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Osmar Mendes : Procuram Longe os Bens
"PROCURAM LONGE OS BENS CUJA FONTE EM SI TRAZEM"
Organizado por Osmar Mendes
Texto de OSMAR MENDES
Pitágoras
(Os Versos de Ouro)
Editora Planeta Paz

Og Mandino, em seu livro A UNIVERSIDADE DO SUCESSO, cita uma história contada por Russel H. Conwell, que diz o seguinte:

Há muitos anos ao descer os rios Tigre e Eufrates com um grupo de viajantes ingleses, encontrava-me sob a direção de um velho guia árabe que contratamos em Bagdá, e, freqüentemente, tenho pensado como o guia fazia lembrar nossos barbeiros em determinadas características mentais. Achava que não era só seu dever nos guiar por aqueles rios abaixo e fazer o que fora pago para fazer, mas também entretermos com histórias curiosas e misteriosas, antigas e modernas, estranhas e familiares. Muitas já esqueci e alegro-me por isso, porém há uma que jamais esquecerei.

O velho guia conduzia meu camelo pelo cabresto ao longo das margens daqueles rios antigos e contava história após história, ate que fiquei cansado de suas narrativas e deixei de ouvir. Não fiquei irritado com o guia quando ele se zangou por eu ter deixado de ouvi-lo. Mas lembro que ele tirou o chapéu turco e o ficou girando no ar para chamar minha atenção. Podia ver aquilo com o canto do olho, mas estava determinado a não olhá-lo diretamente, receando que começasse outra história. Por fim, olhei e, tão logo o fiz, ele deu início a outra história.

Disse ele:

"Agora vou lhe contar uma história que reservo para os meus amigos particulares." Quando enfatizou as palavras "amigos particulares", acabei ouvindo e sempre fico contente por isso. Na verdade, sinto-me devotadamente grato que tenho podido repeti-Ia a milhares e milhares de pessoas em minhas palestras.

O velho guia me contou que certa vez ali viveu, não longe do rio Indo, um velho persa chamado Alí Hafed. Contou que Alí Hafed era proprietário de uma fazenda muito grande, com pomares, searas e jardins; que tinha dinheiro a juros, era um homem muito rico e feliz. Era feliz por ser muito rico e muito rico por ser feliz. Certo dia, o velho fazendeiro recebeu a visita de um daqueles velhos monges budistas, um dos homens sábios do oriente. Sentou-se ao lado do fogo e contou ao velho fazendeiro como este nosso mundo foi feito. Disse que antes esse mundo era apenas uma barreira de nevoeiro e que o Todo-Poderoso enfiou o dedo naquela barreira de nevoeiro e começou a movê-la lentamente em círculo, aumentando a velocidade até que Ele transformou aquele redemoinho numa sólida bola de fogo.

Então, a bola foi rolando pelo universo, queimando outras barreiras de nevoeiro em sua trajetória, condensando a umidade do lado de fora, até essa umidade cair em chuvas abundantes sobre sua superfície quente, esfriando a crosta externa. Aí os fogos internos irromperam para fora da crosta e lançaram as montanhas, as colinas, os vales, as planícies e as pradarias deste nosso mundo maravilhoso. Se essa massa interna liquefeita lançava-se para fora e esfriava muito rapidamente, transformava-se em granito;

menos rapidamente, em cobre; menos ainda, em prata; menos rápido, em ouro, e depois do ouro vieram os diamantes.

O velho monge disse: "O diamante é um pingo do sol congelado." Agora é literal e cientificamente verdadeiro que um diamante é um autêntico depósito de carbono do sol. O velho monge disse a Alí Hafed que se ele tivesse um diamante do tamanho do polegar, poderia comprar um município e se tivesse uma mina de diamantes poderia colocar seus filhos em vários tronos, devido a influência de sua grande rIqueza.

Alí Hafed ouviu tudo sobre diamantes, o quanto eram valiosos, e foi dormir naquele noite como um homem pobre. Não havia perdido nada, mas estava pobre porque sentia-se infeliz e infeliz por achar que era pobre. Disse: "quero uma mina de diamantes" e não dormiu a noite toda.

