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A Ordem Mundial de Bahá'u'lláh
A Presença de Deus - God Passes by
Administração Bahá'í
Chamado às Nações
Diretrizes do Guardião - Directives of the Guardian
Esta Hora Decisiva
Fortaleza de Fé
Mensagens de Shoghi Effendi ao Mundo Bahá'í 1950-1957
O Advento da Justiça Divina
O Dia Prometido Chegou
Free Interfaith Software

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Shoghi Effendi : Administração Bahá'í

ADMINISTRAÇÃO BAHÁ'Í [1922-1932] Mensagens à América Volume I Pedidos: www.editorabahaibrasil.com.br Título original em inglês: Bahá'í Administration - Selected Messages [1922-1932] (c) 2007 em português: EDITORA BAHÁ'Í DO BRASIL Caixa Postal 1085 13800-973 - Mogi Mirim - SP www.editorabahaibrasil.com.br ISBN: 978-85-320-0158-0 1a Edição: 2007 Tradução: Maria Trude Alves e Bijan Ardjomand Revisão: Coordenação Nacional Bahá'í de Tradução e Revisão do Brasil Capa: Gustavo Pallone de Figueiredo Impressão: Prisma Printer Gráfica e Editora Ltda., Campinas - SP CONTEÚDO Introdução PARTE I: Excertos do A Última Vontade e Testamento de 'Abdu'l-Bahá PARTE II: CARTAS DE SHOGHI EFFENDI 21 de janeiro de 1922 5 de março de 1922 Maio de 1922 (Aproximadamente, sem data) Maio de 1922 (Aproximadamente, sem data) 16 de dezembro de 1922 23 de dezembro de 1922 12 de janeiro de 1923 16 de janeiro de 1923 17 de janeiro de 1923 13 de fevereiro de 1923 12 de março de 1923 8 de abril de 1923 9 de abril de 1923 27 de abril de 1923 6 de maio de 1923 14 de novembro de 1923 26 de novembro de 1923 4 de janeiro de 1924 23 de fevereiro de 1924 24 de setembro de 1924 24 de novembro de 1924 27 de novembro de 1924 16 de janeiro de 1925 29 de janeiro de 1925 10 de abril de 1925 12 de maio de 1925 3 de junho de 1925 24 de outubro de 1925 6 de novembro de 1925 30 de novembro de 1925 10 de janeiro de 1926 22 de abril de 1926 11 de maio de 1926 7 de outubro de 1926 29 de outubro de 1926 31 de outubro de 1926 14 de novembro de 1926 12 de fevereiro de 1927 20 de fevereiro de 1927 12 de abril de 1927 27 de abril de 1927 27 de maio de 1927 17 de outubro de 1927 18 de outubro de 1927 6 de dezembro de 1928 6 de dezembro de 1928 21 de dezembro de 1928 1o de janeiro de 1929 12 de fevereiro de 1929 20 de março de 1929 25 de outubro de 1929 17 de julho de 1932 Notas INTRODUÇÃO O falecimento de 'Abdu'l-Bahá em 28 de novembro de 1921, criou um problema de administração religiosa sem paralelo na história mundial. Desde a declaração do Báb em 1844 vem surgindo uma comunidade de fiéis, contendo representantes de todas as raças, credos e classes - milhares deles - unidos sucessivamente pela devoção ao Báb, Bahá'u'lláh e 'Abdu'l-Bahá e agora, de repente, órfãos daquela liderança espiritual e inspiradora, que por tanto tempo serviu como o alicerce de sua unidade, o laço inquebrantável que os ligava em sua nova fé. Esta comunidade bahá'í na verdade apresentou uma variedade tão complexa de diferentes tipos de condições, raças, nacionalidades, idiomas, classes e de tradições religiosas, que parece ter sido tirada de um verdadeiro perfil da humanidade. O problema de manter estas almas unidas na ação assim como na crença de manter suas comunidades religiosas inalteradas através dos perigos óbvios das rupturas morais e físicas que a circundam - exemplifica, embora em pequena escala comparativa, o problema da própria unificação humana. É digno de nota a perfeição da Revelação de Bahá'u'lláh, que o texto de Seu livro provê para esta e para toda outra emergência que confronte as almas humanas nesta época. O supremo teste da Fé Bahá'í na verdade já aconteceu com sucesso durante os dias que se seguiram com a ascensão de Bahá'u'lláh em 1892. Pela nomeação de 'Abdu'l-Bahá como o Centro de Seu Convênio, Bahá'u'lláh prolongou Seu próprio ministério por quase trinta anos, um período coincidente com uma geração inteira, e, portanto, suficiente para resistir aos ataques furiosos daquelas pessoas ambiciosas que se levantaram para derrubar ou perverter a Fé dentro e fora de suas fileiras. De acordo com as palavras de 'Abdu'l-Bahá, conforme o texto desta provisão, Ele tem a autoridade conferida por Bahá'u'lláh como Seu Intérprete e Exemplo. Assim, durante o ministério de 'Abdu'l-Bahá, a Causa de Bahá'u'lláh foi não somente salvaguardada da confusão e divisão, ela foi enormemente espalhada pela Europa, América e o Extremo Oriente; e a literatura básica da Fé foi amplificada pelos discursos públicos e Epístolas de 'Abdu'l-Bahá, muitos dos quais foram dirigidos à parte administrativa do serviço bahá'í. Por volta de 1921, a forma externa desta comunidade havia sido bastante definida em várias comunidades e imprimira os hábitos assim como os pensamentos de seus crentes. Apesar deste fato, é positivamente certo, que a comunidade bahá'í não teria sobrevivido ao choque do falecimento de 'Abdu'l-Bahá e perpetuado essa completa unidade para o futuro, não tivesse Ele feito provisões para uma unidade aceitável a todos os crentes e uma continuidade daquela autoridade administrativa que é o conceito de fé. Estas provisões foram feitas em A Última Vontade e Testamento de 'Abdu'l-Bahá, cujos excertos formam a primeira porção deste volume. Através da nomeação de um Guardião da Causa Bahá'í, 'Abdu'l-Bahá criou uma guia e um centro executivo possuindo inquestionável consagração e capacidade para a tremenda tarefa de inspirar a comunidade mundial bahá'í para desenvolver ao longo do caminho o serviço humano necessário para a Religião de Bahá'u'lláh. Os seis anos que passaram desde 1921 foram de fato sinalizados pelo constante progresso de ambas as linhas espiritual e administrativa, características desta Fé. No momento, as Assembléias Espirituais Nacionais existem dentro de oito países, e a eleição de uma Assembléia Espiritual Internacional(1) acontecerá em seu devido tempo. (1) A Casa Universal de Justiça, o corpo administrativo supremo da Fé Bahá'í, foi eleita em abril de 1963, por 56 Assembléias Nacionais existentes na época, de acordo com as provisões nas Escrituras de Bahá'u'lláh. A Assembléia Espiritual Nacional do Canadá que era ligada com aquela dos Estados Unidos quando estas Mensagens, que definem os princípios da administração bahá'í foram escritas, tornou-se um corpo nacional independente em 1948. O número de Assembléias Espirituais Nacionais também cresceu drasticamente, alcançando mais de duas centenas na entrada do século XXI. [n.e.] O aspecto administrativo da Causa Bahá'í na verdade, não é um mero conjunto de regras externas, mas o próprio fruto de seu espírito universal. A administração bahá'í é nada menos que uma ética mundial, a característica especial que irá transformar fé subjetiva em ação cooperativa positiva - unificando a existência de cada indivíduo através da unidade com seus irmãos espirituais. Seu inquebrantável alicerce é o princípio da consulta, que 'Abdu'l-Bahá declarou ser a realização da consciência individual nesta nova era. A administração bahá'í na verdade, procede dos textos de Bahá'u'lláh; a contribuição feita por 'Abdu'l-Bahá foi definir e expor os princípios estabelecidos por Bahá'u'lláh, e a contribuição do Guardião à Causa é aplicá-las na comunidade bahá'í em todo o mundo. Este último item é claro não somente pelo conteúdo das cartas de Shoghi Effendi que constitui o corpo deste volume, mas também através das circunstâncias sob as quais as sucessivas cartas foram emitidas. ... Somente aquelas cartas provindas do Guardião da Causa Bahá'í à Assembléia Espiritual Nacional da América, ou aos crentes naquele país como um todo, foram incluídas neste livro. O volume foi preparado pela Assembléia Nacional como um serviço necessário aos membros da Fé neste país, para que a fé e ação de cada um possam ser baseadas diretamente no conhecimento das fontes de suas atividades administrativas coletivas. ... O formato do livro foi aprovado pelo Guardião da Causa. Enquanto um trabalho desta natureza é em primeiro lugar projetado como um livro de referência para uso dos bahá'ís, é mais que possível que a familiaridade com os princípios da administração bahá'í também terá um especial interesse para muitos não-bahá'ís que estão se confrontando com problemas gerais hoje existentes nos grupos religiosos mais antigos: como desenvolver um contato inter-religioso capaz de apaziguar tradicionais suspeitas e antagonismos, superar diferenças históricas, e criar os meios de cooperação mútua e companheirismo para a paz mundial e outros fins espirituais. O método bahá'í administrativo, com sua provisão de unidades local, nacional e internacional, é o mais perfeito plano de alcance mundial para unidade, jamais desenvolvido. No entanto, é certeza dos bahá'ís, que este plano somente será utilizável com bases espirituais indispensáveis - o desejo sincero da verdadeira unidade orgânica erguida acima de ambições pessoais ou grupais, do tipo que se obtém apenas em uma Causa possuindo autoridade divina e que desperte auto-sacrifício dentre seus seguidores. Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá'ís dos Estados Unidos e Canadá, Horace Holley - Secretário, Nova Iorque, 30 de novembro de 1927. Parte I Excertos doA Última Vontade e Testamento de 'Abdu'l-Bahá ADMINISTRAÇÃO BAHÁ'Í Todo louvor Àquele que, com a proteção de Seu Convênio, resguardou o Templo de Sua Causa contra os dardos da dúvida, e com as Hostes de Seu Testamento preservou o Santuário de Sua Mais Benévola Lei e protegeu Seu Caminho Reto e Luminoso, detendo, assim, a investida da companhia dos rompedores do Convênio que ameaçavam subverter-lhe a Estrutura Divina; Àquele que velou por Sua Poderosíssima Fortaleza e Sua Fé Toda-Gloriosa, ajudado por homens a quem a calúnia do difamador não afeta, nem qualquer apelo, prestígio ou poder terreno pode desviar do Convênio de Deus e Seu Testamento, firmemente estabelecidos por Suas palavras claras e manifestas, reveladas e escritas pela Sua Pena Toda-Gloriosa e registradas na Epístola Preservada. Saudações e louvor, bênção e glória cubram aquele ramo primaz do Loto Sagrado e Divino, que brotou abençoado, tenro, verdejante e florescente, das Santas Árvores Gêmeas, a mais maravilhosa pérola, inestimável e sem igual, que cintila dos encapelados mares Gêmeos; e desçam sobre os ramos da Árvore da Santidade, os rebentos da Árvore Celestial, aqueles que se mantiveram firmes e fiéis no Convênio, no Dia da Grande Divisão; sobre as Mãos [pilares] da Causa de Deus, que têm difundido largamente as Fragrâncias Divinas, declarado Suas Provas, proclamado Sua Fé, divulgado em toda parte Sua Lei, desprendido-se de tudo exceto dEle, simbolizado a retidão neste mundo e ateado o Fogo do Amor de Deus nos próprios corações e almas de Seus servos; e sobre aqueles que acreditaram e se compenetraram, ficando firmes em Seu Convênio e seguindo a Luz que, após meu falecimento, brilha da Aurora da Guia Divina - pois ei-lo! - ele é o ramo abençoado, sagrado, que brotou das Santas Árvores Gêmeas. Bem-aventurado quem procura abrigar-se à sua sombra, que ampara toda a humanidade. Ó vós, amados do Senhor! A maior de todas as coisas é a proteção da Verdadeira Fé de Deus, a preservação de Sua Lei, a proteção de Sua Causa e o serviço à Sua Palavra. Dez mil almas derramaram rios de seu sagrado sangue nesse caminho, ofereceram-Lhe em holocausto suas vidas preciosas, apressaram-se, enlevadas de um santo êxtase, ao glorioso campo do martírio, içaram o Estandarte da Fé Divina e escreveram com o próprio sangue vital, sobre a Epístola do mundo, os versículos de Sua Unidade Divina. O sagrado peito de Sua Santidade, o Excelso, (seja minha vida oferecida em sacrifício a Ele) tornou-se alvo de inúmeros dardos de tribulações e, em Mázindarán, os Abençoados pés da Beleza de Abhá (seja minha vida oferecida em holocausto aos Seus amados) foram tão penosamente açoitados, que sangraram e ficaram profundamente feridos. Também, Seu pescoço foi colocado em correntes usadas em cativeiro e prenderam-Lhe os pés em um tronco. Durante um período de cinqüenta anos, caía sobre Ele, a todo instante, uma nova provação e calamidade; novas aflições e preocupações O cercavam, como no caso de, após haver sofrido vicissitudes intensas, ter ficado sem lar, vagando de lugar em lugar; e ainda, caído vítima de outros desgostos e tribulações. No Iraque, Aquele que é a Estrela Matinal do mundo foi a tal ponto exposto aos ardis do povo da malícia que Lhe eclipsaram o esplendor. Mais tarde, exilaram- No à Grande Cidade [Constantinopla] e de lá à Terra do Mistério [Adrianópolis], de onde, afinal, transferiram-No para a Maior Prisão ['Akká], penosamente injustiçado. Aquele a Quem o mundo injuriou (seja minha vida sacrificada por Seus amados) foi banido de cidade em cidade, por quatro vezes, até ser, finalmente, condenado à prisão perpétua, sendo então encarcerado nesta Prisão - uma prisão de salteadores, bandidos e homicidas. Tudo isso foi apenas uma das muitas provações que afligiram a Abençoada Beleza, sendo as demais igualmente lastimosas. ... Segundo o direto e sagrado comando de Deus, é-nos proibido pronunciar calúnias, incumbe -nos demonstrar paz e amizade, retidão de conduta, sinceridade e harmonia para com todas as raças e povos do mundo. Devemos obedecer ao governo do país e desejar seu bem, devemos considerar a deslealdade para com um rei justo como se fosse deslealdade para com o próprio Deus, e a malevolência para com o governo como uma transgressão à Causa de Deus. ... Ó Deus, meu Deus! Tu vês como este Teu servo injustiçado, está preso às garras de leões ferozes, de lobos vorazes, de feras sanguinárias. Misericordiosamente ajuda-me, por meu amor a Ti, a fim de que eu possa sorver profundamente do cálice que transborda de fidelidade a Ti e que está repleto de Tuas generosas dádivas; para que eu, caído sobre o pó, permaneça prostrado, esvaído, enquanto minhas vestes se tinjem de carmesim com meu sangue. É este meu desejo, o anseio de meu coração, minha esperança, meu orgulho, minha glória. Permite, ó Senhor, meu Deus, e meu Refúgio, que, em minha hora final, meu fim, semelhante ao almíscar, possa emitir Sua fragrância de glória! Haverá alguma dádiva maior que esta? Não, por Tua glória! Invoco-Te para dar testemunho de que não passa dia algum sem que eu beba abundantemente desse cálice - tão lastimosas são as más ações praticadas pelos rompedores do Convênio, aqueles que provocaram discórdias, demonstraram sua malícia e instigaram sedição nesta terra e Te desonraram entre Teus servos. Senhor! Defende desses rompedores do Convênio a poderosíssima Fortaleza de Tua Fé e protege Teu Santuário secreto contra a investida dos ímpios. Tu és, em verdade, o Poderoso, o Potentíssimo, o Misericordioso, o Forte. ... Ó Deus, meu Deus! Guarda Teus servos fiéis contra os males do egoísmo e da paixão; protege-os, com os olhos vigilantes da Tua benevolência, contra todo rancor, ódio e inveja; abriga-os na fortaleza inexpugnável de Tua Causa; e, imunes às setas da dúvida, torna-os manifestantes de Teus gloriosos sinais. Ilumina suas faces com os raios refulgentes emanados da Aurora de Tua Divina Unidade; alegra seus corações com os versículos revelados de Teu Santo Reino; fortalece-os com Teu poder, que a tudo estremece, vindo da região da Tua Glória. Tu és o Todo-Generoso, o Protetor, o Onipotente, o Misericordioso! Ó vós que permaneceis firmes no Convênio! Ao chegar a hora em que esta ave injustiçada e de asas partidas tenha alçado vôo para o Concurso Celestial, quando ela houver se apressado para o Reino do Invisível e seu corpo mortal tiver se perdido ou escondido sob o pó, incumbirá aos Afnán, que estão firmes no Convênio de Deus e que brotaram da Árvore da Santidade; às Mãos [pilares] da Causa de Deus (sobre elas esteja a glória do Senhor) e a todos os amigos e amados - a todos, sem exceção - despertarem e se levantarem de coração e alma e de comum acordo para difundir as doces fragrâncias de Deus, ensinar Sua Causa e disseminar Sua Fé. Não devem descansar, nem que seja por um momento, nem buscar repouso. Devem se dispersar por todas as terras, passar por todas as plagas e viajar através de todas as regiões. Despertos, infatigáveis, constantes até o fim, devem eles erguer em toda parte o brado triunfal: "Yá-Bahá'u'l-Abhá!" [Ó Tu, Glória das Glórias!]; devem ganhar renome no mundo, onde quer que forem, arder intensamente como uma vela, em toda reunião e em toda assembléia devem acender a chama do amor divino; para que a luz da verdade surja resplandecente no próprio coração do mundo, e uma vasta assembléia, por todo o Oriente e todo o Ocidente, reúna-se à sombra do Verbo de Deus, a fim de que as doces fragrâncias da santidade possam ser difundidas, as faces brilhem radiantemente, os corações sejam imbuídos do Espírito Divino e as almas tornem-se celestiais. Nestes dias, a mais importante de todas as coisas consiste em guiar as nações e os povos do mundo. Ensinar a Causa é de máxima importância, pois é a pedra angular do próprio alicerce. Este servo injustiçado tem passado os dias e as noites a promover a Causa e a exortar os povos a servi-la. Nem por um momento sequer, pôde ele descansar, enquanto não difundisse pelo mundo a fama da Causa de Deus e clamasse ao Oriente e Ocidente as melodias celestiais do Reino de Abhá. Os amados de Deus devem seguir este exemplo. Este é o segredo da fidelidade, este é o requisito da servitude ao Limiar de Bahá! Os discípulos de Cristo esqueceram-se de si mesmos e de todas as coisas terrenas, abandonaram toda preocupação e tudo o que lhes pertencia, purificaram-se do egoísmo e da paixão e, com desprendimento absoluto, espalharam-se por toda parte, ocupando-se em chamar os povos do mundo para a Guia Divina, até que, finalmente, conseguiram transformar o mundo em outro mundo, iluminando a face da Terra. Até sua última hora, deram provas de sua abnegação no caminho dAquele Amado de Deus e, por fim, em diversas terras, sofreram martírio glorioso. Que os homens de ação sigam suas pegadas! Ó meus amados amigos! Após o passamento deste injustiçado, deverão os Aghsán [Ramos], os Afnán [Brotos] do Sagrado Loto, as Mãos [pilares] da Causa de Deus e os amados da Beleza de Abhá voltarem-se para Shoghi Effendi - o jovem ramo que brotou dos Dois Lotos sagrados e santificados, o fruto da união dos Dois rebentos da Árvore da Santidade - pois ele é o sinal de Deus, o ramo escolhido, o Guardião da Causa de Deus, aquele para quem devem se voltar todos os Aghsán, Afnán, Mãos da Causa de Deus e Seus amados. É o expositor das palavras de Deus e a ele sucederão os primogênitos de seus descendentes diretos. O sagrado e jovem ramo, o Guardião da Causa de Deus, assim como a Casa Universal de Justiça a ser eleita e estabelecida universalmente, estão ambos sob o amparo e a proteção da Beleza de Abhá [Bahá'u'lláh], sendo abrigados e guiados infalivelmente pelo Excelso [O Báb] (seja minha vida sacrificada por ambos!). O que quer que decidam, provém de Deus. Quem a ele não obedecer, nem a eles, não estará obedecendo a Deus; quem se revoltar contra ele, e contra eles, terá se revoltado contra Deus; quem se lhe opuser terá feito oposição a Deus; quem com eles contender, terá contendido com Deus; qualquer um que dispute com ele, estará disputando com Deus; qualquer um que o negue, terá negado a Deus; quem nele não acreditar, deixa de crer em Deus; quem se desviar, separar e afastar dele, em verdade, terá se desviado, separado e afastado de Deus. Que a ira, a violenta indignação, a vingança de Deus caiam sobre tal homem! A poderosíssima fortaleza há de se conservar segura e inexpugnável, através da obediência àquele que é o Guardião da Causa de Deus. Incumbe a Casa de Justiça, a todos os membros dos Aghsán, Afnán, Mãos da Causa de Deus, mostrarem sua obediência, submissão e subordinação ao Guardião da Causa de Deus, dirigir-se a ele e serem humildes em sua presença. Aquele que se lhe opuser, terá feito oposição ao Verdadeiro, criará cisma na Causa de Deus, subverterá Sua Palavra e se tornará uma manifestação do Centro da Sedição. Acautelai-vos, acautelai-vos, para que não se repitam os dias após a ascensão [de Bahá'u'lláh], quando o Centro da Sedição tornou-se arrogante e rebelde e, tomando por pretexto a Unidade Divina, despojou-se e perturbou e envenenou os outros. Não resta dúvida de que o jactancioso que pretende criar dissensão e discórdia não declarará abertamente suas más intenções mas, ao contrário, semelhante ao ouro impuro, usará de diversas medidas e vários pretextos para desfazer a união do povo de Bahá. É meu objetivo demonstrar que as Mãos da Causa de Deus devem estar sempre vigilantes, e logo que descubram estar alguém começando a se opor e a protestar contra o Guardião da Causa de Deus, devem expulsá-lo da comunidade de Bahá e de modo algum aceitar dele qualquer desculpa. Quão freqüentemente o erro lastimável tem-se disfarçado nas vestes da verdade, a fim de lançar as sementes da dúvida nos corações dos homens! Ó vós, amados do Senhor! Cumpre ao Guardião da Causa de Deus designar durante sua vida quem deve ser seu sucessor, para que não surjam divergências após seu passamento. O designado deve manifestar em seu caráter desprendimento de todas as coisas deste mundo, deve ser a essência da pureza e dar provas de possuir temor a Deus, conhecimento, sabedoria e erudição. Se, portanto, o primogênito do Guardião da Causa de Deus não manifestar em sua pessoa a verdade das palavras: "A criança é da essência secreta do pai", isto é, se não herdar a espiritualidade inerente (ao Guardião da Causa de Deus), não corresponder à sua gloriosa linhagem com um caráter digno, então ele (o Guardião da Causa de Deus) deverá escolher outro ramo para ser seu sucessor. As Mãos da Causa de Deus devem eleger nove pessoas de seu próprio seio, as quais se ocuparão continuamente com os importantes serviços a cargo do Guardião da Causa de Deus. A eleição destas nove pessoas deve ser feita unanimente ou por maioria, dentre as Mãos da Causa de Deus, e estas, quer seja por unanimidade quer por maioria, devem aprovar a escolha daquele a quem o Guardião da Causa de Deus tenha escolhido para ser seu sucessor. Essa aprovação deve ser dada de tal modo que os votos prós e contra não se distingam (isto é, por voto secreto). Ó amigos! As Mãos da Causa de Deus devem ser nomeadas e apontadas pelo Guardião da Causa de Deus. Todas devem estar à sua sombra e obedecer a seu imperativo. Se alguém, seja dentro ou fora do grupo das Mãos da Causa de Deus, desobedecer e tentar causar divisão, a ira e vingança de Deus cairão sobre tal pessoa, pois terá causado cisma na verdadeira Fé Divina. As obrigações das Mãos da Causa de Deus consistem em difundir as Fragrâncias Divinas, elevar as almas dos homens, promover a educação, aperfeiçoar o caráter de todos os homens e ser, em todos os tempos e sob quaisquer condições, santificadas e desprendidas das coisas terrenas. Pela sua conduta, pelas suas maneiras, suas palavras e suas ações, devem elas manifestar temor a Deus. Esse corpo das Mãos da Causa de Deus está sob a direção do Guardião da Causa de Deus. Ele deve continuamente exortá-las a se esforçarem o máximo que lhes for possível para difundir as doces fragrâncias Divinas e guiar todos os povos do mundo, pois é a luz da Guia Divina que faz com que todo o universo seja iluminado. De modo algum é permissível - nem por um momento sequer - deixar de obedecer a este mandamento absoluto, obrigatório para todos, pois é o meio de transformar o mundo existente no Paraíso de Abhá, de tornar celestial a face da Terra, de fazer desaparecer o conflito entre os seres humanos, raças, nações e governos, e os habitantes da Terra virem a ser como um só povo, uma só raça, e o mundo todo, um lar. Caso surjam divergências, deverão estas ser ajustadas, amigável e concludentemente, pelo Supremo Tribunal composto por representantes de todos os governos e povos do mundo. Ó vós amados do Senhor! Nesta sagrada Dispensação, o conflito e a contenda de modo algum são permitidos. Todo agressor priva-se das graças de Deus. Incumbe a cada um demonstrar o máximo grau de amor, retidão de conduta, sinceridade e verdadeira benevolência para com todos os povos e raças da Terra, quer amigos, quer estranhos. Tão intenso deve ser o espírito de amor e bondade, que o estranho sinta-se um amigo e o inimigo, um verdadeiro irmão, não existindo entre eles qualquer diferença. Pois a universalidade é Divina e toda limitação, terrena. Portanto, deve o homem esforçar-se para que sua realidade manifeste virtudes e perfeições cuja luz irradie sobre todos. A luz do Sol brilha sobre o mundo inteiro, e as chuvas misericordiosas da Divina Providência caem sobre todos os povos. A brisa vivificadora anima toda criatura vivente e todos os seres dotados de vida obtêm seu quinhão à Sua mesa celestial. De igual modo, o afeto e a bondade daqueles que servem ao Deus, Uno e Verdadeiro, devem se estender generosa e universalmente a todo o gênero humano. A esse respeito, não se pode, em absoluto, permitir qualquer restrição ou limitação. Deveis, pois, ó meus amorosos amigos, associar-vos a todos os povos, a todas as raças e religiões do mundo, com a maior sinceridade, retidão, fidelidade, benevolência, boa vontade e amizade, para que todo o mundo existente receba, copiosa-mente, o santo êxtase das graças de Bahá, e assim, desvaneçam do mundo a ignorância, a inimizade, o ódio e o rancor, e a escuridão da desconfiança entre as nações e raças ceda lugar à Luz da Unidade. Se membros de outros povos e nações vos forem infiéis, mostrai-lhes vossa fidelidade; se vos forem injustos, tratai-os com justiça; se afastarem-se de vós, procurai atraí-los; se vos mostrarem inimizade, sede amigos para com eles; se envenenarem vossas vidas, adoçai suas almas; se vos ferirem, sede um bálsamo para suas feridas. Tais são os atributos dos sinceros! Tais são os atributos daqueles que dizem a verdade. E agora, com referência à Casa de Justiça que Deus ordenou como a fonte de todo o bem e isenta de todo o erro, esta deve ser eleita por sufrágio universal, isto é, pelos bahá'ís. Seus membros devem ser manifestações do temor a Deus e auroras do conhecimento e da compreensão; devem ser constantes na Fé Divina e benévolos para com toda a humanidade. Entende-se por esta Casa, a Casa Universal de Justiça, isto é, em todos os países deve ser instituída uma Casa de Justiça secundária, e estas Casas de Justiça secundárias devem eleger os membros da Casa Universal. A esta devem-se submeter todas as questões. Esta Casa fará todas as leis e todos os regulamentos que não foram previstos explicitamente no Texto Sagrado. Resolverá todos os problemas difíceis, e o Guardião da Causa de Deus será seu sagrado dirigente e distinto membro perpétuo. Caso não esteja pessoalmente em todas as deliberações, ele deve nomear alguém para representá-lo. Se qualquer membro cometer um erro prejudicial ao bem comum, ficará a critério do Guardião da Causa de Deus a expulsão desse membro, para cujo lugar, neste caso, as pessoas deverão eleger outro. ... Ó vós, amados do Senhor! Incumbe-vos ser submissos a todos os monarcas que sejam justos e mostrar fidelidade a todo rei virtuoso. Servi aos soberanos do mundo com a máxima sinceridade e lealdade. Prestai-lhe obediência e desejai o seu bem. Sem sua licença e permissão, não vos intrometais em assuntos políticos, porque a deslealdade ao soberano justo é deslealdade ao próprio Deus. É esse meu conselho e é o que Deus vos ordena. Bem-aventurados aqueles que assim agem! ...Pela Antiga Beleza! Este injuriado jamais alimentou, nem alimenta, rancor, de modo algum, contra qualquer pessoa; para com ninguém nutre ele malevolência e nenhuma palavra pronuncia que não seja para o bem do mundo. Minha suprema obrigação, no entanto, impele -me, forçosamente, a guardar e preservar a Causa de Deus. Assim, com o maior pesar, aconselho-vos, dizendo: "Guardai a Causa de Deus, protegei Sua Lei e tende receio profundo de qualquer discórdia. É esse o fundamento da crença do povo de Bahá (seja minha vida sacrificada por ele). Sua Santidade, o Excelso (o Báb), é a manifestação da Unidade Divina e o Precursor da Antiga Beleza. Sua Santidade, a Beleza de Abhá (seja minha vida um sacrifício por Seus amigos fiéis), é o Supremo Manifestante de Deus e a Aurora de Sua Mais Divina Essência. Todos os demais são Seus servos e fazem o que Ele ordena." Ao Sacratíssimo Livro, todos devem se voltar, e qualquer coisa que nele não esteja expressamente tratada, deve ser referida à Casa Universal de Justiça. O que essa Casa resolver, seja por unanimidade ou por maioria, será realmente a Verdade e a expressão da própria Vontade Divina. Qualquer um que divirja dessa resolução é, em verdade, dos que amam a discórdia, demonstra malícia e se afasta do Senhor do Convênio. Entende-se por esta Casa, aquela Casa Universal de Justiça a ser eleita dentre todos os países, isto é, daquelas partes do Oriente e do Ocidente em que se encontrem os amados, segundo o método usual das eleições nos países ocidentais como a Inglaterra. ... Ó vós, amados do Senhor! Empenhai-vos de todo coração em proteger a Causa de Deus das investidas dos insinceros, pois tais almas torcem o que é reto e tornam contrários os resultados dos mais benévolos esforços. Ó Deus, meu Deus! Invoco a Ti, Teus Profetas e Teus Mensageiros, Teus Santos e a todos os Teus Santificados para que dêem testemunho de haver eu declarado Tuas provas concludentemente aos Teus amados e lhes exposto com clareza todas as coisas, a fim de que vigiassem pela Tua Fé, guardassem Teu Caminho reto e protegessem Tua Lei resplandecente. Tu és, em verdade, Onisciente, o Sapientíssimo! ... Se qualquer pessoa, ou qualquer reunião, tornar-se um obstáculo à difusão da Luz da Fé, os amados deverão aconselhá-los, dizendo: "De todas as dádivas divinas, a maior é a dádiva do Ensino. Esta atrai para nós a Graça de Deus e é nossa primeira obrigação. Como poderemos nos privar de tão grande dádiva? Não, nossas vidas, nossos bens, nosso conforto, nosso repouso - tudo oferecemos em sacrifício pela Beleza de Abhá, e ensinamos a Causa de Deus." Cautela e prudência, contudo, devem ser observadas, conforme está registrado no Livro. O véu, de modo algum, deve ser subitamente tirado. A Glória das Glórias esteja sobre vós. Ó vós, fiéis amados de 'Abdu'l-Bahá! Incumbe-vos cuidar ao máximo de Shoghi Effendi, o broto que ramificou e o fruto que foi concebido pelas duas sagradas e divinas Árvores-de-Lótus, para que o pó do desânimo e da tristeza não lhe macule a natureza radiante, para que dia a dia lhe aumentem o contentamento, o júbilo e a espiritualidade, e assim ele cresça e se torne uma árvore frutífera. Pois ele é, após 'Abdu'l-Bahá, o Guardião da Causa de Deus, e os Afnán, as Mãos [pilares] da Causa e os amados do Senhor devem obedecer-lhe e a ele se dirigir. Quem não lhe obedecer, terá deixado de obedecer a Deus; quem dele se afastar, ter-se-á afastado de Deus; e, qualquer um que o negue estará negando ao Verdadeiro. Acautelai-vos para que ninguém interprete erroneamente estas palavras e - do mesmo modo que aqueles que romperam o Convênio depois do Dia da Ascensão [de Bahá'u'lláh] - dê um pretexto, levante o estandarte da revolta, torne-se obstinado e abra amplamente a porta da falsa interpretação. A ninguém é concedido o direito de difundir sua própria opinião ou expressar suas convicções particulares. Todos devem se dirigir ao Centro da Causa e à Casa de Justiça, para que sejam guiados. E quem se volver para qualquer outra coisa terá, em verdade, cometido um erro lastimável. Esteja sobre vós a Glória das Glórias! Parte II Cartas de Shoghi Effendi O GUARDIÃO DA CAUSA BAHÁ'Í de 21 de janeiro de 1922 a 17 de julho de 1932 Nota Editorial:Todas as cartas foram enviadas de Haifa, Palestina e assinadas "Shoghi". 1 - 21 DE JANEIRO DE 1922 Ternamente amados irmãos e irmãs em 'Abdu'l-Bahá, Nestas primeiras horas, quando a luz da manhã acaba de despontar sobre a Terra Santa, enquanto a desolação causada pela perda do querido Mestre ainda apega-se pesadamente a nossos corações, sinto como se minha alma se voltasse em um amor ansioso e cheio de esperança para aquela grandiosa companhia de Seus amados de além mares que agora compartilham de todas as nossas agonias por Sua separação. É irrelevante para eu enfatizar com que ansiedade as entristecidas senhoras da Sagrada Família aguardam o trabalho que se estende diante dos amigos no continente americano, os quais, no passado, renderam tão gloriosos serviços à Sua Causa e, agora, fiéis ao Seu especial amor por eles, levarão avante sua missão ainda mais gloriosamente do que antes. É verdade, o choque foi por demais terrível e repentino para que pudéssemos nos recuperar em tão pouco tempo, porém todas as vezes que lembramos de Suas Palavras e lemos Seus Escritos, a esperança brota em nossos corações e nos dá a paz que nenhum outro conforto material pode oferecer. Quão bem me lembro quando, mais de dois anos atrás, o Amado Mestre voltando-Se para um distinto visitante, que estava sentado ao Seu lado em Seu jardim, de repente quebrou o silêncio e disse: "Meu trabalho neste plano está agora terminado; chegou a minha hora de passar para o outro mundo." Não declarou Ele, em mais de uma ocasião, clara e enfaticamente?: "Se soubésseis o que acontecerá após minha partida, seguramente suplicaríeis para que o meu fim fosse apressado!" Em uma Epístola enviada à Pérsia quando a tempestade desencadeada, anos atrás, por aquele Comitê de Investigação estava ferozmente fervilhando ao Seu redor, quando os dias de Seu encarceramento eram mais sombrios, Ele revelou o seguinte: "Agora, neste mundo do ser, a Mão do Poder Divino firmemente estabeleceu a base desta mais elevada Graça e desta maravilhosa Dádiva. Gradualmente, o que quer que esteja latente no mais íntimo deste Ciclo Sagrado aparecerá e será tornado manifesto, porque agora nada mais é do que o início deste crescimento e o alvorecer da revelação de seus Sinais. Antes do encerramento deste Século e desta Era, tornar-se-á claro e manifesto quão maravilhosa foi esta juvenescência e quão celestial foi esta Dádiva!" Com essas Asseverações e inequívocas evidências de Seu firme e evidente conhecimento de que Seu fim estava próximo, havia alguma razão para que os seguidores de Sua Fé, em todo o mundo, ficassem perturbados? Não são as orações que Ele revelou para nós suficiente fonte de inspiração para cada servidor de Sua Causa? Suas instruções não pavimentaram diante de nós o amplo e reto Caminho do Ensino? Não irá Seu duplamente efetivo poder de Graça sustentar-nos, fortalecer-nos e confirmar-nos em nosso trabalho para Ele? Nosso é o dever de nos esforçar dia e noite para cumprir com nossas obrigações e, então, confiar em Sua Guia e infalível Graça. Unidade entre os amigos, desprendimento em nossos trabalhos em Seu Caminho, desapego de todas as coisas terrenas, máxima prudência e cautela em cada passo que dermos, entusiasmado empenho para levar avante apenas aquilo que é Sua Santa Vontade e Contentamento, a consciência constante de Sua Presença e o exemplo de Sua Vida, o total afastamento de quem quer que sintamos ser um inimigo da Causa... estes e o primordial dentre eles, a necessidade de unidade, parecem-me nossos deveres mais vitais, e devemos dedicar nossas vidas a Seu serviço. Com este espírito, devemos nos levantar para servi-Lo; qual maior e mais segura promessa temos do que a que Seu Glorioso Pai, Bahá'u'lláh, faz-nos em Seu Sacratíssimo Livro: "Verdadeiramente, Nós vos observamos do Nosso reino de glória e ajudaremos todo aquele que se levantar para o triunfo de Nossa Causa, com as hostes da Assembléia do alto e uma legião de Nossos anjos prediletos."1 (Bahá'u'lláh, O Kitáb-i-Aqdas, K53, p. 32) Quão ternamente as Folhas Sagradas(2) reverenciam aquela recordação do falecido Mestre, quando Ele comentou sobre as recentes notícias que jorraram desse continente, admirando as incansáveis atividades dos amigos, a completa subordinação de seus interesses materiais àqueles da Causa, a notável difusão do Movimento em seu meio e sua inabalável firmeza no Convênio de Bahá'u'lláh. São estas encorajadoras reflexões do Mestre sobre Seus amados na América e os testes intelectuais mais do que físicos que Ele disse que enviaria a eles a fim de purificá-los e torná-los ainda mais refulgentes do que antes - são estes Seus comentários e promessas que fazem do Movimento nesse continente uma força potencial no mundo de hoje. O cabograma do Amado Mestre aos amigos nessa região é uma indicação clara da presença daquelas forças restauradoras que os conduzem através das tempestades de testes que o próprio Mestre disse que, em última instância, serão para o bem da Causa nesse continente. (2) Descendentes (femininas) de Bahá'u'lláh. E, por fim, as senhoras da Sagrada Família e nós, Seus demais parentes e familiares, estaremos orando em Seu Santo Sepulcro por cada um de vocês e, seguramente, Ele amparará a todos e enaltecerá, no decorrer do tempo, aquela nobre parte de Sua herança que Ele outorgou a Seus amigos no Ocidente; amigos dos quais, em retorno, Ele espera tanto e a quem Ele amou e ainda ama tão ternamente. Seu sincero colaborador em Sua Causa, 2 - 5 DE MARÇO DE 1922 Queridos companheiros de trabalho na Causa de Bahá'u'lláh, É com palavras de pesar e desapontamento que desejo iniciar esta carta devido à minha incapacidade, em vista de meus múltiplos e prementes deveres, de responder individualmente às mensagens de amor, simpatia e de esperança que tão carinhosamente enviaram-me desde o passamento deste mundo de nosso Bem-Amado. Tenho certeza de que estou expressando os sentimentos das consternadas senhoras da Família, quando digo que por mais que eu deseje corresponder-me separadamente com cada um de vocês, as sérias responsabilidades e múltiplos deveres agora delegados a nós, tornam lamentavelmente impossível expressar-nos através de mensagens escritas a cada um dos amigos, o que constantemente sentimos em nossos corações e oramos, quando visitamos Seu Santuário Sagrado. Neste crucial e momentoso período pelo qual a Causa, em conformidade com a Sabedoria Divina, está atravessando, é o sagrado dever de cada um de nós, esforçar-nos para apreender o pleno significado desta Hora de Transição e, então, tomar a suprema resolução de nos levantar firmemente para o cumprimento de nossas sagradas obrigações. A Missão da Causa Por maior que seja o amor e o paternal amparo que o amado Mestre está nos enviando das Alturas, e por mais especial que seja o Espírito que hoje anima Seus servos no mundo, ainda assim, uma grande parte depende do caráter e do esforço de Seus amados sobre quem agora reside a responsabilidade de levar avante Seu trabalho gloriosamente após Sua partida. Quão grande é a necessidade neste momento em que as prometidas emanações de Sua graça estão prontas para serem irradiadas à todas as almas, que todos nós tenhamos uma ampla visão da missão da Causa para a humanidade e para fazer tudo que está em nosso poder para difundi-la em todo o mundo! Os olhos do mundo, agora que a sublime Personalidade do Mestre foi removida deste plano visível, voltam-se com ansiosa antecipação para nós que portamos Seu nome, e sobre quem recai primordialmente a responsabilidade de manter acessa a tocha que Ele acendeu neste mundo. Quão conscientemente alerta sinto, nesta hora desafiadora na história da Causa, a necessidade de uma firme e definida determinação para subordinar todos os nossos desejos pessoais, nossos interesses locais, aos interesses e exigências da Causa de Deus! Agora é o momento para deixar de lado, não, mais ainda, esquecer de tudo, considerar minimamente o que se refere a nossas relações internas, e apresentar ao mundo uma frente de sólida unidade, animado por não outro desejo que servir e propagar Sua Causa. É minha firme convicção, a qual agora expresso com toda franqueza e honestidade, que a dignidade e unidade da Causa urgentemente requer - particularmente em todo continente americano - que os amigos devem, em suas palavras e conduta, enfatizar e dar absoluta relevância aos dinâmicos e construtivos princípios de Bahá'u'lláh, mais do que associar indevida importância aos Seus ensinamentos negativos. Com corações purificados do menor traço de suspeita e repleto de esperança e fé naquilo que o espírito de amor pode atingir, devemos, um e todos, empenhar-nos neste momento para esquecer as antigas impressões decorridas e, com absoluta boa-vontade e genuína cooperação, unir-nos no aprofundamento e na difusão do espírito de amor e serviço que a Causa, de modo tão extraordinário, tem mostrado ao mundo. A esta atitude de boa-vontade, de tolerância e genuína bondade para com todos, deve ser acrescentada, contudo, constante, porém inofensiva, vigilância, para que associações sem restrições com os povos do mundo capacitem os poucos que foram definitivamente enunciados pelo Mestre como prejudiciais ao corpo da Causa a causar cisma no Movimento. Não até que, contudo, surja uma evidência inquestionável, manifestamente revelando as malévolas intenções de um determinado indivíduo ou grupo de indivíduos, é aconselhável tornar o assunto público; pois uma declaração inoportuna que possa vir a suscitar diferenças entre os amigos é muito mais prejudicial do que tolerar ainda mais aqueles que são suspeitos de más intenções. Assim como o Mestre tão integral e consistentemente fez durante toda Sua vida, devemos todos fazer um supremo esforço para expressar um genuíno espírito de bondade e esperançoso amor a todas as pessoas dos diversos credos e classes, e nos abster de todo discurso provocativo que possa impedir o efeito que a verdadeira e contínua bondade pode produzir. 'Abdu'l-Bahá não deseja que nós, ao lançar sobre nós de Seu glorioso Grau um olhar de amorosa expectativa, apaguemos tanto quanto possível todos os traços de censura, de discussões que suscitem conflito, de comentários hostis, de frívolas observações desnecessárias que impedem a marcha em andamento da Causa, que mina o zelo do crente firme e deprecia a sublimidade da Causa Bahá'í aos olhos do inquisidor? Visando, contudo, assegurar uma ação justa e rápida e vigorosa sempre que tal maléfica atividade é revelada e foi cuidadosamente comprovada, o melhor e o único meio parece ser, para o observador cuidadoso, uma vez que se está seguro desta maldosa ação e se perdeu a esperança de uma atitude de bondade e tolerância, reportá-la à Assembléia Espiritual representativa dos amigos naquela localidade e submeter o caso à sua apurada e integral consideração. Caso a maioria dos membros dessa Assembléia esteja conscientemente convencida sobre o caso - e este sendo uma questão nacional afetando o corpo dos amigos na América - deve, somente através do intermediário dessa Assembléia, ser cautelosamente comunicado àquele corpo maior representante de todas as Assembléias na América, o qual irá, por sua vez, obter da Assembléia local todos os dados disponíveis nesta questão, estudar cuidadosamente a situação e reservar para si mesma a decisão final. Poderá, se assim decidir, referir-se à Terra Santa para mais considerações e consulta. ASSEMBLÉIAS ESPIRITUAIS LOCAIS E NACIONAIS Isto claramente coloca pesadas responsabilidades sobre as Assembléias, tanto locais como nacionais, as quais no decorrer do tempo evoluirão, através do poder e da guia do Mestre, em Casas de Justiça. Portanto, é vital a necessidade de se ter uma Assembléia Espiritual local em cada localidade onde o número de crentes adultos declarados exceda a nove, e de criar condições para a eleição indireta de um Corpo que representará adequadamente os interesses de todos os amigos e Assembléias em todo o Continente Americano. Examinando algumas das palavras de Bahá'u'lláh e 'Abdu'l-Bahá sobre os deveres e funções das Assembléias Espirituais em cada país (a serem designadas posteriormente como Casas de Justiça), enfaticamente revelam a santidade de sua natureza, o amplo escopo de suas atividades e a séria responsabilidade que recai sobre elas. Dirigindo-se aos membros da Assembléia Espiritual em Chicago, o Mestre revela o seguinte: "Sempre que entrardes na sala do conselho recitai esta prece com coração a vibrar de amor a Deus e, com língua purificada de tudo salvo de Sua comemoração, para que o Todo-Poderoso vos ajude generosamente a alcançar a vitória suprema: 'Ó Deus, meu Deus! Somos servos Teus que nos voltamos em devoção a Teu Sagrado Semblante, e nos desprendemos de tudo, menos de Ti, neste Dia Glorioso. Reunimo-nos nesta Assembléia Espiritual, com opiniões e pensamentos unidos e um único propósito: o de exaltar Tua Palavra entre o gênero humano. Ó Senhor, nosso Deus! Faze de nós os sinais de Tua Orientação Divina, os Estandartes de Tua Fé sublime entre os homens, servos de Teu poderoso Convênio, ó Tu, nosso Senhor Altíssimo. Que possamos manifestar Tua Unidade Divina em Teu Reino de Abhá, e luzir como estrelas resplandecentes sobre todas as regiões. Senhor! Ajuda-nos a sermos mares encapelados com as ondas de Tua graça maravilhosa, rios manando de Tuas alturas de glória, frutos excelentes na Árvore de Tua Causa divina, árvores movidas pelas brisas de Tua bondade em Tua Vinha celestial. Ó Deus! Faze nossas almas dependerem dos versículos da Tua Divina Unidade, e nossos corações alegrarem-se com os eflúvios de Tua graça, para que nos unamos como as ondas do mesmo mar e sejamos fundidos como os raios de Tua Luz esplendorosa; e assim nossos pensamentos, opiniões e sentimentos tornem-se como uma só realidade, manifestando pelo mundo inteiro o espírito da união. Tu és o Benévolo, o Magnânimo, o Generoso, o Onipotente, o Misericordioso, o Compassivo.'"(3) (3) ('Abdu'l-Bahá, Seleção dos Escritos de 'Abdu'l-Bahá, seção 42, pp. 77-78) No Sacratíssimo Livro está revelado: "O Senhor vosso Deus ordenou que em cada cidade se estabeleça uma Casa de Justiça onde se reúnam conselheiros em número de Bahá, não havendo mal se tal número for excedido. Eles devem considerar que estão entrando na Corte da presença de Deus, o Excelso, o Altíssimo, e que contemplam Aquele que é o Invisível. Compete-lhes ser os fidedignos do Misericordioso entre os homens, e considerar a si mesmos como os guardiães, nomeados por Deus, de todos os habitantes da Terra. Incumbe-lhes consultar em conjunto e cuidar dos interesses dos servos de Deus, por amor a Ele, da mesma forma como cuidam dos seus próprios interesses, e devem escolher o que for digno e apropriado. Assim vos ordenou o Senhor vosso Deus, o Perdoador, o Excelso. Acautelai-vos para não rejeitar o que está claramente revelado em Sua Epístola. Temei a Deus, ó vós que percebeis."(4) (4) (Bahá'u'lláh, O Kitáb-i-Aqdas, K30, pp.24-25) E ainda, 'Abdu'l-Bahá revela o seguinte: "Incumbe a cada um [cada bahá'í] não dar qualquer passo [na atividade bahá'í] sem consultar a Assembléia Espiritual, à qual deve asseguradamente obedecer de coração e alma e ser submisso, a fim de que as coisas sejam devidamente ordenadas e bem organizadas. De modo contrário, cada pessoa agirá independentemente e de acordo com seu próprio juízo, seguirá sua própria vontade e causará dano à Causa. Os primeiros requisitos para aqueles que se reúnem para consulta são: pureza de motivos, espírito radiante, desprendimento de tudo a não ser Deus, atração às Suas Divinas Fragrâncias, humildade e modéstia entre Seus amados, paciência e resignação em dificuldades, e servitude ao Seu glorificado Limiar. Se forem graciosamente auxiliados a adquirir estes atributos a vitória lhes será concedida do Reino invisível de Bahá. Nesta era, assembléias consultivas são da máxima importância e de uma necessidade vital. Obediência a elas é essencial e obrigatória. Seus membros devem consultar conjuntamente de tal modo que nenhuma ocasião para mal-entendidos ou discórdia possa surgir. Isto pode ser atingido quando cada membro expressa com absoluta liberdade sua própria opinião e expõe seu argumento. Se alguém se opuser, ele não deve de forma alguma sentir-se ofendido, pois o caminho certo não pode ser revelado antes que as questões sejam plenamente consideradas. A brilhante fagulha da verdade só aparece com o choque das opiniões divergentes. Se, após a consideração do assunto, chegar-se a uma decisão unânime, será muito bom; mas se, Deus o proíba, surgirem diferenças de opinião, a maioria das vozes deverá predominar..."