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Administração Bahá
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Adib Taherzadeh : Administração Bahá
Administração Bahá'í
Uma Dádiva Divina
Editora Bahá'í
1984
Título original: "Trustees of the Merciful"
INTRODUÇÃO

O falecimento de 'Abdu'l-Bahá em 1921 marca, de um lado, o fim da Mais Gloriosa Era da Dispensação Bahá'í, a Idade Heróica ou Apostólica e, do outro, a abertura da Idade Formativa, que é uma época de transição e que deve, por fim, preceder e introduzir a Idade de Ouro da Fé, quando a Soberania de Bahá'u'lláh e a Ordem Mundial da Sua Fé estarão por todo este planeta.

A Idade Heróica, que começou com a Declaração do Báb e em 1844 (e que perdurou por 77 anos), testemunhou o aparecimento de dois Manifestantes de Deus, o Báb e Bahá'u'lláh, assim como o estabelecimento de um poderoso Convênio cujo Centro foi a pessoa de 'Abdu'l-Bahá. Nesta Idade, a Revelação Divina verteu Seus esplendores por cerca de 50 anos sobre este mundo. Foram liberadas, para a humanidade, as energias espirituais destinadas a revitalizar toda a espécie humana e estabelecer, na plenitude do tempo, uma Nova Ordem Mundial, cuja glória os Profetas do passado predisseram.

O Profeta Mártir da Fé, o Ponto Primordial "do qual foram geradas todas as coisas criadas", no primeiro período daquela Idade, fez soar a trombeta do alvorecer de um Novo Dia e, por fim fim, através do Seu próprio martírio irradiou um imperecível brilho à Causa de Deus.

No segundo período daquela Idade, revelou-se Bahá'u'lláh a Suprema Manifestação de Deus, em Cujo advento "os corações de todos", os "Mensageiros e Profetas" de Deus, foram postos em 'prova, "cuja presença", Moisés "tanto desejou atingir", por "cujo amor" o espírito de Jesus "ascendeu aos céus", "e a beleza de cujo Semblante" Maomé "tanto desejou fitar", e "por Quem" o Báb "ofereceu a Sua própria vida", e, com as efusões de Sua Revelação, soprou "uma nova vida em todos os seres humanos". Foi no transcorrer deste período - que chegou a durar quase 40 anos, que foram revelados e promulgados os ensinamentos, as leis e os preceitos de uma Fé que está destinada a regular a vida da espécie humana e a governar as operações destas instituições mundiais durante um período de nada menos do que mil anos.

Depois da ascensão de Bahá'u'lláh, foi 'Abdu'l-Bahá, o "Mistério de Deus", "Aquele em torno do Qual giram todos os nomes" que, durante 29 anos que constituíram o terceiro e último período da Idade Heróica, enriqueceu e interpretou as Sagradas Escrituras, cingiu a Causa de Deus em Sua alma, preservou-a da furiosa investida dos Rompedores do Convênio de Bahá'u'lláh, promoveu-Lhe os interesses face a amargas hostilidades e propagou-Lhe a Mensagem pelo mundo Ocidental.

O falecimento de 'Abdu'l-Bahá marca o nascimento da Ordem Administrativa e introduz a Idade Formativa. A figura central desta Era é Shoghi Effendi, o Guardião da Causa de Deus. Foi a ele que 'Abdu'l-Bahá enalteceu como "o Primeiro dos Ramos do Divino e Sagrado Loto", a "Pérola sem Preço" e a "Luz que cintila desde a Aurora da Orientação Divina".

Durante 36 anos Shoghi Effendi guiou o mundo bahá'í na construção dos alicerces da Ordem Administrativa, cujas características haviam sido claramente delineadas por Bahá'u'lláh e por 'Abdu'l-Bahá. Legou, em volumosos escritos e em suas cartas a pessoas e Assembléias, uma enorme riqueza de orientações que deverão atingir e inspirar o mundo bahá'í nas múltiplas tarefas com que terá de se confrontar durante o transcorrer da Idade Formativa.

Os primeiros 25 anos do Ministério do Guardião, se constituíram na primeira época da Idade Formativa. A segunda começou em 1946, testemunhou o falecimento de Shoghi Effendi (em 1957), e terminou em 1963, quando foi criada a Casa Universal de Justiça.

A Casa Universal de Justiça, esta majestosa instituição que Bahá'u'lláh ordenou que fosse o corpo supremo da Fé e sobre a qual conferiu Sua infalível guia, dirige, hoje em dia, os bahá'ís na mesma tarefa de erguer as instituições da Fé por todo o mundo.

Nesta Dispensação, a mais meritória de todas as ações tem sempre sido o ensino da Causa de Deus. No entanto, em cada fase do desenvolvimento da Causa, os crentes enfrentaram uma incumbência específica que exigiu sua total e dedicada atenção. Nos primeiros dias do início da Fé, por exemplo, os seguidores do Báb freqüentemente tiveram que desembainhar a espada e se defender contra os ferozes ataques lançados por seus inimigos. Naquele tempo, o chamado para o dever soava, com freqüência, como na imortal frase de Mullá Husayn "Montai vossos corcéis, ó heróis de Deus!"

Em um período posterior, porém, durante o Ministério de Bahá'u'lláh, os crentes receberam uma incumbência diferente; era a de embainhar a espada e pregar a Causa com o máximo amor, com sabedoria e mesmo oferecer a própria vida; se a ocasião o exigisse. Muitos foram os que, durante esse período, sorveram o cálice do martírio com alegria e gratidão e, com o próprio sangue, proclamaram a Causa de Deus às multidões.

Durante o Ministério de 'Abdu'l-Bahá, embora continuassem os crentes a propagar a Causa do mesmo modo, a ênfase mudara. Durante este período, o Convênio de Deus fora violado, ato este que trouxe como conseqüência uma crise de tal magnitude que a proteção da Causa de Deus contra os ataques dos rompedores do Convênio tomou precedência sobre todas as demais atividades. Neste período os crentes se reuniram em torno de 'Abdu'l-Bahá, o Centro do Convênio, e com determinação e constância, protegeram a Causa de Deus dos ataques dos infiéis.

Na Idade Formativa a principal tarefa delegada aos bahá'ís de hoje, além de ensinar e proclamar a Causa, é a construção da Ordem Administrativa de Bahá'u'lláh; os crentes trabalham juntos para o estabelecimento das Assembléias Espirituais, locais e nacionais, em toda parte do globo.

O aumento fenomenal do número dessas instituições divinas e a necessidade de sua consolidação, tornam necessário aos bahá'ís aprofundarem-se nas verdades da Fé e nos princípios da Ordem Administrativa. Realmente, uma das maiores responsabilidades que repousa sobre os ombros dos membros das Assembléias Espirituais, é que devem se familiarizar completamente com os princípios administrativos da Fé, delineados por Bahá'u'lláh, 'Abdu'l-Bahá e Shoghi Effendi.

Assuntos ligados à administração da Fé, ou aos procedimentos da Ordem Administrativa, não são tratados nas páginas que se seguem. A finalidade é, antes, delinear a origem da Ordem Administrativa, esboçar os padrões espirituais e princípios que regem o funcionamento da Assembléia Espiritual, salientar a importância da compreensão do espírito da Ordem Administrativa e de obedecê-la e, finalmente, narrar o desenvolvimento das instituições administrativas da Fé durante o transcorrer dos primeiros 50 anos da Idade Formativa.

Os altos padrões, e os sublimes ideais mencionados no segundo capítulo deste trabalho são baseados nos escritos de Bahá'u'lláh, 'Abdu'l-Bahá e Shoghi Effendi, e não nos sentimentos e experiência do autor, que é profundamente consciente de suas limitações no serviço da Causa de Bahá'u'lláh, consciência esta que aumentou mais ainda durante a preparação deste trabalho.

Adib Taherzadeh
Dun Laoghaire, Co. Dublin, Irlanda
Julho de 1971
Capítulo 1
A REVELAÇÃO DIVINA
A Palavra de Deus

Um dos ensinamentos que foram inequivocamente proclamados por Bahá'u'lláh é que as religiões do mundo são divinas em sua origem e que seus respectivos Fundadores são Manifestantes de Deus, Os Quais, através do Seu aparecimento tem liberado ao mundo, em cada era, energias espirituais destinadas a elevar a humanidade e a incrementar-lhe o progresso.

O veículo e o portador dessas energias, em cada revelação, tem sido a Palavra de Deus, revelada por Seus Manifestantes. A palavra Deles tem sido criativa e, em virtude da sua potência e influência, penetrou nos corações criando, assim, em cada era, urna nova civilização e urna nova raça de homens. A revelação das palavras de Deus pode ser comparada à queda da chuva. No momento da queda, todas as plantas são diretamente revivificadas· pela sua. força animadora.

Quando. a chuva cessa, entretanto, a Água da Vida só poderá ser obtida nos reservatórios criados pela chuva. Assim, também, a Palavra de Deus, revelada por cada Manifestante, concedeu vida nova a quem esteve em contato direto com ela. Em cada era o poder criativo da Palavra confere vida eterna e o espírito de fé sobre aqueles discípulos que tenham tido o privilégio de estar na presença do Manifestante Divino. Mas quando o Profeta se vai, e as chuvas primaveris da revelação cessam os crentes fiéis voltam-se para o repositório da Palavra Revelada - as Escrituras deixadas.

Em Dispensações anteriores cada crente enchia seu copo nesse reservatório espiritual que continha a Água da Vida. Primeiro bebia e depois, distribuía sua Água da Vida. Primeiro bebia e depois,distribuía sua Água Vivificadora para os demais; era assim que as religiões eram ensinadas e disseminadas. Nessa analogia do reservatório, entretanto, se fosse permitido às pessoas tocar a água com as mãos e colocar seus vasilhames dentro dela a fim de distribuí-la a outros e se imergirem em sua profundeza, a pureza da água acabaria por imergirem em sua profundeza, a pureza da água acabaria por se perder, depois de passado algum tempo. De igual modo, o livre acesso ao reservatório espiritual dos ensinamentos e da Palavra de Deus, introduzindo idéias insalubres, teorias e interpretações e, manipulando a Fé de Deus perniciosamente, os homens adulteram a Água da Vida e sua pureza perde-se para sempre.

Os seguidores de cada religião receberam primeiro inspiração das escritura e, então, transmitiram o bálsamo da mensagem do Profeta para os outros. Nas dispensações anteriores cada crente e era livre para interpretar a palavra de Deus de acordo com a própria compreensão. Os homens então, introduziram suas idéias imperfeitas na Fé Divina. Logo a pureza dos ensinamentos se perdia, o seguidores se dividiam e o cisma se introduzia na religião, Por exemplo, o corpo de Maomé ainda estava insepulto e Seus seguidores já se dividiam em duas seitas que, logo, produziriam numerosas outras. A Palavra de Deus, pura e redentora, caiu em mãos malévolas que a manipulou a fim de atingir objetivos puramente egoístas. Assim aconteceu com as religiões do passado.

Nesta Dispensação, que é a consumação das religiões e dos ciclos do passado, e que anuncia o advento do "Dia de Deus", a Revelação de Bahá'u'lláh tem algumas características próprias, através das quais a unidade da comunidade está garantida. Uma delas é a autenticidade e a imensidão da Palavra revelada. Ao contrário das antigas Dispensações todas as palavras de Bahá'u'lláh foram escritas por Seus próprios amanuenses. no momento da revelação e Bahá'u'lláh autenticou com um de Seus selos algumas e Suas Epístolas contendo a Palavra revelada. Assim é que não há qualquer sombra de dúvida quanto à autenticidade delas.

Em contraste com o que pode ser considerado como sendo algumas chuvaradas isoladas nas antigas Dispensações, a Palavra de Deus, nesta era, desabou sobre a humanidade em poderosas torrentes por um período de nada menos que quarenta anos, deixando, por trás de si, o vasto oceano das Escrituras Bahá'ís. Tão rápida foi a revelação da Palavra de Deus, neste Dia, que no intervalo de uma hora, o equivalente a mil versos foram revelados por Bahá'u'lláh. Ele Mesmo, às vésperas do final de Sua vida terrena, testificou que, se todas as Palavras reveladas fossem compiladas, chegariam a preencher quase cem volumes.

O Convênio de Bahá'u'lláh

A segunda característica eminente foi a dádiva especial de Bahá'u'lláh à humanidade. Essa dádiva foi a pessoa de 'Abdu'l-Bahá. Foi Ele quem Deus criou com a finalidade especial de atuar, depois da ascensão de Bahá'u'lláh, como um poderoso reservatório no qual se contivesse o grande oceano da Sua Revelação. Bahá'u'lláh não deixou Sua Palavra e Revelação abertas a todos, depois de Sua ascensão. Antes, confiou-as a 'Abdu'l-Bahá. Em Seu Testamento, redigido com Sua própria mão, nomeou 'Abdu'l-Bahá como o Centro de Seu Convênio, e ordenou a todos os crentes que se volvessem a Ele a fim de receber seu quinhão de bênçãos que Deus concedeu à humanidade através de Sua Revelação.

A ninguém concedeu Ele o direito de interpretar Seus escritos, ou de adicionar ou subtrair um ponto sequer do que havia sido por Ele revelado. Somente 'Abdu'l-Bahá poderia explicar o significado e a finalidade das Palavras de Bahá'u'lláh. Assim, o poderoso Oceano de Revelação que foi deixado por Bahá'u'lláh foi confiado à pessoa de 'Abdu'l-Bahá. A fim de protegê-lo das mãos dos infiéis, Ele agiu como se fosse um muro em torno deste Oceano, protegendo-o e selando-o contra a interferência humana. Tão completamente Ele incorporou e assimilou a Revelação de Bahá'u'lláh em Sua alma, que depois da ascensão de Bahá'u'lláh, foi somente através de 'Abdu'l-Bahá que a redentora força de Sua fé e todas as energias espirituais emitidas por Ele puderam fluir para a humanidade.

