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Osmar Mendes : Martha Root - No Brasil, no Mundo, na Eternidade
Marta Root (1872 - 1939)
No Brasil * No Mundo * Na eternidade

Em comemoração do septuagésimo aniversário de sua visita ao Brasil e do Cinqüentenário de seu Falecimento - 1989

"Tu és realmente uma arauta do Reino e precursora do Convênio, e te sacrificas. Mostra bondade para com todas as nações. Estás espargindo a semente que a longo prazo trará milhares de colheitas. Plantas uma árvore que dará folhas, flores e frutos até a eternidade, e cuja sombra crescerá dia a dia em magnitude." - Palavras de 'Abdu'l-Bahá dirigidas à Martha Root.

Martha Louise Root
Mão da Causa de Deus
10/08/1872 * 28/09/1939

"A prosperidade irá aclama-la com mais famosa Mão que "A última Vontade" de 'Abdu'l-Bahá produziu no primeiro século bahá'í" - Shoghi Effendi

Rainha Maria da Rumânia

"E a rainha" - disse Martha Root - "veio encontrar-me na escadaria. Eu a vi em pé, lá, majestosa, uma rainha verdadeira, com seu lindo vestido de veludo preto, sobre o peito um colar de cintilante de pérolas.

... tomamos chá em sua biblioteca particular."

Assim inicia Martha Root a descrição de um de seus seis encontros com a Rainha Maria da Rumânia, este em seu palácio, ela a primeira cabeça coroada a aceitar a Fé Bahá'í e a publicamente dar inúmeros testemunhos de seu amor e veneração por Bahá'u' lláh e 'Abdu'l-Bahá.

Ruhíyyih Khánum escreve em "The Priceless Pearl" - A pérola inestimável - em 1926, numa época em que o Guardião encontra-se literalmente "coberto de aflições", a publicação da declaração da rainha Maria no jornal "Toronto Daily Star", no Canadá, no dia 4 de maio, altamente elogiosa à Fé Bahá'í, uma histórica declaração, seguida de outras no curso de sua visita ao Canadá e Estados Unidos naquele ano, publicadas em cerca de 200 jornais e se constituiu na maior e mais espetacular publicidade da Fé então ocorrida tal fato trouxe muita alegria a Shoghi Effendi.

Ele escreveria a Martha Root, em 10 de julho daquele ano:

"Suas cartas ...deram-me força, alegria e encorajamento numa época em que me encontrava deprimido, cansado e desanimado."

Foram as seguintes as palavras da Rainha Maria ao jornal "Toronto Daily Star":

"Uma mulher, certo dia, trouxe-me um Livro. Menciono-o com inicial maiúscula por ser realmente um glorioso - Livro de amor e bondade, de força e beleza.

Deu-o a mim porque soubera estar eu em pesar e tristeza, precisando de ajuda... Colocou-o em minhas mãos dizendo:

"Vossa Majestade demonstra viver de acordo com Seus ensinamentos,"

E quando abri o Livro (+) vi que continha palavras de 'Abdu'l-Bahá, profeta de amor e bondade, e de Seu Pai, o grande Mestre da boa-vontade e entendimento internacional, o Fundador de uma religião que une todos os credos.

Seus escritos são um grande chamado à paz, ultrapassando todas as dissensões de ritos e dogmas. É uma religião que se baseia no espírito íntimo de Deus e na grandiosa e insuperável verdade de que Deus é amor, significando exatamente isso. Ensina que todos os ódios, intrigas, suspeitas, mas palavras e até mesmo todo patriotismo agressivo estão fora da lei essencial de Deus, e que crenças especiais são apenas coisas superficiais, enquanto que o coração que palpita com o amor divino no conhece tribo ou raça.

É uma maravilhosa Mensagem a que Bahá'u'lláh e Seu Filho, 'Abdu'l-Bahá , nos dão!

Não foi estabelecida de forma agressiva, conscientes que eram de que o germe da verdade eterna que se encontra em seu âmago somente poderá criar raízes e espalhar-se.

Existe somente uma grande verdade nela: o AMOR, que é a fonte de toda energia, de tolerância com o próximo, de compreensão mútua, conhecimento, ajuda e perdão, uns com os outros.

A Mensagem de Cristo renovada, quase nas mesmas palavras, apenas adaptadas aos mil e tantos anos que nos separam do ano 1 dos dias atuais. Através desse Livro nenhum ser humano falhará em se tornar melhor. Recomendo-O a todos vocês.

Se alguma vez o nome de Bahá'u'lláh, ou de 'Abdu'l-Bahá, chegar à sua atenção, não ponham de lado Seus Escritos. Pesquisem em Seus Livros e deixem que Suas Palavras e lições, que trazem paz e geram amor, penetrem fundo em seus corações, como penetraram no meu.

O dia de cada pessoa, sempre ocupado, parece não permitir espaço para a religião, ou, a pessoa deve ter uma religião que a satisfaça inteiramente. Mas os ensinamentos desses meigos, sábios e bondosos homens são compatíveis com todas as religiões e até com religião alguma. Busquem a Eles e serão mais felizes." 2

SUA VIAGEM AO BRASIL

Ó se eu pudesse viajar, ainda que a pé e na máxima pobreza, a essas regiões e, erguendo o chamado de "Yá Bahá'u'l-Abhá" em cidades, aldeias, montanhas, desertos e oceanos, promover os ensinamentos divinos! Isso, infelizmente, eu não posso fazer. Quão intensamente eu lamento! Apraza a Deus que vós o possais fazer. - 'Abdu'l-Bahá

Ao ler essas palavras do Mestre, em 1918, Martha Root decidiu viajar pelo mundo e tentar fazer aquilo que Ele deplorava Tensamente não poder fazer e que implorava " Apraza a Deus que vós o possais fazer."

