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O Amor que não espera
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Janet Schoen : O Amor que não espera
Janet Schoen
O AMOR QUE NÃO ESPERA
Traduzido para o espanhol por
Pedro Perez
Traduzido do espanhol para o português por
Nylza Taetz
Título original inglês
A Love Which Does Not Wait
Introdução

Quando, em 1954, faleceu a pioneira Marion Jack, em Sofia, na Bulgária, o amado Guardião telegrafou: "Esta alma triunfante reunida agora ao distinguido grupo de co-trabalhadores no Reino de Abhá: Martha Root, Lua Getsinger, May Maxwell, Hide Dunn, Susan Moody, Keith Ransom-Kehler, Ella Bailey e Dorothy Baker, cujos restos descansam em áreas tão extensamente dispersas pelo globo, como Honolulu, Cairo, Buenos Aires, Sidney, Teerã, Isfahán, Trípoli, profundidades do Mediterrâneo, confirmam os magníficos serviços de pioneirismo prestados pela Comunidade bahá'í norte-americana na Idade Formativa Apostólica, da Dispensação Bahá'í."

Qual foi o triunfo dessas almas e quem foram elas? Cada uma delas, excetuando-se Dorothy Baker, cujo corpo se perdeu no mar, tem seus momentos erguidos pelo Guardião.

Como conseguiram tal honra?

É o que as pequenas biografias de cada uma delas, a seguir, procurarão mostrar.

Janet Schoen
MARTHA ROOT
APÓSTOLO DE GRANDE CORAÇÃO

Shoghi Effendi disse que Martha Root era a "Mão Principal" que a vontade de 'Abdu'l-Bahá levantou no primeiro século bahá'í.

Martha foi professora de uma escola, jornalista, e conheceu a Fé num restaurante de Pittsburgh, Pensilvânia. Posteriormente, ela faria os acertos para uma conferência de imprensa, quando 'Abdu'l-Bahá estivesse em Pittsburgh, durante a Sua viagem em direção ao Oeste americano, em 1912. Depois de ler as Epístolas do Plano divino, em 1918, ela se comoveu com a súplica de 'Abdu'l-Bahá: "Ó, SE EU PUDESSE VIAJAR, AINDA QUE FOSSE A PÉ NA MAIS COMPLETA POBREZA, A ESSAS REGIÕES E CLAMAR YÁ BAHÁ'U'L-ABHÁ, NAS CIDADES, ALDEIAS, MONTANHAS, DESERTOS E OCEANOS PARA PROMOVER O ENSINAMENTO DIVINO! NO ENTANTO, ISSO NÃO POSSO FAZER. QUÃO IMENSAMENTE DEPLORO! QUEIRA DEUS VOCÊS POSSAM CONSEGUIR!"

Martha escreveu a 'Abdu'l-Bahá expressando seu desejo de lançar as sementes de Seu amor e Ele respondeu que ela conseguiria resultados de grande alcance e confirmações extraordinárias. Apesar do enorme desejo de que ela O visitasse na Terra Santa, "o ensino está acima de tudo e se você crê aconselhável, dedique-se à difusão da Fé através de todas as regiões do mundo."

Martha Root iniciou, em 1919, sua viagem à América do Sul, e durante os seguintes vinte anos viajou e ensinou continuamente, dando a volta na terra por quatro vezes. Viajou em trens, barcos, mulas, carros e carruagens, mesmo à pé, visitando a China, Índia, Austrália, África, Europa, Irã, Turquia, Japão, Hawaí, América do Sul e Estados Unidos. Levou a mensagem aos reis, presidentes, primeiros-ministros, editores de jornais, sacerdotes, poetas, artistas, dervixes, marajás, estudiosos, agricultores, comerciantes e príncipes. Exemplificou o amor universal e não possessivo do Amado Mestre; ninguém era de classe superior ou inferior para Martha, pois todos eram almas que necessitavam da mensagem curadora de Bahá'u'lláh. Ela foi a personificação de um amor que nada aguardava em troca e que apenas queria seguir adiante, ainda que fosse com um sacrifício sincero de sua personalidade, do seu tempo e das suas forças.

Martha Root, nas palavras do Guardião, "foi uma propagadora de Bahá'u'lláh, única e de grande coração", era de meia idade quando iniciou suas viagens e tinha quase 70 anos quando faleceu, no Hawaí. Era uma mulher pequena e frágil, de ternos olhos azuis. O jornalismo a sustentava e sempre na mais rigorosa economia viajava de terceira classe, comendo o mínimo para o seu sustento, e se vestindo com muita simplicidade. Sua face radiante de cordialidade e amor, transmitia boas vindas. "Se você quiser dar a Mensagem a alguém", dizia ela, "você deve amá-los e, desta forma, eles escutarão..." De cada reunião ela fazia uma ocasião especial, pois sentia que "vivemos em momentos, e não em anos." "Você deve dar sempre alguma coisa", dizia, "mesmo que seja somente uma flor, algum doce, ou fruta. Reze para que aceitem o Máximo Presente".

Suas experiências em viagens de ensino começaram com uma palestra a bordo de um barco que se dirigia à América do Sul. Enquanto ela falava o barco balançava de tal forma que ela tinha que se agarrar na coluna. Na América do Sul, uniu-se a um grupo de passageiros, com malas de carga, que viajariam para os Andes. E foi lá, entre perigosos e estreitos caminhos que circundavam as gigantescas montanhas, que ela chamou de "minaretes de Deus", que ela rezou o Máximo Nome.