Embora não fosse um Manifestante de Deus, 'Abdu'l-Bahá teve a autoridade de Manifestante a Ele conferida, em virtude de haver sido o Repositório do Oceano da Revelação de Bahá'u'lláh. Em Sua alma, este grande Oceano ondulou por 29 anos e Ele conferiu suas águas vivifica-me a milhares e milhares de homens e mulheres, no ocidente e no oriente. Durante esse período, todavia, muitos atentados inescrupulosos partiram de dentro da própria comunidade para destruir a Causa de Deus, e para penetrar pelas muralhas que protegiam aquele Oceano, e muitos foram os seguidores destacados da Fé, que se rebelaram contra o Centro do Convênio, a fim de' promover seus próprios e egoístico desejos, introduzindo suas idéias e ensinamentos para dividir a Fé de Deus e, conseqüentemente, contaminar a Água da Vida.

Mas, o Convênio de Bahá'u'lláh estava alicerçado sobre uma base bastante firme e os que protegiam o Oceano eram inexpugnáveis. Inumeráveis foram as almas heróicas que serviram, fiel e devotadamente, a 'Abdu'l-Bahá, com o máximo de sinceridade e fé. Juntaram--e em torno dEle e como leões, defenderam o Convênio de Bahá'u'lláh contra as investidas dos infiéis de tal modo que no fim, acabaram por transferir à atual geração e às gerações por ir, a Palavra de Deus inalterada, a pura Água da Vida que no transcorrer do tempo haverá de revivificar as almas de toda a humanidade.

A Idade Formativa

Com o falecimento de 'Abdu'l-Bahá em 1921, começou a Idade Formativa. A primavera se acabara e os primeiros estágios do verão foram introduzidos. O grande e eterno.Convênio de Deus com a humanidade para esta Dispensação, em contraste com o Convênio de Bahá'u'lláh com Seus seguidores, estava agora completado. Tudo quanto Deus conferiu à humanidade neste Dia, pode se dizer que consiste de duas coisas:

1. O Oceano da Revelação de Bahá'u'lláh (que inclui a do Báb também), e,

2. Seu Repositório, 'Abdu'l-Bahá.
Essa foi a parte de Deus no Convênio.

Os crentes, na Idade Formativa, teriam, agora, que desincumbir-se dos seus respectivos papéis, como ficou disposto por 'Abdu'l-Bahá em Seu Testamento, na construção das instituições que deveriam desempenhar o papel de canais destinados a levar a todas as partes do planeta a Água da Vida que constituiu o Oceano da Revelação de Bahá'u'lláh.

Esta é a parte do homem no grande Convênio de Deus. Conhecendo suas limitações e imaturidade, 'Abdu'l-Bahá não abandonou os crentes nesta tarefa. Deu-lhes Shoghi Effendi, a quem descreveu como uma pérola única e sem preço, o "Primeiro dos Ramos do Divino e Sagrado Lato", a luz que "cintila desde a Aurora da Orientação Divina", Sinal de Deus na Terra, Guardião da Causa de Deus, Expositor e Intérprete da Palavra Divina. Durante o Ministério de Shoghi Effendi, as efusões da Revelação de Bahá'u'lláh, puras e autênticas, atingiram os crentes através da Instituição da Guardiania. O esboço das instituições locais, nacionais e internacionais - canais projetados para levar a Água da Vida - já haviam sido traçados por Bahá'u'lláh e 'Abdu'-Bahá. Shoghi Effendi arcou com a tarefa da construção.

Seguindo a analogia do reservatório e dos canais, poder-se-ia dizer que Shoghi Effendi atuou como a estação de bombeamento, ligando o Oceano da Revelação de Bahá'u'lláh à vasta rede de Assembléias Espirituais, locais e nacionais. Assim como o suprimento de água é bombeado do reservatório central, primeiro através das manilhas mestras, depois pelos canos locais, pura e acética até cada um dos lares, do mesmo modo as forças vitalizantes da Fé de Bahá'u'lláh fluíram desde o Centro Mundial, através do Guardião, até as Assembléias Nacionais , e dela às Assembléias Locais por todo o mundo. Deste modo o espírito da Fé fluiu para as pessoas sem ser adulterado pelo homem. Com o estabelecimento da Casa Universal de Justiça, algum tempo depois do falecimento de Shoghi Effendi, o coroamento do edifício da Ordem Administrativa de Bahá'u'lláh foi erigido. Hoje as forças vivificadoras mundiais provenientes da Fé, contidas no Oceano da Revelação de Bahá'u'lláh, fluem da Casa Universal de Justiça através da vasta rede de Assembléias Espirituais Nacionais e Locais, conferindo vida espiritual sobre as multidões de todas as partes do mundo.

Capítulo 2
AS INSTITUIÇÕES DIVINAS
O Funcionamento das Assembléias Espirituais

As Assembléias Espirituais são instituições divinas, criadas por Bahá'u'lláh. Sobre aqueles que nelas servem, conferiu Ele uma bênção inestimável, permitindo que participem na construção da estrutura de Sua Ordem Mundial, agora em forma embrionária. Por grande que seja este privilégio, os membros dessas instituições se defrontam com estarrecedoras responsabilidades uma vez que, através da aplicação dos princípios espirituais contidos na Ordem Administrativa, tanto podem estabelecer fortes e saudáveis Assembléias, solidamente implantadas e funcionando harmoniosamente ou, por outro lado, degenerar em um simples corpo desprovido de espírito, bem organizado mas cheio de tensões, problemas, atritos e desentendimentos.

Os bahá'ís dos primeiros dias, os que viveram e trabalharam na Idade Heróica, não tinham estas responsabilidades ou problemas. Tendo entrado em contato direto com o Supremo Manifestante de Deus, e com o Centro de Seu Convênio, tornaram-se uma nova criação, dotados de qualidades divinas, inteiramente despreocupados de si próprios e inteiramente atraídos a Bahá'u'lláh. Inebriados pelo vinho de Seus pronunciamentos e completamente devotados a Ele, estas almas santas, tal como plantas, foram refrescadas pelas chuvas primaveris de Sua Revelação.

Extraíam seu sustento e forças, direta e independentemente do Centro da Causa. Estes primeiros crentes tinham comunicação direta com Bahá'u'lláh e 'Abdu'l-Bahá e uma grande parte das Epístolas que temos hoje, foram reveladas em resposta às cartas escritas por eles, solicitando orientação, ou fazendo as mais variadas perguntas. Naquela época não havia razão para aborrecimentos e mal entendidos, tensões e atritos entre os crentes, uma vez que não havia vida comunitária; foi então que a Causa produziu Seus expoentes espirituais.

No entanto, na Idade Formativa, os seguidores de Bahá'u'lláh precisam trabalhar em conjunto nas comunidades bahá'ís. As chuvas primaveris da Revelação de Bahá'u'lláh cessaram, e o espírito da Causa de Deus, a Água a Vida que animava numa época anterior um grupo de heróis inteiramente dedicados a Deus, só pode, hoje em dia, atingir e refrescar os crentes através das instituições de uma Ordem divinamente estabelecida, o Guardião, que implantou os alicerces dessa Ordem, e cujo espírito dominará, sem qualquer dúvida o período inteiro da Idade Formativa da Fé, ao se referir ao nascimento da Ordem Administrativa, resumiu o processo com as seguintes palavras:

"Aquele Espírito imortal, fadado a vitalizar o mundo que nascera em Shíráz, cuja luz se reacendera em Teerã e se transformara em chama em Bagdá e Adrianópolis, que fora levado ao Ocidente e já iluminava as orlas de cinco continentes alcançara agora o momento propício para encarnar-se em instituições destinadas a canalizar suas energias transbordantes e a estimular seu crescimento."

As Assembléias Espirituais, "os principais tendões da Sociedade Bahá'í" que, no futuro se transformarão nas Casas de Justiça nacionais e locais, são realmente canais através dos quais o espírito revificante da Fé fluirá.

A Assembléia Espiritual não é mera reunião de nove pessoas é, isso sim, uma instituição divina na qual elas se tornam instrumentos para o fluxo do espírito; os membros das Assembléias Espirituais freqüentemente são e origens sociais, intelectuais e espirituais diferentes. Jovens e velhos, ricos e pobres, cultos e analfabetos, veterano e recém-ingressados, todos podem se sentar juntos, como membros de uma Assembléia Espiritual. Essa diversidade de modo de pensar, de cultura, de costumes e origens que poderiam ser motivo de incompatibilidade que dificultaria o trabalho de uma organização não bahá'i, se torna uma fonte de força e de bênçãos na Assembléia Espiritual em que seus participantes, longe de se ater às suas diferenças de educação, capacidade e habilidade, podem trabalhar juntos, de acordo com o espírito de Bahá'u'lláh e de Sua Ordem Administrativa, para criar um corpo amoroso e harmonioso pulsando com o espírito da Causa e demonstrando, assim, o dinamismo do seu poder coesivo.

O Papel do Indivíduo

Usando a analogia anterior, na qual as Assembléias Espirituais foram comparadas com os canais que levam a Água da Vida, cada membro poderia ser comparado com uma das pedras que formam o canal. Vamos construir um canal com nove pedras, cada uma delas diferente da outra em forma e tamanho, e depois vamos examinar as pressões e as tensões internas, ao fluir da água. Se as nove pedras forem cimentadas de tal modo que as respectivas faces lisas sejam colocadas para o lado interior do canal, a água correrá livremente. Mas se algumas pedras se salientam, interpondo-se ao livre trânsito do fluido, o resultado será turbulência. Cada uma das pedras será então submetida a pressões cada vez maiores de modo que, no fim, o canal poderá vir a ser destruído. Do mesmo modo, se os membros da Assembléia Espiritual se reunirem em espírito de harmonia e unidade, e eliminarem os desejos egoísticos, deixando para trás seus egos e, através de seu amor por Bahá'u'lláh, se fundirem em um só corpo, aí sim, a Assembléia se tornará espiritual. Atrairá as bênçãos de Bahá'u'lláh e, por meio delas o espírito e o poder dos Ensinamentos fluirão para a humanidade. Mas, caso os membros tragam consigo sentimentos de superioridade e de orgulho das suas próprias realizações e desse modo, projetem os seus egos de forma a que eles ressaltem, como as pedras no canal, então a Assembléia, nas palavras de 'Abdu'l-Bahá, "...será reduzida a nada". A Assembléia se tornará o centro de turbulência, e o canal, que conduz o Espírito da Causa, poderá ser completamente obstruído. Haverá um período de intensa dor, de sofrimento e tensão na Assembléia. E os que sofrem mais são, com freqüência, as próprias pessoas que levantaram seus egos. As poderosas forças da Fé, fluindo através da Instituição, exercerão grande pressão sobre esses obstáculos e, assim como as pedras que ressaltam dentro do canal são atingidas pela correnteza e, eventualmente, levadas de roldão, a Ordem Administrativa não abriga personalidades vãs e egoísticas. Ela exige humildade e modéstia, servitude e desprendimento. O padrão que ela exige de cada membro da Assembléia é resumido nas seguintes palavras do Mestre, onde Ele exorta os crentes a percorrerem a vereda da humildade e da servitude: - "Faze-me como o pó no caminho de Teus bem amados." Bahá'u'lláh, em muitas de Suas Epístolas, enalteceu a humildade e a servitude como o maior dos graus destinados ao ser humano. Por mais que seus feitos sejam meritórios, só se tornarão aceitáveis por Deus depois que o indivíduo adquirir essas virtudes. Vamos considerar, por exemplo, qual o melhor presente que alguém poderia dar a um amigo. Seria alguma coisa que ele não possuísse ainda. Então, o quê se poderia ofertar a Deus, e que fosse aceitável por Ele? Ela já possui tudo. As realizações do homem, seu conhecimento, suas virtudes, suas posses e poder, se oferecidos a Deus, ao fim de toda uma vida, são como um nada absoluto quando comparados com a glória transcendente de Deus. No entanto, em virtude de Sua Soberania e Domínio, a humildade não é um de seus atributos e, portanto, é a mais aceitável das oferendas que o ser humano pode fazer aos olhos de Deus. Humildade e servitude para com os crentes são duas qualidades essenciais aos membros das Assembléias Espirituais. Sem elas, o espírito de amor e de unidade que devem prevalecer na hora da consulta serão destruídos e a Assembléia se verá incapaz de funcionar de acordo com o espírito da Ordem Administrativa.

Influências da Velha Ordem

Outros elementos prejudiciais que podem ser introduzidos nas instituições nascentes da Fé, são as más influências da Velha Ordem, que vêm se decompondo desde que o apelo de Bahá'u'lláh aos reis e dirigentes passou desatendido. Os portadores dessas influências são os crentes que têm que viver e trabalhar no mundo exterior - mundo cercado pelas trevas da descrença e da falta de Deus, espiritualmente faminto, prenhe de corrupção, de preconceitos e de contendas, regido por falsos padrões e com suas instituições vãs e desgastadas, funcionando, em grande parte, através de esquemas baseados em intrigas, fraude e discórdia. Os crentes, embora sinceros, podem, malgrado toda a boa intenção, trazer consigo, para dentro da Assembléia, alguns dos padrões e das práticas da Velha Ordem, inteiramente estranhas ao espírito da Fé e de Suas instituições divinamente inspiradas, a menos que se mantenham eternamente vigilantes.

