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Rosas Brancas do Irã
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Martha Root : Rosas Brancas do Irã
MARTHA ROOT
ROSAS BRANCAS DO IRÃ
Vida e Martírio de Ali Muhammad Vargá
E de seu jovem filho Rúhu'lláh Vargá...

Publicação especial no 90o Aniversário de seus martírios em Teerã,

em 1896.
ROSAS BRANCAS DO IRÃ

Teerã, Irã, possui tantas famílias bahá'ís de uma fidelidade especial à Fé que, ficar entre elas, faz-nos pensar em uma só coisa: Ó Irã, teu famoso atar não é composto somente de tuas rosas. O perfume que se difunde através da vida de teus crentes é uma fragrância ainda inigualável em outros países. E se existe mais doce ou terna história de devoção à 'Abdu'l-Bahá e à grande Causa bahá'í do que as vidas de 'Alí Muhammad-Vargá e seu pequeno Ruhu'lláh no Irã, ainda não conheci.

Quando visitei Teerã, costumava encontrar-me com Azizu'lláh Vargá e seu irmão mais novo, Valiyu'lláh, filhos de Alí Muhammad Vargá, e, freqüentemente, perguntava-lhes a respeito de seu pai e de seu irmão. Toda esta narrativa é absolutamente verdadeira e nela o leitor verá como Deus prepara as almas para virem a este mundo.

Alí Muhammad Vargá era um ardoroso bahá'í de Tabriz, nos dias em que Bahá'u'lláh vivia como prisioneiro em 'Akká, Palestina, desde 1868, até Sua ascenção em 1892. Ele fora exilado e feito prisioneiro por causa de Seus ensinamentos, os quais agora estão sendo estudados por vários legisladores, estadistas e milhões de outras pessoas, no mundo inteiro.

Para começar do princípio, a história é a seguinte: Alí Muhammad Vargá tinha um filho, Azizu'lláh, com dois anos de idade, quando, um dia no mês de abril, outro filho nasceu em seu lar. Ele e a esposa deram à criança o nome de Ruhu'lláh, que significa "O ESPÍRITO DE DEUS".

Houve grande júbilo quando Bahá'u'lláh enviou, de 'Akká, a estes pais, uma carta a respeito do novo bebê, na qual o leitor, com perspicácia, discernirá a introdução da emocionante história que se segue:

"Ó VARGÁ! SUSSURRE NOS OUVIDOS DESTA CRIANÇA, TRÊS VEZES: VERDADEIRAMENTE VIESTE PELA VONTADE DE DEUS! APARECESTE PARA FALAR D'ELE E FOSTE CRIADO PARA SERVIR ÀQUELE QUE É O QUERIDO, O AMADO. MENCIONAMOS ISSO ANTES, QUANDO SUA MÃE NOS IMPLOROU, E AGORA ESTAMOS MENCIONANDO NOVAMENTE. SOMOS O GENEROSO E O DOADOR."

(Sua mãe não enviara petição por carta, porém isso ocorreu, possivelmente, no momento em que o filho estava nascendo e quando ela chamou por Bahá'u'lláh).

Ruhu'lláh era ainda uma pequena criança quando Bahá'u'lláh lhe enviou uma segunda Epístola, que dizia:

"ELE É O QUE TUDO OUVE E O QUE TUDO VÊ!

ABENÇOADO ÉS TU, POIS TENS TESTEMUNHADO A GRANDEZA E A ONIPOTÊNCIA DE DEUS AINDA EM TUA INFÂNCIA. ABENÇOADA É A MÃE QUE TE ACARICIOU E SE LEVANTOU PARA PROVER AQUILO QUE VEIO DELA. IMPLORAMOS A DEUS QUE ESCREVA PARA TI, DE SUA SUPREMA PENA, AQUILO QUE É PRÓPRIO DE SUA GENEROSIDADE, BONDADE E FAVOR. VERDADEIRAMENTE, ELE É O GENEROSO E O BONDOSO. LOUVADO SEJA DEUS, O SENHOR DOS MUNDOS."

Uma outra Epístola para Ruhu'lláh, vinda de Bahá'u'lláh, revelava:

"Ó TU, RUHU'LLÁH! VERDADEIRAMENTE O MAIS GRANDIOSO ESPÍRITO TEM SE INCLINADO PARA TI, DA PRISÃO, E ESTÁ TE MENCIONANDO COM TAL LOUVOR QUE SUA FRAGRÂNCIA CONTINUARÁ POR TANTO TEMPO QUANTO MEU REINO E MINHA GRANDEZA PERDURAREM! QUANDO TU ENCONTRARES E CONHECERES (A MENÇÃO) - DIZE: "LOUVADO SEJAS TU, Ó OCEANO DE BONDADE! GRAÇAS A TI QUE ME CRIASTE E NOS MEUS PRIMEIROS DIAS PERMITISTE QUE EU DECLARASSE TUA MENÇÃO E TEU LOUVOR. VERDADEIRAMENTE, TU ÉS O CLEMENTE E O COMPASSIVO."

Mais tarde, veio outro filho para abençoar o lar dos Vargás, e que recebeu o nome de Valiyu'lláh.

