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Festa 19 Dias
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Condic : Festa 19 Dias
A Festa de 19 Dias
UM ESTUDO
1994

CONDIC - Comitê Nacional de Desenvolvimento Individual e Comunitário

A P R E S E N T A Ç Ã O:

Com muita alegria, o CONDIC entrega à comunidade bahá'í brasileira mais um pequeno trabalho no objetivo do programa nacional de desenvolvimento individual e comunitário que a Assembléia Espiritual Nacional lhe solicitou desenvolver.

Nesta nova fase, as publicações poderão ser estudadas também em pequenos grupos, nas casas dos bahá'ís, com uma família como anfitriã. Obviamente, as Assembléias Locais que preferirem poderão organizar a reunião comunitária em um domingo, adicionando ao estudo do livreto outros temas, e também alguns assuntos locais para consulta, além da oportunidade de promoverem uma reunião de unidade e de confraternização de dia inteiro, com toda a comunidade. Isso é excelente e faz parte também do programa nacional de desenvolvimento comunitário no Plano de Três Anos.

Mas nem sempre há tempo para um estudo mais aprofundado dos temas que os livretos preparados pelo CONDIC contém. Por isso, a Assembléia Nacional recomenda que sejam organizados grupos menores, com uma família anfitriã responsável, cedendo a casa e convidando os bahá'ís. As reuniões poderão ser semanais, num determinado dia, de conhecimento de todos e que convenha a todos. E regularmente cada semana a reunião deve ocorrer. Haverá tempo para leitura tranqüila e profunda, para consultas bem esclarecedoras, a par de uma convivência bem fraternal, descontraída, com a tradicional hospitalidade bahá'í.

Aproveitem bem.
Com amorosas saudações bahá'ís,
O Condic.
I - A NOVA ERA

Na ordem mundial que Bahá'u'lláh trouxe para a humanidade, incluindo todos os seres humanos do planeta em uma única e grande família, habitando um mesmo lar que é a Terra, unidos em uma Fé comum e falando todos a linguagem do amor e da fraternidade - surgem novas instituições humanas e novas formas de coexistência entre as pessoas. Há que se viver harmoniosamente, pessoas de diferentes raças e nacionalidades. Devem elas pensar e sentir de forma supra-local e supra-nacional. São novos seres humanos. São cidadãos do mundo. Sua consciência é universal. Vivem em todos os pontos do planeta. Cada cidade é importante. Cada localidade é como o centro do mundo. Todas as pessoas são importantes. A vida é importante, é alegria, é felicidade, é luz.

Vive-se uma nova era. A humanidade, finalmente, felizmente, alcançou sua era de maturidade. Acabaram-se os preconceitos. Há sinceridade e compreensão no relacionamento humano. Afinal, a Terra é um só país, e os seres humanos, seus cidadãos. O planeta é a pátria comum da humanidade. A família humana é una. A unidade na diversidade é uma realidade bem compreendida e aceita como fator de beleza, de união e de integração entre todos os seres humanos. Bahá'u'lláh transformou o mundo, recriou a espécie humana. Somos uma nova raça, o mundo é um mundo novo. Paz, unidade, amor, fraternidade, espiritualidade consciente - são os marcos luminares desta Nova Era.

Os bahá'ís vivem já a Nova Era. Pensam, sentem e agem dessa forma.

II - A FESTA DE DEZENOVE DIAS:

Uma das instituições da Era Bahá'í, que trouxe uma nova forma de coexistência e unidade no relacionamento entre as pessoas, é a FESTA DE DEZENOVE DIAS.

"A Festa de Dezenove Dias foi inaugurada pelo Báb e ratificada por Bahá'u'lláh em Seu Livro Mais Sagrado, o Kitáb-i-Aqdas, para que as pessoas possam se reunir e visivelmente mostrarem companheirismo e amor, a fim de que os mistérios divinos possam ser revelados. A finalidade é a harmonia, de modo que através deste companheirismo os corações possam se tornar perfeitamente unidos e seja estabelecida a reciprocidade e prestimosidade entre as pessoas. Pois os membros do mundo da humanidade são incapazes de existir sem se associarem. Cooperação e prestimosidade mútuas são a base da sociedade humana. Sem a realização destes dois grandes princípios, nenhum grande movimento é impulsionado avante..." (1)

'Abdu'l-Bahá

Shoghi Effendi, o Guardião da Fé Bahá'í, escreveu no livro A PRESENÇA DE DEUS, sobre a Nova Ordem Mundial de Bahá'u'lláh:

"Ainda outros fatores que têm promovido o desenvolvimento dessa Ordem e contribuído para sua consolidação, são a instituição sistemática da FESTA DE DEZENOVE DIAS..." (2)

A Assembléia Espiritual Nacional dos Estados Unidos declarou formalmente que:

"Esta instituição, estabelecida por Bahá'u'lláh, foi descrita pelo Guardião como a base da nova Ordem Mundial... Estas reuniões podem ser consideradas como o próprio coração de nossa vida comunitária bahá'í. Quando dirigidas corretamente e têm a participação de uma comunidade bahá'í que aprecia inteiramente a sua importância, as Festas de Dezenove Dias servem para renovar e aprofundar o nosso espírito de fé, aumentar nossa capacidade para ação conjunta, remover os mal-entendidos e nos manter inteiramente informados de todas as atividades bahá'ís importantes, de escopo local, nacional e internacional." (3)