Vamos considerar a analogia do canal construído com nove pedras. Embora a água que ele conduza seja pura, o canal propriamente dito é cercado por (e enterrado na) terra. Se urna dessas pedras for de material poroso, acabará por permitir que algumas das impurezas externas passem para dentro, contaminando a água com as impurezas do solo. Mas, se as pedras forem fortes, sólidas e impermeáveis, nada do que se encontra do lado de fora poderá se infiltrar, e a água que está no canal permanecerá impoluta. Essa verdade é a mesma, no que diz respeito aos membros da Assembléia Espiritual. O poder de cada um dos membros, sua solidariedade e firmeza, dependem de sua fé em Bahá'u'lláh, e de sua obediência aos Seus mandamentos. Um crente desinteressado e inseguro, cuja fé em Bahá'u'lláh não é de todo coração, poderá ser influenciado pelos padrões degenerados, pelas teorias decadentes e práticas corruptas de uma ordem em dec1ínio acelerado, e se tornar, assim, o veículo para a introdução de alguns desses elementos insalubres nas nascentes instituições da Fé Mundial de Bahá'u'lláh.

A Fé de Bahá'u'lláh se projeta bem acima dos temores, das dúvidas e das perplexidades das velhas e desgastadas instituições e das doutrinas obsoletas, quer sejam elas sociais, políticas ou religiosas, e de modo algum se deixa influenciar pelas filosofias e teorias humanas vãs e atéias promulgadas nos tempos modernos, que falharam miseravelmente em apresentar uma solução aceitável para os problemas com os quais se defronta a humanidade. Entretanto, aqueles membros da Assembléia, que reconheceram a posição de Bahá'u'lláh e que se mantiveram fiéis à Seu Convênio, manter-se-ão a salvo das influências venenosas da Velha Orem. Através da firmeza de sua Fé em Bahá'u'lláh, e de sua absoluta lealdade a 'Abdu'l-Bahá, Shoghi Effendi e à Casa Universal de Justiça, de sua retidão de conduta e infalível adesão às leis, ensinamentos e mandamentos de Bahá'u'lláh, tais membros se acham protegidos e armados contra as más influências que exercem pressão sobre as recém nascidas Instituições Divinas. No canal da Ordem Administrativa, essas almas são, verdadeiramente como pedras sólidas e impermeáveis.

Firmeza no Convênio

Fé é um termo de significado relativo e sua intensidade varia de pessoa a pessoa. Quando o indivíduo reconhece, pela primeira vez, a verdade da Missão de Bahá'u'lláh, a centelha da Fé se lhe acende no coração. Esta centelha crescerá até se transformar em uma poderosa chama se ele se permitir enamorar por Bahá'u'lláh, servir-Lhe a Causa e se imergir no Oceano de Suas Palavras. Só assim é que o coração receberá um grau de confirmação e segurança cada vez maior.

Nenhuma história dos primeiros crentes é mais comovente do que a dos mártires da Fé que, destemidamente e com grande heroísmo, levantaram-se na propagação da Causa de Deus e, permaneceram firmes até que, no fim, testemunharam com o próprio sangue, a verdade da Revelação de Bahá'u'lláh. Tais almas atingiram o mais alto grau de fé, e eram verdadeiras personificações de certeza e segurança.

Uma história de grande inspiração, registrada nos anais da Fé, é a de Rúhulláh Varqá, um adolescente mártir da Fé, um herói e um prodígio espiritual. Foi ele quem, aos oito anos de idade atingiu a presença de Bahá'u'lláh e, em 'Akká através de seu amor pela Abençoada Beleza, demonstrou tal maturidade e compreensão que os crentes foram inspirados e elevados por ele, e sentiram a grandeza de sua alma. Sua devoção à Causa, e entusiasmo por sua propagação, levaram-no, pouco depois de haver conseguido chegar à presença de Seu Senhor, à prisão em Teerã, onde compartilhou com seu ilustre pai, das penas e privações do cárcere. Seu pai foi o notável poeta e professor 'Alí Muhammad (um dos apóstolos de Bahá'u'lláh, cognominado Varqá - O Pombo - pela Pena do Altíssimo).

Nessa mesma prisão testemunhou, com seus próprios olhos, o corpo de seu amado pai cair sob o punhal do algoz. Pouco tempo depois, havendo se recusado a negar sua Fé, e desejando se juntar ao pai, foi estrangulado com a idade de doze anos.

'Abdu'l-Bahá, e a Folha Mais Sagrada tinham grande admiração e amor por Rúhulláh, e ambos gostavam muito de conversar com ele, quando estava em 'Akká. Uma das histórias que se conta sobre ele, é que um dia 'Abdu'l-Bahá lhe perguntou de que modo passava ele o tempo, quando estava em casa. Rúhulláh respondeu: "Nós ensinamos a Fé às pessoas e lhes contamos sobre a vinda do Prometido." O Mestre, apreciando, evidentemente, falar a esse maravilhoso menino, e desejando experimentá-lo, indagou-lhe o que faria se fosse descoberto que o Báb não era o verdadeiro Prometido, e que o verdadeiro Profeta havia aparecido. "Eu lhe ensinaria a Fé", foi sua resposta. Esse é um exemplo da verdadeira fé, e de certeza absoluta e de firmeza no Convênio.

Embora a Idade Heróica haja terminado, os crentes da Idade Formativa são testados de modos diferentes. Um desses campos de prova é a reunião da Assembléia Espiritual, onde o membro, individualmente, será testado em pensamento, em palavras e atos, e é onde suas qualidades e seu potencial se tornarão conhecidos. A melhor proteção para o crente é firmeza no Convênio que, em linguagem simples, significa obediência a Bahá'u'lláh e depois d'Ele, a 'Abdu'l-Bahá, a Shoghi Effendi e hoje, à Casa Universal de Justiça. Isso é uma questão de fé e todo o bahá'í, que reconheceu Bahá'u'lláh como o Supremo Manifestante de Deus, já terá aceito este princípio básico da Causa.

Há muitos ensinamentos e princípios na Fé, com os quais uma pessoa pode concordar. A fé do crente, entretanto, é testada quando ele se depara com uma asseveração contrária a seu modo de pensar. Pode-se dizer que é nessa ocasião que o grau de fidelidade ao Convênio é determinado pela maneira pronta em que se reconhece, sincera e cordialmente, que Bahá'u'lláh, e aqueles a quem Ele conferiu infalibilidade, são guiados pela Mão Divina, que suas palavras, ensinamentos e guia são livres de erro, e que a mente do homem é finita e seu juízo, freqüentemente, falho.

Padrões Espirituais

Uma grande responsabilidade que recai sobre os ombros daqueles que são chamados a servir em Assembléias Espirituais, é assegurar que os princípios Administrativos revelados pela Pena de Bahá'u'lláh, elaborados por 'Abdu'l-Bahá e ex.plicados pormenorizadamente por Shoghi Effendi, sejam fielmente aplicados no trabalho destas instituições. Uma importante ocasião em que esses princípios devem ser aplicados, é na consulta, na Assembléia Espiritual. Os padrões que, de acordo com Bahá'u'lláh e 'Abdu'l-Bahá, os membros das Assembléias Espirituais devem manter durante as suas consultas são, deveras, muito elevados. - "Os requisitos fundamentais para os que se consultam em conjunto" escreve 'Abdu'l-Bahá - "são a pureza de motivos, espírito radiante, desprendimento de tudo, salvo Deus, atração à sua Divina Fragrância, humildade entre Seus bem-amados, paciência e resignação nas dificuldades e serviço ao Seu excelso Limiar... A primeira condição é absoluto amor e harmonia entre os membros da Assembléia. Eles devem se manter livres de alienação e manifestar a Unidade Divina, porque são as ondas de um mesmo mar, as gotas do mesmo rio, as estrelas do mesmo céu, raios do mesmo sol, árvores de um só pomar e flores de um só jardim.

"É a aplicação destes padrões espirituais que fazem da consulta bahá'í um campo de prova para cada membro da Assembléia. Todas as virtudes do indivíduo, sua fé, sua coragem, sua firmeza no Convênio, passam por rigorosas provações quando a Assembléia, se reúne em torno da mesa de consulta. Aqui a batalha espiritual, na alma do indivíduo começa e continuará enquanto o ego for o ditador. Na realidade, em muitos casos uma batalha destas poderá durar toda uma vida. Neste campo de luta, as forças da luz, e das trevas se antepõem umas às outras. De um lado está a entidade espiritual (que é a alma do crente) e, do outro, seu maior inimigo, seu ego."

O padrão espiritual é sustentado pelo Mestre e, caso o indivíduo volte o seu coração para o Reino da Glória, poderá ouvir, sem o menor resquício de erro, com os ouvidos do espírito, a vibrante voz do Mestre, em toda reunião da Assembléia, conclamando-o para:

"pureza de motivo"
"um espírito radiante"
"desprendimento" ,
"atração à Divina Fragrância"
"humildade entre Seus bem-amados"
"paciência e resignação nas dificuldades"
"servitude"
"amor"
"harmonia"
"devoção"
"cortesia"
"dignidade"
"zelo"
"moderação"
"estar livre de alienação"

Estes, e muitos outros atributos similares, são os requisitos primordiais da consulta bahá'í. Quando a alma atenta para estes altos padrões, estabelecidos por 'Abdu'l-Bahá e quando a ocasião assim o exige, os aplica durante a consulta, o ego, derrotado, regredirá. A alma emerge vitoriosa desta luta, e tornar-se-á radiante com a luz da fé e do desprendimento. A aplicação destes princípios espirituais, no entanto, deve ser genuína e não meramente superficial. Os sentimentos de amor, unidade, desprendimento e harmonia devem vir do coração, e não somente manifestados em forma de exteriorização. Humildade, disposição de servir, espírito radiante, devoção, cortesia e paciência, em conjunto com as demais virtudes, são qualidades do espírito. Não se pode manifesta-las da boca para fora. Quando esse for o caso, é porque o ego foi o vencedor.

A Presença de Bahá'u'lláh

Pode ser difícil atingir tal elevação de desempenho durante a consulta bahá'í. Apesar de sincero e devotado q indivÍduo freqüentemente falha na aplicação destes princípios nas reuniões de Assembléia. Mas, na Assembléia Espiritual há uma poderosa força, freqüentemente desapercebida, que é capaz de transformar as fraquezas e as insuficiências humanas em aspirações nobres e em ações louváveis. Pode transformar o ambiente da Assembléia Espiritual, de tensão e discórdia em amor e união. Libertada dos envolvimentos das discussões, e das controvérsias, a Assembléia poderá se tornar um canal perfeito para conduzir o espírito da Causa à humanidade. Essa poderosa força é a presença de Bahá'u'lláh na Assembléia. No Kitáb-i-Aqdas Ele declarou que, quando os membros da Assembléia se reúnem na câmara de conselho, devem se considerar como estando na presença de Deus o que é, na realidade, a presença de Bahá'u'lláh. Essa presença é real, e não imaginária, pois que Ele os exorta não somente se considerar como na presença de Deus, mas também a "ver Aquele que não pode ser visto".

Muitas coisas nesta vida, que são reais, não são freqüentemente visíveis ao olho humano. Este mundo contingente, e tudo o mais que pode nele ser visto, nada mais é do que uma sombra. O mundo da realidade é espiritual e, para compreendê-lo, o homem necessita de qualidades espirituais. A presença de Bahá'u'lláh na Assembléia Espiritual é mais real do que qualquer outra coisa naquele corpo e, ao se reunirem os membros, acham-se deveras sentados à Sua presença, como Ele próprio o afirmou. Ao se tornarem realmente conscientes disso e, com os olhos do espírito conseguirem ver Bahá'u'lláh em seu meio, os membros da Assembléia serão imersos em um Oceano de humildade e modéstia, serão imbuídos de um novo espírito e se tornarão radiantes. A presença de Bahá'u'lláh fundirá os nove membros em um só corpo, e eles cessarão de se ater aos defeitos e imperfeições um dos outros. Cada palavra que um membro pronuncia, e qualquer idéia que propõe, cada contribuição que faz durante a consulta serão, na realidade, dirigidas a Bahá'u'lláh, em espírito de humildade e de servitude. Numa atmosfera, igual a essa, a consulta bahá'í se torna verdadeiramente construtiva, já que cada um dos participantes naturalmente oferecerá suas idéias franca e cordialmente. As inibições que, por vários motivos poderiam impedir algum dos participantes de expor suas idéias, como a possibilidade de se tornar impopular, ou de ofender outros membros, desaparecerão e serão substituídos por coragem e sabedoria. Na realidade, nesta situação, quando o indivíduo volta-se para Bahá'u'lláh com uma motivação pura, as palavras que pronuncia produzirão um tal efeito nos ouvintes que ninguém se ofenderá.

A consciência da presença de Bahá'u'lláh na Assembléia criará uma atmosfera espiritual, as almas se tornarão humildes, quaisquer sentimentos de superioridade desaparecerão e o ego será posto de lado. Pois quem se consideraria superior a seus companheiros, na presença de Bahá'u'lláh? Quem menosprezaria a opinião de outrem, quer visivelmente quer no seu coração? Quem perderia a paciência, levantaria a voz, interromperia ou discutiria com um amigo durante a reunião da Assembléia, ou assumiria uma atitude ou falaria de um modo que pudesse ofender a uma outra alma?

