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Nascer da Fé Bahá'i no Espírito Santo
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Guiomar Campostrini : Nascer da Fé Bahá'i no Espírito Santo
Guiomar Campostrini
in memorian
EDITORA BAHÁ'Í
PIONEIROS DA FÉ
Relato da Fé Bahá'í
no Espírito Santo
DEDICATÓRIA
Aos pioneiros, que fizeram acontecer

"...fujam de suas cidades e estados natais, abandonem seu país e, pondo toda a sua confiança em Deus como melhor preparaçao para sua viagem, volvam sua faces e dirijam seus passos rqueles climas distantes, rqueles campos virgens, rquelas cidades que ainda nao se renderam, e devotem suas energias r conquista das cidades dos coraçoes dos homens."

Shoghi Effendi
INTRODUÇÃO

Este trabalho tem origem no relatório datilografado que Guiomar Campostrini, membro da 1ª Assembléia Espiritual Local dos Bahá'ís de Vitória, l971, deixou redigido. Segundo suas próprias palavras "para que no final, ele seja realmente a expressão verdadeira da vida de nossa comunidade."

Assim, um grupo de amigas de Guiomar Campostrini sentiu a necessidade de organizar o material para publicação, na certeza de cumprir o desejo de tão querida companheira que permanece viva em nossa saudade, em nosso coração.

Podemos dizer que respeitamos na íntegra as anotações da autora, obedecendo, inclusive, a forma de relatório. O original se encontra sob a guarda da Assembléia Espiritual Local dos Bahá'ís de Vitória, à disposição para eventuais consultas.

O primeiro capítulo foi acrescentado pela equipe organizadora. Partimos do princípio que estando os pioneiros na condição de imigrantes fazia-se necessário abordagem do país de origem, devidamente acompanhada por um retrato do país e, posteriormente, do estado receptor.

O segundo capítulo conta a trajetória dos pioneiros na luta para tornar a Fé conhecida no Espírito Santo, que era completamente virgem dos ensinamentos da doutrina bahá'í .

O terceiro capítulo narra a expansão da Fé pelos municípios da Grande Vitória e, posteriormente, por todo o estado através de suas várias municipalidades.

Enriquecemos o relatório de Guiomar Campostrini com fotos dos eventos ocorridos dentro do período por ela considerado como pioneiro: de 1968 a 1980. Recuperamos também, dentro do possível, os artigos publicados na imprensa local sobre a Fé Bahá'í, demonstrando o seu registro cronológico, a incessante luta dos pioneiros para a divulgação dos ensinamentos de Bahá'u'lláh. Esse material pesquisado no Arquivo da Assembléia Espiritual Local dos Bahá'ís de Jardim Colorado e acervo particular do sr. Antonio Baptista Sobrinho foi incorporado ao presente trabalho sob a forma de anexo.

Decidimos deixar registrado o término do relatório com a mesma redação escrita pela autora. Com isso queremos deixar patente nossa homenagem ao seu trabalho e à sua dedicação.

PREFÁCIO
Depoimento de um pioneiro

Estamos em 1968, quase nos meados do Plano de Nove Anos da Casa Universal de Justiça. Uma das metas do Brasil era ter, no mínimo, uma Assembléia Espiritual Local em cada Estado. Este servo Razi Milani, dentista, minha esposa Guitty, minha mãe Dnª Djamile e meus dois filhos Feizi e Peiman faziam parte da Comunidade de Porto Alegre, onde eu e minha mãe chegamos em 1956. Minha irmã Touba no Irã, alimentava no coração forte desejo de sair com a família como pioneiros ao Brasil. Já desde 1966 havia mandado seus dois filhos Said e Saed a Porto Alegre, a fim de adiantarem seus estudos no ginásio até que o resto da família pudesse se juntar a eles. Naquele ano, como membro da Assembléia Nacional, participei da 2ª Convenção Internacional em Haifa e fiz uma visita ao Irã, ocasião em que os detalhes da vinda do resto da família Maani a Porto Alegre foram tratados e resolvidos.

De volta da Terra Santa, a Assembléia Espiritual Nacional incumbiu seus membros a visitarem as comunidades para incentivar os amigos a saírem como pioneiros para conquistar a meta de formar, pelo menos, uma Assembléia Espiritual Local em cada Estado. Senti-me incapaz de incentivar os outros, enquanto eu também era um bahá'í como qualquer um. E ao incentivar os outros, se alguém me perguntasse: "por que você mesmo não sai como pioneiro?" qual seria a minha resposta? Expus os meus sentimentos a Guitty. Ela, que desde a sua chegada ao Brasil em 1963, sempre alimentava o desejo de irmos como pioneiros a algum lugar onde não tivesse comunidade, jubilosamente apoiou meus pensamentos.

E agora, aonde ir? Havia três capitais-ilhas ainda virgens: Florianópolis, Vitória e São Luiz do Maranhão, a respeito dos quais não sabíamos nada. Era necessário uma viagem "exploratória" à uma ou à outra para termos alguma informação. Justo naqueles dias, uma cliente minha contou que havia um tal congresso em Porto Alegre e que um casal capixaba amigo dela, estava participando. Bahá'u'lláh já estava abrindo o caminho para concretizar nosso desejo. Guitty visitou a esposa no hotel. Ela foi muito amável e prestativa. Deu o cartão de seu marido, sr. Paulo Có, e disse que os procurássemos em Vitória para qualquer necessidade. Decidimos não compartilhar essa intenção com ninguém antes de concretizá-la.

Alguns dias depois tínhamos a reunião da Assembléia Espiritual Nacional, que se formava na residência do casal Miessler em São Paulo. Saí de Porto Alegre alguns dias antes e fui direto a Vitória. Encontrei com o sr. Paulo que foi super legal. Visitei o diretor de "A Gazeta" - General Darcy de Pacheco Queiroz - falei sobre a Fé - Ele disse que tempos atrás um senhor esteve lá e colocou um anúncio do curso por correspondência no jornal. Pelas suas indicações percebi que deveria ser nosso querido Habib Taherzadeh.

Vitória naquela época, em comparação a Porto Alegre, era desprezível, e todos questionaram nossa escolha, mas nós já havíamos decidido. Seja o que for, Vitória era a nossa meta.

Escrevi a Touba da nossa decisão, deixando ela à vontade de escolher Porto Alegre ou Vitória. Ela também escolheu a cidade meta. Avisei que, nesse caso, deveriam mandar sua mudança diretamente a Vitória.

Em dezembro de 68, o casal Maani e Shahla hegaram a Porto Alegre. Para não perderem o ano letivo dos filhos, em fevereiro de 69 a família Maani junto com Dnª Djamile foram a Vitória e, em 9 de março, a família Milani fez o mesmo. Todos residiram no Ed. Santa Rosa, à rua Pedreiras, em frente ao Moinho Buaiz. Deixando a família em Vitória, eu voltei a Porto Alegre para vender o consultório, juntar e mandar as coisas a Vitória e voltar definitivamente para lá. E assim a maravilhosa cidade de Vitória foi aberta à Fé e uma das metas do Plano de 9 anos foi alcançada.

Razi Abassi Milani
APRESENTAÇÃO

No Irã, país de credo muçulmano, um jovem conhecido como o Báb, que significa "A Porta", anunciou, no dia 23 de maio de 1844, em Shiráz, o iminente aparecimento do Mensageiro de Deus aguardado por todos os povos do mundo. Embora Ele próprio fosse o portador de uma revelação independente, procedente de Deus, o Báb declarou que a Sua missão era preparar a humanidade para esse evento.

Uma imediata e selvagem perseguição seguiu-se a esse anúncio, instigada pelo influente clero muçulmano. O Báb foi preso, espancado, encarcerado e finalmente executado em praça pública na cidade de Tabriz, em 9 de julho de 1850.

Sua mensagem encontrou apoio em Bahá'u'lláh. Nascido em l817, era membro de uma das mais destacadas famílias nobres da Pérsia, uma família que podia traçar sua linhagem até às dinastias reinantes do passado imperial persa, dotada de riqueza e de vastas possessões. Pondo de lado a Sua posição na corte e as vantagens que esta Lhe oferecia, Bahá'u'lláh se tornou conhecido por Sua generosidade e bondade, as quais O tornaram profundamente amado por Seus concidadãos.

Essa posição privilegiada, contudo, não se manteve por muito tempo. Após anunciar Sua adesão à mensagem do Báb, foi arrastado pelas ondas de violência desencadeadas sobre os babís, Bahá'u'lláh sofreu não somente a perda de todos os Seus bens terrenos, como ficou também sujeito ao cativeiro, à tortura e a uma série de exílios. O primeiro aconteceu no final de 1852, em Bagdá, onde, em 1863, anunciou ser Ele próprio Aquele prometido pelo Báb. De Bagdá, Bahá'u'lláh foi desterrado sucessivamente para a cidade prisão de Constantinopla, Adrianópolis e, finalmente, para 'Akká, na Terra Santa, onde desembarcou como prisioneiro, em 1868.

De Adrianópolis e, mais tarde, de 'Akká, Bahá'u'lláh enviou uma série de cartas aos governantes e líderes religiosos do Seu tempo, as quais se encontram entre os documentos mais notáveis da história religiosa.

Em 1892, já com 75 anos, Bahá'u'lláh faleceu em Bahjí, ao norte de Akká, e lá descansam os Seus restos mortais. Os Seus ensinamentos, então, já se espalhavam para além dos confins do Oriente Médio.

A Comunidade Bahá'í congrega hoje cerca de seis milhões de pessoas residentes em 166 nações e 48 territórios, envolvendo todas raças e culturas da terra. Essa comunidade mundial acredita que a "Terra é um só país e os seres humanos, seus cidadãos."

CAPÍTULO I
PANORAMA HISTÓRICO-GEOGRÁFICO
I - IRÃ
1 - CARACTERISTICAS FÍSICAS

O Irã é um grande país montanhoso da Ásia Ocidental. Atualmente com o nome oficial de República Islâmica do Irã, tendo sido denominado Pérsia na antigüidade, está situado no extremo Leste do Oriente Médio, entre o Mar Cáspio e o Golfo Pérsico. Com a área de 1.648.000 Km2, tem a cidade de Teerã como capital e limita-se ao Norte com a Armênia - Azerbaijão e o Mar Cáspio, Turcomenistão; ao Sul com o Golfo Pérsico e o Mar de Oman ou Mar Arábico; a Leste com o Afeganistão e o Paquistão Ocidental; a Oeste com o Iraque e a Turquia.

O país é dominado por clima desértico frio, com chuvas mínimas, temperaturas elevadas no verão e acentuadamente baixas no inverno, quando há queda de neve.

A população do Irã é constituída por povos nômades e sedentários, numa grande mistura de etnias: iranianos ou persas, turcos, árabes, mongóis, curdos, turcomanos e outros. A maioria professa o Islamismo, do ramo xiita. A língua apresenta a mesma diversidade: farsi (persa), línguas túrquicas, curdo , árabe e balbúchi e outras.

Devido à escassez da chuva, as condições para a agricultura são precárias, exceto ao redor do Mar Cáspio. As principais culturas são de trigo e de frutas, especialmente tâmaras e nozes, para a exportação. As principais criações são os ovinos e caprinos. Possui tradicional artesanato de luxo, notadamente de tapetes. Contudo, sua economia moderna é dominada pelo petróleo.

O Irã, tendo em vista suas reservas petrolíferas e sua posição geográfica de ligação entre o Ocidente e o Oriente, é área de conflitos de interesses entre as grandes potências que disputam a hegemonia mundial.

2 - BREVE HISTÓRICO

O Irã apresenta-se como área de povoamento antiquíssimo, onde já floresceram importante civilizações.

No século XIX, o imperialismo inglês dominou o país, explorando bancos, estradas, o subsolo e o comércio, e em 1919, a Pérsia tornou-se protetorado britânico. A reação nacional veio em 1921, com Reza Khan: ele tornou-se Xá, estabelecendo a dinastia Pahlevi.

A 2ª Guera Mundial (1939-1945) alcançou o país em 1941, que sofreu ocupação de tropas inglesas e soviéticas. A partida definitiva dos estrangeiros ocorreu em 1946, com a saída dos últimos soldados soviéticos.

Na Segunda metade do século XX, o Irã enfrentou crise internacional com o Reino Unido devido a nacionalização das companhias petrolíferas estrangeiras, quase todas britânicas. Internamente o governo do Irã promoveu a "revolução branca", uma campanha modernizante que incluiu a reforma agrária, o direito de voto para as mulheres e o controle da indústria petrolífera.

Em 1979, a monarquia pró-ocidente foi derrubada por fundamentalistas islâmicos, liderados pelo Ayatu'lláh Khomeini e, atualmente, o Irã é uma República Islâmica.

II - BRASIL
1 - CARACTERÍSTICAS FISÍCAS

O Brasil ocupa a porção centro-leste da América do Sul. É um país atlântico, dominando a maior parte do continente. Apresenta a forma de um triângulo cujo vertice está voltado para o sul. Limita-se com todos os países do continente, excetuando-se Chile e Equador.

O país encontra-se situado numa posição intertropical, havendo o predomínio do clima quente.

No relevo brasileiro, predominam os planaltos e as planícies, sendo as altitudes modestas, com 93% do território possuindo altitudes menores de 900m.

