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Mulher - A igualdade começa pela família
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AEN Argentina : Mulher - A igualdade começa pela família
MULHER
A IGUALDADE COMEÇA NA FAMÍLIA

Documento elaborado pela Comunidade Bahá'í da Argentina

1ª Conferência Internacional Bahá'í do Cone Sul

"Homens e Mulheres Unidos em Prol da Evolução do Mundo da Mulher"

Traduzido pela:
Coordenação Nacional da Mulher Bahá'í do Brasil
HOMENS E MULHERES: COMPANHEIROS VERDADEIROS

"A emancipação da mulher - a concretização da plena igualdade entre os sexos - é um dos pré-requisitos mais importantes, embora dos menos reconhecidos, para o estabelecimento da paz. A negação dessa igualdade perpetra uma injustiça contra a metade da população do mundo, e promove entre os homens atitudes e hábitos nocivos que são transportados do ambiente familiar para o local de trabalho, para a vida política, em última análise, para a esfera das relações internacionais. Não existem quaisquer fundamentos morais, práticos ou biológicos que justifiquem essa privação. Só quando as mulheres forem bem recebidas em todos os campos de atividade humana, em condições de igualdade é que se criará o clima moral e psicológico do qual poderá emergir a paz internacional."

(Casa Universal de Justiça - "A Promessa da Paz Mundial - 1986)

OLHANDO PARA O PASSADO

Em épocas passadas a posição da mulher era demasiadamente deplorável. No Oriente acreditava-se que era melhor ela ser ignorante. Considerava-se preferível que não soubesse ler ou escrever para que não pudesse estar informada dos acontecimentos do mundo. Pensava-se que a mulher havia sido criada apenas para criar filhos e realizar as tarefas da casa. Se estudava, isto era considerado algo contrário a castidade, o que as tornava prisioneiras do lar.

As casas não tinham nem sequer janelas para que elas olhassem o mundo exterior... No Oriente não era considerada um ser humano. Certas tribos árabes contavam suas mulheres junto com o rebanho. O pior insulto que uma pessoa podia dizer a um homem era "Hei, mulher!" (1)

Entretanto, "desde o momento em que Bahá'u'lláh apareceu (no Irã em 1853) isto mudou. Ele eliminou a idéia da distinção entre os sexos, proclamando-os iguais em todas as aptidões." (2)

As escrituras Bahá'ís reafirmam "Deus criou toda a humanidade a sua própria imagem e semelhança. Isto é, tanto os homens como as mulheres são os reveladores de seus nomes e atributos, e segundo o ponto de vista espiritual não existe diferença entre eles. Qualquer um que se aproxime de Deus é o mais apreciado seja homem ou mulher."(3)

"Aquele cujo pensamento é puro, cuja educação é superior, cujas realizações científicas são maiores, cujas ações filantrópicas são sobressalentes seja esta pessoa homem ou mulher merece plenos direitos e reconhecimento, não existe diferença alguma." (4)

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Bahá'u'lláh (título que em português significa "A Glória de Deus") é o Profeta Fundador da Fé Bahá'í. Nasceu no Irã em 1817. Desde 1853 começou a revelar seus Ensinamentos que segundo consideram os Bahá'ís, constituem a guia de Deus para estabelecer uma civilização mundial caracterizada pela paz, a unidade e a justiça. Como resultado de revelar estes ensinamentos inovadores, Bahá'u'lIáh sofreu 40 anos de desterros, encarceramento e outras perseguições. Passou seus últimos anos na Terra Santa (Israel) ao redor do Monte Carmelo, onde hoje em dia se encontra o Centro Mundial Bahá'í.