Logo cedo pela manhã, procurou o monge. Sei, por experiência, que um sacerdote fica mal-humorado se o acordam cedo pela manhã, e quando Alí tirou o monge de seus sonhos, disse-lhe:

- Pode me dizer onde posso encontrar diamantes?
- Diamantes! O que quer com diamantes?
- Ora, quero ser imensamente rico!

- Bem, então vá em frente e procure-os. E só o que precisa fazer; vá e procure-os e depois os terá.

- Mas não sei aonde ir.

- Bem, se encontrar um rio que corre através de areias brancas entre altas montanhas, naquelas areias brancas sempre encontrará diamantes.

- Não acredito que haja um rio desses.

- Oh! Sim, há muitos rios iguais a esse. Tudo o que tem a fazer é procurá-los e depois os terá.

- Então, irei. - retrucou Alí Hafed.

Assim, ele vendeu a fazenda, recebeu o dinheiro deixou a família aos cuidados de um vizinho e partiu em busca dos diamantes. Começou a procurar, a meu ver muito apropriadamente, nas Montanhas da Lua. Depois percorreu a Palestina, perambulou pela Europa e, por fim, quando já havia gastado todo o dinheiro, estava em farrapos, desventurado e pobre, viu-se de pé na praia da baia de Barcelona, na Espanha, quando uma grande onda provocada pela maré veio rolando entre as Colunas de Hércules e o pobre homem, aflito, sofredor e agonizante, não pôde resistir à tentação terrível de lançar-se à corrente que chegava e afundou sob a crista espumante, jamais voltando para esta vida.

Quando o velho guia acabou de contar aquela história horrivelmente triste, parou o camelo em que eu estava e foi para trás, a fim de ajeitar a bagagem que escorregava do outro camelo. Aí tive a oportunidade de refletir na história durante sua ausência.

Lembro-me que disse a mim mesmo: "Por que será que ele reserva essa história para os seus amigos particulares?" Parecia não ter começo, meio ou fim, nada. Era a primeira história que já ouvira em minha vida e seria a primeira a ler, na qual o herói morre no primeiro capitulo. Eu tinha apenas um capítulo da história e o herói estava morto.

Quando o guia voltou e apanhou o cabresto do meu camelo, foi direto à continuação da história. Certo dia, o homem que comprara a fazenda de Alí Hafed conduziu o camelo para o interior do jardim para beber água e, assim que o animal colocou o focinho na água pouco profunda do riacho do jardim, o sucessor de Alí Hafed notou um estranho brilho vindo das areias brancas do córrego. Retirou uma pedra preta que tinha um olho de luz e que refletia todas as cores do arco-íris. Levou a pedra para dentro de casa e colocou-a sobre o consolo da lareira, esquecendo tudo aquilo.

Alguns dias mais tarde, o mesmo velho monge foi visitar o sucessor de Alí Hafed e, no momento em que ele abriu a porta da sala de estar, viu a luz cintilante sobre o consolo da lareira e precipitou-se em sua direção, exclamando:

- Isto é um diamante. Alí Hafed já voltou?

- Oh, não. Alí Hafed não voltou ainda e isto não é diamante. Não passa de uma pedra que encontramos bem aqui em nosso jardim.

- Mas, disse o monge - digo-lhe que reconheço um diamante quando o vejo. Sei que é um diamante, com toda a certeza.

Então, juntos, saíram apressadamente em direção ao jardim e revolveram as areias brancas com as mãos e - calculem! - surgiram outras gemas mais bonitas e valiosas que a primeira.

Assim, disse-me o guia, e isto é historicamente verdadeiro - foi descoberta a mina de diamantes de Golconda, a mina de diamantes mais esplêndida de toda a história da humanidade, superando a própria Kemberly. O diamante Kohinoor e o Orloff, das jóias das coroas da Inglaterra e da Rússia, os maiores do mundo, vieram dessa mina.

Quando aquele velho guia árabe acabou de contar o segundo capítulo da história, retirou o chapéu turco e girou-o no ar de novo, a fim de chamar minha atenção para a moral da história. Esses guias árabes têm sempre uma moral para suas histórias, embora elas nem sempre sejam morais. Enquanto rodopiava o barrete, disse:

- Se Alí Hafed tivesse ficado em casa e cavado o próprio porão, ou debaixo do próprio trigal, ou mesmo no próprio jardim, em vez de passar miséria e fome, suicidando-se em terra estrangeira, teria conseguido "campos de diamantes."