Os grupos étnicos que contribuíram para a formação do povo brasileiro são: os brancos, representados pelos portugueses, italianos, espanhóis, sírio-libaneses, alemães, holandeses e eslavos, além de franceses, entre os de maior porcentagem; os negros, com os do grupo sudanês e banto, além dos ameríndios e amarelos (representados pelos japoneses).

A região principal das atividades econômicas é o sudeste brasileiro. Ele concentra quase 40% da população, com 43% do valor da produção agropecuária, os maiores parques industriais, a mais densa rede rodoferroviária, as duas maiores cidades brasileiras e a mais compacta rede urbana do Brasil, como também os dois mais importantes portos do país, ou seja, Santos e Rio de Janeiro.

2- BREVE HISTÓRICO

O continente europeu viveu grandes transformações na passagem do século XV para o XVI. Portugal, pequeno país da península Ibérica, foi gradativamente desvendando os segredos dos mares e ampliando o seu comércio com novas regiões da costa africana. A expansão marítima portuguesa trouxe como conseqüência a descoberta pelos ibéricos da terra que receberia o nome de "Vera Cruz", posteriormente "Terra de Santa Cruz". Veio, porém, a prevalecer a denominação de "Brasil", oriunda de um vegetal produtor de tinta vermelha, chamado em português de pau-brasil (cor de brasa).

Seu povoamento, feito no sentido da costa para o interior, produziu sérias distorções na distribuição da população, agravadas mais tarde pela industrialização.

A Colônia brasileira tornou-se país independente sob o regime monárquico, que permaneceu até o final do século passado. No alvorecer do século XX, estabeleceu-se como República Federativa, que atualmente é composta por 26 estados e o Distrito Federal.

O Brasil possui notável unidade nacional sedimentada pela língua portuguesa, falada com variados sotaques em todo o território brasileiro.

No dia 1º de fevereiro de 1921, a bordo do vapor "SS VASARI", chegou ao Brasil uma jovem de 25 anos, procedente dos Estados Unidos da América, Eleonora Stirling Holsaple, que mais tarde recebeu o nome de Armstrong. Eleonora Holsaple Armstrong foi a primeira pioneira bahá'í que se estabeleceu neste país-continente, precisamente no estado da Bahia.

III - ESPIRITO SANTO
1 - CARACTERISTICAS FÍSICAS

O Estado do Espírito Santo integra a Região Sudeste, situando-se entre os estados de Minas Gerais, Bahia e Rio de Janeiro, abrangendo um total de 45.957 Km , tendo 401 Km de costa, estendendo-se ao longo do Atlântico. Sua forma retangular concentra as maiores distâncias no sentido norte-sul, exibindo no rumo leste-oeste uma largura média de 130 Km. Representa 0,54% da área do Brasil, sendo o território nacional 185 vezes maior que a ex-donatária de Coutinho.(HEES,Regina:1975:20).

O tipo climático predominante é o tropical úmido. Nas serras baixas, encontra-se uma zona climática quente e úmida. A zona serrana é constituída por clima tropical.

O Estado é cortado por densa hidrografia, onde se destaca por sua extensão o rio Doce, com 890 Km, sendo 180 no território espírito-santense. Penetra em terras capixabas no município de Baixo Guandu, atravessa Colatina, indo desaguar no Oceano Atlântico, no distrito de Regência, pertencente ao município de Linhares. No seu trajeto, caminha por uma região rica em pecuária bovina, café, cacau e madeira. Os rios Itapemirim e Itabapoana ao sul e Mucuri e São Mateus ao norte seguem em importância (COSTA, Maria Cilda Soares: 1988:11) (CAMPOS, Mintaha Alcure: 1987:67).

O povoamento do território espírito-santense, de início, estabeleceu-se na orla marítima da capitania. Essa morosa e fracionada ocupação levada a efeito pela cultura da cana-de-açúcar se estenderá ao longo de quase três séculos de colonização. Esse largo período de marasmo será rompido pela cultura cafeeira, que se constituirá no elemento dinamizador da economia capixaba.

2 - BREVE HISTÓRICO

Em 1º de junho de 1534, D. João III, rei de Portugal, expedia da cidade de Évora a Carta de Doação, documento que daria a Vasco Fernandes Coutinho condições concretas para dar início à ocupação da futura capitania do Espírito Santo. Desembarcou em terras capixabas no dia 23 de maio de 1535, na enseada de Piratininga, próximo ao monte Moreno, atualmente no município do Espírito Santo conhecido por Vila Velha. (LIMA JUNIOR et Alli:1995:29).

Vasco Fernandes Coutinho construiu os primeiros engenhos, transformando a produção e a exportação de açúcar na principal atividade econômica da capitania. Gradativamente, a cultura de baixada iniciou-se nos arredores de Vitória, espalhou-se pela faixa litorânea, atingiu o norte, e para o sul, chegou até Itapemirim.

O declínio da economia canavieira trouxe para a capitania do Espírito Santo um longo período de estagnação, que se prolongou pelos séculos XVII e XVIII.

O anúncio da descoberta de minas auríferas nos afluentes do curso superior do rio Doce provocou, em épocas distintas, o afluxo de visitantes, buscando caminhos que levassem ao coração do metal amarelo.

Essa busca se processou de forma tão intensa que por volta de 1710 (século XVIII), na tentativa de impedir a evasão da produção, o governo português determinou o fechamento de todos os caminhos destinados à exploração. Essa proibição acarretou sérios prejuízos para a donatária capixaba, tendo em vista sua proximidade com Minas Gerais.

O Espírito Santo só começou sua recuperação durante o Império, com a expansão cafeeira e a imigração européia. Os descendentes dos primeiros colonizadores se concentram na estreita faixa litorânea. Italianos, alemães, suíços, holandeses e libaneses instalaram-se nas colônias e vilas do interior. A lavoura cafeeira se derramou pelo litoral e região serrana, do sul para o norte, gerando riquezas e ocupando espaços vazios. A receita da Província cresceu, estabelecendo condições para que dentro do regime republicano, o novo estado pudesse fazer investimentos em infra-estrutura como estradas, pontes, serviços urbanos na capital e nas principais cidades.

Em 1942, foi criada a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), para explorar o minério de ferro em Minas Gerais e exportá-lo através do porto da cidade de Vitória. Foi um marco na industrialização do Espírito Santo.

O Espírito Santo permanece como o quarto maior produtor de café do Brasil e o primeiro exportador. Atualmente, também se desenvolveram as indústrias de transformação (produtos químicos, siderúrgicos, cimento e celulose), e de consumo (calçados, alimentos e bebidas).

CAPITULO II
OS BAHÁ'ÍS DA GRANDE VITÓRIA
Ano 1968

Era o 4º ano do Plano de Nove Anos da Casa Universal de Justiça (1964 a 1973). Precisamente o ano de 1968. O Brasil devia formar pelo menos uma Assembléia Local em cada Estado. O Espírito Santo estava entre as metas, sem nenhum bahá'í. A Assembléia Nacional convocou os bahá'ís a abrirem os Estados virgens.

O sr. Habib Taherzádeh, valioso e destemido soldado de Bahá'u'lláh, de Curitiba, chegou à Vitória em abril desse ano e durante um mês dedicou-se à Proclamação da Causa através do jornal "A Gazeta". Anunciou o curso por correspondência e entrou em contato com um esperantista, professor Gilson Passos. Três pessoas pediram e receberam o curso. Uma delas foi o jovem Pedro Secato, que, mais tarde, tornou-se amigo dos bahá'ís e foi professor de Direito Internacional na Universidade de João Pessoa, Estado da Paraíba. O Professor Gilson, em 1981, tornou-se bahá'í.

Nesse mesmo período, a família Foroughollah Maani, que residia no Irã e a família do Dr. Razi Abassi Milani, que desde 1956 vivia em Porto Alegre, obedecendo à sugestão da Assembéia Espiritual Nacional dos Bahá'ís do Brasil, vieram como pioneiras para um estado virgem, o Espírito Santo.

A família Maani chegou ao Espírito Santo em fevereiro de 1969 e os membros do núcleo familiar do Dr. Milani aqui se estabeleceram em março do referido ano. Na residência dessas famílias foram realizadas as primeiras reuniões bahá'ís.

Inicialmente, o grupo decidiu, como plano de ensino, criar amizades por meio de jantares, chás, visitas regulares aos novos amigos, organização de piqueniques. A decisão era aproveitar todas as oportunidades para divulgar a Fé.

O primeiro contato da sra. Touba Maani foi a jovem Lauricéia das Dores Ramos, apelidada de Suzy e contratada por srª Touba para lhe ensinar português. Mas, nas aulas, quem falava era a aluna Touba, que, mal conseguindo se expressar, ensinava a Fé a Suzy, que veio a ser a primeira bahá'í de Vitória. Esta integrou-se ao grupo como secretária de atas, participando das reuniões e do ensino da doutrina.

Ano 1969

Novas pessoas aceitaram a Fé, como Guiomar Campostrini Salume, Marina Valadão Gomes, Maria Helena Soares e Silvio Silveira.

No dia 9 de junho de 1969, foi realizada a primeira reunião "fireside" com apenas um contato, com projeção de slides do Congresso de Londres. Essas reuniões prosseguiam duas vezes por semana, às 2ªs. e 5ªs. feiras.

A biblioteca foi organizada. Os jovens do grupo procuravam entrar em contato com professores e colegas, oferecendo-lhes livros e convidando-os para as reuniões.

Em agosto do mesmo ano, a comunidade de Vitória teve o prazer de receber a visita de um Membro do Corpo Auxiliar, sr. Hooper Dumbar, que aqui ficou por 24 horas e muito incentivou o ensino em todo o estado.

Um dos primeiros trabalhos dos pioneiros foi visitar, no dia 9 de setembro, o jornal " A Gazeta". Nasceu daí uma feliz amizade com um dos diretores, General Darcy Queiróz, que simpatizou muito com o grupo e cuja amizade foi cultivada através de visitas constantes por todos esses anos.

Ano 1970

Em 1970, Vitória recebeu a visita do Dr. Ernani Mentz, bahá'i de Porto Alegre, que visitou "A Gazeta ", onde conheceu o General Darcy, já amigo dos pioneiros. Naquela ocasião, aquele jornal cedeu aos bahá'ís uma coluna semanal intitulada "Lampejos da Unidade", na qual, por mais de um ano, foram publicados os artigos que o dr. Mentz mandava da capital do Rio Grande do Sul. No mesmo jornal, foi publicada a Epístola do Casamento por ocasião do enlace da filha do diretor. (Anexo nº 2)

Também estiveram aqui o srs. Edmund Miessler e seu filho Robert. Ambos fizeram reuniões com os contatos, e muito incentivaram os pioneiros.

Sempre com reuniões de orações, estudo, "fireside", os pioneiros prosseguiam no seu trabalho de ensino, fazendo contatos pessoais e planos para formar a 1ª Assembléia Espiritual Local de Vitória, que se constitui em órgão administrativo, formado de nove membros, com o objetivo de coordenar as atividades da localidade.

Ano 1971

Já então com nove bahá'ís adultos, a comunidade se reuniu em 21 de abril de 1971, obedecendo ao calendário bahá'í, na residência do sr. Maani, para comemorar a Festa do Ridvan (Declaração de Bahá'u'lláh) e eleger a 1ª Assembléia Espiritual Local de Vitória. Tendo sido a sra Touba Maani designada Membro do Corpo Auxiliar no Brasil (pessoa designada para servir no setor de ensino e proteção, não possuindo autoridade administrativa), o restante dos membros adultos, em número de nove, formou a 1ª Assembléia Espiritual Local, sem haver necessidade de efetuar eleição propriamente dita. Foram indicados os seguintes membros, conforme Quadros nº 1 e nº 2

Quadro nº 1

MEMBROS DA PRIMEIRA ASSEMBLÉIA LOCAL DE VITÓRIA. ANO: 1971

srª Guitty Masrour Milani - Coordenadora

srª Guiomar Campostrini Salume - Vice-Coordenadora

sr. Razi Abassi Milani - Secretário de Correspondência

srª Marina Valadão Gomes - Secretária de Atas
sr.Foroughollah Maani-Hessari - Tesoureiro

srª Athyê Chayani, srª Djamilé Milani, sta. Maria Helena Soares, sr.Silvio Silveira - Vogais

Logo, a Assembléia Espiritual Local recém eleita traçou planos de ensino e consolidação: reunião de estudo com os jovens, aulas para crianças, visitas aos alunos do curso por correspondência. Nos seus planos, havia o firme propósito de levar a Fé às autoridades municipais e estaduais.