Essa carinhosa Martha, tão consoladora com as pessoas que com ela compartilhavam a perigosa viagem, mais tarde em 1926, ensinou a Fé para a Rainha da Romênia, que aceitou a Fé, tornando-se bahá'í. A rainha Maria foi a primeira soberana a abraçar a Causa, e o seu reconhecimento e manifestação de sua fé, sem temor do que poderiam fazer a ela, trouxe muitas alegrias ao coração do amado Guardião. Certa vez escreveu à Martha: "Eu lhe digo que se não fossem por suas cartas, me sentiria completamente aniquilado e esgotado." Ela foi "sua queridíssima Martha", e a representante escolhida para a Conferência de Esperanto e outros congressos nacionais. A seu pedido, ela traduziu a literatura bahá'í para muitos idiomas, principalmente "Bahá'u'lláh e a Nova Era", que ele chamou de "O Livro-texto da Fé".

Martha falou em grandes reuniões, deu entrevistas exclusivas, esteve falando da Fé em recepções reais e transmissões de rádio. Proclamava a Fé em artigos para a imprensa em todos os lugares onde ia, apesar de muitas vezes não ter o dinheiro necessário para comprar o papel para os artigos. Cada experiência dela era iluminada com elogios, descrevendo a beleza espiritual dos dignatários que conheceu e as qualidades marcantes de cada nação. O mesmo resplendor azul de seus olhos, que pareciam olhar através de um cristal de perfeição, também iluminava suas cartas. "Meus amigos, eu os amo. Rezo por vocês constantemente e estarei com vocês em espírito e em seu trabalho." Ela os animava à colheita das sementes que havia semeado. "Quando vierem, encontrarão uns lindos amigos e vocês amarão esta gente."

Martha admirava grandemente Tahirih, aquela Rompedora da Alvorada que tirou o véu de sua face e ensinou sem medo o novo Dia, até ser martirizada em 1852. Martha foi ao Irã, pesquisou a vida de Tahirih entrevistando seus familiares, e outras pessoas. Seu livro "TAHIRIH, A PURA", a mais notável mulher do Irã, foi publicado na Índia e ela foi a responsável pela publicação da única coleção existente dos poemas de Tahirih, em um volume verde, fino e litografado, em Karachi.

Depois desses inúmeros triunfos, os amigos escreveram: "Martha Root nos abriu a Índia toda." Ela também foi à Austrália e de lá apressadamente aos Estados Unidos para acompanhar o desenvolvimento do Primeiro Plano de 7 Anos. Logo depois faleceu em Honolulu. Seu último ano foi repleto de dores físicas. "Estou tão perto das margens da eternidade" escreveu em setembro de 1939. "Agradeço a cada um de vocês pelo muito que farão para ajudar-me e agradeço a todos pelo seu amor."

MARION JACK
UM EXEMPLO BRILHANTE

"Marion Jack", disse o Guardião, "não foi superada por ninguém em constância, abnegação, sacrifício e intrepidez a não ser pela incomparável Martha Root. Sua natureza franca e jovial fez com que seus amigos a chamassem de "Jackie", e sua constância firme fez com que o Mestre carinhosamente a chamasse de "General Jack". Ela era canadense e se declarou bahá'í enquanto estudava em Paris. A Conselheira continental Edna True, que a conheceu desde a infância, recorda: "Todos nós achávamos que ela era divertida". Ela ensinou inglês aos netos de 'Abdu'l-Bahá, na Terra Santa, em 1908. Acompanhou Martha Root até Adrianópolis em 1933, e nessa oportunidade Martha escreveu, dizendo que as crianças gostavam de se reunir ao redor de Marion e vê-la pintar e desenhar, enquanto as mães davam tapinhas nos seus ombros, dizendo: Aferim! Aferim! (Bravo, bravo!).

Quando o Plano Divino foi revelado, Marion foi ao Alaska, como pioneira. Ensinou a Fé em várias partes do Canadá, e ensinou e pintou na Escola Bahá'í de Green Acre, Estado de Maine. Os amigos gostavam muito de visitá-la em seu estúdio. Ela sempre dava as boas-vindas com olhos luminosos e belo sorriso. As pessoas conversavam com ela e admiravam suas pinturas de Green Acre e da Terra Santa.

Em 1930, Marion foi como pioneira para Sofia, Bulgária. Um dos seus filhos espirituais, que se encontrou com ela em 1938, recorda que a sua casa era um museu cheio de fotos, livros e papeis por todos os lugares, tanto em cima das cadeiras, da cama, como pelo chão, e havia sempre refrigerantes para os visitantes.

Ela necessitava de literatura em búlgaro, o que era impossível durante o período de guerra em que vivia, e o ensino tinha de ser feito com cautela, por causa da situação política.

Quando começou a segunda guerra mundial, o Guardião telegrafou: "Aconselho que regresse ao Canadá." Ela respondeu: "Para a Suíça eu asseguro obediência". Mas quando ele telegrafou novamente: "Aprovo Suíça", ela lhe telegrafou suplicando que lhe fosse permitido permanecer em seu posto pioneiro, pois "seu único desejo era o de permanecer com seus filhos espirituais". E o Guardião consentiu.

