem direta, cadastrar os bahá'ís, convocar reunião para eleição da Assembléia, eleger a Assembléia Local. Só as crianças. Claro que nós adultos, iremos acompanhar, para orientar. Mas será também uma experiência única no Brasil.

Fiquei muito triste em saber que a Comunidade daí colocou tanta oposição inicial ao ensino em massa. Isto é normal nesta fase do desenvolvimento da Fé, mas vocês necessitam ser corajosos, valorosos, destemidos e acima de tudo sábios. Conquistem a comunidade. Cantem. Dêem amor, e demonstrem a todos a consideração que vocês têm a todos os bahá'ís.

Fiquei mais triste em saber que ... mudou muito. Ele está agora como uma plantinha viçosa que saiu de Belo Horizonte e ficou muito exposta ao sol da frieza espiritual, e começou a criar uma casca grossa para se proteger. Dêem muito amor e compreensão. Saiam com ele, façam ele reacender aquele espírito de Belo Horizonte e Bahia, e ele voltará a ser como antes. (...) Tenham fé.

Recebi a notícia de que vocês ficariam aí em ... com o mesmo espanto que vocês. Não liguei antes para vocês, pois ... queria ele mesmo dar a notícia, como membro da Assembléia Nacional. Sei que vocês devem ter ficado atônitos com a maneira como foi lhes dita.

Se vocês pararem para analisar, todos nós, mais cedo ou mais tarde, iríamos nos defrontar com esta encruzilhada. Só que não sabíamos que estava tão próxima. Existem maneiras para se fazerem as coisas. A maneira súbita com que foi feita não foi das mais sábias, no entanto, vocês contam com o amor que vocês têm em seus corações por Bahá'u'lláh. É assunto para consulta e vocês devem consultar comigo sobre qualquer dúvida que tenham, e aproveitar também a ida de ... para consultar com ele.

Seja qual for a decisão que tomarem, nunca se esqueçam de que vocês dependem de Bahá'u'lláh, exclusivamente, e que todos nós nos tornamos soldados d'Ele. Consultem entre si todos os problemas que porventura vocês encontrem para permanecerem aí. Consultem comigo, e com ... . E Deus, o Todo-Suficiente os irá orientar. Não se precipitem em suas decisões, e usem de dignidade espiritual para expor os seus pontos de vista. Não se esqueçam também que a obediência às Instituições é fundamental; isto não quer dizer que se houver necessidade de trocar membros da equipe para outros locais, que através de consulta amorosa com a Assembléia Nacional e com os Comitês Regionais de Ensino, isso não se possa fazer.

É questão de bom senso. O importante é que não percam o seu prisma e horizonte que é servir a Bahá'u'lláh e levar a todos os rincões do mundo este fogo. Vai chegar o dia em que irão nos solicitar para fazer a mesma coisa em outros países, em outros continentes. Por esta razão Bahá'u'lláh em Sua Suprema Sabedoria nos está preparando para feitos ainda maiores, para vitórias ainda bem maiores, e para sacrifícios também grandes. Neste plano, sei que nós talvez não teremos mais oportunidade de ficarmos todos os doze juntos. Os apóstolos de Cristo também depois de sair para o ensino não se encontraram mais. No entanto, no Reino de Abhá eles estavam mais unidos do que a humanidade poderia pensar. Talvez nós eventualmente seremos lançados em prisões diferentes, por amor de Bahá'u'lláh, em cidades ou países diferentes. A nossa irmandade é eterna. Nós conseguimos viver espiritualmente unidos aqui no Instituto, e precisamos levar a outros locais este sentimento.

Ainda agora, enquanto estou batendo esta carta, estou lendo aquelas palavras dos cartazes que vocês pregaram na estante: "Vós sois o sal da terra...", "Vós sois a luz do mundo...", e "Ide. Ensinai a todas as gentes."

Na Bíblia nós lemos:

"Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados...

...Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus...

...Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa.

Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós."

Mateus, 5:3 a 12.

"Pedi e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis, batei e abrir-se-vos-á. Porque aquele que pede, recebe, e o que busca, encontra, e ao que bate, se abre.

Mateus, 7:7,8.

"Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz a perdição, e muitos são os que entram por ela. E porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem."

Mateus, 7:13,14.

"Ele respondendo, disse-lhes: Porque a vós é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas a eles não lhes é dado."

Mateus, 13:11.

"O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do espírito."

João, 3:8.
'Abdu'l-Bahá disse o seguinte:
"A Primavera Divina.

O vós amados de Deus! Quando os ventos soprarem severamente, as chuvas caírem torrencialmente, o raio faiscar, o trovão rugir, o raio descer e as tempestades de tribulação se tornarem, não vos entristeçais; pois, depois desta tempestade, verdadeiramente a primavera divina chegará, as montanhas e os campos se tornarão verdejantes, e as vastidões de cereais irão alegremente curvar-se, a terra tornar-se-á coberta de flores, as árvores adornar-se-ão de flores e frutos. Assim as bênçãos se tornam manifestas em todos os países. Estes favores são os resultados daquelas tempestades e furacões.

"O homem que discerne regozija-se nos dias de tribulação, o seu peito se torna dilatado no tempo de tempestades severas, os seus olhos iluminados ao ver as chuvas e o vento, que derrubam as árvores, porque ele prevê o resultado e o fim (destas tribulações), as árvores, folhas e frutos (que seguem à tempestade de inverno); enquanto que o ignorante (o de visão curta) torna-se perturbado ao ver uma tempestade, entristece-se quando chove severamente, e aterroriza-se com o trovão e treme ao surgirem as ondas que assolam os mares."

Star of the West, vol. VIII, no. 1, Introdução

Estes trechos que lhes mando é para mostrar a vocês que sempre foi assim, é e sempre será o caminho para Deus. Árduo, duro, e totalmente imprevisível. Deus é tão bom que nos deu, por antecipação dias maravilhosos juntos, os quais só poderão ser sobrepujados pelos dias quando estaremos todos juntos servindo a Abençoada Perfeição no Reino de Abhá.

Neste meio tempo, tenham paciência, consultem, sejam humildes, orem, peçam flores a Bahá'u'lláh e orientação e inspiração para vocês fazerem a Sua Santa Vontade.

Para vocês todo o nosso amor bahá'í
Em Seu serviço,
Sérgio.

P.S. Esta carta é de um irmão bahá'í para outros irmãos. Nós abordamos assuntos que apenas posso abordar com vocês. ... Sérgio.

Nossa vocação principal é o amor
J. Kentenich
1 de junho de 1978
Y.,

De norte a sul, leste a oeste, em todos os rincões, há sinais de lutas. De batalhas.

Senhor, há necessidade de generais.
Procuram-se generais,
E onde buscá-los?
Busca-se almas heróicas,
Ó Deus,
E onde Tu poderás encontrá-las?
Sei que Teus olhos ardem de compaixão
Pela nossa fraqueza.
Mas, ó Pai, com os grãos de areia,
Do deserto do meu nada,
Construirei o meu corcel,
Da evanescência do meu ser,
Absorverei o poder do Teu Convênio.
E com o escudo de Tua vontade
Partirei para a 1ª e a última batalha,
A batalha onde Tu triunfarás,
Tu e só Tu, sobre o meu ego,
E triunfantemente,
Permitirás que me aliste
Em Teus exércitos celestiais.
Com amor bahá'í.
Sérgio
Salvador, 30 de julho de 1978
Querido irmão Y.,

A sua carta chegou com bastante atraso. Aliás, todas as cartas estão chegando às nossas mãos com 2 ou 3 dias de atraso, desde que o recebimento do malote agora é em Lauro de Feitas, e de lá é que vai para o aeroporto.

De qualquer forma espero que esta resposta chegue a tempo antes de você partir para Manaus. Fiquei bastante feliz ao ver que você também está dando Institutos nas áreas. Não há nada mais doce do que ensinar aos povos bahá'ís sobre Bahá'u'lláh, não é mesmo? (Isto é, depois de dar a vida para a Fé e martírio).

Os livretos ainda não chegaram. Deve demorar mais um pouco, mas creio que irão chegar sem problemas. Com relação ao instituto de Férias foi o instituto provação, pois, no final deu de tudo: instrutor com catapora e outros bichos mais.

Com relação à programação dos institutos que você deu estão maravilhosos. Você mesmo irá sentindo que cada instituto que você der irá melhorando a programação. Você vai sentindo por si mesmo as lacunas, o que você poderia encurtar e o que você deve aumentar. Os que você apresentou estão bem estruturados e deu já em Recife uma visão bem ampla do serviço à Causa. O importante é que tenham assimilado bastante, pois quando você sair do Recife eles irão necessitar colocar tudo isto em prática.

Seria interessante no início você manter uma correspondência estreita com os jovens, e estimulá-los através das cartas com textos e dando-lhes notícias de atividades. Quando, através de suas cartas, você sentir que as atividades estão diminuindo, escreva para o Comitê de Ensino e recomende que outro instrutor passe uma época lá.

Fiquei muito triste em não poder ir para Fonte Boa e a região Amazônica agora, mas devemos nos curvar perante a vontade de Deus e aceitá-la com aquiescência radiante.

Tão logo você chegue em Manaus por favor mande o seu endereço para que possa mandar correspondência. Agora estamos em período de recesso, ou seja pedimos à Assembléia Nacional 12 dias de intervalo para arrumar as coisas aqui no Instituto.

Para você todo nosso amor bahá'í, e obrigado pela foto que mandou. Onde é que você descobriu? (...)

Sérgio
Salvador, 3 de outubro de 1978
Querido irmão X,

Que outra coisa posso lhe escrever senão as palavras que são do Senhor?

"... satisfaze as nossas necessidades e livra-nos da humilhação, através da Tua Glória." 'Abdu'l-Bahá

"... para que dependemos só de Ti, comunguemos inteiramente contigo, prossigamos em Teu caminho e declaremos os Teus Mistérios." 'Abdu'l-Bahá

"... Senhor! Transforma a angústia de Teus santos em sossego, suas durezas em conforto, muda-lhes a humilhação em glória, e a tristeza em júbilo e êxtase..." 'Abdu'l-Bahá.

"... é O que transforma, por Seu Mando, humilhação em glória, fraqueza em força, debilidade em poder, medo em calma, dúvida em certeza." Bahá'u'lláh.

"... Jamais faltas a quem Te haja buscado, nem Te afastas daquele que por Ti anseia." Bahá'u'lláh.

"... Possa eu, em todos os tempos e sob todas as condições segurar a corda que a Ti me prende e livrar-me de todo apego que não seja a Ti..." Bahá'u'lláh

"... Ordena, ainda mais, a cada um que para Ti se haja voltado, aquilo que o faça firme em Tua Causa e tal modo que nem as vãs imaginações dos infiéis dentre Tuas criaturas, nem as palavras fúteis dos refratários dentre os Teus servos, terão o poder de excluí-lo de Ti." Bahá'u'lláh

Sempre que o seu coração vergar com o peso das tribulações beba desta água (a palavra de Deus ou o verbo), e jamais terá sede.

"Que Deus te seja todo-suficiente."
Com profundo amor bahá'í,
Seu irmão,
Sérgio
Salvador, 8 de novembro de 1978
Meu querido irmão X,
...

Com relação a sermos filhos de proveta, você até teve uma inspiração maravilhosa ao dizer isto. Deus nos coloca na proveta da vida de ensino massivo. Somos aquele líquido sujo, amorfo, cheio de suspensão. Com aquele Amor Infinito ele coloca a proveta sobre o fogo das provas e vai nos aquecendo. Até que entremos em ebulição. O Seu Amor em nossos corações vai fervendo, fervendo, até entrar em ebulição. E começamos a saltar. O vapor que desprende o líquido, é também uma forma de líquido. São as nossas lágrimas. Eleva-se e cai puro no receptáculo de um novo coração, livre da suspensão, das escórias do mundo. E o Senhor vai nos aquecendo, nos fervendo, até que gradualmente nos tornamos partículas tão pequeninas, como o vapor, evanescentes, morremos em nós, para renascermos n'Ele, vivermos para Ele, por amor a Ele, com Ele, ó meu irmão, é maravilhoso sermos líquido nas provetas das provações.

Estou feliz que você esteja em Cuiabá. Quantas cidades você tem passado. Bem aventurado é você. Bahá'u'lláh no livro de Seleções dos Escritos de Bahá'u'lláh nos diz: "... quanto anseio ir de cidade em cidade..." Ó meu irmão, bebes do elixir da verdadeira vida, e esqueces-te do seu sabor doce? Cuiabá é quente. 42o centígrados. Mas deve ser 100o bahá'ís. Eu bom sermos acariciados pelos raios do sol. Isto nos faz lembrar que os raios do sol na verdade nos aquecem constantemente da mesma maneira. 42o centígrados no serviço à Causa significa primavera para o espírito.

Irei orar como você pede para que o povo de Malakut lhe ajude, inspire, ampare e oriente. Sabe, antigamente eu também tinha a bússola de minha vida, e a girava constantemente. Depois que o Senhor me mandou vir para a Bahia e para o ensino em massa, perdi minha bússola. Como não tinha direção, passei a perguntar ao Senhor o que fazer. E verifiquei que os homens inventaram a bússola, mas o Senhor inventou, criou os horizontes. Hoje em dia minha bússola são as palavras do Pai, o Verbo. Falou está falado.

Como ter coragem e fé? Meu bem-amado irmão, Bahá'u'lláh equiparou nesta Dispensação o ensino ao martírio. Vide o artigo no boletim escrito por Adib Taherzadeh. Faça um quadro mental de um mártir indo para o cadafalso, berrando, gritando, pedindo o seu anestesista particular. Às vezes os bahá'ís, quando estão no calor da batalha, me lembram este tipo de mártir. Estamos no ensino-martírio, reclamando, gritando, sendo frouxos. Vamos morrer com dignidade. Vamos ensinar com dignidade. Vamos viver com dignidade. Como é bom enfrentarmos problemas. Como é bom enfrentarmos bahá'ís. Como é doce sermos humilhados nos caminhos de Deus. Pensa você que Ele promete aplausos? Não, só humilhação, "seus alimentos são os fragmentos dos corações despedaçados."

A nossa riqueza, nossa verdadeira riqueza, é estarmos livres de qualquer riqueza exceto de Deus. A liberdade, é sermos escravos d'Ele. Fé vem de amor, amor vem do conhecimento, e ao amarmos nos unimos, e amor e unidade é um poder. 'Abdu'l-Bahá diz que o sopro do Espírito Santo é o amor no coração do homem. Você está triste porque os dias escoam. Não deixe os dias se escoarem. Viva-os. Ame-os. Ensine-os. Transforme os seus dias em uma vida, em uma eternidade.

Você disse que em Patí de Alferes eu estava em provas. Eu vivo em provas. É como se Deus me colocasse em um grande liquidificador e o ligasse. Sei que no futuro irei virar algo que não sou mais eu. Quero que Deus me gire, me bata, me estraçalhe tanto, que ao misturar-me ninguém mais me veja, só veja as palavras do Senhor. Para mim provas são bênçãos. É como aquele sol que se levanta de madrugada e começa a aquecer.

Meu peito foi criado para receber os dardos no caminho de Deus. Que chovam sobre mim os dardos, pois só assim posso ter a oportunidade de me recordar do meu Senhor a cada minuto, invocar pelo Seu Nome, e sentir a Sua proteção.

Não estou magoado com você. Às vezes paro para pensar, porque você que Deus deu tantas qualidades, às vezes titubeia, e sente uma vontade enorme de sentar. Voe, voe e bem alto. Não seja uma águia com complexo de codorna. Não seja um albatroz batendo papo com as galinhas da terra. Voe. Quando você vier aqui irá aos índios comigo. Se possível passar uns dias ou até mesmo uma semana.

Quanto à sua transformação, quem sou eu para transformar alguém. Meu irmão, como posso eu olhar para o seu arado se eu sou o mais pecador dos pecadores? Ele, o Espírito Santo é quem tem o poder de transformar alguém. Eu sou escravo, servo, tanto quanto você. O que pode fazer um escravo para libertar outro? Só o Rei pode fazer. Porém, como escravo e servo, posso lhe convidar para fugirmos. Fugirmos para o palácio do Rei, e passando por entre os guardas, fossos e muralhas, nos atirarmos aos Seus pés e implorarmos a Ele que não nos abandone a nós mesmos, e que permita ficarmos em eterna adoração ao Seu Sagrado Semblante.

Você reclama que não demonstro que estou satisfeito com você? Esta satisfação não deve vir de mim e sim do Pai. Por acaso o Senhor não lhe protege? Não lhe guarda? Não lhe ampara? Não lhe veste e dá de comer? Não lhe consola? Minha felicidade está em amar a Ele. Se você ama a Ele, tem fé n'Ele, e coragem para servir a Ele, então eu estou feliz. Dê-me a mão, venha, vamos conquistar o Reino de Deus na Terra como seus operários, seus escravos. Vamos amassar o barro da negligência, até cairmos no chão, mortos, esvaídos, mas felizes. Vamos mostrar o que uma alma pode fazer para o Senhor quando o ama.

Fique certo de uma coisa, que em todos os reinos de Deus iremos ensinar juntos. Você está indo para todos os lugares que não posso. Ensine, ensine adoidado, e de vez em quando passe por aqui para me ensinar também, falar das coisas maravilhosas que lhe ocorrem no caminho de Deus. Venha me dar aulas, para que talvez eu possa um dia ser digno de ser chamado bahá'í.

Com profundo amor bahá'í.
Sérgio.
Salvador, 10 de novembro de 1978
Queridos amigos e irmãos X. e L.,

Recebemos hoje uma carta de cada um de vocês e mais um bilhete de X. É maravilhoso receber notícias de vocês, mas creio que as cartas dos instrutores e pioneiros que estão trabalhando e servindo por amor a Bahá'u'lláh em outras metas estão se tornando verdadeiros "muros de lamentação". Aí, ninguém me escreve. Ui, ninguém me manda notícias, ei, o que está acontecendo? (...) Se têm tempo de reclamar de notícias é porque estão tendo tempo de sobra. Se tivessem 880.000 atividades bahá'ís ao invés de pedirem notícias iriam era nos xingar por mandar cartas, pois ao receberem cartas teriam de responder. Ah, ah, ah, ah, ah. Ou Iac, iac, iac, como diz o Pateta.

Mas, na verdade, vocês têm um pouco de razão, é sempre bom receber notícias. Uma coisa todos nós deveremos aprender. Devemos aprender a amar sem os olhos, devemos aprender a viver sem a vida, devemos aprender a morrer sem a morte.

Um instrutor, é antes de tudo, um rio sem curso próprio, para que atinja o mar o mais rápido possível. Uma vez que atinja o mar deixa de ser rio para ser mar também. Nós todos somos gotas de sangue no corpo da humanidade. O coração é as Escrituras Bahá'ís. Sempre que nós quisermos adquirir oxigênio é só passarmos pelo coração e sairmos oxigenados.

Com referência aos pertences de..., gostaria de saber exatamente se é para mandar mesmo ou se ele vai realmente vir passar uns dias no Instituto. Se você vai vir, não precisamos mandar nada para o Rio, você mesmo o apanha aqui. Agradeço informar o mais rápido possível.

Da próxima vez que vocês forem telefonar para ... nos avise para irmos pegar uma carona no telefonema de ... . Já comecei a afetuar umas pequenas traduções de textos para o nosso jornal educativo. Tão logo tenha a primeira leva já aprovada pela Assembléia Nacional iremos publicar o primeiro número.

Para vocês todo o nosso amor bahá'í, e para não ficarem muito tristes envio-lhes uns cartões.

Com amor bahá'í,
Sérgio.
Salvador, 23 de dezembro de 1978
Querido irmão X,

Espero que você tenha recebido todas as cartas que lhe enviei quando você estava em Cuiabá. Agradeço a sua carta que me enviou do Rio de Janeiro. Para mim esta sua reação não foi surpresa, e se você se lembrar eu havia lhe avisado em várias instâncias.

Quando li no Star of the West, vol.2, estas palavras de 'Abdu'l-Bahá: "Para aquele que ama, não há dificuldade; tudo é fácil." Compreendi mais ainda o que significa a beleza de se servir à Causa de Deus. Estou lendo e relendo a sua carta. A sua crise existencial foi criada por você mesmo. Sem nenhuma razão. Buscou o mundo e encontrou-o em crise, e entrou também em crise. Neste mundo não há rumo a seguir. O único rumo é o serviço. Jamais falaria a outro bahá'í como estou falando hoje com você. Porque sei que você tem muito para dar à Causa, muito para ensinar, muito amor para distribuir. Durante todo este tempo, que fez você? Quantas comunidades você ajudou? E agora, quantas comunidades está ajudando?

Quando você me pergunta o que fazer, que posso lhe responder? Se eu disser a você, você está certo, fique aí no Rio, e seria isto o que você gostaria de ouvir de mim, eu estaria sendo hipócrita para comigo mesmo. Se eu disser a você, levante-se e dedique-se a Bahá'u'lláh, enquanto temos tempo e oportunidade, você não gostaria de ouvir isso.

Se você quiser, no entanto, saber o que eu estou fazendo, posso lhe dizer. Levantei-me para servir a Bahá'u'lláh, para dar a minha vida, para queimar-me como uma vela ardendo, para voar como um pássaro na vontade de Deus, para só fazer a Sua Vontade. Quero ser amante louco, quero só olhar para o futuro, quero ser operário de Deus, na ereção da Ordem Mundial de Bahá'u'lláh. E fazendo o que o meu espírito, alma, mente, corpo, coração, pensamento, palavras, e atos me pedem, jamais entrarei em crise existencial, pois já vivo na vida existencial, e a vida nunca é crise. A vida é fé, e fé nunca entra em crise, desde que seja fé racional, a fé da ação. Não sofra, levante-se e ame, ame tanto que se esqueça de você mesmo. Para cada lar queimado no Irã, vamos estabelecer um novo lar aqui no Brasil, para cada bahá'í martirizado no Irã, vamos ensinar a milhares de almas, para cada perseguição vamos dar uma onda de amor espiritual. Este é o desafio de hoje. Quando você quiser, as portas do Instituto estarão sempre abertas para você.

Com profundo amor bahá'í,
Sérgio
Salvdor, 18 de março de 1979
Querido amigo X,

Há algum tempo que não temos notícias suas. Praticamente, desde que você se fixou no Rio que não sabemos como vai você. Espero que esteja tudo indo de acordo com a vontade de Deus e de Bahá'u'lláh. Passei pelo Rio antes de ir ao Peru, mas infelizmente só pude estar com o Sr. ... e ..., que estava com ... para tratamento médico.

A Escola de Verão, em Lima, foi um dos acontecimentos maravilhosos que marcou muito a minha vida. Tivemos 76 aulas, e dessas aulas dei 37, fora as aulas extracurriculares da escola, 90% dos participantes era jovens, alegres, corteses, profundos na fé, e que adoravam cantar. Cantava-se sempre que surgia uma oportunidade. A Escola durou 15 dias maravilhosos. Após a Escola saíram grupos de instrutores diretamente da mesma para cobrir todo o Peru, de norte a sul, de leste a oeste; comigo foi um grupo dos quinze melhores instrutores para Iquitos.

Salvador, 28 de março de 1979
Querido irmão X,

Fiquei muito feliz em saber notícias suas. Foi como beber água em uma fonte depois de uma longa caminhada. A vida é uma imensa escola. Cada cidade é como se fosse uma sala, onde todos estão aprendendo o mesmo curso: "A Divina Arte de Viver". A escola da vida é diferente de qualquer outra. O curso é sobre a Divina Arte de Viver, mas todos os alunos estão juntos na mesma aula, a vida. O que diferencia cada um em que nível está, é o amor. Há aqueles que amam muito, outros amam pouco, outros o suficiente para viverem, e há ainda os que não aprenderam a amar. Há uns poucos que amam tanto que não têm tempo para dedicar a si mesmos. Cada nível compreende o seu nível. Quem está no nível de cima compreende quem está no nível de baixo. Mas quem está no nível de baixo não compreende quem está no nível de cima. Quanto mais se amar nesta escola mais humilde a alma se torna, pois orgulho e amor, assim como o fogo e a água não podem coabitar no mesmo lugar.

Fiquei aterrorizado de você estar levando uma vidinha pacata, sem nenhum atrativo, displicente, com mau humor. Querido irmão, você é um general de Bahá'u'lláh. Você foi criado para ajudar miríades de almas, multidões de pessoas que buscam, que sofrem, que não tem rumo, que não sabem onde buscar. Cada bahá'í é como um enfermeiro, levando o elixir da vida, que é o amor, aos moribundos de desespero, aos enfermos da descrença, enfim ao mundo em geral.

Sim, a Bahia é um campo minado. Quero morrer abraçando uma mina, para que quando ela termine de explodir eu já esteja junto de meu Bem-Amado por toda a eternidade. As minas lhe amedrontam? Sério? (...) Um general é general quando ele aprende a caminhar por entre as minas, quando ele aprende a saltar por cima delas. Deus coloca os nossos passos sempre nos lugares onde não tenham minas, até o dia do martírio, e neste dia a proclamação será explosiva. Todos irão saber quem é Ele, o Poderoso, que faz como que Seus Generais morram sorrindo, cantando. Nossos peitos foram feitos para receber os dardos e as flechas. Nossas vidas foram criadas para servir e amá-Lo e com coragem e determinação.

Vou mandar para você a fita que você pediu. Fé e Convênio têm muito em comum. Fé, convênio, amor, serviço, martírio, sacrifício, são como uma só coisa. Na verdade, tudo é convênio. Pois convênio é luz, é vida, é proteção. Convênio é amor. Certeza, segurança, firmeza; depois segue a aula. Terei de comprar o cassete primeiro e achar tempo calmo para gravar esta aula.

Espero lhe ver na Convenção. Mesmo que seja por um fim de semana. Deverei passar pelo Rio antes da Convenção. Avisarei a você para podermos conversar.

Com profundo amor bahá'í,
Sérgio
If you think you are beaten, you are,
If you think you dare not, you don't.
If you like to win, but you think you can't
It is almost certain you won't.
If you think you'll lose, you're lost,
For out in the world we find,
Success begins with a fellow's will -
It's all in the state of mind.
If you think you are outcasted, you are,
you've got to think high to rise,
you've got to be sure of yourself before
you can ever win a prize.
Life's battles don't always go
To the stronger or faster man,
But soon or late the man who wins
Is the man "WHO THINKS HE CAN!"

Este poema não é meu, mas acho ele jóia para cada um de nós. Não sei quem o escreveu, mas foi citado em um dos livros de Napoleão Hill, mas ele não deu o autor.

O nosso eu não é coisa feita,
faz-se todos os dias.
Bérgson
X,
Quando o eu passa a
Ser nós,
Nasce o amor.
Quando o eu passa a
Ser eles,
Nasce o serviço
Quando o eu passa a
Ser tu,
Nasce a Fé.
Quando o eu passa a
Ser vós,
Nasce o martírio.
Com amor bahá'í.
Sérgio
Bahia, 17 de fevereiro de 1980
Queridos irmãos Z. e Y.,

Os dias que passei hospedado em sua casa foram para mim motivo de enriquecimento espiritual. Não sei como lhes agradecer. A ... fico eternamente agradecido pelos cuidados que teve comigo.

Também fiquei com orgulho de ver como vocês coordenaram as atividades.

A luz do amor de vocês para Bahá'u'lláh é tão grande que daqui conseguimos enxergar o seu brilho.

Não se esqueçam de que Y. deve se tratar.
Com profundo amor bahá'í,
Sérgio
Salvador, 18 de fevereiro de 1980
Querido irmão X,

Na verdade não sei o que devo lhe dizer. São tantas as coisas. Grato por sua hospitalidade maravilhosa.