Pois cada parte daquela velha fazenda, isso mesmo, cada pedaço de terra, produziu posteriormente gemas que desde então passaram a enfeitar as coroas dos monarcas.

Quando o guia acrescentou a moral à história, compreendi porque a reservava para "os amigos particulares." Mas não lhe disse que tinha entendido. Era o modo do velho árabe velhaco falar as coisas com rodeios, como os advogados. Falava indiretamente o que não ousava dizer diretamente, que "em sua opinião particular havia um certo rapaz viajando pelo Rio Tigre e que faria melhor se ficasse em casa na América." Não lhe disse que estava entendendo, mas disse-lhe que sua história fazia-me lembrar de outra e contei-lhe rapidamente, e acho que vou repeti-Ia agora:

Contei-lhe que, em 1847, vivia na Califórnia um homem que possuía um rancho. Esse homem ouviu dizer que haviam descoberto ouro no sul da Califórnia e, assim, apaixonado pelo Ouro, vendeu o rancho ao Coronel Sutter e partiu para nunca mais voltar. O Coronel Sutter colocou um engenho no riacho que atravessava o rancho e, certo dia, sua filhinha trouxe um pouco de areia úmida do canal adutor para dentro de casa e fez a areia escorrer entre os dedos diante do fogo; um visitante viu na areia que caia as primeiras escamas cintilantes do autentico ouro que jamais foi descoberto em outro lugar da Califórnia.

O homem que havia possuído o rancho queria ouro e ele podia tê-lo obtido simplesmente apanhando-o. Na verdade, já foram retirados desde então 38 milhões de dólares só de pouquíssimos hectares. Cerca de oito anos atrás, fiz esta palestra numa cidade situada na antiga fazenda e me disseram que o proprietário de 1/3 daquelas terras vem recebendo há muitos e muitos anos 120 dólares em ouro de 15 em 15 minutos, noite e dia, e sem pagar impostos (que nos Estados Unidos têm isenção, como riqueza do subsolo).

+ + +

Transferindo a moral da história acima para a nossa própria vida de ser humano, o que, regra geral, ocorre com cada um de nós?

... Descontentes com nossa condição humana de incapacidade espiritual, achamo-nos pigmeus imperfeitos, carentes de tudo e escravos de hábitos e costumes negativos e deprimentes muitas vezes.

Como poderemos tirar algum proveito prático dessa história?

Na realidade, cada um de nós tem um pouco de Alí Hafed em sua personalidade. Embora possuamos uma fazenda (nossa natureza interior), estamos mais voltados para fora de nós mesmos, para o mundo tão cheio de atrações, para outras pessoas, que invejamos, tão ricas e bem-sucedidas na vida, ou famosas no campo das realizações humanas.

A maioria de nós sente-se carente incapaz, sem "sorte", sem "oportunidades" para triunfar na vida como tantos estão triunfando. E isso nos deixa tristes, desconsolados, e em vez de progredirmos, nossa apatia e sonhos ilusórios ou nos mantêm sempre num mesmo estado (como um simples fazendeiro, agricultor, que por anos e decênios, mantém o mesmo padrão de vida: planta, colhe, vende a colheita, pequena: volta a plantar, colher e vender a pequena produção, que dá apenas para o sustento da família - e isso continuamente...) ou nos leva à miséria, seja pela bancarrota de nosso negócio ou pelo abandono de tudo para ir em busca de ilusões atrativas, longe dali, em futuro que não sabemos quando será alcançado...

... De um modo geral, do ponto de vista psicológico, em nossos anseios internos:

* Buscamos um "Mestre" que nos mostre a verdade!

* Buscamos "modos de vida" baseados em crenças ilusórias, superstições e práticas sem base científica alguma.

* Compramos "conselhos" ou "materiais", muitas vezes a preços elevados, que nos são vendidos como soluções "infalíveis" para os nossos males.

* Viajamos para bem longe, para lugares "sagrados" onde vivem "mestres" abnegados, que irão nos transmitir a verdade milenar que passam apenas a "discípulos" escolhidos.

