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Osmar Mendes : Paz Mundial através de uma Fé Mundial
Associação de Estudos Bahá'ís
A PAZ MUNDIAL ATRAVÉS DE UMA FÉ MUNDIAL
Osmar Mendes
PREFÁCIO

A série ANO INTERNACIONAL DA PAZ é uma coleção dedicada às questões levantadas pela necessidade urgente do estabelecimento da PAZ MUNDIAL no mundo de hoje.

A sua finalidade é oferecer livros curtos, objetivos e precisos, destinados àqueles que sentem o desejo de ampliar a sua consciência de um dos grandes problemas mundiais: as guerras e a sua solução.

A sua visão do homem é global e visa abranger toda a sua realidade: econômica, social, religiosa, artística, científica e espiritual. Todos esses aspectos são analisados dentro da perspectiva da paz e de um mundo unido, sem barreiras políticas, de cor, credo ou classe social.

Tem como propósito apresentar um novo panorama, novos conhecimentos e novas bases para o pensamento humano e o grande desafio de afastar definitivamente da vida humana o espectro da guerra. Foram convidados autores profundamente envolvidos com o estudo, pesquisa e desenvolvimento dos conceitos de uma Nova Era para o mundo, a paz, sempre dentro das suas especialidades ou áreas de formação. Acreditamos que nada é tão importante nos dias atuais diante da designação pela ONU do Ano Internacional da Paz, que sejam trazidos ao público obras deste caráter.

Todos os autores residem no Brasil, e estão envolvidos pela realidade brasileira, e embora seja uma convicção corrente do brasileiro não incluir no rol das preocupações o problema da guerra mundial, a profundidade e as reflexões agudas e inteligentes que cada autor propõe parecem desmentir tal convicção, que torna a série ainda mais atraente.

Há certas questões da vida humana que têm recebido pouca atenção no atual turbilhão que a crise moral e ética da humanidade se envolveu. O desenvolvimento da ciência e a tecnologia colocou à disposição meios de viver e também armamentos para os quais não estava ainda preparado espiritualmente.

Segundo o biólogo e Prêmio Nobel, Jean Rostand, "a ciência nos tornou deuses sem que antes tivéssemos merecido sermos homens". Entre estas questões se coloca, sem dúvida, o destino e o futuro da humanidade diante da atual potencialidade das armas nucleares.

A função de toda obra deve ser de aumentar o nosso conhecimento, não apenas para podermos melhor manipular o homem e a natureza, mas para fazer renascer a nossa fé e esperança na humanidade, e mostrando um novo caminho para a sua evolução.

E a evolução do homem hoje, obrigatoriamente, está direcionada na medida dos seus esforços pelo entendimento internacional e a criação de um mundo unido.

Os preconceitos, as tensões e os antagonismos não têm mais lugar na nova existência humana e devem ser relegados ao passado de imaturidade da humanidade.

Esta série, ANO INTERNACIONAL DA PAZ, visa a aprofundar a compreensão do sentido da vida do homem, o seu propósito e finalidade na face da terra e a sua posição na história.

Está sendo publicada baseada na convicção de que a atual geração pode realizar a grande tarefa de reorganização do relacionamento humano, do alargamento dos seus horizontes, da universalização dos seus objetivos, fazendo surgir uma consciência moral que leve à unidade e a fraternidade de todos os povos, raças, culturas, religiões e classes. Enfim, à planetização da humanidade. Uma só família humana. Uma só raça: a Grande Raça Humana.

As grandes conquistas da humanidade não são resultado da força e nem mesmo realizações puramente intelectuais: são realizações da totalidade do EU humano, nos seus múltiplos aspectos morais e espirituais.

Se servir para a sua reflexão e uma maior compreensão do mundo em que vive e para onde este mundo se dirige, prezado leitor, esta série era cumprido a sua principal função.

A ASSOCIAÇÃO DE ESTUDOS BAHÁ'ÍS DO BRASIL
I N T R O D U Ç Ã O

O objetivo deste trabalho é mostrar o indivíduo humano como a realidade que é, sem as "máscaras" com que se apresenta aos olhos de seu semelhante, sem a "roupagem", muitas vezes ilusória, com a qual o vestimos mentalmente, com nossos preconceitos e tradições, na avaliação que fazemos de nosso próximo.

Há aspectos básicos em cada ser humano, qualquer que seja a sua raça, nacionalidade, cor, sexo, posição social, em qualquer parte do mundo onde viva. O ser humano é como uma célula individual no corpo da humanidade. Ele é uma micro-humanidade. Num ser humano existem, real e potencialmente, todas as qualidades de vida, todos os aspectos da existência humana que existem em todos os outros integrantes da espécie humana como um todo.

Na verdade, somos o que somos como Deus nos criou - em essência iguais uns aos outros. Mas somos também o que aparentamos ser, e o que os outros nos vêem como sendo. Neste aspecto, surgem as diferenças entre os seres humanos, reais e ilusórias, as efetivas e as preconcebidas.

Em seguida, esperamos mostrar a humanidade como um macro-homem, a soma de todos os seres humanos, a coletividade, a raça humana. Porém, fundamentalmente como uma projeção do indivíduo. O organismo, formado pelas células individuais que compõem a humanidade, diferentes em muitos aspectos, mas co-participantes do todo, inseparáveis, inter-dependentes.

A Paz é mencionada como a palavra síntese de tudo aquilo que o ser humano, individual ou coletivamente, mais carece. Significa saúde, harmonia, bem-estar, felicidade, progresso - seja do ponto de vista de um só indivíduo, como coletivamente para toda a humanidade.

Encontrar a verdadeira PAZ, nos dois aspectos mencionados, é a maior conquista do ser humano, individual e coletivamente. Onde encontrá-la, porém? Como ter certeza de ser ela verdadeira, segura, permanente? Como manter a paz? Como responder aos outros que possam dizer, "Não, a "minha" paz é melhor". "A correta, a que realmente irá resolver todos os problemas, é a do "meu partido", ou da "minha nação", ou da "minha religião". É evidente que nós podemos afirmar o mesmo, com relação "ao nosso partido", ou à "nossa nação", ou à "nossa religião". Haverá um denominador comum, um ponto de vista harmonizante, conciliatório?

O Criador divino, fonte de toda a vida, origem de todos os universos, é reconhecidamente a Verdade impessoal e o Ser que criou tudo perfeito, sendo, portanto, o modelo ideal para a busca das soluções para todos os problemas humanos. Como contatá-lo, no entanto, se é infinito e inacessível? Fora dele, houve alguma instituição humana, ou algum ser individual, na história da humanidade, que tenha provado ser indiscutivelmente o "dono da verdade", o modelo da perfeição que se quer alcançar? Por que não tem sido possível a perfeição completa? Como enfrentar a realidade dos fatos?

Qual a diferença entre Fé e Religião? Quais os pontos em comum entre ambas? Sua importância na vida humana.

É possível compreender, aceitar e viver uma Fé mundial?

Como? Que postulados traz para o bem-estar, para a paz, individual e coletiva? Tal Fé substituirá todas as religiões mundiais?

É possível a paz mundial através de uma Fé Mundial?

Seria tal solução o início de uma verdadeira civilização mundial?

O que nos espera no século XXI?

Estes são os pontos básicos que o presente trabalho facaliza.

São entregues ao público para consideração, no desejo sincero de mostrar a forma de ver, do autor, a esses assuntos tão importantes, baseando seus estudos nos ensinamentos da Fé Bahá'í, a mais recente Revelação Divina ao ser humano.

Rio de Janeiro, maio de 1986
O Autor
PAZ MUNDIAL ATRAVÉS DE UMA FÉ MUNDIAL
Osmar Mendes

1. O HOMEM - CÉLULA INDIVIDUAL DO CORPO DA HUMANIDADE

Como é o homem, na realidade do dia-a-dia?

É um ser físico, que se movimenta de um lugar para outro, mostra ter emoções, sentimentos, vontade. Mostra ter inteligência e muito potencial inato para desenvolver. Precisa se alimentar diariamente para sobreviver. Na interação com o mundo externo, com outras pessoas, objetos e acontecimentos, tem emoções e reage conforme seus sentimentos habituais, sua cultura, seu habitat, seus conhecimentos e sua religião, quando a tem. Se não, conforme os conceitos morais e éticos adquiridos, na família e no meio onde vive.