IGUAIS E COMPLEMENTARES

As Escrituras Bahá'ís afirmam. "O mundo da humanidade tem duas asas, uma é a mulher e a outra é o homem. Até que ambas as asas não tenham se desenvolvido igualmente, o pássaro não poderá voar. Se uma asa for fraca, o vôo é impossível." (5)

Esta analogia ajuda-nos a compreender a natureza da igualdade entre o homem e a mulher. Se pensarmos em duas asas, ainda que num sentido são iguais, por sua vez são complementares. Uma é a asa direita do pássaro, e a outra é a asa esquerda. Não há intercâmbio entre elas e uma não pode substituir a outra. O pássaro pode voar justamente porque suas asas trabalham coordenadamente de maneira complementar.

De igual modo, devemos considerar que os homens e as mulheres são iguais nos aspectos essenciais da vida: em sua capacidade espiritual, intelectual e nos direitos e oportunidades que merecem. Porém também são complementares. Por isso se os homens e as mulheres trabalham juntos, em harmonia, com coordenação e respeito, e um apreço pelas diferenças que possam existir entre seus vaIares e perspectivas, podem alcançar mais do que se trabalharem sozinhos.

DE QUE MANEIRA PODEMOS ESFORÇAR-NOS PELO PROGRESSO DA MULHER?

IMPLEMENTANDO A JUSTIÇA

É evidente que as mulheres tem conseguido grandes avanços desde que Bahá'u'lIáh anunciou o princípio da igualdade de direitos e oportunidades para o homem e a mulher no século passado.

Agora as mulheres têm direito ao voto. Podem ser donas de propriedades. Um número crescente de pais de família estão conscientes de que a instrução das filhas é tão importante quanto a instrução dos filhos. Um número cada vez maior de mulheres estão sendo profissionais.E em alguns países, mulheres tem ocupado o cargo de primeiro ministro ou presidente, embora isto seja mais uma exceção que a regra.

Porém, se olharmos com os olhos da justiça, ainda falta muito a ser alcançado. Se revisarmos as estatísticas de ingressos em todos os níveis de educação, a porcentagem de mulheres que estudam é menor que a porcentagem de homens. Nas organizações, empresas e instituições do governo, com algumas notáveis exceções, a maioria dos postos de direção estão nas mãos dos homens.

Na maioria das vezes as mulheres recebem menos remuneração que os homens para realizar o mesmo trabalho. Em muitos lugares segue-se acreditando que toda a responsabilidade pelas tarefas domésticas e o cuidado dos filhos é da mulher, mesmo quando, tanto o homem como a mulher trabalham fora de casa. Como resultado disso, a mulher geralmente trabalha várias horas a mais que o homem por dia, recebendo, no entanto pouco reconhecimento ou admiração. Além disso, muitos homens seguem olhando as mulheres como objetos sexuais, em vez de respeitá-las como pessoas. Por sua vez demasiadas mulheres continuam jogando este papel perante os homens.

Uma sociedade que aspira o desenvolvimento humano deve basear-se no valor mais importante que é a justiça. Bahá'u'lIáh explica. "O propósito da justiça é o surgimento da união entre os homens... A organização do mundo e a tranqüilidade da humanidade depende dela. (6)

Por sua vez, afirma que "o bem-estar da humanidade, sua paz e segurança não são alcançados a menos que sua unidade seja firmemente estabelecida" (7) e reforça que "nenhum poder existirá se não for através da unidade". (8)

Assim a justiça é um requisito para a unidade, e a unidade é a fonte do poder necessário para promover a paz, o bem-estar e a segurança de um povo.

Além disso, "as implicações (da justiça) para o desenvolvimento social e econômico são profundas... Somente aqueles projetos de desenvolvimento que se consideram... justos e eqüitativos em seus objetivos podem aspirar a gerar compromissos nas massas da humanidade de quem depende sua execução." (9)

Em uma sociedade justa, todos os membros da raça humana necessitam ter a mesma oportunidade de educar-se, trabalhar e participar. As mulheres representam 50% da raça humana. Nenhuma sociedade pode pretender ser justa se não garantir o mesmo apoio legal na prática da vida diária, os mesmos direitos e oportunidades que é dado aos homens.