Martha escreveu a 'Abdu'l-Bahá expressando seu desejo de lançar as sementes de Seu amor e Ele respondeu que ela conseguiria resultados de grande alcance e confirmações extraordinárias. O Mestre escreveu-lhe também dizendo que, apesar do enorme desejo de que ela O visitasse na Terra Santa.

"O ENSINO ESTA ACIMA DE TUDO E SE VOCÊ CRÊ SER ACONSELHÃVEL. DEDIQUE-SE À DIFUSÃO DA FÉ ATRAVÉS DE TODAS AS REGIÕES DO MUNDO."

Martha Root Iniciou em 1919 sua viagem à América do Sul e durante os seguintes vinte anos viajou e ensinou continuamente, dando a volta ao planeta por quatro vezes. Viajou de navio, de trem, em carros e carruagens. em pequenos barcos e até mesmo a pé.

Viajou no navio ALBAH para a América do Sul, deixando Nova e no dia 22 de julho de 1922. Já para sair encontrou dificuldades. O navio estava previsto para deixar o porto em 21 de junho, mas devido greve da tripulação houve atraso na partida, um grupo de marinheiros chineses substituiu o de americanos que inicialmente viajariam, e mesmo assim o navio permaneceu por oito dias junto à Estátua da Liberdade, esperando a ordem de partida.

Seu trabalho de ensino Iniciou-se durante a viagem, entre os passageiros e a tripulação, especialmente seus oficiais, aos quais devia pedir licença para falar em público, em atividades sociais durante a viagem, e também para deixar livros na biblioteca do navio.

BELÉM - Pará

Depois de duas semanas de viagem, a primeira cidade da América do Sul na qual o navio parou foi Belém, no Pará.

Martha Root aproveitou para visitar o principal jornal da cidade. Ninguém falava inglês lá, nem Esperanto, e Martha não falava português. Mas apareceu um redator que falava francês e com ele ficou combinado que Martha deveria escrever um artigo de mil palavras sobre a Causa Bahá'í e o Esperanto, para publicação no jornal. Ela escreveu em inglês e por sorte encontra ram uma pessoa, o melhor advogado do Pará, que falava inglês e que traduziu o artigo, que foi em seguida publicado. Nove livre tos foram presenteados ao pessoal da redação e com o advogado - Martha criou laços de amizade, o qual mostrou interesse pela Fé.

Assim foram os primeiros contatos para a Fé Bahá'í no Brasil.

RECIFE - PERNAMBUCO

Recife foi a próxima cidade visitada por Martba Root. O navio lá chegou no dia 11 de agosto de 1919.

Também em Recife houve dificuldades iniciais com relação ao idioma. Mas Martha descobriu estar hospedada num dos hotéis da cidade, o Hotel do Parque, uma mulher americana, em viagem de negócios. Martha foi procurá-la e vejam só que coincidência. A mulher em questão era prima de LUA GETSINGER, famosa instrutora bahá'í, que foi uma das primeiras pessoas a aceitar e a servir a Fé nos Estados Unidos. (William Sears escreveu um livro sobre ela, intitulado The Flame).

Seu nome era Lillyan Vegas. Ambas recordaram seu país natal, falaram de Lua, criando-se forte simpatia entre as duas. A sra. Vegas amava muito sua prima, que tinha a sua idade e com a qual conviveu por muitos anos. Depois que as duas se casaram, separaram-se, mas a amizade permaneceu, firme. Assim, quando a sra. Vegas viu em Martha Root uma oportunidade de mostrar seu amor por Lua Getsinger, sua querida prima, procurou ser a mais solicita possível.

Visitaram jornais. Haviam cinco na cidade. Vários artigos foram publicados. Muitos' contatos' feitos. A sra. Vegas servia como intérprete.

MACÉIO - ALAGOAS

O capítulo da viagem de Martha Root à Bahia é realmente algo épico e de um significado místico muito especial. Foi uma prova de fé, muito grande, de parte da arrojada instrutora.

Martha trocou de navio em Recife, embarcando no dia 16 de agosto no ITAPUHY, embarcação brasileira, no qual viajava a sra. Vegas. Na manhã seguinte o navio parou por seis horas na cidade de Maceió. Visitaram os jornais e no "Jornal de Alagoas" foram recebidas pelo sr. JOSÉ MAGALHÃES DA SILVEIRA, seu proprietário e editor chefe, que textualmente disse às visitantes:

"Gostaria de ver um movimento que trouxesse a unidade entre as religiões.

Isso é bom."
Era a favor do Esperanto também.

A mensagem bahá'í foi dada a nove pessoas proeminentes de Maceió, entre diretores de jornais e homens de negócios.

Após o almoço, as duas americanas voltaram ao lTAPUHY, que logo sairia com destino a Salvador.