* Esperamos os "milagres" que nos são prometidos, que são as "graças divinas" que pessoas, materiais e "tratamentos" nos trarão - se apenas tivermos fé.

* Poucos se dão conta de verdades, milenares também, irrefutáveis, mas cuja fonte tem a autenticidade da Revelação Divina. São as palavras dos Mensageiros de Deus, Aqueles que provaram com Suas próprias vidas a autenticidade e praticabilidade das afirmativas que fizeram e do exemplo de vida que deram.

* Tais Mestres verdadeiros, que somente a cada milênio surgem na face da Terra, ensinam-nos, por exemplo:

(Os textos a seguir são de autoria de Bahá'u'lláh, o Fundador da Fé Bahá'i, o mais recente Mensageiro de Deus que viveu em nosso planeta de 1817 a 1892 e deixou centenas de obras escritas, a maioria, de seu próprio punho, e outras, ditadas a discípulos de confiança. Todos os textos têm seus originais guardados no Centro Mundial Bahá'i, em Haifa, Israel.)

(1) - "Imergi-vos no oceano de Minhas palavras, a fim de que possais desvendar os segredos e descobrir todas as, pérolas de sabedoria que se ocultam em suas profundezas."

(2) - "Ó Filho do Homem!

Velado em Meu Ser imemorial e na eternidade antiga de Minha Essência, conheci Meu amor por ti e assim te criei, gravando em ti Minha imagem e revelando-te Minha beleza."

(3) - "Ó Filho do Ser!

Com as mãos do poder, Eu te fiz; com os dedos da potência, Eu te criei; e dentro de ti coloquei a essência de Minha luz. Que estejas contente com isso e nada mais busques, pois é perfeito Minha obra e inexorável Meu Mandamento. Não questiones, nem alimentes dúvida sobre isto."

(4) - "Ó Filho do Espírito!

Eu te criei rico; por que te empobreces? Nobre te fiz; por que te rebaixas? Da essência da sabedoria, Eu te concedi a existência; por que buscas iluminação de outro, senão de Mim? Da argila do amor, te moldei; como é que te ocupas com outro? Volta teus olhos a ti mesmo, a fim de que, dentro de ti, Me possas encontrar, forte, poderoso, O que subsiste por Si Próprio."

- - -
- Volta teus olhos para ti mesmo!

Não busques longe os bens cuja fonte em ti trazes!

- - -
(5) - "Ó Filho do Homem!
Tu és Meu domínio, e Meu domínio não perece;

por que temes perecer? És Minha luz, e Minha luz jamais se extinguirá; por que receias extinção? És minha glória, e Minha glória não se esvaece; és Minha vestimenta, e Minha vestimenta jamais se desgastará. Permanece firme, pois, em teu amor por Mim, a fim de me encontrares no Reino da Glória."

(6) - "Ó Filho da Luz!

Esquece-te de tudo, menos de Mim, e comunga com Meu espírito. Eis a essência de Meus mandamentos; volve-te, pois, a isso."

(7) - "Ó Filho do Espírito!
Nobre Eu te criei, mas tu te tens rebaixado.
Eleva-te, pois, aquilo para que foste criado."
(8) "Ó Filho do Trono!

Teu ouvido é Meu ouvido; que ouças com ele. Tua vista é Minha vista; com ela deves tu ver, para que, no imo de tua alma, possas testemunhar Minha santidade sublime e Eu, dentro de Mim mesmo, te possa atestar uma posição excelsa. "

(9) - "Ó Filho do Ser!

Teu coração é Meu lar; santifica-o para Minha descida. Teu espírito é a sede de Minha Revelação; purifica-o para que nele Eu me possa manifestar."

(10) - "Ó Filho do Ser!

O templo do ser é Meu trono; purifica-o de todas as coisas, a fim de que nele Eu me possa estabelecer e nele habitar."

(11) - "Ó Filho do Ser!

Não te ocupes com esse mundo, pois com o fogo experimentamos o ouro, e com o ouro pomos à prova Nossos servos."

(12) - "Ó Filho do Homem!