Marion não era rica, mas quando os pesados muros da guerra rodearam a Bulgária, a pequena pensão que ela recebia estava desvalorizada e não dava para cobrir seus gastos. Tinha o coração dilatado e outras doenças, e teve de sofrer frio, fome e desamparo. Quando a cidade de Sofia foi bombardeada, ela foi junto com outros refugiados para as campinas e somente regressou depois da guerra terminada. Marion tinha 80 anos de idade quando escreveu a seus amigos nos Estados Unidos: "Continua o interesse pela Causa apesar de nossa incapacidade de nos reorganizarmos." O Guardião deu instrução à Assembléia Nacional para que enviasse fundos para ela. "É uma alma heróica" - escreveu a secretária do Guardião a 8 de novembro de 1949, "e o melhor exemplo que temos de espírito pioneiro em qualquer parte do mundo, e o Guardião se sente profundamente endividado com ela e a ama carinhosamente."

Morreu em Sofia e lá foi enterrada. O Guardião disse que o seu túmulo seria um santuário nacional algum dia. Telegrafou dizendo que "ela era um brilhante exemplo pioneiro, para gerações presentes e futuras, no oriente e no ocidente", e uma carta escrita em nome dele, dizia: "Ele acha que cada bahá'í, e mais particularmente aqueles que abandonaram seus lares e foram servir em campos estrangeiros, devem saber de Marion Jack e devem olhar na direção dela."

LUA GETSINGER
ARAUTO DO CONVÊNIO

Lua Getsinger esteve no primeiro grupo de bahá'ís ocidentais que visitaram o Mestre, que pisaram nas praias de Akká, em 10 de dezembro de 1898. Esse foi o começo da vida de Lua. Tinha sido atriz e estava estudando em Chicago, quando se declarou como uma das primeiras bahá'ís do ocidente. Sua natureza apaixonada e dramática não era compreendida muito bem por alguns amigos, mas o Mestre a educou para a paixão do Amor Divino. "Eu lhe dei o poder de falar e desatar sua língua", disse Ele. May Maxwell, uma das filhas espirituais de Lua, escreveu que "Lua rompeu o caminho através da selva que ninguém havia passado antes. Lançou seu corpo e sua alma de forma destemida e morreu fazendo uma ponte por onde passasse."

Lua inalou do Mestre a fragrância do espírito de mártir. Ele lhe disse que ela fosse como Tahirih, "que havia escolhido seu caminho e conhecia sua meta." Lua deveria "atravessar a impenetrável escuridão da noite, os murmurantes ventos, as furiosas tempestades, e ver a luz gloriosa", e instada a continuar sempre avante. O Mestre a enviou a Muzaffari'-d-Din Sháh, do Irã, em uma missão delicada, que levou à diminuição das perseguições aos bahá'ís persas. Ele a enviou para ensinar nos Estados Unidos, Europa, África e Índia. Chamou-a de Livá - a Bandeira, o Estandarte - designou-a o "ARAUTO DO CONVÊNIO"; como uma chama, seu amor para o Mestre, o Centro do Convênio, a consumiria.

Seu "eu" era como uma vela que amoleceu e derreteu. Seu esposo, que a acompanhou em algumas viagens, escreveu: "ela nunca estava desocupada. De tempos em tempos eu a via em estado de absoluto cansaço, no entanto ela se recompunha por pura força de vontade, a fim de cumprir seus compromissos." Ela conheceu pouco descanso, pois 'Abdu'l-Bahá havia dito: "Dia e noite você deve se dedicar a propagar a Mensagem. Nenhuma outra coisa lhe será proveitosa."

Quando Lua sofreu um severo ataque cardíaco, o mestre disse: "Eu falei ao Anjo da Morte para se afastasse." Mas depois de cumprir um serviço na Índia, enquanto viajava para a América, a sua saúde decaiu. Ela morreu no Cairo, no Egito, a 1º de maio de 1916, com a idade de 45 anos. Durante o seu último ano de vida, havia escrito: "Favor dizer a todos os amigos que eu os amo e que estou preparada para me reunir com eles em espírito do Centro do Santo Convênio de Deus, que não é outra a não ser o puro amor espiritual e divino. Eu lhes peço que orem por mim, a mais indigna de suas leais servas."

O Guardião permitiu que os restos do grande mestre bahá'í do oriente, Mírzá Abu'l-Fad'l fossem enterrados com os de Lua Getsinger em dois túmulos adjacentes, um voltado para o Oriente e o outro para o Ocidente, no Cemitério bahá'í de Cairo, em 1916.

"A Imortal Lua", assim o Guardião a chamou, "mestra e mãe da Comunidade Bahá'í Norte-Americana, Arauto do Amanhecer do Dia do Convênio." Ela absorveu o dom da eloqüência do Mestre, e se absorveu integralmente no Ensino.

