Announcing: BahaiPrayers.net


More Books by Hooshmand Fatheazam

O Novo Jardim
Free Interfaith Software

Web - Windows - iPhone








Hooshmand Fatheazam : O Novo Jardim
O Novo Jardim
Hooshmand Fatheazam
Título original em inglês: The New Garden
Editora Bahá'í do Brasil
Tradução: Osmar Mendes
Revisão: Bijan Ardjomand

Proclamai aos filhos da certeza que, dentro dos domínios da santidade, perto do paraíso celestial, apareceu um novo jardim, em volta do qual circulam os que residem no reino nas alturas e os habitantes imortais do excelso paraíso. Esforçai-vos, pois, para que possais atingir essa condição; desvendar de suas anêmonas os mistérios do amor e aprender de seus frutos eternos o segredo da consumada sabedoria divina. Consolados são os olhos dos que aí entram e permanecem.

Bahá'u'lláh
1. DEUS E SUA RELIGIÃO
O Propósito de Nossas Vidas

Você já comparou um matagal a uma fazenda? No matagal as plantas crescem de modo selvagem, em meio a densos arbustos e indômitas plantas rasteiras. A fazenda possui contornos geométricos, terreno cultivado, uma rede de canais de irrigação - de um lado temos uma roça de milho e, de outro, um canavial.

Qual a diferença entre um matagal e uma fazenda?

Na fazenda pode-se notar ordem em tudo, enquanto no matagal não há ordem alguma. Na fazenda há cuidado e cultivo, ao passo que no matagal tudo cresce ao acaso, desordenadamente.

Onde há ordem existe algum propósito.

Não cultivamos um campo a toa. Não cavamos canais e poços sem motivo. Temos um propósito em fazer tudo isto. Se não houvesse algum propósito, abandonaríamos o terreno à mercê da chuva, do vento e do sol, deixando-o transformar-se num matagal, com toda a sua vida selvagem

A fazenda possui ordem, tem uma finalidade.

Repare na Criação como um todo. Não observa uma perfeita ordem em tudo? Veja a lua, como ela vai e volta. No próximo mês a lua crescente brilhará novamente como uma adaga de ouro. Espere mais catorze dias e observe como ela surge em toda a sua formosura, semelhante a um escudo prateado. Você pode contar os dias da lua porque o seu vai-e-vem ocorre segundo uma ordem. Atente para o sol, para a mudança das estações do ano, para o nascimento de uma criança, para o cultivo de um campo. Em toda parte existe ordem, e, portanto, existe um propósito por trás se todas estas coisas. Elas não podem existir sem um propósito.

Qual a finalidade da nossa criação? Conhecer a Deus, nosso Criador, e adorá-Lo.

Se O conhecermos, a finalidade de nossas vidas estará cumprida. O propósito da lâmpada é iluminar. A flauta tem o propósito de gerar melodiosas notas musicais. A fim de cumprir a finalidade de nossas vidas, precisamos conhecer a Deus. Se não o conhecermos, seremos como lâmpadas apagadas e flautas silenciosas.

Bahá'u'lláh, o grande Manifestante Divino da nossa era, revela a seguinte oração:

Dou testemunho, ó meu Deus, de que Tu me criaste para Te conhecer e adorar. Confesso, neste momento, minha incapacidade e Teu poder, minha pobreza e Tua riqueza. Não há outro Deus além de Ti, o Amparo no perigo, O que subsiste por Si próprio.1

Bahá'u'lláh nos pediu para recitarmos esta oração diariamente, ao meio-dia, a fim de não esquecermos o propósito pelo qual fomos criados. Sejamos flautas melodiosas, vibrantes com o louvor a Deus. Não permaneçamos silentes!

Como Conhecer a Deus

Nossa vida sobre a terra depende principalmente do sol. Ele nos fornece luz e calor. Se os benefícios do sol fossem interrompido, tudo pereceria sobre a face da terra. No entanto, é impossível chegarmos muito próximos a ele. Se assim fizermos, o sol, esta mesma fonte de luz e de vida, consumir-nos-ia inteiramente. Somos demasiadamente fracos para resistir ao calor e à luz diretos do poderoso sol. Ele, porém, através de seus raios, nos envia sua energia, calor, luz e vida. Seus raios o unem a nós.

Deus, o Todo-Poderoso, o Criador, o Onipotente, é imensuravelmente superior àquilo que nós podemos imaginar. Ele é a 'Essência Incognoscível'. Como podemos atingi-Lo através de nossos próprios esforços? Se tentarmos nos aproximar excessivamente do sol, seremos consumidos. Como pretendemos, então, chegar a Deus, o Criador de todas as coisas, o mais Glorioso, o Altíssimo? Não podemos ir a Ele, mas Ele pode chegar a nós. O sol nos envia sua energia através de seus raios. A guia de Deus e sua glória vêm até nós através de Seus Manifestantes como Krishna, Cristo, Muhammad e Bahá'u'lláh. Os Manifestantes de Deus são os únicos meios que nos podem conduzir a Ele. Não fosse por eles, nosso mundo permaneceria obscuro e nossa vida seria verdadeira morte.

Se reconhecermos os Manifestantes Divinos, teremos reconhecido a Deus. Se Os negarmos, a Deus teremos negado.

Bahá'u'lláh, o Manifestante de Deus para nossa era, diz:

A porta do conhecimento do Ser Antigo sempre esteve e para sempre permanecerá fechada à face dos homens. Nenhuma compreensão humana conseguirá jamais acesso à Sua corte sagrada. Como sinal de Sua Mercê, porém, e prova de Sua benevolência, manifestou Ele aos homens os Sóis de Sua guia divina, os Símbolos de Sua divina unidade, e ordenou fosse o conhecimento desses Seres sagrados, idêntico ao conhecimento de Seu próprio Ser. Quem os reconhecer, terá reconhecido a Deus. Quem escutar seu chamado, terá escutado a Voz de Deus, e quem der testemunho da verdade de sua Revelação, terá atestado a verdade do próprio Deus. Quem se afastar deles, terá se afastado de Deus, e quem neles não acreditar, em Deus não terá acreditado. Cada um deles é o Caminho de Deus, que une este mundo aos domínios do além, e é o Estandarte de Sua Verdade para cada um dos reinos da terra e do céu. São os Manifestantes de Deus entre os homens, as evidências de Sua Verdade e os sinais de Sua glória.2

O Amor de Deus

O conhecimento dos Manifestantes de Deus cria o amor de Deus em nossos corações. Este amor é a fonte de perpétua alegria. Segundo Bahá'u'lláh, o amor é a causa da nossa criação:

Ó Filho do Homem!

Velado em Meu Ser Imemorial e na eternidade antiga de Minha Essência, conheci Meu amor por ti e assim te criei, gravando em ti Minha imagem e revelando-te Minha beleza.3

Deus nos amou e nos criou. Em virtude de nos ter amado e sempre continuar a nos amar, Ele nunca nos abandona ao desamparo. De tempo em tempo Ele se manifesta. 'Abdu'l-Bahá diz:

Considere até que ponto o amor de Deus se faz manifesto. Entre os sinais de Seu Amor que aparecem no mundo estão os pontos do alvorecer de Seus Manifestantes. Que grau infinito de amor os Manifestantes de Deus refletem para a humanidade! Com o propósito de guiar os povos, Eles prontamente ofereceram Suas vidas para ressuscitar os corações dos homens. Aceitaram a cruz. A fim de capacitar as almas humanas a alcançarem o supremo grau de desenvolvimento, Eles sofreram o máximo de provações e dificuldades durante Seus limitados anos de vida. ...

Observe quão raramente as pessoas sacrificam seu prazer ou conforto pelos outros; como é improvável que alguém ofereça seus próprios olhos, ou permita que lhe tirem um membro para o benefício de outro. No entanto, todos os divinos Manifestantes sofreram, ofereceram suas vidas e seu sangue; sacrificaram sua existência, seu conforto e tudo o que possuíam pela humanidade. Por isso, imagine o quanto eles amam... Não fosse pela sua luz, as almas humanas não seriam radiantes. Quão efetivo é o Seu amor! Isto é um sinal do amor de Deus; um raio do Sol da Realidade.4

Deus nos ama e quer que O amemos também. Bahá'u'lláh diz:

Ó Filho da Visão Maravilhosa!

Insuflei em ti um sopro de Meu próprio Espírito, a fim de que Me pudesses amar. Por que Me abandonaste e quiseste outro que não Eu como teu bem-amado? 5

Ter amor a Deus! Este é o único objetivo da vida de um bahá'í. Ter Deus como seu mais próximo Companheiro e mais íntimo amigo, seu Bem-Amado sem igual, em Cuja presença está a plenitude da alegria! E amar a Deus significa amar a tudo e a todos, pois todos são de Deus. O verdadeiro bahá'í é a personificação do amor. Ama a todos, de coração puro e com fervor. A ninguém odeia nem despreza, pois aprendeu a ver a Face do Bem-Amado em toda face, e a ver Seus sinais em toda parte. Seu amor não conhece limites de credo, nação, classe ou raça. 6

O amor entre os homens será facilmente conseguido, se o amor a Deus estiver em nossos corações. 'Abdu'l-Bahá diz:

O amor que existe entre corações dos crentes é movido pelo ideal da unidade dos espíritos. Este amor é alcançado pelo conhecimento de Deus, de maneira que os homens sintam refletido no coração o Amor Divino. Cada um vê no outro a beleza de Deus revelada na alma e, encontrando este ponto de similaridade, todos são atraídos por amor recíproco. Este amor fará de todos os homens ondas de um só mar, estrelas do mesmo céu e frutos de uma só árvore. Este amor realizará o verdadeiro acordo, estabelecerá o alicerce da real unidade.6a

Lembremo-nos do chamado de Deus:
Ó Filho do Ser!

Ama-Me, a fim de que Eu te possa amar. Se não Me amas, de modo algum pode o Meu amor te atingir. Sabe isto, ó servo!7

A Unidade da Religião

Quando somos bahá'ís acreditamos na origem divina de todas as religiões do passado. Não mudamos de religião ao nos tornarmos bahá'ís, pois cremos que Deus tem apenas uma religião que nos é concedida de tempo em tempo. Ao aceitar a religião de todos os tempos, apenas teremos aprimorado nossa fé em Deus. Na verdade, não a teremos trocado. A semente se desenvolve em raízes do qual se estendem o tronco e os ramos, as folhas, as flores e os frutos. A árvore é sempre a mesma, o tempo todo. Ela não muda, apenas se desenvolve. O sol é sempre o mesmo, embora surja em diferentes pontos do horizonte. Os povos do mundo, por cega imitação e ignorância, adoram o horizonte em que seus ancestrais viram o Sol da Manifestação Divina. Se o mesmo Sol nascer em outro ponto do horizonte, eles o ignoram e ficam desnorteados. Nós, porém, quando observamos o sol, reconhecemos nele o mesmo sol que já brilhou anteriormente de outros pontos do horizonte.

Os bahá'ís acreditam que todos os Profetas do passado possuem a mesma posição e propósito. Todos são Jardineiros divinos que colaboram com o desenvolvimento da abençoada árvore de Deus. Por isso, quando bahá'ís, somos todos unidos sob uma Fé comum.

Bahá'u'lláh escreve:

... Considerai o sol. Se dissesse agora: 'Sou o sol de ontem', diria a verdade; e se, levando em conta a seqüência do tempo, pretendesse ser outro sol, estaria ainda dizendo a verdade. De modo semelhante, se dissermos que todos os dias são o mesmo, isto será certo e verdadeiro; e se, referindo-nos a seus nomes e designações especiais, dissermos que diferem, isto também será verdade. Pois embora sejam iguais, reconhecemos em cada, no entanto, uma designação distinta, um atributo específico, um caráter particular. Deves conceber, outrossim, a distinção, a variação e ao mesmo tempo, a unidade, que caracterizam os vários Manifestantes da Santidade, a fim de que possas compreender as alusões que o Criador de todos os nomes e atributos faz aos mistérios da distinção e da unidade, e descobrir a resposta à tua pergunta sobre a razão porque a Beleza Eterna, em várias épocas, se tem chamado por nomes e títulos diferentes.8

Novamente Bahá'u'lláh nos assegura que não há distinção ou diferença entre os Manifestantes Divinos. Seus nomes podem diferir, mas eles representam a mesma Verdade, encontram-se sentados sobre o mesmo Trono e gozam da mesma proximidade de Deus. Ele nos convida a crer em todos Eles, nas seguintes palavras:

Acautelai-vos, ó vós que credes na Unidade de Deus, para que não sejais induzidos a fazer distinção alguma entre os Manifestantes de Sua Causa ou a discriminar contra os sinais que têm acompanhado e proclamado Sua Revelação. É este, realmente, o verdadeiro sentido da Unidade Divina, - se sois dos que percebem e aceitam esta verdade. Tende certeza, além disso, de que as obras e ações de cada um desses Manifestantes de Deus, - ainda mais, qualquer coisa que lhes pertença ou que eles, no futuro, possam manifestar - são todas ordenadas por Deus e refletem Sua Vontade e Seu Desígnio. Quem fizer a mínima diferença entre as pessoas, as palavras, as mensagens, as ações e maneiras deles, se terá tornado, em verdade, descrente de Deus, terá repudiado Seus sinais e traído a Causa de Seus Mensageiros.9

A Religião se Repete

Há diferentes estações em cada ano. Inicialmente surge a primavera, com toda a sua beleza. Em seguida chega o verão, a estação de colheita e abundância. Depois de algum tempo chega o inverno e a natureza é privada de sua fartura e exuberância. Ao fim de cada inverno, porém, inicia-se uma nova primavera, que será seguida, outra vez, pela estação da colheita.

Todos os dias o sol do amanhecer ergue-se gradualmente até atingir seu zênite; depois começa a declinar até desaparecer no horizonte. Assim que o sol se põe, tudo mergulha na escuridão. Mas, quando todas as lâmpadas e velas do mundo falham em dissipar as trevas, o sol surge novamente - o mesmo belo e glorioso sol. É exatamente isto que ocorre com as grandes religiões.

Quando o Sol da Realidade se ergue, um Novo Dia de glória principia. Há luz em toda parte. todos se alegram, pois a época das trevas se foi. Um novo dia começa e, aos poucos, vai se aproximando do seu fim. Em toda religião, há um tempo em que a Verdade é encoberta pelo aparecimento das doutrinas humanas. Quanto mais o homem esquece os ensinamentos de Deus, mais obscurecida se torna a sua vida espiritual. Quando o homem introduz seus próprios pensamentos e interpreta a religião de modo a favorecer os seus próprios motivos egoístas, as trevas encobrem o mundo. As únicas fontes de luz que nos restam, numa noite assim, são os poucos santos e sábios que, semelhantes a velas e lâmpadas terrenas, acesas após o pôr do sol.

Essas pequenas luzes também vão se apagando um após o outro e o mundo mergulha num profundo sono de ignorância. Este é o momento em que novamente o Sol da Verdade volta a brilhar. No passado esse Sol brilhou através de Krishna, Buda, Cristo, Muhammad e outros. Nesta idade sombria, o Sol da Verdade brilha mais uma vez, agora por intermédio de Bahá'u'lláh, a Glória de Deus. Não fiquemos satisfeitos com as nossas lâmpadas terrenas e velas que estão se apagando. O sol está brilhando. Despertemos! Despertemos!

Bahá'u'lláh proclama:

Em verdade, digo, este é o Dia em que a humanidade pode contemplar a Face do Prometido e Lhe ouvir a Voz. O Chamado de Deus ergueu-se e a luz de Seu Semblante resplandeceu sobre os homens. É dever de cada um apagar da tábua de seu coração o traço de toda palavra vã e, com mente aberta e imparcial, fixar os olhos nos sinais de Sua Revelação, nas provas de Sua Missão e nas evidências de Sua glória.10

A Religião é Progressiva
'Abdu'l-Bahá diz:

Da semente da realidade, a religião germinou até tornar-se uma árvore que desenvolveu ramos e folhas, flores e frutos. Após algum tempo, esta árvore entrou num estado de decadência. Murcharam e pereceram suas folhas e flores; a árvore envelheceu e tornou-se estéril. Não é razoável que o homem se apegue à velha árvore, pretendendo que sua força vital não tenha diminuído, que seja inigualável seu fruto e eterna sua existência. A semente da verdade deve novamente ser lançada nos corações humanos, a fim de que uma nova árvore possa crescer e novos frutos divinos reanimem o mundo. Deste modo as nações e os povos, agora divergentes na religião, serão unidos, as imitações serão deixadas de lado, e será estabelecida uma fraternidade universal baseada na própria verdade. A guerra e a contenda cessarão entre os homens; todos se reconciliarão como servos de Deus.11

A religião é uma escola espiritual, em que a humanidade recebe instrução divina e desenvolve o corpo e a alma. O fundador desta escola é Deus. Os filhos dos homens, se buscam o progresso e a felicidade, devem passar por esta escola. No início, temos que freqüentar o primeiro ano da escola, no qual o bondoso professor começa com o alfabeto e lições simples. Quando, através da atenção e bondade desse professor, nossa mente atinge um desenvolvimento suficiente, somos mandados para o segundo ano, no qual encontramos um outro professor, que ministra seus ensinamentos baseados naquilo que já aprendemos no ano anterior, mas acrescenta novas medidas de conhecimento. Assim nossa mente e nosso corpo se desenvolvem nesta escola, sob a orientação dos nossos professores.

Poderíamos dizer que algum desses professores, que lecionam nas diversas séries, é melhor do que os outros? Poderíamos deixar de gostar do professor do segundo ano, apenas porque nos apegamos ao professor do primeiro ano? Poderíamos dizer que aquilo que aprendemos no primeiro ano foi melhor que as lições recebidas no segundo? É claro que não!

Essas diferentes séries pertencem todas à mesma escola. Seguem um mesmo método de ensino, porém, em cada série, nossas idades e capacidades são diferentes. Quando tínhamos seis anos de idade, nossas capacidades eram pequenas, e o nosso professor foi instruído, pelo sábio fundador da escola, a nos ensinar apenas aquilo que, nessa idade, estávamos aptos a compreender. O que aprendemos então, foram as lições que melhor tínhamos condições de assimilar naquela determinada idade. Se nos ensinassem as lições do terceiro ano, logo no início, jamais faríamos progresso. O mesmo acontece com a religião. Deus é um e a Sua Religião também é uma. Nós é que, em diferentes épocas, temos diferentes capacidades.

Nossos divinos Professores, os Manifestantes de Deus, são sábios. Todos eles têm um propósito, o de nos ajudar a progredir no Reino de Deus. Através dos tempos, porém, o homem se desenvolve e com esse desenvolvimento suas capacidades mudam. Devemos, portanto, reconhecer a sabedoria dessa lei evolutiva de progresso, que Deus, em diferentes épocas, nos legou através de Seus Manifestantes. Não devemos nos permitir permanecer numa determinada série dessa divina instituição, só porque amamos o Professor dessa série. Isso não é verdadeiro amor pelo nosso professor, pois se permanecermos em sua classe, ele, certamente ficará triste. Ele quer que avancemos e recebamos instruções dos professores dos anos seguintes também. Isto não significa que um professor tem menos conhecimento do que o outro. Não. Todos eles possuem o mesmo grau de conhecimento. Todos são igualmente sábios e importantes. E por serem sábios é que nos dão apenas o conhecimento que precisamos em cada época. Mas eles nos asseguram que quando tivermos nos esforçado bastante e seguido suas instruções, teremos outro Professor para nos ajudar a progredir ainda mais. Nosso próximo Professor, por sua vez, elogia o esforço e a habilidade do Professor anterior, do qual adquirimos conhecimento. Da mesma maneira, vemos que cada um dos Profetas de Deus elogiou aqueles que O precederam e prometeu mais instrução através de um Professor que deve vir depois dEle.

Se algum de nós interromper seu progresso na escola da religião de Deus, será um fracasso; se, porém, acreditar no progresso e na sabedoria dos divinos Manifestantes, tratará de se capacitar para receber uma maior quantidade de conhecimento do Mestre Divino que traz as lições apropriadas para a sua época.

Bahá'u'lláh ensinou que o fundamento de todas as religiões é um só. Em todas as séries da escola a pessoa é ensinada a ser honesta, sincera, bondosa, etc. Essas regras fundamentais não mudam quando passamos para uma série mais avançada. Seja na primeira, segunda ou terceira série, esses atributos celestiais são sempre elogiados. São verdades eternas, válidas em todas as épocas. Estes são os alicerces. Mas os alicerces por si só não são suficientes. Alguma coisa deve ser erguida sobre esses alicerces para atender às nossas necessidades em diferentes épocas. É exatamente isso que as religiões de Deus fazem. Sobre a mesma Verdade fundamental, que é imutável, elas desenvolvem o conhecimento e a capacidade do homem a um grau mais elevado, em cada fase do seu crescimento. Ao proceder assim, fundamentam seus mandamentos sobre os alicerces do conhecimento dado pelos Manifestantes anteriores, da mesma forma que a álgebra ensinada nas séries superiores de uma escola baseia-se nas regras da aritmética elementar aprendidas na infância.

Estamos vivendo agora em um novo ciclo do poder humano, ou seja, vivemos em uma nova era e dispomos de maiores poderes e capacidades do que jamais possuímos anteriormente. Graças aos Manifestantes do passado, fomos preparados para receber uma maior medida do conhecimento de Deus, por intermédio de Seu Porta-voz para esta época -Bahá'u'lláh.

Bahá'u'lláh nos ensinou a Unidade de Deus, a unidade da religião e a unidade da humanidade. Elogiou todos os Profetas do passado e nos explicou que todos eles deram as boas novas de que na plenitude do tempo o Prometido amado de todos Eles haveria de surgir. Os elos da corrente de ouro da profecia foram ligados uns aos outros por Bahá'u'lláh. É uma história maravilhosa.

2. OS MANIFESTANTES DE DEUS
Krishna

Krishna foi um Mensageiro de Deus. Sua Mensagem foi a Mensagem do amor. Ele nasceu numa prisão. Isto é um sinal de que todos nascemos na prisão do ego, a prisão deste mundo. Krishna escapou milagrosamente da prisão. Se tentarmos ser bons e procurarmos ser religiosos, nós também conseguiremos escapar da prisão do ego.

Krishna, assim como os demais Manifestantes de Deus, teve de enfrentar as forças do mal. Ele lutou contra o mal e venceu. Não importa quão poderoso possa ser o mal, o poder da verdade é sempre vitorioso.

Krishna tornou-se o Rei de Dwarka, que significa Pequeno Portão. Ele foi o portão do conhecimento do próprio Deus. Seus ensinamentos foram para o bem do homem. Mas este, infelizmente, rejeitou-os.

Krishna estava triste porque o povo não conseguia compreendê-Lo. Reclamava que o povo não acreditava nEle porque Ele aparecera em forma humana. Os homens tinham suas próprias idéias sobre Deus e Seu Manifestante. Por isso, quando Krishna afirmava ser o Manifestante de Deus, o povo rejeitava-O. Eis o que Krishna falou em Seu Livro Sagrado, o Gita:

Os ignorantes Me desdenham, porque Me apresento em corpo humano, desconhecendo Minha natureza superior como o Senhor de toda a existência.

Gita, IX: 11

Mesmo o seu discípulo amado, Arjuna, não conseguia compreender o Poder Divino existente em Krishna. Arjuna não podia acreditar que o templo humano pudesse tornar-se a sede do Ser Divino. Dizem que Krishna teve de Se transformar na Forma Divina para Arjuna poder perceber Seu poder e nEle acreditar.

Isto significa que Krishna ajudou Arjuna a entender Sua majestade e grandeza espirituais antes que ele pudesse ter fé no Senhor. A batalha de Kurukshetra tomou outro rumo quando Arjuna se armou para obedecer ao Senhor.

Sabemos que esta foi a batalha entre o Bem e o Mal. Os Kauravas, primos dos Pandarvas, é que a iniciaram. Arjuna, o mais forte dos Pandarvas, foi guiado por Krishna na luta contra o exército das trevas. Krishna foi o condutor da carruagem de guerra de Arjuna, mas este não queria lutar contra seus próprios parentes. Seu amado mestre e seus amigos encontravam-se no exército inimigo dos Kauravas. Arjuna tentou a argumentar e deixou de lado o seu poderoso arco. Mas Krishna insistiu que Arjuna deveria submeter-se a Ele e seguí-Lo.

Quando encontramos o Manifestante de Deus e abraçamos a Sua Fé, devemos obedecer aos Seus Mandamentos. É isso o que Krishna nos ensina no Gita:

Entregando em pensamento todas as ações a Mim, considerando-Me como o Supremo e, buscando firmeza na compreensão, fixa teu pensamento constantemente em Mim.

Gita, XVIII: 57

Krishna foi um santuário de paz. Chamou-nos para Si mesmo, dizendo:

Abandona todos os deveres, recorre somente a Mim como refúgio, não te preocupes, pois Eu te livrarei de todos os males.

Gita, XVIII: 66

Krishna, o Manifestante de Deus, trouxe uma nova civilização. Libertou o homem do mal e do sofrimento. Assegurou aos Seus seguidores que, no futuro, Deus novamente Se manifestaria para repetir aquilo que Krishna havia feito. A fim de guiar os povos errantes do mundo para o caminho reto de Deus, Ele disse:

Sempre que houver declínio da retidão e a injustiça triunfar, ó Barta (Arjuna), então Eu envio a Mim mesmo para a proteção do bem, a destruição do perverso e o estabelecimento da justiça. Eu Me manifesto de tempo em tempo.

Gita, IV: 7,8

Veremos, nas páginas seguintes, como esta promessa do Senhor tem sido cumprida.

Abraão

Abraão nasceu na cidade de Ur, antiga Mesopotâmia, entre a Arábia e a Pérsia, aproximadamente 2.000 anos antes de Cristo. Foi o primeiro patriarca hebreu, isto é, chefe de antiga família do povo hebreu. Abraão significa pai de uma multidão.

Viveu numa época em que as pessoas eram bárbaras e ignorantes. Seus contemporâneos eram adoradores de muitos ídolos e achavam que estes faziam até milagres. Ofereciam sacrifícios a esses ídolos, queimando pessoas vivas. Taré, pai de Abraão, era um comerciante de ídolos e toda a Sua família era idólatra (que adora ídolos), tendo os ídolos como deuses.

Abraão é considerado um homem sublime, por suas grandes qualidades de muita amabilidade, pureza de coração, majestade espiritual, dignidade e valor, próprios de um verdadeiro rei. Possuía um grande sentido de retidão e justiça, o que O distinguia dos demais, e não participava da crença geral de sua época - adoração aos ídolos.

Deus escolheu Abraão como Seu Mensageiro, a fim de educar Seu povo e elevar seu nível de espiritualidade e cultura. Abraão começou a ensinar a Revelação de Deus, exortando as pessoas a abandonar a supersticiosa crença nos ídolos, como deuses, e adorar, isso sim, ao Deus único e invisível. Ele, abertamente, combateu a idolatria e procurou destruir todos os ídolos. "Pôs-se em luta com Seu povo, com Sua tribo e até mesmo com Sua família," atraindo, assim, a inimizade de todos. Indignados com os novos ensinamentos, fizeram uma furiosa oposição a Ele. A missão de Abraão foi sumamente difícil, tendo que mostrar às pessoas a incomparável diferença entre o poder de ídolos de barro e o poder do verdadeiro e único Deus.

Naquele tempo governava o rei Nimrod que Lhe fez cruel oposição e decidiu destruir o novo movimento, ordenando que Abraão fosse queimado vivo. Mas Abraão foi salvo. Apesar de Sua aparente impotência, triunfou, pelo poder de Deus, sobre as forças de Nimrod, e outros inimigos, demonstrando firmeza sobrenatural. Decidiram desterrá-Lo, para que fosse destruído e não restasse nem traço dEle.

Deus ordenou a Abraão que deixasse Sua pátria e Sua família para ir viver em outra terra e Lhe prometeu grandes bênçãos, para Ele e para toda a Sua descendência. Abraão obedeceu ao mandato de Deus e saiu de Ur com Sua esposa Sara e Seu sobrinho Ló, partindo para a Terra Santa. Abraão tinha, então, 75 anos de idade. 'Abdu'l-Bahá diz:

...Deus fez esse exílio tornar-se causa de Sua honra eterna, pois Ele estabeleceu a Unidade de Deus (a crença em um só Deus) em meio a uma geração politeísta (que crêem em muitos deuses). Em conseqüência do exílio, os descendentes de Abraão vieram a ser poderosos, e a Terra Santa lhes foi concedida. Ainda como resultado disso, os ensinamentos de Abraão foram largamente disseminados...

Várias vezes Deus apareceu a Abraão em visões e Lhe confirmou a mesma grande promessa:

Porque toda a terra que tu vês darei a Ti e à Tua posteridade para sempre. Tornarei tua posteridade como a poeira da terra: Quem puder contar os grãos de poeira, poderá contar teus descendentes.

Gênesis, 13:15, 16

Ele o conduziu para fora e disse: Ergue os olhos para o céu e conta as estrelas, se as puderes contar. E acrescentou: assim será a tua descendência.

Gênesis, 15:5

Abraão teve três casamentos que deram origem a três linhas de Mensageiros de Deus: de Isaque, filho de Sara, descenderam Moisés e Jesus; de Ismael, filho de Agar, descenderam Muhammad e o Báb; e de Cetura descendeu Bahá'u'lláh.

Não existe uma religião que leva o nome de Abraão, porém foi Ele que trouxe a base da crença em um só Deus, sobre a qual o Judaísmo foi estabelecido mais tarde, por Moisés.

Zoroastro

Zoroastro, às vezes chamado Zaratustra, foi um Mensageiro ou Manifestante de Deus que nasceu na Pérsia (Irã), mais ou menos mil anos antes de Cristo. foi Ele que fundou a religião chamada "zoroastrismo".

Desde tenra idade, Zoroastro manifestava uma extraordinária sabedoria em Sua conversação e na Sua maneira de ser. Diversas vezes Sua vida foi salva dos inimigos que queriam martirizá-Lo, a fim de que não chegasse à maturidade para cumprir Sua missão divina.

Aos 15 anos de idade, Zoroastro realizava valiosas obras religiosas e chegou a ser conhecido pela Sua grande bondade para com os pobres e os animais. Aos 20 anos, deixou o lar e passou sete anos de solidão em uma caverna numa montanha. Depois regressou a Seu povo e, com a idade, de 30 anos recebeu a Revelação Divina, que teve início através de uma série de sete visões.

Zoroastro encontrou muita dificuldade para converter as pessoas à Sua nova religião. Em dez anos de pregação conseguiu somente um crente - seu primo. Durante este período o chamado de Zoroastro foi como uma voz no deserto. Ninguém O ouvia. Ninguém O atendia. Foi perseguido e hostilizado pelos sacerdotes. Os príncipes se recusaram a Lhe dar apoio e proteção e O encarceraram, alegando que Sua nova Mensagem perturbava a tradição e causava confusão nas mentes de seus súditos. Não obstante Zoroastro permanecia firme em Sua missão. Efetuava curas e milagres e continuamente ensinava Suas novas leis espirituais e científicas para a guia e instrução do povo.

Dois anos depois que Seu primo se fez crente, Zoroastro conseguiu exercer influência sobre o Rei Vishtaspa, que se tornou um fervoroso seguidor de Sua fé. Isto desencadeou uma verdadeira difusão dos ensinamentos de Zoroastro e gerou uma grande reforma. Logo em seguida, a corte real seguiu os passos do Rei e mais tarde o zoroastrismo tornou-se a religião da nação persa.

As Escrituras Sagradas do zoroastrismo são denominadas Zend-Avesta, cujo significado é Comentário sobre o Conhecimento.

Zoroastro fundou uma civilização de caráter essencialmente agrícola, impregnada de uma idéia prática da vida, destinada a educar os homens em uma crença nobre e de moral sublime. Zoroastro designou o esforço e o trabalho como atos santos. Ele disse:

O que mais vale num trabalho é a dedicação do trabalhador.

Aquele que lavra a terra com dedicação tem mais mérito religioso do que poderia obter com mil orações sem nada fazer.

Aquele que semeia milho, semeia a religião. Não trabalhar é um pecado.

São muitos os ensinamentos de Zoroastro. Três de Seus principais mandamentos são:

-Falar a verdade
-Cumprir com o prometido
-Manter-se livre de dívidas
A Regra de Ouro do zoroastrismo é:
Age como gostarias que agissem contigo.

Aos 77 anos de idade, Zoroastro foi martirizado por um homem, enquanto orava em frente ao fogo sagrado, no Templo.

As profecias da religião zoroastriana anunciam o aparecimento de um Salvador ou Messias para mil anos depois. Entendemos que tal profecia se refere a Jesus Cristo.

Zoroastro também profetizou que em um futuro mais distante, de três mil anos, o Espírito de Deus se manifestaria outra vez em um Messias que surgiria na Pérsia, país em que o próprio Zoroastro havia nascido. Disse que chegaria o tempo em que da raça persa se ergueria o "Sháh Bahrám", o Senhor Prometido, o Salvador do Mundo, o Grande Mensageiro da Paz.

Buda

Buda nasceu numa família real do reino do Himalaia. Era ainda um bebê, quando um velho sábio chamado Asita visitou o palácio. Asita era um homem de Deus e trouxe ao pai de Buda as boas novas de que seu filho se tornaria o Salvador da Humanidade.

Buda foi então chamado de Príncipe Gautama. Seu pai proporcionou ao seu amado filho todas as alegrias da vida. Desejava fazer dele um bom rei, mas Gautama achava que os prazeres do mundo por si só não traziam a felicidade. Certo dia, Buda viu um velho, depois um doente e em seguida um morto. Percebeu que todos os seres humanos estão sujeitos ao sofrimento e à morte. Compreendeu, então, que somente a felicidade espiritual podia tornar todos os homens realmente felizes. Deixou seu lar, a esposa e o filho para buscar a verdade espiritual. No início, foi para as selvas distantes onde privou-se de alimento e conforto. Isto foi inútil, pois se o corpo estiver enfraquecido, os poderes mentais também ficam debilitados. Foi sob uma árvore Bodí, na Índia, que Buda recebeu a iluminação. Daquele dia em diante iniciou Sua grande missão de salvar a humanidade do sofrimento. Disse aos homens para purificarem suas almas e mentes, evitarem a ganância e a desonestidade e perceberem que este mundo de sofrimento é um lugar onde eles deveriam se preparar para a alegria e felicidade eterna e espiritual.

Deu-nos exemplo com Sua própria abençoada vida. Quando estava sentado sob a árvore, em meditação, Mara, o espírito mau, procurou tentá-Lo, oferecendo-Lhe as riquezas do mundo e os prazeres dos sentidos. Mas Buda, o Iluminado, sobrepujou as forças do mal. Seu poder era o poder do espírito.

Através de Seus maravilhosos ensinamentos, Buda ajudou milhões de pessoas de várias nações a alcançar a salvação espiritual.