SALVADOR - BAHIA

Ao se aproximar de Salvador, chegou ao navio a notícia da existência de um surto de febre amarela na cidade. O navio ficou em alto mar e enfrentou uma forte borrasca que deixou muitos passageiros doentes', inclusive Martha Root. A sra. Vegas decidiu não descer e continuar viagem para o Rio de Janeiro. Pequenos barcos levaram os passageiros que decidiram visitar Salvador. Martha foi. Por sorte haviam dois passageiros que falavam inglês. Martha estava com febre alta.

No hotel Sul-Americano contatou o sr. MIGUEL P. SHELLEY "um americano que já por trinta anos tinha negócios no BrasiI. Foi ele o mais importante homem de negócios que ela conheceu no Brasil. O sr. Shelley era também um livre pensador e escritor, e amava tanto a América do Norte quanto a do Sul. Martha explicou a ele o propósito de sua viagem a esta parte do mundo. Ele a encorajou muito, enfatizando que devia contatar os diretores dos jornais e escrever artigos para os mesmos. O sr. Shelley inclusive a levou para conhecer uma senhora, proprietária de um dos jornais da cidade e foi o intérprete durante a entrevista. Dos oito jornais da cidade, três pelo menos foram visitados. Em todos eram deixados livros e folhetos.

Martha contatou também o secretário de agricultura, dr. JOAQUIM ARTHUR PEDREIRA FRANÇA, bem como vários homens de negocias da capital baiana. Devido a quarentena da febre amarela, Martha não sabia quando poderia deixar Salvador. Até mesmo pessoas nativas estavam admiradas da coragem dela em deixar o navio para vir à cidade e aqui ficar sem saber quando poderia continuar sua viagem.

Diziam que talvez tivesse de ficar durante meses em Salvador. Mas, em seis dias viajou. Chegou inesperadamente a Salva dor o navio ITASSUCE, da marinha mercante brasileira, com um carregamento do Rio de Janeiro. O navio foi desinfetado e todos os passageiros que queriam viajar foram examinados por um médico e.assim Martha pôde continuar viagem, desta vez com destino ao Rio de Janeiro.

RIO DE JANEIRO

A viagem ao Rio durou quatro dias. Apenas dois passageiros falavam inglês no navio. Um viajante, de Curitiba, Paraná, recebeu um livro sobre a Fé, afirmando que iria colocá-la na biblioteca pública da cidade.

Martha desembarcou na '"cidade maravilhosa" à tardinha do dia 27 de agosto de 1919. Teve de ir a oito hotéis em busca de acomodação, nada conseguindo. Mas no nono hotel visitado conseguiu lugar. O primeiro jornal que procurou, no dia seguinte, foi o JORNAL DO COMÉRCIO, na época o maior jornal do paIs. Seu editor recebeu-a cordialmente e mostrou-se interessado na Fé, ficando um excelente artigo destacando os princípios bahá'ís. Encaminhou Martha ao presidente da Sociedade Esperantista do Brasil, sediada no Rio de Janeiro.

Em seguida, Martha foi visitar, em Copacabana, a esposa do sr. Shelley e sua irmã, de nome BERTHA THOMAS, que há muitos a nos viviam no Brasil. Viviam em bela e confortável residência no lindo bairro carioca. A causa bahá'í foi o tema principal da conversa com as duas irmãs. No dia seguinte, Bertha acompanhou Martha na visita que fez ao segundo maior jornal da então capital do país, o JORNAL DO BRASIL, servindo de intérprete.

Falaram com o proprietário e editor chefe. Um bom artigo foi publicado na edição de domingo.

A próxima visita foi ao sr. MANOEL CÍCERO, diretor da Biblioteca do Rio de Janeiro, na avenida Rio Branco. Na época, Biblioteca tinha um acervo de 400 mil livros. Os seguintes Iivros bahá'ís foram presenteados, para enriquecer o precioso acervo com literatura bahá''í, até então inexistente na Biblioteca: "Some Answered Questions", "What went ye out to see", "Dinamic Power of the Bahá'í í Revelation", e Um Iivreto com compilações sobre os ensinamentos bahá' ís relacionados - guerra e paz.

Após o almoço, Martha e a sra. Thomas visitaram o dr. EVER DO BACKHEUSER, escritor esperantista, que levou as duas para uma recepção social e durante a qual Martba falou sobre a Fé

Presenteou o escritor com uma cópia do artigo do dr. Esslemont "Ciência e Religião", que trata do Esperanto. Na oportunidade, Martha conversou bastante com o presidente da Sociedade Esperantista do Brasil, sr. ALBERTO COUTO FERNANDES, que inclusive mostrou a Martha alguns artigos em Esperanto sobre a Fé Bahá'í. Martha achou a biblioteca esperantista do Rio de Janeiro a mais completa em todo o mundo, dentre as que conhecera em suas extensas viagens, testemunho este dado anos mais tarde. Deu-lhes - livro "Palestras de 'Abdu'l-Bahá em Londres". A revista esperantista "Brazil Esperantista", de periodicidade mensal, publicou um artigo sobre a Causa Bahá'í.

Jornais cariocas publicaram vários artigos de Martha Root, e também entrevistas com ela e sobre as reuniões com os esperantistas.

