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Vislumbrando o Mundo Futuro
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Renata Modern : Vislumbrando o Mundo Futuro
Vislumbrando o Mundo Futuro
Em 1871

Excertos de um sermão proferido em 1871, por ocasião do término da guerra entre a Alemanha e a França, na Sinagoga de Braunschweig, Alemanha, pelo Rabino Regional Prof. Dr. LEVI HERZFELO, que muito se distinguiu como orador, pesquisador, historiador e um dos primeiros líderes judaicos de pensamento liberal.

Trechos escolhidos e traduzidos como uma homenagem ao seu bisavô por ter sido um homem sábio, erudito, corajoso e de larga visão, pela sua bisneta

RENATA HERZFELD MODERN - São Paulo, Brasil, 1991
PREFÁCIO DA TRADUTORA

Julgamos importante para a informação dos leitores as seguintes notas a respeito do autor, conforme a Enciclopédia Judaica Universal (The Universal Jewish Encyclopedia):

O Prof. Dr. Levi Herzfeld nasceu em Ellrich em Harz, Alemanha, em 1810; faleceu em Braunschweig, Alemanha, em 1884. Em 1842 tornou-se Rabino da região de Braunschweig, e em 1879 o Duque de Braunschweig conferiu-lhe o título de "Professor Catedrático".

Junto com o rabino Ludwig Philippson convocou em Braunschweig o primeiro dos Congressos Rabínicos que foram realizados na Alemanha, para discutir a modernização do Judaísmo (1844). Neste, como em subseqüentes congressos em Frankfurt e Breslau, ele favorecia uma reforma moderada baseada em considerações históricas. Ele era, junto com Philippson, co-diretor do "Instituto para a Promoção da Literatura Judaica" (1860 a 1873).

Herzfeld, que se destacou como historiador e arqueólogo, escreveu, entre outras, as seguintes obras:

* A tradução de Eclesiastes; com comentários;

* Propostas para uma reforma das leis judaicas de casamento;

* História do Povo de Israel (3 volumes);

* Minhath Zikkaron, um livro didático para escolas religiosas judaicas;

* Investigações Metrológicas para uma História do Comércio Hebraico respectivamente Judaico-Antigo;

* História do Comércio dos Judeus da Antiguidade (1879);

* As Obras de Arte dos Hebreus.

Existem cópias impressas de muitos sermões que Levi Herzfeld proferiu no decorrer de seus 42 anos de Rabino em Braunschweig. Entre eles o "Ensinamento sobre o Messias" de 1844 e este que deu origem ao presente trabalho.

R.H.M.
APRESENTAÇÃO

LEVI H ERZFELD tem sido chamado de "O Primeiro Historiador da Economia Judaica" devido à sua" História do Comércio dos Judeus da Antiguidade", que é considerada de interesse contínuo até os dias de hoje. Herzfeld foi muito respeitado e apreciado até bem além dos limites de seu distrito, e, como seu biógrafo afirmou, possuía um dom especial de brilhante orador, que dava aos seus sermões uma forma bem lapidada, cheia de sentido interessante e profundamente espiritual e erudito. Ele tinha uma sensibilidade fora do comum, uma capacidade invulgar de observar e compreender e daí tirar conclusões para o futuro. Estudos e educação dos jovens estavam sempre entre os problemas mais próximos de seu coração.

Hoje em dia notamos que Levi Herzfeld se destaca não só por sua profunda cultura, seus enormes conhecimentos na interpretação da Bíblia e do Talmud e por suas idéias liberais e verdadeiramente progressistas embora cuidadosamente moderadas, como também por ser um dos primeiros líderes judaicos de pensamento liberal, que, em virtude de seus estudos detalhados, ousou prever o futuro do mundo COM PARTILHADO IGUALMENTE POR JUDEUS E NÃO-JUDEUS UNIDOS FRATERNALMENTE: um futuro muito distante ainda da época em que ele vivia! Hoje, porém, decorrido pouco mais de um século desde sua morte, em 1884, estamos começando a avistar, lá longe, no horizonte, os primeiros rastros de luz da concretização daqueles ideais, as modestas e tímidas primícias do tão profetizado e indispensável Reino Messiânico na terra, em que muita gente hoje em dia nem mais acredita.