MAY MAXWELL
A AMADA SERVA DE 'ABDU'L-BAHÁ

May Maxwell conheceu a Fé em Paris, através de Lua Getsinger, e acompanhou esse primeiro grupo de peregrinos a Akká. Relatou a exaltada reunião junto com o Mestre em seu livro: "UMA PEREGRINAÇÃO DOS PRIMEIROS TEMPOS." Havia sido uma inválida a maior parte de sua vida, mas quando conheceu o Mestre, Ele lhe disse: "Agora terminaram seus pesares e deve secar suas lágrimas." Ele escreveu para mãe dela em Paris: "Ela foi humana mas agora é divina; terrestre, mas agora celestial." E logo após a enviou a Paris para lá estabelecer a comunidade bahá'í.

De 1899 a 1902 muitas pessoas conheceram a Fé através de May, incluindo o primeiro bahá'í francês, Thomas Breakwell. Uma amiga, Juliet Thompson, escreveu, dizendo "que May possuía uma fascinação pessoal, tão frágil, tão luminosa e a mais delicada e perfeita beleza como flor e como estrela."

May ficou noiva de Sutherland Maxwell, um jovem estudante de arquitetura, em Paris, mas quando ele regressou ao seu lar em Montreal, ela, sempre obediente ao Mestre, permaneceu em Paris durante mais 2 anos. Casaram-se em Londres, em 1902, e se mudaram para Montreal, onde seu esposo se tornou o primeiro bahá'í canadense. E foi seguido por muitos outros. O lar Maxwell era um centro de amor e foi abençoado com a presença do Mestre em 1912. A filha do casal Maxwell foi Amatu'l-Bahá Ruhiyyíh Khánum, a esposa do amado Guardião e uma das Mãos da Causa de Deus.

Sutherland Maxwell desenhou a superestrutura do Santuário do Báb, e também foi nomeado Mão da Causa, e May, com sua devoção desprendida, ganhou a coroa de mártir. Em 1934, ela escreveu: "Não possuo duas vidas, mas uma só, e é para a vida interior da Causa que todas as coisas e circunstâncias exteriores devem se ajustar." Em cada pessoa ela conseguia ver as virtudes ocultas e então irradiava-se dela uma alegria contagiante. Ela era uma maravilhosa mestra da Fé porque inspirava amor. Para seus amigos ela parecia efêmera, desligada da terra. "A vida material pouco importava", escreveu ela, "o movimento da alma em relação ao Amado é o descobrimento de todo o significado da vida."

Depois do estabelecimento da Causa em Paris e Canadá, serviu na Assembléia Espiritual dos Estados Unidos e Canadá, na Assembléia Espiritual de Montreal e começou uma Escola Montessori em sua casa; fez viagens de ensino dentro do Canadá, Estados Unidos e Europa; presenciou o casamento de sua única filha com o amado Guardião da Causa de Deus. Aos 70 anos de idade fez uma viagem de ensino a Buenos Aires, capital da Argentina.

Arrebatada por seu inesgotável amor à Causa, animada por sua devoção ao Guardião, e cativada pelas possibilidades de colheitas espirituais na América do Sul, ela se apressou a ir à Argentina. Acompanhada por sua sobrinha, ensinou constantemente durante a viagem. Ao chegar em Buenos Aires, disse a sobrinha: "May se reclinou fora do táxi e proferiu palavras de regozijo." Na manhã seguinte May sofreu uma dor aguda em seu coração e morreu naquela mesma tarde. O Guardião telegrafou: "O sagrado vínculo que seus notáveis serviços forjaram", aludindo ao seu próprio casamento, "se junta agora à honra inapreciável da morte de uma mártir."

Seu túmulo, em Quilmes, Argentina, foi desenhado por seu esposo e mandado fazer pelo Guardião, dizendo que lá seria um centro histórico para atividades bahá'ís. A preciosa gravação da voz do Mestre foi ouvida em seu enterro. Ela foi amada serva de 'Abdu'l-Bahá e sua distinta discípula." O Mestre escreveu: "May Maxwell é realmente uma bahá'í e sua companhia eleva e desenvolve as almas."

HYDE E CLARA DUNN
CONQUISTADORES ESPIRITUAIS DE UM CONTINENTE

"Tudo foi tão simples, uma onda que entrou em nossa vida possuindo-nos e satisfazendo cada desejo de servir à nossa amada Causa, a Causa de Bahá'u'lláh e seu Glorioso Convênio", escreveu Hyde Dunn sobre a decisão dele e de sua esposa, Clara, de irem como pioneiros à Austrália, em 1918.

"Mother (ele sempre a chamava assim, e ela o chamava de Father, e assim eram conhecidos pelos amigos) estava lendo o apelo de 'Abdu'l-Bahá aos Estados Unidos e Canadá, e isso era tão penetrante e emocionante, que entrou em nossos corações. Mother levantou os olhos e disse: "Vamos, Father? Sim, foi a minha resposta... depois de alguns meses, enviei meu pedido de demissão à firma, desisti de tudo o mais e fizemos os arranjos para nossa viagem imediata."