BENEFICIANDO O APRENDIZADO MÚTUO ENTRE HOMENS E MULHERES

As diferenças que fazem com que o homem e a mulher sejam complementares, não são biológicas. Também há certas qualidades e valores que distinguem uns dos outros.

Os homens tendem a distinguir-se por sua força e por ter "qualidades mais potentes e agressivas, tanto físicas como mentais". (10) As mulheres tendem a caracterizar-se pela "vivacidade mental, a intuição e as qualidades espirituais de amor e serviço." (11) Geralmente "seus corações são mais ternos e susceptíveis que os corações dos homens... são mais filantrópicas e sensíveis diante do necessitado e do sofredor ... e são amantes da paz." (12)

Contudo, estas não são qualidades exclusivas. Tanto os homens como as mulheres podem desenvolver cada uma delas e ao fazê-Io, chegam a ser pessoas mais completas e íntegras. Assim, graças a suas diferenças, os homens e as mulheres podem aprender uns com outros e ajudar-se no desenvolvimento de suas potencial idades.

Isto não sucede quando erroneamente considera-se que o homem é superior a mulher. Então tende-se a enaltecer as qualidades "masculinas" e rebaixar as qualidades "femininas". Conseqüentemente, as mulheres que desejam alcançar o êxito profissional, as vezes sentem que necessitam despojar-se de suas qualidade femininas "frágeis"e substituí-Ias por qualidades masculinas "fortes", em vez de buscar um equilíbrio entre os dois tipos de qualidades. Por sua vez, os homens sentem vergonha em mostrar qualidades ou colaborar com tarefas que consideram "femininas". Esta situação impede o crescimento de ambos.

É impossível que os homens e as mulheres aprendam uns dos outros enquanto existirem relações de dominação, baseadas no pressuposto errôneo de superioridade do sexo masculino. Para que se dê o aprendizado e o desenvolvimento mútuo, os homens necessitam respeitar as mulheres como pessoas e considerá-las como seus pares. Necessitam aprender a transformar as relações de dominação entre homens e mulheres em relações horizontais baseada na reciprocidade, em compartilhar abertamente e no serviço mútuo.

Isto não só terá um efeito saudável nas relações entre os homens e as mulheres. Também é necessário para criar-se uma sociedade melhor, em que se integram harmoniosamente as pessoas de distintos grupos étnicos e sociais. Porque se uma pessoa está acostumada as relações de dominação no lar, também tenderá a praticá-las na sociedade. Os Escritos Bahá'ís reafirmam que:

"A emancipação da mulher - a concretização da plena igualdade entre sexos - é um dos pré-requisitos mais importantes, embora dos menos reconhecidos para o estabelecimento da paz. A negação dessa igualdade perpetra uma injustiça contra a metade da população do mundo, e promove entre os homens atitudes e hábitos nocivos que são transportados do ambiente familiar para o local de trabalho, para a vida política e, em última análise para a esfera das relações internacionais". (13)

ALCANÇANDO O TRIUNFO NO CAMPO DO DESENVOLVIMENTO

Comunidade Internacional Bahá'í* "afirma que o compromisso para atingir a igualdade plena entre mulheres e homens, em todos os setores da vida e em cada nível da sociedade, é crucial para o triunfo da estratégia global de desenvolvimento, desde sua concepção até sua execução." (14)

É fácil compreender a razão desta afirmação ao refletir sobre o papel da mulher na família e da família na formação dos seres humanos. A mãe é o membro da família que tem mais influência na nutrição da família, na saúde preventiva e curativa. O grau de educação que tem a mãe se reflete no nível educativo que atinge tanto seus filhos como suas filhas. Na zona rural, as mulheres tem sob sua responsabilidade o cultivo e elaboração de certos produtos . Além disso, as mulheres dedicam uma maior porcentagem de seus rendimentos para seus filhos e ao bem-estar familiar do que fazem os homens. 15

Por isso, além do beneficio para a própria mulher, uma das ações mais eficazes no campo do desenvolvimento é a de esforçar-se na educação das meninas e das mulheres, e envolve-Ias nos projetos de desenvolvimento, já que isto contribui a uma melhora em vários outros fatores.