Parabéns por haver despertado para a realidade maravilhosa de se queimar no fogo do amor de Deus.

O tempo presente é muito curto para avaliarmos a importância de nossas decisões.

A batalha já começou.

Para nós, não haverá retorno. Já estamos de espada em punho, gritando: já montamos nossos corcéis, ó Deus! Descartamo-nos de nossos bens terrenos! Viemos de Ti e a Ti estamos voltando!

À medida que os dias se passarem vamos nos embebedando com as nossas lágrimas, até que nos afoguemos em nosso próprio sangue.

Salve o dia do nosso martírio, o dia em que escreveremos no solo com o nosso sangue, a essência do nosso amor por Bahá'u'lláh.

Com amor,
Sérgio
Salvador, 23 de abril de 1980
Querido X,

Depois daquela última carta-enciclopédia acreditei que não seria mais necessário desgrilar o irmão. No entanto, vejo que o distinto ou tem cabeça-dura ou adora nadar em seus grilos. Vamos responder às suas perguntas:

1. Não estou displicente com você. Apenas estou cuidando de nossa mãe espiritual.

2. Não estou silencioso. Tenho, em meu silêncio, gritado o mais alto que posso. Não me ouviu?

3. D. Leonora está melhor do que nós. Imersa em um mar de tribulações, dores e radiância.

4. Como reconstruir o palco? Reconstruindo.

5. Temos de dizer milhares e milhares de vezes que amamos Bahá, pois se dissermos infinitas vezes, ainda assim é insuficiente.

6. O cenário brasileiro não precisa ser agitado. Precisa é de um dilúvio.

7. Como escrever algo sobre os Comitês Locais de Juventude, se os mesmos estão se tornando Comitês Locais de Repouso?

8. Como fazer uma Conferência Internacional de Juventude se os jovens não querem localmente se reunir e agir?

9. Para a Semana Bahá'í uma idéia super-original é tentarmos nesta semana sermos bahá'ís.

10. Clarinha vai bem.

11. Depois de respondidas as perguntas, tenho um monte para fazer para você. Pessoalmente. Ainda resido na mesma casa. Este fim de semana estarei em casa.

Sérgio.
Bahia, 24 de junho de 1980
Querido irmão X,

Recebi a sua carta de 12 do corrente, constando de 3 cartões, escritos frente e verso. Creio que você começou a escrever mais em Juiz de Fora, e colocou no correio no Rio. Fiquei muito feliz em receber notícias suas após um período de silêncio. Silêncio é meditação; e meditação é escutarmos a voz de Deus. Por isso fiquei feliz. Realmente o filme "Irmão Sol, Irmã Lua" é uma verdadeira obra do cinema. Nunca vi um filme tão bonito.

Vamos falar um pouco dos santos. Na verdade, quem são os santos? Que aura de mistério e de beleza circunda a vida dessas almas elevadas, que a humanidade aprecia, mas não as compreende?

Santo quer dizer ser puro. Ser puro quer dizer volver-se para o Reino Eterno e se dirigir para lá. E avante quer dizer desapegar-se, e então, vem o sacrifício e a consumação. É na consumação que se vai do Reino dos Nomes, do mundo da natureza, e se passa ao mundo dos homens. É nesse mundo dos homens que se aprende a fazer a vontade de Deus. Enquanto estamos vivendo no mundo da natureza não nascemos a segunda vez. Quando o ventre da mãe natureza entra em concepção, então nós nascemos para o mundo dos homens, através do fogo do Amor de Deus e dos sopros do Espírito Santo. Saímos do Reino dos Nomes para uma outra concepção de novos valores. O valor prioritário e primordial vem a ser fazermos a vontade de Deus. O nosso amado Pai, Dr. Muhájir nos ensinou que a essência da Fé Bahá'í é o Convênio, a essência do Convênio é fazermos a vontade de Deus. Portanto, Fé Bahá'í significa na verdade fazermos a vontade de Deus.

Como o Convênio permeia a toda a criação de Deus, a luz que brilha do Convênio, uma luz criativa, que instila vida nova é o amor. Ser santo quer dizer viver sob esta atmosfera do Convênio, ou seja, a estrita obediência e lealdade imediata e inquestionável a Deus, inalando-se o ar puro do amor. O amor purifica e dignifica o homem. Por amor nascemos do ventre para o plano da vida. Por amor vamos nascer do ventre da mãe natureza para o mundo dos homens. Por amor obedecemos a Deus e nos tornamos firmes no Convênio. Por amor ao mundo amamos e, assim, nós todos nos tornaremos santos - se apenas o quisermos! Assim como há indivíduos de todas as classes, origens e espécies, assim também há santos de todas as origens. Uns foram lírios puros, outros antes tiveram uma vida cheia de vícios e hábitos impuros. Mas, em um determinado ponto de suas vidas, o dedo da Vontade de Deus os toca, os confirma, instila neles uma vida nova e os seus destinos são desviados em um ângulo de 180o. Antes se dirigiam ao afastamento e degradação; posteriormente se dirigem para a consumação. Então começam a escalada atroz, dolorosa, ardente, penosa, sacrificada, ascendendo de patamar em patamar.

Dos santos do cristianismo os mais 'loucos' foram Maria Magdalena, S. Francisco de Assis e Tereza D'Ávila. A história destes três santos encontram-se diretamente ligadas à Fé Bahá'í. Um dia, com tempo, irei lhe mostrar esse relacionamento.

Santidade é estar caminhando em direção a Deus. Nenhum santo sabia que era santo, e ao mesmo tempo sentia. Por isso ficavam tão acabrunhados, tão envergonhados de tanta benção, tanta misericórdia de Deus. 'Abdu'l-Bahá fala exaustivamente (não no sentido de produzir cansaço) sobre a santidade. Santidade está baseada na ciência do amor de Deus. Há explanações de 'Abdu'l-Bahá sobre isso. No Rio da Santidade se navega sobre as lágrimas. O deserto da Santidade é regado pela água do nosso sangue. Na atmosfera da santidade alça-se vôo desprendendo-se de tudo o que existe. Na luz ofuscante do Convênio da Vontade de Deus, a escuridão de nossa vontade deixa de existir. Tudo resplandece. Tudo passa a ser luz. Não mais a nossa escuridão, mas a Sua Luz.

Santidade é uma das metas mais difíceis para nós homens mortais, vulgares. No entanto, o Mestre diz que temos de atingir a santidade neste plano em que vivemos. Temos de adquirir luz nesta vida. Temos de aprender a amar nesta vida.

S. Francisco ensinou que temos de amar sem os olhos. Creio que devemos, além disto, viver sem a vida, desprendermo-nos até do próprio desprendimento; de aprendermos a aprender; de obedecermos sem nos jactanciarmos e de vivermos entre os nossos semelhantes em espírito de servitude.

Às vezes Deus nos faz parar para que possamos dar valor às coisas. Quando deixamos de comer carne, coisa simples e corriqueira, durante meses, o primeiro pedaço de carne que você come é como se fosse um banquete. Só damos valor às coisas quando as temos. Agora é a hora de cada um se levantar com aquela consciência que não vem de nossas mentes, mas da vontade de Deus.

Ontem pensamos em você, e desejávamos que você estivesse aqui conosco. Reunimo-nos, em casa, Clara, Ann, ... e eu e oramos e pedimos a Deus que Ele permitisse que apenas fizéssemos a Sua Vontade. Nada mais. Vamos deixar que Ele faça conosco de acordo com a elevação de Sua Santidade, o grau de Sua Majestade e Excelsitude. Nada mais. Por nenhum outro motivo.

Você está buscando ser feliz quando você não tem razão de se sentir infeliz. Você tem:

- uma alma
- um espírito
- uma mente
- um corpo sadio

- pais maravilhosos (se você é o fruto de seus pais, então eles são maravilhosos, que Deus os abençoe!)

- casa
- comida
- trabalho
- salário
- uma religião
- Deus
- Bahá'u'lláh
- Você acima de tudo está vivendo no Dia de Deus.

Então, não só você é feliz, como você deve se sentir feliz por tudo isto.

Sei que você quer ser ainda mais feliz. Nós também. O único caminho que conheço para nos levar a esse outro nível de felicidade é a felicidade do Convênio. Da Vontade de Deus. Se for Vontade de Deus, irmão, você "irá à frente, pobre, simples e humilde" como você tanto quer. A pureza de motivo já é 99% do caminho andado. O 1% fica a cargo de Deus. Onde ir à procura de Deus? Meu irmão, em seu coração, leia as Palavras Ocultas, com os olhos da percepção espiritual. No coração! "Teu coração é Meu lar... etc".

Trabalhar intensamente na administração nos dá uma visão. Temos de ter a visão do ensino e da administração para que a luz esteja completa.

(Aqui o desenho de uma vela = ensino)
(Aqui o desenho de uma casa = a administração)

Quando colocamos a luz dentro da lâmpada (aqui o desenho de um coração com uma vela acesa) assim nenhum vento da tribulação pode apagá-la.

Com referência à parte de sua carta onde você pergunta porque negam o serviço entre os 'sem nome', os pobres de espírito e de matéria, vou tentar lhe explicar. Todo homem nega aquilo que ele não vê ou compreende. Você está, por exemplo, em um quarto escuro. Se eu, neste ambiente em luz levantar um lápis e disser - olhe, pessoal, isto é um lápis, muitos ou alguns vão dizer - não é não. É uma cadeira. Por que? Porque não estão vendo. Não estão enxergando. Se acendermos uma luz, então, e você pegar o mesmo lápis, todos irão reconhecer que e um lápis. Que virtude haverá então? Que mérito haverá? A luz que me refiro é a luz da Palavra de Deus. A Palavra de Deus está contida nos Livros Sagrados. Enquanto não acendermos a luz da fé, através da Palavra Revelada de Deus, e nossos corações, para daí iluminar a nossa alma, nas Escrituras. O que você desejar saber, de acordo com o nosso nível de compreensão (estágio da evolução da humanidade), o nosso Bem-Amado explicou.

Os pobres, sem traço, sem vestígio, sem nome, serão "os líderes da humanidade".

Sempre foi assim; e sempre será. Vamos retroceder um pouco na história. Estamos em plena sessão do senado romano. Se alguém se levantasse naquela época e dissesse que Maria Magdalena era superior a Cláudia, esposa do Pôncio Pilatos, seria dado como louco e atirado aos leões no Circo Máximo. Os homens de todas as épocas valorizam aquilo que possuem um brilho externo e fama aos olhos exteriores. Na verdade, eles têm razão. Um aluno, no primeiro ano primário em razão em compreender apenas uma faceta limitada.

No entanto, o aluno do 1o ano colegial também tem razão de compreender mais. Ambos vivem juntos, se comunicam, trabalham, riem e choram juntos. Mas a compreensão é diferente. O importante, no entanto, é que cada um de nós bahá'ís compreendamos o nível de percepção dos demais. Seguramente, quando vemos uma Lua Getsinger, uma Leonora Armstrong, nós também nos sentimos como se fossemos retardados. Não é mesmo? O que os outros dizem, falam, se expressam, percebem, compreendem, entendem, ou assimilam não deve nos entristecer. O que na verdade devemos compreender é como nós vamos compreender; como cada um vai assimilar a Palavra de Deus.

A Palavra de Deus é como uma semente lançada em todos os terrenos segundo a parábola de Cristo. Mas, vai crescer, de acordo com a fertilidade do terreno. Não é mesmo? Mas o terreno fértil não pode culpar o pedregoso por não ser fértil. O que na verdade importa é que, ao cair no terreno fértil, esta dê frutos.

O que quero dizer, é que o eu importa é o que cada um de nós pode fazer. E deve fazer. Essa Causa é de Deus. Quer os homens queiram ou não queiram, o reino de Deus será estabelecido na Terra. Os pobres serão os líderes. Toda a Bahia e todo o Brasil serão bahá'ís, se 'Abdu'l-Bahá falou, está falado! Não há o que se discutir, ou nos deixar preocupados. Olhe a Pérsia. Estão ensinando adoidados. Até nas prisões. Tudo isso vai passar. Espero que eu tenha me expressado adequadamente.

A outra questão - para onde ir? O que fazer? Vou lhe explicar outra coisa. Atualmente, o seu irmão que lhe escreve é o reflexo da própria inexpressão aos olhos da comunidade. O que fazer? Ficar triste? Ficar deprimido? Desencorajado? Não, meu irmão. O que importa na vida de um bahá'í é amar a Bahá'u'lláh. Sabe como eu penso? Assim. Tudo que faço é imperfeito, pois sou humano, limitado, contingente. Pois não? Então, tudo o que eu fizer, ou aspirar a fazer dependerá da natureza do meu coração e da aceitação e confirmação por parte de Deus. Se Ele aprovar, irá confirmar. Se não, o ato não será nem confirmado ou aprovado. O que eu imagino é que Bahá'u'lláh mora em um castelo perfeito, elevado, santificado, purificado. Todos os dias eu chego até a ponte levadiça do Seu castelo e coloco na ponte, aos Seus pés, os meus atos. E saio correndo para fazer outras tarefas. Retorno, coloco aos Seus pés e saio correndo. Vou juntando os atos. Se Ele vai aprovar ou não, isto pertence à Sua Excelsitude e Majestade. Nós não devemos nem olhar para trás para ver se Ele vai apanhar os nossos atos. Devemos amá-Lo, amá-Lo, amá-Lo... Ad infinitum, ad secula seculorum.

Somos como folhas de outono que singramos à atmosfera da Vontade de Deus, impulsionados pelos ventos do amor, pela brisa do Convênio, atraídos pelo canto do Rouxinol, para onde Ele quiser, como Ele quiser, e se Ele quiser. Somos pássaros que fizemos o nosso ninho nos galhos da árvore do Convênio. Sorvemos a nossa água do Rio de sangue do martírio e sacrifício; comemos as sementes dos "fragmentos dos nossos corações despedaçados" e gorjeamos o dia inteiro o canto do ensino em massa. Um pássaro canta para a massa da floresta, não é? Ele não canta só para as águias; nem tampouco para as codornas. Para os pássaros, para o regato, para o sol, para a chuva, para Deus.

Então vamos onde Ele nos levar. Amando sem os olhos, andando sem os pés, penando sem a razão, consumindo-nos sem a vela, e ardendo sem pavio, e então teremos a certeza de que seremos o fogo no Fogo, o amor no Amor, o ensino no ensino às massas, a morte que é a própria Vida.

Das cinzas da nossa tribulação vamos nos erguer cada vez mais na Fênix do Seu Amor.

'Um livro lindo'de S. Francisco são muitos: O Pobre de Deus, I Fioretti. Se quiser, lhe dou a relação de todas as biografias do Pai Francisco. Comece por estes dois. São os mais bonitos.

Fico-lhe grato pelo interesse que demonstrou em ajudar D. Leonora. Se Deus quiser e permitir, Ann, Clara e eu queremos cuidar dela. Primeiro queremos afogá-la em amor, inundá-la em amor, consumi-la em amor. Depois queremos ter gratidão - nem em todos os séculos e revolução de ciclos e eras seremos suficientemente gratos pela sua semeadura da Fé no Brasil. E em terceiro, queremos mudar os seus curativos, dar-lhe de comer, cuidar dela, deixar que ela seja ela, que trabalhe até tombar em pé. Por acaso as velas não tombam em pé, ou você as coloca acesas em cima da cama? Não, a glória da vela reside em ir inclinando-se acesa na cera, até que tombada, exale o seu último brilho de luz ardente, e parta para iluminar de outra dimensão onde não mais precisará nem de pavio nem de vela, e nem de ninguém para cuidar dela. Que Deus nos permita esse privilégio. Para nós, ela é uma santa, uma heroína, uma mártir, a nossa mãe. E tal qual uma mãe não queremos abandoná-la agora. Que mais posso lhe dizer? Que espera que eu lhe diga? Prefiro não falar, prefiro não abrir a minha boca, ou escrever pois só posso falar aquilo que sei:

- amar é maravilhoso
- perdoar é esquecer, obliterar
- obliterar é compreender
- compreender é ir avante
- ir avante é desprender-se
- desprender-se é sacrificar-se
- sacrificar-se é levantar-se
- levantar-se é ficar e ser pobre
- ser pobre é ser rico
- rico no amor, na Fé e na certeza
- certeza é o ensino em massa
- ensino em massa é martírio
- martírio em vida é luz
- luz é farol-guia para o martírio na morte
- martírio na morte é poema carmesim
- Para que os homens nos escutem gritando:

AVE BAHÁ, MORITURUS IN VITAE ET MORTIS TE SALUTAT.

Para lhe facilitar: "Salve Bahá, os que estão morrendo em vida e em morte Te saúdam!"

E assim exalarmos o nosso último suspiro, e inalarmos o nosso primeiro.

Que Deus te proteja, ampare, ajude, guie, oriente.

Com profundo amor bahá'í,
Seu irmão e servo,
em Seu serviço,
Sérgio
E a tua vida, mais clara se levantará do
que o meio-dia, ainda que haja trevas
será como a manhã.
Salvador, 8 de setembro de 1980
Querido X,

Parece que depois que você retornou ao Rio foi desalfabetizado, desaprendeu caligrafia e português, regrediu à infância e esqueceu que existe correio, selo, etc. Recebi a última carta onde você falou de 2 livros, que gostaria de ter algumas traduções. Mandei um recado por ..., que eu não tinha os livros, e portanto não poderia efetuar as traduções. Não sei se você recebeu o recado.

Também havia lhe solicitado o obséquio de ver junto à Editora listas de preços e relações de livros em estoque. Acredito que o amigo esqueceu.

Telefonei sábado, mas você não estava, deixei recado.

No final do mês, estarei indo para São Paulo, a fim de participar da Escola de Verão, onde espero poder lhe rever, e puxar as orelhas com requintes de crueldade.

Não sei se o seu silêncio é fruto de um período reflexivo, ou está cansado.

Mande notícias. Deverei passar todo o mês de janeiro em São Paulo, quem sabe se não se pode fazer alguma coisa com os jovens. É somente uma idéia e sugestões.

Com profundo amor bahá'í, e aguardando notícias,
Sérgio.
Resta ainda um repouso para o povo de Deus.
Salvador, 17 de dezembro de 1980
Querido irmão X,

Estamos muito felizes que as coisas estão começando a andar e a dar um rumo, graças à bondade, misericórdia, graças, ajuda, amparo, proteção de Deus, de Bahá'u'lláh, do Báb, de 'Abdu'l-Bahá, de Shoghi Effendi, do Supremo Concurso de Dr. Muhájir, Sr. Olinga, D. Leonora (Acho que não esqueci ninguém). ...

P.S.: Ao escrever, favor se abster de linguagem extra-terrestre, para que possamos entendê-lo.

Salvador, 28.02.81
Querido irmão Y.,

Fiquei muito feliz com a volta de ..., para Recife, pois fiquei sabendo notícias suas. Fazia já bastante tempo que só me comunicava com você através de orações e ensino e ensino. Pelo menos nos contenta ter esta maneira maravilhosa de comunicação. Fiquei duplamente feliz em saber que você e ... vão se casar. Que bom que vão se casar.

Vocês vão achar ótimo. Nós também achamos. Nada melhor do que servir à dois. Um ajuda o outro, um completa o outro, um impulsiona o outro. Ao se casarem não se esqueçam, não se esqueçam de dizer um ao outro: - eu te amo, todos os dias. Parece brincadeira, mas ajuda mesmo a consolidar o casamento.

Todos nós, obviamente, gostaríamos de estar presentes nesta ocasião, mas como todos os seus irmãos são mais duros do que pedra-sabão não sei se vai dar. Caso nós não possamos todos ir, vamos deputizar ... para ir e levar todo o nosso amor. Não se desencorajem se casarem de modo bem simples. Na verdade, você vai casar-se com ..., e isto é mais do que suficiente. As coisas materiais virão através dos anos e dos esforços de ambos. É muito bacana se construir a vida a dois.

Esperamos que Bahá'u'lláh derrame sobre vocês suas confirmações. Mande-nos avisar com antecedência a época em que pretende casar.

Com profundo amor bahá'í e saudades,
Clara, Ann e Sérgio
Salvador, 29 de março de 1981
Querido irmão X,

Já era para lhe ter escrito, mas infelizmente não me foi possível. Em primeiro lugar gostaria de lhe agradecer por toda a sua atenção e a sua compreensão. Na verdade você tem sido um verdadeiro irmão para nós; ficamos tristes que não nos foi possível lhe devolver a importância no prazo determinado, mas entramos em prova atrás de prova, como nunca antes havia tido de enfrentar. Estávamos verdadeiramente submersos em prova. Ann e eu decidimos vender as duas últimas coisas de valor que temos, mas vamos honrar o compromisso o mais rápido que pudermos. Por favor, ore por nós.

Gostaríamos realmente, que você pudesse vir durante a Semana Santa; seria uma excelente oportunidade para conversarmos, consultarmos, ensinarmos e amarmos a Bahá'u'lláh.

Espero que a minha inundação de cartas para o Comitê Nacional da Juventude não esteja trazendo qualquer inconveniente. Estava quieto, quando vocês mesmos me cutucaram. O importante é servir, servir, servir.

Com profundo amor bahá'í,
Sérgio
Salvador, 7 de abril de 1981
Querido irmão X,

Graças a Deus e a Bahá'u'lláh esta semana já vamos poder lhe restituir o seu obséquio. Ficamos muito aflitos com a demora, pois não queríamos lhe causar quaisquer inconvenientes. Mas parece que tudo isto faz parte da grande prova de minha vida: a batalha do Armagedom espiritual. Deus me deu um cheque-mate. Ou vai ou racha.

Primeiro, Ele me rachou, e eu agora estou indo.

A sua carta ainda não chegou, espero que amanhã venha a recebê-la. A sua vinda durante a semana santa teria múltiplas utilidades para o serviço à Fé, não só de sua parte, como da nossa. Vai ser jóia. Prometo que iremos estudar uma série de coisas novas.

Não se esqueça de nos avisar o dia de sua vinda, e o meio de transporte, e horário de chegada. Pessoalmente creio que não deve sair no momento do Comitê Nacional da Juventude. Se você sair agora o Comitê Nacional da Juventude vai apagar.

Com profundo amor bahá'í,
Sérgio
Salvador, 22 de julho de 1981
Querido irmão X,

Chegamos ontem de Vitória, e gostaria de lhe dizer que o seu trabalho na Conferência foi maravilhoso. Fiquei muito orgulhoso de você. Parabéns. Espero que Bahá'u'lláh continue guiando os seus passos para lograr vitórias ainda maiores para a Sua Causa. Não ligue para as críticas; elas fazem parte do dia a dia. O importante é continuar a alçar vôo.

Esperamos você em Vitória. O Instituto foi lindo! Sentimos falta de você. Espero que você possa vir à Conferência de Ajudantes em Setembro (18, 19 e 20).

Em São Paulo abrimos mais uma tribo de índios. Foi linda a experiência. Estamos vivendo dias gloriosos para a Causa, e dias ainda mais gloriosos estão por vir.

Hoje telefonei para você, mas não o encontrei. Sabe, na confusão da despedida, deixei as três pastas junto das coisas da Editora. Se você achou mande por ... na próxima vez que ele for na reunião da Assembléia Nacional. Se não achou, não faz mal.

Esta carta é relâmpago. Preciso agradecer a cada bahá'í que direta ou indiretamente me serviu durante a viagem.

Com profundo amor bahá'í,
Sérgio.
Salvador, 11 de agosto de 1981
Querido irmão X,

Tenho pensado muito em você. Muito mesmo. De repente você silenciou. O que será que ocorreu? Muito trabalho? Muita ocupação? Muito silêncio? Ou muita meditação?

Sei que depois de grandes vitórias temos grandes provas. E estas servem de impulso para se subir cada vez mais alto.

Esperei por você em S. Paulo, e depois em Vitória. Infelizmente não lhe foi possível ir, creio. Ou será que você ficou magoado comigo por algum motivo?

Sabe, o meu respeito e admiração cresce por você a cada dia, e sei que o futuro irá lhe reservar outros serviços a esta Causa. Queira Deus ainda possa eu ver os frutos dos seus esforços e sacrifícios.

Gostaria de lhe convidar especialmente para a Conferência de Ajudantes em Setembro. Agradeço confirmar a sua presença.

No aguardo de notícias suas, e com profundo amor bahá'í,

Sérgio.
Salvador, 23 de agosto de 1981
Querido irmão X,

Fiquei muito feliz em haver recebido notícias suas. Realmente muito feliz. Mesmo que tenha sido uma fita de máquina de calcular. Pela fita compreendi os cálculos espirituais que você anda fazendo: as somas dos sucessos, ad diminuições dos fracassos, a multiplicação da fé, e a divisão do amor. Só que acho que a sua máquina está com um leve problema - só dá o silêncio como resultado. O silêncio é positivo quando o convertemos em amor, em meditação, em êxtase, em contemplação. O silêncio equivale ao preparo para se impulsionar cada vez mais para o alto.

Depois do grande sucesso que foi a Conferência Badí, sabia que você iria entrar em grandes provas. Dr. Muhájir uma vez me disse que depois de grandes vitórias vêm grandes provas, e estas servem de base para vitórias ainda maiores. Oro e peço a Deus para que logo você possa emergir do seu casulo temporário e alçar um vôo majestoso em direção ao infinito. Uma coisa eu quero lhe dizer. Para mim não importa o que os outros digam, pensem ou achem de você. Ou, não importa para mim o que você também ache de você. Eu creio em seu potencial, em seu vôo para Bahá'u'lláh. O seu silêncio é maravilhoso. É o seu silêncio mais barulhento que já ouvi.

Sei o quanto você deve estar cansado, após tantas atividades; que este breve intervalo lhe possa restaurar as suas energias. Sabe, irmão, na verdade o amor é a base de tudo. A ciclagem do amor de Deus é a ciclagem da criação. Devemos penetrar neste novo mundo - o mundo do amor de Deus, e é neste mundo que nos tornamos independentes de tudo e de todos. O Verbo é a origem desta caminhada, e nós só conseguimos morrer em nós quando nós mesmos nos crucificarmos no Verbo, e nascermos para Ele.

Entendo a sua guerra, mas não compreendo. Entendo que você possa se sentir assim. Você está travando dentro de si a terrível batalha do Armagedon espiritual, da qual emergirá vitorioso o amor.

Meu irmão, penso em você a cada instante, e peço a Deus que lhe ajude a conquistar novas vitórias.

Que bom que você encontrou um novo coração-irmão. Espero que logo vocês possam estar unidos no serviço a Deus. Temos tanto a conversar. Desde já quero lhe convidar para a Conferência dos Ajudantes, nos dias 18, 19 e 20 de setembro. Você ficará em nossa casa, que é a sua casa. Temos tanto a conversar! Venha e traga a sua namorada.

Não a conheço, mas se ela o ama e você a ama, nós também a amamos. Por favor estenda também o convite para ela.

Com profundo amor bahá'í,
Seu irmão, em Seu serviço,
Sérgio
O choro pode durar uma noite,
mas a alegria vem pela manhã
Salvador, 2 de setembro de 1981
Querido irmão bahá'í X,

Recebi ontem 2 presentes: a sua carta e o boletim Luz. Fiquei realmente muito feliz. Primeiro porque vi, através de sua carta, que as lágrimas que você havia derramado e molhado as suas asas, já estão sendo secadas, pelo poder do sol da realidade, e que o seu espírito voltou a se agitar na rocha irremovível de fé consciente, e está pronto a alçar os novos vôos, para novos horizontes. Segundo porque tenho o privilégio de ser seu aluno, aprendendo tanta coisa bonita no seu boletim Luz. Muito obrigado por tudo o que aprendi neste Luz. Não só gostei, mas vibrei.