Apesar da tempestade violenta que ainda está varrendo a face do nosso planeta, apesar dos conflitos e do ódio que ainda reinam em muitos lugares, quando observamos todos os acontecimentos mundiais através de uma VISÃO PLANETÁRIA, sentimos que já se aproximou de nós um pouco mais o futuro em que todos os povos da terra "chamarão o Senhor por um só nome" e todos sentirão que pertencem a apenas uma raça: à RAÇA HUMANA!

Talvez ainda seja interessante chamar a atenção do leitor ao fato do Dr. Herzfeld ter proferido este sermão imediatamente após a Alemanha ter ganho uma guerra contra a França, razão pela qual, bem no começo, ele agradece a Deus, mas exorta seus congregados a não se sentirem orgulhosos e felizes demais por causa daquela vitória, pois que a VERDADEIRA e OU RADOU RAPAZ haveria de se concretizar tão somente quando toda a humanidade estivesse pronta para se unir, - para se unir sem preconceitos de qualquer espécie e num espírito de fraternidade, amor e respeito mútuo.

TRECHOS DO SERMÃO

"... São unicamente os trechos messiânicos das Escrituras e alguns modernos amigos da humanidade, os quais, entretanto, são considerados idealistas teóricos, que dizem que todas as diferentes nações da terra um dia haverão de formar UMA FAMíLIA DE POVOS, na qual cada nação terá seus dons e suas vantagens, suas habilidades especiais de caráter mental ou técnico, e suas correntes de pensamento igualmente especiais, e que só então a humanidade haverá de formar um todo bem incorporado, quando os povos competirem exclusivamente nas suas obras de paz, quando eles, longe de qualquer auto-exaltação, estiverem preparados para reconhecer as qualidades positivas de qualquer outro povo.... Exatamente como o comércio mundial envia o excesso de material ou mercadoria de um país a outro, assim também deveria haver um intercâmbio pacífico entre todas as forças e capacidades espirituais dos povos, o que não só é a idéia messiânica como é a esperança de qualquer nobre alma, sendo isso também a única política cabível no futuro...

Já mencionei que gostaria de falar hoje de Religião no seu sentido mais amplo, como ela está tentando impregnar e rodear toda a humanidade. Só que, aí, ainda há de lembrar brevemente um preliminar... isto é, que a Religião de Israel não deve fazer de si um casulo e sim que mantenha os olhos abertos também para as OUTRAS formas históricas de religião e para a IDÉIA RELIGIOSA EM GERAL. Eu já disse antes que nós também deveríamos reconhecer algo diferente, de fora, no seu verdadeiro significado, pois só nega a devida aprovação ao que diverge quem tem uma visão extremamente limitada...

Também o Talmud... diz que os devotos de todos os povos terão parte na eterna Salvação. Quanto este pensamento se eleva acima de quaisquer ensinamentos de uma Igreja omni-salvadora! Além disso é um fato que o âmago da idéia messiânica é que um dia "todos os povos chamarão o Eterno e lhe servirão juntos em união"; mas de maneira alguma os pensadores do nosso povo têm interpretado isso como se o rito judaico se tornasse prática geral de todas as nações e sim unicamente que os ensinamentos redentores mais importantes de nossa religião se disseminarão entre toda a humanidade, ... enquanto que os ritos especificamente judaicos e as tradições haveriam de cessar de todo no Reino Messiânico (MIZWOT BETÉLOT LEASID LABO) - (citando algum texto hebraico, escrevendo-o em letras latinas) -o que é explicado novamente no tão difamado Talmud. Portanto, há muito a PONTE tem sido construída entre a nossa religião específica e a Religião Geral da Humanidade. E se, neste processo espiritual, desaparecer muita coisa que, através do cuidado de milênios, tinha se tornado parte de nós mesmos, este sacrifício tem de ser feito no interesse da evolução da humanidade como um todo.

E, novamente, Jeremias diz que, naqueles dias, não se pensará mais na Arca Santa do Senhor, pois, então, aquela Jerusalém onde todos os povos se reunirão será chamada de "Trono de Deus"....