A bordo do navio que os levava para a Austrália, a senhora Dunn conheceu um senhor que havia sido gerente de uma companhia nos Estados Unidos, da qual ela havia sido representante comercial. Ele lhe ofereceu um trabalho na Austrália, que realmente foi uma benção maravilhosa, porque o Sr. Dunn estava doente quando lá chegaram. Mas, depois de 6 meses ele encontrou um emprego, que o levou a viajar por toda a Austrália e Nova Zelândia. Assim a Sra. Dunn pode deixar seu emprego e viajar com o marido, residindo nas capitais. Durante a semana ela conhecia muitas pessoas e preparava as reuniões para os fins de semana, que ficavam a cargo do sr. Dunn. "O interesse pela Causa aumentava continuamente e as pessoas apareciam a qualquer hora. Não havia tempo nem para respirar, pois o trabalho era interminável." A Sra. Dunn se lembrava freqüentemente do seu primeiro encontro com 'Abdu'l-Bahá, na Califórnia. Ela conhecera a Fé através de "Father" e ainda não havia pensado em se casar. Um dia estava jantando com o Mestre, que contou uma história maravilhosa. A voz dele era alegre e o "Seu sorriso tão bonito", disse Clara. Somente quando chegaram à Austrália é que o casal Dunn entendeu que o Mestre estivera contando a história de suas vidas e seu glorioso destino.

O Sr. Dunn chegou a ver a formação da primeira Assembléia Espiritual da Austrália e Nova Zelândia, em 1941. Por ocasião de seu falecimento o Guardião telegrafou: "... o querido Father Dunn era um guerreiro da Fé de Bahá'u'lláh e sua carreira magnífica refletia o brilho mais puro da missão histórica mundial conferida à Comunidade americana por 'Abdu'l-Bahá."

Clara Dunn viveu até 1960. Em 1952 o Guardião a nomeou "Mão da Causa de Deus", e o sr. Dunn foi postumamente elevado ao mesmo grau. Ela viu a formação das Assembléias Nacionais da Austrália, e a da Nova Zelândia. Viu sair pioneiros da Austrália e presenciou o fruto de seus esforços no estabelecimento da Assembléia Espiritual Regional, das Ilhas do Pacífico Sul.

A pedido do Guardião, em 1958, levou um pedaço de gesso de uma das prisões em que o Báb estivera, no Castelo de Mah-Kú, para a Conferência Internacional da Austrália, a fim de fazer parte da pedra fundamental do Templo Mãe das Antípodas.

O túmulo do casal Dunn em Sidney é o repositório do pó misturado das duas Mãos da Causa de Deus, conquistadores espirituais de um continente.

SUSAN I. MOODY
A SERVA DO ALTÍSSIMO

Susan I. Moody havia estudado arte em Chicago, Nova York, Filadélfia e Paris, mas num impulso irresistível foi a Chicago estudar medicina. Lá se declarou bahá'í em 1903, e foi professora de aulas bahá'ís para crianças. Em 1908 chegou uma carta do Mestre, perguntando-lhe se poderia ir ao Irã para ajudar as irmãs oprimidas. "Compreendi, então" declarou mais tarde, "porque senti o impulso tão forte de estudar medicina."

No caminho para Teerã, ela passou três dias na Terra Santa, com 'Abdu'l-Bahá. "Esses três dias", disse ela, "foram a sua vida inteira." Susan fez um voto: "tudo o que possuo e tudo que espero obter dedico a Ti, ó Deus." E o Mestre a chamou de "Amatu'l-Aláh, a Serva do Altíssimo.

Ela serviu no Irã durante 15 anos, rezando sempre por paciência, assim como 'Abdu'l-Bahá havia aconselhado, e que Ele estaria sempre com ela, vivo ou morto. Ela chegou a dominar o idioma persa e começou a praticar a medicina. Ajudou na construção de um hospital e escola para meninas. "Não posso descrever a privação que padecem", escreveu, referindo-se às mulheres persas. E durante uma desastrosa fome generalizada e uma epidemia de gripe, ela escreveu: "Ó, que benção estarmos vivos e acordados, e tratando de servir o Reino de Abhá!"

De 1925 a 1928, Susan esteve nos Estados Unidos e derramou todas as suas energias em viagens de ensino. Conseguiu levantar fundos para a escola de meninas e elogiou os serviços de outras mulheres bahá'ís que haviam trabalhado com ela no Irã: Elizabeth Stewart, Sarah A. Clark, e Lílian Kappes, que lá morreram.

A pedido do Guardião, regressou ao Irã com a idade de 77 anos. Durante seus últimos anos, recebeu muitas visitas, e sempre falava de preferência o persa, até com amigos americanos. Quando pediam algumas declarações a respeito de sua vida cheia de méritos, ela somente respondia: "Não se incomodem, deixem isso para o céu."

Quando morreu, em outubro de 1934, o Guardião telegrafou: "Através do seu espírito indômito e serviços contínuos, ela forjou o primeiro elo da corrente, unindo destinos espirituais no berço de nossa Fé e comunidades valentes defensores na grande República americana."

KEITH RANSOM-KEHLER
A PRIMEIRA MÁRTIR AMERICANA

'Abdu'l-Bahá deu à Susan Moody a missão de ajudar os amigos persas. Shoghi Effendi, durante outros tempos desoladores para a Fé no Irã, enviou Keith Ransom-Kehler para animar e defender os bahá'ís.

Keith fazia parte da elite social de Chicago quando se declarou bahá'í. Também fôra uma renomada cristã e era uma excelente oradora. Ensinou nos Estados Unidos, Europa, Índia e Austrália, onde conheceu o cacique dos Maoris.