Em agradecimento a tanta coisa maravilhosa que você me ensinou, e grato a Deus por haver lhe inflamado outra vez, envio-lhe (para você!) estes textos que acho lindos (A tradução é para você!!!). São todas citações de 'Abdu'l-Bahá.

1. "A maravilhosa lei da atração, harmonia e unidade mantém unida esta maravilhosa criação".

2. "O amor é a própria causa da vida, por outro lado, a separação traz a morte."

3. "O amor e a afinidade são a causa da vida, e a discórdia e separação são a causa da morte."

4. "O amor é o princípio fundamental do propósito de Deus para o homem, e Ele nos ordenou a amarmos uns aos outros assim mesmo como Ele nos ama."

5. "Que poder é o amor! É o maior e o mais maravilhoso de todos os poderes existentes. No mundo da existência certamente não há poder maior do que o poder do amor. Quando o coração do homem está aceso com a chama do amor, ele está pronto a sacrificar tudo - até mesmo a sua vida."

6. "O leviatã do amor engole o senhor da razão e destrói o senhor do conhecimento ... o amor aprisionou miríades de vítimas em suas garras."

7. "O amor manifesta a sua realidade em ações, não apenas em palavras."

8. "O amor é a bênção consciente de Deus, o elo de afiliação em todo fenômeno."

9. "Acautelai-vos ... para que não vos alienais dos servos de Deus. Vós deveis considerar a todos os seus servos como a vossa própria família... Deus criou o homem para que amassem uns aos outros."

10. "Vós deveis amar o vosso amigo mais do que a vós próprios, sim e estar prontos a sacrificar-vos."

11. "Sede mais amorosos um para com o outro. Queimai totalmente por amor ao Bem-Amado o véu do ego com a chama do Fogo Imortal, e com faces radiantes e iluminadas com a luz, associai-vos com o vosso próximo."

12. "O amor é a base de tudo ... Estas ondas provenientes de nossas mentes saem e criam movimentos... De um pensamento forte de amor, grandes resultados podem ser produzidos."

13. "Os discípulos (de Jesus Cristo) ... foram libertados das características animais e qualidades que são as características da natureza humana, e eles se tornaram adornados com as características divinas que são a bondade de Deus; este é o significado do segundo nascimento. Então, eles receberam a ajuda de Deus, e o poder do Espírito Santo se tornou manifesto, a espiritualidade de Cristo triunfou, e o amor de Deus reinou ... Através do Espírito de amor de Deus, eles ganharam uma nova vida."

14. "Assim sendo, o renascimento significa ... libertação do cativeiro da natureza, liberdade do apego a esta vida mortal e material. Este é o segundo nascimento ou o nascimento espiritual."

15. "A ressurreição ou o renascimento do espírito do homem através da ciência do amor de Deus".

16. "O coração deve necessariamente ser espiritual. Uma árvore deve produzir frutos, ela pode ser muito alta, muito verde, mas pode não produzir frutos. Os frutos da árvore da vida humana são o amor de Deus, susceptibilidades magnéticas, espirituais, iluminação celestial, o conhecimento de Deus, atributos louváveis, moral e conduta elevadas. Uma pessoa que produza tais frutos é um bahá'í, de outra maneira ela é da terra, terrena, ocupada com si própria, e seguindo os ditames de seus próprios desejos, e é homem apenas por nome. Como Cristo diz: "Vós conhecereis a árvore por seus frutos."

17. "Os nossos maiores esforços devem ser dirigidos em direção ao desprendimento das coisas materiais do mundo; nós devemos nos esforçar para nos tornarmos mais espirituais".

18. "Da mesma maneira que o amor não tem lugar, mas está conectado com o coração, assim o Reino não tem lugar, mas está conectado com o homem".

19. "O mundo espiritual ... é o reino da completa atração e afinidade. É o reino de um mesmo espírito divino, o Reino de Deus. Assim sendo, da afinidade e do amor manifesto".

Pronto, chega, senão vou explodir de tanto amor. Sabe, eu ando apaixonado por Deus e por Bahá'u'lláh.

Irmão, acho que essas suas batalhas interiores geniais. Estou até pensando em ir lutar com você, contra o "inimigo" que está insistindo. Quando você abrir uma convocação e alistamento conte comigo.

Acho engraçado você dizer que está tentando provar a si mesmo que já O encontrou. Cuidado para que em sua corrida atrás de você, não tropece n'Ele, pois Ele está entre você e seu eu. Mande o outro eu enxugar gelo, pregar prego em lama, chupar parafuso até virar prego, porque você tem mais o que fazer. Você deve estar se sentindo tão velho que um dia destes vou lhe enviar uma carta assim: querido ancião... Sabe, esta ardência que você sente no peito só tem uma cura (pelo menos a única que conheço) - martírio em vida e dar o sangue no caminho do Bem-Amado. Vai chegar o nosso dia.

Tenha calma e paciência!
Com profundo amor bahá'í,
Sérgio
Salvador, 10 de setembro de 1981
Querido irmão X,

Seja bem-vindo à Conferência de Ajudantes - "O Instituto Edmund Miessler", nos dias 18, 19 e 20. Na verdade, não estou lhe convidando. É mais do que um convite. Estou lhe pedindo com amor para vir e se juntar conosco, ombro a ombro, para uma nova etapa em nossas vidas. Uma nova etapa, com uma nova visão, com novos horizontes, com novas ações, novos sacrifícios, novas consumações, com um novo espírito; seja bem-vindo à Conferência "Badasht" de Ajudantes.

Não preciso me delongar muito, pois tenho convicção de que você estará aqui conosco, pessoalmente, ou em espírito.

Sabe, na verdade, todos nós estamos juntos, e sempre estaremos, mas é maravilhoso estarmos juntos ao nascermos novamente e crescermos para uma realidade que nos levará ao sacrifico máximo de nossas vidas.

Com amor bahá'í,
Seu irmão,
Sérgio
Salvador, 6 de outubro de 1981
Querido irmão X,

Recebi a sua carta escrita em um papel tão bonito, sem data, e meditativa. Cada dia que passa ouço de longe os seus gritos de solidão espiritual; escuto o murmúrio das águas revoltadas de sua alma; e a tempestade que assola o imo de seu espírito. Trata-se na verdade do vale das trevas e das sombras, que toda alma passa, ainda neste plano. São provas espirituais grandes, que prenunciam uma nova etapa na jornada a Deus. As provas aumentam a cada passo que nos aproximamos de Deus. E isto deve constituir motivo de felicidade.

Estou ansioso para receber o novo exemplar de Luz. Parece que, gradualmente, passo a passo, Deus lhe está encaminhando para um destino maravilhoso. O de escrever.

Continue continuando.

Não, ainda não traduzi o artigo que você pediu, não por falta de interesse mas por falta exclusiva de tempo. Você nem queira imaginar o quanto o tempo anda escasso; mas de alguma maneira, haverei de encontrar tempo.

Antes da Conferência Nacional de Ensino deverei passar uns 2 dias aí no Rio: espero poder lhe rever, a fim de conversarmos, rirmos, chorarmos, consultarmos e depois ir para S. Paulo. No dia 15/11 estarei viajando para Natal, Fortaleza, sabe lá mais para onde. Caso você queira ir para o Paraguai comigo, por alguns dias, seja bem-vindo.

Vou atender o seu pedido. Vou rasgar a carta, mas vou recortar o desenho da Ave do Paraíso para o meu livro de orações.

Não se esqueça de que amar Bahá'u'lláh não constitui crime; servir a Deus não é crime; mas, ao nos levantarmos, de corpo e alma, de coração e alma, seguramente vamos ser incompreendidos. Pessoalmente tenho conhecimento de outras almas que fizeram o mesmo, e terminaram abraçando a cruz do sofrimento. Quer uma lista? Bem, vamos tentar. Na época antes de Bahá'u'lláh:

A - Maria Madalena, João, Pedro, S. Francisco de Assis, S. Tereza D'Ávila, Joana

D'Arc.
B - Ali, Imame Husayn.

C - Quddus, Tahirih, Mullá Husayn, Badí, Ruhulláh, Vargá, e mais 20.000 - na verdade mais de 100.000. Na Bíblia fala de 144.000.

Não é bacana? Pois é; o preço é alto; elevado. Baldes e baldes de lágrimas; sangue e sangue da vida; críticas e críticas; desamor, incompreensão. Mas acho que vale a pena. Porque, "se uma coisa é digna de ser feita, ela é digna de ser bem feita".

Para você todo o nosso amor bahá'í.
Sérgio

P.S. - Quando você vem passar um final de semana aqui conosco?

Salvador, 3 de dezembro de 1981
Querido irmão X,

A sua carta de 25.11 nos trouxe uma alegria profunda, pois sentimos que você está já saindo de sua introspecção espiritual, o "vale das trevas e da noite". É na verdade muito bonita a saída deste vale, quando passamos a nos enebriar pela vida que é vida. No seu silêncio conseguia escutar a sua voz, ouvir os lamentos do seu coração, e os seus anseios, mas, no papel de irmão que muito lhe ama, como um filho, e após o seu silêncio, restou-me apenas respeitar a sua "ausência", compreendendo-lhe na sua presença, presença essa espiritual. Graças à Abençoada Perfeição as feridas cicatrizaram e as escuras nuvens se dispersaram. Não é só você que mudou, para o melhor. Você também vai me encontrar um novo soldado, um novo servo de 'Abdu'l-Bahá. A imensa e tremenda paz que estou sentindo em minh'alma, e o amor que está se consumindo o espírito, está queimando, ardendo, transformando em cinzas tudo em mim que você conheceu. Coisas maravilhosas estão ocorrendo. Coisas que não sei nem como lhe relatar por carta. Só sei que estou cada vez mais agradecido a Deus por tudo que Ele está fazendo. Bem, teremos tempo de conversar bastante este final de ano.

Não sei como agradecer-lhe por haver pensado em me convidar para passar uma semana com você em sua casa. Já era meu plano, na verdade, passar uns dois, três dias aí no Rio antes da Conferência. O seu convite veio confirmar que talvez Deus queira que fique uns dias aí no Rio, para aprender com vocês, e servir... Maravilhoso. É como se fosse um verdadeiro banquete espiritual.

Não sei se poderei chegar aí no dia 14, mas espero pelo menos chegar aí no dia 14 ou 18. Caso não possa ficar 7 dias ofereço a Bahá'u'lláh 4 dias, se Ele estiver de acordo. Sabe, meu irmão, hoje em dia não faço mais nada antes que Ele aprove e confirme. Desejo analisar a Sua vontade. Na vontade D'Ele encontrei um oceano de riquezas, um mar de bondade, um céu de consolo, um rio de alegria, e uma luz de vida. O meu coração está contente com tudo aquilo que Ele me destinou passar neste caminho que estou passando, e o que vier a passar. E esta alegria é tão imensa que todo o meu ser parece que vibra e que vai explodir em uma grande proclamação de amor e de servitude à Abençoada Perfeição, o nosso Criador. Caso passe 4 dias aí, peço ao amigo para que escolha dos temas os quatro principais que você julgue eu todos nós devemos aprender. Peço-lhe que mantenha o tema sobre Bahá'u'lláh, a Fonte de todas as fontes, a Origem de todas as origens. Neste período até a hora do meu martírio quero aprender tudo o que não consegui aprender até hoje. "O tempo voa", dizia o amado Guardião, e agora mais do que nunca sinto este apelo em meu coração. Quero aproveitar cada segundo, cada hálito, cada respiração, cada batida do meu coração no serviço do Bem-Amado. O tempo voa, e quero voar nas asas do tempo; o tempo urge, e quero apressar os meus passos, não para recuperar o que perdi no passado, mas para ter certeza de que não mais perder o que Deus, em sua infinita Bondade, destinar para mim hoje e o meu anseio é que a minha língua se emudeça, salvo para louvar a Deus e a Bahá'u'lláh, e ensinar; quero esvanecer-me, uma gota sumindo em Seu oceano; quero servir-Le até tombar, de pé, em Seu caminho. Irmão, a "vida" do espírito é mais intensa do que a vida da matéria. Na verdade o mundo lindo em que vivemos é uma sombra, e eu amo a Luz. Nada que temos, nos pertence. Pertence tudo só a Ele, Bahá'u'lláh. Somos apenas fideicomissários de seus bens terrenos. Nem mesmo o nosso corpo e o nosso espírito nos pertence, Só a Ele, tudo o que existe, pertence.

Irei com muita felicidade e alegria participar da Conferência em São Paulo, mas o meu espírito começou a conferência desde hoje. Hoje sou pioneiro na cidade do meu coração, e hoje tornei-me um instrutor inexorável do meu espírito. Hoje já compreendo que Fé Bahá'í é religião no coração. Quando conseguimos encher o nosso coração com Bahá'u'lláh e com a Fé Bahá'í, tudo o que fizermos será Fé Bahá'í, será serviço a Bahá'u'lláh. Ele, o Criador me concedeu o privilégio da vida. O dom e a dádiva de viver. De pensar, de amar, de servir, de sacrificar-me, de ver as cores e as belezas da vida, de ler as Suas Santas Palavras (O Logos, ou seja o Verbo), de ouvir as Suas Melodias, os Seus Chamados e apelos, de inalar as fragrâncias de Sua Excelsitude, e de dedicar o pouco que sei e aprendi d'Ele Mesmo, ao Seu serviço. Por isso, sou feliz. Bem, creio que talvez tenha falado demais. E falar demais, não é bom, e não é sábio.

Obrigado por me informar a notícia da enfermidade de ..., vou telefonar amanhã para ele. Se a vontade de Deus for que Ele se recupere para o Seu serviço, ele ficará bom. Deus é pura bondade, pura misericórdia e pura cura. E quando há esperança, há possibilidade, e a possibilidade torna-se um postigo onde a luz penetra, a luz da cura, ou mesmo onde o pássaro do espírito possa alçar o seu majestoso vôo para outras plagas. A Deus pertence o Seu Desígnio. Vamos orar.

Querido irmão, desde que a Casa Universal de Justiça pediu que ensinássemos também às classes sociais elevadas, estamos Ann, Clara, eu e... também ensinando os ricos, e aos pobres. Pedi tanto a Bahá'u'lláh que me mandasse os ricos para minha casa afim de ensinar-lhes. E Ele nos mandou 4 famílias, sendo que três das quais de cursilhistas e dos movimentos da Igreja. Estão vindo três vezes por semana, e ficam cerca de 5 horas de cada vez. Está lindo. Depois vamos e ensinamos os pobres. Estou feliz em poder obedecer ao chamado da Casa Universal de Justiça.

Muitas coisas maravilhosas estão se operando aqui. Muitas coisas. Estamos sendo testemunhas oculares do início do levante espiritual da Bahia para 'Abdu'l-Bahá. As sementes estão brotando, brotando. É muito lindo!

Com profundo amor bahá'í,
Seu irmão,
Sérgio

P.S. - Que Bahá'u'lláh guie os seus passos para você fazer a Sua Vontade. Sérgio.

Quem me ama, será amado por meu Pai.
Eu o amarei e a ele me manifestarei.
(Jô 14.21)
Como Eu vos amei, amai-vos também uns aos outros.
(Jô 13.34)
Salvador, 18 de abril de 1982
Querido irmão X,

Desculpe-me pelo atraso de correspondência, mas somente agora é que estou podendo ir assumindo gradualmente minhas funções e tentar colocar em dia as respostas de todas as cartas que recebi. Fiquei muito feliz em falar com você por telefone, e espero que a cópia do material tenha chegado em ordem. Enviei via entrega rápida para não demorar ou extraviar.

Sempre amamos você, e você sempre tem um lugar muito especial em nosso coração. Tanto Ann e Clarinha lhe amam muito também, e estamos todos à espera da tão prometida visita à Salvador.

Que bom que vocês estão com o ciclo de reuniões e estão convidando tantas pessoas. A persistência em seus esforços trará muitos resultados, e muitos ingressos para a Causa. Não desistam. Continuem, persistam, perseverem. Espero, ardentemente que os contatos com a televisão sejam coroados de resultados.

É maravilhosa a oportunidade que você está tendo para escrever sobre a vida de Bahiyyih Khánum. Como você me pediu sugestões sobre o estilo a ser escrito o livro, atrevo-me a oferecer algumas para sua avaliação. Seria interessante que tivéssemos um livro que abordasse o tema dando dados históricos (história), entremeado de relato de incidentes de sua vida, descrição de sua personalidade, seu sacrifício, e o seu trabalho na Causa.

Que bom e maravilhoso que trancou a matrícula para servir à Causa de Deus. Não se preocupe ..., no reino de Abhá nós vamos à sua formatura. Com referência à tradução que você pediu, por favor deixe eu me recuperar um pouco.

Espero lhe rever na convenção, quando teremos oportunidade de conversarmos mais detalhadamente.

Com profundo amor bahá'í,
Sérgio
Salvador, 9 de maio de 1982
Querido irmão X,

Realmente esta foi a Convenção mais linda que já assisti até hoje. Tão linda e tão cheia de amor e de espírito. Fiquei tão orgulhoso de ver os membros da Assembléia Nacional expondo e defendendo o ensino em massa. Realmente foi uma Convenção madura. Vim pensando na viagem de volta sobre você. Bahá'u'lláh, ao substituir ... por você, tornou óbvio aos nossos olhos o peso da responsabilidade que colocou nos seus ombros. Retirou um membro que já havia se tornado quase um patrimônio, desde quando ela já estava há tantos anos servindo neste campo de atividade, e colocou você, jovem, dinâmico. Oro para que você sempre esteja ciente de que nos próximos 19 meses a sua tarefa é enorme. Ajudar a levantar a bandeira do ensino em massa no Brasil. Tenho certeza de que Bahá'u'lláh haverá de lhe guiar os passos, lhe apoiar, e amparar. A sua paciência, a sua humildade, a sua devoção, o seu ardor serão os seus colaboradores. De resto o Brasil inteiro, ao ver o amor de Bahá'u'lláh ardendo em seus corações irá se apressar em apoiar os planos da Assembléia Nacional.

Fiquei feliz em ouvir de minha irmã que ela está querendo ver a luz. Que bom. Ela está cada vez mais perto de se declarar. Queira Deus, Bahá'u'lláh queime logo os seus véus, a fim de que ela possa enxergar de pronto a luz. Periodicamente, se você puder, telefone para ela e bata um papo espiritual. Ela, com a minha outra irmã daqui, são de andar passo a passo. Tirar véu por véu. Se tentarmos apressar a retirada do véu elas ficam desconfiadas.

Naquela noite ficamos com minha prima até as 4 horas da manhã conversando. Como você pode ver cheguei podre em Salvador; mas, feliz!

Desejo todo sucesso em seu serviço na Assembléia Nacional, e que Bahá'u'lláh guie os seus passos. Avante! Com coragem e determinação.

Com profundo amor Bahá'í,
Sérgio
Salvador, 30 de maio de 1982
Querido irmão X,

Puxa vida, recebemos duas cartas suas - de 17.5 e de 11.5. Estamos ricos de saudades e de amor. Muito obrigado. Posso muito bem avaliar o mundo maravilhoso e excitante de provações em que você se encontra. Esta "arena de provações" que você mencionou é na verdade uma piscina olímpica de bênçãos e de misericórdia de Deus.

Bem-aventurado é você. Que bom e que lindo você estar na linha de frente administrativa e do ensino. A responsabilidade é realmente grande. Se você pensar em sua capacidade, em suas qualificações, em seu mérito pessoalmente, você não vai poder suportar o peso desta responsabilidade. Mas, se você pensar quão grande é o poder desta Causa, quão imensamente glorioso o espírito animador desta Fé, você verá que em outras Assembléias Nacionais na América Latina há indígenas analfabetos servindo, o que prova que é o espírito com que se serve que é levado em conta. Você tem razão. Se for o servo (o bravo, o inteligente, o popular, o loquaz, o orador) que for servir será desastroso. Mas se for o servo (o humilde, o servo, o canal para o sopro do Espírito Santo) será um sucesso, porque o sucesso é d'Ele. Não perca tempo ficando abatido. Quem fica abatido é frango em abatedouro de aves. Fique general-humilde, e siga para frente. Ofereça o seu tijolinho, por mais imperfeito que seja, aos pés do Bem-Amado. Não perca tempo! Este é um grande dia! Dia de grandes feitos. Como você pode se sentir um projeto inacabado quando Bahá'u'lláh diz: "Nobre eu te fiz, por que te rebaixas?" Se você for ridicularizado, zombado, criticado que lindo! Que maravilhoso! Se Deus lhe estraçalhar, como você diz, que bom, será uma proclamação maravilhosa. Um pedacinho seu em cada localidade. Com referência ao amor de Deus, o que posso dizer é o seguinte: ame, ame-O o mais que você puder, e deixe que Ele lhe responda. A melhor explicação é a prática. Pratique o amor de Deus, e que Ele lhe seja todo suficiente. Se ninguém mais neste plano confia em você, lembre-se de que nós confiamos; não vejo você como você é (pois este realmente é outro assunto); mas vemos você como você gostaria de ser (e este realmente faz o nosso espírito vibrar de alegria e amor).

Estamos bem. Clara e Ann enviam o seu amor.
Com profundo amor Bahá'í,
Sérgio
Salvador, 9 de agosto de 1982
Querido irmão X,

Estes dois últimos dias foram, na verdade, os dois dias mais intensos que passei recentemente. Primeiro matamos as saudades de você. E isso é muito importante para nós. Segundo, tivemos a oportunidade de consultarmos amorosa, aberta e francamente sobre vários assuntos. Terceiro, tivemos a oportunidade de verificar quão maduro você está se tornando no serviço à Fé.

Muito obrigado por ter vindo, e ter feito este sacrifício imenso. Estamos muito gratos a você por haver feito este sacrifício. Deus lhe haverá de recompensar por isto. Foi excelente havermos consultado sobre tantos assuntos, muito embora tenha lamentado não poder lhe dar a resposta com a qual, creio, você gostaria de retornar, pelas razões que expus a você.

Realmente em encontro em um epicentro de provas e tribulações de ordem espiritual. Obediência, onde posso ser mais útil à Fé e ao progresso do ensino no Brasil, etc., etc. Como sempre, penso assim: ou confiamos em Deus, ou não confiamos; sei que Deus vai guiar os passos, vai orientar, e no final, Ele vai fazer com que a Vontade d'Ele prevaleça, só me resta entregar-me aos Seus cuidados e Mercê.

Ontem, depois que você embarcou, estava tão nervoso e conflitado que você nem imagina. Não conseguia dormir. Fui dormir lá pelas tantas da madrugada. Graças à Deus já passou. Hoje amanheci bem, calmo e confiante. Vou me empenhar ao máximo para ir à Campo Grande. Ainda não sei que solução Bahá'u'lláh irá me trazer. Mas genuinamente irei me empenhar.

Muito obrigado pelo lindo e maravilhoso almoço no aeroporto. Sabe, há muito tempo que eu queria levar Ann e Clara para almoçar lá, mas nunca tive a coragem de gastar o preço do almoço. Aparentemente, parecia excessivamente caro, mas no fundo, graças à Deus, não foi tão caro quanto pensamos que seria. Foi lindo o almoço. Também agradeço por haver trazido os boletins. Espero que me enviem o resto do material gratuito que lhes pedi anteriormente por carta.

Quinta-feira estarei na casa de ... aguardando o seu telefonema. Seja o que Deus quiser. Caso eu vá para Campo Grande passarei pelo Rio, pelo menos um dia para ver minha irmã, quando então poderei lhe rever. Qualquer coisa eu lhe aviso. Quem sabe se não iremos junto à Campo Grande?

Com profundo amor Bahá'í,
Sérgio
Salvador, 12 de setembro de 1982
Querido irmão X,

Recebi a sua linda carta-verdade no momento de embarcar para Campo Grande, via Brasília. Chegou com uma carta de ..., também muito inspiradora. Li as duas durante o vôo, e desnecessário dizer-lhe que os meus olhos encheram-se de lágrimas, pois ambos conseguiram tocar bem no fundo do meu coração, com palavras tão espirituais.

Há tantas coisas para lhe relatar que não sei por onde começar. Vamos primeiro por etapas. Do princípio para o fim.

...

Puxa, depois de dois anos de perseverança e persistência, creio que Bahá'u'lláh resolveu me imergir no oceano de Sua Misericórdia e abrir as portas. Valeu a pena o esforço e a perseverança. E o sofrimento também.

Vamos agora responder a sua carta-verdade. Parágrafo por parágrafo. Ponto por ponto. Verdade por verdade. Você é realmente um irmão maravilhoso.

Estes dias realmente são maravilhosos. São realmente dias de muito amor, de muita abnegação e sacrifício, de muitas provas, de muita dedicação, de muita doação.

Quando compreendemos quem é o nosso Bem-Amado Bahá'u'lláh, vemos que tudo que fizemos é nada, em comparação à grandeza desta Causa e deste dia. Este é realmente o Dia do martírio em vida e em morte, o dia do ensino transmutado em martírio. Este é o dia em que o impossível se torna possível, e milagre o próprio hálito da vida.

Este Dia é verdadeiramente, o maior milagre da criação.

A nossa casa será para sempre a sua casa. O nosso lar, o seu lar. A nossa vida, a sua vida. O nosso sofrimento, o seu sofrimento e a sua alegria, a nossa alegria. Você sempre que vem em nossa casa é o querido irmão... Irmão indivisível. Não importa como o chamemos e intitulemos. Ou simplesmente irmão. O irmão pardal, o irmão andorinha. O irmão, você não veio combativo, você veio decidido a ajudar à Causa, e a resolver um problema que estava lhe afligindo. Nós não sofremos de forma nenhuma. Como poderia um irmão fazer o outro sofrer. Nós apenas consultamos sobre a vontade de Deus. Cada um abrindo o seu coração, com direito a sua livre expressão. Isto não é sofrimento, isto eu chamo de amor no caminho de Deus. Busca da verdade. E contemplo a beleza do sol fulgurante da verdade. Trabalhar na coluna dos Membros do Corpo Auxiliar realmente me ensina a saber obedecer. Obedecer e não perguntar. Fazer algo semelhante a dar um salto no escuro. Saltar no claro é muito fácil. Saltar no escuro é que é a história. Você estar no 30o andar de um edifício, à noite, com as luzes apagadas, e ouvir uma voz que diz: Salte! E você confiar na voz do Seu Bem-Amado, e saber que em algum ponto do tempo e do espaço e da eternidade, a Sua Missão Maravilhosa e Misericordiosa estará lá para lhe aparar.

Como é doce, irmão, dar este salto no escuro. Vivo dando estes saltos. Sei que Ele estará lá. Depois que você salta a primeira vez, tudo torna-se fácil. Você retorna e dá outro salto. Não para mostrar a sua fé e a sua coragem, mas pelo prazer e felicidade de estar algum tempo, algumas frações de segundos, em Sua Mão. Ó, como é doce este minuto.

Aprendi também a ter direção, a bússola. O segredo é considerar tudo que existe em um estado de espírito. Badasht, Forte Shaykh Tabarsí, Nayriz, Zanján, tudo espiritual, ensino em massa, instituto, conferências, sofrimento, tudo isto (inclusive martírio), é estado de espírito e não circunstância do momento. Bússola é ter o Bem-amado à frente e andarmos, maltrapilhos, andarilhos, despojados de tudo e de todos, e caminhar à frente, continuar continuando, andando, se arrastando, ensangüentado, rindo, chorando, gritando, orando, louvando, mas andando sempre para frente. Esta é a bússola, sem dar ouvidos à críticas ou elogios, só escutando a voz e o chilreio do Rouxinol do paraíso. Aprendi a ter direção quando dizemos ao Senhor: Pai dirija cada passo dos meus passos para onde Tu queres que eu vá. Que eu seja como Tu queres que eu seja. Que eu seja no serviço que Tu queres que eu sirva. Esta é a bússola.