Quadro nº 2

MEMBROS DAS ASSEMBLÉIAS LOCAIS DE VITÓRIA. PERÍODO: 1971/1980

N° DE ORDEM DATA DA ELEIÇÃO MEMBROS

21/04/1971

1) Atyé Chayani, 2) Djamilé Milani, 3) Faroughollah Maani-Hessari , 4) Guiomar Campostrini Salume, 5) Guitty Masrour Milani, 6) Marina Valadão Gomes, 7) Maria Helena Soares, 8) Razi Abassi Milani, 9) Silvio Silveira


21/04/1972

1) Atyé Chayani, 2) Djamilé Milani, 3) Faroughollah Maani-Hessari , 4) Guiomar Campostrini Salume, 5) Guitty Masrour Milani, 6) Marina Valadão Gomes, 7) srªOrleny, 8) Razi Abassi Milani, 9) Silvio Silveira


21/04/1973

1) Flavio Luis Scherer, 2) Faroughollah Maani-Hessari , 3) Guiomar Campostrini Salume, 4) Guitty Masrour Milani, 5) José Carlos Carreiro, 6) Marina Valadão Gomes, 7) Razi Abassi Milani, 8) Saed Maani-Hessari, 9) Said Maani-Hessari


21/04/1974

1) Antonio Baptista Sobrinho, 2) Djamilé Milani, 3) Flavio Luis Scherer, 4) Faroughollah Maani-Hessari, 5) Guiomar Campostrini Salume, 6) Guitty Masrour Milani, 7) Marina Valadão Gomes, 8) Razi Abassi Milani, 9) Said Maani-Hessari


21/04/1975

1) Antonio Baptista Sobrinho, 2) Djamilé Milani, 3) Flavio Luis Scherer, 4) Faroughollah Maani-Hessari, 5) Guiomar Campostrini Salume, 6) Guitty Masrour Milani, 7) Holdar Javarini, 8) Razi Abassi Milani, 9) Said Maani-Hessari


21/04/1976

1) Diane André, 2) Guitty Masrour Milani, 3) Guiomar Campostrini Salume, 4) José Carlos Carreiro, 5) Razi Abassi Milani, 6) Richard André, 7) Regina Carreiro, 8) Said Maani-Hessari, 9) Vitório Koeller


21/04/1977

1) Antonio Baptista Sobrinho, 2) Guiomar Campostrini Salume, 3) Maria José de Oliveira, 4) Razi Abassi Milani, 5) Saed Maani-Hessari, 6) Guitty Masrour Milani, 7) Said Maani-Hessari, 8) Shahla Maani-Hessari, 9) Valter Gomes do Nascimento


21/04/1978

1) Antonio Baptista Sobrinho, 2) Guiomar Campostrini Salume, 3) Maria José de Oliveira, 4) Razi Abassi Milani, 5) Saed Maani-Hessari, 6) Said Maani-Hessari, 7) Shahla Maani-Hessari, 8) Soussan E. Maani-Hessari, 9) Zenilton Meira


21/04/1979

1) Antonio Baptista Sobrinho, 2) Guiomar Campostrini Salume, 3) Ludiar de Aguiar Barros, 4) Mauro Daniel Rosa, 5) Razi Abassi Milani, 6) Robert Lowe, 7) Saed Maani-Hessari, 8) Shahla Maani-Hessari, 9) Soussan E. Maani-Hessari

10ª
21/04/1980

1) Antonio Baptista Sobrinho, 2) Guiomar Campostrini Salume, 3) Ludiar de Aguiar Barros, 4) Mauro Daniel Rosa, 5) Razi Abassi Milani, 6) Richard André, 7) Robert Lowe, 8) Saed Maani-Hessari, 9) Soussan E. Maani-Hessari

A comunidade Bahá'í de Vitória sempre comemorou com intensa programação os Dias Sagrados. O envolvimento e a participação de todos os membros em todas as comemorações demonstram respeito ao fato que dá origem à festa, em total reverência a esses heróis da Fé.(Quadros nº 3 e nº 4).

Quadro nº3
CALENDÁRIO DE DATAS COMEMORATIVAS E DIAS SAGRADOS
DATAS COMEMORATIVA S E DIAS SAGRADOS BAHÁ'ÍS
DATA
01 - FESTA DE NAW-RÚZ (ANO NOVO)* 21/03
02 - FESTA DO RIDVAN - 1º DIA* 21/04
03 - FESTA DO RIDVAN - 9º DIA * 29/04
04 - FESTA DO RIDVAN - 12º DIA* 02/05
05 - FESTA DA DECLARAÇÃO DO BÁB* 23/05
06 - ASCENSÃO DE BAHÁ'U'LLÁH* 29/05
07 - MARTÍRIO DO BÁB* 09/07
08 - ANIVERSÁRIO DO BÁB* 20/10
09 - ANIVERSÁRIO DE BAHÁ'U'LLÁH* 12/11
10 - DIA DO CONVÊNIO* 26/11
11 - ASCENSÃO DE 'ABDUL'BAHÁ* 28/11
12 - DIAS INTERCALARES - AYYÁM'I'HÁ* 26/02
13 - DIAS INTERCALARES - AYYÁM'I'HÁ* 27/02
14 - DIAS INTERCALARES - AYYÁM'I'HÁ* 28/02
15 - DIAS INTERCALARES - AYYÁM'I'HÁ* 01/03
* Datas consideradas sagradas
Quadro nº 4
CALENDÁRIO DAS FESTAS DE 19 DIAS
FESTAS DE 19 DIAS
DATA
01 - FESTA DE 19 DIAS - BAHÁ - Esplendor - 21/03
02 - FESTA DE 19 DIAS -JALÁL - Glória - 09/04
03 - FESTA DE 19 DIAS -JAMAL - Beleza - 28/04
04 - FESTA DE 19 DIAS -'AZAMAT - Grandeza -17/05
05 - FESTA DE 19 DIAS -NUR - Luz - 05/06
06 - FESTA DE 19 DIAS -RAHMAT - Mercê - 24/06
07 - FESTA DE 19 DIAS -KALIMAT - Palavras - 13/07
08 - FESTA DE 19 DIAS -KAMÁL - Perfeição - 01/08
09 - FESTA DE 19 DIAS -ASMÁ - Nomes - 20/08
10 - FESTA DE 19 DIAS -ÍZZAT - Força - 08/09

11 - FESTA DE 19 DIAS -MASHÍYYAT - Vontade - 27/09

12 - FESTA DE 19 DIAS -'ILM - Sabedoria - 16/10
13 - FESTA DE 19 DIAS -QUDRAT - Poder - 04/11
14 - FESTA DE 19 DIAS -QAWL - Discurso - 23/11

15 - FESTA DE 19 DIAS -MASA'IL - Perguntas - 12/12

16 - FESTA DE 19 DIAS -SHARAF - Honra - 31/12
17 - FESTA DE 19 DIAS -SULTÁN - Sabedoria - 19/01
18 - FESTA DE 19 DIAS -MULK - Domínio - 07/02

19 - FESTA DE 19 DIAS -'ALA' - Sublimidade - 02/03

Como se sabe, existe registro de vários calendários, hoje em desuso, que orientavam a vida dos diversos povos.

Cada um desses calendários era a expressão da cultura, costume e necessidade desses povos, e se consolidavam em crenças religiosas.

As Dispensações dos Manifestantes de Deus, período que se inicia com a proclamação de Sua missão até a vinda do próximo Manifestante, são regidas por ensinamentos morais/espirituais e sociais. Dentre os sociais, encontra-se a adoção de um novo calendário. Assim, houve um calendário judeu, um cristão, um maometano, etc. Mas nem sempre foram os próprios Mensageiros divinos que estipularam o calendário. Muitas vezes, ele surgia por consenso entre os seguidores ou por orientações dos líderes da religião.

Após passar por algumas reformas, o calendário cristão, conhecido também como gregoriano, é utilizado atualmente em grande parte do mundo.

O início da Era Bahá'í é datado de 21 de março de 1844. O ano bahá'í coincide sempre com o início da primavera no hemisfério norte e outono no hemisfério sul. O início da primavera é um evento mágico, milagroso; é o renascer da vida. Nada então é mais natural do que se comemorar o ano novo nessa data. Ela também apresenta outras caracteristicas:

* Antigas civilizações de que se tem registro, como a antiga Babilônia e a antiga Pérsia, comemoravam o ano novo em 21 de março.

* Ela marca o início do ano solar astronômico. E é neste dia que pessoas ligadas à astronomia comemoram o início do ano.

* É a data de referência utilizada pelos cristãos para o cálculo de domingo de Páscoa, sua principal festa.

Segundo 'Abdu'l-Bahá, o intérprete autorizado dos escritos bahá'ís e filho de Bahá'u'lláh, o mais importante é que neste dia, o sol ilumina igualmente ambos os hemisférios do planeta, simbolizando a unidade. "Passamos por calor e frio até chegarmos à estação amena. O equinócio é o símbolo da manifestação de Deus".

Diferentemente das outras Dispensações, o calendário bahá'í, também conhecido como Badí (novo), foi idealizado pelo Báb, precursor da Fé Bahá'í e posteriormente confirmado por Bahá'u'lláh como o calendário para a era da unidade.

Assim como concebido pelo Báb, esse calendário possui 19 meses, e cada mês 19 dias, perfazendo um total de 361 dias.

Por se tratar de um calendário solar, havia a necessidade de se acrescentar a ele mais 4 ou 5 dias, de forma a se completar o ano solar.

Esses dias foram chamados de Dias Intercalares, os quais foram posicionados antes do último mês bahá'í.

O Báb determinou que os meses no calendário Badí tivessem os nomes dos atributos divinos, os quais são: Esplendor, Glória, Beleza, Magnificência, Luz, Misericórdia, Palavras, Perfeição, Nomes, Força, Vontade, Conhecimento, Poder, Discurso, Perguntas, Honra, Soberania, Domínio e Sublimidade.

"Ó vós filhos do reino!
É o ano Novo, isto é, completa-se
o ciclo do ano. Um ano é a
expressão de um ciclo. mas
agora é o começo de um Novo
Ciclo, uma Nova Era, um
Século Novo, um Novo Tempo
um Ano novo. É, pois, muito
abençoado."
Abdu'l-Bahá
Ano 1972

Em julho de 1972, organizado pela Assembléia Espiritual Local de Vitória, com a duração de cinco dias, foi realizado o Conferência Nacional de Ensino com a participação dos Conselheiros sr. Massud Khamsi, sr. Donald Witzel e sr. Hoopor Dumbar, e amigos de Porto Alegre, São Paulo, Guanabara, Niterói, Belo Horizonte e Bahia também estiveram presentes. O Cannes Palace Hotel foi sede de uma exposição e da Conferência Pública cujo painel foi formado pelo sr.Hooper Dumbar, sr.Q.Soltani, sr. Hoeck Miranda, Professora Bernardete Lyra, Professor Arabelo do Rosário e sra. Guitty Masrour Milani.

Em agosto foi realizado o primeiro Instituto Bahá'í, com a participação de vinte e cinco Bahá'ís de Jardim Colorado, dois colaboradores da Bahia e treze de Vitória, totalizando quarenta participantes.

Em outubro, a Assembléia Espiritual Nacional autorizou a Assembléia Espiritual Local a providenciar seu registro oficial. Logo em seguida, foram pedidos ao Cartório de Registro Civil a inscrição e arquivamento dos estatutos, para que a Assembléia Espiritual Local fosse registrada. Nesse mês, recebeu-se a visita da srta. Marvel Grey e do sr. Jerry Bagley, que durante vários dias acompanharam os bahá'ís de Vitória nas visitas de ensino à Serra, a Jardim Colorado e nas reuniões de estudo.

Por ocasião do aniversário de Bahá'u'lláh, houve uma grande reunião com bastante contatos. Os bahá'ís de Jardim Colorado, aproveitando a oportunidade, elegeram a sua Assembléia Espiritual Local.

Em dezembro, a sra. Touba regressou da Escola de Verão em Lima, trazendo vários slides e os levou para serem revelados no estúdio de Flávio Sherer, que na ocasião, conheceu a Fé. Quando Flávio se tornou Bahá'í, trouxe vários amigos, como José Carlos, Heli Santos Zaché e Norberto Campos Filho. A família Campos residente em Itaquari (Cariacica), depois de estudar a doutrina bahá'í, aceitou a Fé colocando a casa à disposição para as reuniões, sendo aberta mais uma localidade à Causa.

Ano 1973

No mês de janeiro de l973, a comunidade capixaba recebeu visitantes ilustres: o jovem acadêmico Hoeck Miranda, de Brasília e duas jovens americanas, pioneiras no Paraguai: Judy Hardacre e Any Sharar. Alegraram as reuniões para os jovens com músicas e canções.

Seguindo sempre as orientações da Assembléia Nacional, tiveram continuidade o trabalho de expansão, as reuniões espirituais uma vez por semana, com leitura de trechos sagrados e, aos domingos, as reuniões para os jovens.

Várias atividades foram desenvolvidas pela comunidade de Vitória, como o registro da Assembléia de Jardim Colorado, a participação da delegação na Convenção Nacional, realizada em Belo Horizonte, a exposição no SESC, ilustrada com todos os princípios da Fé, comemorando o dia das Nações Unidas e o envio de livros Bahá'ís para várias bibliotecas.

Em novembro a comunidade de Jardim Colorado recebeu sua sede local.

Ano 1974

Como parte do Plano de Cinco Anos, coube à comunidade de Vitória realizar contato com os índios Macaxalís em Nanuque, em Minas Gerais e Kirirís, em Mirandela, na Bahia. O Dr. Razi e o sr. Suélio Siqueira, de Belo Horizonte, dirigiram-se para o território mineiro e a família Milani, com Telmelita Campos, visitaram a região baiana.

A comunidade Bahá'í de Vitória recebeu novos membros; Maria Cláudia Garcia Santos, Antonio Baptista Sobrinho, Adão Barreto Sobrinho, Leôncio Vieira Carneiro, Bernardete Lyra Barbosa Lima, Paulo Castelar Perim, Sérgio Matos Firmino, Ademir Pzolini, Ludiar de Aguiar Barros, Maria Elvídia Kinaki, Elizabeth, Aridelson. (anexo nº 1)

A bahá'í Telmelita Campos se levantou como pioneira para a cidade de Governador Valadares (MG), onde passou a trabalhar para garantir o seu sustento e para ensinar a Amada Fé.