A Verdadeira Consulta

Uma Assembléia Espiritual que funciona assim é "na verdade escolhida por Deus". Ó vós que sois fiéis ao Convênio" o Mestre assegura aos membros das Assembléias Espirituais: ''Abdu'l-Bahá está constantemente em comunicação ideal com qualquer Assembléia Espiritual instituída através da graça divina, e cujos membros estejam no máximo grau de devoção, volvendo-se para o reino divino e firmes no Convênio. A eles está Ele ligado intimamente, e com eles unidos por laços eternos". A consulta bahá'í que for levada a efeito de acordo com o espírito da Ordem Administrativa é um processo criativo através do qual diferentes opiniões e idéias se transformam em uma decisão equilibrada e amadurecida. Os membros da Assembléia devem, em primeiro lugar, se familiarizar com os fatos relacionados com o assunto que estiver sendo considerado e depois, em uma atitude de prece, expressar suas opiniões e pontos de vista, com franqueza e sinceridade.

"Nesta Causa" diz 'Abdu'l-Bahá Ha consulta é de vital importância mas, o que, se pretende é um entendimento espiritual, e não a pura e simples verbalização de pontos de vista pessoais... O propósito é de frisar a afirmação de que a consulta deve ter como objeto a investigação da verdade... O indivíduo deve medir suas opiniões com a máxima sinceridade, "alma e compostura. Antes de expressar seus pontos de vista, deverá considerar cuidadosamente as opiniões já expressas pelos demais. Se achar que uma das contribuições previamente propostas é mais verdadeira, e digna de consideração, deverá aceitá-la imediatamente, e não manter a sua própria opinião... Portanto, a verdadeira consulta é uma conferência espiritual, em atitude e atmosfera de amor. Os membros devem se amar em espírito de companheirismo, de modo a propiciar bons resultados. Amor e companheirismo são o alicerce".

Freqüentemente uma idéia proposta por um dos membros estimula outras idéias que resultam sucessivamente a outras mais, até que se cristalizem todas, em forma de uma resolução, que é a própria criação da consulta bahá'í e que é aprovada unanimemente. Em outros casos, quando uma resolução é aprovada por maioria de votos, nem por isso é menos válida e todos os membros a apóiam de pleno coração, pelo simples motivo que 'Abdu'l-Bahá determinou que os crentes assim procedessem. Este é um dos princípios espirituais que regem os trabalhos da Ordem Administrativa. Se esse apoio não for dado de coração, então o indivíduo não agiu de acordo com o espírito da Fé.

Tanto 'Abdu'l-Bahá quanto Shoghi Effendi têm colocado grande ênfase sobre a importância da franqueza na consulta. O Mestre disse: "Os membros... devem consultar em conjunto, com tal sabedoria que nenhum motivo para mal estar ou discórdia possa surgir. Isto pode ser alcançado quando cada membro tiver se expressado com absoluta liberdade de opinião e exposto seu argumento" . O Guardião adicionou: "Que nos lembremos também que na própria essência da causa jaz o princípio do direito indubitável do indivíduo à auto-expressão, a liberdade para manifestar sua consciência e apresentar seus pontos de vista" .

Nenhum membro de uma Assembléia, que seja fiel aos princípios da Fé e que haja progredido espiritualmente, jamais abrigaria em sua mente, o pensamento de ter o crédito por suas sugestões ou idéias, não importando quão meritórias hajam sido. Ser opinioso, dogmático, teimoso e inclinado à discussões na consulta bahá'í, é se opor ao próprio espírito da Fé. As práticas de impor idéias, de cabalar e de persuadir, tão comum ente empregadas nas instituições da Velha Ordem, são contrárias aos ensinamentos de Bahá'u'lláh.

Os Princípios são Inflexíveis

Na avidez de resolver um problema, de modo que satisfaça a todos, ou na ansiedade de não ferir os sentimentos de determinados indivíduos, ou da comunidade como um todo, é possível que os membros de uma Assembléia possam, algumas vezes inconscientemente ou mesmo instintivamente, chegar a uma decisão comprometendo um princípio básico. Esta é outra influência da Velha Ordem que pode, sem dúvida, prejudicar o trabalho da Assembléia Espiritual. Enquanto que instituições não bahá'ís sejam sociais, políticas ou religiosas, freqüentemente recorrem ao comprometimento de princípios como instrumento de solução de problemas, as instituições embrionárias da Nova Ordem derivam seu poder e vigor da Verdade da Palavra de Deus, revelada por Bahá'u'lláh.

As leis, os princípios e os ensinamentos que quarenta anos de contínua Revelação concederam à humanidade e que devem governar a prática dessas instituições por um período de nada menos de mil anos, são todos claros e explícitos e acima de quaisquer alterações ou comprometimentos. Além disso, durante os vinte e nove anos de Seu Ministério, 'Abdu'l-Bahá desvelou o espírito íntimo desses 'ensinamentos, e elucidou-lhes o significado. Isso foi seguido por trinta e seis anos de Guardiania, durante os quais Shoghi Effendi, através de suas comunicações com indivíduos, bem como com Assembléias, não só ampliou as interpretações de 'Abdu'l-Bahá, mas aplicou, também, muitas dessas leis e princípios a casos específicos. Embora os membros das Assembléias sejam livres para exercer o seu direito de auto-expressão, assim como para tomar iniciativas próprias durante as deliberações, e embora tenham amplo raio de ação para consultar e decidir sobre assuntos que estejam sob sua jurisdição, estão, ainda assim, sob a obrigação de seguir a orientação de Bahá'u'lláh, de 'Abdu'l-Bahá, de Shoghi Effendi e da Casa Universal de Justiça e de as aplicar às suas circunstâncias específicas sem qualquer espécie de comprometimento. Na realidade, este vasto oceano de Orientação Divina fornecerá clara orientação à consulta bahá'í em cada reunião de Assembléia, permitindo aos membros evitar muitas armadilhas e a chegar a decisões harmônicas com o espírito da Fé.

Princípios Administrativos

Uma das características singulares da Fé, é que Bahá'u'lláh revelou uma nova gama de ensinamentos, sem precedentes nas antigas Dispensações, que são delineadas para orientar o funcionamento das Instituições Administrativas da Sua Causa. Durante o transcorrer de todo o Ciclo Profético, começando com Adão e terminando com Maomé, e mesmo durante a Dispensação do Báb, o escopo e a aplicação dos sentimentos espirituais, permaneceram praticamente os mesmos.

O Sermão da Montanha, sintetizando os ensinamentos espirituais e morais do Cristianismo, pode ser encarado como padrão básico e essência dos ensinamentos espirituais de todas as outras religiões. Esses ensinamentos espirituais exerceram uma profunda e contínua influência na vida e na conduta dos homens. Nem a passagem do tempo, nem o fato de que as religiões anteriores sejam incapazes de resolver os problemas de hoje, foi suficiente para apagar do coração do homem alguns dos ensinamentos espirituais eternos com os quais foram criados e que, por isso, de tal modo se achavam gravados em suas mentes e em suas almas, que se lhes tornou como que uma segunda natureza. Tão profunda tornou-se essa influência que mesmo entre aqueles que chegaram a se desiludir, que perderam a fé e que se incorporaram às fileiras dos agnósticos e ateus, há muitos que são levados por suas consciências a praticar esses princípios humanitários e espirituais, como código de conduta.

Nunca antes, até o advento da Dispensação Bahá'í, uma Manifestação de Deus e o Centro de Seu Convênio, ampliaram de tal forma a gama desses ensinamentos espirituais até ao ponto de incluir uma série de princípios administrativos, projetados para reger o funcionamento das instituições da Sua Nova Ordem Mundial. Os princípios espirituais e administrativos foram colocados no mesmo nível e a ambos foi conferido igual importância. Portanto, o crente, nesta era, não somente precisa seguir os ensinamentos espirituais básicos de amor, honestidade, perdão e os demais mandamentos divinos que visam principalmente o relacionamento entre os indivíduos mas, deve também observar os princípios que definem seu papel na sociedade bahá'í e que determinam sua conduta em relação às suas instituições.

O poder e a eficácia das instituições da embrionária Orem Mundial de Bahá'u'lláh não são devidas unicamente a sua origem divina e ao espírito da Fé que através delas flui, :nas também ao fato de que os crentes observam os princípios administrativos como um ato de fé, que obedecem de todo o coração os mandamentos de Bahá'u'lláh em relação a essas instituições e que, no desempenho de seus deveres administrativos, guardam-se, cuidadosamente contra a introdução, a Ordem Administrativa, de qualquer elemento pouco saudável que prejudicaria o seu crescimento, ou que lhe mine a força ou que lhe desonre a sua posição.

Eleição

Para enumerar alguns dos princípios administrativos, vamos considerar, em primeiro lugar, a eleição da Assembléia Espiritual. Embora seja uma função administrativa, a eleição da Assembléia é de grande significado espiritual, e deve ser realizada em espírito de oração e devoção. O Guardião indicou as qualificações dos membros de uma Assembléia. O eleitor, ao votar neles, deve "...considerar, sem o mínimo traço 'e paixão e preconceito e independentemente de qualquer consideração material, os nomes de somente aqueles que possam melhor combinar as necessárias qualidades de lealdade inquestionável, abnegada devoção, de uma mente bem treinada, de capacidade reconhecida e experiência madura".

Nas eleições bahá'ís não deve haver a promoção e a propaganda eleitorais. Tais práticas são contrárias ao espírito da Causa de Bahá'u'lláh e são claramente proibidas. Os eleitores têm liberdade de escolha e a eleição é feita por voto secreto. É impróprio a duas pessoas, até mesmo marido e mulher, trocarem idéias, ou influenciar um ao outro em sua escolha. Tais princípios administrativos são sagrados para um bahá'í e violar qualquer um deles seria como se violado fosse um princípio espiritual.

A Autoridade das Instituições

Outro princípio administrativo importante é o de aceitar as decisões da Assembléia Espiritual, mesmo que se revelem erradas. As Assembléias Espirituais não são entidades infalíveis mas, se os seus membros, sejam quais forem seus pontos de vista, apoiarem de todo coração as decisões tomadas, a verdade acabará por se manifestar e a Assembléia será levada a corrigir sua decisão anterior; caso isto falhe, a estrutura da Ordem Administrativa é tal, que uma decisão errada pode ser corrigi da, pois as Assembléias Locais estão ligadas às respectivas Assembléias Nacionais e estas, por sua vez, à Casa Universal de Justiça. A Assembléia Nacional, em virtude de sua maior jurisdição e autoridade sobre as Assembléias Locais de sua área, está em melhor posição para trazer à atenção da Assembléia Local uma resolução que julgar errada e pedir-lhe para reconsiderar a decisão. Se for preciso, a Casa Universal de Justiça poderá dar seu veredicto final e infalível à questão.

A autoridade com a qual Bahá'u'lláh, 'Abdu'l-Bahá e Shoghi Effendi investiram tanto às Assembléias Locais quanto às Nacionais é clara e inquestionável. Desobedecê-las, com base em que a decisão da Assembléia possa estar errada, não é permitido.

Shoghi Effendi expôs claramente a autoridade da Assembléia Nacional, com as seguintes palavras: "Desejo reafirmar em linguagem clara e categórica, o princípio já enunciado em que se baseia a autoridade suprema da Assembléia Nacional, em todas as coisas que afetem os interesses da Fé. Não pode haver conflito de autoridade, nem dualidade sob qualquer forma ou circunstância em qualquer esfera de jurisdição bahá'í, quer seja local, nacional ou internacional. Embora seja a Assembléia Nacional a única intérprete de seus estatutos, ela é direta e moralmente responsável, caso permita a qualquer corpo ou instituição sob sua jurisdição, abusar de seus privilégios ou declinar do exercício de seus direitos e privilégios. Ela é a guardiã de confiança e a mola mestra dos múltiplos interesses e atividades de cada comunidade nacional do mundo bahá'í. Ela se constitui no único elo que une estas comunidades com a Casa Universal de Justiça, o supremo corpo administrativo da Dispensação de Bahá'u'lláh. " Embora haja sido conferida autoridade à Assembléia Espiritual para tratar dos assuntos sob sua jurisdição e tenha poder para impor suas decisões na medida em que as circunstâncias assim o exigirem, e a despeito do fato de que seus membros nenhuma satisfação tenham a dar a seus eleitores, apesar de tudo isso, a Assembléia não é uma instituição cujos membros ajam com poderes ditatoriais. Bem ao contrário, qualquer que seja o assunto que apareça para consulta nas reuniões da Assembléia, deve ser tratado com espírito de carinhosa consulta, dedicação e justiça.

Responsabilidade dos Membros

O Guardião descreveu a atitude e a responsabilidade dos membros da Assembléia Espiritual, com as seguintes palavras:

"Sua função (i.e. dos membros da Assembléia) não é ditar, mas consultar, não somente entre si mas, na medida do possível, com os amigos a quem representam. Eles devem considerar-se somente como instrumentos escolhidos para que a Causa de Deus tenha uma representação mais digna e eficiente. Eles nunca devem ser levados a supor que sejam o ornamento central do corpo da Causa, intrinsecamente superiores aos demais em capacidade ou mérito, e que sejam os únicos promotores de seus ensinamentos e princípios. Devem encarar sua tarefa com extrema humildade e, através de sua compreensão, seu alto senso de dever e justiça, seu candor e sua modéstia, sua inteira devoção ao bem estar e aos interesses dos amigos, da Causa e da humanidade, se esforçar para conquistar, não somente a confiança, apoio e respeito genuínos daqueles a quem servem, mas também sua estima e real afeição. Devem sempre, evitar o espírito de exclusivismo, a atmosfera de segredo, livrar-se de uma atitude dominante, e banir todas as formas de preconceito e paixão de suas deliberações. Devem, dentro dos limites da sábia discrição, abrir com os amigos, pô-los ao par de seus planos, compartiu com eles seus problemas e ansiedades, e buscar seu parece conselho. E, quando tiverem de tomar uma determinada decisão devem, depois de cordial, ansiosa e desapaixonada consulta, dirigirem-se a Deus em oração, e com fervor, coragem e convicção, registrar sua votação e acatar a voz da maioria qual nos disse nosso Mestre é a voz da verdade, que já deve ser desafiada, mas sempre apoiada de todo o coração essa voz os amigos devem corresponder entusiasticamente e encará-la como o único meio capaz de assegurar a proteção e o progresso à Causa."