Que tipo de pai era Alí Muhammad Vargá? Você, leitor, pode perguntar - "e como educava seus filhos espiritualmente?" Todos os pais que lerem esta narrativa verão na vida deste iraniano o mais alto ideal de paternidade, uma posição raramente alcançada em qualquer lar, e também bastante alta para ser compreendida pela maioria dos pais.

Ele era um instrutor bahá'í. A pintura do Báb está preservada para o mundo, hoje, porque Alí Muhammad Vargá levou a Fé a um grande pintor de Yazd, e que se tornou um crente. A história desta família e de muitas outras famílias que receberam a Fé de Vargá são frutos preciosos das muitas almas que ensinou.

Nunca esteve fora de seu país, exceto para ir à Palestina em peregrinação. Mas seus alunos têm servido com glória - tanto no oriente próximo como na Europa.

Sendo um pai sábio, e reconhecendo qual era o fator principal numa alta educação, pegou seus dois filhos, Azízu'lláh e Ruhu'lláh (o pequeno Valiyu'lláh, naquela oportunidade, era jovem demais para ir, sendo apenas uma criança de colo) e levou-os em peregrinação a Bahá'u'lláh, em 'Akká. Outros pais deveriam seguir este exemplo e levar seus filhos à presença de Shoghi Effendi, o Guardião da Causa Bahá'í, em Haifa, Palestina.

(Nota do tradutor: Quando Martha Root escreveu este artigo, Shoghi Effendi ainda se encontrava entre nós).

Se as crianças puderem vislumbrar os mais altos ideais enquanto ainda em tenra idade, esses ideais poderão se tornar suas inspirações sublime pelo resto da vida. Esta história, certamente, vai mostrar como um pequeno menino desenvolveu-se até se tornar um mestre, um poeta, um grande filósofo e um herói mundial antes de ter cruzado o limiar de seu décimo segundo aniversário de vida. Os educadores verão na vida deste menino uma prova grandiosa da potência dos ensinamentos de Bahá'u'lláh.

Muitos foram os incidentes daquela histórica visita a Bahá'u'lláh. Contudo, só lhes contarei alguns deles. Azizu'lláh contou-me que, quando o avô materno, o pai de Ruhu'lláh chegaram a 'Akká, eles foram para o quarto do secretário de Bahá'u'lláh. Estava ornado com um tapete, e sobre ele sentaram-se, pois tinham ouvido falar que Bahá'u'lláh viria ao encontro deles neste quarto. À distância, estavam os degraus, que levavam a um aposento superior. O pai ordenara a Azizu'lláh para ficar próximo daqueles degraus para vigiar a aproximação da Abençoada Beleza e então informá-los. A criança foi. Porém, quando olhou e viu Bahá'u'lláh na ponta da escada, subiu os degraus e ajoelhou-se aos pés do seu Senhor. O menino chorava e então falou: "não sei, não sei como subi aqueles degraus; não me dei conta que subia a escada." Sabemos como o professor Edward G. Browne, da Universidade de Cambridge, se sentiu quando de seu primeiro encontro com Bahá'u'lláh. Mas este é um relato do que tal experiência significou para um pequeno menino iraniano.

No dia seguinte, todos foram convidados - o avô, o pai, e os dois pequenos filhos - para visitar Bahá'u'lláh em Seu aposento. Quando a visita terminou, os dois meninos foram levados para o aposento da família de Bahá'u'lláh, onde se encontrava Bahiyyih Khánum, conhecida mundialmente como "A Folha Mais Sagrada". Ela tinha então mais ou menos 45 anos de idade. Disse para os seus pequenos convidados: "O que vocês estão fazendo no Irã?" E Ruhu'lláh respondeu: "Estamos ensinando a Causa Bahá'í no Irã." "O que vocês dizem quando falam com as pessoas?" Ela perguntou ao jovenzinho Ruhu'lláh, e este lhe respondeu: "Digo-lhes que Deus apareceu novamente na terra." A Folha Mais Sagrada sorriu, e disse: "Quando você ensina, não deve dizer isso abertamente." A criança lhe respondeu: "Não digo isso para todos. Sei para quem devo falar." "Como você conhece as pessoas a quem deve falar?", ela persistiu e ele respondeu: "Conheço as pessoas pelos seus olhos; quando olho em seus olhos eu sei." Por brincadeira, a filha mais velha de Bahá'u'lláh disse: "Rú, olhe dentro dos meus olhos e veja se pode falar para mim." Ingenuamente, ele procurou seus olhos e disse a ela: "Não, não posso falar para a senhora, porque a senhora sabe tudo."

Dois jovens estavam sentados próximo, fazendo seus deveres escolares. Começaram a rir da conversação, e a Folha Mais Sagrada disse: "Olhe nos olhos deles e veja se poderia falar com eles e convencê-los." Ruhu'lláh olhou para os dois meninos, longa e cautelosamente, e então respondeu: "Isso é muito difícil, não há como convencê-los." (Estes dois jovens eram Zia'u'lláh e Badi'u'lláh, que, mais tarde, voltaram-se contra a Causa). Quando esta história foi contada a Bahá'u'lláh, Ele disse: "Ruhu'lláh é um verdadeiro instrutor bahá'í."

O pequeno grupo permaneceu por vários meses em 'Akká e em Bahjí. Ruhu'lláh estudava escrita persa todos os dias e toda sexta-feira pela manhã costumava mostrar uma cópia de seus escritos a 'Abdu'l-Bahá, que, freqüentemente, o elogiava. O pai de Ruhu'lláh era muito exigente com relação às lições dos filhos, e muito severo quando não queriam estudar, pois sabia a importância da educação.