Foi comemorado em novembro o aniversário de Bahá'u'lláh com uma grande festa. Também nesse mês houve outro grande acontecimento, que foi a visita da Mão da Causa Dr. Muhajir, o qual fez várias reuniões com os bahá'ís locais e os de Jardim Colorado.

As reuniões da comunidade passaram a ser realizadas em um salão no centro da cidade de Vitória, na rua Sete de Setembro nº154. gentilmente cedido pelo sr. Maani.

Ano 1975

A festa de Naw-Rúz do ano bahá'í. 131 foi muito bem planejada pelo Comitê Regional de Juventude, encantando a todos os presentes, aproximadamente cento e cinqüenta pessoas. Coroando o evento houve a declaração de dois jovens.

Em prosseguimento aos planos da Assembléia, aconteceu em Jardim Colorado uma apresentação do Casamento Bahá'í e a encenação da organização de uma Assembléia. Em seguida, precedida de ampla divulgação nos meios de comunicação citadinos, houve um ciclo de palestras na UFES, ilustradas por slides e músicas, finalizando-se o evento com três declarações.

No período de 27 de julho a 2 de agosto do ano em curso, após campanha de divulgação, teve lugar a 1ª Escola de Inverno do Brasil, realizada no CALIR, município de Viana, próximo da cidade de Vitória, reunindo bahá'ís de quinze comunidades, inclusive da Colômbia. No sábado, dia 26, os membros da Assembléia Espiritual Nacional participaram da reunião de ensino e confraternização no Instituto de Jardim Colorado. Esteve presente D. Leonora Armstrong, que foi entrevistada pelo jornal "A Tribuna".(27/7). O ponto alto da Conferência foi um painel formado por cinco bahá'ís de Brasília, Porto Alegre, Vitória e São Paulo sobre o tema "Unidade Mundial à Vista", assistido pelos participantes .

A comunidade baha'i capixaba foi enriquecida pelas novas declarações de Ruth da Conceição Goulart, Rosana Conceição Goulart, Vilma Ferreira dos Santos, Valdecy Marculino Ramos, Marise Braga Guimarães, Virginia Maria Spinassé e Oscarlene Barroso Loureiro.

Foi realizada uma visita a Governador Valadares, para dar apoio à pioneira Telmelita Campos. Uma caravana foi formada por doze jovens (Jardim Colorado, Itaquari e Vitória): Antonio, Lia, Shahla, Tânia, Carlos, Paulo, Sandra, Norberto, Ludiar, Rosana, Regina e José Carlos. Visitaram todos os bahá'ís e os contatos, realizando atividades de proclamação de ensino e consolidação, tendo como resultado seis declarações.

Ainda nesse ano, foram feitas duas visitas a Governador Valadares, por ocasião da eleição daquela Assembléia.

Em maio aconteceu a visita da Mão da Causa Dr. Adalbert Muhllschlegel e esposa, que chegaram no dia da comemoração da declaração do Báb, ocasião em que pronunciou palestra sobre a história do Báb em língua castelhana. Sua visita foi coroada de êxito, tendo sua esposa ministrado aulas sobre a "Importância das Assembléias Espirituais Locais e suas Funções".

De Jardim Colorado saiu mais uma pioneira: Virginia Spinassé, que se ofereceu para Recife. Enquanto isso, Zenilton, Paulo Perim e José Carlos foram escolhidos para formar o Comitê de Música para a organização de um coral.

Na Convenção Nacional realizada em Jandira, São Paulo, foi lançado o Curso de Desenvolvimento Comunitário (CODESCO). Os baha'ís de Vitória e Jardim Colorado realizaram estudos regulares nos moldes do CODESCO, na sede de Jardim Colorado. E o curso por correspondência contava com mais de cem alunos.

Levantaram-se outros pioneiros bahá'ís capixabas para vários estados. A srª Maria das Graças Furtado Maciel, com seu esposo e filhos (não bahá'ís), mudaram-se para Manhumirim, Minas Gerais, abrindo, assim, uma nova localidade para aquele estado. E o jovem Carlos Antonio Pereira, de Jardim Colorado, seguiu para Brasília.

A srª Touba Maani e Dr. Razi Milani compraram um terreno em Jardim da Penha, medindo 470 m² doaram à Fé para ser construída, no futuro, a Sede Bahá'í de Vitória. O terreno foi oferecido pelos irmãos Razi e Touba em memória do seu pai e irmão falecidos há muitos anos no Irã e que, certamente, teriam muita alegria de poder fazê-lo, se fossem vivos.

Muita alegria para a comunidade brasileira: a Assembléia Espiritual Nacional anunciou, na Carta de 19 Dias (19|10|75), a vinda da Mão da Causa, sr. Enok Olinga, ao Brasil. Vinha para representar a Casa Universal de Justiça na Conferência Internacional de Ensino a se realizar na Bahia, em janeiro de 1977.

No dia 24 de outubro, "A Gazeta" publicou um artigo sobre as Nações Unidas, incluindo o artigo recebido do sr. Walber Garcia. Para comemorar essa data, houve uma palestra sobre "Direitos Humanos e a Fé Bahá'í" no auditório do SENAC, onde estava organizada uma exposição sobre os princípios da Fé. No dia 30, houve uma Conferência Pública sobre as Nações Unidas e o Ano Internacional da Mulher no auditório da Sub-Reitoria da Universidade Federal do Espírito Santo, sendo oradores a sra. Bernardete Lyra e Dr Razi Milani.

No final do ano, entre outros, eram estes os bahá'ís adultos de Vitória: Antonio, Diana, Djamilé, Flávio, Foroughollah, Guiomar, Guitty, Holdar, José Carlos, Ludiar, Oscarlene, Razi, Regina, Richard, Saed, Said, Sharla, Touba, Valter e Vitório.

Ano 1976

Iniciou-se o ano de l976 com a realização de dois casamentos bahá'ís: Heli Santos Zaché com a srtª Dalva Vieira e José Carlos Carreiro com Regina Maria Eira.

A Assembléia Espiritual Local enviou uma carta ao sr Paulo de Penha Batista, confirmando sua posição como maestro do Coral Bahá'í de Vitória e desde já, oferecendo passagem e estada durante a Conferência Internacional da Bahia, a realizar-se em janeiro de 1977.

Vitória recebeu uma família americana de pioneiros, Richard e Diane André, e um casal de Vitória parte rumo a uma meta nacional: José Carlos e Regina prometem ir para Belém do Pará, após a Conferência Internacional da Bahia.

A Festa de Naw-Rúz foi comemorada em casa de Oscarlene, no bairro Ilha de Santa Maria, com a participação de cento e vinte pessoas. Um grupo de jovens apresentou um teatrinho, satirizando o método antigo de casamento e demonstrando a simplicidade e a seriedade do casamento bahá'í. Nesse mês, houve duas declarações: Walter (Vitória) e Iris (Cariacica).

O Dr. Vitório Koeller com sua família aqui se estabeleceu, vindo da cidade de Juiz de Fora. Engenheiro, propôs-se a fazer o projeto de construção da Sede Bahá'í, em Jardim da Penha.

Zenilton e Oscarlene foram nomeados para dirigir o curso por correspondência, e Maria José Marques tornou-se nova bahá'í do IBES.

O plano de ensino local fixou a organização de duas Assembléias Espirituais Locais até o próximo Rídvan: o bairro de Fátima com início imediato e, posteriormente, São Diogo I e II.

O sr. Olinga, Mão da Causa, chegou à cidade no dia 15 de novembro, às 11 horas da manhã. Muitos bahá'ís estavam presentes no aeroporto. Depois do almoço, acompanhado por membros da comunidade, foi visitar os amigos de São Diogo e Bairro de Fátima.Visitou os membros do Comitê das Crianças, que estava reunido. À noite, houve um reunião bastante animada com bahá'ís de todas as comunidades da Grande Vitória. Depois de sua palestra, o Coral apresentou alguns números. No dia 16, à tarde, apresentou uma palestra no auditório do Centro de Artes da UFES para mais de sessenta alunos e professores cujo tema foi "A Nova Raça Humana", ocasião em que foram oferecidos folhetos e curso por correspondência. No mesmo dia, à tardinha, o sr Olinga e alguns bahá'ís foram visitar os amigos de Itaquari, que ficaram muito felizes em abraçar a Mão da Causa. No dia 17, antes de embarcar para Belo Horizonte, o sr Olinga recebeu a visita de vários bahá'ís do bairro de Fátima, os quais ficaram muito comovidos e felizes. Para as comunidades do Espírito Santo, foi uma bênção receber a visita da Mão da Causa de Deus. Ele trouxe muita alegria, muito amor e uma grande sabedoria que encantou a todos.

Em 31 de dezembro de 1976, a comunidade bahá'í congregava vinte e sete adultos, doze jovens e cinco crianças.

Ano 1977

Para a Conferência Internacional da Bahia, a realizar-se no período de 27 a 30 de janeiro de l977, a comunidade bahá'í do Espírito Santo preparou um Coral, fundado a 15 de maio de1976, sob a regência do maestro Paulo da Penha Batista, com a participação de 12 membros. Uma grande delegação com bahá'ís de todas as comunidades da Grande Vitória também pretendia fazer-se presente.

O Conselheiro sr. Raul Pavón chegou no dia 9 de abril e à noite, reuniu-se com toda a comunidade, ocasião em que anunciou a nomeação da srª Guitty Milani como Membro do Corpo Auxiliar para Proteção. Falou sobre a importância de se formar um centro de preparação de programas de rádio, com o objetivo de consolidação em grupos, o que exigiria equipamentos no valor mínimo de CR$20.000,00. Nesse momento, houve uma contribuição no valor de CR$20.145,00 para essa finalidade. Sendo assim, o sr. Raul Pavón se comprometeu a voltar à comunidade para dar orientações necessárias para a preparação dos programas. A comunidade, posteriormente, conseguiu programa diário na Rádio Vitória, no horário matinal (de 5h55min. às 6 horas), o que permaneceu durante nove anos.

Em setembro, baha'is de Vitória e de Belo Horizonte visitaram Manhumirim, onde foram hospedados na casa da srª Maria das Graças Maciel, irmã de Zenilton Meira, baha'i de Vitória. Fizeram um magnífico trabalho de proclamação, que resultou em várias declarações.

Na festa de aniversário do Báb, dia 20 de outubro, contou-se com a presença de cinqüenta pessoas e o Coral apresentou alguns números que agradaram muito. Na festa de aniversário de Bahá'u'lláh, comemorada em casa da família Maani, havia cinqüenta e três pessoas, inclusive contatos, num ambiente de bastante alegria.

Uma das metas da Assembléia já foi cumprida: Foi formada a Assembléia Espiritual Local de Goiabeiras, no dia 19 de dezembro.

Foi organizada uma delegação de trinta e sete pessoas e membros do coral para a Conferência Internacional do Brasil, no Estado da Bahia. O ônibus da viação Itapemirim foi devidamente personalizado por uma faixa com os seguintes dizeres: "Delegação Bahá'í à Conferência Internacional Bahá'í - Bahia". A saída da caravana foi precedida por filmagem realizada pela TV Gazeta e pela apresentação do Coral, a qual foi muito aplaudida.

As comunidades vizinhas participaram da Festa de Naw-Rúz, no dia 20 de março. O Coral apresentou várias canções.

Para 1977, a Assembléia Espiritual Local nomeou um único Comitê, o Comitê Local de Juventude, para ser o responsável pela organização dos outros Comitês. Estabeleceu a Assembléia Espiritual Local temas do plano de ensino, que foram os seguintes:

01 - Plano Financeiro
02 - Expansão em Vitória
03 - Casa Aberta
04 - Radio e Jornal
05 - Curso por Correspondência
06 - TV com Coral
07 - Metas Individuais
08 - Exposição de Livros
09 - Orações Matinais
10 - Aulas para Crianças
11 - Reuniões de Estudos
12 - Visita às Famílias Bahá'ís
Quadro nº 5

Os bahá'ís de Vitória receberam com muita alegria e confraternização a visita da srª Nilza Taetz, no primeiro semestre desse ano.

O registro da Assembléia foi efetuado, assegurando, assim, a sua personalidade jurídica. Também foi registrada a Assembléia Espiritual Local de Jardim Colorado como cumprimento de uma das metas do Plano de Cinco Anos. O Comitê Regional de Ensino do Espírito Santo mandou uma carta de felicitações à recém-formada Assembléia Espiritual Local de São Diogo.

No dia 07 de agosto, realizou-se a reunião do PRODESCO - Programa de Desenvolvimento Comunitário - com a participação de setenta e cinco pessoas de várias comunidades: Vitória, Cariacica, Jardim Colorado, São Diogo e Goiabeiras.

A comunidade Bahá'í de Vitória sempre se colocou atuante, presente em todos os eventos da capital. Assim, participou da Feira do Livro, expondo o material bahá'í na barraca da Livraria Capixaba.

O Comitê Local de Juventude realizou reuniões Tocha, com a finalidade de estudar a vida dos primeiros mártires bahá'ís. E por sugestão da Assembléia Espiritual Local, foi confeccionada por Valter uma placa com os dizeres "Bahá'u'lláh está presente", para ser colocada na mesa durante as reuniões. O trabalho ficou muito bonito.