(5) (5) (J.E Esslemont, Bahá'u'lláh e a Nova Era, 9ª edição, pp. 255) Enumerando as obrigações que incumbem aos membros das reuniões de consulta, o Bem- Amado revela o seguinte: "A primeira condição é absoluto amor e harmonia entre os membros da Assembléia. Eles precisam estar totalmente livres de desavença e devem manifestar em si próprios a Unidade de Deus, pois são as ondas do mesmo mar, as gotas de um só rio, as estrelas de um só céu, os raios do mesmo sol, as árvores de um só pomar, as flores do mesmo jardim. Se não existir harmonia de pensamento e absoluta unidade, essa reunião será dispersada, essa assembléia se reduzirá a nada. A segunda condição: devem, ao reunir-se, volver as faces para o Reino nas alturas e pedir auxílio do Reino de Glória. Devem então prosseguir expressando as opiniões com a maior devoção, cortesia, dignidade, cuidado e moderação. Em todo assunto devem buscar a verdade e não insistir cada qual na própria opinião, pois a obstinação e a persistência no próprio ponto de vista levarão afinal à discórdia e à disputa, e a verdade permanecerá oculta. Os honrados membros devem com toda liberdade expressar os próprios pensamentos, e de modo algum é permissível menosprezar os pensamentos de outrem; antes, devem, com moderação, expor a verdade e, se surgirem diferenças de opinião, a maioria das vozes deverá prevalecer, e todos devem obedecer e submeter-se à maioria. Tampouco é permitido que qualquer dos honrados membros faça objeção a decisão tomada anteriormente, ou a censure, na reunião ou fora dela, ainda que tal decisão não seja certa, pois tal crítica impediria a execução de qualquer decisão. Em suma, tudo o que for decidido em harmonia, e com amor e pureza de motivo, resultará em luz, e se prevalecer o menor traço de dissensão o resultado será treva sobre treva... Se isso for assim levado em consideração, essa assembléia será de Deus, mas, de outro modo, levará à frieza e alienação, as quais procedem do Ente Mau. ... Se se esforçarem por cumprir essas condições, a Graça do Espírito Santo ser-lhes-á concedida, essa Assembléia se tornará o centro das bênçãos divinas, as hostes da confirmação divina haverão de vir em seu auxílio e, dia a dia, receberão nova efusão do Espírito."(6) (6) ('Abdu'l-Bahá, Seleção dos Escritos de 'Abdu'l-Bahá, seção 45, pp. 79-80) Tão grande é a importância e tão suprema é a autoridade dessas Assembléias que uma vez 'Abdu'l-Bahá - após ter Ele mesmo e de Seu próprio punho corrigido a tradução para o árabe de Ishráqát (Refulgências) feita pelo xeique Faraj, um amigo curdo do Cairo - dirigiu-Se a ele numa Epístola para que submetesse a tradução acima mencionada à Assembléia Espiritual do Cairo e solicitasse dela sua aprovação e consentimento antes da publicação. Estas são Suas exatas palavras naquela Epístola: "O honrado Shaikh Faraju'lláh traduziu o Ishráqát para o árabe com o maior cuidado possível e, ainda assim, disse-lhe que deve submeter sua versão à Assembléia Espiritual do Egito e condicionei sua publicação à aprovação da acima mencionada Assembléia. Isto é para que as coisas sejam organizadas de maneira ordenada, pois, se assim não for, qualquer pessoa pode traduzir uma determinada Epístola e imprimi-la e fazê-la circular por sua própria conta. Mesmo um não-crente pode fazer este trabalho e, assim, causar confusão e desordem. Se, contudo, estiver condicionada à aprovação da Assembléia Espiritual, uma tradução realizada, impressa e divulgada por um não-crente não será reconhecida." Esta é, de fato, uma clara indicação do desejo expresso do Mestre de que coisa alguma seja oferecida ao público por qualquer indivíduo dentre os amigos, a menos que seja integralmente considerada e aprovada pela Assembléia Espiritual de sua localidade, e se esta (como é, sem dúvida, o caso) é uma questão de interesse geral da Causa naquele país, então, incumbe à Assembléia Espiritual submetê-la à consideração e aprovação do corpo nacional representante de todas as diversas assembléias. Não somente quanto à publicação, mas a todos os assuntos sem exceção alguma relacionada aos interesses da Causa naquela localidade, individual ou coletivamente, deve ser referido exclusivamente à Assembléia Espiritual daquela localidade, a qual decidirá sobre o mesmo, a menos que seja um assunto de interesse nacional, neste caso, deverá ser levado ao corpo nacional. A este corpo nacional também recairá a decisão se uma determinada questão é de interesse nacional ou local. (Por assuntos nacionais não se quer dizer questões que são políticas em seu caráter, pois os amigos de Deus em todo o mundo são estritamente proibidos de envolverem-se com assuntos políticos seja de que maneira for, mas sim, sobre coisas que afetam as atividades espirituais do corpo de amigos daquele país). Total harmonia, entretanto, bem como, cooperação entre as diversas Assembléias locais e seus membros e, particularmente, entre cada Assembléia e o corpo nacional, é da máxima importância, pois sobre isto depende a unidade da Causa de Deus, a solidariedade dos amigos, o integral, rápido e eficiente trabalho das atividades espirituais de Seus amados. Comitês da Assembléia Nacional Questões amplas sobre aquelas atividades espirituais que afetam a Causa em geral naquele lugar, tais como o gerenciamento de Star of the West e qualquer periódico que o corpo nacional decida como um órgão bahá'í, a questão da publicação, ou reimpressão de literatura bahá'í e sua distribuição em meio às diversas Assembléias, os meios pelos quais as campanhas de ensino podem ser estimuladas e mantidas, a função do Mashriqu'l-Adhkár, a questão racial em relação à Causa, a questão sobre receber orientais e a associação com eles, o cuidado e manutenção do precioso filme que exibe a fase da viagem do Mestre aos Estados Unidos da América, bem como, a fita original e as cópias de Sua voz, e diversas outras atividades espirituais nacionais, longe de estarem sob a jurisdição exclusiva de qualquer Assembléia local ou grupo de amigos, cada uma deve ser total e minuciosamente conduzida por um corpo especial, nomeado pelo Corpo Nacional, como seu comitê de instituído, responsável pelas atividades e, sobre o qual, o corpo nacional exercerá constante e geral supervisão. O presente momento está, em verdade, maduro para a realização das múltiplas atividades, nas quais os servos e as servas de Bahá'u'lláh estão envolvidos com tão grande devoção e entusiasmo, a serem harmonizadas e conduzidas em unidade, cooperação e eficiência, de tal modo que um combinado e sistematizado esforço, através do qual o Espírito Todo-Poderoso está continuamente emanando, possa transcender qualquer outra realização do passado, quão gloriosa possa ela ter sido e possa permanecer, agora que, aos olhos do mundo exterior a gloriosa Pessoa do Mestre já não mais está entre nós, como um convincente testemunho da potência de Seu sempre existente Espírito. Seu irmão e colaborador em Sua Causa, 3 - MAIO DE 1922 (APROXIMADAMENTE, SEM DATA) EM NOME DE DEUS Este servo, após o lamentável acontecimento e grandiosa calamidade, a ascensão de Sua Santidade 'Abdu'l-Bahá ao Reino de Abhá, tem estado tão abatido pelo pesar e pela dor e tão emaranhado por problemas (criados) pelos inimigos da Causa de Deus, que considero que minha presença aqui, neste momento e em tal atmosfera, não está de acordo com o cumprimento de meus importantes e sagrados deveres. Por esta razão, incapaz de agir de outro modo, deixei por algum tempo os assuntos da Causa, tanto os domésticos como os do exterior, sob a supervisão da Sagrada Família e a liderança da Folha Mais Sagrada(7) até que, pela Graça de Deus, havendo recuperado a saúde, a força, a autoconfiança e a energia espiritual e tendo tomado em minhas mãos, de acordo com meu objetivo e desejo, inteira e regularmente o trabalho do serviço, atingirei minha mais elevada esperança e aspiração espiritual. (7) Bahíyyih Khánum, irmã de 'Abdu'l-Bahá. O servo de Seu Sagrado Limiar, 4 - MAIO DE 1922 (APROXIMADAMENTE, SEM DATA) NOSSA SERVITUDE COMUM Permita-me expressar meu mais sincero desejo de que os amigos de Deus em todos os lugares não me vejam sob outra luz que a de um verdadeiro irmão, unido a eles em nossa servitude comum junto ao Sagrado Limiar do Mestre, e se refiram a mim em suas cartas, ou se dirigindo oralmente, sempre como Shoghi Effendi, pois desejo ser conhecido por nenhum outro nome salvo aquele que nosso Amado Mestre costumava pronunciar, um nome que, dentre todas as outras designações é o que melhor promove meu crescimento e avanço espiritual. 5 - 16 DE DEZEMBRO DE 1922 Aos amados de 'Abdu'l-Bahá em todo o continente americano. Queridos colaboradores na Vinha Sagrada de Bahá! Agora que minhas longas horas de descanso e meditação estão rapidamente chegando ao fim, volto minha face com renovada esperança e vigor para esse vasto continente cujo solo está prenhe com aquelas sementes que nosso amado Mestre tão ternamente e tão generosamente espalhou no passado. Por mais prolongado que este período esteja sendo, ainda assim, senti intensamente, desde que o Novo Dia alvoreceu sobre mim, a necessidade de um recolhimento e, apesar dos deslocamentos temporários que isto possa impor, seus resultados serão muito mais compensadores do que qualquer serviço que eu humildemente poderia ter prestado no Limiar de Bahá'u'lláh. Estou agora confiante de que as energias de meus amados irmãos e irmãs de além mar, longe de ficarem desamparados pelo meu repentino desaparecimento do campo de serviço, daqui em diante irão manter-se totalmente, não, mais ainda, reduplicarão em sua intensidade, a fim de que possamos todos juntos levar triunfantemente aos mais longínquos cantos do mundo o glorioso Estandarte de Bahá. Privado de qualquer notícia durante o tempo de meu retiro para repouso, sinto agora a emoção das diversas novidades, poucas, mas certamente promissoras, que me aguardavam quando do meu retorno a Terra Santa. O trabalho no nobre Edifício que as poderosas mãos do Sapientíssimo Mestre ergueu neste mundo já não pode mais sofrer atraso algum, nem podem suas fundações serem estabelecidas para virem a cambalear, sejam quais forem os aparentes obstáculos que seus inimigos em sua impotente fúria e desespero possam atirar em seu caminho. Não podemos esperar muito, pois já chegam de diversos lugares notícias de que as terríveis promessas de 'Abdu'l-Bahá referentes aos rompedores do Convênio foram estritamente cumpridas! Nossa incumbência, contudo, não é a de nos deter, nem por um momento sequer, sobre esses desesperados e tenebrosos esforços, pois a infalível guia da brilhante luz do Mestre está nos convocando a serviços mais construtivos, as mais nobres e valiosas realizações. Comemoramos em todo o mundo, não muito tempo atrás, com lágrimas nos olhos, o passamento de nosso amado Mestre. Quisera Deus que tenha marcado em nossas vidas, as quais todos consagramos a Seu serviço, uma nova, solene e inabalável resolução de devoção e fidelidade à Sua Causa. Seu irmão e colaborador, 6 - 23 DE DEZEMBRO DE 1922 Aos membros da Assembléia Espiritual Nacional, representantes eleitos de todos os crentes no continente americano. Estimados colaboradores na Vinha de Deus, Por não ser capaz, em função de imprevisíveis e inevitáveis circunstâncias, de corresponder- me com vocês desde que assumiram seus inúmeros e árduos deveres é para minha causa de profundo remorso e triste surpresa! Contudo, estou confiante e apoiado na convicção, jamais obscurecida em minha mente, de que o que quer que venha acontecer na Causa de Deus, ainda que inquietante em seus efeitos imediatos, é pleno de infinita Sabedoria e conduzirá, em última instância, para a promoção de seus interesses no mundo. De fato, nossa experiência do passado, bem como de eventos recentes, é por demais numerosa e variada para permitir qualquer apreensão ou dúvida para com a verdade deste princípio básico - princípio que através das vicissitudes de nossa sagrada missão neste mundo jamais devemos desconsiderar ou esquecer. Não posso abster-me de expressar nesta primeira carta a vocês, minha profunda gratidão e imenso prazer por saber quão prontamente, completamente e admiravelmente conduziram os assuntos da Causa nesse país. Da sinceridade de seus esforços, da determinação com a qual enfrentaram sua delicada e difícil tarefa, jamais duvidei por um momento sequer, uma vez que conheço muito bem o ardoroso espírito de serviço e camaradagem que o repentino passamento de nosso Bem-Amado incutiu em todos os Seus seguidores de todos os lugares. Grande foi, contudo, minha surpresa ao tomar conhecimento de como a sempre presente Mão do Mestre removeu tão rapidamente todas as dificuldades em nosso caminho e como a luz de Sua Guia Divina fez com que a escuridão das dúvidas, dos medos e da desconfiança se esvaecesse. A maneira eficiente com que conduziram minhas humildes sugestões foi uma fonte de grande encorajamento para mim e revitalizou a confiança em meu coração. Li e reli os relatórios de suas atividades, estudei minuciosamente todos os passos que deram para consolidar as bases do Movimento na América, e entendi, com um apurado sentimento de satisfação, os planos que elaboraram para a aceleração e divulgação da Causa em seu imenso país. Aprovo inteiramente os arranjos que fizeram para a centralização do trabalho em suas mãos e da distribuição em diversos comitês, os quais em suas próprias esferas, têm tão eficiente e integralmente desempenhado a administração de seus próprios assuntos. O que me trouxe ainda mais satisfação foi saber que os membros deste Corpo Central que assumiu tão séria responsabilidade e está enfrentando tão delicadas e difíceis tarefas, recebem individual e coletivamente não apenas a simpatia de seus irmãos e irmãs espirituais, mas também podem, seguramente, confiar em seu ativo e dedicado apoio nas campanhas de serviço à Causa de Bahá'u'lláh. É, em verdade, como deveria ser, pois se uma genuína e preservada cooperação e confiança mútua deixar de existir entre os amigos individualmente e suas Assembléias Nacionais e Locais, todo o benéfico trabalho da Causa cessará e nada mais poderá capacitá-lo a funcionar harmoniosa e efetivamente no futuro. É verdade, a Causa como qualquer outro movimento tem seus próprios obstáculos, complicações e dificuldades imprevisíveis, mas diferente de qualquer outra organização, inspira um espírito de Fé e Devoção, o qual jamais falhará em nos induzir a fazer sinceros e renovados esforços para enfrentar as dificuldades e suavizar quaisquer diferenças que possam e devam surgir. Anseio com fervorosa esperança ouvir sobre esses renovados esforços de sua parte e a firme determinação com a qual jamais sofrerão de desânimo para manter, a qualquer custo, a unidade, a efetividade e a dignidade da Causa. Permita-me expressar através de vocês, minha profunda gratidão aos membros do Comitê da Construção do Mashriqu'l-Adhkár, sr. Alfred E. Lunt, sra. Corinne True, dra. Zia Bagdadí, sr. Charles Mason Remey, sr. Louis Bourgeois e sr. Leo Perron, por seu incessante empenho em apressar o trabalho deste nobre Edifício, o qual, uma vez erguido e terminado, provará ser o fator mais poderoso na promulgação da Causa na América. Poderiam também, por favor, transmitir aos membros dos Comitês de Publicação e Revisão, sr. William H. Randall, sr. Mountfort Mills, sr. Roy C Wilhelm, sr. Albert R. Vail, srta. Edna True, sra. Marjory Morten e sr. Alfred E. Lunt, minha elevada apreciação pela muito eficiente administração de seus departamentos e sua devoção a um trabalho que, se consistentemente mantido, não deixará de impressionar e atrair um grande número de pessoas iluminadas. Quanto ao Star of the West, desejo parabenizar, em particular, os membros do Comitê de Publicação pela qualidade de seu trabalho. Examinei com particular interesse os últimos números da revista e fiquei contente em notar um encorajador amadurecimento em sua administração, estilo, sua apresentação e a natureza e número de seus artigos. Aos membros do Comitê de Ensino, sr. William Randall, sra. Agnes S. Parsons, sr. Albert Vail, sr. Louis G. Gregory e sra. Mariam Haney, dedico meus melhores votos e lhes asseguro minhas constantes orações, para que seus serviços a um departamento tão vital nos assuntos da Causa, tão primordial e imediato em sua importância, possa ser coroado com brilhante sucesso. Aos membros do Comitê de Educação para Crianças, sra. Grace Ober, sra. Louise Boyle, sra. Victoria Bedikian, sra. Hebe Struven, sra. Grace Foster, sr. Stanwood Cobb e sr. Allen McDaniel, suplico a Ajuda Divina para que Ele misericordiosamente os ajude em um trabalho que era tão próximo e querido ao coração do Mestre e os capacite a ajudar na criação de futuros devotados e eficientes servos para a Causa de Deus. Em nome de todos os membros desses Comitês, farei orações nos Três Santuários Sagrados para que eles possam se tornar canais purificados de Sua Graça e instrumentos de Seu Plano Divino para este mundo. De minha parte, não faltarei em oferecer minha humilde parcela de ajuda e assistência a cada um deles em seus respectivos trabalhos e receberia com agrado um relatório especial de cada um sobre suas atividades atuais e planos futuros. No aguardo de suas jubilosas notícias sobre o aprofundamento, bem como, a divulgação da Causa pela qual nosso amado Mestre dedicou Seu tempo, Sua vida e sempre recordando seus trabalhos de amor e serviço, reclino minha cabeça sobre o Sagrado Limiar. Sou, como sempre, seu irmão em Seu Serviço, P.S.: Ficaria muito satisfeito e agradeceria se pudessem informar às diversas Assembléias Espirituais Locais minha vontade e desejo de receber, tão logo quanto possível, de cada Assembléia Local um relatório detalhado e oficial sobre suas atividades espirituais, o caráter e a organização de suas respectivas Assembléias, uma narrativa de suas reuniões públicas e privadas, da real posição da Causa em sua localidade e de seus planos e preparativos para o futuro. 7 - 12 DE JANEIRO DE 1923 Aos membros da Assembléia Espiritual Nacional. Amados colaboradores na Causa de Deus! Em meio a seus ininterruptos trabalhos para o progresso do Movimento nesse país, tenho certeza de que terão satisfações em receber, de vez em quando, notícias que soprarão um novo espírito em suas atividades e lhes estimularão a esforços adicionais para a promoção da Sua Causa. Apenas há alguns dias, durante meu estudo de diversos documentos bahá'ís, encontrei, como por mero acaso, uma mensagem muito importante de nosso bem-amado 'Abdu'l-Bahá, sem data e sem apresentar sinais de exatamente onde, como e a quem foi destinada, escrita de próprio punho do Mestre sobre uma folha de papel de aspecto comum e mal preservada na aparência, mas que um estudo mais minucioso demonstrou ser esta, o mais profundo interesse para todos os crentes no Ocidente, bem como, no Oriente. Quanto à autenticidade destas marcantes palavras, escritas de maneira tão clara e convincente, não há dúvida alguma, e a medida da certeza que ela irá inspirar nos amados da Pérsia e o espírito de esperançoso encorajamento que soprará nos amigos do Oriente, incitaram-me a lhes informar sobre ela, colocando o assunto à sua consideração e consentimento, para que possa ser publicada(8) em meio aos amigos e redobrar sua confiança na extremamente significativa parcela que o Oriente está destinado a contribuir para a imediata difusão do Movimento no mundo. (8) Publicada no livreto Prayer of Bahá'u'lláh: Prayers and Tablets of 'Abdu'l-Bahá. Recentemente, eu mesmo a traduzi para o inglês e anexei uma cópia da tradução completa. STAR OF THE WEST Permitam-me também mencionar de passagem o fato de que, desde meu retorno à Terra Santa, dirigi-me e enfaticamente incitei em minhas cartas os amigos na Pérsia, Turquistão, Cáucaso, Grã-Bretanha, Índia, Egito e Síria a se subscreverem, através de suas respectivas Assembléias, ao Star of the West, enviar relatos regularmente aquele noticioso e, através de suas Assembléias, relatar as notícias de suas atividades e contribuir, de vez em quando, com artigos cuidadosamente escritos, aprovados e sancionados pelas mesmas Assembléias. Confio que esta medida agirá favoravelmente sobre o Star of the West e servirá para estimular os membros do Comitê de Publicação a adicionais atividades em sua esfera de serviço à Causa. Aguardando ansiosamente suas cartas e desejando-lhes o mais completo sucesso em seus extremamente árduos deveres. Sou seu devotado irmão, 8 - 16 DE JANEIRO DE 1923 Aos amados do Senhor e às servas do Misericordioso através dos Estados Unidos e Canadá. Amados irmãos e irmãs em 'Abdu'l-Bahá, Nosso querido amigo, Jináb-i-Fádil-i-Mázindarání, acompanhado por sua família, atendeu com alegria e agradecidamente ao gentil convite dos amigos americanos para visitá-los mais uma vez e estender sua ajuda aos muitos amigos que estão tão fielmente trabalhando em todo o continente pela Causa de Bahá'u'lláh. Profundamente agradecido pelos sentimentos de calorosa e duradoura afeição que seus colaboradores naquela terra abundantemente demonstraram-lhe no passado, inflamado pelo fervor ao serviço que o passamento de nosso Bem-Amado acendeu em cada coração e cheio de esperança no futuro imediato da Causa naquelas regiões, ele está seguindo para a América com o único propósito de promover amplamente e com a maior eficiência e vigor o todo importante trabalho do ensino. Quanto à duração de sua permanência, os detalhes da viagem, seus planos para visitar os diversos centros espirituais e todos os outros assuntos relacionados à sua visita, deixei-os à sua própria discrição, para que ele possa, após consultar com as diversas Assembléias Espirituais, fazer como achar melhor e mais proveitoso aos interesses da Causa naquele continente. Que todos os amigos possam compreender de modo mais completo a urgente e suprema necessidade de ensinar a Causa nestes dias, que possam se levantar para inaugurar uma ainda mais vigorosa, sistematizada e duradoura campanha de serviço - estes são os elevados objetivos que ele estabeleceu para si mesmo e com os quais pretende, com a infalível ajuda e integral apoio de cada crente na América, alcançar no futuro imediato. Que sua segunda visita a seu território seja um marco, em seu caráter e resultados, de uma nova e memorável era na história da Causa nesse grandioso continente. Seu irmão e companheiro de trabalho, 9 - 17 DE JANEIRO DE 1923 Aos membros da Assembléia Espiritual Nacional. Queridos amigos, É um imenso prazer, para mim, compartilhar com os amigos a tradução(9) de algumas orações e Epístolas de nosso amado Mestre, cuja leitura confio que irá inspirar-lhes e fortalecer seus trabalhos de serviço à Sua Causa. (9) Essas traduções, junto com outras recebidas posteriormente, foram publicadas como um panfleto pela Assembléia Espiritual Nacional. Confio que, no decorrer do tempo, será possível, para mim, enviar-lhes traduções precisas e confiáveis de diversas orações e Epístolas de Bahá'u'lláh e 'Abdu'l-Bahá, as quais desdobrarão ante seus olhos uma nova visão de Sua Gloriosa Missão na terra e lhes dará uma compreensão de seu caráter e do significado de Seus Ensinamentos Divinos. Aguardarei ansiosamente quaisquer sugestões que desejeis fazer sobre este assunto e sobre todos os outros que sejam pertinentes aos interesses da Causa na América e, novamente, asseguro-lhes minha prontidão e desejo de ser de ajuda e serviço aqueles fiéis e devotados servos de Bahá'u'lláh nesse continente. Seu irmão e companheiro de trabalho, 10 -13 DE FEVEREIRO DE 1923 Aos membros da Assembléia Espiritual Nacional. Mui queridos amigos, Terminei a tradução de uma seleção(10) das comovedoras Palavras do Mestre aos Seus amados na Pérsia, revelados cerca de vinte e cinco anos atrás, durante os mais sombrios dias de Seu encarceramento na cidade-prisão de 'Akká. (10) Publicado no livreto Prayer of Bahá'u'lláh: Prayers and Tablets of 'Abdu'l-Bahá. Vocês perceberão, na medida em que as forem lendo, a inabalável confiança de 'Abdu'l-Bahá no inevitável crescimento da Causa, mesmo nos mais perigosos dias de Sua vida. Perscrutá- las, irá capacitar-lhes a apreender mais completamente o significado deste Movimento e seu dinâmico poder, a urgente necessidade de manter a unidade e harmonia entre os amigos e a glória do grau que, no outro mundo, espera cada fiel servo de Bahá'u'lláh. Possam elas contribuir com sua parcela para o desdobramento do Espírito da Causa nessa terra e infundir em todos os amigos aquele ardente espírito de serviço e camaradagem que os capacitará a cumprir com seu glorioso destino neste mundo. Seu irmão e companheiro de trabalho, 11 - 12 DE MARÇO DE 1923 Aos amados do Senhor e às servas do Misericordioso por toda a América, Grã-Bretanha, Alemanha, França, Suíça, Itália, Japão e Australásia. Companheiros de trabalho na Vinha de Deus! Passou-se um ano desde aquela calamitosa Hora, quando a gloriosa Pessoa de 'Abdu'l-Bahá foi velada dos olhos mortais e Seu Espírito ascendeu ao Reino de Glória; e sinto que o momento está agora maduro para se tomar àquelas novas e momentosas decisões que nos capacitarão a cumprir, rápida e fielmente, os últimos desejos de nosso falecido Mestre. Para o mundo exterior, este ano foi um ano de medo e sofrimento, de desilusão e perturbações. Para nós, contudo, os entristecidos seguidores de um misericordioso e amoroso Mestre, foi, apesar dos passageiros cuidados que Sua repentina partida, necessariamente, irá nos impor, um período de esperança, de favoráveis atividades, marcadas, de um modo geral, por um espírito de irreduzível confiança em Seu poder e de fidelidade à Sua Causa. Do Leste e do Oeste, do Norte e do Sul, os incontáveis servos de Bahá'u'lláh, desdenhosos das nefastas maquinações dos inimigos de Sua Causa, os rompedores de Seus preceitos, apoiaram-se em Seu Estandarte e levantaram-se em uníssono para levar avante o grandioso trabalho que Ele confiou ao seu encargo. Saudações aquele imorredouro espírito de fidelidade que arde e arderá incessantemente nos seios de Seus amados! Grande será sua recompensa e abençoada a hora, quando após uma dura vida de serviço, eles se reunirem à glória de Bahá e compartilharem, na Presença de seu Bem-Amado, da alegria da Reunião eterna. A Condição do Mundo Entretanto, grandes realizações ainda nos esperam neste mundo, e estamos confiantes de que, por Sua graça e infalível guia, agora e sempre, provamos ser dignos de realizar Seu grandioso Propósito para a humanidade. E quem pode deixar de perceber a dolorosa necessidade de uma humanidade sequiosa, em seu atual estado de incerteza e perigo, pelo regenerador Espírito de Deus, manifestado neste Dia tão poderosamente nesta Dispensação Divina? Quatro anos de uma guerra sem precedentes e de cataclismos mundiais, seguidos por outros quatro anos de amargo desapontamento e sofrimento, mexeram profundamente com a consciência da humanidade, e abriu os olhos de um mundo incrédulo para o Poder do Espírito que tão somente pode curar suas enfermidades, sarar suas feridas e estabelecer o por tanto tempo prometido reino de imperturbável paz e prosperidade. A RESPONSABILIDADE DOS BAHÁ'ÍS Com certeza agora, se não sempre, é o momento para nós, os escolhidos de Bahá'u'lláh e os portadores de Sua Mensagem ao mundo, empenharmos-nos dia e noite, para aprofundar, primeiro e primordialmente, o Espírito de Sua Causa em nossas vidas individuais e então, trabalhar, e trabalhar incessantemente para exemplificar em todas as nossas relações com nossos semelhantes aquele nobre Espírito do qual Seu bem-amado Filho 'Abdu'l-Bahá foi em todos os dias de Sua vida um verdadeiro e único expoente. As palavras de nosso amado Mestre ressoaram no exterior, Seu nome inundou todas as regiões, e os olhos da humanidade estão agora voltados em expectativa para Seus discípulos que portam Seu nome e professam Seus ensinamentos. Não devemos nós, em nossas vidas diárias, reivindicar os elevados postulados de Seus ensinamentos, e demonstrar, através de nossos serviços, a influência de Seu imorredouro Espírito? Este é, seguramente, nosso mais elevado privilégio e nosso mais sagrado dever. Vamos, com corações puros, com humildade e sinceridade, voltar-nos de um novo modo para Seus conselhos e exortações, e buscar daquela Fonte de Celestial Potência toda a guia, o espírito, o poder que necessitaremos para o cumprimento de nossa missão nesta vida. Observai o grau para o qual 'Abdu'l-Bahá está agora chamando Seus amados do Reino da Glória: "Incumbe aos amados de Deus tornarem-se enamorados uns dos outros, e sacrificarem-se por seus companheiros de trabalho na Causa. Eles devem ansiar um pelo outro assim como o sedento anseia pela Água da Vida, e o amante consome-se por encontrar o desejo de seu coração." Tal é a sublime, a gloriosa posição que Ele deseja, e para todas as pessoas e seres na terra, que atinjamos neste mundo; e muito mais, alcancemos unidade e um entendimento comum entre nós e, então, levantemos-nos para proclamar em uníssono a vinda do Reino da salvação da humanidade. Com a unidade de propósito firmemente estabelecida em nossas mentes, com todo e qualquer traço de animosidade pessoal banido de nossos corações, e com o espírito de total dedicação e preservada camaradagem vívida em nossas almas, podemos ter a esperança de efetivamente transmitir a Mensagem de Bahá'u'lláh, e executar fielmente as diversas cláusulas da Última Vontade e Testamento de nosso Bem-Amado. Inabaláveis em nossa fé, firmes em nossa união, repletos de esperança, fervorosos em nosso espírito e desprendidos de si mesmos em nossos trabalhos, vamos nos levantar e com corações suplicantes fazer um novo e supremo esforço para cumprir estas últimas palavras de nosso Bem-Amado, Seu mais acalentado desejo: "Ó vós que permaneceis firmes no Convênio! Ao chegar a hora em que esta ave injustiçada e de asas partidas tenha alçado vôo para o Concurso Celestial, quando ela houver se apressado para o Reino do Invisível e seu corpo mortal tiver se perdido ou escondido sob o pó, incumbirá aos Afnán, que estão firmes no Convênio de Deus e que brotaram da Árvore da Santidade; às Mãos [pilares] da Causa de Deus (sobre elas esteja a glória do Senhor) e a todos os amigos e amados - a todos, sem exceção - despertarem e se levantarem de coração e alma e de comum acordo para difundir as doces fragrâncias de Deus, ensinar Sua Causa e disseminar Sua Fé. Não devem descansar, nem que seja por um momento, nem buscar repouso. Devem se dispersar por todas as terras, passar por todas as plagas e viajar através de todas as regiões. Despertos, infatigáveis, constantes até o fim, devem eles erguer em toda parte o brado triunfal: 'Yá Bahá'u'l-Abhá!' [Ó Tu, Glória das Glórias!]; devem ganhar renome no mundo, onde quer que forem, arder intensamente como uma vela, em toda reunião e em toda assembléia devem acender a chama do amor divino; para que a luz da verdade surja resplandecente no próprio coração do mundo, e uma vasta assembléia, por todo o Oriente e todo o Ocidente, reúna-se à sombra do Verbo de Deus, a fim de que as doces fragrâncias da santidade possam ser difundidas, as faces brilhem radiantemente, os corações sejam imbuídos do Espírito Divino e as almas tornem-se celestiais. Nestes dias, a mais importante de todas as coisas consiste em guiar as nações e os povos do mundo. Ensinar a Causa é da máxima importância, pois é a pedra angular do próprio alicerce. Este servo injustiçado tem passado os dias e as noites a promover a Causa e a exortar os povos a servi-la. Nem por um momento sequer, pôde ele descansar, enquanto não difundisse pelo mundo a fama da Causa de Deus e clamasse ao Oriente e Ocidente as melodias celestiais do Reino de Abhá. Os amados de Deus devem seguir este exemplo. Este é o segredo da fidelidade, este é o requisito da servitude ao Limiar de Bahá!"(11) (11) ('Abdu'l-Bahá, A Última Vontade e Testamento, seção 45, pp. 10-12) Precisamos nada mais do que um relance às palavras de Bahá'u'lláh e Epístolas de 'Abdu'l- Bahá para compreender o grande privilégio de ensinar a Causa, sua vital necessidade, sua suprema urgência e o longo alcance de seus efeitos. Estas são as exatas palavras de 'Abdu'l -Bahá: "Nestes dias, os Santos do Reino de Glória, habitantes do altíssimo Paraíso, anseiam ternamente por voltar a este mundo, e serem úteis no serviço à Causa de Bahá'u'lláh e demonstrar sua servitude no Limiar da beleza de Abhá." Que maravilhosa visão estas palavras revelam diante de nossos olhos! Quão grande nosso privilégio por trabalhar neste Dia na Vinha Divina! Não incumbe a nós, levantarmos-nos e ensinarmos Sua Causa com tamanho ardor que nenhuma adversidade terrena possa reprimir, nem medida alguma de sucesso, saciar? A ELEIÇÃO DAS ASSEMBLÉIAS LOCAIS E, agora que este importantíssimo trabalho não pode sofrer negligência alguma, e sim, funcionar vigorosa e continuamente em todos os lugares do mundo bahá'í; para que a unidade da Causa de Bahá'u'lláh possa permanecer segura e inviolada. É da máxima importância que, de acordo com o explícito texto do Kitáb-i-Aqdas, o Sacratíssimo Livro, em toda localidade, seja cidade ou povoado, onde o número de crentes adultos (acima de 21 anos) declarados exceda a nove, a "Assembléia Espiritual Local" seja imediatamente estabelecida. À ela, todos os assuntos locais pertinentes à Causa devem ser levados e imediatamente referidos para uma integral consulta e decisão. A importância, não, mais ainda, a absoluta necessidade dessas Assembléias Locais torna-se manifesta quando compreendemos que nesses dias porvir elas evoluirão em Casas de Justiça Locais, e atualmente provêm a firme fundação na qual a estrutura da Vontade do Mestre será erguida no futuro. DEVERES DAS ASSEMBLÉIAS ESPIRITUAIS A questão do Ensino, sua condução, seus caminhos e meios, sua extensão, sua consolidação, são essenciais como são os interesses da Causa, e constituem, sem dúvida alguma, a única questão que deve receber a total atenção dessas Assembléias. Um cuidadoso estudo das Epístolas de Bahá'u'lláh e 'Abdu'l-Bahá revelarão que outros deveres, não menos vitais aos interesses da Causa, recaem sobre para os representantes eleitos dos amigos em cada localidade. Incumbe-lhes serem vigilantes e cautelosos, discretos e observadores, e proteger em todos os momentos o Templo da Causa daqueles perpetuadores de intrigas e dos furiosos ataques do inimigo. Eles devem envidar esforços para promover amizade e concórdia entre os amigos, apagar todo traço de duradoura desconfiança, frieza e estranhamento de cada coração e, em seu lugar, assegurar uma ativa e comprometida cooperação no serviço da Causa. Devem se empenhar ao máximo a todo e qualquer momento em estender a mão de ajuda ao pobre, ao doente, ao deficiente, ao órfão, à viúva, a despeito de cor, classe ou credo. Devem promover por todos os meios em seu poder, a material, bem como, a espiritual orientação dos jovens, os meios para a educação das crianças, implementar, sempre que possível, instituições educacionais bahá'ís, organizar e supervisionar seu trabalho e prover os melhores meios para seu progresso e desenvolvimento. Devem fazer um esforço para manter oficial, regular e freqüente correspondência com os diversos centros bahá'ís em todo o mundo, reportar-lhes suas atividades e compartilhar as boas notícias que recebem com todos os seus companheiros de trabalho na Causa. Devem encorajar e estimular por todos os meios à sua disposição, através de subscrição, relatórios, artigos e desenvolvimento de várias revistas bahá'ís, tais como Star of the West, Bahá'í News da Índia, o Sun of the East (Khurshid-i-Khavár) no Turquistão, o Star of the East no Japão, o Sun of Truth na Alemanha. Devem assumir a organização das reuniões regulares dos amigos, das festas e aniversários, bem como, das reuniões especiais destinadas a servir e promover os interesses sociais, intelectuais e espirituais de seus companheiros. Devem supervisionar nesses dias em que a Causa ainda está em sua infância todas as publicações e traduções e, prover em geral uma apresentação digna e fiel de toda a literatura bahá'í e sua distribuição ao público em geral. Estas perfilam-se entre as mais notáveis obrigações dos membros de toda Assembléia Espiritual. Em todas as localidades em que a Causa expandiu-se suficientemente, e visando assegurar eficiência e evitar confusão, cada uma dessas múltiplas funções devem ser delegadas a um Comitê especial, sob a responsabilidade de sua Assembléia, nomeado por esta dentre os amigos naquela localidade, e sobre cujo trabalho a Assembléia terá que exercer constante e geral supervisão. Essas Assembléias Espirituais deverão ser eleitas diretamente pelos amigos, e todo crente declarado acima de 21 anos, o qual, longe de manter-se afastado e assumir uma atitude independente ou indiferente, deve ver este como seu dever sagrado e tomar parte conscienciosa e diligentemente, na eleição, na consolidação e eficiente trabalho da Assembléia de sua própria localidade. ASSEMBLÉIAS NACIONAIS Referente ao estabelecimento de "Assembléias Nacionais", é de vital importância que em todo país, onde as condições são favoráveis e o número de amigos tenha crescido e atingido um tamanho considerável, assim como a América, Grã-Bretanha e Alemanha, que uma "Assembléia Espiritual Nacional" seja imediatamente estabelecida, representativa dos amigos daquele país. Seu propósito imediato é estimular, unificar e coordenar através de freqüentes consultas pessoais, as múltiplas atividades dos amigos, bem como, das Assembléias Locais; e, mantendo íntimo e constante contato com a Terra Santa, iniciar medidas e dirigir, de um modo geral, os assuntos da Causa naquele país. Serve também ainda para outro propósito, não menos essencial que o primeiro, de que no decorrer do tempo evoluirá em Casa Nacional de Justiça (referência feita no Testamento de 'Abdu'l-Bahá como "Casa de Justiça Secundária"), a qual, de acordo com o texto explícito do Testamento, terá que, juntamente com outras Assembléias Nacionais através do mundo bahá'í, eleger diretamente os membros da Casa Internacional de Justiça, aquele Conselho Supremo que guiará, organizará e unificará os assuntos do Movimento em todo o mundo. Está expressamente registrado nos Escritos de 'Abdu'l-Bahá que essas Assembléias Nacionais devem ser indiretamente eleitas pelos amigos, isto é, os amigos em cada país devem eleger um certo número de delegados, os quais, por seu turno, elegerão dentre todos os amigos naquele país, os membros da Assembléia Espiritual Nacional. Nesses países, portanto, assim como na América, Grã-Bretanha e Alemanha, deve-se primeiro fixar um número de eleitores secundários (95 para a América, incluindo as ilhas do Pacífico; 95 para a Alemanha; e 19 para a Grã-Bretanha). Os amigos, então, em cada localidade onde o número de crentes adultos declarados exceda a nove, devem eleger diretamente sua cota definida de eleitores secundários na proporção direta à sua força numérica. Estes eleitores secundários irão, então, seja através de correspondência, ou preferivelmente em reunião conjunta, e primeiro deliberando sobre os assuntos da Causa em seu país (como delegados para a Convenção), eleger nove dentre todos os amigos naquele país que irão ser os membros da Assembléia Espiritual Nacional. Esta Assembléia Espiritual Nacional, da qual, depende o estabelecimento da Casa Universal de Justiça, terá que ser reeleita uma vez a cada ano, obviamente assume sérias responsabilidades, pois deve exercer completa autoridade sobre todas as Assembléias Locais em seu país, e terá que conduzir as atividades dos amigos, proteger vigilantemente a Causa de Deus, e controlar e supervisionar os assuntos do Movimento em geral. Assuntos vitais, que afetam os interesses da Causa naquele país tais como a questão da tradução e publicação, o Mashriqu'l-Adhkár, o trabalho do Ensino e outras questões similares que se distinguem dos assuntos estritamente locais, devem ficar sob a integral jurisdição da Assembléia Nacional. Deve delegar cada uma dessas questões, mesmo as das Assembléias Locais, a um Comitê especial, a ser nomeado pelos membros da Assembléia Espiritual Nacional, dentre todos os amigos naquele país, os quais terão idêntica relação àquela dos comitês com suas respectivas Assembléias Locais. Com ela, também, repousa a decisão de que até que ponto um determinado problema é estritamente local em sua natureza, e deve ser reservado para a consideração e decisão da Assembléia local, ou se deve recair sobre sua própria província e ser visto como uma questão que deve receber sua especial atenção. A Assembléia Espiritual Nacional também decidirá sobre aquelas questões que em sua opinião devem ser referidas à consideração da Terra Santa para consulta e decisão. Com essas Assembléias Locais bem como as Nacionais, harmoniosamente, vigorosamente e eficientemente funcionando em todo o mundo bahá'í, os únicos meios para o estabelecimento da Suprema Casa de Justiça terá sido assegurado. E quando este Corpo Supremo estiver propriamente estabelecido, terá que considerar de uma nova maneira toda a situação, e determinar os princípios que guiarão, por tanto tempo quanto considere aconselhável, os assuntos da Causa. ELEIÇÃO ANUAL DAS ASSEMBLÉIAS A fim de serem estabelecidas, e para assegurar uniformidade no Ocidente e no Oriente, todas as Assembléias Locais deverão ser reeleitas uma vez a cada ano, durante o primeiro dia do Ridván, e o resultado da apuração, se possível, ser anunciado naquele mesmo dia. Visando evitar divisões e rupturas, a fim de que a Causa não se torne presa de interpretações conflitantes e perca, desse modo, sua pureza e primitivo vigor, e para que seus assuntos possam ser conduzidos com eficiência e prontidão, é necessário que todos conscientemente participem, ativamente, na eleição dessas Assembléias, aquiesçam às suas decisões, efetivem seus decretos e cooperem integralmente com elas em suas tarefas de estimular o crescimento do Movimento em todas as regiões. Os membros dessas Assembléias, por seu turno, devem desconsiderar completamente seus gostos e desgostos, seus interesses e inclinações pessoais e concentrar suas mentes naquelas medidas que levarão à prosperidade e felicidade da comunidade bahá'í e promoverão o bem-estar comum. O FUNDO BAHÁ'Í E quanto ao progresso e realização das atividades espirituais, estes dependem e estão condicionados aos meios materiais, é de absoluta necessidade que imediatamente após o estabelecimento das Assembléias Espirituais Locais, bem como, nacionais, um Fundo Bahá'í seja estabelecido e mantido sob o controle exclusivo da Assembléia Espiritual. Todas as doações e contribuições devem ser oferecidas ao Tesoureiro da Assembléia, para o expresso propósito de promover os interesses da Causa, naquela localidade ou país. É a sagrada obrigação de todo consciente e fiel servo de Bahá'u'lláh que deseja ver o avanço de Sua Causa, contribuir livre e generosamente para o crescimento desse Fundo. A necessidade de se centralizar a autoridade da Assembléia Espiritual Nacional, e a concentração do poder nas diversas Assembléias Locais, torna-se manifesta quando refletimos sobre o fato de que a Causa de Bahá'u'lláh ainda está nos seus primeiros anos de crescimento e em um estágio de transição; quando lembramos que a totalidade das implicações e o exato significado das instruções do Mestre ao mundo, conforme determinadas em Seu Testamento, ainda não foram completamente apreendidas e o Movimento como um todo não se cristalizou suficientemente aos olhos do mundo. É nossa tarefa primordial manter um olho bem atento no modo e no caráter de seu crescimento, visando combater efetivamente as forças de separação e tendências sectárias, a fim de que o Espírito da Causa não seja obscurecido, sua unidade ameaçada, seus Ensinamentos corrompidos; a fim de que extrema ortodoxia e irresponsável liberdade venham a desviá-la do Caminho Reto, o qual, tão somente, pode levá-la ao sucesso. A MAIS ESSENCIAL DAS OBRIGAÇÕES Mas, vamos ficar de guarda - uma vez que o Mestre, de Seu Grau nas alturas, continuamente recorda-nos - para o fato de nos preocuparmos com aquilo que é secundário em importância e darmos demasiada atenção a detalhes de nossos assuntos e atividades, não faça com que nos tornemos negligentes quanto ao mais essencial, a mais urgente de todas as obrigações, ou seja, enterrar nossas apreensões e ensinar a Causa, levando a todos os cantos esta Mensagem de Salvação a um mundo gravemente abatido. Aos Seus bravos combatentes na terra, os quais, vez por outra, podem se sentir desanimados, nosso sempre vitorioso Comandante, 'Abdu'l-Bahá, dá-nos a seguinte certeza: "Ó servos do Limiar Sagrado! As hostes triunfantes da Assembléia Celestial, enfileiradas e dispostas em ordem de batalha, permanecem prontas e na expectativa de apoiar e assegurar vitória ao valente cavaleiro que pleno de confiança esporear seu corcel, lançando-se na arena do serviço. Bem-aventurado esse guerreiro intimorato que, armado do poder do verdadeiro Conhecimento, arroja-se impetuosamente ao campo de batalha, dispersa os exércitos da ignorância, debanda as hostes do erro e ergue altaneiro o Estandarte da Guia Divina, e faz soar o Clarim da Vitória. Pela retidão do Senhor! Esse terá atingido glorioso triunfo e conquistado a verdadeira vitória."