Martha falou ainda sobre a Fé na Embaixada Americana, na Escola Brasileira de Aviação Naval, no Exército Brasileiro, na Escola de Aviação, na Câmara do Comércio do Rio de Janeiro. Contatos importantes foram feitos com inúmeras famílias brasileiras, com um proprietário de fazenda de cacau e com homens de negócios dos Estados Unidos, da Inglaterra, da França e do Brasil aos quais ficou conhecendo nas várias reuniões das quais participou nas instituições acima citadas.

SÃO PAULO - SP

Martha Root deixou o Rio de Janeiro exatamente às 7 horas da manhã do dia 5 de setembro, rumo a são Paulo, viajando de trem. Também nessa viagem encontrou apenas duas pessoas que falavam inglês. Deu-lhes a Mensagem. Uma delas era uma jovem senhora casada, de Kent, Inglaterra e a outra pessoa um jovem de New Jersey, que estava fora de seu pais há treze anos.

Na grande metrópole paulista, Martha também teve dificuldades para encontrar hotel para ficar. Visitou quatro deles e 50 mente no quinto conseguiu hospedar-se, pagando pelo quarto ; mesmo preço que pagaria em Nova lorque. Assim mesmo teve de ficar no quinto andar do prédio, sem elevador. Os proprietários eram italianos, mas falavam francês.

Martha visitou o jornal O ESTADO DE SÃO PAULO, falando com seu diretor e editor chefe, um advogado sido de nome ASSAD BECHARA. Deu a ele um exemplar do livro "The Bahá'í Revelation". Ele agradeceu, dizendo existirem em São Paulo 15 mil sírios. Martha o visitou por vários dias seguidos.

Outra importante visita foi a que Martha fez ao dr. S.F. DARLING, diretor da Fundação Rockfeller no Brasil. Um exemplar do livro "Divine Philosophy" foi doado à Biblioteca da Faculdade de Medicina. O dr. Darling era famoso no mundo inteiro por seu trabalho, em nome da Fundação Rockefeller, na África, no Panamá, em Java e nas ilhas Fiji, e agora no Brasil. Tal instituição ajudou muito na promoção da profissão médica em nosso país.

SANTOS - SP

Martha viajou no dia 10 de setembro para Santos, de trem. Adorou conhecer o lindo trecho da serra, dessa ferrovia que era reconhecida na época como das mais ricas do mundo.

No dia seguinte, Martha iniciou seus contatos. Visitou a Biblioteca da cidade, que não era uma biblioteca oficial da Prefeitura e sim da "Sociedade Humanitária dos Empregados no Comércio." Seu acervo de livros era de 5 miI exemplares, além das coleções de revistas e jornais de todo o pais. Seu diretor falava inglês, mas não se encontrava na Biblioteca naquela oportunidade. No entanto, Martha pediu ao funcionário para ver 05 artigos de jornais e mostrou a ele as publicações sobre a Fé em uma dezena de jornais. Os funcionários da Biblioteca ficaram felizes ao receber de presente exemplares de livros bahá'ís: 'Abdu'l-Bahá ab London Talks", "Table Talks with 'Abdu'I-Bahá" e o livreto sobre guerra e paz.

À noite, Martha visitou o principal jornal da cidade, liA TRIBUNA", que publicou artigo sobre a Fé m dia seguinte. Os teosofistas, lendo o artigo, convidaram-na para falar em sua Sociedade. Foi aqui que ocorreu algo inesperado para Martha, de grande repercussão para seu trabalho de divulgação da Fé, e para a própria história da Causa Bahá'í no Brasil.

Ficou conhecendo o sr. GUlDO GNOCCHI, presidente da Sociedade Teosófica, que se mostrou muito interessado na Fé e realmente prestou grande ajuda a Martha durante muito tempo, mesmo de pois de sua despedida de Santos. Disse a Martha, textualmente: "Vou trabalhar pela Causa Bahá'í no Brasil. Aprenderei inglês para melhor poder propagá-la e gostaria muito de viajar pelo mundo para divulgar seus ensinamentos."

Nunca ouvira falar de instrutores viajantes bahá'ís. Mas havia sido tocado pela chispa da pé e, como Paulo de Tarso no passado, tivera a visão da realidade. Conversaram durante hoas e Martha deu a ele exemplares dos livros "The Bahá'í Revelation", de Thornton Chase; "Bahá'í Proofs", de 'Abul Fazl; e o "The Divine Plan", de 'Abdu'l-Bahá, além de várias publicações menores.

Quando os amigos de Martha levaram sua ilustre e querida visitante ao cais do porto, para apanhar o navio que a levaria a Buenos Aires, entre os mais entusiasmados encontrava-se o sr. Guido Gnocchi, que inclusive levara com ele um amigo de são Paulo, ao qual falara soBre a Fé, o sr. J.R.GONÇALVES DA SILVA, um livre pensador, ocultista e erudito, que muito se interessou pela Revelação Bahá'í, pedindo literatura para estudar. Ficou também de falar a outras pessoas em são Paulo sobre a Fé.

O sr. Guido leu para o grupo um longo artigo que recém escrevera para um jornal brasileiro, falando da história da Causa Bahá'í, artigo esse que seria publicado na semana seguinte.

Nota: Para os leitores sentirem quão importante foi a amizade feita com o sr. Guido Gnocchi, basta dizer que foi dele o único endereço que LEONORA HOLSAPPLE, depois ARMSTRONG, trouxera consigo quando veio para o Brasil, como pioneira, em 1927.