A Sede Bahá'í foi inaugurada no dia 11 de setembro de 1977. O Dr. Yusof Abbassian (primo da sra Touba e Dr Razi, membro do Corpo Auxiliar de Proteção no Irã) participou da festa, doando os lustres em nome da sua mãe (Tahirih Abbassian). O dr. Yusof Abbassian foi martirizado no Irã em 1979. A placa de inauguração, a pedido dos irmãos Razi e Touba, foi inscrita, em nome da sua mãe Djamille, que dedicou à memória do seu marido e filho.

O primeiro evento realizado na Sede bahá'i foi o casamento de Moisés e Maria José, em 11 de setembro. Estavam presentes bahá'is de toda a Grande Vitória: Itaquari, Goiabeiras e Vitória. Presentes também as famílias Eftekharii e Andrade, de Belo Horizonte. A noiva entrou na Sede com o cântico de Allah'u' Abhá. Foram feitas orações de Unidade, Louvor e Casamento por membros das várias comunidades. O coordenador da Assembléia Espiritual Local falou algumas palavras a respeito do casamento bahá'i, de sua simplicidade, importância e responsabilidade. Foi lida a ata do casamento e os noivos pronunciaram, um de cada vez, a promessa nupcial e no final, foi lida a Epístola do Casamento.

Morreu no dia 27 de outubro o sr Motiejus Diciunas, bahá'i de Jardim Colorado, nascido em 10 de junho de 1907. Era lituano e veio para o Brasil com dezessete anos, por causa da guerra. Era técnico ortopédico, casado e tinha dois filhos. Morava no Rio de Janeiro, e em 1972 veio para o Espírito Santo. Em 1974, já era bahá'í. Era grande conhecedor da Bíblia e foi através dela que reconheceu Bahá'u'lláh.

Foi enviada a Paulo, fotógrafo não bahá'i, uma carta com agradecimentos. Ele fez um poster de 'Abdu'l-Bahá, e doou a fotografia, não aceitando pagamento. Também foi mandada uma carta ao sr. Vitório Koeller, com uma fotografia da Sede Bahá'í e os agradecimentos, pois foi ele o engenheiro que projetou a planta da mesma.

O sr. Athos Costa, membro do Corpo Continental de Conselheiro, visitou a comunidade. Teve encontro na Sede Bahá'í com amigos da Grande Vitória. No dia 23 de setembro, apresentou palestra na UFES sobre "A Evolução Espiritual do Homem Moderno", e completando esse ciclo de palestras, o Dr. Razi, no dia 14 de outubro, discorreu sobre o tema "Evolução da Mulher Através da História". Em novembro, verificou-se na Secretaria da Agricultura outra palestra do Dr. Razi.

No dia 19 de outubro, à noite, na Sede em Jardim da Penha, foi comemorado o nascimento do Báb com muitos contatos e duas declarações: Edson Tadeu e Rose.

Foi realizado durante a Conferência Nacional de Ensino em Pati de Alferes, no Hotel Arcozelo, RJ, o casamemto de Saed Maani e Soussan Eftekhari. Com a realização desse enlace, Vitória ganhou mais uma bahá'i, pois Soussan era da comunidade de Belo Horizonte.

Novos adeptos eram conquistados para a Fé, como: Isis de Oliveira Melo, residente em Santo Antônio. Louvando o crescimento e as conquistas da Fé no Espírito Santo, prosseguiam as orações matinais na Sede Bahá'í todos os domingos, às 8 horas.

A Fé Bahá'í sempre se destacou pela sua preocupação com o ensino das crianças, sendo toda a programação preparada com muito cuidado e apreço. No ano de 1977 a elaboração e confecção do material estiveram a cargo da bahá'i Shahla Maani-Hessari e sua equipe, constituída pelos professores Ludiar, Rosana, Luiza, Ruth, Maria José, Fátima, Diana e Paulo. Para as crianças menores, determinou-se fazer o ensino através de cinco tipos de aulas, e para as crianças maiores desenvolver estudos sobre a Vida de Bahá'u'lláh.

O pioneiro José Carlos Carreiro esteve em Vitória para rever amigos e parentes. Nessa ocasião, foi convidado por Violene para apresentar alguns números musicais na Rádio Vitória.

O Comitê Local de Juventude finalizou o seu trabalho sobre "Canções Bahá'ís", tendo enviado um exemplar à Assembléia Espiritual Nacional.

No dia 24 de dezembro, houve o enlace dos noivos Teresa Augusta Spinassé e Wilson Rocha Junior.

A Sede Bahá'í estava sempre disponível para a realização de diversos eventos. Assim, durante o ano de 1977, o sr. Gilson Passos ministrou curso de Esperanto na Sede, aberto à comunidade.

Entre outros, eram estes os bahá'is adultos de Vitória no final do ano de 1977: Antonio Baptista, Djamilé, Edna Maria, Flávio Luis, Florinda, Forougolláh, Guiomar, Guitty, Helena, Iracy, Lucrécia, Ludiar, Manoel Brito, Maria José, Nazaré, Razi, Saed, Said, Shahla, Sílvia Maria, Solange, Soussan , Touba, Valmir, Valter e Zenilton.

Ano 1978

No dia 7 de janeiro do ano seguinte (1978), houve a união de Oscarlene Loureiro e Zenilton Meira. Em 28 do citado mês, o casamento ecumênico de Flávio Luis Sherer e Maria Claudia Garcia Santos. Os noivos apresentaram documento de consentimento dos pais. Como Maria Claudia não era bahá'í, foi também observado o ritual católico, ocasião em que o padre leu a Epístola de Casamento de 'Abdu'l-Bahá.

Segundo sugestão do CODESCO, foi realizado aqui em Vitória um Simpósio sobre Assembléias Espirituais Locais, com a participação de dezenove pessoas: cinco de Cariacica, três de Itaquari, uma de Goiabeiras e dez de Vitória.

A comunidade bahá'í, através do seu Comitê de Imprensa, sempre foi presença atuante nos semanários locais, publicando artigos sobre a Fé (anexo nº 02). Além disso, nesse período de pioneirismo, possuía um jornal informativo denominado "Informativo Anis". O primeiro exemplar trouxe na primeira página uma mensagem da Assembléia Espiritual Local sobre o Naw-Rúz e um relatório de todas as atividades da comunidade local e vizinhas. A Assembléia Espiritual Local de Vitória determinou que uma resenha de todos os fatos interessantes acontecidos nas comunidades locais fossem enviada para o Boletim Nacional.

As reuniões de orações matinais passaram a acontecer no centro da cidade, em casa da família Milani, aos domingos pela manhã, às 7h.30min.

Foi recomendada a todos os Comitês a leitura do livro "Leis, História e Administração", em suas reuniões. O Comitê de Imprensa colocou anúncio do curso por correspondência nos jornais da cidade. Além disso, providenciou a venda de livros bahá'ís à Livraria Cordeiro, enfatizando intensa campanha para a divulgação da Fé.

Os pioneiros organizaram bonita festa junina na Sede Bahá'í, cuja renda foi enviada imediatamente para a Assembléia Espiritual Nacional.

O sr. Meloti e esposa passaram a ser os novos zeladores da Sede. As reuniões de Casa Aberta na Sede foram mudadas para sábado à noite. Foi pedido maior comparecimento de todos, para fazer dela uma reunião de convivência. Como a Sede necessitava de uma pintura, vários jovens se prontificaram a fazer o trabalho nos fins de semana e a Assembléia Espiritual Local agradeceu a todos que colaboraram nessa tarefa.

Na comunidade local, vários acontecimentos importantes foram registrados, principalmente no que diz respeito à divulgação da Fé, através da imprensa falada e escrita. O Comitê Local de Imprensa, sempre atento, publicou artigo em todas as comemorações e propagou o curso por correspondência.

Na ocasião da Feira Profissional realizada no SENAC, foram distribuídos aproximadamente 200 folhetos, anexos ao de orações e quatorze fatos básicos.

Um dos acontecimentos mais importantes do ano foi a participação da Editora Bahá'í na Feira do Livro, realizada no período de 20 de outubro a 10 de novembro, com a cobertura de toda a imprensa local. Na noite da inauguração, a barraca bahá'í de nº 9 (por sorteio) foi visitada pelo sr. Prefeito, pelo diretor da Fundação Cultural e outros. A Assembléia Espiritual Local decidiu que o livro a ser entregue às autoridades na noite da inauguração da Feira seria "Bahá'u'lláh e a Nova Era e Orações Bahá'ís". Durante a Feira, houve participação de muitos bahá'ís, que se revezaram em turnos até às 22 horas, aproveitando a ocasião para falar da Fé. Duas mil pessoas receberam folhetos, e a Feira do Livro foi um grande sucesso com o ensino, a proclamação e a venda de livros.

No dia 7 de outubro (EB 135), houve uma entrevista na TV Cultura com a srª Guitty Masrour Milani, José Carlos e Regina. Num encontro com o diretor, foi acertado um programa bahá'í de 15 a 20 minutos, a ser levado ao ar todas as 4ª feiras, das 21h30min às 21h45min. Esse foi um trabalho arrojado da sra Guitty Milani, com a participação de muitos bahá'ís locais e muitos outros amigos que vieram à Vitória ou como visitas ou apenas de passagem. Participaram: José Carlos e Regina de Belém do Pará; Vito Comar, de São Paulo; Marvel Grey, da Bahia; Iradj Roberto Egrari, do Rio de Janeiro; sra. Nilza Taetz, do Rio Grande do Sul; sr. Doriam Seabra de Belo Horizonte; os Conselheiros srs. Raul Pavon, Athos Costa e Shapoor Monadjem. Em todos os pontos chaves da cidade de Vitória, foram colocados cartazes, no total de cinqüenta, propagando o programa da TV Cultura "Unidade na Diversidade". O Comitê local de Imprensa e Rádio preparou sete programas com o título "Um Deus, Um Povo, Uma Verdade ", a ser levados, já gravados, à Conferência Nacional de Ensino.

Continuou o recebimento de toda a atenção por parte da Imprensa escrita e falada. No dia 20 de outubro, a Gazeta publicou um artigo sobre o nascimento do Báb. Na TV Cultura, no sábado, Guitty apresentou um programa com 44 minutos de duração e no dia seguinte, 25, juntamente com Dr. Razi, fez um programa sobre a ONU e a Fé, que durou 18 minutos.

Dois terrenos foram doados à Assembléia Nacional por pessoas da comunidade, ambos no município de Guarapari, na sede, no bairro Ipiranga.

Como se perdeu a Assembléia Espiritual Local da Serra, formou-se a Assembléia Espiritual Local de Laranjeiras, naquele município, com um grupo fazendo o ensino com bastante sucesso.

Ano 1979

Devido à situação política do Irã, a comunidade de Vitória procurou esclarecer o público sobre a posição dos bahá'ís junto ao novo governo. A Gazeta publicou um artigo enviado pela Assembléia Espiritual Nacional sobre a situação da Fé e as notícias errôneas a respeito da política do país. Várias entrevistas foram divulgadas para esclarecer a situação dos bahá'ís do Irã, na TV Gazeta, na TV Tupi, na TV Cultura e na Rádio Espírito Santo.

Durante a primeira semana de janeiro aconteceu a visita de dois Conselheiros: sr. Raul Pavón e Athos Costa e o Membro do Corpo Auxiliar sra Nilza Tahetz, os quais participaram do programa da TV Cultura em separado e se reuniram com a comunidade.

O coral continuou os ensaios para se apresentar dia 14 de janeiro, durante a Conferência Regional.

A comunidade Bahá'í de Vitória se alegrou com nascimento de Rúhiyyíh, filha do casal Soussan-Saed Maani-Hessari.

No sábado, dia 20, foi realizado o casamento de Maria Gisele Salume Xavier e Aldemar Ribeiro Xavier na residência da noiva, com a presença de trinta e cinco pessoas. Ambos ainda não eram bahá'ís. A cerimônia agradou plenamente e os noivos transmitiram seus agradecimentos à Assembléia.

No dia 24 de janeiro, foi publicado um artigo referente aos ataques da população fanática aos bahá'ís do Irã. Foi aprovado que toda a contribuição da Festa de 19 Dias fosse enviada aos irmãos iranianos.

No mês de fevereiro, houve um Instituto com a participação de sete alunos e três professores. Teve bastante êxito, tanto na participação, no aproveitamento e na convivência.

A comunidade teve a alegria de receber os irmãos Farid e Hamid Nouraini, recém-chegados do Irã e que agora passaram a conviver com a comunidade e a residir na Sede Bahá'í. Encontrava-se também em Vitória a jovem Fariba Sandri, que aqui chegou pouco antes dos irmãos Nourani.

Durante a Festa de Naw-Rúz realizada na Sede Bahá'í, houve a participação de mais ou menos oitenta pessoas. A imprensa falada e escrita, nos seus diversos segmentos (Rádio, Jornal e TV), deu ampla cobertura à comemoração, noticiando com muita ênfase o evento. A Assembléia Espiritual Local recebeu diversas congratulações, como, por exemplo, um telegrama do sr. Francisco Alfredo Lobo Junger, secretário da Agricultura. Durante essa celebração, houve a declaração de Joselina, residente em Vila Velha.