Fundamentalmente, todos os seres humanos se encaixam nesses aspectos, qualquer que seja a raça, nação, cultura ou posição social. É verdade que dificilmente encontraremos dois indivíduos iguais, ou pelo menos semelhantes em todos os aspectos da vida individual. Parece que cada pessoa é um mundo a parte, com aspectos afins mas nunca iguais em grau de expressão. As reações ao mundo externo variam de indivíduo. Mas, intrinsecamente, todos têm pontos em comum, como a constituição física, as emoções, os sentimentos, o intelecto, a vontade, a capacidade de amar e de crer em Deus.

Em síntese, na vida do ser humano encontramos os seguintes pontos, comuns a todos:

- seu corpo físico
- as emoções
- os sentimentos
- a inteligência
- a vontade
- a fé

Isso é muito claro, óbvio, nem precisaria de comentários adicionais não fosse o objetivo que temos em mente, e que é:

O homem sabe que é tudo isso, que dispõe de todas essas qualificações. É como um maestro que tem à sua frente uma série de instrumentos musicais. Mas, e daí? Para que servem os instrumentos todos, isoladamente? Mesmo que cada um deles começasse a funcionar, executando notas musicais desordenadas, sem ritmo definido, cada um deles expressando o melhor de si mesmo, mas sem unidade, sem harmonia, sem conjunto. Que valor teria? Que utilidade teria? A finalidade de tê-los todos reunidos seria a desordem, a desarticulação geral, ou a unidade, o conjunto harmoniosamente funcionando? Onde está o belo, o correto, o útil, o sadio, o harmonioso - na desunião e separatismo, ou na união e coesão das partes?

Há uma finalidade, um objetivo a alcançar na vida humana.

Espontaneamente, o homem quer "ser feliz", ter saúde, viver em paz, em harmonia, consigo mesmo e com os outros. Ninguém, sinceramente, busca a desordem, a anarquia, a destruição, própria e dos outros, a não ser como ação volitiva especial, aliás muito em moda hoje em dia, contra condições de vida injustas, ilegais, desumanas, em muitas partes do mundo. Tais ações não são normais e intrínsecas à natureza humana. São expressões esporádicas, decorrentes de condições especiais, anormais à ordem natural das coisas. Existem, mas não como constante em todos os seres humanos. São anomalias, de duração temporária.

O "maestro" ser humano é obrigado, para cumprir a finalidade de sua vida, a aprender a manejar os "instrumentos musicais" que a vida lhe entrega, e executar as "melodias" que lhe proporcionem a alegria e bem-estar que "precisa", vitalmente, usufruir dos mesmos. A grande conquista humana está em saber como tirar verdadeiras "sinfonias de vida", de seus instrumentos, com ritmo ordenado, notas claras e harmoniosas, com melodias bem sonantes, agradáveis e belas.

A verdade, porém, na vida prática, no dia-a-dia de todos nós, é que raramente encontramos bons "maestros", ou deparamo-nos com "lindas e suaves melodias", agradáveis de ouvir. Na realidade, vivemos num caos e confusão de sons desbaratados, altos demais, que nos ferem os ouvidos. Todos sonham e suspiram pela harmonia e quietude da paz, da alegria terna, da felicidade completa, da convivência fraterna, da apreciação da natureza.

No entanto, para sermos justos, todos os "instrumentos" que o Criador colocou à nossa disposição são perfeitos em si mesmos. A imperfeição está na utilização deles. Está em quem os usa. Assim também com a natureza que nos rodeia, na qual da qual vivemos materialmente. É perfeita, foi criada perfeita. O modo de a olharmos, ou como dela participamos, a forma de convivermos com ela - aqui é que está o problema. A falha é nossa, subjetivamente nossa. Nossos preconceitos, nossas ilusões mentais, nossos pensamentos vãos, nossas frustrações pessoais, nossos desejos imoderados, nosso egoísmo irracional - tudo isso acaba criando véus e mais véus ilusórios entre nós mesmos e a realidade do mundo - sejam pessoas ou coisas. Estas, em si mesmas, foram criadas perfeitas. São de natureza perfeita. O homem, com sua mente, por ignorância, por falta de humildade, é quem imperfeiçoa o que é naturalmente perfeito, é quem mal-usa o que é impessoalmente "bom" e "correto".

Enfim, o homem, perfeito como Deus o criou, com todas as riquezas da natureza que Deus também criou de forma perfeita e as colocou à disposição do ser humano, com a capacidade intelectual de recriar, de transformar e até modificar as leis da natureza, com tudo isso ao seu alcance, não é feliz. Paradoxalmente, podendo viver em um paraíso, o próprio homem tem transformado seu habitat global em um verdadeiro inferno.

Os "instrumentos" do ser humano - algumas considerações

O corpo físico é o primeiro deles. Se considerado e tratado como um elemento de perfeição da natureza, poderá se desenvolver e manter-se sempre sadio e harmonioso, perfeito como Deus o criou. Basta que o homem siga o exemplo da natureza, em sua moderação, naturalidade, higiene e lei do descanso. O que estraga a saúde do corpo são os alimentos anti-naturais, a imoderação principalmente na ingestão excessiva, e indevida, de alimentos. Os hábitos artificiais da vida nas grandes cidades, a falta de higiene generalizada, e a desobediência às leis do descanso, naturais, imprescindíveis.

É claro que pode ocorrer o imprevisto, seja pelas heranças genéticas ou por acidentes inesperados - para impedir o desenvolvimento sadio da pessoa. Ainda assim, o próprio homem, pelos recursos da ciência e tecnologia, muito pode fazer para corrigir as imperfeições existentes, permitindo à pessoa recuperar a saúde, e mantê-la, encaixando-se, a partir de então, aos padrões naturais da própria vida, como Deus a criou.

As emoções são reações subjetivas aos estímulos externos que nos afetam através dos cinco sentidos. É normalmente de ação instantânea, muitas vezes forte, mas de curta duração. A emoção é intrínseca ao ser humano, da qual não pode escapar. Pode, no entanto, ser influenciada por outros fatores, não só os externos. Os sentimentos, a vontade, o intelecto, a fé - são fatores internos que influenciam também o tipo de emoção demonstrado pela pessoa em reação aos estímulos de fora. Cada ser humano reage emocionalmente de forma diferente, dependendo dos vários fatores internos, inatos e adquiridos. Mas todos se emocionam. Quando há unidade funcional completa no homem, saúde física, sentimentos elevados, intelecto desenvolvido, vontade consciente e fé iluminada - as emoções tomam um lugar natural na vida do ser humano e acontecem sem prejudicar as outras partes de si mesmo. Existem, acontecem, como parte integrante da forma de ser, sem maior influência, e nunca para prejuízo da harmonia e do bem-estar do todo, do ser humano integral. O homem é mais que emoções, algo superior a elas. Apenas com esta compreensão, consciente disso, o homem terá dado um passo muito avançado no caminho da vivência correta, sadia e harmoniosa, com as emoções ocupando o seu devido lugar na ordem natural das coisas.

Os sentimentos são estados internos superiores às emoções, pois têm características mais profundas e duradouras. Não ocorrem tão rapidamente como as emoções, nem desaparecem tão depressa como aquelas. Os sentimentos ocupam parte importante da vida humana, pois é o campo mais utilizado por nosso ser real para suas experiências. Temos um corpo físico, como instrumento de ação no mundo. As emoções são as primeiras reações internas aos estímulos através dos sentidos. Os sentimentos são como que o setor da vida onde guardamos as coisas, subjetivamente, nosso depósito psicológico de experiências. Podemos trazê-las à luz de nossa atenção novamente, como que vivê-las outra vez, analisá-lo, senti-los ainda uma vez, e outras mais. Os sentimentos têm característica de permanência. Ficam conosco, não mudam sempre como as emoções.