Martha lhe dera seu endereço, com a anotação de tratar-se de pessoa amiga da Fé e nela sinceramente interessado, e que certamente iria ajudar Leonora a se estabelecer no Brasil, particularmente em Santos, onde ele vivia.

A amizade de Guido com Leonora é também um capítulo muito importante da história da Fé em nosso país, que seguramente os historiadores do futuro irão destacar com detalhes.

MARTHA ROOT - ALGUNS DADOS SOBRE SUA VIDA

Ela nasceu no dia 10 de agosto de 1872, em Richwood, Ohio, Estados Unidos da América. Depois, sua família mudou-se para Cambridge Springs, Pennsylvania. Estudou, graduando-se no Colégio Oberlim e depois ingressou na Universidade de Chicago. Martha tornou-se professora e jornalista. Tinha dois irmãos, que se casaram e constituíram família. Ela foi sempre solteira.

Seu contato com a Fé e como se tornou baha'í é uma história curiosa. Em 1908, participava como jornalista em uma convenção religiosa cristã em Pittsburgh. No encerramento da convenção,muitos dos participantes se reuniram num restaurante para jantar. Martha e seus amigos estavam sentados em uma mesa grande. Todo o salão estava ocupado, restando apenas um lugar na mesa ao lado da de Martha. Um famoso bahá'í da época, o sr. ROY WI LHELM, de Nova Iorque, estava na cidade a negócios. Havia regressado há pouco de uma visita à Terra Santa. Durante a conversa do grupo de Martha, observou o sr. Roy a forma antidogmática com que ela se referia a assuntos de religião. Após o jantar, contatou Martha, falando-lhe da Fé. Ela se interessou e deu a ele seu cartão de visita. De Nova torque, e durante um ano, enviou literatura bahá'í à sua "contato" Martha Root. No inicio, embora tivesse algum interesse pelos livros, não queria ser vista com os mesmos. O primeiro que recebeu deixou-o no balcão de uma farmácia. A dona do estabelecimento encontrou o livro, leu-o e tornou-se bahá'í

Martha Root escreveu, posteriormente: "Por aproximadamente um ano, o sr. Wilhelm enviou-me literatura bahá'í, que eu não lia, mas, para que fosse aproveitada por outras pessoas eventualmente interessadas, enviava o que recebia a líderes teosofistas e a outros livres pensadores...."

Apesar de sua resistência inicial, Martha tornou-se uma investigadora séria da Fé, estudando a fundo seus ensinamentos e suas promessas. Mas foi através de outro bahá'í, THORNTON CHASE, o primeiro crente americano, em encontros em restaurantes, que Martha acabou se declarando, em Pittsburgh, em 1909. A data precisa não é conhecida, sabendo-se apenas que ocorreu no final da primavera naquele país, no mês de maio.

Nota: Devemos tirar uma lição desta narrativa. Muitas vezes, abandonamos nossos contatos por se mostrarem pouco interessados no início. Já imaginaram o que o mundo bahá'í teria perdido se o sr. Roy tivesse seguido o que normalmente fazemos nos dias atuais? Ninguém pode prever o resultado de qualquer contato para a Fé.

Martha Root era uma mulher pequena e frágil, de ternos olhos azuis. Vivia do que ganhava escrevendo artigos para jornais e sempre, na mais rigorosa economia, viajava de terceira classe, comendo o mínimo para seu sustento e vestindo-se com muita simplicidade.

Sua face radiante de cordialidade e amor, transmitia boas vindas.

"Se você quiser dar a Mensagem a alguém", dizia - "deve amá-los e, desta forma, escutarão o que você tem a dizer..."

Fazia de cada reunião uma ocasião especial, pois sentia que "vivemos em momentos, não em anos. Você deve dar sempre alguma coisa, mesmo que seja somente uma flor, algum doce, ou fruta. Reze para que aceitem o Presente Máximo."

Martha Root lutou sempre com muitas dificuldades em seu trabalho para a difusão dos ensinamentos. Seus irmãos, as esposas e outros parentes, não aprovavam as idéias que ensinava.Uma vez tentaram convencer o pai de Martha, sr. T.T.ROOT, que era diácono da Igreja Batista, "que sua filha precisava de ajuda e devia ser impedida de mencionar tais ensinamentos ultrajantes.

Martha imergiu-se em orações e em atividades, demonstrando amor e tolerância ainda maiores para aqueles que dela zombavam."

Sua saúde foi sempre precária e muitas vezes foi obrigada a interromper suas viagens e seu trabalho de ensino, acamada, para tratamento e descanso. Porém, ao menor sinal de energia, levantava-se e continuava suas viagens, suas palestras, seus contatos, escrevendo artigos, dando entrevistas, ensinando incansavelmente... por amor a Bahá'u' lláh.

Outro aspecto destacado de seu trabalho bahá'í foi com relação à literatura. Jamais deixou de levar consigo grande quantidade de livros, livretos e folhetos, para distriBuição a contatos, a bibliotecas, a jornais, a autoridades. E foi extraordinária incentivadora de traduções e publicações de literatura bahá'f em outros idiomas, especialmente do livro do dr. ESSLEMONT, BAHÁ'U'LLÁH E A NOVA ERA."