Chegou uma carta do Comitê Nacional de Proclamação, datada de 21 de março de 1979, parabenizando a comunidade pelo sucesso dos programas bahá'ís de rádio e pedindo maiores detalhes sobre essa atividade. Foi enviada uma cópia de todos os programas batidos à máquina, anexos a uma fita K7 com alguns programas gravados para servir de modelo. E os bahá'ís de Vitória receberam com muita alegria uma nova declaração: Mauro Daniel da Rosa.

Desde muitos anos, os jovens de Vitória faziam reuniões de enriquecimento espiritual com bastante sucesso. Estudaram os livros "O Novo Jardim", "O Esplendor da Verdade" e "Bahá'u'lláh e a Nova Era". Depois mudaram para reuniões Tochas com o mesmo êxito. No período em curso voltaram aos estudos dos livros e terminaram "O Advento da Justiça Divina", passando a estudar o "O Livro da Certeza". Essas reuniões realizaram-se em casa da família Maani, sendo a srª Touba a principal professora.

Aproximadamente trinta pessoas da Grande Vitória estiveram na Convenção Nacional realizada em Belo Horizonte nos fins de abril. Mais duas declarações foram recebidas nos últimos meses: Celina e o sr Zaldivar Amigo. E este último se declarou na Festa do Báb e desde o dia 5 de maio, a sra. Guitty passou a participar de um programa na TV Tupi sobre assuntos ligados à mulher.

Foi apresentada na Assembléia Espiritual Local a lista com o nome dos alunos do curso por correspondência. Foi enviada uma carta a todos eles, falando das atividades locais, dando endereço da Sede e os dias de reuniões. Como havia no jornal "A Gazeta" uma coluna mensal e permanente para a publicação de artigos, além de anunciar os dias comemorativos, pretendia-se anunciar mais uma vez o curso por correspondência. Esse semanário publicou, no dia 5 de maio, um artigo sobre "Origem e História da Fé Bahá'í" e em razão dessa publicação, chegaram duas cartas: uma de Alegre e outra de João Neiva, pedindo maiores informações.

Formou-se uma comissão composta de universitários bahá'ís Edson Tadeu, Tânia Rúbia, Norberto e Shahla, com a finalidade de estudar os meios de proclamar a Fé na Universidade.

No dia 7 de junho, foram proferidas duas palestras na UFES pelo Dr. Razi Milani para mais de 120 universitários das áreas de Comunicação e Direito. Os temas foram "As Religiões do Irã e a Evolução da Mulher na Sociedade Atual". Os assuntos abordados eram tão atuais e comoventes que agradaram a todos, tendo o responsável das áreas, o professor Carlos Bússola, renovado o convite ao Dr Razi para uma outra conferência no mês de novembro.

A amada Fé continuou trilhando de forma consistente o caminho da expansão, chegando ao sul e ao norte do estado.

No dia 16 de junho, as famílias Maani e Shaikhzadeh reuniram aproximadamente oitenta bahá'ís na Sede de Vitória para comemorar a festa de noivado de seus filhos Shahla e Foad, e antecipadamente convidaram para o casamento que seria realizado no dia 28 de julho, em São Paulo, onde seria a futura residência do casal.

Recebeu-se a visita do Secretário Nacional, sr. Osmar Mendes, e sua esposa, sra. Parvin. Á noite, houve reunião, quando ele relatou "O Plano de Dois Anos" e a sua importância.

Chegou carta da Assembléia Espiritual Nacional, acusando telex da Casa Universal de Justiça, com informações de que o governo do Irã estava desapropriando as propriedades bahá'ís e pedindo para que fossem enviados telegramas a Khomeini, apelando para a proteção dos direitos bahá'ís, de acordo com as leis islâmicas. A Assembléia Espiritual Local aprovou fazer orações na Festa de 19 Dias, por um período de 24 horas, pelos irmãos no Irã, do meio-dia de sábado, dia 14, até o meio-dia de domingo, dia 15. A Gazeta publicou no dia 27 um artigo intitulado "Perseguição aos Profetas" e no dia 3 de julho outro escrito, denominado "A Base de toda Religião é uma só".

Vida Shahnazi, da comunidade de Ribeirão Preto, esteve na cidade de Vitória por oito dias. Participou do programa da TV "Unidade na Diversidade" e fez programas em todas as rádios por 8 a 10 minutos, visitando também os jornais locais e a TV Vitória. Cumpriu extenso programa de visitas a todas as Assembléia Espiritual Local, para estimular o envio de telegrama a Khomeini. No dia 14 de julho, chegou Venus Sahihi de São Paulo, para gravar um programa na TV Espírito Santo.

Novamente chegou da carta da Assembléia Espiritual Nacional, anunciando que tiveram início as perseguições aos bahá'ís com a demolição da casa do Báb. O diretor de A Gazeta, General Darcy, assim como o assessor do Reitor da UFES, professor Carlos Bússola, enviaram telegrama à embaixada do Irã, pedindo proteção para os bahá'ís e seus lugares sagrados. O telegrama do General Darcy foi publicado em A Gazeta: "Impressionado notícias ataque grupos fanáticos à minoria religiosa bahá'í e demolição seu santuário em Shiraz. Como cidadão brasileiro e em nome dos direitos humanos, apelo ao governo islâmico proteger bahá'ís e seus lugares sagrados contra ataques grupos irresponsáveis". Foi feito um abaixo-assinado na UFES e em outras faculdades, a ser enviado á Embaixada, protestando contra a perseguição aos bahá'ís do Irã. As assinaturas alcançaram o número de 1. 923 estudantes solidários com os bahá'ís.

A comunidade Bahá'í de Vitória sentiu-se honrada por ter sido a cidade escolhida como a Sede do 1º Seminário de Educação Bahá'í de Crianças, a realizar-se no Calir, no período de 12 a 14 de outubro, onde houve quatro anos antes, uma Escola de Inverno. Chegou um exemplar manuscrito e traduzido da Epístola da Sabedoria de Bahá'u'lláh, enviada pela Conselheira srª Leonora, a ser datilografado e distribuído como lembrança da comunidade de Vitória aos participantes do Seminário.

Os bahá'ís de Vitória se alegraram com cinco declarações: Marileuza Bulhões, Maria Rosana Miranda dos Santos e Maria José dos Santos Maia, Paulo Roberto do Santos e Maria Shirley Evangelista Ramos. Foram recebido mais três cartões de adesão de alunos do curso por correspondência: Francisco Alves Filho, Fábio Oliveira Marçal e Dr. Manoel Souza Ramos.

Soube-se através do Departamento de Informações da Assembléia Espiritual Nacional, que foi elaborada a nova Constituição Iraniana, quando foram reconhecidas três minorias religiosas no Irã, menos a Fé Bahá'í. Decidiu-se enviar um telegrama à Embaixada do Irã. Foi formado um Comitê Executivo para decisões nos casos de extrema urgência, como o surgimento dos acontecimentos do Irã.

Dia 17 de setembro, chegou a triste notícia do massacre da família abençoada da querida Mão da Causa de Deus, sr. Enok Olinga, incluindo, além dele, sua esposa e três filhos jovens. Por esse motivo a Semana Bahá'í foi dedicada e oferecida em memória dele e de seus ente queridos.

A remessa de livros bahá'ís continuou sendo feita para as bibliotecas públicas (Estadual, Escola Técnica Federal e Fafabes), para a Faesa e a Livraria Capixaba.

Foi Comemorada a Festa de nascimento do Báb com a participação da quarenta e sete pessoas, em uma profícua reunião de convivência.

A Gazeta publicou um artigo sobre o dia das Nações Unidas. Na vitrine de uma loja de Bahá'ís (Paris Modas), foram colocados cartazes e ilustrações sobre a ONU. Foram feitas duas palestras na UFES, nas turmas de Direito e Comunicação, para quarenta alunos de cada sala de aula.

No dia 29 de outubro, foi inaugurada a 9ª Feira do Livro de Vitória, da qual a Comunidade Bahá'í participou pela segunda vez. Foram distribuídos 5.000 folhetos.

A imprensa escrita da cidade de Vitória, sensibilizada com a perseguição sofrida pelos bahá'ís no Irã, publicou sistematicamente artigos sobre esse nefasto acontecimento. Em 23 de dezembro, domingo, na página internacional, A Tribuna transcreveu o escrito intitulado "A Perseguição aos Bahá'ís do Irã"

Ano 1980

Em 2 de janeiro, o jornal A Gazeta publicou um artigo sobre "Pesquisa da Verdade". No dia 8 de fevereiro, o jornal A Tribuna ocupou página inteira discorrendo sobre a Fé e no dia nove do mês seguinte, A Gazeta escreveu sobre a "A Unidade da Humanidade".

O relatório intitulado "Ataque aos Bahá'ís do Irã" foi entregue pelas sras Touba, Guitty e Guiomar às rádios e jornais, assim como a algumas autoridades: Carlito Lindenberg, Gerson Camata, Arabelo do Rosário e Setembrino Pelissari.

Foi celebrada a festa de aniversário de Bahá'u'lláh, que aconteceu na Sede, sendo anfitrião o casal Soussan/Saed, que aproveitou para festejar dois anos de casados.

No domingo, dia 24 de fevereiro, houve um pic-nic na praia de Carapebus para confraternização de todos. As festas dos Dias Intercalares foram muito bonitas, com um mínimo de quarenta pessoas entre bahá'ís e contatos. Cada noite teve a parte espiritual, canções bahá'ís, brincadeiras, músicas, num ambiente bem gostoso.

Houve uma linda Festa de Naw-Rúz quando foram distribuimos vários convites para todos os amigos e contatos. Na ocasião, aconteceu a declaração de Cristiane Campostrini Cruz e de Marta Camponez de Almeida.

A Assembléia reconheceu o Clube Bahá'í e incentivou para que todos trabalhassem no planejamento. Enviou parabéns aos jovens que concretizaram essa iniciativa.

A comunidade bahá'í fez da distribuição dos livros sobre os fundamentos da Fé uma constante preocupação. Desse modo, exemplares foram permanentemente remetidos para várias bibliotecas da capital do estado. O livro "Chamado às Nações" foi entregue juntamente com uma carta, a todas as autoridades representativas dos poderes executivo, judiciário, legislativo, bem como para diversas instituições: Instituto Jones dos Santos Neves e Companhia Vale do Rio Doce. Personalidade da sociedade capixaba, como o violonista Maurício de Oliveira, também foi agraciado com a remessa desse importante livro.

Aos 18 dias do mês de abril de 1980, foi celebrado o casamento bahá'i do Dr. Richard André com a srta Nazaré dos Santos.

A Assembléia Espiritual Local traçou planos e metas para a comunidade Bahá'í no ano 137. Como prioridades estabeleceu:

Quadro nº 6
1
Expansão da Fé na própria localidade
2

Expansão em localidade próxima, sendo escolhida a cidade de Colatina

3

Meta de formar a Assembléia Espiritual Local em São Mateus em conjunto com o CRE

4

Ajudar o fortalecimento das Assembléia Espiritual LocalS em colaboração com o CRE: São Diogo, Laranjeiras, Itaquari e mais uma localidade em consulta com CRE

5
Aulas Bahá`is para as crianças
6

Levantamento de pioneiros e instrutores para fora do estado

No primeiro semestre de 1980, houve uma nova declaração: Marco Aurélio de Paula Brotto. Foram recebidos também cartões de adesão de Evelise Seixas Scarlate e de Maurina Peixoto.

A presença do professor de Física Nuclear de Porto Alegre, Dr. Farhang Sefidvash, na cidade de Vitória, foi aproveitada para fazer proclamação. Ele concedeu entrevista ao jornal A Gazeta e proferiu palestras na UFES e no Colégio Nacional.

Por ocasião da estada do Papa no Brasil, A Gazeta fez publicar uma entrevista com representantes de três religiões não católica, pedindo a cada um sua opinião sobre Sua Santidade. As declarações do Dr. Razi, representante da Fé Bahá'í, tiveram ótima repercussão.

A srª Touba Maani confeccionou uma exposição para facilitar o ensino da Fé, trabalho que agradou muito e foi bastante elogiado. Várias comunidades brasileiras fizeram encomenda e a srª Touba fabricou aproximadamente uma dúzia do material para atender aos pedidos.

A partir de 3 de junho de 1980, houve interrupção das gravações dos programas na TV por motivos técnicos, com a promessa de retornar ao assunto tão logo as dificuldades fossem sanadas.

Na reunião do martírio do Báb em casa dos Milani, registrou-se a presença de sete comunidades, num total de cinqüenta pessoas.

De Vitória, seguiu uma delegação de dezesseis pessoas que se juntaram ao grupo bahá'í de Belo Horizonte e juntos, viajaram em um ônibus especial, assegurando participação efetiva na Conferência Internacional de Mulheres em Brasília.

As orações matinais feitas juntamente com o curso matinal de religiões deveriam ser realizadas às seis horas da manhã. E foi registrado em cartório civil um exemplar integral dos estatutos da Assembléia de Vitória, com alteração do endereço da Sede Bahá'í.

Com muita tristeza, foi recebida a notícia do falecimento da querida Conselheira D. Leonora Armstrong, ocorrido em Salvador. A pedido da Assembléia Espiritual Nacional, ficou combinado fazer no dia 1º de novembro uma reunião de orações com bahá'ís de todas as comunidades da Grande Vitória na Sede Bahá'í de Jardim da Penha, com início às 20 horas, para que todos aqueles que desejassem, pudessem orar também pelos seus entes queridos já falecidos.