Porém a maior contribuição das mulheres para o desenvolvimento virá não só quando atuarem como participantes e beneficiarias nos projetos de desenvolvimento, senão quando elas também aplicarem aos planos e métodos dos projetos, desde sua perspectiva feminina.

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Representantes da Comunidade Internacional Bahá'í ocupam atualmente lugares como delegados e observadores com status consultivo em diversos organismos das Nações Unidas, como UNICEF, ECOSOC, UNEP e outros, convocados para selecionadas organizações não-governamentais. Os Bahá'ís se encontram em 205 países do mundo e representam mais de 2.100 grupos étnicos.

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ESTABELECENDO UMA CIVILIZAÇÃO EM QUE OS ELEMENTOS MASCULINOS E FEMININOS ESTEJAM MAIS EQUILIBRADOS.

Todas as sociedades do mundo estão em crise, em maior ou menor grau. Há uma crise de valores, que se reflete na corrupção e os escândalos que na maioria das vezes envolvem membros do governo; no aumento do crime e da delinqüência, na ênfase do materialismo e na busca de prazer. Há uma crise ecológica gerada pela atitude exploradora que os seres humanos tem provocado em relação a natureza. Há uma crise de pobreza, que se aprofunda mais a cada ano, alimentada pelo materialismo, cobiça e a sociedade de consumo e complementada pela pouca consciência sobre a profundidade da interdependência que entrelaça todos os seres humanos.

Estes graves problemas que estão ameaçando o planeta não podem ser resolvidos somente através de "soluções técnicas". Tem que haver uma profunda mudança nos valores. A sociedade inteira necessita justamente de aprofundar aqueles valores em que as mulheres tradicionalmente tem sido fortes. As Escrituras Bahá'ís explicam:

Entretanto, para que isto suceda não é suficiente apenas que as mulheres participem na sociedade. Necessitam fazê10 sem imitar os homens, reconhecendo quão valiosos são seus próprios valores e perspectivas e compartilhando-os, sem impor nem sentir vergonha deles.

Devido as suas qualidades, a mulher pode realizar um papel importante na tarefa gigantesca que enfrenta as nações de atingir a "reorganização e administração do mundo como um só país, o lar da humanidade." (16)

De fato, as Escrituras Bahá'ís afirmam que uma maior participação genuína da mulher nos assuntos internacionais contribuirá ao estabelecimento da paz. Explicam:

" A mulher por sua natureza opõe-se a guerra, ela é partidária da paz. As crianças são criadas e educa das pelas mães, que Ihes proporcionam os primeiros princípios educa ti vos e trabalham assiduamente em benefício deles.

Considerai por exemplo uma mãe que tenha criado ternamente seu filho até os vinte anos, até a maturidade. Seguramente não consentirá que esse filho seja despedaçado e vitimado no campo da batalha. Portanto, a medida que a mulher progrida ao nível do homem em poder e privilégios, com direito ao voto e controle no governo humano, seguramente as guerras cessarão; pois a mulher é por natureza a mais dedicada e firme defensora da paz internacional." (17)

COMO SE VIVE A IGUALDADE ENTRE O HOMEM E A MULHER?

NA FAMÍLIA: CHEGANDO A SER VERDADEIROS COMPANHEIROS

Como será a família em que se pratica a igualdade entre o homem e a mulher?