Sim, somos diferentes, como tudo na criação é diferente. Somos diferentes na essência e unidos no propósito. Diferentes na missão, mas unidos na batalha.

Sabe, quando levantei-me para o ensino em massa na Bahia levantei-me para dar a minha vida. Tudo enfim. A primeira coisa que o Senhor me tirou foram os dentes, por amor a Ele. No início para mim foi muito difícil não ter dentes no Seu caminho. Muitas dores senti, e todas as dores Ele fez passar, até que não mais dor senti. Depois ele fez outros me humilharem por estar sem dentes. Sofri. Mas quando compreendi que Maomé perdeu os dentes no caminho de Deus, e Quddus também, quem sou eu para reclamar? Quisera eu ter mil dentes para oferecer a Ele. Quando queremos oferecer a vida, imagina o que representa um dente. Alláh'u'Abhá.

Quando levantei-me para ensinar às massas, levantei-me para ensinar às massas em todos os reinos de Deus, em todos os mundos de Deus. Para o Instituto, em todos os mundos de Deus. E sob todas as circunstâncias. Após sair do Instituto, transformei o meu coração em um instituto onde não posso jamais ser jogado para fora, pois está no meu espírito. Portanto, onde for, em cada casa, cada barraco, transformo em instituto, pois o instituto tornou-se estado de espírito, assim como ensino em massas. Sim ..., o meu peito, Deus e Bahá'u'lláh criaram para agüentar provas, setas e flechas. O meu peito foi criado para o sofrimento. Na hora do sofrimento grito por Ele, peço para Ele me estender a mão, mas quero que o meu peito seja alvo de tudo o que Ele houver designado para eu passar nesta vida. Com tantas flechas no meu peito posso entender o sofrimento do outro, pois vivo dor constante de tantas flechas e setas, dardos e lanças. Como sei o quanto dói uma seta no peito, quando vou tirar a seta do peito do outro tiro com cuidado para ele não sofrer, não se machucar.

Bem, agora vamos para a Conferência de Campo Grande. Finalmente, aos trancos e barrancos consegui chegar lá. Após um dia de atraso e após haver pernoitado em Brasília.

A Conferência foi linda, com poucas pessoas, mas com um espírito de serviço e de alegria. Após a Conferência tivemos um Instituto para os grupos que iriam sair para ensino, quando ensinamos o que era ensino em massas, e a posição de Bahá'u'lláh. Realmente estamos gratos a Bahá'u'lláh por havermos tido testemunhas oculares do nascimento de mais um ensino em massa no Brasil. Que grande Dia este em que estamos vivendo. Quando estiver aí relatarei pessoalmente as experiências maravilhosas.

Tive a oportunidade de conhecer uma grande instrutora aí do Rio, a ... . Realmente fiquei maravilhado de como ela ensina com espírito. Use e abuse da ... . Ela tem o sopro do Espírito Santo, e as portas se abrem quando se ensina com ela. Foi um prazer enorme ensinar junto com ela.

Desculpe-me se a carta virou quase um romance, mas creio que deu pra você entender que não estou sofrendo. Pois quando fazemos a vontade de Deus não sofremos. Pelo contrário, crescemos. Crescimento, quer dizer morte de algo e o nascimento de algo novo. Transposição de uma fase para outra. Portanto, estou feliz. Estou obedecendo com amor e felicidade, contentamento e alegria.

Tenho certeza de que você será sempre o (mesmo) que eu conheci e conheço. O valoroso e corajoso, destemido soldado e general de Bahá'u'lláh. Nunca se esqueça, de que se Bahá'u'lláh lhe colocou na Assembléia Nacional é porque ele deseja de você algo maior do que você vinha fazendo. Algo que só você pode fazer pelo Brasil. Cada membro da Assembléia Nacional tem esta responsabilidade. Você já está no caminho. Não pense em sua fraqueza e debilidade. Pense sempre na força e no poder do Senhor. Você e Ele são iguais ao Infinito. E quem pode com o Infinito?

Com profundo amor bahá'í,
Seu irmão em Seu serviço,
Sérgio

Realmente, as ações são o espelho da alma. Nós podemos falar e falar e falar. Mas apenas as ações refletem tudo o que há de bom no interior de nossa alma e de nosso espírito. Este é um dia de ações. Ações puras e santas. Pensou - agiu. Este deveria a ser o nosso dia-a-dia. A ação surge quando paralelamente cresce no coração o amor por aquilo que se quer fazer. Ação e amor devem vir sempre juntos. Ação sem amor é obrigação estática, metálica e sem vida. Ação com amor é criação. É semente. Ação sem amor é semelhante a uma semente podre. É semente, mas não dará vida a uma árvore, ao passo que semente com amor, é ação com amor, e dará frutos e frutos. A lealdade a Bahá'u'lláh virá sempre que entendermos a grandeza da Causa e a posição d'Ele. Realmente, está acima dos indivíduos a lealdade a Ele. Tudo está acima dos indivíduos. Inclusive a nossa própria vida, o nosso serviço, pois tudo depende inclusive da confirmação d'Ele. Se Ele quiser Ele confirma o pó, e se Ele não quiser a águia se afigurará como um pardal obscuro.

Nada ser neste caminho, ou seja, ser evanescente é um dos exercícios espirituais mais difíceis, quando todos nós estamos querendo ser algo, querendo aparecer, querendo receber os aplausos e a anuência daqueles que nos rodeiam. Mas a evanescência nos mostra que ao nos retirarmos do palco da existência material só permanece o Sol. O Sol da Verdade.

Você mencionou um certo cansaço. Você pode estar cansado fisicamente de estar correndo para cá e para lá. Mas na verdade não é cansaço físico. É o cansaço de ver tanto o que fazer, com tão poucos a ajudar. Mas que importa na verdade os outros? O que importa é o que faremos ou deixaremos de fazer. O que fazemos ou não, também não importa. O que deixarmos de fazer é o que seria a nossa preocupação maior. As oportunidades neste Dia são únicas. Deixou passar, dançou. No momento estou mais preocupado com o que deixo de fazer do que com o que faço.

Na vida somos chamados a deixar o nosso barco e pegar o barco de Bahá'u'lláh. Difícil é largarmos o nosso barco. O meu barco está tão furado, tão já apodrecido pela vida e pelo uso por estes mares afora que realmente o barco de Bahá'u'lláh é realmente inafundável. Descartei-me do meu, porque não presta, e pulei para o barco d'Ele. Por enquanto estou em um cantinho no fundo do Seu barco, aguardando que Ele me chame para fazer qualquer trabalho que seja em Seu barco.

Aprendi a amar Bahá'u'lláh, aos tropeços e esbarros. Rastejando-me, sendo vilependiado, pisado. Mas aprendi a amar a Ele. Amar a Bahá'u'lláh quando todos nos aplaudem é muito fácil. É maravilhoso. Amar a Bahá'u'lláh quando estamos constantemente sendo pisoteados, humilhados, descartados, alienados, é realmente algo tão doce, igual a uma taça de mel e almíscar, que não trocamos por nada neste mundo. É exatamente nesta agonia de espírito que nos apegamos com o nosso próprio hálito de vida, n'Ele, e somente n'Ele, e vemos que a vida é maravilhosa. Uma vida cheia de anjos, uma vida cheia de fé e de sol.

Aprendi a ter fé. A ter fé n'Ele e em Sua mão. Há muitos anos quando ainda estava em São Paulo pedia a Deus pelo privilégio e oportunidade de poder fazer todo o serviço que ninguém mais queria fazer. Lamber selos para cartas, colocar cartas no correio, andar e entregar envelopes. Sacrificar-me. Lavar banheiros, chão, etc. Tudo isso Ele me concedeu no ensino em massa e no Instituto. Sou um homem rico. Pois Ele ouviu as minhas orações. Aprendi a amá-Lo a partir das coisas mais simples. Mais doces. Mais fácies e sem expressão. Quando algo ocorre em minha vida de maior do que tudo isto fico inebriado e extasiado.

Pedi a ... para consultar com o Sr. Raul em Quito, e escrevi a ele uma carta também. Realmente continua de pé a decisão dos Conselheiros. Devo trabalhar, como assunto prioritário. Já saí do Fundo, e graças a Deus vou conseguir cumprir o desejo do meu coração. Trabalhar e servir ao mesmo tempo. Dando cursos, ensinando, amando, tropeçando por aí. Vivendo e amando. Abedecendo. Sempre fui acusado por muitos que eu sou a incorporação da desobediência às instituições, mas na verdade sempre fui o primeiro a obedecer. Obedeço tanto que não importa o quanto eu sofra, eu obedeço. Se os homens não vêem que eu obedeço, que importa? Deus está vendo. Deus está sabendo. E isto importa. Outros devem se levantar para fazer o trabalho que não soube fazer direito, ou que não era para eu fazer. O que eu puder fazer para ajudar os outros a cumprirem a tarefa que não me foi possível concluir terei o máximo prazer.

O importante na vida, é fazer um trabalho e não olhar para trás. Continuar para frente. Igual a bandeira em um campo de batalha; outros não deixarão o estandarte cair por terra. No momento só temos ... para segurar o estandarte. Vamos treinar ... Vamos apoiar. Deus certamente a ajudará, assim, como Ele me ajudou, afinal o poder é Dele e não nosso.

Em Campo Grande tive a oportunidade de consultar com ... e com ... representando o Comitê Nacional de Ensino e ... representando a Assembléia Nacional. O que eu expliquei a eles foi:

- de acordo com o desejo dos Conselheiros, por decisão unânime, em reunião, deveria buscar trabalho.

- Seria isto ponto prioritário.

- Já saí do Fundo, e não estou mais servindo em tempo integral.

- Que iria treinar E. e outros tantos que desejassem servir em Institutos, e àqueles que a Assembléia NacionalComitê Nacional de Ensino assim designasse.

- Que iria ensinar a ... tudo o que soubesse sobre Instituto.

- Que iria treinar os ajudantes (203) para o serviço a Causa.

- Que iria continuar ensinando aos contatos com problemas como viciados em drogas e outros vícios.

- Que iria obedecer e comprar a fazenda que o Sr. Raul ordenou que eu comprasse para o trabalho de recuperação de viciados.

(por falar em recuperação, recuperou-se mais um viciado agora)

- que vou apoiar também o ensino em massa em Campo Grande.

- Que justamente com ... vamos fazer viagens de ensino pelo Brasil para levar as comunidades, com o nosso próprio fundo.

E este item não disse a .../..., mas a você digo, que irei me consumir completamente com uma vela, me incendiar como uma mariposa, e tombar, que no martírio ou em vida, na vontade de Deus, da maneira que Ele quiser, e se Ele quiser.

Salvador, 24 de setembro de 1982
Querido irmão X,

Estou sem notícias suas já há dias, e também estou sem lhe dar notícias há dias. Estamos quites. Mas, ocorre que o curso de Belo Horizonte teve de ser adiado, devido ao número insuficiente de participantes, a fim de dar lucro. Conseqüentemente, a viagem para o Rio teve de ser adiada.

Estou realmente muito esperançoso de poder passar pelo Rio a fim de consultar coisas com o Comitê Nacional de Ensino. Ex.: Instituto, programa do instituto, treinamento de ..., treinamento de outros bahá'ís, Campo Grande, ensino em massa na Bahia e no Mato Grosso do Sul, etc...

Escrevi uma carta sentimental para o Comitê Nacional de Ensino, acerca de Campo Grande, pois estou muito preocupado com a completa falta de informações acerca dos resultados e progresso no ensino da região. Na carta ofereci uma série de sugestões ao Comitê. Espero que algumas delas possam ser levadas em consideração. Já escrevi para os Membros do Corpo Auxiliar sobre o apoio a Campo Grande. Mas me parece que está tudo muito tranqüilo.

Como sei que é o nascimento de um ensino em massa, fico preocupado, pois se não dermos o apoio e a atenção necessária, o pessoal vai logo melando, dizendo que não funciona. O ensino em massa funciona, quem não funciona somos nós, como bahá'ís. O nascimento de um ensino em massa necessita de completo apoio e incentivo, acompanhamento e resolução de dificuldades e problemas encontrados. É exatamente como o nascimento de um bebê. Requer cuidados especiais, até que gradualmente observemos o seu desenvolvimento.

O mais importante agora é o Comitê dar instruções e manter o fluxo de correspondência com o pessoal, e manter um fluxo intermitente de instrutores experientes em ensino em massa indo para aquela região.

Peçam ao Corpo Continental de Conselheiros que enviem também um fluxo de Membros do Corpo Auxiliar para apoiar o ensino lá. Mesmo que um Membro do Corpo Auxiliar fique durante uma semana, já é de grande ajuda. Mas apenas os Membros do Corpo Auxiliar que estejam envolvidos com o ensino em massa. Mandar um que não entende de ensino em massa também não resolve, e muitas vezes, pode até atrapalhar.

Se saísse dois cursos para mim, um logo após o outro, com um número suficiente de alunos, quem sabe se não daria para eu ir até lá durante alguns dias. Vamos orar e pedir à Bahá'u'lláh. Espero que a carta enorme que mandei não tenha fundido a sua cuca. Mas a cada dia que passa tenho experimentado o poder de Deus que é enorme.

Quando eu for ao Rio gostaria de dar a você e a ... um treinamento especial sobre follow-up de planos e projetos, a fim de vocês puderem ajudar os seus Comitês Nacionais. Será que vocês gostariam? Vai ser grátis, este treinamento. Não se preocupem.

Como vai o Comitê Nacional da Juventude? Por favor não se esqueça de mandar notícias de vez em quando.

Com profundo amor bahá'í.
Sérgio
Salvador, 5 de outubro de 1982
Querido irmão X,

Fiquei muito feliz em poder lhe escrever hoje, após ter falado com você por telefone pela manhã. Puxa vida, que pena que a distância e o custo não nos permitem bater papos mais freqüentemente. Mas temos de nos consolar que pelo menos no plano do espírito estamos todos juntos e reunidos. A linguagem do espírito não necessita de tempo nem de espaço. Não necessita nem de cartas nem de telefone. A linguagem do espírito, na verdade, é a linguagem do amor espiritual em Bahá'u'lláh.

O assunto que você levantou hoje na conversa telefônica é deveras interessante e apaixonante - o de obediência. Sobre este assunto gostaria de dialogar mais um pouco com você, mesmo que através de cartas.

Sabe, depois de alguns poucos anos como bahá'í, cheguei à compreensão de que a Fé Bahá'í, em si mesma, é um dos maiores milagres de Bahá'u'lláh. Ou seja, o maior milagre do Manifestante, diz 'Abdu'l-Bahá, é a sua própria manifestação, e por conseguinte a Sua Religião. Portanto, se a Manifestação em si mesmo é um dos maiores milagres de Deus, e a religião também, nós nos tornamos apenas obreiros, ou servos, deste Grande Arquiteto que é Bahá'u'lláh. Por conseguinte, como o arquiteto é Ele, e a Religião é Sua, ela irá progredir, como fator de um milagre, conosco, sem nós, e apesar de nós, pois nenhum milagre de Deus é incompleto.

A nossa tarefa, diz Bahá'u'lláh, é nos tornarmos a Sua mais poderosa trombeta. Portanto, quem sopra é Ele. O que nos resta a cumprir é a obediência. A obediência, uma qualidade das mais difíceis de serem postas em prática, já foi a essência da revelação de um outro Manifestante antes de Bahá'u'lláh. A submissão pertenceu à Revelação Islâmica.

Portanto, se eu não aprender a obedecer quando que irei entrar no Reino dos Céus?

O Mestre, em uma oração, diz que devemos prestar uma obediência exata, imediata e instantânea, além de irrestrita. Na Fé Bahá'í também aprendemos a prestar lealdade inquestionável. Você sabe o quanto já sofri por obedecer às Instituições Bahá'ís, e ainda assim levar fama de desobediente. Este estigma eu ainda levo até hoje, sem nunca ter desobedecido, e sim defendido. Não será de minha alçada provar ou deixar de provar se fui ou não obediente. Nem tão pouco estou preocupado, pois Deus sabe se fui ou não.

Mas agora é a minha chance de mostrar a todas as instituições de que eu realmente sou obediente e que darei a minha vida, o meu coração, o meu hábito de vida, as minhas lágrimas, os meus anseios, tudo enfim, para mostrar através de ação, e não de palavras, que sou realmente obediente.

Não creio que em mim, ou em meu espírito, haja nada de tão especial assim que não possa ser obediente. O que eu sei fazer todo e qualquer bahá'í sabe fazer. O poder não é meu, é de Bahá'u'lláh, e este poder Ele confere a todos, ou a quem a Ele apraza. O sopro do Espírito Santo pertence a todos. Basta ter amor no coração. Nada mais. Sempre quis fazer os serviços na Causa que ninguém quisesse fazer. Botar cartas no correio, selar envelopes, varrer chão, enfim tarefas rotineiras, que não dão prestígio, nem faça aparecer.

Este é o meu sonho e o meu ideal.

Quero continuar a ser simples, pois o amor é simples. Quero que Deus me conceda a oportunidade que ame a Bahá'u'lláh de maneira simples, profunda, calma, eterna e leal. Quero ser evanescente, pois sendo evanescente, ao invés dos bahá'ís olharem para mim, olharão discretamente para o Senhor das Hostes. Não quero ser o Senhor das Hostes. Não quero ser o centro de atrações, pois o único Bem-Amado é Ele, Bahá'u'lláh. Caso Deus me conceda uma tarefa, irei tentar realizá-la no melhor da minha habilidade, mas nem sempre aquilo que julgo ser o melhor de minha habilidade é aquilo que as instituições julgam e apreciam como tal. Não fico triste por isto, pelo contrário. Acho que a outros bahá'ís que tenham uma melhor habilidade deve ser dada a oportunidade de realizar o trabalho, e eu venha a aprender com eles.

O meu sonho, na verdade, na Fé Bahá'í, é um dia, se Deus assim aprovar e confirmar, e Bahá'u'lláh também, dar a minha vida pela Causa. Um dia pedi a Deus que me concedesse a oportunidade de escrever poemas de amor para Bahá'u'lláh da seguinte maneira: enquanto estiver vivo, com as minhas lágrimas, e quando for morrer com o meu sangue. Para mim esta será a prova maior do meu amor por Ele, que eu darei a Ele, sem necessidade de dar provas aos seres humanos. Graças à Sua misericórdia já estou conseguindo escrever poemas de amor com minhas lágrimas. Só que não consigo sair da primeira linha, pois quando chegou no final da primeira linha, ao invés de continuar triste, acabo ficando feliz. Mas um dia conseguirei sair da primeira linha.

Na verdade, me considero um servo de Bahá'u'lláh e do Mestre. Um obreiro, um caminhoneiro-peregrino, e não me sinto indispensável. Nem importante, e nem proeminente.

Não possuo conhecimento inato, e sem os livros bahá'ís que carrego não consigo dar uma aula ou explanação sequer sobre a Fé Bahá'í.

Portanto, a única coisa que desejo além do martírio é poder fazer a vontade de Deus, de Bahá'u'lláh, de 'Abdu'l-Bahá e de Shoghi Effendi. Que Ele doravante guie os meus passos, cada passo, cada hábito de vida, cada minuto, cada dia, e cada amanhecer. Que eu retorne para Ele assim como Ele quis que eu retornasse.

Sabe, obedecer é tão doce. Muito doce. É uma mistura de mel com almíscar, e recoberto de pólen de flores. Na verdade, assim como o amor, é uma bebida que inebria.

Que Deus me tenha inspirado nesta carta, e tenha conseguido que você compreenda que eu sou só e simplesmente um bahá'í que estou tentando desesperadamente seguir o meu Bem-Amado.

Com profundo amor bahá'í,
Sérgio
Salvador, 17 de outubro de 1982
Querido irmão X,

Espero que você tenha encontrado tempo para escrever. As suas cartas dão saudades. Temos pensado muito em você. No seu trabalho aí no Rio, na Sede Nacional, no Comitê de Juventude, e no Comitê de Ensino. Realmente, você é um bem-aventurado. Servir é um dos maiores privilégios que se tem. Pelo menos você tenha certeza de que, ao participar de tantas atividades, você está ajudando a construir um novo mundo, o mundo de Bahá'u'lláh. Que bênção enorme é esta.

Eu sou como o papagaio do incêndio na floresta. Não sei se você conhece a história. É tão simples e bonita. Houve um tremendo incêndio em uma floresta. E um papagaio continuamente voava em direção ao rio, mergulhava, molhando-se todo, enchia o seu biquinho e saía voando em direção à floresta. Ao chegar em cima do fogo ele abria o seu biquinho, deixava cair a água, e balançava as asas, para deixar cair toda gota de água que fosse possível. Um dos animais perguntou a ele: Ô papagaio, não vê que esta gotinha, e as gotículas que deixa cair de nada irá servir para apagar este incêndio? E o bichinho respondeu: Bem, isto é tudo que eu posso fazer e carregar, mas pelo menos estou fazendo a minha parte.

Identifico-me muito com este papagaio. Sei que o trabalho é similar ao incêndio.

As poucas gotas que carrego são na verdade a minha parte para apagar este incêndio enorme de descrença e da irreligiosidade. Mas sinto-me feliz, muito feliz em poder compartilhar estas gotículas.

Espero que vocês tenham discutido o assunto sobre a campanha de drogas ou alertas às Comunidades, bem como aquela coleção de cartas que o Conselheiro Sr. Raul Pavón escreveu para Assembléia Nacional. Se houver qualquer coisa por favor me avise. Pois preciso programar a minha nova vida de modo a que possa servir mais a Bahá'u'lláh do que a mim mesmo.

Sabe, agora estamos com os nossos pés sendo guiados por Bahá'u'lláh. Queremos fazer apenas o que Ele deseja que façamos, nada mais, nada menos. O que Ele houver destinado para nós, será de nosso grande prazer e alegria. Atualmente estamos nos contentando em fazer o que lhe apraz. Nada mais. E assim, encontramos a felicidade em nossas vidas.

Recebemos aqui a visita do ... Ele falou tão bonito ontem na Festa de 19 Dias. Creio que vocês ganharam um excelente instrutor. Todos gostaram muito da maneira com a qual ele apresentou o seu trabalho. Os comentários depois da reunião foram realmente maravilhosos. Puxa vida, tanta coisa bacana está saindo agora de sua comunidade! Parabéns.

Escreva. Sempre há tempo, mesmo que para um cartão postal. Estamos morrendo de saudades de você. Continue continuando.

Com profundo amor bahá'í,
Sérgio
Salvador, 23 de outubro de 1982
Querido irmão X,

Acabo de receber o seu bilhete ultra-rápido, ou ultrasônico, não sei exatamente lhe precisar o adjetivo correto. Mas, mesmo assim, fiquei muito feliz em recebê-lo. Pior seria não receber nada. Fico mais feliz em recebê-lo. Pior seria não receber nada. Posso muito bem imaginar e quão ocupado e cheio de atividades você deve estar. A cada dia que passa você deve estar submerso em um mar de coisas por fazer, e para fazer, e uma lista interminável de pendências. Parece até que é o tempo que controla você, e não você que controla o tempo.

Realmente, a Fé faz com que este amor consiga implodir em nosso âmago, no mais recôndito rincão do nosso ser. É com esta implosão que vemos ruir abaixo um velho edifício, e surgir dentro de nós a mansão de Bahá'u'lláh, que é o nosso coração, livre e puro de escória de tudo aquilo que não pertence a Ele.

Agradeço-lhe a informação que deu acerca do orçamento da lista dos cursos. Sei que você realmente está lutando para que eu não saia do tempo integral. Mas ocorre que já saí, e a minha vida profissional depende destes cursos. Se o meu querido amigo não solicitar do Sr. ... com certa rapidez, terei de lhe convidar para a cerimônia do meu funeral, pois compreendo que devemos ser desprendidos, mas até agora não consegui aprender a viver de brisa. Ah, ah, ah! Por este motivo, peço-lhe para ficar muito motivado, bem motivado mesmo para não ter que vir às pressas para a Bahia me enterrar.

Sabe, Deus é tão maravilhoso que no ano passado, em janeiro eu me inscrevi para fazer a peregrinação na Terra Santa. Em fevereiro recebi uma carta dizendo que estava na fila. Depois ouvi de tantos bahá'ís que a fila estava para 1983 já, e que antes do final do ano não teríamos nenhuma oportunidade de ir até lá. Bem, Bahá'u'lláh quis de outra forma. Já recebemos agora a informação de que estamos convidados a fazer a peregrinação agora em 3 de janeiro. Realmente, vamos necessitar de um milagrão de Deus, e por isto preciso dar bastante cursos, pois nós iremos à Terra Santa com a graça e misericórdia de Deus. Imagine se vamos perder esta oportunidade. Se a perdermos não sabemos quando iremos ter outra.

Obrigado por haver mencionado sobre a campanha de tóxicos, mas quais os detalhes? Bem, se for confidencial não preciso saber, saberei na época oportuna. O que me interessa na verdade é saber o que ficou decidido sobre a carta do Conselheiro sobre a minha participação nas comunidades, pois como você vê, estarei ausente do Brasil durante um mês, quando for à Terra Santa.

Acabo de receber também de Campo Grande o meu caderno sobre ensino em massa, que havia deixado lá. Graças a Deus não foi extraviado, pois continha todas as minhas anotações das aulas das Mãos da Causa, e dos Conselheiros, durante estes últimos 7 anos sobre o ensino em massa e a utilização dos meios massivos de comunicação.

Temos tantas coisas a conversar. Espero que ... consiga algum curso pra mim aí no Rio, a fim de podermos nos rever e conversarmos bastante. Há muito o que consultar.

Sabe, querido amigo ..., em Haifa espero orar nos Santuários Sagrados, e reforçar para Bahá'u'lláh o meu anseio de que desejo apenas nesta vida, e em todas as vidas dos outros mundos espirituais, fazer apenas a Sua Vontade, e a Vontade de Deus. Esta é, e será a minha única riqueza. Quero ser uma folha açoitada pela brisa suave de sua Santa Vontade, e que Ele não só faça de mim o que Ele quiser, e me leve pelos caminhos que Ele me tiver designado, para enaltecer à Sua Própria Excelsitude.

Na verdade, esta Causa pertence a Ele, e o seu progresso depende de Sua sanção. E nada no mundo, vai poder obstar o seu progresso. E eis que no horizonte longínquo, já surge despontando a grandeza desta Causa, e os homens já estão atordoados com tanta efulgência e beleza. Eu pessoalmente sei para o que Deus me criou, e de acordo com a Sua Vontade estou cumprindo, como Ele quer. O que mais Ele quer que eu faça, irei perguntar a Ele em Bahji. E que Deus me dê forças para cumprir com o Seu Santo desígnio.