No que tange à sua influência e participação na saúde e harmonia do ser, em sua paz e felicidade, o sentimento tem um grau bem maior que as emoções, justamente por ser um estado de ser mais duradouro e profundo. Observe-se alguém sob a ação de sentimentos fortes como o "ódio", o "preconceito racial ou religioso", a "cobiça". Vive feliz tal pessoa? O que sente e o que move à ação, é algo natural, sadio, harmonioso? Traz-lhe paz, satisfação, estabilidade emocional? Claro que não. Tal forma de sentimento não é a natural e sadia. Pelo contrário, é prejudicial e inaceitável pelo ser como um todo. Observa-se que a própria vida criou uma ordem natural das coisas, uma ordem de valores, onde ficam claramente definidos "o certo" e "o errado", o "sadio e harmônico" e o "doentio e desarmônico".

A inteligência e a vontade são duas características do ser humano bem definidas, e situam-se num grau bem elevado no conjunto das qualidades humanas. Para simplificar, a inteligência trata do conhecimento humano, e a vontade do poder de agir. O conhecimento é a soma de todas as experiências, milenares até, da raça humana, no que tange à natureza e seu domínio, as conquistas e as experiências humanas no campo da ciência, da tecnologia, da cultura e das artes. A vontade é a base da ação, interna e externamente. É o que nos faz mover, agir, atuar, persistir. É o motor da vida, como movimento e ação.

No ponto mais alto da escala de valores da vida humana situa-se, inegavelmente, a fé. Fé como motivação fundamental de vida. Fé como elemento de ligação entre a criatura e o criador. Fé como a forma de consciência mais elevada.

É pela fé que alcançamos a condição de sobrevivência, a coragem de enfrentar a morte com destemor e sabedoria. A "certeza" de quem somos, de onde viemos e para onde vamos. A "convicção" na existência de um Criador. A iluminação interna, a sabedoria verdadeira, a paz real.

A fé é o fator mais importante na vida do homem, pois através dela pode alcançar saúde e harmonia, paz e felicidade, em todos os outros aspectos de seu ser, desde o físico, emocional, sentimental, até o intelectual e volitivo. Faltando-lhe fé, falta ao homem o elemento vital para assegurar a ele o lado "positivo", "sadio", "bom", "correto" de tudo o mais. Sem fé, sua vida será como a de um cego. Pode viver, mas com limitações. Por que não usufruirmos de tudo o que é bom, de lindo, de maravilhoso, que a vida nos dá? Somente a Fé, a verdadeira fé, espiritual, consciente, pode nos dar tal condição.

Todos esses instrumentos, perfeitos em si, são dádivas divinas ao homem. Cumpre a cada um de nós conhecê-los melhor, usufruir deles corretamente, utilizá-los devidamente - conforme Deus os criou e determinou fossem desenvolvidos.

2. A HUMANIDADE - O MACRO-SER HUMANO

A humanidade pode ser vista como um macro-ser humano, ou seja a soma de todos os indivíduos que vivem no planeta. Na verdade, ela é uma projeção coletiva do indivíduo. Um grande organismo, do qual os seres humanos, individualmente, são as células. Nações, raças, e outras formas de agrupamentos humanos, são como órgãos distintos do inteiro corpo da humanidade. Esta é uma forma realista, simplista, natural, de ver a humanidade. Mas é coerente à luz da razão.

Óbvio, também, é entender que tudo aquilo que afeta a parte afetará o todo, o que tange ao indivíduo influencia também a humanidade.

E tudo o que se disse com relação ao indivíduo, em seus aspectos físico, emocional, sentimental, intelectual, volitivo e espiritual, pode ser transferido para o conceito de humanidade, como a somatória planetária das partes individuais.

Coletivamente, porém, surgem outros elementos na ordem natural das coisas, criando uma total interdependência entre as partes, se é para haver "saúde" coletiva, bem-estar, paz, progresso e convivência harmoniosa entre todos. As nações, por exemplo, de um lado têm de prover as condições internas para seus cidadãos terem uma vida condigna em todos os sentidos, mas não podem teimosamente manterem-se isoladas de outras nações do mundo, não desejando participar igualmente no bem-estar e dignidade de vida de outros seres humanos, embora de outra nacionalidade, ou de outra raça, religião, costumes e tudo o mais. Uma nação, nos dias atuais, devido ao progresso alcançado pela civilização humana, suas comunicações mundiais instantâneas, o conhecimento e utilização de todas as regiões do globo, pela convivência internacional entre as pessoas, pela diminuição real das distâncias, pelas facilidades que a tecnologia tem criado, pelo crescente sentimento universalista entre as populações - por tudo isso e muito mais, não pode querer ignorar mais sua condição de co-partícipe da planetização das nações. Ou, nas palavras de Bahá'u'lláh, o Fundador da Fé, não pode mais deixar de reconhecer que "A Terra é um só país, e os seres humanos seus cidadãos."

Outro aspecto característico dos "órgãos" nacionais do inteiro "corpo" da humanidade, são as condições e recursos que podem e devem ser criados para ajudarem no desenvolvimento individual e coletivo das pessoas. Um cientista, por exemplo, tem a capacidade individual de pesquisar, de fazer descobertas úteis, mas, sozinho, não teria as condições e os recursos para o seu trabalho. A sociedade provê os meios para tanto. Assim, para a alimentação correta, para a educação, para o tratamento da saúde, para os entretenimentos, para o turismo, para o intercâmbio internacional, etc., etc. Tanto internamente, como no aspecto internacional, a existência de "órgãos" coletivos, diferentes, com objetivos e campos de trabalho específicos, são úteis e necessários para o correto funcionamento do "corpo inteiro da humanidade".

Portanto, além de ser a soma dos indivíduos que a compõem, a sociedade é uma entidade a parte, supra-individual naquilo que diz respeito à organização e manutenção de condições de vida para os indivíduos que a integram. No fundo, porém, uma sociedade será sempre a soma das unidades individuais.

As diferentes formas de sociedade existentes no mundo são como diferentes indivíduos. Sociedades mais ricas, ou menos ricas, indivíduos ricos, ou pobres. Sociedades capitalistas, ou socialistas. Ou mistas. Projeções de como pensam os indivíduos, principalmente seus líderes. Democracias, ou ditaduras. Indivíduos de mente aberta, ou intransigentes. Realmente, são diferentes tentativas para se chegar a uma melhor forma de vida, individual ou coletiva. São esforços isolados, impulsos decorrentes de cogitações mentais particulares. Não têm a certeza da vontade, a convicção da perfeição. É aquilo que acham ser melhor. Auto-sugestionam-se até. Buscam justificativas sobre justificativas para se convencerem de que estão certos. Acabam crendo sinceramente estarem no caminho correto. E chegam até o ao ponto de quererem impor suas idéias e modo de vida aos outros, achando que estão errados, "eles" é que estão certos.

Aqui ocorrem os piores males, pois, ou pelo temor de serem atacadas e dominadas por outras sociedades, ou por espírito conquistador e de "ajuda sincera" aos mais carentes, as sociedades passam a se preparar para a defesa, ou para o ataque, dependendo das circunstâncias. Não se cogita de convivência fraterna, de co-existência. Por que? Porque não se chegou ainda à verdade, à realidade mais ampla, mais natural, condizente com a própria vida.

A humanidade, quer vista à luz da conduta individual do homem, quer nas relações existentes entre as comunidades e nações organizadas, já se desviou demais, infelizmente, e sofreu um declínio muito grande, para se redimir, sem outro apoio, simplesmente através dos esforços dos melhores entre seus reconhecidos governantes e estadistas, por mais desinteressados que sejam seus motivos, por mais unida que seja sua ação e ainda que seu entusiasmo e devoção à sua causa sejam incondicionais. Nenhum plano ainda realizável através dos cálculos da mais alta estatística; nenhuma doutrina que os mais ilustres expoentes de teorias econômicas possam ter esperança de promulgar; nenhum princípio que o mais ardente dos moralistas se possa esforçar por incutir, pode, em último recurso, fornecer alicerces adequados para sustentar o futuro de um mundo desvairado.

Shoghi Effendi, "Chamado às Nações", pg. 34

O mundo está angustiado, e sua agitação cresce dia a dia. Sua face se inclina para a desobediência e a descrença...