III - O REAL SIGNIFICADO DA FESTA DE DEZENOVE DIAS:

Antes de entrarmos em mais detalhes sobre esta instituição da Nova Era, da Ordem Mundial de Bahá'u'lláh, analisemos alguns termos utilizados pelas Figuras Centrais da Fé nos trechos acima citados:

1. A Festa de Dezenove Dias foi criada pelo Báb, e foi confirmada por Bahá'u'lláh no Kitáb-i-Aqdas, o Livro de Suas Leis, Seu Mais Sagrado Livro, o repositório das leis e mandamentos que foram revelados para durarem pelo menos mil anos. Pensemos nisso: MIL ANOS.

E deseja já podemos usufruir dos benefícios dessa sagrada e divina oportunidade - participar regularmente, a cada 19 dias, dessa instituição da Nova Era!

2. A Festa de Dezenove Dias, afirma 'Abdu'l-Bahá, existe "para que as pessoas possam se reunir e visivelmente mostrarem companheirismo e amor, e afim de que os mistérios divinos possam ser revelados."

... "reunir-se, mostrar companheirismo e amor" - e com isso possibilitar que "os mistérios divinos possam ser revelados."

3. Diz o Mestre que "a finalidade é a harmonia", para que "através deste companheirismo, os corações possam se tornar perfeitamente unidos, e seja estabelecida a reciprocidade e a prestimosidade mútua."

= ou seja, em perfeita união, os amigos ajudar-se-ão mutuamente, em harmonia, companheiros de fé que são, corações unidos! =

4. O trecho finaliza com a afirmativa de 'Abdu'l-Bahá de que "os membros do mundo da humanidade são incapazes de existirem sem se associarem". Destaca que a cooperação e o auxílio mútuo são a base da sociedade humana, e que sem a efetiva realização destes dois grandes princípios nenhum grande movimento é impulsionado avante"...

PERGUNTAS PRÁTICAS:

* A Festa de Dezenove Dias é uma reunião comum na comunidade bahá'í, onde as pessoas se reúnem por obrigação e durante algumas horas convivem friamente, cansativamente, com amigos e companheiros de Fé?

* Ou é algo muito mais importante, uma forma de vida comunitária bahá'í espiritualmente criativa, alegre, estimulante - a base da Nova Ordem Mundial?

* É uma reunião formal e rígida, ou uma oportunidade para que "as pessoas se reúnam e visivelmente demonstrem companheirismo e amor"?

* O que significa "possibilitar que os mistérios divinos possam ser revelados"?

* O que seriam os "mistérios divinos"?

* Qual o significado de "harmonia" em uma reunião como a Festa de Dezenove Dias?

* O que significa a expressão "corações perfeitamente unidos"?

* Por que "a cooperação e a prestimosidade mútua" são a base da sociedade humana?

* Sendo a Causa Bahá'í um grande movimento mundial, poderá ela ser impulsionada avante sem esses dois grandes princípios? Por que?

* Como você poderá ajudar pessoalmente nesse impulso avante da Causa Bahá'í?

* Sente estar fazendo tudo aquilo que seu coração e seu amor a Bahá'u'lláh o impulsionam a fazer?

* Então, por que não fazê-lo? Responda para si mesmo, sinceramente.

* Sem menção, ainda, aos detalhes de uma Festa de Dezenove Dias, como sente, com a leitura e estudo destes primeiros textos, ser o verdadeiro significado desta sagrada instituição?

IV - Com que espírito e atitude mental deve um bahá'í participar da Festa de 19 Dias?

Orienta-nos 'Abdu'l-Bahá:

"Deveis continuar a observar a Festa de Dezenove Dias. É muito importante, é muito benéfico. Porém, aos vos apresentardes às reuniões, antes de entrar libertai-vos de tudo o que tendes em vossos corações.

Libertai vossos pensamentos e vossas mentes de tudo o mais, salvo de Deus, e senti-vos animados. Possam todos transformá-la em uma reunião de amor, fazê-la a causa de iluminação, uma reunião de atração dos corações: circundai essa reunião com as luzes do Concurso Supremo, de modo que possais estar reunidos com o máximo amor." (4)

Uma oração para a Festa de Dezenove Dias:

"Ó DEUS! DISPERSA TODOS AQUELES ELEMENTOS CAUSADORES DE DISCÓRDIA E PREPARA PARA NÓS TUDO AQUILO QUE CAUSE UNIDADE E CONCÓRDIA.

Ó DEUS! FAZE DESCER SOBRE NÓS A FRAGRÂNCIA CELESTIAL E TRANSFORMA ESTA REUNIÃO NUMA REUNIÃO DO PARAÍSO! PREPARA PARA NÓS O ALIMENTO DO AMOR! DÁ-NOS O ALIMENTO DO AMOR! DÁ-NOS O ALIMENTO DO CONHECIMENTO! CONCEDE-NOS O ALIMENTO DA ILUMINAÇÃO DIVINA." (5)

*** Não seriam estes alguns dos "mistérios divinos" que podem ser revelados numa Festa de 19 Dias? ***

Acrescenta o Mestre:

"Lembrai-vos destas coisas, em vossos corações, e então entrai na Festa de Unidade.