(12) (12) ('Abdu'l-Bahá, Seleção dos Escritos de 'Abdu'l-Bahá, seção 208, pp. 240-241) Com palavras tão inspiradoras como estas, ainda podemos continuar parados e inativos? O chamado de Sua trombeta ressoa de todos os lados, e nos convoca ao serviço; vamos duvidar e hesitar? Sua voz está chamando alto de todos os lugares; marchemos então, libertos e sem medo, para cumprir com nosso glorioso Destino. TRANSLITERAÇÃO DOS TERMOS BAHÁ'ÍS P.S.: Em outra página,(13) está a lista dos mais conhecidos e mais freqüentes termos bahá'ís e outros nomes e expressões orientais, todos adequada e apuradamente transliterados. A fiel grafia dos mesmos pelos amigos ocidentais evitará futuras confusões e assegura a este assunto uma uniformidade que é extremamente necessária no presente momento para toda literatura bahá'í. O código completo será devidamente comunicado a todas as Assembléias Nacionais, e a transliteração dos mencionados termos orientais nas cartas em inglês enviadas pela Assembléia Espiritual de Haifa fornecerão um correto e confiável suplemento da acima mencionada lista. Confio que todos os amigos irão, de agora em diante, seguir este sistema e se ater escrupulosamente, e em todos os momentos, a este código em seus escritos. (13) A lista completa dos termos pode ser encontrada no Bahá'í World, vol. VII. 12 - 8 DE ABRIL DE 1923 Aos amados do Senhor e às servas do Misericordioso, delegados oficiais na Convenção Anual da América, em Chicago, Illinois. Ternamente amados irmãos e irmãs em 'Abdu'l-Bahá, Nesta auspiciosa ocasião, quando os representantes eleitos da comunidade bahá'í em todo o continente americano, reunidos pela primeira vez no salão principal do Mashriqu'l-Adhkár, congregam-se para juntos consultarem com relação àquelas questões vitais que confrontam a Causa de Bahá'u'lláh nesse continente, permitam-me, como um de seus mais humildes companheiros de trabalho no campo do serviço, oferecer-lhes do mais profundo de meu coração meu fraterno amor e sinceras saudações, e lhes assegurar de minhas fervorosas orações pelo sucesso de suas deliberações e pelas realizações dos desejos de seus corações. Encontram-se, nesta desafiadora hora da história da Causa, no limiar de uma nova era; as funções para as quais são convocados a desempenhar estão carregadas de imensas possibilidades; as responsabilidades que ombreiam são graves e momentosas; e os olhos de muitos estão voltados, nesta hora, para vocês, na expectativa de contemplar o alvorecer de um Dia que testemunhará o cumprimento de Sua Promessa divina. Esquecidos do passado e de suas vicissitudes, conscientes da necessidade de um renovado e combinado esforço, libertos de toda limitação e motivos terrenos, com todo apegado traço de mau sentimento para sempre banido de seus corações, recém-unidos e determinados, vamos nos aliar em silenciosa comunhão com o sempre atento Espírito de nosso bem- amado 'Abdu'l-Bahá, e com humildade e sinceridade suplicar pela guia que nos capacitará a cumprir a tarefa que agora a nós é destinada. Que a Convenção deste ano, pela amplitude de suas atividades, pelo caráter de seus procedimentos, por sua fiel aderência às Instruções divinas de nosso amoroso Mestre e, acima de tudo, por seu radiante espírito de entusiasmo e verdadeiro companheirismo, prove ser um dos mais grandiosos marcos da história da Causa na América. Que o todo penetrante Espírito de Bahá'u'lláh permeie as almas de seus membros de tal forma que eles venham a espelhar as glórias e os esplendores do Concurso Celestial. Seu devotado irmão, 13 - 9 DE ABRIL DE 1923 Aos membros da Assembléia Espiritual Nacional Americana. Mui queridos amigos, Ultimamente tenho recebido seus ansiosamente esperados relatórios sobre a presente situação do Movimento nesse continente, e li todos eles, junto com seus anexos, com o máximo cuidado e maior interesse. Estou muito bem impressionado e me sinto profundamente gratificado ao saber de seus devotados e impagáveis trabalhos, individual e coletivamente, no campo do serviço à Causa; de sua constante vigilância e cuidadosa observação em aderir firmemente a seus princípios fundamentais e salvaguardar seus essenciais interesses; da eficiência, fidelidade e vigor com os quais estais conduzindo a administração de seus assuntos nesse continente. Muitos e graves podem ser os obstáculos, sejam internos ou externos, os quais deveremos nos deparar nos dias vindouros; contudo, temos certeza de que se apenas mantivermos de forma consistente, diante de nossos olhos, uma ampla e nobre visão de sua significativa e vital necessidade nestes dias, e acima de toda sua universalidade e seu poder todo conquistador, seremos capacitados a sobrepujá-los, um e todos, e através do Poder da Fé, conduzir a Arca do Convênio ao seu Porto de Segurança e Triunfo. É, creio firmemente, da mais urgente importância que, com unidade de propósito e ação firmemente estabelecida em nosso meio, e com todo traço de animosidade e desconfiança do passado banido de nossos corações, devemos formar uma frente unida e combater, sabiamente e com tato, toda força que possa denegrir o espírito do Movimento, causar divisão em suas fileiras e reduzi-la a crenças dogmáticas e sectárias. Assembléias Espirituais Nacionais Recai primordialmente sobre os membros eleitos das Assembléias Espirituais Nacionais em todo o mundo bahá'í este altamente importante dever de delegar, uma vez que em suas mãos foram centralizadas e colocadas a direção e administração de todas as atividades bahá'ís, e sendo que constituem aos olhos das pessoas em seus países o corpo supremo naquele lugar que oficialmente representa, promover e salvaguardar os diversos interesses da Causa. É minha fervorosa oração e meu mais acalentado desejo, que a guia infalível de Bahá'u'lláh e as bênçãos de nosso amado Mestre irão capacitá-los a estabelecer um elevado e verdadeiro exemplo a todas as demais instituições bahá'ís e Assembléias Locais, e demonstrarão absoluta harmonia, deliberação madura e a mais comprometida cooperação que pode ser atingida. Caso este representativo e responsável corpo venha a falhar no cumprimento deste fundamental requisito a todas as realizações bem sucedidas, toda a estrutura seguramente ruirá e o Grande Plano do Futuro, conforme apresentado pelo Mestre em Sua Última Vontade e Testamento, serão vigorosamente abalados e lamentavelmente retardados. Quanto ao gerenciamento do Star of the West, conforme já mencionei, este órgão bahá'í, bem como, outras publicações similares, longe de serem vistas como um órgão especial de um determinado grupo ou uma particular localidade, deve ficar sob o exclusivo controle da Assembléia Espiritual Nacional, a qual, apoiada por um comitê especial, minuciosamente guiará e judiciosamente escrutinará todas as informações dadas por este, o caráter dos artigos e as traduções que publica, e o tom e a linguagem que assume em todas as suas edições. ... Relatórios de Atividades Estarei sempre aguardando dos membros da Assembléia Espiritual Nacional que coletivos, oficiais e completos relatórios sobre suas múltiplas atividades sejam a mim enviados a constantes intervalos e se referindo às correntes internas e externas do Movimento, as relações das Assembléias umas com as outras, e ao estado geral e aos diversos aspectos do progresso da Causa no país. Eu receberia com satisfação relatórios mais específicos, enviados a mim pelos diversos comitês da Assembléia Espiritual Nacional, anexados a suas cartas e aprovados por todos os seus membros. O MASHRIQU'L-ADHKÁR Li, com apurado interesse, todos os anexos referentes ao Mashriqu'l-Adhkár, compartilhei as notícias atualizadas neles contidas com os amigos no Oriente e constatei com particular alegria o término do subsolo, com seu espaçoso Salão Principal pronto para a realização de encontros e reuniões dos amigos. Embora a expectativa de imediatamente reassumir as atividades de construção do edifício não pareça promissora no momento, tenho esperança e oro para que as dificuldades logo desapareçam e o trabalho deste Edifício único, estimulado e avançado no tempo pela dedicação e auto-sacrifício dos amigos em todo o mundo, logo atingirá sua gloriosa consumação. Solicito incluir minha humilde contribuição de 19 libras, como minha parte dentre as inúmeras doações que chegaram à Tesouraria do Templo no ano passado. Peço a gentileza de transmitir aos membros do Comitê do Mashriqu'l-Adhkár meu mais elevado sentimento de gratidão por seus devotados e árduos trabalhos, e minhas constantes orações pelo sucesso dessa tarefa, cujo cumprimento eles estabeleceram para si mesmos. Quanto à situação na Pérsia, e à condição dos amigos naquele país, solicitei à Assembléia Espiritual de Teerã para me enviar imediatamente um autorizado e completo relatório da exata situação, sobre o qual, no momento oportuno, estarei lhes informando os passos exatos a serem dados para assegurar o bem-estar e a segurança dos crentes que estão sendo testados na Pérsia. ... A realização de Congressos estaduais, Convenções de Amizade, e outras associações universais dos amigos na América, ficarão naturalmente sob a competência da Assembléia Espiritual Nacional, a qual dirigirá e supervisionará os trabalhos de todos eles com a ajuda de comitês especiais, cada qual constituído para um propósito específico. A questão sobre receber os orientais é deixada inteiramente nas mãos da Assembléia Espiritual Nacional, cujo comitê especial para este propósito deverá investigar todos os dados a serem levantados no futuro que estejam relacionados ao assunto. Por favor, transmita aos membros do recém instituído Comitê Bibliotecário, meu profundo agradecimento por seus trabalhos neste importante campo do serviço, e lhes assegure minhas orações pelo seu sucesso. No que diz respeito ao ponto levantado na carta do secretário quanto à natureza e escopo da Corte Universal de Arbitragem, este e outros assuntos similares deverão ser explicados e elucidados pela Casa Universal de Justiça, à qual, de acordo com as explícitas instruções do Mestre, todas as importantes e fundamentais questões devem ser referidas. No presente momento, as implicações exatas e completo significado das provisões do Testamento do Mestre ainda não são perfeitamente compreendidas, e o tempo será útil para revelar a sabedoria e o amplo alcance do efeito de Suas palavras. Estou incluindo em uma folha à parte, o código autorizado, amplamente adotado pelos orientalistas contemporâneos em todo o mundo que servirá como base para a transliteração dos termos bahá'ís e nomes orientais.(14) (14) Ver: Transliteração dos Termos Bahá'ís, pp. 56-57. Recordando-me de todos vocês nos momentos em que visito e faço orações nos três Santuários Sagrados, e desejando-lhes sucesso de todo coração. Sou seu irmão e companheiro de trabalho, 14 - 27 DE ABRIL DE 1923 Aos membros da Assembléia Espiritual Nacional. Amados companheiros de trabalho na Causa, Não tenho certeza de já ter-lhes enviado antes uma cópia desta gloriosa Epístola revelada por Bahá'u'lláh ao Seu bem-amado 'Abdu'l-Bahá, escrita de Seu próprio abençoado punho, e que encontramos entre Seus papéis e documentos logo após a Ascensão do Mestre. Ela revela em termos de tocante ternura o grau único de 'Abdu'l-Bahá, e se constitui uma evidência inquestionável de Sua suprema autoridade. Estou incluindo também minha tradução de diversas passagens do Kitáb-i-Aqdas,(15) as quais podeis vos sentir livres para circular entre os amigos. (15) Publicadas em Star of the West durante o ano de 1923. Desejando todo sucesso em seu trabalho, Sou seu devotado irmão, 15 - 6 DE MAIO DE 1923 Aos membros da Assembléia Espiritual Nacional. Meus amigos e companheiros de trabalho na Causa de Deus! Sua muito bem-vinda mensagem compartilhando as alegres notícias da bem-sucedida Convenção, trouxe-me contentamento ao coração e fortaleceu minha esperança neste ano de ativo serviço, que se inicia diante de vocês. Estou certo de que, como recém eleitos representantes da comunidade bahá'í na América, vocês são, cada um e todos, bem conscientes de suas poderosas responsabilidades, e compreendem integralmente a tremenda necessidade de um total entendimento entre os amigos, e sua ativa e mantida cooperação na ampla difusão da Causa de Bahá'u'lláh em todo esse vasto continente. Fervorosamente espero que, em colaboração com nosso sábio, capaz e devotado irmão, Jináb-i-Fádil, darão início a uma brilhante e vigorosa campanha de Ensino, a qual com seu próprio esplendor banirá a escuridão das diferenças e contendas que tanto impedem a majestosa e progressiva marcha da Causa em todos os lugares. FUNDO CENTRAL A fim de que possam reforçar esta Campanha de Ensino - tão vitalmente necessária nestes dias - e conduzir, adequada e eficientemente, o restante de suas múltiplas atividades, espirituais bem como humanitárias, é urgentemente necessário estabelecer um Fundo Central, o qual, se generosamente apoiado e mantido pelos amigos individualmente e Assembléias Locais, logo irá torná-los capazes de executar seus planos com prontidão e vigor. É minha ardorosa oração, noite e dia, que a Mão sempre condutora de nosso amado e falecido Mestre possa misericordiosamente ajudá-los a sobrepujar qualquer obstáculo, e guiar, através de vocês - Seus escolhidos nessa terra - a Arca de Sua Causa, ao prometido porto de glória e triunfo. Com ternas congratulações e melhores votos, Sou seu irmão e companheiro de trabalho, P.S.: Anexo uma cópia de minha tradução(16) das Palavras de Sabedoria de Bahá'u'lláh, as quais vocês podem circular livremente entre os amigos. (16) Publicada em Star of the West. 16. 14 DE NOVEMBRO DE 1923 Aos amados do Senhor e às servas do Misericordioso por toda a América. A/C dos membros da Assembléia Espiritual Nacional Americana. Companheiros de trabalho na Vinha Divina, Ao retornar, após uma forçada e prolongada ausência, à Terra Santa, é meu primordial e mais ardente desejo renovar e fortalecer aqueles laços de fraterno amor e companheirismo que unem nossos corações e nossa servitude comum no Seu sagrado Limiar. Os dois anos que se passaram desde o falecimento de nosso amado Mestre, foram para a Causa, bem como para a humanidade, anos de profunda ansiedade e dor. As momentosas mudanças que estão ocorrendo na história de ambas provaram ser tão velozes e abrangentes a ponto de despertarem em certos corações uma desconfortante dúvida quanto à sua estabilidade e futuro. De um lado, as notáveis revelações da Última Vontade e Testamento do Bem-Amado, tão extraordinárias em todos os seus aspectos, tão enfáticas em suas injunções, desafiam e deixam perplexas as mentes mais perspicazes; enquanto a sempre crescente confusão do mundo, ameaçando, como nunca antes, com forças perturbadoras, feroz rivalidade, novas comoções e graves desordens, quase abateram o coração e esmoreceram a dedicação do mais entusiasmado crente no destino da humanidade. E ainda assim, quão freqüente parecemos esquecer os claros e repetidos avisos de nosso amado Mestre, Quem, particularmente durante os conclusivos anos de Sua missão na terra, enfatizou os "severos testes mentais" que inevitavelmente passariam por Seus amados do Ocidente - testes que iriam purgar, purificar e prepará-los para sua nobre missão na vida. A CAUSA DO SOFRIMENTO HUMANO E quanto à má situação do mundo, devemos recordar os escritos e dizeres de Bahá'u'lláh, Quem, mais de cinqüenta anos atrás, declarou em termos proféticos qual é a causa primordial dos males e sofrimentos da humanidade, e revelou seu verdadeiro e divino remédio. Ele declara: "Se a Lâmpada da Religião for obscurecida, caos e confusão serão estabelecidos." Quão admiravelmente apropriadas e aplicáveis são estas palavras ao presente estado da humanidade! Nosso é, então, o dever e o privilégio de trabalhar, dia e noite, em meio a tempestade e fatiga provenientes desses dias conturbados, para que possamos energizar o empenho de nossos semelhantes, reacender suas esperanças, estimular seus interesses, abrir seus olhos para a verdade da Fé de Deus e obter seu ativo apoio no desempenho de nossa tarefa comum pela paz e regeneração do mundo. Vamos atentar e ser gratos ao nosso bem-amado 'Abdu'l-Bahá, ao nos lembrar de Suas incontáveis bênçãos e infalível cuidado e proteção, desde a hora de Sua partida de nosso meio. As chamas da sedição, tão maliciosamente acesas no passado por aqueles que ousaram se opor à Sua vontade, foram-se para sempre, e as mais acariciadas esperanças desses malévolos maquinadores estão agora abandonadas, condenadas a jamais serem revitalizadas. Ele, em verdade, cumpriu Sua promessa! Parecia, há não muito tempo atrás, que sua agitação tão violentamente renovada imediatamente após o passamento de nosso Bem-Amado, iria por algum tempo confundir a Mensagem Divina de Bahá'u'lláh, obscurecer Seu Convênio, retardar o progresso de Sua Causa e romper sua unidade; e, contudo, como os vemos hoje a todos, não por nossos esforços, mas por sua própria tolice e, acima de tudo, pela intervenção da Mão oculta de Deus, reduzidos a mais vil e humilhante posição. E agora, com a Causa purificada e internamente vitoriosa, seus princípios reivindicados, seus inimigos silenciados e afundados em inexprimível miséria, não devemos, de agora em diante, dirigir todos os nossos esforços em uma ação coletiva e realizações construtivas e, em completo desdém pela tremulação de sua luz rapidamente evaescente, levantar-nos para levar avante aquelas urgentes medidas que irão assegurar o progressivo e completo triunfo da Causa? De minha parte, ao olhar para trás e ver as desafortunadas circunstâncias de uma exaustão física e uma saúde debilitada que estiveram presentes durante os anos iniciais de minha carreira de serviço à Causa, sinto-me imensamente gratificado, e estaria sem esperanças não fora pela sustentadora lembrança e inspirador exemplo dos diligentes e incessantes esforços que meus companheiros de trabalho em todo o mundo desempenharam durante esses dois anos de testes no serviço da Causa. Acalento a esperança de que, de agora em diante, o Bem-Amado possa derramar sobre mim toda a força e vigor que me capacitará a seguir através de um longo e ininterrupto período de árduo trabalho na suprema tarefa de alcançar, em colaboração com os amigos em todos os lugares, o rápido triunfo da Causa de Bahá'u'lláh. Esta é a súplica que fervorosamente solicito a todos os meus irmãos e irmãs na Fé para fazerem em meu nome. Vamos suplicar a Deus para que nestes dias de obscuridade que envolve o mundo, quando as tenebrosas forças da natureza, do ódio, da rebelião, da anarquia e reação estão ameaçando a estabilidade da sociedade humana, quando os mais preciosos frutos da civilização estão atravessando testes severos e sem paralelo, podemos entender, mais profundamente do que nunca, que embora apenas uma mão cheia em meio às efervescentes massas do mundo, somos nestes dias os instrumentos escolhidos da graça de Deus, que nossa missão é mais urgente e vital para o destino da humanidade e, fortalecidos por estes sentimentos, levantar-nos e realizar o sagrado propósito de Deus para a humanidade. Seu irmão em Seu Serviço, 17 - 26 DE NOVEMBRO DE 1923 Aos membros da Assembléia Espiritual Nacional Americana. Amigos e companheiros de trabalho na Vinha de Deus! Após um longo e ininterrupto silêncio, sinto-me muito feliz em poder me corresponder novamente com meus ternamente amados colaboradores da Assembléia Espiritual Nacional. Suas três cartas, datadas de 8 de junho, 10 de julho e 12 de outubro, foram recebidas com segurança e a cada uma delas dei minha mais cuidadosa e completa atenção. Uma leitura atenta apreende somente parte da totalidade de suas atividades junto com o estudo das comunicações e circulares anexadas e do minucioso e admirável relatório dos procedimentos da Convenção Anual, todos serviram para aumentar minha admiração pela meticulosidade, habilidade e devoção com as quais estão conduzindo os assuntos da Causa de Deus nessa terra. Quão freqüentemente tenho desejado e ansiado estar mais perto do campo de suas atividades e, assim, poder estar em um mais constante e próximo contato de cada detalhe dos múltiplos e tão importantes serviços que prestam. Acalento a esperança de que logo as facilidades nos meios de comunicação e transportes servirão para nos aproximar ainda mais e realizar, ainda que parcialmente, este longamente ansiado desejo. A CONVENÇÃO ANUAL Fiquei muito feliz e grato ao saber através de sua primeira carta que "durante todas as sessões (da última Convenção) a atmosfera era de grande desprendimento e espiritualidade combinados com visão e motivo práticos". Estou totalmente convencido de que se a Convenção Anual dos Amigos na América, bem como, a Assembléia Espiritual Nacional, desejarem se tornar potentes instrumentos para a rápida realização das esperanças mais acalentadas pelo Bem-Amado para o futuro desse continente, eles devem se empenhar, primeiro e principalmente, em exemplificar em um grau cada vez mais elevado, para todos os bahá'ís e para o mundo em geral os elevados ideais de companheirismo e serviço que Bahá'u'lláh e o amado Mestre repetidamente colocaram diante deles. Eles podem reivindicar a admiração, o apoio e, finalmente, a lealdade de seus compatriotas, apenas como resultado de seu restrito apego à dignidade, ao bem-estar e à unidade da Causa de Deus, por sua dedicação, seu desapego e constância no serviço à humanidade, e por demonstrar, através de suas palavras e ações, a necessidade e praticabilidade dos elevados princípios com os quais o Movimento foi proclamado ao mundo. Minhas fervorosas orações nos três Santuários Sagrados são para que o generoso Senhor possa abençoar Seus amigos americanos, os quais constituem a vanguarda de Suas hostes no mundo ocidental, e fazê-los prosperar em seus assuntos e ocupações materiais, para que a Causa, que hoje se encontra em uma triste situação de necessidade de ajuda e assistência material, possa avançar, rápida e sem obstáculos, em direção ao cumprimento de seu destino. O FUNDO BAHÁ'Í Referente ao Fundo Bahá'í, recentemente estabelecido entre os amigos, confio que o assunto agora está claro para todos no continente. Conforme anteriormente esclareci, embora os amigos individualmente e as Assembléias Locais sejam absolutamente livres para especificar o objeto e o propósito de suas doações à Assembléia Espiritual Nacional, entretanto, em minha opinião, vejo isto como da mais vital importância que indivíduos, bem como, Assembléias Locais, em todo o continente, devem, em vista da preponderante importância do Ensino Nacional e como uma evidência de sua absoluta confiança em seus representantes nacionais, empenhar-se ainda que, um pouco de início, para contribuir livremente para a manutenção e crescimento do Fundo Nacional Bahá'í, a fim de que os membros da Assembléia Nacional possam, totalmente segundo seu discernimento, despendê-lo para o que quer que julguem urgente e necessário. O MASHRIQU'L-ADHKÁR Com relação ao Mashriqu'l-Adhkár, sempre lembrarei com orgulho e gratidão o auto-sacrifício dos amigos americanos e, em particular, os devotados serviços de nossa querida irmã bahá'í, sra. True, e nosso amado irmão, dr. Bagdadi, sr. Remey e sr. Bourgeois, cujos persistentes esforços e devotados serviços são, aos olhos de todos os amigos, altamente louváveis. Sentir-me-ia realmente desolado caso os amigos pensassem, mesmo que por um momento, que este trabalho deveria ser interrompido; não, pelo contrário, devem fazer tudo que estiver ao seu alcance (e confio que seus irmãos e irmãs no Oriente podem compartilhar de seus estupendos esforços) para prover ao firme e ininterrupto progresso do trabalho, até chegar o dia em que este sublime Edifício, erguido em seu majestoso esplendor bem no coração do continente, possa ser mais uma evidência do triunfo e vitalidade da Causa. Sua referência aos amigos em Akron, Ohio, e a harmoniosa participação deles nos procedimentos da Convenção alegraram meu coração, pois isto removeu mais um obstáculo no caminho do rápido e vigoroso desenvolvimento da Causa nessas regiões. Os benéficos serviços e impagáveis trabalhos daquele desprendido e eficiente instrutor da Causa de Deus, Jináb-i-Fádil-i-Mázindarání, os detalhes de cujas viagens e atividades tenho acompanhado com profundo interesse, têm sido para mim uma constante fonte de esperança e verdadeiro encorajamento, e minha esperança é de que as sementes que ele tão sabiamente plantou possam, com seu apoio, em um não muito distante futuro, produzir uma abundante colheita. GREEN ACRE Fiquei feliz em saber sobre o progresso das atividades nesse ternamente amado lugar, Green Acre, ao qual o Mestre concedeu Seu terno cuidado e amorosa bondade e que, todos esperamos, possa se tornar, enquanto o trabalho do Mashriqu'l-Adhkár está em progresso, o centro focal das atividades devocionais, humanitárias e sociais da Causa. O sacrifício do tempo, energia e dinheiro feito por nossos ternamente amados amigos, sr. e sra. Randall, sr. e sra. Schopflocher e aqueles que os ajudaram em sua tarefa, jamais esquecerei, e fervorosamente suplicarei em seu nome para que nosso Bem-Amado possa realizar o desejo de seus corações. Sinto que deve-se procurar não interferir em sua presente organização, uma vez que este lugar, em sua atual condição, oferece oportunidades únicas para a difusão do espírito bahá'í e a promoção da Palavra de Deus. Estou contente em poder informar que a situação das casas em Bagdá está livre de perigo imediato, embora a questão ainda não esteja decidida em definitivo. A este respeito, gostaria de expressar minha elevada admiração e profunda gratidão pela presteza, atenção e cuidado com que vocês, e particularmente a sra. Parsons e o sr. Mills, abordaram e lidaram com esta delicada questão. Estarei lhes informando sobre quaisquer futuros acontecimentos em relação a este assunto. Quanto ao Star of the West, fiquei muito bem impressionado pela beleza e força dos diversos artigos contribuídos para o noticioso pelo srs. Horace Holley e Stanwood Cobb, e realmente daria as boas-vindas com genuína satisfação a uma participação ainda mais ativa por parte deles na seção editorial desta revista bahá'í. Enviei, alguns dias atrás, um cabograma ao secretário da Assembléia Espiritual Nacional, solicitando aos amigos exercerem prevenção e cautela no uso e distribuição da gravação da voz do Mestre. A meu ver, esta deve ser usada somente em ocasiões especiais e escutada com a máxima reverência. A dignidade da Causa, estou certo, sofreria com o amplo e indiscriminado uso de uma das mais preciosas relíquias de nosso falecido Mestre. Referente ao curto filme do Mestre, para o qual, bem como para a gravação de Sua voz, estou profundamente em débito com os desprendidos esforços e serviços de meu querido irmão, sr. Roy C. Wilhelm, seria indubitavelmente melhor combinar este com outros filmes representando várias outras cenas da história da Causa, filmadas nos países visitados pelo Báb, Bahá'u'lláh e 'Abdu'l-Bahá. Sinto-me gratificado ao perscrutar o eficiente e muito talentoso trabalho do meu querido companheiro de trabalho, sr. Horace Holley, um trabalho(17) sobre o qual não tenho dúvida alguma irá, em virtude de seu tema, sua abrangência e singularidade, despertar um amplo e genuíno interesse no Movimento. Estou aguardando com ansiedade produções similares provenientes da pena desses capazes e talentosos servos de Bahá'u'lláh. (17) Bahá'í Scriptures, Nova Iorque, 1923; substituído por Bahá'í World Faith, 1943. Anexo para todos os amigos as recentes traduções daquelas altamente significativas emanações de Bahá'u'lláh, reveladas cerca de cinqüenta anos atrás e prenhes de Sua sabedoria divina. Seu chamado de alerta à humanidade em sua hora de perigo soa profético nestes dias de manifesto desalento. Estou encaminhando também uma cópia da transliteração dos termos orientais com algumas correções de insignificantes erros de digitação. Confio que os amigos não sentirão sua energia e paciência sobrecarregadas por uma escrupulosa aderência àquilo que é um autorizado e universal, ainda que arbitrário, código de grafia dos termos orientais. COMITÊS DA ASSEMBLÉIA NACIONAL Os diligentes esforços despendidos pelos diversos comitês da Assembléia Espiritual Nacional, aqueles para o Ensino Nacional, Mashriqu'l-Adhkár, Star of the West, Biblioteca Nacional, para revisão e publicação de literatura bahá'í, educação, Arquivos Nacionais e Convenções de Amizade das Raças, alegraram e encantaram meu coração no cumprimento de meus múltiplos deveres, e constituem, em si mesmos, uma convincente evidência e inspirador exemplo ao mundo bahá'í da eficiente administração espiritual dos assuntos do mundo bahá'í. Quanto às atividades espirituais do "Children of the Kingdom" [Crianças do Reino] na América, minha esperança e oração são para que elas possam crescer para se tornarem eficientes servos da Causa de Bahá'u'lláh. Sua devoção e auto-sacrifício, sua prontidão em ajudar a Causa do Templo Bahá'í, suas atividades em conexão com o Bahá'í Magazine são todas inconfundíveis sinais do glorioso futuro da Causa nessa terra. Que o amparo e amorosa bondade do Pai Celestial possam guiar, proteger e ajudá-las em suas futuras missões na vida. A Mais Sagrada Folha, a Sagrada Mãe e as demais senhoras da Sagrada Família desejam se unir a mim, todas elas, para expressar a cada um de vocês sua profunda gratidão e a mais elevada apreciação pela eficiente e admirável maneira com a qual estão coordenando as dinâmicas forças da Causa, e conduzindo os assuntos na América. A quantia de 100 libras inglesas que ofereceram à Causa através de mim, devo reconhecer com profunda apreciação e gratidão, e gostaria de informar que uma parte dela foi gasta diretamente para promover os interesses da Causa em todo o mundo, e o restante para o embelezamento do Santuário do Bem-Amado no Monte Carmelo. Com profunda gratidão e esperando ter notícias suas, individual e coletivamente, sou seu verdadeiro irmão, 18 - 4 DE JANEIRO DE 1924 Aos membros da Assembléia Espiritual Nacional Americana. Meus mui queridos amigos, Em 28 de novembro, recebi a seguinte comunicação do Presidente da Assembléia Espiritual Nacional da Grã-Bretanha: "Trago agora ao seu conhecimento, embora provavelmente o senhor já esteja sabendo, um assunto que é de primordial importância na opinião da Assembléia Espiritual Nacional como verás em um dos parágrafos das minutas anexas de sua primeira reunião, a qual foi realizada em 13 de outubro. Até agora, o programa da conferência sobre o tema 'Living Religions Within the British Empire' [Religiões Vivas no Império Britânico] está em uma condição um tanto nebulosa, porém, assegurei-me junto à srta. Sharples, secretária honorária do comitê de organização, de que a conferência foi aprovada pelas autoridades do 'British Empire Exhibition 1924' [Uma Amostragem do Império Britânico 1924] e que terá a duração de dez dias, cobrindo a última semana de setembro e os três primeiros dias de outubro. Foi proposto que todas as religiões ensinadas e praticadas no Império Britânico estivessem representadas na conferência, incluindo cristãos, muçulmanos, budistas, Brahma Somaj, teosofistas e outros, e que cada um por sua vez terá à sua disposição um dia ou parte de um dia para uma reunião visando expor seus princípios e cuidar de sua organização e objetos." Em sua última carta, os membros da Assembléia Espiritual Nacional da Grã-Bretanha também me informaram que a idéia da acima mencionada conferência foi originada na Sociedade Teosofista, entretanto, como esta desistiu de administrá-la, a organização da conferência passou, então, para as mãos da School of Oriental Studies [Escola de Estudos Orientais] e da Sociological Society [Sociedade Sociológica]. Atente também para o fato de que, na cópia da carta da mesma srta. Sharples dirigida ao Presidente da Assembléia Espiritual Nacional britânica, o tempo oferecido aos representantes bahá'ís seria muito limitado e que, muito provavelmente, o tempo rateado seria justamente suficiente para ler seus trabalhos ou fazer seus discursos e se envolverem no debate que viria a se levantar após sua apresentação formal da Causa. Uma vez que a exposição "British Empire Exhibition" [Uma Amostragem do Império Britânico], da qual esta conferência fazia parte, é, em si mesma, um empreendimento semi-oficial, e recebe, em verdade, um generoso apoio e ativa participação das autoridades governamentais em todo o Império Britânico, sinto que as oportunidades agora oferecidas ao mundo bahá'í não devem ser desperdiçadas, já que esta chance, se adequadamente utilizada, deve despertar e estimular o interesse do público esclarecido. Como muito dependerá da natureza e da apresentação geral do tema, mais do que da personalidade do leitor ou palestrante, sinto que, primeiro e primordialmente, nossa atenção deve estar concentrada nas escolhas e nos detalhes da preparação do tema, bem como, de uma apropriada versão preliminar e no formato do trabalho em si mesmo, o qual possivelmente terá que ser submetido em última instância às autoridades da conferência. Sinto a necessidade de confiar esta extremamente importante e delicada tarefa a um comitê especial, a ser nomeado muito cuidadosamente pela Assembléia Espiritual Nacional da América, e ser composto por aqueles que, pelo seu conhecimento da Causa, sua experiência em assuntos de publicidade e, particularmente, por seu poder de expressão e beleza de estilo estejam qualificados para produzir um documento apropriado sobre a singular história do Movimento, bem como, de seus elevados princípios. Anexo um artigo sobre o movimento bahá'í, o qual confio poderá servir de base e exemplo para o documento em questão. Uma narrativa dos mais destacados fatos da história da Causa, uma breve, mas marcante referência a seus muitos heróis e mártires, uma convincente e abrangente apresentação de seus princípios básicos, e uma visão geral da vida do Mestre, bem como, uma curta, mas vívida descrição da presente posição e influência do Movimento tanto no Oriente como no Ocidente, devem, em minha opinião, ser incluídos e combinados em uma única conclusiva argumentação. Seu comprimento não deve ultrapassar ao do artigo anexo, e seu tom geral, expressão e linguagem devem ser, de imediato, digno, sóbrio e vigoroso. O máximo cuidado e cautela devem ser exercidos na escolha daqueles que podem melhor proporcionar e realizar os acima mencionados requisitos e condições. Terei muito prazer em oferecer minhas impressões e sugestões quando o documento tiver chegado à sua forma final, e gostaria que conseguissem a ajuda e aconselhamento daqueles amigos na Inglaterra e em outros lugares que consideram qualificados para fazer uma apreciação do mesmo. O sr. Simpson, presidente da Assembléia Espiritual Nacional Britânica, escreve que a srta. Grand do Canadá sugeriu os nomes do dr. Watson e do sr. J. O. McCarthy de Toronto para representar os bahá'ís canadenses. Terei prazer em receber suas impressões sobre quem deve representar o Canadá na Conferência. Anexo recentes traduções(18) das proféticas e mais notáveis palavras de Bahá'u'lláh e 'Abdu'l -Bahá, as quais, confio, todos vocês acharão de grande valor e interesse para o grandioso trabalho que estão fazendo pela Causa. (18) Publicadas em Star of the West. Que este grandioso projeto produza uma abundante colheita para a Causa, e seus esforços sejam ricamente abençoados pelo Espírito de guia de 'Abdu'l-Bahá. Seu companheiro de trabalho, 19 - 23 DE FEVEREIRO DE 1924 Aos amados do Senhor e às servas do Misericordioso em toda a América. Meus queridos companheiros de trabalho, Colhi de diversas fontes que a Causa de Bahá'u'lláh, no decorrer de sua firme embora árdua marcha em direção à salvação do mundo, tem encontrado, recentemente, novos obstáculos, os quais, aos olhos de alguns, parecem retardar o progresso e impedir seu crescimento. Aprendi através de sentimentos de tristeza e surpresa que algumas sensações vagas de apreensão, uma estranha concepção errônea de seu imediato propósito e métodos, está vagarosamente assentando raízes e solidamente afetando seu crescimento geral e vigoroso desenvolvimento em todo o continente. Embora estes sinais devam aparecer de tempos em tempos, apesar de não serem representativos da vasta e crescente massa de seus consolidados e dedicados apoiadores, no mundo todo, o que, imagino, poderia ter causado este desconforto mental? São tais desconfianças possíveis, ainda que por parte de poucos, diante das extraordinárias manifestações de um tão extraordinário Movimento? Até que ponto elas fazem parte daqueles testes mentais e provações destinadas em diversos momentos pelo Todo-Poderoso para agitar e revigorar o corpo de Sua Causa, e até onde são rastreados por nosso imperfeito estado de compreensão, nossas fraquezas e erros? O DESTINO DIVINO E A FRAGILIDADE HUMANA Que a Causa de Deus deve, nos dias que virão, testemunhar muitos momentos desafiadores e atravessar estágios críticos em sua preparação para as glórias de sua prometida ascendência no novo mundo foi, vez por outra, inquestionavelmente afirmado por nosso falecido Mestre, e está abundantemente provado para todos nós por seu heróico passado e turbulenta história. E ainda, se é o quinhão dos escolhidos de Deus, o povo de Bahá, enfrentar adversidades e sofrer tribulações antes de alcançar a vitória final, não devemos crer que o que quer que recaia sobre nós é divinamente ordenado e, sem dúvida, o resultado de nossa falta de coragem e negligência? Certamente agora, se não sempre, é o momento de voltar nossos olhos para o nosso interior, de nos dedicar, de invocar o Máximo Nome, e unidos, invocar em nossa ajuda e apoio toda nossa fé, força e coragem que precisaremos para nos desincumbir de nossas prementes obrigações e desempenhar nossa responsabilidade. A DIFÍCIL SITUAÇÃO DA HUMANIDADE A situação da humanidade, sua condição e circunstâncias sob as quais vivemos e trabalhamos são verdadeiramente desalentadoras, e a escuridão do preconceito e má vontade suficiente para esfriar o mais valente coração. A desilusão e o desânimo estão invadindo os corações dos povos e nações, a esperança e a visão de uma humanidade unida e regenerada estão ficando a cada dia mais e mais nebulosas. Instituições que angariaram honra através do tempo, acalentados ideais e sagradas tradições estão sofrendo nestes dias atordoante mudança, proveniente dos efeitos de grave ataque, e o precioso fruto de séculos de paciência e dedicado trabalho está agora de cara com o perigo. Paixões, que foram supostamente reprimidas e subjugadas, estão agora queimando mais ferozmente do que nunca antes, e a voz da paz e boa vontade parece afogada em meio a incessantes convulsões e tumultos. Qual, vamos perguntar a nós mesmos, deve ser nossa atitude ao estarmos sob o olhar que a tudo vê de nosso vigilante Mestre, contemplando um espetáculo tão completamente remoto do espírito que Ele soprou no mundo? Será que devemos seguir na esteira da obstinação e desespero? Será que devemos permitir que nossa visão de uma tão singular, tão duradoura, tão preciosa Causa seja obscurecida pela mancha e pelo pó dos acontecimentos mundanos, os quais, não importa quão resplandecente e de amplo alcance em seus efeitos imediatos, nada mais são do que sombras fugazes de um mundo imperfeito? Será que seremos levados pela inundação das idéias frívolas e conflitantes ou permaneceremos, indômitos e imaculados, sobre a sempre existente rocha das Orientações Divinas? Não devemos nos prover de um claro e total entendimento de seu propósito e implicações para a época em que vivemos, e com uma indomável resolução levantar-nos para utilizá-las, inteligentemente e com escrupulosa fidelidade, para o esclarecimento e a promoção do bem à toda humanidade? A humanidade, dilacerada pela dissensão e ardendo com ódio, está clamando neste momento por uma medida maior daquele amor que é nascido de Deus, aquele amor que como último recurso provará ser a única solução de suas incalculáveis dificuldades e problemas. Não incumbe a nós, cujos corações são inflamados de amor por Ele, fazer um esforço ainda maior, para manifestar esse amor em toda sua pureza e poder em nossas interações com nossos semelhantes? Que nosso amor pelo nosso bem-amado Mestre, tão ardente, tão desinteressado em todos os aspectos, encontre sua verdadeira expressão no amor por nossos irmãos e irmãs de fé, bem como, por toda humanidade. Asseguro-lhes, queridos amigos, que o progresso em questões como essas é ilimitado e infinito, e que sobre o alcance de nossas realizações neste curso dependerá, em última instância, o sucesso de nossa missão na vida. A NOVA ORDEM MUNDIAL E, ao fazermos um esforço para demonstrar esse amor ao mundo, que também limpemos nossas mentes de qualquer traço de apego ou de infelizes mal-entendidos que podem obscurecer nossa clara concepção do exato propósito e métodos desta nova ordem mundial, tão desafiadora e complexa, ainda que tão consumada e sábia. Estamos todos convocados pelo nosso amado Mestre em Sua Última Vontade e Testamento não somente para adotá-la, mas para desvelar seu mérito ao mundo inteiro. Tentar estimar seu inteiro valor e apreender seu exato significado após tão pouco tempo desde seu surgimento, seria prematuro e presunçoso de nossa parte. Devemos confiar no tempo, e na guia da Casa Universal de Justiça de Deus, para obter um mais claro e completo entendimento de suas disposições e implicações. Porém, uma palavra de alerta deve ser dita com relação a isto. Vamos nos precaver para também não medir o Plano Divino estritamente sob o critério dos homens. Não estou preparado para declarar que aquilo concorda em princípio e método com as noções agora prevalecentes acima de tudo o mais nas mentes dos homens, nem que deva estar em conformidade com aquelas imperfeitas, precárias e expedientes medidas recorridas por uma agitada humanidade. Será que devemos duvidar que os caminhos de Deus não são necessariamente os caminhos do homem? A fé não é nada mais que outra palavra para obediência implícita, dedicada lealdade, irrestrita adesão a tudo aquilo que acreditamos é a expressa e revelada vontade de Deus, seja lá quão atordoante a princípio possa parecer, quão divergente das sombrias visões, impotentes doutrinas, rudes teorias, vãs imaginações e concepções em voga de uma turbulenta e transitória era? Se vamos cambalear ou hesitar, se nosso amor por Ele falhará em nos guiar e manter em Seu caminho, se desertarmos do Divino e dos enérgicos princípios, que esperança podemos acalentar para curar os males e as enfermidades deste mundo? Enquanto esperamos pelo estabelecimento da Casa Universal de Justiça, cuja função é dispor mais definitivamente as amplas linhas que devem guiar as futuras atividades e administração do Movimento, é claramente nosso dever esforçar-nos para obter uma visão tão clara quanto possível da maneira como devemos conduzir os assuntos da Causa e, então, levantarmo-nos com unidade de propósito e determinação para adotá-la e mantê-la em todas as nossas atividades e trabalhos. A FUNDAÇÃO DA CASA DE JUSTIÇA As diversas Assembléias, Locais e Nacionais, constituem hoje as pedras fundamentais sobre a força das quais a Casa Universal deverá, no futuro, ser firmemente estabelecida e erguida. Não até que estas funcionem vigorosa e harmoniosamente pode a esperança pelo término deste período de transição ser realizada. É a nós delegado, cujo mais acalentado desejo é ver a Causa adentrar aquela prometida era de universal reconhecimento e realizações mundiais, fazer tudo que estiver a nosso alcance para consolidar as fundações dessas Assembléias, promovendo, ao mesmo tempo, um mais completo entendimento de seu propósito e mais harmoniosa cooperação por sua manutenção e sucesso. Vamos lembrar também que na raiz da Causa repousa o princípio do indubitável direito do indivíduo à auto-expressão, sua liberdade de declarar sua consciência e colocar seus pontos de vista. Se determinadas instruções do Mestre são, hoje, particularmente enfatizadas e escrupulosamente aderidas, estejamos certos de que nada mais são do que medidas provisórias designadas a proteger e zelar pela Causa em seu presente estado de infância e crescimento até o dia em que esta tenra e preciosa planta tiver suficientemente crescido para ser capaz de resistir à falta de sabedoria de seus amigos e aos ataques de seus inimigos. Vamos também ter em mente que a idéia central da Causa de Deus não é autoridade ditatorial, mas humilde companheirismo, não é poder arbitrário, mas espírito de franca e amorosa consulta. Nada menos que o espírito de um verdadeiro bahá'í pode esperar reconciliar os princípios de mercê e justiça, de liberdade e submissão, de santidade do direito do indivíduo e de auto-entrega, de vigilância, discrição e prudência de um lado, e companheirismo, franqueza e coragem, de outro. DEVERES DOS REPRESENTANTES ELEITOS Os deveres daqueles que os amigos livres e conscienciosamente elegeram como seus representantes, não são menos vitais e comprometidos do que as obrigações daqueles que os escolheram. Sua função é não ditar, mas consultar, e consultar não apenas entre si, mas tanto quanto possível com os amigos a quem representam. Devem ver a si mesmos sob nenhuma outra luz, que não aquela de instrumentos escolhidos para uma mais eficiente e digna representação da Causa de Deus. Eles não devem ser deixados a supor que são os ornamentos centrais do corpo da Causa, intrinsecamente superior a outros em capacidade ou mérito, e promotores únicos de seus ensinamentos e princípios. Devem abordar sua tarefa com extrema humildade, e se empenhar, com mente aberta, com auto-senso de justiça e dever, franqueza, modéstia e inteira devoção ao bem-estar e interesses dos amigos, da Causa e da humanidade, para ganhar, não somente a confiança e genuíno apoio e respeito daqueles a quem servem, mas também sua estima e real afeição. Devem, em todos os momentos, evitar o espírito de exclusividade, e atmosfera de segredo, libertar-se de uma atitude de domínio, e banir todas as formas de preconceito e paixão por suas deliberações. Devem, dentro dos limites da sábia discrição, fazer dos amigos seus confidentes, inteirá-los de seus planos, compartilhar com eles seus problemas e ansiedades, e buscar seu parecer e conselho. E, quando forem convocados para chegar a uma determinada decisão, devem, depois de desapaixonada, interessada e cordial consulta, voltarem-se para Deus em oração, e com sinceridade e convicção e coragem, anotar seus votos e aquiescer à voz da maioria, a qual é nos dita pelo Mestre como a voz da verdade, jamais a ser desafiada, e sempre globalmente reforçada. A esta voz, os amigos devem entusiasmadamente responder, e vê-la como o único meio que pode assegurar a proteção e o avanço da Causa. ELEIÇÃO DE DELEGADOS Novamente, solenemente apelo a cada um de vocês e renovo meu único pedido com todo ardor de minha convicção, para fazer, antes e durante a iminente Convenção, mais um novo esforço, desta vez mais espontâneo e desprendido do que antes, e se empenharem para assumir sua tarefa - a eleição de seus delegados, bem como, seus representantes nacionais e locais - com aquela pureza de espírito que sozinha pode realizar o mais acalentado desejo de nosso Bem-Amado. Vamos recordar Suas explícitas e freqüentemente repetidas asseverações que cada Assembléia eleita nessa rarefeita atmosfera de abnegação e desprendimento é, em verdade, apontada por Deus, que seu veredicto é verdadeiramente inspirado, que um e todos devem se submeter a suas decisões sem reservas e com alegria. Vamos nos esforçar para primeiro cumprir essas condições, difíceis embora essenciais, em nossas vidas, para que com contentamento e certeza, possamos fazer deste novo ano de atividades um ano de abundantes bênçãos, de realizações sem precedentes. Que este mais acalentado desejo seja realizado! 20 - 24 DE SETEMBRO DE 1924 Aos amados do Senhor e às servas do Misericordioso em todo o continente americano. Queridos amigos, Retorno à Terra Santa com um sobrepujante sentimento de gravidade com relação ao estado de espírito da Causa no mundo. Por muito que deplore os efeitos perturbadores de minhas forçadas e repetidas ausências do campo do serviço, posso, sem hesitação, assegurar-lhes que meu último e momentoso passo foi dado com extrema relutância e somente após madura e intensa reflexão quanto ao melhor meio de salvaguardar os interesses de uma Causa preciosa. Minha prolongada ausência, minha completa inação não devem, contudo, ser somente atribuídas a certas manifestações externas de desarmonia, de descontentamento e deslealdade - embora paralisar seu efeito esteja na seqüência de meu trabalho - mas também a meu próprio desmerecimento e às minhas imperfeições e fraquezas. Atrevo-me a lhes solicitar para unirem-se a mim em mais uma oração, desta vez mais ardente e universal que antes, suplicando em uníssono ao misericordioso Mestre para não considerar nossas fraquezas e defeitos, e nos tornar Seus filhos mais merecedores e mais corajosos. NOSSA VIDA INTERIOR A humanidade, através de sofrimento e provações, está movendo-se velozmente ao encontro do seu destino; se perdermos tempo, se falharmos em desempenhar nossa parte, seguramente, outros serão chamados para executar nossa tarefa como ministros para as gritantes necessidades deste mundo aflito. Não pela força dos números, não pela mera exposição de um conjunto de novos e nobres princípios, não por uma organizada campanha de ensino - não importa quão mundialmente vasta e elaborada em seu caráter - nem mesmo pela fidelidade de nossa fé ou a exaltação de nosso entusiasmo, podemos no final esperar defender aos olhos de uma crítica e céptica era a suprema reivindicação da Revelação de Abhá. Uma coisa e somente uma coisa irá infalivelmente e tão somente assegurar o indubitável triunfo desta sagrada Causa, ou seja, na medida em que nossa vida interior e caráter particular espelhem, em seus múltiplos aspectos, o esplendor daqueles eternos princípios proclamados por Bahá'u'lláh. Revendo aqueles sombrios dias de minha ausência, amargurados por sentimentos de ansiedade e melancolia, posso lembrar com estima e gratidão aquelas inconfundíveis evidências de sua afeição e constante dedicação que recebi de tempos em tempos, e que serviram para aliviar, em uma medida nada pequena, o fardo que carregava tão pesadamente em meu coração. Posso bem imaginar o grau de dificuldade, não, de aflição, que deve ter agitado a mente e alma de cada amoroso e leal servo do Bem-Amado durante esses longos meses de ininterrupto e angustiante silêncio. Mas, asseguro-lhes que tão marcante solicitude demonstrada por vocês para com a proteção de Sua Causa, tal tenacidade de fé e incessantes atividades que desempenharam para sua promoção, pode tão somente no final ser recompensada por 'Abdu'l-Bahá, Quem, de Seu Grau nas alturas, é a fiel testemunha de tudo que atravessaram e sofreram por Ele. O ALVORECER DE UM DIA MAIS RESPLANDECENTE E agora ao olhar para o futuro, tenho esperança de ver os amigos em todos os momentos, em todos os lugares, e com todas as nuances de pensamentos e caráter, voluntária e alegremente reunirem-se ao redor de seus locais, e em particular, nacional centros de atividades, sustentando e promovendo seus interesses com total unanimidade e contentamento, com perfeito entendimento, genuíno entusiasmo e permanente vigor. Esta é, em verdade, a única alegria e anelo de minha vida, pois é a principal fonte da qual todas as futuras bênçãos fluirão, e a ampla base sobre a qual a segurança do Edifício Divino deverá por fim repousar. Não devemos esperar que agora, por fim, o alvorecer de um dia mais resplandecente está surgindo sobre nossa amada Causa? 