O Médico Onisciente tem Seu dedo no pulso da humanidade. Ele percebe a enfermidade e, com sua infalível sabedoria, prescreve o remédio. Cada época tem seu próprio problema, e cada alma sua aspiração especial. O remédio necessário para o mundo em suas aflições hodiernas não pode ser o mesmo que uma era subseqüente possa exigir. Ocupai-vos ansiosamente nos requisitos da era em que viveis, concentrando vossas deliberações em suas exigências e necessidades.

Bahá'u'lláh, "A Revelação Bahá'í", pg. 51

A solução correta, portanto, não vem do próprio homem, e sim de seu Criador, a fonte de todas as perfeições. É-nos dada por um Porta-Voz autorizado, infalível, autêntico. Quem é Ele? É o assunto de nosso próximo capítulo.

3. DEUS - SUA MANIFESTAÇÃO AOS HOMENS ATRAVÉS DOS TEMPOS

O Criador Supremo, Deus, em Sua essência, em Sua realidade infinita, não pode ser compreendido pelo ser humano, sua criatura, finita, limitada. Nas lindas palavras de 'Abdu'l-Bahá, o filho de Bahá'u'lláh, nesta oração:

Em nome de Deus, o Supremo! Enaltecido e glorificado és, Senhor, Deus onipotente, Tu, diante de Cuja sabedoria o sábio falha e se vê frustrado, ante Cujo conhecimento o erudito confessa sua ignorância, e diante de Cujo poder o forte se afigura como fraco. O rico, em face de Tua riqueza, atesta sua indigência; o esclarecido, ante Tua luz, se perde nas trevas; a essência de toda a compreensão volve-se para o relicário do Teu conhecimento, e ao redor do santuário da Tua presença, circulam as almas de toda a humanidade.

Como, pois, poderei cantar e descrever Tua Essência, a qual, nem a sabedoria do sábio, nem a erudição do erudito, pode compreender, uma vez que homem algum pode cantar o que não compreende, nem relatar o que não tem capacidade para atingir, enquanto Tu, desde toda a eternidade, és o Inatingível, o Inescrutável. Incapaz que sou de me erguer aos céus da Tua glória e voar nos domínios do Teu conhecimento, apenas posso mencionar Teus sinais, os testemunhos da Tua gloriosa obra.

Por Tua glória! Ó Bem-Amado de todos os corações, Único que pode aliviar o ardente desejo dos que por Ti anseiam! Ainda que todos os habitantes do céu e da terra se unissem para glorificar a mais insignificante de Tuas manifestações, em que e por que Tu Te revelaste, falhariam - quanto mais para louvar Teu Santo Verbo, criador de todos os Teus sinais.

Todo louvor e glória a Ti, de Quem todas as coisas deram testemunho de que és Uno e não há outro Deus, salvo Tu - Tu que, desde toda a eternidade, estás elevado acima de todo igual ou semelhante e, por toda a eternidade, assim haverás de permanecer. Todos os reis são apenas Teus servos e, perante Ti, todos os seres, visíveis e invisíveis, como nada se afiguram. Não há outro Deus além de Ti, o Benévolo, o Poderoso, o Altíssimo.

'Abdu'l-Bahá
"Orações Bahá'ís", pg. 65, Ed. 1983
Ou, nas palavras de Bahá'u'lláh:

Torna-se evidente a todo coração discernente e iluminado que Deus, a Essência incognoscível, o Ser Divino, se acha imensamente exaltado além de todo atributo humano, tais como, existência corpórea, subida e descida, egresso e regresso. Longe esteja de Sua glória uma língua humana celebrar Seu louvor adequadamente, ou um coração humano compreender Seu insondável mistério. Ele está, e sempre esteve, velado na eternidade antiga de Sua essência, e há de permanecer oculto em Sua realidade, oculto para sempre da vista dos homens. "Nenhuma visão o abrange, mas Ele abrange toda a visão. Ele é o Sutil, que percebe todas as coisas...

"A Revelação Bahá'í, pg. 17

Porém, Deus não abandonou suas criaturas a si mesmas, nem deixou-as sem orientação e ajuda, para que pudessem entender as razões de sua existência e pudessem cumprir seu destino glorioso. Tal manifestação de Deus aos homens ocorre através de Mensageiros escolhidos, os Fundadores das grandes religiões reveladas que têm surgido, de épocas em épocas, para revelar a Palavra de Deus, inspirados por Ele próprio, o Criador supremo. Nas palavras de Bahá'u'lláh:

Estando a porta do conhecimento do Ancião de Dias assim fechada ante a face de todos os seres, determinou Aquele que é a Fonte da graça infinita - segundo Suas palavras: "Sua graça transcendeu todas as coisas; Minha graça envolveu a todos" - que aparecessem do reino do espírito, aquelas luminosas Jóias de Santidade na nobre forma do templo humano, manifestando-se a todos os homens, para que dessem ao mundo o conhecimento dos mistérios do Ser imutável, e relatassem as sutilezas da Sua imperecível Essência.

Todos esses Espelhos santificados, todas essas Auroras da glória antiga, são os Representantes na terra Daquele que é o Orbe do universo, que é a Essência deste e seu Propósito final. Dele recebem o conhecimento e o poder; Dele derivam a soberania. A formosura que lhes adorna o semblante é apenas um reflexo de Sua imagem, e o que revelam, um sinal de Sua glória imorredoura. São os Tesouros do conhecimento divino e os Repositórios da sabedoria celestial. Por eles é transmitida uma graça que é infinita, e revelada a luz que jamais se esvairá...

Estes tabernáculos de santidade, estes espelhos primazes que refletem a luz da glória perene, são apenas expressões Daquele que é o Invisível dos Invisíveis. Pela revelação destas Jóias de virtude divina, manifestam-se todos os nomes e atributos de Deus, tais como poder e conhecimento, majestade e domínio, misericórdia e sabedoria, glória, generosidade e clemência.

Estes atributos de Deus não são, e nunca foram, concedidos especialmente a certos Profetas e negados a outros. Não, todos os Profetas de Deus, Seus favorecidos, santos e escolhidos Mensageiros, são, sem exceção, os portadores dos Seus Nomes e incorporam Seus atributos. Diferem somente na intensidade de suas revelações, na potência comparativa de sua luz.

"Seleção dos Escritos de Bahá'u'lláh", pg. 40

Cada Mensageiro de Deus é a resposta certa para a época em que vive. Ele traz a solução adequada para todos os problemas humanos, pois recebe seu conhecimento da Fonte suprema da Vida. É iluminado e inspirado, divinamente. Krishna, Zoroastro, Moisés, Jesus, Buda, Maomé, e mais recentemente o Báb e Bahá'u'lláh, foram Mensageiros de Deus.

Há que se entender que tais seres especiais têm uma dupla natureza. Têm sua condição divina, como Porta-vozes escolhidos de Deus, e também a sua condição humana. Bahá'u'lláh explica bem essas duas condições na vida dos Mensageiros divinos que têm surgido na Terra:

Cada um destes manifestantes de Deus tem um grau duplo. Um é o da pura abstração e da unidade essencial. Neste respeito, se o chamares a todos por um só nome e lhes conferires o mesmo atributo, não te terás desviado da verdade. Assim como Ele revelou: "Nenhuma distinção fazemos Nós entre quaisquer de Seus Mensageiros!

É claro e evidente a ti que todos os Profetas são os Templos da Causa de Deus, embora aparecendo adornados de vestes diversas. Se observares com olhos discernentes, verás que todos habitam no mesmo tabernáculo, voam no mesmo céu, se sentam no mesmo trono, proferem as mesmas palavras e proclamam a mesma Fé. Tal é a unidade destas Essências do Ser, destes Luminares de infinito e imensurável esplendor! Se um destes Manifestantes da Santidade proclamasse, pois, dizendo: "Sou a volta de todos os Profetas", Ele diria, realmente, a verdade. Também, em cada Revelação subseqüente, a volta da Revelação anterior é um fato, cuja veracidade está firmemente estabelecida...

O outro é o grau da distinção e pertence ao mundo da criação e às suas limitações. Neste sentido, cada Manifestante de Deus tem sua individualidade distinta, sua missão definitivamente prescrita, uma Revelação predestinada e limitações especialmente designadas. Cada um deles é conhecido por um nome diferente, é caracterizado por um atributo especial, cumpre uma certa missão, e lhe é confiada uma Revelação distinta. Assim mesmo como Ele diz: "A alguns dos Apóstolos Nós fizemos exceder aos outros. A alguns Deus falou, e alguns Ele elevou e enalteceu. E a Jesus, Filho de Maria, demos sinais manifestos, e Nós O fortalecemos com o Espírito Santo.