Nos dias de Buda, os habitantes de Seu país estavam lutando uns contra os outros, em nome de Deus. Na verdade mantinham inúmeros deuses e deusas para si. Buda sabia que o único caminho para Deus era por intermédio de Seus Manifestantes. Sendo Ele um Manifestante de Deus, não queria que as pessoas lutassem umas contra as outras em nome de um Deus, o Qual não poderiam conhecer senão através dEle. Ele era um sábio instrutor. Para evitar brigas entre o povo, na maior parte das vezes Ele silenciou a respeito de Deus, mas conclamou todos a obedecê-Lo, como Manifestação da verdade. Desta maneira conseguiu reunir milhões de pessoas que antes estavam separadas umas das outras, quer em nome de Deus ou em nome das castas. Ele disse:

Uma pessoa não é [Brâmane] por nascimento. Ninguém é pária pelo berço. A pessoa torna-se Brâmane pelas suas ações e transforma-se em pária por seus atos.

Pouco antes de deixar esta terra, Buda fez uma grande promessa aos Seus seguidores, temerosos que estavam de que Sua Causa gradualmente se extinguisse. Ele disse:

Não sou o primeiro Buda que surgiu sobre a terra, nem serei o último. No devido tempo, outro Buda levantar-se-á no mundo, um santo, um ser extremamente iluminado, dotado de sabedoria para guiar, venturoso, conhecendo o universo, um líder incomparável dos homens, um mestre dos anjos e dos mortais. Ele vos revelará as mesmas verdades eternas que vos ensinei. Ele vos pregará esta religião, gloriosa em sua origem, gloriosa em seu clímax, gloriosa em seu objetivo, tanto no espírito como na forma. Ele proclamará uma vida religiosa tão perfeita e pura quanto a que ora proclamo. Seus discípulos serão muitos milhares, enquanto os Meus são muitas centenas.

Esta promessa deu aos budistas a confiança de que eles não seriam deixados sozinhos nesta terra, mas que receberiam a luz orientadora de outro glorioso Buda. Buda agora regozija em sua morada eterna, porque vê Sua gloriosa promessa cumprida em Bahá'u'lláh - a Glória de Deus.

Moisés

Numa terra longínqua havia um grupo de escravos levando uma vida muito difícil. Eram chamados 'Filhos de Israel' e trabalhavam como escravos sob o domínio do poderoso imperador do Egito. Esse povo pertencia a uma outra nação, hoje conhecida como Israel, mas havia sido levado de sua pátria a força. Somente um Manifestante de Deus podia salvá-lo de seu sofrimento. Assim, Moisés foi destinado a se levantar para a salvação desse povo. Ele estava só e o imperador egípcio tinha todos os recursos para destruí-Lo. Quando, porém, um Manifestante de Deus surge, Ele é investido de tão grande poder que nenhum poder na terra pode superá-Lo. Moisés, sem auxílio, sozinho, levantou-se para dar as boas-novas do Reino de Deus ao Seu povo.

Quando Moisés declarou-se como Manifestante de Deus, os Filhos de Israel sabiam que o tempo de seus sofrimentos havia terminado. Eles O seguiram. Voltaram para Israel, a Terra Santa, e iniciaram uma nova vida. O imperador do Egito, com todo o seu poderio, não pôde impedi-los. Quando ele e seu exército tentaram detê-los, pereceram afogados no Mar Vermelho.

As palavras de Deus transformaram a vida dos Filhos de Israel. Embora tivessem sido meros escravos, fundaram um reino muito rico. Tornaram-se grandes instrutores da humanidade. Muitos filósofos e mestres de outras terras obtiveram seu conhecimento dos seguidores de Moisés, pois, ao aparecer, o Manifestante de Deus não somente nos traz alegria e felicidade, como também proporciona uma fonte de grande conhecimento e sabedoria.

Moisés resumiu Seus ensinamentos em 10 Leis. São leis maravilhosas. Ele nos disse:

-Amar a Deus acima de todas as coisas;

-Jamais adorar qualquer outra coisa mais do que a Deus;

-Amar e respeitar os pais e obedecê-los;
-Não roubar;
-Não prejudicar outras pessoas;
-Ser puro, limpo e dizer sempre a verdade.

Além desses ensinamentos, Moisés prometeu ao Seu povo que na plenitude do tempo o Senhor dos Exércitos viria para livrá-lo do sofrimento. Prometeu que quando o Senhor dos Exércitos viesse, os Filhos de Israel, após longo período de separação, mais uma vez voltariam à Terra Santa, e novamente se reuniriam na terra de seus antepassados.

O Senhor dos Exércitos já veio. Bahá'u'lláh proclamou que o Dia de Deus, prometido nos Livros Sagrados do passado, já havia chegado. Ele deu aos seguidores de Moisés as boas-novas de que a tão esperada Promessa havia sido cumprida. Os judeus de todos os lugares, depois de uma longa era de separação, durante a qual sofreram toda sorte de humilhação e sofrimento, reuniram-se agora na Terra Santa. Fundaram uma pátria independente para si mesmos, chamada Israel. De acordo com a promessa de Moisés, tudo isso haveria de ser cumprido quando o Senhor dos Exércitos sentasse no Trono do Julgamento desta terra. Muitos judeus, ao verem os Filhos de Israel se reunindo na Terra Santa, conforme a Promessa feita em seu Livro sagrado, compreenderam que o Senhor dos Exércitos havia chegado, pois de outra maneira teria sido impossível para eles se reunirem novamente.

Na Comunidade Bahá'í Mundial há muitos judeus que acreditam em Bahá'u'lláh como o seu glorioso Prometido.

Jesus Cristo

A história de Jesus Cristo é muito linda. É a história do amor de Deus e do amor da humanidade; é a história de um Manifestante de Deus.

Antes de Cristo proclamar Sua Missão à humanidade, existiu um santo homem chamado João Batista. Vimos na história de Buda que um homem santo deu a boa-nova de que o Salvador da humanidade logo apareceria. Foi isto exatamente o que aconteceu antes de Cristo revelar Sua Missão. João Batista trouxe as boas-novas para o povo de seu tempo, de que o Mensageiro de Deus logo viria para livrá-lo de todos os sofrimentos. Naquela época, as pessoas não gostavam de mudar suas idéias; queriam continuar imitando aquilo que, durante séculos, seus antepassados vinham fazendo. Os sacerdotes que exerciam domínio sobre o povo, não queriam que um Mensageiro de Deus viesse, pois com Sua vinda temiam perder a sua posição. Por isso prenderam João Batista e depois de algum tempo cortaram-lhe a cabeça. João sentia-se feliz em dar até a própria vida no caminho de Deus.

Jesus Cristo nasceu num lar muito simples. José, conhecido como seu pai, era apenas um carpinteiro. Cristo nasceu na Terra Santa. Era muito bom e gentil para com as pessoas, mesmo quando era muito jovem e trabalhava com seu pai como carpinteiro. Quando adulto, disse:

Agora é chegado o tempo para tratar dos negócios de meu verdadeiro Pai celestial.

Saiu para meditar por muitos dias, voltando depois para revelar Sua verdadeira Missão ao povo. Deu as boas-novas sobre o Reino de Deus. Certa vez dirigiu-se a um lugar sagrado. Era um centro de peregrinação e reverência para os judeus, mas eles o haviam transformado também num centro de comércio. Cristo desmanchou seu comércio e expulsou-os do lugar sagrado, dizendo:

Esta é uma Casa de Deus, não deveis poluí-la com vossos interesses mundanos.

Ele Queria mostrar que a Religião de Deus não pode se tornar uma fonte de ganhos materiais.

Nos dias de Cristo havia muitas pessoas que estavam espiritualmente doentes e mortas. Ele curou-as e deu-lhes vida com o Poder da Palavra de Deus. Logo tornou-se muito popular. Os sacerdotes ficaram enciumados e não gostaram que seus seguidores fossem atraídos por aquele homem simples que lhes ensinava um novo modo de vida. Quando Ele lhes disse ser seu Rei espiritual, aquele Prometido em seus Livros Sagrados, os sacerdotes então ficaram furiosos, pois esperavam que seu Rei prometido fosse um homem de grandeza terrena, enquanto Jesus Cristo era um homem simples. Nem mesmo sapatos usava. Contudo, Ele declarou ser o Rei de Israel, dizendo:

Eu sou vosso verdadeiro Rei. Eu sou o Mestre do Novo Reino. Estes reinos do mundo são como nada comparados com o sempiterno Reino de Deus.

Mas os judeus não quiseram acreditar nEle. Levantaram-se contra Ele e O crucificaram junto com dois ladrões. Mesmo na cruz, Jesus rezou pelo perdão de Seus inimigos.

Os judeus não entenderam o verdadeiro significado de seus Livros Sagrados; nem mesmo sabiam que ao matar o Manifestante de Deus, não podiam calar Sua voz, uma vez que era a voz de Deus e seria ouvida em todas as terras.

Quando Cristo morreu, pessoas simples e comuns é que nEle acreditaram. Essas pessoas haviam recebido uma nova vida espiritual pelo poder da Palavra de Cristo e se levantaram dos seus túmulos de ignorância. Embora esses primeiros discípulos de Cristo fossem humildes pescadores, escrivães comuns, agricultores e lavradores, eles foram guiados por um Manifestante de Deus e, por seu intermédio, receberam novos poderes. Espalharam-se pelo mundo e difundiram a Mensagem de seu Mestre, Jesus Cristo. Muitos deles chegaram a sacrificar suas vidas pela Sua Causa. Enfrentando grandes dificuldades e a ameaça da espada, levaram Sua Mensagem para diferentes povos e bradaram que o Reino de Deus havia sido estabelecido na terra através de Jesus. Embora fossem simples pescadores e lavradores, enfrentaram os ataques das forças do mundo todo. Com a Palavra de Deus, conquistaram uma nação após a outra, levando uma nova vida espiritual a todos aqueles que se deixaram influenciar por eles. Este era o poder divino de Jesus Cristo, o Manifestante de Deus.

Antes de deixar este mundo, Cristo, tal como Krishna e Moisés, assegurou aos povos do mundo que no final dos tempos Ele novamente voltaria, na Glória de Seu Pai Celestial. Disse ao povo de sua época que tinha ainda outras coisas para lhes dizer, mas que eles ainda não estavam aptos a compreender. Prometeu, porém, que outro grande Mensageiro viria mais tarde, para lhes dizer mais a respeito de Deus e da Religião.

Os bahá'ís dão aos seus irmãos cristãos as boas-novas de que Cristo já retornou na Glória do Pai. Eis o que Bahá'u'lláh disse aos líderes da cristandade:

Seguramente o Pai veio e cumpriu tudo aquilo que vos foi prometido no Reino de Deus...12

Muhammad*

* "...em português, além da forma "Muhâmade", que até na pronúncia, corresponde ao árabe Muhammad existe uma outra, também usual, mas não para fins religiosos - "Mafoma" - que se lê nos mais antigos textos da língua portuguesa, e certamente corresponde ao que diziam na Idade Média os crentes do Islamo no Andaluz, antes e depois do rei D. Afonso Henriques, que reconheceu o seu culto e privilégios em foral. Esta última forma tem origem na vocalização que se espalhara em alguns países Árabes, com a lição Mahommad, que os clássicos do idioma arábico procuravam corrigir, mas que explica certas formas hoje desusadas como "Mafomede" e "Mafamede", e o turco Mahomet, que passou ao francês (italiano: Maometto), e que se "aportuguesou", entre nós, por "Maomé", sem necessidade. Por isso, nós utilizamos a palavra MUHAMMAD que é o nome próprio do último Profeta de Deus, e aconselhamos que assim seja escrito na Imprensa Portuguesa."

prof. Pedro Machado - arabista português

Existe uma terra chamada Arábia. É desértica na sua maior parte, com pouca água e um clima muito quente e desfavorável. Nessa terra difícil viviam tribos bárbaras, que estavam em constante guerra umas com as outras. Eram tão selvagens e ignorantes que costumavam enterrar vivas suas próprias filhas recém-nascidas, apenas por serem meninas, e, naqueles dias, as mulheres nada mais eram do que escravas.

Mas não importa quão cruéis aqueles povos fossem, também eram filhos de Deus e tinham que ser educados. Assim, Muhammad, o Profeta de Deus, nasceu entre eles.

Muhammad era um homem simples. Era o encarregado de uma caravana e transportava cargas e mercadorias sobre as costas de camelos, da Arábia para outras terras. A maioria dos Manifestantes de Deus eram pessoas simples. Mesmo aqueles que, como Buda, vieram das mais altas classes, desistiram de suas posições principescas para viver com simplicidade. Deus deseja mostrar que a Sua riqueza e influência é que atuam através de Seus Manifestantes. Ao receber o Poder de Deus, até a pessoa mais humilde se torna vitoriosa sobre todos os poderes da terra.

Um dia quando Muhammad estava orando no alto de uma montanha, recebeu a inspiração de Deus. Ele não havia freqüentado nenhuma escola. Nem mesmo sabia escrever Seu próprio nome, mas daquele momento em diante os versículos do Sagrado Alcorão começaram a fluir através dEle. A partir daí, Muhammad não foi mais um condutor de caravanas. Tornou-Se o Mensageiro de Deus e dirigiu-Se ao povo com a Sua Mensagem. No início ninguém lhe deu ouvidos. Ao insistir com eles que deveriam deixar de adorar os ídolos que eles mesmos haviam construído, e deveriam acreditar no Único Deus Verdadeiro, o povo da Arábia levantou-se contra Ele. Chamou-O de louco e ridicularizou-O, dizendo ser Ele um sonhador. Mas Muhammad continuou dizendo:

Ó povo, Eu sou o Mensageiro de Deus. Vim para vos salvar e vos conduzir ao Caminho da Verdade.

Isto era demais para o orgulhoso povo árabe. No início eles toleraram Muhammad, depois começaram a persegui-Lo e a Seus seguidores, mas após 13 longos anos de sofrimento, Muhammad ainda continuava a conclamá-los a se dirigirem ao Deus Uno e Compassivo e seguirem Seus mandamentos. Mas, por que motivo deveriam abandonar seus próprios deuses - eles pensavam. Além disso viviam muito ocupados com suas intermináveis guerras. Não tiveram mais paciência com Muhammad. Assim, decidiram matá-Lo, juntamente com o punhado de Seus seguidores. Mas a missão de Muhammad ainda não havia terminado. Tinha ainda outras leis para dar ao povo de Sua época. Deixou Sua terra natal, Meca e dirigiu-se para outra cidade, agora chamada Medina.

Os inimigos da Causa de Deus organizaram grandes exércitos para matar Muhammad e o grupo de Seus seguidores. Muhammad tinha que proteger a Causa de Deus e aqueles que se tornaram crentes em Deus; deste modo, permitiu que Seus adeptos lutassem contra os bárbaros que desejavam destruí-los. Assim, nos dias de Muhammad, tal como no tempo de Krishna, os exércitos da Luz e das Trevas novamente se enfrentaram.

Muhammad foi um pastor divino. Precisava proteger seu rebanho inocente contra o ataque dos lobos ferozes. A princípio Muhammad e seus seguidores passaram tempos difíceis. Muitos foram mortos enquanto se defendiam do furioso ataque de seus inimigos. Porém, durante todo o tempo, Muhammad lhes assegurava que a Causa de Deus sempre havia sido vitoriosa e assim continuaria a ser sempre. Quando os muçulmanos, Seus seguidores, foram cercados pelos poderosos inimigos, Muhammad predisse que, em breve, poderosos impérios sucumbiriam diante deles, pois eles estavam vivificados com o Espírito de Deus, enquanto os outros achavam-se espiritualmente mortos.

Isto, conforme todos sabemos, realmente aconteceu. Os grandes impérios persa e romano foram derrotados por um punhado de árabes, cujas vidas foram transformadas depois que acreditaram em Muhammad, o Profetas de Deus, e aceitaram Sua Mensagem Divina. A Mensagem de Deus transformou a vida de milhões de outras pessoas também, pois os ensinamentos do Islã difundiram-se desde a Índia até a Espanha. Durante a época áurea da civilização islâmica, muitas diferentes nações foram unidas em uma grande fraternidade. Ofereciam suas preces diárias ao Deus Uno, o Compassivo, o Misericordioso. Recitavam o Sagrado Alcorão, que prescreve uma vida de virtudes e submissão à vontade do Todo-Poderoso. Ainda hoje milhões de pessoas, em todas as partes do mundo, oferecem as mesmas preces e lêem o mesmo Livro Sagrado.

Muhammad, assim como todos os Manifestantes do passado, assegurou aos Seus seguidores que um grande Mensageiro viria depois dEle. Disse que, passados mil anos, a religião de Deus que por Seu intermédio viera dos céus, voltaria a Deus. Com isto quis dizer que, no decorrer de mil anos, o povo esqueceria Seus ensinamentos. Mas, depois disso, acrescentou Ele, quando nenhum traço da Religião de Deus restasse sobre a terra, o toque de uma poderosa Trombeta seria ouvido - não uma, mas duas vezes - e os povos do mundo veriam a Face do próprio Deus.

O toque de Trombeta significa o Chamado de Deus. O Chamado de Deus já se ergueu por duas vezes nesta era, conforme prometido por Muhammad. O Báb apareceu exatamente mil anos depois da revelação do Islã. Quase imediatamente após, Bahá'u'lláh declarou Sua Missão. Não foi o Báb que chamou os homens para Deus, lembrando-lhes a grande Promessa de Deus? Não foi Bahá'u'lláh que, imediatamente após o Báb, ergueu a voz pela segunda vez, conclamando os filhos de Deus para fitarem Sua face?

O Báb

'Báb' significa 'Porta'. O Báb foi a porta para um novo Reino - o Reino de Deus na Terra.

O Báb era ainda bem jovem quando falou ao povo a respeito da Mensagem que Deus lhe confiara. Ele tinha apenas vinte e cinco anos. Sua terra natal era Shiráz, uma bela cidade localizada no sul do Irã. O povo do Irã era muçulmano, assim Ele recebeu um nome muito comum naquele país. Seu nome era Alí Muhammad e descendia do próprio Profeta Muhammad. O pai do Báb faleceu logo após seu nascimento, assim Ele cresceu sob o cuidado de um tio materno. Quando criança foi enviado para um mestre, que lhe ensinou o Alcorão e as matérias elementares. Desde a infância, porém, o Báb era diferente das outras crianças. Estava sempre fazendo perguntas difíceis às quais Ele mesmo respondia, deixando atônitas as pessoas mais velhas. Freqüentemente, enquanto as outras crianças estavam ocupadas brincando, Ele se encontrava absorto em oração, à sombra de uma árvore ou em outro lugar silencioso.

Mais tarde, quando o Báb revelou Sua realidade como um Manifestante de Deus, tanto Seu tio como Seu mestre O aceitaram, porque O haviam conhecido desde a infância e percebido a diferença entre Ele e as outras crianças. Seu tio até deu sua vida como mártir pela Causa de Deus, revelada através de seu sobrinho, o Báb.

Antes do Báb declarar Sua Missão como um Mensageiro de Deus, havia dois famosos mestres, os quais ensinaram que, de acordo com o Alcorão e as tradições sagradas, o Prometido do Islã logo iria aparecer. Esses dois mestres foram Shaikh Ahmad e seu principal discípulo Siyyid Kázim. Em virtude de serem homens santos e muito sábios, muitas pessoas acreditaram naquilo que eles ensinaram, e prepararam-se para acolher o Prometido.

Quando Siyyid Kázim faleceu, seus discípulos tomaram diferentes rumos em busca do Prometido. Alguns, guiados por um jovem piedoso e erudito, chamado Mullá Husayn, passaram quarenta dias orando e jejuando, e então partiram para Shiráz.

Suas preces foram atendidas. Junto ao portão da cidade de Shiráz, Mullá Husayn encontrou um jovem radiante que havia chegado para recebê-lo. Esse jovem não era outro senão o próprio Báb.

O Báb convidou Mullá Husayn para sua casa, onde, no dia 23 de maio de 1844, declarou-Se como o Prometido.

O coração de Mullá Husayn foi atraído para o Báb desde o primeiro momento em que seus olhos O viram à entrada da cidade de Shiráz, mas agora que Seu anfitrião fizera Seu grande anúncio, ele pediu alguma prova através da qual pudesse reconhecê-Lo como o Prometido. O Báb disse que nenhuma prova seria superior aos versículos divinos revelados por um Manifestante de Deus. E, tomando de Sua pena e papel, escreveu Seu primeiro Texto sagrado. Embora não tivesse freqüentado escola, exceto por um breve período na infância, o Báb, tal como todos os outros Manifestantes, era dotado de um profundo conhecimento, uma dádiva de Deus. Escrevia com grande velocidade e, à medida que escrevia, entoava os versículos com voz suave e celestial. Mullá Husayn não precisou de mais nenhuma prova. Com lágrimas nos olhos, prostrou-se diante do Manifestante de Deus.

Mullá Husayn foi o primeiro discípulo do Báb. O Báb conferiu-lhe o título de Bábu'l-Báb, que significa a porta da Porta. Aquela noite marcou o início de uma nova era. O calendário bahá'í começa naquele ano.

Em pouco tempo muitas pessoas reconheceram o Báb. Alguns O encontraram pessoalmente, outros leram Seus Escritos sagrados, enquanto ainda outros O reconheceram através de sonhos e visões.

O Manifestante de Deus é como o sol. Quando o sol se levanta todo mundo o enxerga, menos aqueles que estão profundamente adormecidos. E, mesmo esses, mais cedo ou mais tarde percebem que o sol está brilhando.

A Mensagem do Báb foi primeiramente dada ao povo do Irã. Mas os muçulmanos de outros países ainda não sabiam que o Seu Prometido já havia chegado. Por isso, quando milhares de muçulmanos de vários países se reuniam em Meca para peregrinação, o Báb viajou para este mais sagrado lugar do Islã, a fim de lhes proclamar que o objeto de sua adoração já havia chegado e que Ele, o Báb, era o Prometido. Ninguém Lhe deu ouvidos; mas o Báb cumpriu o Seu anúncio.

Ao retornar à Sua cidade natal, encontrou um grupo de soldados, pronto para prendê-Lo, pois os fanáticos mulás (sacerdotes muçulmanos) não queriam que a nova Fé fosse difundida. Esses mulás tudo fizeram para extinguir a luz de Deus que ardia no peito do abençoado Báb. Daquele dia em diante o Báb passou por incontáveis dificuldades. Após a Declaração, Sua breve porém brilhante vida passou-se, na sua maior parte, em prisões. Por duas vezes Ele foi encarcerado em prisões construídas nas montanhas muito frias e ameaçadoras. Mas correntes ou prisões jamais puderam impedir que o Chamado de Deus se espalhasse. Enquanto o Báb se encontrava preso, Seus fiéis seguidores levaram Sua Mensagem para todos os cantos do país e durante um curto período de tempo milhares de pessoas deram suas vidas pela Sua Causa.

O Báb era ainda jovem, com apenas 31 anos de idade, quando decidiram matá-Lo. Ele sabia que seria martirizado no caminho de Deus. Ele estava feliz em sacrificar Sua vida para que os povos do mundo pudessem compreender o propósito de suas vidas, voltar-se para Deus e Seu Reino eterno. O dia de Seu martírio foi 9 de julho de 1850. Naquela manhã, o oficial encarregado da execução do Báb foi buscá-Lo na prisão. O Báb estava conversando com um de Seus seguidores, que escrevia Suas últimas instruções. O oficial Lhe disse que a hora de Sua execução havia chegado e que os soldados estavam prontos, na praça central da cidade, aguardando para cumprir as ordens. O Báb disse que tinha de concluir Sua conversa com Seu discípulo, mas o oficial riu e disse que um prisioneiro não podia fazer o que bem entendesse. Quando estava sendo levado, o Báb disse que poder algum sobre a terra seria capaz de prejudicá-Lo antes que Ele tivesse cumprido Sua missão neste mundo e terminado o que tinha para dizer. O oficial não lhe deu atenção e levou o Báb para a praça pública. Neste momento, um dos discípulos do Báb, um jovem chamado Muhammad Alí Zunúzí, avançou jogando-se aos pés de seu amado Mestre, implorando para ser executado com Ele. O oficial tentou afastá-lo mas Muhammad Alí Zunúzí tanto chorou e implorou que foi obrigado a levá-lo junto.

Na praça, onde os soldados estavam esperando para executar o Báb, uma grande multidão estava reunida. Todos observavam enquanto o Báb e Seu jovem discípulo estavam sendo amarrados de tal modo que a cabeça do discípulo repousava no peito de seu Bem-Amado. Então chegou o grande momento. Os tambores rufaram e soaram os clarins. Quando estes sons silenciaram, a terrível ordem foi ouvida: "Fogo!" Centenas de soldados que haviam apontado suas armas, atiraram. Espessa nuvem de fumaça cobriu todo o lugar. O cheiro de pólvora impregnou o ar. Depois de algum tempo, quando a fumaça foi desaparecendo, aconteceu algo surpreendente. Não havia qualquer sinal do Báb, enquanto Seu fiel discípulo estava de pé, ileso. Ninguém sabia o que pensar. Muitos diziam ter ocorrido um milagre e que o Báb subira ao céu. O pelotão de fuzilamento e seu comandante jamais presenciara tão extraordinário acontecimento. Oficiais foram enviados para todas as direções, em busca do Báb. O mesmo oficial que trouxera o Báb da cela da prisão, agora encontrou-O sentado calmamente no mesmo lugar, concluindo Sua conversa que tão abruptamente havia sido interrompida. O Báb voltou-se para o oficial e, sorrindo, lhe disse que a Sua Missão na terra estava agora concluída e que estava pronto para sacrificar Sua vida para provar a autenticidade de Sua missão.

O Báb foi mais uma vez levado para a praça, mas o comandante do pelotão de fuzilamento recusou-se a executá-Lo. Retirou seus soldados da praça e jurou que nada o faria atentar contra a vida daquele inocente e santo jovem. Outro regimento foi encontrado para levar a cabo a execução e desta vez centenas de balas retalharam os corpos do Báb e de Seu devotado discípulo. Sua bela face que não fora atingida pelas balas, ainda mantinha um leve sorriso, mostrando a paz e a felicidade daquele que havia dado Sua vida para proclamar o início de um nova era para a humanidade.

O Báb foi um grande Manifestante de Deus. Em todos os Seus escritos disse que a principal finalidade de Sua vinda foi dar as boas-novas de que em breve o Prometido de todas as épocas iria aparecer. Advertiu Seus seguidores a ficarem atentos para reconhecer 'Aquele que Deus tornará manifesto'. Disse que deveriam deixar todas as coisas de lado e segui-Lo tão logo ouvissem Sua Mensagem. O Báb escreveu inúmeras orações implorando a Deus para que Sua própria vida pudesse ser aceita como um sacrifício ao Bem-Amado de Seu coração, 'Aquele que Deus tornará manifesto'. Nos Seus Escritos Ele se referiu à Ordem de Bahá'u'lláh, dizendo:

Feliz daquele que seguir Bahá'u'lláh.13

As preces do Báb foram atendidas e Sua promessa foi cumprida. Dezenove anos após a Sua Missão, Bahá'u'lláh abertamente declarou ser Ele o Prometido cuja vinda havia sido predita por todos os Manifestantes de Deus em épocas passadas.

Bahá'u'lláh

Em 21 de abril de 1863, Bahá'u'lláh proclamou ao mundo que:

A revelação que, desde tempos imemoriais, é aclamada como o Desígnio e a Promessa de todos os Profetas de Deus e o mais acalentado Desejo de Seus Mensageiros, torna-se agora acessível aos homens.14

Quando Bahá'u'lláh fez este maravilhoso anúncio, encontrava-se prisioneiro nas mãos de dois poderosos monarcas e estava sendo exilado para Akká, 'a mais desolada das terras'.

Cerca de 46 anos antes desse anúncio, Bahá'u'lláh havia nascido na casa de um destacado ministro da corte real do Irã. Desde a Sua infância todos podiam perceber que Bahá'u'lláh era diferente das outras crianças, mas ninguém realmente sabia que aquele jovem maravilhoso logo iria mudar todo o destino da humanidade. Aos 14 anos de idade, Bahá'u'lláh já era famoso na corte por Seu conhecimento e sabedoria. Tinha 22 anos quando Seu pai faleceu. O governo desejava que Ele ocupasse o cargo antes ocupado pelo Seu pai. Achava que Aquele competente jovem realizaria um ótimo ministério, mas Bahá'u'lláh não tinha intenção alguma de gastar Seu tempo com os assuntos mundanos. Sendo um homem de Deus, não se interessou pela vida régia que Lhe foi oferecida. Deixou a corte e seus ministros para seguir o caminho que o Todo-Poderoso Lhe havia traçado.

Quando o Báb declarou Sua Missão, Bahá'u'lláh estava com 27 anos de idade. Imediatamente aceitou o Báb como o Manifestante de Deus e logo tornou-se um de Seus mais poderosos e famosos seguidores.

Na época em que o governo e os fanáticos sacerdotes muçulmanos perseguiam os seguidores do Báb, de forma alguma Bahá'u'lláh era poupado. Por duas vezes foi preso e uma vez foi tão severamente golpeado com chibatadas e bastonadas que as solas de Seus pés começaram a sangrar. Nove anos após a Declaração do Báb, Bahá'u'lláh foi lançado numa tenebrosa masmorra. Tratava-se de um terrível espaço subterrâneo, sem nenhuma janela ou outra abertura a não ser a porta de entrada. Nessa masmorra Bahá'u'lláh ficou preso junto com cerca de 150 assassinos, salteadores e outros criminosos semelhantes. As correntes que foram colocadas em torno de Seu pescoço eram tão pesadas que Ele não podia levantar a cabeça. Nesse lugar Bahá'u'lláh passou quatro terríveis meses de sofrimento, mas foi nessa mesma masmorra que a 'Glória de Deus' encheu Sua alma. Ele Escreveu que numa noite, em sonho, ouvira as seguintes palavras reverberando de todos os lados:

Em verdade, Nós Te faremos vitorioso por Ti mesmo e por Tua pena.15

Bahá'u'lláh suportou todas essas dificuldades por nossa causa e pelas gerações futuras. Suportou pesadas correntes em torno de Seu abençoado pescoço para nos livrar dos grilhões do preconceito, fanatismo e animosidade.

Finalmente Bahá'u'lláh e Sua família foram privados de todos os seus bens e lhes foi ordenado deixar o país. Foram exilados a Bagdá durante os rigoroso frio do inverno. Na estrada, ao longo da região montanhosa do Irã, havia grossa camada de neve. Bahá'u'lláh, Sua esposa e filhos pequenos tiveram que caminhar centenas de quilômetros em direção ao seu destino, e o fato de não possuírem agasalho suficiente tornou a viagem ainda mais difícil. Finalmente chegaram a Bagdá, mas os sofrimentos de Bahá'u'lláh não findaram nessa cidade. No entanto, caso Bahá'u'lláh temesse as dificuldades e sofrimentos, poderia ter aceito a vida luxuosa da corte do xá do Irã. Ele estava preparado para enfrentar qualquer sofrimento no caminho de Deus.

A fama de Bahá'u'lláh logo espalhou-se por Bagdá e outras cidades do Iraque e muitas pessoas batiam à porta deste Prisioneiro exilado para receber Suas bênçãos. Os seguidores do Báb reuniram-se em torno dEle, vindos de diferentes partes do Irã e do Iraque, em busca de orientação e inspiração. Havia, porém, alguns que sentiam ciúme de Sua fama. Entre estes estava Seu próprio irmão, Yahyá, que vivia sob Seu amoroso cuidado e guia. Yahyá achava que, por ser respeitado pelos seguidores do Báb, podia tornar-se seu líder, caso denunciasse Bahá'u'lláh. Mas não percebia que, ao se virar contra o Manifestante de Deus, estava lavrando sua própria condenação. Pois quando um Manifestante aparece, somente aqueles que aceitam servi-Lo é que podem esperar a grandeza verdadeira. Nem mesmo Seus parentes mais próximos são exceções, porquanto um Manifestante de Deus está acima de todos os outros seres humanos e possui uma posição da qual ninguém mais pode tomar parte. Todos os Manifestantes do passado tiveram irmãos, irmãs e outros parentes, mas até mesmo seus nomes foram esquecidos.

A intriga armada por Yahyá causou desunião entre os seguidores do Báb e isto deixou Bahá'u'lláh muito triste. Uma noite, sem falar nada a ninguém, deixou Sua casa e partiu para as montanhas do Curdistão. Ele passou dois anos de reclusão naquelas montanhas, dedicando todo o Seu tempo a preces e meditações. Ficava numa pequena caverna, e vivia de alimentos bem simples. Ninguém conhecia Seu nome, nem sabia de onde viera. Mas logo, como lua cheia numa noite escura, Sua luz brilhou sobre todo o Curdistão e todos ouviram falar daquele 'Inominado.' Durante todo esse tempo, Sua família e amigos em Bagdá, muito desolados com Sua partida, não sabiam onde Ele se encontrava. Eles também ouviram falar do "Inominado", o grande Santo conhecido por possuir conhecimento inato concedido por Deus. O filho de Bahá'u'lláh, 'Abdu'l-Bahá, imediatamente percebeu que não se tratava de outro senão Seu amado pai. Mandou-lhe cartas e um mensageiro especial, implorando-Lhe para regressar, pois não somente Sua família, mas todos os seguidores do Báb estavam sofrendo com a Sua ausência.

Assim, depois de passar dois anos em oração e meditação, Bahá'u'lláh retornou a Bagdá trazendo de volta a alegria a todos os seguidores do Báb. Os únicos que estavam furiosos com seu regresso eram os fanáticos mulás e o Seu traiçoeiro e invejoso irmão Yahyá. Os mulás não queriam que Bahá'u'lláh permanecesse em Bagdá porque ali Ele se encontrava muito próximo a certos lugares sagrados pertencentes aos muçulmanos e os peregrinos que iam visitar esses lugares eram freqüentemente atraídos pelo encanto e pela personalidade de Bahá'u'lláh. Esses mulás continuaram reclamando até que o governo do Irã juntou esforços com as autoridades do império turco para remover Bahá'u'lláh a um lugar mais distante, para Istambul. Em Istambul, sede do califado muçulmano, aconteceu a mesma coisa. A grande sabedoria e o encanto pessoal de Bahá'u'lláh atraíam grande número de pessoas. 'Ele não pode ficar mais em Istambul', diziam os fanáticos sacerdotes. E assim, Ele foi mais uma vez enviado a uma cidade menor, Adrianópolis. De Adrianópolis Bahá'u'lláh foi novamente exilado, agora para Akká na Terra Santa, na época uma colônia penal reservada para assassinos, ladrões e salteadores que cumpriam pena de prisão perpétua. Era um lugar horrível e, nos primeiros dias após a Sua chegada, até mesmo água foi negada a Bahá'u'lláh, a Seus familiares e amigos. As dificuldades e os sofrimentos de Bahá'u'lláh em Akká foram demasiadamente numerosos para serem descritos. No início Ele ficou preso numa cela isolada, onde nem mesmo Seus filhos tinham permissão de vê-Lo. Foi privado de todo conforto e o tempo todo estava cercado por inimigos. No entanto foi de Akká que Ele enviou Suas famosas Epístolas para os mais poderosos reis e governantes de Sua época, exortando-os a ouvirem a Mensagem de Deus e obedecerem aos Mandamentos do Rei dos reis. Ninguém a não ser um Manifestante de Deus poderia ousar dirigir-se àqueles que O fizeram prisioneiro da mesma maneira que um rei dirigindo-se aos seus vassalos.