PESSOAS IMPORTANTES CONTATADAS

Além da Rainha Maria da Rumânia, a mais famosa representante da realeza européia dos contatos de Martha Root, em especial por ter aceito a Fé oficialmente e sobre ela dado tantos e tão lindos testemunhos, sua filha, a Princesa ELIANA, foi outro destaque, a qual inclusive traduziu literatura bahá'í para o idioma romeno.

Mas foram inúmeros os reis, presidentes, membros da realeza e personalidades importantes do mundo que receBeram essa mulher simples e humilde, para dela ouvirem a Mensagem de Bahá'u'lláh ou receberem livros sobre a Fé, através de seus assessores quando não podiam pessoalmente recebê-la, o que poucas vezes aconteceu.

O Rei ZOG, da Albânia, concedeu duas horas de entrevista a Martha Root. O Príncipe PAULO e a Princesa OLGA, da Yugoslávia, também foram contatados muitas vezes. O Presidente MASARYK, da Chekoslováquia, tendo de viajar no dia em que marcara a entrevista com Martha Root, autorizou seu secretário particular recebê-la, lendo depois os livros presenteados a ele,sobre a Fé. A sra. MARIANNE HATNTSCH, mãe do presidente da Áustria, recebeu Martha e demonstrou gostar muito dos ensinamentos bahá'ís.

Dos contatos famosos feitos na Europa, entre tantos, destacamos o feito com LÍDIA ZAMENHOF, filha do criador do Esperanto, da qual nasceu uma forte amizade entre as duas. Lídia traduziu importantes obras bahá'ís para o Esperanto. Outro contato significativo foi o mantido com o secretário do falecido Conde LEO TOLSTOY, famoso escritor russo que escrevera lindas referências sobre Bahá'u'lláh. Marcante, também, foi a entrevista de Martha com o dr. AUGUST FOREL, o qual havia recebido histórica e conhecida Epístola de 'Abdu'l-Bahá.

Tarefa quase impossível citar todos os importantes contatos feitos por Martha Root no mundo inteiro. E os milhares de contatos que fez com pessoas comuns, especialmente nos países mais pobres que visitou, como a Índia, Burma, e dezenas de outros.

JANET SCHOEN, em seu livreto "O AMOR QUE NÃO ESPERA", publicado em português também, escreveu que Martha Root "exemplificou o amor universal e não possessivo do amado MESTRE; ninguém era de classe superior ou inferior para Martha, pois todos eram almas que necessitavam da mensagem curadora de Bahá'u'lláh.

Ela foi a personificação de um amor que nada aguardava em troca e que apenas queria seguir adiante, ainda que fosse com sacrifício sincero de sua personalidade" de seu tempo e de suas forças."

Martha Root deixou este mundo no dia 28 de setembro de 1939 em Honolulu, no Hawai. O mausoléu erigido em seu túmulo foi pa 90 pelo Guardião, em homenagem à sua memória e um tributo à posteridade para demonstrar seu reconhecimento pelo trabalho e dedicação dela pela Fé.

SUAS VIAGENS PELO MUNDO

"Foi uma propagadora de Bahá'u'lláh, incomparável e de grande coração", disse sobre ela o amado Guardião.

Tinha 47 anos de idade quando partiu para o Brasil e outros países da América do Sul, em sua primeira grande viagem de ensino, e quase 70 anos quando faleceu, no Hawai, ainda numa viagem de ensino.

Nesse período, deu volta ao mundo por quatro vezes, visitando terras longínquas em todos mo o Japão, a China, a Índia, tantos outros, toda a Europa, Austrália, o Irã, a Turquia, e tantos outros, toda a Europa, a África, as Américas e os estados de seu país natal.

Esta não é uma obra biográfica, mas apenas uma coletânea de trechos de várias publicações sobre Martha Root, para tentar mostrar alguns aspectos e alguns fatos da vida da maior divulgadora da mensagem bahá'í em todos os tempos, para nossa inspiração de trabalho aqui no Brasil. E para que possamos, meditando a respeito, realizar o que até agora não reaIizamos no ENSINO, pensando que faltam apenas 3 anos para o Centenário da Ascensão de nosso Bem Amado, quando se encerra o Plano de Seis Anos.

Martha Root foi uma mulher comum, aos padrões de apreciação humana. Mas, aos olhos de Bahá'u'lláh e por Sua graça e ajuda, mostrou ser uma condigna representante da nova raça de seres humanos criada pelo Mensageiro Divino.Todos os bahá'ís têm a mesma condição, potencialmente, e poderão criar oportunidades semelhantes às que Martha criou e bem as aproveitou para ensinar a Fé, numa versão, obviamente, para os dias atuais.

As promessas de Bahá'u'lláh continuam válidas. O mundo continua carente de amor, de luz espiritual e dos ensinamentos divinos.

A escolha, ainda uma vez,é nossa! ELE está, e estará sempre, pronto para nos utilizar como instrumentos de Sua Fé, de Seu poder, de Seu Amor e ele Sua Sabedoria.

Os dados a seguir cobrem apenas alguns episódios, atinentes ao escopo desta obra, com relação a visitas feitas por Martha Root ao Irã, ao Egito, à Índia e ao Hawai.