Com profundo amor bahá'í,
Seu irmão em todos os reinos de Deus,
Sérgio
Salvador, 7 março de 1983
Querido irmão X,

Não tenho palavras para lhe agradecer a sua atenção em nos enviar os textos. São lindos! Muito obrigado. Tivemos a grata satisfação de receber o ... aqui. No entanto, a época de sua passagem por Salvador não foi muito oportuna, desde quando coincidiu com a visita do Conselheiro Sr. Arbáb, do Sr. King e filho (do Alaska). Mas, mesmo assim conseguimos no sábado dar um pequeno treinamento para ele. Claro que um dia só não deu para cobrir muita coisa. No domingo ele teve um forte desarranjo intestinal e não pode vir para o treinamento. Hoje ele foi visitar o Túmulo de D. Leonora e só chegou no final da tarde e já vai partir amanhã às 19 horas. Bahá'u'lláh em uma de Suas epístolas diz que temos de magnificar os nossos esforços mil vezes mais. Em uma outra disse que temos e perdoar instantaneamente. Legal, não é mesmo? Eu estou nesta de perdoar.

Que surpresa maravilhosa você vir passar o Náw-Rúz aqui em Salvador. Queria saber com antecipação onde você vai ficar. Na casa de ... ou aqui em casa. A nossa casa está à sua disposição. Caso você não tenha nenhum plano da Assembléia Nacional para ficar na casa de ..., você pode ficar conosco. Agradecemos se você puder avisar.

A visita do Sr. Arbáb aqui em Salvador foi maravilhosa. Espero notícias suas.

Com amor bahá'í,
Seu irmão, Sérgio
Salvador, 29 de março de 1983
Querido irmão X,

Recebi hoje o seu cartão postal que nos enviou aí do Rio, com uma paisagem linda. Muito bonita a vista, mesmo. A nossa casa sempre esteve, e sempre estará de portas abertas para você, pois na verdade, não nos pertence. Pertence à Bahá'u'lláh, e claro, que todos os bahá'ís são sempre bem-vindos na casa de Bahá'u'lláh. E, depois de serem bem-vindos à casa de Bahá'u'lláh, você é bem-vindo à casa que Ele, Bahá'u'lláh, está nos emprestando, enquanto estivermos vivendo neste plano terreno.

O importante é sempre poder retornar. O privilégio de receber foi nosso. Primeiro, porque você é quase como um filho para nós. Segundo, porque você é nosso irmão bahá'í em todos os reinos de Deus, e terceiro, porque você sendo membro da Assembléia Nacional abençoou com os seus anjos o nosso lar. Volte sempre, e volte para ficar uns dias mais.

Agradecemos a sua atenção em nos informar que você levou em consideração algumas das nossas sugestões. Na verdade, as sugestões são sempre dadas com o intuito de ajudar a Assembléia Nacional. Sempre que possível temos o maior prazer em oferecer sugestões, desde que as mesmas sejam de alguma utilidade para a resolução dos problemas.

Esperamos que você não tenha retornado com dor de cabeça da nossa consulta acalorada. Na verdade não era nossa intenção darmos a impressão de estarmos muito bravos, mas era importante fazer ver que a solução dos problemas é, verdadeiramente, resolvê-los, e não buscarmos soluções paleativas.

Iniciamos já o nosso curso de treinamento para coordenadores. Estamos dando auls aos domingos, pela manhã, das 8:30 às 12:30. Dos 10 participantes inscritos, só contamos com a presença de 3, e mais dois observadores. Estamos redigindo uma apostila, e gostaria de saber se você gostaria de receber uma cópia, para o seu conhecimento, e arquivo.

Já realizei uma reunião de apoio com os membros do Comitê Local de Juventude, acerca da Conferência Internacional, e já escrevi uma carta para os mesmos, colocando-me à disposição para apoiar-lhes em tudo aquilo que seja possível.

Nesta reunião de apoio, que realizei no dia imediato que você retornou, ou seja, na terça-feira, sugeri aos membros do Comitê Local da Juventude que pensassem em apoiar, com esta conferência, o ensino em Portugal e na Irlanda. Portugal está sempre necessitando de apoio dos instrutores brasileiros, e é freqüente a solicitação da Assembléia Nacional aos viajantes brasileiros, em trânsito para a peregrinação que considerem passar alguns dias ensinando lá. Sugeri que a Assembléia Nacional do Brasil, ou o Comitê Nacional de Juventude considerassem escrever a Portugal e pedir-lhes que enviem um ou dois representantes, e que estes participem dos planos de ensino depois da Conferência. Creio que esta participação seria uma forma maravilhosa e mais efetiva de apoiar o ensino lá. Teoria e prática é ainda o melhor treinamento. Meter fogo nos jovens portugueses aqui, e a ajudá-los a perderem a vergonha de falarem de Bahá'u'lláh em público. Também a Irlanda necessita de pormos fogo nos bahá'ís de lá. Também valia a pena vocês convidarem 2 representantes da Irlanda para virem participar. Como apoio da minha parte, escrevi, já para alguns bahá'ís, e para o Conselheiro Adib Taherzadeh, extra-oficialmente, mencionando acerca da Conferência, e já sugerindo quão maravilhoso seria se eles pudessem enviar representantes, e informando que este convite meu era porque amo muito os seus países, e que sentia que estes jovens participantes poderiam levar um pouco deste fogo aqui da América do Sul para lá. Mas, que não era na verdade um convite oficial, desde quando um bahá'í, individual não poderia escrever para as instituições de outro país e fazer tal convite. Que provavelmente a Assembléia Nacional ou o Comitê Nacional da Juventude poderia considerar esta sugestão minha, e posteriormente enviar-lhes um convite oficial.

... já está aqui em casa, e também vai apoiar e colaborar com a proclamação estudantil.

Espero que os seus preparativos para a viagem à Haifa já estejam tomando o seu curso normal, e desde já, não se esqueça de fazer orações por nós nos santuários sagrados.

Para você, todo o nosso amor bahá'í,
Sérgio
Salvador, 9 de maio de 1983
Querido irmão X,

Que palavras possuo para expressar a minha alegria e felicidade por você haver ido à minha Terra Santa. Agora tenho a imensa certeza de que a sua vida, tanto pessoal como espiritual, passará a ser assim...

Um verdadeiro Jardim do Eden, sei que você irá florescer assim como estas flores, no jardim eterno do serviço incondicional à Deus, amando incondicionalmente, perdoando incondicionalmente.

Que Deus ilumine os seus passos.
Com amor bahá'í,
Sérgio
Salvador, 31 de outubro de 1983
Querido irmão X,

Se as provas e vicissitudes da vida tivessem obrigatoriamente de levar ao silêncio, todos os Profetas, Mensageiros e Manifestantes silenciariam e não dariam à humanidade a luz de Deus. Se os santos, heróis e mártires silenciassem, ninguém ouviria sobre os seus passos. Se nós bahá'ís silenciarmos, a humanidade não poderá saber como que nós enfrentamos as vicissitudes e as provas de Deus, com amor e dignidade.

A razão do seu silêncio são as provas. Mas, se as provas não vierem como poderemos saber de que metal somos feitos. Os metais se comportam de forma diferente sob ação do fogo. É nas provas que descobrimos se somos feitos de latão, zinco, cobre, prata, ouro ou de platina iridiade.

Todos os problemas tem solução, e a solução sempre vem mais rápido quando colocamos Deus e Bahá'u'lláh como o centro de nosso universo, em volta dos quais giramos em eterna adoração.

No seu silêncio, em sua alienação, queremos que você saiba que a nossa amizade, irmandade, fraternidade não está sujeita as alterações provenientes das vicissitudes terrenas, pois está fundamentada no amor de Deus e no sopro do Espírito Santo, os quais são eternos.

Seja qual for o motivo do seu silêncio e de sua alienação, somos ainda seus irmãos, a seu serviço.

Com profundo amor bahá'í,
Clara, Ann e Sérgio
Salvador, 12 de julho de 1986
S.,
Sabe o que é ensino às Massas?
Simplesmente:
- a própria Fé Mundial Bahá'í
- a vida,
- o amor e o perdão,

- a união do homem com Deus, pois Deus é o Deus da massa, de todos e do mundo,

- é martírio em vida e morte,

- a alma do homem vir a adquirir expressão no sopro do Espírito Santo,

- dar a mão a Deus, e fazer com Ele o Seu trabalho,

- educar as almas dos homens,
- insuflar o sopro de vida nas almas,
- morrer na massa para renascer, n'Ele,

- crescer na eternidade com os pés no transitório,

- encontrar-se com Deus na terra,

- a conflagração do amor universal na vida do indivíduo,

- a gota que se une e funde no mar.
Com profundo amor bahá'í,
Sérgio
27 de janeiro de 1987
L. M.,

Após coragem, creio que a esperança é outro valor que não podemos nos dar o luxo de perdermos. Lembre-se de que o término de uma fase, é o nascimento de uma próxima. Ao subirmos um degrau não podemos perder a esperança, nem de que existe um outro subseqüente, nem e que somos capazes de subir o próximo. Coragem. Esperança. Fé e convicção. Que bom continuar a caminhada com você.

Seu irmão, Sérgio

P.S.: Nunca desista. Nunca deixe o que começou inacabado. Segure-se em Deus. Nunca diga chega e basta - olhe, vamos!

2 de fevereiro de 1987
L. M.,

Onde há uma lágrima floresce a vida, pois cada lágrima é na verdade:

- o orvalho do sofrimento
- um sol de bondade oculto em cada dor

- escada para a compreensão dos porquês e para quês

- elo de ligação mais profundo do homem com Deus.

- Assim como a vida no Universo tem início na água, a vida mística tem início na lágrima, na dor e no sacrifício, até que aprendamos a sorrir com lágrimas nos olhos.

Seu irmão, Sérgio
L. M.,

Obscuridade é prenúncio de alvorada, e esta é luz radiante. Obscuridade é incerteza, que nos leva a buscar a lógica e convicção da certeza. Obscuridade é túnel que nos leva a uma saída. Na obscuridade devemos ter a coragem de prosseguirmos até à alvorada, à luz, à certeza, à lógica e a convicção. Vamos unir todas as forças e tocar para diante. Nós só não podemos é viver o milagre do outro.

Seu irmão,
Sérgio
L. M.,

Amar quando está tudo bem, além de ser o normal, é fácil. Qualquer um faz e pode fazê-lo. O mais plenificante é amarmos na dor. Este sim é doce, igual ao elixir mais vitalizante do Paraíso Supremo. Amar na morte, este é o processo de aproximação a Deus, até que descubramos em cada coisa criada, em cada evento, bom ou mal, o milagre do amor. Conseguir amar na dor intensa, quando o próprio espírito sangra, quando a própria alma desfalece, este é o maior milagre do amor.

Seu irmão,
Sérgio
12 de setembro de 1988
L. M.,

A brisa que sopra de Malakut nos leva aonde, Ele, o Senhor de toda a criação, pretende que cumpramos com o beneplácito d'Ele, e com o Seu desígnio. Que sejamos como este banco, ou como folhas que se dirijam para onde Ele quiser. Torrentes de amor inundam a minha alma, galáxias e universos infinitos de amor brilham no imo do meu ser interior, dilúvios de amor arrastam de minha alma tudo aquilo que não for d'Ele, e rios de meu próprio sangue afogam-se em Seu amor. Cada átomo meu encontra-se em Seu serviço. Seu eu tivesse 100.000 vidas, eu daria, sem hesitação, para Aquele, e por Ele, que é o Objeto de minha eterna adoração. A paz profunda que sinto é a paz da própria criação; todo o meu ser é impotente e incapaz de contê-la. Louvor e glória a Ele que é a Luz das Luzes, a Glória das Glórias, e o Amor de todos os amores.

Sérgio
L. M.,

Dar a vida na morte, por mais difícil que possa parecer, ainda assim é fácil. Difícil é dar a vida cada segundo que passa. Amar e ser correspondido é fácil. Amar sem ser correspondido, e transformar a não correspondência em correspondência, este é um dos segredos da vida. Que Deus nos ajude a por em prática tudo o que falamos e pensamos. O amor é o Universo dos universos, o amor é a luz da vida, o amor é a essência de tudo o que existe, existiu e sempre existirá.

Seu irmão,
Sérgio
L. M.,

A única coisa em que me sinto só é na solidão em Deus, e ainda assim não estou só, pois estou com Deus. Mesmo quando me sinto um refugiado entre os homens, sem lar e abrigo, sem refúgio nem onde ficar, não estou só, pois de repente todas as dimensões e mundos de Deus passam a ser o meu lar.

De tanto ser escurraçado entre os homens busquei e achei o meu lar na cidade do Martírio, onde até as vestes do meu corpo físico eu deixo para os homens disporem como quiserem.

Quão linda é a Cidade do Martírio. Quão doce é a sua taça. Quão grande é o meu anelo para que o dia das minhas terceiras bodas se apresse.

Seu irmão,
Sérgio
L. M.,

O amor revitaliza tudo. O amor recompõe tudo. O amor abre a porta do sol da esperança perfeita, a janela da convicção e a basculante do reencontro com o Bem-Amado.

Seu irmão, Sérgio
L. M.,

O silêncio do amor é o discurso mais eloqüente de uma vida, pois o amor em si já é a criação, e quando amamos criamos novos universos em nossas vidas e atravessamos o espaço e o tempo infinitos de Deus.

Sérgio
L. M.,

Felicidade é fazer a vontade de Deus. Paraíso é estar próximo de Deus. Inferno é o afastamento de Deus. Ser irmão é por em ação todos os valores de Deus. Ser irmão na irmandade é descobrir todos os mistérios de Deus ocultos no amor. Martírio é a proclamação, o ensino e a consolidação concomitante de centenas de almas ao mesmo tempo. Martírio é dizer: É verdade perante todos nos céus e na terra. Martírio é ser resgatado pelo próprio Deus e Bahá'u'lláh.

Seu irmão, Sérgio
L. M.,

Irmandade significa apoio eterno, base sólida, estrutura indeformável. A época ideal para se plantar é na primavera, e para se colher no verão. A época certa para se semear a semente da irmandade é na primavera das tribulações e se colhe os seus frutos no calor abrasador do verão das tormentas e dificuldades da vida.

Seu irmão,
Sérgio
Y.,

O Ensino, em Massa, já está todo concluído, pois é ensinando que nós construímos, e é construindo que concluímos. A Ordem Mundial de Bahá'u'lláh já está terminada, muito embora ainda esteja em formação.

O Ensino em Massa ainda vai começar. Isto significa que durante todos estes meses estávamos nos preparando para a entrada em tropas. Por isso é que vamos recomeçar e somente os que "recomeçam" acabam.

Sérgio
A.,

Hoje e sempre é meu desejo que você seja sempre humilde, assim como a água, célere como o vento; quente como o sol, amoroso como a rosa, puro como a luz, desprendido como a fragrância das flores, organizado como a abelha, e destemido como o leão.

Com amor bahá'í
Sérgio
Para a equipe de ensino:

O Cristo, o "Ungido", é Bahá'u'lláh. Em Bahá'u'lláh todos nós nos tornamos um. No ensino, nas lágrimas, no sorriso, no sacrifício.

O importante é manter a humildade em todos os tempos e sob todas as condições, nenhum preferindo-se sobre os outros.

A nossa meta deve se tornar pó no caminho do Amado.

Cuidem-se uns dos outros, como as coisas terrenas mais preciosas que possuem. A união faz a força; a união com amor é a consumação, e a união com amor e humildade é o caminho para a santidade.

Ensinem, sirvam, amem.
Até a volta.
Sérgio
Y.,

A coragem nasce dos pequenos receios, o heroísmo nasce dos grandes medos.

A santidade dos grandes pecados ou das grandes virtudes.

A vida nasce do amor.

A morte nasce do término da peregrinação na terra, a conversão em massa nasce do humilde e determinado desejo de morrer em si para renascer n'Ele, desprendido de tudo o que existe, para que a alma se inflame na determinação da irrestrita confiança em Deus.

Você vai para Natal, não vai só. Os anjos irão com você. Ensine e mostre como se ensina.

Ore.
Peça ajuda.
Trace suas metas de encontrar almas.
Chore.
Ria.
Sirva.

E ao voltar deixe a comunidade melhor do que encontrou.

Com amor bahá'í,
Sérgio
A. e J.,
Meus irmãos, minhas almas irmãs,

Este livro é um alento para as nossas vidas. Fala de amor, de fé, de coragem, de pioneirismo, de sacrifício, de dedicação, de devoção, de lealdade, de servitude, dos nossos Bem-Amados, dos loucos espirituais, dos generais, dos soldados, dos amantes espirituais.

Fala da Vida, da morte que é a vida, fala do martírio, do ensino e do martírio em vida.

Meus irmãos,

Sirvam, sirvam, sirvam com amor, fé, coragem, sacrifício, dedicação, devoção, lealdade, servitude.

Ensinem. Amem. Orem. Chorem. Vivam. Morram. E renasçam n'Ele, o nosso Único Bem-Amado.

Com o nosso eterno amor de irmãos bahá'ís, em todos os mundos de Deus. Adeus, até o Reino de Abhá, quando voltaremos a servir juntos, por toda a eternidade.

Clara, Ann e Sérgio
Poemas de
Amor a Deus
A Tinta
Com a tinta da caneta eu escrevo,
Transcrevo, copio,
Leio, estudo e medito.
Com a tinta do amor, eu amo,
louvo, adoro.
Amo, e vejo em todos o reflexo do Senhor.
Com a tinta do sacrifício, eu me sacrifico.
Anseio pelo espírito de sacrifício.
O espírito de mariposa que ama a luz.
Com a tinta do ensino, eu ensino.
Em primeiro lugar, a mim.
Depois aos meus irmãos.
E escrevo a canção do ensino em massa,
na massa da minha vida.
Com a tinta do martírio, eu escrevo,
em vida e em morte,
Com lágrimas e sorrisos,
A única canção que verdadeiramente
sei de memória -
A canção do meu amor por Ti.
Traduções
Senhor,
A melhor tradução
Que um dia poderia tentar,
E ousar fazer,
Seria traduzir o amor
Que sinto por Ti
Em uma oração
A qual deveria se tornar
A própria vida,
A fim de que um dia
Minha vida venha a se tornar
Uma oração de amor por Ti.
Santos, Heróis e Mártires
Quem são os santos?
Santos, são aquelas almas que são
normais aos olhos de Deus.
Nós, somos almas que seguem
as trilhas da luz dos santos
Que são os heróis?
Heróis são aquelas almas, que, antes
da batalha, sentiram medo e
fraqueza, mas que no auge da
luta, seguraram-se nas mãos
de Deus e avançaram sem olhar
para trás.
Quem são os mártires?
Mártires, são aquelas almas que
Ascendendo para amar a Deus
morreram por seu amor
viveram na dor, e morreram
na vida.
Concedei-me, Senhor...
Senhor,
Concedei-me a compreensão
De Tua unidade,
A sabedoria do desprendimento
das coisas terrenas
A coragem de espargir as
Fragrâncias de Tua palavra,
O amor à todas as coisas
De teu coração,
A humildade de aceitar
O Teu desígnio,
A certeza na fé
De que tu és Deus,
O ardor da mariposa que se
Queima em Tua luz,
O Martírio em vida e na morte
Em Teu caminho,
O entendimento do que ensino
Em massa é a essência de
Tua Causa.
Dar e Receber
Dar é receber,
Amar é ser amado,
Chorar é ser consolidado;
Servir é ser recompensado,
Trabalhar é construir,
Desprender-se é crucificar-se,
Crucificar-se é humilhar-se.
Para que morrendo, vivamos em Ti,
E vivendo possamos alçar aos céus,
Como estrelas brilhantes,
Para que com a nossa luz e
o nosso brilho possamos consolar e pontilhar
A escura noite daqueles
Que não têm fé.
Do "Deixar Tudo"
Senhor,
caminhava peregrinando pelos Teus caminhos
Quando ouvi o Teu clamor
Inebriei-me com o vinho do Teu amor.
E perdi a razão e a sensatez
A razão que os homens buscam
mas que Tu repudias,
A sensatez que freia a alma.
Diante do precipício do Teu amor
Deixei tudo, ó Senhor, e parti.
Vi então, que ao deixar tudo
Encontrei a Ti.
E quem encontra a Ti,
Tem tudo, vivendo no nada
E desde então, sem nada,
E com tudo,
Tu passaste a ser o meu provedor
O meu Protetor, o Socorro e
Amparo no perigo.
Senhor, se eu tivesse mil vidas,
Mil posições, mil honras
Deixaria mil vezes para te amar
Quero chegar a ti, sem nada
Só com o Teu amor.
Contemplar
Contemplar é ver sem os olhos
É pensar sem a razão,
É sentir sem o coração,
É caminhar sem os pés,
É viver sem a vida.
Contemplar é ser não sendo,
É voar sem as asas
É maravilhar-se sem falar.
Contemplar
É transformar a visão que se tem
Em uma vida humilde, de ação
Contemplar é o passo seguinte
A oração
Contemplar é o passo que precede
A ação do Espírito
Contemplar é amar a Deus
Em silêncio.
Uma Flor
Uma flor,
Um sorriso,
Uma lágrima,
Uma saudade,
Um renascer,
Uma nova vida,
Um novo serviço,
Um novo horizonte,
Um ser
Tu,
Meu Deus
Da Coragem de Ser
O homem nasce só
Puro, despido, cheio de amor,
Pela vida, pelas cores,
Aprende a viver com outras almas
Sofre, chora, ri, é feliz
Em conjunto.
O homem morre só
Limpo, desprovido de todas,
De tudo o que é terreno
O que leva o homem,
A ser diferente, a ser único.
Em toda a criação
É a sua coragem de ser
Ser servo, ser irmão,
Ser puro e limpo,
Por amor ao amor.
É na coragem de ser,
Através de nossas vidas
Nossas ações e nossos sonhos
Que atingimos o objetivo da
nossa vida,
Servitude.
Para minha alma irmã, Sr. Raul
Tudo o que existe está contido
em um ponto. Foi originado pelo
ponto. É formado pelo ponto.
Tudo é. Eis porque não existe
Tempo e Espaço.
Pois tudo é.
Cada alma tem uma alma irmã
Como tudo na criação, são diferentes
Únicas. Mas são irmãs.
Na vida... na fraternidade
No amor... no amor à Deus
No serviço... no martírio
No ensino em massa... na morte
E na vida eterna
Em cada esperança... uma mão irmã
Em cada lágrima... um conforto irmão
Em cada dor... um alento irmão
Em cada distância... uma saudade irmã
Ao morrer, por amor à vida
Deixo o meu testemunho escrito
de que...
Não nada mais puro que os
Laços entre duas almas-irmãs.
A rosa que te dou é uma rosa
A rosa que recebeste é uma rosa
A rosa que te dou é o meu amor
O meu amor é uma rosa
As rosas têm espinhos
Por isso às vezes te magôo
É por isso que sofro,
E ao sofrer por Ti,
Por amor ao meu amor por Ti,
Concluo que a rosa
A rosa que te dou
também tem fragrância,
A Fragrância de uma saudade,
A saudade de quem te amou,
Amando por Ti,
Sofrendo por Ti,
Amando a Ti,
Nos espinhos da minha cortesia,

Até que caiam as pétalas, Que são as lágrimas da rosa

Que te dou,
Para renascer na primavera
De uma nova criação,
De uma nova rosa,
Mais bela e pura,
Mais carmesina,
Eis a rosa que te dou
Eis a rosa que sou,
Eis a rosa que ama.
Ensino em massa é estado de espírito
Forte Shaykh Tabarsí é estado de espírito
Nayriz, Zanján é estado de espírito
Ensino é paraíso.
O amor, a linguagem do paraíso.
O serviço é o tempo e o espaço do paraíso.
A oração é o apelo da alma.
Desprendimento é o vão do espírito,
Tribulação é o farol do caminho à Deus.
Aquiescência radiante é a compreensão
da vontade de Deus.
Partir, para novas batalhas,
É conquistar novas vitórias.
Como a soma de todas as vitórias
É igual a 1.
Estamos todos unidos no 1 de todo.
Não olhem para trás.
O horizonte está sempre a nossa frente.
Atrás de nós ficam as gotas de orvalho.
De uma vida bem vivida
No serviço do Bem-Amado.
Chegaram, eu sei,
Mas não partiram.
Quem serve, não vai,
Não parte, nem fica
Quem serve é.
Por isso é que somos.
E, se somos,
estamos.
No mesmo ponto
No Tempo e Espaço.
Tempo e espaço
Pertencem à eternidade.
Quando possuímos todos
os fragmentos do tempo
e do espaço em um
ponto comum, ou
seja, o serviço, temos
então, uma vida útil.
Quando possuímos todos
os fragmentos do tempo
e do espaço em um
ponto comum, ou
seja, o serviço, temos
então, uma vida útil.
Quem sofre?
Você. Eu?
Ou todos aqueles
que ainda não sabem
o que você já descobriu?
Eis que tudo passa,
Exceto a Sua Palavra
Eis que tudo perece
Exceto o Seu reino
Eis que tudo decompõe,
Exceto o amor.
Eis que vi uma luz,
E ela iluminou o meu caminho,
Eis que vi Bahá.
Senhor,
Nos horizontes de Tua Certeza,
Permite que a ave
da minha humildade
Alce o vôo da minha evanescência
Na razão da atração
Que exerceres sobre
O meu espírito.
Se eu realmente soubesse
O significado do ponto
Dentro de um círculo,
Eu saberia o significado
Da vida dentro das eternidades.
E como o ponto está no centro,
Concluo que o ponto
De minha decisão quanto à meta
Levar-me-ia ao círculo
Da minha consumação
Como pioneiro.
Tempo e espaço - ordem e beleza
Se no tempo tenho ordem,
No espaço terei beleza.
E nos quatro a eternidade.
Eternidade é vida.
E esta é ação, movimento.
Movimento é ensino.
Ensino é aprendizado.
Aprendizado é estudo.
Estudo é esforço próprio.
Esforço é interesse.
Interesse é amor.
Se tenho amor por tudo - tudo o que faço,
Tenho amor pela vida.
Vivo feliz
E entro na eternidade.
E ao entrar nela,
Contemplo a Deus
E me consumo.
Portanto para ser mariposa
Basta
Tempo + Espaço = Eternidade = Ação + Ensino

Ordem + Beleza Vida Movimento + aprendizado

Estudo + interesse = Felicidade = Contemplação
esforço + amor
Sou uma gota no rio
Quando passo já era, e já fui
Sou um minuto na eternidade,
Quando passo
Deixei de ser o que serei
Para continuar a ser
O que sempre fui.
No lixo
Está oculta a jóia
No pecado,
A virtude
No desperdício,
A vida de uma contemplação.
Para ser poeta,
Basta amar.
Não basta apenas
Querer ser.
Ó Vós Habitantes do Malakut!
Ó Vós Donzelas do Mais Alto Paraíso!
Ó Vós Anjos do Supremo Concurso!
Ouvi a meu espírito!
Ó Vós Mensageiros e Profetas!
Ó Vós Amantes do Bem-Amado!
Ouvi o anseio do meu coração!
Ó Vós, amados!
Ontem, hoje e sempre,
Desde o princípio que não teve princípio
até o fim que não terá fim,
Eu me caso com a menção de Deus,
de Bahá,
Em todos os mundos de Deus.
Eu me caso com o sangue dos mártires
Do passado, do presente e do futuro,
Para que estes meus dias na terra
Sejam vividos em amorosa
Comemoração do teu louvor e menção
Em cada ensino em massa
De cada ensino em massa
Até que meu corpo e sangue
Se misture com o pó regado
Pelas lágrimas dos teus servos
E o sangue dos teus amantes."
Como tornar-se independente de tudo e de todos

1. Se todo dia você disser a Deus que O ama e colocá-Lo definitivamente, em sua vida, você se libertará de todos, amarás. Quando você acorda e se lembra da essência de Deus, você já inicia o dia alegre, disposto e cheio de energia. Nunca mais você entrará em depressão, pois Deus é antítese da depressão. Ame a Deus diária e constantemente.