Keith abandonou sua posição social pela Causa. Em 1923, provavelmente em uma época do início de sua vida como bahá'í, escreveu a May Maxwell: "Reze por mim, May, você é meu único refúgio... através desta tempestade amarga de provas onde cada atributo de luz é escurecido ou retirado, você permanecerá uma presença deslumbrante, um refúgio distante para o qual eu me ofereço, um presente e uma evidência que o Mestre me deixou..."

O sofrimento do Guardião lhe afetou profundamente. Ela estava em Haifa, em 1926, cinco anos após o falecimento do abençoado Mestre. Na Décima Oitava Convenção dos Bahá'ís dos Estados Unidos, ela escreveu sobre o Guardião: "...este jovem, com menos de 30 anos, trabalhando dia e noite por nós, sacrificando cada desejo e tendência humana para adiantar nossos esforços... com tanta vida pessoal quanto uma escultura, com tanta preocupação por si mesmo quanto a brisa ou a flor, apenas um bambu para soar a divina melodia. Cada um de nós está pronto para morrer por ele, mas poderemos conscientemente estar entre aqueles que estão dispostos a viver por ele?"

Em 1932, Keith esteve novamente em Haifa, onde o Guardião mesmo treinou-a para os serviços da Fé. A secretária do Guardião informou à Assembléia Espiritual Nacional que "ela realizou maravilhosos serviços na Austrália e Índia, e Shoghi Effendi tem a certeza que ela fará o mesmo na Pérsia." Ele pediu a ela para obter permissão das autoridades para levar literatura bahá'í para a Pérsia. Essa foi uma tarefa difícil, com constante ciclo de reuniões com oficiais, amáveis, afáveis, mas hipócritas, mas foi suavizada um pouco devido às suas reuniões com os bahá'ís persas, que a amavam carinhosamente, e que lhe davam ânimo e fortalecimento. Durante um ano prosseguiu nessa missão. "Que estranhas são as coisas de Deus", escreveu, "que eu, uma pobre e fraca anciã do longínquo Oeste deva estar suplicando liberdade e justiça na terra de Bahá'u'lláh". Exausta por seu trabalho, morreu durante uma epidemia de varíola, em outubro de 1933. Um mês antes de sua morte havia falado em uma reunião, em homenagem ao aniversário do Báb, enfatizando que os ensinamentos de Bahá'u'lláh são a única solução para os problemas do mundo.

"A valiosa vida de Keith", telegrafou o Guardião, "oferecido como sacrifício à Causa amada na terra natal de Bahá'u'lláh." Ele a nomeou Mão da Causa de Deus e disse ser ela a primeira mártir americana, lamentando a "separação física", de sua "valiosa colaboradora, conselheira infalível, estimada e fiel amiga."

"Eu caí", escreveu Keith durante aquele ano de provas, "embora nunca tenha vacilado. Meses de esforços sem vitória é o resultado. Se alguém, no futuro, puder se interessar por essa minha frustrada aventura, somente poderá dizer o quanto perto ou longe das alturas da complacência e indiferença caiu meu corpo cansado. A fumaça e o fragor da batalha são hoje ainda demasiadamente densos, para que eu possa acertar em dizer se me movimentei para frente ou se morri no meu caminho."

"Nada neste mundo é sem sentido, muito menos o sofrimento. O sacrifício acompanhado de agonia é um germe, um organismo. O homem não pode arruinar sua frutificação, assim como faz com as sementes da terra. Uma vez semeadas florescem, penso eu, em doces campos da eternidade. A minha será uma modesta flor, talvez como os simples miosótis regados pelo sangue de Quddús, que recolhi no Sabs-i-May-dán de Barfurush; se algum olhar a vir, poderá recolher a flor em nome de Shoghi Effendi e apreciá-la e guardá-la como sua lembrança querida."

ELLA BAILEY
VALENTE, PIONEIRA EXEMPLAR

Outra, cuja flor de sacrifício deve ser apreciada por amor a Shoghi Effendi foi Ella Bailey. Ela esteve como pioneira em Trípoli, de julho de 1953 a agosto do mesmo ano. Deixou os Estados Unidos com a idade de 89 anos, depois de uma luta contra a pneumonia, que a havia obrigado a entrar em uma Clínica de Repouso. E dizia sorrindo: "não vejo grande sacrifício desistir de viver, em um lar para descanso."

Ella recebeu a mensagem bahá'í através de Lua Getsinger. Conheceu o Mestre em 1912, em Chicago. "Ele elevou o olhar para o infinito e prosseguiu repetindo o meu nome: - Oh Ella Bailey, Ella Bailey!..." A sua explicação foi: "Ele colocou em meu nome toda emoção possível. E isso é que foi admirável." Ela sentiu que durante aqueles momentos o Mestre lhe deu "todas as emoções de uma vida". Deu a ela sofrimentos, mas estes lhe trouxeram fortaleza e fé, e fizeram com que sentisse Seu poder espiritual e Sua verdade.

Ella Bailey ensinou em Berkley, Califórnia, até que se aposentou em 1942, com a idade de 60 anos, devido à sua pouca saúde. Naquele tempo o diretor da Escola lhe enviou uma carta especial de apreciação pelo seu valor e fé.