Embora seja fácil aceitar e obedecer uma decisão com a qual se esteja de acordo, nem sempre o é quando se discorda e considera errada, especialmente se for em relação a um problema no qual se esteja pessoalmente envolvido. Esta é uma das provas com que os crentes se confrontam nesta época efetivamente, uma batalha espiritual na qual muitos indivíduos têm que lutar a fim de adquirir qualidades espiritual aproximar-se mais de Bahá'u'lláh e desprender-se das coisas terrenas.

Desprendimento

Freqüentemente é o apego às coisas deste mundo que ofusca a visão e faz com que o indivíduo se torne orgulhoso, arrogante e egoísta. Obediência a Bahá'u'lláh, humildade submissão às Instituições, conferirão, no fim, inestimáveis; bênçãos à alma.

Apego às coisas deste mundo é comumente confundido com a posse de bens materiais. Bahá'u'lláh explica a Seus seguidores:

"Se um homem deseja adornar-se com os ornamento da terra, usar as vestes ou participar dos benefícios que ela conceder, nenhum mal lhe pode sobrevir, contanto que permita que coisa alguma intervenha entre ele e Deus, pois Deus ordenou cada coisa boa, quer criada no céu ou na para aqueles de Seus servos que nEle, verdadeira crêem."

Há uma história, narrada em persa, que esclarece a natureza e o significado do desprendimento das coisas deste mundo. É a história de um Rei e de um dervixe (*). O Rei tinha muitas qualidades espirituais mas, em seu coração, invejava o dervixe que parecia inteiramente desprendido deste mundo. Tudo quanto o dervixe possuía era uma cesta onde levava sua comida. Passava o tempo vagando pela cidade cantando louvores a Deus e em comunhão mística com Ele. Não possuía lar nem outros haveres e ainda assim, considerava-se tão rico como se possuis se o mundo inteiro. O Rei sentia-se atraído por esse modo de vida e por isso, convidou o dervixe a visitar o seu palácio, a fim de aprender algumas lições de desprendimento. O dervixe veio e ficou por algum tempo.

(*) Um homem que renuncia ao mundo em busca de Deus e vive da caridade de seus semelhantes.

Finalmente ó Rei decidiu deixar seu trono e levar uma vida de dervixe. Vestindo roupas velhas, disfarçou-se de pobre e deixou o palácio em companhia de seu hóspede.

Caminharam juntos por algum tempo, até que o dervixe notou que havia esquecido a cesta no.palácio; explicou ao Rei que lhe seria impossível prosseguir sem a cesta e que seria melhor se voltassem para buscá-la. Foi por este incidente que finalmente o dervixe foi testado e verificou-se que permanecia apegado às coisas deste mundo. O Rei deixara para trás palácios e tesouros e trilhava a vereda do desprendimento, enquanto que o dervixe que pregava essa mesma virtude por toda sua vida mostrou que, no final das contas, estava apegado à sua cestinha.

O apego é mais uma atitude mental, nem sempre necessariamente ligado· à riqueza. O orgulho que a pessoa possa ter de sua escolaridade e de seu conhecimento, de suas realizações nesta vida, de sua posição na comunidade, de sua fama e popularidade, o amor a si próprio e às suas posses materiais poderão se transformar em barreiras entre sua alma e Deus.

Unidade

Outro princípio que desempenha um importante papel no funcionamento adequado da Assembléia Espiritual, é a unidade de seus membros. Por unidade não se deve tomar a uniformidade no sentido de ter as mesmas opiniões e idéias durante a consulta. Ao contrário, como explicou 'Abdu'l-Bahá: "A brilhante centelha da verdade mostra-se só após o impacto das várias opiniões."

Por unidade quer-se dizer um laço espiritual que une a todos os membros, cuja força coesiva deriva de Bahá'u'lláh. A chave para se atingir essa unidade, é amar os demais membros com o amor de Deus e não por eles mesmos, olhar as suas perfeições, e não suas falhas.

Enaltecer-se, em relação aos outros membros e menosprezar-lhes a opinião - por mais imaturas ou inadequadas que sejam - é contra o espírito dos ensinamentos de Bahá'u'lláh, e sintomático da imaturidade e do egoísmo de quem assim proceder.

Justiça - Amor

Quando o coração do homem está desprovido de fé e de crença em Deus, a tendência é do indivíduo se deixar motivar pela sua natureza animal. É aí que, em vez de considerar o próximo com olhos de compaixão, passa a vê-lo com o olho da justiça, encontrando, assim, muitos defeitos e criticando-o. De outro lado, as instituições da Velha Ordem, cuja função principal deve ser a de manter a lei, a ordem e a paz no seio da sociedade "inclinam-se mais e mais em direção ao perdão, à tolerância e à compaixão, em vez de à firmeza, justiça e equidade."

A Fé de Bahá'u'lláh, através da dinâmica influência que exerce nos corações dos homens, visa inverter esse processo na sociedade humana. Ensina que não cabe ao indivíduo julgar a seu próximo, ou olhá-lo com olho crítico. Afirma com toda clareza, que o relacionamento de uma pessoa corri a outra deve basear-se no amor, na compaixão e que, no que se refere ao indivíduo perdoar e não olhar o pecado é uma virtude digna de louvor. Proclama, entretanto, que a base em que as Assembléias Espirituais (instituições que, com o evoluir do tempo, tornar-se-ão Casas de Justiça) são estabelecidas, não é de perdão mais sim de justiça. O seguinte trecho foi extraído de uma carta escrita pelo Guardião, através de seu secretário:

"Da mesma forma que o Mestre antes dele, o Guardião está muito ansioso para ver os crentes unidos em servir à Fé. Se entre os amigos pudesse se manifestar o amor perfeito, baseado no amor de Deus, a Causa se difundiria muito rapidamente. O amor é o padrão que deve governar a conduta entre os crentes. A Ordem Administrativa não modifica isso mas, infelizmente, os amigos às vezes, confundem as duas coisas, tentando ser, um para com o outro como uma Assembléia Espiritual, com a disciplina, justiça e a imparcialidade que aquele órgão deve mostrar, em vez de serem, como indivíduos, clementes, amorosos e pacientes uns para com os outros. "

Apoio às Decisões da Assembléia

Mais um princípio que protege as instituições da Fé, contra um outro mal profundamente enraizado na estrutura da sociedade atual, está incorporado em um dos mandamentos de 'Abdu'l-Bahá que proíbe aos crentes "contestar ou censurar, quer dentro quer fora das reuniões" as decisões da Assembléia Espiritual. Em um mundo afligido por muitos problemas e intranqüilidade, onde homens e mulheres de todas as camadas da sociedade, individual e coletivamente, levantam as vozes contra as ações das autoridades - quer religiosas ou políticas - lançando mão até mesmo de violência a fim de impor seus pontos de vista, os seguidores de Bahá'u'lláh não se influenciam pelas disputas vãs, pelas paixões transitórias, pelas controvérsias e pelos conflitos que os rodeiam, dentro da Velha Ordem; isso porque estão de tal modo repletos do espírito da Fé de Bahá'u'lláh que obedecem a esse mandamento de 'Abdu'l-Bahá com toda a sinceridade. O verdadeiro bahá'í, por conseguinte, jamais criticará ou fará censuras às decisões da Assembléia Espiritual, quer por palavra ou por atitude. Um membro da Assembléia Espiritual que não aceite de todo coração a decisão da maioria de sua Assembléia, estará deveras infringindo um mandamento espiritual da Causa de Deus. Ao mesmo tempo, o indivíduo não está privado do direito de expor seu ponto de vista através dos canais competentes e, se ficar insatisfeito, poderá apelar contra a decisão da Assembléia. Tem ampla oportunidade de levantar qualquer assunto com a Assembléia Espiritual, quer pessoalmente, quer por consulta com a comunidade, na Festa dos 19 Dias. Há, ainda, o direito de apelação para a Assembléia Espiritual Nacional contra uma decisão da Assembléia Local, ou à Casa Universal de Justiça contra aquela da Assembléia Espiritual Nacional. Porém, no ínterim, irá continuar aceitando a decisão da Assembléia, até que o resultado da apelação se faça conhecido. Desafiar a autoridade da Assembléia, a qualquer momento, ou por qualquer motivo, é quebrar ainda outro princípio espiritual, firmemente estabelecido na Causa de Deus.

A Bênção de Servir na Assembléia

Servir na Assembléia Espiritual é uma grande bênção que Bahá'u'lláh conferiu a Seus amados. Proporciona ao indivíduo não apenas o privilégio sem paralelo de participar na edificação da estrutura da Sua Ordem Mundial, mas também, possibilita-lhe melhorar seu caráter e adquirir qualidades espirituais através das batalhas espirituais que deverá empreender, a fim de domar seu ego e suas paixões durante os períodos da consulta bahá'í.

Vamos, uma vez mais, nos referir à analogia do canal com suas nove pedras. Como resultado do correr da água, as pedras, de dentro do canal, acabarão por perder a aspereza e as arestas agudas. Da mesma forma, as falhas e fraquezas do indivíduo emergirão à superfície durante as reuniões da Assembléia, e resistirão contra as forças impetuosas do espírito da Causa que fluem pelo canal. Por esta interação, a ignorância, o preconceito e outras falhas humanas diminuirão gradualmente, e serão substituídas por uma medida de maior maturidade e sabedoria.

Equilíbrio entre a Forma e o Espírito

Ser membro de uma Assembléia Espiritual também traz consigo grandes responsabilidades. Uma grande responsabilidade a ser ombreada pelos membros da Assembléia é a de assegurar para que os trabalhos sejam desenvolvidos de acordo com os princípios espirituais e administrativos estabelecidos pelas Figuras Centrais da Fé e não de acordo com os padrões de teorias humanas, tomadas do mundo exterior.

A Ordem Administrativa de Bahá'u'lláh consiste de duas partes, a Forma e o Espírito. O relacionamento entre ambas é como o existente entre o corpo e a alma. Embora a parte essencial seja a alma, isso está longe de significar que o corpo deva ser negligenciado; é importante que o equilíbrio entre os dois seja mantido. Um aspecto essencial da Forma da Ordem Administrativa, o qual é necessário que as Assembléias Espirituais desenvolvam à sua própria maneira, é um sistema de administração baseado na eficiência e na ordem. Mas os procedimentos e sistemas administrativos devem ser considerados apenas como meios para atingir um fim, e não como o propósito final, que é o fluxo do Espírito da Causa, através das instituições embrionárias da Ordem Mundial de Bahá'u'lláh.

É de responsabilidade de cada membro da Assembléia prevenir-se contra a tentativa de aperfeiçoar a máquina administrativa sob o risco de perder o Espírito, criando assim uma situação na qual a Assembléia, com o passar do tempo, possa ser moldada em uma forma rígida, eficiente em administração, porém escravizada por regras e regulamentos, altamente organizada, mas sem o espírito de amor e cooperação que são as características distintivas da Nova Ordem Mundial.

Proteção da Fé

Ao se desenvolver a Ordem Administrativa de Bahá'u'lláh, vai aos poucos revelando algumas de suas características inigualáveis e o modelo do desenvolvimento de suas instituições vai se tornando mais evidente com o passar do tempo. Uma dessas características é a maneira pela qual o funcionamento saudável das Assembléias Espirituais, tanto locais quanto nacionais deve ser protegido. Essa responsabilidade recai não somente sobre os membros das Assembléias Locais e Nacionais, mas também sobre uma instituição que desempenha um importante papel e constitui uma parte vital da Ordem Administrativa, ou seja, a instituição das Mãos da Causa de Deus.

Esta instituição, e a do Corpo de Conselheiros - esta última perpetuando, no futuro, duas das funções das Mãos da Causa, a de proteção e a de propagação da Fé - foram criadas por nomeação e não por eleição. Poder e autoridade são atributos conferidos apenas às Assembléias Espirituais Locais e Nacionais e a direção da Causa, em suas respectivas áreas, está confiada a elas. Os Conselheiros não são administradores e as suas funções não são, portanto, administrar os assuntos da Fé mas, em vez disso, através de seus conselhos e recomendações às Assembléias Nacionais, através do cuidado amoroso e assistência que eles, junto com seus membros do Corpo Auxiliar, estendem às Assembléias Locais, assim como através da inspiração e encorajamento aos crentes, no desempenho de suas obrigações administrativas, este Corpo desempenha um importante papel na proteção da Fé e no funcionamento saudável das instituições embrionárias da Nova Ordem Mundial de Bahá'u'lláh.