Azizu'lláh relatou outro incidente da visita, dizendo que quando Bahá'u'lláh queria revelar uma Epístola, costumava dispensar todos os presentes, rapidamente. Ele, Azizu'lláh, disse: "Um dia eu estava na presença de Bahá'u'lláh com toda a família e Ele chamou pelo secretário para trazer tinta e papel depressa, e no mesmo momento acenou que todos saíssemos. Eu era ainda criança, mas vendo essa pressa para mandar todos para fora da sala, senti um desejo enorme de permanecer e estar presente quando Bahá'u'lláh revelasse uma Epístola. Pedi a um dos membros da família para solicitar a Bahá'u'lláh tal permissão. Algumas semanas mais tarde, encontrava-me brincando no jardim de Bahjí, quando um membro da família apareceu, dizendo-me para ir ter com Bahá'u'lláh, que queria ver-me. Corri para o Seu aposento e, entrando, vi que estava entoando epístolas e poemas revelados. Assim que entrei no aposento, pensei que tudo estivesse como nos outros dias quando Bahá'u'lláh entoava. Fiquei em pé, próximo à porta pela qual havia entrado, e apenas há poucos minutos no quarto comecei a tremer, em todo o corpo. Senti que não podia manter-me em pé. Sua Santidade Bahá'u'lláh, voltando-se para mim, disse: "Adeus". Assim que ergui a cortina para sair, cai no limiar e fiquei inconsciente. Levaram-me para o aposento da esposa de Sua Santidade, onde derramaram água de rosas e água fria na minha face, até que eu voltasse à consciência. Os membros da família perguntaram-me o que havia acontecido e lhes contei a respeito da ida para o aposento de Bahá'u'lláh para ouvir a entoação. Quando lhes relatava isso, a senhora que me chamou primeiro veio e disse: "Você mesmo tinha-me pedido para estar presente quando Bahá'u'lláh estivesse revelando uma Epístola." Então compreendi porque Bahá'u'lláh apressava-se em dispensar todos de Seu quarto. É que as pessoas não podiam suportar, tal o poder existente no aposento.

Azizu'lláh Vargá disse que seu pai tivera uma experiência similar durante sua visita à 'Akká. São suas próprias palavras: "Meu pai havia sido solicitado por uma pessoa para implorar a ajuda de Bahá'u'lláh acerca de um determinado assunto e suplicar que uma Epístola fosse revelada nesse sentido. Quando meu pai apresentou esta petição, Bahá'u'lláh chamou um secretário para trazer tinta e papel, chamando também Seu irmão, Mirzá Musá (Jináb-i-Kalím) e outra pessoa dos parentes. Colocou as mãos, uma no ombro de cada um deles, e começou a caminhar pela sala ao lado dos dois parentes, revelando a Epístola. Meu pai começou a tremer e disse que não podia explicar o que estava acontecendo. Ouvia a voz de Bahá'u'lláh, porém não podia entender Suas Palavras. Passados alguns minutos, Ele dispensou a todos. Então, do lado de fora, começaram a discutir e nenhum dos três havia compreendido o que fora revelado, sentindo apenas o poder existente na sala. Certamente é interessante saber a respeito de Bahá'u'lláh, de parte daqueles que viviam e conversavam com Ele. Diziam não poder olhar Sua face, tão gloriosa era, e seus olhos, tão reluzentes. Existia tal vibração que todos começavam a tremer e não podiam entender Suas Palavras. Era um poder irresistível, que se sentia na sala.

Uma noite, em 'Akká, Bahá'u'lláh chamou somente Alí Muhammad Vargá à Sua presença e disse: "Desejo falar com você sozinho esta noite. Há algo na vida que, na maioria de Nossas Epístolas temos denominado de o maior Éter. Quando qualquer pessoa está imbuída daquele Éter, todos os seus feitos e palavras serão efetivos no mundo".

Então Bahá'u'lláh levantou-se, deu alguns passos e falou novamente: "Mesmos estes passos do Manifestante têm efetividade." Sentando-se novamente, disse: "Cristo declarou Sua Missão. Os judeus o crucificaram e pensaram que o que haviam feito era algo muito importante. Cristo foi sepultado, porém como estava embuído daquele Éter, tal substância não permaneceu debaixo da terra; subiu e realizou um grande trabalho no mundo."

Então Bahá'u'lláh voltou-se para Alí Muhammad Vargá e disse: "Veja 'Abdu'l-Bahá, o Mestre, que efeitos maravilhosos Seus atos e Palavras têm no mundo. Veja como pacientemente suporta todas as dificuldades." O bahá'í Alí Muhammad Vargá sentiu que Bahá'u'lláh realmente havia lhe mostrado a posição de 'Abdu'l-Bahá, que Ele seria o Sucessor chamado de O Maior Ramo, e Alí Muhammad Vargá pediu para se tornar um mártir no caminho de 'Abdu'l-Bahá. A Abençoada Beleza, Bahá'u'lláh, aceitou este sacrifício e prometeu ao peregrino que ele daria sua vida no serviço a 'Abdu'l-Bahá.