Eu peço e espero que a hUmanidade, ainda que devagar, amadureça e se aproxime cada vez mais deste objetivo indicado, e que, com o decorrer do tempo, encontrar-se-ão formas pelas quais o Deus comum a todos poderá em conjunto ser adorado e invocado. E se, um dia, isso se realizar, então os bisnetos celebrarão uma FESTA DA PAZ que se elevará tão alto acima da nossa última Como o pensamento religioso paira bem alto acima de qualquer pensamento político.

Ó Deus..., pode ser que para a Religião, esta Tua dádiva mais deliciosa, Tu talvez tenhas determinado o mesmo ciclo de desenvolvimento como cada ser humano o atravessa individualmente.' Durante os primeiros doze anos de sua vida, aproximadamente, ele é apenas uma criança e a habitação de seus pais é seu mundo. Depois seguem os anos em que ele, de mente cada vez mais alerta e mais esclarecida, percebe o mundo ao seu redor e procura entrar em ,contato com o mesmo através de tímidas tentativas; uma metade dele já pertence a este mundo novo, outra metade ainda pertence à casa dos pais! Finalmente, ele se compreende como sendo apenas um elo na inteira corrente da humanidade e ele se sente ser um CIDADÃO DO MUNDO, isto é, se sua mente lhe permitir avançar tanto! Até parece que Tu, ó Senhor, desejas do mesmo modo a evolução do guia mais leal do homem, a Religião! Enquanto existem religiões separadas, a Religião propriamente dita ainda se encontra na sua infância. A religião dos pais, na qual nascemos, parece ser uma coisa tão querida assim como a casa dos pais, envolvendo, entretanto, igualmente isolamento e exclusão. Mas a humanidade se tornou adulta e agora chegou o tempo em que as diferentes religiões deveriam começar a entrar em contato umas com as outras estando conscientes do fato de que todas elas estão realmente tentando alcançar o MESMO OBJETIVO, quando são verdadeiras, quando possuem a séria vontade de santificar e de honestamente tornar os homens felizes.

Cada religião individual tem de passar por seu próprio processo de evolução, o objetivo final de tudo relacionado a esta evolução, porém, terá de ser que a humanidade, amadurecida, tenha uma religião comum a todos, para a qual cada uma (das religiões) deverá ter contribuído com o melhor de sua própria substância.

No primeiro degrau elas (as religiões) estão sendo colocadas umas ao lado das outras, separadas. No segundo, elas devem estender as mãos umas às outras. No terceiro e último degrau, todavia, elas devem se fundir para se tornarem uma só (religião), conforme já foi dito na nossa oração de "Alenu": que um dia cada joelho se dobrará diante de Ti e cada língua Te invocará. Não se pode esperar que esta mais sublime aspiração dos mortais de ideais mais elevados se concretize em pouco tempo, pois a humanidade progride devagar: suplicamos, porém, a Ti, ó Deus, que a ajudes a galgar, brevemente, o segundo desses degraus! Amém."

CONCLUSÃO

Há mais de cem anos um homem erudito e de larga visão pronunciava, na Alemanha, as palavras que acabamos de ler. Palavras baseadas nas suas pesquisas da Bíblia e do Talmud, cheias de fé, de coragem e de um cunho bastante futurista e adiantado para aquele tempo, que ainda hoje são capazes de nos empolgar.

Mal sabia Levi Herzfeld que o processo de amadurecimento do gênero humano daria, dentro do período de vida da próxima geração, uma de suas reviravoltas imprevisíveis e terríveis, mas evidentemente inevitáveis, no duro caminho da evolução. Não poderia ele prever que uma de suas noras se suicidaria durante a segunda guerra mundial na sua cidade de Braunschweig, em 1943, uma noite antes de ser mandada para um campo de concentração aonde ela, já octogenária, certamente não teria tido condições de sobrevivência. Mal sabia Levi Herzfeld que a maioria dos seus outros numerosos descendentes se espalharia pelo mundo afora justamente para escaparem à barbárie do aniquilamento total por serem judeus ou descendentes de judeus, durante o inferno que reinou na Alemanha e em outros países da Europa entre 1933 e 1945. Alguns não escaparam, formam parte das seis milhões de vítimas do holocausto, vítimas que tombaram no trágico caminho do processo de amadurecimento do gênero humano.