Bahá'u'lláh ergueu o estandarte da paz universal e da fraternidade, de dentro dos muros da prisão, e, embora os poderes do mundo estivessem unidos contra Ele, foi vitorioso sobre todos eles, conforme Deus Lhe havia prometido em sonho. A mensagem de Bahá'u'lláh influenciou os corações de milhares de pessoas e muitas delas deram a própria vida pela Sua Causa. Através do poder da Palavra de Deus e do sacrifício dos seguidores de Bahá'u'lláh, agora centenas de milhares de seres humanos, anteriormente separados sob várias denominações, tornaram-se como membros de uma família.

Embora Bahá'u'lláh tivesse sido enviado para Akká como prisioneiro pelo resto de Sua vida, nove anos depois de Sua chegada deixou a cidade-fortaleza. Nesse período, Seu grande encanto pessoal havia feito tal amizade entre aqueles que o cercavam - inclusive seu enérgico carcereiro - que ninguém impediu que Ele deixasse a prisão. Bahá'u'lláh passou os anos restantes de Sua vida em uma mansão nos arredores da cidade de Akká, onde faleceu em 29 de maio de 1892.

A Mensagem de Bahá'u'lláh espalhou-se a partir da Terra Santa para diferentes partes do mundo, conforme havia sido profetizado nos Livros Sagrados do passado. Nas escrituras budistas a Terra Santa é chamada de Paraíso do Ocidente, o Assento do Prometido - Amitabha. Para os judeus é a "terra prometida", donde a Lei de Deus sairá mais uma vez para o mundo. Cristãos e muçulmanos também têm profecias maravilhosas, e em grande quantidade, sobre essa pátria sagrada que tem sido sua Terra Santa há muitos séculos. Desde a época em que Bahá'u'lláh foi exilado para Akká, a Terra Santa das religiões do passado tornou-se o Centro Mundial da Fé Bahá'í.

Bahá'u'lláh é Aquele Grande Manifestante de Deus, cuja vinda todos os Manifestantes do passado profetizaram. As religiões divinas de todas as épocas conduzem a uma mesma direção e ensinam o mesmo objetivo - A Fé Bahá'í. São como muitos rios que deságuam no oceano. Cada rio irriga milhares de alqueires de terra, mas nenhum deles, por si só, é vasto e poderoso como o imenso oceano, pois o oceano é o lugar do encontro de todos esses rios. Na comunidade Bahá'í seguidores de todas as religiões se encontram e tornam-se unidos. Mesmo sendo originários dos quarto cantos da terra, eles agora se dão as mãos, formando uma grande fraternidade, uma Fé comum.

As águas dos diferentes rios tornam-se realmente uma só quando fluem para o poderoso oceano!

3. O CONVÊNIO
'Abdu'l-Bahá

Bahá'u'lláh foi um arquiteto divino. Ele delineou o grandioso plano para a unificação da humanidade. Lançou as sólidas fundações deste sagrado Edifício e selecionou-lhe os materiais necessários.

Mas quem iria erigir esta maravilhosa construção depois do passamento de Bahá'u'lláh? É claro que Seu plano é perfeito, mas até mesmo um plano perfeito deve ser colocado nas mãos de uma pessoa qualificada, senão toda a construção pode desmoronar. Não importa quão perfeito seja o projeto e firmes os alicerces da construção, se não adequadamente supervisionado por uma pessoa capacitada, o prédio poderá ficar totalmente diferente do planejado pelo arquiteto.

Quando Bahá'u'lláh faleceu, deixou a execução de Seu Plano Divino nas mãos de Seu filho. Designou 'Abdu'l-Bahá como o Centro de Seu Convênio e convocou Seus seguidores a buscarem nEle orientação e guia.

'Abdu'l-Bahá significa "o servo de Bahá". Ele era o filho mais velho de Bahá'u'lláh, e nasceu no dia 23 de maio de 1844, na mesma noite em que o Báb declarou Sua Missão. Um filho abençoado, nascido num lar abençoado, numa hora abençoada.

'Abdu'l-Bahá tinha apenas 8 anos quando Bahá'u'lláh foi lançado naquela horrível masmorra. Desde cedo Ele voluntariamente participou de todos os sofrimentos de Seu amado Pai. Acompanhou Bahá'u'lláh naquela difícil viagem de Teerã a Bagdá, e passou quarenta anos de Sua vida na prisão e no exílio. Quando 'Abdu'l-Bahá foi finalmente libertado, era já um homem idoso. Mas o amor de Deus O havia mantido feliz, mesmo nas horas mais tenebrosas de sua vida. Ele possuía uma profunda felicidade espiritual que nem mesmo a mais horrível das prisões Lhe podia roubar. 'Abdu'l-Bahá desejava que nós também desfrutássemos desse tipo de felicidade. Ele disse:

Existem duas espécies de felicidade: a física e a espiritual. A felicidade física é limitada; dura no máximo um dia, um mês, um ano. Em nada resulta. A felicidade espiritual surge na alma com o amor de Deus e permite que ela atinja as virtudes e perfeições do mundo humano. Esforça-te, portanto, o mais que puderes, para acender a lâmpada de teu coração com a luz do amor.16

Bahá'u'lláh anunciou a Palavra de Deus a 'Abdu'l-Bahá em Bagdá. Embora ainda uma criança, 'Abdu'l-Bahá reconheceu a posição de Seu Pai e, jogando-se aos pés de Bahá'u'lláh, implorou ser aceito como um sacrifício pela Sua Causa. Daquele dia em diante, 'Abdu'l-Bahá dedicou toda a Sua vida ao serviço de Bahá'u'lláh, sacrificando todo o conforto em Seu caminho. Desde cedo 'Abdu'l-Bahá conquistou o amor e o respeito dos seguidores de Bahá'u'lláh e mais tarde ficou conhecido entre eles como "O Mestre". Quando Bahá'u'lláh faleceu e Seu Testamento, conhecido como o Livro do Convênio, foi aberto, os bahá'ís ficaram felizes em saber que Bahá'u'lláh havia designado 'Abdu'l-Bahá como o Centro de Seu Convênio e o intérprete autorizado de Seus ensinamentos.

A designação como o Centro do Convênio é uma característica única da Fé Bahá'í. Todas as religiões do passado dividiram-se depois da morte de Seus fundadores, porque seus adeptos não sabiam a quem se dirigir após a partida dos Manifestantes de Deus. Começavam a interpretar os ensinamentos de Deus de acordo com sua própria compreensão, e como não as compreendiam do mesmo modo, esses ensinamentos eram explicados de várias maneiras. Isto ocasionou desunião entre os adeptos das religiões no passado. Na Fé Bahá'í, porém, ocorreu algo diferente. Bahá'u'lláh, que veio remover todas as formas de desunião existentes entre os povos do mundo, não permitiu que a Fé Bahá'í se dividisse. Escreveu um documento no qual designou 'Abdu'l-Bahá como aquele para o qual todos os bahá'ís deveriam se dirigir em busca de orientação, nos assuntos relacionados aos Seus ensinamentos. Este documento, o Livro do Convênio, salvou os bahá'ís da desunidade. Ele preservou a unidade dos seguidores de Bahá'u'lláh, mas provocou ciúme no irmão de 'Abdu'l-Bahá, Muhammad Alí. Tal como Yahyá havia feito no tempo de Bahá'u'lláh, Muhammad Alí tentou criar desunidade entre os bahá'ís na época de 'Abdu'l-Bahá. Imaginou que por ser filho de Bahá'u'lláh, também podia reclamar liderança, mas seus esforços foram inúteis, porquanto seu parentesco exterior com o Manifestante de Deus de nada valia, uma vez que não obedecia àquilo que Bahá'u'lláh havia determinado. Muhammad Alí era como um ramo crescido de uma poderosa árvore, mas que não podia dar frutos porque havia secado e se tornado estéril. E, tal como um galho seco, foi cortado e jogado fora.

Quando Muhammad Alí falhou em criar desunidade entre os bahá'ís, uniu-se aos inimigos da Causa e tentou prejudicar 'Abdu'l-Bahá. Envenenou as mentes dos oficiais do governo contra o Mestre e disse que Ele estava reunindo pessoas em torno de Si para se levantar contra o governo. Quando 'Abdu'l-Bahá estava construindo o Sepulcro do Báb no Monte Carmelo, Muhammad Alí disse que Ele estava construindo uma fortaleza, o que fez o governo turco enviar uma comissão especial à Terra Santa para investigar a questão. Muhammad Alí conseguiu subornar o corrupto general que chefiava a comissão, e falsos relatos sobre 'Abdu'l-Bahá foram enviados à Turquia.

Enquanto isto, 'Abdu'l-Bahá dedicava cada hora de sua vida ao serviço da Causa. As lindas Epístolas que fluíam de Sua pena, levavam alegria e inspiração a milhares de bahá'ís no mundo. Através dessas preciosas cartas, Ele guiava e consolidava suas ações no serviço da Causa. Quando não estava ocupado, escrevendo, o Mestre dedicava seu tempo visitando os doentes ou cuidando das necessidades dos pobres. De Suas escassas posses dava generosamente aos outros e nunca ninguém voltou desapontado da porta de Sua casa.

'Abdu'l-Bahá deu pouca atenção ao grupo de oficiais que viera investigar as falsas acusações levantadas contra Ele. Muhammad Alí, por outro lado, devotou-lhes grande respeito e deu-lhes muitos presentes. Antes de partirem, o general encarregado da comissão jurou que voltaria para enforcar 'Abdu'l-Bahá junto ao portão da cidade. Isso trouxe alegria para os inimigos do Mestre, enquanto aqueles que O amavam ficaram cheios de ansiedade. Muitos de Seus amigos imploraram a 'Abdu'l-Bahá que fugisse da Terra Santa, enquanto ainda havia tempo, mas o Mestre, cuja confiança estava sempre em Deus, não se preocupou nem um pouco. Ele disse:

Para mim prisão é liberdade, e o cárcere um campo aberto; para mim a humildade é idêntica à glória; para mim a adversidade é uma dádiva, e a morte é vida.

O general que queria enforcar 'Abdu'l-Bahá, foi morto numa batalha, logo depois de deixar a Terra Santa. O próprio império turco desmoronou e um novo regime assumiu os afazeres do governo. Muhammad Alí e os demais que haviam rompido o Convênio de Bahá'u'lláh, viram frustrados os seus esforços no sentido de prejudicar 'Abdu'l-Bahá ou provocar desunião entre os bahá'ís. Caíram em desgraça e suas vergonhosas maquinações ficaram conhecidas por todos.

Com a mudança do governo, 'Abdu'l-Bahá foi libertado, após toda uma vida de prisão. Finalmente, o Mestre, que havia servido à Causa de Bahá'u'lláh com tanta dedicação, sob as mais severas circunstâncias, estava livre para viajar e levar a Mensagem de Seu Pai aos povos de outros países. Os bahá'ís do Ocidente Lhe pediram para viajar à Europa e América e, embora idoso e fraco, devido aos longos anos de cativeiro, 'Abdu'l-Bahá alegremente aceitou o convite.

Durante a Sua viagem para o Ocidente, 'Abdu'l-Bahá falou a milhares de pessoas sobre a Fé Bahá'í. Algumas vezes fazia várias palestras num mesmo dia. Tanto os bahá'ís como aqueles que não eram bahá'ís vinham de longas distâncias para visitá-Lo e ouvir Suas inspiradoras palavras. Onde quer que fosse, 'Abdu'l-Bahá estava ocupado ensinando a Causa desde cedo pela manhã, até tarde da noite. Não pensava em Si próprio, nem mesmo quando ficava doente com febre, e os amigos Lhe pediam para descansar.

Na América, 'Abdu'l-Bahá colocou a pedra angular da primeira Casa de Adoração Bahá'í do Ocidente, hoje um belíssimo edifício dedicado à glória da Causa de Deus.

As viagens de 'Abdu'l-Bahá para a Europa e América produziram resultados maravilhosos. A Fé Bahá'í foi estabelecida em muitos países e, antes de falecer, 'Abdu'l-Bahá estimulou os crentes a levarem a nova Mensagem a outros países.

O passamento do Mestre ocorreu na Terra Santa, no dia 28 de novembro de 1921. Seu sepulcro está localizado em uma sala adjacente ao sepulcro do Báb, na mesma construção que Ele próprio havia erigido.

'Abdu'l-Bahá foi o Expositor da Causa de Deus, o Intérprete dos escritos de Bahá'u'lláh e o Perfeito Exemplo de Seus ensinamentos. Bahá'u'lláh O chamou de "O Mistério de Deus".

Shoghi Effendi

'Abdu'l-Bahá foi como um pai amoroso para os bahá'ís. Quando Ele faleceu, os bahá'ís do mundo ficaram profundamente tristes. O ministério de 'Abdu'l-Bahá havia durado cerca de 30 anos, período em que os bahá'ís, sob a Sua infalível orientação, haviam progredido e aprofundado sua compreensão dos ensinamentos de Bahá'u'lláh. Quando 'Abdu'l-Bahá deixou este mundo, os bahá'ís sentiram-se como órfãos que haviam perdido seu sábio e querido pai. Os inimigos da Causa, por outro lado, e aqueles que haviam rompido o Convênio de Bahá'u'lláh, acharam que essa era a oportunidade para levantarem e levarem avante seus perversos planos. Pensavam que, em virtude de 'Abdu'l-Bahá já não se encontrar entre os bahá'ís para proteger a sua unidade, seria fácil para eles atacarem a Causa. Não sabiam que, nesta época, Deus não mais permitiria qualquer quebra na unidade de sua Causa.

'Abdu'l-Bahá já havia tomado as providências para a manutenção da unidade dos seguidores de Bahá'u'lláh. Ele também estabelecera um firme convênio com os bahá'ís de todo o mundo, deixando uma maravilhosa Epístola, Sua Última Vontade e Testamento, na qual apontara Seu neto Shoghi Effendi como o Guardião da Causa de Deus.

Com o passamento de 'Abdu'l-Bahá os bahá'ís perderam um pai amoroso, mas em Shoghi Effendi encontraram um "verdadeiro irmão".

Shoghi Effendi nasceu no abençoado lar de 'Abdu'l-Bahá. Sua mãe era filha de 'Abdu'l-Bahá e seu pai um parente próximo do Báb. 'Abdu'l-Bahá chamou-o de "a mais maravilhosa, única e inestimável pérola que surgiu dos mares gêmeos" e "o sagrado ramo que brotou das Sagradas Árvores gêmeas", porque nele se uniram as duas sagradas famílias, a do Báb e a de Bahá'u'lláh. Shoghi Effendi cresceu sob o cuidado direto e a supervisão de 'Abdu'l-Bahá, mas ninguém estava consciente da posição para a qual o Mestre o estava preparando, embora muitos percebessem sinais de grandeza em Shoghi Effendi muito antes do falecimento de 'Abdu'l-Bahá. Certa vez uma bahá'í americana escreveu ao Mestre, perguntando se ela havia entendido corretamente uma profecia mencionada na Bíblia, segundo a qual, devia estar vivendo, naquela época, uma criança destinada a assumir a direção da Causa depois de 'Abdu'l-Bahá. O Mestre lhe respondeu que estava certa, que aquela criança abençoada vivia e logo iluminaria o mundo com sua luz. A outra pessoa, 'Abdu'l-Bahá deu a certeza de que aquela abençoada criança "levaria a Causa de Deus a grandes alturas".

Shoghi Effendi era ainda um menino quando o Mestre escreveu o documento Última Vontade e Testamento. Ele tinha apenas 24 anos de idade quando tornou-se o Guardião da Causa de Deus. Porém, por ter sempre a assistência de Bahá'u'lláh, não importava que ele fosse jovem. 'Abdu'l-Bahá chamou Shoghi Effendi de o Sinal de Deus na terra e disse que todos os que o obedecessem estariam obedecendo a Deus. Foi através da grande sabedoria e guia espiritual de Shoghi Effendi que a Mensagem de Bahá'u'lláh foi levada a todos os países do globo.

Quando 'Abdu'l-Bahá faleceu, Shoghi Effendi estava estudando na Inglaterra, na Universidade de Oxford. Seu maior desejo era servir ao Amado Mestre por toda a sua vida e poder traduzir as Escrituras Sagradas da Fé Bahá'í para o inglês para milhares de crentes que não podiam lê-las em persa ou árabe. A notícia do passamento de 'Abdu'l-Bahá foi de tamanho impacto para Shoghi Effendi que ele adoeceu. Antes de se recuperar completamente do choque da súbita separação do Mestre, ele chegou à Terra Santa para saber que 'Abdu'l-Bahá lhe havia legado a estupenda responsabilidade de ser o Guardião da Causa de Deus. Deus, porém, quando dá a alguém uma tarefa para cumprir no mundo, também dá a força para realizá-la. Após várias semanas dedicadas à meditação e à prece, Shoghi Effendi estava pronto para iniciar seu grande trabalho na vida. E Deus o abençoou com sabedoria divina e inspiração em todos os passos que ele deu na promoção de Sua Causa.

Durante os 36 anos de guardiania, Shoghi Effendi não teve outro pensamento senão o progresso da Causa. Trabalhava dia e noite, e de nenhum modo se poupou. Sua vida pessoal era muito simples, raramente se alimentando mais do que uma vez a cada 24 horas, ou dormindo mais do que poucas horas cada noite. O resto do seu tempo era dedicado ao seu sempre crescente trabalho para a Causa de Bahá'u'lláh. Aqueles que viam quanto serviço realizava todos os dias percebiam que apenas pelo poder de Deus é que um homem simples podia realizar tanto, dia após dia, ano após ano.

Os inimigos da Causa, que esperavam levar a cabo suas más intenções após o falecimento de 'Abdu'l-Bahá, perceberam logo que a Causa de Bahá'u'lláh estava agora segura pelos braços de ferro de Shoghi Effendi. Foi ele que ensinou aos bahá'ís do mundo a trabalharem em conjunto de modo a estabelecer a Ordem Mundial de Bahá'u'lláh e realizar as instruções de 'Abdu'l-Bahá, mencionadas em Suas Epístolas do Plano Divino. Nestas Epístolas, que o Mestre escreveu aos bahá'ís nos últimos anos antes de seu falecimento, Ele os conclama a todos a se levantarem para a promoção da Causa, deixando seus lares e o conforto e levando a Mensagem de Bahá'u'lláh para as mais remotas partes do mundo. Shoghi Effendi treinou os bahá'ís durante anos, para deixá-los preparados para essa grande tarefa. Ensinou-lhes a trabalhar através de suas Assembléias locais e nacionais, porquanto, a não ser que os bahá'ís aprendessem a trabalhar como um organismo unido, lhes seria impossível realizar qualquer coisa. E quando todos estavam preparados para a grande empreitada, o Guardião estimulou-os a se espalharem por todo o mundo, levando a bandeira de Bahá'u'lláh para todos os recantos do globo. Sob sua divina orientação, centenas de bahá'ís saíram com a tocha da fé, e se estabeleceram em ilhas distantes e territórios longínquos para dar a nova Mensagem aos povos de todos os lugares.

Quando 'Abdu'l-Bahá faleceu, a Fé Bahá'í havia sido difundida em 35 países, mas durante a vida do Amado Guardião, a Mensagem de Bahá'u'lláh foi levada a mais de 251 países do mundo, incluindo todos os lugares mencionados por 'Abdu'l-Bahá nas Epístolas do Plano Divino.

Em Sua Última Vontade e Testamento, 'Abdu'l-Bahá havia conclamado os bahá'ís do mundo a se levantarem para o serviço da Causa e não descansarem um só momento até terem estabelecido a bandeira da Fé em todas as partes do globo. Nosso querido Guardião cumpriu este pedido do Mestre durante toda a sua vida, até seu último dia neste mundo. Ele faleceu no dia 4 de novembro de 1957, em Londres, para onde tinha ido comprar materiais para a construção das instituições bahá'ís na Terra Santa.

O Guardião nos deixou somente após estar seguro de que seus esforços durante os seus 36 anos de guardiania haviam proporcionado à Fé Universal de Bahá'u'lláh tão sólida base que, após sua partida, seu trabalho podia ser levado avante pelos bahá'ís. Como um perfeito comandante de um navio, determinou a direção que devíamos seguir e deu-nos as instruções necessárias antes de partir para seu descanso eterno. Não pode haver perigo de perdermos o rumo, uma vez que a direção e o curso a seguir foram fixado pelo próprio Guardião. Sob sua orientação espiritual, esta Arca de Deus certamente alcançará seu destino. No final de sua vida, Shoghi Effendi traçou um Plano de Dez Anos, que foi encerrado em 1963. De acordo com o mesmo, todos os bahá'ís do mundo deviam trabalhar unidos para levar a Mensagem de Bahá'u'lláh às ilhas e territórios do globo nas quais a Fé Bahá'í ainda não havia sido estabelecida. O próprio Guardião supervisionou o andamento deste Plano em seus estágios iniciais e, antes de seu falecimento, mais de 4.200 centros haviam sido estabelecidos no mundo, enquanto a literatura bahá'í havia sido traduzida para mais de 200 idiomas diferentes.

Na Terra Santa, o Centro Mundial da Fé, o Guardião construiu uma belíssima superestrutura sobre o Santuário do Báb, e também um edifício para os Arquivos Internacionais da Fé, onde se encontram guardados os escritos originais do Báb e Bahá'u'lláh, como também outras relíquias. Esses edifícios, com os belos jardins que os circundam, formam um dos mais belos recantos do mundo, e milhares de pessoas os visitam todos os anos.

Shoghi Effendi completou seu trabalho, indicando 27 Mãos da Causa, a quem chamou de "Grandes Servidores" da Fé e a quem deu a responsabilidade de proteger a Causa e difundir os ensinamentos de Bahá'u'lláh. Quando o Guardião faleceu, as Mãos da Causa elegeram, dentre eles mesmos, um corpo de nove pessoas para permanecer na Terra Santa e cuidar do trabalho no Centro Mundial, que foram chamadas de Fideicomissários. As demais Mãos da Causa espalharam-se pelo mundo para ajudar no trabalho de completar o Plano de Dez Anos do Guardião.

O final do Plano de Dez Anos, em 1963, foi um novo marco memorável na história da Fé Bahá'í. Todo um século havia passado desde o dia em que Bahá'u'lláh proclamara Sua Missão, e os bahá'ís do mundo elegeram a primeira Casa Universal de Justiça, aquele Corpo Supremo que, conforme nos assegurou 'Abdu'l-Bahá, estará sob a guia direta de Deus e infalível em todas as suas decisões.

Para celebrar esta ocasião, os bahá'ís do mundo foram convocados para uma grande festa em Londres de 28 de abril a 2 de maio de 1963. Mais de 6200 pessoas de todas as partes do mundo participaram deste grande festival. A unidade da humanidade estava personificada nesta magnífica celebração. Pessoas de numerosas raças e origens, em seus trajes típicos, formaram o belíssimo jardim de Bahá'u'lláh. Aquela diversificada audiência no Congresso Mundial Bahá'í era, de fato, o buquê mais apropriado que podíamos ofertar à preciosa memória de Shoghi Effendi, nosso amado Guardião que nos proporcionou a Cruzada Espiritual de Dez Anos, tão plena de vitórias e realizações.

Graças aos incansáveis e intermináveis esforços do amado Guardião, os bahá'ís do mundo estão agora bem preparados para o tremendo desenvolvimento que a Causa de Deus vem realizando. Shoghi Effendi, conforme 'Abdu'l-Bahá havia previsto quando ele era ainda uma criança, realmente levou a Causa de Deus a grandes alturas.

4. ALGUNS ENSINAMENTOS E PRINCÍPIOS
A Unidade da Humanidade

Bahá'u'lláh nos ensinou a unidade da humanidade. Todos os seres humanos são filhos de um único Deus. Se acreditamos em um Pai Celestial, devemos aceitar uns aos outros como irmãos e irmãs, como membros de uma única família - a família humana.

Antes de Bahá'u'lláh nos trazer a luz da unidade, havia muitos motivos que levavam os homens a pensarem que eram diferentes uns dos outros. Algumas pessoas achavam que, por terem suas peles de cor branca, eram melhores que as pessoas de cor preta, amarela ou vermelha. Bahá'u'lláh disse que isso não é verdade. Os seres humanos não são diferentes por causa de sua cor. Se há alguma diferença, é devida aos diferentes graus de educação que eles receberam e não porque possuem peles de cores diferentes. Os povos de diferentes cores que existem no mundo são como os diferentes tipos de flores que encontramos num jardim. Se todas as flores fossem da mesma cor, o jardim não seria tão bonito. Bahá'u'lláh disse que Deus é como um pastor para quem as ovelhas brancas não são melhores que as escuras. Deus nos ama a todos, não importando a cor de nossas peles, nem de que parte do mundo somos. Por que, então, olhamos uns aos outros como estranhos? Bahá'u'lláh acendeu tal amor nos corações de Seus seguidores, que eles se sentem como membros da mesma família, embora oriundos de todos os países do mundo. Nos Seus escritos, Bahá'u'lláh diz:

Ó Bem-Amados! Ergueu-se o tabernáculo da unidade; não vos considereis uns aos outros como estranhos. Sois os frutos de uma só árvore e as folhas do mesmo ramo.17

Sede como os dedos de uma só mão e os membros de um único corpo. Assim vos aconselha a Pena da Revelação.18

'Abdu'l-Bahá escreveu:

E entre os ensinamentos de Bahá'u'lláh inclui-se a unidade do gênero humano: que todos os homens são as ovelhas de Deus e Ele é o bondoso Pastor. Esse Pastor trata com bondade todas as ovelhas, porque Ele as criou a todas, Ele as treinou, zelou e protegeu. Indubitavelmente, o Pastor é bondoso para com todas as ovelhas; e havendo entre elas algumas às quais faltam conhecimentos, cumpre educá-las; se existirem algumas imaturas, estas devem ser ensinadas até atingirem a madureza; havendo ovelhas doentes, precisam ser curadas. Nenhum ódio ou inimizade deve haver, mas sim devem esses seres imaturos e enfermos ser tratados como por um médico benévolo.19

Oremos pela unidade da Humanidade:

Ó meu Deus! Ó meu Deus! Une os corações de Teus servos, e revela-lhes Teu grande Plano. Que sigam Teus mandamentos e permaneçam firmes em Tua lei. Ajuda-os, ó Deus, em seus esforços, e concede-lhes o poder de Te servirem. Ó Deus, não os abandones a si mesmos, mas guia seus passos pela luz do conhecimento e, com Teu amor, alegra seu corações. Em verdade, Tu és seu Amparo e seu Senhor.20

Eliminação de Preconceitos

Bahá'u'lláh ensina que todas as formas de preconceito devem ser abandonados, seja o preconceito nacional, racial ou religioso. Enquanto as pessoas se apegarem ao preconceito, não haverá paz na terra.

Todas as guerras que ocorreram no passado, todas as matanças e derramamentos de sangue, foram devidos a alguma forma de preconceito. Povos têm lutado por seus países ou por suas religiões, trazendo destruição ao mundo e morte a milhões de seus semelhantes.

'Abdu'l-Bahá diz:

Se tal preconceito e inimizade nascem da religião, consideremos que a religião deveria ser causa de amizade; senão é infrutífera. E se esse preconceito for o de nacionalidade, ponderemos que toda a humanidade é da mesma nação; todos se originaram da árvore de Adão, sendo Adão a raiz. Essa árvore é uma só, e todas as nações são como os ramos, enquanto os seres humanos são suas folhas, flores e frutos. Assim, a constituição de nações diversas e a conseqüente carnificina e destruição da estrutura da humanidade resultam da ignorância humana e de fins egoístas.

Quanto ao preconceito patriótico, também provém de ignorância absoluta, pois a superfície do planeta é uma só terra natal. Cada um pode viver em qualquer parte do globo terrestre; o mundo inteiro, pois, é a pátria do homem. Essas divisões e fronteiras foram inventadas pelo homem; não foram determinadas na criação. A Europa é um único continente, a Ásia é um único continente, a África é um único continente, a Austrália é um único continente, mas algumas pessoas, movidas por fins pessoais e interesses egoístas, dividiram cada um desses continentes e consideraram certa parte como sendo seu próprio país. Deus não fixou divisa alguma entre a França e Alemanha; são terras contínuas. Sim, nos tempos primitivos, almas egoístas, visando à promoção de seus próprios interesses, estabeleceram limites e divisões, aos quais deram cada vez mais e mais importância, até isso levar, em séculos subseqüentes, a intensa inimizade, rapacidade e carnificina. E assim continuará a ser por tempo indeterminado, e se esse conceito de patriotismo permanecer restrito a certo círculo, será a causa preponderante da destruição do mundo. Nenhuma pessoa sábia e justa admitirá essas distinções imaginárias. Consideramos nossa terra natal qualquer área circunscrita a que chamamos de pátria, quando o globo terrestre é que é a terra natal de todos, não alguma área restrita. Em suma, vivemos por alguns dias nesta terra e, afinal, nela somos sepultados - é nosso jazigo perpétuo. Valerá a pena entregarmo-nos ao derramamento de sangue e despedaçarmos uns aos outros por este túmulo eterno? Não, longe disso! Tal conduta não pode aprazer a Deus, nem homem algum de juízo são a aprovará.

Considerai! Os animais abençoados não se envolvem em disputas patrióticas. Reina entre eles a maior amizade e vivem juntos em harmonia. Se, por exemplo, um pombo do leste, e um do oeste, e outro do norte, e outro do sul chegam por acaso simultaneamente a um mesmo jardim, de imediato se associam com harmonia. Assim é com todos os quadrúpedes e aves abençoados. Os animais ferozes, todavia, logo que se defrontam, atacam-se e lutam e dilaceram-se mutuamente, é-lhes impossível viver em paz juntos no mesmo lugar. São todos insociáveis, ferozes, selvagens, pugnazes.21

A Pesquisa da Verdade

Quando uma criança nasce numa família cristã, ela se torna cristã. Quando os pais são muçulmanos, os filhos ficam também muçulmanos. Se são hindus, seus filhos são hindus também. Por que? Porque a grande maioria dos povos do mundo continua imitando seus ancestrais, e enquanto houver esta espécie de cega imitação, os povos não podem ser unidos. Eles lutam pelas suas imitações. Cada um afirma estar com a Verdade, sendo que os outros estão errados. As pessoas raramente param para pensar que caso tivessem nascido em alguma outra família com outras crenças, elas pensariam de modo completamente diferente daquilo que ora acreditam ser a única verdade.

Bahá'u'lláh ensina que a Verdade é uma. Se os povos do mundo deixassem de imitar seus antepassados e buscassem a Verdade por si mesmos, chegariam todos à mesma conclusão e se tornariam unidos. As diferentes pessoas são como crianças que vivem em diferentes lares e olham o sol através das vidraças coloridas de suas janelas. Mas, considerando que as vidraças de cada casa possuem coloração diferente das outras, uma criança vê o sol através da vidraça verde e pensa que o sol é verde, enquanto outra criança, olhando através de vidros azuis, pensa que o sol é azul e uma terceira criança pensa que o sol é vermelho porque o vê através de vidros vermelhos. Essas crianças podem até discutir sobre a cor do sol, cada uma acreditando que a cor que ela vê é a verdadeira. Porém, se elas deixassem de olhar o sol através de suas pequenas vidraças e saíssem ao ar livre, veriam todas a verdadeira cor do sol e não teriam motivo para brigar.

Bahá'u'lláh conclama os filhos dos homens a saírem de dentro das casas que herdaram de seus antepassados e deixarem de olhar o sol através das vidraças coloridas das janelas. Pois o sol para o qual olhamos é o mesmo e, uma vez removidos os vidros coloridos dos nossos olhos, todos poderemos vê-lo na sua verdadeira cor.

Deus espera que meditemos sobre aquilo em que acreditamos, em vez de seguir uma determinada crença apenas porque nossos ancestrais a aceitaram por muitas gerações. Se todos buscarmos a Verdade, cada um por si mesmo, veremos que ela é uma só e isso poderá nos unir e fazer abandonar as divergências do passado.

Abdu'l-Bahá diz:

...as religiões divinas dos santos Manifestantes de Deus são em realidade uma só, embora difiram em nome e designação. O homem deve amar a luz, não importa donde alvoreça. Deve amar a rosa, seja qual for o solo em que cresça. Deve buscar a verdade, de qualquer fonte que provenha. Apego à lanterna não constitui amor à luz. Apego à terra não é condizente, mas apreciar a rosa que brota do solo lhe é digno. Devoção à árvore é improfícua, mas participar de seu fruto é benéfico! Frutos deliciosos devem ser apreciados, não importa em que árvore cresçam ou onde se encontrem. Deve-se sancionar a palavra da verdade, seja qual for a língua que a pronuncie. As verdades absolutas devem ser aceitas, não importa em que livro estejam registradas. Se nutrirmos o preconceito, isto será causa de privação e ignorância. Lutas surgem entre as religiões, nações e raças, em conseqüência de uma falta de compreensão. Se investigarmos as religiões com o fim de descobrir seus princípios básicos, verificaremos que elas concordam entre si, pois sua realidade fundamental é uma só e não múltipla. Assim os adeptos das religiões do mundo alcançarão seu ponto de reconciliação e unidade.22

E, em outra passagem:

É lamentável que a humanidade esteja completamente submersa em imitações e falsidades, embora a verdade da religião divina tenha se mantido sempre a mesma. Superstições obscureceram a verdade fundamental, o mundo está submerso na escuridão e a luz da religião está oculta. Esta escuridão conduz a diferenças e dissensões; ritos e dogmas são abundantes e variados; por isso a discórdia surgiu entre os sistemas religiosos embora a religião seja para a unificação da humanidade. A verdadeira religião é para ser fonte de amor e concórdia entre os homens e causa de desenvolvimento de qualidades louváveis; mas as pessoas se apegam a falsidades e imitações, negligenciando a verdade que unifica; assim elas se privam da luz da religião. Elas seguem as superstições herdadas de seus pais e antepassados. A tal ponto isso prevaleceu que afastaram a luz celestial da verdade divina e permaneceram nas trevas das imitações e imaginações. Aquilo que deveria conduzir à vida, tornou-se causa de morte; aquilo que deveria ser uma evidência de sabedoria é agora uma prova de ignorância; o que era um fator de sublimidade da natureza humana, mostrou-se sua degradação. Por isso o domínio religioso foi aos poucos diminuindo e se obscurecendo, e a esfera materialista ampliando-se e avançando; pois os religiosos se apegaram à imitação e falsidade, negligenciando e se afastando da santidade e da sagrada realidade da religião. Quando o sol se põe, é tempo dos morcegos voarem. Eles aparecem porque são criaturas da noite. Quando as luzes da religião escurecem, surgem os materialistas. Eles são os morcegos da noite. O declínio da religião é o seu tempo de ação; eles buscam as trevas quando o mundo está mergulhado na escuridão e a obscuridade o domina.23

Bahá'u'lláh apareceu no horizonte Oriental. Como a glória do sol Ele surgiu no mundo. Refletiu a realidade da religião divina, dispersou a treva das imitações, estabeleceu a base de novos ensinamentos e revivificou o mundo.