21 - 24 DE NOVEMBRO DE 1924 Aos meus ternamente amados irmãos e irmãs em 'Abdu'l-Bahá. A/C da Assembléia Espiritual Nacional Americana. Mui queridos amigos, Está próximo o alvorecer do dia, pela terceira vez, quando comemoraremos em todo o mundo o passamento de nosso bem-amado 'Abdu'l-Bahá. Não devemos parar por um momento, e refletir? O que aconteceu conosco, Seu pequeno grupo de seguidores, desde aquele dia? Para onde estamos agora marchando? Quais foram nossas realizações? O PERIGO DO CAOS SOCIAL O que devemos fazer é voltar nossos olhos para o mundo sem atentar para a ferocidade e a magnitude das forças da escuridão que estão lutando contra a nascente luz da Revelação de Abhá. As nações, embora exauridas e desiludidas, aparentemente começaram a acalentar de novo um espírito de vingança, de dominação e disputa. Os povos, convulsionados por revoltas econômicas, estão vagarosamente sendo levados a dois campos opostos com todos os seus perigos de caos social, ódio de classes e ruína mundial. Raças, mais alienadas do que nunca antes, estão cheias de desconfiança, humilhação e medo, e parecem se preparar para um novo e fadado encontro. Credos e religiões, presos neste redemoinho de conflito e paixão, parecem olhar com impotência e desespero este espetáculo de incessante agitação. Tal é a situação da humanidade nestes três anos após o passamento dEle, de cujos lábios emanaram ininterruptamente a mensagem asseguradora de uma salvação Divina que rapidamente se aproxima. Estamos nós, através de nossos pensamentos, nossas palavras, nossas ações, seja individual ou coletivamente, preparando o caminho? Estamos nós apressando o advento do Dia que Ele tão freqüentemente prenunciou? Ninguém pode negar que a chama da fé e amor que Sua poderosa mão acendeu em muitos corações continuou, apesar de nossa aflição, a arder tão brilhante e firmemente como nunca antes. Quem pode questionar que Seus amados, tanto do Ocidente como do Oriente, não obstante os insidiosos esforços dos inimigos da Causa, demonstraram um espírito de inabalável lealdade digna do mais elevado louvor? Qual maior perseverança e coragem moral do que aquela que Seus fiéis e constantes amigos demonstraram diante de inexprimíveis calamidades, intolerável opressão e incríveis restrições? Porém tal inexorabilidade de fé, tal ilibado amor, tal magnífica lealdade, tal constância heróica, tão nobre coragem, ainda que sem precedentes e louváveis em si mesmos, não podem sozinhos levar-nos ao final e completo triunfo de tão grandiosa Causa. Não até que o dinâmico amor que temos por Ele seja suficientemente refletido em seu poder e pureza em todos as nossas associações com nossos semelhantes, mesmo que remotamente ligados e humildes em origem, podemos esperar exaltar aos olhos de um mundo egoísta a genuinidade do todo conquistador amor de Deus. Não até que nós mesmos vivamos a vida de um verdadeiro bahá'í, podemos esperar demonstrar a criativa e transformadora potência da Fé que professamos. Nada a não ser a abundância de nossas ações, nada a não ser a pureza de nossas vidas e a integridade de nosso caráter, podem, em último recurso, estabelecer nossa reivindicação de que o espírito bahá'í é neste dia a única agência que pode traduzir o longamente acalentado ideal de uma realização duradoura. O DEVER SUPREMO DE TODO BAHÁ'Í Com esta visão claramente estabelecida diante de nós, e fortalecida pelo conhecimento da misericordiosa ajuda de Bahá'u'lláh e pelas repetidas asseverações de 'Abdu'l-Bahá, vamos primeiro nos esforçar para viver a vida e então levantar-nos com um só coração, uma mente, uma voz, para reforçar nossos números e alcançar nosso fim. Vamos lembrar, e buscar nesta triste ocasião o conforto das últimas vontades de nosso falecido, mas sempre vigilante Mestre: "...Não devem descansar, nem que seja por um momento, nem buscar repouso. Devem se dispersar por todas as terras, passar por todas as plagas e viajar através de todas as regiões. Despertos, infatigáveis, constantes até o fim, devem eles erguer em toda parte o brado triunfal: 'Yá Bahá'u'l-Abhá!' [Ó Tu, Glória das Glórias!]; devem ganhar renome no mundo, onde quer que forem, arder intensamente como uma vela, em toda reunião e em toda assembléia devem acender a chama do amor divino; para que a luz da verdade surja resplandecente no próprio coração do mundo, e uma vasta assembléia, por todo o Oriente e todo o Ocidente, reúna-se à sombra do Verbo de Deus, a fim de que as doces fragrâncias da santidade possam ser difundidas, as faces brilhem radiantemente, os corações sejam imbuídos do Espírito Divino e as almas tornem-se celestiais. Nestes dias, a mais importante de todas as coisas consiste em guiar as nações e os povos do mundo. Ensinar a Causa é da máxima importância, pois é a pedra angular do próprio alicerce. Este servo injustiçado tem passado os dias e as noites a promover a Causa e a exortar os povos a servi-la. Nem por um momento sequer, pôde ele descansar, enquanto não difundisse pelo mundo a fama da Causa de Deus e clamasse ao Oriente e Ocidente as melodias celestiais do Reino de Abhá. Os amados de Deus devem seguir este exemplo. Este é o segredo da fidelidade, este é o requisito da servitude ao Limiar de Bahá!"(19) (19) ('Abdu'l-Bahá, A Última Vontade e Testamento, pp. 11-12) Uma vez apreendido o significado destas palavras, obtido um claro entendimento do verdadeiro caráter de nossa missão, os métodos a serem adotados, o curso a ser seguido, e ter atingido suficiente regeneração individual - o essencial requisito do ensino - vamos nos levantar para ensinar Sua Causa com retidão, convicção, compreensão e vigor. Que este seja o supremo e mais urgente dever de todo bahá'í. Vamos fazer dele a paixão dominante de nossas vidas. Vamos nos espalhar por absolutamente todos os cantos da terra; sacrificar nossos interesses pessoais, conforto, gostos e prazeres, mesclar-nos aos diversos seres e povos do mundo; familiarizar-nos com seus modos, tradições, pensamentos e costumes; levantar, estimular e manter interesse universal no Movimento e, ao mesmo tempo, empenhar -nos por todos os meios ao nosso alcance, através de concentrada e persistente atenção, para angariar a lealdade sem reservas e o ativo apoio dos mais esperançosos e receptivos dentre nossos ouvintes. Vamos também ter em mente o exemplo que o nosso amado Mestre claramente estabeleceu diante de nós. Sábio e cauteloso em Sua abordagem, alerta e atencioso em sua comunicação, abrangente e liberal em todas as suas declarações públicas, cuidadoso e gradual na apresentação das verdades essenciais da Causa, passional em Seu apelo, embora sóbrio na argumentação, seguro em Seu tom, inabalável em Sua convicção, digno em Seus modos - tais eram as características distintivas da nobre apresentação da Causa de Bahá'u'lláh por nosso Bem-Amado. Se todos nós escolhermos trilhar fielmente Seu caminho, seguramente não estará longe o dia em que nossa amada Causa terá emergido da inevitável obscuridade de uma jovem e batalhadora Fé para a brilhante luz do dia do reconhecimento universal. Este é nosso dever, nossa primeira obrigação. Nela reside o segredo do sucesso da Causa que tanto amamos. Nela reside a esperança, a salvação da humanidade. Será que estamos totalmente conscientes de nossa responsabilidade? Será que percebemos a urgência, a santidade, a imensidão, a glória de nossa tarefa? Suplico-lhes, queridos amigos, que continuem, não, mais ainda, que redobrem seus esforços, para manterem sua visão clara, sua esperança desobscurecida, sua determinação inabalada, para que o poder de Deus dentro de nós possa inundar o mundo com toda sua glória. Neste fervoroso apelo, une-se a mim a Folha Mais Sagrada. Embora pesarosa na noite de sua vida com os tristes acontecimentos de repressão na Pérsia, ainda assim, volta-se com o mais profundo anelo de seu coração à sua terra onde reina a liberdade, ansiosa e na expectativa de contemplar, antes que seja chamada a partir, os sinais do triunfo universal da Causa que ela ama tão ternamente. 22 - 27 DE NOVEMBRO DE 1924 Aos meus queridos amigos e companheiros de trabalho, os membros da Assembléia Espiritual Nacional Americana. Meus amigos e companheiros de trabalho, As cartas que nosso competente e devotado amigo, sr. Horace Holley, escreveu em seu nome à Folha Mais Sagrada e a mim foram todas recebidas e, junto com seus anexos, lidas com a maior atenção. É de fato extremamente gratificante observar que não obstante o peso e a tensão do crítico período através do qual nossa amada Causa está atravessando, os representantes eleitos dos amigos na América têm, com fé inflexível, indômita coragem e evidente habilidade, perseverado em sua tarefa e cumprido com seus árduos deveres. A esplêndida contribuição que destes aos esforços de seus companheiros de trabalho na Inglaterra em relação à Conferência sobre as Religiões Vivas no Império Britânico, nós todos comovidamente agradecemos e a vemos como uma clara evidência do crescente poder e solidariedade da Causa de Deus. Tanto no admirável documento que elaborastes para ser delineado e preparado e, na pessoa de seu devotado, confiável e talentoso presidente que desempenhou seu dever com absoluta fidelidade e elevada distinção, prestastes à Causa de Bahá'u'lláh um novo e eminente serviço. Que os resultados alcançados emprestem um novo ímpeto à progressiva marcha da Causa no Ocidente. As recentes medidas que adotastes em vista da necessidade de promover maior confiança e uma mais ampla medida de entendimento e cooperação entre o corpo dos crentes e as Assembléias Nacional e Locais, serão, estou confiante, de grande valor, e claramente indicam que estais totalmente conscientes da verdadeira posição, privilégios e responsabilidades de cada Assembléia Bahá'í. O MASHRIQU'L-ADHKÁR Todos nós ansiamos por sábias e efetivas medidas para a conclusão do Mashriqu'l-Adhkár, e fervorosamente suplicamos ao Todo-Generoso para ricamente abençoar nosso trabalho de ensino a fim de que nossos números possam ser reforçados ainda a tempo de que homens, com meios suficientes à sua disposição possam voluntária e abundantemente apoiar este vasto e nobre empreendimento. Confio que não mais encontrareis obstáculos para receber o apoio necessário para fazer face às necessidades imediatas desta Universal Casa de Adoração, conforme ficou decidido em sua recente reunião geral em Chicago. REVISTA BAHÁ'Í O Star of the West, a última edição a qual li com genuína satisfação, fez reconhecidamente um notável avanço em direção ao ideal que fora estabelecido pelo Mestre. Os artigos em linhas humanitárias gerais, bem concebidos, apropriadamente abordados, e poderosamente apresentados, deveriam ter seu próprio lugar em cada impressão junto com as narrativas da história e do ensino da Causa, pois retratará, para o bahá'í e não-bahá'í igualmente, a beleza única, bem como, o impulsionante poder do espírito bahá'í. Assuntos políticos e partidários em seu caráter devem ser cuidadosamente evitados uma vez que estes sempre levam a embaraçamentos que seriam não somente fúteis, mas seguramente prejudicais. Os crescentes esforços desempenhados por meus amados irmãos e irmãs na América, tanto individual como coletivamente, e a ação praticada por vocês no sentido de constituir um Comitê de Ensino regional é de vital importância para a difusão da Causa no presente estágio de nosso trabalho. Sinto que devemos todos colaborar para ampliar seu escopo, intensificar sua influência, assegurar sua continuidade e nos empenhar para subordinar toda e qualquer atividade à esta mais urgente e vital tarefa. É nosso dever penhorado fazer tudo que está ao nosso alcance para dar à Causa, dia a dia uma maior publicidade, para manter e estimular o interesse despertado, e concentrar ao mesmo tempo nossa atenção em alguns poucos escolhidos, empenhando-nos com muito tato e persistente-mente para fazer deles apoiadores sinceros e sem reservas da Fé Bahá'í. Estou profundamente consciente das múltiplas e inevitáveis dificuldades confrontadas por vocês em seus trabalhos para a administração dos assuntos da Causa. Longas distâncias; pessoais preocupações profissionais; número insuficiente de capazes e experientes instrutores, impedidos pela necessidade de ganhar seu meio de vida; a inadequação dos meios à sua disposição, financeiros e outros; as prevalecentes tendências no pensamento geral, sentimentos e maneiras das pessoas em cujo meio trabalham - tudo isto, embora obstáculos insuperáveis no momento presente, serão, se permanecermos firmes e fiéis, um a um removidos, e pavimentarão o caminho para a derradeira ascendência da Causa e a frutificação e o triunfo de nossos trabalhos. Quanto ao planejado livro de orações, sinto a necessidade de uma compilação especialmente preparada de orações de Bahá'u'lláh e 'Abdu'l-Bahá destinadas ao público em geral, as quais, não somente seriam de valor para propósitos devocionais, como também, agiriam como um renovado incentivo àquelas ansiosas e inspiradoras mentes. Estou incluindo cópias de orações, as quais talvez não tenham recebido e confio que lhes enviarei mais no futuro. Ficaria contente em receber quaisquer particularidades que possam querer que eu considere quanto a este assunto. Nossa incansável e devotada irmã, dra. Moody (a serva do Altíssimo), para seu profundo pesar teve que descontinuar por algum tempo os inestimáveis e únicos serviços que vinha prestando à Causa na Pérsia. Ela está seguindo para a América, e lhes fará conhecer o deplorável estado dos assuntos naquele infeliz país. Terão em primeira mão a visão dela da atual condição e atividades de nossos por tanto tempo sofridos amigos na Pérsia, e ela estará se aconselhando com vocês sobre qual a melhor maneira de enfrentar as necessidades e servir a Causa da Educação em Teerã. Tenho esperança e oro para que, tão logo as circunstâncias permitam, os amigos na América possam habilitar a dra. Moody a levar com ela de volta à Pérsia, competentes e ardorosos colaboradores que irão contribuir com sua distinta parcela para o engrandecimento e avanço de seus irmãos e irmãs naquele país. Com relação à revista... sinto que devemos fazê-la inequivocamente simples para aqueles encarregados dela, de modo que os bahá'ís respondam contente e agradecidamente ao convite para cooperar com aqueles que são responsáveis por ela, tão logo estejam totalmente confiantes de que nada é ou será publicado por eles, seja na revista ou em qualquer outro lugar, que, ainda que indiretamente, prejudicaria ou refletiria sobre sua concepção daquilo que o Movimento Bahá'í é ou representa. Se isto for rejeitado, e inamistosos e nocivos assuntos forem publicados contra eles, a atitude de todos nós deve ser de uma clara recusa em ajudar e absoluta não-interferência, bem como, a ausência de qualquer forma de retaliação, a qual, em vez de alcançar nosso fim, destruiria nosso propósito. Devemos deixá-los nas mãos de Deus. Quanto à sugestão para que a Convenção Anual seja realizada no próximo verão em Green Acre, creio que a mesma é sábia e vantajosa, e confio que formará mais uma ligação entre os bahá'ís como um corpo e seus fundadores e fiduciários, e servirá para aproximá-los cada vez mais da forma externa, bem como, do espírito das atividades dos amigos na América. A ajuda financeira recentemente encaminhada pelos amigos da América aos seus companheiros de trabalho na Fé em Qádíyán, Punjab, concedeu a todos nós imensa satisfação e nos tornou profundamente gratos. Sua contribuição foi imediatamente repassada a eles através da Assembléia Espiritual Nacional da Índia e Burma, e irá, estou certo, intensificar o prestígio e a influência da Causa. Sinto que as condições são agora favoráveis para a circulação da Última Vontade e Testamento de 'Abdu'l-Bahá somente na forma manuscrita e entre os crentes reconhecidos na América. A cada um desses crentes deve ser confiada uma cópia deixando expressamente claro que nenhuma cópia duplicata ou extratos devem ser feitos ou publicados em lugar algum. ANUÁRIO BAHÁ'Í A sugestão feita pelo meu querido e competente amigo, sr. Horace Holley, referente à compilação do "Bahá'í Year Book" [Anuário Bahá'í] é extremamente valiosa e oportuna. Fiquei muito bem impressionado com a mesma, e sinto que deveria ser iniciado imediatamente. Creio que pode agora ser melhor empreendida sob a direção e supervisão de sua Assembléia até chegar o momento em que os amigos no Oriente, e particularmente na Pérsia, participem efetivamente de seu desenvolvimento. Confio que irão me enviar uma cópia do esqueleto do material que propuseram incluir, e daqui tentarei preencher quaisquer lacunas e prestar qualquer ajuda que possa para torná-lo tão completo, tão atraente e tão oficial quanto possível. Envio através de meu querido irmão, sr. M. Mills, diversas relíquias e Epístolas de nosso amado 'Abdu'l-Bahá, os únicos e inestimáveis tesouros do devotado jardineiro do Santuário de Bahá'u'lláh, Ustád Abu'l-Qasim Khurasání, que os ofereceu para serem preservados em seu nome nos Arquivos dos amigos na América. Espero poder enviar-lhes no futuro, preciosos acréscimos aos que o Comitê dos Arquivos já coletou, e me permitam expressar, referente a isto, àqueles que conceberam tão admirável plano, minha profunda admiração e cordial gratidão. Desejo assegurar-lhes, ao concluir, de minha prontidão e genuíno anseio em lhes ajudar e servir no máximo de minha habilidade. Entendo perfeitamente a imensa carga que pesa em seus ombros, e estou permanentemente consciente da singular e eminente parcela que estão contribuindo para o avanço da Causa. Desejo a todos vocês, do fundo do meu coração, completa satisfação em seu glorioso trabalho. Nosso amado Mestre seguramente está nos observando do Reino do Além, Seus filhos a quem Ele tão bem nutriu e amou e, certamente, irá guiá-los em cada passo que derem, e coroar seus pacientes esforços com notável sucesso. Seu irmão e companheiro de trabalho, 23 - 16 DE JANEIRO DE 1925 Aos meus ternamente amados amigos, membros da Assembléia Espiritual Nacional Americana. Meus queridos e preciosos companheiros de trabalho, As três comunicações datadas de 19 de novembro, 22 de novembro e 22 de dezembro, que recentemente recebi do infatigável servo de Bahá'u'lláh, meu estimado irmão espiritual, sr. Holley, trouxeram-me grande satisfação e me incentivaram e sustentaram em meu trabalho. Li muito cuidadosamente as minutas de sua reunião de dezembro e fiquei particularmente satisfeito em perceber em muitos aspectos o notável avanço que fizeram no estabelecimento da Causa sobre uma mais ampla e firme fundação. A HISTÓRIA DA CAUSA Com referência à necessidade, tão freqüentemente expressada, de uma autêntica e completa história da Causa, estou feliz em lhes informar sobre a ação desempenhada pela Assembléia Espiritual Nacional da Pérsia no sentido de instruir e incitar as Assembléias Locais em todo o país para imediatamente darem passos visando a formação em cada localidade de um comitê especial, o qual buscará assistência e testemunho para com os remanescentes dos primeiros crentes e pioneiros da Causa na Pérsia, ao coletarem muito cuidadosamente todas as evidências disponíveis e dados para a compilação de uma completa, confiável e representativa história do Movimento desde seu mais cedo alvorecer até os dias atuais. Comuniquei-me com a Assembléia Nacional da Pérsia, referente à esta urgente e vital necessidade, e sinto que não está longe o tempo em que uma livre tradução em inglês desta comovedora narrativa, bem como, uma compacta forma da mesma, estará disponível tanto para os bahá'ís como para o público em geral no Ocidente. Os esforços recentemente desempenhados pelo Comitê de Publicação tão claramente refletidos nas minutas de sua reunião de 2 de novembro de 1924, uma cópia da qual li com a mais dedicada atenção, indicam a eficiência, o zelo e a determinação com os quais eles estão conduzindo este ramo vital das atividades bahá'ís. O escopo de seu eficiente trabalho está se expandindo rapidamente, e desejo assegurá-los, a cada um e todos, de minhas orações pela frutificação de seus esforços e o crescente desenvolvimento e consolidação de seu trabalho. Ultimamente não tem havido novos acontecimentos quanto à situação da Casa de Bagdá. O caso, que agora está sob a deliberação da corte de Primeira Instância, foi adiado por algum tempo e ainda ansiosamente aguardamos a decisão desta corte. Qualquer esperança de uma imediata e final solução deste intricado problema parece remota no momento. Se acontecer de sermos bem sucedidos, o caso pode ainda ser referido à Corte de Apelação - a mais alta do país - por nossos poderosos oponentes e caso sua decisão seja a nosso favor, o governo pode, a qualquer momento - uma vez que isso não parece impossível - decidir por reter as chaves em sua custódia, para adiar indefinidamente o cumprimento de um veredicto visando mitigar a feroz hostilidade dos elementos do clero, bem como, da população xiita do Iraque. Caso ocorra uma crise, imediatamente lhes informarei e procurarei definir mais claramente quaisquer medidas que eu sinta devam ser tomadas pelas Assembléias americanas para assegurar a segurança da Casa de Bahá'u'lláh. PERIÓDICOS BAHÁ'ÍS Quanto à publicação de periódicos bahá'ís na América, não há dúvida alguma de que todo indivíduo bahá'í está livre para fundar e dirigir uma revista própria, precavendo-se para que nada seja nela publicado que, na consideração da Assembléia Nacional, incline-se, no menor grau que seja, a ser prejudicial ou injuriar os mais elevados interesses da Causa. Dentro desses limites, e somente desses limites, a iniciativa particular não deve de forma alguma ser desencorajada e é, de fato, altamente louvável. A Assembléia Nacional deve, contudo, exercer seu julgamento quanto até que ponto os recursos à sua disposição possibilita-os a ajudar financeiramente os empreendimentos individuais dos amigos. Caso a resposta dos amigos e das Assembléias aos apelos feitos em nome do Fundo Nacional seja imediata, mantida e generosa, a Assembléia Nacional, estou certo, justificará sua simpatia, boa vontade e genuína cooperação com todo empreendimento bahá'í individual. Eu vigorosamente estimularia, contudo, não, mais ainda, suplicaria aos amigos neste estágio inicial do nosso trabalho para não dissipar seus esforços, mas procurar, após franca, madura e contínua deliberação, chegar a uma conclusão comum quanto às mais urgentes exigências e necessidades de nosso momento, e uma vez tendo unificado sua visão, esforçarem-se para manter e reforçá- las com prontidão, dedicação e compreensão. NOTICIOSOS A primeira edição impressa do noticioso da Assembléia Nacional preparado e assinado em nome da Assembléia por seu competente secretário, firma-se como um brilhante e eloqüente testemunho de sua meticulosidade, sua diligência, sua conspícua habilidade, seu indubitável auto-sacrifício. A Causa está entrando agora em uma nova era de renovadas e combinadas atividades. Seu método de apresentação foi inquestionavelmente melhorado, e este avanço geral em seu padrão é, em uma medida nada pequena, atribuível à distintiva capacidade de sua Assembléia. Minhas constantes orações são para que Ele que observa e inspira suas múltiplas atividades possa abençoar mais ricamente do que nunca antes seus nobres empreendimentos. REUNIÕES NO TEMPLO Com referência à questão de se realizar reuniões no "Salão da Pedra Fundamental" do Mashriqu'l-Adhkár, sinto que aquele auditório deve servir tanto para o propósito de reuniões devocionais onde a Palavra revelada de Deus é lida e entoada, como para reuniões em que assuntos estritamente bahá'ís são apresentados, propostos e debatidos. Não tenho dúvida de que todo consciente e refletido bahá'í irá, escrupulosamente em todos os momentos, observar o mandamento de Bahá'u'lláh e as instruções de 'Abdu'l-Bahá relacionadas à preservação do sagrado, da dignidade e universalidade de um edifício que tornar-se-á, dentro de algum tempo, a universal Casa de Adoração de Deus. Que as bênçãos de nosso Todo-Poderoso Mestre estejam sobre suas deliberações. Seu verdadeiro irmão, 24 - 29 DE JANEIRO DE 1925 Aos estimados membros da Assembléia Espiritual Nacional Americana. Meus bem-amados e preciosos companheiros de trabalho, Examinei sua recente comunicação, datada de 29 de dezembro, e assinada em seu nome por seu atento e competente secretário, com um interesse e atenção dignos da suprema importância dos assuntos nela mencionados. A questão da revisão da versão em inglês das Palavras Ocultas, em vista da rapidez da venda das cópias recentemente impressas, é de urgente importância. Tão logo minhas múltiplas preocupações permitam-me, estarei aproveitando a oportunidade da afortunada viagem do dr. Esslemont à Terra Santa para colaborar com ele em quaisquer alterações necessárias ao texto. Vigorosamente espero, exceto no caso de circunstâncias imprevisíveis, empreender esta tarefa no decorrer do próximo mês. Em relação às fundamentais questões sobre procedimentos gerais mencionados em sua carta, sinto que os princípios básicos, estabelecidos, mas concisamente apresentados em minhas cartas anteriores, os quais devem orientar a administração dos assuntos do Movimento Bahá'í, pendentes da formação definitiva da primeira Casa Universal de Justiça oficial, devem ser muito mais detalhadamente asseverados, elucidados e explanados, para o total conhecimento de todos os membros individualmente da ampla e crescente comunidade de crentes na América. A CONVENÇÃO NACIONAL Até agora a Convenção Nacional tem sido primordialmente convocada para a consideração de diversas circunstâncias que se aplicam à eleição da Assembléia Espiritual Nacional. Sinto, contudo, que em vista da expansão e crescente importância da esfera administrativa da Causa, o sentimento geral e tendências prevalecentes entre os amigos, e os sinais cada vez maiores de interdependência entre as Assembléias Espirituais Nacionais no mundo, os representantes oficiais congregados dos crentes americanos devem exercer não somente o vital e responsável direito de eleger a Assembléia Nacional, mas devem também cumprir as funções de um iluminado, consultivo e cooperativo corpo que enriquecerá a experiência, intensificará o prestígio, apoiará a autoridade e preservará as deliberações da Assembléia Espiritual Nacional. É minha firme convicção que é dever penhorado, no interesse da Causa que todos nós amamos e servimos, dos membros da recém formada Assembléia Nacional, uma vez eleitos pelos delegados durante a Convenção, de procurar e ter a máxima consideração, individual bem como coletivamente, pelo conselho, pela estimada opinião e os verdadeiros sentimentos dos delegados congregados. Banindo quaisquer vestígios de segredo, de indevida reticência, de afastamento ditatorial, do meio deles, eles devem radiante e abundantemente desdobrar aos olhos dos delegados, por quem eles são eleitos, seus planos, suas esperanças e suas preocupações. Devem familiarizar os delegados com os diversos assuntos que deverão ser considerados no ano corrente, e tranqüila e conscienciosamente estudar e pesar as opiniões e julgamentos dos delegados. A recém- eleita Assembléia Nacional, durante os poucos dias em que a Convenção está em sessão e após a dispersão dos delegados, devem buscar caminhos e meios para cultivar o entendimento, facilitar e manter o intercâmbio de visões, aprofundar a confiança e reivindicar através de cada evidência tangível seu desejo único de servir e fomentar o bem-estar comum. Não freqüentemente, não, melhor, muitas vezes, o mais humilde, iletrado e inexperiente dentre os amigos irá, pela absoluta inspiradora força do desprendimento e ardente devoção, contribuir com uma distinta e memorável parcela para uma altamente envolvida discussão de uma determinada Assembléia. Grande deve ser o respeito prestado por aqueles a quem os delegados convocaram para servir em elevada posição a esta toda importante embora indiscernível manifestação do poder revelador de sincera e dedicada devoção. A ASSEMBLÉIA ESPIRITUAL NACIONAL A Assembléia Espiritual Nacional, contudo, em vista de inevitáveis limitações impostas sobre a convocação das freqüentes e demoradas sessões da Convenção, terá que reter em suas mãos a decisão final sobre todas as questões que afetam os interesses da Causa na América, tais como o direito de decidir se uma Assembléia local está funcionando de acordo com os princípios estabelecidos para a condução e o avanço da Causa. É minha mais fervorosa oração para que eles venham a utilizar sua extremamente responsável posição, não somente para a sábia e eficiente condução dos assuntos da Causa, mas também para a expansão e o aprofundamento do espírito de cordialidade e dedicação e apoio mútuo em sua cooperação com o corpo de seus colaboradores em todo o continente. Os assentos dos delegados na Convenção, ou seja, o direito de decidir sobre a validade das credenciais dos delegados em uma determinada Convenção, está investido na Assembléia Nacional que se despede, e o direito de decidir sobre quem tem o privilégio de votar está também, em última instância, colocado nas mãos da Assembléia Espiritual Nacional, seja quando uma Assembléia Espiritual Local está sendo formada pela primeira vez em uma determinada localidade ou quando diferenças surgem entre uma nova aspirante e uma já estabelecida Assembléia Local. Enquanto a Convenção está em sessão e os delegados oficiais já elegeram, dentre os crentes em todo o país, os membros da Assembléia Espiritual Nacional para o corrente ano, é de infinito valor e uma suprema necessidade que tanto quanto possível, todas as questões que requerem decisão imediata sejam completa e publicamente consideradas, e um esforço deve ser feito para obter, após madura deliberação, unanimidade nas decisões vitais. Em verdade, sempre foi o acalentado desejo de nosso Mestre, 'Abdu'l- Bahá, que os amigos em seus conselhos, tanto locais como nacionais, devem através de sua franqueza, sua honestidade de propósito, sua individualidade de mente, e a minuciosidade de suas discussões, obter unanimidade em todas as coisas. Caso isto, em alguns casos, prove ser impraticável, o veredicto da maioria deve prevalecer, para cuja decisão a minoria deve, sob todas as circunstâncias, contente, espontânea e continuamente submeter-se. Nada menos do que o todo envolvente, todo penetrante poder de Sua Guia e Amor pode capacitar esta recém-abraçada ordem a reunir forças e florescer em meio a tempestade e a tensão de uma turbulenta era e, na plenitude do tempo, reivindicar seu elevado direito de ser universalmente reconhecida como o único Refúgio de permanente felicidade e paz. Referente ao panfleto intitulado O Falecimento de 'Abdu'l-Bahá,(20) creio que algum material adicional, consistindo principalmente de umas poucas seleções dos mais destacados jornais americanos, ampliaria seu valor e expandiria seu escopo. Ficarei feliz em receber uma cópia da edição reimpressa, e lhes desejo sucesso em seu empreendimento. (20) Este texto encontra-se na Introdução da 3a edição do A Última Vontade e Testamento de 'Abdu'l-Bahá. (n.e.) Meu ternamente amado amigo e companheiro de trabalho, sr. Mountfort Mills, está agora comigo em Haifa, e sem demora irá se unir a vocês no desempenho de seus múltiplos e árduos deveres. Valorizo imensamente sua assistência na difícil tarefa e nos complexos e freqüentemente urgentes problemas que se colocam diante de mim, e confio que seu retorno à América emprestará um novo ímpeto ao glorioso trabalho de serviço que estão rendendo à Causa de Bahá'u'lláh. Desejo-lhes sucesso de todo meu coração. Seu irmão e companheiro de trabalho, 25 - 10 DE ABRIL DE 1925 Aos membros da Assembléia Espiritual Nacional Americana. Meus ternamente amados companheiros de trabalho, As comunicações de seu eminente secretário recebidas recentemente, datadas de 8 de janeiro, 6 de fevereiro e 13 e 17 de março, contendo os anexos - minutas, relatórios e cartas, foram lidas com profundo interesse e genuína satisfação. Os métodos que seguis, as novas medidas para divulgação que adotastes, a confiança cada vez maior que angariastes, e o grau de apoio, tanto moral como financeiro, que merecidamente recebestes do corpo dos crentes são todos sinais encorajadores que atestam a crescente solidariedade de uma Causa destinada a conferir inestimáveis benefícios à humanidade. Grande é, pois, a promessa do Movimento para o futuro, o qual já revelou de uma extraordinária maneira, a todo observador imparcial, seu indomável espírito de amoroso sacrifício e verdadeiro companheirismo ardendo com irreprimível ardor no seio de seus seguidores tanto na terra de seu nascimento como na grande República do Ocidente. O heroísmo e a força moral demonstrados ultimamente por seus severamente testados adeptos na Pérsia, e as precisas e generosas contribuições dos crentes americanos que espontaneamente responderam ao apelo de seus necessitados irmãos do Oriente serviram para acender a chama do entusiasmo em muitos corações, e consolidar os recentes laços de amizade que provarão ser do mais alto valor para o avanço da Fé Bahá'í. Eu solicitaria especialmente que transmitissem a todos os amigos em nome dos oprimidos bahá'ís da Pérsia, e particularmente dos sofridos sem lar de Nayríz, a expressão de sua mais profunda gratidão e elevada estima. Que as nobres doações da América atraiam como um imã as bênçãos do Todo-Poderoso Doador sobre a tarefa a ser alcançada que ela estabeleceu para si mesma! Estou muito satisfeito em saber sobre as evidências do crescente interesse, da solidária compreensão e fraterna cooperação por parte dos dois competentes e firmes servos do Verdadeiro Deus, dr. H. Randall e dr. Guthrie, cuja participação em nosso trabalho, tenho esperança e oro, ampliará o escopo de nossas atividades, enriquecerá nossas oportunidades e emprestará um renovado ímpeto a nossos empreendimentos. Desejo-lhes felicidade e sucesso de todo o coração. NOTICIOSOS O noticioso que recentemente iniciaram cumpre uma função muito vital e começou admiravelmente bem. Eu estimularia que aumentassem seu escopo, tanto quanto seus recursos permitam, a fim de que no devido tempo possa ser dedicada uma seção especial a cada ramo de suas atividades -administrativa, devocional, humanitária, financeira, educacional e outras. Para que atinja seu objetivo, ele deve combinar as qualidades essenciais de precisão, confiabilidade, minuciosidade, dignidade e sabedoria. Deve se tornar um grande fator na promoção do entendimento, fornecendo informações sobre as atividades bahá'ís, tanto locais como externas, estimulando o interesse, combatendo as más influências, e mantendo e salvaguardando as instituições da Causa. Deve ser tão representativo quanto possível, deve estar repleto de notícias, atualizado em suas informações, e deve despertar o mais vívido interesse entre os crentes e admiradores igualmente em cada canto da terra. Acalento grandes esperanças por seu futuro imediato, e confio que devotarão especial atenção ao seu desenvolvimento, e através da elaboração de medidas bem concebidas e gerais transformarão este noticioso no que, espero, será o principal jornal bahá'í do mundo. TÍTULO DAS ASSEMBLÉIAS Quanto ao título a ser adotado para cabeçalhos, sugiro, dependendo da formação da Casa Universal de Justiça, a frase "Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá'ís dos Estados Unidos e Canadá", mantendo-se a palavra "espiritual" e quanto ao significado do termo "assembléia", restringir para se referir apenas ao corpo dos nove membros eleitos pelos amigos, seja para propósitos locais ou nacionais. REPRESENTAÇÃO NA CONVENÇÃO Anteriormente respondi ao seu cabograma referente à representação de grupos de menos do que nove crentes adultos na Convenção anual e à questão sobre procurações, esta última sendo deixada à discrição da Assembléia Espiritual Nacional. Caso as condições sejam alteradas, e o número de localidades bahá'ís multiplique-se, a situação terá que ser reconsiderada e uma nova base para representação adotada. O MASHRIQU'L-ADHKÁR Referente ao Mashriqu'l-Adhkár, mais uma vez muito enfaticamente, eu instaria aos crentes na América, e pediria que fizessem o máximo que estiver ao seu alcance para atinar com todos os meios possíveis para a remoção de todos compromissos financeiros pendentes assumidos nesta conexão. Lembraria da suprema e urgente necessidade de levantar a quantia total decidida pela Assembléia Espiritual Nacional em sua reunião de Chicago a fim de fazer face às necessidades imediatas desta grandiosa futura Casa de Adoração. Receberei com prazer um completo, oficial e atualizado relatório sobre sua atual situação, seus fundos e compromissos e uma estimativa do custo para que o mesmo seja completado. Concluindo, gostaria de renovar a certeza de minhas fervorosas orações por vocês e por aqueles a quem representam na salvaguarda e promoção dos sagrados interesses de tão preciosa Causa. Estou totalmente ciente da amplitude e delicadeza de sua tarefa, sinceramente agradeço seus infatigáveis esforços e inquebrantável determinação. Estou permanentemente lembrando das asseverações de nosso Mestre referentes a um deslumbrante futuro diante de vocês. Que Seu amor lhes envolva, Seu Espírito lhes guie, e Seu poder lhes capacite a alcançar uma extraordinária vitória. Seu irmão no serviço ao Mestre, 26 - 12 DE MAIO DE 1925 Aos membros da Assembléia Nacional Americana. Ternamente amados companheiros de trabalho, Li com profundo interesse suas duas recentes comunicações datadas de 4 e 18 de abril, e me sinto gratificado ao saber da constante expansão de suas múltiplas atividades. ELEIÇÃO DA ASSEMBLÉIA NACIONAL Referente ao método a ser adotado para a eleição das Assembléias Espirituais Nacionais, está claro que o texto do Testamento do Bem-Amado não nos dá indicação quanto à maneira na qual estas Assembléias devem ser eleitas. Em uma de Suas primeiras Epístolas, entretanto, dirigida a um amigo na Pérsia, está expressamente registrado o seguinte: "Em um determinado momento, todos os amados de Deus em cada país apontam seus delegados, e estes, por sua vez, elegem seus representantes, e estes representantes elegem um corpo, este corpo deverá ser visto como a Suprema Baytu'l-'Adl (Casa Universal de Justiça)." Estas palavras claramente indicam que um terceiro estágio de eleição foi concedido por 'Abdu'l-Bahá para a formação da Casa Internacional de Justiça, e conforme está explicitamente disposto em Sua Última Vontade e Testamento que a "Casa de Justiça Secundária (isto é, as Assembléias Nacionais) devem eleger os membros da Casa Universal", é óbvio que os membros das Assembléias Espirituais Nacionais deverão ser eleitos indiretamente pelo corpo dos crentes (os amados de Deus) em cada país para elegerem um certo número de delegados que, por sua vez, elegerão seus representantes nacionais (Casa de Justiça Secundária ou Assembléia Espiritual Nacional) cuja sagrada obrigação e privilégio será de eleger, oportunamente, a Casa Universal de Justiça de Deus. No caso da indicação dos delegados passar a fazer parte das funções das Assembléias Espirituais Locais, que já são corpos eleitos, o princípio de um quarto estágio de eleição seria introduzido e este seria uma variação das disposições explicitamente determinadas na Epístola do Mestre. Por outro lado, se as Assembléias Espirituais Locais, cujo número de membros está estritamente confinado a nove, elegessem diretamente os membros da Assembléia Espiritual Nacional - mantendo assim o princípio de uma eleição de três estágios - todas as localidades Bahá'ís, que necessariamente diferem em força numérica, teriam que compartilhar igualmente da eleição da Assembléia Espiritual Nacional - uma prática que seria contrária à licitude e justiça. Mais ainda, o princípio central norteador para a presente administração da Causa é fazer as Assembléias Espirituais Nacionais Bahá'ís tão independentes quanto possível na condução daquelas questões que recaem em sua província, e diminuir a embaraçosa influência de qualquer instituição dentro de sua jurisdição que pode, seja direta ou indiretamente, prejudicar sua autoridade e prestígio. LISTA DE MEMBROS Também instaria fortemente aos membros das Assembléias Espirituais Nacionais recém- formadas a darem todos os passos necessários para assegurar que cada Assembléia Local na América, sem qualquer exceção, envie, imediatamente após sua eleição, uma lista completa de seus membros junto com o endereço completo de seu secretário ao secretário nacional, o qual, por sua vez, irá encaminhá-las diretamente a mim, incluindo seu próprio endereço, bem como, a lista dos membros da Assembléia Espiritual Nacional. Será também muito útil, caso as efetivas circunstâncias permitam, encontrar com a integral assistência de cada Assembléia Local modos e meios para a compilação de uma oficial, atualizada e completa lista dos crentes reconhecidos na América, suprida pelos endereços completos da residência permanente de cada crente - essa lista deve ser continuamente revisada de acordo com cada mudança que afete a residência de crentes isolados em diferentes partes do país, bem como, daqueles que fazem parte de grupos ainda numericamente muito pequena para a formação de uma Assembléia Espiritual Local. Por mais desejável que estes passos possam ser, é evidente que são secundários em sua importância e urgência em relação às prementes e sempre crescentes questões que vitalmente afetam a difusão e consolidação do trabalho que estão convocados a desempenhar, e que é meu privilégio apoiar e servir. Estou anexando uma lista preliminar dos centros bahá'ís no mundo, excluindo a Pérsia, a qual, embora inadequada, pode ainda assim, eu confio, ser de alguma ajuda a vocês. Receberia com satisfação quaisquer acréscimos e correções que possam fazer e espero que isto evoluirá em uma valiosa seção do contemplado Bahá'í Year Book. Desejo assegurar-lhes, para finalizar, de meu sincero apreço por seus devotados trabalhos na Vinha Divina. Seu irmão e companheiro de trabalho, 27 - 3 DE JUNHO DE 1925 Aos amados de Deus e às servas do Misericordioso, aos delegados e visitantes da Convenção Bahá'í em Green Acre, Maine, E.U.A. Companheiros de trabalho na Vinha de Deus, Uma vez mais, a mão do poder divino reuniu os representantes escolhidos dos crentes americanos, congregados desta vez em meio ao aprazível ambiente de um abençoado e amado lugar, para deliberar sobre as mais eficientes medidas que assegurarão o avanço da Causa de Bahá'u'lláh. É para mim um prazer e um privilégio oferecer-lhes estes poucos pensamentos como minha humilde contribuição aos procedimentos de sua Convenção anual. Permita-me, de início, reafirmar meu sentimento de gratidão e profundo apreço pela eminente parcela com a qual os amigos na América, individualmente bem como em seus coletivos esforços, têm contribuído para diminuir a carga de responsabilidade e preocupação que tão freqüentemente tem oprimido meu coração. Sua firmeza, sua pródiga dedicação; seu auto- sacrifício em manter e promover as instituições da Causa; o notável avanço que atingiram na coordenação de suas atividades; a extraordinária solicitude que demonstraram, e a magnífica resposta que deram em nome dos oprimidos e necessitados dentre seus irmãos; as medidas que iniciaram, os impedimentos que removeram e os meios e métodos que aperfeiçoaram - estes e outros mais granjearam para vocês a confiança, a estima e admiração de todos os bahá'ís do mundo. Pessoalmente, aprecio e lhes agradeço pelas infalíveis súplicas e especiais orações em meu nome. Estou profundamente tocado por suas expressões de fé inquebrantável, de lealdade e afeição, e inteiramente retribuo seus fraternos sentimentos e seus mais acalentados desejos e presteza em colaborar comigo mais de perto e efetivamente do que nunca. PROPÓSITO DA CONVENÇÃO E agora, com referência a esta próxima Convenção, sinto que o propósito dominante que inspira os congregados amigos, delegados e visitantes igualmente, deve ser duplo, o primeiro é um desafio ao indivíduo, o segundo, uma responsabilidade coletiva. Aquele busca reforçar o poder motivador de nossas atividades espirituais, o segundo objetivo a elevar o padrão da eficiência administrativa tão vitalmente necessitada neste avançado estágio de nosso trabalho. Devemos primeiro e primordialmente empenhar-nos por todos os meios concebíveis para revitalizar nossa preciosa Causa, rudemente abalada pelas constantes vicissitudes advindas da partida deste mundo de um vigilante e misericordioso Mestre. Nosso objetivo seguinte deve ser buscar nos aproximar, através de uma associação mais íntima, mais completa e freqüente consultas, e uma mais próxima familiaridade com o caráter, a missão e os ensinamentos da Causa, daquele padrão de excelência que deve caracterizar os esforços cooperativos das comunidades bahá'ís em todo lugar. Elevados objetivos e motivos puros, embora louváveis em si mesmos, seguramente não serão suficientes se não forem sustentados por medidas práticas e métodos bem fundados. Riqueza de sentimento, abundância de boa-vontade e esforço, provarão ser de pouco valor se falharmos em exercer nosso discernimento e se os refrearmos e negligenciarmos a direção de seu fluxo através dos mais proveitosos canais. A desonerada liberdade do indivíduo deve ser temperada com consulta e sacrifício mútuos, e o espírito de iniciativa e empreendimento deve ser reforçado por uma realização mais profunda da suprema necessidade de uma ação combinada e mais completa devoção ao bem-estar comum. ASSEMBLÉIA ESPIRITUAL NACIONAL Seria impossível, a este ponto, ignorar a indispensabilidade ou superestimar o significado único da instituição da Assembléia Espiritual Nacional - o pivô ao redor do qual revolve as atividades dos crentes no continente americano. Suprema em sua posição, séria em suas responsabilidades, múltiplas e árduas seus obrigações. Quão grandioso o privilégio, quão delicada a tarefa de congregar os delegados cuja função é eleger estes representantes nacionais, que por seu registro de serviço enobrecem e enriquecem os anais da Causa! Se apenas voltarmos nossos olhares para as elevadas qualificações dos membros das Assembléias Bahá'ís, conforme mencionadas nas Epístolas de 'Abdu'l-Bahá, sentimo-nos indignos e desalentados, e nos sentiríamos verdadeiramente desencorajados se não fosse pelo confortador pensamento de que se nos levantarmos para nobremente desempenhar nossa parte as deficiências em nossas vidas serão mais do que compensadas pelo todo conquistador espírito de Sua misericórdia e poder. Por conseguinte, incumbe a todos os delegados escolhidos considerarem sem o menor traço de paixão e preconceito, e independente de qualquer consideração material, somente os nomes daqueles que melhor reúnem as qualidades necessárias de inquestionável lealdade, abnegada devoção, uma mente bem treinada, reconhecida habilidade e experiência madura. Que a recém-nomeada Assembléia Espiritual Nacional - os privilegiados e escolhidos servos da Causa - imortalizem seu período de gestão com atos de amoroso serviço, atos que redundarão da honra, glória e poder do Máximo Nome. A PEDRA FUNDAMENTAL DO SERVIÇO Pediria também a todos os delegados nesta próxima Convenção, e através deles apelo ao corpo maior de crentes a quem representam, para sempre terem em mente a suprema injunção de 'Abdu'l-Bahá, de ensinar incessantemente até que a "principal pedra fundamental do alicerce" da Causa de Deus esteja firmemente estabelecida em cada coração. Deixem que aqueles cujo tempo, recursos e meios permitam, viajem de um canto a outro daquele vasto continente, deixem-os dispersarem-se às mais distantes regiões da terra e, abrasados de entusiasmo e desprendimento, ergam a tocha da imorredoura chama de Deus para as multidões de um mundo tristemente aflito que estão à espera. Uma palavra a mais para concluir. Deixem que o Ocidente, e particularmente a Grande República do Novo Mundo, onde um quarto de século atrás a Bandeira de Bahá'u'lláh foi firmemente implantada, compreenda que sobre ela agora repousa a responsabilidade de obter o reconhecimento