2. Se você der uma mão a Deus e a outra a Bahá'u'lláh, você se torna invencível. Quando você pensa em Deus e O ama, automaticamente você pensa ninguém jamais sofreu tanto quanto Bahá'u'lláh. E se ele sofreu tanto, como é que nós queremos passar pelo mundo sem sofrimento?

3. Daí você se torna Shahid, você dá testemunho que "é verdade". Por isto chama-se "Fé Bahá'í", e não simplesmente, "religião".

4. O Verbo, e a Palavra Revelada equivale a estar na própria presença de Bahá'u'lláh. Quem tem Livro Sagrado em casa, tem Bahá'u'lláh em casa.

5. Ensino em Massa se faz com oração. Baseia-se na Oração. Quando não há oração, dá confusão. Compreender que oração é "PEDIU, RECEBEU".

6. A maioria dos bahá'ís não medita e não sabem meditar. Sugiro Institutos sobre meditação.

7. O Comitê Nacional de Ensino precisa estimular o aprofundamento sobre os princípios, sobre o Convênio. Quando iniciar a oposição, todos terão que estar firmes no Convênio.

8. Bahá'u'lláh diz que o Amor é uma Ciência. Logo, precisa ser estudada diariamente.

9. O Amor implica em Perdão. Amar é perdoar a todos. Bahá'í é especialista em dizer leras que são farpas para ofender o outro no seu ponto fraco.

10. Para você praticar tudo o que Deus e Bahá'u'lláh através do Verbo lhe dizem, existe o próximo. O próximo é a escola de tudo o que aprendemos. O próximo deve ser mais importante para você do que você mesmo.

11. Para ter humildade, você precisa se conhecer. Daí você reconhece seus defeitos, falhas e fraquezas com autenticidade e busca o aprimoramento. Daí o que lhe disserem (negativo) não lhe ofenderá, porque você sabe que não é santo.

12. Aprender a valorizar qualquer coisa que qualquer pessoa tenha feito. Mesmo que seja errado, valorize o esforço. Não se valoriza o erro, mas, sim, se educa, corrige e treina.

13. Ter apreço pelas pessoas e irradiar amizade para os bahá'ís.

14. "Se você não é capaz de amar o seu irmão, a quem você vê, como poderá amar a Deus a quem não vê?" (Bíblia). Escolha um próximo (de preferência a um não bahá'í, que não lhe inspire nenhum sentimento de elevação espiritual) e escolha-o como seu irmão, dedicando todo o seu amor, afeição, paciência, etc, para ele. Você descobrirá que cada dia ele irá se transformando e melhorando. Isto é irmandade.

15. Jamais deixe de servir a Bahá'u'lláh. Qualquer coisa que você faça hoje, equivale a 100.000 coisas em épocas futuras.

16. Companheirismo: será que o Comitê está sendo companheiro dos instrutores, acompanhando os seus passos, os seus sofrimentos, as suas carências? O Comitê Nacional de Ensino precisa desenvolver um acompanhamento para aqueles que concluem o seu Ano de Serviço, pois a maioria não consegue retornar à sua vida normal, pois está desatualizado profissionalmente e nos estudos, não consegue se sintonizar nas atividades da Comunidade. Precisa de apoio e assistência nos meses iniciais após o retorno. Ao se levantar para o Ano de Serviço. Deve ser orientado a tentar conseguir uma "licença sem vencimentos" do emprego, para manter o vínculo. Ou então, manter na volta. Os que estudam precisam ser orientados a manter o hábito de leitura e de estudo.

17. É muito fácil os membros do Comitê Nacional de Ensino se atolarem em serviço administrativo e se desvincularem da realidade do Ensino. O ensino é a gasolina do espírito: não deixar o tanque desabastecido.

18. Dr. Muhájir disse que se tivermos que retornar a uma comunidade durante 15 anos, não devemos desistir. Devemos ter paciência com as dificuldades, a lentidão dos outros.

19. Englobando tudo isto, você precisa ter um profundo AMOR.

Pensamentos
para a Vida Diária
Senhor,

no arco da Tua fé deixai que a flecha do meu amor por Ti

percorra a trajetória do meu serviço, na razão direta do

empuxo que deres às minha alma.
Eu me torno eterno quando o meu amor por você
suaviza as suas pegadas nos caminhos da vida.
Na medida em que você se torna tudo para mim,
eu não preciso mais.
O meu principal vôo

foi em direção aos escarpados cumes do seu coração.

Religião é o processo que optamos para
transformar nossa humanidade em espiritualidade.
Fé é agradecer hoje, por antecipação,
aquilo que você crê que já recebeu ontem.

Fé é você já ter concluído antes mesmo de haver iniciado.

Quando eu adquiro uma fé viva, eu insuflo vida no Deus

Vivo dentro de mim. Só podemos ter fé em Deus
quando nos tornamos humanos.

O cálice da fé é você acreditar naquilo que você é.

A maior visão da vida é aquela que não se vê com os olhos.

Às vezes esperamos perfeição dos demais
para encobrir nossas próprias falhas.

Às vezes se usa uma máscara para ser considerado perfeito.

Todos os seres estão conectados um ao outro.
Quando esta conexão é quebrada, há uma comoção,
uma perturbação. Quando uma promessa é quebrada
tem um efeito físico no planeta.

Você é único, singular, exclusivo, inigualável, incomparável.

Você é uma obra-prima de Deus.
O homem é o livro da criação.
Todos os segredos do universo nele estão.

Ser feliz não é uma circunstância, é um estado de espírito.

Deus parou na eternidade para criar você.
Somos independentes e interdependentes.
A descoberta da essência conduz ao contentamento.
O contentamento não é igual à acomodação.
A reclamação é um sintoma de descontentamento,
a não aceitação de si mesmo.

Mágoa e ressentimento são matéria podre, com odor fétido,

não deve ser conservado. Deve ser expelido.

Autenticidade é aceitar-se como é, não se importando com o

que os demais pensam a seu respeito.

Podemos nos fundir como os raios do Sol da Realidade:

"Assim como Eu e o Pai somos Um,
assim devereis ser vós."

Não julgar pela circunstância, avaliar pela essência.

No pecado está a semente da virtude.
A cura vem pela alegria.
Amor é compromisso.
Ambição é uma doença da alma.

Devemos ser felizes em qualquer lugar. Se somos felizes em

apenas um único lugar, é porque usamos máscaras.
Perdoar é o mesmo que dar o salto quântico.
A indiferença é o subproduto de uma rejeição.
O pior pecado é a rejeição. A inveja vem depois.
O segredo da paciência é a confiança.
Há anjos que somente os anjos do Concurso Supremo
podem apreender.
Nirvana é o estado de paz para ser vivenciado.

Se alguém jogar tentáculos para você, transfira-os para Deus.

Os problemas existem para serem resolvidos
e não para nos causar perturbações.
Aceitar nossa fragilidade:
devemos buscar ser humanos antes de ser divinos.

Criar a coragem de evitar que o negativismo passe para

nossa próxima geração.
A grande área de ensino e a humanidade.

Na casa do meu Pai sou bem-vindo do jeito que sou.

No Santuário Mais Sagrado
todos os problemas são resolvidos.

Doutor Muhájir tinha pulso, ação, amor e liderança.

Ele abriu as portas do Malákut.
Lei essencial da entrada em tropas: amor.

Para liberar o ensino às massas é preciso confiar em Deus.

Uma gota se junta a outra para então se unir
no grande mar da humanidade.
Quando somos amorosos com uma pessoa,
estamos sendo amorosos com toda a humanidade.
Devemos aprender a amar fora de nós mesmos,
a liberar o poder de amar.
O passado é um trampolim para chegarmos aqui.
Santo Gral significa unidade.

Enquanto não o encontrarmos estaremos dando cabeçadas.

Bahá'u'lláh foi o fundador da fraternidade perfeita.

Devemos nos subordinar à educação de Bahá'u'lláh. Estamos

todos no pré-primário. Ninguém é melhor do que outro.

Se alguém se aceita, pode então aceitar o outro.

Necessitamos de uma eternidade para incorporarmos a

verdade.
Nem todos os que escutam apreendem
e nem todos os que apreendem, captam.
Basta apenas que alguém acredite em uma idéia
para que esta nunca pereça.
Os anjos têm fragrâncias diferentes.
Olfato do espírito:

sentir o perfume da pureza, a imitação é nauseabunda.

A mentira, a calúnia, a verdade. Todas têm odor.
Só devemos permitir ser humilhados
por uma Causa que seja verdade para você;
nunca por algo no qual você não acredite.

A mudança implica em se desfazer do nome, da imagem e

do status. Loucuras do amor: abandonar o nome, abandonar

os títulos e atributos, abandonar propriedades e bens.

Medo é a ausência de esperança,
é o receio do desconhecido.

Senso comum: aprender aquilo que é bom para todos.

Intuição: sintonia entre você e o Mestre.

Atitude (pensamento + emoção) = comportamento = hábitos

= ação. Para mudar o pensamento. Homem holístico.
Não adianta tratar apenas a mente.

Falta de perdão dá câncer. Diabete é falta de meiguice.

Quando você acredita em uma verdade

muda o destino de sua localidade. Uma rainha mudou em

nove dias o sistema econômico da Inglaterra.

Os sabotadores interiores consideram a mudança impossível.

Cancelar o hábito da auto-piedade.

Até os quarentas anos erramos mais do que acertamos.

Depois é o contrário; acertamos mais do que erramos.

O Mestre disse: Vivo ou morto estarei com você.
Bahá'u'lláh está com você 24 horas por dia.

Exercitar o perdão é compreender a humanidade do outro.

Os Sete Nãos
Não julgar: Não há mais do que um legislador.
Quem julga se coloca como legislador
e não como observador.
Não cobrar.
Não criticar: Toda crítica é negativa, mesmo a
construtiva é negativa.
Não apontar erros:
Quando está apontando o indicador para o outro,
também está apontando o polegar para cima
e os outros três dedos para si.
Não esfregar o passado no rosto das pessoas.
Deus todo dia dá chances às pessoas.
Não acusar as pessoas:

Seja na presença, seja na ausência ou em pensamento.

Não culpar:
Quando culpa, um outro é o epicentro de sua vida.
Quando pára de culpar, encontra a paz.
Primeiro compara, depois prefere, depois rejeita.
Desencadeia uma série de sinais:

inutilidade, desvalorização, impotência, desamor, raiva, ira,

ódio, vingança (inconsciente, não planejada).
Só há uma forma de curar a rejeição:
perdoar. Um perdão consciente.

Indiferença é pior que o ódio. O ódio é um amor negativo.

Rejeição e indiferença matam.
Existe o fenômeno de suicídio em berçário:
os recém-nascidos rejeitados se matam, ou seja,
não lutam para viver.
A injustiça marca profundamente o indivíduo.
Só se esquece com o perdão...
Ressentir: sentir tudo outra vez.

Ser hipócrita é quando você não consegue esconder de você

o que não consegue esconder dos que estão à sua volta.

Há pessoas que nunca ouviram que são amadas.

É preciso dizer que ama. O amor pressupõe compromisso.

Enquanto o homem não acreditar em seus sonhos,
continuará a viver adormecido.
O tamanho do nosso espaço
é do tamanho das nossas diferenças.
O oceano do amor é o Convênio.
Devemos nos perguntar: Qual é a minha verdade?
Até que ponto Deus é a minha verdade?
Isso fica claro nas provações.
O ponto de mutação é, em vez de culpar, amar.
No casamento: devemos ter o cuidado de
não enxergar com os óculos do outro.
Sou responsável por amar você.
Não sou responsável por você me amar.

Amor incondicional implica em perdão incondicional.

Uma vida com Deus é um sonho. Sem Ele é um pesadelo.

Perdão é lei. Não se perdoa por mérito.
Deus faz a justiça e pune. O indivíduo, perdoa.
Como culpar alguém por algo que também temos a
possibilidade de fazer?

Saudade é quando sentimos falta de alguém, mas ela é ainda

mais forte quando sentimos falta de alguém presente.

Mergulhe no seu interior e descubra os seus segredos.

Quando os desvendar, você pode, então, desvendar os meus.

A ação é a palavra mais eloqüente de um pensamento.

O meu pensamento é o mecanismo de disparo para a ação.

O pensamento é o impulso da ação.

A riqueza e a pobreza são um único ponto. O que muda é o

espírito com que encaramos o ponto em que estamos.

Só posso lhe escutar quando eu me calar.
Saber ouvir é uma arte, no entanto,
saber ouvir você mesmo é uma ciência.
A morte é um instrumento ao desapego
a transitoriedade desta vida.
A morte não é o fim da vida,
e sim a transformação dela em realidade.
A verdadeira morte não é a morte física
e sim a morte dos sonhos dentro de nós.
Deus nos deu inteligência,
e com a inteligência adquirimos cultura.
E mesmo com tanta inteligência e cultura

não aprendemos a raciocinar. Será que somos inteligentes?

A unidade é possível
quando as nossas diferenças nos complementam.

De que vale o que temos se dentro de nós não temos nada?

Eu me sinto vazio
quando não tenho você para encher a minha vida.
O amor é uma ciência.

Necessita ser aprendido de forma sistemática. É uma arte.

Necessita ser sentido sempre que for criado. É um ofício.

Necessita ser exercitado todos os dias.
O amor necessita de coragem.

Coragem para aceitar que você é reflexo e a imagem de

Deus em meu coração, do jeito que você é.

A melhor maneira de provarmos ao amigo o nosso amor e

amizade é oferecer a ele o nosso ser, quem nós somos.

Saudade é a nossa homenagem silenciosa a alguém que é

importante para o nosso crescimento e amadurecimento.

Esta vida nada mais é que

um trânsito para a permanência em nossa eternidade.

O amor é a luz que guia os nossos passos
à luz no fim do túnel.
Só podemos ver Deus que está no alto
quando enxergarmos o "outro" que está embaixo.
Na medida em que Deus me atrai em sua direção
eu me deparo com você.

Ao ver você, compreendo as minhas próprias limitações.

Quando eu me tornar conscientemente humano
eu terei aprendido a ler o Livro da Criação.
E quando eu tiver aprendido a amar
Terei aprendido a ler o Livro da Existência.
Amar é encher o cálice do sacrifício
com o sangue da essência do próprio amor.
Na semente está contida a glória da árvore.
Salvador é a porta para o resto do Brasil.
A primeira lei da religião judaica:
"ensinai aos vossos filhos a vossa religião".
Cada ser humano foi criado
para escutar a voz do seu Senhor.

Os bahá'ís podem atrasar em fazer com que a entrada em

tropas venha mais rápido. É muito fácil.
É só dizer que o tempo ainda não está maduro.

A diferença entre o céu e o inferno é o sim e o não.

Quando se ensina o entusiasmo e a qualidade aumentam.

Quando diminui, a qualidade diminui.
Devemos nos levantar de tal maneira
que nunca mais seja seguido de um sentar-se.

Quando há lua, há maré. Na lua cheia do entusiasmo,

aproveite. O que é errado é parar.
Índios - treinar instrutores indígenas.

Devemos interessar os jovens para que leiam Bahá'u'lláh.

A maturidade individual é impossível a não ser que

obtenhamos a maturidade coletiva.

Ao ser proclamado o Plano cada um deverá pegar uma

parte. Agora é a época de corrermos e orarmos.
Devemos ver os fracassos
como uma maneira de encontrar o sucesso.

No Brasil, à nossa frente, existe uma porta aberta, uma

oportunidade para andarmos à frente. Essa porta está aberta,

não porque sejamos bons, mas porque Bahá'u'lláh nos ama.

O nosso coração é um passarinho - devemos deixá-lo voar

para que escute Bahá'u'lláh.
A conversão é mística em essência
porque descansa no amor de Bahá'u'lláh.

A única coisa que devemos fazer - estarmos unidos,

mesmo que errados. Não dizer uma só frase que crie

desunião. A única coisa que serve de proteção é a unidade.

O trono de Bahá'u'lláh é o coração e a pureza de coração é

um fato essencial para a aceitação da fé.

As verdades espirituais são simples. Na África as pessoas

ensinam aos corações e não às mentes. Se os instrutores não

têm pureza de coração as pessoas não saem de casa.

Se os instrutores tiverem amor por Bahá'u'lláh.
este amor atrairá os corações.

Bahá'u'lláh não veio trazer uma nova ordem mundial e sim

um reino de amor. Todos nós somos o povo de uma nova

Dispensação. Somos o povo de Bahá.

Uma música bahá'í bem feita equivale a uma proclamação.

Não busquemos perfeição e sim sinceridade e fé.
Nenhum esforço se perde. A medida é de Deus.
'Abdu'l-Bahá prometeu a entrada em tropas.

As palavras de 'Abdu'l-Bahá vão se tornar realidade.

O caminho da luz não é um caminho fácil.
No entanto é o único caminho
se queremos ter luz por toda a eternidade.
A Primeira Viagem de
Ensino aos Índios no Brasil

Em obediência aos apelos do Bem-Amado Guardião a uns jovens da Comunidade da Bahia, no sentido de que fossem contatados os índios do Brasil, a fim de transmitir os Ensinamentos Bahá'ís, os jovens Anthony Roy Worley e Sérgio Resende Couto, partiram da Bahia rumo a Recife no dia 1º de fevereiro de 1962. Segue então um pequeno relato discriminadamente.

Aproveitando nossa curta estadia em Recife, passamos memoráveis momentos com nossa querida pioneira D. Paquita Lopes, quando tivemos a oportunidade de conhecermos os queridos irmãos recém-declarados.

No dia 8, seguimos para o local onde se achavam os índios, de caminhonete num percurso de 18 quilômetros. A estrada que nos conduzia era estreita e cheia de buracos. Antes de tudo, o Agente nos levou para visitarmos um índio cego, o qual habitava uma choupana à beira da estrada. Ele fazia trabalhos em fibra, corda, a qual vendia. Compramos uma mão dele.

Seguimos então para o local onde os índios se achavam: um pequeno vale cercado de serras por 3 dos seus lados, vale este, que poderá ser muito fértil. Eles têm água fresca e límpida, proveniente da serra. Há várias árvores floridas: caju, umbu, pinha, etc., e plantações de mandioca.

Quando chegamos à casa do posto, pouco a pouco, os índios vinham se aproximando para nos cumprimentar. Um índio soprou um buso (estávamos a cerca de 395 quilômetros da orla marítima) produzindo um som surdo e ritmado, avisando aos outros membros da tribo que havia visitas.

Fomos então visitar suas habitações e seus terrenos. Visitamos algumas casinhas e tivemos oportunidade de conversarmos com seus moradores.

Visitamos as nascentes de água nas serras, e ao descermos, paramos à sombra de um frondoso cajueiro, que para eles era a Árvore Sagrada onde realizavam suas danças cerimoniais, e suas reuniões de conselho.

Neste local, tivemos oportunidade de falar sobre os Ensinamentos. Havia mais ou menos 15 adultos e 15 crianças. Todos atentos para as explicações que estavam recebendo. Inicialmente, falou-se sobre as palavras de 'Abdul'-Bahá referentes aos índios, que quando estes aceitassem o Prometido chegariam a ser como os árabes que haviam aceito Maomé. Falou-se sobre Cristo, Maomé e explicou-se-lhes o sofrimento de Bahá'u'lláh, como Ele havia sido exilado, bem como Seus Ensinamentos.

À tarde eles demonstraram para nós a dança denominada Toré, a dança cerimonial, em júbilo pela boa colheita do umbu.

Dança muito interessante, na qual participaram sete índios, todos vestidos de uma roupagem de fibra, da cabeça aos pés.

Eram chamados encantados, pois nunca os demais índios haviam visto suas faces. Dançavam sempre em círculos, passos cadenciados, batendo os pés no ritmo da melodia.

Após a dança, em frente a casa do Posto, tiramos algumas fotos e ali nos despedimos; disseram-nos que qualquer dia que quiséssemos voltar estavam esperando de braços abertos (um índio abriu então os braços para demonstrar este sentimento).

De volta a Petrolândia, conversando com o Agente, ficamos cientes da existência de uma outra tribo mais adiante, já no interior da Bahia, para onde nos dirigimos no dia seguinte.

Esta fica localizada a 42 quilômetros de Cícero Dantas, cidadezinha bem ao norte da Bahia. Os índios eram descendentes da nação Tapuia, e já haviam tido contacto com o homem civilizado desde o século XVIII.

A condição destes índios era melhor que a dos Praiás. Fomos acompanhados pelo Agente do Posto, chegando em Mirandela, nome da vila dos índios, pela manhã.

Primeiramente, ganhamos a simpatia dos índios Kiriris; tiramos retratos com um grupo deles, onde estava o chefe da tribo com seu filho. Distribuímos amostras de remédios com eles, que gostaram muito.

Fomos visitar suas roças. Estes índios não tinham água em quantidades como tinham os Praiás. Sua água provinha de uma cacimba, poço cavado no solo de onde mina uma água pura.

Desta cacimba se abastecia os índios, o gado e se utilizavam dela para suas roças.

À tarde fomos convidados para visitar uma gruta onde se encontrava areia de cores diferentes. Os índios haviam convidado os bahá'ís e o Agente do Posto. Este nos disse que era a primeira vez que eles lhes convidaram para ir até lá, pois embora lidasse com eles, não tinha sequer conhecimento da existência dessa gruta.

Andamos cerca de hora e meia, sob um sol abrasador, numa picada aberta na caatinga. A gruta ficava numa serra, que para atingi-la tínhamos de subir, por um caminho estreito, sendo o terreno muito íngreme. Muitas vezes tínhamos que nos agarrar aos cipós.

Lá em cima, a primeira pergunta que fizemos foi se houve realmente o dilúvio.

Daí foi-lhes explicada a progressividade da religião e toda a história religiosa foi-lhes transmitida. Ficaram muito satisfeitos; ali mesmo na gruta foram ditas orações, removedor de dificuldades e orações que eles aceitassem os Ensinamentos, pelos bahá'ís.

Estes, escreveram, um na pedra, outro em um papel, colocada debaixo de uma pedra: YÁ BAHÁ'UL-ABHÁ, a data e seus nomes.

Voltamos a Mirandela, onde nos despedimos e retornamos a Cícero Dantas. No percurso de volta, transmitimos a Fé ao Agente, em sua totalidade. Este prometeu visitar-nos, quando de sua passagem pela Bahia.

Conhecemos nesta tribo, um caboclo de nome Tiago, com sua família que muito nos impressionou, e esperamos que dentro de algum tempo, com a ajuda de Bahá'u'lláh ele aceite os ensinamentos. Voltamos de Cícero Dantas a Paulo Afonso, de onde seguimos para a Bahia.

Sérgio Resende Couto
Apêndice
Testemunhos Inesquecíveis
Sérgio, meu marido

Sérgio foi a pessoa mais cheia de amor que conheci em toda a minha vida. Um amor tão abrangente que a todos era perceptível. Dele emana o calor, o carinho, a proteção, o conforto e a vontade de chegar cada vez mais perto dele era uma forma de nos acercarmos mais perto de Deus e de Bahá'u'lláh. Sérgio sempre se retirava do caminho, apontando para Ele e dizendo que era Deus que faltava na vida de cada um. Com Deus no centro do mundo da gente, o nosso mundo só podia estar bem. Amor é uma fonte inesgotável, mágica, da qual quanto mais que você extrai, mais se multiplica. Amor é algo que pertence a todos - é só querer; é meu, é seu, é de todos. Negue se quiser, mas o amor está ao redor da gente dia e noite, nos dias felizes e abastados, nos dias difíceis, escuros e aparentemente sem esperança. O amor é de Deus, de Bahá'u'lláh, é o que ilumina a todos, que faz com que a criatura busque a Deus e O encontre. Assim aconteceu que Deus deu tanto amor para Sérgio, para que ele o compartilhasse com os outros. Assim eu o vejo, Sérgio, meu marido.

Ann Brew Couto
Sérgio... do lado esquerdo do peito

Para mim, Sérgio não apenas foi um pai espiritual, mais e principalmente, um grande amigo. Amigo daqueles que como diz a canção: "Amigo é coisa pra se guardar / no lado esquerdo do peito, / dentro do coração / ... / e quem cantava chorou / ao ver seu amigo partir... / mas um dia amigo / eu volto a te encontrar / ..."

Ele sempre estava pronto a te ajudar. Quando você pensava que era só escuridão, lá estava ele a lhe mostrar que no finalzinho do túnel, havia sempre uma LUZ. Eu o amo como um amigo, irmão, pai, companheiro de eterna alegria e de bom humor. Obrigado por tudo meu amigo. Agora você sabe que sou sua verdadeira amiga.

Angélica C. Silva
Irmão Individidos

Ainda guardo na memória as vívidas imagens de um general em ação. Não um general comum, destes treinados nas artes das guerras que diariamente ceifam vidas; mas a de um general que se ocupava em promover a vida e a alegria do espírito.

O ano era de 1974, quando pela primeira vez com ele me encontrei, na cidade de Belo Horizonte. Ele ali estava para realizar um Instituto para Pioneiros; uma daquelas reuniões que ocupavam todo um final de semana, iniciando-se logo cedo no sábado e prosseguindo até a boca da noite de domingo. O intuito claro daquelas reuniões era o despertar e o levantar de soldados para a linha de frente da batalha espiritual. Seria o exército da luz contra o das trevas. Seria a luz de Deus contra a escuridão do fanatismo, da paixão... do egoísmo. Muitos de nós nos levantamos para a tarefa. Precisávamos, entretanto, estar melhor treinados para a batalha. Dizia ele: "Vosso escudo será o poder do Convênio", as promessas infalíveis de Bahá'u'lláh e "as hostes de uma conduta louvável e digna"; vossa espada será "a Palavra de Deus"; vosso apoio "os anjos dos céus" e vossa motivação "o fogo do amor de Deus".

Não passou mais de dois anos e já éramos um pequeno exército. Denominamos o nosso forte de Tabarsí (uma alusão ao forte aonde viveram os grandes heróis e mártires, os quais iluminaram os primeiros dias da Fé Bahá'í). Não que tivéssemos a pretensão de sermos grandes. Ao contrário, conscientes de nossas fraquezas e debilidades, e diante da imensa tarefa, queríamos evocar a memória daqueles santos e talvez podermos emular seu exemplo. Nosso forte está localizado, ainda hoje, no alto de um pequeno monte, nos arredores da cidade de Salvador, Bahia. Sérgio Resende Couto, aquele mesmo que viajava incessantemente realizando os Institutos para Pioneiros, era agora o nosso general. Com grande carinho nos instruía diariamente e nos capacitava para o serviço, enquanto nos relembrava constantemente as Promessas e nos aprofundava nas Escrituras Bahá'ís. Nosso pequeno grupo, com o passar dos meses e através dos sofrimentos, dificuldades e alegrias daqueles dias, acabou por transformar-se genuinamente em uma família e nossas relações a cada dia mais fraternas, fez de cada um de nós verdadeiros irmãos.

Nosso amor era sincero, intenso e real. Sorríamos e chorávamos juntos, estudávamos e nos alimentávamos juntos, nossos ideais eram comuns, os sofrimentos e as alegrias de um, eram igualmente compartilhados por todos... Quantas batalhas espirituais ganhamos sobre nós mesmos, enquanto nos esforçávamos para compreender o privilégio de trazer para a Causa dezenas e às vezes centenas de novas vitórias a cada dia. Quantas experiências maravilhosas tivemos naquele santo lugar, naquele ambiente repleto de espiritualidade, de pureza e de serviço! Acaso, esta não é das Sagradas Promessas?