Ella foi a primeira coordenadora da Assembléia Espiritual de Berkley e foi re-eleita sempre, durante 20 anos. Ensinava continuamente, mas preferia o anonimato; um velho amigo nunca a viu falando publicamente. Ela fazia reuniões com jantares, para pessoas que não imaginavam que ela mesma, constantemente, nada tinha além de chá e torradas para se alimentar. Seu pequeno quarto, no clube Berkley para mulheres, era um refúgio para muitas almas angustiadas.

Aos 88 anos, o Guardião pediu a seus amigos Robert e Bahia Gulick para irem como pioneiros para a África e Ella desejou secretamente acompanhá-los. Mas nada disse e ficou feliz quando eles a convidaram para ir também. Entretanto, ela temia que seria um fardo para os amigos. O casal telegrafou ao Guardião, que respondeu: "Aprovo que Bailey os acompanhe."

O casal Gulick planejou sair para a África depois da celebração do Jubileu e Dedicação do Templo-Mãe do Ocidente, em maio de 1953. Assim, Ella foi a Wilmette e viu o Templo de Luz, que fora construído em terreno baldio, que ela havia visto em 1912. Quando regressou a Berkley, após a Conferência, ficou muito doente e quando chegou à Trípoli seu estado de saúde piorou. Foi amorosamente cuidada pelos amigos, e sempre estava feliz em ter em seu quarto o filho do casal, de 2 anos de idade. Quando faleceu, os amigos se reuniram em torno e seu leito e rezaram em árabe e em inglês. Um bahá'í egípcio, chorando, a beijou na testa dizendo: "Adeus senhorita Bailey."

Ella foi enterrada nas margens do Trípoli. Seu túmulo foi presente do Guardião, que telegrafou dizendo: "... que sua morte santificava a expansão irresistível da Cruzada de 10 Anos, elevando-a a um grau de mártir da Fé, vigor e novo brilho da Comunidade Bahá'í Americana", e consagrou o terreno do Continente Africano que estava despertando rapidamente. E em um dos mapas, ele colocou uma estrela dourada no lugar onde falecera Ella Bailey.

DOROTHY BAKER
A MÁRTIR PEREGRINA

A heroína que não tem seu túmulo e nem um epitáfio gravado em pedra, é Dorothy Baker.

Dorothy tinha 14 anos de idade quando sua avó a levou a Nova York para ver 'Abdu'l-Bahá. Demasiado tímida para falar, ela se sentou junto a Ele, a seu pedido, e depois orou para não precisar falar. Ele sorriu e continuou falando com outras pessoas. Dorothy nunca conseguiu se lembrar do que o Mestre falara naquele dia, mas se declarou bahá'í. Aquela imagem ficou gravada permanentemente em sua mente. Ela escreveu mais tarde ao Mestre, dizendo-Lhe que queria servir à Fé, e a resposta foi que Ele rezaria para que Deus aceitasse a sua intenção. Ela não sabia que 'Abdu'l-Bahá havia chamado sua avó e lhe dissera: "Sua neta é minha própria filha. Você deve educá-la para Mim."

A criança, que era tímida para falar, tornou-se uma das mais eloqüentes instrutores bahá'ís, como jamais existira antes. Ela se impregnou dos ensinamentos, como se sua vida dependesse do fato de estar completamente cheia até transbordar com a Revelação de Bahá'u'lláh. Ela estava segura que seu dever consistia em "dar pensamentos que respirassem."

Deu a sua primeira palestra pública durante a celebração do Ridván, em 1929, no auditório do Foundation Hall na Casa de Adoração Bahá'í. A srta. True, que era companheira de Dorothy na Assembléia Nacional, lembra-se que ela era uma oradora natural, e que, depois de uma grande preparação para cada palestra, não usava os apontamentos. Ela também se lembrava de como Dorothy era bonita, em seu comprido vestido branco, enquanto falava durante o Centenário Bahá'í em 1944. Outra pessoa que conheceu Dorothy disse que ela era radiante e só comparável à Lua Getsinger.

Dorothy Baker acreditava muito na oração e ensinou a todos o seu valor. Ela tinha grandes dotes como administradora e serviu como a primeira mulher coordenadora da Assembléia Espiritual Nacional de seu país. Esteve em muitos comitês nacionais e ensinou através de todo o país. Dentro de um período de 2 anos deu palestras em mais de 90 universidades. Encantava-se em trabalhar com os jovens e era uma terna mãe e esposa. Visitou a América do Sul várias vezes, designada pela Assembléia Espiritual Nacional, e todos eram unânimes em dizer que ela era "muito querida e sumamente simpática." Sempre dizia: "Meu coração está na América Latina." Quando se iniciou a campanha para o ensino na Europa ela esteve lá. "Dorothy era boa para as pessoas", dizia a Srta. True. "Sempre otimista, alegre e sem negativismo." Na Europa, comportava-se como européia, e na América Latina, como nativa. Nunca impunha sua própria experiência aos outros. Em seus relatos sempre falava e louvava a perspicácia de outras pessoas e nunca falava de si mesma. E as informações vindas de outras pessoas só falavam de Dorothy e do muito que ela fizera por elas.

O Guardião nomeou Dorothy Baker como Mão da Causa de Deus, em 1951, e a seu pedido ela viajou para assistir às Conferências Internacionais da África, Índia e Europa, durante o Ano do Maior Jubileu, em 1953. E o último ano de sua vida foi também iluminado por uma peregrinação.