IRÃ

Visitou no Irã praticamente todas as cidades ligadas historicamente ao início da Fé, como Teerã, Shíraz, Tabríz, Isfahan, Yazd, Hamadãn, Qazvin, Kashan e Bushir, numa viagem que durou 4 meses, em 1930. Escreveria mais tarde, recordando a realização desse sonho de muitos anos - o de visitar a terra natal do Báb, de Bahá'u'lláh e de 'Abdu'l-Bahá:

"Pérsia, a terra abençoada de Bahá'u'lláh! Vivi uma vida inteira nesses quatro meses... Agradeço a Ele por Sua Bondade e Favor..."

Em QAZVIN, a cidade natal de Táhirih, uma das Letras da Vida, a única mulher entre os primeiros dezoito seguidores do BÁB, martirizada em Teerã em 1852, Martha Root conseguiu entrevistar-se com muitos de seus familiares, fez inúmeras pesquisas, das quais originou-se o livro que escreveria mais tarde, intitulado: "Táhirih, A Pura - a maior mulher do Irã"

Visitou também os túmulos dos inesquecíveis e bem-amados mártires, ALI MUHAMMAD VARGÁ e seu filho RÚHU'LLÁH VARGÁ, situados próximos de Teerã, escrevendo depois um lindo artigo sobre· essa emocionante visita, sob o título "ROSAS BRANCAS DO IRÃ", publicado em português em 1986, no nonagésimo aniversário de seus martírios.

EGITO

De sua viagem ao Egito, apenas,como um exemplo dentre tantos episódios históricos de sua vida de humildade, mas de realizações grandiosas - transcrevemos a seguir o que o sr. AZIZ YAZDÍ, ex-conselheiro do Centro Internacional de Ensino e que participa este ano de nossa Convenção Nacional, escreveu sobre a visita de Martha Root em 1929, quando residia naquele país:

"Eu era bem jovem quando a conheci em Porto Said, Egito, em sua vi agem rumo à Terra Santa. Ensinou-me Esperanto, dando-me sua primeira lição e ajudando-me a organizar o primeiro grupo de esperantistas do Egito.

Nesta viagem, foi até o Cairo para uma entrevista marcada com o príncipe MUHAMMAD ALÍ, sobrinho do Rei FUAD do Egito. Viajou de terceira classe, sentada em banco de madeira.

Quando chegou ao Cairo, uma delegação do príncipe estava na estação ferroviária para recepcioná-la. Procuraram-na primeiro nos vagões da primeira classe. Não a encontraram.Tentaram, então, os compartimentos da segunda classe do trem: Em vão também. Quando já iam embora, observaram uma senhora idosa vindo em sua direção, carregando nas mãos sua própria bagagem, procedendo dos vagões da terceira classe. Era Martha Root!

Não obstante isso, o príncipe prestou a ela uma grande homenagem e um respeito muito significativo."

ÍNDIA

Seu trabalho de ensino na Índia, em 1937 e 1938, em todas as camadas da população, foi um marco na história da Fé e precursor da frutificação grandiosa que se observa hoje naquele abençoado subcontinente da Ásia, o país com maior número de bahá'ís e de Assembléias Locais no mundo.

Na Convenção Anual de 1938, a Assembléia Espiritual Nacional da Índia enfatizava no relatório aos delegados:

"O aspecto mais destacado do ano... foram as atividades de ensino de nossa querida irmã Martha Root. Esta estrela-guia do firmamento de Bahá'u'lláh viajou de Bombaim a Mandalay, de Srinagar a Colombo... Martha Root abriu a Índia inteira para nós..."

Shoghi Effendi escreveu a Martha, em 25 de janeiro de 1939:

"A Índia está agitada de tantos elogios e admiração por você. O que você realizou naquele país é verdadeiramente histórico e maravilhoso."

Martha compareceu a uma reunião de despedida em sua homenagem, no dia 27 de dezembro de 1938, dirigindo as seguintes palavras proféticas aos amigos que estava por deixar:

"Tivemos o privilégio concedido por Deus de trabalharmos juntos durante quinze meses e meio; éramos tão felizes porque sempre tivemos unidade perfeita e porque encontramos almas interessadas nestes novos e grandiosos ensinamentos de Bahá'u'lláh. . ."

"Não conheço outro país no qual tivesse tanto deseja do trabalhar, durante tantos meses, para promover esses abençoados ensinamentos como aqui na Índia, a mística Índia, treinada durante tantos séculos por religiões de elevada cultura.

A Índia foi preparada durante seis mil anos para entender bem esta Mensagem de Bahá'u'lláh para os dias de hoje, para um novo Estado Mundial, para uma religião universal, para uma consciência cósmica e para a unidade da humanidade.

A Índia é sensível ao chamado do espírito"

Martha Root encerrou suas palavras com a seguinte promessas:

"Se eu for para o Reino Celestial antes de vocês, pedirei a Bahá'u'lláh para que, por favor, me permita orar por vocês e ajudá-los. E quando forem para o Porto de Abhá, que eu possa lá estar para recebê-los e dar-lhes boas vindas, da forma como vocês me recepcionaram, tão carinhosamente, aqui em seu belo porto de Bombaim."

Deixou Bombaim no dia 29 de dezembro de 1938, com destino a Austrália, Tasmânia e Nova Zelândia. De lá, planejara viajar ao Hawai e, então, para São Francisco, nos Estados Unidos.