Tu queres o ouro, e Eu desejo que dele te livres. Te julgas rico por possuí-lo, e Eu reconheço tua riqueza em estares santificado acima dele. Por Minha vida! É este Meu conhecimento; aquilo, tua fantasia; como pode Minha vontade estar em harmonia com a tua?"

(13) - "ó Filho do Homem!

Minha eternidade é Minha criação; a ti a destinei. Faze-a a vestimenta de teu templo. Minha unidade é obra de Minhas mãos, elaborei-a para teu bem. Adorna-te com ela, a fim de que sejas, por toda . a eternidade, a revelação de Meu ser imortal"

(14) - "Ó vós, Filhos do Espírito!

Sois meu Tesouro, pois em vós entesourei as pérolas de Meus mistérios e as jóias de Meu conhecimento."

(15) - "A vela de teu coração é acesa pela mão de Meu poder; não a apagues com os ventos contrários do ego e da paixão. O que sana todos os teus males é a lembrança de Mim; não te esqueças disso. Faze de Meu amor teu tesouro e estima-o assim como estimas tua própria vista e vida."

OS DIAMANTES ESPIRITUAIS:

Há dois milênios, outro Mensageiro de Deus, Cristo, falou que o "Reino de Deus está dentro de vós."

'Abdu'l-Bahá, o filho de Bahá'u'lláh e Intérprete autorizado de Seus ensinamentos, afirmou que:

O Reino não é um lugar material, pois transcende o tempo e o espaço. É um mundo espiritual, divino, o centro da soberania de Deus; é independente do corpo e daquilo que é corpóreo, e sua pureza e santidade pairam acima de toda a imaginação humana.

... a vida do Reino é a do espírito, a vida eterna, pura e independente de lugar."

'Abdu'l-Bahá explica, também, que o corpo físico é o estágio físico ou animal do homem. Do ponto de vista do corpo, o ser humano é participante do reino animal, os corpos dos homens e dos animais são compostos de elementos ligados pela lei da atração.

Como o animal, o ser humano possui as faculdades dos sentidos, está sujeito ao calor, ao frio, à fome e à sede, etc.

Mas, diferentemente do animal, o ser humano tem uma alma racional, sua mente, a inteligência humana.

O ser humano tem um corpo físico e uma alma racional, mas é espírito. Há uma diferença vital nessa conceituação, que abre à nossa compreensão um mundo novo quanto à realidade do ser.

Esclarece 'Abdu'l-Bahá que: "Essa inteligência humana é o intermediário entre seu corpo e seu espírito."

"Iluminada pelo espírito através do veículo da alma, a inteligência radiante do homem transforma-o no ponto sublimado da Criação." Por outro lado, quando o ser humano não abre a mente e o coração às bênçãos do espírito, e, sim, inclina a alma para o lado material, na direção da parte corporal de sua natureza, então ele desce de sua alta posição e torna-se inferior aos habitantes do mais baixo reino animal.

Fortalecidos todos os desejos e aspirações pelo lado inferior da natureza da alma, ele se embrutece cada vez mais, até todo o seu ser em nada superar os animais.

Se, ao contrário, a natureza espiritual da alma é fortalecida de tal forma que subjuga o lado material, então o ser humano aproxima-se do divino, de sua natureza real, que é seu espírito imortal e perfeito.

Tudo isso ocorre dentro dos "jardins de nossa própria fazenda" mental, em nossa psique. Nesse "terreno" que é nosso, propriedade inalienável, herança divina que recebemos do Criador Onipotente, temos "pedras" e "diamantes". As primeiras, sem valor. As segundas, jóias preciosas, raramente são encontradas por nós. Aliás, a grande maioria dos seres humanos nem se dá ao trabalho de pesquisar e buscar encontrar seus "diamantes espirituais". A maioria de nós se julga pobre, infeliz. Reclama do destino, sofre e se lamenta... tendo bem próximo de si as jóias de inestimável valor que quase sempre vão buscar bem longe.., e "mascaradas" em mil e uma formas, ilusórias, substitutos falsos da verdadeira natureza diamantina das "pedras" que temos dentro de nós - os diamantes espirituais.

Vejamos, a seguir, alguns desses diamantes revelados por Bahá'u'lláh, as 15 "PALAVRAS OCULTAS" citadas nas páginas anteriores. São a maior riqueza de nossa alma e de nossa vida.