universal da Fé Bahá'í, de cumprir as mais estimadas esperanças de 'Abdu'l-Bahá. A Pérsia, berço de uma civilização mundial que está desabrochando, ainda está privada de sua liberdade, afundada em ignorância, presa de políticas e facções em disputas, acossada por um lado pelos poderes da ortodoxia e sectário fanatismo e, de outro, assaltada pelas forças do materialismo e da descrença. Em sua terrível situação, permanece radiantemente confiante de que a Chama que ela acendeu no mundo irá, na plenitude do tempo, resplandecer no coração do poderoso Ocidente e derramar a iluminação redentora sobre os silenciosos sofredores de um país distraído. Será a América, ou será uma das nações da Europa, que pegará a tocha da Guia Divina das mãos algemadas da Pérsia e, com ela, inflamará o mundo ocidental? Que sua Convenção, por seu espírito, suas resoluções e suas realizações, conceda ao urgente apelo desse país uma nobre e decisiva resposta. Seu irmão e companheiro de trabalho, 28 - 24 DE OUTUBRO DE 1925 Aos membros da Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá'ís dos Estados Unidos e Canadá. Meus bem-amados amigos, As numerosas comunicações que seu eminente secretário tem enviado ultimamente em seu nome à Folha Mais Sagrada e a mim, foram ansiosamente perscrutadas e seu conteúdo cuidadosamente apreendido. As notícias compartilhadas e o espírito que revelam despertaram tanto genuína satisfação, como serviram para intensificar o sentimento de jubilosa confiança, orgulho e gratidão com os quais saudamos a inauguração de seu período de serviço. O notável avanço alcançado pela memorável Convenção deste ano é, estou certo, tributável em uma medida nada pequena à energia, meticulosidade, visão e amorosa bondade que caracterizaram em um grau sem precedentes as atividades da Assembléia Espiritual Nacional que se desfaz. Estou confiante de que o trabalho dos recém-eleitos representantes da América, tão esplêndida e auspiciosamente iniciado, irá consolidar os trabalhos do passado, resolver em grande parte os problemas e perplexidades do presente, e abrir novos campos para futuras realizações e serviço. Alegro-me em saber que os caminhos e meios foram encontrados para permitir ao secretário nacional, que desempenha de maneira tão exemplar as múltiplas e exigentes obrigações de uma altamente responsável posição, dedicar todo seu tempo no cumprimento de tão meritória tarefa. Estou totalmente consciente das privações e sacrifícios que a escolha deste árduo trabalho deve envolver para ele, bem como, para sua devotada e desprendida companheira, posso unicamente admirar e exaltar seus heróicos esforços; e quero lhes assegurar minhas constantes orações pela rápida consecução de seus mais estimados empreendimentos. QUALIFICAÇÕES DE UM CRENTE Com relação à muito delicada e complexa questão de se certificar sobre as qualificações de um verdadeiro crente, não posso, com referência a isto, enfatizar muito intensamente a suprema necessidade de se exercer a máxima discrição, cuidado e tato, seja no caso de decidir por nós mesmos quem deve ser visto como um verdadeiro crente ou de revelar para o mundo exterior tais considerações a fim de que as mesmas possam servir de base para esta decisão. Apenas arriscaria declarar, muito brevemente e tão adequadamente quanto as atuais circunstâncias permitem, os principais fatores que devem ser levados em consideração antes de decidir se a pessoa pode ser vista como um verdadeiro crente ou não. Completo reconhecimento do grau do Precursor, do Autor e do Verdadeiro Exemplar da Causa bahá'í, assim como está determinado no Testamento de 'Abdu'l-Bahá; aceitação irrestrita de, e submissão a, o que quer que tenha sido revelado por Suas Penas; leal e firme adesão à cada cláusula da sagrada Última Vontade do nosso Amado; e, íntima associação com o espírito, bem como, com a forma da atual administração no mundo - estas, concebo como sendo as fundamentais e primordiais considerações que devem justa, discreta e refletidamente ser examinadas antes de se chegar a esta vital decisão. Qualquer tentativa de considerar adicionais análises e suas elucidações irá, receio, conduzir-nos a discussões estéreis e mesmo a graves controvérsias que provariam ser não somente fúteis, mas até mesmo prejudiciais aos melhores interesses de uma Causa em crescimento. Portanto, eu fortemente pediria àqueles que foram instados a tomarem uma tal decisão para abordarem este imensamente vinculado e sempre recorrente problema com o espírito de humilde oração e franca consulta, e se precaverem de traçar rigorosamente a linha de demarcação, exceto naquelas ocasiões em que os interesses da Causa absolutamente o exigem. CONVENÇÃO NACIONAL Em relação a realização anual da Convenção Bahá'í e Congressos, sinto que embora um tal corpo representativo não necessite ser convocado necessariamente a cada ano, é altamente desejável, porém, em vista das funções únicas que ele cumpre na promoção da harmonia e boa-vontade, na remoção de desentendimentos, na intensificação do prestígio da Causa, que a Assembléia Espiritual Nacional empenhe-se no sentido de reunir anualmente os representantes eleitos dos crentes americanos. Seria, em alguns aspectos, obviamente conveniente e eminentemente desejável embora não absolutamente essencial, se a Assembléia Espiritual Nacional pudesse organizar que a realização de um Congresso seja sincronizada com a época na qual as eleições nacionais são renovadas, e que ambos os eventos aconteçam, se não no primeiro dia do Ridván, pelo menos durante os doze jubilosos dias daquele que deve ser justamente visto como o mais importante Festival bahá'í. Afora as eleições locais, que universalmente devem ser renovadas no dia 21 de abril, é inteiramente deixado à discrição da Assembléia Espiritual Nacional decidir após ter dado a devida consideração às acima mencionadas observações, sobre em que momento e lugar a Convenção Bahá'í, bem como, as eleições anuais devem ser realizadas. Caso a Assembléia Espiritual Nacional decida, após maduras deliberações, omitir a realização da Convenção Bahá'í e do Congresso em um determinado ano, então eles poderiam, apenas neste caso, atinar com maneiras e meios para assegurar que a eleição anual da Assembléia Espiritual Nacional seja realizada através de correio, providenciando para que seja conduzida com suficiente detalhamento, eficiência e diligência. Também me pareceria não haver objeção de se habilitar e até mesmo requerer em último recurso que os delegados que possivelmente não podem empreender viagem ao local da Convenção Bahá'í que enviem seus votos, apenas para a eleição da Assembléia Espiritual Nacional, por correio para o Secretário Nacional, pois, a meu ver, as vantagens de tal procedimento sobrepujam as considerações mencionadas em sua carta. Deveria, contudo, ser deixado claro a todo delegado eleito - e serem continuamente lembrados - que é uma sagrada responsabilidade e reconhecidamente preferível participar, se possível, pessoalmente nas sessões da Convenção, tomar parte ativa em todos os seus procedimentos, e inteirar seus companheiros de trabalho sobre sua parcela nas realizações, decisões e aspirações dos congregados representantes dos crentes americanos. ANUÁRIO BAHÁ'Í Estou ansiosamente aguardando que me seja enviado na forma manuscrita o projetado Bahá'í Year Book [Anuário Bahá'í], para que talvez eu seja capaz de contribuir com minha parcela para torná-lo tão completo, atraente e oficial quanto possível. Intensamente lhes aconselho a harmonizar de um modo ponderado os dois métodos delineados com relação a isto em sua carta de 2 de setembro de 1925. Um pequeno, conciso e vigoroso relato dos objetivos primordiais, bem como, dos princípios básicos da administração mundial da Causa, junto com uma breve descrição dos diversos destaques da administração atual de suas atividades, suprida com um não muito detalhado relatório das efetivas realizações e planos desenvolvidos no corrente ano, serviriam para inteirar o público sobre o propósito e realizações da Causa, e prover suficiente material que seria edificante e útil para os crentes ativos sejam no Oriente ou no Ocidente. ... A Folha Mais Sagrada deseja que eu transmita em seu nome aos estimados membros da Green Acre Fellowship [Associação Green Acre] a expressão de seu cordial agradecimento e sincero apreço por ter sido agraciada como membro em vida da mencionada Associação. Ela assegura-lhes de suas orações pelo sucesso desta nobre instituição, bem como, para o avanço espiritual de seus membros individualmente. Os recentes acontecimentos na Terra Santa levaram diversas organizações no mundo judaico a considerar seriamente a primitiva possibilidade de transferir para o sagrado solo da Palestina os restos mortais de alguns proeminentes fundadores e líderes do pensamento judeu, e o Monte Carmelo, o qual, junto com o Mais Sagrado Santuário de 'Akká, é o mais acalentado objeto de veneração bahá'í, foi citado em várias ocasiões como um permanente e muito apropriado local de repouso para seus ilustres mortos. Seguramente, os bahá'ís do mundo, sempre alertas e de olho no futuro, irão, não importando quão premidos pelas obrigações financeiras, levantar-se e, enquanto ainda há tempo, contribuir cada um com sua parcela para assegurar à posteridade a terra que se localiza em íntima proximidade ao Santuário Sagrado - uma área, cuja aquisição da qual, no devido tempo, irá provar ser indispensável se a sublime visão de 'Abdu'l-Bahá deve ser realizada. Apelo a todos vocês e, através de vocês, a todo dedicado e consciente crente, para salvaguardar em particular o terreno que se estende para o Sul destes Santuários, os quais agora - ai de mim! - estão seriamente expostos a assaltos de interesses cobiçosos e especulativos. Estou relutante em imprimir novos apelos sobre os amigos que demonstraram tão magnífico espírito de sacrifício em diversas ocasiões no passado, porém sinto que a urgência da sagrada e impulsionante responsabilidade de chamar sua atenção para aquilo que concebo ser uma das questões mundiais deste grandioso momento requer uma pronta, generosa e coletiva resposta. Devo acrescentar que seja qual for a terra comprada será registrada no nome do contribuinte e exigindo, portanto, de cada crente contribuinte encaminhar, junto com sua doação, plenos poderes que legalmente irão me habilitar a realizar transações em seu nome e em seu nome comprar o lote que ele deseja adquirir. Seria desejável encaminhar pequenas contribuições à Assembléia Espiritual Nacional, a qual decidiria então sobre a maneira na qual a transação deve ser conduzida. PERSEGUIÇÃO AOS BAHÁ'ÍS PERSAS A compilação dos recortes de jornais referentes às recentes perseguições na Pérsia que foi enviada por nosso querido irmão, sr. H. Holley, à Folha Mais Sagrada foi encaminhada à Assembléia Espiritual Nacional da Pérsia, para que eles possam testemunhar por si mesmos e compartilhar com a população dos crentes persas os resultados da extensiva e vigorosa campanha tão prontamente empreendida em nome deles por seus solidários irmãos no Ocidente. É com pesar que lhes informo que esta triste história de barbarismo e desenfreada agressão sobre a propriedade, as vidas e a honra dos heróicos sofredores naquele país continuam chegando a nossos ouvidos, e a campanha de obstrução, de intimidação e saques está sendo, exceto por curtos períodos de aparente calmaria, sistematicamente empreendida com irreprimível vigor. Estou seguro de que os membros da Assembléia Espiritual Nacional, completamente conscientes das incertezas, confusão e seriedade da atual situação, aproveitarão a primeira oportunidade para compensar tanto quanto estiver ao seu alcance as intermináveis ofensas que estão sendo infligidas sobre os hostilizados, ainda que cidadãos cumpridores das leis. Desejando sucesso de todo coração e assegurando a todos minhas constantes orações pela firme expansão e consolidação de seu trabalho. Sou, seu irmão e companheiro de trabalho, 29 - 6 DE NOVEMBRO DE 1925 Aos membros da Assembléia Espiritual Nacional Americana. Meus queridos companheiros de trabalho, Duas recentes comunicações de seu eficiente secretário, datadas de 14 e 15 de outubro, foram recebidas e lidas com profunda gratidão e prazer. O MASHRIQU'L-ADHKÁR Alegro-me em saber sobre as imediatas e bem ponderadas medidas que empreendestes no sentido de desenvolver, junto com todas as Assembléias Locais e grupos, um sábio e efetivo plano para a contribuição de uma adequada parcela por parte da América em resposta ao apelo recentemente dirigido aos crentes americanos quanto ao trabalho do Mashriqu'l-Adhkár. Seguramente a grande companhia de dedicados e simpatizantes crentes no Oriente irá, ao testemunharem cada vez mais as evidências de uma revitalização das atividades nesta linha, levantar-se para prestar ajuda a este imenso esforço. Eles não falharão em estender seu apoio a fim de aliviar a carga que agora está sendo agora conduzida tão alegre e gratamente por seus irmãos mais novos na América do Norte. Eu mesmo farei tudo que estiver ao meu alcance para apressar a frutificação de seus sacrificados serviços. SANTUÁRIO INTERNACIONAL BAHÁ'Í A triste e repentina crise que emergiu em relação ao direito de propriedade da casa sagrada de Bahá'u'lláh em Bagdá trouxe um frêmito de indignação e desânimo em todo o mundo bahá'í. Casas que foram ocupadas por Bahá'u'lláh durante quase todo o período de Seu exílio na Iraque; destinadas por Ele como os seletos e santificados lugares de peregrinação no futuro; magnificado e exaltado em incontáveis Epístolas e Cartas como o centro sagrado "ao redor do qual circularão todos os povos e seres da Terra" - está agora, devido à feroz intriga e incessante oposição fanática, à mercê de inimigos declarados da Causa. De pronto, comuniquei-me com cada centro bahá'í tanto no Oriente como no Ocidente, e solicitei urgentemente aos fiéis seguidores da Fé em cada lugar para protestar veementemente contra esta gritante perversão de justiça, para asseverar os direitos espirituais da comunidade bahá'í quanto ao direito de propriedade desta venerada casa, apelar pela imparcialidade e justiça britânica, e penhorar sua inabalável determinação de garantir a segurança deste santificado lugar. Consciente do fato de que esta propriedade tem sido ocupada por representantes bahá'ís autorizados por um período ininterrupto de não menos do que trinta anos, e tendo ganho com sucesso o caso na Justiça de Paz e na Corte de Primeira Instância, os bahá'ís de todo o mundo não podem acreditar que o elevado senso de honradez e justiça que inspira a administração britânica do Iraque irá tolerar tão grave equívoco da justiça. Eles confiantemente apelam à opinião pública do mundo pela defesa e proteção de seus legítimos direitos agora gravemente pisoteados pelos pés de implacáveis inimigos. Ampla e efetiva divulgação junto com estas linhas, em termos bem concebidos e cuidadosamente escolhidos, é fortemente recomendado, pois isto indubitavelmente servirá para facilitar a solução deste delicado e desconcertante problema. Tendo nos esforçado ao máximo de nossa capacidade, vamos ter certeza do poder do Senhor, que permanece cuidando de Sua casa e, que irá, não importa quão obscura a perspectiva no presente possa parecer, assegurar às gerações por nascer Seu estimado e sagrado edifício. Estarei informando-lhes sobre qualquer acontecimento referente a este caso, e lhes aconselharei quanto às medidas que devem ser tomadas se decidirmos instituir novos procedimentos ou apelar para autoridades legais superiores em Londres. GREEN ACRE Em relação ao importante passo que foi dado para a eventual inclusão da Green Acre Fellowship [Associação Green Acre] dentro da órbita das atividades da Assembléia Espiritual Nacional americana, espero e oro para que este novo privilégio e acrescida responsabilidade provarão ser altamente benéficos em seus resultados, tanto para Green Acre em si mesma, como para os interesses gerais da Causa na América. Em uma comunicação em separado, dirigida ao Coordenador da mencionada Associação, nosso ternamente amado e abnegado irmão, sr. W. Randall, expressarei minha calorosa aprovação aos seus construtivos passos, e minha ardorosa esperança para a aceleração do desdobramento e mais ampla expansão, sob o promovedor cuidado da Assembléia Espiritual Nacional, da singular e sublime missão na vida de Green Acre. Estarei acompanhando, em relação a isto, com o maior interesse o curso de suas atividades em harmonia com a norma determinada em sua carta de 14 de outubro, e sinto que a maior ênfase deve repousar sobre a necessidade de exemplificar de uma maneira mais liberal e prática o condutor poder oculto nesta Revelação Divina, mais do que sobre a vã reiteração de um conjunto de princípios, embora louvável e único em seu caráter. Possa o Fundo Nacional florescer tanto a ponto de permitir a seus Fiduciários empreender estas medidas que eloqüentemente provarão à uma dolorosamente combalida humanidade o poder curador da Fé de Deus. JURISDIÇÃO DE UMA ASSEMBLÉIA LOCAL Permitam-me lembrar-lhes a situação em São Francisco, na qual dois centros bahá'ís independentes não podem ser reconhecidos na mesma cidade, e que o centro que leva meu nome deve atuar em todos os assuntos somente com integral consentimento e aprovação da Assembléia Espiritual de São Francisco. DIREITOS DE VOTO DE MEMBROS DA ASSEMBLÉIA NACIONAL Referente à eleição de membros suplentes da Assembléia Espiritual Nacional, sinto que somente os nove membros originais da Assembléia Espiritual Nacional estão autorizados a votar, no caso destes membros suplentes serem eleitos, deve-se solicitar que preencham as vagas somente em uma instância consultiva e não serem autorizados a votar. Eles não devem ser vistos como parte do quorum (isto é, cinco dos nove membros originais) o qual é necessário para a transação dos assuntos da Assembléia Nacional. Todos os assuntos secundários que não afetam o princípio estabelecido são deixados à discrição das Assembléias Espirituais Nacionais que decidirão de acordo com as exigências de suas respectivas circunstâncias. Assegurando-lhes de meu profundo apreço por seus continuados esforços, e minhas incessantes orações em seu nome. Sou seu grato irmão, 30 - 30 DE NOVEMBRO DE 1925 Aos amados de Deus e às servas do Misericordioso no Oriente e no Ocidente. Queridos companheiros de trabalho, É com sentimento de esmagadora tristeza que lhes comunico as notícias de ainda outra perda que o Todo-Poderoso, em Sua inescrutável sabedoria, escolheu infligir à nossa amada Causa. Em 22 de novembro 1925 [conforme calendário lunar], nesse memorável e sagrado dia no qual os bahá'ís do Oriente celebraram os Festivais gêmeos da Declaração do Báb e o aniversário de nascimento de 'Abdu'l-Bahá, dr. John E. Esslemont ascendeu ao Reino de Abhá. Seu passamento foi tão repentino quanto inesperado. Sofrendo os efeitos de uma crônica e insidiosa enfermidade, ele caiu por fim vítima de inevitáveis complicações que seguiram seu curso fatal do qual nem os esforços de médicos vigilantes nem os devotados cuidados de seus muitos amigos conseguiram debelar. Ele suportou seu sofrimento com admirável fortitude, com tranqüila resignação e coragem. Mesmo convencido então de que sua doença jamais o abandonaria, ainda assim, muitas vezes ele revelou o ardente desejo de que os amigos residentes na Terra Santa implorassem, ao visitarem os Santuários, ao Todo-Misericordioso para prolongar seus dias a fim de que lhe fosse possível dar um mais pleno encerramento à sua humilde parcela de serviço junto ao Limiar de Bahá'u'lláh. A este nobre pedido todos os corações responderam calorosamente. Entretanto, isto não era para acontecer. Sua íntima associação com meu trabalho em Haifa, no qual depositei as mais acalentadas esperanças, foi repentinamente interrompida. Seu livro, (21) contudo - um monumento eterno de sua intenção pura - irá, sozinho, inspirar gerações ainda por nascer a trilharem o caminho da verdade e serviço tão firmemente e tão sem ostentação como o foi trilhado por seu amado autor. A Causa que ele tanto amou, ele serviu até seu último dia com fé exemplar e ilimitada devoção. Sua tenacidade de fé, sua elevada integridade, sua auto-anulação, perícia e esmerados trabalhos foram traços de um caráter cujas nobres qualidades viverão e viverão para sempre após ele. Para mim, pessoalmente, ele foi o mais afetuoso dos amigos, um conselheiro confiável, um colaborador infatigável, um amoroso companheiro. (21) Bahá'u'lláh e a Nova Era. Suplico em lágrimas junto ao Limiar de Bahá'u'lláh - e peço a todos vocês que se unam a mim - em minhas fervorosas orações, para o pleno progresso nos reinos do além de uma alma que já alcançara tão elevada posição neste mundo. Pois pela beleza de seu caráter, por seu conhecimento da Causa, pelas conspícuas realizações de seu livro, ele imortalizou seu nome, e por absoluto mérito pessoal merece ser considerado como uma das Mãos da Causa de Deus. Ele foi depositado para descansar no coração daquele lindamente localizado cemitério bahá'í ao pé do Carmelo, próximo aos restos mortais daquela venerável alma, Hájí Mírzá Vakilu'd- Dawlih, o ilustre primo do Báb e construtor-chefe do Mashriqu'l-Adhkár de 'Ishqábád. Os peregrinos, de perto e de longe, que visitarem seu túmulo, com orgulho e gratidão, honrarão um nome que adornou os anais de uma Causa Imortal. Que ele descanse eternamente em paz. 31 - 10 DE JANEIRO DE 1926 Aos membros da Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá'ís dos Estados Unidos e Canadá. Ternamente amados companheiros de trabalho na Vinha de Deus! Sua carta, datada de 9 de novembro de 1925, foi recebida e lida com sentimento de profunda satisfação e gratidão. É muito lamentável que, devido a inevitáveis circunstâncias, estive impossibilitado de me comunicar mais plenamente e com maior freqüência com os eminentes representantes dos meus queridos companheiros de trabalho, o progresso de cujas realizações estou constantemente acompanhando com a mais vívida expectativa, amorosa solidariedade e acalentada esperança. A multiplicidade das vitais e prementes questões, resultantes da sólida expansão do Movimento em várias partes do mundo; a dor e tristeza tão intensamente sentida diante do repentino passamento dos eminentes e ternamente amados servos da Causa; graves e inesperados acontecimentos na Terra Santa e em outros lugares - tudo isso, em rápida sucessão, imensamente aumentou a já opressiva carga de responsabilidade e cuidado, os quais são a minha cota e privilégio de ombrear nos interesses da Causa. E, mesmo em meio à minha incessante labuta, minhas aflições e perplexidades, têm encontrado um novo apoio e conforto na surpreendente maneira com a qual os pioneiros da Causa nesse promissor continente estão provando ser dignos da herança espiritual legada a eles por seu falecido Mestre. Revitalizado e fortificado por seu inspirador exemplo, sinto que posso seguir o espinhoso caminho de minhas árduas obrigações com serena confiança, animado contentamento e irredutível gratidão. Alegro-me em saber do maravilhoso efeito que sua engenhosidade, eficiência e irredutíveis esforços estão produzindo em seus deleitados irmãos do Oriente. Estou plenamente ciente da eminente parcela que estais contribuindo para a emancipação daqueles heróicos sofredores na aturdida Pérsia. Estou profundamente consciente da parte que desempenhais na consolidação da posição da Causa aos olhos tanto do enaltecido como do humilde, e na aceleração do advento daquele prometido dia do universal reconhecimento e triunfo de nossa amada Causa. SANTUÁRIO DE BAGDÁ Podemos apenas vagamente discernir os sinais daquele dia de inestimável vitória - o dia em que a missão desta sublime e sagrada Fé será desvelada em todo seu poder e glória aos olhos de um mundo incrédulo. Temos somente que nos referir às emanações de Bahá'u'lláh a fim de entender por nós mesmos o invencível poder de Deus de transformar toda fugaz humilhação, toda tristeza transitória, em permanente júbilo e glória. Pois em meio ao abatimento da humilhação que agora acomete a sagrada habitação de Bahá'u'lláh em Bagdá, estas proféticas palavras de Sua visão de Sua casa brilham resplandecente em sua asseveração de uma futura vitória: "Em verdade, declaro, isto será tão degradante nos dias por vir que farão lágrimas brotarem de todo olho discernente... E na plenitude do tempo, através do poder da verdade, o Senhor exaltá-la-á aos olhos do mundo, fará com que torne-se o poderoso estandarte de Seu domínio, o Santuário ao redor do qual circularão o concurso dos fiéis." Quão alarmante em sua previsão, quão asseverativa Sua promessa! A meticulosidade de seus métodos no manuseio desta grave e extremamente delicada situação, a prontidão de sua resposta, o espírito de inquebrantável confiança, de incansável determinação e admirável coragem que vocês abundantemente manifestaram fizeram de que vocês, estou certo, amados por todos nós, justificaram nossas esperanças em vocês, e enobreceram a já elevada posição que merecidamente ocupam entre os fidedignos apoiadores da imortal Causa de Deus. Qualquer que seja o resultado de seus memoráveis esforços, as conseqüências imediatas de seus extenuantes empenhos nada mais podem ser do que uma crescente compreensão por parte daqueles que estão em posição de autoridade de que a Causa de Bahá'u'lláh, apesar da calúnia e difamação que copiosamente desceu sobre ela no passado, ligou o Oriente ao Ocidente como nenhuma outra agência humana poderia fazê-lo e é capaz de demonstrar a realidade daquela potência celestial a qual nenhum homem hoje pode, em segurança, menosprezar ou ignorar. Além disso, a espontânea e generosa resposta dos crentes americanos em relação a situação do terreno no Monte Carmelo resguardou, junto com as doações dos amigos de outras partes do mundo, os terrenos que se estendem em íntima proximidade com os sagrados Santuários. Este extremamente meritório esforço, abençoado e santificado pela generosa graça de Bahá'u'lláh, serviu de igual forma para revelar a todo olho discernente o insaciável entusiasmo e a devoção sem rival dos amigos - a dominante característica de uma Fé que ainda está em seu estágio inicial de crescimento, e agora coloca-se no limiar das realizações jamais sonhadas. JULGAMENTO DA CORTE RELIGIOSA EGÍPCIA Em meio aos perturbadores fatos que intensificaram as dificuldades da atual situação está o extraordinário julgamento recentemente realizado pela Suprema Corte Religiosa do Egito, declarando os bahá'ís daquele país adeptos de uma Fé herética em caráter, e em divergência com as reconhecidas doutrinas do Islã e, por conseguinte, inteiramente fora da esfera de sua jurisdição. Qual exatamente será a implicação deste veredicto, o efeito que sua aplicação prática terá nas relações dos bahá'ís com os seguidores da Fé islâmica, qual medida de publicidade terá, qual impressão criará nos países muçulmanos e particularmente na hostil Pérsia, somente o futuro poderá revelar. Até agora, o julgamento não conseguiu perturbar o sentimento público ou provocar qualquer demonstração pública ou oficial de uma natureza que justificaria ou necessitaria uma ação por parte dos bahá'ís americanos, que hoje estão poderosamente demonstrando sua prontidão em defender a causa da verdade e da justiça. Não demorarei em lhes informar sobre as medidas exatas que sinto serão necessárias tomar caso a ocasião surja no futuro. Está claro e evidente que a influência ocidental, o relaxamento dos laços da religião e o conseqüente declínio da vitalidade daquela uma vez poderosa fortaleza muçulmana do Egito estão em uma grande medida justificando a indiferença e apatia que agora parecem caracterizar a atitude das massas para com esta importante e vital questão. Esta decisão, ainda que localmente desconcertante, no atual estágio de nosso desenvolvimento, pode ser vista como um passo inicial dado por nossos oponentes no caminho da final aceitação universal da Fé Bahá'í, como um dos sistemas religiosos independentes reconhecidos do mundo. FUNDO NACIONAL Com relação a instituição do Fundo Nacional e ao sistema orçamentário estabelecido nas minutas da Assembléia Espiritual Nacional, sinto-me compelido a lhes lembrar da necessidade de sempre ter em mente o fundamental princípio de que todas as contribuições ao Fundo devem ser pura e estritamente voluntárias em seu caráter. Deve ser deixado claro e evidente a cada um que qualquer forma de compulsão, ainda que leve e indireta, abala diretamente a raiz do princípio subjacente à formação do Fundo desde seu encetamento. Enquanto que apelos de caráter geral, cuidadosamente formulados, tocantes e dignos em seu tom são bem-vindos sob todas as circunstâncias, deve ser deixado inteiramente a critério de cada crente consciente decidir sobre a natureza, quantia e propósito de sua contribuição para a propagação da Causa. ASSOCIAÇÃO COM ORIENTAIS Referente à associação com orientais viajantes e residentes nos Estados Unidos e Canadá, desejo enfatizar de novo a vital necessidade de se exercer nestes dias a maior vigilância e reserva, prudência e cautela, por parte dos crentes americanos em suas relações com eles, sejam em caráter oficial ou privado, sejam transações de negócios ou puramente com propósitos religiosos. À medida que o Movimento cresce em prestígio, fama e influência, também as ambições, malícia e má-vontade dos estranhos e inimigos correspondentemente aumentarão, e se tornará cada vez mais importante para cada indivíduo e Assembléia Espiritual estar prevenido a fim de que não se tornem vítimas inocentes de maldosos planos do malévolo, interesseiro e ganancioso. No tocante à publicação de artigos e panfletos que falem sobre as controversas e políticas questões do momento, desejo lembrar a meus ternamente amados companheiros de trabalho que no atual estágio, quando a Causa ainda está em sua infância, qualquer precisa e detalhada análise feita pelos amigos de assuntos que estão na vanguarda das discussões gerais seriam mal interpretadas em certos setores e dariam lugar a suspeitas e mal- entendidos que reagiriam desfavoravelmente sobre a Causa. A tendência seria de criar uma concepção errônea do real objetivo, da verdadeira missão, e fundamental caráter da Fé Bahá'í. Devemos, ao mesmo tempo em que nos esforçamos para defender lealmente e expor conscientemente nossos princípios morais e sociais em toda sua essência e pureza, em todos as suas implicações sobre as diferentes fases da sociedade humana, assegurar-nos de que nenhuma referência direta ou particular criticismo em nossa exposição dos fundamentos da Fé tenderia no sentido de antagonizar qualquer instituição existente, ou ajudariam a identificar um movimento puramente espiritual com base em clamores e contendas de seitas, facções e nações guerreiras. Devemos nos esforçar em todas as nossas elocuções para combinar a discrição e nobre reserva do sábio com a franqueza e passional lealdade do fervoroso advogado de uma Fé inspiradora. Ao mesmo tempo em que nos recusamos a enunciar a palavra que desnecessariamente alienaria ou antagonizaria qualquer indivíduo, governo ou povo, devemos destemidamente e sem hesitação sustentar e asseverar em sua plenitude aquelas verdades cujo conhecimento das quais acreditamos é vital e urgentemente necessário para o bem e a promoção da humanidade. As cópias das minutas da Convenção Bahá'í de 1925 foram recebidas e, apesar da pressão do trabalho, lidas com profunda satisfação e vívido interesse. O PROPÓSITO DA ADMINISTRAÇÃO BAHÁ'Í Na medida em que o trabalho administrativo da Causa expande-se firmemente, seus diversos ramos crescem em número e importância, é absolutamente necessário que tenhamos em mente este fato fundamental de que todas estas atividades administrativas, ainda que harmoniosa e eficientemente conduzidas, nada mais são do que meios de um fim, e devem ser vistas como instrumentos diretos para a propagação da Fé Bahá'í. Vamos estar atentos a fim de que em nossa grande preocupação pela perfeição da máquina administrativa da Causa, não percamos de vista o Propósito Divino para o qual ela foi criada. Vamos nos prevenir a fim de que a crescente demanda por especialização nas funções administrativas da Causa não nos detenha de nos alistar às fileiras daqueles que na vanguarda da batalha estão gloriosamente engajados em convocar as multidões para este Novo Dia de Deus. Esta, em verdade, deve ser nossa primordial preocupação; esta é nossa sagrada obrigação, nossa vital e urgente necessidade. Vamos ter em mente este princípio fundamental, pois ele é a mola mestra de todas as atividades futuras, o removedor de todo constrangedor obstáculo, o cumprimento do mais estimado desejo de nosso Mestre. Que o ano que acaba de raiar sobre nós testemunhe em tal glorioso campo muitas vitórias significativas. Seu verdadeiro irmão, 32 - 22 DE ABRIL DE 1926 Aos amados do Senhor e às servas do Misericordioso em todo Ocidente. Companheiros de trabalho na Vinha Divina, Em meio a tantas vicissitudes as quais a Palavra criativa de Deus está destinada a encontrar o curso de sua marcha progressiva em direção à redenção do mundo, irrompe sobre nós a notícia de ainda outra perda, mais desnorteante em seu caráter, ainda mais inspiradora em seu desafio, do que qualquer dos mais graves acontecimentos recentes. Uma vez mais a deplorável história de perseguição inexorável, envolvendo desta vez o martírio de doze de nossos tão sofridos irmãos em Jahrum, Sudeste da Pérsia, alcançou nossos ouvidos, e nos encheu de um pesar que todas as alegrias e nobres lembranças do Ridván falharam em dissipar. MÁRTIRES BAHÁ'ÍS NA PÉRSIA Dos parcos relatórios que foram até agora recebidos provenientes daquele aturdido país parece que este vergonhoso e atroz ato, embora resultado de um número obscuro e complexas razões, foi principalmente instigado por aquele fator sempre presente de feroz e inexorável impulso de hostilidade religiosa. A Pérsia - longamente negligenciada e dolorosamente testada - continua, apesar da revitalização de recentes esperanças, a ser uma vítima pisoteada por inescrupulosas rivalidades pessoais e intrigas facciosas, de revoltas tribais, dissensões políticas e animosidade religiosa - todas as quais, em tempos passados, trouxeram em seu rastro o derramamento de sangue de tantos de seus inocentes e seletos filhos. Plenamente ciente da gravidade da ocasião, e percebendo a urgência de meu sagrado dever, transmiti, logo após receber a notícia, telegraficamente através da Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá'ís da Pérsia uma mensagem especial dirigida à suprema autoridade do Estado em nome dos bahá'ís de todos os países, expressando nosso profundo horror diante deste ato de atrocidade, bem como, nossa mais ardorosa solicitação para que seja infligida imediata punição aos perpetradores de crime tão abominável. E como este triste evento envolveu principalmente o bem-estar e a segurança dos bahá'ís residentes na Pérsia, solicitei especialmente a todas as Assembléias Locais naquele país para enviar uma similar mensagem às mais altas autoridades apelando por total proteção e justiça. Caso futuros acontecimentos necessitem intervenção direta e do exterior, comunicarei todos os representantes nacionais bahá'ís de cada país para tomarem, junto com todas as Assembléias Locais, as medidas que irão eficazmente levar a um reconhecimento mais pleno da força dinâmica latente na Fé Bahá'í e assegurar a prosperidade daquele quinhão dos heróicos apoiadores de nossa Causa. Dependendo da iminente comunicação oficial das reconhecidas autoridades, seja na Pérsia ou em outro lugar, sinto intensamente que é certo que chegou o momento em que incumbe a todo consciente promotor da Causa para se pôr em ação e executar em consulta com os amigos em sua localidade aquelas medidas de publicidade que levarão ao gradual despertar de consciência do mundo civilizado àquilo que é reconhecidamente uma ignominiosa manifestação de uma era decadente. Solicitaria especialmente a todas as Assembléias Nacionais para darem sua dedicada e imediata consideração a este grave assunto, e para atinar com meios e modos que assegurarão a mais completa divulgação dos agravos a nós impetrados. Procuraria lembrá- los de que tudo que for publicado deve estar expresso em termos que logo de imediato são corretos, vigorosos e inofensivos. Particularmente enfatizaria a importância de se fazer todo esforço para assegurar a simpatia e hospitalidade dos principais jornais e periódicos do mundo Ocidental, e de enviar à Terra Santa todas as referências impressas que deverão se levantar em defesa da causa da retidão e justiça. Deploro imensamente o fato de que em função do isolamento e da instável condição na Pérsia, os detalhes e as particularidades relacionadas a este horrível incidente ainda não estão disponíveis, porém serão devidamente comunicadas aos diversos centros imediatamente após serem recebidas. Pediria, contudo, aos crentes no Ocidente para se levantarem sem qualquer demora e suprirem a publicação da notícia transmitida nesta mensagem com um relato de acontecimentos anteriores de caráter similar, combinado com um adequado panorama do objetivo, os princípios e história da Causa Bahá'í. É para vocês, ternamente amados amigos do Ocidente, que são os portadores do estandarte da emancipação e triunfo da Fé Bahá'í, que nossos aflitos irmãos do Oriente voltaram seus esperançosos olhos, confiantes de que não pode estar longe o dia em que, de acordo com a explícita declaração de 'Abdu'l-Bahá, o Ocidente irá "agarrar a Causa" das algemadas mãos da Pérsia e levá-la à gloriosa vitória. Embora abatidos pelo pesar e horrorizados diante deste golpe cruel, vamos nos prevenir a fim de não dar lugar ao desespero, a fim de não esquecermos que na inescrutável sabedoria do Todo-Poderoso esta repentina calamidade poderá provar ser nada além de uma bênção disfarçada. Pois, o que mais pode ela fazer do que tocar no mais íntimo de nossas almas, inflamar nossa fé, galvanizar nossos esforços, dissolver nossas diferenças, e prover um dos principais instrumentos que os desimpedidos promotores da Fé podem utilizar para atrair a atenção, angariar a simpatia e ganhar por fim a adesão de toda a humanidade? Nossa é esta suprema oportunidade; possamos nós cumprir nossa parte. Seu verdadeiro irmão, 33 - 11 DE MAIO DE 1926 Aos membros da Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá'ís dos Estados Unidos e Canadá. Colaboradores na Vinha de Deus, Vários acontecimentos dos meses recentes, altamente inquietantes pela sua subtaneidade, sua complexidade e conseqüências, repetidas vezes, para meu pesar, obrigaram-me a adiar minha correspondência com vocês, meus altamente valorosos colaboradores, que estão destinados a assumir uma parte não pequena da carga que agora pesa tão opressivamente sobre os meus ombros. As prolongadas e delicadas negociações que se surgiram da situação crítica da casa de Bahá'u'lláh em Bagdá; a vergonhosa recrudescência do descontrolado barbarismo na aflita Pérsia; o inesperado revés recentemente sofrido nas nossas transações legais pelo resgate da mansão de Bahá'u'lláh em Bahjí das mãos do inimigo; o aumento sem precedentes do volume do trabalho resultante do avanço e expansão do Movimento em várias partes do mundo - essas e outras questões, que necessitam não menos urgentemente de meu tempo e energia, gradativamente afetaram minha saúde e prejudicaram a eficiência necessária no desempenho de meus árduos deveres. Mas, embora lamentavelmente o corpo e a mente estejam cansados pelas preocupações e perplexidades que um Movimento como o nosso, que está apenas emergindo da obscuridade, necessariamente há de enfrentar, o espírito continua a obter nova inspiração do modo pelo qual os eleitos libertadores da Fé no mundo ocidental, e particularmente no continente americano, estão se mostrando mais e mais merecedores de uma tarefa tão estupenda e nobre. PERSEGUIÇÕES EM JAHRUM Por graves e variados que sejam os problemas que confrontam a diligente Fé de Bahá'u'lláh, nenhum parece mais significativo, nem se apresenta com maior urgência do que o incrível sofrimento tão heroicamente suportado pelos nossos irmãos esmagados no Oriente. Relatórios recentes, confirmando as notícias que ultimamente lhes tenho transmitido, todos enfatizaram o rigoroso barbarismo infligido aos inocentes seguidores de nossa Causa. Eles revelam a possibilidade de que essa agitação, em parte instigada por objetivos políticos e motivos egoístas, venha a se expandir a cidades e províncias vizinhas e permaneça sobre a tradicional negligência das autoridades locais em infligir imediata e severa punição a todos os perpetradores de crimes tão abomináveis. Verificou-se que na cidade de Jahrum, mulheres sofreram martírio da maneira mais atroz, que a faca do criminoso impiedosamente cortou o corpo de uma criança, que várias pessoas foram severamente espancadas e feridas, seus corpos mutilados, seus lares pilhados, suas propriedades confiscadas, e os demais membros de suas famílias, sem lar, abandonados à mercê de pessoas desavergonhadas e tirânicas. Em outras partes da Pérsia, e particularmente na província do Ádhirbáyján, na cidade de Marághih, os amigos foram impiedosamente privados do benefício de proteção da lei, e toda associação e negociação com eles denunciada como violação direta dos preceitos e princípios do Islã. Inclusive foi asseverado pelas autoridades que os padrões de dignidade de sepultamento público foram recusados aos seus mortos, e que num caso particular todos os esforços para induzir o empresário muçulmano a prover a madeira para a construção de um caixão falharam em assegurar o apoio oficial das autoridades competentes. Todo apelo feito por esses bahá'ís em nome de seus irmãos, seja vivos ou mortos, foi recebido com gélida indiferença, com vagas promessas e, algumas vezes, com severa repreensão e imerecida punição. O relato de conduta tão ultrajante, de tão amplo sofrimento e privação, se adequadamente apresentado e transmitido pelo rádio, não pode deixar de despertar a consciência da humanidade civilizada, e desse modo assegurar o tão necessária alívio de um povo longânime. Por isso, renovo meu apelo, e peço-lhes sinceramente para redobrarem seus esforços no amplo campo da publicidade, planejarem todos os meios possíveis que possam aliviar os temores e aflições dos que sofrem em silêncio naquele país perturbado. Certamente esses vis malfeitores não podem permanecer por muito tempo impunes pelas suas ferozes atrocidades, e, conforme já observamos em outro lugar, não estará muito distante o dia em que testemunharemos os sinais da Retribuição Divina, prometidos por Deus, vingando o sangue dos massacrados servos de Bahá'u'lláh. PLANO DE AÇÃO UNIFICADA Com relação ao Plano de Ação Unificada, anexada à sua carta de 19 de janeiro, acho que os amigos devem ser constantemente lembrados da necessidade vital de um apoio contínuo e sincero ao plano, cujo sucesso ou fracasso afetará grandemente o processo do avanço da Causa não somente na América do Norte, mas de todo o mundo bahá'í. Que os amigos lembrem e sempre tenham em mente as repetidas exortações e ardorosas promessas de nosso amado Mestre em relação ao Mashriqu'l-Adhkár, a instituição que coroa toda a comunidade bahá'í que se levantem com determinação e confiança para darem seu auxílio ao Plano que vocês delinearam tão admiravelmente para sua realização rápida e eficiente. Cabe a eles uma esplêndida oportunidade; que a resposta deles ao seu chamado seja imediata, sincera e determinada. Pedi especialmente à infatigável pioneira da Causa de Deus, nossa bem-amada irmã, a sra. Victoria Bedekian, que no momento atual concentrasse todos os recursos de sua mente e coração neste empreendimento imenso e vital. Eu a urgi a direcionar suas energias para este propósito sublime e com a ajuda de suas valorosíssimas cartas despertar tanto o Oriente como o Ocidente para uma nova consciência do significado e urgência do objetivo que vocês estabeleceram para si próprios. Quanto à série de reuniões para a unidade mundial, cuidadosamente organizadas e conduzidas com sucesso por alguns dos zelosos, capazes e devotados servos da Causa, e às quais vocês se referiram em sua carta de 8 de maio, gostaria de expressar meu mais entusiástico reconhecimento de uma idéia tão esplêndida, minha profunda gratidão pelos seus esforços, e minha satisfação pelo sucesso que obtiveram. PRINCÍPIOS DIRETIVOS DA ADMINISTRAÇÃO BAHÁ'Í A maquinaria administrativa da Causa, tendo agora evoluído suficientemente, sua intenção e objetivo muito bem captados e compreendidos, e seu método e funcionamento tornados mais familiares a cada crente, sinto que chegou a hora de ela ser utilizada plena e conscientemente para promover o propósito pelo qual ela foi criada. Sinto vigorosamente que ela deve servir a um propósito duplo. Deve, de um lado, objetivar uma expansão constante e gradual do Movimento por rumos ao mesmo tempo amplos, seguros e universais; e, por outro lado, assegurar a consolidação interna do trabalho já realizado. Deve prover tanto o impulso através do qual as forças dinâmicas latentes na Fé podem desenvolver, cristalizar e moldar a vida e a conduta das pessoas, como servir de meio para o intercâmbio de idéias e coordenação de atividades entre os diversos elementos que constituem a comunidade bahá'í. Nosso único propósito e objetivo deve ser o de ajudar a humanidade a finalmente reconhecer a indispensabilidade, a primazia e a suprema posição da Revelação Bahá'í, seja através de uma audaciosa declaração das verdades fundamentais da Causa, ou da adoção de um método de ensino menos direto e mais cauteloso; seja através da difusão de nossa literatura, ou do exemplo de nossa conduta. Qualquer que seja o método adotado, e por mais indireto que seja o caminho a ser seguido, todo verdadeiro crente deve considerar tal reconhecimento como a meta suprema de seu empenho. Enquanto trabalha conscientemente para alcançar este fim, apoiando todos os ramos de atividades administrativas de sua Assembléia Local e Nacional, deve procurar obter a mais ampla informação sobre o caráter e a amplitude do progresso da Causa no mundo e empenhar-se em contribuir seu quinhão para o revigoramento do espírito de solidariedade entre os elementos componentes do mundo bahá'í. São estes, em linhas gerais, os princípios diretivos a serem promovidos, explicados e seguramente estabelecidos pelos esforços daqueles que atualmente se encontram no encargo dos afazeres administrativos da Causa. Nada menos de um espírito resoluto de fé, de vigilância contínua e empenho perseverante pode esperar assegurar a realização final desse nosso desejo tão nutrido. Que os representantes nacionais da América se levantem com visão clara, com resolução inabalável e vigor renovado, para executar completamente a sagrada tarefa que se determinaram a realizar. Assegurando-lhes as minhas contínuas e sinceras orações pelo sucesso de seus esforços. Seu verdadeiro irmão, 34 - 7 DE OUTUBRO DE 1926 Aos amados do Senhor e servas do Misericordioso em todo o Ocidente. Ternamente amados irmãos e irmãs em 'Abdu'l-Bahá, No decorrer dos poucos meses que passaram desde meu último comunicado a vocês a respeito das terríveis circunstâncias que culminaram com o martírio dos irmãos persas em Jahrum, houve eventos da máxima importância para o futuro bem-estar da nossa amada Causa, e com espantosa subtaneidade conferiram conforto duradouro àqueles que ainda têm de enfrentar as angústias e horrores de absoluta e desavergonhada tirania. A RESPOSTA DA RAINHA MARIA Presumo que a maioria de vocês já leu, com imenso júbilo, numa das últimas edições do Star of the West, aquele relato iluminado da nossa amada irmã, srta. Martha Root, no qual ela, com sua característica franqueza e modéstia, conta a história de sua comovente entrevista com sua majestade rainha Maria da Romênia e da cordial e pronta resposta que sua gentil, porém persuasiva apresentação dos princípios da Fé Bahá'í evocou no coração daquela honrada rainha. Um dos efeitos mais visíveis e potentes que essa histórica entrevista se mostrou capaz de realizar foi o notável apelo em forma de uma carta aberta que Sua Majestade livre e espontaneamente fez divulgar no mundo todo, dando testemunho, em linguagem de rara beleza, ao poder