Martha havia comemorado seu sexagésimo-sexto ano de vida viajando pelo norte da Índia. O aniversário anterior fora comemorado em Xangai, na China. Comemoraria ainda mais um ano de vida,em 10 de agosto de 1939, o sexagésimo-sétimo, em Honolulu.

HAWAI - SUA VIAGEM PARA A ETERNIDADE.

Seu corpo, porém, pelo câncer que há vinte anos nele se desenvolvia, decorrente de um tumor no seio, enfraquecera muito nos últimos seis meses, com fortes dores nos ossos, particularmente nas costas, transmitindo-se para as pernas, que gradual mente a incapacitava de caminhar, ou mesmo se mover no leito.

Foi acamada que teve comemorado seu aniversário, o 67º, recebendo dezenas de cartas, telegramas, flores e presentes, de muitas partes do mundo. As mensagens eram lidas para ela, poucas por dia, durante vários dias seguidos. Ganhou também um bolo de aniversário, que não pôde comer. Mas ficou feliz em poder assoprar e apagar suas nove velas.

Devido à morfina que lhe aplicavam para aliviar as dores, seus períodos de consciência foram ficando cada vez menores, mas sua dedicação a Fé não mudou. Uma senhora bahá'í, que cuidava dela à noite, HENRIETTE MUTHER, escreveu:

"Martha continua sua missão de ensino, seja nas horas de vigília ou em sonhos. Algumas vezes é a um indivíduo que fala, outras vezes, a uma audiência..."

Martha alternava sua ação no mundo do espírito com o da realidade, escreveu sua biografia M. R. Garis. Às vezes, mos trava-se surpresa quando voltava a este mundo.

Martha ainda escreveu, com ajuda de Henriette, uma linda e carinhosa carta de despedida a seus parentes e amigos, iniciando com a frase:

"Estou tão próxima das praias da eternidade..."

Na quietude da tarde do dia 28 de setembro de 1939 cerrou seus olhos para sempre, mantendo nos lábios um suave e lindo sorriso. Serenamente; demonstrando na face uma paz muito profunda, deixou este mundo.

M.R. GARIS, autora do. livro "MARTHA ROOT - LIONESS AT THE THRESHOLD", encerra sua biografia com esta emocionante imagem:

"Martha embarcara em outra viagem, cujo curso e desconhecido, mas que ela já explorara muitas vezes em espírito.

Nessa viagem não precisará dos inúmeros volumes de bagagem que sempre tinha de carregar consigo. Nem precisará das dezenas de livros de endereços, de sua cozinha portátil, de seus livros e seus manuscritos. Nem necessitará de vistos de entrada,nem mesmo de um corpo físico para se locomover.

Martha embarcou desta vez sem os estorvos e as dificuldades de suas viagens terrenas. Somente seu amor e seu espírito radiante movem-na para a frente, nesta, a mais emocionante de todas as suas viagens."

PALAVRAS DO GUARDIÃO SOBRE MARTHA ROOT

SHOGHI EFENDI designou Martha Root, postumamente, como Mão da Causa de Deus, e escreveu que "A posteridade irá aclama-la com a mais famosa Mão que "A última vontade" de 'Abdu'l-Bahá produziu no primeiro século bahá'í.

Referiu-se a ela como "aquela indômita e fervorosa discípula de 'Abdu'l-Bahá, e que suas grandes viagens de ensino ao redor do mundo, juntamente com as qualidades realmente destacadas, que conquistaram a admiração e o afeto de Shoghi Effendi, fizeram com que a chamasse de "modelo de instrutora bahá'í viajante"

Chamou-a também de "arauta sem par da Causa", e escreveu que "gerações ainda não conhecidas glorificarão a lembrança de alguém que preparou o caminho, com tanta energia, rapidez e beleza, para o reconhecimento universal da Fé de Bahá'u'lláh."

O Guardião referiu-se a ela como "incomparável Martha Root", "a primeira embaixadora da Fé de Bahá'u'lláh", em carta geral aos bahá'ís escrita em 1929.

Quando ela faleceu, em 1939, disse o Guardião que ela: "bem podia ser considerada como um fruto mais nobre que a Idade Formativa da Dispensação de Bahá'u'lláh havia produzido até então."

Aos bahá'ís no Irã, cujo amor por Martha Root era incomensurável, o Guardião telegrafou anunciando seu falecimento, dizendo:

A FOLHA PURA, A INSTRUTORA ILUSTRE, O SINAL DE DESPRENDIMENTO, A TOCHA DE AMOR E AFEIÇÃO, O EXEMPLO DE CORAGEM E FIDELIDADE, O CONSOLO DO POVO DE BAHÁ - MARTHA ROOT - ASCENDEU AO CUME DA HABITAÇÃO ETERNA.

O CONCURSO NO ALTO RECEBEU-A SAUDANDO-A COM AS SEGUINTES PALAVRAS: BEM VINDA, Ó GLÓRIA DOS INSTRUTORES (homens e mulheres). MUITO BEM, MUITO BEM,Ó TU QUE TE SACRIFICASTE INTEIRAMENTE - EM TUA ATRAÇÃO PELO REINO DO SENHOR DOS SINAIS - MANIFESTOS. ABENÇOADA ÉS MIL VEZES POR ESTE - GRAU ILUMINADO, EXALTADO, ELEVADO, INACESSÍVEL"

10 de outubro de 1939

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