(1) - As pérolas de sabedoria se ocultam no oceano das palavras dos Mensageiros de Deus. Nesta era, nas Palavras reveladas por Bahá'u'lláh.

(2) - Deus nos criou, por amor, gravando em nosso espírito Sua imagem e revelando-nos Sua beleza.

(3) - Fez-nos com as mãos do poder. Criou-nos com os dedos da potência. Dentro de cada um de nós colocou a essência de Sua Luz.

(4) - Deus nos criou ricos. Por que nos empobrecemos? Deus nos criou nobres, por que nos rebaixamos? Recebemos nossa existência da essência da sabedoria; por que buscamos iluminação de outro, senão dEle? Fomos criados da argila do amor. Por que buscar a solução nos outros? Devemos nos voltar para o que está dentro de nós mesmos, nossa realidade essencial. Nela encontraremos a Deus, Todo-Poderoso, subsistente por Si próprio.

(5) - Tememos perecer? Por quê, se somos domínio do Criador, e Este não perece. Somos luz de Sua Luz, por que recear a extinção? Somos sua glória, e sua Glória jamais esvaece. Somos vestimenta do Ser divino, e esta jamais se desgastará. Devemos permanecer firmes em nosso amor por Ele a fim de O encontrarmos no Reino da Glória.

(6) - Devemos nos esquecer de tudo, menos dEle, e comungar com Seu espírito. Esta é a essência de Seu Mandamento.

(7) - Nobres de criação, por que nos rebaixamos? Elevemo-nos, pois, àquilo para o que fomos criados.

(8) - Deus ouve através de nossos ouvidos, vê através de nossos olhos. Com esses ouvidos celestiais, devemos ouvir; e com os olhos do Ser Eterno devemos ver. Nessa condição, daremos testemunho da santidade sublime de Deus e Ele, em Si mesmo, atestará uma posição excelsa para nós, suas criaturas.

(9) - Nosso coração é o lar do Pai; deve ser santificado para Sua descida. Nosso espírito é a sede de Sua Revelação; que esteja purificado para que nele Deus possa Se manifestar.

(10) - Nosso ser, nosso corpo, nossa mente e nossa alma, são o templo onde se situa o trono de Deus. Devemos purificá-lo de todas as máculas, para que, limpo e puro, Deus possa nele se estabelecer e habitar para sempre.

(11) - Com o fogo Deus experimenta o ouro. Com o ouro Ele nos põe à prova. Por isso, não devemos nos preocupar com as riquezas deste mundo efêmero e ilusório. Busquemos; antes de tudo, as riquezas espirituais.

(12) - Queremos as riquezas materiais. Deus, no entanto, quer que não nos apeguemos a elas. Sua riqueza, nossa melhor riqueza, é estarmos santificados de todo o ouro terreno.

(13) - Deus nos criou eternos - pois Sua criação é eterna. Devemos fazer da eternidade a nossa vestimenta. A unidade foi elaborada pelo Criador para nosso bem. Devemos nos adornar de unidade, para que sejamos, por toda a eternidade, a revelação de Seu ser imortal.

(14) - Em nós, o Bem-Amado entesourou as pérolas de Seus mistérios e as jóias de Seu conhecimento. Por isso, somos o TESOURO de Deus. Que bem maior poderemos querer na vida?

(15) - A luz da vela de nosso coração foi acesa com a mão do Poder divino. Não devemos deixar que se apague com os ventos contrários do ego e da paixão. A LEMBRANÇA DE DEUS CURA TODOS OS MALES. Jamais esqueçamos disso. Façamos do AMOR DE DEUS o nosso tesouro. Devemos estimá-lo como estimamos nossa própria visão e nossa própria vida.

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São 15 diamantes de luz espiritual. Diariamente, meditemos um deles, profundamente, e incorporemos em nosso viver diário cada uma dessas jóias da Sabedoria imortal.

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Versos de Ouro* de Pitágoras, filósofo grego do século V antes de Cristo

(*Versão de Dário Vellozo, fundador do Instituto Néo-Pitagórico.)