Cada um de vós deveis pensar em como tornar felizes e satisfeitos os outros membros de vossa Assembléia (comunidade) e cada um deve considerar a todos aqueles que estão presentes como melhores e maiores que ele próprio, e cada um deve considerar-se menos que os demais. Reconhecei a posição dos demais como alta e considerai vossa própria como baixa.

Se agirdes e viverdes de acordo com estas injunções, verdadeiramente sabei com toda a certeza, que esta Festa é o Alimento Celestial. Esta Ceia é a Ceia do Senhor. Eu sou o Servo desta reunião." (6)

V - AS TRÊS PARTES DA FESTA DE DEZENOVE DIAS:

"No Aqdas, Ele (Bahá'u'lláh) enfatizou especificamente o seu caráter espiritual e devocional, e também sua importância social na comunidade bahá'í como um meio para ocasionar maior companheirismo e unidade entre os crentes. O significado administrativo desta Festa foi afirmado pelo Guardião, em vista da necessidade crescente entre os amigos de um melhor treinamento nos princípios e métodos da Administração Bahá'í.

O significado da Festa de Dezenove Dias é, por conseguinte, triplo. É uma reunião de importância devocional, social e administrativa. Quando todos estes três aspectos são combinados, esta Festa pode e seguramente produzirá o melhor e o máximo resultado. (7)

- De uma carta escrita em nome de Shoghi Effendi, em 2 de outubro de 1935, à Assembléia Espiritual Nacional dos Estados Unidos e Canadá.

Portanto, a Festa de Dezenove Dias deve conter três partes, a saber:

* parte devocional,
* parte administrativa, e
* parte social
1 - PARTE DEVOCIONAL:
Também chamada parte ESPIRITUAL.

Consiste da leitura de orações e de textos sagrados, do Báb, de Bahá'u'lláh e de 'Abdu'l-Bahá. Shoghi Effendi decidiu que textos escritos por ele não sejam lidos nesta parte da Festa. Podem ser lidos durante a parte administrativa. Textos de Livros Sagrados de outras religiões, como a Bíblia, também podem ser lidos na parte devocional da Festa.

Recomenda-se a apresentação de música, no início. Cantada ou instrumental, gravada ou ao vivo, a música deve ser condizente com o ambiente espiritual de uma parte devocional. Shoghi Effendi escreveu que "A música é permitida durante a parte espiritual - ou qualquer outra parte - da Festa de Dezenove Dias" (8)

A leitura bem pronunciada, em voz alta mas reverente, das orações e dos textos sagrados, dá maior espiritualidade à parte devocional, e as palavras lidas tocarão fundo os corações. É recomendável que à cada leitura haja uma pausa de alguns segundos para as pessoas meditarem sobre o significado das Palavras Sagradas e absorverem espiritualmente seu conteúdo.

Quanto tempo deve durar a parte devocional?

O meio termo é recomendável, nem muito, nem pouco tempo. As leituras não devem ser longas demais para não cansar ou diminuir a atenção dos ouvintes. Entre 20 a 30 minutos, é um bom período. O ideal é que, ao final, todos devem sentir-se bem, com a alma enlevada pelas orações, a mente esclarecida pelos textos apresentados. Alegria e contentamento, tranqüilidade e paz de espírito - devem ser os sentimentos de todos ao final da parte devocional.

'Abdu'l-Bahá disse que a Festa de Dezenove Dias "regozija a mente e o coração. Se esta Festa for realizada de maneira correta, os amigos, uma vez em cada dezenove dias, sentir-se-ão espiritualmente revigorados e dotados de um poder que não é deste mundo." (9)

2 - PARTE ADMINISTRATIVA:
Também chamada de parte CONSULTIVA.

Na verdade, esta parte da Festa tem duplo objetivo: O primeiro, apresentar à comunidade reunida na Festa os relatórios das atividades bahá'ís na localidade, a cargo da Assembléia Espiritual Local e de seus comitês.

O tesoureiro dá seu relatório financeiro e os amigos têm o privilégio e a oportunidade de contribuírem financeiramente para os fundos bahá'ís.

Nesta primeira fase da parte administrativa são apresentados, também, relatos e comunicações oficiais dos órgãos regionais e nacionais da Fé, em particular da Assembléia Espiritual Nacional.

Notícias do mundo bahá'í são igualmente dadas, para que todos fiquem a par de pelo menos alguns dos eventos mais importantes ocorridos em outras terras.

Afinal, a comunidade bahá'í mundial é uma grande família, na qual incluem-se todos os bahá'ís. E todos gostam de saber o que está acontecendo com seus "irmãos e parentes" de Fé em outras partes do planeta, e como a Causa está se desenvolvendo no mundo.

A segunda fase da parte administrativa é realmente a parte consultiva, na qual cada bahá'í é livre de dar sua opinião, sua sugestão e fazer recomendações para o benefício e progresso da Causa, tanto a nível local, como nacional e até internacional. A pessoa que estiver representando a Assembléia Local na Festa deverá fazer as anotações e apresentar à sua instituição para consideração e encaminhamento das recomendações feitas aos órgãos devidos.