Para responder a esta pergunta devemos considerar o ideal bahá'í do matrimonio. As Escrituras Bahá'ís afirmam:

"O verdadeiro matrimônio dos bahá'ís, é que o esposo e a esposa se unam tanto espiritual como fisicamente, para que sempre possam melhorar mutuamente a vida espiritual de cada um e possam gozar de unidade eterna através dos mundos de Deus... O propósito da casamento deve ser este: converte-se em amorosos companheiros e camaradas um para com o outro, pelo tempo e pela eternidade." (18)

"Nesta gloriosa Causa, a vida de um matrimônio deveria parecer-se a vida dos anjos no céu, uma vida cheia de alegria e deleite espiritual, uma vida de unidade e concórdia, uma amizade tanto física quanto mental... Deveriam estar sempre exaltados com satisfação e alegria, e ser uma fonte de felicidade para os corações dos outros. Deveriam ser um exemplo para seus companheiros, manifestar amor sincero e verdadeiro um para com o outro, e educar de tal forma seus filhos, a fim de proclamar a fama e gloria de sua família." (19)

Para que isso ocorra realmente, há que compreender as bases para o verdadeiro amor, assim como as práticas que o nutrem.

O verdadeiro amor baseia-se em uma admiração mutua das capacidades e qualidades espirituais que tem um e outro.

Cada um ama o outro porque admira e aprecia suas qualidades e maneira de ser. Os Escritos Bahá'ís explicam: "Cada um vê... a Beleza de Deus refletida na alma e encontrando este ponto de semelhança, se sentem atraídos em amor um pelo outro."

Em troca, explicam os Ensinamentos Bahá'ís, que muitas vezes o que as pessoas chamam de "amor" "é simplesmente atração; ... (e) tem sua origem nas condições acidentais da vida". Visto que não se baseia nas qualidades duradouras que formam a base do caráter de cada um "está sujeito a mudanças". (20)

Por sua vez o amor se nutre da sinceridade e de compartilhar-se honesta e abertamente o que cada um sente e pensa. Quando uma pessoa abre seu ser interior e compartilha livremente seus sentimentos, suas aspirações e suas idéias mais importantes com alguém que realmente trata de compreendê-las, surge a sensação de que os dois são um, o que gera profundos sentimentos de amor.

Por isso, o amor exige o respeito pelas diferenças junto com um esforço sincero por compreende-Ias. Ninguém jamais responderá complemente aos nossos gostos ou a imagem do homem ou da mulher "ideal". Quando há diferenças, e cada um exige que o outro mude e se conforme em mudar, a relação se deteriora. Em troca, quando os dois compartilham seus diferentes pontos de vista aprendem um com o outro e a apreciam-se pelo esforço que fazem por aceitar estas diferenças.

Desafortunadamente na maioria das vezes, os esposos só se relacionam superficialmente porque há muitas coisas que cada um não quer que o outro saiba e trata de ocultá-las. Também falta compreensão para tratar de compartilhar abertamente estes assuntos. Quando não há confiança e sinceridade, gradualmente os esposos se afastam um do outro.

Para viver com o grau de abertura e compreensão necessárias para que o amor floresça, tanto o esposo como a esposa necessitam praticar a fidelidade.

Visto que um dos propósitos importante do casamento é ajudar-se um ao outro a desenvolver suas capacidades e qualidades, os esposos devem ajustar sua vida de tal modo que facilite este desenvolvimento para cada um. É necessário compartilhar as responsabilidade de trabalho dentro e fora da casa de tal modo que deixe certo tempo a cada um para dedicar-se as atividades que contribuam a seu desenvolvimento pessoal.

As responsabilidade que tem cada cônjuge não tem que ser as mesmas e tampouco devem ser estáticas. Variam segundo a situação da família e as oportunidades que se apresentam a cada um, as responsabilidades concretas de cada cônjuge podem mudar no transcurso do tempo. Porém a divisão deve ser eqüitativa e os dois devem sentir-se contentes com o acordo.

Um propósito importante do casamento, é o de trazer filhos ao mundo, e educá-los espiritual e intelectualmente para que possam chegar a amar a Deus e servir a humanidade.

Por isso deve dar-se importância a este propósito na organização da vida do lar e na divisão das responsabilidade.