O primeiro ensinamento de Bahá'u'lláh é a investigação da realidade. O homem deve procurar a realidade por si mesmo, evitando as imitações e o apego às meras formas hereditárias. Como as nações do mundo estão seguindo imitações em vez da verdade, e como as imitações são inúmeras e variadas, as diferenças de crença têm causado disputas e contendas. Até quando essas imitações permanecerem, a unidade do mundo humano será impossível. Por isso, devemos investigar a realidade, de modo que, através de sua luz, as nuvens e a escuridão sejam dispersos. A realidade é uma e não permite multiplicidade e divisão. Se as nações do mundo investigarem a realidade, concordarão entre si e tornar-se-ão unidas. Muitas pessoas e seitas... procuraram a realidade através da orientação e dos ensinamentos de Bahá'u'lláh. Tornaram-se unidas e agora vivem num estado de concórdia e amor; entre elas não há mais qualquer traço de inimizade e contenda.24

Idioma Universal

Uma das causas de desentendimento no mundo é que os povos não entendem os idiomas uns dos outros. Cada país tem uma língua diferente e quando alguém sai de sua terra para ir a outro país, sente-se entre estranhos.

Bahá'u'lláh veio para unir todos os povos do mundo e torná-los como membros de uma mesma família. Uma de Suas leis, portanto, é que um idioma comum deve ser ensinado em todas as partes do mundo, de modo que cada pessoa o aprenda além de sua própria língua materna. Desta maneira as pessoas se sentirão como em sua própria terra, não importa para onde viajem, porque poderão se entender mutuamente.

As diferenças de idiomas algumas vezes causam mal-entendidos que podem até resultar em perigosos conflitos. Consideremos o nome do nosso Criador, por exemplo. No idioma hindu Ele é chamado Ishavaro; em árabe, Alá; em inglês, God; em português, Deus. As pessoas ignorantes pensam que Deus é diferente de Alá ou God e brigam umas com as outras por causa desses diferentes nomes. Quando todos os povos puderem falar uma língua comum, universal, perceberão que é ao mesmo Criador que todos se referem. Este fato, por si só, removerá uma série de mal-entendidos existentes entre os homens.

Até agora os bahá'ís traduziram a Mensagem de Bahá'u'lláh para mais de 800 dos idiomas do mundo todo, porque a humanidade ainda não possui uma língua comum. Quando o idioma universal for adotado, será muito mais fácil levar os ensinamentos de Bahá'u'lláh a diferentes povos, e todas as pessoas poderão ler os escritos sagrados do próprio Manifestante de Deus, naquela língua.

Igualdade entre Homens e Mulheres

Se cortarmos as penas de uma das asas de um pombo, ele não poderá voar, não importa quão forte a outra asa possa estar, pois para voar um pássaro necessita de duas asas.

'Abdu'l-Bahá diz:

O mundo humano é dotado de duas asas: uma é a mulher, a outra o homem. A ave só poderá voar quando ambas as asas estiverem igualmente desenvolvidas. Se uma delas permanece fraca, o vôo é impossível.25

Diz também:

Deus criou todas as criaturas em pares. O homem, o animal ou o vegetal, todos os seres desses três reinos são de dois sexos e absoluta igualdade há entre eles.

No mundo vegetal, há plantas fêmeas e machos, elas têm direitos iguais e possuem igual participação na beleza de suas espécies, embora a árvore que produz fruto realmente seja considerada superior à estéril.

No reino animal vemos que macho e fêmea têm direitos iguais e que cada qual participa das vantagens de sua espécie.

Ora, nos dois reinos inferiores da natureza vemos que não há questão de superioridade de um sexo sobre o outro. No mundo da humanidade encontramos grande diferença; o sexo feminino é tratado como se fosse inferior e não lhe são permitidos privilégios e direitos iguais. Esta condição não é devida à natureza, mas sim à educação. Na criação divina não há tal distinção. À vista de Deus nenhum sexo é superior ao outro.26

Deus criou-nos a todos como seres humanos e para Ele não faz diferença se somos homens ou mulheres. Para um pai amoroso, filhos e filhas são igualmente queridos.

'Abdu'l-Bahá diz que homens e mulheres ambos pertencem à humanidade e que perante Deus são iguais, pois no plano divino da criação um é o complemento do outro. A única distinção entre eles, aos olhos de Deus, é a pureza e a retidão de seus atos, pois é preferido por Deus aquele que estiver mais próximo da imagem espiritual e semelhança com o Criador.

Uma vez que a bondade de Deus atinge o homem e a mulher igualmente, não devemos fazer distinção entre eles. Os deveres de um homem em uma comunidade podem ser diferentes dos de uma mulher, mas seus direitos e privilégios devem ser iguais. Não devemos pensar que os talentos de uma mulher são inferiores aos de um homem. No passado, as mulheres não recebiam a mesma educação e não tinham as mesmas oportunidades que os homens, e por isso não eram capazes de desenvolver as suas diversas capacidades .

Quando os bahá'ís elegem suas assembléias a cada ano, os membros que elegem são aqueles que são mais sinceros e capazes. Não faz qualquer diferença se são homens ou mulheres. Devemos sempre lembrar que Deus vê o coração e o caráter da pessoa e não o sexo.

'Abdu'l-Bahá diz:

Aquele cujo pensamento é puro, cuja educação é superior, cujas realizações são maiores, cujos atos de filantropia são excelentes, seja homem ou mulher, branco ou de cor, faz jus a todos os direitos e merece todo o reconhecimento. Não se faz distinção alguma.27

Educação Universal

Um dos ensinamentos da Bahá'u'lláh é que toda criança - menino ou menina - deve receber educação. Se os pais negligenciarem a educação de seus filhos serão responsáveis diante de Deus. Esta é a ordem de Bahá'u'lláh:

A todo o pai se ordenou a instrução do filho e da filha na arte de ler e escrever, e em tudo que se encontra registrado na Santa Epístola. Quanto àquele que desconsidera o que lhe foi prescrito: se tiver posses, os Mandatários tomarão dele o necessário para a instrução das crianças, caso contrário (caso os pais não tenham posses), entregue-se o assunto à Casa de Justiça. Verdadeiramente, fizemos dela (Casa de Justiça) um abrigo para os pobres e necessitados. 28

A educação das crianças, portanto, é uma lei obrigatória a todos os bahá'ís. Se os pais podem arcar com a educação dos filhos, mas não se preocupam em fazê-lo, a Assembléia Espiritual deve forçá-los a cuidarem disso. Se, porém, são pobres, a Assembléia Espiritual deve providenciar a educação das crianças utilizando os fundos da comunidade.

Das palavras de Bahá'u'lláh podemos concluir que a educação das crianças é um dever sagrado. Ele diz:

Quem cria o seu próprio filho ou o filho de outrem, é como se criasse um filho Meu...29

Não é um privilégio e uma honra criarmos um dos filhos de Bahá'u'lláh? Podemos receber tal honra se apenas educarmos os nossos filhos ou os filhos de outras pessoas.

Não podemos dizer que precisamos dos nossos filhos pequenos para trabalharem em casa ou para levarem o rebanho para pastar e por isso não têm tempo para ir à escola. Devemos lembrar que cuidar do rebanho ou trabalhar no campo não é um mandamento de Deus, mas educação é. Se não obedecermos este mandamento seremos responsáveis. Do mesmo modo não podemos dizer que temos uma filha e uma filha não precisa de educação. 'Abdu'l-Bahá disse que embora haja igualdade de direitos entre homens e mulheres, quando se trata de educação, se for preciso dar prioridade, esta deve ser dada às filhas, porquanto elas é que no futuro serão mães e uma mãe educada pode educar melhor os filhos.

Mas a educação, de acordo com os ensinamentos de Bahá'u'lláh, não se restringe e aprender a ler e a escrever. As crianças devem ser educadas de modo a se tornarem capazes de servir à humanidade. Atualmente, as crianças que vivem em diferentes partes do mundo são ensinadas a ter lealdade apenas ao seu próprio país, e algumas vezes o ódio em relação a outras nações é gravada em suas mentes jovens. São ensinadas a se orgulharem de ser alemãs, árabes, ou chinesas, e as fazem crer que a sua raça, a sua religião e a sua casta são as melhores do mundo. De acordo com a Fé Bahá'í isto não é correto. O objetivo da educação deve ser o de criar homens e mulheres que acreditam que "a terra é apenas um país e os seres humanos seus cidadãos" e que devem dedicar seu amor e seu serviço à melhora de todo o mundo. Se as pessoas adotarem este método de educação, não levará mais do que uma geração para que a unidade de toda a humanidade seja estabelecida. Bahá'u'lláh diz:

As escolas devem primeiro treinar as crianças nos princípios da religião, a fim de que a Promessa e o Castigo mencionados nos Livros de Deus possam afastá-las das coisas proibidas e adorná-las com o manto dos Mandamentos; mas isso em tal medida que não prejudique as crianças por resultar em intolerância e fanatismo ignorante.30

Isto quer dizer que os valores espirituais ensinados pelos Manifestantes de Deus devem ser a base para todo e qualquer sistema educacional. Somente através da iluminação espiritual é que os homens podem se tornar mais felizes nesta vida, porquanto desse modo aprenderão a viver sem qualquer preconceito em relação a seus semelhantes e cheios de esperança e confiança no futuro.

A educação deve nos livrar das superstições e dos preconceitos, e também das garras do materialismo.

'Abdu'l-Bahá escreveu:

Entre os ensinamentos de Bahá'u'lláh inclui-se a liberdade do homem. Através do Poder ideal, ele deve libertar-se e emancipar-se do cativeiro do mundo natural. Pois enquanto o homem permanecer prisioneiro da natureza, será animal feroz, já que a luta pela existência é uma das exigências do mundo natural. Essa questão da luta pela existência é o manancial de todas as calamidades; é a aflição suprema.31

Nenhum bahá'í deve jamais privar seus filhos de receber o verdadeiro conhecimento, conforme ensinou Bahá'u'lláh :

O conhecimento é como asas para a vida do homem; é como uma escada pela qual ele possa ascender. Incumbe a cada um adquiri-lo. Deve-se, porém, adquirir o conhecimento das tais ciências que possam prestar benefícios aos povos da terra e não daquelas que por meras palavras começam e assim também terminam. Grande, verdadeiramente, é a prerrogativa dos cientistas e dos artífices entre os povos do mundo... Na realidade, o conhecimento é um verdadeiro tesouro para o homem; é para ele uma fonte de glória, de graça, de júbilo e exaltação, de alegria e contentamento.32

Religião e Ciência Devem Trabalhar em Conjunto

Deus nos deu o poder de pensar para sermos diferentes dos animais. Por ser capaz de usar sua mente, o homem tem podido progredir através dos tempos e de viver hoje de forma completamente diferente da que vivia há milhares de anos. Novas descobertas e invenções tornaram possível às pessoas viverem em casas melhores e lutarem contra as doenças e a ignorância. Mas o progresso material nos é de pouco proveito se não fizermos progresso espiritual também. Deus nos deu a religião para nos ajudar em nosso progresso espiritual. A ciência sem a religião pode trazer grandes danos, mas a religião sem a ciência também pode ocasionar transtornos. Para o verdadeiro progresso da raça humana, ambas são necessárias. A ciência e a religião devem andar de mãos dadas.

A ciência nos fornece as ferramentas e a religião nos ensina como usá-las. Um machado ou uma foice são muito úteis se soubermos manejá-los corretamente. Mas se um assassino toma posse daqueles mesmos instrumentos, tornam-se armas perigosas. O problema com o mundo atual é que a ciência forneceu ferramentas para pessoas que as usam como armas porque não têm uma religião que lhes ensine a melhor forma de utilizá-las. Por outro lado, se abandonarmos a ciência e deixarmos de usar nossa mente e razão em conjunto, a religião nada mais será que ignorância e superstição, e, conseqüentemente, também prejudicial aos povos do mundo.

No passado as pessoas achavam que religião e ciência não podiam colaborar, mas Bahá'u'lláh ensina que a religião verdadeira está de acordo com a verdadeira ciência. Diz-nos que nossos corações e nossas mentes podem aceitar as mesmas verdades.

Encerraremos este capítulo com uma maravilhosa citação de uma palestra de 'Abdu'l-Bahá:

Deus fez a religião e a ciência para serem a medida... de nossa compreensão. Tomai cuidado para não negligenciardes tão admirável poder. Pesai todas as coisas nessa balança...

Colocai todas as vossas crenças em harmonia com a ciência; não pode haver oposição, pois a verdade é una. Quando a religião, despojada de suas superstições, tradições e dogmas ininteligíveis, demonstrar sua conformidade com a ciência, então haverá no mundo grande força purificadora e unificadora que varrerá todas as guerras, desacordos, discórdias, porfias - e então a humanidade será unida no poder do amor de Deus.33

Os Extremos de Riqueza e Pobreza Devem Ser Eliminados

Bahá'u'lláh nos diz que Ele prefere a justiça acima de qualquer outra coisa no mundo:

Ó Filho do Espírito!

A mais amada de todas as coisas, a Meu ver, é a Justiça; não te desvies dela, se é que Me desejas...34

Disse 'Abdu'l-Bahá:

Um dos mais importantes princípios de Bahá'u'lláh é: o direito de todos os homens ao pão de cada dia, essencial à sua vida, ou a igualdade dos meios de subsistência.

As condições do povo devem ser arranjadas de tal modo que a pobreza desapareça, que todas as pessoas, tanto quanto possível, de acordo com sua classe e posição, desfrutem de conforto e bem-estar.

Vemos entre nós homens excessivamente ricos, de um lado, e de outro, desafortunados entregues aos rigores da fome; aqueles que possuem vários palácios majestosos e os que não têm onde reclinar a cabeça. Uns dispõem de numerosos serviços de alimentos caros e saborosos, enquanto outros raramente encontram suficientes côdeas para se manterem vivos. Enquanto uns usam roupas de veludo, de peles e de linho fino, outros têm vestimentas pobres e rotas, insuficientes para protegê-los do frio.

Este estado de coisas é injusto e deve ser remediado...

Sendo alguns excessivamente ricos e outros lamentavelmente pobres, certamente é necessária uma organização para controlar e melhorar esse estado de coisas. É importante limitar a riqueza, como também é de importância limitar a pobreza. Nenhum extremo é bom...

Deixar-se a pobreza chegar ao estado de inanição, é sinal certo de que em algum lugar encontra-se a tirania. Os homens devem agir nessa questão e não mais protelar a alteração das condições que trazem a desgraça da pobreza oprimente a vastíssimo número de pessoas.35

Existem inúmeras leis e ensinamentos maravilhosos na Fé Bahá'í para a criação de uma sociedade equilibrada, na qual não existem extremos de riqueza e pobreza. Muitas dessas leis devem ser postas em prática pelos governantes do mundo, mas a solução básica dos problemas econômicos de hoje depende do indivíduo. Os bahá'ís são estimulados a fazer todo esforço para o progresso material bem como o espiritual, mas nunca devem esquecer estas palavras de Bahá'u'lláh:

A essência da riqueza é o amor por Mim; quem Me ama é o possuidor de todas as coisas e quem não Me ama é, em verdade, dos pobres e necessitados.36

A riqueza para um bahá'í, portanto, é o amor de Deus em seu coração. Quando o bahá'í possui este grande tesouro, que ninguém lhe pode tomar, os bens materiais não terão grande valor aos seus olhos e tampouco a sua pobreza exterior pode tornar-se causa de sua infelicidade. Bahá'u'lláh diz:

Ó Filho de Minha Serva!

Não te aflijas enquanto pobre, nem ponhas confiança na riqueza, pois à pobreza se segue a riqueza e, à riqueza, a pobreza...37

Uma vez que nossos corações estejam desapegados das riquezas do mundo, torna-se fácil dividir nossa riqueza com aqueles que estão necessitados, e isto é o que Bahá'u'lláh espera de Seus seguidores. Numa das Epístolas de 'Abdu'l-Bahá lemos:

E entre os princípios de Bahá'u'lláh está a repartição voluntária dos bens com o semelhante. Essa partilha espontânea é superior à igualdade, e consiste em que o homem não se dê preferência a si mesmo sobre outrem, senão que sacrifique a vida e os haveres pelo próximo. Isso, entretanto, não deve ser introduzido pela coerção, de modo que se torne uma lei que o homem seja constrangido a obedecer. Não, antes, o ser humano deve, por sua própria vontade e opção, sacrificar as posses e a vida pelos outros e, de bom grado, dar aos pobres, assim como fazem os bahá'ís na Pérsia.38

Não importa quão pobre uma pessoa seja, ela sempre pode encontrar pessoas mais pobres com quem possa compartilhar o que tem. Aos ricos Bahá'u'lláh diz:

Ó Vós, Ricos da Terra!

Os pobres, em vosso meio, são Minha incumbência a vós; cuidai dessa incumbência e não tenhais em mira somente vosso próprio ócio.39

Ele os adverte a não esquecerem daqueles que estão necessitados, pois serão punidos se formos egoístas:

Ó Filhos do Pó!

Ao rico, falai dos suspiros do pobre à meia noite, para que a indiferença não o conduza ao caminho da destruição e o prive da Árvore da Riqueza. O dar e o ser generoso são atributos Meus; bem-aventurado quem se adorna com Minhas virtudes.40

Embora os ricos sejam chamados a dar de suas riquezas, Bahá'u'lláh proíbe a mendicância aos pobres. Ele diz que eles devem esforçar-se para ganhar sua própria vida, pondo sua esperança no Todo-Poderoso. Cada indivíduo é chamado a ter:

...sua profissão ou vocação neste mundo, apoiar-se firmemente no Senhor e nada buscar senão Sua graça, porquanto em Suas mãos está o destino de todos os Seus servos.

Nunca devemos invejar aqueles que têm mais dinheiro que nós. Bahá'u'lláh diz:

Ó Filho da Terra!

Sabe tu, em verdade, o coração no qual resta ainda o menor vestígio de inveja, jamais atingirá Meu domínio eterno, nem inalará os doces e sagrados aromas que emanam de Meu reino de santidade. 41

E ainda:
Ó Meu Servo!

Purifica da malícia o teu coração e, inocente de inveja, entra na corte divina da santidade.42

Devemos entender que a riqueza em si mesma não é uma virtude. Pode tornar-se perigosa. Bahá'u'lláh diz que Deus testa o homem com o ouro, tal como o ouro é testado pelo fogo. E diz também:

A riqueza - sabei vós em verdade - é uma forte barreira entre quem busca e seu anelo, entre quem ama e o objeto de seu amor. Os ricos, salvo um número limitado, de modo algum atingirão a corte de Sua Presença, nem na cidade do contentamento e resignação, haverão de entrar. Bem-aventurado aquele, pois, que, embora rico, não é por sua riqueza impedido de entrar no reino eterno, nem privado do imperecível domínio. Pelo Nome Supremo! O esplendor desse homem rico haverá de iluminar os habitantes do céu, assim como o sol se irradia sobre o povo da terra!

Nosso objetivo na vida, portanto, não deve ser o de juntar riquezas, para desfrutar uma curta vida de conforto neste mundo. As riquezas materiais realmente podem nos ser proveitosas somente depois que tivermos adquirido a riqueza espiritual, tomado conhecimento de nós mesmos e compreendido o propósito de nossas vidas neste mundo.

Bahá'u'lláh escreveu:

...o homem deve conhecer a si próprio e reconhecer o que leva à sublimidade ou à humilhação, à glória ou ao rebaixamento, à riqueza ou à pobreza. Havendo atingido a etapa do cumprimento e alcançado sua maturidade, o homem necessita riqueza, e a riqueza que ele adquire mediante ofícios ou profissões é recomendável e digna de louvor aos olhos dos homens sábios e, especialmente, dos servos que se dedicam à educação do mundo, à educação de seus povos.43

Possuindo ou não as riquezas deste mundo, devemos lembrar sempre que todos podemos ser espiritualmente ricos se permitirmos que o amor de Deus entre em nossos corações. É isto o que Deus diz a todos nós através de Bahá'u'lláh:

Ó Filho do Espírito!

Eu te criei rico; por que te empobreces? Nobre te fiz; com o que te rebaixas? Da essência da sabedoria Eu te concedi a existência; por que buscas iluminação de outro, senão de Mim? Da argila do amor, te moldei; como é que te ocupas com outro? Volta teus olhos a ti mesmo, a fim de que, dentro de ti, Me possas encontrar, forte, poderoso, O que subsiste por Si Próprio.44

A Felicidade

Uma das maiores bênçãos que Bahá'u'lláh nos concede é a alegria e a felicidade que criou em nossos corações. Somos alegres porque temos o amor de Deus dentro de nós. Somos felizes porque conhecemos o significado e o propósito de nossa curta vida nesta terra. Regozijamos porque encontramos nosso Bem-Amado e, através da influência de Suas Palavras criativas, estamos em paz com o resto da humanidade. Bahá'u'lláh diz:

Ó Meus amigos que habitais no pó! Apressai-vos à vossa morada celestial. Anunciai a vós mesmos as jubilosas novas: 'Aquele que é o Mais Amado já veio! Ele se coroou com a glória da Revelação de Deus e descerrou à face dos homens as portas de Seu Paraíso Antigo.' Regozijem-se todos os olhos e alegre-se todo ouvido, pois agora é o tempo de contemplar Sua beleza, agora é o tempo próprio para Lhe escutar a voz. Proclamai a cada um que ama com anelo: 'Eis, que vosso Bem-Amado veio entre os homens!' E aos mensageiros do Monarca do amor, participai as novas: 'Eis, que o Adorado apareceu, ataviado na plenitude de Sua glória!' Ó amantes de Sua beleza! Transformai a angústia de vossa separação dEle no júbilo de uma união eterna...45

A alegria de ter reconhecido o Bem-Amado e ouvido Sua voz enche o coração de todo bahá'í. Esta grande bênção foi sentida pelos milhares de mártires bahá'ís que estavam alegres em dar suas preciosas vidas por causa de seu Bem-Amado. Quando a alegria da fé invade nosso coração, nada nesta terra pode nos desencorajar ou nos tornar infelizes. Pobreza, doença e dificuldades podem ser esquecidas quando o amor a Deus e às Suas criaturas está em nossos corações.

'Abdu'l-Bahá sempre se referia a esta constante felicidade que sentia, mesmo quando vivia na prisão, sob as mais severas condições. Ele escreveu:

Eu estava feliz na prisão. Sentia-me em júbilo, pois não era um criminoso. Tinham-me aprisionado no caminho de Deus... Vivia feliz porque, louvado seja Deus, eu era um prisioneiro na Causa de Deus; mas minha vida não tinha sido desperdiçada, pois fora dedicada ao serviço divino. Ninguém que me visse imaginava que eu estava na prisão. Encontravam-me na maior das alegrias, todo agradecido, com saúde, não dando a mínima atenção à prisão.

A felicidade que nos é concedida através do amor que sentimos por Deus e pelos nossos semelhantes torna-nos mais dignos para rendermos louvor ao Todo-Poderoso e recebermos Suas bênçãos. Bahá'u'lláh escreveu:

Ó Filho do Homem!

Regozija-te no enlevo de teu coração, a fim de seres digno de estar em Minha Presença e de espelhar Minha Beleza.46

Os bahá'ís devem sempre refletir a radiante luz da felicidade. Como poderemos ser infelizes quando lemos estas maravilhosas palavras de Bahá'u'lláh?

Ó Filho do Espírito!

Com as jubilosas novas da luz, Eu te saúdo; exulta! À corte da santidade Eu te chamo; ali permanece, a fim de poderes viver em paz para todo o sempre.47

Bahá'u'lláh diz que o coração é o assento de Deus. Quando o coração tiver conhecido a alegria de receber seu Bem-Amado, nenhuma felicidade na terra lhe pode rivalizar. A riqueza do mundo nada pode acrescentar a esta felicidade, nem a falta de prosperidade tornar-se motivo de tristeza para tal coração.

A alegria que nos vem dos prazeres deste mundo não representa a verdadeira felicidade, porque não é duradoura. Bahá'u'lláh nos disse para não nos preocuparmos por ela.

Ó Filho do Homem!

Se a prosperidade te vier, não exultes e, se fores atingido pela humilhação, não lamentes, pois ambas haverão de passar e não mais existir.48

'Abdu'l-Bahá diz:

Quando um homem está sedento, toma água. Quando está faminto, alimenta-se. Mas se um homem não tem sede, a água não lhe dá prazer algum e se sua fome está satisfeita, o alimento não tem gosto para ele. Isso não ocorre com as riquezas espirituais, as quais sempre trazem alegria. O amor de Deus proporciona uma felicidade que não se acaba. Ele é alegria em si mesmo e não apenas um lenitivo...

Deus criou em nós um espírito santo e divino - o espírito humano, com seus poderes intelectuais, que estão acima dos poderes da natureza. Através deles gozamos as alegrias do espírito e vemos o mundo iluminado... Tais poderes diferenciam o homem das outras criaturas. Por que, então, dedicá-los apenas às condições materiais? Devíamos usá-los para a aquisição e manifestação das bênçãos de Deus, para que se estabeleça o reino de Deus entre os homens e possam eles alcançar a felicidade em ambos os mundos, o visível e o invisível.49

Sejamos felizes por viver nesta era tão maravilhosa. Desfrutemos do paraíso que Deus preparou para nós, onde os homens vivem como irmãos e as disputas e desavenças do passado são esquecidas.

Regozijemo-nos com essas palavras de 'Abdu'l-Bahá:

Boas Novas!
Pois a vida eterna aqui está.
Ó vós que dormis, acordai!
Ó vós desatentos, adquiri a sabedoria!
Ó cegos, recebei vossa visão!
Ó surdos, ouvi!
Ó mudos, falai!
Ó mortos, levantai!
Sede felizes!
Sede felizes!
Sede plenos de alegria! 50
A Imortalidade

Nossa vida é muito curta. Vinte ou trinta anos podem parecer um longo tempo quando ainda somos muito jovens, mas quando tivermos deixado aqueles anos para trás, ficamos admirados como puderam passar tão depressa. Os anos que estão à nossa frente também chegarão e passarão rapidamente e logo a morte nos atingirá a todos.

Será a morte o fim de tudo? Não. A Fé Bahá'í ensina que a morte não é o fim. É apenas o começo. Bahá'u'lláh diz:

Ó Filho do Supremo!

Fiz da morte a mensageira de teu júbilo. Por que lamentas? A luz, Eu a fiz derramar sobre ti o seu esplendor. Por que te ocultas diante deste esplendor? 51

A morte é o início da nossa jornada espiritual em direção a Deus. É um renascimento - um renascimento espiritual.

Quando nossa alma deixa o corpo, continua a viver e progredir no Reino de Deus. Mas nunca retorna à terra em forma material.

Um rouxinol que sempre viveu numa gaiola, não conhece outro lugar senão a própria gaiola. Pode ter vislumbres de um jardim através das grades de sua gaiola, mas o pobre pássaro não tem qualquer noção de liberdade e nunca sentiu a alegria de voar pelos verdes bosques ou pelos campos abertos. Se abrirmos a porta da gaiola para libertar o rouxinol, ele poderá pular para um canto de sua gaiola e não querer sair, e quando levarmos nossa mão para tirá-lo da gaiola, ele ficará temeroso e tentará escapar de nossa mão. Mas assim que estiver livre, voará alto pelo céu aberto e cantará em meio às árvores. Fará seu ninho nos prados floridos ou nos bosques fragrantes e jamais retornará à gaiola, mesmo que lhe ofereçamos centenas de gaiolas de ouro.

Do mesmo modo, no momento da libertação da alma da prisão do corpo, aqueles que não têm conhecimento do Reino de Deus e da felicidade que os espera depois de deixarem esta vida, acham muito difícil encarar a morte. É porque conhecem apenas a gaiola e ignoram completamente o paraíso do amor e da eterna misericórdia de Deus.

Aqueles que reconhecem os Manifestantes de Deus, porém, têm a certeza da imortalidade da alma e da vida eterna. Alguém perguntou a Bahá'u'lláh sobre a vida depois da morte e esta foi a Sua resposta:

E agora a respeito de tua pergunta sobre a alma do homem e sua sobrevivência após a morte. Sabe tu que, em verdade, a alma após sua separação do corpo continuará a progredir até que atinja a Presença de Deus, em uma condição e um estado que nem a revolução dos séculos e eras, nem os acasos e as vicissitudes deste mundo poderão alterar. Durará enquanto durar o Reino de Deus - Sua soberania, Seu domínio e Seu Poder. Haverá de manifestar os sinais de Deus e Seus atributos e revelar Sua benevolência e generosidade. O movimento de Minha Pena aquieta-se quando tenta descrever, de um modo digno, a sublimidade e a glória de tão excelsa condição.52

A morte é o renascimento espiritual para cada um de nós. Devemos, portanto, estar preparados para saudar o "mensageiro de alegria", não importa quando ele possa bater à nossa porta.

Céu e Inferno

Se plantarmos na estação apropriada, molhando o terreno regularmente e protegendo-o contra as pragas e os pássaros, teremos como recompensa uma boa colheita. Mas se não plantarmos as sementes no tempo devido e negligenciarmos a irrigação do terreno, não poderemos esperar uma boa safra. Quando chegar o tempo da colheita, seremos punidos pela nossa própria negligência, e quem poderá ser culpado pelo prejuízo a não ser nós mesmos?

Recompensa e punição são necessárias para a manutenção da ordem no mundo. Recompensa e punição, são conseqüências naturais de nossos próprios atos. Todos os Mensageiros no passado tentaram nos fazer entender que tudo aquilo que fizermos neste mundo não afetará apenas a nossa vida aqui na terra, mas continuará a dar resultados depois de nossa morte. Se nossos atos forem bons, produzirão bons resultados e se tornarão causa de interminável felicidade; se forem maus, trarão maus resultados e um grande sofrimento para nós. Isso ocorre não porque Deus queira vingar-se daqueles que fizeram o mal, mas porque é impossível que se consiga bons resultados de más ações, tal como é impossível criar belas flores num jardim onde se tenha plantado ervas daninhas. É este o significado de recompensa e punição. Mas esta crença fundamental, ensinada em todas as religiões, foi muito mal compreendida.

Os Manifestantes de Deus explicaram a existência de recompensa e punição através de símbolos e parábolas. Já mencionamos que os Manifestantes de Deus são educadores perfeitos. Um educador perfeito deve necessariamente ensinar de um modo que seus alunos possam compreender, senão não haveria propósito em Sua instrução. Para fazer as pessoas entenderem que terão de prestar conta pelos seus atos, mesmo após sua morte, os Mensageiros de Deus descreveram uma vida cheia de alegria e prazer para os bons e falaram de tortura e miséria para os maus. Os prazeres e torturas que Eles mencionaram são aqueles que as pessoas conhecem neste mundo, porque era a única maneira de fazê-las entender a importância dos Seus ensinamentos sobre a vida depois da morte.

A uma pequena criança que pergunta sobre o saber, o pai pode responder que é algo mais doce que qualquer coisa que ela tenha provado. Ele, evidentemente, não quer dizer que o saber seja algum alimento para ser provado, e quando a criança ficar mas velha compreenderá o que seu pai quis dizer com aquela explicação. A maioria das pessoas tomam os símbolos e as parábolas que os Manifestantes de Deus usaram com respeito à vida depois da morte, de forma muito literal e não entendem que os mesmos foram usados apenas para ilustrar experiências espirituais. Criaram, assim, céus e infernos imaginários. Alguns acreditam que o inferno é um lugar horrível, com fogo, doenças e demônios terríveis no qual os pecadores são torturados eternamente. E que o céu, de acordo com eles, é um lindo jardim cheio de deliciosos frutos e prazeres terrenos. Outros acreditam que nossas almas retornam a este mundo depois da morte, como se não existisse outro lugar em todo o imenso universo a não ser o nosso minúsculo planeta. Eles dizem que nós voltamos em diferentes formas, até mesmo como animais, dependendo do tipo de ações que tivermos praticado durante a vida.

Embora os Manifestantes do passado precisassem falar da vida após a morte em termos simbólicos, Bahá'u'lláh diz que agora estamos preparados para conhecer o verdadeiro significado de céu e inferno. Os dois fatos importantes que devemos lembrar são:

1. Nossas almas são imortais e continuam a viver depois da morte do corpo físico.

2. Nossas ações neste mundo produzem resultados até mesmo depois que a alma deixa o corpo.

O mundo para o qual a alma entra depois de deixar o corpo físico é muito diferente do mundo a que estamos acostumados aqui. 'Abdu'l-Bahá diz que ele é tão diferente deste mundo quanto o nosso mundo o é do ventre materno em que vive criança antes de nascer. E, do mesmo modo que a criança se prepara para a sua vida neste mundo, desenvolvendo seus olhos, ouvidos e membros, dos quais não necessita no ventre de sua mãe, mas sem os quais não pode ter uma vida normal e sadia aqui, nós também devemos nos preparar para uma vida feliz no mundo vindouro, para o qual as nossas almas nascerão depois de partir deste plano. No mundo do além não necessitaremos mais de olhos e ouvidos físicos, mas sim de qualidades espirituais, as quais podemos adquirir neste mundo, seguindo os ensinamentos de Deus, enviados a nós através de Seus Mensageiros.

Existe, porém, uma grande diferença entre a condição de uma criança no ventre materno e a de uma pessoa vivendo neste mundo. A criança ainda no ventre não é responsável pelo seu próprio desenvolvimento porque não tem escolha e não pode ajudar-se de nenhuma maneira. Mas neste mundo nos é concedido o poder de escolher entre o certo e o errado, entre o bem e o mal. Somos, por conseguinte, responsáveis pelo nosso desenvolvimento espiritual, e se falharmos em crescer fortes e sadios em espírito, seremos muito infelizes no outro mundo. Este estado de infelicidade é chamado inferno.

Se, por outro lado, nos esforçarmos para compreender e obedecer às leis de Deus, estaremos nos preparando para uma vida de felicidade no outro mundo e gozaremos do estado que é chamado céu. Bahá'u'lláh diz que o céu é a proximidade de Deus e o inferno é estar privado dessa graça. Conclama cada um de nós a se esforçar a fim de se tornar digno das bênçãos eternas que lhe foram preparadas nos mundos do além:

Ó Filho da Generosidade!

Dos desertos do nada, com a argila de Meu mandamento, Eu te fiz aparecer e destinei a teu ensino todo átomo que existe e a essência de todas as coisas criadas. Assim, antes de procederes do ventre materno, Eu te provera duas fontes de leite cintilante, olhos para te vigiarem e corações para te amarem. Por Minha terna misericórdia, Eu te nutri à sombra de Minha mercê e, pela essência de Minha graça e Meu favor, te guardei. E Meu desígnio em tudo isto foi que atingisses Meu domínio eterno e te tornasses digno de Minhas dádivas invisíveis.53

Milagres

Os Manifestantes de Deus são dotados de grandes poderes. São capazes de realizar coisas impossíveis para os outros homens. O maior de Seus milagres são Seus ensinamentos, Suas próprias vidas e a influência de Suas palavras nos corações dos homens, durante séculos após Sua partida deste mundo. Estes milagres têm sido realizados por todos os Manifestantes de Deus.