A grande visita à 'Akká chegara ao fim e o pequeno grupo seguiu de volta em direção a Tabriz, no Irã. No caminho foram a Mazra'íh, próximo de 'Akká, para visitar a sepultura do pai de Alí Muhammad Vargá. Alguns anos antes, seu pai, Hají Mullá Mihdí, com seus dois filhos mais velhos, sendo um deles Alí, havia viajado para visitar Bahá'u'lláh na Maior Prisão. Haviam caminhado uma longa distância desde o Irã, e a viagem fora austera realmente, tendo Hají Mihdí falecido sem alcançar seu destino final. Falecera em Bahjí, tão próximo de 'Akká, o destino de seu coração. Os outros continuaram a viagem, visitando Bahá'u'lláh. Assim, o leitor notará que Alí Muhammad Vargá havia tido um grande privilégio anteriormente, visitando Bahá'u'lláh ainda em criança. Não é maravilhoso que tivesse voltado e trazido seus dois pequenos filhos? Oraram na sepultura do pai de Vargá e recordaram, com gratidão, que o próprio Bahá'u'lláh havia visitado por diversas vezes a sepultura em Mazraíh, para orar por seu amado parente.

Quando chegaram novamente a Tabriz, as coisas não corriam tão facilmente. A sogra de Alí Muhammad Vargá era fortemente contra a Causa Bahá'í. Instigou um de seus servos, criado em casa desde criança, para matar seu genro. Mas, secretamente tal servo era também bahá'í, e foi ao encontro de seu mestre e lhe disse para deixar a casa, pois, caso ficasse, sua sogra seguramente encontraria um jeito de mandar matá-lo. Assim, Alí Muhammad Vargá deixou a casa e foi morar com um crente bahá'í seu amigo. Sua sogra foi visitar um mullá (sacerdote muçulmano) e solicitou-lhe para dar ordens para que seu genro fosse morto, por ser um infiel. O mullá retorquiu: "Ele não me confessou ser bahá'í. Não posso condená-lo. Se você puder me provar que é, poderei emitir um veredicto de morte contra ele."

Assim, a avó levou o pequeno Ruhu'lláh com ela para ver o mullá. Ruhu'lláh costumava falar a todas as pessoas e era um célebre pequeno instrutor. Sua avó lhe dissera que o estava levando para a casa de um amigo de seu pai e que tal pessoa era também bahá'í. Então, quando a criança lhe ergueu a pequena mão, cumprimentando-o também com um "Alláh'u'Abhá", o mullá ficou atônito com tal saudação. Mas a avó, fez-lhe um sinal para nada dizer. Ela pediu a Ruhu'lláh fazer alguma de suas orações bahá'ís, que seu pai havia-lhe ensinado. A criança entoou uma de suas orações diárias e depois a oração obrigatória longa, uma das mais profundas e belas orações reveladas por Bahá'u'lláh. Terminada a oração, o mullá falou: "Essas orações são maravilhosas. Nenhum pai deveria ser colocado à morte por ter instruído uma criança como esta", e recusou dar o veredicto de morte para Alí Muhammad Vargá.

A avó de Ruhu'lláh, por parte do pai, era muito diferente da avó materna. Seu marido conhecia um instrutor bahá'í, que vinha falar com ela (mas que não podia vê-la, pois ela se sentava atrás de uma cortina para receber suas lições). Quando ouviu sobre a Causa Bahá'í e que um Profeta havia surgido, ela disse: "Nós não estamos esperando por um Profeta; tenho estudado todos os livros; estamos esperando por um Manifestante de Deus". O instrutor mencionara a palavra "Profeta" para não lhe aturdir com uma revelação mais forte, no início, tentando ensinar-lhe gradualmente sobre Bahá'u'lláh. Ela, porém, era uma estudante muito capacitada e mais rápido do que o instrutor pensara a aluna imediatamente aceitou a nova Fé.

Um dia em Tabriz um grupo de destacados bahá'ís conversavam a respeito de quem seria o sucessor de Bahá'u'lláh. Alí Muhammad Vargá disse que seria 'Abdu'l-Bahá. Um outro disse que seria Seu secretário, e um terceiro manteve a opinião que seria Muhammad Alí, o outro filho de Bahá'u'lláh. Alí Muhammad Vargá, então, disse aos companheiros: "Bahá'u'lláh determinou que quando existir qualquer assunto que não compreendemos, devemos escrever a Ele." Assim, foi encaminhada a 'Akká uma petição nesse sentido. Bahá'u'lláh respondeu, dizendo que 'Abdu'l-Bahá seria Seu sucessor. Azizu'lláh possui esta Epístola.

Logo em seguida uma segunda carta foi enviada a Bahá'u'lláh por Alí Muhammad Vargá, implorando que não somente ele, mas que também um de seus filhos fosse martirizado no caminho de 'Abdu'l-Bahá, o Maior Ramo. Bahá'u'lláh respondeu a esta súplica, aceitando seus sacrifícios, o que significava que seriam martirizados no serviço da Fé.

A família movia-se por toda parte, de lugar em lugar, pois Alí Muhammad Vargá era um instrutor bahá'í e viajava muito, por toda a Pérsia.