"Boas-vindas, mil vezes boas-vindas minha mártir peregrina" foram as palavras que o Guardião lhe dirigiu. "Por que mártir, Amado Guardião?" perguntou ela. "Sua voz", como descreveu a Mão da Causa, A. Faizí, "foi suave e penetrante, e soou mais comovedora que nunca." "Porque três vezes você pediu para fazer peregrinação e por três vezes eu a enviei a diferentes campos de ensino, e você aceitou as missões com aquiescência radiante," o Guardião explicou.

Quanto à peregrinação, escreveu: "Não tentarei escrever sobre as coisas reais, as do coração, mas posso dizer que a Glória da Causa e sua Grandeza brilham como o sol, e com respeito ao nosso amado Guardião, às vezes é um servo e outras um rei. É ao mesmo tempo o ponto de toda a alegria e o centro nervoso do sofrimento. As pessoas não podem aceitar uma parte dele e afastar a outra. Ele é um resgate e nós somos os beneficiários. Ele sofre as dificuldades dos profetas e no entanto é o irmão verdadeiro. E ao se lançar no mar do sacrifício está disposto a nos levar junto, cada um de nós, para esse mar luminoso. A América é um cavalo de chumbo. Shoghi Effendi conduz uma carruagem que deve vencer as forças combinadas do mundo, e joga o chicote sobre o cavalo de chumbo, não sobre os outros. Os amigos, por acaso, já pensaram nisso? A peregrinação começa quando alguém aperta sua mão e somente termina quando alguém olha em sua face pela última vez. E no intervalo você se ajoelha nos Santuários e pede guia para servir. E quando sua oração é respondida, não há mais dúvida: milhares de bênçãos giram ao redor de suas respostas e o Guardião é o Centro de todas elas."

A pedido do Guardião, depois da Conferência de Nova Delhi, Dorothy ensinou através da Índia, durante 2 meses. Seguiu para Granada a fim de se reunir com seu esposo, Frank, como pioneiros. Seu avião pegou fogo sobre a Ilha de Elba e caiu no mar Mediterrâneo. A notícia da explosão viajou como um relâmpago ao redor do mundo, dando muita publicidade a Dorothy Baker e para a Fé Bahá'í. O Guardião não podia acreditar ao ouvir a notícia. Pensou que havia um erro. Enviou um telegrama destacando os enormes serviços que Dorothy havia prestado à Causa de Bahá'u'lláh, e no qual disse que ela "enriquecia os anais históricos no final da época da inauguração heróica da Idade Formativa da Dispensação Bahá'í." Ela foi a "intérprete eloqüente" dos ensinamentos da Fé, "sustentadora infatigável de suas Instituições, valente defensora de seus preceitos." Havia prestado "serviços imorredouros", disse ele.

"Eu gostaria que vocês O vissem como uma Pessoa fina de corpo, de traços finos", disse ela uma vez em uma palestra sobre o Báb. "Ele aparentava uma tranqüilidade e majestade pouco comuns entre os homens e sempre era reconhecido como "diferente" de todos. Através de sua doce influência, levantando as mãos em silêncio e natural adoração, Ele parecia emitir um inefável poder, como um mar de luz que transformou o seu país de origem." Ela falava como se O tivesse visto. Esse era o dom que possuía. "Sua influência na América Central é mais poderosa e misteriosa", como escreveu o Conselheiro Arthemus Lamb, que naquela época era membro da Assembléia Espiritual Nacional da América Central, pois "a realidade é que ela passou poucos dias aqui, em várias ocasiões. No entanto, todos a amavam profundamente e se sentiam dependentes dela, como mãe e filhos. Depois de sua morte, muitas pessoas escreveram dizendo de sua influência e que esta se vê e se sente, agora mais que nunca."

No dia 18 de janeiro de 1954 os bahá'ís rezaram na proa de um navio e atiraram muitos cravos na água. Fizeram buscas no Mediterrâneo a procura dos corpos mas apenas traços dos passageiros foram encontrados. De Dorothy havia apenas um livrinho pequeno, "Uma peregrinação dos primeiros tempos", escrito por May Maxwell. Ele foi mostrado a um jornalista, que o atirou novamente ao mar.

Bahá'u'lláh prometeu: "Aqueles que abandonaram seu país com o propósito de ensinar a Nossa Causa, serão fortalecidos com o Espírito Fiel, mediante Seu poder. Uma companhia de Anjos partirá com eles, como ordenou Aquele Todo Poderoso, o Onisciente."

Essa companhia de Anjos escolhidos é a essência daqueles como MARTHA ROOT, MARIAN JACK, LUA GETSINGER, MAY MAXWELL, HIDE E CLARA DUNN, SUSAN MOODY, KEITH-KEHLER, ELLA BAILEY, DOROTHY BAKER. Esta é a essência daqueles mártires, Rompedores da Alvorada, que escreveram "com aquela tinta carmesim..."

"Olhai para Mim e sede como Eu; deveis morrer para vós mesmos e para o mundo, e assim nascereis de novo e entrareis no Reino do Céu." Isso foi o que o Mestre falou e isso foi o que elas fizeram. E esse é o presente da imortalidade que Deus dotou para cada alma, para que o recebam e sigam avante, com um amor que não espera.


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