Os Mensageiros de Deus não contam com os recursos e os poderes terrenos para influenciar as pessoas e sempre sofrem a oposição das forças do Estado e dos poderosos e sábios de Seu tempo. Aqueles que primeiro nEles acreditam são pessoas simples e insignificantes, sem nenhuma posição mundana. Apesar de tudo isso, Suas Mensagens se espalharam e conquistaram o mundo, criando novas civilizações. Esta história tem se repetido em várias épocas e com a vinda de cada Manifestante uma nova civilização é estabelecida na terra. Quando ouvimos falar da antiga civilização dos hindus, ou das civilizações que os judeus, os cristãos ou os muçulmanos desenvolveram durante as épocas passadas, devemos lembrar que o Fundador de cada um desses grandes movimentos foi um Mensageiro de Deus que, na Sua época, permaneceu só contra as forças do mundo todo, e ainda assim saiu vitorioso. Que maior milagre precisamos para provar a autenticidade desses Manifestantes de Deus?

Existem muitas pessoas que crêem que a prova da autenticidade do profeta está na realização de alguma tarefa muito difícil, que normalmente se espera só de um mágico. Os seguidores de cada religião relatam fatos extraordinários sobre o Fundador da sua fé, como prova de ter sido Ele um verdadeiro Manifestante de Deus. Os hindus dizem que um dia quando o bebê Krishna estava sendo carregado nos braços de Seu pai, Seus pés tocaram o rio Jamuna e as águas imediatamente recuaram para permitir que Ele fosse transportado para o outro lado do rio. Os cristãos dizem que Cristo saciava a fome de centenas de pessoas com alguns pedaços de pão. Milagres semelhantes são atribuídos a Zoroastro, Buda, Moisés e Muhammad pelos seus adeptos.

Os bahá'ís acreditam que todos os Mensageiros de Deus são capazes de realizações extraordinárias, mas que tais atos não convencem àqueles que nEles não acreditam, nem podem ser prova de Sua posição como profetas. Um cristão, por exemplo, pode dizer a um judeu ou a um budista que Cristo fez reviver um morto, mas suas palavras terão pouco efeito sobre a pessoa que não crê em Jesus. Isto certamente não a convencerá de que Cristo foi um Manifestante de Deus. Pode até dizer que somente os seguidores de Cristo é que Lhe atribuíram tais milagres. Nem mesmo aqueles que viveram nos dias de Jesus acreditaram nEle por causa de Seus milagres. Se, porém, um cristão salientar como os maravilhosos ensinamentos de Cristo concederam a vida eterna a milhões de pessoas que se encontravam espiritualmente mortas, ou se referir à própria vida santificada de Cristo, que inspirou os corações de muitas gerações da raça humana, ninguém pode negá-lo. A vida de Jesus Cristo e Seus ensinamentos são milagres extraordinariamente maiores do que o fato de ter Ele ressuscitado uma ou duas pessoas que podem ter vivido apenas mais alguns anos e morrido novamente.

Os Manifestantes de Deus são médicos divinos. O que devemos esperar deles é que nos dêem uma receita que curará nossos males espirituais. É infantilidade de nossa parte pensar que Eles desejam provar Sua posição de profetas através da realização de prodígios. Não pedimos a um médico, que vem ver um paciente, pular do teto de nossa casa para provar a sua habilidade de médico. A única maneira pela qual o médico pode provar que é realmente o que clama ser, é curar o paciente. É por isso que embora os que estavam na companhia de Bahá'u'lláh O tenham visto realizar coisas extraordinárias, Ele os proibiu de as mencionarem como provas de Sua grandeza. O seguinte incidente, ocorrido quando Bahá'u'lláh estava em Bagdá, mostra quão pouco valor podem ter os assim chamados milagres.

Um conselho de sacerdotes muçulmanos, sabendo que não podia negar a veracidade das afirmativas de Bahá'u'lláh através de argumentação e da lógica, pediu-Lhe para realizar um milagre, esperando que Bahá'u'lláh recusaria e assim lhes daria uma desculpa para denunciá-Lo. Escolheram um dos maiores sacerdotes dentre eles para ser o portador da mensagem a Bahá'u'lláh. Sua resposta a eles foi que a Causa de Deus não é uma brincadeira e que Ele não veio para lhes proporcionar um espetáculo de magia, a fim de agradar aos caprichos e fantasias do povo. Mas se os sacerdotes se decidissem por algo, não importa quão impossível fosse, Bahá'u'lláh o faria diante de seus olhos, com a condição de que uma vez realizado o milagre, todos O aceitassem como o Prometido.

Os sacerdotes não aceitaram a condição. Temiam que Bahá'u'lláh realizasse o milagre, e eles não teriam mais pretexto algum para negá-Lo. Assim se dispersaram sem pedir qualquer milagre a Bahá'u'lláh.

Este fato mostra claramente que os milagres, mesmo quando realizados, não servem para provar coisa alguma àqueles que já decidiram negar a verdade. Para aqueles que são justos em seu julgamento e desejam realmente compreender, os ensinamentos dos Manifestantes de Deus são, em si mesmos, milagres verdadeiros e duradouros.

Ensinamentos Morais e Éticos

Um dos princípios da Fé Bahá'í é que a base de todas as religiões é uma só. Os princípios morais de todas as religiões certamente fazem parte da base das religiões. São, portanto, semelhantes.

Nos ensinamentos de Bahá'u'lláh encontramos um padrão ético e de conduta pessoal muito elevado. Podemos dizer que quase todos os ensinamentos de Bahá'u'lláh exercem influência sobre o comportamento e a conduta pessoal do ser humano. Na Revelação de Bahá'u'lláh existem literalmente milhares de Epístolas reveladas pelo Báb, por Bahá'u'lláh e por 'Abdu'l-Bahá, e nos escritos de Shoghi Effendi, estabelecendo o padrão de vida bahá'í, baseado na pureza da mente e da conduta.

O leitor deve continuar a estudar e penetrar na imensidão do oceano das Sagradas Escrituras, se deseja encontrar tais tesouros e gemas inestimáveis.

Bahá'u'lláh escreveu para um de Seus próprios filhos:

Sê generoso na prosperidade e grato no infortúnio. Sê digno da confiança de teu próximo e dirige-lhe um olhar alegre e amável. Sê um tesouro para o pobre, um conselheiro para o rico; responde ao apelo do necessitado, e preserva sagrada a tua promessa. Sê imparcial em teu juízo e cauteloso no que dizes. A ninguém trates com injustiça e mostra humildade a todos os homens. Sê como uma lâmpada para aqueles que andam nas trevas, sê causa de júbilo para o entristecido, um mar para o sequioso, um refúgio para o aflito, um apoio e defensor da vítima da opressão. Que a integridade e a retidão distingam todos os teus atos. Sê um lar para o estranho, um bálsamo para quem sofre, uma torre de força para o fugitivo. Para o cego deves tu ser olhos, e para os pés dos errantes, uma luz que guie. Sê um adorno para o semblante da verdade, uma coroa para a fronte da fidelidade, um pilar do templo da retidão, um alento de vida para o corpo da humanidade, uma insígnia das hostes da justiça, um luminar sobre o horizonte da virtude, um orvalho para o solo do coração humano, uma arca no oceano do conhecimento, um sol no céu da bondade, uma jóia no diadema da sabedoria, uma luz radiante no firmamento de tua geração, um fruto na árvore da humildade. 54

Eis mais alguns trechos das Sagradas Escrituras referentes à conduta pessoal:

De Bahá'u'lláh:

Todos os homens foram criados a fim de levarem avante uma civilização destinada a evoluir para sempre... Agir como os animais do campo é indigno do homem. Aquelas virtudes que convêm à sua dignidade são a tolerância, a misericórdia, a compaixão e a benevolência para com todos os povos e raças da terra.55

Transgredir os limites de nosso próprio grau e estado não é, de modo algum, permissível. A integridade de cada grau e estado deve ser preservada. Isto significa que cada coisa criada deve ser vista à luz da posição que lhe foi ordenado ocupar.

A caridade apraz a Deus e é louvável a Seus olhos; é considerada um príncipe entre os belos atos... Vistas a esta luz, as abençoadas palavras acima mencionadas são, em verdade, o sol das palavras. Bem-aventurado quem prefere seu irmão antes de si próprio. Verdadeiramente, de acordo com a vontade de Deus, o Onisciente, a Suma Sabedoria, tal homem figura entre o povo de Bahá... 56

Os que possuem riquezas, entretanto, devem ter a máxima consideração pelos pobres, pois grande é a honra destinada por Deus àqueles pobres que são constantes em paciência... Não há honra que se possa comparar com esta honra, exceto aquela que apraza a Deus conceder. Grande é a bem-aventurança que espera os pobres que suportam pacientemente e ocultam seus sofrimentos, e felizes os ricos que doam suas riquezas aos necessitados e os preferem a si próprios.57

Nós, verdadeiramente, escolhemos a cortesia e fizemos dela o verdadeiro sinal daqueles que se encontram próximos dEle. A cortesia é, em verdade, uma vestimenta que convém a todos os homens, sejam jovens ou velhos. feliz é aquele que adorna sua fronte com ela, e infeliz o que se priva desta grande dádiva.58

Ó povo de Deus! Eu vos admoesto a observar cortesia, pois é aquilo que, acima de tudo mais, sobressai como um príncipe entre as virtudes. Feliz aquele que está iluminado com a luz da cortesia e ataviado com a vestidura da retidão. Quem está imbuído de cortesia atingiu, em verdade, um grau sublime.59

Acautelai-vos para que não vos considereis a vós mesmos acima de vosso próximo.60

Sede justos a vós próprios e aos outros, a fim de que as evidências da justiça se revelem, através de vossos atos, entre Nossos servos fiéis.61

...a eqüidade é a mais fundamental de todas as virtudes humanas. Dela, a avaliação de todas as coisas há necessariamente de depender....62

Dize: Observai eqüidade em vosso julgamento, vós, homens de coração compreensivo! Quem é injusto em seu julgamento, é destituído das características que distinguem a posição do homem.63

Em todos os tempos gostamos de vos ver associardes uns aos outros em amizade e concórdia dentro do paraíso de Meu beneplácito, e de inalar de vossos atos a fragrância da amizade e união, da benevolência e do amor fraternal.

Estaremos sempre convosco; se inalarmos o perfume de vosso espírito fraternal, Nosso coração certamente se regozijará, pois nada, a não ser isto, Nos pode satisfazer.64

Ó Vós, Ricos da Terra!

Os pobres, em vosso meio, são Minha incumbência a vós; cuidai dessa incumbência e não tenhais em mira somente vosso próprio ócio.65

Se encontrardes um pobre, não o trateis desdenhosamente. Refleti sobre aquilo de que fostes criados. Cada um de vós foi criado de um mísero germe.66

Uma língua bondosa é o ímã dos corações dos homens. É o pão do espírito, veste de significado as palavras e é a fonte de luz da sabedoria e compreensão.67

Não lideis traiçoeiramente com os bens de vosso próximo. Sede dignos de confiança na terra e não afasteis dos pobres as coisas que vos foram dadas por Deus através de Sua graça. Ele, em verdade, vos concederá o dobro daquilo que possuís.68

Palavras justas e verazes, em virtude de seu elevado grau e sua posição, assemelham-se a um sol que brilha do horizonte do conhecimento.69

De 'Abdu'l-Bahá:

Cada um vê no outro a Beleza de Deus revelada na alma e, encontrando esse ponto de similaridade, todos são atraídos por amor recíproco. Este amor fará de todos os homens ondas de um só mar, estrelas do mesmo céu e frutos de uma só árvore. Este amor realizará a verdadeira concórdia e estabelecerá o alicerce da verdadeira unidade.70

O amor é ilimitado, imenso, infinito! As coisas materiais são limitadas, circunscritas, finitas...

Todos esses laços de amor são imperfeitos. É claro que vínculos materiais são insuficientes para expressarem, com propriedade, o amor universal.71

O grande e generoso amor pela humanidade não está preso a nenhum desses liames imperfeitos e interesseiros; este é o único amor perfeito, possível a toda a humanidade e somente será conseguido através do poder do Espírito Santo.72

5. ADMINISTRAÇÃO BAHÁ'Í
Religião sem Sacerdote

Houve tempo em que era necessário um grupo de pessoas na sociedade para cuidar dos assuntos religiosos. As pessoas comuns eram analfabetas ou não dispunham de tempo para fazer um estudo adequado de sua religião. Por isso encarregavam essas pessoas que não tinham outro serviço ou profissão na vida a não ser estudar a religião e cuidar para o povo observar suas leis. É por isso que encontramos brâmanes entre os hindus; padres entre os cristãos, mulás entre os muçulmanos e rabinos entre os judeus.

Na Fé Bahá'í o clero profissional foi abolido e esta é uma das distinções de nossa religião. Bahá'u'lláh diz que, embora os sacerdotes fossem necessários no passado, na nossa era eles são dispensáveis. Ele convocou cada um de nós a buscar a Verdade por si mesmo, de modo que possa ver com os próprios olhos e não com os alheios, ouvir com os próprios ouvidos e compreender com o próprio poder de entendimento. Na busca pela Verdade, os bahá'ís adquirem suficiente conhecimento sobre a sua Fé, o que não acontece com os crentes de outras religiões, que esperam receber instruções dos sacerdotes. Cada bahá'í deve orar por si mesmo e não pode pagar outra pessoa para orar por ele, como é feito por muitas pessoas em outras religiões. Um bahá'í pede a graça e o perdão de Deus por si mesmo, não necessitando de um sacerdote para fazê-lo por ele através de rituais e cerimônias criados pelo próprio homem. Cada bahá'í pode manter contato com Deus através de Seu Manifestante e nenhum intermediário é necessário entre nós e Bahá'u'lláh.

Embora tenham existido muitos bons sacerdotes em todas as religiões, muitos dos males praticados, em todas as épocas, em nome da religião, foram devidos aos sacerdotes. Dois sacerdotes vivendo numa mesma comunidade, nem sempre concordavam sobre as mesmas questões religiosas e tal desentendimento sempre trazia grandes aborrecimentos para o mundo. Algumas pessoas achavam que este sacerdote é que estava certo, enquanto outras acreditavam que a opinião daquele é que estava correta, e deste modo a desunião e as divisões iam surgindo em todas as religiões. Gradativamente muitas seitas foram sendo criadas e as pessoas se desentendiam umas com as outras por causa das diferentes interpretações de suas sagradas escrituras, ocasionando guerras e derramamento de sangue.

Tais coisas não podem acontecer na Fé Bahá'í. Primeiro, porque não existem sacerdotes, nem personalidade alguma dentro da Fé que possa formar adeptos entre os crentes. Todos são iguais, na Fé. Segundo, porque ninguém tem o direito de interpretar os ensinamentos e as escrituras de Bahá'u'lláh. Essa autoridade foi dada apenas a 'Abdu'l-Bahá, pelo próprio Bahá'u'lláh, e depois de 'Abdu'l-Bahá o direito de interpretação foi dado apenas a Shoghi Effendi.

Ganhar a vida através da religião é perigoso, pois muitas pessoas insinceras podem ser atraídas para esta profissão apenas porque querem levar uma vida fácil ou ter um bom salário. Tais pessoas sempre enganaram as pessoas sob o manto sacerdotal, cometendo muitos crimes em nome da religião, a fim de servir aos seus próprios interesses egoístas.

Bahá'u'lláh aboliu a instituição do sacerdócio, a fim de que ninguém jamais possa esperar abusar da religião para servir aos seus próprios interesses egoístas e mundanos.

A história do passado mostra que sempre que um Manifestante de Deus apareceu no mundo, os sacerdotes das religiões anteriores foram os primeiros a Lhe fazer oposição. Por que? Porque eles sabiam que ao acreditar no novo Manifestante teriam que sacrificar suas posições, suas riquezas e o conforto material. Por isso faziam tudo que podiam para exterminar a nova religião, tão logo ela surgia entre eles. O budismo foi expulso da Índia pelos sacerdotes da época. Cristo foi crucificado porque os sacerdotes judeus se opuseram a Ele. O Báb foi martirizado porque os sacerdotes muçulmanos não queriam que o povo nEle acreditasse. Bahá'u'lláh sofreu durante toda a Sua vida, principalmente porque os mulás instigaram o governo e o povo de seu tempo a se levantarem contra a nova Causa de Deus.

Naturalmente houve exceções. Muitos sábios sacerdotes do tempo do Báb e de Bahá'u'lláh acreditaram nEles e alguns até derramaram seu sangue no Caminho de Deus. Mas no momento em que acreditaram no Báb e em Bahá'u'lláh, imediatamente deixaram de ser sacerdotes. Tornaram-se bahá'ís, humildes servos da Causa de Deus. Adotaram outras profissões, com as quais pudessem ganhar a vida. Não mais misturavam dinheiro com a religião ou uma profissão mundana com a Causa de Deus.

Em vez de sacerdotes para cuidar dos assuntos religiosos na comunidade, Bahá'u'lláh nos deu as bases de um maravilhoso sistema administrativo, através do qual todos podemos trabalhar em conjunto para o progresso da Fé e o bem estar espiritual da comunidade. A administração bahá'í, como todos os outros ensinamentos de Bahá'u'lláh, é de origem divina. Nas páginas seguintes, vamos saber mais a seu respeito.

O que é Administração Bahá'í?

Suponhamos que ao lado de uma grande de plantação passa um volumoso rio. Como podemos trazer água para os diversos campos que desejamos cultivar? Primeiro, devemos cavar um canal suficientemente grande para trazer a água necessária do rio para irrigar a área toda. Depois devemos cavar canais menores, que levarão a água do grande canal para as diferentes porções de terra. Finalmente, precisamos de inúmeras pequenas valetas para levar a água dos canais menores a cada área plantada. Quando o nosso sistema de canalização estiver completo, o rio poderá irrigar toda a fazenda.

A Administração Bahá'í, disse-nos Shoghi Effendi, é como um sistema de canais e valetas "através do qual... o Espírito Santo da Causa flui para as comunidades bahá'ís espalhadas pelo mundo inteiro".

Nas épocas passadas, esperava-se que os sacerdotes trouxessem a água da vida desde a sua nascente até o povo de seu tempo. Mas seu poder era limitado. Eles só podiam levar um pouco dessa água, e assim mesmo, somente enquanto tivessem a força e o zelo para carregá-la.

Bahá'u'lláh, porém, não confiou esse trabalho a indivíduos. Planejou uma maravilhosa rede de canais, através dos quais a água da vida é levada ao campo da existência. Esse Plano é chamado de Ordem Mundial de Bahá'u'lláh, e a Administração Bahá'í faz parte dela.

As boas novas sobre a Ordem Mundial de Bahá'u'lláh foram inicialmente proclamadas pelo Báb, quando Ele disse:

Bem aventurado aquele que fixa seu olhar sobre a Ordem de Bahá'u'lláh e rende graças ao Seu Senhor! Pois Ele seguramente manifestar-se-á.73

Bahá'u'lláh estabeleceu as bases desta Ordem Mundial e delineou seu plano. Mais tarde, 'Abdu'l-Bahá explicou este Plano Divino, deu-nos os seus detalhes e iniciou sua construção. Mas foi através dos esforços de toda uma vida de Shoghi Effendi que a Administração Bahá'í foi gradualmente construída, reunindo as mais distantes comunidades e tornando-as partes integrantes de um todo unificado.

A Administração Bahá'í é diferente de todas as outras formas de ordens religiosas porque não foi criada pelo homem. É o Plano de Deus para esta era, que nos foi concedido através de Seu Manifestante - Bahá'u'lláh - e está destinado a estabelecer a ordem e a paz entre todos os diferentes povos da terra.

A Administração Bahá'í é composta de muitas partes, todas mutuamente unidas. É constituída por Assembléias Espirituais Locais, eleitas pelos bahá'ís das cidades ou vilas; pelas Assembléias Espirituais Nacionais, eleitas pelos bahá'ís dos países, e pela Casa Universal de Justiça, eleita por todos os bahá'ís do mundo, através de suas Assembléias Espirituais Nacionais.

Se imaginarmos as Assembléias Espirituais Locais como as valetas que trazem a água dos canais menores para as diferentes áreas plantadas, as Assembléias Espirituais Nacionais serão os canais que ligam as valetas ao grande canal, no qual corre a água que vem do próprio rio, e a Casa Universal de Justiça será o canal principal. É através da Casa Universal de Justiça que a orientação de Deus flui para todas as partes do mundo.

Antes de prosseguirmos, para tratar dos deveres e responsabilidades de cada uma dessas partes separadamente, queremos deixar claro que a Administração Bahá'í jamais pode ser separada dos outros ensinamentos de Bahá'u'lláh. Nenhum bahá'í pode acreditar em Bahá'u'lláh sem aceitar a Sua Ordem Administrativa e trabalhar através dela, porque a Mensagem de Deus não foi trazida para a felicidade do indivíduo apenas, mas também para a unidade e bem estar da sociedade.

Conforme o leitor pode observar na figura, as pessoas na sociedade são como grãos em um campo. A importância de cada grão é pequena. Mas cada grão é beneficiado pela água que flui para o benefício do campo todo.

Devemos saber que a nossa felicidade individual está baseada no bem estar de uma sociedade unida e devemos nos esforçar para fortalecer esta Ordem Administrativa, da qual depende a esperança do futuro da humanidade.

(FIGURA) - Eis como podemos ilustrar a nossa Ordem Administrativa

A Eleição de uma Assembléia Espiritual

No Kitáb-i-Aqdas, Bahá'u'lláh ordenou que em todos os lugares em que o número de bahá'ís adultos for nove ou mais, uma Assembléia Espiritual deve ser eleita. Esta Assembléia Espiritual, como um organismo, serve à comunidade local à qual pertence.

Como elegemos nossa Assembléia Espiritual Local?

Suponhamos que os bahá'ís de uma cidade qualquer do interior do Brasil (vamos chamá-la de Luzópolis), cidade pequena com cerca de 45 crentes, desejam eleger a sua Assembléia Espiritual. Eis alguns dos pontos que devem lembrar:

1. Eles não podem formar sua Assembléia em qualquer época do ano. Podem elegê-la somente no dia 21 de abril, que é o aniversário da Declaração de Bahá'u'lláh, o dia em que Bahá'u'lláh anunciou, no Jardim de Ridván, ser Ele o Prometido de todas as épocas. O dia 21 de abril é o primeiro dia do nosso Festival de Ridván e é a única data na qual os bahá'ís podem eleger uma Assembléia Espiritual Local. Se a Assembléia não for eleita dentro das 24 horas entre o pôr do sol do dia 20 e o pôr do sol do dia 21 de abril, então todo um ano deve passar até o dia 21 de abril do próximo ano, quando a data da eleição chega novamente.

2. Somente bahá'ís com 21 anos de idade ou mais podem votar e ser eleitos para a Assembléia Espiritual. Se, por exemplo, dos 45 bahá'ís que vivem em Luzópolis, há apenas 25, entre homens e mulheres, que contam com 21 anos de idade ou mais, somente esses 25 é que podem votar para sua Assembléia; e os membros que elegerem para sua Assembléia também devem ser desses 25 homens e mulheres.

3. Cada pessoa que vota, deve escrever os nomes dos nove crentes que ele ou ela considera mais merecedores de serem eleitos para a Assembléia Espiritual. Uma cédula de votação não é válida se tiver uma quantidade maior ou menor do que nove nomes, ou se tiver um nome repetido.

4. As pessoas jamais devem ser eleitas para integrar a Assembléia Espiritual por causa de sua riqueza ou renome familiar dentro da comunidade, ou porque de alguma maneira elas nos mostraram bondade e nós desejamos recompensá-las, mas pela sua sinceridade e devoção à Causa de Deus e sua habilidade em servir a Fé. Cada eleitor bahá'í deve considerar o caráter e as qualidades espirituais dos homens e das mulheres de sua comunidade, e também orar a Deus de modo que possa ser guiado em escolher as pessoas certas para a Assembléia.

5. A nenhum bahá'í é permitido recomendar qualquer pessoa como digna de pertencer a uma Assembléia Espiritual, não importa quão boa a pessoa seja. Bahá'u'lláh proibiu-nos de indicar qualquer indivíduo, ou de tentar chamar atenção para alguém em especial, antes ou durante a eleição. Ninguém na comunidade deve saber em quem outra pessoa votou ou pretende votar. Mesmo marido e mulher, ou amigos íntimos, não podem consultar entre si para decidir em quem votar. Cada bahá'í deve buscar apenas a ajuda de Deus e tomar sua própria decisão nesta questão, sem ser influenciado pelas opiniões alheias. Somente um bahá'í que não sabe escrever pode pedir a alguém de confiança que escreva os nomes daqueles que ele ou ela escolhe.

Tendo todos estes pontos em mente, os Bahá'ís de Luzópolis procedem à eleição dos membros de sua Assembléia Espiritual Local para aquele ano. Reunidos todos num local para a eleição, iniciam sua reunião com orações, pedindo a Deus para ajudá-los e abençoá-los em seu dever sagrado. Então as cédulas de votação são recolhidas e alguns bahá'ís são escolhidos para contar os votos. Um deles lê os nomes escritos em cada cédula, enquanto outros dois ou três cuidadosamente tomam nota do número de votos que cada pessoa recebeu. Os nove bahá'ís que obtiverem o maior número de votos são eleitos membros da Assembléia Espiritual Local para aquele ano.

E assim os bahá'ís de Luzópolis, como seus irmãos em milhares de outras vilas e cidades do Oriente e do Ocidente são abençoados com uma Assembléia Espiritual que servirá à sua comunidade até o primeiro dia do Ridván do ano seguinte, quando o processo de eleição mais uma vez se repete em todo o mundo bahá'í.

As Responsabilidades de uma Assembléia Espiritual Local

Sobre os deveres das Assembléias Espirituais, Bahá'u'lláh escreveu:

Compete-lhes ser os fidedignos do Misericordioso entre os homens, e considerar a si mesmos como os guardiães, nomeados por Deus, de todos os habitantes da terra. Incumbe-lhes consultar em conjunto e cuidar dos interesses dos servos de Deus, por amor a Ele, da mesma forma como cuidam dos seus próprios interesses, e devem escolher o que for digno e apropriado. Assim vos ordenou o Senhor vosso Deus, o Perdoador, o Excelso. Acautelai-vos para não rejeitar o que está claramente revelado em Sua Epístola. Temei a Deus, ó vós que percebeis.74

A Assembléia Espiritual em cada povoado ou cidade deve, portanto, cuidar dos interesses dos bahá'ís daquela localidade.

O trabalho mais importante de uma Assembléia Espiritual é ajudar os bahá'ís a ensinar a Causa de Deus. A mensagem de Bahá'u'lláh é fonte de bênção para toda a humanidade, e nossas Assembléias Espirituais devem tornar-se canais através dos quais essa grande bondade possa chegar às pessoas, em todas as partes do mundo.

Quando já tiver Assembléia Espiritual formada na sua comunidade, certifique-se de que ela está tratando o trabalho de ensino como a sua principal tarefa.

Outro importante dever de uma Assembléia Espiritual é promover a amizade e o amor entre os crentes. Uma Assembléia deve criar uma atmosfera de amor e unidade entre os bahá'ís; precisa verificar se todos os amigos estão felizes naquela comunidade. Se houver divergências entre os amigos, é dever da Assembléia Espiritual cuidar para que sejam eliminadas. Cada Assembléia Espiritual deve agir como um pai sábio e amoroso para com os bahá'ís de sua própria localidade.

A respeito dos deveres de uma Assembléia Espiritual, o Guardião escreve:

Devem fazer o possível, em todas as oportunidades, para estender sua mão em assistência ao pobre, ao enfermo, ao incapacitado, ao órfão, à viúva, sem levar em conta cor, classe ou crença.75

Todas as Assembléias Espirituais devem ter seu próprio Fundo. Veremos adiante como este fundo deve receber as contribuições voluntárias dos amigos e como deve ser utilizado para os interesses da Causa e da comunidade. Se os bahá'ís contribuem aos fundos de suas Assembléias, as Assembléias, por sua vez, poderão auxiliá-los quando eles tiverem necessidade de ajuda.

A educação das crianças e da juventude bahá'í é outra responsabilidade das nossas Assembléias Espirituais. Nas palavras do Amado Guardião, elas:

Devem promover, por todas os meios ao seu alcance a instrução material bem como espiritual da juventude, os meios para a educação das crianças, e fundar, sempre que lhes seja possível, instituições educacionais bahá'ís, organizando e supervisionando seu trabalho e providenciando os melhores meios para seu progresso e desenvolvimento...76

Ainda outro importante dever das Assembléias Espirituais, segundo as palavras do Guardião, é que:

Devem se responsabilizar pela realização das reuniões regulares dos amigos, festas e dias sagrados, bem como das reuniões especiais destinadas ao serviço e à promoção dos interesses sociais, intelectuais e espirituais de seus semelhantes...77

O que acima mencionamos, são apenas algumas das importantes funções de toda Assembléia Espiritual Local. Seus membros devem ser cuidadosos para não falhar no cumprimento de seus deveres. Devem sempre lembrar destas palavras de Bahá'u'lláh:

Compete-lhes ser os fidedignos do Misericordioso entre os homens... e cuidar dos interesses dos servos de Deus, por amor a Ele...78

Os Oficiais de uma Assembléia Espiritual

Os membros de uma Assembléia Espiritual são aqueles nove bahá'ís que em toda comunidade recebem mais votos do que os outros no dia da eleição. A primeira coisa que os membros de uma Assembléia devem fazer, depois de serem eleitos, é realizar a sua primeira reunião. Dentre os nove membros eleitos, aquele que recebeu mais votos é o coordenador temporário e deve combinar com os outros a realização da sua primeira reunião o mais cedo possível.

Devem iniciar suas reuniões com orações e pedir a Deus para ajudá-los em promover Sua Causa e servir à comunidade que os elegeu. Depois disso, devem eleger os oficiais da Assembléia Espiritual para aquele ano.

Toda Assembléia Espiritual deve ter um coordenador, um vice-coordenador, um secretário e um tesoureiro. Isso é necessário e torna muito mais fácil o trabalho da Assembléia. Ela pode, no entanto, de acordo com as suas próprias necessidades, eleger, por exemplo, um segundo secretário, ficando, assim, com um secretário de atas e outro de correspondência.

A função do coordenador é dirigir as reuniões e ajudar a Assembléia a tomar decisões. Se os membros apenas se reúnem para conversar e se dispersar, em nada podem ser úteis à Assembléia. O coordenador pede as opiniões de todos os membros sobre qualquer assunto que esteja em consulta, em seguida solicita-lhes que votem sobre o mesmo e toma providência para que a Assembléia chegue a uma decisão sobre os diversos assuntos tratados. No capítulo sobre a consulta bahá'í falaremos mais a este respeito.

O vice-coordenador dirige as reuniões da Assembléia sempre que o coordenador não puder comparecer, por motivo de doença por exemplo.

O secretário de correspondência escreve todas as cartas que devem ser enviadas a indivíduos, a outras Assembléias Locais ou à Assembléia Nacional. É através de seu secretário que cada Assembléia Local mantém contato com o resto do mundo bahá'í.

O secretário de atas é o encarregado de registrar todos os trabalhos da Assembléia, ou seja tudo aquilo que deve ser feito, bem como tudo o que já foi realizado.

O tesoureiro é encarregado da tesouraria da Assembléia. Fornece os recibos a todos os que contribuem ao fundo e, com os recursos do fundo local, paga as despesas autorizadas pela Assembléia Espiritual.

Ao eleger os oficiais da Assembléia, os membros devem considerar os méritos de cada indivíduo e ver quem dentre eles mais tem a capacidade de realizar as tarefas destinadas a cada um desses oficiais. Os mesmos princípios que foram levados em consideração para a eleição dos membros da Assembléia, devem agora ser aplicados na eleição dos oficiais. Esta eleição, portanto, deve também ser realizada por voto secreto e sem qualquer espécie de propaganda. Ninguém deve ser eleito por causa de sua posição social. Se por exemplo, entre os membros da Assembléia existe uma pessoa mais velha que é respeitada na comunidade devido à sua idade, não há qualquer razão pela qual ela deva ser eleita como coordenador da Assembléia, a menos que seja a pessoa mais capaz de desempenhar esta função. O mesmo se aplica à pessoa cuja riqueza lhe dá uma posição social.

Por outro lado, devemos lembrar também que os oficiais de uma Assembléia Espiritual não têm qualquer posição especial na comunidade. O coordenador, por exemplo, não é o líder da comunidade ou a personalidade mais respeitada. Sua posição fora da Assembléia Espiritual é a mesma de qualquer outro membro da comunidade e, tão logo a reunião da Assembléia termina, ele (ou ela) não possui maiores direitos do que qualquer outro bahá'í.

Para tornar o assunto bem claro, imaginemos que os habitantes de um pequeno povoado que precisam de água potável para beber, decidem cavar um poço. O líder desse povoado, embora respeitado, pode não possuir qualquer conhecimento de como cavar um poço, enquanto um jovem, sem qualquer posição especial no povoado pode ter tido muita experiência neste assunto. Qual dessas duas pessoas deve ser eleita para dirigir este trabalho? É ao jovem que a tarefa deve ser confiada e pode ser que o líder do povoado seja o primeiro a escolhê-lo para este fim. E, enquanto trabalham no poço, todos os habitantes do povoado, inclusive o líder, aceitam a orientação do jovem que eles mesmos escolheram para coordenar o trabalho. Isto, evidentemente, não significa que o jovem vai se tornar o líder do povoado ou que o líder vai perder a sua posição na comunidade. Mas este espírito de cooperação vai beneficiar todo mundo no povoado.

É neste espírito de amorosa cooperação e harmonia que os bahá'ís elegem sua Assembléia Espiritual e esta elege seus oficiais.

O Amado Guardião escreveu que os membros de uma Assembléia Espiritual devem:

...empenhar-se na sua tarefa com a máxima humildade e empenho, com sua compreensão, seu alto senso de justiça e dever, seu candor, sua modéstia, sua inteira dedicação ao bem-estar e interesses dos amigos, da Causa e da humanidade, e esforçar-se para ganhar não só a confiança e o genuíno apoio e respeito daqueles a quem servem, mas também sua estima e verdadeiro afeto.79

A Assembléia Espiritual em Funcionamento (I)

Suponhamos que a pequena cidade de Luzópolis elegeu sua Assembléia Espiritual e que José Silva recebeu o maior número de votos entre todos. Que acontece, então? José convida todos os outros membros para se reunirem, em data, horário e local determinados, e realizarem a sua primeira reunião. Decidem encontrar-se às 19 horas do dia 22 de abril, o segundo dia do Festival do Ridván, e o local da reunião será a casa de Pedro Alves, outro membro da Assembléia, que mora na praça principal da cidade. Vamos acompanhá-los para ver o que farão.