Há também consultas com a participação formal de todos os presentes. São sobre assuntos trazidos pela Assembléia Local para consulta durante a Festa, ou assuntos levantados por um ou outro dos presentes e devidamente secundados. As decisões tomadas representam a vontade da comunidade e merecerão uma atenção especial da Assembléia Local, a qual, numa Festa posterior, dará ao conhecimento de todos a decisão da Assembléia sobre as moções aprovadas no plenário da Festa.

É na parte administrativa e consultiva que cada bahá'í pode exercer seu direito inalienável de liberdade administrativa e ver reconhecida sua posição de membro da comunidade bahá'í. Observem até que ponto esse direito é reconhecido, nas seguintes palavras de Shoghi Effendi:

"Com referência à sua carta na qual perguntou se os crentes têm o direito de abertamente expressarem crítica sobre qualquer ação ou plano de ação da Assembléia - não só é direito, mas a responsabilidade vital de todo membro leal e inteligente da comunidade de oferecer, total e francamente, mas com o devido respeito e consideração à autoridade da Assembléia, qualquer sugestão, recomendação ou crítica que ele conscienciosamente sente que deve fazer, a fim de melhorar e remediar certas condições existentes ou tendências em sua comunidade local, e é dever da Assembléia também dar cuidadosa consideração a qualquer destes pontos de vista à ela submetidos por qualquer um dos crentes.

A melhor ocasião escolhida para este propósito é a Festa de Dezenove Dias que, além de seus aspectos social e espiritual, preenche várias necessidades administrativas e exigências da Comunidade, sendo a principal entre elas a necessidade de crítica franca e construtiva, e deliberação a respeito da situação dos assuntos dentro da Comunidade bahá'í local.

... entretanto, deve ser enfatizado que todas as críticas e discussões de caráter negativo, que podem resultar no solapar da autoridade da Assembléia como um corpo, devem ser estritamente evitadas. Pois, do contrário, a ordem da própria Causa seria colocada em perigo, e confusão e discórdia reinariam na comunidade." (10)

3 - PARTE SOCIAL:

"A FESTA LHES TEM SIDO ORDENADA UMA VEZ EM CADA MÊS, AINDA QUE SEJA APENAS SERVIDO ÁGUA.

DEUS, VERDADEIRAMENTE, DECIDIU UNIR OS CORAÇÕES DOS HOMENS, AINDA QUE ISSO REQUEIRA TODOS OS RECURSOS DA TERRA E DO CÉU."

BAHÁ'U'LLÁH, no KITÁB-I-AQDAS (11)

Esse trecho do Livro Mais Sagrado da Revelação Bahá'í diz tudo:

** Mesmo que seja servido apenas água...

a Festa deve ser observada... pois Deus decidiu unir os corações dos homens, ainda que isso requeira todos os recursos da terra e do céu.

O mais importante, portanto, na parte social, é a união dos corações... Água é a bebida mais simples e menos custosa. Bahá'u'lláh mencionou-a em Seu Livro das Leis relacionando-a à parte social da Festa de Dezenove Dias... para que ninguém alegue não poder realizá-la a cada mês bahá'í... para que todos, pobre, bem pobres até, possam observá-la, qualquer que seja a localidade onde vivam e por mais humilde que seja a casa onde residem...

Mas, como se explica ser a Festa de Dezenove Dias a CEIA DO SENHOR?

'Abdu'l-Bahá explica:

"Os crentes de Deus devem se reunir e associarem uns com os outros com o máximo amor, alegria e fragrância. Devem comportar-se (nessas Festas) com a maior dignidade e consideração, entoar os versículos divinos, ler com atenção artigos instrutivos, ler as Epístolas de 'Abdu'l-Bahá, encorajar e inspirar-se uns aos outros com amor por toda a raça humana, invocar a Deus com perfeita alegria e fragrância, cantar os versículos, glorificações e louvores ao Senhor, o que subsiste por Si Próprio...

O dono da casa deve servir pessoalmente aos amados. Deve preocupar-se com o conforto de todos e com a máxima humildade deve demonstrar bondade a todos. Se a Festa for organizada desta maneira, e no modo mencionado, esta ceia é a CEIA DO SENHOR, pois o resultado é o mesmo resultado, e o efeito é o mesmo efeito." (12)

Na parte social, o anfitrião é livre de preparar o alimento e a bebida que seus recursos financeiros lhe possibilitarem. O mais importante é o espírito de camaradagem e confraternização, de amor e sincera hospitalidade demonstrado a todos os presentes indistintamente.

Renovados espiritualmente na parte devocional, conscientes e atuantes na parte administrativa, os bahá'ís chegam à parte final da Festa como verdadeiros amigos e irmãos, companheiros de Fé, solidários e unidos - verdadeiros bahá'ís, integrantes de uma verdadeira comunidade bahá'í, onde imperam o amor, a fraternidade, o apoio mútuo e a cooperação sincera.

Chega ao fim mais uma Festa de Dezenove Dias. Todos emocionados, despedem-se felizes e regressam aos seus lares... pensando já na oportunidade de se reunirem novamente... na próxima Festa... dentro de dezenove dias.