Certa vez, em uma época muito perigosa, uma amável senhora bahá'í que vivia próxima a Teerã, levou Azizu'lláh e Ruhu'lláh para sua casa, na tentativa de protegê-los. Isso ocorreu quando a família Vargá morava em Teerã, temporariamente. O marido da senhora bahá'í, que não era um crente, mesmo sendo um célebre advogado e um grande estadista, objetou em ter as crianças em casa. Disse à esposa: "Você não pode fazer isso, nós, também, seremos mortos." Sua esposa respondeu: "Deixa-me perguntar algo. Se um homem tem sido açougueiro por quarenta anos e em uma noite escura alguém lhe dá um cachorro para matar, em vez de um cordeiro, acha você que ele cometeria um engano e mataria o cachorro em vez do cordeiro?" Seu marido respondeu: "Não". Então, disse-lhe a mulher: "Esteja seguro: você não será assassinado em vez de um bahá'í." Ela manteve as crianças por várias semanas em sua casa, nada tendo acontecido a nenhuma delas durante aquele tempo.

Alí Muhammad Vargá pegou seus dois filhos, Azizu'lláh, então com 13 anos de idade, e Ruhu'lláh, com 11 anos, e retornaram a 'Akká para visitar 'Abdu'l-Bahá, em 1895. (Bahá'u'lláh havia falecido em 1892). Valiyu'lláh Vargá, o filho mais velho, foi deixado em casa. Houve muitos incidentes alegres durante os dias desta segunda peregrinação. Porém, é meu desejo relatar um deles em especial, embora não sendo muito agradável no momento em que ocorreu, mas que revela o grande carinho de 'Abdu'l-Bahá por Ruhu'lláh, a presteza de um pai em obedecer e sabedoria do pequeno Ruhu'lláh.

Um grupo de crianças bahá'ís brincava, quando um pequeno menino dentre elas proferiu uma palavra travessa. Rapidamente, Ruhu'lláh deu-lhe um tapa na boca, dizendo-lhe que havia merecido a punição. A criança, que havia dito a tal palavra, era filho de um grande mártir, e desde a morte do pai viera para 'Akká, sendo muito favorecido pela família de 'Abdu'l-Bahá e por todos os crentes. As outras crianças entraram em grupo, com este pequeno garoto, para contarem ao pai de Ruhu'lláh o que tinha acontecido. Ruhu'lláh, quando os viu se encaminhando para a sala, correu para o pátio e subiu às pressas a escada que levava aos aposentos de 'Abdu'l-Bahá. Entrou no quarto e sentou-se ao lado do Mestre, que estava perto da janela escrevendo Epístolas.

Logo que Alí Muhammad Vargá ouviu a história das crianças, saiu ao encontro do filho. Entrando no pátio, viu Ruhu'lláh sentado ao lado de 'Abdu'l-Bahá, próximo da janela, no andar de cima. Fez-lhe um sinal para descer. Ruhu'lláh disse "não" ao pai, acenando negativamente a cabeça. 'Abdu'l-Bahá atraído por este gesto, disse: "Por que você está sacudindo a cabeça para fora da janela?" Então Ruhu'lláh contou toda a história a 'Abdu'l-Bahá e que sabia que, se não descesse para o pátio, seu pai viria para puni-lo. 'Abdu'l-Bahá chamou Alí Muhammad e disse muito severamente: "Ninguém deve dizer nada a Ruhu'lláh com relação a isto". Geralmente, 'Abdu'l-Bahá era muito firme com as crianças, no sentido de que obedecessem aos pais. Porém, repetiu: "Ninguém deve dizer nada a Ruhu'lláh sobre este assunto." Desde aquele incidente Alí Muhammad Vargá passou a tratar seu filho Ruhu'lláh com um respeito especial, e nunca mais o censurou, por coisa alguma. Era um bom pai e Ruhu'lláh um bom filho. Nada fizera de errado, conscientemente.

'Abdu'l-Bahá, durante esta visita, deu a Ruhu'lláh o título de "MUBALLEGH", que significa "INSTRUTOR DE RELIGIÃO"; um instrutor bahá'í. Quando a família retornou ao Irã, foi morar em Zanjám, que está situada na província de Adherbayjám. O pai, Alí Muhammad Vargá, e Ruhu'lláh, que continuava diligentemente seus estudos de escrita persa, enviaram algumas linhas da escrita do menino, para ver que progresso havia feito. Com a resposta, veio também uma Epístola de 'Abdu'l-Bahá dirigida a Ruhu'lláh, que contava, então, 11 anos de idade. A Epístola fora escrita do próprio punho de 'Abdu'l-Bahá e dizia:

"ELE É O MAIS GLORIOSO!

"Ó TU QUE ÉS AINDA UMA CRIANCINHA! A GRAFIA DO ALMÍSCAR DAQUELE SINAL DO AMOR DE DEUS (RUHU'LLÁH) FOI VISTA. VERDADEIRAMENTE, EM UM PEQUENO ESPAÇO DE TEMPO TENS PROGREDIDO HABILMENTE E, VENDO ESTE GRANDE PROGRESSO, ISSO É CAUSA DE JÚBILO E FELICIDADE. CERTAMENTE DEVES ESFORÇAR-TE AO MÁXIMO PARA QUE TUA ESCRITA POSSA TORNAR-SE MELHOR DIA A DIA E NO MUNDO DA ESCRITA ISSO VENHA A SER A GLÓRIA E GENEROSIDADE DA PENA SUPREMA.