José chega um pouco antes da hora marcada. Os outros membros, após deixarem seu trabalho, vão às suas casas tomar banho, trocar de roupa e jantar sem muita demora, de modo que à hora marcada todos estão presentes na casa de Pedro. Exatamente às 19 horas José anuncia que a Assembléia inicia seus trabalhos.

Antes de qualquer coisa, algumas oração são feitas por dois ou três membros, o que traz à sua reunião uma maravilhosa atmosfera espiritual. Então José diz que eles devem eleger o coordenador da Assembléia. Ele corta uma folha de papel em pedaços pequenos, distribui um pedaço para cada membro e pede que escrevam o nome da pessoa que consideram a mais indicada dentre eles para ser o coordenador da Assembléia.

Os bahá'ís de Luzópolis são ainda novos na Fé. Três dos membros da Assembléia não sabem escrever; por isso, José pede a um dos membros que ajude cada um desses três, escrevendo nos respectivos papéis o nome que cada um deles indicar para coordenador. Os nove pedaços de papel são então recolhidos e misturados de modo que não se possa saber a quem pertence cada um. Então José pede a dois outros membros que o ajudem a contar os votos. Enquanto ele mesmo os lê em voz alta, um por um, os outros dois tomam nota dos nomes num papel, para depois apurar os resultados e ver qual dos membros recebeu o maior número de votos.

Mário Pereira recebe 5 votos, José Silva, 3, e Pedro Alves, 1 voto. Portanto, Mário está eleito para coordenador da Assembléia. Se nenhum deles tivesse recebido mais de quatro votos, a eleição teria que ser repetida, pois, para ser eleito, cada um dos oficiais da Assembléia precisa receber pelo menos 5 votos. E se ninguém receber este número de votos, a eleição é repetida até que alguém consiga o número mínimo de votos exigido.

Agora que Mário foi escolhido coordenador, é seu dever supervisionar a eleição dos outros oficiais da Assembléia. Depois de agradecer a José por ter feito a sua parte, Mário distribui novos pedaços de papel para a eleição do vice-coordenador. O mesmo procedimento para a eleição do coordenador é repetido para os outros oficiais da Assembléia.

O resultado da eleição é o seguinte: A sra. Maria de Coimbra é eleita vice-coordenadora; José Silva, secretário de correspondência; Luiza Oliveira, secretária de atas e Pedro Alves, tesoureiro.

O coordenador pede, então, à secretária de atas para registar aquilo que foi feito nesta primeira reunião da Assembléia.

A esta altura, sendo que já é um tanto tarde, um dos membros sugere encerrar a reunião e marcar outra para o dia seguinte. Todos concordam com a sugestão e decide-se realizar outra reunião no dia seguinte, à mesma hora e no mesmo local. A reunião é encerrada com uma prece, como deve ser feita em toda reunião bahá'í, e todos os membros vão para suas casas.

No próximo capítulo veremos o que ocorreu na segunda reunião.

A Consulta Bahá'í

A Administração bahá'í funciona através da consulta. A consulta é utilizada nas atividades bahá'ís durante as reuniões de Festas de Dezenove Dias, Assembléias Espirituais Locais, Convenção, Assembléias Espirituais Nacionais, Comitês e Conferências. O Guardião diz que devemos lembrar duas coisas importantes quando consultamos nas reuniões bahá'ís: veracidade e franqueza.

Quando participamos de uma reunião bahá'í devemos sempre ter em mente que Bahá'u'lláh encontra-se presente em espírito. Isto cria uma ótima atmosfera espiritual que nos ajuda na nossa consulta. Se sentirmos a presença de Bahá'u'lláh nas nossas reuniões, sempre tentaremos ser servos dignos de Sua Causa, seja servindo em uma Assembléia, num Comitê ou numa Festa de 19 Dias, e faremos todo esforço para eliminar os interesses egoístas e afirmações injustas, quando reunidos em consulta Nenhum traço de insinceridade deve aparecer em nossas discussões e nada, a não ser a verdade, deve ser pronunciado, pois Bahá'u'lláh afirmou:

Ó Desatentos!

Não penseis que os segredos dos corações estejam ocultos; não, sabei com toda a certeza que se acham gravados em caracteres claros, abertamente manifestos na Santa Presença.80

Na consulta bahá'í cada pessoa deve expressar seus pontos de vista com absoluta liberdade. Deve pensar apenas nos interesses da Causa e esquecer suas relações pessoais com outros indivíduos. Se, por exemplo, um pai e um filho são ambos membros de uma Assembléia, por ocasião da consulta, ou votando, o filho não deve considerar como seu dever concordar com o pai. Os bahá'ís são ordenados a ter o máximo respeito pelos seus pais, porém, quando estão participando de uma consulta, precisam lembrar que são responsáveis apenas perante Bahá'u'lláh que está presente em sua reunião e cuja Causa todos estão servindo, e jamais devem deixar seus sentimentos pessoais interferirem nos interesses da Fé. Por isso, se o filho sente que a opinião de seu pai não está certa, é seu dever dizê-lo, e o pai não deve esperar outra coisa dele, pois sabe que ambos estão naquela reunião para servir à Causa de Deus com honestidade absoluta e não para se agradarem mutuamente com suas idéias.

Devemos cuidar para não permitir que problemas pessoais insignificantes tomem conta de nossos corações durante a consulta e influenciem as nossas idéias. Se, por exemplo, um conhecido nosso não nos deu a devida atenção quando o procuramos para lhe pedir algo, devemos ter o máximo cuidado para que tal incidente não prejudique os nossos pontos de vista sobre alguma boa idéia que essa mesma pessoa venha a apresentar na reunião. Aqui também devemos lembrar da presença de Bahá'u'lláh e não permitir que qualquer coisa intervenha no caminho do serviço de Sua Causa. Quando os bahá'ís se reúnem, devem trabalhar como "os dedos de uma mesma mão" e "as gotas do mesmo oceano".

Nunca devemos insistir em nossos pontos de vista, ou tentar impor a nossa vontade aos outros. Todos já vimos como algumas vezes duas crianças se desentendem, cada uma insistindo que está certa e que a outra está errada. Elas podem continuar brigando por muito tempo sem chegar a coisa alguma, mas quando o pai delas chega, abaixam a voz por amor e respeito a ele e logo resolvem o problema em sua presença. Se nos conscientizarmos de que Bahá'u'lláh está conosco em todas as reuniões, jamais agiremos de modo indigno em Sua presença.

Embora todo bahá'í seja livre para expressar sua opinião durante a consulta, a decisão final a que se chega depende dos pontos de vista da maioria dos membros. Uma vez tomada uma decisão, todos os bahá'ís devem respeitá-la, mesmo aqueles que tinham opinião diferente a respeito. Suponhamos que Luiz é um membro de uma Assembléia Espiritual e sugere que a reunião para a Festa do 12° Dia do Ridván seja realizada na manhã do dia 2 de maio. Mas a maioria dos membros da Assembléia vota que os bahá'ís se reunam na noite do dia 1º de maio. Luiz pode ter tido boas razões para fazer a sua sugestão, mas, uma vez que a Assembléia tomou decisão contrária, ele deve renunciar à sua própria idéia, aceitar de todo o coração a decisão da Assembléia e, da melhor maneira, cooperar para realizar a reunião na noite de 1º de maio.

'Abdu'l-Bahá diz:

Neste dia, as assembléias para consulta têm a máxima importância e são uma necessidade vital. Obediência a elas é essencial e obrigatória. Seus membros devem consultar em conjunto de tal modo a não dar lugar para ressentimento ou discórdia. Isso pode ser atingido quando cada membro expressa com liberdade absoluta a sua própria opinião e expõe seu argumento. Se alguém se opuser, de modo algum deverá ele se ofender, pois só pela ampla discussão dos assuntos poderá ser revelado o caminho certo. A brilhante fagulha da verdade só aparece com o impacto das opiniões divergentes. Se, após a consulta chegarem a uma decisão unânime, muito bem; mas se - Deus proíba - ainda surgirem diferenças de opiniões, a voz da maioria deve prevalecer.

As diferentes opiniões apresentadas pelos membros de uma Assembléia são como os diferentes ingredientes de uma deliciosa comida. Quando queremos fazer uma boa comida, misturamos vários ingredientes e assamos a mistura. Ele só será saboroso depois que tudo estiver bem misturado, pois cada ingrediente contribui para o sabor final da comida. Mas se fôssemos provar cada ingrediente separadamente, eles jamais teriam um sabor tão bom. Da mesma forma, a opinião individual dos bahá'ís numa reunião de alguma forma contribui para a decisão final. Mas, a decisão em si não é a opinião de uma pessoa. Ela é a decisão de uma Assembléia e o resultado decorrente dos pontos de vista de todos os membros.

Na seguinte Epístola, 'Abdu'l-Bahá claramente mostra o modo como os bahá'ís deveriam consultar. Vamos lê-la cuidadosamente e cumpri-la nas nossas reuniões:

Os requisitos primordiais para aqueles que se reúnem em consultas são pureza de motivo, espírito radiante, desprendimento de tudo menos de Deus, atração a suas Fragrâncias Divinas, humildade e submissão entre Seus bem-amados, paciência e resignação em dificuldades e serviço a Seu excelso Limiar. Se por Sua graça forem auxiliados a adquirir estes atributos, ser-lhes-á concedida a vitória proveniente do reino invisível de Bahá.

A primeira condição é o absoluto amor e harmonia entre os membros da Assembléia. Eles precisam estar totalmente livres de desavença e devem manifestar em si próprios a Unidade de Deus, pois são as ondas do mesmo mar, as gotas de um só rio, as estrelas de um só céu, os raios do mesmo sol, as árvores de um só pomar e as flores do mesmo jardim. Se não existir harmonia de pensamento e absoluta unidade, essa reunião será dispersada, essa assembléia se reduzirá a nada. A segunda condição: devem, ao reunir-se, volver as faces para o Reino nas alturas e pedir auxílio do Reino de Glória. Devem então prosseguir expressando as opiniões com a maior devoção, cortesia, dignidade, cuidado e moderação. Em todo assunto devem buscar a verdade e não insistir cada qual na própria opinião, pois a obstinação e a persistência no próprio ponto de vista levarão afinal à discórdia e à disputa, e a verdade permanecerá oculta. Os honrados membros devem com toda liberdade expressar os próprios pensamentos, e de modo algum é permissível menosprezar os pensamentos de outrem; antes, devem, com moderação, expor a verdade e, se surgirem diferenças de opinião, a maioria das vozes deverá prevalecer, e todos devem obedecer e submeter-se à maioria. Tampouco é permitido que qualquer dos honrados membros faça objeção a decisão tomada anteriormente, ou a censure, na reunião ou fora dela, ainda que tal decisão não seja certa, pois tal crítica impediria a execução de qualquer decisão. Em suma, tudo o que for decidido em harmonia, e com amor e pureza de motivo, resultará em luz, e se prevalecer o menor traço de dissensão, o resultado será treva sobre treva... Se isso for assim levado em consideração, a Assembléia será de Deus, mas, de outro modo, levará à frieza e alienação, as quais procedem do Ente Mau...

Todas as discussões devem limitar-se a assuntos espirituais que dizem respeito à educação das almas, à instrução das crianças, ao alívio dos pobres, ao amparo dos fracos entre todas as classes no mundo, à bondade para com todos os povos, à difusão das fragrâncias de Deus, e ao enaltecimento de Sua Santa Palavra. Se se esforçarem por cumprir estas condições, a graça do Espírito Santo lhes será concedida, essa Assembléia tornar-se-á o centro das bênçãos divinas, será auxiliada pelas hostes da confirmação divina e, dia a dia, receberá uma nova efusão do Espírito.81

A Assembléia Espiritual em Funcionamento (II)

Os nove membros da Assembléia Espiritual de Luzópolis reúnem-se novamente no dia 23 de abril. O coordenador pede a alguns dos membros para lerem algumas orações. São orações reveladas por Bahá'u'lláh e 'Abdu'l-Bahá, algumas especialmente para serem lidas nas reuniões. Depois das preces de abertura, o coordenador pede à secretária para ler a ata da reunião anterior. Eis o que a secretária lê:

A primeira reunião da Assembléia Espiritual de Luzópolis foi realizada no dia 22 de abril, às 19 horas, na residência do sr. Pedro Alves. Foram lidas as preces de abertura e o sr. José Silva dirigiu a primeira parte da reunião. Realizou-se a eleição do coordenador. O sr. Mário Pereira foi eleito coordenador e por isso dirigiu o restante da reunião. Continuou-se com a eleição dos oficiais, tendo sido eleitos os seguintes membros:

-vice-coordenadora: sra. Maria de Coimbra
-secretário de correspondência: sr. José Silva
-secretária de atas: sra. Luiza Oliveira
-tesoureiro: sr. Pedro Alves

Ficou decidido que a próxima reunião será realizada no dia 23 de abril, no mesmo local e à mesma hora. A reunião foi encerrada com uma prece, às 21:30 horas.

Quando a secretária termina a leitura da ata, o coordenador pergunta aos outros membros se aprovam a ata da reunião anterior. Todos concordam que a ata está correta e a secretária anota que a ata da última reunião foi lida e aprovada.

Em seguida o coordenador propõe que, sendo o principal propósito de toda Assembléia Espiritual difundir a Mensagem de Deus, seria bom tratar deste assunto na sua reunião.

Então o coordenador convida cada membro para expor suas opiniões a respeito. Após terem todos apresentado seus pontos de vista, o coordenador resume-os da seguinte forma:

1. Nós mesmos precisamos conhecer mais sobre a Causa

2. Necessitamos de literatura bahá'í
3. Necessitamos de um Fundo

4. Devemos iniciar nossas atividades de ensino nas cidades vizinhas

Depois eles passam a tratar desses assuntos um por um. Um dos presentes sugere que se faça um comunicado à comunidade sobre esse importante trabalho, para ver se alguém pode participar da campanha de ensino a ser iniciada. Um membro sugere que para adquirir mais conhecimento sobre a Fé deveriam ter reuniões semanais de estudo. Poderiam utilizar suas reuniões dos sábados para este fim. Sugere também convidar o sr. Manoel dos Santos, que é professor na escola bahá'í de Açu, cidade vizinha, para dirigir essas reuniões de estudo.

O coordenador pergunta se algum dos presentes secunda essa sugestão. O sr. Pedro secunda. Depois de alguma consulta, o coordenador põe a sugestão em votação. Pede que levantem as mãos aqueles que estiverem de acordo que se escreva uma carta ao sr. Manoel dos Santos, da cidade de Açu, convidando-o para dirigir as reuniões de estudo aos sábados à tarde.

Sete membros erguem suas mãos. Os outros dois membros que acham que o sr. Manoel não poderia vir não concordam com a idéia e não levantam as mãos.

O coordenador anuncia que a sugestão está aprovada e pede à secretária para que registre a decisão na ata.

Em seguida, o coordenador informa que o sr. Manoel terá que viajar de ônibus de sua cidade para Luzópolis e deixar o serão noturno que costuma fazer. Por isso há necessidade de um fundo local para arcar com as despesas, para que o sr. Manoel possa vir a Luzópolis dirigir as reuniões. O coordenador pergunta as opiniões dos membros a respeito deste assunto. O sr. Jorge Fagundes propõe: 'Nós membros da Assembléia devemos ser um exemplo de devoção à nossa Fé para o resto da comunidade. Eu prometo contribuir um dia dos meus rendimentos para o fundo todos os meses. Ficarei feliz em fazer essa doação para a Assembléia.' Isto deixa todos muito felizes e todos congratulam sr. Jorge pela sua generosa doação para a comunidade. Ficam particularmente felizes porque embora sr. Jorge não tenha votado a favor da sugestão, agora que ela foi aprovada pela Assembléia, ele está apoiando-a. Quando uma Assembléia toma uma decisão, estejamos de acordo com ela ou não, devemos aceitar e respeitar o voto da maioria. Os outros membros também fazem as suas contribuições. Seus nomes e as quantias prometidas são anotadas pela secretária de atas. O tesoureiro Também soma as quantias e comunica que foi prometida a quantia de R$ 900,00 pelos membros da Assembléia para o fundo local. A Assembléia autoriza também a quantia de R$ 150,00 para compra de material de escritório e R$ 20,00 para um livro de atas.

Decide-se anunciar este fato à comunidade na próxima Festa de Dezenove Dias a ser realizada em 28 de abril (Festa do mês Beleza), e também solicitar aos amigos para colaborarem.

O coordenador passa a tratar da questão da literatura necessária para as atividades de ensino. Depois de alguma discussão a Assembléia chega à conclusão de que deve solicitar o auxílio da Assembléia Espiritual Nacional sobre o assunto.

Tomada essa decisão, o coordenador anuncia que o próximo assunto a ser tratado é o de começar a atividade de difusão da Fé nas cidades vizinhas.

José, o secretário de correspondência, propõe que todos os domingos a comunidade faça visita, em grupos, às cidades próximas a Luzópolis. Outros membros também concordam com a sugestão. Jorge diz que domingo é o dia mais adequado pois aos sábados terão as reuniões de estudo e, acrescenta, o prof. Manoel também poderia acompanhá-los nas visitas às vilas da redondeza.

A secretária de atas anota tudo isso.

O coordenador pergunta se há ainda outras sugestões a respeito.

A sra. Maria diz que também seria interessante realizar reuniões públicas nos Dias Sagrados e nos Aniversários Bahá'ís, convidando-se amigos e parentes não bahá'ís das cidades vizinhas, para participarem das mesmas.

Esta sugestão é secundada, votada e aprovada pela Assembléia.

Fica decidido apresentar estes planos à comunidade na próxima Festa de Dezenove Dias e pedir aos bahá'ís de Luzópolis para ajudarem o fundo da Assembléia e também oferecerem-se para as atividades de ensino nas cidades vizinhas.

Finalmente, decidem que a próxima reunião da Assembléia seja realizada no dia 29 de abril, um dia depois da Festa de Dezenove Dias, a fim de que a Assembléia possa consultar sobre as sugestões recebidas dos amigos de toda a comunidade durante a Festa.

Após a oração de encerramento, os membros da Assembléia voltam para suas casas, com alegria no coração e agradecendo a Deus por tê-los ajudado a tomar decisões tão vitais para o bem da comunidade.

O que ocorreu nessa reunião é um exemplo de como uma Assembléia Espiritual deve conduzir seu trabalho, como deve iniciar as consultas e como chegar a decisões práticas. Os problemas que surgem em diferentes comunidades podem não ser os mesmos, e até mesmo suas necessidades podem ser diferentes. Cada Assembléia deve considerar cuidadosamente seus deveres e decidir assumir suas tarefas de acordo com sua importância em cada comunidade.

A Assembléia Espiritual em Funcionamento (III)

É a Festa do mês Beleza (Jamál) e os bahá'ís de Luzópolis reúnem-se para a sua Festa de Dezenove Dias. O coordenador da Assembléia dirige todas as reuniões das Festas de Dezenove Dias, a menos que não possa comparecer, e neste caso o vice-coordenador o substitui. A primeira parte da Festa é dedicada a orações e leitura dos Escritos do Báb, Bahá'u'lláh e 'Abdu'l-Bahá. Isto pode ser feito por qualquer dos bahá'ís presentes, ao ser solicitado pelo coordenador, enquanto todos ouvem as Palavras com cuidado e atenção . As orações e leituras não devem ser em demasia a ponto de cansar os presentes.

Quando os bahá'ís de Luzópolis terminam a primeira parte do programa, o coordenador da Assembléia Local pede à secretária de atas para ler o relatório da Assembléia. A secretária informa à comunidade os resultados das eleições dos oficiais da Assembléia e as decisões tomadas com relação à campanha de ensino para a difusão da Causa de Deus nas áreas vizinhas. Informa também sobre a necessidade de ajuda no trabalho de ensino e de fundos para convidar um professor e realizar conferências. O coordenador pede também ao secretário de correspondência para ler as cartas recebidas.

Depois do relatório do secretário, o coordenador pede então ao tesoureiro que informe à comunidade a situação dos Fundos Locais e assim os bahá'is ficam sabendo sobre as contribuições que já haviam sido feitas, num total de R$ 900,00. Mas como foram gastos R$ 170,00 em papéis e livro de atas, restavam em caixa ainda R$ 730,00. O tesoureiro recorda que os próximos planos de ensino requerem gastos bem acima deste saldo e apela a todos os bahá'ís da comunidade para contribuírem generosamente e lembra que as doações dos bahá'ís são sempre feitas com toda liberdade e em sigilo.

O coordenador pede aos membros da comunidade para darem suas sugestões sobre esses assuntos e dizerem como poderão ajudar. Cada um dos presentes promete ajudar de uma forma ou de outra. Um promete trazer flores para enfeitar as conferências, outro se oferece para pagar a passagem de ônibus do prof. Manoel uma vez por mês, enquanto um terceiro promete dedicar um dia inteiro às atividades de ensino a cada semana. Além desses oferecimentos, os bahá'ís de Luzópolis chamam a atenção de sua Assembléia para alguns fatos muito importantes que seus membros não haviam considerado. Por exemplo, além das reuniões semanais de estudos e das viagens de ensino, deveriam também estar preparados para divulgar a Mensagem em feiras livres. Aqueles que iriam para as feiras livres deveriam também levar literatura bahá'í para distribuição. Também são dadas boas sugestões para melhorar os fundos. A secretária de atas toma nota de todas as sugestões aprovadas na Festa de Dezenove Dias, a fim de que a Assembléia as considere na sua próxima reunião.

O coordenador promete que a Assembléia dará cuidadosa atenção a todas as sugestões apresentadas e comunicará os resultados das decisões da Assembléia à comunidade na próxima Festa de Dezenove Dias.

A terceira parte do programa da Festa de Dezenove Dias é o período de confraternização. Quatro das famílias bahá'ís de Luzópolis trouxeram bolos, que são servidos a todos os presentes. O dono da casa onde se realiza a Festa, sr. Alexandre D'Ávila, serve refrigerantes. Uma jovem recita um lindo poema e um grupo de rapazes canta bela canção sertaneja. Todos são muito aplaudidos.

O espírito de união e felicidade com que os bahá'ís de Luzópolis realizam sua Festa de Dezenove Dias concede graça espiritual à reunião que é sentida por todos. Após a oração de encerramento, todos deixam a reunião, levando nos corações uma imensa satisfação.

Alguns Pontos Importantes sobre a Festa de Dezenove Dias

Um dos deveres de toda Assembléia é cuidar para que os amigos de sua localidade participem das Festas de 19 Dias que são reuniões realizadas a cada 19 Dias pelos bahá'ís de toda cidade ou povoado. Recomendada pelo Báb e confirmada por Bahá'u'lláh, esta Festa é considerada de grande importância.

Qual o propósito da Festa de 19 Dias?

'Abdu'l-Bahá diz que na Festa de 19 Dias 'os bahá'ís podem se reunir e exteriormente mostrar companheirismo e amor, para que assim os mistérios divinos possam ser revelados. O objetivo é a concórdia, para que através deste companheirismo os corações se tornem perfeitamente unidos e para que se estabeleça a reciprocidade e ajuda mútua.'

O que devemos fazer nas Festas de 19 Dias?

Esta Festa é uma parte da Administração Bahá'í e, tal como explicou o Guardião, o programa da Festa de 19 Dias consiste de 3 partes:

1. É a parte devocional. Orações e leituras das Sagradas Escrituras podem ser feitas por alguns amigos no início da Festa.

2. É a parte administrativa. A Assembléia Espiritual, através de seus secretários e do tesoureiro, faz o relatório das atividades e pede aos amigos bahá'ís que dêem suas sugestões para a promoção da Causa de Bahá'u'lláh. O período da consulta é quando os bahá'ís podem fazer as suas sugestões a serem enviadas à Assembléia Espiritual Nacional através da Assembléia Espiritual Local.

3. É a parte social. Canções podem ser cantadas pelos amigos, histórias podem ser contadas. Deve-se servir algo para comer e beber, não importa quão simples seja.

Quem convida as pessoas para a Festa?

Onde há uma Assembléia, o secretário de correspondência comunica aos bahá'ís o local e a hora da Festa, de acordo com as datas do calendário bahá'í. Numa localidade em que não há Assembléia, os bahá'ís formam um grupo e dentre eles mesmos elegem um secretário. Este secretário avisa aos bahá'ís sobre a Festas de 19 Dias.

Quem conduz a Festa de 19 Dias?

O coordenador da Assembléia coordena a Festa de 19 Dias. Ele pede às pessoas que façam orações no início e estimula os amigos a consultarem com a Assembléia durante a segunda parte da Festa.

Quem é o anfitrião da Festa?

Geralmente os indivíduos bahá'ís se revezam para serem anfitriões da Festa. Algumas vezes a Assembléia Local patrocina a Festa utilizando seu próprio fundo local. Também é possível que alguns bahá'ís se juntem para serem anfitriões de uma festa. É preferível que na parte social haja algo para comer e beber, mas não é absolutamente necessário. Bahá'u'lláh diz que podemos oferecer uma Festa de 19 Dias servindo apenas água. O ponto importante na Festa de 19 Dias é o desenvolvimento espiritual dos bahá'ís e o crescimento da unidade e harmonia entre eles. Também tem por finalidade ajudar no progresso da Causa na localidade, através de consulta e colaboração com a Assembléia Espiritual.

Citaremos, a seguir, um trecho dos Escritos de 'Abdu'l-Bahá, para mostrar o espírito que toda reunião bahá'í deve ter:

Nestas reuniões toda conversação estranha deve ser inteiramente evitada e o tempo deve ser dedicado a entoar e ler as palavras sagradas e os assuntos ligados à Causa de Deus, tais como a explicação das provas, a soma de evidências claras e manifestas, e as explicações sobre Aquele que é o Amado de todas as criaturas. Aqueles que assistem à reunião devem, antes de chegar ao local da mesma, zelar pelo seu asseio pessoal e voltar-se para o Reino de Abhá, e então entrar com toda a humildade; enquanto as Escrituras estão sendo lidas devem estar tranqüilos e silenciosos. E se alguém desejar falar, deve fazê-la com toda a cortesia, para satisfação e com a permissão das pessoas presentes e deve expressar-se com eloqüência e fluência.

As datas para a realização das Festas de 19 Dias são as seguintes:

Mês Nome Árabe Tradução Primeiro Dia
1º Bahá Esplendor 21 de março
2º Jalál Glória 9 de abril
3º Jamál Beleza 28 de abril
4º Azamat Grandeza 17 de maio
5º Núr Luz 5 de junho
6º Rahmat Mercê 24 de junho
7º Kalimát Palavras 13 de julho
8º Kamál Perfeição 1º de agosto
9º Asmá' Nomes 20 de agosto
10º 'Izzat Força 8 de setembro
11º Mashíyyat Vontade 27 de setembro
12º 'Ilm Sabedoria 16 de outubro
13º Qudrat Poder 4 de novembro
14º Qawl Discurso 23 de novembro
15º Masá'il Perguntas 12 de dezembro
16º Sharaf Honra 31 de dezembro
17º Sultán Soberania 19 de janeiro
18º Mulk Domínio 7 de fevereiro

Dias intercalares: 26 de fevereiro a 1º de março, inclusive.

19º 'Alá Sublimidade 2 de março

A Assembléia Espiritual de Luzópolis reúne-se no dia seguinte à Festa de 19 dias. Após a leitura e aprovação da ata da reunião anterior, inicia-se a consulta sobre as sugestões dadas pela comunidade na Festa de 19 Dias. Depois de considerar as sugestões com atenção, os membros aprovam todas, com exceção de uma.

A Assembléia decide convidar todos os bahá'ís para um piquenique no último dia do Ridván para que nessa ocasião os amigos possam combinar a formação de diversos grupos para atividades de ensino da Fé nas cidades vizinhas. Três dos membros da Assembléia são escolhidos para formarem um comitê, com a finalidade de organizar um bom programa para a reunião do último dia de Ridván

Antes de encerrar a reunião da Assembléia, há ainda outro assunto para tratar. Dois membros da comunidade haviam solicitado à Assembléia para ajudá-los a resolver um problema pessoal que havia entre eles e para o qual não encontravam solução. A Assembléia ouve as duas partes e então propõe uma solução para o problema dos dois em espírito de muito amor e sabedoria.

No dia seguinte, ao rever suas anotações, o secretário de correspondência escreve a seguinte carta para a Assembléia Espiritual Nacional:

À Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá'ís do Brasil

Queridos amigos

Temos a satisfação de informá-los que pela graça de Bahá'u'lláh formamos a nossa Assembléia Espiritual Local de Luzópolis. Já lhes enviamos os formulários que nos pediram para preencher após a eleição, dando os nomes e os endereços dos membros e dos oficiais da Assembléia.

Para começar solicitamos ao sr. Manuel dos Santos, professor da Escola Bahá'í de Açu, para vir à nossa cidade todos os sábados e dirigir as nossas reuniões semanais de estudo.

Também foi decidido que todos os domingos alguns bahá'ís saiam em grupos para visitar as vilas vizinhas, e ensinar a nossa Amada Causa naquelas novas áreas.

Criamos um fundo especial na Assembléia e os amigos já contribuíram com R$ 900,00 e prometeram contribuir com a mesma importância todos os meses. Este fundo será gasto nas atividades de ensino sob a supervisão desta Assembléia.

Como necessitamos de livros e folhetos sobre a Fé, solicitamos que nos enviem uma boa quantidade dos mesmos, bem como cartões de declaração para uso desta Assembléia.

Esperamos poder lhes dar boas novas sobre o progresso da Causa em nossa região, na nossa próxima carta.

Que Bahá'u'lláh nos ajude em Seu serviço.
Com amor bahá'í,
José Silva
Secretário
A Assembléia Espiritual Nacional

Todas as Assembléias Espirituais Locais em nosso país são unidas através da Assembléia Espiritual Nacional.

A Assembléia Espiritual Nacional é um corpo eleito pelos bahá'ís do país através de uma Convenção. Delegados são enviados a essa Convenção de todas as partes do país. As regras básicas das eleições bahá'ís, anteriormente mencionadas, devem ser lembradas na eleição da Assembléia Espiritual Nacional também. Para nós bahá'ís a eleição é um dever sagrado e possui um caráter espiritual. Não há qualquer propaganda ou indicação prévia.

O propósito de uma Assembléia Espiritual Nacional é unificar o trabalho realizado pelos bahá'ís em todo o país e encorajá-los em suas atividades. As comunidades bahá'ís oferecem sua colaboração à Assembléia Espiritual Nacional através de suas Assembléias Espirituais Locais. A Assembléia Espiritual Nacional mantém contato com os bahá'ís do país através de cartas e circulares. Fornece a eles as noticias sobre as atividades de outros bahá'ís e o progresso da Fé em todo o mundo. Também solicita a cooperação dos amigos, e pede sua consulta e sugestões.

As circulares da Assembléia Nacional são lidas pelos secretários das Assembléias Espirituais Locais nas Festas de Dezenove Dias. Se houver solicitação de consulta, cada bahá'í individualmente pode dar sua opinião ou promessa de cooperação. O resultado dessas consultas nas Festas de Dezenove Dias é enviado à Assembléia Espiritual Nacional pela Assembléia Espiritual Local de cada localidade. A Assembléia Espiritual Nacional examinará posteriormente todas essas sugestões e decidirá sobre as mesmas após cuidadosa deliberação.

Se não houver uma Assembléia Local numa localidade, mas apenas um grupo de bahá'ís (menos de 9 bahá'ís adultos), a Assembléia Nacional escreve para a pessoa escolhida pelo grupo como secretário. Quando há apenas um bahá'í numa localidade, a Assembléia Nacional escreve para ele diretamente.

Como a Assembléia Nacional tem várias responsabilidades, nomeia comitês para ajudá-la em seu trabalho. Os membros que servem nesses comitês são escolhidos pela própria Assembléia Nacional e a cada comitê é atribuída uma tarefa especial. Se, por exemplo, a Assembléia Nacional do Brasil decide construir uma escola bahá'í em São Paulo, ela nomeia um comitê especial para cuidar de todos os detalhes desse empreendimento e dar sugestões para a sua construção. A Assembléia Nacional tem toda liberdade de aceitar, modificar ou mesmo rejeitar as sugestões apresentadas pelo comitê. As Assembléias Espirituais Locais também podem nomear comitês para ajudá-las em seus trabalhos caso achem necessário. Os Comitês nomeados pela Assembléia Nacional ou pelas Assembléias Locais, são diretamente responsáveis perante a Assembléia para a qual trabalham. As Assembléias Espirituais Locais são responsáveis perante a Assembléia Nacional, sendo esta a maior autoridade para os bahá'ís de cada país.

As Assembléias Espirituais Nacionais, porém, são responsáveis perante a Casa Universal de Justiça, que é a autoridade suprema da Fé Bahá'í no mundo, para a qual todas as instituições bahá'ís e crentes individualmente devem se voltar, em busca de orientação e guia, e a cujas determinações todos os bahá'ís do mundo devem obedecer integralmente.

A Assembléia Espiritual Nacional, tal como a Assembléia Espiritual Local, elege um coordenador, um vice-coordenador, os secretários e um tesoureiro. Os deveres dos oficiais da Assembléia Nacional são os mesmos que os das Assembléias Locais, porém em âmbito nacional.

A Convenção Nacional

A eleição dos membros de uma Assembléia Espiritual Nacional é realizada de forma indireta. Isto significa que cada comunidade Bahá'í ou região eleitoral elege certo número de delegados dentre seus próprios membros e esses delegados se reúnem na Convenção na qual elegem os membros da Assembléia Espiritual Nacional.

O número de delegados eleitos em cada região depende do número de bahá'ís existentes na mesma. A Assembléia Espiritual Nacional de cada país determina a quantidade de delegados de cada região.

Por exemplo, se os bahá'ís da região de Luzópolis são em número de 45, a Assembléia Nacional (que é quem determina o número de delegados para a Convenção Nacional), dirá que poderão eleger um delegado. Já na região da cidade de Açu, onde existem 95 bahá'ís, o número de delegados será 2. Uma Convenção Nacional poderá ter 19, 27, 95 ou 195 delegados, dependendo do número total de crentes e do número total de localidades em todo o país. A Casa Universal de Justiça é quem determina o número de delegados para um país.

Esses delegados à Convenção Nacional reúnem-se em um local, de preferência onde estiver situada a sede da Assembléia Nacional, por alguns dias durante o período de Ridván (21 de abril a 2 de maio). O propósito principal da Convenção é eleger os membros da Assembléia Espiritual Nacional para aquele ano. Mas os delegados, que vêm de todas as partes do país, têm também a oportunidade de consultar com a Assembléia Espiritual Nacional e entre eles mesmos sobre o progresso da Causa em seu país.

Depois da abertura da Convenção com leitura de orações, os membros devem em primeiro lugar eleger um coordenador para as suas reuniões. Aqui também a função do coordenador é fazer com que as consultas sejam realizadas de forma ordenada e dentro do espírito bahá'í. Os membros da Convenção também elegem um secretário para registrar as sugestões que desejam oferecer à Assembléia Espiritual Nacional.