Alláh'u'Abhá! Deus é o Mais Glorioso!
VI - OS DEZENOVE MESES BAHÁ'ÍS:

São 19 Festas durante o ano - uma em cada mês bahá'í, realizadas normalmente no primeiro dia de cada mês, conforme o calendário abaixo.

No entanto, a Casa Universal de Justiça permitiu que, para facilitar a maior participação dos amigos às Festas de Dezenove Dias, as comunidades locais poderão realizá-las em data mais conveniente, no sábado ou domingo, e mesmo em horário diurno - sempre dentro do mês bahá'í em comemoração, o mais próximo possível do primeiro dia do mês.

Esta é uma medida provisória, nesta fase do crescimento da Causa.

OS MESES BAHÁ'ÍS:
Mês Nome árabe: Tradução: Primeiro dia:

1 Bahá ............................... Esplendor ........................... 21 de março

2 Jalál ................................ Glória ................................. 9 de abril

3 Jamál ............................. Beleza ................................ 28 de abril

4 Azamat ......................... Grandeza ............................ 17 de maio

5 Núr ............................... Luz ..................................... 5 de junho

6 Rahmat ........................ Mercê ................................. 24 de junho

7 Kalimát ....................... Palavras ............................. 13 de julho

8 Kamál ......................... Perfeição ........................... 1 de agosto

9 Asmá .......................... Nomes .............................. 20 de agosto

10 'Izzat ........................... Força ................................. 8 de setembro

11 Mashiyyat ................... Vontade ............................. 27 de setembro

12 'Ilm ............................. Sabedoria ........................... 16 de outubro

13 Qudrat ......................... Poder ................................. 4 de novembro

14 Qawl ........................... Discurso ............................ 23 de novembro

15 Masá'íl ....................... Perguntas .......................... 12 de dezembro

16 Sharaf ........................ Honra ................................ 31 de dezembro

17 Sultán ....................... Soberania .......................... 19 de janeiro

18 Mulk .......................... Domínio ........................... 7 de fevereiro

--- Dias Intercalares, 26 de fevereiro a 1o de março ---

19 'Alá ............................ Sublimidade .................... 2 de março

CITAÇÕES:

Todas as citações feitas foram tiradas do livro "EM BUSCA DA LUZ DO REINO" - Editora Bahá'í do Brasil, 1986 - tradução de uma Compilação feita pelo Centro Mundial Bahá'í sobre o tópico:

A FESTA DE DEZENOVE DIAS:

* Citação 1 ....................................................................... página 62

* Citação 2 ....................................................................... página 66

* Citação 3 ....................................................................... página 69

* Citação 4 ....................................................................... página 60/61

* Citação 5 ...................................................................... página 61

* Citação 6 ...................................................................... página 61

* Citação 7 ...................................................................... página 73

* Citação 8 ...................................................................... página 84

* Citação 9 ...................................................................... página 57

* Citação 10 .................................................................... página 76/77

* Citação 11 .................................................................... página 53

* Citação 12 .................................................................... página 57/58

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ESCLARECIMENTO FINAL:

"A participação nas Festas de Dezenove Dias não é obrigatória, porém sumamente desejável, e esforço deve ser feito pelos amigos para não se privarem deste ponto de reunião espiritual e comunitária uma vez em cada mês bahá'í."

SHOGHI EFFENDI - 23/12/48

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S H A H I D
O EXEMPLO DE VIDA DE UMA JOVEM MÁRTIR

Relato sobre o martírio de ZARRIN MUGHIMÍ, uma das dez mulheres martirizadas em Shiraz, Irã, no dia 18 de junho de 1983, feito por sua irmã mais velha.

Tradução de Razi Milani, Brasília.
APRESENTAÇÃO

Junto com cada livreto que o CONDIC estará preparando no decorrer do Plano de 3 Anos, tratando de diferentes temas da Fé para aprofundamento espiritual dos bahá'ís, em particular dos novos bahá'ís, e conseqüentemente aprimorando cada vez mais a vida comunitária e a integração dos amigos na Causa de Bahá'u'lláh.

- adicionaremos uma pequena história sobre aspectos da vida bahá'í de heróis da Causa, muitas vezes pessoas pouco conhecidas, pessoas simples, mas gigantes espirituais, exemplos de vida para todos nós.

Os textos estudados trazem a Palavra Sagrada, os esclarecimentos oficiais das Figuras Centrais da Fé sobre os temas apresentados. Mas gostaríamos que, à cada livreto, os amigos conheçam uma nova história sobre alguém que aceitou Bahá'u'lláh, a Ele dedicou sua vida, alguém que foi transformado pelo poder divino do Bem-Amado - exemplos de vida para todos nós.

A narrativa deste livreto é sobre uma das mártires de Shiraz, no inesquecível sábado 18 de junho de 1983, a jovem ZARRIN MUGHIMÍ.

Bem ao final da história é dado o significado da palavra-título: SHAHID. Leiam primeiro a história.

S H A H I D
O EXEMPLO DE VIDA DE UMA JOVEM MÁRTIR

No sábado, 18 de junho de 1983, na cidade de Shiraz, foram enforcadas uma após a outra, dez mulheres que se recusaram a negar sua Fé em Bahá'u'lláh. Afora duas de meia-idade, as outras eram jovens e algumas até adolescentes. A história de Mona, a mais jovem delas, foi publicada em março de 1986 pela Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá'ís do Brasil em um pequeno livreto, publicação que emocionou a todos que a leram.