Em última análise, todavia, o vigor e a vitalidade de uma Assembléia depende de seus membros, já que se é através da sinceridade e da devoção à Fé que os altos ideais e princípios estabelecidos pela Abençoada Beleza e pelo Centro do Seu Convênio são aplicados ao trabalho da Assembléia Espiritual. Um estudo mais profundo dos escritos de Shoghi Effendi sobre a administração bahá'í permitirá que se compreenda que a meta dos membros da Assembléia, neste período da Idade Formativa da Fé, não deve ser, primordialmente, tornarem-se administradores eficientes, ou especialistas em solucionar os vários e complexos problemas da comunidade, mas sim criarem uma atmosfera espiritual durante o desenrolar de suas reuniões, a fim de que as confirmações de Bahá'u'lláh possam alcançá-los de todas as direções e que, através de Sua ajuda possam solucionar seus problemas.

A maneira de se atingir esta atmosfera espiritual, como já foi dito, é através da firmeza da fé de cada um em Bahá'u'lláh, e da lealdade ao Seu Convênio, através da supressão do ego, e através da "...pureza de motivos", "...humildade entre os Seus amados", "...e serviço à Seu excelso Limiar". Este é o desafio para os "Dignos da Confiança do Misericordioso" nessa era.

Capítulo 3
EDIFICANDO A ORDEM MUNDIAL DE BAHÁ'U'LLÁH
A Nova Ordem em Estado Embrionário

Enquanto as forças da destruição varrem a face da terra, mergulhando toda a raça humana em um estado de caos e desespero, exterminando suas veneradas instituições, a Comunidade do Máximo Nome, de dimensões comparativamente diminutas, consistindo de homens e mulheres de todas as camadas da sociedade, jovens e idosos, abastados e pobres, alfabetizados ou não, armados com o invencível poder da fé, fortalecidos pela infalível proteção e pelas confirmações do Senhor dos Exércitos e confiantes na vitória final, estão empenhados na edificação da estrutura de novas instituições, que cobrirão a face do planeta, projetados para evoluir, na plenitude dos tempos, na Nova Ordem Mundial a ser implantada em nome de Bahá'u'lláh. Essa Ordem Mundial, que está destinada a se revelar no futuro, na plenitude de sua glória, e cujo estabelecimento assinalará de uma só vez o aparecimento da Comunidade Mundial Bahá'í, o hasteamento da bandeira da Maior paz e o advento do Reino de Deus na terra, está se desenvolvendo em seu estado embrionário e é conhecida como" A Ordem Administrativa". Esta Ordem Administrativa tem se desenvolvido sistematicamente no seio da Comunidade Bahá'í, desde o início da Idade Formativa.

As Quatro Cartas Régias

'Abdu'l-Bahá deixou à posteridade a Sua Última Vontade e Testamento, que pode ser considerada como o Fruto do Convênio e a "Carta Régia da Nova Ordem Mundial". Neste documento Ele delineou as características da Ordem Administrativa, estabeleceu seus princípios, definiu suas funções e conclamou os bahá'ís para iniciarem a tarefa de erigir suas instituições. Uma outra importante série de Epístolas, quatorze ao todo, endereçadas por 'Abdu'l-Bahá aos crentes da América, as Epístolas do Plano Divino, desempenham um papel de destaque na propagação da Fé entre todas as nações e povos do mundo e constituem a "Carta Régia para o Ensino da Causa de Deus" através do planeta. Nessas Epístolas 'Abdu'l-Bahá exorta aos bahá'ís para se desprenderem das coisas terrenas, santificando suas almas das impurezas deste mundo e a se levantarem em espírito de amor e unidade, viajando pelos quatro cantos do globo, a fim de contribuir para o progresso da Causa de Deus. Nessas Epístolas Ele também cita 120 países, territórios e ilhas, para onde os instrutores bahá'ís deveriam se dirigir, a fim de ensinar a Mensagem de Bahá'u'lláh e estabelecer Sua Fé.

Estes dois documentos, em conjunto com o Kitáb-i-Aqdas, o Livro Mais Sagrado de Bahá'u'lláh considerado"como a "A Carta Régia da Futura Civilização Mundial", e a Epístola do Carmelo, revelada por Bahá'u'lláh nas proximidades da Caverna de Elias, a "Carta Régia para a edificação do Centro Mundial da Fé", constituem os instrumentos principais que deverão guiar as instituições bahá'ís bem como inspirar os crentes em sua tarefa comum da Edificação da Nova Ordem Mundial para a humanidade.

Shoghi Effendi - O Construtor da Ordem Administrativa

Foi Shoghi Effendi quem lançou as bases da Ordem Administrativa e quem ergueu suas instituições. A princípio concentrou-se em ensinar aos crentes como erigir as Assembléias Espirituais Locais e como funcionar dentro de sua estrutura. Por um período nada menos que quinze anos, devotou seu tempo à árdua tarefa de ensinar aos bahá'ís os princípios da administração bahá'í. Ele explicou a função, o escopo e o propósito final das instituições locais e nacionais. Modelou a Ordem Administrativa lançando os alicerces das Assembléias Espirituais Locais em bases firmes e então sobre elas edificou as Assembléias Espirituais Nacionais que hoje sustentam e apóiam o poderoso edifício da Casa Universal de Justiça de Bahá'u'lláh.

Na época do falecimento do Mestre, os crentes tinham certas idéias a respeito da Fé um tanto vagas e eles não eram suficientemente maduros. O senso de vida comunitária entre eles era insuficiente. Foi Shoghi Effendi quem, através das eloqüentes traduções dos escritos de Bahá'u'lláh e de 'Abdu'l-Bahá, através de suas próprias obras magistrais, devido a sua guia e condução dos interesses das Assembléias Locais e Nacionais em todo mundo, através de seu constante encorajamento e perseverança por mais de três décadas, paciente e efetivamente desvelou a Fé de Bahá'u'lláh aos olhos dos crentes. Ele colocou na perspectiva correta tudo quanto a Fé possuía: seus Fundadores, suas leis, seus mandamentos, seus ensinamentos, seus princípios e suas instituições - tudo isso foi colocado, tal como num jogo de quebra-cabeça, nos respectivos lugares. Ele possibilitou aos crentes adquirirem uma nova concepção de vida comunitária, de unidade e de solidariedade.

Na Idade Histórica da Fé, os crentes estavam tão atraídos a Bahá'u'lláh que pouca atenção prestavam a outras,coisas. Estavam enamorados por Ele e ,completamente inebriados pelo vinho da Sua Presença. Agora, porém, chegara o momento da construção da Nova Ordem Mundial, e foi através dos esforços e orientação de Shoghi Effendi que a visão dos bahá'ís se ampliou. Começaram a apreciar a Fé sob uma nova luz e muitos se levantaram para a construção de instituições locais e nacionais pelo mundo afora.

Os Primeiros Quinze Anos da Guardiania

Durante os primeiros quinze anos da Guardiania, nada menos que oito Assembléias Espirituais Nacionais foram formadas e mais trinta estados soberanos foram trazidos para o seio da Fé. Alguns dos mais expressivos acontecimentos que tiveram lugar durante esse período, foram os seguintes:

* O falecimento da Folha Mais Sagrada, irmã de 'Abdu'l-Bahá, em 1932.

* O reconhecimento do status independente da Fé, pelo Egito.

* Confisco da Casa de Bahá'u'lláh em Bagdá, o que resultou em uma petição à Liga das Nações, cuja resolução foi a de apoiar a reivindicação da Comunidade Bahá'í àquela Casa.

* As façanhas de ensino de Martha Root em suas viagens quatro vezes ao redor do globo, que culminaram com a adesão à Fé da primeira das cabeças coroadas, a Rainha Maria, da Rumânia.

* Criação do Bureau Internacional Bahá'í, em Genebra, no ano de 1925.

* A implementação do mandamento de Bahá'u'lláh, referente à instituição da Festa de 19 Dias.

* Crescimento das atividades organizadas da juventude.

* Aumento das propriedades bahá'ís na Terra Santa, nos Estados Unidos da América e na Pérsia.

* Aquisição de lugares históricos na Pérsia.
* Criação dos Arquivos Internacionais Bahá'ís.

No berço da Fé onde, durante esse período, os seguidores do Maior Nome estavam ainda sendo oprimidos pelas autoridades e sujeitos a perseguições esporádicas que resultaram no martírio de muitos, Shoghi Effendi voltou sua atenção às instituições da Fé que já funcionavam por toda a extensão daquele país. Deu~lhes uma tarefa especial que assumiu grande importância na Causa, ou seja, a implementação de algumas leis contidas no "Kitáb-i-Aqdas", o "novelo e a linha" da Ordem Mundial de Bahá'u'lláh. Ordenou às Assembléias Espirituais da Pérsia que implantassem essas leis na Comunidade Bahá'í - leis essas que, embora conhecidas dos crentes que habitavam aquela terra, não haviam sido observadas até então.

No transcorrer de seu ministério, deu muitos esclarecimentos sobre a aplicação dessas leis, elucidou muitos pontos complexos e detalhes referentes à elas, instou com as Assembléias Espirituais para que jamais transigissem ao fazer cumprir as leis, e aconselhou-as a manter um alto padrão de justiça e de imparcialidade em todos os casos. Assim, criou ele, nesta área um grande reservatório de conhecimento e experiência que será de grande valor, no futuro.

Planos Nacionais de Ensino

Nos Estados Unidos da América - palco do desenvolvimento do arquétipo da Ordem Administrativa - as instituições da Fé cresceram e se desenvolveram a tal ponto que o Guardião pôde lançar o primeiro Plano de Sete Anos, em 1937 - um empreendimento de grande significado que abriu a fase inicial do primeiro período na execução do Mandato Divino conferido aos crentes da América por 'Abdu'l-Bahá, e que marca um novo capítulo na história da Ordem Administrativa da Fé.

Ao completar-se triunfalmente esse plano em 1944, coincidindo com as celebrações mundiais do Centenário do nascimento da Fé, o número de Assembléias Espirituais Locais nos Estados Unidos havia quase que dobrado, o número de localidades com bahá'ís residentes crescera enormemente, e o núcleo das instituições da Fé já havia se estabelecido em cada República da América Latina. Essa tremenda realização, junto com o término da ornamentação externa da mais sagrada Casa de Adoração no mundo bahá'í despertou os bahá'ís de outras terras para o significado destes eventos nos Estados Unidos e abriu-lhes os olhos para o esquema de expansão e consolidação sistemática da Fé, que se desenvolveu como conseqüência direta deste primeiro e histórico plano, iniciado pelo Guardião da Causa de Deus e executado pelos seguidores de Bahá'u'lláh, no berço da Ordem Administrativa da Fé.

Um triunfo tão glorioso para a Causa gerou um impulso de fervor e dedicação, de confiança e de entusiasmo nos corações dos crentes em outras terras. Eles também ansiavam escalar alturas mais sublimes no serviço da Causa de Deus.

Tão logo cada Assembléia Nacional estivesse preparada, o Guardião dava-lhe sua aprovação e encorajamento para elaborar planos nacionais, com a finalidade principal de aumentar o número e de consolidar a instituição das Assembléias Espirituais Locais, de multiplicar os centros bahá'ís, dentro e além de seus limites nacionais. A primeira a solicitar um plano ao Guardião foi a Comunidade Britânica, a quem foi dado um Plano de Seis Anos em 1944. Outros planos se sucederam nos dois ou três anos seguintes. Cada um deles tinha uma duração determinada que deveria findar ou em 1950, ano do centenário do Martírio do Báb, ou em 1953, o Ano Santo, centenário da Revelação de Bahá'u'lláh, no Siyáh-Chál de Teerã.

O mais notável, entre estes diversos planos, foi o segundo Plano de Sete Anos dos bahá'ís dos Estados Unidos da América, cuja duração é o marco da segunda fase do período inicial das Epístolas do Plano Divino. Este Plano que incorporou algumas importantes metas internacionais, incluiu o estabelecimento de Assembléias Espirituais Locais em dez países da Europa Ocidental, a formação de três Assembléias Nacionais no Hemisfério Ocidental e a ornamentação interior de Mashriqu'l-Adhkár nos Estados Unidos, que foi completado com sucesso no ano de 1953. Outros foram, o Plano de Quatro - Anos - e - Meio da Índia, seguido pelo Plano de Dezenove Meses, o Plano de Quarenta e Cinco Meses da Pérsia, O . Plano de Seis Anos da Austrália, o Plano de Três Anos do Iraque, o de Cinco Anos do Egito, o de Cinco Anos da Alemanha, o de Cinco Anos do Canadá e finalmente o Segundo plano Britânico de Dois Anos, no qual seis Assembléias Espirituais Nacionais trabalharam em conjunto pelo estabelecimento da Fé no continente africano. Este plano desempenhou um importante papel na criação de um modelo para o futuro, em termos de cooperação internacional e projetos entre Assembléias - um prelúdio para o lançamento de planos mundiais através de todo o planeta.

Além destes Planos, que incrementaram visivelmente a atividade das comunidades nacionais bahá'ís e que inspiraram muitos crentes a se levantarem como pioneiros e a se estabelecerem em cidades-metas ou em territórios virgens, outros acontecimentos importantes ocorreram durante esse período, abrindo ó caminho para o futuro desabrochar e cresCimento da Ordem Administrativa de Bahá'u'lláh. Os mais destacados desses acontecimentos foram: a nomeação em 1951 por Shoghi Effendi do primeiro contingente de Mãos da Causa de Deus, cujo número em breve seria aumentado; a formação, no mesmo ano, do Conselho Internacional Bahá'í, destinado a desenvolver-se através de sucessivos estágios, até o estabelecimento da Casa Universal de Justiça; a participação de delegados bahá'ís em organizações não-governamentais das Nações Unidas; e o fenomenal crescimento da Fé na África; o primeiro continente a testemunhar a entrada à Fé em grandes números.