É por causa desta diferença em seu grau e sua missão, que as palavras que provêm desses Mananciais do conhecimento divino parecem divergir. Não fora isso, e todas as Suas palavras - aos olhos daqueles iniciados nos mistérios da sabedoria divina - seriam, na realidade, apenas expressões de uma mesma verdade.

"Seleção dos Escritos de Bahá'u'lláh", pg. 42 / 43

4. FÉ E RELIGIÃO

Fé é a essência da Religião, como que o perfume que se exala de todas as religiões existentes, um perfume comum a todas elas.

Da mesma forma que os Mensageiros de Deus manifestam dois aspectos:

- O comum a todos Eles, que é a graça do Espírito Santo, que faz Deles todos uma idêntica manifestação, renovada de tempos em tempos;

- E o aspecto puramente humano, exterior, no qual cada um tem Sua individualidade própria, com características básicas mas diferentes em sua aplicação, conforme as necessidades da época e do lugar onde eles surgiram e para o estágio de evolução da humanidade à qual se dirigiram.

Fé é o ponto comum de todos Eles e de todas as Religiões, o seu aspecto imanente, vital, perene. É a expressão mais pura do Espírito Santo.

Religião é a expressão externa da Fé, no tempo e no espaço, variando com cada Manifestante. É o conjunto de leis, ensinamentos, cultos, práticas místicas e organização geral das Manifestações de Deus aos homens.

A Fé é como a luz, e as religiões como lâmpadas que revelam a luz. As lâmpadas podem ser diferentes, em formato, tamanho e cor, mas a luz é idêntica em todas elas. A mesma luz, brilhando em lâmpadas diferentes. As mesmas qualidades sob formatos diversos.

Existem e existirão diferentes religiões, mas a Fé que manifestam, da qual são expressões externas, será sempre uma e a mesma. A Fé, permanente, imutável, se renova em cada Manifestação Religiosa.

Por que têm existido muitas Religiões?

Os Escritos Sagrados da Fé Bahá'í explicam com clareza este ponto.

- A Revelação Divina

Sabe tu com certeza que a luz da Revelação Divina, em cada Era, é concedida aos homens em proporção direta à sua capacidade espiritual. Consideremos o sol. Como são fracos os raios no momento em que aparece sobre o horizonte. Quão gradativamente seu calor e sua potência aumentam à medida que se aproxima do zênite, facilitando entrementes, a todas s coisas, a adaptação à crescente intensidade de sua luz. Quão constantemente declina até alcançar o ponto de ocaso. Fosse ele manifestar de súbito suas energias latentes, isso causaria dano, sem dúvida, a todas as coisas criadas... De igual modo, se o Sol de Verdade, nas fases iniciais de Sua Manifestação, revelasse subitamente a plena medida das potências das quais a providência do Todo-Poderoso o dotou, a terra da compreensão humana definharia e seria consumida, pois os corações dos homens não poderiam suportar a intensidade de Sua revelação nem refletir o esplendor de Sua luz. Esmorecidos e acabrunhados, deixariam de existir.

"Seleção dos Escritos de Bahá'u'lláh", pg. 63

A religião é a expressão externa da Realidade Divina. Portanto, deve ser algo vivente, que se mova, que progrida. Se estacionar, se não progredir, carecerá da vida divina - estará morta. Os institutos divinos estão continuamente ativos e evolucionários, e sua revelação, pois, deve ser progressiva e contínua. Todas as coisas estão sujeitas à reforma.

Os Profetas Divinos revelam e fundam a religião, estabelecem leis e princípios celestiais para a orientação da humanidade. Ensinam e difundem o conhecimento de Deus, estabelecem ideais éticos louváveis e inculcam os mais elevados padrões de virtude no mundo humano. Pouco a pouco, porém, interpretações humanas e imitações dogmáticas das crenças ancestrais vêm a nublar esses ensinamentos celestiais, essas bases da religião...

Já que as interpretações humanas e imitações cegas divergem largamente, a desarmonia e a contenda religiosa têm surgido entre os homens, a luz da verdadeira religião se extinguiu e a unidade do mundo foi destruída. Os Profetas de Deus expressam o espírito da união e concórdia. São os Fundadores da Realidade Divina.

Da semente da realidade, a religião cresceu até tornar-se uma árvore cheia de ramos e folhas, flores e frutos. Após algum tempo, esta árvore entrou em fase de decadência. Murcharam e pereceram suas folhas e flores; a árvore envelheceu e deixou de dar frutos. Não é razoável o homem segurar-se à árvore velha, insistindo que sua força vital não tenha sofrido diminuição, que seja inigualável seu fruto e eterna sua existência. A semente da realidade deve ser lançada novamente nos corações humanos, a fim de que cresça uma árvore nova, e seus frutos divinos refresquem o mundo. Assim os povos agora tão divergentes quanto à religião, unir-se-ão, abandonando imitações, e será estabelecida uma fraternidade universal baseada na própria realidade. Cessarão a guerra e contenda entre os homens; todos reconciliar-se-ão como servos de Deus. Pois todos estão abrigados debaixo da árvore de Sua providência e mercê. Deus é bondoso para com todos; a todos dispensa graças, assim como declarou Sua Santidade Jesus Cristo, Deus "faz cair chuva sobre os justos e os injustos"; quer isso dizer, a misericórdia de Deus é universal. Toda a humanidade se acha sob a proteção de Seu amor e mercê, e a todos Ele aponta o caminho do progresso.

"A Revelação Bahá'í", pg. 237

Sabei, seguramente, que a essência de todos os Profetas é uma única. Sua unidade é absoluta. Deus, o Criador, diz: 'Não há distinção entre os Portadores da Minha Mensagem. Todos têm apenas um propósito; o segredo Deles é o mesmo'. É claro e evidente, portanto, que qualquer variação aparente na intensidade da luz por Eles transmitida não é inerente à própria luz, mas antes deve ser atribuída à receptividade variável de um mundo sempre em transição. Cada Profeta, a quem o Todo-Poderoso e Incomparável Criador propôs mandar aos povos da terra, foi enviado com uma Mensagem e encarregado de agir de modo que melhor satisfizesse as exigências a era em que apareceu.

Bahá'u'lláh
"Kitáb-i-Iqán", pg. 67

"A vida e o progresso do homem são dependentes da Palavra de Deus. Em eras passadas a humanidade estava dividida por oceanos, montanhas, florestas, desertos - todas as barreiras físicas que a invenção moderna justamente agora acaba de sobrepujar. Esta é uma razão porque tem havido muitos Reveladores da Palavra de Deus; para que todo o gênero humano pudesse recebê-la.

Há uma outra razão. A religião corrompe-se, perde seu vigor inicial e degenera em instituições sem nenhuma força espiritual para revigorar a vida interior do homem, e deve, portanto, ser renovada e purificada. Isso se consuma através da influência de um novo Messias... um outro Pregador.

Há ainda outra razão. O homem, através de etapas sucessivas de civilização e declínio, cresce em entendimento e capacidade social. Por isso necessita, de tempos em tempos, uma maior porção daquela verdade essencial e genuína que é a um tempo alimento de seu espírito e energia para sua nova civilização. Essa verdade é revelada por um Mensageiro Divino.

Bahá'u'lláh ensina:
1 - Que a Revelação Religiosa é progressiva;

2 - Que formas e instituições velhas devem ser substituídas por novas, quando já

não mais atendem aos objetivos para os quais foram criadas;

3 - Que a Revelação está de acordo com as exigências e capacidades do tempo em

que surgem.

(David Hofman, Renascimento da Civilização, pgs. 53 / 54)

5. A PAZ - INDIVIDUAL E COLETIVA - A GRANDE CONQUISTA DESTE FIM DE SÉCULO

O termo PAZ, tanto do ponto de vista de sua aplicação para um indivíduo, como para uma coletividade, engloba os conceitos de "saúde", "harmonia", "bem-estar", "tranqüilidade", "felicidade", "progresso", "fraternidade", "moral", "ética", "cooperação", "segurança", "fé", "firmeza espiritual".