e sublimidade da Mensagem de Bahá'u'lláh. Foi de fato uma ocasião para jamais esquecer que, na véspera do dia da comemoração do passamento de Bahá'u'lláh, um punhado de nós, seus aflitos servos, reunidos em torno de Seu bem-amado sepulcro suplicando alívio e liberdade para os oprimidos na Pérsia, recebermos no meio do silêncio daquela hora angustiosa a boa-nova desse notável triunfo que a inabalável energia e o indomável espírito da amada Martha conquistou para nossa sagrada Causa. Com as cabeças curvadas e os corações agradecidos, reconhecemos neste ardente tributo que a realeza prestou à Causa de Bahá'u'lláh, um pronunciamento histórico destinado a prenunciar aqueles acontecimentos inspiradores que, segundo profetizados por 'Abdu'l-Bahá, na plenitude do tempo haverão de distinguir o triunfo da Fé Sagrada de Deus. Quem pode, pois, duvidar senão que os atos daqueles valorosos pioneiros da Fé, embora tenham sido incomparáveis na abundância de seu número e inexcedíveis em seu sublime heroísmo, são apenas um pálido vislumbre daquilo que, de acordo com a promessa divina, seus firmes seguidores estão destinados a executar? Aquelas façanhas heróicas que imortalizaram os nomes de seus primeiros aderentes continuarão a adornar e iluminar as páginas de sua sangrenta história; no entanto, não podemos esquecer que o período de sua fruição completa, com todas as suas promessas de felicidade mundial e realizações jamais sonhadas, ainda está para suceder e sua idade áurea ainda a se estender. De fato, quão disciplinador para nosso orgulho, quão desafiador para nosso entusiasmo, se apenas pausarmos por um momento, em meio às muitas distrações do mundo, e ponderarmos em nossos corações a imensidade, a premente urgência, a inefável glória daquilo que ainda está por realizar. O PODER REGENERADOR Com relação a isso lembremos todos que mais importante que toda medida concebível destinada a aumentar a eficiência das nossas atividades administrativas, mais vital que qualquer plano que o mais desembaraçado dentre nós possa imaginar, muito além da mais elaborada estrutura que os esforços conjuntos de Assembléias organizadas possam esperar erigir, é a percepção, no mais recôndito do coração de todo verdadeiro crente, do poder regenerador, da suprema necessidade, da infalível eficácia da Mensagem da qual é portador. Eu lhes asseguro, queridos amigos, que nada menos que tal convicção inabalável poderia ter capacitado nossa amada Causa no passado a se manter firme diante das mais tenebrosas tempestades de sua história. Nada mais pode hoje vitalizar as múltiplas atividades nas quais inúmeros discípulos da Fé estão engajados; nada mais pode prover a força motriz e a capacidade de apoio, ambas tão essenciais ao sucesso de realizações grandiosas e duradouras. É esse espírito que acima de tudo mais devemos proteger diligentemente, e nos empenhar com toda a nossa força para fortalecer e demonstrar em todos os nossos empreendimentos. Movido por um irresistível impulso, em nome dos bahá'ís do Oriente e do Ocidente, dediquei à sua majestade uma expressão escrita de nossa jubilosa admiração e gratidão pelo tributo real que sua majestade prestou à beleza e nobreza dos ensinamentos bahá'ís. Além disso, assegurei à sua majestade o efeito penetrante que seu soberbo testemunho inevitavelmente produzirá, e o bem-vindo consolo que já concedeu àqueles que sofrem em silêncio naquele país perturbado. Recém chegou uma resposta por escrito à minha mensagem de apreciação e gratidão, redigida por Sua Majestade, profundamente tocante, singularmente sincera, e altamente significativa em seu testemunho. Deste tributo real a um ideal divino, cito estas palavras penetrantes: "Em verdade, uma grande luz me foi trazida com a Mensagem de Bahá'u'lláh e 'Abdu'l-Bahá. Veio como vêm todas as grandes mensagens, numa hora de angustiante tristeza, conflito íntimo e aflição, e assim a semente penetrou profundamente... Nós passamos a Mensagem de boca a boca e todos aqueles aos quais a oferecemos vêem uma luz irradiar-se subitamente em sua frente e muito do que estava obscuro e confuso se torna simples, luminoso e cheio de esperança como nunca antes. Que minha carta aberta foi um bálsamo para aqueles que sofriam pela causa, é, em verdade, causa de grande contentamento para mim e tomo isso como sinal de que Deus aceitou meu humilde tributo... Com a cabeça baixa, reconheço que também sou apenas um instrumento em Mãos maiores e regozijo-me em sabê-lo... ." Queridos amigos, com sentimentos de profunda emoção recordamos as ardorosas promessas que tão freqüentemente fluíam dos lábios do nosso falecido Mestre, e com corações palpitantes regozijamo-nos pela realização gradual de Seu mais nutrido desejo. E à medida que invocamos à mente as circunstâncias que levaram a tão notável avanço, ficamos plenos de admiração por aquela incomparável e generosa epístola de Bahá'u'lláh, nossa ternamente amada Martha Root, que em circunstâncias penosas e quase sozinha em seus esforços, pavimentou o caminho tão maravilhosamente para o reconhecimento universal da Causa de Deus. Em seu caso, realmente testemunhamos, de um modo inequívoco, o que o poder de uma fé indomável, associado à sublimidade de caráter, é capaz de realizar, que forças pode liberar, a que alturas pode chegar. Que tão notáveis revelações da realidade e continuidade do propósito divino que periodicamente são tornados manifestos a nós, Seus insignificantes filhos, sirvam para fortalecer nossa fé nEle, para aquecer o frio que desventuras passageiras podem deixar atrás de si e nos encher de poder celestial que nada mais senão Ele pode nos capacitar a suportar a tempestade de angústia que vidas dedicadas a Seu serviço necessariamente hão de enfrentar. Seu verdadeiro irmão, 35 - 29 DE OUTUBRO DE 1926 Aos amados do Senhor e servas do Misericordioso em todo o Ocidente. Bem-amados colaboradores na Vinha Divina, Todos vocês ficarão satisfeitos e se regozijarão em saber que de diversas regiões do mundo recentemente chegaram à Terra Santa, as notícias de novos avanços que são uma clara indicação daquelas influências misteriosas e transformadoras que, da fonte do poder místico de Bahá'u'lláh, continuam a fluir com vitalidade sempre crescente para o coração deste mundo perturbado. Tanto no campo mais amplo de suas conquistas espirituais, no qual seu indômito espírito avança galgando as alturas e penetrando as multidões, como na consolidação gradual da estrutura administrativa, que seus seguidores declarados em todo o mundo estão trabalhando para erguer e fortalecer, podemos discernir cada vez mais que a Fé de Bahá'u'lláh está começando a se tornar aquela força que, embora ainda não universalmente reconhecida, ninguém pode menosprezar ou ignorar. Nos corajosos testemunhos que sua majestade, a rainha Maria da Romênia, decidiu dar ao mundo - anexo uma cópia de cujo último pronunciamento* - realmente reconhecemos evidências do irresistível poder, da crescente vitalidade, o notável funcionamento de uma Fé destinada a regenerar o mundo. O admirável tributo que Sua Majestade prestou ao poder esclarecedor dos ensinamentos de Bahá'u'lláh e 'Abdu'l-Bahá está destinado a exercer uma transformação completa na atitude de muitos para com a Fé cujos princípios muitas vezes foram mal entendidos e lamentavelmente negligenciados. Servirá como um novo estímulo para os esclarecidos e cultos investigarem com mente aberta as verdades de sua mensagem e a fonte de seus princípios vivificadores. SANTUÁRIO EM BAGDÁ Além disso, em Bagdá, onde a sagrada residência de Bahá'u'lláh foi violada por um inimigo implacável e transformada num centro de reunião para os corruptos, os perversos e os fanáticos, vem a notícia altamente tranqüilizadora para nós do progresso satisfatório das negociações que, conforme somos informados pela alta autoridade, logo conduzirão à expropriação da propriedade pelo Estado, culminando, na plenitude do tempo, com a ocupação pelos triunfantes seguidores da sagrada Fé de Deus. O caso das casas, tão habilmente apresentadas, tão persistentemente diligenciadas, acima de tudo reforçadas pelo poder vigilante e protetor do nosso falecido Mestre, haverá finalmente de triunfar, e pela sua repercussão na Pérsia bem como no mundo todo, haverá de imprimir um poderoso ímpeto à liberação daquelas forças que conduzirão a Causa ao seu destino final. Quando houver ocasião, informarei aos crentes através de suas respectivas Assembléias Espirituais Nacionais para enviarem mensagens de consideração e gratidão às autoridades envolvidas em vista de seus contínuos esforços para o triunfo do direito e da justiça. No momento presente, só podemos nos regozijar e nos sentir profundamente gratos uma vez que testemunhamos de tantas direções os agradáveis sinais da emancipação gradual da diligente Fé de Bahá'u'lláh, do crescente reconhecimento, tanto por parte dos grandes como dos humildes, de seus princípios universais, tão ricos em suas promessas de vitória final. Seu verdadeiro irmão, 36 - 31 DE OUTUBRO DE 1926 Aos membros da Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá'ís dos Estados Unidos e Canadá. Ternamente amados colaboradores, Em duas ocasiões recentes, expressei o profundo sentimento de inspiradora confiança e jubilosa gratidão que recentes acontecimentos na Causa - manifestações evidentes de uma constante evolução de uma Fé vivente - deve necessariamente evocar no coração de todo crente ponderado e atento. E, ao contemplar as amplas possibilidades envolvidas num cuidadoso manejo daquelas forças ora liberadas pelo braço Todo-Poderoso de Bahá'u'lláh, não posso deixar de refletir sobre a predominante contribuição dos amigos americanos, tanto na pátria como em terras distantes, para este rejuvenescimento da Causa de Deus e o papel decisivo que lhes cabe na sua vitória final. Suas cartas, datadas de 17 de junho, 11 de julho, 3 de agosto e 2 de outubro de 1926, todos os quais foram enviados durante meu período de retiro e descanso, mostraram-se uma fonte adicional de gratidão, de júbilo e vigor para mim. Pelo seu espírito, bem como pela natureza e variedade de seus conteúdos, elas revelaram claramente a firme devoção, a indiminuta confiança e a crescente e vigorosa eficiência com que vocês estão iniciando, coordenando e consolidando as múltiplas atividades da Causa na América do Norte. SECRETARIADO INTERNACIONAL A amplitude e o caráter dos problemas que os confronta, segundo revelados pelo cuidadoso exame das atas de suas reuniões, o constante crescimento do número e da efetividade das localidades em funcionamento na América Central e na Europa setentrional, e a crescente importância e complexidade do trabalho que necessariamente deve ser conduzido da Terra Santa, tudo isso serviu para fortalecer a percepção da absoluta necessidade da formação de algum tipo de Secretariado Internacional Bahá'í em Haifa, o qual deverá me auxiliar e assistir, tanto em capacidade consultiva como executiva, nos meus imensos e árduos trabalhos. Nos últimos meses, tenho considerado cuidadosamente este importante assunto em todas as suas implicações e, em conseqüência disso, requisitei que três representantes bem informados e capazes da América, da Europa e do Oriente visitassem a Terra Santa nesse outono, de modo que possamos lançar as fundações desta instituição de vital necessidade. Devemos consultar em conjunto e decidir, não somente sobre as medidas que devem ser imediatamente tomadas para satisfazer as urgentes exigências da época atual, mas sobre assuntos mais amplos que, de um lado, fortalecerão os laços que devem ligar o Centro Internacional da Causa com todo o mundo e, do outro, prepararão os passos preliminares que finalmente levarão ao oportuno estabelecimento da primeira Casa de Justiça. Minha mais sincera esperança é que esta troca de idéias e estreita colaboração no trabalho que doravante deverá ser conduzido vigorosamente e em âmbito internacional, capacitar-me-á a participar mais minuciosa e efetivamente nos trabalhos dos diversos departamentos administrativos da sua Assembléia, e assim reforçar o esplêndido empenho que vocês estão exercendo para a expansão de sua influência e ampliação de seu campo de ação. PLANO DE AÇÃO UNIFICADA Do relatório do Tesoureiro Nacional, demonstrando o progresso das contribuições dos crentes americanos em apoio ao Plano de Ação Unificada até 30 de junho de 1926, concluo que de modo algum os resultados superaram nossas expectativas, ao contrário, caíram consideravelmente abaixo do que confiantemente eu esperava que alcançasse. Sinceramente renovo meu apelo e peço-lhes, e através de vocês a cada verdadeiro e fiel amante de 'Abdul- Bahá, que percebam, enquanto ainda há tempo, as possibilidades de amplo alcance das quais a situação atual é tão fecunda. Estou firmemente convencido que este Plano combina, incorpora e serve ao duplo propósito da atual administração bahá'í nos Estados Unidos e Canadá, isto é, a promoção do trabalho de necessidade vital do ensino, e a provisão da conclusão gradual do Mashriqu'l-Adhkár, ambos desejos tão íntimos e tão queridos ao coração do nosso bem-amado Mestre. É o único instrumento efetivo, possível e prático colocado em nossas mãos para a rápida consumação de nossos objetivos. Eu lhes asseguro que muito daquilo que é vital para a futura prosperidade, eficiência e bom nome de nossa amada Causa, depende do sucesso ou do fracasso deste empreendimento nobremente concebido, honrado e digno. Os olhos de todos os bahá'ís e de muitos simpatizantes em todo o mundo estão voltados em sua direção, ansiosos em reforçar suas realizações neste campo, esperançosos de testemunhar a que alturas de sucesso vocês são capazes de chegar. CONFERÊNCIAS DE UNIDADE MUNDIAL Com relação à série de Conferências de Unidade Mundial que vocês iniciaram e tão laboriosamente organizaram, sinto que, para tirar o mais completo proveito e benefício deste louvável esforço, é absolutamente essencial acompanhar, com o auxílio de instrutores esclarecidos, experientes e capazes, o interesse que já foi despertado. Tal grupo de instrutores deve selecionar criteriosamente alguns poucos dentre a multidão de interessados, e empenhar-se, com paciência e compreensão, e através de contato pessoal constante e íntimo, em prepará-los gradualmente para a aceitação integral e irrestrita dos fundamentos da Revelação Bahá'í. Se os resultados forem escassos, se a participação for insignificante, não nos desesperemos, nem relaxemos os nossos esforços. Lembremos que este método perfeito finalmente há de triunfar, se apenas o apoiarmos firmemente e perseverarmos em dar aqueles passos subseqüentes, nada além dos quais pode produzir um benefício pleno e permanente. APELO AO XÁ DA PÉRSIA Eu já expressei minha grata satisfação das imediatas e sábias medidas que vocês tomaram em favor dos nossos irmãos oprimidos e tiranizados na Pérsia. O nobre apelo que vocês foram levados a dirigir à sua majestade, o xá, tão esclarecedor, tão cortês, tão poderoso, e a ampla variedade de publicidade que vocês promoveram, foram realmente providenciais em seu caráter e sem dúvida se evidenciaram como uma inspiração e conforto para aqueles que ainda continuam a ser esmagados sob o calcanhar de um inimigo odioso e inveterado. Fiz seu apelo ser traduzido para o persa e o enviei a todas as localidades bahá'ís em todo o Oriente para que os oprimidos na Pérsia soubessem de sua audaciosa e corajosa intervenção, e testemunhassem os sinais da redenção que lhes foi prometida, a qual, segundo predita por 'Abdu'l-Bahá, deverá primeiro se tornar manifesta através dos esforços de seus irmãos na grande república, amante da liberdade, do Ocidente. É triste e angustiante pensar que, embora os repetidos apelos dirigidos às autoridades envolvidas, e tão poderosamente reforçados pela ação espontânea de alguns dos principais governos do Ocidente, a Pérsia, ainda desatenta e inconsciente das forças espirituais em ação, continue a tratar com indiferença e desprezo os súditos mais leais, inocentes e obedientes à lei em seu reino. A instabilidade crônica de seus afazeres, a mutável sorte das facções e personalidades obscuras que solapam sua vitalidade e maculam seu nome, a aguda e ampla depressão econômica que ora prevalece, e o grave descontentamento das multidões, tudo isso tende a agravar a situação já altamente ameaçadora à segurança de seus filhos dolorosamente submetidos à provação. O que mais podemos fazer senão orar com o máximo fervor para que a potência todo-poderosa de Bahá'u'lláh logo triunfe sobre esta mesquinha discórdia, esta tirania permanente, e, conforme Ele profetizou, faça de Seu país de nascimento "o mais honrado de todos os governos, o orgulho, a admiração e a inveja dos povos do mundo". Seu verdadeiro irmão, 37 - 14 DE NOVEMBRO DE 1926 Os amados do Senhor e servas do Misericordioso em todo Estados Unidos e Canadá. Amigos ternamente amados, O avanço de vários acontecimentos, tanto dentro como fora do mundo Bahá'í, bem como o exame do qualificado e esclarecedor relatório recentemente submetido pelo Comitê da Assembléia Espiritual Nacional da Pérsia encarregado da Escola Tarbíyat em Teerã, serviram para reforçar uma idéia em desenvolvimento gradual relacionado ao desejo de providenciar a permanência de um ou dois crentes americanos na capital daquele país, os quais, tendo os meios, a liberdade e a capacidade, poderão satisfazer adequadamente a urgente necessidade de uma posição responsável. A julgar pelo seu relatório, a situação em Teerã, embora muito confusa e desconcertante, está repleta de ricas possibilidades para o futuro da Causa, tanto no tocante à sorte nacional da Pérsia, como quanto à sua influência sobre o desenvolvimento internacional da Causa. INSTRUTORES AMERICANOS EM TEERÃ A situação, conforme eu a vejo, requer os devotados esforços de um ou dois trabalhadores capazes, desimpedidos e com meios próprios, que possam tratar diligentemente, com tranqüilidade, tenacidade e tato, durante longo tempo, do meritório trabalho de promover a causa da educação bahá'í, tanto para meninos como para meninas, na capital em rápida mudança de um país promissor. Sua principal tarefa deve ser ampliar o âmbito e elevar o prestígio dessas duas instituições educacionais bahá'ís e, através de métodos confiáveis e ponderados, tomar medidas que possam consolidar o trabalho já realizado. Seria altamente gratificante se eles pudessem também, em estreito e constante contato com as Assembléias Nacionais da Pérsia e da América, dedicar-se ao fortalecimento daqueles laços vitais que unem espiritualmente o berço da Fé Bahá'í com a grande república americana - o principal líder espiritual da Causa no hemisfério Ocidental. Tais esforços facilitarão extremamente a cooperação entre esses dois países, cujo destino comum é prover, cada um à sua maneira característica, os elementos essenciais da fundação da ordem mundial apresentada por Bahá'u'lláh. A expansão gradual de escolas educacionais estrangeiras, bem como daquelas oficialmente subsidiadas em Teerã, a prolongada ausência de professores e organizadores competentes que pudessem revivificar a influência em declínio da até agora renomada instituição educacional bahá'í, e a atitude crítica e vigilante à qual as influências crescentes da Causa levaram seus malignos e invejosos inimigos, são hoje assuntos da maior preocupação para os representantes eleitos dos nossos angustiados irmãos e irmãs na Pérsia. Por isso, peço àqueles que percebem a urgência e possuem meios para se incumbir dessa tarefa que se comuniquem com a Assembléia Espiritual Nacional que, após deliberação madura, selecionará um ou dois que a seu ver melhor possam prestar este serviço, e decidirá qual o tempo e a maneira mais adequados à sua execução. Urjo vigorosamente os amigos a consultarem seriamente com a devotada, experiente e incansável serva de Bahá'u'lláh, dra. Moody, cujos serviços anteriores enobreceram os anais da cooperação do Oriente e Ocidente na promoção da Causa de Bahá'u'lláh. Seria altamente satisfatório e imensamente útil se nossa amada irmã achasse possível e conveniente acompanhar tal pessoa cuidadosamente escolhida na sua ida a Teerã e, com sua incomparável experiência e amorosa bondade, ajudar pessoalmente no cumprimento desta urgente necessidade. Qualquer um que dê um passo nesse campo, ao começar seu trabalho verá que o ambiente está extremamente desanimador, que as restrições são opressivas, as amenidades da vida social são escassas e as forças da oposição estão determinadas e organizadas. Porém, que ele perceba também que, por mais fatigante e difícil que seja seu trabalho, e por mais precária e ingrata sua tarefa, os serviços pioneiros que tem o privilégio de prestar neste tempo de tensão estarão para sempre vivos nos anais da Fé viva de Deus e se tornarão uma fonte de inspiração para os incontáveis trabalhadores que, em épocas mais prósperas e com melhores meios à sua disposição, realizará a regeneração espiritual e reabilitação material da terra natal de Bahá'u'lláh. Seu verdadeiro irmão, 38 - 12 DE FEVEREIRO DE 1927 Aos amados do Senhor e servas do Misericordioso em todo o Ocidente. Irmãos e irmãs ternamente amados em 'Abdu'l-Bahá, Ultimamente, o rumo de vários acontecimentos que, direta e indiretamente afetam os interesses da Causa Bahá'í, serviram para levar a uma proeminência ainda maior o caráter bem como a importância da Fé destinada a regenerar o mundo. A DECISÃO DO TRIBUNAL EGÍPCIO De todas as diversas questões que hoje estão tendendo a se consolidar gradativamente e expandir as fronteiras da Revelação de Bahá'u'lláh, a decisão do Tribunal religioso do Egito com relação aos bahá'ís sob sua jurisdição parece ser, no momento atual, o mais vigoroso de seus desafios, o mais surpreendente em seu caráter, e o mais desconcertante nas conseqüências que poderá acarretar. Na minha carta de 10 de janeiro de 1926, dirigida à Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá'ís dos Estados Unidos e Canadá, eu já aludi ao caráter particular deste momentoso veredicto que, após deliberação madura obteve a sanção das mais altas autoridades eclesiásticas do Egito, foi comunicado e publicado, e é considerado como definitivo e obrigatório. Na minha última referência a este pronunciamento de profundas conseqüências, enfatizei o aspecto negativo deste documento que, em linguagem inequívoca e enfática, condena os seguidores de Bahá'u'lláh como seguidores de heresia ofensiva e injuriosa ao Islã, e inteiramente incompatíveis com as doutrinas e práticas aceitas por seus aderentes ortodoxos. CAUSA BAHÁ'Í RECONHECIDA COMO RELIGIÃO INDEPENDENTE No entanto, um estudo mais minucioso do texto desta decisão revela um fato que, juntamente com esta vigorosa denúncia, é a asserção positiva de uma verdade que até o momento presente os oponentes assumidos da Fé Bahá'í em outros países muçulmanos ignoraram diligentemente ou maliciosamente se empenharam em desaprovar. Não satisfeitos com este repúdio severo e injustificável às assim chamadas doutrinas ameaçadoras e heréticas dos aderentes da Fé Bahá'í, eles seguem declarando, de uma maneira formal, no texto daquela mesma decisão, sua crença de que a Fé Bahá'í é uma "nova religião", "inteiramente independente" e, devido à magnitude de sua reivindicação e o caráter de suas "leis, princípios e crenças", digna de ser considerada um dos sistemas religiosos estabelecidos do mundo. Citando várias passagens judiciosamente selecionadas de vários livros sagrados bahá'ís como uma evidência de seu esplêndido testemunho, numa notável afirmação, eles seguem deduzindo que doravante será considerado impossível que os seguidores de tal Fé sejam designados como muçulmanos, tal como seria incorreto e errôneo chamar um muçulmano de cristão ou judeu. Não se pode negar que no decorrer das inevitáveis conseqüências da atual situação, os bahá'ís residentes no Egito, originalmente pertencentes à fé islâmica, serão colocados na condição mais humilhante e embaraçosa. No entanto, eles só podem se regozijar em saber que, enquanto em vários países muçulmanos, e particularmente na Pérsia, a maioria esmagadora dos líderes do Islã se opõe com veemência a qualquer declaração que possa facilitar o reconhecimento universal da Causa, os chefes autorizados de seus correligionários, numa das comunidades mais avançadas no mundo islâmico, por iniciativa própria publicaram para o mundo um documento que com justiça pode ser designado como o primeiro capítulo da libertação, emancipando a Fé Bahá'í das cadeias do Islã ortodoxo. E, para garantir o completo rompimento das relações oficiais bahá'ís com cortes islâmicas, eles declararam em termos inequívocos a condição de que em circunstância alguma o casamento daqueles bahá'ís, dos quais se exigiu que se divorciassem de suas esposas muçulmanas, pode ser renovado pelas cortes muçulmanas a não ser e até que os maridos formalmente reneguem sua fé, declarando solenemente que o Alcorão é o último Livro de Deus revelado ao homem, que nenhuma lei pode ab-rogar a Lei do Profeta, nenhuma fé pode suceder Sua Fé, nenhuma revelação pode pretender cumprir Sua Revelação. Enquanto resolutos em sua crença na posição divina do Autor do Alcorão e profundamente convencidos da necessidade e da influência de âmbito mundial de Sua missão divina, os bahá'ís em todas as terras permanecem destemidos e imperturbados diante da enérgica condenação pronunciada contra seus irmãos no Egito. De fato, juntamente com seus colaboradores em todos os países islâmicos, com alegria e orgulho saúdam toda oportunidade de maior emancipação para que possam mostrar de um modo mais verdadeiro a sublime missão de Bahá'u'lláh. Face a uma declaração tão enfática e desafiadora, os bahá'ís do Ocidente não podem senão sentir a mais profunda solidariedade para com seus irmãos egípcios, os quais, por amor à nossa amada Causa, têm de enfrentar todos os embaraços e aborrecimentos que o rompimento de laços há muito estabelecidos necessariamente acarretam. No entanto, com toda certeza eles esperam que, em vista da grave advertência expressamente pronunciada por nossos oponentes, todo crente firme e leal na Fé residente naquele país se abstenha de qualquer ato que possa de alguma maneira, aos olhos de um inimigo crítico e vigilante, constituir um repúdio às crenças fundamentais do povo de Bahá. Com a máxima certeza, sempre que o momento for oportuno, eles seguirão com corações desejosos de oferecer todo apoio ao seu alcance aos seus colaboradores que, com corações valentes e lealdade impecável, continuarão a manter erguido o estandarte da diligente Fé de Deus. Eles não falharão em socorrer aqueles que com jubilosa confiança suportarão até o fim as vicissitudes que este Novo Dia de Deus, ora nas dores do parto, necessariamente deverá sofrer e superar. ATAQUE DE ÂMBITO MUNDIAL PREVISTO Não podemos crer que à medida que o Movimento cresce em força, autoridade e influência, as perplexidades e sofrimentos com as quais teve de lutar no passado irão diminuir correspondentemente e desvanecer. Não, à medida que sua força for aumentando, os defensores fanáticos dos baluartes da ortodoxia, quaisquer que sejam suas denominações, percebendo a penetrante influência desta Fé em crescimento, levantar-se-ão e envidarão todas as energias para extinguir sua luz e desacreditar seu nome. Pois não é que nosso bem -amado 'Abdu'l-Bahá enviou Sua ardente profecia de trás dos muros da cidadela de 'Akká - palavras tão significativas na sua previsão do iminente tumulto mundial, ainda que tão rica em sua promessa de vitória final: "Quão grande, quão imensa é esta Causa! Quão violentamente furioso o ataque de todos os povos e raças da terra! Em breve, o clamor da multidão através da África, através da América, o grito dos europeus e dos turcos, os gemidos da Índia e da China, serão ouvidos tanto de longe como de perto. Cada um e todos, eles se levantarão com todo o seu poder para resistir à Sua Causa. Então os cavaleiros do Senhor, assistidos pela graça oriunda do alto, fortalecidos pela fé, ajudados pelo poder da compreensão, e reforçados pelas legiões do Convênio, levantar-se-ão e tornarão manifesta a verdade do versículo: 'Vede a confusão que sobreveio às tribos dos derrotados!'" Amigos ternamente amados, incumbe a nós a suprema obrigação de permanecer ao Seu lado, lutar as Suas batalhas e conquistar Sua vitória. Que possamos nos mostrar dignos desta confiança. Seu verdadeiro irmão, 39 - 20 DE FEVEREIRO DE 1927 Aos membros da assembléia espiritual Nacional dos Bahá'ís dos Estados Unidos e Canadá. Queridos e preciosos colaboradores na vinha de Deus, Os comunicados que me foram enviados pela sua infatigável e destacada secretária, datados de 28 de outubro, 8, 11 e 18 de novembro, 4 e 16 de dezembro e 27 de janeiro, foram recebidos e, juntamente com seus anexos, lidos e cuidadosamente observados. Nada posso fazer senão admirar o espírito de infatigável determinação e harmoniosa cooperação com as quais vocês estão conduzindo as atividades em constante expansão da Causa numa terra sobre a qual nosso Bem-Amado generosamente derramou Suas mais ricas bênçãos, e por cujas potencialidades espirituais Ele nutriu as mais brilhantes esperanças. Os vigorosos esforços que vocês estão envidando para consolidar as forças que o Todo-Poderoso colocou em suas mãos; a desenvoltura que mostram pelas medidas tomadas para o avanço da Causa; a magnífica resposta com que receberam o comovente chamado de seus sofridos irmãos do Oriente - todos esses proclamam seu merecimento dos incomparáveis esforços que, mais do que qualquer outra terra, 'Abdu'l-Bahá exerceu em seu país para a difusão da Revelação de Bahá'u'lláh. O MÉTODO DE ENSINO DUPLO Com relação às Conferências de Unidade Mundial, organizadas por vocês, desejo assegurá- los de minha sincera estima por tão esplêndida concepção. Estou profundamente comovido pela generosa assistência espontaneamente oferecida por aqueles que, fiéis a suas outras obrigações, levantaram-se para garantir o sucesso financeiro de tão nobre Plano. Sou grato àquelas Assembléias Locais e indivíduos que lhes deram seu mais sincero apoio em seus respectivos campos. Quanto à política que deve ser adotada em relação a essas Conferências e outras atividades bahá'ís em geral, parece cada vez mais evidente que, à medida que o Movimento cresce em força e poder, se as circunstâncias permitirem e os meios ao seu dispor justificarem, a Assembléia Espiritual Nacional deve ser encorajada a recorrer ao método duplo de direta e indiretamente conquistar a simpatia do público erudito para a aceitação irrestrita da Fé Bahá'í. O primeiro método assumiria um tom aberto, decisivo e desafiador. O outro, de modo algum, implicando o mais leve afastamento da restrita lealdade à Causa de Deus, seria progressivo e cauteloso. A experiência revelará o fato de que cada um dos métodos, à sua própria maneira especial, poderá se adequar a um temperamento e classe particular de pessoas, e que na condição atual de uma sociedade em constante mudança, deveria ser criteriosamente utilizado. Acho que os representantes nacionais dos crentes em todas as terras devem utilizar e combinar ambos os métodos, o franco bem como o gradual, de tal modo que garanta o maior benefício e o mais completo proveito para esta Causa em constante crescimento. Todo crente firme e generoso está perfeitamente convencido da infalível eficácia de todo empreendimento humanitário que corajosa e abertamente proclame a consciência da Revelação de Bahá'u'lláh como a origem de sua força impulsora. Ainda assim, se apenas recordarmos a prática geralmente adotada por 'Abdu'l-Bahá, não poderemos deixar de perceber a sabedoria, ou melhor, a necessidade de desvelar gradual e cautelosamente aos olhos de um mundo descrente as implicações de uma verdade que pela sua própria natureza desafiadora lhe é tão difícil compreender e abraçar. Era Ele, nosso bem-amado 'Abdu'l-Bahá, nosso verdadeiro e brilhante Exemplo, que com infinito tato e paciência, seja em Suas elocuções públicas ou em conversas particulares, adaptava a apresentação dos fundamentos da Causa à diversidade de capacidades e receptividades espirituais de Seus ouvintes. No entanto, Ele nunca hesitava em retirar o véu e revelar aos espiritualmente amadurecidos aquelas verdades desafiadoras que mostram o verdadeiro caráter da relação entre esta suprema Revelação e as Dispensações do passado. Quando desafiados a defender em sua inteireza a estupenda reivindicação de Bahá'u'lláh, seja trabalhando como indivíduos ou funcionando como uma comunidade organizada, os bahá'ís, desembaraçados e destemidos, sentem-se seguros de que diante da apatia, do grosseiro materialismo, e da superficialidade da sociedade hodierna, o desvelamento progressivo da magnitude da reivindicação de Bahá'u'lláh constituiria o mais efetivo meio para a realização do objetivo tão imensamente desejado até mesmo pelo mais firme e zeloso defensor da Fé. Inteiramente cientes das reiteradas declarações de 'Abdu'l-Bahá de que a universalidade é de Deus, os bahá'ís, em qualquer terra, estão prontos, ou melhor, ansiosos em se associar, por palavras e ações, a qualquer sociedade de pessoas que, após cuidadosa pesquisa, sintam- se satisfeitos de que ela é livre de qualquer traço de partidarismo e política e é totalmente devotada aos interesses de todo o gênero humano. Em sua colaboração com tais sociedades eles oferecem qualquer assistência moral e material que lhes seja possível, depois de terem desempenhado seu quinhão de apoio àquelas instituições que afetam diretamente os interesses da Causa. No entanto, devem sempre ter em mente o propósito predominante de tal colaboração, que é assegurar, no devido tempo, o reconhecimento, por parte daqueles aos quais se associam, da suprema necessidade e da verdadeira importância da Revelação Bahá'í nos dias atuais. À medida que o Movimento expande os limites de sua influência e se multiplicam suas oportunidades de um reconhecimento mais pleno, sinto que o caráter duplo da obrigação imposta aos representantes nacionais eleitos deve ser enfatizado. Enquanto principalmente ocupados com sua maior tarefa, que consiste primordialmente na formação e consolidação das instituições administrativas bahá'ís, eles devem se esforçar em participar, dentro de certos limites, do trabalho de instituições que, embora desconhecendo a reivindicação da Causa Bahá'í, são impelidos por um sincero desejo de promover o espírito que anima a Fé. No desempenho de sua mais importante tarefa, sua função é preservar a identidade da Causa e a pureza da missão de Bahá'u'lláh. No seu empreendimento menos importante, seu propósito deve ser o de imbuir com o espírito de poder e força aqueles movimentos que em seu escopo restrito se esforçam para realizar aquilo que é íntimo e desejado pelo coração de todo verdadeiro bahá'í. Às vezes pode até ser aconselhável e proveitoso, como suplemento ao seu trabalho, que os bahá'ís iniciem qualquer empreendimento, não especificamente designado como bahá'í, desde que tenham a certeza de que tal empreendimento será a melhor maneira de aproximação àqueles cujas mentes e corações ainda não estão preparados para uma aceitação da reivindicação de Bahá'u'lláh. Os representantes nacionais da Causa Bahá'í é que devem observar as condições em que trabalham, para avaliar as forças que estão em funcionamento em sua própria redondeza, para medirem cuidadosa e seriamente os méritos de cada procedimento e formar uma idéia correta a respeito do grau de ênfase que deve ser dado a esses dois métodos. Então, e somente então, eles serão capacitados de um lado a proteger e estimular o crescimento independente da Fé Bahá'í e, do outro, provar a reivindicação de seus princípios universais aos desconfiados e descrentes. Eu já considerei esta delicada e complexa questão com os representantes bahá'ís que pedi para se reunirem na Terra Santa com a esperança de chegar à melhor solução possível, quanto aos urgentes e intricados problemas que confrontam o desenvolvimento da Causa Bahá'í. Pedi ao nosso ternamente amado irmão, sr. Mountfort Mills, cujos serviços à Causa somente gerações futuras poderão avaliar, para familiarizá-los com estas e outras considerações cuja delicadeza e escopo somente podem ser adequadamente reveladas por uma explanação verbal. Ele os informará, de modo pleno e oficial, sobre a diretriz que deve governar a administração do Star of the West, o caráter e a variedade da bibliografia a ser inserida na próxima edição do Anuário Bahá'í, a situação atual da Casa de Bahá'u'lláh em Bagdá, as esperanças e desejos que nutro para a conclusão com êxito do Plano de Ação Unificada, e as conseqüências e possibilidades relacionadas à decisão do tribunal religioso do Egito quanto aos bahá'ís de origem islâmica naquele país. O esplêndido registro dos atos dos representantes locais e nacionais dos bahá'ís dos Estados Unidos e Canadá, reunido na compilação de recortes de jornais que vocês recentemente me enviaram, será enviado à Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá'ís da Pérsia. Eu lhes pedirei para passarem de mão em mão, de modo que o contingente dos sofredores daquele país desatento possa obter a força e o conforto que a leitura de tão nobre registro de serviços há de gerar. Com relação à campanha de publicidade recentemente lançada por um grupo de amigos devotados, com sua permissão e sob sua supervisão, desejo expressar minha mais sincera esperança de que ela seja ricamente abençoada pelo nosso Bem-Amado e que produza frutos abundantes. Sinto-me gratificado em saber que aqueles que conceberam um plano tão abrangente e o apoiaram generosamente com todos os meios ao seu alcance abstiveram-se de qualquer ação que pudesse implicar na imposição de novo ônus sobre aqueles que tomaram para si os compromissos financeiros relacionados ao plano orçamentário. Sinceramente espero que aqueles que decidiram financiar este projeto com tão generosa espontaneidade já cumpriram seus sagrados compromissos relacionados ao Plano, e não permitirão que quaisquer compromissos assumidos para publicidade interfiram nas suas contribuições regulares ao fundo nacional, cuja importância suprema já foi enfatizada. O ESPÍRITO DE EMPREENDIMENTO É obrigação e privilégio das Assembléias Nacional e Locais, caso achem que as necessidades prementes de seus orçamentos local e nacional já foram adequadamente supridas, encorajar os indivíduos e grupos a iniciar e conduzir, com seu conhecimento e aprovação, qualquer empreendimento que possa servir para intensificar o trabalho que se comprometeram realizar. Não satisfeitos com apelos dirigidos a cada um e todos os crentes a oferecerem quaisquer sugestões construtivas ou planos que possam solucionar injustiças existentes, eles devem estimular, através de quaisquer meios que estejam ao seu alcance, o espírito de empreendimento entre os crentes a fim de promover o ensino, bem como o trabalho administrativo da Causa. Devem se empenhar, através de contato pessoal e de apelos escritos, em imbuir o contingente de fiéis com um profundo senso de responsabilidade pessoal e urgir cada crente, seja ele grande ou humilde, pobre ou rico, a conceber, formular e executar ações e projetos que aos olhos dos seus representantes possam contribuir para a grandeza e o bom nome desta sagrada Causa. Nas minhas horas de oração, nos túmulos sagrados, suplicarei para que a luz da guia divina possa iluminar seu caminho e os capacite a utilizar, da maneira mais efetiva, o espírito de empreendimento individual que, uma vez aceso no peito de cada um e de todo crente e dirigido pela disciplina da majestosa lei de Bahá'u'lláh que nos foi imposta, levará avante nossa amada Causa para que atinja seu glorioso destino. Seu verdadeiro irmão, 40 - 12 DE ABRIL DE 1927 Aos membros da Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá'ís dos Estados Unidos e Canadá. Amigos ternamente amados, Seus recentes comunicados, datados de 17 de fevereiro e de 2, 17 e 21 de março foram recebidos e sua leitura serviu para aumentar minha admiração pela inabalável determinação que caracteriza os esforços conjuntos que vocês estão fazendo para a difusão e consolidação da Fé Bahá'í. HARMONIA INTER-RACIAL Recebi, também, e li com o mais aguçado interesse e apreciação uma cópia do esplêndido documento formulado pelo Comitê de Harmonia Inter-racial, endereçado a todas as Assembléias Espirituais em todo o território dos Estados Unidos e Canadá. Este tocante apelo, de concepção tão admirável, de linguagem tão profunda e sóbria, comoveu meu coração. Difundido num momento tão oportuno na evolução de nossa sagrada Fé, ele serviu como um lembrete potente dessas questões desafiadoras que continuam a confrontar de uma maneira particular os crentes americanos. À medida que, no inevitável decurso dos acontecimentos, este problema aumenta de intensidade e complexidade, e à medida que o número de fiéis de ambas as raças se multiplica, torna-se cada vez mais evidente que o futuro crescimento e prestígio da Causa são necessariamente influenciados, em grau extremo, pela maneira com que os aderentes da Fé Bahá'í praticam, primeiramente entre eles próprios e depois nas suas relações com seus semelhantes, os elevados padrões de harmonia inter-racial tão amplamente proclamada e tão corajosamente exemplificada ao povo americano pelo nosso Mestre 'Abdu'l-Bahá. Com toda a seriedade e urgência que este premente problema exige, dirijo meu apelo a todo apoiador consciencioso dos princípios universais de Bahá'u'lláh para enfrentar esta delicada situação com a coragem, determinação e sabedoria que ele requer. Não posso crer que aqueles cujos corações foram tocados pela influência regeneradora da Fé criativa de Deus em Seu dia acharão difícil purificar suas almas de todo traço duradouro de animosidade racial, tão subversiva à Fé que professam. Como podem os corações palpitantes com o amor de Deus deixar de corresponder a todas as implicações desta suprema injunção de Bahá'u'lláh cuja aceitação irrestrita constitui, nas circunstâncias ora prevalecentes na América, a marca distintiva de um verdadeiro caráter bahá'í? Que cada crente, desejoso de testemunhar o rápido e sadio progresso da Causa de Deus, perceba a dupla natureza desta tarefa. Que primeiramente volva seus olhos para dentro de si, examine seu próprio coração e esteja satisfeito de que, nas suas relações com seus companheiros de fé, independente de cor e classe, ele está se mostrando cada vez mais leal ao espírito de sua amada Fé. Certo e contente de que está fazendo o máximo esforço consciente para cada dia se aproximar mais da sublime posição à qual seu gracioso Mestre o está convocando, que se volva à sua segunda tarefa e, com confiança e vigor condizentes, invista contra o poder devastador daquelas forças que em seu próprio coração já conseguiu subjugar. Inteiramente suscetível à infalível eficácia do poder de Bahá'u'lláh, e armado com as armas essenciais de uma sábia prudência e inflexível determinação, que trave uma luta constante contra as tendências herdadas, os instintos corruptivos, os modismos oscilantes, as falsas aspirações da sociedade em que vive e se associa. Nas relações entre si próprios como companheiros de fé, que não se contentem com mera troca de formalidades frias e vazias, freqüentemente relacionadas com a organização de banquetes, recepções, assembléias consultivas e conferências. Antes, que como co- participantes dos benefícios espirituais que lhes foram conferidos por Bahá'u'lláh, levantem-se e com a ajuda e conselho de seus representantes locais e nacionais suplementem essas funções oficiais com aquelas oportunidades que somente um relacionamento social estreito e íntimo pode proporcionar adequadamente. Nos seus lares, nas suas horas de descanso e lazer, nos contatos cotidianos de trabalho e negócios, nas relações de seus filhos, seja nas salas de aula, play-grounds, dependências de clubes, em suma, em quaisquer circunstâncias possíveis, não importa quão insignificante possam parecer, a comunidade dos seguidores de Bahá'u'lláh deve estar convicta de que, aos olhos do mundo em geral e aos olhos de seu vigilante Mestre, eles são testemunhas vivas daquelas verdades que Ele amorosamente nutriu e incansavelmente defendeu até o final de Sua vida. Se relaxarmos nosso objetivo, se vacilarmos na nossa fé, se negligenciarmos as variadas oportunidades que de tempos em tempos nos são dadas pelo sapiente e gracioso Mestre, não estaremos simplesmente falhando naquilo que é nossa obrigação mais vital e preeminente, mas desse modo estaremos retardando insensivelmente o fluxo daquelas energias vivificadoras, as quais são o único meio de assegurar o vigoroso e rápido desenvolvimento da diligente Fé de Deus. Desejo particularmente dirigir meu apelo a vocês, como os Fideicomissários da Fé sagrada de Deus, para reafirmar por palavras e atos o espírito e o caráter das insistentes admoestações de 'Abdu'l-Bahá, tão solene e explicitamente proferidas no decorrer de Sua viagem pelo seu país - uma incumbência que é privilégio e função sua preservar e fortalecer. Que as variadas oportunidades apresentadas à futura assembléia dos amigos de Green Acre neste verão - um lugar tão admiravelmente adequado à realização de tão nobre ideal - sejam plenamente utilizadas para promover este nobre objetivo. Que sirva, de um lado, para banir de uma vez por todas todo receio e desconfiança em relação à atitude que deve caracterizar a conduta dos membros da família bahá'í e, do outro, para familiarizar o público convidado com esse aspecto de nossa Fé que, devido à pressão das circunstâncias, alguns tenderam a ignorar. GREEN ACRE - UM CAMPO DE TESTE Minha mais sincera esperança e súplica é que o próximo encontro em Green Acre, cuja programação foi cuidadosa e criteriosamente preparada, possa servir como um campo de teste para a aplicação daqueles ideais e padrões que se destacam como aspectos distintivos da Revelação de Bahá'u'lláh. Possam os crentes reunidos - por ora apenas um minúsculo núcleo da comunidade Bahá'í do futuro - exemplificar aquele espírito de amor e companheirismo universal de tal modo que desperte nas mentes daqueles a que se associam a visão daquela futura Cidade de Deus que somente o poderoso braço de Bahá'u'lláh pode estabelecer. Não é pela mera imitação dos excessos e da lassidão da extravagante época em que vivem; não é pela indolente negligência às sagradas responsabilidades que é privilégio seu ombrear; não é pelo silencioso comprometimento aos princípios ternamente estimados por 'Abdu'l-Bahá; não é pelo seu receio de impopularidade, ou pelo seu temor à censura que eles podem esperar despertar a sociedade de sua letargia espiritual e servir como um modelo a uma civilização cujas fundações foram quase minadas pela corrosão do preconceito. Que demonstrem aos seus compatriotas a enobrecedora realidade de um poder que deverá unir um mundo desunido através da sublimidade de seus princípios, o calor de seu amor, a imaculada pureza de seu caráter e a profundidade de sua devoção e lealdade. Nós podemos nos mostrar dignos de nossa Causa se na nossa conduta individual e vida coletiva imitarmos diligentemente o exemplo de nosso bem-amado Mestre, Aquele que os terrores da tirania, as tempestades de incessante abuso e a opressão da humilhação jamais O desviaram, nem pela grossura de um fio de cabelo, da lei revelada de Bahá'u'lláh. Tal é o caminho da servitude, tal é a estrada da santidade que Ele decidiu trilhar até o final de Sua vida. Nada menos que a mais estrita aderência ao Seu glorioso exemplo pode guiar seguramente nossos passos em meio às armadilhas desta perigosa era e nos levar a concluir nosso elevado destino. Seu verdadeiro irmão, 41 - 27 DE ABRIL DE 1927 Aos amados do Senhor e servas do Misericordioso em todo o território dos Estados Unidos e Canadá. Amigos ternamente amados, Com sentimentos de horror e indignação, comunico-lhes o relato de mais uma tragédia a respeito do derramamento do sangue de um mártir da Fé no sagrado solo da Pérsia. Ao escrever estas linhas, tenho diante de mim o relatório da Assembléia Espiritual Local de Ardibíl, uma cidade nos confins do nordeste da província de Ádhirbáyján, não muito distante daqueles locais sagrados em que o Báb sofreu Seu derradeiro confinamento e martírio. Endereçado à Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá'ís da Pérsia, este