Mas o que Levi Herzfeld certamente sabia ou previa, é que os ensinamentos mais importantes de sua religião "se disseminariam entre toda a humanidade" e que, com o decorrer do tempo, começariam a surgir sinais do amadurecimento ao qual ele se referiu tão explicitamente.

Sabia que, durante o desenrolar dos acontecimentos históricos, que infelizmente tinham de ser ligados a indescritível sofrimento, tornar-se-iam manifestos esses primeiros sinais, como flores que brotam dos escombros, perceptíveis em todos os cantos do mundo, ainda que de maneira extremamente tênue por enquanto.....

Sim, apesar da profunda amargura em todos os sobreviventes do holocausto e apesar da terrível ameaça que ainda paira sobre toda a humanidade, resultado de um desenvolvimento técnico exageradamente rápido sem o necessário crescimento espiritual geral correspondente, já se procura oficialmente chamar a atenção de todos ao fato de que a PAZ deve se tornar o objetivo comum, consciente e prioritário de todos os indivíduos e de todos os povos da terra. Um chamado que nunca antes tinha sido feito com tanta insistência e tanta ênfase e urgência ao longo da história da humanidade.

Numa das disposições da UNESCO foi dito que, "desde que as guerras começam nas mentes dos homens, é na mente dos homens que as defesas da paz têm de ser construídas". Nunca se falou tanto em PAZ, nunca se pensou tanto de maneira GLOBAL como agora, e nunca se levantaram tantas vozes em favor da PAZ, da unidade da humanidade e dos Direitos Humanos como agora, 120 anos após o dia em que o Dr. Levi Herzfeld proferiu seu profético sermão. Os horizontes do mundo estão se iluminando e, pouco a pouco, os homens começam a se conscientizar de seu destino entrelaçado e de que a verdadeira paz advém de um estado interior, apoiado pela atitude espiritual e moral de cada indivíduo.

E é lógico e imprescindível que deverá haver leis sábias e justas e toda a infra-estrutura necessária para alcançar e regular tal estado de desenvolvimento humano.

Há indivíduos e grupos cujo valioso trabalho e cuja dedicação não podem e não vão ser perdidos no mundo, empenhados que estão em salientar os valores humanos intrínsecos. Eles estão procurando e encontrando soluções pacíficas para os graves problemas sociais e econômicos que ora afligem a humanidade.

Há pessoas abnegadas que tudo dão de si em prol do aumento do bem-estar da população sofrida, e há muitos que colaboram de maneira totalmente altruísta e com total ausência de preconceitos para a maior compreensão e a maior aproximação dos diferentes grupos religiosos, étnicos, nacionais e sociais. Já há pessoas cujo objetivo único na vida é atenuar ou eliminar o sofrimento alheio e há cada vez mais pessoas que deixam seus lares, sua terra, seu conforto, seu lazer e às vezes até sua vida, a fim de ajudar a apressar a chegada do dia em que, além da eliminação de perseguições e preconceitos, das guerras e da insegurança, das doenças, da pobreza, da fome e da ignorância, haverá uma meta final:

A UNIFICAÇÃO DE TODOS OS POVOS DO MUNDO EM UMA ÚNICA FAMíLIA UNIVERSAL.

Será o dia que Levi Herzfeld visualizou em 1871, quando falou cheio de confiança, apesar do mundo hostil em volta dele, que certamente chegará o dia em que "todos os povos chamarão Deus e o servirão juntos em união' " o dia em que a humanidade se tornará adulta e madura e terá como único objetivo a sincera vontade de dar à vida dos homens um nobre propósito e de torná-los todos mais felizes. Neste dia o Sol da Verdade iluminará o mundo inteiro.

Há uma grande força de bem no mundo que um dia vencerá as forças do fanatismo, do preconceito, do ódio e da avareza. Que eliminará a ignorância e a violência e, aos poucos - pois é um processo extremamente sutil e vagaroso - formará aquele mundo de paz, harmonia e prosperidade que nos foi prometido em todas as Escrituras Sagradas e por muitos profetas, sábios e videntes que andaram por esta terra.

Renata Herzfeld Modern São Paulo, Brasil, 1991

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