No dia 12 de outubro, foi realizada na Sede Bahá'í uma festa para comemorar o dia da criança, com a participação de cento e cinqüenta crianças.

Decidiu-se confeccionar 1.000 convites para serem distribuídos na festa de aniversário de Bahá'u'lláh, marcada para às 20 horas do dia 11 de novembro, na sede Bahá'í de Vitória.

(ESTE RELATÓRIO É DE 1969, COM A CHEGADA DOS PIONEIROS, ATÉ OUTUBRO DE 1980 ).

LISTA DOS BAHÁ'ÍS DO ESTADO DA GRANDE VITÓRIA
1968 - 1980
Adão Barreto Sobrinho
Ademir Pzolini
Alda Angelina da Silva
Angela Cristina Castelar Perin
Antonio Baptista Sobrinho
Antonio Primo
Aridelson
Atyé Chayani
Bernadeth Lyra Barbosa Lima
Carlos Antonio Pereira
Carlos Roberto Campos
Crisógono Rubens Campos
Cristiane Campostrini Cruz
Dalva Viera
Diane André
Djamilé Milani
Edna Maria
EdsonTadeu Campostrini
Elcio R. do Nascimento
Ermelinda Fernandes Campos (Dna.Nega)
Fábio Vinícius Marçal
Fariba Sandri
Farid Nourani
Fátima Campos
Feizi Milani
Flávio Luis Scherer
Florinda Rasch Coelho
Fouroghollah Maani
Francisco Alves Filho
Guiomar Campostrini Salume
Guitty Milani
Hamid Nourani
Heli Santos Zaché
Holdar Javarini
Iracy do Carmo
Isabel Saraiva
Jorge Araújo
José Carlos Carreiro
Lauricéia das Dores Ramos
Leôncio Vieira Carneiro
Leolina Rosa Rodrigues
Lidio Spinassé
Luciene Campos
Lucrécia de Aguiar Barros
Ludiar de Aguiar Barros
Luiza Mara Castelar Perim
Manoel Brito
Manoel Souza Ramos
Marco Aurélio de Paula Brotto
Maria Célia de Melo
Maria da Penha Campos
Maria das Graças Furtado Maciel
Maria Elvira Kinaki
Maria Helena Soares
Maria José dos Santos Maia
Maria José Fontes
Maria José Marques
Maria Rosana Miranda dos Santos
Maria Shirley Evangelista Ramos
Marileusa Bulhões
MarianValadão Gomes
Marise Braga Guimarães
Marta Camponez de Almeida
Mauro Daniel Rosa
Moisés Teixeira Fontes
Nazaré dos Santos
Noemia Quintaes da Silva
Norberto Campos
Noberto Campos Filho
Orlandino Teófilo
Oscarlene Barroso Loureiro
Paulo César Silva Campos Campos
Paulo Castelar Perim
Paulo César Saraiva
Paulo Roberto dos Santos
Peiman Milani
Razi Abassi Milani
Regina Maria Eira
Richard André
Robert Lowe
Rosana Conceição Goulart
Rosinete Dalmaschio
Ruth da Conceição Goulart
Ruth Lowe
Saed Maani-Hessari
Said Maani-Hessari
Ségio Matos Firmino
Shahla Maani-Hessari
Silvia Maria da Conceição Goulart
Silvio Silveira
Soussan Eftekhari Maani-Hessari
Tânia Rúbia Campos
Telmelita Campos
Teresa Augusta Spinassé
Touba Maani
Valdecy Marculino Ramos
Valmir do Nascimento
Valter Gomes do Nascimento
Vilma Ferreira dos Santos
Violene
Virgínia Maria Spinassé
Vitório Koeller
Zenilton Meira
TERCEIRO CAPITULO
EXPANSÃO DA FÉ

Os pioneiros sempre visaram expandir a Fé, para que a ação benéfica dos seus ensinamentos se propagasse por todo o estado do Espírito Santo. O pequeno grupo nunca recuou diante das dificuldades daquele período de pionerismo.

Ainda em 1969, o grupo deixou Vitória com destino a Aricanga, no município de Ibiraçu, que se constituiu no primeiro lugar visitado e onde fizeram ótimos contatos. Na capital, o ensino foi iniciado na Ilha das Caieiras, bairro formado predominantemente por pescadores.

Os pioneiros, sempre irmanados em reuniões de orações, prosseguiam seu trabalho de ensino, dedicando-se com afinco ao desejo de abrir três localidades: Vila Velha, Cariacica e Campinho.

Em 1972, após o Congresso Nacional de Ensino, o Instituto Bahá'í da Serra recebeu a visita do grupo de ensino, que também se dirigiu para os bairros Nossa Senhora da Penha, IBES e Jardim Colorado. A Fé crescia em receptividade e a delegação da Bahia permaneceu na capital capixaba por cinco dias para a consolidação, sempre acompanhada pelos bahá'ís de Vitória.

No dia primeiro de dezembro do ano de 1974, partiu de Vitória com destino a João Neiva um ônibus fretado, levando uma caravana de trinta e cinco pessoas de Vitória, Jardim Colorado e Cariacica, para iniciar o ensino da Fé naquela cidade. A delegação foi recebida pelo regente do coral de João Neiva, que ofereceu local para a reunião com os jovens. A localidade foi aberta com a declaração de Rosangela Izabel Lopes.

Conforme o plano da Assembléia Local, a comunidade continuava desenvolvendo esforços para a propagação da Fé, organizando reuniões e visitas a vários bairros da cidade, como Jardim Camburi e Maruípe.

O ensino para a educação das crianças sempre se constituiu em meta prioritária durante todo o período pioneiro, e a cada ano, a Assembléia Espiritual Local sempre procurou enfatizar e desenvolver ações concretas para atingir tão nobre objetivo. Assim, prosseguiam as aulas regulares, uma vez por semana, em Vitória, Itaquari, Jardim Colorado, Monte Belo, Viana, Bairro de Fátima e São Diogo. No Instituto Bahá'í de Vitória, tinham lugar as reuniões semanais de aprofundamento da doutrina Bahá'í.

Em 1975, o sr. Holdar apresentou relatório da viagem de um grupo de nove pessoas ao município de Linhares, no dia 15 de junho. Nesse domingo, o objetivo da delegação era visitar o sr. Campos que, tendo concluído o curso por correspondência, solicitou a presença de alguns bahá'ís.

No ano de 1976, após a realização da Escola de Verão, foram abertas as localidades de Cariacica e João Neiva. A Fé também estendeu seu ensino para Campo Grande, município de Cariacica, integrante da região metropolitana da Grande Vitória.

Nesse mesmo ano, decidiu-se enfatizar e reforçar o ensino pelos bairros. O primeiro escolhido para receber a nova ação evangelizadora foi Maruípe. Foi nomeado o Comitê de Ensino de Maruípe, que organizou toda a programação, tendo sido realizadas atividades de proclamação no Colégio Otacílio Lomba, com palestras sobre "Revelação Progressiva".

Paralelamente, o plano de ensino local se concretizou com o ensino de abertura nos bairros de Fátima, São Diogo I e II, Carapina, onde houve quatro declarações. Em Cobilândia, aconteceu uma declaração.

A Fé continuava se expandindo em direção a vários municípios. Na Serra, começaram as aulas bahá'ís para as crianças, enquanto se abriu a cidade de São Mateus, onde já existiam três bahá'ís.

Sem descanso, continuava o ensino nas comunidades. Em cada localidade, estava sendo treinada uma pessoa, para que no futuro, ela se convertesse em professor, atuando de forma constante e permanente. Desse modo, os bahá'ís de Vitória e Itaquari se tornaram valorosos mestres em Cariacica. A Assembléia Espiritual Local de Vitória, incansavelmente, solicitava a continuação da propagação da Fé em Alvorada. Entendia também que se tornava imperioso sistematizar o ensino no bairro de Fátima, até a formação da Assembléia Espiritual Local.

O ano de 1978 reafirmou o ensino para crianças em São Diogo, Cariacica, Monte Belo, Bairro de Fátima e na Sede Bahá'í de Jardim Colorado. E no plano local de ensino, foi escolhido o bairro de Santo Antônio, no alto de Caratoíra, depois de se fazer um reconhecimento. Houve nove declarações: Jorge Araújo, Orlandino Teófilo Araujo, sra. Noemia Quintas da Silva e Maria Célia de Melo, entre outros. A srª Touba Maani ministrou palestra no grupo escolar do bairro, contando com a presença de trinta alunos, cuja faixa etária variou de 14 a 60 anos.

Novamente os pioneiros saíram da capital, levando a doutrina em suas palavras. Dessa vez, deu-se a abertura da localidade de Nova Almeida com a declaração de Domingos Carlos Matos, através do curso por correspondência.

Um programa intenso de aulas de religião para duas turmas de quarenta alunos foi desenvolvido pela sra. Guitty Masrour Milani, no grupo escolar Padre Anchieta, em Jucutuquara, bairro de Vitória.

A Membro do Corpo Auxiliar srª Touba Maani organizou uma equipe de jovens professores, entusiasmada com a possibilidade de levar a Fé para várias localidades. O sr. Antonio Baptista Sobrinho ficou encarregado de Itaquari, enquanto o sr. Lídio Spinassé se dedicava a Cariacica. Feizi Milani assumiu Cobilândia e Goiabeiras, duas localidades promissoras. Paulinho e Shahla permaneceram em Laranjeiras. Elcio e Dr. Razi tiveram participação atuante em São Diogo. Demonstrando organização, foi aprovado que cada comunidade tivesse uma pasta para o registro dos bahá'is e um caderno para relatório, ficando o material nas mãos dos responsáveis pela comunidade.

No primeiro semestre do ano seguinte (1979), a pedido da Assembléia, um grupo viajou no dia 23 de maio para Cachoeiro de Itapemirim, com o intuito de entrar em contato com a imprensa daquela cidade. Foram feitas visitas ao jornal e à rádio local, onde um participante da caravana missionária foi entrevistado. Em junho, o grupo se deslocou para Colatina, no norte do Espírito Santo, com a mesma finalidade.

A comunidade bahá'í jamais deixou de olhar para a trajetória do ensino da Fé, buscando sempre a reafirmação enfática desse objetivo. Assim, no Centro Comunitário de Monte Belo, o grupo formado por Ludiar, Valter e sra. Touba Maani conseguiu horário de domingo, às 9h30min. para aulas bahá'ís às crianças. Laranjeiras, Colorado, Cobilândia, São Diogo e Cariacica continuavam recebendo os benefícios dos ensinamentos de Bahá'u'lláh.

Os bahá'ís de Vitória sempre demonstraram cuidado e apreço com o curso por correspondência. Assim, foram enviadas quarenta e nove cartas circulares para esses alunos, e na Festa de 19 dias, foram distribuídos os nomes das mesmas pessoas para serem visitadas, objetivando contatos e declarações para glória e louvor de Bahá'u'lláh.

Um grupo de pioneiros partiu para o norte do estado, com o objetivo de visitar as cidades de Colatina, Linhares e São Mateus. Nessa última, fizeram visitas aos bahá'ís e alguns contatos. Tiveram a felicidade de falar da Fé para cento e vinte crianças da localidade.

Como o sol cujos raios atingem toda a terra, o ensino da Fé chegava a todas as comunidades da Grande Vitória, com firmeza e sabedoria.

No dia 5 de março de 1980, foi realizado ensino às massas no Forte São João, com projeção de slides. O grupo formado por sete pessoas teve a alegria de encerrar o trabalho com dez declarações. No sábado seguinte, três bahá'is tiveram a tarefa gratificante de retornarem ao local e ministrarem aula para cento e treze crianças.

Certamente o trabalho continuará com o ensino regular e frutificará na irradiação da Fé.

CONVENÇÃO EXPANSÃO DA FÉ
Período: 1968-1980
MUNICÍPIOS
. Cachoeiro de Itapemirim.
. Cariacica,
. Colatina,
. Domingos Martins,
. Ibiraçu,
. João Neiva,
. Linhares,
. São Mateus,
. Serra,
. Viana,
. Vila Velha,
. Vitória
CONVENÇÃO EXPANSÃO DA FÉ
Período: 1968-1980
MUNICÍPIO / LOCALIDADE
CARIACICA . Sede . Campo Grande . Itaquari

SERRA . Carapina . Laranjeiras I e II . São Diogo I e II

VIANA . Sede

VILA VELHA . Cobilândia - Alvorada . Jardim Colorado - Ibes

VITÓRIA . Sede: Forte de São João . Ilha das Caieiras . Jucutuquara . Maruípe . Santo Antonio . Goiabeiras - Jardim Camburi

CONCLUSÃO

Guiomar Campostrini pretendia com o seu relatório registrar a verdadeira história dos bahá'ís no Espírito Santo. De forma clara e minuciosa, foi narrando todos os acontecimentos de cada ano, cobrindo o período pioneiro de 1968 a 1980.

A equipe que trabalhou na organização do material tem certeza que ela alcançou o seu desejo, tendo sido uma tarefa gratificante e emocionante reviver fatos e relembrar pessoas.

A narração dos fatos chama a atenção pela sua importância na luta para a divulgação da Fé Bahá'í. O trabalho das pessoas, feito com dedicação e altruísmo, impressiona pelo exemplo de solidariedade e pelo desejo inabalável de conquistar todos para a amada Fé.