A mãe é a primeira educadora de seus filhos. Ela necessita criar na casa aquelas condições que estimulem tanto o desenvolvimento material como espiritual. Para que a mãe possa dedicar mais tempo a educação dos filhos, o pai tem a responsabilidade principal de sustentar a família.

Porém estas responsabilidades não são exclusivas. O pai também tem a responsabilidade de colaborar ativamente na educação de seus filhos. E de acordo com suas capacidades e interesses, a mãe pode trabalhar fora de casa, ajudar a sustentar a família e participar em atividades que contribuam ao bem-estar da sociedade.

Assim as responsabilidades concretas do casal e da família podem variar, e dentro da mesma família podem mudar de tempos em tempos. Porém sempre deve se respeitar os seguintes princípios.

1) Cada um deve valorizar o trabalho do outro, não devido a remuneração econômica que traz, mas por sua contribuição ao bem-estar familiar e social, sem considerar que o que um faz é mais importante.

2) A responsabilidade de trabalho que cada um faz deve ser similar e eqüitativa.

3) O casal deve consultar periodicamente para decidir à respeito da responsabilidade de cada um e assegurar que ambos sintam-se bem com o que fazem.

4) Nenhum deve dominar o outro. Mas devem tomar as decisões familiares usando a consulta franca e amorosa, recordando o que os Escritos Bahá'ís aconselham:

"Uma das chaves para o fortalecimento da unidade é a consulta amorosa... Quando não se pode alcançar acordo (por meio de consulta) ... há momentos em que a mulher deve ceder e vice-versa, porém nenhum dos dois deveria jamais dominar injustamente o outro... " (21)

NO TRABALHO: RESPONDENDO AO DESAFIO DE UMA DISTRIBUIÇÃO EQÜITATIVA DE OPORTUNIDADES E A CONSIDERAÇÃO DE TEMAS ECONÔMICOS

Tanto os homens como as mulheres devem ter a oportunidade de participar em qualquer profissão que se interessem, em iguais condições, incluindo a mesma remuneração econômica pelo mesmo trabalho.

Além disso, devem ter direito de participar plenamente em um ambiente de respeito mútuo, sem ter que sofrer engano ou assédio sexual, por parte de seus colegas ou superiores.

Não se deve fazer com que as mulheres sintam que para terem êxito, necessitam adotar as mesmas atitudes, valores e estilos de trabalho que tem os homens com quem trabalham. Mas deve-se considerar a participação da mulher como uma fonte de enriquecimento que pode trazer novos valores ou perspectivas que tem feito falta. A comunidade Bahá'í esclarece que:

O desafio vai mais além de uma distribuição eqüitativa das oportunidades, por mais importante que esta seja. Requer uma revisão fundamental dos temas econômicos. Os modelos clássicos e impessoais da economia de mercado, no qual os seres humanos atuam como executores de objetivos egoísta não irão satisfazer as necessidades de um mundo motivado por ideais de unidade e justiça.

"A sociedade ver-se-á cada vez mais desafiada a desenvolver novos modelos econômicos configurados por... uma visão dos seres humanos em relação com os demais e o reconhecimento central do papel da família para o bem-estar social e comunitário. Semelhante avanço intelectual com característica fortemente altruísta em vez de egoísta, deverá nutrir-se abundantemente das sensibilidades espirituais e científicas da raça humana... Milênios de experiência tem preparado as mulheres para realizar contribuições fundamentais a este esforço comum. "22

NA COMUNIDADE: ESTIMULANDO UMA VARIEDADE DE PERSPECTIVAS PARA TOMADA DE DECISÕES

É importante animar as mulheres para que participem nas organizações da sociedade, não só em algumas organizações que são exclusivas para mulheres, tais como clube de mães, Conselho da Condição Feminina, mas em todas as organizações que trabalham para o bem-estar da comunidade. É importante, contudo que tanto os homens como as mulheres participem das reuniões. Devendo ser incluídas como membros da direção destas organizações. Isto pode levar a uma variedade mais ampla de perspectiva e a centralizar mais atenção nas considerações tais como o efeito que tem as decisões propostas na família e nas relações humanas em geral, as quais as vezes não se levam em conta.