PAZ é a conquista máxima do ser humano, o alvo mais elevado e útil na vida de uma pessoa, ou de uma nação. Idealmente, é o objetivo maior de toda a humanidade. Muitas são as metas, individuais e coletivas, mas todas levam, ou objetivam levar, à conquista da PAZ, na mais legítima expressão do termo, como estado ideal de vida, pois dela decorrem todas as outras conquistas, espirituais, culturais, científicas e materiais que o ser humano mais necessita e pelas quais mais trabalha por alcançar.

Neste fim de século, no entanto, com ameaça de guerra nuclear, com a insegurança crescente em todas as partes, com as crises econômicas assustadoras, a nível mundial até, com a agressividade individual incontrolável, em todas as sociedades, com a descrença, e desespero até, dos valores morais e espirituais, com todos os problemas de fome, da injustiça social, da prepotência dos dominadores, da revolta dos oprimidos, para citar apenas alguns dos pontos mais salientes da confusão e caos generalizados no planeta - é vital que alcancemos a PAZ, definitivamente.

Vivemos hoje uma época em que nos deparamos com a mais séria escolha que jamais foi dada ao homem fazer. Ou nos destruímos praticamente, varrendo do planeta a espécie humana, pelo holocausto nuclear principalmente, ou através de um processo mais lento, mas destrutivo também, e crescente nos dias atuais, formado por toda loucura, incompreensão e ataques mútuos entre pessoas e grupos humanos, dentro das próprias nações, religiões, e classes sociais. Onde deveria haver unidade, compreensão e amor, há total desunião, desentendimento, revolta e agressão. A destruição poderá ser total, imediata, nuclear, ou mais demorada, mas já em andamento, cega, louca, incompreensível, como se observa em tantas partes do mundo.

Que outra opção resta à humanidade?

A PAZ. Não há outra opção. Onde encontrá-la, porém? Como termos a certeza da PAZ?

Os padrões de "saúde", coletiva, tanto os de "saúde", individual; as condições de "paz e harmonia", funcionalmente estáveis, efetivas, tanto para o indivíduo como para as sociedades - não são encontrados nas criaturas humanas, nem nas instituições criadas por inspiração simplesmente humana. Esta é a grande questão, o problema básico da vida, o assunto mais importante nos dias atuais.

Na verdade, nenhuma ação, nenhuma instituição humana, como também nenhuma pessoa atualmente, consegue apresentar uma solução conciliatória, harmonizante, prática e efetiva, aceitável pelos outros, que conduza à PAZ MUNDIAL. O grande dilema é justamente este. Existem muitas pretensas soluções, muitos esforços para a paz, mas uma solução realista ainda não apareceu e muito menos que possa ser aceita pelos povos e grupos conflitantes.

Existe tal solução?

A proposta bahá'í de paz e unidade mundial é algo novo, de origem divina, especialmente revelada para esta era. Vale a pena conhecê-la. Seus aspectos básicos serão tratados a seguir. Os dois capítulos seguintes, por exporem o ponto de vista oficial da Fé Bahá'í sobre os temas que tratam, serão apresentados nas palavras do Intérprete autorizado dos Escritos Sagrados Bahá'ís, Shoghi Effendi, bisneto de Bahá'u'lláh, o Guardião da Fé Bahá'í de 1921 a 1957, quando faleceu. É a grande esperança ao alcance da humanidade, neste fim de século: A PROMESSA DA PAZ MUNDIAL.

6. UMA FÉ MUNDIAL - HARMONIZANTE E CONCILIATÓRIA, MAS COM SOLUÇÕES EFETIVAS

Bahá'u'lláh, referindo-se à transformação levada a efeito por cada Revelação nos modos, pensamentos e maneiras do povo, revela estas palavras: "Não é o objeto de cada Revelação efetuar uma transformação em todo o caráter da humanidade - transformação essa que há de se manifestar, tanto exterior como interiormente, que há de lhe afetar a vida íntima e também as condições externas? Pois se o caráter do gênero humano não se mudasse, a futilidade do Manifestante Universal de Deus se tornaria evidente.

A Fé traduzida por Bahá'u'lláh deve, em verdade - se quisermos ser fiéis às tremendas implicações de sua mensagem -, ser considerada como a culminação de um ciclo, a etapa final em uma série de revelações sucessivas - preliminares e progressivas. Estas, principiando com Adão e terminando com o Báb, têm preparado o caminho, em antecipação - com sempre crescente ênfase - do advento daquele Dia dos Dias no qual Ele, a Promessa de Todas as Eras, haveria de se tornar manifesto.

"Chamado às Nações", pg. 30

Misteriosamente, com lentidão mas com poder irresistível, Deus efetua Seu desígnio, embora o espetáculo com que nossos olhos hoje se defrontam seja o de um mundo desesperadamente enredado em suas próprias maranhas, desatendendo por completo a Voz que há um século o chama a Deus, e miseravelmente servil às vozes de sereia que tentam seduzi-lo ao vasto abismo.

Não é outro o desígnio de Deus, senão o de inaugurar - por meios que somente Ele pode usar e cuja plena significação Ele, tão somente, pode sondar - a Grande Idade Áurea de uma humanidade desde longo tempo dividida e angustiada. Seu estado atual é negro, como também o será seu futuro próximo - lastimavelmente negro. Seu futuro remoto, porém, será radiante, gloriosamente radiante - tão radiante que nenhuma visão o pode abranger.

"Chamado às Nações", pg. 33

A Fé que se identifica com o nome de Bahá'u'lláh não admite qualquer intenção de menosprezar um Profeta anterior, de Lhe diminuir um ensinamento ou ofuscar, no mínimo grau, o brilho de Sua Revelação, de desarraigá-lo dos corações de Seus adeptos, de abrogar os fundamentos de Sua doutrina, de rejeitar qualquer dos Livros revelados ou suprimir as legítimas aspirações de Seus aderentes. Repudiando o suposto direito de qualquer religião de ser a revelação final de Deus ao homem, inclusive Sua própria Revelação, Bahá'u'lláh inculca o princípio básico de ser relativa a experiência religiosa, contínua a Revelação Divina, progressiva a experiência religiosa. Visa Ele a alargar a base de todas as religiões reveladas, e desvendar os mistérios de suas escrituras. Insiste sobre o reconhecimento incondicional de sua unidade de propósito, expressa novamente as eternas verdades que todas elas encerram, coordena-lhes as funções, distingue, em seus ensinamentos, o essencial e autêntico do não-essencial e espúrio, separa as verdades de origem divina das superstições de procedência sacerdotal e, nesta base, proclama ser possível, e até inevitável, sua unificação e a consumação de suas mais altas esperanças...

Nem se deve pensar, por um momento sequer, que os seguidores de Bahá'u'lláh procuram degradar ou menosprezar a posição dos dirigentes religiosos do mundo, sejam cristãos, maometanos ou de qualquer outra Fé, contanto que sua conduta esteja em harmonia com sua profissão e digna da posição que ocupam. "Aqueles sacerdotes", Bahá'u'lláh afirmou, "... que realmente se aformoseiam com o adorno do conhecimento, e de um caráter reto, são como uma cabeça para o corpo do mundo, como olhos para as nações. A orientação dos homens tem dependido em todos os tempos, e ainda depende, dessas almas abençoadas."...

"Chamado às Nações", pgs. 28 / 29

O Tabernáculo da Unidade", proclama Bahá'u'lláh em Sua Mensagem a todo o gênero humano, "já se erigiu; não vos considereis um ao outro como desconhecidos... De uma só árvore sois todos vós frutos, e de um mesmo ramo as folhas... O mundo não é mais que um país, e a humanidade seus cidadãos... Não seja glória para o homem amar a seu país, e sim amar à sua própria espécie.