Estas conquistas de longo alcance, junto à triunfante conclusão de todos os Planos nacionais, dotou a Comunidade do Maior Nome com tremendas potencialidades para a expansão e a consolidação da Fé, em escala mundial; as comunidades nacionais, a essa altura, haviam adquirido a visão e a capacidade para participarem no primeiro Plano internacional.

A Cruzada de Dez Anos

Shoghi Effendi, em 1953, lançou este Plano. Conhecido como a Cruzada Mundial de Dez Anos, este histórico Plano ao qual o Guardião se referiu como sendo a maior cruzada espiritual jamais testemunhada pelo mundo, marca de uma vez a abertura da terceira e última fase do período inicial das Epístolas do Plano Divino e do início da Comunidade Bahá'í Internacional, unindo as doze Assembléias Nacionais existentes no mundo bahá'í, com a finalidade de implantar o estandarte da Fé em todos os territórios virgens remanescentes o globo terrestre, de multiplicar o número de Assembléias Espirituais Locais e Nacionais pelo mundo e de realizar muitas outras metas especificadas no Plano.

Por ocasião do anúncio das metas desta poderosa Cruzada, os seguidores de Bahá'u'lláh em todos os países ficaram estarrecidos diante da imensidade das tarefas com que tinham que se defrontar. Cedo, entretanto, puderam testemunhar com sentimentos de gratidão, assombro e maravilha, que apenas no primeiro ano, cem territórios virgens haviam sido abertos à Fé!

Esta prodigiosa expansão da Causa, na fase inicial do Plano, a qual inspirou o exército de pioneiros e instrutores bahá'Ís a se levantarem a maiores alturas de heroísmo e de sacrifício, possibilitando-lhes ganhar vitórias adicionais para a Causa, e conquistar todas as principais metas do Plano nos anos subseqüentes, somente pode ser atribuída ao espírito de lealdade e devoção, com o qual as Mãos da Causa de Deus e seus membros do Corpo Auxiliar, as Assembléias Nacionais e Locais, os pioneiros e os instrutores, individual e coletivamente, voltaram-se para Shoghi Effendi, o Guardião da Causa, e o Sinal de Deus na Terra. Foi, todavia, a meio caminho deste Plano que a Mão de Deus removeu-o repentinamente do meio dos crentes, deixando-os como órfãos, acometidos de profunda tristeza, desamparados, ficando por sua própria conta.

A Custódia das Mãos da Causa

Ainda que Shoghi Effendi houvesse falecido e, em sua sabedoria, nenhum testamento houvesse deixado, o Convênio de Bahá'u'lláh permaneceu incólume. Os crentes uniram-se em torno das Mãos da Causa de Deus, os "administradores chefes da embrionária Comunidade Mundial de Bahá'u'lláh" que agora assumiam a função de guiar o Mundo Bahá'í. Cumpriram essa tarefa seguindo estritamente a guia e as instruções de Shoghi Effendi, delineados na sua Cruzada de Dez Anos. Este período de quase cinco anos que extende-se do falecimento de Shoghi Effendi, em 1957, até a eleição da Casa Universal de Justiça, em 1963, pode ser considerada como a fase mais desafiadora na história da Idade Formativa da Fé. Foi um período em que o Convênio de Bahá'u'lláh foi completa e rigorosamente testado, mostrando-se absolutamente inabalável. Pois ao contrário do que acontece com a Casa Universal de Justiça, às Mãos da Causa nenhuma guia infalível lhes havia sido prometida por Bahá'u'lláh. Ainda assim, através da lealdade que Lhe dedicaram e pela firmeza ao Seu Convênio, guiaram o Mundo Bahá'í exatamente sobre o traçado delineado por Shoghi Effendi em seus escritos sem desviarem-se sequer por um fio de cabelo, da vereda mostrada por ele.

Ao contrário dos líderes das religiões anteriores, que introduziram tantas idéias por eles criadas nos ensinamentos de seus Profetas, as Mãos da Causa, neste período de custódia da Fé de Bahá'u'lláh, não adicionaram um só ponto de si próprios à Causa, nem introduziram quaisquer inovações na operação das instituições. Não apenas guiaram e auxiliaram os crentes durante este período da Cruzada, que por eles foi levada à sua triunfante conclusão em 1963, quando a comunidade bahá'í demonstrou sua universalidade e coesão por ocasião da celebração do Jubileu da Declaração de Bahá'u'lláh, mas ao mesmo tempo entregaram a Causa de Deus, pura e não adulterada, ao corpo eleito da Casa Universal de Justiça, à qual Bahá'u'lláh conferiu infalibilidade e guia divina.

Nessa época a Fé havia crescido de umas poucas comunidades nacionais em 1952, para o que era então, uma vasta comunidade internacional espalhada através do mundo, com multidões respondendo ao chamado de Bahá'u'lláh, reconhecendo Sua posição e alistando-se na Causa em grandes números. O nÚmero de países, territórios e ilhas, abertos à Fé até o ano de 1952 era de 128; em 1963 chegavam a 259. Em 1952 as Assembléias Espirituais Locais eram um pouco mais de 600. Esse número foi aumentado para mais de 3.400. Em 1963 havia 12 Assembléias Espirituais Nacionais; em 1962 passaram a ser 56 Assembléias Espirituais Nacionais e Regionais cujos membros foram os eleitores da Casa Universal de Justiça. O número de localidades em todo o mundo onde residiam bahá'ís aumentou de 2.400 para mais de 11.000, e o número de idiomas com literatura bahá'í traduzida passou de 89 para mais.de 300. Em muitos casos o progresso da Fé excedeu em muito às metas originais do Plano. Foi também durante esse período que três Mashriqu'l-Adhkárs (Casas de Adoração) foram erigidas nos continentes africano, australiano e europeu, outras 46 áreas foram adquiridas para futuras Casas de Adoração e 49 Hazíratu'l-Quds adicionais foram obtidos através do mundo.

Desenvolvimentos no Centro Mundial

Na Terra Santa, o processo de se construir o Centro Mundial da Fé, delineado por Bahá'u'lláh através da revelação contida na Epístola do Carmelo, e que foi iniciado pela mão do Centro do Seu Convênio com a construção do Mausoléu do Báb, teve durante o Ministério de Shoghi Effendi sua velocidade acelerada de tal modo que quase no fim de sua existência terrena a Glória do Carmelo, predita pelos Profetas, tornou-se manifesta. A superestrutura do Túmulo Sagrado do Báb, "A Rainha do Carmelo ", coroada "de ouro reluzente", vestida de "branco cintilante", cercada de "verde esmeralda ", que encantou "todos os olhos do ar, do mar, das planícies e das colinas", havia sido majestosamente edificada.

Nos arredores foram condignamente erigidos os monumentos que marcam os lugares de repouso da Folha Mais Sagrada, do Ramo Mais Puro, assim como os da Mãe e da Esposa de 'Abdu'l-Bahá, respectivamente, destinados a se tornarem o ponto focal de uma série de edifícios localizados em torno de um arco, que constituirão o Centro Administrativo Internacional da Fé. O primeiro desta série, o edifício dos Arquivos Internacionais, no interior do qual estão guardadas as mais preciosas relíquias das Figuras Centrais da Fé, havia sido construído. Os nove terraços, ligando a cidade de Haifa ao Túmulo Sagrado do Báb haviam sido completados e os jardins a seu redor bem como das construções vizinhas foram desenvolvidos e embelezados. As propriedades internacionais da Fé, extendendo-se desde a base até ao topo do Monte Carmelo, uma área de mais de trezentos e cinqüenta mil metros quadrados haviam sido adquiridas. Um terreno compreendendo aproximadamente trinta e seis mil metros quadrados foi, finalmente, depois de longa e tediosa negociação, adquirido com a finalidade de erigir um Mashriqu'l-Adhkár no Monte Carmelo, localizado naquela montanha "bem próximo ao lugar santificado pelas pegadas de Bahá'u'lláh, perto da venerada Caverna de Elias e associado à revelação da Epístola do Carmelo - a Carta Régia do Centro Mundial Espiritual e do Centro Mundial Administrativo da Fé".

Em Bahjí, o lugar mais sagrado no mundo bahá'í, circundando o Túmulo Sagrado de Bahá'u'lláh, numa área de aproximadamente 160.000 metros quadrados, lindos jardins foram projetados, nos quais seria construído, no futuro, um magnífico mausoléu .sobre o Túmulo Sagrado de Bahá'u'lláh, foi erigido um santuário exterior (chamado Haram-i-Aqdas), projetado para abraçar este santo edifício.

A realização de empreendimentos tão magníficos na Terra Santa no transcorrer dos primeiros anos da Idade Formativa da Fé, junto com a delineação detalhada da construção do Centro Mundial da Fé, estabelecendo o padrão para seu desenvolvimento futuro, será encarado para sempre, corno um dos mais nobres frutos associados ao Ministério de Shoghi Effendi.

A Casa Universal de Justiça

A triunfante conclusão da Cruzada de Dez Anos, junto com o término do período interino de custódia das Mãos da Causa marca, de um lado, o encerramento de um período da Era Formativa e do outro, a abertura de uma nova era, com o nascimento da Casa Universal de Justiça. Uma instituição divinamente ordenada, guiada infalivelmente por Bahá'u'lláh e pelo Báb, cujo estabelecimento fora antecipado pela Antiga Beleza na Epístola do Carmelo como o singrar da "Arca de Deus" e cujas funções haviam sido claramente por Ele definidas em diversas Epístolas; a Casa Universal de Justiça foi descrita pelo Mestre como a "Fonte de todo o bem e isenta de todo o erro" e a quem o Guardião se referiu como o "ápice" da Ordem Administrativa Bahá'í, o "órgão supremo da Comunidade Bahá'í", e o "último refúgio de uma civilização cambaleante".

Expressando-se em linguagem enfática e clara 'Abdu'l-Bahá, na passagem a seguir, confirmou a autoridade da Casa Universal de Justiça:

"Ao Sacratíssimo Livro devem todos se dirigir e tudo o que nele não esteja expressamente registrado deve ser referido à Casa Universal de Justiça. Aquilo que este Corpo decidir, quer por unanimidade, quer por maioria será, realmente, a Verdade e o Propósito do próprio Deus. Aquele que se desviar dessa resolução é, em verdade, dos que amam a discórdia, está demonstrando malícia e se afastando do Senhor do Convênio. "

E mais:

"Todos devem dirigir-se para o Centro da Causa e à Casa de Justiça para que sejam guiados. E quem se volver para qualquer outra coisa terá, em verdade, cometido um erro lastimável."

Com o estabelecimento da Casa Universal de Justiça, o último e culminante edifício na estrutura da Ordem Administrativa de Bahá'u'lláh veio à existência e o fluxo de guia divina se restabeleceu. Ao procedermos o levantamento da história da Fé, desde o falecimento de Shoghi Effendi até o nascimento da Casa Universal de Justiça, um período pontilhado por muitos perigos e incertezas, poderemos ver com clareza, que somente através do poder do Convênio, foi que a comunidade bahá'í preservou sua unidade e solidariedade. Embora espalhada pelo mundo com diferentes culturas, costumes e idiomas, a massa dos crentes permaneceu fiel ao Convênio e volveu-se para o Centro da Causa de Deus, a Casa Universal de Justiça. Na realidade, tudo quanto está registrado no Testamento de Bahá'u'lláh e de 'Abdu'l-Bahá, no que concerne o crente individual pode ser condensado em uma palavra chave e, dela depende não somente a vida espiritual e a salvação do indivíduo, mas também a unidade da comunidade bahá'í. Essa palavra chave é "volver-se". Bahá'u'lláh prescreveu a Seus seguidores para "volverem-se" para 'Abdu'l-Bahá, depois de Sua Ascensão. 'Abdu'l-Bahá fez o mesmo, instruindo-os a "se volverem" para Shoghi Effendi e para a Casa Universal de Justiça.

Com uma devoção e lealdade que lembram os primeiros dias da Guardiania, quando os bahá'ís fiéis se reuniram em torno de Shoghi Effendi, os crentes do mundo inteiro "volveram-se", neste dia, para a Casa Universal de Justiça.

As maravilhosas mensagens daquele augusto Corpo que começaram, logo após sua formação, a fluir do Centro Mundial, inspiraram todo o mundo bahá'í e evocaram sentimentos de alegria e de gratidão nos corações dos crentes que testemunhavam o poder, a autoridade e a guia infalível, com que estava plenamente investida aquela Suprema Instituição.

O Plano de Nove Anos

A Casa Universal de Justiça lançou, em 1964, um Plano Mundial de Nove Anos que precede uma série de planos que se extenderão "por sucessivos períodos tanto da Idade Formativa como da Idade Áurea da Fé". O Plano introduz o segundo período das Epístolas do Plano Divino e urge a expansão da Fé e o estabelecimento de suas instituições em uma escala bem mais vasta do que jamais existiu. Entre outras coisas tem por meta ampliar até o fim do Plano em 1973* o número de localidades com residentes bahá'ís para mais de 54.000, o número de Assembléias Espirituais Nacionais para 114 e o das Assembléias Locais para quase 14.000.

* N.T.: Escrito em 1974.