Preparação:
Aos Deuses imortais o culto consagrado
Rende; e tua fé conserva. Prestigia
Dos sublimes Heróis a imárcida lembrança
E a memória eteral dos supernos Espíritos.
Purificação:
Bom filho, reto irmão, terno esposo e bom pai
Sê; e para amigo o amigo da virtude
Escolhe, e cede sempre a seus dóceis conselhos;
Segue de sua vida os trâmites serenos;
Sê sincero e bondoso, e não o deixes nunca,
Se possível ter fôr: pois uma lei severa
Agrilhoa o Poder junto à Necessidade.
Está em tuas mãos combater e vencer
Tuas loucas paixões; aprende a dominá-Ias.
Sê sóbrio, ativo e casto; as cóleras evita.
Em público, ou só, não te permitas nunca
O mal; e mais que tudo a ti mesmo respeita-te.
Pensa antes de falar, pensa antes de agir:
Sê justo. Rememora: um poder invencível

Ordena de morrer; e os bens e as honrarias, Fáceis de adquirir; são fáceis de perder.

Quanto aos males fatais que o destino acarreta,
Julga-os pelo que são: suporta-os, procura,
Quão possível te seja, o rigor abrandar-lhes.

Os Deuses, aos mais cruéis, não entregam os sábios.

Como a Verdade, o Erro adoradores conta:
O filósofo aprova, ou adverte com calma;
E, se o Erro triunfa, ele se afasta, e espera.
Ouve, e no coração grava as minha.s palavras:
Fecha os olhos e o ouvido a toda prevenção;
Teme o exemplo de um outro, e pensa por ti mesmo;
Consulta, delibera e escolhe livremente.
Deixa aos louco O agir sem um fim e sem causa;
Tu deves contemplar no presente o futuro,
Não pretendas fazer aquilo que não saibas.
Aprende: tudo cede à constância e ao tempo.
Cuida em tua saúde: e ministra com método
Alimentos ao corpo e repouso ao espírito.
Pouco ou muito cuidar evita sempre; o zêlo
Igualmente se prende a um e a outro excesso.
Têm o luxo e a avareza efeitos semelhantes.
Deves buscar em tudo o meio justo e bom.
Perfeição:
Que não se passe um dia, amigo, sem buscares
Saber: Que fiz eu hoje? E, hoje, que olvidei?
Se foi o mal, abstém-te; e, se o bem, persevera.
Meus conselhos medita; e os estima; e os pratica:
E te conduzirão às divinas virtudes.
Por esse que gravou em nossos corações
A Tétrade sagrada, imenso e puro símbolo,
Fonte da Natureza, e modelo dos Deuses,
Juro. Antes, porém, que a tua alma, fiel
A seu dever, invoque, e com fervor, os Deuses,
Cujo socorro imenso e valioso e forte
Te fará concluir as obras começadas,
Segue-lhes o ensino, e não te iludirás:
Dos seres sondarás a mais estranha essência;
Conhecerás de Tudo o princípio e o termo.
E, se o Céu permitir, saberás que a Natura,
Em tudo semelhante, é a mesma em toda parte;
Conhecedor assim de todos teus direitos,
Terás o coração livre de vãos .desejos.
E saberás que o mal que aos homens cilicia,
De seu querer é fruto; e que esses infelizes
Procuram longe os bens cuja fonte em si trazem.
Seres que saibam ser ditosos, são muito raros.
Joguetes das paixões, oscilando nas vagas,
Rolam, cegos, num mar sem bordas e sem termo,
Sem poder resistir nem ceder à tormenta.
Salvai-os, grande Zeus, abrindo-lhes os olhos!
Mas, não: aos homens cabe, - eles, raça divina,
O Erro discernir, e saber a Verdade.
A Natureza os serve. E tu que a penetraste,
Homem sábio e ditoso, a paz seja contigo.
Observa minhas leis, abstém-te das coisas
Que tua alma receie em distinguindo-as bem;
Sobre teu corpo reine e brilhe a Inteligência
Para que, te ascendendo ao Eiter fulgurante,
Mesmo entre os Imortais consigas ser um Deus!

Homenagem ao 90° aniversario de fundação do Instituto Néo-Pitagórico, em Curitiba, PR. (1909 - 1999)


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