Eis aqui alguns pontos importantes que devemos saber sobre a Convenção:

1. Os delegados à Convenção devem eleger os membros da Assembléia Nacional dentre todos os bahá'ís residentes em seu país. Não é necessário que elejam os membros dentre os delegados à Convenção. Podem eleger quaisquer nove adultos (21 anos ou mais) de toda a comunidade Bahá'í do país a que pertencem.

2. Aqueles que são eleitos delegados à Convenção não possuem responsabilidades ou privilégios além da sua participação na Convenção e da eleição da Assembléia Espiritual Nacional. Uma vez encerrada a Convenção, sua responsabilidade como delegados também cessa, a menos que surja uma vaga na Assembléia Espiritual Nacional (por motivo de falecimento de um membro, por exemplo) e os delegados são convocados para uma eleição suplementar. Em outras palavras, a Convenção não é um corpo permanente e não pode haver membros permanentes quando a própria Convenção se dissolve.

3. A Convenção Nacional é um corpo consultivo. Suas recomendações são encaminhadas para a Assembléia Espiritual Nacional e esta é livre para aceitar ou rejeitar essas recomendações.

4. A Convenção não tem qualquer supremacia sobre a Assembléia Espiritual Nacional. A Assembléia Nacional é a mais alta autoridade em cada pais e exerce essa autoridade sobre todas as Assembléias Locais e sobre os indivíduos bahá'ís daquele país.

A Casa Universal de Justiça

Uma das instituições sem paralelo da Fé Bahá'í é a Casa Universal de Justiça, cujos membros são eleitos pelos bahá'ís de todo o mundo, através de suas Assembléias Espirituais Nacionais. Bahá'u'lláh nos assegurou que Ele continuará a guiar os bahá'ís através da Casa Universal de Justiça, enquanto a Dispensação Bahá'í durar.

Bahá'u'lláh nos deu as leis fundamentais e os ensinamentos de Deus para esta época, mas disse que precisaremos também de outras leis sociais, as quais deverão ser estabelecidas gradualmente para nós, de acordo com as nossas necessidades mutáveis. Essas leis sociais, afirma Bahá'u'lláh, devem ser determinadas pela Casa Universal de Justiça, a qual sempre estará sob a infalível guia de Deus.

A respeito da Casa Universal de Justiça, 'Abdu'l-Bahá disse o seguinte :

...se for estabelecida segundo as necessárias condições - com membros de todos os povos - essa Casa de Justiça estará sob a proteção e a infalível guia de Deus. Se a Casa de Justiça decidir por unanimidade, ou por maioria, a respeito de qualquer questão não mencionada no Livro, tal decisão e determinação estarão livres de erro.

É óbvio, portanto, que a Casa Universal de Justiça será inspirada em todas as suas decisões e quaisquer regulamentos que determinar serão perfeitos para atender às exigências da época. Mas não devemos pensar que a Casa Universal de Justiça irá modificar aqueles princípios fundamentais que nos foram dados por Bahá'u'lláh. O que ela faz é criar regulamentos por intermédio dos quais devemos pôr em prática as leis de Bahá'u'lláh. Por exemplo, um dos princípios da Fé Bahá'í é que não devem existir os extremos de pobreza e riqueza no mundo. Mas Bahá'u'lláh não nos disse quanto as pessoas deveriam pagar de imposto. Está a cargo da Casa Universal de Justiça encontrar um método de taxação que permita a todos viverem uma vida confortável e, ao mesmo tempo, impeça que alguém acumule riquezas desnecessárias.

Outro exemplo é que Bahá'u'lláh ordenou que tivéssemos uma língua universal no mundo, mas não mencionou qual idioma deveria ser. Isto também foi deixado à Casa Universal de Justiça decidir. Sobre este assunto Bahá'u'lláh escreveu:

... em Epístolas anteriores ordenamos aos membros da Casa de Justiça escolherem uma língua dentre as atualmente existentes, ou adotarem uma nova, e da mesma maneira selecionarem uma escrita comum, para ambas serem ensinadas em todas as escolas do mundo. Assim a terra será considerada como um país e um lar.82

Embora a Casa Universal de Justiça não possa modificar aquilo que foi revelado por Bahá'u'lláh, ou alterar qualquer das interpretações de 'Abdu'l-Bahá e Shoghi Effendi, ela pode modificar suas próprias decisões, se as circunstâncias o exigirem. Suponhamos que a Casa Universal de Justiça, numa determinada época, decida qual o montante de imposto a ser pago. Tal decisão será sem dúvida perfeita para aquela época. Mas 50 anos mais tarde poderá não atender mais às exigências da época. A Casa Universal de Justiça, portanto, é livre para modificar decisões anteriormente tomadas.

Em Sua "Última Vontade e Testamento", 'Abdu'l-Bahá escreve:

Ao Livro Sacratíssimo devem todos se dirigir, e tudo que nele não estiver expressamente registrado deve ser referido à Casa Universal de Justiça. O que este corpo decidir, seja por unanimidade ou por maioria, será realmente a Verdade e o Propósito do próprio Deus. Qualquer um que se desviar dessa resolução é, em verdade, daqueles que amam a discórdia, mostraram malícia e se afastaram do Senhor do Convênio.83

Os trabalhos de nosso Amado Guardião, durante 36 anos de seu ministério, prepararam o caminho para o estabelecimento da Casa Universal de Justiça. O Guardião mencionou que a Casa Universal de Justiça é como a cúpula de um edifício que necessita de fortes pilares para sustentá-la. Esses pilares, disse ele, são as Assembléias Espirituais Nacionais do mundo. E através dos incessantes esforços de nosso Guardião é que esses pilares foram erguidos, um por um, em todas as partes do mundo. Sob a orientação divina do Guardião, os bahá'ís aprenderam a trabalhar em grupos, em Assembléias Espirituais Locais, e unidos, em seu país, através de sua Assembléia Espiritual Nacional. Quando chegaram a este ponto, ele lhes deu o Plano de Dez Anos, que ensinou às Assembléias Nacionais a trabalharem em conjunto, num empreendimento mundial, e ajudou os bahá'ís a estabelecer os pilares restantes da Casa Universal de Justiça. Ao final do Plano de Dez Anos, em 1963, havia um número suficiente de Assembléias Espirituais Nacionais em todo o mundo para estabelecer a Casa Universal de Justiça.

'Abdu'l-Bahá predisse que a Casa Universal de Justiça seria formada quando a Fé Bahá'í estivesse espalhada em todas as partes do mundo e isso também ocorreu no final do Plano de Dez Anos, em abril de 1963.

As Mãos da Causa e os seus Corpos Auxiliares

De acordo com as determinações do Guardião, no final do Plano de Dez Anos, houve um grande Congresso Mundial bahá'í no Ridván de 1963. Nessa mesma época foi eleita a primeira Casa Universal de Justiça, aquele corpo supremo através do qual Deus continuará orientando a humanidade.

Intimamente ligada à Ordem administrativa, a Fé Bahá'í conta com a colaboração de um grupo de abnegadas pessoas denominadas Mãos da Causa. Elas foram nomeadas pessoalmente pelo Guardião da Fé Bahá'í, Shoghi Effendi, para ajudar no trabalho principal de Ensino e Proteção da Fé. As Mãos da Causa foram escolhidas naquele tempo por causa de suas evidentes qualidades espirituais e dedicação total à Causa Bahá'í.

Nas Escrituras do Báb, Bahá'u'lláh e 'Abdu'l-Bahá está reservada uma distinção toda especial para as Mãos da Causa. 'Abdu'l-Bahá disse:

Ó amigos! As Mãos da Causa de Deus devem ser nomeadas pelo Guardião da Causa de Deus...

A obrigação das Mãos da Causa de Deus consistem em difundir as Fragrâncias Divinas, elevar as almas dos homens, promover a educação, aperfeiçoar o caráter de todos os homens, e ser, em todos os tempos e sob quaisquer condições, santificadas e desprendidas das coisas terrenas. Pela sua conduta, pelas suas maneiras, ações e palavras, devem elas manifestar temor a Deus.84

Foram as Mãos da Causa que levaram o mundo bahá'í avante, no seu programa de construção, após o falecimento do Guardião em 1957 e organizaram o ensino e a difusão dentro da Cruzada de Dez Anos, para que a Ordem Administrativa fosse completada com a eleição da Casa Universal de Justiça em 1963.

A função especial das Mãos da Causa é colaborar com a Casa Universal de Justiça tanto no Centro Mundial da Fé, em Haifa, como nos vários continentes. Embora não tenham nenhuma autoridade administrativa, essas pessoas de especial nobreza de espírito, merecem de nós todo respeito e consideração, por causa dos serviços que prestaram à Causa de Deus e pelas obras que continuam realizando.

As Mãos da Causa, nas várias regiões do mundo, escolhem para seus auxiliares diretos certos bahá'ís que, também fazem do ensino e da proteção da Fé a razão de ser de suas vidas. Essas pessoas, homens ou mulheres, chamam-se Membros dos Corpos Auxiliares das Mãos da Causa e para melhor desempenhar suas funções renunciam a qualquer posto eletivo da Administração Bahá'í. Atualmente, com a criação dos Corpos Continentais de Conselheiros, estes é que nomeiam os Membros do Corpo Auxiliar e coordenam o seu trabalho.

Os Corpos Continentais de Conselheiros

As Mãos da Causa que vivem atualmente são as últimas desta Dispensação, pois as Escrituras Bahá'ís não prevêem maneira de nomear outras ou de criar leis que permitam tal nomeação.

Por esta razão, em junho de 1968 a Casa Universal de Justiça anunciou a criação de Corpos Continentais de Conselheiros, para assumir as funções gêmeas de Propagação e Proteção, em cooperação com as Assembléias Nacionais. Com esta Instituição dos Corpos Continentais de Conselheiros, o Corpo Supremo da Fé Bahá'í perpetuou, por assim dizer, a função das Mãos da Causa, deixando assim as próprias Mãos da Causa livres, para tarefas mais universais, atuando no mundo todo em missões de grande importância para a Causa.

Em consulta com as Mãos da Causa, a Casa Universal de Justiça nomeou os primeiros 11 Corpos Continentais de Conselheiros, pessoas com as mesmas qualidades que distinguem as Mãos da Causa: profunda espiritualidade, sabedoria, conhecimento e desprendida dedicação. Cada Corpo Continental é constituído de vários Conselheiros que atuam sempre em conjunto, diferente das Mãos da Causa que atuam de forma individual. Outra diferença entre Mãos da Causa e Conselheiros é que as Mãos da Causa foram nomeadas pelo Guardião da Fé, em caráter pessoal, vitalício e universal, enquanto um Conselheiro desempenha uma função dentro de seu Continente e poderá eventualmente ser substituído pela Casa Universal de Justiça que o nomeou.

Cada um deles escolhe entre os crentes dos países de seu continente, pessoas especialmente qualificadas para ajudar no Ensino e Proteção e que constituem os Corpos Auxiliares. Tanto os Conselheiros como os Membros dos Corpos Auxiliares servem no setor de ensino e proteção e são despidas de autoridade administrativa ou de interpretação. Enquanto os Conselheiros estão em colaboração íntima com as Assembléias Espirituais Nacionais, os Membros dos Corpos Auxiliares tratam de dar assistência às localidades, em nome do Corpo Continental de Conselheiros.

A perfeita harmonia que existe entre as Casas de Justiça, de um lado, e a Instituição das Mãos, do outro, é uma característica exclusiva da Fé Bahá'í e estabelecida pela primeira vez na história da religião. Nesta Ordem Administrativa de Bahá'u'lláh a autoridade dos que "administram", como a Casa Universal de Justiça, Assembléias Espirituais Nacionais e Locais está estreitamente ligada à dignidade dos "eruditos", que são as Mãos da Causa, Conselheiros e Membros Auxiliares e ao mesmo tempo jamais poderá haver divisões ou cismas.

Alguns Pontos Importantes sobre a Administração Bahá'í

1. Obediência às decisões da Assembléia.

Uma Assembléia Espiritual deve ser considerada pelos bahá'ís como uma instituição sagrada, porquanto ela está baseada nos ensinamentos de Deus. Devemos, por isso, obedecer a todas as suas decisões. 'Abdu'l-Bahá disse que ele próprio obedeceria às decisões da Assembléia Espiritual, mesmo sabendo que algumas delas estavam erradas. Isto mostra que obedecendo à Assembléia estaremos obedecendo a um Mandamento de Deus.

2. O que devemos fazer se acharmos que uma decisão tomada por nossa Assembléia Espiritual não está certa?

Primeiro, devemos obedecer à decisão, porque Deus assim ordenou que fizéssemos. Porém, podemos recorrer à Assembléia Nacional para que reconsidere a mesma. Obedecendo às Assembléias Espirituais Local e Nacional, fortificamos as bases da Administração Bahá'í. Não haveria unidade entre nós se cada um aceitasse apenas algumas das decisões de nossa Assembléia.

3. Podemos dizer que não queremos obedecer às decisões da Assembléia, porque não gostamos de alguns de seus membros?

Não. Isto seria uma atitude errada. Nossa lealdade para com a Assembléia Espiritual não depende de gostarmos ou não de seus membros. É à instituição de Bahá'u'lláh que somos leais, não importa quem sejam os membros da Assembléia. A unidade da comunidade somente estará garantida se dermos nosso completo apoio às instituições da Causa, independentemente de seus membros.

4. Podemos pedir demissão sendo membro de uma Assembléia?

Não, a não ser que tenhamos uma razão muito forte, tal como problema crônico de saúde ou mudança de residência para outra cidade. Quando somos eleitos membros de uma Assembléia, devemos lembrar que Deus nos deu o privilégio de servirmos à nossa comunidade. Nossa lealdade aos ensinamentos de Bahá'u'lláh e nosso amor por Ele devem nos encorajar a aceitarmos quaisquer responsabilidades no serviço de Sua Causa.

5. Podemos consultar com a Assembléia sobre nossos problemas pessoais?

Sim, podemos. 'Abdu'l-Bahá estimulou os bahá'ís a levarem seus problemas para a Assembléia Espiritual, consultando com seus membros sobre as suas dificuldades. Se - Deus não o permita - surgir alguma desavença entre dois bahá'ís, eles devem pedir à Assembléia Espiritual para ajudá-los a resolver seus problemas e devem aceitar de todo o coração a decisão da Assembléia.

6. É a Assembléia Espiritual responsável perante os bahá'ís que a elegem?

Não. A Assembléia Espiritual Local é responsável perante Deus e nos assuntos administrativos perante a Assembléia Nacional do país. Cada Assembléia deve tomar suas decisões somente com vistas ao bem da Causa. Em problemas que possam surgir entre os membros da comunidade, ela deve ser imparcial e tratar com justiça. Não importa qual possa ser a reação da comunidade diante de suas decisões, uma vez que a Assembléia tenha sido guiada pela justiça.

7. É a autoridade de algum bahá'í superior à autoridade de uma Assembléia Espiritual?

Não. Não há qualquer liderança individual na Causa. Ser coordenador ou secretário de uma Assembléia não dá a ninguém direitos especiais. Fora das reuniões da Assembléia Espiritual, seus membros não possuem mais direitos do que qualquer outro membro da comunidade e, tal como eles, devem aceitar todas as decisões da Assembléia. Existe absoluta igualdade de direitos na Fé Bahá'í.

Fundos Bahá'ís

Se o leitor vivesse em uma localidade onde tivesse ocorrido uma enchente e a casa de alguém tivesse sido levada pelas águas, deixando-o com esposa e filhos sem lar, e então soubesse que um grupo de pessoas estava colaborando para construir um abrigo para essa família desabrigada, o que faria? Diria que é muito pobre para ajudar, ou entraria com sua parte, não importa quão pequena fosse, tornando possível àquela família ter um teto para se abrigar durante a estação chuvosa? Qualquer coisa que você pudesse oferecer, seja uma certa quantidade de tijolos ou uma pequena soma em dinheiro, seria um entre os muitos donativos que ao serem reunidos tornariam possível construir um abrigo para a família que não possui nenhum outro lar.

A raça humana é atualmente como uma família sem lar, enredada pela tempestade da guerra e por centenas de outras calamidades, e a Fé Bahá'í é o refúgio no qual a humanidade pode encontrar paz e felicidade. Os bahá'ís do mundo todo estão se esforçando para construir este abrigo para a humanidade. Não vamos todos ajudar nesse trabalho?

Devemos estabelecer as instituições da Causa, construir nossas Sedes Bahá'ís e Casas de Adoração, traduzir os ensinamentos bahá'ís para todas as línguas do mundo, publicar folhetos e livros. Para estas e tantas outras atividades necessitamos de recursos materiais tanto quanto de ajuda espiritual. É por isso que toda Assembléia Espiritual Local e Nacional possui um Fundo especial ao qual todos os bahá'ís contribuem.

As contribuições devem ser feitas voluntariamente; ninguém pode nos obrigar a fazer doações para os fundos, se não quisermos fazê-lo. Mas contribuir para os nossos Fundos é uma obrigação espiritual e uma prova de nossa Fé. Nenhum bahá'í, sabendo da importância desta Causa para a humanidade, pode privar-se do privilégio de ajudar a levantar suas instituições e mostrá-la ao mundo sofrido.

A quantia que doamos ao Fundo Bahá'í não é tão importante quanto o espírito em que o fazemos. Quando os bahá'ís queriam construir o Templo Bahá'í na América do Norte, 'Abdu'l-Bahá pediu aos crentes de todo o mundo para contribuírem. Havia uma senhora inglesa, muito pobre, mas que desejava dar algo para o Templo. Tudo o que ela possuía no mundo, que podia vender, eram seus longos, belos e dourados cabelos. Embora significasse um grande sacrifício, ela os cortou e contribuiu o dinheiro obtido para o Fundo. Deste modo ela também pôde participar na construção de um glorioso Templo.

O Amado Guardião disse:

Devemos ser como uma fonte que está constantemente se esvaziando de tudo o que possui, e sendo permanentemente suprida por uma fonte invisível. Dar continuamente para o bem de nossos semelhantes, sem temer a pobreza e confiantes na infalível generosidade da Fonte de toda riqueza e todo bem - eis o segredo do bem viver.

Cada Assembléia Espiritual deve criar um Fundo próprio. Os membros da comunidade devem contribuir de acordo com sua capacidade, livre e espontaneamente. Doando uma parte daquilo que Deus nos dá, oferecemos nossa gratidão ao nosso Benévolo Pai.

Lembremos o que disse 'Abdu'l-Bahá:

Ó amigos de Deus! Ficai seguros de que em troca destas contribuições, vossa agricultura, vossa indústria e vosso comércio serão abençoados com múltiplos aumentos, com apreciáveis dádivas e concessões. Aquele que realiza um ato apreciável receberá uma recompensa dez vezes maior. Não há dúvida de que o Senhor irá confirmar abundantemente aqueles que despendem sua riqueza em Seu caminho.85

Templos Bahá'ís

A Fé Bahá'í é religião universal e, portanto, o Templo Bahá'í é uma casa universal de adoração a Deus. Quando os bahá'ís constroem seus templos, eles os dedicam aos povos do mundo. Toda pessoa, pertencente a qualquer religião, de qualquer nível social ou crença, é bem-vinda ao Templo Bahá'í. As sagradas Escrituras de todas as religiões são lidas nestes templos. Nos Templos Bahá'ís, as pessoas se reúnem como membros de uma família sob um mesmo abrigo para adorar ao único Deus Todo-Poderoso.

A estrutura do Templo Bahá'í é em si mesmo um símbolo de unidade. São construções de 9 lados. Cada lado tem uma entrada. Todas conduzem a um salão central, coberto por belíssima cúpula. Essas 9 entradas e a estrutura de 9 lados simbolizam as 9 grandes religiões do mundo. Representam a unidade básica de todas as religiões. Quando estamos no salão central, vemos belas entradas por todos os lados. Não há porta principal nem porta dos fundos no Templo Bahá'í, todas estão abertas em todas as direções, recebem a luz e a conduzem para o salão central, onde pessoas de todas as procedências se reúnem para adorar a Deus. É uma maneira maravilhosa de mostrar, por intermédio de um edifício, a igualdade e a unidade das religiões.

Os Templos Bahá'ís não são somente Casas de Adoração. São instituições. Em torno desses templos de 9 lados existirão 9 instituições humanitárias como escolas, orfanatos e hospitais, cada uma ligada a um dos lados do Templo, através de bonitas avenidas e vias de acesso. Todas essas vias conduzem à Casa de Deus. Não é um belo arranjo? Certamente é, pois o próprio 'Abdu'l-Bahá, nas Suas Epístolas, delineou o plano dos Templos Bahá'ís.

Existem atualmente 7 Casas de Adoração ou Templos Bahá'ís nos 5 continentes e no Oceano Pacífico:

América Central, Panamá - Cidade do Panamá
América do Norte, Estados Unidos - Wilmette
África, Uganda - Kampala
Oceania, Austrália - Sidney
Europa, Alemanha - Frankfurt
Ásia, Índia - Nova Delhi
Oceano Pacífico - Ilha de Samoa

Eles são chamados de templos-matriz de cada continente porque no futuro numerosas Casas de Adoração serão construídas em todos os países do mundo. Muitos países já adquiriram terrenos para a construção de seus templos.

Para a América do Sul, a Casa Universal de Justiça aprovou um Templo Bahá'í na cidade de Santiago, no Chile. Em breve, ele estará pronto e será o grande "instrutor silencioso" da Causa de Deus em nosso continente.

6. ALGUMAS LEIS E OBRIGAÇÕES
A Oração

Se uma pessoa amiga sentir amor por outra, terá vontade de dizer. Embora saiba que esta não ignora o seu sentimento, contudo terá vontade de lho dizer... Deus conhece os desejos de todos os corações, mas a prece é um impulso natural, provindo do amor do homem a Deus...86

'Abdu'l-Bahá diz que a oração é conversação com Deus. em outra passagem Ele diz:

Devemos falar na linguagem do céu, na linguagem do espírito, pois há uma linguagem do espírito e do coração. É tão diferente da nossa linguagem como a nossa o é da dos animais, que se exprimem apenas por gritos e sons. É a linguagem do espírito que fala a Deus. Quando, em oração, libertamo-nos de todas as coisas externas e voltamo-nos para Deus, é como se ouvíssemos no coração a voz de Deus. Sem palavras falamos, comunicamo-nos, conversamos com Deus e ouvimos a resposta... Todos nós, quando, atingimos uma verdadeira condição espiritual, podemos ouvir a voz de Deus.87

A oração é o alimento da alma. Não podemos crescer espiritualmente fortes e sadios, se não oramos. Portanto, a oração é compulsória na religião. Bahá'u'lláh escreveu no Livro Sacratíssimo, o Kitáb-i-Aqdas:

Recitai os versículos de Deus a cada manhã e anoitecer. Quem não os recita não é fiel ao Convênio de Deus e a Seu Testamento, e quem neste Dia se afasta destes versículos sagrados é dos que por toda a eternidade se afastaram de Deus. Temei vós todos a Deus; ó Meus servos! Não vos ufaneis de muito lerdes os versículos, ou da profusão de atos pios realizados dia e noite. Pois ler um único versículo com júbilo e radiância é melhor do que a leitura enfastiada de todos os Livros Sagrados de Deus, o Amparo no perigo, O que existe por Si só. Recitai os versículos sagrados em tal medida que vos não sobrevenha a prostração e o desânimo. Não sujeiteis vossas almas ao que lhes traz fadiga e abatimento, mas sim alívio e ânimo, para que se ergam nas asas dos versículos divinos rumo ao Nascente de Seus sinais manifestos. Assim vos aproximareis de Deus, se apenas o compreendêsseis.88

Dessas sagradas Palavras de Bahá'u'lláh podemos compreender que as orações Bahá'ís, embora compulsórias, não devem ser tratadas como uma espécie de ritual ou cerimônia. Encontramos muitas pessoas que pensam que pela mera recitação de algumas palavras, que geralmente não entendem, estão realizando um ato meritório. Algumas acreditam que recitando todo um livro das Sagradas Escrituras num só dia, serão bem vistas aos olhos de Deus e de alguma maneira recompensadas.

Milhares de pessoas gastam horas lendo seus Livros sagrados em latim, árabe ou sânscrito. quando não entendem uma palavra dessas línguas. Assim procedem porque supõem que a mera recitação das Palavras sagradas lhes trará a salvação, quando estão imitando cegamente o que seus ancestrais fizeram no passado. Na Fé Bahá'í, a adoração por meras palavras não é permitida. Bahá'u'lláh disse:

...ler um único versículo com júbilo e radiância é melhor do que a leitura enfastiada de todos os Livros Sagrados de Deus...89

Ele assim nos advertiu no Kitáb-i-Aqdas (o Livro de Leis):

Não sujeiteis vossas almas ao que lhes traz fadiga e abatimento, mas sim alívio e ânimo, para que se ergam nas asas dos versículos divinos rumo ao Nascente de Seus sinais manifestos.90

Existem centenas de lindas orações reveladas por Báb, Bahá'u'lláh e 'Abdu'l-Bahá. Os bahá'ís são estimulados a recitá-las sempre que desejarem orar. As reuniões bahá'ís geralmente começam e terminam com orações. Uma pessoa lê ou canta trechos das Sagradas Escrituras nas reuniões, enquanto todos os demais ouvem e meditam sobre as palavras. As orações são muito inspiradoras e pode-se sentir grande alegria e enlevo espiritual em ouvi-las atentamente quando são recitadas. Essas preces não são obrigatórias e todo indivíduo é livre para recitá-las quando quiser. Mas temos também orações obrigatórias. Bahá'u'lláh revelou três dessas orações. Temos a liberdade de escolher qualquer uma das três, mas devemos recitar uma delas todos os dias. Uma dessas orações, é para ser feita uma vez a cada 24 horas. É chamada de Oração Obrigatória Longa. Depois há uma mais curta, que deve ser feita 3 vezes ao dia, pela manhã, ao meio-dia e à noite. A terceira é uma prece bem curta para ser dita ao meio-dia.

Podemos encontrar todas essas orações nos livros de Orações Bahá'ís. A mais curta dessas Orações Obrigatórias é a que citamos na primeira parte deste livro, no capítulo "O Propósito de Nossas Vidas". Caso se decida fazer esta oração todos os dias ao meio-dia, o melhor é memorizá-la. Mas qualquer que seja a oração escolhida, deve-se lembrar que o espírito em que se oferece a oração é de grande importância. 'Abdu'l-Bahá diz:

Na oração mais elevada, o homem suplica só por amor a Deus, e não por medo dEle ou do inferno, nem pela esperança de atingir graças ou o céu... Quando uma pessoa se enamora de um ser humano, torna-se-lhe impossível deixar de mencionar o nome do objeto do seu amor. Quanto mais difícil é deixar de mencionar o nome de Deus quando se vem a amá-Lo... O homem espiritual não acha prazer em outra coisa que não seja a comemoração de Deus.91

A Limpeza
Bahá'u'lláh diz no Kitáb-i-Aqdas:

Sede a própria essência da limpeza entre os homens.

Portai-vos condignamente em todas as circunstâncias...

...que não se veja nenhum vestígio de sujeira em vossas vestes.

Imergi-vos em água limpa - não vos é permitido o banho em água já usada.

Deveras, Nós desejamos ver-vos como manifestações do paraíso na terra, para que de vós se difunda tal fragrância que os corações dos agraciados de Deus exultem.92

Este mandamento de Bahá'u'lláh nos ajuda a compreender a importância da limpeza. Deus quer que sejamos sadios e felizes durante todos os dias de nossa vida. Se não nos mantivermos limpos, nossa saúde será afetada e sem saúde não podemos ser felizes como deveríamos.

A ciência provou que a maioria das doenças são causadas pela falta de higiene. Se nos alimentarmos com as mãos sujas, estaremos colocando nossa saúde em perigo, porquanto muitas doenças entram no corpo por esse meio. Se passarmos a mão suja nos olhos, causaremos problemas à nossa vista. Em muitos povoados ao redor do mundo as pessoas lavam suas roupas e louças em água que não é muito limpa. Algumas vezes até a água que bebem não é pura, e isso pode trazer-lhes muita infelicidade, em forma de várias doenças.

Manter nosso corpo, nossas roupas e casas limpas é muito importante para nós bahá'ís, pois trata-se de um mandamento de Bahá'u'lláh.

'Abdu'l-Bahá disse:

O asseio externo, embora seja apenas uma coisa física, tem grande influência sobre a espiritualidade...

O fato de se ter um corpo puro e imaculado, exerce influência sobre o espírito do homem.93

O Jejum

No calendário bahá'í existem quatro dias (cinco nos anos bissextos) entre os 18° e 19° meses do ano, que são chamados 'Ayyám-i-Há' ou Dias Intercalares. Durante esses dias os bahá'ís oferecem festas e presentes aos seus amigos e parentes, ou alimento aos pobres de sua comunidade. Com o início do 19° mês - o mês de Alá (Sublimidade) - em 2 de março, começa o período do jejum.

Durante os dezenove dias de jejum, nada comemos ou bebemos desde o nascer até o pôr do sol. Levantamos cedo de madrugada para orar a Deus e Lhe agradecer por todos os Seus favores e bênçãos. Então fazemos a nossa refeição antes do nascer do sol e nada mais comemos durante o dia até que o sol se ponha. Quebramos o jejum à noitinha, depois de fazer nossas orações.

Esses 19 dias de jejum nos aproximam mais de Deus do que em outras ocasiões. Quando jejuamos, mostramos, de forma simbólica, o nosso amor por Deus e a nossa fidelidade em obedecer aos Seus Mandamentos. Eis o que 'Abdu'l-Bahá disse sobre o jejum:

O jejum é um símbolo. Jejuar significa abster-se da luxúria. O jejum físico é um símbolo dessa abstinência e nos faz lembrar dela; isto é, do mesmo modo que uma pessoa abstém-se de satisfazer os apetites físicos, deve abster-se dos apetites e desejos do ego. Mas a mera abstinência de alimentos não tem nenhum efeito sobre o espírito. É apenas um símbolo, um meio de nos lembrarmos. Do contrário não tem qualquer importância. Jejuar com esse intuito não significa inteira abstinência de alimentos. A regra de ouro a respeito de alimentos é não se alimentar em demasia nem muito pouco. A moderação é necessária.94

Antes do sol nascer preparamo-nos para preces e meditações. Há muitas orações especialmente reveladas por Bahá'u'lláh para este período. Um pouco antes do nascer do sol fazemos nossa refeição. Nada bebemos ou comemos desde o nascer até o pôr do sol. Durante o período de jejum, mais do que em qualquer outra época, sentimos um grande amor por Bahá'u'lláh e sempre nos lembramos que é por Seu amor que observamos o jejum. Depois do pôr do sol quebramos o nosso jejum. Novamente oferecemos orações antes ou depois de quebrar o jejum. embora haja muitas orações especialmente reveladas por Bahá'u'lláh para o jejum, podemos oferecer qualquer uma das orações reveladas que encontramos nos livros de Orações Bahá'ís. Contudo, para facilidade dos nossos leitores, transcrevemos a seguir uma das orações que podem ser feitas durante esse período:

Louvor a Ti, ó Senhor, meu Deus! Suplico-te, por esta Revelação, através da qual a escuridão se transformou em luz, construiu-se o Templo freqüentado e revelou-se a Epístola Escrita, desvelando-se o Pergaminho Estendido, que faças descer sobre mim, e sobre aqueles em minha companhia, o que nos possa elevar aos céus de Tua transcendente Glória, e nos purifique da mácula das dúvidas que impediram os desconfiados de entrar no tabernáculo de Tua Unidade.

Sou aquele, ó meu Senhor, que se segurou à corda da Tua benevolência e se apegou à fímbria das vestes de Tua misericórdia e Teus favores. Destina-me, e a meus bem-amados, os benefícios deste mundo e do vindouro. Concede-lhes, então, a Dádiva Oculta que destinaste aos eleitos dentre Tuas criaturas.

Estes são os dias, ó meu Senhor, em que mandaste a Teus servos observarem o jejum, inteiramente por Teu amor e com pleno desprendimento de tudo menos de Ti. Ajuda-os e a mim, ó meu Senhor, a te obedecermos e a guardarmos Teus preceitos. Tu, em verdade, tens o poder de fazer o que te apraz.

Nenhum outro Deus há senão Tu, o Onisciente, a Suprema Sabedoria. Todo louvor a Deus, o Senhor de todos os Mundos.95

O período do jejum continua até o último dia do ano bahá'í. O dia do Ano Novo, que cai em 21 de março, marca o fim do jejum. Os bahá'ís celebram este dia como a Festa de Naw-Rúz.

O Trabalho é Adoração

Entre as leis de Bahá'u'lláh existe a que determina que todos devem trabalhar. Ao bahá'í é proibido mendigar ou levar uma vida sem ocupação útil.

O trabalho é compulsório para todos nesta Causa e quando ele é feito em espírito de serviço à humanidade, torna-se uma forma de adoração. Disse Bahá'u'lláh:

Incumbe a cada um de vós ocupar-se com algum trabalho, seja um ofício, um comércio ou algo semelhante. Enaltecemos vosso empenho nesse trabalho ao grau de adoração ao Deus Uno e Verdadeiro. Ponderai, ó povo, sobre a mercê e as bênçãos do vosso Senhor, e rendei-Lhe graças ao anoitecer e ao raiar do dia.96

'Abdu'l-Bahá explica:

Na Causa Bahá'í, as artes, as ciências e todos os ofícios são (considerados como) adoração. O homem que faz uma folha de papel com o máximo de sua habilidade, conscienciosamente, concentrando toda a eficiência em aperfeiçoá-la, está louvando a Deus. Em poucas palavras, todo esforço, toda função desempenhada pelo homem, de todo o coração, se for movida pelos mais nobres propósitos e pelo desejo de servir à humanidade, é adoração. Isto é adoração: servir à humanidade e suprir as necessidades do povo. Servir é orar.97

O trabalho é adoração! Servir é orar! Esta é uma lei extraordinária!

Quando desejamos adorar a Deus, devemos adorá-Lo com alegria e sinceridade. Os bahá'ís acreditam que o lavrador que cultiva sua terra em benefício de si mesmo e dos outros, está adorando a Deus. O carpinteiro que faz uma porta para a casa de alguém, ou o alfaiate que costura um traje tentando usar toda a sua habilidade para fazê-lo da melhor maneira para outra pessoa desfrutar, está rendendo louvores a Deus.

Assim vemos que, com as bênçãos de Bahá'u'lláh, como cada campo pode se tornar um templo de Deus; cada escritório ou oficina, uma casa de adoração. Para um bahá'í, portanto, não importa quão difícil seu trabalho possa ser, torna-se uma ocupação prazerosa porque através dele pode adorar a Deus. E um bahá'í fará seu trabalho com a mesma alegria, sinceridade e honestidade, com que faz as suas orações.