"QUERO SEMPRE RECEBER NOTÍCIAS TUAS E DEVERÁS DESCREVER E NARRAR SOBRE AQUELES A QUEM TU ENSINASTE (ESPIRITUALMENTE). SOBRE TI ESTEJA BAHÁ! Assinado E.E.

(E.E. significa 'Abdu'l-Bahá Abbás).

Quando Alí Muhammad Vargá leu esta Epístola, com grande reverência e solenidade ajoelhou-se e com a testa encostada no chão, disse: "Este é o filho que dará sua vida, como foi prometido por Bahá'u'lláh, pois uma pena de madeira não poderia ter tal efeito" - O efeito seria a honra grandiosa concedida aos mártires.

Ó Ruhu'lláh, você é superior a mil Nasiri'd-Din Sháhs! Nasiri'd-Din Sháh era o Shahenshán (rei dos reis), que governava (o Irã) quando o Báb foi martirizado em 1850, fuzilado por mil balas, e quando Bahá'u'lláh foi exilado com Sua família, e era ainda o soberano do Irã nos dias de Ruhu'lláh.

Rapidamente as perseguições cresceram em violência em Zanjám, e Alí Muhammad Vargá foi instado a levar sua família para Teerã e lá ensinar a Causa de Bahá'u'lláh. Enviou Azizu'lláh, que estava com 14 anos de idade, na frente, para ficar com o avô, e ele e Ruhu'lláh partiram um mês depois.

Foram detidos com outros bahá'ís em meio do caminho a Teerã, sendo reconduzidos para Zanjám com pesadas correntes ao redor de seus pescoços e seus pés também presos, com madeira pesada. O governador de Zanjám falou com eles e perguntou se eram bahá'ís. Alí Muhammad Vargá falou primeiro e disse: "Sim". O pequeno Ruhu'lláh, quando questionado, disse: "sou, eu sou bahá'í." Porém, um velho homem negou sua fé, dizendo: "Não, não sou um crente." O governador, com repugnância, bateu nele dizendo: "Todos sabem que você se intitula bahá'í, e agora nega isso. Mas este pequeno menino, que se encontra justamente no início de sua vida e com muitas esperanças no futuro, teve a coragem de dizer que é um bahá'í."

O governador pediu aos mullás que viessem conversar com os bahá'ís. Os mullás disseram que eles deviam ser mortos, por serem hereges, por sua fé conter ensinamentos contrários aos preceitos sagrados do Islã. O governador mandou perguntar ao Primeiro Ministro em Teerã o que deveria ser feito, e este disse para enviar os prisioneiros bahá'ís para a capital. Assim, foram todos enviados a Teerã, acorrentados. Uma fotografia foi tirada na oportunidade, logo que chegaram. Era costume, naquela época, tirar fotografias dos prisioneiros e enviá-las para o estado. A descrição do crime era escrita na foto. A abá (manto) e o kuláh (chapéu) de Ruhu'lláh tinham sido tirados dele e os que aparecem na fotografia foram emprestados de um outro prisioneiro e colocados na criança. Eram demasiados grandes para ele. Não eram, seguramente, seus próprios vestuários. Agora, a família realmente tem a fotografia original, que estava arquivada nos arquivos da prisão. (Na revolução de 1908, quando todos os arquivos e velhos registros foram jogados fora, um oficial bahá'í viu esta foto e levou-a para Azizu'lláh Vargá, bem como a acusação do crime. Estava escrito que os dois haviam-se tornado bahá'ís).

Após ter aprisionado Alí Muhammad Vargá, o policial foi até sua casa e levou sua linda pintura do Báb (e há somente uma outra no mundo), levando muitas de Suas preciosas Epístolas, saqueando os livros da família, mesmo o registro que dava as datas de seus nascimentos, de modo que alguns membros da família ainda não sabem estas datas. Confiscaram também suas propriedades.

Mais tarde, com os dois na prisão em Teerã, Azizu'lláh obteve permissão para visitar o pai e o irmão. "Ruhu'lláh, o que você precisa, que eu possa trazer-lhe?" Perguntou Azizu'lláh ao seu jovem irmão. Este lhe respondeu: "Por favor, traga-me um Livro de Epístolas e um Livro de Orações para eu ler aqui na prisão, já que me tomaram todos os meus livros." A comida era muito ruim naquela prisão, e a criança tinha poucas roupas, porém nada pediu de ordem material.

Um dos prisioneiros, ainda vivo, disse a Azizu'lláh Vargá que uma noite, na masmorra, quando todos os outros estavam dormindo, ele viu Alí Muhammad Vargá curvar-se sobre seu pequeno filho Ruhu'lláh e, mirando-o ternamente por muito tempo, orou: "Ó BAHÁ'U'LLÁH, AGRADEÇO-TE POR TERES ACEITO NOSSO SACRIFÍCIO". Não era mais um amor simplesmente humano por seu filho. Era amor divino!

Alí Muhammad Vargá tinha 38 anos de idade e seu filho, Ruhu'lláh estava justamente iniciando seu décimo segundo ano de vida. Encontravam-se presos em Teerã já por dois meses, quando, numa sexta-feira (dia 8 de maio de 1896), Nasiri'd-Din Sháh, governante supremo do Irã, foi a um vilarejo chamado Xá-zádih Avdu'l-Azim, próximo de Teerã, onde existe um dos santuários sagrados da religião islâmica. Havia governado o país desde o ano de 1844 até aquela sexta-feira em 1896, quando, no santuário sagrado, foi morto por um revolucionário muçulmano.