Outra jovem destemida, audaz, símbolo de dedicação e firmeza na Fé, ao exemplo de outras, foi ZARRIN MUGHIMÍ, de cuja história de amor e sacrifício, relatada por sua irmã mais velha, apresentamos aqui um resumo.

Zarrin nasceu em agosto de 1954. Durante uma curta viagem que sua mãe fez à sua cidade natal, inesperadamente, e antes do tempo, Zarrin nasceu com a ajuda de uma parteira cega.

Até completar 21 anos, Zarrin morou em Teerã, onde completou seu curso universitário como excelente aluna em línguas e ciências humanas, partindo em seguida para Shiráz, onde seu pai tinha a incumbência de reformar a sagrada casa do Báb e onde permaneceu até os 28 anos de idade, quando foi martirizada.

Desde a infância, Zarrin tinha uma voz forte e uma dicção clara. Aos cinco anos, nas reuniões, declamava versos e poemas. Num inverno rigoroso, quando a pesada neve havia obstruído muitas ruas e passagens, os pais sugeriram que, devido à pesada neve e à falta de condução, excepcionalmente naquele fim de semana faltasse à aula bahá'í (para as crianças). Ela tinha 12 anos. De repente começou a chorar, dizendo que, se devido a uma nevada deixasse de assistir à aula bahá'í, como poderia no futuro servir à Causa? A mãe ficou obrigada a acompanhá-la a pé até o local da aula.

Sua atração pelo estudo e leitura era imensa. Na escola e universidade sempre tirava as melhores notas. Havia memorizado todo o Kitáb-i-Aqdas, e muitos versos do Alcorão. Seu estilo de escrever era simples, fluente e agradável. Suas cartas testemunham este fato. Sua paixão pela Causa não conhecia limites.

A partir de 15 anos tornou-se professora de aulas bahá'ís para as crianças. Adorava a história dos mártires e as ensinava aos alunos.

Amor, sacrifício, desprendimento, humildade e simplicidade eram características marcantes dela. Um amor profundo ligava-a ao pai. Certa vez, quando tinha menos de 15 anos, vi no canto de seu livro de anotações que qualificava sua família como seu tesouro mais precioso, e continuava: ... "Se os homens tivessem a liberdade de escolher os pais, de que maneira eu poderia encontrar um pai como o meu? E mesmo encontrando, se o padrão fosse a justiça, não o dariam a mim." Mais adiante, agradece a Deus por ter a família que tinha.

Em Teerã, enquanto na universidade, paralelamente participou de um curso de quatro anos de estudo profundo sobre a Fé. Ao concluir a universidade, seu único objetivo era sair como pioneira para alguma meta dentro ou fora do país. Porém, não teve sucesso. Por ser bahá'í, as autoridades, antes da revolução islâmica, impediram que conseguisse trabalho nas metas de pioneirismo. Não tendo outra opção, foi a Shiraz e começou a trabalhar em uma usina petroquímica como tradutora e assistente administrativa. Mas a preocupação de não ter tido a oportunidade de servir à Causa torturava-a profundamente e por isso muitas noites orava e chorava até que teve um sonho, que assim o descreveu:

"Sonhei que Bahá'u'lláh estava na casa do Báb em Shiraz e os bahá'ís do bairro entravam um a um na sala, visitavam a Abençoada Beleza e saiam. Eu, porém, não tive coragem de entrar na sala e fiquei à porta até que todos O visitassem. Nesse momento, Bahá'u'lláh levantou-se para subir ao aposento superior. Bastante triste, pensei: 'Ai de mim, que mesmo tendo esta oportunidade, não fui digna de chegar à Sua presença.'

De repente, Bahá'u'lláh parou e me chamou. Entrei. A Abençoada Beleza me abraçou, encostou minha cabeça em Seu peito e disse: 'Por que está tão preocupada? Você, finalmente, vai alcançar o desejo de seu coração.' Após esse sonho, Zarrin se acalmou.

Devido a incumbência do pai, a família morava na mesma rua da casa do Báb, no lado oposto, numa casa que pertencia à Fé. Zarrin amava Shiraz por ser a terra natal do seu amado, e quando começaram a destruir a casa do Báb, assistiu a tudo e constantemente falava sobre a Causa com os responsáveis pela demolição.

A casa de Zarrin não estava no plano de demolição, porém o governo criou sérios problemas à família. O governo mandou cortar o fornecimento de água e luz. E mais, mandou um grupo de ciganos, que viviam na rua, ocupar todos os aposentos, deixando apenas dois quartos no andar de cima para a família de Zarrin. Entre os ciganos havia um homem viciado em ópio e um menino louco. Os pais de Zarrin tinham uma casa em Teerã, mas como a Assembléia de Shiraz havia recomendado que os bahá'ís, até onde pudessem, não desocupassem as casas onde moravam, eles permaneceram naquela casa. Numa carta, ela escreveu:

"A situação continua a mesma, sem água e sem energia. Fizemos um furo na parede do porão para a casa do vizinho, e esse por sua vez fez um furo para a casa do outro vizinho onde há uma torneira. O dia que é nossa vez de recebermos água, às 4 horas da manhã a mãe desce ao porão, com uma lamparina, segurando-a na frente do buraco e movendo para a direita e para a esquerda. Com a luz da lamparina, a vizinha percebe e passa a longa mangueira para o nosso lado, pois ao clarear o dia acaba a pressão da água. Estamos passando dias incríveis. Embora muito difíceis, são os dias mais preciosos de nossas vidas.