Uma pessoa ascética que vive numa caverna ou no meio de um bosque, está preparada para sofrer todo tipo de penitência porque acha que ao proceder desse modo está adorando a Deus. Bahá'u'lláh disse que o tempo do asceticismo e da vida monástica já passou. Em vez disso, Ele tornou todo tipo de ocupação útil igual à adoração a Deus. O trabalho não pode mais ser cansativo para nós quando o consideramos igual a uma oração e o fazemos com devoção.

Renunciar ao mundo e viver uma vida solitária não é considerado meritório na nossa Fé. É por isso que os bahá'ís não possuem monges ou ascetas em seu meio. Bahá'u'lláh disse:

Ó povo da terra! Uma vida solitária e severa disciplina não encontram mais aprovação de Deus. Os possuidores de percepção e conhecimento devem procurar os meios que conduzem à alegria e à fragrância. Tais práticas são frutos da superstição e da imaginação humana, não sendo dignas de pessoas de sabedoria. Alguns povos do passado remoto, e de épocas posteriores, moravam nas cavernas das montanhas e outros freqüentavam as tumbas à noite. Dizei: Ouvi o conselho deste Oprimido. Abandonai tudo aquilo a que vos tendes apegado e aderi ao que recomenda o Conselheiro Infalível. Não vos priveis daquilo que foi criado para vós.98

Adoremos a Deus em nossos campos e em nossos locais de trabalho. Rendamos graças a Ele com o nosso contínuo e consciencioso trabalho. Ofereçamos sinceras orações ao nosso Criador através de nossos serviços à humanidade. Lembremo-nos desta Lei de Deus para esta época:

Não desperdiceis vosso tempo em indolência e ociosidade. Dedicai-vos àquilo que possa beneficiar a vós mesmos e aos outros. Assim foi decretado nesta Epístola de cujo horizonte se irradia, resplandecente, o sol da sabedoria e da proclamação! Os mais desprezíveis dos homens, aos olhos de Deus, são aqueles que se sentam indolentemente e mendigam. Segurai-vos com firmeza à corda dos meios materiais, pondo vossa inteira confiança em Deus, o Provedor de todos os meios.99

Ensinando a Causa de Deus

Se alguém nos perguntar qual é o dever de um bahá'í, podemos dizer que um bahá'í deve :

1. Estudar a Causa
2. Praticar seus Ensinamentos
3. Difundir sua Mensagem
Bahá'u'lláh diz:

Deus ordenou a cada alma levar Sua Causa adiante de acordo com sua habilidade.100

O que é necessário para ensinarmos a Causa de Deus?

Quando uma pessoa sofre de uma doença grave e acaba encontrando um remédio que o cura e traz pronto alívio para suas dores e sofrimentos, certamente guardará esse remédio com o maior cuidado. Mas se encontrar um amigo sofrendo da mesma doença, o que fará com o remédio? Irá guardá-lo de modo egoísta, deixando seu amigo sofrer? Naturalmente, não. Com toda alegria levará o remédio ao seu amigo, assegurando que dará imediato alívio ao seu sofrimento, porquanto ele mesmo já o testou.

Bahá'u'lláh é o "Médico Onissapiente" e trouxe um maravilhoso Remédio que pode curar todos os nossos males. A doença do ódio, da superstição, do desespero e da desunião está destruindo os povos do mundo. Como pode um verdadeiro bahá'í, que já foi curado desses males e conhece o remédio, ficar indiferente ao sofrimento dos outros? Certamente deve tentar compartilhar aquilo que ele mesmo recebeu dos ensinamentos de Deus com os irmãos sofredores que encontra em toda parte.

Na Fé Bahá'í não temos pessoas especialmente encarregadas de difundir a Mensagem de Deus. A responsabilidade de guiar as pessoas para a Causa, portanto, cabe a cada crente individualmente.

Qual é o nosso interesse em transmitir a Mensagem de Deus aos outros? Não estamos tentando organizar um exército. Não esperamos qualquer recompensa material ao dar a Mensagem. Ensinamos a Causa de Deus apenas porque sentimos amor pelos outros e não desejamos que sejam privados da grande bênção que Deus, nesta era, concedeu a todos nós. Nunca tentamos impor nossas idéias aos outros. Não discutimos com eles. Se recusarem aceitar o que lhes oferecemos, ainda assim os amamos. Nunca dizemos que as pessoas estão erradas e que nós estamos certos. Apenas apresentamos a Mensagem que Deus nos enviou através de Bahá'u'lláh. Cabe a elas aceitá-la. Nosso amor pelos outros não depende do fato deles se tornarem bahá'ís. Eis o que Bahá'u'lláh nos ordenou:

Ó povo de Bahá! Sois os mananciais do amor de Deus e as fontes de Sua benevolência. Não corrompais vossas línguas amaldiçoando e causando injúria a qualquer alma, e guardai vossos olhos de tudo que não seja condigno. Apresentai o que possuís. Se for recebido favoravelmente, tereis atingido vosso objetivo; se não, protestar é inútil. Deixai tal alma a sós e volvei-vos ao Senhor, o Protetor, o Subsistente por Si Próprio. Não sejais causa de tristeza, muito menos de discórdia e contenda. Nutre-se a esperança de que possais obter a educação verdadeira à sombra da árvore de Sua terna misericórdia e agir de acordo com o que Deus deseja. Sois todos as folhas de uma só árvore e as gotas de um mesmo mar.101

Bahá'u'lláh espera que ensinemos a nós mesmos antes de ensinarmos aos outros. Isto quer dizer que devemos fazer o máximo esforço para conhecer os Seus ensinamentos e praticá-los em nossas vidas antes de esperarmos que os outros sigam esses ensinamentos. Eis as palavras de Bahá'u'lláh:

O povo de Bahá deve servir ao Senhor com sabedoria, ensinar aos outros através do exemplo de suas vidas, e manifestar a Luz de Deus em seus atos. O efeito das ações é em verdade mais poderoso que o das palavras... O efeito das palavras proferidas pelo instrutor depende da pureza das suas intenções e do seu desprendimento. Alguns contentam-se com palavras, mas a verdade das palavras é atestada pelas ações, pela vida. As ações revelam o grau de adiantamento do homem. As palavras devem estar de acordo com o que ditou a Vontade de Deus e o que está registrado nas Epístolas.

É um grande privilégio sermos uma fonte de adiantamento e bênçãos espirituais para os outros. Talvez no mundo espiritual não haja nada mais precioso para nós do que ajudar aos outros a compreenderem a finalidade de suas vidas e se unirem numa causa universal. 'Abdu'l-Bahá disse que todo bahá'í deve tentar guiar pelo menos uma nova pessoa à Causa de Bahá'u'lláh a cada ano. Ensinar a Causa de Bahá'u'lláh independe de nossa educação. 'Abdu'l-Bahá disse que mesmo quem não sabe ler ou escrever, pode mostrar, através das nossas atitudes e ações, que é um verdadeiro servidor da humanidade. Se vivermos a vida de um verdadeiro bahá'í, os outros notarão que somos diferentes porque colocamos em prática os Ensinamentos de Deus para esta época. A importância de ensinar a Causa e as bênçãos que este trabalho nos concede são claramente compreendidas através desta Epístola de 'Abdu'l-Bahá:

É evidente que, neste dia, as confirmações do mundo invisível estão a envolver todos os que transmitem a Mensagem Divina. Fosse o trabalho de ensino decair, essas confirmações cessariam inteiramente, dado é impossível que os amados de Deus recebam auxílio a menos que ensinem.

Sob todas as condições, cumpre levar avante o ensino, mas com sabedoria... Se, por exemplo, cada um dos crentes, sem exceção, se tornar verdadeiro amigo de um dos desatentos e, procedendo com absoluta retidão, estabelecer laços de companheirismo com tal alma, tratando-a com máxima bondade - ele mesmo tornando-se exemplar das instruções divinas que recebeu, das boas qualidades e padrões de conduta - ... pouco a pouco, terá êxito em despertar essa pessoa anteriormente negligente e transformar sua ignorância em conhecimento da verdade.102

Bebidas Alcoólicas são Proibidas

Sabemos que o homem se diferencia dos animais devido à sua mente e sua alma. Deus espera que cuidemos bem desses preciosos dotes com os quais abençoou o gênero humano. Devemos nos esforçar para manter nossas mentes e nossas almas tão sadias quanto possível.

As bebidas alcoólicas envenenam a mente de tal maneira que as pessoas se esquecem de seu grau de seres humanos e descem ao nível das feras quando estão embriagadas. Por isso, Bahá'u'lláh nos proibiu de usar bebidas alcoólicas de um modo geral.

Há muitos bahá'ís que tinham o hábito de beber antes de aceitarem a Fé. Mas depois que aceitaram Bahá'u'lláh como o Manifestante de Deus deram prova de seu amor e lealdade para com Ele, abandonando esse hábito pernicioso que nada mais traz senão prejuízos financeiros, físicos e espirituais. Agora eles bebem da água da vida que Bahá'u'lláh nos concedeu através de Seus ensinamentos e não precisam mais de bebidas alcoólicas para deixá-los alegres ou fazê-los esquecerem de seus problemas diários.

Existem também algumas tribos indígenas habituadas a servir bebidas alcoólicas durante certos festivais e cerimônias nativas. Agora que se tornaram bahá'ís, continuam a realizar as mesmas cerimônias, porém em vez de bebidas alcoólicas servem deliciosos sucos que são livres dos males do álcool.

Não somente as bebidas alcoólicas, mas todas as drogas intoxicantes como o ópio que envenenam a mente bem como o corpo, são também proibidas na Fé Bahá'í.

Observando os Dias Sagrados

Existem 9 dias sagrados durante o ano, nos quais os bahá'ís não devem trabalhar. Esses dias foram colocados aparte devido aos acontecimentos de grande importância para a Causa que ocorreram em cada um deles e são por isso tratados como dias especiais. Sete são dias de festa e, os outros dois são dias em que celebramos o Martírio do Báb e a Ascensão de Bahá'u'lláh.

Dos dias de festa, o primeiro é o da Festa de Naw-Rúz, que marca o fim do período de jejum e o início do ano novo (21 de março).

Os três dias de festas seguintes ocorrem durante o Festival de Ridván (21 de abril a 2 de maio). É o aniversário da Declaração de Bahá'u'lláh, que ocorreu em Bagdá. Durante os 12 dias que denominamos "os dias de Ridván", Bahá'u'lláh permaneceu num lindo jardim chamado "Ridván", onde Seus amigos e discípulos foram vê-Lo pela última vez, antes de Sua partida para Constantinopla. Bahá'u'lláh estava sendo exilado de Bagdá, e Seus inúmeros seguidores, assim como centenas de outras pessoas que haviam aprendido a amá-Lo e respeitá-Lo, encheram-se de tristeza pela Sua partida. Mas a amargura dos corações daqueles que o amavam estava para se transformar em eterna alegria, pois foi durante aqueles dias que Bahá'u'lláh declarou abertamente ser Ele Aquele cuja vinda os Manifestantes Divinos do passado haviam predito e pelo qual o abençoado Báb dera Sua preciosa vida. Em memória daqueles maravilhosos doze dias, celebramos o Festival de Ridván todos os anos. Desses doze dias, o primeiro, o nono e o décimo-segundo são dias sagrados, nos quais não trabalhamos.

Depois temos a comemoração da Declaração do Báb (23 de maio), que é o dia em que o Báb falou de Sua Sagrada Missão a Mullá Husayn pela primeira vez, em Shiráz.

O sexto e o sétimo de nossos dias de festas são os do nascimento do Báb e de Bahá'u'lláh.

Eis a relação completa dos Dias Sagrados Bahá'ís:
1. 21 de março Festa de Naw-Rúz (Ano Novo)
2. 21 de abril Declaração de Bahá'u'lláh (1863)
3. 29 de abril 9° Dia do Festival de Ridván
4. 2 de maio 12° Dia do Festival de Ridván
5. 23 de maio Declaração do Báb (1844)
6. 29 de maio Ascensão de Bahá'u'lláh (1892)
7. 9 de julho Martírio do Báb (1850)
8. 20 de outubro Nascimento do Báb (1819)

9. 12 de novembro Nascimento de Bahá'u'lláh (1817)

Para os bahá'ís o pôr do sol é o fim de um dia e o início de outro. Portanto, cada um desses dias sagrados começa com o pôr do sol do dia anterior. Por exemplo, a Declaração do Báb ocorreu duas horas após o pôr do sol do dia 22 de maio. Assim, a comemoração desse dia sagrado começa ao pôr do sol do dia 22 de maio e termina ao pôr do sol do dia 23 de maio. O dia da Ascensão de Bahá'u'lláh começa à tardinha do dia 28 de maio e termina no fim da tarde do dia 29 de maio. E assim ocorre o mesmo com todos os dias sagrados.

'Abdu'l-Bahá disse que devemos nos esforçar para tornar esses dias sagrados diferentes dos outros dias do ano, dando passos importantes para o progresso da Causa e o serviço à humanidade. Podemos fundar uma sede bahá'í ou criar uma classe de estudos Bahá'í, podemos começar uma escola ou um hospital, cada comunidade de acordo com sua capacidade e necessidades especiais. Individualmente também podemos tomar decisões que ajudarão a nos tornar melhores bahá'ís, tanto nas nossas vidas pessoais como na nossa vida comunitária. Assim, de acordo com 'Abdu'l-Bahá, um dia de festa para nós não deve servir apenas para nos alimentarmos melhor ou nos divertirmos, embora isto também faça parte das festas.

Por outro lado, não devemos ficar nos lamentando durante a celebração do Martírio do Báb e da Ascensão de Bahá'u'lláh, pois embora seja natural que sintamos tristeza, sabemos que a única maneira pela qual podemos mostrar nossa lealdade para com os Manifestantes de Deus é dedicar nossas vidas ao serviço da Causa pela qual Eles viveram e morreram.

Os bahá'ís sempre se reúnem nesses dias para se encontrarem e oferecerem orações especiais aos Dias Sagrados. Essas reuniões são muito importantes porque através delas é estabelecida a unidade entre os membros da comunidade, e essa unidade entre os bahá'ís torna-se motivo de bênçãos divinas. 'Abdu'l-Bahá diz:

É o propósito de Deus que no Ocidente a união e a harmonia possam aumentar dia a dia entre os amigos de Deus e as servas do Misericordioso. Até que isso seja realizado não pode ser alcançado qualquer progresso. E o meio mais eficaz de promover união e harmonia entre todos os amigos são as reuniões espirituais. Esta questão é muito importante, e é como um ímã que atrairá as confirmações divinas.

O Casamento

Como vimos, não existe vida monástica na Fé Bahá'í. O casamento é uma importante instituição na Fé Bahá'í. No Kitáb-i-Aqdas, o Livro Sacratíssimo, diz Bahá'u'lláh:

Casai-vos, ó povo, para que apareça de vós quem faça menção de Mim...103

'Abdu'l-Bahá diz:

O casamento bahá'í significa que o homem e a mulher se tornam espiritual e fisicamente unidos, de modo que possam gozar de uma união eterna através de todos os mundos divinos e possam melhorar a vida espiritual um do outro. Assim é o matrimônio bahá'í.104

Como é realizado o casamento Bahá'í?

Quais são as exigências para a realização do casamento Bahá'i?

1. O noivo e a noiva devem ambos consentir em se casar um com o outro. Não podem ser forçados a isso.

2. Os pais de ambos os noivos, se vivos, devem dar seu consentimento ao casamento.

Bahá'u'lláh diz:

Desejando estabelecer o amor, a unidade e a harmonia entre os nossos servos, Nós o condicionamos, conhecida a vontade dos pretendentes, à permissão dos respectivos pais e mães, para que nem inimizade nem rancor nasçam entre eles.105

Quando os devidos consentimentos são obtidos, os noivos informam sua Assembléia Espiritual que desejam casar-se, e marcam a data de modo que um representante possa estar presente como testemunha do casamento. Então, na presença de algumas pessoas cada um repete separadamente o seguinte versículo revelado por Bahá'u'lláh no Seu Livro Sacratíssimo:

Nós todos, verdadeiramente, anuiremos à vontade de Deus.106

Depois disso os noivos tornam-se esposo e esposa, e a data do casamento é registrada na Assembléia Espiritual.

Mesmo que não exista Assembléia Espiritual na localidade, o matrimônio pode ser realizado conforme acima descrito, pelos noivos, na presença de algumas testemunhas.

'Abdu'l-Bahá diz:

O noivado bahá'í é o perfeito acordo e inteiro consentimento de ambas as partes. Devem ser muito atenciosos um para com o outro. O firme convênio entre eles deve se tornar um laço eterno, e suas intenções devem ser de afinidade e amizade imperecíveis, de união e vida eternas.

À luz deste ensinamento, o casamento não é apenas uma união material, mas também uma ligação espiritual. Não negociamos nossos filhos e filhas quando eles se casam. Nós os unimos. Entre alguns povos é costume tornar obrigatório, à moça e aos seus pais, o pagamento de certa quantidade de presentes à família do noivo e vice-versa. Não existe tal coisa na Fé Bahá'í.

Há lindas orações reveladas por Bahá'u'lláh e 'Abdu'l-Bahá para o casamento, as quais não são obrigatórias, mas podem também ser recitadas durante a cerimônia.

No casamento, como em qualquer outra ocasião festiva, os povos de cada região ou país estão livres para entreter seus convidados e realizar qualquer tipo de espetáculo que seja parte de sua cultura. Esses costumes, no entanto, não devem ser contrários aos ensinamentos de Deus para manter a pureza de caráter e a dignidade do homem. Há bonitas danças e canções folclóricas que enriquecem o novo complexo cultural da humanidade. Os bahá'ís encorajam esta herança cultural dos povos. Portanto, os belos costumes herdados pelos povos, tanto relacionados ao casamento como a outras ocasiões festivas, podem ser realizados.

Alguém pode perguntar se um bahá'í pode casar-se com uma não-bahá'í ou vice-versa. Sim, os bahá'ís podem casar-se com pessoas de outras religiões. Na verdade, um dos mandamentos de Bahá'u'lláh é que:

...se deve associar com os seguidores de todas as religiões em espírito amistoso e fraternal, proclamar o que foi exposto por Aquele que falou no Sinai e observar eqüidade em todos os assuntos. Os que são dotados de sinceridade e fidelidade devem associar-se com todos os povos e raças da terra com júbilo e radiância, porquanto a associação com as pessoas sempre promoveu e continuará a promover unidade e concórdia, as quais, por sua vez, conduzem à manutenção da ordem no mundo e à regeneração das nações. Bem-aventurados aqueles que se seguram firmemente à corda da benevolência e da terna misericórdia e estão livres de animosidade e ódio.107

Quando uma pessoa bahá'í quer se casar com uma pessoa que não é bahá'í, deve deixar claro que obedece às leis Bahá'ís e espera que seu parceiro participe da simples, porém digna, cerimônia bahá'í, assim como ele está pronto para realizar cerimônias da religião de seu parceiro.

A lei do casamento bahá'í é outro símbolo da unidade da humanidade e mostra que a Fé Bahá'í não se destina a uma elite ou grupo especial, mas é para toda a humanidade.

Lealdade ao Governo

Bahá'u'lláh nos proibiu de participar em qualquer atividade que possa prejudicar a sociedade. Devemos nos afastar também de tudo que seja ilícito ou subversivo.

Cerca de cem anos atrás, Bahá'u'lláh estabeleceu este princípio em um de Seus Escritos:

Em todo país em que qualquer uma destas pessoas residam, elas devem mostrar lealdade ao governo desse país e ser honestas e verazes.108

Um bahá'í não estará sendo fiel à sua religião se não for fiel ao governo do país em que vive. 'Abdu'l-Bahá diz:

Lealdade ao governo, do ponto de vista bahá'í, é um princípio espiritual e social essencial.

Devemos obedecer e desejar o bem do governo do país.

A essência do espírito Bahá'í é que, para se estabelecer uma melhor ordem social e melhores condições econômicas, deve haver obediência às leis e princípios do governo.109

Lealdade ao governo é parte integrante do caráter que deve ser criado entre nós. Qualquer ato traiçoeiro é pecado. Bahá'u'lláh diz:

Que a integridade e a retidão caracterizem todos os teus atos.110

Embelezai vossas línguas com veracidade, ó povo, e adornai vossas almas com o ornamento da honestidade. Guardai-vos, ó povo, de tratar qualquer um de modo traiçoeiro. Sede vós os portadores da incumbência de Deus entre Suas criaturas e os emblemas de Sua generosidade entre Seu povo.111

Há outro ponto importante, a este respeito, que cada bahá'í deve observar.

Nossa Fé nada tem a ver com a política e os bahá'ís não podem participar de nenhuma espécie de política partidária. Isso não significa que sejamos contra aqueles que estão na política partidária ou que tenhamos algo contra algum partido em particular. Acreditamos que Deus nos indicou um caminho para concentrarmos nossas energias e recursos na construção de uma Ordem Mundial divina. Temos um plano concedido por Deus que inclui todos os bons aspectos de todos os programas dos partidos políticos, com a vantagem de não ter seus pontos negativos.

Deus estabeleceu um caminho reto para seguirmos. Esse caminho não tende nem para a esquerda nem para a direita; nem para o oriente ou o ocidente. É o caminho da unidade de todo o gênero humano em todas as partes do mundo, pertencendo a diversas nações, credos e classes. Além disso, a Ordem que Bahá'u'lláh estabeleceu no mundo é de origem divina e necessariamente difere, em sua natureza, objetivos e âmbito, das criadas pelo homem e das ideologias quase sempre conflitantes.

Existe outra razão para o bahá'í não poder participar de movimentos políticos. Ela foi explicada por Shoghi Effendi, o Guardião, em uma de suas cartas:

...nós, bahá'ís, somos iguais em todo o mundo; procuramos construir uma Nova Ordem, divina em origem. Como poderemos realizar isso se cada bahá'í for membro de um diferente partido político, alguns até diametralmente opostos entre si? Onde estaria nossa unidade? Estaríamos divididos entre nós mesmos, devido às diferenças políticas, e isso seria contra o nosso propósito. Obviamente, se um bahá'í na Áustria tivesse liberdade de escolher um partido para nele ingressar, não importando quão bons fossem seus princípios, um outro bahá'í no Japão, na América ou na Índia, também teria o direito de fazer a mesma coisa e pertencer a um partido cujos princípios fossem contrários ao partido a que o bahá'í austríaco pertencesse. Onde ficaria a unidade da Fé? Esses dois irmãos espirituais estariam trabalhando um contra o outro devido às suas afiliações políticas (como fizeram os cristãos na Europa em tantas guerras fratricidas). A melhor maneira para um bahá'í servir ao seu país e ao mundo é trabalhar para o estabelecimento da Ordem Mundial de Bahá'u'lláh, que irá gradualmente unindo todos os homens e superando os sistemas políticos divisionistas e os credos religiosos.112

Como Tornar-se Bahá'í

Muitas vezes ouvimos esta pergunta: "Como posso me tornar bahá'í?" Algumas pessoas acham que a Fé Bahá'í é uma sociedade que convida membros, mas não é assim. Outros pensam que os bahá'ís estão interessados em mudar a sua denominação e lhes dar uma nova denominação religiosa, o que também não é verdade.

Tornar-se bahá'í significa ter convicção da Unidade de Deus, da unidade da religião e da unidade da humanidade. Significa compreender que a religião é progressiva e contínua, que ela existe para unir os homens e não para desuni-los. O bahá'í, além disso, está convencido que todas as religiões são de origem divina e iguais em seus fundamentos. Porém, o bahá'í acredita que Bahá'u'lláh (a Glória de Deus) é o Manifestante de Deus para a época. E Ele, Bahá'u'lláh, assim como os outros Manifestantes Divinos do passado, veio trazer uma nova era de felicidade e unidade para nós, nesta época.

Quando nos tornamos bahá'ís, encontramos o amor de Bahá'u'lláh em nossos corações. Quando existe esta convicção somos bahá'ís. Nenhum ritual, batismo ou mudança de nome são necessários para registrar uma pessoa na Fé Bahá'í. Em outras palavras, não acreditamos em conversão sem convicção, e convicção não necessita de quaisquer cerimônias. 'Abdu'l-Bahá diz:

O homem que vive a vida de acordo com os ensinamentos de Bahá'u'lláh já é um bahá'í.113

O objetivo dos bahá'ís é servir à humanidade e trazer unidade e felicidade ao mundo. Os bahá'ís procuram transformar os corações dos homens, e isto não é possível senão através do poder das Palavras de Deus.

Perguntaram certa vez a 'Abdu'l-Bahá: "O que é um bahá'í?" e o Mestre respondeu:

Ser bahá'í significa simplesmente amar a todos; amar a humanidade e esforçar-se por servi-la; trabalhar pela paz e fraternidade universais.114

Quando um espelho está limpo, reflete a luz. Quando está sujo, não reflete coisa alguma. Se os bahá'ís ensinam sua religião aos outros, é numa tentativa de purificar os espelhos dos corações do pó do preconceito, do ódio e da animosidade. Quando pessoas de corações puros entrem em contato com o sol da Verdade, recebem a luz em grande quantidade e a refletem para os outros.

Muitos dos bahá'ís de hoje são pessoas que sempre sentiram em seus corações a necessidade de novos ensinamentos para esta nova era, mas não sabiam como transformar seus sentimentos em atos. Não sabiam que já existia a religião que contém tudo aquilo com que sempre desejaram. Tão logo ouviram a respeito da Fé Bahá'í, nela acreditaram como sendo a Voz de Deus, pois já tinham ouvido essa voz em seus corações, sem nada saber de Bahá'u'lláh. São aqueles espelhos polidos que agora se voltaram em direção ao Sol da Verdade e refletem seu esplendor. Os espelhos dos corações, embora limpos, permanecerão escuros se não forem expostos à luz.

Quando alguém adquire a convicção e a compreensão desta verdade, torna-se bahá'í. Contudo, existe um cartão de registro para ser preenchido e assinado pelos bahá'ís, com seus nomes e endereços, informando à Assembléia Espiritual Nacional de seu país que eles acreditam em Bahá'u'lláh. deste modo a pessoa informa a comunidade mundial Bahá'í que é seguidor de Bahá'u'lláh. Uma pessoa torna-se bahá'í quando assina seu cartão de Declaração e é aceito. Ao se declarar bahá'í, torna-se um servidor da humanidade. Assinando seu cartão de declaração, assume o compromisso de servir a humanidade através da administração divina que faz parte da orientação espiritual para esta era. Os cartões de declaração são impressos pela Assembléia Espiritual Nacional de cada país e devem ser assinados pelos crentes em Bahá'u'lláh naquele país. Os cartões assinados são enviados de volta à Assembléia Nacional pelas Assembléias Espirituais Locais. Em caso de não haver uma Assembléia Local, a própria pessoa que se declara deve enviar o cartão diretamente à Assembléia Espiritual Nacional.

O bahá'í serve à humanidade e também ora por ela. Entre as inúmeras e belíssimas orações bahá'ís, encontramos esta, revelada por 'Abdu'l-Bahá:

Ó Tu Senhor bondoso! Criaste toda a humanidade dos mesmos pais. Desejaste que todos pertencessem ao mesmo lar. Em Tua Santa Presença todos são Teus servos e todo o gênero humano se abriga sob Teu Tabernáculo. Todos se têm reunido à Tua mesa de graças e brilham pela luz da Tua providência. Ó Deus! És bondoso para com todos, provês a todos, amparas todos, e a todos concedes vida. De Ti, todos os seres recebem faculdades e talentos. Todos estão submersos no oceano da Tua misericórdia. Ó Tu, Senhor bondoso! Une todos, faze as religiões concordarem e torna as nações uma só, para que sejam como uma única espécie e filhos da mesma pátria. Que se associem em união e acordo. Ó Deus! Ergue o estandarte da unidade do gênero humano! Ó Deus! Estabelece a Suprema Paz! Enlaça os corações, ó Deus! Ó Tu Pai Bondoso! Extasia os corações com a fragrância do Teu amor, ilumina os olhos com a Luz da Tua Guia; alegra os ouvidos com as melodias de Tua Palavra e abriga-nos no recinto da Tua providência. Tu és o Grande e Poderoso! És o Clemente - Aquele que perdoa as faltas da humanidade.115

Bibliografia

ABL 'Abdu'l-Bahá in London; 'Abdu'l-Bahá; George Ronald Publishers.

BA Bahá'í Administration; Shoghi Effendi; Bahá'í Publishing Trust of USA.

BNE Bahá'u'lláh e a Nova Era; John E. Esslemont; Editora Bahá'í do Brasil.

BW Bahá'í World; Compilação; Bahá'í Publishing Trust of USA.

BWF Bahá'í World Faith; Shoghi Effendi; Bahá'í Publishing Trust of USA.

DAL Divine Art of Living; 'Abdu'l-Bahá; Bahá'í Publishing Trust of USA.

EFL Epístola ao Filho do Lobo; Bahá'u'lláh; Editora Bahá'í do Brasil.

EB Educação Bahá'í - uma compilação; Editora Bahá'í do Brasil.

FWU Foundation of World Unity; 'Abdu'l-Bahá; Bahá'í Publishing Trust of USA.

KA O Kitáb-i-Aqdas; Bahá'u'lláh; Editora Bahá'í do Brasil.

KI Kitáb-i-Iqán; Bahá'u'lláh; Editora Bahá'í do Brasil.

OMB Orações e Meditações Bahá'ís; Compilação; Editora Bahá'í do Brasil.

PA Palestras de 'Abdu'l-Bahá - Paris; 'Abdu'l-Bahá; Editora Bahá'í do Brasil.

PBA Principles of Bahá'í Administration; Compilação; Bahá'í Publishing Trust of USA.

PD A Presença de Deus; Nabíl - Shoghi Effendi; Editora Bahá'í do Brasil.

PM Prayers & Meditation by Bahá'u'lláh; Bahá'í Publishing Trust of USA.

PO As Palavras Ocultas; Bahá'u'lláh; Editora Bahá'í do Brasil.

PUP Promulgation of Universal Peace; 'Abdu'l-Bahá; Bahá'í Publishing Trust of USA.

RA Os Rompedores da Alvorada; Shoghi Effendi; Editora Bahá'í do Brasil.

SEA Seleção dos Escritos de 'Abdu'l-Bahá; Editora Bahá'í do Brasil.

SEB Seleção dos Escritos de Bahá'u'lláh; Editora Bahá'í do Brasil.

TAB Tablets of 'Abdu'l-Bahá; Bahá'í Publishing Trust of USA.

UVT Última Vontade e Testamento; 'Abdu'l-Bahá; Editora Bahá'í do Brasil.

Referências
1 OMB, p. 198.
2 SEB, XXI, p. 48.
3 PO, (A), nº 3.
4 FWU, pp. 89-90.
5 PO, (A), nº 19.
6 BNE, p. 74.
6a PA, p. 155.
7 PO, (A), nº 5.
8 KI, pp. 17-18.
9 SEB, XXIV, p. 55.
10 SEB, VII, p. 22.
11 BW, p. 226.
12 BNE, p. 122.
13 PD, p. 25.
14 SEB, III, p. 18.
15 EFL, p. 38.
16 DAL, p. 15.
17 SEB, CXII, p. 166.
18 SEB, LXXII, p. 111.
19 FWU, p. 29.
20 OMB, p. 190.
21 SEA, pp. 273-74.
22 FWU, p. 15.
23 FWU, p. 71.
24 PUP, p. 180.
25 SEA, p. 275.
26 PA, pp. 136-37.
27 PUP, p. 166.
28 KA, p. 31.
29 KA, p. 31.
30 EB, p. 17.
31 FWU, p. 30.
32 BWF, p. 189.
33 PA, p. 123.
34 PO, (A), nº 2.
35 PA, pp. 128-30.
36 BWF, p. 141.
37 PO, (P), nº 51.
38 FWU, p. 30.
39 PO, (P), nº 54.
40 PO, (P), nº 49.
41 PO, (P), nº 6.
42 PO, (P), nº 42.
43 BWF, p. 167.
44 PO, (A) nº 13.
45 SEB, CLI, p. 236.
46 PO, (A), nº 36.
47 PO, (A), nº 33.
48 PO, (A), nº 52.
49 DAL, pp. 16-17.
50 ABL, pp. 126-27.
51 PO, (A), nº 32.
52 SEB, LXXXI, p. 122.
53 PO, (P), nº 29.
54 SEB, CXXX, pp. 212-13.
55 SEB, CIX, p. 163.
56 BWF, pp. 184-85.
57 SEB, C, p. 154.
58 EFL, p. 60.
59 BWF, p. 175.
60 SEB, CXLVI, p. 233.
61 SEB, CXXVIII, p. 208.
62 SEB, C, pp. 165-66.
63 SEB, pp. 155-56.
64 SEB, CXLVI, pp. 233-34.
65 PO, (P), nº 54.
66 EFL, p. 64.
67 EFL, pp. 33-34.
68 EFL, p. 64.
69 BWF, p. 171.
70 PA, p. 155.
71 PA, p. 21.
72 PA, p. 22.
73 PD, p. 60.
74 KA, p. 25.
75 BA, p. 38.
76 BA, p. 38.
77 BA, p. 38.
78 KA, p. 25.
79 BA, p. 64.
80 PO, (P), nº 59.
81 SEA, p. 78.
82 BWF, p. 199.
83 BWF, p. 447.
84 UVT, pp. 16-17.
85 OMB, p. 20.
86 BNE, p. 93.
87 BNE, pp. 87-88.
88 BNE, p. 91.
89 BNE, p. 91.
90 KA, p. 59.
91 BNE, p. 93.
92 BNE, p. 101.
93 TAB, p. 585.
94 BNE, pp. 176-77.
95 OMB, p. 262.
96 BWF, p. 195.
97 PA, p. 151.
98 BWF, p. 184.
99 BWF, p. 195.
100 BWF, p. 206.
101 BWF, p. 196.
102 SEA, p. 241.
103 KA, p. 34.
104 BWF, p. 372.
105 BNE, p. 170.
106 KA, p. 85.
107 BWF, p. 168.
108 BWF, p. 192.
109 BWF, p. 440.
110 SEB, LCXXX, p. 212.
111 SEB, CXXXVI, p. 221.
112 PBA, p. 31.
113 BNE, p. 71.
114 BNE, p. 70.
115 OMB, pp. 192-93.

A Editora Bahá'í do Brasil esclarece que as mudanças feitas na versão portuguesa em relação ao original em inglês, publicado pela Bahá'í Publishing Trust of India, foi autorizado conforme nota do autor:

"Este livro é dedicado ao trabalho de ensino em todas as partes do mundo. As instituições bahá'ís têm a liberdade de utilizá-lo de acordo com o que julgarem mais adequado e são autorizadas a fazer quaisquer adaptações e alterações que sejam consideradas necessárias em cada país ou região em que ele seja editado."

Hooshmand Fatheazam

Table of Contents: Albanian :Arabic :Belarusian :Bulgarian :Chinese_Simplified :Chinese_Traditional :Danish :Dutch :English :French :German :Hungarian :Italian :Japanese :Korean :Latvian :Norwegian :Persian :Polish :Portuguese :Romanian :Russian :Spanish :Swedish :Turkish :Ukrainian :