Entretanto, nem sempre é fácil conseguir a participação da mulher. Visto que algumas tendem a ser tímidas nas reuniões onde predominam os homens, as vezes elas não dão suas idéias ou não dizem o que realmente pensam (porque temem que os homens possam rejeitar suas idéias ou aproveitar-se das mesmas). Para vencer este problema é importante que:

1) Nas reuniões tomam-se as decisões por meio da consulta, para que todos tenham confiança de que os demais terão interesse em conhecer suas idéias e que estas serão respeitadas.

2 As pessoas caladas façam um esforço por vencer sua timidez e dizer o que pensam.

3) Os homens animem as mulheres para que compartilhem livremente suas idéias e mostrem respeito pelo que elas dizem. Algumas maneiras concretas em que os homens podem ajudar as mulheres são:

a) Em casa, dentro de um ambiente de maior confiança falar com a esposa ou as irmãs antes da reunião, perguntando-Ihes sobre suas opiniões e animando-as a compartilhar estas mesmas idéias quando estiverem na reunião.

b) Durante a reunião, houve uma participação significativa das mulheres? Perguntar diretamente: Que opinião as mulheres tem a respeito? Assim, se em alguma reunião, somente as mulheres estão opinando e os homens ficam calados, é importante pedir a opinião deles.

AS MULHERES: O ÚNICO REMÉDIO E A EDUCAÇÃO

A igualdade não é algo que os homens possam dar as mulheres ou que as mulheres possam exigir dos homens. Igualdade implica em uma mudança na forma de atuar, tanto dos homens como das mulheres, e em sua forma de relacionar-se.

Para a mulher, a tarefa mais importante é educar-se. Para participar ao lado do homem, necessita ser igual em capacidades e conhecimentos. Necessita de suficiente confiança em seus conhecimentos e capacidades como para participar e expressar o que sabe. As Escrituras Bahá'ís afirmam que:

"O único remédio é a educação... visto que a igualdade significa igual qualificação... A mulher deverá esforçar-se, ... para progredir em tudo aquilo em que esteve impedida, para que o homem sinta-se obrigado a reconhecer sua igualdade em capacidade e conquistas... Até que a mulher e o homem não reconheçam e apliquem a igualdade, o progresso social... não será possível." (23)

Além disso, a mulher tem que lutar contra sua tendência a dependência. Ela acredita que seu propósito principal na vida é buscar a um homem que a cuide, e considera que não pode viver sem ele, não dará atenção devida a sua própria capacitação. Mas ao contrário deve centralizar suas próprias capacidades e pensar como pode contribuir para um mundo melhor. Portanto em sua relação com os homens e baseando-se em sua própria segurança do que chegou a ser como pessoa, deve relacionar-se de igual para igual.

OS HOMENS: ALCANÇANDO SUA PRÓPRIA GRANDEZA

É difícil que a mulher desenvolva seus conhecimentos e capacidades, se os homens e suas famílias não derem apoio. É mais fácil para os homens dar este apoio de todo coração, se eles perceberem que também serão beneficiados com a igualdade. As Escrituras Bahá'ís reforçam que:

"Enquanto se impedir a mulher de alcançar suas maiores possibilidades, os homens estarão privados de alcançar a grandeza que poderia ser sua. " (24)

Quando não existe igualdade na maioria das vezes a mulher desempenha um papel semelhante a de uma serva. Esta aí para atender e cuidar de seu marido e do lar. Porém como não tem a mesma preparação que ele, não há muito o que possa fazer para apóia-lo em seus problemas, ter uma conversa interessante com ele, ou contribuir nas decisões importantes. Nem a ele ocorre consultar com ela.