Tudo que ocorria de ruim no Irã, naquela época, era dito como sendo causado pelos bahá'ís. O Primeiro-Ministro sabia que o assassino era um muçulmano. Não desmentia isso. Contudo, o chefe da corte, sem consultar o Primeiro-Ministro, ordenou ao carrasco entrar numa sala da masmorra com ele e os prisioneiros bahá'ís, que seriam conduzidos para dentro de um longo corredor escuro que dava para esta sala. Lá se encontravam os homens em pé, numa fila, esperando cada um sua vez para entrar. O primeiro foi Alí Muhammad Vargá, enquanto seu filho, Ruhu'lláh, ficara em pé à entrada da porta que estava aberta, e seria o segundo. O chefe da corte execrou Alí Muhammad Vargá, dizendo: "foram vocês bahá'ís que assassinaram o Sháh". Os prisioneiros nem sabiam que o Sháh fora baleado naquele dia. Alí Muhammad Vargá respondeu-lhe: "Os bahá'ís nunca matariam Sua Majestade Imperial, o Sháhensháh (o rei dos reis)."

Irritado por isso, o chefe da corte ordenou ao carrasco colocar a cabeça de Alí Muhammad Vargá sobre o tronco e cortar seu corpo em pedaços. Ruhu'lláh testemunhou todo o maravilhoso heroísmo de seu destemido pai, enfrentando aquele terrível martírio. Então, o chefe da corte voltou-se para a criança, que já havia entrado no quarto para ser também sacrificado, e disse: "Você deve amaldiçoar Bahá'u'lláh. Se fizer isso, pode ir embora, livre, e darei a você tudo o que desejar." Ruhu'lláh, olhando profundamente dentro de seus olhos, disse solenemente: "Eu vi Bahá'u'lláh. Nunca poderia amaldiçoá-Lo. Irei com meu pai."

O chefe da corte sussurrou para o carrasco que estrangulasse o menino, com o intuito de assustá-lo, mas não para matá-lo realmente. Isso foi feito. Colocaram uma corda em volta de seu pescoço e apertaram fortemente que ele desmaiou e parecia estar morto. Porém, após algum tempo, vagarosamente recuperou a consciência e o chefe da corte ordenou-lhe novamente para amaldiçoar Bahá'u'lláh. "Não, eu nunca amaldiçoaria Bahá'u'lláh. Irei com meu pai," disse a criança, com firmeza e, num impulso, atirou-se de joelhos e começou a orar a Deus. O chefe da corte ficou tão furioso e frustrado que bradou ao carrasco para que o matasse o quanto antes, saindo precipitadamente da sala, passando pelos outros prisioneiros bahá'ís sem olhá-los. Rapidamente, o carrasco cortou a garganta de Ruhu'lláh. O sacrifício supremo dos dois maiores heróis de 'Abdu'l-Bahá havia terminado!

Muitos têm sido martirizados na Causa, para estabelecer a religião bahá'í no mundo, porém a eterna glória de Alí Muhammad Vargá e do pequeno Ruhu'lláh é que eles, voluntariamente, ofereceram dar suas vidas para ajudar a estabelecer os ensinamentos do Báb, Bahá'u'lláh e 'Abdu'l-Bahá. Os outros bahá'ís, que estavam naquele corredor não foram martirizados. Foram todos libertados. O Primeiro-Ministro ficou zangado com o chefe da corte. Chamou-o para que dissesse porque praticara tal atrocidade. A única resposta foi: "pensei que talvez os bahá'ís tivessem assassinado o rei, e quis vingar tal crime." O Primeiro-Ministro respondeu: "Você sabia que o criminoso era muçulmano". O chefe da corte ainda está vivo, mas em condição miserável, infeliz e treme quando o nome Vargá é mencionado. Ainda caminha, cabisbaixo, pelas ruas de Teerã.

A história dos martírios de Alí Muhammad Vargá e Ruhu'lláh é absolutamente verídica. Foi contada pelo terceiro prisioneiro naquela fila, no corredor da prisão, que estava em pé atrás de Ruhu'lláh. Ele residia em Zanjám, até há dois anos passados, quando faleceu.

Também o chefe da grande tribo Bakhtiyári, cujo filho ocupa um importante cargo no governo, desejando ouvir a verdade sobre este crime atroz, convidou, há alguns anos passados, aquele ex-chefe da corte para jantar em sua casa. Seus filhos estavam presentes e bem assim alguns outros parentes. Solicitaram que contasse toda a história sobre a morte de Vargá e seu filho. Existia uma razão pela qual desejam ouvir a história. O irmão do anfitrião havia-se tornado bahá'í poucos anos antes, através justamente de Alí Muhammad Vargá. O antigo chefe da corte contou-lhe tudo e foi exatamente como o terceiro prisioneiro havia relatado. O chefe Bakhtiyár e seus parentes choraram e ficaram tão enfurecidos que surraram o ex-chefe da corte e chutaram-no até a rua.

Trinta anos após ter sido derramado o sangue sagrado daqueles dois mártires, uma nova rosa branca começou a ser cultivada no Irã, uma rosa cujo perfume será mais difundido que todos os atares do Irã juntos, pois essa é a rosa da "tolerância religiosa". Por mais de mil anos tal rosa ainda não é reconhecida no Irã.