Os vizinhos invasores, sabendo que conviver com eles era dificílimo, pensaram que ao ocuparem nossa casa, íamos logo evacuá-la. Estão perplexos e admirados ao verem que já se passaram sete meses e não nos mexemos."

Após a revolução, o governo começou a demitir todos os servidores bahá'ís. A essa demissão em massa deram o título de "Purificação". Numa de suas cartas, Zarrin escreve: 'Eu também fui atingida pela "Purificação". Foi muito interessante. Em nosso departamento éramos oito. Chamavam um a um para ouvir das próprias pessoas a confissão da fé, tentando nos guiar ao Islamismo. Todos os oito, com coragem e bravura, firmemente confirmaram sua fé em Bahá'u'lláh, e este assunto repercutiu como uma bomba no departamento. Eu fui a última a ser chamada. Conversei com o chefe durante 20 minutos, provando a veracidade da Causa. Foi um dia ímpar na proclamação da Fé. No dia em que fui me despedir dos colegas, todos estavam abatidos. As meninas choravam. O chefe disse que admirava do fundo do coração a nossa coragem e firmeza. Foi um dia maravilhoso. Senti que naquele dia recebi a recompensa de todo o tempo que havia trabalhado. Nunca tinha visto uma demissão tão honrosa.'

Sua coragem era espantosa. Em qualquer lugar que fosse necessário, ela estava presente para defender a Causa e provar sua autenticidade. Mais tarde, quando era julgada nos tribunais revolucionários, com a voz firme e vibrante, baseando-se nos versos do Alcorão, provava a veracidade de sua Fé.

Era uma grande admiradora de Martha Root. Numa entrevista, em resposta ao repórter da revista da Juventude Bahá'í no Irã, que lhe perguntou: 'Você gostaria de ser qual das figuras proeminentes do passado?', Zarrin respondeu: 'Martha Root, pois ela só pensava no ensino.'

Ultimamente, havia sido nomeada ajudante do Membro do Corpo Auxiliar. Visitava os presos e as famílias atingidas pelas perseguições, enquanto, paralelamente, dirigia três classes diferentes para os adolescentes e os jovens.

Relata nas seguintes palavras a visita que fez a alguns prisioneiros:

'Não podes imaginar que mundo é dentro da prisão. Ao entrar nela, a gente sente a absoluta falta de valor deste mundo. Lá, parece estar-se muito próximo do Reino de Abhá. Seus semblantes luziam de uma maneira estranha, como se estivessem nos olhando do outro mundo, onde os valores materiais inexistem. Um dos presos, com seus olhos brilhando muito, disse: "Zarrin, viu como finalmente alcancei o meu maior desejo?"

Senti-me insignificante. Constatei que são esses heróis anônimos os que verdadeiramente carregam a bandeira de "Yá Bahá'ul-Abhá."

Nós não passamos de meros expectadores.'

Finalmente, em dezembro de 1982, à meia-noite, os guardas invadiram sua casa e prenderam Zarrin e seus pais. Fizeram o mesmo com um grande número de bahá'ís. Após quatro meses de aprisionamento, libertaram sua mãe. Mas pouco depois, enquanto ela se preparava para ir visitar seu marido na prisão, os guardas chegaram e despejaram todos os seus móveis e pertences no meio da rua.

Para depor, vedavam os olhos dos prisioneiros, e, depois, eles eram obrigados a segurar uma ponta de um jornal enrolado, cuja outra ponta ficava na mão do guarda, o qual os guiava até o tribunal. Uma das sessões com Zarrin durou onze horas. A mãe, também presa, desmaiou de preocupação e desespero diante da inexplicável demora da filha.

Ao longo dos interrogatórios, Zarrin abertamente e com total coragem havia confessado sua crença na veracidade das religiões anteriores, e sua fé na nova Manifestação de Deus na pessoa de Bahá'u'lláh. Devido ao seu profundo conhecimento, a solidez de sua argumentação espantava e atemorizava os juízes. Ela relatou o seguinte fato:

'No curso dos constantes relatórios que duravam longas horas, certo dia, de olhos vendados, me levaram à sala do tribunal. Observei que ao contrário dos outros dias que deveria responder por escrito às questões, mandaram responder verbalmente. A todas as perguntas, que giravam em torno de minha crença e Fé, respondi baseada nas Escrituras da Causa e nos versos do Alcorão.

Percorrida mais de uma hora de diálogo, de repente ouvi o juiz dizer o seguinte:

"Meus senhores, eu já perguntei tudo o que queria. Ela confessa que é bahá'í e conforme os versos do Alcorão afirma que o Prometido já apareceu. Eu já não sei como contestar. O que vocês respondem a esta menina? Qualquer pergunta que tiverem, façam-na."