"Chamado às Nações", pg. 45

Não haja dúvida quanto ao propósito animador da Lei Universal de Bahá'u'lláh. Longe de mirar à subversão dos alicerces existentes da sociedade, ela visa a lhe alargar a base, remodelar as instituições de maneira consoante com as necessidades de um mundo sempre em transformação. Não pode estar em conflito com nenhuma obrigação legítima, ou minar nenhuma lealdade essencial. O seu fim não é abafar a chama de um patriotismo são e inteligente no coração do homem, nem abolir o sistema de autonomia nacional que é tão indispensável como freio aos males da centralização excessiva. Não deixa de tomar em consideração, nem tenta suprimir, a diversidade de origem étnica, de clima, de história, de idioma e tradição, de pensamento e hábito, que diferencia os povos e as nações do mundo. Clama por uma lealdade mais ampla, uma aspiração maior que qualquer outra que já tenha animado a raça humana. Insiste em que os impulsos e interesses nacionais sejam subordinados às necessidades imperativas de um mundo unificado. Repudia a centralização excessiva por um lado e, por outro, rejeita toda as tentativas de uniformidade. O seu lema é a unidade na diversidade, como o próprio 'Abdu'l-Bahá tem explicado:

Considerai as flores de um jardim. Embora diferem em espécie, cor e forma, desde que sejam, no entanto, refrescadas pelas águas da mesma fonte, revivificadas pelos sopros de um só vento e revigoradas pelos raios de um único sol, sua diversidade lhes aumenta o encanto e realça a beleza. Pouco nos agradaria aos olhos, se todas as plantas e árvores desse jardim, com seus ramos, suas flores e folhas, e seus frutos, fossem da mesma forma e cor! Diversidade de colorido e formato enriquece e adorna o jardim, realçando seu efeito. Outrossim, quando se reúnem várias nuanças de pensamento, temperamento e caráter sob a influência e o poder de uma só força central, revelam-se e realçam-se a beleza e a glória da perfeição humana. Nada, a não ser a potência celestial da Palavra de Deus, a qual rege e transcende a realidade de todas as coisas, consegue harmonizar os pensamentos divergentes, e as várias idéias e convicções dos filhos dos homens.

"Chamado às Nações", pgs. 45 / 46

O Chamado de Bahá'u'lláh é dirigido primariamente contra todas as formas de provincialismo e liberalismo e todos os preconceitos. Se os ideais de há muito nutridos e as instituições honradas desde os tempos imemoriais, se certas hipóteses sociais e fórmulas de religião já não promovem mais o bem-estar dos homens em geral, se não correspondem mais às exigências de uma humanidade sempre em evolução - que sejam então repelidos e relegados ao limbo das doutrinas obsoletas e esquecidas. Por que, em um mundo sujeito à lei inalterável de transformação e decadência, devem esses estar isentos da deterioração que há forçosamente de alcançar toda instituição humana? Pois o fim único das normas legais, das teorias políticas e econômicas, é a proteção dos interesses da humanidade inteira e não que a humanidade deva ser crucificada a fim de se preservar a integridade de qualquer lei ou doutrina.

Não se iludam. O princípio da Unidade do Gênero Humano - em torno do qual giram todos os ensinamentos de Bahá'u'lláh - não é apenas uma exibição de emocionalismo pouco inteligente, nem a expressão de uma vaga e piedosa esperança. O seu apelo não é meramente para ser identificado com um renascimento do espírito de fraternidade e benevolência entre os homens, nem tão pouco é o seu fim apenas a promoção da cooperação harmoniosa entre os diferentes povos e nações. Significa algo mais profundo, pretende algo mais do que qualquer dos Profetas da antiguidade pode avançar. Sua mensagem não só é aplicável ao individuo, mas também trata primariamente da natureza daquelas relações essenciais que hão de ligar todos os estados e todas as nações como membros de uma única família humana. Este princípio não constitui a simples enunciação de um ideal; está inseparavelmente associado a uma instituição capaz de incorporar sua verdade, demonstrar sua validez e perpetuar sua influência. Este princípio compreende uma transformação orgânica na estrutura de nossa sociedade humana - transformação como o mundo jamais presenciou. Constitui um desafio, a um tempo audaz e universal, aos critérios obsoletos de credos nacionais - credos que já tiveram seu dia e deve, no curso usual dos acontecimentos, assim como a Providência os determina e controla, ceder seu lugar a um novo evangelho que difere fundamentalmente de qualquer conceito que já existe no mundo, e lhe é infinitamente superior. Exige nada menos que a reconstrução e a desmilitarização do inteiro mundo civilizado - um mundo organicamente unificado em todos os aspectos essenciais de sua vida - seu mecanismo político, sua aspiração espiritual, seu comércio e suas finanças, sua escritura e língua, e que é, no entanto, de uma diversidade infinita no que diz respeito às características de suas unidades federadas.

Este princípio representa a consumação da evolução humana - uma evolução que teve seus primórdios no despontar da vida da família, seu desenvolvimento posterior ao alcançar a solidariedade da tribo, a qual por sua vez levou à constituição da cidade-estado, cuja expansão subseqüente resultou na instituição das nações independentes e soberanas.

"Chamado às Nações", pgs. 46 / 47 / 48

Em uma de Suas Epístolas, elucidando ainda mais Seu nobre tema, 'Abdu'l-Bahá diz o seguinte:

Em ciclos passados, se bem que fosse estabelecida alguma harmonia, a unidade de todo o gênero humano, entretanto, por falta dos meios, não poderia ter sido atingida. Os continentes estavam separados por grandes distâncias e até entre os povos de um mesmo continente, a associação e o intercâmbio de idéias eram praticamente impossíveis. Em conseqüência disso, intercurso, mútuo entendimento, e união entre todos os povos e raças da terra eram irrealizáveis. Hoje, porém, os meios de comunicação têm se multiplicado e os cinco continentes da terra estão virtualmente unidos em um só... Da mesma maneira, todos os membros da família humana, quer povos ou governos, cidades ou aldeias, têm se tornado cada vez mais interdependentes. Não mais é possível que qualquer comunidade subsista por si própria, desde que liames políticos unem todos os povos e nações, e laços de comércio e indústria, de agricultura e educação, dia a dia mais se fortalecem. Assim, pois, na época atual a unidade de todo o gênero humano é realizável.

"Chamado às Nações", pg. 41
7. UMA CIVILIZAÇÃO MUNDIAL - O PRÓXIMO PASSO

A unificação da humanidade inteira é o distintivo da etapa da qual a sociedade humana atualmente se aproxima. A unidade da família, a de tribo, a de cidade-estado e a de nação, foram sucessivamente tentadas e completamente estabelecidas. A unidade do mundo é agora a meta à qual a humanidade, em sua aflição, dirige seus esforços. O processo de formar nações já chegou ao fim. A anarquia inerente à soberania estatal aproxima-se de um clímax. Um mundo marchando para a maturidade deve abandonar esse fetiche, reconhecer a unicidade e a integridade das relações humanas e estabelecer, de uma vez por todas, os instrumentos que melhor possam concretizar este princípio fundamental de sua vida.

"Chamado às Nações", pgs. 69 / 70

A unidade do gênero humano, assim como Bahá'u'lláh a concebeu, compreende o estabelecimento de uma comunidade mundial em que todas as nações, raças, crenças e classes estejam estreita e permanentemente unidas, e em que a autonomia dos estados que a compõem, e a liberdade e iniciativa pessoal dos seus membros individuais, sejam garantidas de um modo definitivo e completo. Tal comunidade mundial, deve abranger, segundo nosso conceito, uma legislatura mundial, cujos membros, os representantes de todo o gênero humano, virão a controlar todos os recursos das respectivas nações componentes e criar as leis que forem necessárias para regular a vida, satisfazer as necessidades e ajustar as relações de todas as raças e povos entre si. Um executivo mundial, apoiado por uma força internacional, executará as decisões dessa legislatura mundial, aplicará as leis por ela criadas, e protegerá a unidade orgânica da inteira comunidade mundial. Um tribunal mundial deverá ajudicar toda e qualquer disputa que surja entre os vários elementos que constituem esse sistema universal, sendo irrevogável a sua decisão. Um sistema de inter-comunicação mundial será adotado que abranja todo o planeta e, livre de qualquer embaraço ou restrição nacional, funcionará com admirável rapidez e perfeita regularidade. Um idioma mundial será criado ou escolhido dentre as línguas existentes e será ensinado em todas as escolas de todas as nações federadas como auxiliar à língua nativa. Uma escrita mundial, uma literatura mundial, um sistema uniforme de moeda, de pesos e medidas simplificarão e facilitarão o intercâmbio e entendimento entre as nações e raças da humanidade. Em tal sociedade mundial, a ciência e religião, as duas forças mais potentes da vida humana, serão reconciliadas, assim cooperando e desenvolvendo-se harmoniosamente. Não mais será a imprensa, sob tal sistema, perniciosamente dominada por interesses, quer particulares, quer públicos, embora dê plena expressão às várias opiniões e convicções do gênero humano; e será livrada da influência de governos e povos querelantes. Os recursos econômicos do mundo serão organizados, suas fontes de matérias primas serão exploradas e completamente utilizadas, seus mercados serão coordenados e desenvolvidos e a distribuição de seus produtos será regulada de um modo eqüitativo.