relatório conta em linguagem simples, porem comovente, as circunstâncias que levaram ao covarde crime cometido na escuridão da noite pela instigação do clero fanático - os oponentes mais mortais da Fé naquela cidade. ASSASSINATO DE CRENTE PERSA Há algum tempo, nosso irmão martirizado, chamado Amínu'l-'Ulamá', havia se tornado notório aos olhos dos habitantes muçulmanos de Ardibíl pela tenacidade de sua fé em se recusar abertamente, em todas as instâncias, a difamar e renunciar suas mais caras convicções. Na última parte do Ramadã - o mês relacionado à oração, atos piedosos e jejum - sua utilização do banho público (aquela instituição há longo tempo estabelecida, cujas amenidades e privilégios são, via de regra, permitidos somente aos aderentes da Fé islâmica), serviu para inflamar a turba e para fornecer um maquinador instigante com o pretexto de dar um fim à sua vida. No mercado, ele foi ridicularizado e condenado como apóstata da Fé islâmica e, ao rejeitar corajosamente os repetidos pedidos com que foi bombardeado para que execrasse o nome Bahá'í, ele foi legalmente exposto à penalidade de morte imediata nas mãos de qualquer devotado apoiador da tradição islâmica. A despeito da cuidadosa vigilância de um contingente de guardas que, em resposta à intercessão de seus amigos junto às autoridades locais, se encontrava em volta de sua casa, o traiçoeiro criminoso conseguiu entrar em sua casa e na 22ª noite de Ramadã que corresponde a 26 de março de 1927, investiu contra ele da maneira mais traiçoeira e covarde. Ocultando sua adaga desembainhada debaixo de sua roupa, aproximou-se de sua vítima e fingindo querer sussurrar uma mensagem confidencial ao seu ouvido, fez penetrar a arma profundamente nos seus órgãos vitais, ferindo-o na região das costelas e mutilando seu corpo. Todas as tentativas de garantir uma assistência médica imediata parecem ter sido frustradas pelo perverso esquema daqueles que eram associados a este implacável criminoso, e a impotente vítima, após algumas horas de dor agonizante entregou sua alma ao seu Bem-Amado. Seus amigos e companheiros de fé, alarmados pela expectativa de uma nova conflagração que inevitavelmente resultaria caso se consentisse que seus restos mortais tivessem os privilégios comuns de um sepultamento decente, decidiram enterrar seu corpo em um dos dois quartos que lhe serviam de moradia, procurando assim apaziguar a fúria de um inimigo impiedoso. Ele deixa em desesperadora pobreza uma família de menores sem qualquer apoio senão a mãe deles, esperando seu filho, e sem qualquer esperança de auxílio da parte de seus parentes não bahá'ís, a cujos olhos eles merecem ser tratados com o mais vil desprezo. O relatório acima mencionado, parece indicar que o impiedoso atacante foi preso, esperando, no entanto, ser mais cedo ou mais tarde libertado, como ocorreu com diversos incidentes similares no Sul da Pérsia, sob pressão de suborno e intimidação assiduamente exercida por um inimigo impenitente. Amigos muito queridos! Qualquer medida de publicidade que os esforços conjuntos das Assembléias Bahá'ís do Ocidente, às quais a Providência todo-poderosa conferiu os inestimáveis benefícios da tolerância religiosa e liberdade, puderem conceder a esta última manifestação de desenfreado barbarismo na Pérsia, será extremamente oportuna e valiosa. Estou certo de que ela conferirá conforto duradouro àquelas desconsoladas vítimas de sofrimento que com sublime heroísmo continuam a defender as tradições de sua amada Fé. Nossa única arma está nos nossos devotados esforços, inteligente e persistentemente exercidos, por quaisquer meios que estejam ao nosso alcance, para despertar a consciência de uma humanidade desatenta, e direcionar a atenção dos homens de visão e autoridade para esses atos odiosos cuja ferocidade e freqüência só podem constituir, aos olhos de todo observador honesto, o desafio mais grave a tudo o que é sagrado e precioso na nossa civilização atual. Seu verdadeiro irmão, 42 - 27 DE MAIO DE 1927 Aos membros da Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá'ís dos Estados Unidos e Canadá. Ternamente amados colaboradores, Seus comunicados datados de 15 de abril e 6 e 9 de maio foram recebidos, juntamente com seus anexos, e cuidadosamente lidos. DECLARAÇÃO DE FIDEICOMISSO E ESTATUTOS A Declaração de Fideicomisso, cujas cláusulas vocês conceberam de modo tão esplêndido e formularam com tamanho cuidado, indica outro marco no caminho do progresso no qual vocês estão avançando com paciência e determinação. Clara e concisa em seu texto, perfeita em seus princípios e completa nas suas afirmações dos fundamentos da administração bahá'í, em sua forma final ela é uma exposição digna e fiel da base constitucional das comunidades bahá'ís em todas as terras, prenunciando a emergência final de comunidade mundial bahá'í do futuro. Este documento, quando correlacionado e combinado com a série de estatutos que tenho certeza logo estarão disponíveis, servirá de padrão para toda Assembléia Nacional Bahá'í, seja do Oriente ou do Ocidente, que aspire estar em conformidade com o espírito e a letra da ordem mundial introduzida por Bahá'u'lláh, até que a primeira Casa Universal de Justiça seja formada. Estou ansiosamente esperando o recebimento da série completa de estatutos cujo propósito deve ser o de suplementar as cláusulas, esclarecer o objetivo e explicar mais plenamente o funcionamento do princípio subjacente à Declaração acima mencionada. Depois de dar minha mais cuidadosa atenção pessoal, transmiti-la-ei a vocês, de modo que possam apresentá-la às Assembléias Espirituais, as quais por sua vez se esforçarão em assegurar sua ratificação final pelo contingente dos crentes reconhecidos em toda a extensão dos Estados Unidos e Canadá. Eu os urgiria a inserir o texto da Declaração, a completa série de estatutos, e o conseqüente registro da Declaração de Fideicomisso, todos juntos na próxima edição do Anuário Bahá'í, de modo que simpatizantes e crentes, em todos os lugares, possam igualmente obter uma visão clara e correta da estrutura preliminar daquele sistema completo da administração mundial implícito nos ensinamentos de Bahá'u'lláh. O ESPÍRITO E O MÉTODO DAS ELEIÇÕES BAHÁ'ÍS Com relação ao melhor e mais prático método de procedimento a ser adotado para a eleição de Assembléias Espirituais Bahá'ís, acho que em vista do fato de não haver regulamentos definidos e detalhados explicitamente revelados por Bahá'u'lláh nem formulados no Testamento de 'Abdu'l-Bahá a respeito da conduta e do caráter das eleições bahá'ís, cabe aos membros da Casa Universal de Justiça formular e aplicar tal sistema de leis que esteja em conformidade com os princípios básicos e requisitos expressamente estabelecidos pelo Autor e o Intérprete da Fé para a condução da administração bahá'í. Em conseqüência disso, eu me abstive de estabelecer um procedimento uniforme e definido para a eleição das Assembléias do Oriente e do Ocidente, deixando-as livres para seguirem seus próprios métodos de procedimento que, na maioria dos casos, haviam sido instituídos e praticados durante as últimas duas décadas da vida de 'Abdu'l-Bahá. A prática geral que prevalece em todo o Oriente é o baseado sobre o princípio da pluralidade em vez do de maioria absoluta, no qual aqueles candidatos que obtiverem o maior número de votos, independente de receberem ou não uma maioria absoluta de votos, são automática e definitivamente eleitos. Tem-se notado, não injustificadamente, que este método, reconhecidamente em desvantagem quanto à sua desconsideração pelo princípio que exige que cada membro eleito deva assegurar uma maioria de votos, anula, por outro lado, uma desvantagem mais séria de restringir a liberdade do eleitor que, desimpedido e desembaraçado das necessidades eleitorais, é chamada a votar somente naqueles que a prece e a reflexão o inspirarem a apoiar. Além disso, a prática da nomeação, tão prejudicial à atmosfera de uma eleição silenciosa e compenetrada, é vista com desconfiança, uma vez que dá à maioria de um corpo, que nas circunstâncias atuais freqüentemente constitui em si mesmo uma minoria de todos os delegados eleitos, o direito de negar aquela liberdade concedida por Deus a cada eleitor de votar apenas em favor daqueles que estiver conscienciosamente convencido de que são os candidatos mais dignos. Se este sistema simples for provisoriamente adotado, ele há de salvaguardar o princípio espiritual de uma liberdade irrestrita ao votante que desse modo preserva intacta a pureza da escolha que fez inicialmente. Isso evitará a inconveniência de assegurar nomeações prévias de delegados ausentes e a inadequação de associá-los aos eleitores reunidos nas cédulas subseqüentes, o que freqüentemente exige que satisfaça as exigências de voto majoritário. Gostaria de recomendar para considerarem estas observações com a maior seriedade e, qualquer que seja a decisão a que chegarem, tenho certeza que todas as Assembléias e indivíduos a apoiarão, pois sua obrigação e privilégio espiritual não é somente consultar livre e regularmente com a Assembléia Espiritual Nacional, mas também apoiar com confiança e satisfação qualquer que seja a deliberação de seus representantes nacionais. Desejando seu sucesso de todo o meu coração, Seu verdadeiro irmão, 43 - 17 DE OUTUBRO DE 1927 Aos honrados membros das Assembléias Espirituais Nacionais em todo o Ocidente. Meus queridos colaboradores, Com sentimentos de indignação abrasadora, vejo-me impelido a deixá-los informados sobre os vários acontecimentos que recentemente ocorreram na Pérsia. Embora em seus efeitos imediatos, esses acontecimentos poderão se tornar gravemente inquietantes para os seguidores da Fé na Pérsia e outros lugares, no entanto eles finalmente contribuirão para o fortalecimento e purificação da Causa que amamos e servimos com constância. Refiro-me à traiçoeira conduta de um aderente declarado dos ensinamentos de Bahá'u'lláh, chamado 'Abdu'l-Husayn Ávárih, até agora considerado um respeitado instrutor da Causa, e não desconhecido pelos seus seguidores na Europa. De uma natureza e caráter que aqueles que o conheceram bem jamais deixaram de desprezar, até mesmo no período mais brilhante de sua carreira pública na Causa, ultimamente ele foi levado pela força das circunstâncias, gravemente mal avaliadas pela sua estreiteza de visão, a retirar a máscara que durante tantos anos escondeu sua horrenda natureza. A súbita remoção da personalidade dominante do nosso bem-amado 'Abdu'l-Bahá; a conturbada consternação que se apoderou de seus seguidores nos anos seguintes ao Seu passamento; a reputação que ele adquiriu diante de olhos superficiais devido às suas viagens à Europa; o sucesso de suas volumosas compilações da história da Causa - estas e outras circunstância o incitaram a lançar uma campanha de insinuação e fraude visando a subversão de instituições expressamente previstas por Bahá'u'lláh. Na completa perturbação da Causa ele viu claramente sua chance de capturar a lealdade de pelo menos uma considerável parte de seus seguidores no Oriente, se não a de toda a comunidade mundial bahá'í. Tão logo seus perversos sussurros chegaram aos ouvidos de seguidores leais e vigilantes de Bahá'u'lláh, eles se levantaram com força esmagadora e firme determinação para denunciá-lo como um inimigo perigoso procurando minar a fé e solapar a lealdade dos aderentes da Causa de Deus. Evitado por todo o contingente de crentes, abandonado pelos seus mais antigos e íntimos amigos, deixado pela sua esposa, separado de seu único filho, impedido até mesmo de entrar na sua própria casa, privado do lucro que esperava obter com a venda e circulação de seu livro, para sua completa perplexidade e remorso, ele viu suas melhores esperanças irremediavelmente despedaçadas. Desamparado, falido e em desesperada fúria, com surpreendente audácia ele tentou agora expor a amigos e inimigos a futilidade e a falsidade que atribuiu à Causa, revelando assim as profundezas de sua própria degradação e tolice. Com implacável ódio, ele conspirou com o clero fanático e os membros ortodoxos da missão estrangeira em Teerã, aliou-se a todo elemento hostil na capital e com a mais diabólica engenhosidade dirigiu seu apelo aos mais altos dignitários do Estado e de todas as maneiras procurou garantir ajuda financeira para a promoção de seu objetivo. Não contente em denunciar de modo infame a originalidade e a eficácia dos ensinamentos da Causa, não satisfeito com a rejeição da autenticidade da Última Vontade e Testamento de 'Abdu'l-Bahá, ele ousou atacar a excelsa pessoa do Autor e Fundador da Fé, e imputar ao seu Precursor e ao verdadeiro Exemplar os motivos mais vis e as intenções mais incríveis. Com absoluta malignidade, ele se empenhou em reavivar a conhecida acusação de representar os verdadeiros amantes da Pérsia como os inimigos declarados de toda forma estabelecida de autoridade naquele país, os perturbadores impiedosos de sua paz, os principais obstáculos de sua unidade e os decididos destruidores da venerada fé do Islã. De todas as maneiras que uma mente sórdida e traiçoeira é capaz de tramar, nas páginas de seu livro ele tentou aterrorizar o coração do crente confiante, semear as sementes da dúvida na mente das pessoas de boa vontade e dos amáveis, envenenar os pensamentos dos indiferentes e reforçar o poder da arma de ataque do adversário. Mas, que lástima! Ele se empenhou em vão, ignorando o fato de que toda a pompa e poder da realeza, todos os esforços conjuntos dos mais poderosos potentados do Islã, todas as engenhosas tramas a que os mais impiedosos torturadores de uma raça cruel recorreram por quase um século, mostraram-se todos impotentes para impedir o fluir da amada Fé ou lhe extinguir a chama. Certamente, se interpretarmos a história da Causa corretamente, não podemos deixar de observar que o Oriente já testemunhou não poucos de seus filhos, de ampla experiência, ou de alta posição, de grande influência, apostatarem sua fé e, para sua mais completa consternação, se virem privados de quaisquer talentos que possuíssem e desaparecerem rapidamente na sombra do esquecimento e não mais serem mencionados. Se alguma vez seu livro obtiver ampla circulação no Ocidente, se alguma vez confundir a mente dos desinformados e novatos, não tenho dúvidas de que as diversas Assembléias Espirituais Nacionais Bahá'ís em todo o mundo ocidental, com o apoio constante das Assembléias Locais e indivíduos crentes, levantar-se-ão de coração e alma para a defesa da inexpugnável fortaleza da Causa de Deus, para vindicar a santidade e sublimidade dos ensinamentos bahá'ís e condenar, aos olhos daqueles que detêm a autoridade, aquele que de modo ignóbil ousou atacar, não somente os princípios, mas a sagrada Pessoa do reconhecido Fundador de uma Fé estabelecida e de âmbito mundial. Seu verdadeiro irmão, 44 - 18 DE OUTUBRO DE 1927 Aos membros da Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá'ís dos Estados Unidos e Canadá. Ternamente amados colaboradores, Eu já expressei indiretamente meu ponto de vista a respeito de várias questões secundárias levantadas nos seus últimos comunicados a mim, datadas de 23 de maio, 10 e 21 de junho, 11, 14, 15 e 25 de julho, 7 de agosto e 28 de setembro; e nesta carta desejo tratar mais especificamente de assuntos de importância primordial que afetam a condução e o desenvolvimento da administração bahá'í. O exame desses comunicados, repletos de notícias de atividades em constante multiplicação e planos recém-concebidos, todos os quais que tanto aprecio e acolho, me fez sentir, entretanto, parecer oportuno dizer agora uma palavra de cautela e advertência àqueles que trabalham com incessante satisfação para dar personificação condigna àquelas energias latentes liberadas pela Mensagem de Bahá'u'lláh. CONCENTRAÇÃO DE RECURSOS Por mais que regozije em testemunhar os abundantes sinais de inabalável energia que caracteriza a missão dos valorosos guerreiros da Causa em vários campos e terras distantes, não posso deixar de observar que, levados pela sua impetuosa ansiedade de estabelecer o incontestável domínio de Bahá'u'lláh nesta terra, através da multiplicação indevida de suas atividades e a conseqüente dissipação de suas forças, eles podem frustrar o propósito que os anima na execução de sua gloriosa tarefa. Particularmente sinto que esta necessidade de uma cuidadosa estimativa dos atuais recursos à nossa disposição e de uma cautelosa moderação em usá-los refere-se, de um modo especial, à rápida expansão das atividades dos crentes americanos, cuja missão cada vez mais parece ser o de dar a direção e mostrar o exemplo aos seus irmãos, através dos mares, estabelecendo uma fundação segura para as instituições permanentes da Fé Bahá'í. Sinto que esta é a principal razão pela qual anteriormente foi dada tanta ênfase à necessidade de consulta da parte dos indivíduos com seus representantes nacionais eleitos sobre a questão de iniciar planos de ação que estejam acima e além dos planos que as deliberações da Assembléia Espiritual Nacional já desenvolveram. Quanto à afiliação a instituições e organizações que defendem ideais e princípios que estejam em sintonia com a Revelação Bahá'í; à organização de revistas além daquelas já destinadas a promover aberta e indiretamente os interesses dos ensinamentos Bahá'ís; ao apoio financeiro que mais cedo ou mais tarde podemos ser chamados a oferecer a instituições filantrópicas e semelhantes; à promoção da causa de qualquer atividade particular à qual possamos estar sentimentalmente inclinados; devemos nos envolver com estes, assim como com todos os empreendimentos semelhantes, somente depois de havermos constatado definitivamente, através de cuidadosa deliberação com aqueles que estão em posição de responsabilidade, que as instituições que representam os mais altos interesses da Causa já estão seguros de uma assistência adequada e contínua. Nada menos que o espírito de intensa e contínua consulta com aqueles que, com devoção e de pleno acordo, colocamos na vanguarda dos administradores da preciosa herança legada por Bahá'u'lláh; nada menos que a persistente e vigorosa luta contra nossos instintos, inclinações naturais e heróica abnegação em subordinar nossas próprias preferências aos requisitos imperativos da Causa de Deus pode assegurar nossa completa lealdade a tão sagrado princípio - princípio este que em todos os tempos haverá de salvaguardar nossa amada Causa de tentações e trivialidades do mundo exterior, e das armadilhas do ego interior. Eu lhes solicito, bem amados irmãos, a decidirem como nunca antes a empenhar lealdade imperecível e vigilância incansável no apoio a um princípio tão essencial no decorrer das múltiplas atividades, de modo que possam ter satisfação permanente de terem deixado de fazer qualquer coisa que minimamente pudesse tender a impedir o fluxo ou obscurecer o esplendor do espírito rejuvenescente da Fé de Bahá'u'lláh. RELAÇÕES DOS COMITÊS PARA COM A ASSEMBLÉIA Quanto à decisão da Assembléia Espiritual Nacional de dar a maior atenção possível aos detalhes gerais do trabalho de seus comitês nacionais, acho que devo enfatizar que isto suscita uma questão fundamental de importância suprema, pois envolve um princípio ímpar da administração da Causa que governa as relações que devem ser mantidas entre o corpo administrativo central e seus órgãos auxiliares de ação executiva e legislativa. Conforme já foi observado, o papel desses comitês, estabelecidos pela Assembléia Espiritual Nacional, cuja renovação, composição e funções devem ser consideradas separadamente a cada ano pela nova Assembléia Nacional, é principalmente fazer um estudo cuidadoso e especializado do assunto que lhes é confiado, informar através de seus relatórios, e ajudar na execução das decisões que em assuntos vitais deve caber exclusiva e diretamente à Assembléia Nacional. É necessário que eles exerçam a máxima vigilância e o mais vigoroso empenho se desejam cumprir, de modo condizente à sua alta e respeitável missão, as funções que lhes cabe desempenhar. Eles devem, dentro dos limites que lhes são impostas pelas circunstâncias atuais, esforçar-se por manter o equilíbrio, de tal modo que os males da supercentralização que impede, confunde e com o passar do tempo deprecia o valor do serviço bahá'í, sejam de um lado inteiramente evitados, e do outro os perigos da descentralização completa com a conseqüente queda da autoridade administrativa das mãos dos representantes nacionais dos crentes definitivamente afastados. A absorção dos detalhes triviais da administração bahá'í pelos funcionários da Assembléia Espiritual Nacional é claramente prejudicial à eficiência e ao hábil desempenho dos deveres bahá'ís, enquanto a concessão de arbítrio indevido a corpos que de nenhum outro modo devem ser considerados senão como conselheiros especializados e assistentes executivos arriscaria os próprios poderes vitais e inerentes que são prerrogativas sagradas dos corpos que, no devido tempo, evoluirão para Casas Nacionais de Justiça. Estou inteiramente ciente do empenho e sacrifício que a leal adesão a um princípio tão essencial da administração bahá'í - princípio esse que a um só tempo enobrece e distingue o método bahá'í de administração dos sistemas que prevalecem no mundo - requer dos representantes nacionais dos crentes neste estágio inicial de nossa evolução. No entanto, sinto que não posso me abster de enfatizar o amplo curso ao longo do qual os afazeres da Causa devem ser cada vez mais conduzidos, cujo conhecimento é tão essencial neste período formativo das instituições administrativas bahá'ís. ESTATUTOS DA ASSEMBLÉIA NACIONAL Conforme já comuniquei, eu já li e reli cuidadosamente o esboço final dos estatutos redigidos pelo altamente talentoso e mui amado servo de Bahá'u'lláh, Mountfort Mills e sinto que nada tenho de substancial a acrescentar a esta primeira e respeitável tentativa de codificar os princípios gerais da administração bahá'í. Recomendo-o sincera e prontamente a toda Assembléia Espiritual Nacional Bahá'í, seja do Oriente ou do Ocidente, para que o examine atentamente e o adote com lealdade. Eu lhes pediria particularmente para enviarem cópias do texto deste documento de importância fundamental, junto com a Declaração de Fideicomisso e o texto do Registro de Fideicomisso à toda Assembléia Espiritual Nacional existente, com meu insistente pedido de estudarem suas cláusulas, entendam suas implicações e se esforcem para incorporá-lo tão amplamente quanto suas próprias circunstâncias permitirem, dentro da estrutura de suas próprias atividades nacionais. Vocês não podem imaginar, senão tenuemente, que estímulo confortante e que guia útil será sua publicação e circulação para aqueles pacientes e batalhadores que trabalham nas terras do Oriente, particularmente na Pérsia, os quais em meio às incertezas e obstáculos quase insuperáveis empenham toda energia a fim de estabelecer a ordem mundial introduzida por Bahá'u'lláh. Vocês dificilmente podem perceber quão substancialmente isso contribuirá para preparar o caminho para a elaboração das bases da constituição da comunidade mundial bahá'í que formará os fundamentos sobre os quais repousará e florescerá o abençoado e santificado edifício da primeira Casa Internacional de Justiça. Eu os lembraria especificamente que no texto dos chamados Estatutos, que aos olhos do mundo exterior representam a expressão das aspirações, motivos e objetivos que animam as responsabilidades coletivas da comunidade bahá'í, deve ser dada a devida ênfase não apenas à concentrada autoridade, direitos, privilégios e prerrogativas desfrutadas pelos representantes nacionais eleitos dos crentes, mas que também seja dada ênfase especial às suas responsabilidades como ministros em prontidão, servos fiéis e fideicomissários leais daqueles que os elegeram. Que fique claro para cada indagador que os lê, que dentre os deveres mais destacados e sagrados daqueles que foram chamados a iniciar, dirigir e coordenar os assuntos da Causa estão aqueles que requerem que eles conquistem, por todos os meios que lhes seja possível, a confiança e o afeto daqueles que é privilégio seu servir. Cabe a eles o dever de investigar e se familiarizar com os pontos de vista estimados, os sentimentos prevalecentes e as convicções pessoais daqueles cujo bem-estar é sua obrigação solene promover. Eles é que têm a obrigação de purificar definitivamente suas deliberações e a condução geral de seus afazeres daquele ar de reservada indiferença, da suspeita de sigilo, da atmosfera sufocante de assertividade ditatorial, em suma, de toda e qualquer palavra e ato que possa exalar parcialidade, egoísmo e preconceito. Ao mesmo tempo em que detêm em suas mãos o sagrado e exclusivo direito da decisão final, deles é a tarefa de convocar discussão, providenciar informações, examinar queixas, acolher recomendações, mesmo do mais humilde e insignificante membro da família bahá'í, expor seus motivos, apresentar seus planos, justificar suas ações, rever suas decisões, se necessário, promover o espírito de iniciativa e empreendimento individual, e fortalecer o senso de interdependência e parceria, de mútuo entendimento e confiança entre eles, de um lado, e de todas as Assembléias Locais e indivíduos do outro. A PRIMEIRA CONVENÇÃO NACIONAL DOS BAHÁ'ÍS PERSAS Quanto ao estado de coisas na Pérsia, onde as circunstâncias relatadas numa carta circular anterior tiveram seu quinhão na intensificação do estado crônico de instabilidade e insegurança que prevalece, sentiu-se grave preocupação de que o apoio, tanto moral como financeiro, antecipado pelo intolerante elemento da missão estrangeira na capital possa levar a uma ampliação de sua circulação no Ocidente e assim infligir, mesmo que levemente, um dano ao prestígio e bom nome da nossa amada Causa. Essas agitações internas, no entanto, tendo coincidido com a explosão de fanatismo sectário proveniente de fora, acompanhado de casos isolados de nova perseguição em Kirmán e outros lugares, não conseguiram exasperar e exaurir a heróica paciência dos firmes amantes da Causa. Eles não conseguiram sequer anuviar a serenidade de sua fé na inevitável aproximação do romper de um alvorecer mais brilhante para seu país aflito. Destemidos e impávidos, eles responderam aos desafios de seu traidor interno, e os ataques do inimigo externo, com uma notável reafirmação de sua inquebrantável solidariedade e inflexível resolução de construir com infinita paciência e trabalhar incansavelmente nos infalíveis alicerces estabelecidos por Bahá'u'lláh. Com sua tradicional fidelidade e vigor característico, a despeito dos inimagináveis obstáculos que têm de enfrentar, eles convocaram a primeira histórica conferência de representantes de vários delegados das nove principais províncias da Pérsia, desenvolveram planos de realizar a cada ano uma convenção plenamente representativa dos delegados bahá'ís da Pérsia conforme as circunstâncias permitirem, e de acordo com o modelo adotado pelos seus irmãos nos Estados Unidos e Canadá. Eles reconstituíram e definiram limites das subdivisões administrativas bahá'ís até agora confusas em toda a extensão de seu país. Eles adotaram várias resoluções de importância vital, sendo que as principais dentre elas visam o reconhecimento da instituição do fundo bahá'í, a consolidação e a expansão de sua campanha de ensino, o fortalecimento dos laços que os unem com Assembléias Locais e Nacional no país e no exterior, o estabelecimento de instituições educacionais primárias bahá'ís em cidades e povoados, a elevação dos padrões sociais e educacionais das mulheres, independente de seita ou casta, e o incremento daquelas forças que tendem a elevar o padrão moral, cultural e material de seus compatriotas. Para um observador imparcial do atual estado de coisas da Pérsia, certamente essas resoluções apoiadas por uma energia criativa inerente ao poder da Palavra de Deus, estabelecem não somente um marco no caminho do progresso dos crentes persas, mas constitui também uma notável referência na diversificada história de seu próprio país. A calorosa hospitalidade que a Assembléia Espiritual Nacional e os crentes americanos concederam ao meu caro primo e colaborador Rúhí Effendi, tocou-me profundamente, especialmente quando dos relatórios apreciativos que recentemente recebi percebo de seu espírito de serviço radiante e sincero que ele bem mereceu de seus queridos colaboradores naquele continente, e contribuiu substancialmente para sua melhor apreciação dos ensinamentos da Causa. Por mais que eu o deseje trabalhando ao meu lado aqui na Terra Santa, jubilosamente concordo com seu desejo de estender sua permanência com vocês, confiando que ele se mostrará de grande ajuda a todos vocês no cumprimento de sua nobre tarefa. A TENDÊNCIA DOS ACONTECIMENTOS MUNDIAIS E agora, concluindo, permitam-me chamar sua atenção à lição que a tendência dos acontecimentos mundiais nos apresenta, nós, este pequeno grupo de Seus trabalhadores escolhidos que, em conformidade com os nossos inteligentes esforços, podemos nos mostrar como o fator determinante na sorte imediata da sociedade em que vivemos. À medida que testemunhamos em todos os lados a crescente intranqüilidade de sua era intranqüila, somos invadidos por um misto de sentimentos de temor e esperança - temor, diante da perspectiva de ainda outro conflito mortal cuja inevitabilidade está se tornando lamentavelmente cada vez mais manifesta; esperança, na plena certeza de que qualquer que seja o cataclismo que possa afligir a humanidade, nada pode senão apressar a iminente era de paz universal e duradoura tão enfaticamente proclamada pela pena de Bahá'u'lláh. No campo da política, no qual recentemente testemunhamos, dentro do conselho das principais nações do mundo, a rendição da mais nobre concepção da humanidade àquilo que pode ser considerado apenas uma fase transitória na vida dos povos e nações; no mundo industrial, em que os representantes das classes assalariadas, seja através de violência ou persuasão, estão se apossando dos assentos das autoridades e empunhando o cetro do poder; no campo da religião, em que ultimamente testemunhamos tentativas amplas e organizadas de ampliar e simplificar as bases da fé no homem, de alcançar a unidade na Cristandade e restaurar e regenerar o vigor do Islã; no próprio coração da sociedade, no qual os ominosos sinais da crescente extravagância e desregramento estão apenas dando um novo ímpeto às forças da revolta e da reação que estão crescendo dia a dia - nesses e em muitos outros temos motivos demais para nos inquietar, mas também muito para sermos úteis e gratos. Apenas para tomarmos um exemplo mais plenamente: Observem a furiosa e até agora não acalmada disputa suscitada entre os apoiadores declarados da Liga das Nações pela proposta de introduzir um pacto obrigatório e universal de não-agressão entre as nações da Europa - uma Liga tão auspiciosamente aclamada pelo ideal que motivou seu nascimento, e ainda assim tão completamente inadequada nos princípios atuais subjacentes à sua atual estrutura e funcionamento. E, no entanto, no clamor provocado pelo nacionalismo do pós- guerra em defender e apoiar cegamente a supremacia incondicional de sua própria soberania e no repúdio sem reservas à concepção de um superestado mundial, não podemos discernir o restabelecimento, apenas numa escala maior, dos dramáticos esforços que anunciaram o nascimento das nações reconstruídas e unificadas do Ocidente? Não é que a história autêntica revelou claramente, no caso dessas nações, a dolorosa e ainda assim inevitável fusão de cidades e principados rivais, particularistas* e independentes numa entidade nacional unificada, a evolução de um credo bruto e estreito para uma concepção mais nobre e ampla? Não é um esforço paralelo que agora se manifesta no estágio mundial da humanidade em constante avanço? Pode levar a qualquer outro resultado senão àquele que há de reafirmar a verdade do avanço da humanidade em direção a uma concepção que se alarga constantemente, e ao seu destino que se torna cada vez mais resplandecente? Reveses e retrocessos, como os que já testemunhamos, sem dúvida retardarão o amadurecimento do fruto mais seleto da árvore do desenvolvimento humano. No entanto, a fúria da controvérsia e a pressão dos argumentos promovidos contra ele não podem senão contribuir para o alargamento das bases e a consolidação dos alicerces sobre os quais deve finalmente repousar o imponente edifício da humanidade unificada. Vamos, portanto, tomar coragem e trabalhar com vigor renovado e compreensão aprofundada para contribuir com nosso quinhão àquelas forças que, conscientes ou não da Fé regeneradora de Bahá'u'lláh nesta época, estão funcionando, cada uma no seu respectivo campo e sob Sua guia toda- abrangente, para a exaltação e a salvação da humanidade. Seu verdadeiro irmão, 45 - 6 DE DEZEMBRO DE 1928 Aos amados do Senhor e servas do Misericordioso em todo o Ocidente. Ternamente amados irmãos e irmãs em 'Abdu'l-Bahá, Acontecimentos de natureza surpreendente e de máxima importância para a Fé de Bahá'u'lláh realizaram-se recentemente por todo o Oriente Médio e próximo em tão rápida sucessão que me sinto levado a escrever a seu respeito àqueles que em terras distantes e com corações ansiosos estão esperando testemunhar o cumprimento das profecias de Bahá'u'lláh. Estou certo de que vocês se regozijarão comigo em saber que as forças vivificadoras da reforma interna estão despertando rapidamente de seu longo sono de negligência aquelas terras que, pisadas pelos pés de Bahá'u'lláh e que entesouram as memoráveis cenas de Seu nascimento, Seu ministério, Seus exílios, Seus banimentos, Seus sofrimentos e Sua ascensão, estão destinadas a desempenhar, na plenitude do tempo, um papel preeminente na regeneração do Oriente - mais ainda, de todo o gênero humano. AS PROMESSAS DO NOSSO FALECIDO MESTRE Da Pérsia, berço de nossa Fé e o objeto de nossos mais ternos sentimentos, chega-nos a notícia das primeiras irrupções daquela reforma social e política que, conforme cremos firmemente, nada mais é que a conseqüência direta e inevitável do grande despertar espiritual anunciado pela Revelação de Bahá'u'lláh. Essas forças sociais e políticas, ora liberadas pela Fonte de tão tremendo despertar, estão destinadas a, por sua vez, demolir uma a uma as barreiras que por tão longo tempo impediram seu fluxo, solaparam sua vitalidade e obscureceram seu esplendor. De um comunicado que me foi enviado recentemente pela Assembléia Espiritual Nacional dos bahá'ís da Pérsia, bem como de relatórios confiáveis apresentados pelos representantes locais dos crentes persas e confirmados por um vívido relato de peregrinos visitantes, está se tornando cada vez mais claro que as ardentes promessas, tantas vezes proferidas pelo nosso falecido Mestre, estão sendo sucessivamente cumpridas com extraordinária exatidão e notável rapidez. Reformas de caráter revolucionário, sem derramamento de sangue e com oposição insignificante, transformando gradualmente a própria base e estrutura da primitiva sociedade da Pérsia. Os princípios básicos de segurança pública estão sendo energicamente providenciados por toda a extensão do domínio do xá e estão sendo bem-vindos com satisfação especial pela camada mais afligida da população - nossos irmãos que por longo tempo sofrem naquele país. A rapidez e a inacreditável facilidade com que as esclarecidas propostas de seu governo em matéria de educação, comércio, finanças, meios de transporte e viagens, e o desenvolvimento dos recursos internos do país, estão recebendo a irrestrita sanção de uma legislatura até agora reacionária e vencendo a resistência e a apatia das massas, indubitavelmente tendem a acelerar a emancipação dos nossos irmãos persas das cadeias remanescentes de um regime outrora despótico e sanguinário. As medidas duramente repressivas e humilhantes tomadas por iniciativa de governadores provinciais progressistas e a conivência dos oficiais de Estado na capital, visando a dispersão e a extinção final de um clero em rápido declínio, tais como aviltamento, detenção, deportação e, em alguns casos, execução impiedosa, estão preparando o caminho para a remoção completa dos grilhões impostos por um clero ignorante e fanático sobre a administração dos assuntos do Estado. Em questões de vestuário; na obrigatoriedade de um estilo nacional de cobrir a cabeça; na estrita limitação do número, dos direitos e prerrogativas dos altos oficiais eclesiásticos; na crescente impopularidade do véu entre quase todas as camadas da sociedade, na pronunciada distinção que está sendo feita extra-oficialmente em vários aspectos da vida pública por uma minoria esclarecida e arrojada, entre as cambaleantes formas de um sistema eclesiástico desacreditado e os direitos e deveres de uma sociedade civilizada; na lassidão geral das observâncias e cerimônias religiosas; no lento e secreto processo de secularização que invade muitos departamentos governamentais sob a corajosa orientação dos governadores de províncias distantes - em todos esses aspectos um olho discernente pode descobrir os sintomas de bom presságio para o futuro que certamente testemunhará a separação formal e completa entre igreja e Estado. REGENERAÇÃO DA PÉRSIA Há vários fatores externos adicionados a este movimento edificante que tendem a apressar e estimular este processo de regeneração interior tão significativo na vida da renascente Pérsia. A multiplicidade e as crescentes facilidades nos meios de transporte e viagem; a inspeção do Estado por enérgicos e esclarecidos reformadores à capital da Pérsia; a iminente e amplamente divulgada viagem do próprio xá aos progressistas capitais da Europa ocidental; a repercussão das espantosas reformas da Turquia entre um povo essencialmente sensível e receptivo; o alto e persistente clamor de uma ordem revoltosa na Rússia contra a malévola dominação e sombrias maquinações de todas as formas de sectarismo religioso; o inflexível vigor com que o ambicioso soberano do Afeganistão, reforçado pelo exemplo de sua graciosa consorte, está prosseguindo com sua campanha de repressão contra uma ordem semelhante do corrupto clero em seu país - tudo isso tende a reforçar a promoção e a formação da opinião pública que é a única coisa que pode fornecer uma base duradoura para o movimento de reforma destinado a antecipar a Época Áurea almejada pelos seguidores da Fé na terra natal de Bahá'u'lláh. Como conseqüência direta do nascimento desta nova consciência na vida da nação, evidenciada por essas primeiras agitações nas mentes das pessoas, sejam grandes ou humildes, realizaram-se em Teerã, sob os auspícios da Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá'ís da Pérsia, reuniões públicas de caráter elaborado, sem precedentes no número de seus participantes, no tom das palestras públicas, na tranqüila atmosfera de sua condução e na notabilidade geral de sua organização. Particularmente significativas e notáveis foram as realizadas no Hazíratu'l-Quds, o centro administrativo e espiritual da Fé na capital, por ocasião do duplo festival comemorativo da declaração do Báb e nascimento de 'Abdu'l-Bahá, sendo que na mais importante delas nada menos que dois mil representantes, bahá'ís e não bahá'ís, líderes da opinião pública, oficiais de Estado e representantes estrangeiros, haviam sido oficialmente convidados. As palestras que enfatizaram a universalidade dos ensinamentos da Causa, o caráter formal e ordeira da condução tão incomum numa reunião de tais proporções, o encontro amistoso dos bahá'ís com os reconhecidos representantes do pensamento progressista na capital, que em virtude de sua alta posição e imponente aparência deram colorido e importância à confluência dos bahá'ís presentes, tudo isso contribuiu para aumentar o esplendor e o significado espiritual daquela reunião naquela memorável ocasião. Além disso, relatórios de natureza altamente encorajadora estão continuamente sendo recebidos de Assembléias Locais e de crentes, dando os nomes e o número de persas influentes, até agora relutantes em declarar abertamente sua fé em Bahá'u'lláh, os quais em conseqüência dessas circunstâncias tranqüilizadoras e promissoras estão emergindo da obscuridade de seu esconderijo e estão se alistando sob a elevada bandeira de Bahá'u'lláh. Isto serviu para encorajar os seguidores da Fé a tomarem as medidas necessárias para, sob a orientação de suas Assembléias, instituir escolas bahá'ís, realizar reuniões públicas, estabelecer hospedarias, livrarias e banhos públicos bahá'ís, construir sedes oficiais para seu trabalho administrativo, e para a gradual execução das leis e ordenanças reveladas no Kitáb-i -Aqdas entre eles próprios, dentro dos limites que lhes são impostos pelo Estado. Faltam-me palavras para descrever o sentimento daqueles nossos irmãos que sofrem pacientemente naquele país, que com os olhos obscurecidos pelas lágrimas e corações transbordando de gratidão e louvor, testemunham em todos os lados e com força crescente o desenvolvimento da Fé que têm servido tão bem e que amam tão ternamente. Relatos de um tom emocionante e inspirador estão sendo recebidos do firme e satisfeito grupo de crentes exultantes, e sendo compartilhados com os amigos residentes na Terra Santa os quais tendo tido o privilégio de desfrutar da íntima e constante presença da Pessoa de 'Abdu'l-Bahá, não podem senão se maravilhar diante da amplitude, da potência e da exatidão das profecias de seu falecido Mestre. A FÉ BAHÁ'Í DEFENDIDA NA TURQUIA Recentemente, a Turquia, em cujo solo por quase setenta anos foram interpretadas algumas das mais sublimes e mais trágicas cenas dos anais da Causa, a Turquia, sob cujo domínio Bahá'u'lláh proclamou-Se duas vezes, foi exilado e banido três vezes, e finalmente ascendeu ao Reino de Abhá, e onde 'Abdu'l-Bahá passou mais de cinqüenta anos de Sua vida em encarceramento e sofrimento, foi bruscamente despertada para um chamado que tão obstinadamente desdenhou e ignorou. Seguindo a ruína daquela exaurida teocracia que repousava sobre as instituições gêmeas do califado e do sultanato - aquelas duas forças sinistras que combinaram para infligidos golpes mais mortais à nossa amada Fé nas primeiras fases de sua infância e crescimento - iniciou-se e foi levada a cabo com vigor exemplar uma política intransigente que visava a secularização do Estado e a desestabilização do Islã. As instituições religiosas e ordens monásticas que, aparentando propaganda religiosa, haviam sido convertidas em antros de intriga política e sedição foram peremptoriamente fechadas, seus aderentes dispersados e banidos, seus fundos confiscados, e seus privilégios e prerrogativas abolidos. Ninguém, a não ser o pequeno grupo de seguidores da Bahá'u'lláh, escapou do afiado machado do impiedoso reformador; todos tiveram que ser imparcialmente submetidos à sua investigação, seus éditos ditatoriais e seu severo e irrevogável julgamento. Ultimamente, no entanto, o governo turco, fiel à sua política de incansável vigilância, e temeroso das crescentes atividades dos bahá'ís em seu domínio, decidiu ordenar à polícia de Esmirna que conduzisse uma minuciosa investigação sobre o propósito, o caráter e os efeitos das atividades bahá'ís naquela cidade. Assim que os representantes bahá'ís daquela localidade foram presos e conduzidos ao tribunal para serem investigados, o presidente da Assembléia Espiritual de Constantinopla que, tendo lido nos jornais matutinos o relato do incidente de Esmirna, sem ser convocado decidiu apresentar as necessárias explicações às autoridades competentes, foi por sua vez preso e levado à delegacia de polícia onde juntou-se aos outros membros da Assembléia. A busca oficial às suas casas, o confisco de toda literatura bahá'í que eles possuíam, sua detenção de vinte e quatro horas na delegacia de polícia, a severidade do interrogatório a que foram submetidos - tudo se mostrou impotente para inquietar e abalar a fé daqueles intrépidos defensores da Causa, ou evidenciar qualquer coisa perniciosa para os interesses do Estado. Ao contrário, eles serviram para causar profunda impressão nas mentes e corações dos oficiais competentes a respeito da inocência e da força dinâmica da Fé de Bahá'u'lláh. Tanto que seus livros foram devolvidos, seus investigadores expressaram um genuíno desejo de aprofundar seu conhecimento sobre a Causa e o governo aprovou ampla publicidade que resultou nos artigos de cerca de uma dúzia dos principais jornais da Turquia, proclamando a inocência da Causa e suspendendo o édito que agora pesa sobre as instituições religiosas na Turquia. Desde Constantinopla, na Turquia européia até os confins orientais da Anatólia, nas margens do rio Eufrates, onde foi recentemente estabelecida uma florescente pequena comunidade bahá'í, uma onda de interesse, crítica e pesquisa pública tem passado sobre a superfície daquela terra conforme testemunhado pelo caráter e a quantidade de artigos importantes, ilustrações e caricaturas que têm aparecido nos jornais mais proeminentes da capital e cidades provinciais da Turquia asiática. Não apenas a Turquia, mas os seus países vizinhos orientais e ocidentais ergueram suas vozes em defesa da verdade bahá'í. Das informações até agora colhidas sabemos que, na Hungria, no Iraque, no Egito e na Síria, e no Ocidente, na França e na Inglaterra, por iniciativa própria os jornais relataram este incidente nas suas colunas, com diferentes graus de exatidão e com maiores ou menores detalhes, e, sem serem solicitados e sem saber, deram tamanha publicidade à nossa amada Fé que nenhuma campanha de ensino, por mais elaboradamente organizada que fosse pelos próprios crentes, jamais poderia esperar alcançar na época atual. Certamente o invencível braço de Bahá'u'lláh, operando de modo estranho e misterioso, continuará a proteger e apoiar, a orientar, a consolidar e finalmente alcançar o reconhecimento de âmbito mundial e o triunfo de Sua sagrada Fé. NOSSA OPORTUNIDADE MAIS VITAL E, enquanto o Oriente, através de sofrimento e tumulto, segue sua marcha lenta e penosa em direção à aceitação da sagrada Fé de Deus, voltemos, por um momento, nosso olhar ao hemisfério ocidental e especialmente ao continente americano, e procuremos visualizar as possibilidades da futura difusão da Causa e novamente considerar aquelas oportunidades de ouro, ainda que fugazes, que Bahá'u'lláh concedeu ao Seu povo escolhido naquelas terras distantes. Sinto-me completamente convencido, e sou levado a compartilhar esta minha convicção interior com a grande companhia de crentes ocidentais de que na rápida retomada da lamentavelmente negligenciada construção do Mashriqu'l-Adhkár em Wilmette reside nosso incontestável privilégio, nossa obrigação primária, nossa oportunidade mais vital de dar um ímpeto sem precedentes ao avanço da Causa, não somente no Ocidente, mas em todos os países do mundo. Não vou neste momento enfatizar o prestígio e o bom nome da Causa, tanto que estão envolvidos nesta premente questão, não vou discorrer sobre a ansiosa expectativa com que os inúmeros seguidores da Fé bem como um grande número de não crentes em quase todas as camadas da sociedade em todo o Oriente estão esperando contemplar aquela nobre estrutura, erigir sua parte principal no coração do continente do extremo Ocidente; nem vou me estender sobre a inefável beleza deste sagrado edifício, sua imensa glória, sua concepção artística, seu caráter inigualável ou suas funções dentro da vida orgânica da comunidade bahá'í no futuro. Mas, com toda a força da minha convicção, enfatizo a imensurável importância espiritual de um edifício, tão formoso, tão sagrado, erigido somente pelo esforço conjunto, levado ao máximo grau de abnegação, de todo o contingente de crentes plenamente conscientes da importância da Revelação de Bahá'u'lláh. Neste imenso empreendimento, inigualável nos tempos modernos, com seu alcance mundial, sua espontaneidade, seu caráter heróico e sagrado, os crentes americanos, no solo de cujo país será construída a primeira Casa de Adoração universal de Bahá'u'lláh, devem, se forem fiéis à sua obrigação, manter e cumprir sua proeminente parcela nas contribuições oferecidas pelos bahá'ís do mundo. O DESEJO NUTRIDO POR 'ABDU'L-BAHÁ Por esta razão sinto-me impelido a dirigir meu incessante apelo, especialmente aos seguidores da Fé nos Estados Unidos e Canadá, a