Ao contrário, quando a mulher tiver uma educação seja do mesmo nível que a do homem, e se tratem de igual para igual, ela poderá converter-se em sua própria colaboradora mais valiosa, uma companheira que sinceramente o ama e é capaz de compartilhar com suas idéias e suas atividades para o alcance de metas que são importantes para ambos.

Visto que as mulheres estão acostumadas a respeitar aos homens, na maioria das vezes é difícil que uma mulher eduque-se e se capacite, se os homens da família se opõem. As vezes, nem mencionam algo que gostaria de fazer com medo da rejeição.

Por isso, os homens não só devem permitir que sua esposa, filhas e irmãs sejam educadas e participem nas atividades que contribuam a seu próprio desenvolvimento ou bem-estar da comunidade, como também devem animá-las para que o façam. Por sua vez, devem oferecer o apoio moral e material necessário para facilitar sua participação, consultando sobre a melhor maneira de prestar o cuidado dos filhos e a realização das tarefas domésticas, para assim evitar que a mulher se sobrecarregue com dupla jornada de trabalho.

CONCLUSÕES

A maioria das pessoas, assim como as organizações que promovem o desenvolvimento, reconhecem e incluem a condição de desvantagem em que se encontra a mulher.

Entretanto, as Escrituras Bahá'ís vão mais além disto. Enfatizam o papel essencial que desempenha o alcance da igualdade entre os sexos no estabelecimento de uma civilização pacifica, justa e unida: e a poderosa influencia que o progresso para a igualdade pode exercer na redução de outros problemas. Elas reforçam que: até que a realidade da igualdade entre o homem e a mulher não seja plenamente estabelecida e alcançada, o mais elevado grau de desenvolvimento social da humanidade não será possível." (25)

Esta ênfase na importância crucial da realização da igualdade entre o homem e a mulher, tem sido reafirmado muitas vezes nos documentos publicados em anos recentes pela Comunidades Bahá'ís e suas instituições. Por exemplo, na "Promessa da Paz Mundial" publicada em 1986 devido ao Ano Internacional da Paz afirma: " A emancipação da mulher, a realização da igualdade absoluta entre os sexos constitui em um dos requisitos importantes, porém o menos reconhecido. Somente quando as mulheres... forem bem recebidas, em todos os campos das atividades humanas, será possível criar o clima moral e psicológico do qual poderá imergir a paz internacional." (26)

De maneira parecida , no documento ·Prosperidade da Humanidade·, publicado na Conferência sobre Desenvolvimento socioeconômico realizada em Copenhague em 1993, afirma-se que: "o compromisso para estabelecer a plena igualdade entre homens e mulheres, em todos os aspectos da vida em cada nível da sociedade será crucial para o êxito dos esforços para conceber e implementar uma estratégia global de desenvolvimento. Isto é verdade num sentido importante o progresso neste campo se dar em si mesmo a medida do êxito de qualquer programa de desenvolvimento" (27)

Independente de sua importância fundamental na construção de uma saciedade pacifica, unida e justa, a meta de estabelecer a plena igualdade entre os homens e as mulheres deve interessar a todos os seres humanos, porque não é um campo em que apenas os especialistas podem trabalhar. A maneira como lnteragirmos diariamente, tanto os homens como as mulheres que nos rodeiam, ou apóiam ou dificultam o progresso até a igualdade, assim queiramos ou não todos nós temos responsabilidade.

Esperamos que o estudo deste documento contribua à uma melhor compreensão do que implica este desafio e esta compreensão leve-nos a realizar ações mais acertadas como indivíduos e como instituições.

Bahá'u'lIáh nos exorta:

"A guia sempre tem sido dada às palavras, porém agora é dada as ações. Todos devem manifestar ações que sejam puras e santas, pois as palavras são propriedade de todos igualmente... esforçai-vos de alma e coração para distingui-vos através de vossas ações. " (28)


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