Foram momentos de profunda alegria aqueles que juntos compartilhamos. Quantas bênçãos choveram sobre nós! Havia abundante radiância de coração e ofuscante brilho em cada olhar. Naquele ambiente podíamos sentir o perfume de rosas no ar, ouvir melodiosas sinfonias, ainda que não houvessem flores nem orquestras. Tabarsí, o nosso forte, recebeu muitas visitas ilustres, de natureza iluminada. De suas presenças emanavam poder espiritual, intuição, perspicácia, discernimento e tantas outras perfeições. Entre estas estavam as do Dr. Muhájir e do Sr. Enoch Olinga, seres feitos de pura luz e que encheu-nos com os mais sublimes sentimentos de alegria. A reunião de recepção que preparamos para o Sr. Olinga, parece-nos, foi acompanhada bem de perto pelos anjos. Lembro-me bem o farfalhar dos sons que irrompeu nos ares, enquanto o ruflar dos tambores se fez ouvir, vindo diretamente dos céus... trovões e ventania, em uma noite onde se podiam ver e quiçá querer inutilmente contar as miríades de estrelas de nossa Via Láctea. Muitos outros generais iluminados nos visitaram naqueles dias, entre eles o Sr. Raul Pavón, o Sr. Athos Costa e muitos outros, e assim continuaram a fazer nos anos vindouros.

A roda do tempo e da vida, entretanto, girou. Era o tempo para ir a outras regiões levando aquele mesmo espírito. E viajamos cada um de nós para distintos lugares, guardando em nossos corações o pacto da nossa união fraterna. Mesmo longe daquele Centro mantínhamos o espírito de Quddús, Mulláh Husayn, Tahirih, Badi... Éramos os loucos de Bahá! Em nossas veias e corações corriam um fogo inextinguível. Podíamos nos contrapor, ainda que a sós, a qualquer um e a todos de uma só vez. Sérgio Couto continuamente nos escrevia cartas de amor, de incentivo, de apoio e de certeza da vitória final e completa.

Ainda guardo comigo as cartas e palavras de conforto, que ele, agora nosso irmão maior. Sérgio, nos enviava com regularidade desde o "forte Tabarsí", enquanto percorríamos estradas, vilas, cidades e campos difundindo a Causa. Mesclado com suas palavras sempre estavam os Escritos Sagrados. Entre aquelas estavam palavras tais como: "... tenham paciência, consultem, sejam humildes, orem, peçam forças a Bahá'u'lláh e orientação e inspiração para vocês fazerem a sua Santa Vontade", enquanto entre os Santos Versos: "Vós sois o sal da terra"... "Vós sois a luz do mundo..." e "Ide. Ensinai a todas as gentes". Sabedor de nossas fraquezas, nos consolava com as palavras de 'Abdu'l-Bahá: "Ó vos amados de Deus! Quando os ventos soprarem severamente, as chuvas caírem torrencialmente, o raio faiscar, o trovão rugir, o raio descer e as tempestades de tribulações se tornarem severas, não vos entristeçais; pois, depois desta tempestade, verdadeiramente a primavera divina chegará, as montanhas e os campos se tornarão verdejantes, as vastidões de cereais irão alegremente curvar-se, a terra tornar-se-á coberta de flores e frutos. Assim as bênçãos se tornam manifestas em todos os países. Estes favores são o resultado daquelas tempestades e furacões."

O ensino... o ensino às massas, a realização de Institutos de treinamento para o ensino da Causa era o seu dia-a-dia, seu alimento, seu espírito e alma. Lembro-me uma vez quando veio nos visitar no Amazonas. Vivíamos sobre as águas, em um barco dedicado ao ensino. Tão grande foi a alegria de nosso reencontro, que numa noite, tendo as estrelas como testemunhas, resolvemos celebrar nossa união com um pacto de amor e irmandade eterna. Sérgio Couto, Marisa, Judy, Marvel, Shahla, Ann, Caca, Padinha, Gilda, Solange, Lú, Fita, Rosinha, Janjão, Emélia e tantos mais. Tornamo-nos assim os "irmãos individidos". Inspirados, surgiu a canção que viria a ser entoada onde quer que estivéssemos: "Toda a eternidade, não será suficiente para minha gratidão a Deus por meus irmãos. Meus irmãos individidos, indivisíveis de mim como um corpo... não sou mais morto, sozinho, ó Deus... Tua Vontade ilimitada unindo teus filhos. Somos teus filhos, somos irmãos!" Depois disso a família cresceu muitíssimo.

Tivemos também nossos dias de tristeza e não escondo dizer que muitas vezes meu coração chorou por ele; especialmente nos dias em que os ventos sopram velozes; e ele, talvez distraído em seus próprios pensamentos, relutava por curvar-se ao vento. Ele também era assim; às vezes era um cabeça dura! Ele sabia que muitas vezes era difícil aquiescer e se dobrar como o capim. Assim em muitas de suas preces ele dizia: "Se eu não aprender a obedecer, quando que irei entrar no Reino dos Céus?"

Durante anos foi ele um farol de luz brilhante a iluminar o Brasil com o seu exemplo. Tive o privilégio de ir diariamente à sua residência na Bahia, após ele ter deixado o forte Tabarsí, indo viver nos arredores dali, quando ele naqueles dias cuidava com suas próprias mãos da Arauta do Reino, da abençoada Serva de 'Abdu'l-Bahá, Sra. Leonora Stirling Armstrong, a mãe espiritual de todos nós bahá'ís da América do Sul! Sua casa era um centro de amor, onde se acolhiam os pobres e os necessitados de toda a espécie. Sinto uma alegria profunda ao relembrar tudo isso. Alegria e privilégio. Não quero dizer que tenho saudades, pois sei que ele está lá, junto às estrelas cintilantes do céu, lugar onde se congregam os anjos, prestando agora maiores serviços. Ao olhar com amor, posso sentir sua presença conosco. Seja como for, rever os dias de alegria contagiante, de força espiritual, de unidade, nos fará sempre recordarmos o nosso querido irmão Sérgio Couto. Por último, mas não por fim, digo uma palavra mais: nossa irmandade é eterna!

Antonio Gabriel Marques Filho
Sérgio... meu avô espiritual!

O ano era de 1976 e servíamos a Fé como instrutores para o Nordeste residentes em Salvador - Bahia. Havia uma Conferência Bahá'í em Belo Horizonte e alguns de nós fazíamos parte da programação. Em casa de D. Geny - minha mãe - ficara, hospedados dentre outros amigos, o querido Sérgio. Minha mãe era uma devotada simpatizante da Causa de Bahá'u'lláh, no entanto não era bahá'í declarada, assim como Kátia, minha irmã caçula. Naquela época apenas Maria José e eu éramos bahá'ís declarados.

Durante aqueles dias passávamos pouco tempo em casa, apenas para banhos e algumas refeições, mas foi o suficiente para que Sérgio alimentasse ainda mais o coração de minha mãe com o amor e o encantamento pelos ensinamentos de Bahá'u'lláh.

Em um dia na véspera de nossa partida, após o café da manhã, Sérgio sentou no chão da cozinha de minha casa, de forma que impediu minha mãe de passar para qualquer outra parte além de onde ele estava, e questionou: "A senhora não passa daí enquanto não me convencer do por que ainda não se tornou bahá'í... O que falta para a senhora se tornar uma bahá'í? Pois o seu comportamento é exemplo de vida bahá'í para todos nós..." E ela respondeu: "Nasci católica e assim estou. E fiz uma promessa para minha mãe antes dela falecer que cuidaria de seus santinhos no oratório, além disso sou muito devota de Santo Antonio e todas as terças-feiras acendo velas para que ele nos ilumine. E por tudo isso penso que não posso ser bahá'í..." "Mas a senhora crê em Bahá'u'lláh como Mensageiro de Deus e aceita Seus Ensinamentos?", voltou a lhe perguntar Sérgio. E ela respondeu: "Sem dúvida, o pouco que li sobre a Fé Bahá'í e as pessoas bahá'ís que conheço são o suficiente para saber que Bahá'u'lláh veio de Deus!" "Então a senhora é tão bahá'í quanto eu." Disse Sérgio. "Meus parabéns, pois a senhora agora é bahá'í! E quando estiver acendendo as velas e rezando para o Santo Antonio lembre-se sempre dos instrutores bahá'ís que estão levando a Palavra de Deus para todas as partes. E agora eu vou levantar e a senhora pode passar, pois vai receber um documento bahá'í que é o cartão de registro... assine aqui por favor."

E assim naquele dia minha mãe se tornou filha espiritual de Sérgio.

E no dia seguinte, antes de nossa viagem, minha irmã caçula se tornou bahá'í juntamente com uma vizinha nossa amiga; declararam-se também através do querido Sérgio... mas essa é uma outra história!

Com eterno amor dedico o resgate desse momento mágico em minha vida, quando toda a minha família se tornou bahá'í à memória do nosso querido Tico-tico.

Antônio de Pádua Couto
Poemas de louvor ao Bem-Amado

Tive oportunidade de conhecer o amigo Sérgio Couto em meados dos anos 70, participando nos Institutos para Levantamento de Pioneiros e Instrutores que ele ministrava em Belo Horizonte e em São Paulo. Hoje, ainda lembro e sinto aquela atmosfera espiritual que os seus cursos criava. Ele fundamentava seus institutos no uso quase exclusivo das Palavras Sagradas e nas histórias dos mártires bahá'ís e também de outras religiões.

Lembro de sua bolsa cheia de livros bahá'ís, todos com marcações de textos bem selecionados que tocavam os corações de todos os presentes... e até das pedras. Alguns ou a maioria precisavam ser traduzidos do inglês, de livros básicos que na época ainda não se encontravam em português, como por exemplo Seleção dos Escritos de Bahá'u'lláh, Os Rompedores da Alvorada, etc. No final destes encontros, lembro que corríamos para folhear seus livros e tentar, rapidamente, copiar alguns destes textos.

Em um destes Institutos, juntamente com outros amigos, também na faixa dos vinte anos, foi que levantei pela primeira vez como pioneiro e instrutor viajante, tamanho o fogo de serviço a Bahá'u'lláh, coragem, determinação e espírito de missão que ele insuflava em nossos corações. Ele tinha o dom de incendiar os corações para servir à Causa de Deus e colocar a vida nas Mãos do Onipotente. É impossível descrever a alegria espiritual que vivemos naqueles momentos. São lembranças que levarei eternamente de Sérgio e de seus Institutos de Luz.

Bom, não é o momento adequado nem o objetivo de expor aqui minhas inúmeras e significativas memórias de Sérgio, isto iria se estender demasiadamente. Gostaria de expressar um pouco sobre alguns de seus traços, que muito me chamavam a atenção e que tanto me causava admiração. Primeiramente o seu intenso amor a Deus, a Bahá'u'lláh e a Sua Fé, a reverência pelas coisas sagradas e o amor às pessoas e seu desejo de poder servi-las prontamente, além de sua sinceridade e espírito translúcido, ou seja, ele nunca se preocupava com o que as pessoas iriam pensar de suas ações, ele procurava ser ele mesmo tal como era. Sinto que, para Sérgio, a hipocrisia era o que mais o incomodava. Ele sempre era o mesmo, muito autêntico, dizia que podemos enganar a nós e os outros, mas que ninguém podia enganar a Deus.

Tive a oportunidade de conviver com Sérgio, sua família e alguns amigos bahá'ís por quase um ano no Instituto Bahá'í da Bahia, participando de uma grande campanha de entrada em tropas, na época se dizia ensino às massas.

Possivelmente alguém se levantará um dia para registrar os fatos que ocorreram no decorrer daquele ano, as constantes aulas especiais sobre santidade, sacrifício, provações, Espírito Santo, Firmeza e Poder do Convênio, o amor, a posição do Báb, Bahá'u'lláh e de 'Abdu'l-Bahá, dentre outras, as experiências espirituais, o trabalho de ensino em equipe, o envolvimento com bahá'ís proeminentes de todo o mundo, como as Mãos da Causa de Deus, Dr. Muhájir, Sr. Enoch Olinga, a Conselheira e Mãe Espiritual da América Latina, Sra. Leonora Armstrong, e o saudoso Conselheiro Sr. Raul Pávon, que teve uma grande influência não só na vida de Sérgio como na vida de todos que formavam aquele grupo, por estar constantemente nos impulsionando e encorajando a somar conquistas cada vez maiores para a Causa de Deus. Não hesitávamos em responder seus apelos e os das Instituições, o que fez com que nos espalhássemos por todo este país e alguns até para outros continentes com o objetivo de levar a Fé às regiões mais remotas.

Sérgio assumiu um papel muito difícil e importante - o de ficar na Bahia, juntamente com alguns poucos, e sustentar todo um enorme processo de expansão recém-iniciado. Sua visão das profecias de 'Abdu'l-Bahá e do amado Guardião Shoghi Effendi, com relação à Bahia e ao Brasil, era clara como o sol e agia com o se tudo já se houvesse cumprido.

Sérgio era um amante das provações. E acreditava firmemente que o aperfeiçoamento espiritual era impossível sem que se atravessasse o fogo das provas e das tribulações. Razão pela qual, ele costumava fazer orações pedindo provas. Estas vinham logo em seguida.

Seu maior sonho era poder ter tido a oportunidade e o privilégio de dar a vida no caminho de Bahá'u'lláh. Isto era o maior desejo de seu coração. Quando ele narrava as histórias dos mártires podíamos sentir ele vivendo aqueles momentos como algo muito real.

Ouvi dele desenhando a seguinte visão do seu desejo, às vezes de maneira muito diferente: "Quando estiver sendo martirizado, vou pedir ao meu carrasco para cortar as pontas dos meus dedos e com o meu sangue poder escrever poemas de louvor ao Bem-Amado atestando meu amor a Ele."

Gostaria de hoje poder dizer a Sérgio:

Você escreveu seus poemas com o sangue de seus dedos.

Descanse em paz (se é que temos descanso).

Seus serviços foram milhares, assemelhando-se a milhares de oceanos de gotas de sangue. Um bando de malucos está se esforçando para continuar a escrever os poemas. Curta agora a seus amigos, cante com e eles as odes de amor, curta os esplendores do Reino de Abhá, curta a glória da presença da Assembléia do Alto.

Você agora está se reunindo com aqueles amigos que você e nós daríamos a vida por eles e pela Causa a que tanto eles se dedicaram e serviram. Você agora encontrou com Sr. Raul, Dr. Muhájir, Sr. Olinga e outros.

Voe com eles, alto, bem alto, como uma águia, nas insondáveis imensidões do mundo do além que é feito de pura luz e esplendor e então, pouse nos ombros da Abençoada Beleza.

Carlos Alberto Silva
Uma oração viva
Orar é amar.
Amar é servir.
Servir é desprender-se.
Desprender-se é sacrificar-se.
Sacrificar-se é morrer em si.
Para nascer n'Ele e então viver para o espírito,
donde concluímos que orar é viver.
Que sua vida se torne uma oração viva.
Com amor bahá'í,
Sérgio Couto
20.12.75

Esta dedicatória escrita pelo nosso querido Sérgio em nosso livro de oração sintetiza aquilo em que ele mesmo se dispôs a transformar sua própria vida: em uma oração viva.

Procurando seguir as palavras da Abençoada Beleza, ele conseguiu ser radiante, quando era difícil ser radiante e paciente, quando era difícil ser paciente, continuar, quando queria parar e silenciar, quando queria falar.

Éramos um bando de jovens que invadíamos a sua casa na rua Afonso Bovero, em São Paulo, nas horas mais inconvenientes possíveis e acompanhávamos durante os fins-de-semana e mesmo durante a semana, ansiosos pelas aulas que ele nos dava sobre as Escrituras e pela paciência e amor com que nos guiava pelos caminhos da compreensão do sentido místico daquelas passagens maravilhosas, ajudando-nos naquela que é, segundo o Guardião: "... a primeira obrigação e o objetivo de um esforço constante de parte de cada um dos seus leais aderentes..." e também "... esforçar-se para obter a mais adequada compreensão da significação da estupenda Revelação de Bahá'u'lláh". Aquele amor e aquela paciência infinita mudaram as nossas vidas e nossos corações, fazendo-nos enxergar além das nossas limitações e fraquezas.

Nos últimos anos de sua vida, Sérgio procurou ajudar aqueles que ele achava estarem mais necessitados e, através do seu método especial de terapia, procurava colocar aqueles que sofriam em contato com Deus, o que, segundo sua compreensão, era o grito de dor escondido em todas as manifestações de desespero.

Querido Sérgio, te amamos! Saudades imensas e até lá!

Cláudia e Edô Ayvazian
Com águias no coração

Durante todos estes anos que vivi na Bahia, devo ter assistido a uma centena de aulas e participado de mais de uma centena de reuniões de consulta de Sérgio. Quando ele explicava um tema místico, entrava em estado de fluxo, parecia um bambu através do qual fluíam amor e conhecimentos que realmente tocavam profundamente os alunos. Em inúmeras ocasiões, dias seguidos de suas aulas, tinham o poder de manter a atenção e o interesse dos participantes que partiam do Instituto com entusiasmo para projetos de ensino.

Parecia um pássaro que voava alto nos céus e extasiado vinha contar aos amigos a beleza do que tinha visto. Ficava tão à vontade na frente de dezenas de pessoas, servindo de instrumento para as Hostes Celestiais que ele, com freqüência, mencionava em suas aulas. Os alunos também sentiam-se à vontade para perguntar e dar gargalhadas com o seu bom humor. Lembro-me da ênfase ao amor a Deus, aos sopros do Espírito Santo, do significado do Deus "Vivo", da inteira confiança em Deus, da posição de Bahá'u'lláh, da felicidade do martírio, de ter Deus no centro de nossas vidas.

Portanto, diz o meu coração: Obrigada, Senhor! Por ter permitido que na estrada de minha existência tenha cruzado almas como Sérgio e pela oportunidade que tive de ter apreendido com ele verdades fundamentais para toda a minha vida.

Emélia Bassreí
Ainda não havia lhe escrito

Sérgio, só hoje descobri por que, desde a sua partida, eu ainda não havia escrito algo (um poema, uma carta, um artigo) sobre você. É porque você está tão presente em meus pensamentos, nas pequenas coisas cotidianas e nos momentos de emoção intensa que sentir-lhe ausente é-me difícil. Mesmo assim, não há como reprimir as lágrimas, a saudade, o desejo de haver compartilhado mais experiências ao seu lado.

Quaisquer que fossem essas experiências, valeriam a pena, pois você foi um mestre em transformar situações corriqueiras e insignificantes em lições de vida, períodos de intensa provação e sofrimento em experiências de íntima comunhão com Deus, obrigações e rotinas do dia-a-dia em momentos de alegria e riso.

Um dia, enquanto num táxi, você tirou um chocolate Batom do bolso e, como sempre fazia, quebrou-o ao meio e dividiu-o comigo. No mesmo instante, você percebeu o olhar do motorista e não hesitou - deu a metade da sua metade para ele. O carro parou no semáfaro e ele olhou para o motorista do táxi parado ao nosso lado, em sentido oposto. Sorriu, e repartiu com o seu colega o pedacinho de chocolate que acabara de ganhar. Em questão de segundos, um único chocolate batom havia alimentado e alegrado quatro pessoas! E assim você me ensinou que, na Matemática Espiritual, dividir é igual a multiplicar, quanto mais se divide, mais se multiplica.

Quando fui sumariamente demitido do hospital onde trabalhava com tanta dedicação, por haver denunciado desmantelos e injustiças, telefonei da rua mesmo, em busca de consolo. Você estava sempre disponível, era aquele amigo de todas as horas. Eu estava me sentindo um lixo: "Se você tivesse sido demitido por erro médico, omissão ou falcatruas, poderia sentir-se envergonhado. Mas se é por estar dizendo a verdade, então, erga a sua cabeça pois eles é que são dignos de vergonha. Bem-vindo ao clube!" foi o que você me disse. Clube, que clube? "Bem vindo ao clube dos que foram perseguidos por dizer a verdade. Lá estão Gandhi, Martin Luther King, Cristo, Bahá'u'lláh e muitas outras pessoas especiais." Pronto. A tristeza e humilhação haviam se transmutado em paz e confiança.

Você se lembra, Sérgio, de quando nos conhecemos? Vim para o Instituto da Bahia para um curso de trinta dias. Eu tinha 14 anos e o seu amor me conquistou a tal ponto que, desde então, você passou a ser meu segundo pai. Reencontramo-nos outras vezes, até que, (nas muitas voltas que o mundo deu) dez anos mais tarde, eu regressei precisando de terapia e de cura. E você, sua esposa e sua filha me acolheram em seu lar e em seus corações. Por três meses residi com vocês e acompanhei você dia e noite, em todos os grupos e compromissos. Foi assim que aprendi a ser humano, uma etapa que, na ânsia de alcançar o divino, muitos de nós deixamos de lado.

Sim, em essência, você foi uma pessoa humana. Profundamente humana. Contraditoriamente humana. Maravilhosamente humana. Angelicalmente humana.

Um humano, intensa e profundamente apaixonado por Deus, por Sua criação e por Suas criaturas. Um humano deslumbrado e curioso sobre as realidades do Mundo Espiritual. Um humano que ansiava deixar na Terra uma marca de seu amor . ("Se algum dia a minha filha me perguntar - pai, onde você esteve todo o tempo que não passou comigo? - eu quero poder olhar em seus olhos e dizer, eu estava tentando construir um mundo melhor para você e para os que virão depois de você.")

Um humano com as limitações e incongruências que esse estado encerra em sua própria natureza. Cardíaco, fumava desregradamente. Obeso, não corrigia sua alimentação. Sedentário, não fazia exercícios. E ainda por cima, pirracento! Conselhos, pedidos e admoestações em relação a essas coisas pareciam gerar mais resistência em você.

Acho que você sabia que era uma pessoa polêmica, não sabia? Fazia umas afirmações inesperadas e contundentes que provocavam as mais variadas reações. O importante era despertar as almas de seu sono e letargia, mesmo que você fosse, inúmeras vezes, incompreendido e até, rejeitado. A verdade é que a maioria das pessoas não vê com seus próprios olhos, não ouve com seus próprios ouvidos e nem compreende pela sua própria compreensão. Por isto, defrontar-se com alguém que pensa com independência pode ser muito chocante.

Acredito que para todos nós era difícil realmente compreender você porque você esteve sempre duas gerações à frente e, visualizava tudo com olhos que não enxergavam limites, barreiras, impossibilidades. Como deve ter sofrido ao lidar com quem vê pelo ângulo da limitação, da escassez, da pequenez! Mas você teve paciência e perseverança em cumprir as suas missões de vida e sei que lá (ou aqui) onde você está agora, dedica-se a elas com a mesma garra.

Só tenho uma dúvida, velho (que é como eu lhe chamava para lhe pirraçar e você, imediatamente, devolvia "velho é a sua mãe" - já que vocês dois nasceram no mesmo ano)? Será que você soube o quanto foi e é amado? Será que ao partir, você tinha idéia de quantas vidas tocou e transformou através do seu amor e do seu conhecimento? Será que lhe foi concedido ver a colheita de tantas sementes que você semeou? Só me resta pedir aos anjos de Malakút, com os quais você nutriu uma amizade tão bela, que lhe permitam sentir tudo isso hoje... e por toda a eternidade.

Feizi M. Milani
Sérgio, meu irmão caçula

Um irmão filho, por ser o mais moço dos cinco. Uma criança, simples, alegre, extasiada diante da criação! Um poeta. Via pelos olhos do espírito. Muitas vezes abriu os meus olhos cegos com o seu jeito de ver. A boa música o elevava a alturas incríveis. Místico, levou-me muitas vezes a passear pelos céus, na companhia dos santos e dos anjos de Deus.

Deus, o Pai! O amor maior! Era o grande Amor da sua vida. Repetia: "Deus é Amor". Dizia: "Cada um de nós é um aprendiz do amor. Na escola do amor, aprende-se a amar, amando..." Por isso amava todos, e todos os seus outros amores foram a ele referidos e dele receberam a inspiração e o sustento... quantas vezes recebi por ele, o carinho de Deus! Unido a Deus pela oração, contemplação, adoração, leitura e meditação dos livros sagrados, tornou-se um "mestre" da sabedoria. Por isso ensinava. Com ele muitas vezes voei, para a escola do Espírito Santo, buscando aprender humildade, desapego, perdão... mergulhava fundo nos corações dos homens para ali colocar Deus - o Seu poder, o Seu amor, e assim solucionar os seus problemas, curar as suas feridas e as suas dores, por isso fazia a terapia de Deus! Fui muitas vezes como médica, sua paciente. Desejava ser mártir, queria escrever com seu sangue humano: "Eu te amo, ó Deus!" O Senhor aceitou o seu martírio de desejo, e o martírio do seu coração: viver na terra árida "longe" do Amado. Foi o primeiro de nós a partir para a casa do Pai. Certamente Deus Pai preparou para ele, uma bela mansão de onde nos protege e ora por nós... Diante da eternidade de Deus, daqui dizemos com saudades: até breve irmão!

Maria Isa-Madóia
Eu tanto te amei

Sessé querido, você foi um enviado de Deus para nos falar Dele. Ninguém nesse mundo nos apresentou um Deus mais bonito do que o seu Deus, Aquele a quem você tanto amou. Você quase nasceu num berço de flores, a nossa mãezinha gostava muito de flores, tinha um jardim belíssimo, e já quase que você nasceu ali, foi um menino lindo e muito querido por todos. Desde criança você queria dedicar sua vida a Deus! O título do livro diz tudo: "Eu sempre Te amei". Muita coisa bonita aprendi com você. A falta que sinto de você é enorme. Só Deus preenche esse vazio, quem viveu como eu bem pertinho de você, sentia isso, um Deus vivo, vivido e sentido, um Deus-amor. Esse era o seu dia a dia, amar ao Senhor. Saudade é o que sinto de você meu irmão e filho ao mesmo tempo. É saudade mesmo, é amor, é lembrança de tudo aquilo que você foi para mim e o Luizinho, do que você é. É saudade da comunhão de pensamentos, da sua bondade, da sua alegria.

Isa
Alguém realmente especial

O nosso relacionamento de amizade sincera e leal com a família de Sérgio já vem há cinco gerações. Como o Sérgio foi o último dos cinco irmãos, eu o considerava uma criança. Quando em 1981, com problema familiar, esgotou-se todos os meios procurados, Isa levou-me até ele, qual foi minha surpresa, aquela criança tinha se tornado um Gigante em conhecimentos e espiritualidade. Minha vida daí em diante transformou-se. Ele me apresentou ao Pai a quem tanto amou, ensinando-me a conhecê-Lo e amá-Lo. Ele não partiu, está vivo no meu coração e a cada dia busco alimento espiritual e valores que ele tanto sabia transmitir. Registro nestas linhas toda a minha gratidão a uma pessoa tão especial: Sérgio.

Lia Vasconcelos Marques
Ó meu tio Sérgio

Falar sobre meu tio Sérgio é tentar traduzir os mais profundos sentimentos, é tentar buscar palavras para exteriorizar verdadeiros tesouros acumulados durante anos de convivência com ele. É ter a consciência de que poderíamos estar mais ricos, por nos sentirmos pobres, por não termos sabido aprender um pouco mais da sua simples riqueza de espírito. Sim, porque a verdadeira riqueza dele estava na consciência de que o amor e a simplicidade são a fonte de plenitude de todo o ser humano. Plenitude esta espelhada na glória de Deus, que alimentava sua fome de amar. Fome insaciável, que contraditoriamente, era transformada maravilhosamente em alimento para o espírito de todos aqueles que dele se aproximavam. Não, eles não se aproximavam.