Anexo nº 3
RELAÇÃO DE CASAMENTOS REALIZADOS EM VITÓRIA
1976 - 1980
1976- Heli Santos Zaché e Dalva Vieira

1977 - Moisés Teixiera Fontes e Maria José de Oliveira

- Teresa Augusta Spinassé e Wilson Rocha Junior
1978 - Zenilton Meira e Oscarlene Loureiro

- Flávio Luis Scherer e Maria Claudia Garcia Santos

1980 - Richard Andre e Nazaré dos Santos

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EPÍSTOLA SOBRE O CASAMENTO

"O laço que mais perfeitamente une os corações é a Lealdade. Os que verdadeiramente se amam devem manifestar a mais ilimitada fidelidade recíproca. Deveis dedicar vosso saber, vossos espíritos a Deus, a Bahá'u'lláh, e um ao outro. Que vosos corações sejam tão amplos como o universo de Deus.

Não permitais que o menor traço de ciúme se insinue entre vós, porque o ciúme, qual veneno, deteriora a própria essência do amor. Não permitais que fatos e acontecimentos efêmeros desta vida instável causem divisão entre vós. Quando divergências se apresentam, aconselhem-se a sós, para evitar que outros transformem um grão de areia em montanha. Não abrigueis em vossos corações qualquer mágoa, mas, antes preferi explicar-se mutuamente a razão dela, com tal franqueza e compreensão que ela desaparecerá sem deixar traço. Optai pela camaradagem e amizade e afastai-vos do ciúme e da hipocrisia.

Vossos pensamentos devem ser sublimes, vossos ideais, luminosos, vossas mentes, espirituais, a fim de que vossas almas se tornem o lugar do amanhecer do Sol da Realidade. Fazei de vosso lar um refúgio de repouso e paz. Sede hospitaleiros e deixai abertas, para amigos e estranhos, as portas de vossa casa. Acolhei cada hóspede com graça radiante e fazei com que se sintam como seu próprio lar.

Nenhum mortal pode imaginar a união e harmonia que Deus destinou a esposo e esposa. Alimentai continuamente a árvore de vossa união com amor e carinho, a fim de que permaneça verdejante em todas as estações, e traga ao mundo, para a cura das nações, frutos deliciosos.

Ó amados de Deus! Que o vosso lar seja a visão do paraíso de Abhá, para que quem quer que entre possa sentir a essência da pureza e da harmonia e exclame do fundo do coração: "Aqui está o lar do amor! Aqui está o palácio do amor! Aqui está o ninho do amor! Aqui está o jardim do amor.!"

Sede como dois pássaros pousados nos mais altos ramos da árvore da vida, enchendo o ar com canções de amor e êxtase.

Deixai o alicerce de vossas afeição no âmago do vosso ser espiritual, no coração de vossa consciência, e não deixeis que ventos adversos o abalem. E quando Deus vos der doces e encantadoras crianças, consagrai-vos à sua instrução e guia, para que possam se tornar flores imperecíveis do roseiral divino, rouxinóis do paraíso ideal, servidores do mundo da humanidade e o fruto da árvore da vossa vida.

Vivei em tal harmonia que outros tomem vossas vidas como exemplos e digam: "Vejam como eles vivem como dois pombos num ninho, em perfeito amor, afinidade e união. É como se através de toda a eternidade Deus tivesse formado a própria essência de seus seres para o amor recíproco." Alcançai o amor ideal que Deus vos destinou, a fim de que desde já participeis da vida eterna. Bebei avidamente da fonte da verdade e vivei todos os dias de vossa vida num paraíso de glória, colhendo flores imortais do jardim dos mistérios divinos.

Sede um para o outro como amantes celestiais e amados divinos, vivendo em um paraíso de amor. Construí vosso ninho nos frondosos galhos da árvore do amor. Elevai-vos à atmosfera cristalina do amor. Navegai sobre o mar infinito do amor. Caminhai no roseiral eterno do amor. Aquecei-vos aos raios brilhantes do sol do amor. Sede firmes e constantes das flores do amor. Afinai vossas narinas com as fragrâncias das flores do amor. Perfumai vossos ouvidos com as melodias extasiantes do amor. Deixai as vossas aspirações serem tão generosas como os banquetes do amor, e as vossas palavras como um colar de pérolas brancas do oceanmo do amor. Sorvei profundamente do elixir do amor para que possais viver sempre na realidade do Amor Divino." - de uma palestra atribuída a 'Abdul'l-Bahá

GLOSSÁRIO

Alláh'u'Abhá - saudação que significa "Deus é o Todo-Glorioso"

Assembléia Espiritual Local - alicerce da estrutura administrativa Bahá'í. Dirige os assuntos da Fé dentro de uma cidade ou localidade. É eleita anualmente no dia 21 de abril e é formada por 9 (nove) bahá'ís maiores de 21 anos residentes naquela região.

Assembléia Espiritual Nacional - É uma instituição também formada por 9 membros eleitos anualmente numa Convenção Nacional. Ela tem autoridade sobre todos os assuntos bahá'ís a nível nacional.

Carta de 19 Dias - carta escrita pela Assembléia Espiritual Nacional para ser lida especialmente nas Festas de Dias, que são realizadas conforme o calendário bahá'í.

Casa Aberta - reunião especial para pessoas interessadas em conhecer a Fé Bahá'í. Tais reuniões podem ser realizadas nas casas dos bahá'ís como também nas Sedes Bahá'ís.

Casa Universal de Justiça - é o corpo supremo da administração bahá'í. É eleita de 5 em 5 anos e é formada por 9 bahá'ís. A primeira Casa Universal de Justiça foi eleita em 1963.

Conselheiro -bahá'í nomeado pela Casa Universal de Justiça para cuidar da expansão e proteção da Fé em um continente ou país. O Corpo de Conselheiros é auxiliado por seus Corpos Auxiliares no ensino e proteção da Fé.

Corpo Continental de Conselheiro - é uma instituição formada por Conselheiros. Foi criada pela Casa Universal de Justiça para dar continuidade ao trabalho dos Mãos da Causa que poderiam apenas ser nomeados por Bahá'u'lláh, 'Abdu'l-Bahá e Shoghi Effendi.

Fireside - significa literalmente "ao lado do fogo", é o nome como os primeiros bahá'ís dos Estados Unidos chamavam as reuniões realizadas em seus lares para as pessoas conhecerem a Fé Bahá'í. Atualmente estas reuniões são conhecidas como "casa aberta", "reunião de amigos".

Guardião - título dado por 'Abdu'l-Bahá ao seu neto Shoghi Effendi (1897-1957) em Sua Última Vontade e Testamento. Ele foi o sucessor de 'Abdu'l-Bahá.

Mão da Causa - bahá'í designado pelas figuras centrais da Fé Bahá'í: Bahá'u'lláh, 'Abdu'l-Bahá e Shoghi Effendi com os deveres especiais de ensinar e proteger a Fé por toda parte do mundo.

Membro do Corpo Auxiliar - bahá'í nomeado pelo Corpo Continental de Conselheiros com a função de ensinar e proteger a Fé Bahá'í em um estado ou região.

Naw-Rúz - é o Ano Novo Bahá'í que se comemora a partir do por-do-sol do dia 20 de março.

Pioneiro - são indivíduos bahá'ís que mudam de residência para divulgar os ensinamentos bahá'ís em uma cidade ou país.

Plano de (Nove Anos, Cinco Anos ...) - programas de ensino no mundo bahá'í delineados nas Epístolas do Plano Divino de 'Abdu'l-Bahá. Planos de prazos curtos proporcionando a todos os bahá'ís coordenarem e unirem seus recursos para o desenvolvimento da Fé de forma sistemática.

Ridván - literalmente significa "paraíso". Nome do jardim onde Bahá'u'lláh declarou publicamente a Sua missão no período de 21 de abril a 02 de maio de 1863. Este acontecimento é conhecido como "Festival do Ridván."

Sede Bahá'í - lugar onde os bahá'ís se reúnem para realização de atividades administrativas ou comunitárias.

GUIOMAR CAMPOSTRINI

Nasceu em 12 de maio de 1933 em Alto Baunilha-ES, terceira filha do casal Adélia Guerra Campostrini e Ernesto Campostrini.

Cursou o 1º grau no colégio Cristo Rei em Colatina e o 2º grau no Colégio Cristo Rei no município de Cachoeiro de Itapemirim. No colégio Americano de Vitória participou dos cursos de Normalista e Contabilidade. Com a conclusão de sua formação acadêmica, optou por trabalhar em área administrativa na Prefeitura de Colatina.

Foi a segunda pessoa a declarar-se bahá'í em Vitória-ES. Membro da primeira Assembléia Espiritual Local dos Bahá'ís de Vitória eleita em 1970, por 22 anos participou anualmente dessa instituição.

Integrou também por muitos anos o Comitê Nacional de Ensino quando o mesmo estava sediado em Vitória. Dona Guiomar - como todos a chamavam - ajudou a abrir à Fé o novo Estado de Tocantins. Ficou famosa também pela organização do Curso por Correspondência.

Faleceu em 27 de abril de 1994, deixando três filhos e cinco netos.

Paz e luz à sua alma, no Reino de Abhá!
PREFÁCIO
Depoimento de um Pioneiro

Estamos em 1968, quase nos meados do Plano de Nove Anos da Casa Universal de Justiça. Uma das metas do Brasil era, ter no mínimo, uma Assembléia Espiritual Local em cada Estado. Este servo Razi Milani, dentista, minha esposa Guitty, minha mãe Dnª Djamile e meus dois filhos Feizi e Peiman faziam parte da Comunidade de Porto Alegre, onde eu e minha mãe chegamos em 1956. Minha irmã Touba no Irã, alimentava no coração forte desejo de sair, com a família como pioneiros ao Brasil. Já desde 1966 havia mandado seus dois filhos Said e Saed a Porto Alegre, a fim de adiantarem seus estudos no ginásio até que o resto da família pudesse se juntar a eles. Naquele ano, como membro da Assembléia Nacional, participei da 2ª Convenção Internacional em Haifa e fiz uma visita ao Irã, ocasião em que os detalhes da vinda do resto da família Maani a Porto Alegre foram tratados e resolvidos.

De volta da Terra Santa, a Assembléia Espiritual Nacional incumbiu seus membros a visitarem as comunidades para incentivar os amigos a sairem como pioneiros par conquistar a meta de, formar, pelo menos, uma Assembléia Espiritual Local em cada Estado. Senti-me incapaz de incentivar os outros, enquanto eu também era um bahá'í como qualquer um. E ao incentivar os outros, se alguém me perguntasse "porque você mesmo não sai como pioneiro?" qual seria a minha resposta? Expus os meus sentimentos a Guitty. Ela, que desde a sua chegada ao Brasil em 1963, sempre alimentava o desejo de irmos como pioneiros a algum lugar onde não tivesse comunidade, jubilosamente apoiou meus pensamentos.

E agora, a onde ir? Havia três capitais-ilhas ainda virgens: Florianópolis, Vitória e São Luiz do Maranhão, a respeito dos quais não sabíamos nada. Era necessário uma viagem "exploratória" à uma ou à outra para termos alguma informação. Justo naqueles dias, uma cliente minha contou que havia um tal congresso em Porto Alegre e que um casal capixaba amigo dela, estava participando. Bahá'u'lláh já estava abrindo o caminho para concretizar nosso desejo. Guitty visitou a esposa no hotel. Ela foi muito amável e prestativa. Deu o cartão de seu marido, sr. Paulo Có, e disse que os procurássemos em Vitória para qualquer necessidade. Decidimos não compartilhar essa intenção com ninguém antes de concretizá-la.

Alguns dias depois tínhamos a reunião da Assembléia Espiritual Nacional, que se formava na residência do casal Miessler em São Paulo. Saí de Porto Alegre alguns dias antes e fui direto a Vitória. Encontrei sr. Paulo que foi super legal. Visitei o diretor de "A Gazeta" - General Darcy de Pacheco Queiroz - falei sobre a Fé - Ele disse que tempos atrás um senhor esteve lá e colocou um anúncio do curso por correspondência no jornal. Pelas suas indicações percebi que deveria ser nosso querido Habib Taherzadeh.

Vitória naquela época, em comparação a Porto Alegre, era desprezível, e todos questionaram nossa escolha, mas nós já havíamos decidido. Seja o que for, Vitória era nossa meta.

Escrevi a Touba da nossa decisão, deixando ela a vontade de escolher Porto Alegre ou Vitória. Ela também escolheu a cidade meta. Avisei que nesse caso, deveriam mandar sua mudança diretamente a Vitória.

Em dezembro de 68, o casal Maani e Shahla hegaram a Porto Alegre. Para não perderem o ano letivo dos filhos, em fevereiro de 69 a família Maani junto com Dnª Djamile foram a Vitória e em 9 de março a família Milani fez o mesmo. Todos residiram no Ed. Santa Rosa à rua Pedreiras, em frente ao Moinho Buaiz. Deixando a família em Vitória eu voltei a Porto Alegre para vender o consultório, juntar e mandar as coisas a Vitória e voltar definitivamente para lá. E assim, a maravilhosa cidade de Vitória foi aberta à Fé e uma das metas do Plano de 9 anos foi alcançada.

Razi Abassi Milani

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