Após uma breve pausa, sem que alguém se manifestasse, senti que algumas pessoas se levantaram e saíram. Falei ao meu interlocutor que, desde que estou de olhos vendados não posso saber o que está se passando. Será que haviam outras pessoas além do senhor? O juiz respondeu que ele me interrogara diversas vezes e que quando contou a outros juizes sobre minha coragem e profundo conhecimento, eles não acreditaram. Por isso os convidara para pessoalmente assistirem o interrogatório e dessem a sentença que julgassem devida. Depois, perguntou-me: "A teu juízo, qual deveria ser a nossa sentença com relação a ti?" Respondi que a máxima seria a morte. Porém, achei necessário compartilhar com o senhor toda a verdade que conheço e tenho convicção, para que no mundo do além, na presença de Deus, não me sinta omissa e culpada.'

Após os vários interrogatórios, os presos eram levados a uma sessão onde tinham apenas uma escolha: = Renegar sua Fé, ou a morte!

Quando Zarrin foi convidada a optar por uma ou a outra, respondeu que já havia encontrado o caminho da verdade e que não o trocaria por nada neste mundo. E ainda beijaria a sentença. O juiz insistiu que ela deveria abandonar sua Fé. Zarrin respondeu que já fazem tantos dias que o senhor está me interrogando e eu já dei a resposta convincente e final. Creio não haver necessidade de repetição. O juiz teimou em insistir. Zarrin caiu em pranto e disse:

'Não sei com que língua devo repetir que minha existência pertence a Bahá'u'lláh, meu amor e meu coração são de Bahá'u'lláh. Por que não me deixam em paz?'

O juiz, bastante irritado, disse: "eu arranco teu coração do teu peito" - e ela respondeu que ainda assim o coração bradaria: BAHÁ'U'LLÁH! BAHÁ'U'LLÁH!

Na Corte Revolucionária de Shiraz, Zarrin era conhecida como uma destemida instrutora bahá'í.

Após suportar oito meses de durezas e tratamentos desumanos, e em seguida à visita habitual com os familiares, Zarrin e mais nove companheiras de prisão foram levadas diretamente para o enforcamento.

A mãe relata: 'Sábado, 18 de junho, à tarde, fui visitar Zarrin. O calor era insuportável. Levava frutas frescas para ela. O semblante de Zarrin era diferente. Pediu para orasse por ela, para que Deus lhe concedesse firmeza. Para não me ver emocionada, não se despediu. Sempre me dizia que não deveria ter esperança em sua libertação. Mas jamais eu poderia imaginar que essa fosse a última visita, e que em seguida ela seria martirizada.

Domingo, de manhã cedo, soube que na noite anterior haviam sido enforcadas dez mulheres bahá'ís. Aflita, corri à casa de uma família bahá'í. Eles não sabiam de nada. Corri para outra casa quando, no meio do caminho, deparei-me com três amigos, com os olhos cheios de lágrimas, que sabiam do acontecido.

Numa folha de papel que continha os nomes das mártires, vi o nome de Zarrin. Desesperada e em prantos corri para a prisão que nos últimos oito meses se tornara o foco central de nossa vida. Permitiram que eu entrasse no necrotério. Nunca pude imaginar, que depois de ver aquela cena trágica, naquele dia histórico, pudesse sobreviver. O que passei naquele dia e o que presenciei, jamais poderei esquecer.

Meu Deus do Céu! Dez anjos estão deitados lado a lado. Conhecia todas, pois havia passado quatro meses junto com elas. Visitei todas as dez. Agora, via-as nesse estado. Uma mãe deitada ao lado da filha. Entre outras, observei Zarrin. Dormia tranqüilamente. Abracei seu corpo imóvel. Encostei meu rosto em seu rosto lindo e frio, e representando toda a família beijei a marca da corda em seu delicado pescoço. Seu rosto estava absolutamente normal e em paz.'

Foi num sábado, 18 de junho de 1983, em Shiraz, cidade natal do Báb, quando as 10 heroínas da humanidade foram brutalmente martirizadas. Cada uma delas assistiu o enforcamento das outras. Inclusive uma jovem presenciou o enforcamento da mãe.

Assim o fizeram como última tentativa para forçá-las a renegarem sua fé em Bahá'u'lláh. Mas nada, nem aquelas cenas apavorantes e horrendas conseguiram desmoronar a fortaleza da fé da qual estavam possuídas.

Inabaláveis, foram elas, até o fim!

Eles pensaram que as mataram. Mas elas, muito antes, haviam se desprendido de tudo o que pertencesse ao mundo material e tinham entregado seu coração e alma inteiramente ao amor de Bahá'u'lláh, tornando-se a exemplificação deste versículo das Palavras Ocultas:

"Ó FILHO DO HOMEM!
SE ME AMAS, NÃO TE PRENDAS A TI MESMO!

E SE BUSCAS MEU PRAZER, NÃO CONSIDERES O TEU PRÓPRIO, PARA QUE TU MORRAS EM MIM E EU POSSA VIVER ETERNAMENTE EM TI."

Elas estarão para sempre na presença do Bem-Amado na condição de SHAHÍD - MÁRTIRES.


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