Na verdade eram atraídos pelo seu carisma, pelo amor que transpirava de seu trabalho, ou melhor de sua obra. Ou seria da obra do Criador através daquele instrumento? Não, não tenho dúvidas de que o Senhor o fez instrumento da Sua paz, do Seu amor, do Seu perdão, da Sua união, por isso ele consolava mais do que era consolado, compreendia mais do que era compreendido, amava mais do que era amado, mas na sua sabedoria recebia do Senhor mais do que dava, era perdoado mais do que perdoava, e morreu para viver agora com a certeza da vida eterna, na Glória de Deus.

Até o nosso próximo encontro, a partir do qual, não mais nos separaremos.

Lula
Rastros Indeléveis

Palavras tornam-se insuficientes para traduzir a grandeza do espírito de Sérgio que, em sua passagem por este plano terreno, foi como um farol que nos indicava, nos nossos momentos mais obscuros, o caminho do aprendizado do amor a Deus e a Bahá'u'lláh. Como expressar a verdadeira dimensão da alma desse irmão querido, se foram tantos os rastros indeléveis que aqui deixou? Escolheríamos, dentre suas inúmeras virtudes, falar do seu modo simples e alegre de ver e viver a vida com intensidade ímpar? Do seu desprendimento de tudo e de todos, exceto de Deus e da Causa Bahá'í? Ou do amigo solidário e consolador nos momentos de dor, sempre disponível, não tendo tempo para si próprio, pois o tempo do outro era sempre mais importante? Tudo o que aqui dissermos parecerá apenas um vislumbre do que realmente foi o seu modo de viver.

Quem quer que tenha cruzado em seu caminho, algo com ele aprendeu. Aprendeu sobre fé inquebrantável, aquiescência radiante, servitude incondicional, irmandade dos homens e dos anjos, tendo sido ele na prática, um verdadeiro irmão. No seu coração não encontrávamos o menor vestígio de discriminação ou preconceito. Só amor, um amor intenso por Deus e Bahá'u'lláh, que se expandia para o próximo, atingindo a todos os que com ele convivia.

Muitas vezes o ouvíamos ensinar que o amor é a razão e o sentido da vida, devendo ser aprendido e praticado. E Sérgio indubitavelmente foi a prática viva desse amor genuíno. Talvez somente suas palavras expressas nessa preciosa coletânea, possam traduzir a nobreza da sua alma, doada em vida à nossa amada Causa. Agradecemos a Deus a bênção a nós concedida, de termos compartilhado com Sérgio momentos tão especiais e inesquecíveis. Para nós foi mais que um amigo; foi pai espiritual e irmão em todos os mundos infinitos de Deus.

Shahíd era sua palavra mais significativa, a verdadeira essência de sua vida.

Maria Lúcia
Parece-me ainda tão vivo

1. É difícil descrever este colega, um erudito na fé, que em suas palestras nos conclamava a amar e a ensinar.

2. Além de ensinar a Mensagem Poderosa de nosso Bem-Amado, ensinava-nos a sermos humildes, nos enchia o coração de ternura e gratidão. Gratidão às instituições, à Assembléia Nacional como nossa mãe amorosa, insuflava a escrevermos cartas apaixonadas a Assembléia Nacional, agradecendo tudo o que ela fazia para o nosso bem-estar espiritual.

3. Chamava-nos a atenção sobre assuntos que em nossa vida agitada não parávamos para observar.

4. Observar a beleza de cada rosto que encontrássemos na rua, fazia-nos olhar tudo de modo diferente.

5. Olhar para nossos familiares e demonstrarmos mais amor, mais olho no olho, com isso, muitos diálogos eram travados e muitos problemas se dissolviam.

6. O valor que ele dava a coisas como fé e com suas observações fazia com que todos pensassem do mesmo modo.

7. Sua passagem por escolas em outros países pobres, ele as relatava com tanta ênfase para valorizarmos nossas Sedes, que ofereciam mais conforto que muitos hotéis.

8. Sua fita Proclamando o Nome Santo de Bahá'u'lláh é algo para se ouvir e chorar muito.

Falo dele lembrando com emoção os detalhes tão marcantes de suas palestras, de sua vida, era emoção pura, amor puro, fé indomável, parece-me ainda tão vivo.

9. Acho que agora entendo porque 'Abdu'l-Bahá pedia aos primeiros pioneiros que chegaram ao Brasil para se fixarem na Bahia. Lá estavam as almas à espera da Causa.

10. Fico triste porque os novos bahá'ís não terão o privilégio de conhecê-lo.

11. Nos seus comentários, chamava-nos a atenção a meditar sobre nossa conduta e a "carapuça" sempre cabia em todos. Era como se em quatro dias fosse feito um trabalho de limpeza interior similar àqueles que os psicólogos fazem durante todo um ano com seus pacientes.

12. Enfatizava sempre a não fazermos críticas. Dizia que nenhuma crítica era construtiva.

Inúmeras vezes eu ouvira falar que Sérgio Couto era um bom palestrante. Que ele lotava as Sedes Bahá'ís, todos desejavam ouvi-lo. Eu queria muito conhecê-lo e o imaginava um homem forte, alto, eloqüente, cheio de si. Um certo dia o vi entrar na Sede Regional, totalmente diferente de como eu imaginava. Parecia tão sério, às vezes até parecia-me um homem frágil, com uma pequena maleta nas mãos. Achei estranho que a Sede Regional estava muito cheia e durante as palestras o silêncio na platéia era predominante, em respeito às Sagradas Escrituras que ele sempre mencionava.

Em suas palestras falava muito dos mártires, seus sofrimentos, suas palavras nos deixava ficar por horas escutando sem querer perder uma única vírgula, parecia como se fosse uma fonte de água pura e fresca que saciava nossa sede e em seguida deixava-nos com vontade de dar essa água a todos os povos da terra. Recordava os nossos erros, entrava fundo dentro da gente, era como se lavasse nossa alma. Ele enfatizava sempre para que nós respeitássemos as Sedes Bahá'ís e chamava a Sede Regional Sul de "Hotel 9 estrelas".

Tempos depois, em 1992, o encontrei no Soltaniéh, novamente casa cheia. Um jovem, tímido, mas muito talentoso, gravava todas as palestras dele; quando então fui falar com André de quantas fitas já havia gravado. Ele já havia ultrapassado 30 fitas. Estava feliz como se tivesse um tesouro em seu poder. Era o conhecimento de Sérgio registrado para sempre, realmente algo de valor inestimável.

Lembro que quando ele falava, uma criança brincava atrás dele, mexendo nas coisas, e muitas pessoas queriam tirar a criança para não atrapalhar a palestra dele. Ele então parou e disse: "Ela deve ficar aí, pois ela está gravando tudo o que estamos discutindo e no futuro saberá dar valor a isso."

Seu sonho era conhecer a Terra Santa, porém nunca tinha dinheiro para isso. Disse que, de repente a Assembléia Nacional comunicou-lhe que uma alma boa havia patrocinado sua ida a Haifa, no Centenário da Ascensão de Bahá'u'lláh. Disse que o seu coração ficou radiante, mas ele ainda precisava de mais R$ 1.000,00 para as despesas pessoais. Então rezou muito, em seguida entrou em uma padaria e comprou três raspadinhas. A primeira não havia nada, na segunda havia um prêmio de R$ 1.000,00 e na terceira, nada. Daí ele disse que deveríamos orar a Deus também quando precisássemos de dinheiro, que Ele atende sempre.

Contava a sua viagem a Terra Santa, que três mil pessoas à noite contornavam os Jardins dos Santuários. Disse que subiu a Montanha de Deus e durante a subida passava mal do coração. Observou que uma mulher lá em cima, no final da escadaria, o observava também. Continuando a subir, verificou que um homem o acompanhava, ele mandava o homem passar e nada. Depois de algum tempo, descobriu que o senhor que o acompanhava era um médico mandado pela senhora que o observara, para assisti-lo.

Quando estava na Terra Santa disse que à noite, durante a Cerimônia em Bahjí, em volta dos jardins, ele teve a sensação do encontro, naquele momento dos dois mundos: o Reino Terreno com o Reino de Abhá.

Que quando entrou no Santuário Mais Sagrado e viu a foto de Bahá'u'lláh, era como se aquela Figura de olhos marcantes lhe fosse carimbada na testa e nunca mais saísse de sua mente, tão penetrante era aquele olhar. Ele compreendia porque mulheres e homens se jogavam ao chão e choravam emocionados. Disse que quem vai a Terra Santa, jamais volta o mesmo. Sobre a pessoa que patrocinou sua viagem à Terra Santa, como era anônimo, ele disse que sempre orava por essa pessoa e escreveu uma carta de amor e agradecimento para um dia entregá-la.

Um bahá'í que passou algum tempo na Bahia, convivendo com Sérgio, certo dia foi ajudá-lo a fazer sua mudança. Disse-me que durante a mudança abriu um livro para ler um assunto interessante e Sérgio viu e comentou, todos os assuntos daquele livro e em quais páginas estavam todos eles. Segundo nosso colega a mudança dele se resumia em uma mala com suas roupas e o resto do caminhão, repleto de livros.

Em suas palestras, ele dizia que aceitar Bahá'u'lláh era o mesmo que tornar-se um novo ser, tudo novo, nova vida, mostrava o quanto ele se sentia feliz em andar na rua e ver pessoas tão diferentes umas das outras e serem tão lindas (gordas, magras, altos, baixos, morenos, loiros, orientais, africanos, etc) e que sentia muito amor por todos.

Quando há pouco tempo, havia sido inaugurado o Monumento à Paz, em Florianópolis, ele por lá passou e disse: "Aqui vocês gravaram o nome de Bahá'u'lláh e da Casa Universal de Justiça, tudo nessa cidade pode desmoronar, menos esse local, no futuro navios irão aportar nesse local e as pessoas aqui passarão para tirar fotos como recordação desse lugar tão especial." Interessante é que pouco tempo depois, fizeram um cais bem próximo ao Monumento e as escunas de passeios marítimos, ali pegam as pessoas para embarcar, e os shows e festas são feitos ali, segundo me disse um zelador, e é o local mais limpo e de boa fama de toda Beira-Mar norte.

É assim que o tenho no coração: um servo de Deus.
Márcia Rovaris Derlan
O amor, um anjo e sua espada

Sérgio e Ann tiveram uma grande influência na minha vida e me ensinaram muito sobre o amor de Deus, o amor de Bahá'u'lláh e o amor do irmão. O amor que Sérgio tinha para Bahá'u'lláh era absoluto e o amor que raiou dele para nós, os seus irmãos, era parte deste amor divino.

Numa carta, a mim dirigida, Sérgio escreveu: "Em primeiro lugar quero lhe dizer que nós a amamos muito. Muito mesmo. Este amor que Clara, Ann e eu sentimos por você é aquele amor indissolúvel que perdura por toda a eternidade." E era mesmo assim. Sérgio sabia bem que o amor era a chave - a chave da unidade da raça humana, a chave da paz mundial, a chave dos corações. Sérgio se esforçou toda a sua vida para viver uma vida de amor. Nisto ele era verdadeiramente um santo - debaixo de tantas dificuldades, tantas provações e tanto sofrimento nunca deixou de amar e foi este amor que me ensinou como amar.

Este amor que Sérgio tinha, abriu as portas ao mundo espiritual e lhe deu uma força espiritual sobre humana. Por exemplo, uma experiência que Sérgio relatou numa carta foi assim:

"Outro dia estava sentado na mesa escrevendo antes de sair para o ensino, e senti que alguém ia entrando pelo portão e vi um anjo com uma espada; ele entrou e me entregou a espada. Face a situação, não tive outro jeito, se não recebê-la. A partir deste dia senti que a minha coragem redobrou e muitas coisas maravilhosas estão ocorrendo em minha vida. Por favor não mencione isto a ninguém, pois podem pensar que eu perdi a razão."

Era assim com Sérgio. Sua fé, sua coragem e seu amor são uma grande inspiração na minha vida. Ele e Ann são uma parte de mim - uma parte que perdurará por toda a eternidade. Graças a Sérgio e Ann tenho uma idéia do amor divino. Posso dizer que sinto este amor e sei como dar aos outros. Que riqueza eu tenho.

P.S.: O livro sobre Sérgio é uma idéia linda - vocês realmente são brilhantes!... Adorei o nome do livro: "Sempre te amei". Ele retrata a essência de Sérgio!

Marvel Gray
Um Soneto para Sérgio Resende Couto
In Memoriam
O poeta é um construtor
Que as palavras consolida,
Tu que constróis as almas
És um poeta da vida.
Quantas almas pacientes,
Em busca do Bem Amado
Guiastes em Seu caminho
Com teu rosto iluminado?
Quantos corações sedentos
Sorveram de tuas mãos
O vinho do Seu amor?
Quantas lágrimas chorastes
Para desvelar a face
De teu Criador?
Shanta Walker
Fazendo um Instituto no céu

Conheci Sérgio Couto na Conferência de Ensino no Plano de Cinco Anos, em São Paulo, cujo convidado de honra era o Dr. Muhájir. Na época não pude compreender tanto entusiasmo por parte do Sérgio Couto, comentando as palestras da Mão da Causa. Naqueles dias ele não conseguia dormir. Conversou sobre pioneirismo, instrutores viajantes, tempo integral, tudo novidade para alguém como eu, que havia se declarado bahá'í tão recentemente.

Sérgio aproveitava muito bem seu tempo. Precisava de poucas horas de sono por noite e levantava brincando, pulando e acordando todo mundo com sua alegria contagiante. Ele era muito bem-humorado, alegre e gentil. Ao todo, foram 22 anos de amizade, companheirismo e aprendi muito com ele. Ele gostava de coisas simples e buscava sempre minimizar o sofrimento alheio. Criativo ao extremo no ensino da Fé, de atividades de mulheres até a realização de aulas para crianças, ele se acostumara a chamar os alunos destas aulas de forma carinhosa, como Tico-Tico.

Gastava um pouco do seu tempo escolhendo canetas, agendas, adesivos, cartões, para presentear os amigos. Coisa que fazia diariamente. Chorava e se emocionava quando se sentia só, pois sempre gostou de casa cheia e sempre estava rodeado de instrutores, dando aulas e oferecendo seu ombro a quem estivesse sofrendo.

Sempre que podia, ia ao Aeroporto Dois de Julho, em Salvador, onde gostava de tomar cafezinhos e telefonar para os amigos. Dez fichas sempre eram poucas para tantos "alô, como vai?". Não media esforços para oferecer conforto e préstimos. Depois dos cafezinhos e telefonemas, uma olhadela para se certificar de que seu amigo querido havia chegado. Acontece que o querido Sr. Raul Pavón tinha também suas manias: nunca avisava quando chegaria à Bahia, para não deixar o Sérgio Couto ansioso. Sempre fazia surpresa. Sérgio e Sr. Raul formavam uma dupla de apaixonados (porque não dizer loucos de Bahá'u'lláh)?

Ensino em Massa era missão dos dois. Se preciso fosse, Sérgio daria sua vida pelo Sr. Raul Pavón, amigo que ele amou, admirou profundamente e que ofereceu seu peito para ser escudo, amenizar suas dores e seu cansaço de tão extenuantes viagens. Recordo que certa ocasião, o Sr. Raul chegou ao Brasil e foi direto a Piracicaba onde havia uma frente de ensino às massas. Sérgio ouviu que ele estava com olhos enfermos. Não pensou duas vezes, mesmo sem dinheiro e comprando a passagem em prestações, tomou um avião e foi a Piracicaba. Após consultar com sua esposa Ann, decidiu oferecer sua córnea para que Sr. Raul pudesse fazer um transplante. Diante dessa situação, o Sr. Raul riu às gargalhadas e exclamou: "És louco Sérgio Couto! Bahá'u'lláh há de curar meus olhos...!" E pediu então que Sérgio que retornasse à Bahia, uma vez que ele "estava muito bem".

Sérgio podia ser observado pelos detalhes. Muitos deles, cômicos. O perfume mais caro que ele podia comprar era Água de Rosas ou então Seiva de Alfazema. Certo dia, após o banho, gastou quase metade do vidro de uma só vez, aspergindo sua Água de Rosas, da cabeça até a cintura e então nos dizia, todo feliz: "Está no Aqdas, Bahá'u'lláh mandou nos perfurmar". Adorava saborear chocolate e pão recheado com goiabada nos momentos em que se sentia triste. Certa vez, fiz o desjejum em sua residência. Foi muito engraçado ver ele colocar o dedo bem dentro do ovo cozido de sua filhinha Clara. Esta, espantada, não entendeu nada. Ele, sem rodeios, disse com sua voz inconfundível: "Clara, eu sou o sal da vida!"

Era comum também ele dar algumas moedas aos instrutores que estavam de saída para o ensino. Não podia dar mais, pois era também deputizado. Ao oferecer estas moedas ele dizia que era uma forma de tornar sagrado seu dinheiro. Costumava dividir suas compras comigo e com outros instrutores, nos momentos de maiores dificuldades financeiras. Por não dispor de muitos recursos, anos depois, adquiriu um fusca muito antigo... que vivia enguiçando. Nessas situações ele invocava os anjos mecânicos e, qual a nossa admiração, com uma pequena mexidinha em um determinado parafuso, o fusca voltava imediatamente a funcionar!

Muitas vezes era bastante criativo e se antecipava ao seu tempo, sempre que possível. Por exemplo, muitos anos antes de ser uma lei bahá'í liberada para o Ocidente, Sérgio já nos educava para contribuir para o Huququ'lláh - O Direito de Deus. Recordo, ainda, do seu incentivo para que um grupo de cerca de 40 bahá'ís, quase todos provenientes das áreas de ensino às massas, pessoas sem recursos financeiros, para que solicitassem permissão para peregrinação na Terra Santa. Neste grupo se encontrava eu, Aneri, o cacique Lázaro, a índia Quitéria, Marisa, Jorge, Lu, Gabriel, Tom. Interessante constatar, tantos anos depois, que embora na época não tivéssemos recursos, uma boa parte, por caminhos inescrutáveis a todos, salvo a Deus, terminaram atingindo os Santuários Sagrados, em Haifa, Israel.

Seus olhos estavam sempre raros de lágrimas por situações tão simples. Por exemplo, quando Joana oferecia o seu cafezinho ou quando Ann segurando sua cabeça, a beijava e lhe dizia "Husband, I love you!". Ele sabia como controlar suas dores físicas. Quantos e quantos Institutos ele deu, estando com suas varizes a ponto de rebentar, mas mesmo assim seguia avante, até que a dor cessasse completamente. Como instrutores viajantes, não era raro chorarmos com saudades de nossos parentes, de nossos amigos. Nessas ocasiões ele nos lia o texto que se encontra no livro A Revelação Bahá'í: "Mesmo que sejas só, que Deus te seja Todo-Suficiente".

Sérgio amava o Instituto de Salvador, que ele viu nascer e onde ele enterrou o seu coração, o da Ann e o da Clara. Ele disse que "somente a posteridade entenderá o que havia acontecido ali." O Sr. Enoch Olinga entendeu, pois quando ele chegou na porta do Instituto, retirou seus sapatos e exclamou sorrindo: "Aqui é um lugar sagrado." E em uma dessas noites em que lá pernoitou, o Sr. Olinga nos serviu, com suas próprias mãos, o jantar. Era comovente vê-lo inclinar-se para servir instrutor por instrutor e, elevando suas mãos para os céus exclamar: "Vocês se levantam para serem mártires, santos, heróis, administradores da Fé? De repente uma trovoada e um relâmpago, o Sr. Olinga exclama: "Deus ouviu nosso oferecimento."

A folha termina e eu espero que exista um Instituto da Bahia lá no céu para eu me encontrar com o Sérgio novamente, servi-lo e ser sua amiga leal por todos os mundos de Deus.

Solange Aurora Silva
Pequeno dicionário das palavras de fogo

Amor. Era recorrente o amor em sua vida, nas conversas gerais, nos corredores dos eventos, nas aulas e nas terapias. Tudo era amor, pois ele entendia que sem amor não há vida possível.

Beleza. Encontrada em seus muitos cadernos, na sua caligrafia desenhada ou nas cores e flores que ornamentavam sua minúscula mesa de trabalho. Era sua maneira de prestar tributo à beleza divina e por que não dizer à beleza humana?

Convênio. Deus não nos esqueceria, pois havia prometido nunca fazer isso com Sua criação. Era o tema dos temas de suas aulas nos institutos e nas conferências e estas transbordavam até à 25a ou 29a hora do dia, avançando solenes madrugada afora.

Deus. Supremo Perdão e Todo-Amor. Centro de suas conversas, parecia estar sempre com Ele no centro da vida.

Excêntrico. Quando tudo inspirava música sacra parecia estar cantarolando um baião nordestino e quando desejava silêncio, o barulho era enorme em seu coração. Agora sei que foi o único que pareceu-me transitar legal entre o profano e o sagrado, sem lesar ninguém na longa estrada da vida. Parecia dizer que somos pessoas normais vivendo em um mundo de situações anormais.

Francisco. Era um apaixonado pelo Santo de Assis. Foi um bom franciscano em seu amor pela natureza e pelos que nela habitavam: os pobres e miseráveis, os rejeitados e infelizes, os anônimos, os destituídos de traço ou marca em seu tempo. Era muito natural chamar a noite de irmã, e a lágrima de irmã lágrima. Deve ter tido muito a contar em seu encontro quando com ele se encontrou.

Gratidão. Era grato pelas mínimas coisas: desde um jantar em um bonito restaurante até umas poucas palavras rascunhadas em um papel qualquer mas de onde se elevavam o odor do amor e da fé.

Hostes. Tinha sempre as promessas dos anjos em seus lábios. Adorava mencionar Bahá'u'lláh por Seu título: O Senhor das Hostes.

Irã. Desejava que levantássemos cem lares no Brasil por cada lar bahá'í queimado no Irã. Eram os anos 80 e a Fé Bahá'í continuava sob implacável perseguição e fanatismo religioso em seu berço, o Irã. Seu desejo de martírio e de estar no Irã era quase irreprimível.

Já. Agora. Tudo tinha que ser feito imediatamente, pois o tempo urgia e o passado era imutável, não podíamos alterá-lo.

Kafka. Parecia-se algumas vezes com o renomado personagem de Kafka. O divino e o humano buscando consenso, trégua, paz. Entendia que embora fossemos seres espirituais estávamos tendo experiências humanas nesta terra de granito.

Leonora. Sempre amou Leonora Stirling Armstrong. Apaixonada e abundantemente. Foi um filho. Eu vi. Desdobrava-se em vários. Por aquele amor incontido, cuidando para que aquela vela não se esvaísse sem receber todo o seu amor, o amor e a gratidão de milhares de bahá'ís do Brasil, ele não dormia e não se alimentava. Era o enfermeiro e o padioleiro de Bahá'u'lláh.

Muhájir. Tinha profunda admiração por esta Mão da Causa de Deus. Uma lealdade inquestionável que remontava talvez aos primórdios de Zanján, Nayríz e Tabarsí.

Natal. Trafegava muito bem entre as tradições cristãs, judaicas e bahá'ís. Onde existia o Espírito não lhe importava o rótulo. Onde encontrava a carta, o envelope deixava de significar algo.

Ordem. Aprendeu desde logo que na Fé tudo precisava ter ordem e beleza. Era assim que expressava gratidão ao Guardião: tudo deveria ter ordem e beleza.

Provações. Era íntimo delas. Eram tantas em sua vida que ele parecia espalhá-las por onde andava. Creio que chegou a um acordo sobre sua intensidade e regularidade. Athos Costas nos dizia que não precisávamos pedir provações pois elas já vinham sem serem pedidas. Me ensinou uma oração muito especial. Que não consigo fazer. Seria isso possível?

Querubim. Sabia dos anjos, seus afazeres, suas atribuições. Conversava com anjos, não tenho dúvidas. Os anjos seriam sempre confirmações divinas em ação, como ensinou 'Abdu'l-Bahá.

Raul Pavón. Infundiu um espírito de ensino e de serviço que tocou profundamente seu coração, sua mente. Foi o amigo de sua alma. Não foi mais o mesmo depois deste encontro de águas.

Servitude. Para este verbete: a vida de 'Abdu'l-Bahá. Encontrei-o certa noite, em sua casa, com velas acesas na mesa e belos pratos e talheres bem dispostos. Um assento, o de honra, era para 'Abdu'l-Bahá. Gostava de servir. Sem afetação. Ensinou o que significava servir dentro dos padrões da escola de 'Abdu'l-Bahá.

Terapia. Centenas de pessoas levavam os fragmentos de seus corações despedaçados para sua oficina do amor de Deus. A cola era o sentimento do Deus Vivo administrada com perspicácia por quem sabia mencionar as Palavras de Deus através dos tempos. Eles saiam recauchutados física e espiritualmente, como aquele navio que após um tempo no estaleiro voltava a singrar os oceanos do Senhor.

Unidade. Se não conseguisse trazer unidade, o isolamento (lamentavelmente) caia-lhe melhor.

Vida mística. Entendia o que significava as palavras de Shoghi Effendi: "Esta Causa é essencialmente mística". Sofreu por levar estas palavras às últimas conseqüências.

X. A quantos X, escreveu, ensinou, nutriu? Convidou, como Hector Babenco, para brincar nos campos do Senhor. Como recusar?

Z é para o que chamamos de "coisas indizíveis". Uma pessoa depois de passar para outros planos da evolução espiritual, poderá vir a ser recordada por ter gerado filhos, cruzado oceanos, acumulado riquezas, colecionado diplomas e títulos. (Algumas vezes afirmava: de que valem os diplomas e títulos, se não houver o Amado bem entronizado no coração?) Outras pessoas serão recordadas por terem sido inflexíveis em sua maneira de administrar a vida. Essas outras administraram a vida, não a vivem. Que marcas deixarão como legado, como herança? Um eficiente administrador de planos e projetos? Com Sérgio Resende Couto foi diferente. Ele pregou os pilares da Palavra de Deus em minh'alma. E depois bateu as pontas. Esteve comigo quando cambaleei, me resgatou e me sagrou mais um dos padioleiros. Sérgio, aquele que conheci e aprendi a amar com os olhos, teria virado santo? Correrá o risco de ser endeusado? Creio que não. Ele não gostava de bajulações em vida quando mais depois da vida. Ele não corre também este risco pois viveu o máximo que pode e sua própria realidade interior: buscando meios de satisfazer ao seu Senhor. Viveu uma idade heróica em tempos de idade formativa. Viu a Metrópole Divina quando esta ainda era apenas esboço do que haveria de se edificar sobre o Carmelo. Como o texto bíblico, não correu o risco de ser expelido: ele não era morno em sua fé. Posso afirmar que conheci um bahá'í, com todas as suas glórias e com quase todos os seus fracassos. Foi também um amigo leal. Raridade, diga-se.

Enquanto escrevo estas palavras uma réstia de luz perpassa a árvore defronte à minha janela, inunda meu coração e parece transformar-se em convite irrecusável para que volte a brincar nos campos do Senhor.

Washington Araújo
"... sua devoção à Fé e seu
vigor em seus serviços serão
recordados no anos vindouros..."
A Casa Universal de Justiça,
30/07/1996

Sérgio Resende Couto desde jovem sentia atração pelas brisas do Espírito. Aos 12 anos conheceu a Fé Bahá'í através do Clube de Jovens Bahá'ís promovido pela pioneira Margot Worley. Desde então a bússola de sua vida passou a apontar apenas para o Alto. Parte preponderante de sua vida foi dedicada ao serviço dos necessitados, anônimos, sofredores na longa estrada da vida. A Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá'ís do Brasil afirmou que ele era um "destemido promotor do ensino às massas no Brasil" e seria recordado como sendo "o pai dos Institutos Permanentes do Brasil".


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