Eu queria muito visitar os túmulos destes dois mártires, para curvar minha cabeça em sinal de humildade, reverenciando o local onde repousam seus amados e sofridos corpos. Um dia a oportunidade ocorreu muito inesperadamente. Dirigiamo-nos para visitar o cemitério bahá'í, quando os amigos disseram: "Lá ao longe, onde você vê as árvores e o jardim, está o mausuléu de Alí Muhammad Vargá e seu filho Ruhu'lláh. Levaremos você até lá após a visita que fizermos ao cemitério bahá'í." Esperava ir para lá com a família Vargá, porém, naqueles movimentados dias, estava eu muito ocupada em dar palestras e escrever, não encontrando uma hora livre. Assim sendo, seria muito bom aproveitar aquela oportunidade. E fomos. Na época do falecimento desses mártires não existia cemitério bahá'í. Daí o fato de seus corpos terem ficado escondidos por vários anos. Então, Azizu'lláh Vargá e seu irmão mais jovem, Valiyu'lláh, compraram uma pequena propriedade próximo de Teerã (cerca de vinte minutos de carro, desde o portão de Yussef Abad, da cidade). Está cercada por altos muros e dividida em duas partes por outro muro alto. A primeira parte é como uma fazenda em miniatura, ou um jardim muito grande com pequenas casas para o zelador e sua família. Notava-se tal pureza, doçura e espiritualidade em cada um dos membros desta família, que se podia sentir terem sido eles purificados e enobrecidos através de suas sagradas tarefas de cuidarem de um jardim onde repousam os corpos de tão gloriosos santos.

Caminhava-se do primeiro jardim para o segundo, e a gente parecia estar se dirigindo para um paraíso. Era ainda inverno, porém, as árvores, as vinheiras e as roseiras, mostravam evidentemente que na primavera e no verão o local era um refúgio de sombra e perfume. Um jardim tipicamente iraniano, um pequeno e majestoso lago, e os pássaros cantando suavemente. O mausuléu é uma linda construção com nove lados, cada lado dando acesso aos jardins por um caminho diferente. E no interior existem também nove lados e todos são de uma brancura muito pura.

Ó que profunda paz existe naquele local. O sol penetra através das janelas, como se adorasse vir e habitar ali. Curvei-me para orar e sussurrei, antes: "Ó Bahá'u'lláh. Tu estás aqui com eles. É o mesmo sentimento de paz que experimentei em Bahjí, em Teu túmulo. Tu nunca os abandonaste; vivo ou morto Tu estás sempre com eles." Verdadeiramente, foi uma comunhão espiritual orar neste lugar sagrado.

Silenciosamente, deixamos aquele santuário, apertando as mãos do bondoso zelador. Retornamos ao universo de serviços em Teerã.

São vidas como as de Alí Muhammad Vargá e do pequeno Ruhu'lláh que espelham o poder e a beleza dos ensinamentos bahá'ís.

Como conseqüência desta história, vocês não desejariam saber dos outros filhos, Azizu'lláh e Valiyu'lláh? Eles são dois dos mais espirituais e eficientes bahá'ís de Teerã. Azizu'lláh foi a Paris ajudar 'Abdu'l-Bahá quando de Sua viagem a Europa. E Valiyu'lláh foi chamado para ser um dos secretários de 'Abdu'l-Bahá durante a histórica viagem aos EE.UU. e Inglaterra, em 1912. Amigos em Nova York relembram a noite anterior à partida de 'Abdu'l-Bahá para Califórnia. Um grande número de amigos foi dizer adeus. Valiyu'lláh estava embaixo, na sala de visitas, cumprimentando os convidados e servindo chá a cada um deles. 'Abdu'l-Bahá desceu as escadas de Seu apartamento, em direção à sala de visitas, e chamou em voz alta: "Valiyu'lláh, venha, minha alma, meu querido." Ele deu Sua mão, retornou, sentou perto das janelas e volveu-se aos amigos dizendo:

"Esta noite apresentarei a vocês Mirzá Valiyu'lláh Khám Vargá. Ele é Meu filho, o que disser é verdadeiro. Acreditem." Então 'Abdu'l-Bahá contou a história do avô de Valiyu'lláh, do pai e do pequeno irmão Ruhu'lláh, terminando com a narrativa de seus martírios. Quando terminou, foi ao andar superior e, logo depois desceu. Os convidados, calados, ouviam-no soluçando.

Assim, querido Ruhu'lláh, você e seu bom pai não estavam ensinando a Causa somente no Irã. Vocês estão ensinando por eras sem fim, em todos os continentes.

Todos os olhos que lerem sobre vocês, e todos os ouvidos que ouvirem suas histórias, com certeza se apressarão em direção à ação

NOTA:

Este trabalho de Martha Root foi originalmente publicado no STAR OF THE WEST, nos Estados Unidos, e mais recentemente no livro compilado por Kay Zinky, "MARTHA ROOT, HERALD OF THE KINGOM", edição de New Delhi, Índia, 1983.

A tradução para o português é do jovem Zargham Yari, de Campo Grande, M. Grosso Sul, e a capa foi desejada pela sra. Renata Modern, de S. Paulo. Esta edição é de novembro de 1986.

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