Com um zelo e um entusiasmo não menos ardentes e comoventes e uma determinação não menos firme do que a que inspirou os bahá'ís de uma época anterior à Idade Formativa, milhares de crentes de todas as partes do mundo, levantaram-se para o cumprimento das metas deste Plano global. Através de esforços feitos com sacrifício, pioneirismo e ensino, ganharam memoráveis vitórias para a Causa de Deus. Este plano se aproxima do fim*, com a maioria das metas já alcançadas e em alguns casos, ultrapassadas. O processo de "entrada em tropas" à Causa de Deus, predita por 'Abdu'l-Bahá prossegue com aceleração contínua em algumas partes do mundo.

As significativas Mensagens de Bahá'u'lláh, endereçadas aos soberanos e dirigentes do mundo de Sua época, conclamando-os a reconhecerem Sua posição e a abraçar Sua Causa foram condignamente apresentadas à grande maioria dos atuais chefes de Estado. Foi, ainda acelerado o processo de ·proclamação de Sua Mensagem à humanidade em geral, preparando o caminho para a total emergência da Fé de Deus da obscuridade e levando-a a um estágio de emancipação dos grilhões da ortodoxia religiosa e de seu reconhecimento como religião independente.

Desde o estabelecimento da Casa Universal de Justiça, largos passos haviam sido dados no Centro Mundial da Fé na implementação de muitas metas importantes, incluindo-se a codificação do Kitáb-i-Aqdas, da formulação da constituição da Casa Universal de Justiça, a extensão para o futuro, das funções de proteção e propagação das Mãos da Causa, o que foi feito através da nomeação de vários Corpos de Conselheiros, o levantamento e classificação das Escrituras de Bahá'u'lláh, 'Abdu'l-Bahá e de Shoghi Effendi, o aumento dás propriedades bahá'ís na Terra Santa, o embelezamento e desenvolvimento dos jardins que circundam os Túmulos Sagrados. Algumas dessas tarefas já foram completadas e as demais estão sendo levadas avante para terminarem até o fim do Plano de Nove Anos.

* N.T.: Escrito em 1974

A meta e o propósito deste Plano e de outros que o seguirão, é difundir a luz da Fé de Bahá'u'lláh pelo mundo, assim como erigir uma Nova Ordem Mundial para toda a humanidade. Essa Nova Ordem está agora como um embrião, crescendo em meio ao tumulto e o caos de uma Ordem decadente, que rapidamente, se aproxima do fim e da destruição.

A Analogia da Casa Velha e da Nova Casa

A Velha Ordem pode ser comparada com uma casa velha, em cujo interior a humanidade se abrigou por séculos e dentro de cujos cômodos as nações do mundo viveram em relativo isolamento até a vinda de Bahá'u'lláh, quando uma nova vida foi insuflada em todas as coisas criadas e quando uma nova era raiou sobre a humanidade. Em Suas Epístolas, Bahá'u'lláh, em termos inequívocos, proclamou, aos povos do mundo que "breve será a presente Ordem posta de lado e uma nova se estenderá em seu lugar". Preveniu-os que a casa velha cessaria de oferecer um abrigo seguro à humanidade e que cedo haveria de ruir. Conclamou os povos do mundo a saírem da velha casa e sob Sua orientação: começar a edificação de uma nova; este toque de clarim de Bahá'u'lláh caiu em ouvidos surdos. No início só um punhado de Seus próprios compatriotas, reconheceram Nele o Redentor da humanidade e o Arquiteto de uma Nova Casa - esta Nova Ordem Mundial. Estes abandonaram a casa velha e saíram a fim de preparar o caminho para a construção da Nova.

A primeira e a mais importante parte de qualquer construção, é o alicerce e o passo inicial é o de escavação. Este é o estágio em que tudo está sendo demolido em vez de erigido e o trabalho não parece ser construtivo. Nos primeiros dias da Fé, por conseguinte, o mundo exterior não apreciou o glorioso trabalho desempenhado por um pequeno grupo de almas heróicas que, trabalharam com heroísmo e auto-sacrifício incomparáveis, a fim de preparar o caminho para a construção de uma Nova Casa - esta Ordem que abarca o mundo inteiro.

Foi um período de perseguição e martírio durante o qual, nos termos da nossa analogia, tempestades de poeira foram levantadas no processo de cavação dos alicerces da Casa Nova e a humanidade, como um todo, encarava este trabalho como algo, inútil. De fato as histórias de heroísmo e de martírio chegaram até aos povos do ocidente e do oriente mas, ainda assim, a humanidade em geral - os habitantes da casa velha ocupados com seus afazeres e privados de visão espiritual, nada perceberam da grandeza e da glória destes setenta e sete anos que marcaram a duração da Idade Heróica e prepararam o caminho para a colocação dos alicerces da Nova Ordem Mundial de Bahá'u'lláh, em um período posterior.

Com o advento da Idade Formativa em 1921, o tempo para a construção propriamente dita da Casa Nova tinha finalmente chegado. Os bahá'ís do mundo, sob a guia de Shoghi Effendi, seu amado Guardião, haviam iniciado a tarefa de lançar seus alicerces. Depois de 50 anos de dedicado serviço, de esforço e trabalho intenso por parte dos construtores da Ordem Mundial de Bahá'u'lláh, a forma e a estrutura da Nova Casa que está destinada, na plenitude dos tempos, a abrigar a humanidade em seu interior, gradualmente está emergindo das ruínas da Ordem Antiga, atraindo para si a cada dia, um número cada vez maior de pessoas de todas as classes da sociedade, desencantadas com a casa velha.

Os demais que constituem a maioria da humanidade, estão infelizmente, nas palavras de Bahá'u'lláh "destituídos de discernimento para ver Deus com seus próprios olhos, ou ouvir Sua melodia com seus próprios ouvidos". Agrilhoados por tradições seculares e presos aos laços de uma Ordem agonizante, os habitantes da casa velha têm a visão obscurecida por muitos véus como o materialismo e o preconceito, o orgulho e a vanglória, que os impedem de fitar a grandeza e a beleza da Casa Nova, levantando-se majestosamente em meio ao caos de um mundo dividido.

Hoje as forças da destruição varrem a face da terra, e a casa velha está sendo abalada cada vez mais, até seus alicerces. Dentro dela a humanidade, agoniada e confusa, luta em desespero para consertar uma estrutura que rapidamente se desintegra e que está completamente fora de qualquer possibilidade de conserto.

"O mundo agoniza" escreveu Bahá'u'lláh há quase cem anos, "e sua agitação aumenta dia a dia. Sua face inclina-se para a desobediência e a descrença. Tal há de ser seu dilema . que não seria apropriado ou conveniente revelá-lo agora. Sua perversidade continuará por muito tempo. E quando chegar a hora marcada, aparecerá de súbito o que fará tremerem os membros do gênero humano. Então, somente então, será içado o Estandarte Divino, e o Rouxinol do Paraíso cantará sua melodia."

Os seguidores de Bahá'u'lláh, tendo compreendido que a casa velha não tem conserto e que, eventualmente acabará por desabar, trabalham em todos os países com a maior dedicação e com um senso de extrema urgência na construção da Casa Nova. Embora ansiosos para ajudar os desafortunados e oprimidos e sôfregos para aliviar a miséria e o sofrimento do próximo que ainda reside na velha casa, os bahá'ís no entanto estão conscientes de que ela está condenada ao fracasso e que tal ajuda será, quando muito, de valor limitado, sem possibilidade de, solucionar, no fim, os problemas da humanidade. Vêem claramente que quando o mundo sofre de tantos males, sua única tarefa é q de revivificar seus povos e reorientar completamente a sociedade humana.

Como pessoas que vão trabalhar todos os dias e voltam para casa à noite, os seguidores de Bahá'u'lláh despendam todas as suas energias na construção da Casa Nova. Voltam à velha apenas para dormir, por assim dizer, e portanto em nada participam, com seus habitantes, na formulação de diretrizes relativas à ela. Os bahá'ís permanecem leais aos respectivos governos, mas sem tomar parte ou interferir em atividades políticas, em nenhum estado ou nação do mundo. E só desse modo que poderão permanecer fiéis à missão a eles confiada por Bahá'u'lláh, a missão de edificar, na Idade Formativa, a Nova Ordem Mundial para a humanidade.

Com o advento da Idade Formativa em 1921, o tempo para a construção propriamente dita da Casa Nova tinha finalmente chegado. Os bahá'ís do mundo, sob a guia de Shoghi Effendi, seu amado Guardião, haviam iniciado a tarefa de e oprimidos e sôfregos para aliviar a miséria e o sofrimento do próximo que ainda reside na velha casa, os bahá'ís no entanto estão conscientes de que ela está condenada ao fracasso e que tal ajuda será; quando muito, de valor limitado, sem possibilidade de, solucionar, no fim, os problemas da humanidade. Vêem claramente que quando o mundo sofre de tantos males, sua única tarefa é a de revivificar seus povos e reorientar completamente a sociedade humana.

Como pessoas que vão trabalhar todos os dias e voltam para casa à noite, os seguidores de Bahá'u'lláh despendam todas as suas energias na construção da Casa Nova. Voltam à velha apenas para dormir, por assim dizer, e portanto em nada participam, com seus habitantes, na formulação de diretrizes relativas à ela. Os bahá'ís permanecem leais aos respectivos governos, mas sem tomar parte ou interferir em atividades políticas, em nenhum estado ou nação do mundo. É só desse modo que poderão permanecer fiéis à missão a eles confiada por Bahá'u'lláh, a missão de edificar, na Idade Formativa, a Nova Ordem Mundial para a humanidade.

O Primeiro Meio Século da Idade Formativa

É realmente grandioso o espetáculo que se desdobra diante de nós ao contemplarmos os momentosos eventos do primeiro meio século da Idade Formativa da Fé - Idade que testemunhou, ao falecer o Mestre, o nascimento da Ordem Administrativa de Bahá'u'lláh. Um breve exame da história da Causa, demonstrará que uma Fé que foi oprimida em sua "terra natal desde seu início, que suportou um golpe tremendamente doloroso com o martírio do seu Arauto, que sofreu insuportáveis tribulações impostas a seu Autor e que testemunhou o martírio de nada menos que 20.000 de seus adeptos e que deveria ter como antecipou o Násiri'd-Dín Sháh, seu oponente real, o próprio nome apagado das páginas da história -adquiriu, durante os primeiros 50 anos da Idade Formativa, uma tal vitalidade e força e fez um progresso tão fenomenal, que surpreendeu seus próprios seguidores, bem como seus amigos."

A luz da Fé, que foi acesa no Siyáh-Chál de Teerã, cujo brilho foi plenamente manifestado em Adrianópolis e cujos raios iluminaram parte dos Continentes Americano, Australiano, e Europeu durante o Ministério do Mestre, foi difundida sistematicamente durante o período inicial da Idade Formativa para quase 50.000 localidades do mundo. O "Exército de Luz", composto de pioneiros, instrutores e administradores recrutados de toda raça, classe e cor, proclamando à humanidade o advento do Senhor dos Exércitos, envolveu o mundo. A Fé proclamada por Bahá'u'lláh atingiu quase todos os segmentos da sociedade. Suas verdades fundamentais, sua história, seus ensinamentos, seu poder transformador, seus objetivos e propósitos têm sido e continuam sendo cada vez mais, trazidos à atenção de urna humanidade atormentada. As instituições em desenvolvimento de sua Ordem Administrativa divinamente guiada, foram estabelecidas;e no seu Centro Mundial, nas vizinhanças dos Túmulos Sagrados, o Edifício Principal dessa mesma Ordem - a Casa Universal de Justiça, que na plenitude do tempo, desvelará para a humanidade sua gloriosa posição e manifestará a Soberania de Bahá'u'lláh - foi majestosamente erigido.

Estas memoráveis vitórias da Causa, dentro de tão curto espaço de tempo, prenunciando o advento de realizações muito maiores no futuro, foram devido principalmente a ascensão da Ordem Administrativa, cuja importância Shoghi Effendi enalteceu nestas palavras:

"Que ninguém, enquanto este Sistema ainda estiver nos seus primórdios interprete mal seu caráter, menospreze seu significado, ou deturpe seu propósito imutável de Deus, para a humanidade neste dia. A Fonte de onde deriva sua inspiração, é nada menos que o próprio Bahá'u'lláh. Seu escudo e defensor são as aguerridas hostes do Reino de Abhá. Sua semente é o sangue de nada menos que 20.000 mártires, que ofereceram suas vidas para que ela nascesse e florescesse. O eixo, em torno do qual suas instituições revolvem, são as autênticas disposições da Última Vontade e Testamento de 'Abdu'l-Bahá. Seus princípios norteadores são as verdades que Ele, o Infalível Intérprete dos ensinamentos de nossa Fé, tão claramente enunciou em Suas conferências públicas pelo Ocidente. As leis que governam sua operação e que limitam suas funções são as que foram ordenadas expressamente no Kitáb-i-Aqdas. O local em torno do qual suas atividades espirituais, administrativas e humanitárias se concentrarão é o Mashriqu'l-Adhkár e suas dependências. Os pilares que sustentam sua autoridade e que reforçam sua estrutura, são as instituições gêmeas da Guardiania e da Casa Universal de Justiça. A meta central e fundamental que a anima é o estabelecimento da Nova Ordem Mundial, tal como a esboçou Bahá'u'lláh. Os métodos que emprega, os padrões que inculca, não se inclinam para o Ocidente nem para o Oriente, nem para Judeu nem para Gentio, nem para rico nem para pobre, nem para branco nem para os de cor. Sua Senha é a unificação da humanidade; seu estandarte é a "Paz Maior"; sua consumação, o advento do milênio áureo - o Dia em que os reinos deste mundo houverem se transformado no Reino de Deus, o Reino de Bahá'u'lláh."


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