As rivalidades entre as nações, os ódios e as intrigas, cessarão, e os preconceitos e animosidades de raça serão substituídos por amizade, entendimento mútuo e cooperação. Não mais existirão os motivos de contenda religiosa; abolir-se-ão as barreiras e restrições econômicas e a desmedida distinção entre as classes será eliminada. Desaparecerão a pobreza extrema, por um lado e, por outro, a excessiva acumulação de bens. A quantidade enorme de energia que se desperdiça com a guerra, quer econômica ou política, será dedicada a fins como estes: a extensão do alcance das invenções humanas e do desenvolvimento técnico, o aumento da capacidade produtiva da humanidade, o extermínio das moléstias, a ampliação das pesquisas científicas, a adoção de mais altos padrões de saúde física, a refinação do cérebro humano, a exploração dos recursos do planeta que ainda não foram utilizados ou descobertos, o prolongamento da vida do homem, a promoção de qualquer outro meio de estimular a vida intelectual, moral e espiritual da humanidade inteira.

A meta para a qual a força unificadora da vida impele a humanidade é um sistema federal mundial que regerá a Terra, exercendo uma autoridade inquestionável sobre seus recursos inimaginavelmente vastos, harmonizando e incorporando os ideais de Leste e Oeste, liberto do flagelo da guerra e suas tristes conseqüências, esforçando-se por aproveitar todas as fontes de energia existentes na superfície do planeta - um sistema em que a Força se subordina à Justiça, e cuja vida é sustentada por seu conhecimento universal de um só Deus e sua lealdade a uma Revelação comum.

"Chamado às Nações", pgs. 71 / 72 / 73
8. O DESTINO DA HUMANIDADE

"Todas as nações e raças", escreveu 'Abdu'l-Bahá, "haverão de se tornar uma só nação. Serão eliminados os antagonismos entre religiões e seitas, a hostilidade entre raças e povos, as divergências entre nações. Todos os homens aderirão a uma única religião, terão uma fé comum, fundir-se-ão em uma mesma raça e se tornarão um só povo. Todos viverão em uma pátria comum, sendo esta o próprio planeta."

O que testemunhamos no tempo atual, durante "esta mais grave crise na história da civilização", fazendo lembrar os períodos em que "religiões têm perecido e nascido", é a fase adolescente na lenta e dolorosa evolução da humanidade, preliminar ao alcance da etapa de adulto, da madureza, a promessa da qual se encerra os ensinamentos de Bahá'u'lláh e está entesourada em Suas profecias. O tumulto desta era de transição é característico da impetuosidade e dos instintos irracionais da mocidade, de suas extravagâncias, sua arrogância, sua completa confiança em si própria, sua rebeldia e seu desdém pela disciplina.

Passaram as épocas da infância e da juventude, para nunca mais voltarem, enquanto a Grande Época, a consumação de todas as épocas, que há de assinalar o amadurecimento da humanidade inteira, está ainda por vir. As convulsões deste período transitório, o mais turbulento nos anais da humanidade, são os requisitos essenciais e prenunciam a vinda inevitável daquela Época das Épocas, "o tempo do fim", quando a inépcia e o tumulto da contenda que, desde os primórdios da história, enegrecem os anais do homem, se terão transmudado na sabedoria e tranqüilidade de uma paz perfeita, universal e duradoura, quando a discórdia e a separação dos filhos dos homens serão substituídos pela reconciliação mundial e pela completa unificação dos diversos elementos que constituem a sociedade humana.

Isso será, de fato, o clímax apropriado daquele processo de integração que, principiando com a família, a menor unidade na escala da organização humana, e manifestando-se sucessivamente na formação de tribo, cidade-estado e nação, deverá continuar a operar até atingir seu ponto culminante na unificação do mundo inteiro, o objeto final e a glória suprema da evolução humana neste planeta. Esta é a etapa da qual a humanidade, querendo ou não, se está aproximando, irresistivelmente. É para esta etapa que a vasta e chamejante provação que ora atribula a humanidade, está preparando, misteriosamente, o caminho.

"Chamado às Nações", pgs. 75 / 76

O mundo, em verdade, move-se para seu destino. A interdependência dos povos e nações da terra - não obstante o que digam ou façam os que incentivam as forças divisoras do mundo - já é fato consumado. Compreende-se e reconhece-se agora sua unidade na esfera econômica. O bem-estar da parte significa o bem-estar do todo, e o sofrimento da parte traz o sofrimento ao todo. A Revelação de Bahá'u'lláh - para usarmos Suas próprias palavras - "prestou um novo impulso e fixou uma direção nova" a esse vasto processo que opera presentemente no mundo. Os fogos ateados por essa grande provação são as conseqüências da falha dos homens, por não haverem-na reconhecido. Ainda mais, apressam sua consumação. A longa adversidade mundial, aflitiva, aliada aos caos e à destruição universal, há de convulsionar as nações, despertar a consciência do mundo, desiludir as massas, precipitar uma transformação radical no próprio conceito da sociedade, e coligir, afinal, os membros desunidos e sangrentos da humanidade em um só corpo organicamente unido e indivisível.

Ao caráter geral, às implicações e feições dessa comunidade mundial, destinada a emergir, cedo ou tarde, da carnificina, agonia e destruição dessa grande convulsão mundial, já me referi em comunicações anteriores. Basta dizer que esta consumação, por sua própria natureza, há de ser um processo gradativo e deve primeiro, como o próprio Bahá'u'lláh antecipou, levar à realização daquela Paz Menor que as Nações da terra por si mesmas estabelecerão, pois embora despercebendo ainda Sua Revelação, estão executando, no entanto, os princípios gerais por Ele enunciados. Esse passo momentoso e histórico, envolvendo a reconstrução da humanidade, em conseqüência do reconhecimento universal de ser ela uma só, de formar um todo, conduzirá à espiritualização das massas, uma vez reconhecido o caráter da Fé introduzida por Bahá'u'lláh e admitida a verdade de suas declarações - condição essa essencial àquela fusão final de todas as raças, crenças, classes e nações, e que deve assinalar o surgimento de Sua Nova Ordem Mundial.

Então o amadurecimento da inteira espécie humana será proclamado e celebrado por todos os povos e nações da terra. Içar-se-á, então, a bandeira da Maior Paz. Então a soberania mundial de Bahá'u'lláh - Aquele que estabeleceu o Reino do Pai predito pelo Filho e antecipado pelos Profetas de Deus antes e depois Dele - será reconhecida, aclamada e firmemente estabelecida. Nascerá, então, uma civilização mundial, fadada a florescer e perpetuar-se, uma civilização com uma plenitude de vida que o mundo jamais viu nem pode ainda conceber. Então se cumprirá completamente o Convênio Eterno. Redimir-se-á a promessa encerrada em todos os Livros de Deus, cumprindo todas as profecias pronunciadas pelos Profetas de antanho, sendo assim realizada a visão de videntes e poetas. Então o planeta, galvanizado pela crença universal de seus habitantes em um só Deus, e pela sua lealdade e uma Revelação comum, espelhará, dentro dos limites que lhe forem impostos, as fulgentes glórias da soberania de Bahá'u'lláh, brilhando na plenitude de seu esplendor no Paraíso de Abhá, e se fará escabelo de Seu Trono do alto; será aclamado como o céu terrestre, capaz de cumprir aquele destino inefável que lhe foi determinado desde tempos imemoriais, pelo amor e sabedoria de seu Criador.

"Chamado às Nações", pgs. 80 / 81 / 82

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