se levantarem e cumprirem sua parte, enquanto ainda há tempo, e não deixarem seus dedicados esforços se afundarem e serem substituídos pelo abnegado heroísmo da multidão de seus irmãos na Pérsia. Sinto, ainda, a urgência de lembrá-los a todos da necessidade de manter sempre em mente esta verdade fundamental de que a eficácia das forças espirituais que se concentram no primeiro Mashriqu'l-Adhkár do Ocidente e daí se irradiam, depende, em grande parte, da medida em que nós, os trabalhadores pioneiros naquela terra, decidirmos, com visão clara, fé inextinguível e inabalável determinação, renunciar voluntariamente vantagens temporais para apoiarmos um empreendimento tão meritório. Quanto mais elevado for o grau de nossa renúncia e abnegação e maior a quantidade de crentes contribuintes, mais se tornarão aparentes as forças vitalizadoras que devem emanar deste inigualável e sagrado edifício; e conseqüentemente maior será o estímulo que ele exercerá sobre a difusão da Fé no futuro. Não é pela abundância de nossas doações, nem mesmo pela espontaneidade de nossos esforços, mas antes pelo grau de abnegação com que faremos nossas contribuições é que poderemos efetivamente promover a rápida realização do desejo acalentado por 'Abdu'l-Bahá. Quão grande é a nossa responsabilidade, quão imenso nosso trabalho, quão inestimáveis as vantagens que poderemos obter! PLANO DE AÇÃO UNIFICADA No entanto, não posso deixar de expressar minha gratidão e apreciação pelo apoio substancial e contínuo já concedido, especialmente durante o último ano, pelos crentes nos Estados Unidos e Canadá sob a sábia e criteriosa orientação de seus representantes nacionais eleitos, ao Plano de Ação Unificada cujo propósito expresso é assegurar, antes do final do corrente ano bahá'í, o levantamento de fundos necessários para a construção da primeira unidade do Mashriqu'l-Adhkár. A vigilância e a fidelidade com que a Assembléia Nacional dos Estados Unidos e Canadá cumpriu seu compromisso relacionado à limitação das despesas administrativas normais da Causa, e o zelo e a resposta imediata manifestada pelas Assembléias Locais e indivíduos para conter suas despesas locais e pessoais de modo a se concentrarem no Fundo do Templo, são dignos do mais elevado louvor e merecidamente hão de atrair as múltiplas bênçãos de um Mestre amoroso e bondoso. De fato, muito já foi feito durante esse ano passado em termos de abnegação concentrada e consagrada a tão glorioso objetivo. Muito mais ainda permanece por realizar se formos defender, perante um mundo em expectativa, o honroso nome e a inexaurível e miraculosa vitalidade da Revelação de Bahá'u'lláh. Em meio à vigília noturna, celebrando o passamento dAquele que com as próprias mãos colocou a pedra fundamental da Casa de Adoração de Seu Pai naquele país, sentado dentro do recinto de Seu sepulcro, e mantendo vigília na companhia de Seus mais chegados companheiros, mais de uma vez no maio das minhas meditações lembrei com devoção daqueles eleitos de Deus sobre cujos ombros repousa tão pesada responsabilidade, cujo destino haverá de fazer fruir plenamente tão excelente herança. Naquela tranqüila noite de luar, lembrei com muita emoção e gratidão, as inestimáveis graças com que Ele os prodigalizou enquanto em vida. Em minha memória, reavivei as entusiásticas promessas de que continuaria a fazer chover sobre vocês, de Sua posição no alto, Sua infalível guia e graciosa assistência. Formei em minha mente aquela bela visão da Causa estendida em toda a sua glória que Ele revelou a vocês em Seus imortais escritos. E com minha cabeça em Seu limiar orei e orei novamente para que possamos nos mostrar discípulos dignos de tão gracioso Mestre, para que quando formos chamados para junto dEle possamos comunicar, de forma indiminuta e plena, o nosso quinhão da imensuravelmente preciosa herança que Ele concedeu a todos nós. E, ao finalizar, amigos ternamente amados, que pensamento mais apropriado para concluir meu fervoroso apelo do que estas fecundas palavras que saíram dos lábios de Bahá'u'lláh: "Ó Meus amigos! Dou testemunho de que a graça divina foi concedida a vós, Seu argumento foi tornado manifesto, Sua prova foi revelada, e Sua guia resplandeceu sobre vós. Que agora seja visto aquilo que vosso empenho no caminho da renúncia pode revelar." Seu verdadeiro irmão, 46 - 6 DE DEZEMBRO DE 1928 Aos amados do Senhor e servas do Misericordioso em todo o Oriente e Ocidente. Queridos colaboradores, Desejo transmitir-lhes, em poucas palavras, minhas impressões do recentemente publicado Bahá'í World, cujos exemplares sei que já foram amplamente difundidos entre os países do Oriente e do Ocidente, graças aos assíduos e incansáveis esforços demonstrados pelo Comitê de Publicações da Assembléia Espiritual Nacional americana. O BAHÁ'Í WORLD Este inigualável registro da atividade bahá'í de âmbito mundial tenta apresentar ao público em geral, bem como a estudantes e eruditos, aqueles fatos históricos e princípios fundamentais que constituem as características distintivas da Mensagem de Bahá'u'lláh para esta época. Desde seu início, tenho tido um interesse vivo e permanente em seu desenvolvimento e tenho participado pessoalmente na coleta de seu material, na organização de seu conteúdo e na verificação minuciosa de todos os dados que ele contém. Recomendo-o confiante e enfaticamente a todo seguidor zeloso e previdente da Fé, seja no Oriente ou no Ocidente, cujo desejo seja colocar nas mãos do investigador crítico e inteligente, de qualquer classe, credo ou cor, uma obra que pode realmente testemunhar o elevado propósito, a comovente história, as duradouras realizações, a irresistível marcha e o infinito panorama da Revelação de Bahá'u'lláh. De feições eminentemente agradáveis e atraentes, confiável e oficial quanto ao material que contém, atualizado, abrangente e acurado na massa de informações que traz, conciso no tratamento dos aspectos fundamentais da Causa, completamente representativo nas ilustrações e fotografias que expõe, ele permanece insuperado e inigualado por qualquer publicação de seu tipo na variada literatura da nossa amada Causa. Sem a menor dúvida, se generosa e vigorosamente apoiado, levantará um interesse sem precedentes entre todas as classes da sociedade civilizada. Peço-lhes encarecidamente, amigos ternamente amados, que exerçam o máximo esforço para a pronta e ampla circulação de um livro que de modo tão fiel e vivo retrata, em todos os seus aspectos essenciais, suas mais amplas ramificações e aspectos mais cativantes, a Fé toda-abrangente de Bahá'u'lláh. Deve-se lembrar que qualquer assistência, financeira ou moral, oferecida por Assembléias Espirituais ou indivíduos bahá'ís àqueles que têm sido responsáveis por uma produção tão valiosa e representativa, será utilizada diretamente para o avanço dos interesses e os reforços dos fundos que estão sendo levantados em favor do Mashriqu'l-Adhkár, e indiretamente servirão para exercer um estímulo mais poderoso na eliminação de deturpações maliciosas e mal-entendidos que infelizmente por tanto tempo e tão seriamente nublaram a luminosa Fé de Bahá'u'lláh. Seu verdadeiro irmão, 47 - 21 DE DEZEMBRO DE 1928 Aos amados do Senhor e servas do Misericordioso em todo o Ocidente. Ternamente amados irmãos e irmãs em 'Abdu'l-Bahá! Com sentimentos de profundo pesar, sou levado a lhes dirigir estas poucas linhas lamentando a perda que a Causa indubitavelmente sofreu com o passamento daquele que, por muitos anos e em circunstâncias de significado excepcional, prestou serviços marcantes e inestimáveis ao limiar sagrado. Com a morte do nosso talentoso e ternamente amado sr. Hippolyte Freyfus-Barney, a mão do Decreto Divino removeu também esta figura destacada na Causa de Bahá'u'lláh, aquele que pelo seu brilhante dom da mente e do coração, bem como pela diversidade de realizações da sua vida realmente enriqueceu os anais da Fé imortal de Deus. SR. HIPPOLYTE DREYFUS-BARNEY Um pioneiro da Causa de Bahá'u'lláh desde que sua luz celestial aqueceu e iluminou o Ocidente pela primeira vez, ele, pela sua íntima associação com a pessoa de 'Abdu'l-Bahá, pelo seu contato com todas as camadas da sociedade, pela sua sábia apresentação da história e fundamentos da fé, e finalmente pela sua inesquecível participação na decisão das complexas e urgentes questões que exigiam assistência especializada nos dias que seguiram o passamento de 'Abdu'l-Bahá, alcançou uma posição que até agora poucos alcançaram. O período de sua comunhão espiritual com 'Abdu'l-Bahá e sua residência dentro dos muros da cidade-prisão de 'Akká, onde ele se impregnou dos princípios que posteriormente ele expôs aos povos do Ocidente com tanta habilidade, seu proeminente papel, ao retornar a Paris, em acender a tocha destinada a irradiar luz eterna sobre sua terra natal e seu povo; os laços de companheirismo duradouro que construiu com os nossos irmãos persas durante a histórica missão que lhe foi confiada pelo nosso Amado; as sementes que espalhou por todos os lados durante suas viagens subseqüentes ao coração da Ásia, pela Índia, além dos remotos vilarejos da Birmânia e até os confins orientais da Indochina; o competente apoio que deu ao caso da Casa de Bahá'u'lláh em Bagdá nas suas fases inicial e intermediária; sua pronta intercessão, junto aos oficiais de Estado, na preparação do caminho para a emancipação final dos nossos irmãos egípcios do jugo do Islã ortodoxo; o encorajamento estimulador de sua visita à comunidade bahá'í de Tunis na costa Norte da África; e finalmente, porém não menos importante, a capacidade e a diligência com que se empenhou na solução dos delicados e inquietantes problemas na Terra Santa nos anos críticos que seguiram a ascensão de 'Abdu'l-Bahá - todos se destacam como marcos memoráveis numa vida variada tanto nos seus aspectos internacionais como na riqueza de sua experiência espiritual. Seus dons de infalível simpatia e percepção penetrante, seu amplo conhecimento e experiência madura, todos os quais ele utilizou para a glória e a propagação da Mensagem de Bahá'u'lláh, serão agradavelmente lembrados pelas futuras gerações que com a passagem do tempo melhor avaliarão o valor permanente das responsabilidades que ele ombreou na introdução e consolidação da Fé Bahá'í no mundo ocidental. Nos seus últimos dias, ao passar por sofrimentos em conseqüência de uma enfermidade lenta e dolorosa, ele suportou heroicamente seu quinhão das aflições do mundo, e agora se encontra nos reinos de libertação beatífica, usufruindo seu pleno quinhão da considerável recompensa que ele certamente mereceu. Para mim, especialmente em meio à tempestade e tensão que têm agitado minha vida depois do passamento de 'Abdu'l-Bahá, ele foi um companheiro. Com a máxima emoção e o mais profundo senso de gratidão, eu suplico ao sagrado limiar - e peço-lhes para se juntarem a mim em minhas preces - pelo avanço espiritual, nos reinos do além, de uma alma que pelo mérito completo dos destacados serviços já prestados merece a elevada posição entre os fiéis que partiram. Que ele descanse em paz para sempre. 48 - 1º DE JANEIRO DE 1929 Aos amados do Senhor e servas do Misericordioso em todo o Ocidente. Ternamente amados colaboradores, Enquanto os bahá'ís da Pérsia, que constituem a esmagadora maioria dos aderentes da Fé Bahá'í nos países orientais, estão provando os primeiros frutos de sua longamente sonhada emancipação, um contingente não insignificante dos seguidores de Bahá'u'lláh que habita as províncias do Cáucaso e do Turquistão está sendo submetido a provações e tribulações não muito diferentes, embora em intensidade menor, às aflições por tanto tempo e tão heroicamente sofridas pelos seus irmãos persas. Em meu último comunicado a vocês, tentei retratar a natureza e a rapidez daquelas forças libertadoras que atualmente estão sendo liberadas na Pérsia por um regime esclarecido determinado a remover com desprezo manifesto os odiosos grilhões de uma tirania longamente estabelecida. E sinto que uma descrição da própria situação confusa hoje enfrentada pelos nossos irmãos na Rússia servirá para completar a imagem que os crentes do Ocidente devem ter em mente a respeito das mudanças críticas e rápidas que estão transformando a face do Oriente. PERSEGUIÇÕES NA RÚSSIA Desde que a contra-revolução que proclamou a ditadura do proletariado em toda a extensão da Rússia czarista e subseqüentemente incorporou os territórios semi-independentes do Cáucaso e do Turquistão ao regime russo, as variadas e numerosas instituições bahá'ís anteriormente estabelecidas pelos heróicos pioneiros da Fé foram colocadas em contato direto e súbito com as convulsões internas exigidas para o estabelecimento e a manutenção de uma ordem tão fundamentalmente diversa do regime anterior da Rússia. O declarado objetivo e ação dos líderes responsáveis da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas que, dentro de seus direitos reconhecidos e legitimados, enfaticamente proclamaram e vigorosamente mantiveram sua política de inflexível oposição a todas as formas de propaganda religiosa organizada, pela sua própria natureza criaram para aqueles cuja obrigação primária é trabalhar incessantemente para a difusão da Fé Bahá'í uma situação altamente desafortunada e desconcertante. Durante dez anos, no entanto, desde a promulgação dessa política, por alguma intervenção miraculosa da Providência os bahá'ís da Rússia soviética foram poupados da aplicação estrita dos princípios centrais que dirigem e animam a política do Estado soviético às suas instituições. Embora desde a própria eclosão da Revolução tenham sido sujeitados, como todos os cidadãos russos, às infelizes conseqüências do conflito civil e da guerra externa, e especialmente às comoções internas que necessariamente acompanham as profundas mudanças na estrutura da sociedade, tais como a expropriação facciosa da propriedade privada, a excessiva taxação e a restrição dos direitos de iniciativa e empreendimento pessoal, ainda assim, em termos de devoção e na condução de suas atividades administrativas e puramente não políticas, graças à benevolente atitude de seus governantes eles têm desfrutado liberdade quase irrestrita no exercício de seus deveres públicos. Ultimamente, no entanto, devido às circunstâncias inteiramente fora de seu controle e sem estarem minimamente envolvidos em efetividade política ou subversiva, nossos irmãos bahá'ís naquelas províncias têm tido que suportar a rígida aplicação dos princípios já enunciados pelas autoridades do Estado e universalmente reforçados em relação a todas as outras comunidades religiosas sob seu domínio. Fiéis à sua política de em nome do Estado expropriar todos os edifícios e monumentos de caráter religioso, há poucos meses eles mantiveram contato com os representantes bahá'ís do Turquistão e, depois de prolongadas negociações com eles, decidiram reivindicar e impor seu direito de propriedade e poder sobre a mais estimada e universalmente louvada propriedade bahá'í, o Mashriqu'l-Adhkár de 'Ishqábád. Infelizmente, os insistentes e repetidos protestos dos bahá'ís, respeitosamente apresentados e enfatizados pelos seus representantes locais e nacionais e devidamente reforçados pela ação da Assembléia Espiritual Nacional da Pérsia, salientando o caráter internacional e a importância espiritual do edifício e sua relação íntima, tanto material como espiritual, com as diversas comunidades bahá'ís de todo o Oriente e Ocidente, mostraram-se completamente inúteis. O amado Templo que havia sido tomado e expropriado, e por três meses fechado com o selo das autoridades municiais, foi reaberto e permitiu-se realizar reuniões em seu interior somente depois de a Assembléia Espiritual Bahá'í de 'Ishqábád aceitar e assinar um elaborado contrato formulado pelas autoridades soviéticas reconhecendo o direito incontestável de propriedade do Estado sobre o Mashriqu'l-Adhkár e suas dependências. De acordo com esse contrato, o Templo é alugado pelo Estado por um período de cinco anos à comunidade bahá'í local daquela cidade e nele estão estipuladas uma série de obrigações, financeiras e outras, prevendo explicitamente punições e penalidades em caso de evasão ou infração de suas cláusulas. A essas medidas que o Estado, no livre exercício de seus legítimos direitos, decidiu forçar e com as quais os bahá'ís concordaram, conforme convém à sua posição de cidadãos leais e obedientes à lei, seguiram-se outras que, embora de naturezas diferentes, não afetam menos seriamente nossa amada Causa. Em Baku, a sede da República Soviética do Cáucaso, bem como em Ganjih e outras cidades vizinhas, houve decretos, tanto verbais como por escrito, oficialmente comunicados à Assembléia Bahá'í e indivíduos crentes, suspendendo todos os encontros, reuniões comemorativas e festivais, extinguindo os comitês de todas as Assembléias Locais e Nacional, proibindo o levantamento de fundos e o envio de contribuições financeiras a qualquer centro dentro ou fora da jurisdição soviética, exigindo o direito a uma fiscalização completa e freqüente às deliberações, decisões, planos e ações das Assembléias Bahá'ís, fazendo uma investigação minuciosa nos papéis e documentos das Assembléias, suspendendo todos os periódicos, boletins e revistas bahá'ís e exigindo a deportação de personalidades importantes na Causa, sejam instrutores e palestrantes públicos ou oficiais das Assembléias Bahá'ís. DIRETRIZES DE CONDUTA Com sentimentos de ardente agonia e heróica fortaleza, os seguidores da Fé de Bahá'u'lláh submeteram-se unanimemente e sem reservas a todas essas decisões, sempre atentos às diretrizes da conduta bahá'í com relação às suas atividades administrativas, não importa quão seriamente essa interferência possa afetar o rumo do desenvolvimento do Movimento, e cuja suspensão não constitui em si um afastamento do princípio de lealdade à sua Fé, o referido julgamento e os decretos oficiais emitidos pelos seus governantes responsáveis, se eles forem fiéis às injunções explícitas de Bahá'u'lláh e 'Abdu'l-Bahá, devem ser inteiramente respeitados e lealmente obedecidos. No entanto, em questões que afetam de modo vital a integridade e a honra da Fé de Bahá'u'lláh e equivalem à negação de sua fé e ao repúdio à sua crença mais íntima, eles estão convencidos e firmemente preparados para demonstrar, através de seu sangue vital, a sinceridade de sua convicção de que nenhum poder sobre a terra nem a astúcia do mais insidioso adversário ou a sangrenta arma do mais tirano dos opressores jamais conseguirá arrebatar deles uma palavra ou ato que possa tender a extinguir a voz de sua consciência ou manchar a pureza de sua fé. Apegando-se com inabalável determinação às invioláveis verdades de sua adorada Fé, nossos irmãos dolorosamente provados no Cáucaso e no Turquistão, como convém aos leais cidadãos bahá'ís, depois de terem exaurido todo recurso legítimo para aliviar as restrições que lhes foram impostas, nada têm a fazer senão apoiar e conscientemente cumprir o arbítrio de seus reconhecidos governantes. Com esperança que nenhum poder terreno pode diminuir, e uma resignação que é realmente sublime, eles confiaram os interesses de sua Causa aos cuidados dAquele vigilante, dAquele Libertador todo-poderoso que, segundo eles crêem, no devido tempo levantará o véu que agora obscurece a visão de seus governantes e revelará a nobreza de propósito, a pureza de objetivo, a retidão de conduta e os ideais humanitários que caracterizam as comunidades Bahá'ís em todas as terras e sob quaisquer governos, as quais são ainda pequenas, porém potencialmente poderosas. Caso as atuais restrições aumentem em quantidade e severidade, caso surja uma situação que ameace a posição do Mashriqu'l-Adhkár de 'Ishqábád de tal modo que necessite a intervenção do mundo bahá'í, apelarei às Assembléias Espirituais Nacionais e Locais do Oriente e do Ocidente para se levantarem em uníssono e prestarem seu apoio moral àqueles de seus irmãos cuja missão e privilégio particular é manter vigilância sobre aquele sítio consagrado sobra o qual já foi erigida a estrutura central da primeira Casa Universal de Adoração de Bahá'u'lláh. Eu os urgirei a se empenharem em qualquer ação que seja considerada aconselhável para demonstrar a solidariedade dos seguidores de Bahá'u'lláh, dispersar quaisquer dúvidas e apreensões que ainda possam permanecer nas mentes dos oficiais de Estado naquele país, e devolver aos governantes a confiança e a estima com relação aos seus irmãos suspeitos. Pedirei especialmente que, nos seus protestos por escrito às autoridades competentes, proclamem seu absoluto repúdio a qualquer motivo adicional ou desígnio político que lhes possa ser imputado pelos seus perniciosos adversários, e em termos inequívocos reafirmar a natureza puramente humanitária e espiritual do trabalho em que os bahá'ís estão empenhados de forma unida. Pedirei, ainda, para asseverarem o caráter internacional do edifício bahá'í em 'Ishqábád e enfatizarem os íntimos laços de natureza material e de camaradagem espiritual que une as comunidades Bahá'ís de todo o mundo a um edifício que por direito pode reivindicar a distinção de ser a primeira Casa de Adoração de Bahá'u'lláh, de seu desenho ter sido concebido pelo próprio 'Abdu'l-Bahá, construído e completado sob Sua direção e apoiado pelas contribuições coletivas dos crentes do mundo todo. A hora para tal apelo de âmbito mundial e concentrado ainda não chegou, mas, enquanto esperançosamente observamos à distância o comovente espetáculo da diligente Fé de Bahá'u'lláh, cabe-nos buscar conforto e força duradoura na reflexão de que, o que quer que aconteça a esta Causa, por mais penosas e humilhantes que sejam as provações que de tempos em tempos possam parecer afligir a vida orgânica ou interferir nas funções da maquinaria administrativa da Fé Bahá'í, tais calamidades não podem senão provar finalmente que cada uma delas é uma bênção disfarçada, destinada, por uma sabedoria inescrutável a todos nós, a estabelecer e consolidar a soberania de Bahá'u'lláh nesta terra. A CASA DE BAHÁ'U'LLÁH EM BAGDÁ O que já testemunhamos com relação aos últimos avanços concernentes ao caso da Casa de Bahá'u'lláh em Bagdá nos fornece abundantes evidências da verdade da observação que acaba de ser feita. Nos seus estágios iniciais, parecendo aos olhos do observador superficial como uma disputa trivial submetida a um obscuro e antiquado tribunal xiita, o caso gradativamente evoluiu para uma questão de importância suprema atraindo a atenção do mais alto tribunal do Iraque. Nos seus mais recentes estágios, ele reuniu tamanha força, assegurou tanta publicidade e recebeu tal apoio das chancelarias da Europa que se tornou um assunto levado à consideração não somente da Comissão Internacional específica responsável pela administração de Territórios Mandatários, mas dos principais signatários do pacto da Liga das Nações que estão representados no próprio Conselho da Liga. Dentre os ligados ao caso, muito poucos - se é que há algum - que inicialmente imaginavam ou esperavam que essas moradias, que ao observador externo pareciam apenas agrupamentos de construções decadentes perdidos entre as obscuras e tortuosas ruelas da velha Bagdá, pudessem jamais se tornar o objeto das deliberações do mais alto tribunal internacional que até então a mão do homem construiu para a resolução de suas questões. Qualquer que seja a decisão do mais alto tribunal do mundo quanto à petição que lhe foi submetida pelos bahá'ís do Iraque - e ninguém pode negar que, caso seu veredicto seja em nosso favor, um triunfo de magnitude sem igual terá sido alcançado para nossa amada Fé - o trabalho já realizado é, em si mesmo, uma prova poderosa das confirmações sustentadoras que estão sendo derramadas sobre os apoiadores do caso do reino no alto. Com relação a isso, não posso deixar de dar expressão aos meus sentimentos de profundo reconhecimento da incessante e destacada distinção com a qual nosso precioso irmão e colaborador, sr. Mountfort Mills, empreendeu, e ainda continua a ombrear, esta missão sagrada e histórica confiada ao seu encargo. Seus incansáveis esforços, a despeito da fraca saúde e das preocupações e inquietações domésticas, são merecedores do mais alto louvor e com gratidão serão registrados nos anais de uma Causa imortal. Certamente, se estudarmos corretamente a história deste caso, não podemos deixar de perceber a direção que as forças liberadas a sessenta anos por estas elocuções proféticas de Bahá'u'lláh estão destinadas a tomar na solução desta grandiosa questão. "Em verdade declaro: será tão rebaixada nos dias vindouros que fará lágrimas manarem de todos os olhos discernentes... E na plenitude do tempo, pelo poder da verdade, o Senhor haverá de exaltá-la aos olhos do mundo todo e fará com que se torne o poderoso estandarte de Seu domínio, o santuário em redor do qual circulará a assembléia de fiéis." Seu verdadeiro irmão, 49 - 12 DE FEVEREIRO DE 1929 Aos amados do Senhor e servas do Misericordioso em todo o Ocidente. Colaboradores na Vinha Divina, Por força de várias circunstâncias, sinto-me impelido a compartilhar com vocês as notícias dos recentes acontecimentos naqueles países do Oriente próximo e médio que pelo poder da Providência estão agora passando por uma transformação de feições como também de importância espantosas para os interesses da nossa amada Fé. Nos meus comunicados anteriores, já fiz rápida referência à natureza e efeitos daquela momentosa Revolução que com surpreendente rapidez substituiu o primitivo e decrépito império otomano por uma Turquia ocidentalizada e rejuvenescida. Tentei também descrever os primeiros estágios daquele recente e comovente episódio que, de um modo realmente providencial, serviu para impulsionar a comunidade bahá'í da Turquia da obscuridade da negligência opressiva para a ampla caridade da atenção oficial e pública. Recentemente, no entanto, os relatórios que têm sido recebidos dos representantes eleitos das diferentes partes da Turquia, dão a impressão de que as investigações conduzidas pelas autoridades policiais na capital e nas províncias daquele país têm se mostrado como apenas um preliminar para uma averiguação mais oficial e minuciosa a respeito da posição bahá'í com relação às leis recentemente promulgadas pelo governo republicano. Pois tão logo os seguidores de Bahá'u'lláh foram libertados da detenção na sede da Polícia e lhes foi assegurado que sua Fé de modo algum estava associada a qualquer desígnio ou motivo político, foi entregue aos seus representantes um comunicado oficial convocando-os para se apresentarem à corte criminal do Estado sob a acusação de infração da lei da república exigindo o registro e autorização de todos os encontros e reuniões públicas sob a jurisdição do Estado. Nossos irmãos prestaram imediata e implícita obediência a esta convocação. Na verdade, eles saudaram mais esta oportunidade de afirmar não somente a inocência de sua Fé, mas também para vindicarem a sublimidade dos ensinamentos de Bahá'u'lláh. Ao perceber que, com esse novo avanço, seu caso assumiu um caráter solene e judicial, os destemidos defensores da Causa decidiram procurar a assistência de um advogado esperto e simpatizante que reforçasse, sob um ponto de vista puramente legal, os argumentos espirituais cuja exposição eles reservaram para si mesmos. Por um período que variou entre uma semana e dezoito dias, a atenção dos oficiais da corte, dos representantes eleitos dos bahá'ís, dos seus advogados oficialmente nomeados e do público visitante foi focada sobre as deliberações da corte que examinou cuidadosamente não somente a conduta e os motivos dos bahá'ís, mas as leis e princípios, a história e a posição atual da própria Fé. A PROVAÇÃO DOS CRENTES TURCOS Fortalecidos pela reflexão de que nunca antes na história bahá'í os seguidores de Bahá'u'lláh foram convocados por oficiais de Estado, responsáveis pela administração da justiça, para revelarem a história e princípios de sua Fé, nossos irmãos na Turquia decidiram expor integralmente aquelas leis e ordenanças distintivas da Revelação Bahá'í que os terrores de uma autocracia desconfiada os compeliu a dissimular e ignorar durante tanto tempo. Em relação a isso, nada melhor do que citar algumas passagens do texto da defesa oficial que foi pronunciado em linguagem comovente pelo presidente da Assembléia Espiritual Bahá'í de Constantinopla numa seção plenária da corte naquela ocasião histórica: "O bahaismo é uma religião universal, moderna e absolutamente independente. Caso se queira uma designação ainda mais moderna: é uma instituição de Clemência, de boa vontade e de amor; em outros termos, de progresso moral e espiritual. Ela não é uma seita, nem uma ramificação de outras religiões ou doutrinas diversas. Ela é, entretanto, seu coroamento natural, lógico e por assim dizer, científico. É a razão pela qual se encontra entre seus adeptos, pessoas oriundas de todas as religiões e doutrinas existentes no mundo, que hoje se contam aos milhões... Essas explicações não seriam para desvendar o bastante (?) mistério que está no fundo dos sacrifícios, experimentados nesse século no Oriente, por mais de vinte mil mártires do bahaismo, entre os quais se encontra Qurratu'l-'Ayn Táhirih (a Alegria dos Olhos, a Pura), esta jovem turca pintada assim por nosso ilustre escritor Suleyman Nasif, e cujo martírio sem precedente é citado hoje pelo mundo inteiro como a epopéia inigualável da causa humana. Eu não sei se essas explicações podem elucidar as razões pelas quais se dá a essa doutrina sovada igualmente pelo sangue turco dos amigos, entre os homens de raça turca, essa raça que em todo o processo do gênero humano e de suas nobres aspirações, jamais hesitou em dar seu sangue... Entretanto os bahá'ís nunca dissimularam sua presença na Turquia, sobretudo depois da República. É como bahá'ís que se inscreveram no último recenseamento feito em Constantinopla. De outra parte, 168, é admissível que o governo ignore suas presenças na cidade? Assim sendo, não se poderia imaginar que os bahá'ís, estando sob a República, perseguidos como tal, sobretudo após terem adquirido sua liberdade sob o regime da Constituição que se seguiu à tirania, período no qual eram perseguidos.... Porém, antes de terminar, eu não quero me impedir de dizer que com absoluta segurança, que os adeptos dessa doutrina na Turquia, estão sob a Justiça de um país regido pela primeira verdadeira República plena de luz, da qual se honra à partir de hoje todo o Oriente.... Essas declarações, de uma parte, e a conduta seguida pelos bahá'ís, por ocasião do incidente que começou pelo interrogatório ao qual foram submetidos pela polícia, de outra, são a prova convincente da sinceridade e da boa fé que nos comportamos tanto face à Justiça quanto ao governo. Assim, nós pudemos subtrair as peças que constituem os únicos documentos passíveis de nos servir para nos assimilar nas sociedades. Não nos vendo em contravenção com a lei, nós nada quizemos esconder, como eu não quero deixar de dizer tudo aqui. Isso não é mais do que uma necessidade ditada pelo bahaismo e o atendimento á uma recomendação de Bahá'u'lláh. Ele nos disse: 'Diante da Justiça diga a verdade e não tema.'" Dois incidentes de caráter inesperado deram colorido e força a esses debates calorosamente controvertidos e muito devem ter contribuído para que a questão fosse concluída com sucesso. A participação de um notório publicitário e autor turco cuja simpatia explícita à Causa identificou-o com o grupo de supostos crentes, e a ligação do nome da rainha Maria da Romênia com a Fé Bahá'í em conseqüência da descoberta de seus pronunciamentos públicos sobre a Causa entre os documentos confiscados da Assembléia Bahá'í de Constantinopla e sua mensagem pessoal aos amigos daquela cidade, ambos serviram para reforçar a posição dos bahá'ís e os encorajaram grandemente em seu trabalho. Numa carta que me foi enviada pelo presidente da Assembléia de Constantinopla, fui assegurado de que as sessões do tribunal foram conduzidas com dignidade, os ideais da Causa foram apresentados de modo sublime, e a posição dos seus participantes foi representativa. Ele escreve: "Foi uma declaração da Causa 169 em toda sua grandeza e jamais o Oriente viu ressoar tão forte o nome de Bahá.... Eu preferi deixar o advogado, que não era bahá'í , falar. Certamente isso deu efeito às palavras do advogado que levado por não sei qual misteriosa força, gritar, após ter citado os princípios: 'Senhor Juiz! Não é isso o ideal para o qual segue nosso país tendo à frente nosso Grande Gazi?'" A extravagante linguagem dos jornais no relato dos detalhes dessa investigação pública serviu por sua vez para acentuar a publicidade já lançada e induziu os oficiais do tribunal ao exercício consciencioso da imparcialidade na análise e julgamento do caso. Quanto ao veredicto pronunciado em 13 de dezembro, está claramente declarado que embora os seguidores da Bahá'u'lláh, em sua inocente concepção do caráter espiritual de sua Fé, tenham achado necessário solicitar permissão para a condução de suas atividades administrativas, tornando -se assim sujeitos ao pagamento de multa, para a satisfação dos representantes legais do Estado, no entanto, estabeleceram não só a inculpabilidade da Causa de Bahá'u'lláh, mas também cumpriram condignamente a tarefa de vindicar sua independência, sua origem divina e sua adequação às circunstâncias e requisitos da época atual. Tornar-se-á claro que este reconhecimento da parte das autoridades jamais teria sido conseguido com tamanha rapidez se os representantes dos crentes tivessem procedido através dos canais normais e oficiais para obter tal reconhecimento de seu governo. O DECLÍNIO DO ISLÃ Certamente todo observador imparcial, ao examinar, de um lado, a turbulenta história da Causa na Turquia e, do outro, as outras séries de convulsões internas que se apoderaram do país, não pode senão maravilhar-se diante do contraste entre o rápido declínio de uma teocracia toda-poderosa e a gradativa consolidação de uma Fé perseguida. Apreciará a importância das circunstâncias que de um lado causaram a desagregação daquilo que foi a mais poderosa instituição do Islã e, do outro, contribuiu para fazer emergir sobre suas ruínas a própria Fé que inutilmente se esforçou por suprimir. Se lançar o olhar para o passado e consultar os anais do cristianismo durante o primeiro século da era cristã, não poderá deixar de observar o surpreendente paralelo entre a cataclísmica provação da Providência que afligiu as mais sagradas instituições dos judeus na Terra Santa e o completo colapso do sultanato e do califado, as mais altas instituições do Islã ortodoxo, nesse primeiro século da era bahá'í. Lembrará os rigores que a mão de Tito infligiu sobre os judeus, a humilhante ocupação de Jerusalém, a destruição da Cidade Sagrada, a profanação do Templo, a destruição do Santuário, a transferência de seus inestimáveis tesouros para a cidade imperial de Roma, a construção da colônia pagã da Oelia Capitolina em Sião, o massacre dos judeus e o exílio e dispersão da maioria dos sobreviventes. De modo igual, observará que, quase na década correspondente do primeiro século da era de Bahá'u'lláh, um golpe de magnitude sem precedentes foi aplicado às mais altas posições de autoridade no mundo islâmico, não pela mão do infiel, mas por um reconhecido governante que professava a Fé Islâmica. Recordará a recente separação da religião do Estado na Turquia, a ruína da dinastia da casa de Otman, a perda de unidade da grande maioria dos aderentes da Fé islâmica, a humilhação infligida a toda a hierarquia de seus expoentes eclesiásticos naquela terra, a abolição dos tribunais religiosos, a anulação das provisões do Alcorão, a promulgação de um código universal ocidental de leis civis, a supressão de suas ordens eclesiásticas e o fechamento da maioria de seus seminários e estabelecimentos. Tão íntima correspondência entre essas históricas retribuições que o braço punitivo do Todo- Poderoso decidiu infligir aos perseguidores de Cristo e de Bahá'u'lláh nada podem senão fortalecer a confiança de todo crente bahá'í nas futuras glórias desta Dispensação divina. Ele se sentirá especialmente fortalecido ao recordar os triunfos que assinalaram o avanço do cristianismo após a humilhação de seus inimigos. E quando pondera sobre os acontecimentos que deram tão espantosa publicidade à Causa, não somente na Turquia, mas também nos países adjacentes, não pode deixar de reconhecer neste estranho episódio, que se seguiu tão imediatamente à queda da poderosa fortaleza da oposição à Fé Bahá'í, um prelúdio a um reconhecimento maior e um desenvolvimento mais pleno da Fé de Bahá'u'lláh. PROGRESSO NA PÉRSIA Na Pérsia, onde, ao contrário de sua desafortunada nação irmã, o Afeganistão, o ritmo da reforma foi sabiamente coordenado, os efeitos salutares do regime progressivamente estabelecido pelo seu esclarecido soberano estão influenciando não somente a estrutura social e econômica, mas são cada vez mais percebidos pela massa dos seguidores de Bahá'u'lláh naquele país. O caos da controvérsia, no qual as drásticas reformas de um governo determinado que visa a gradativa secularização do Estado, mergulhou, um clero repulsivo e proporcionou aos nossos irmãos persas sua longamente desejada oportunidade de seguirem com liberdade o curso de suas atividades espirituais e humanitárias. A deportação de um considerável número de oficiais eclesiásticos muçulmanos, entre eles o herdeiro do notório e sanguinário mujtahid de Isfahán, "o Filho do Lobo", serviu para preparar o terreno para a ampliação e consolidação das instituições bahá'ís. Segundo o relato de um remoto centro da província de Yazd, um importante, porém esclarecido mulá, ao descobrir uma certa profecia de 'Abdu'l-Bahá a respeito do abandono forçado do tradicional chapéu dos clérigos muçulmanos, reconheceu a origem divina da Fé Bahá'í, abraçou sua verdade e abertamente registrou-se como um ativo apoiador de suas instituições. Além disso, conta-se que em várias regiões e entre camadas respeitáveis da comunidade discute-se livremente a questão da codificação e introdução do código civil ocidental e sua aplicação universal a todas as diferentes comunidades, e sua desejabilidade é cada vez mais enfatizada. No entanto, como medida preliminar para tão profunda reforma, recentemente foram iniciadas certas mudanças de política, não em forma de decretos ditatoriais precipitadamente concebidos, mas como resultado de deliberações maduras e com a sanção dos representantes nacionais do povo. A sistematização das leis do casamento e contratos; o estabelecimento de Escritura de Imóveis completamente independente do controle eclesiástico; a distribuição de certidões de nascimento de caráter puramente não confessional; a crescente proeminência dos direitos sociais da mulher; a rigorosa atenção prestada pelas autoridades do Estado à educação dos jovens persas nas universidades da Europa; o banimento de todas as demonstrações de flagelação em todo o território do xá; os ousados e variados planos que haviam sido lançados para o estabelecimento da capital persa - todos são sinais bem-vindos da iminente era que há de testemunhar a ascendência espiritual e material da Pérsia entre as nações e povos do mundo. Neste ambiente em constante aperfeiçoamento e testemunhando de todos os lados a queda daquelas instituições que paralisavam sua diligente Fé, os crentes da Pérsia estão agarrando jubilosamente toda oportunidade para demonstrar o poder redentor da Causa de Bahá'u'lláh. Recentemente chegou à Terra Santa um relato esclarecedor apresentado por um dos instrutores itinerantes mais capazes e confiáveis da Causa na Pérsia. Nele o autor mostra em linguagem gráfica e acurada as muitas evidências da crescente vitalidade demonstrada pela Fé em diferentes lugares da Pérsia. Convocado pela Assembléia Espiritual Nacional da Pérsia para interromper suas viagens aos arredores da cidade de Mashhad a fim de dedicar atenção imediata a uma situação inesperadamente surgida em Isfahán, nosso incansável instrutor, ao chegar àquela província com seu irmão, surpreendeu-se em notar nas várias cidades e povoados que visitou um crescimento décuplo no número dos aderentes à Fé desde sua última visita àquela região. Além disso, ele ficou espantado pela hospitalidade que recebeu das pessoas que seis anos atrás haviam colaborado para expulsá-lo de suas localidades e que agora haviam se registrado voluntariamente sob a bandeira de Bahá'u'lláh. Ademais, ele ficou extremamente feliz em saber que ultimamente o prestígio, a integridade e a habilidade das Assembléias Locais Bahá'ís daquela província haviam alcançado tais alturas que os não bahá'ís, exasperados pela corrupção e incompetência de seus próprios juízes, por mais de uma vez haviam submetido voluntariamente casos de disputa ao julgamento dos representantes eleitos da comunidade bahá'í de sua localidade. Somente um observador atento e imparcial dos modos e hábitos do povo persa, já familiarizado com as tendências prevalecentes das diversas camadas da população, tais como sua apatia e indolência, a ausência de um senso de dever público e lealdade a princípios, a falta de um esforço conjunto e constância de ação, o hábito de fazer segredo e de submissão cega à caprichosa vontade de um clero ignorante e fanático é que pode realmente avaliar a imensidade da tarefa que confronta todo crente consciencioso naquela terra. Além disso, imediatamente atestará o elevado padrão já alcançado pelos bahá'ís da Pérsia em seus esforços para inculcar nas mentes de seus compatriotas os princípios da civilização divina apresentados por Bahá'u'lláh. Apenas temos que lançar um rápido olhar sobre as comoventes promessas escritas de 'Abdu'l-Bahá para percebermos a magnitude e o excelso caráter da missão confiada por Ele aos aderentes da Fé na terra natal de Bahá'u'lláh. Pela fiel aplicação dos princípios espirituais que sua atual administração está se esforçando em propagar; pelo caráter daqueles laços indissolúveis de companheirismo bahá'í que consolidam a união da massa dos crentes com seus conselheiros eleitos; pela distinção de suas futuras contribuições no domínio da arte, da ciência e do comércio, da educação e da indústria - por essas e ainda outras manifestações convincentes da estimulante vitalidade de sua Fé, nossos irmãos persas estão destinados a demonstrar às autoridades governantes da terra a majestade, a estabilidade duradoura e a eficácia infalível do governo de Bahá'u'lláh. A seguinte passagem da Epístola de 'Abdu'l-Bahá, revelada há mais de trinta anos, enquanto encarcerado entre os muros da cidade-prisão de 'Akká, e dirigida aos bahá'ís de Khurásán, sem dúvida irá estimular aqueles vigorosos amigos do Ocidente que há longo tempo contribuem, por quaisquer meios que tenham ao seu dispor, para a reabilitação da terra natal de seu Mestre: "Em breve vossos irmãos da Europa e da América viajarão à Pérsia. Lá eles promoverão a um grau sem precedentes os interesses da arte e da indústria. Erguerão as instituições da verdadeira civilização, promoverão o desenvolvimento da agropecuária e do comércio e ajudarão na difusão da educação... Certamente eles virão; certamente contribuirão para fazer da nação iraniana a inveja e a admiração dos povos e nações do mundo." E, ao ponderarmos estas palavras de 'Abdu'l-Bahá em nossos corações, lembremos também das declarações proféticas de Bahá'u'lláh que revelam não somente a implacável crueldade dos líderes eclesiásticos do Islã, mas também a medida da retribuição divina que agora aflige o opressor da sagrada Fé de Deus: "Ó povo do Alcorão! Verdadeiramente, o profeta de Deus, Muhammad, derrama lágrimas ao ver vossa crueldade. Certamente seguistes vossos desejos maus e corruptos e desviastes vossa face da luz de guia. Breve testemunhareis o resultado de vossos atos; pois o Senhor Meu Deus está vigilante e atento ao vosso comportamento... Em breve Ele erguerá em cada cidade o estandarte de Sua soberania e varrerá os traços daqueles que O negaram no dia de Seu retorno... Ó assembléia de sacerdotes muçulmanos! Por vossos atos a excelsa posição da nação foi rebaixada, o estandarte do Islã foi derrotado e seu poderoso trono decaiu. Sempre que o reformador divino quis enobrecer a posição do povo, vós vos erguestes contra Ele em tumulto e o impedistes de executar Seu propósito, motivo pelo qual o reino permaneceu em grande prejuízo." E, ao concluir, em poucas palavras desejo prestar tributo, mesmo que inadequado, aos magníficos serviços prestados pela modelar e incansável instrutora da Causa, nossa bem- amada irmã, srta. Martha Root. Suas viagens internacionais em favor da Fé, de âmbito tão amplo, de duração tão extensa e de resultados tão inspiradores, adornarão e enriquecerão os anais da Fé imortal de Deus. Suas primeiras viagens às regiões mais meridionais do continente americano, à Índia e à África do Sul, aos confins orientais da Ásia, às ilhas dos mares do Sul, e aos países escandinavos do norte; seu mais recente contato com governantes e cabeças coroadas da Europa e a impressão que seu indômito espírito criou nos círculos reais nos países balcânicos; sua estreita associação com organizações internacionais, movimentos humanitários e círculos esperantistas; suas mais recentes vitórias nos círculos universitários alemães - tudo isso constitui uma incontestável evidência daquilo que o poder de Bahá'u'lláh é capaz de realizar. Estes trabalhos históricos, empreendidos sem ajuda e em condições de escassez financeira e saúde precária, têm sido integralmente caracterizados por um espírito de fidelidade, de abnegação, de eficácia e vigor que ninguém excedeu. Eu apelo tanto aos crentes individualmente como às Assembléias Bahá'ís para reforçarem de todas as maneiras possíveis os fervorosos esforços de tão preciosa alma, responderem imediata e inteiramente a quaisquer solicitações que de tempos em tempos ela se sente obrigada a dirigir aos seus colaboradores em todas as terras, procurarem atingir o elevado padrão de dedicação que ela estabeleceu e rezarem das profundezas de seus corações pelo prosseguimento ininterrupto de seus nobres esforços. Seu verdadeiro irmão, 50 - 20 DE MARÇO DE 1929 Aos amados do Senhor e servas do Misericordioso em todo o Ocidente. Ternamente amados irmãos e irmãs em 'Abdu'l-Bahá, Com coração transbordante de gratidão e júbilo, tomo minha pena para compartilhar com vocês novas que testificam com eloqüência a triunfante majestade e o invencível espírito da Fé de Bahá'u'lláh. De Genebra, a sede da Liga das Nações, veio a notícia de que o fervoroso apelo dirigido pelos bahá'ís do Iraque ao supremo tribunal mundial a respeito de uma questão que por algum tempo agitou o mundo bahá'í até seus fundamentos finalmente encontrou uma resposta nobre e extremamente gratificante. Vocês recordarão as referências feitas nos meus comunicados anteriores, datados de 6 de novembro de 1925, 29 de outubro de 1926 e 1o de janeiro de 1929, ao confisco forçado da sagrada casa de Bahá'u'lláh pelos xiitas de Bagdá, aos apelos que de quase todas as partes do globo choveram sobre as autoridades do Iraque para sua restituição, aos longos e fracassados procedimentos legais que os representantes da Fé lançaram mão naquele país, e finalmente à petição que eles dirigiram à Comissão de Mandatos Permanentes da Liga apresentando a história do caso e solicitando a intervenção do Conselho em seu favor. Estou sendo informado agora que após madura deliberação, a conclusão a que chegou a Comissão de Mandatos, urgindo ação imediata para reparar as injustiças sofridas pelos bahá'ís, foi devidamente comunicada e adotada pelo Conselho da Liga, a qual por sua vez comunicará formalmente as recomendações de sua Comissão ao Poder Mandatário. A DECISÃO DA LIGA DAS NAÇÕES Do texto oficial das atas da reunião da Comissão de Mandatos, bem como de seu relatório oficial ao Conselho, ambos os quais foram tornados públicos, fica claro e evidente que os termos da conclusão a que se chegou não são vagos nem evasivos, mas declaram em linguagem clara as legítimas aspirações de uma Fé oprimida e esforçada. A decisão não implica nem na compensação da comunidade bahá'í pelos danos das construções sagradas nem provê explicitamente pela expropriação da propriedade pelo Estado. Fazendo uma citação do texto do documento oficial, a Comissão decidiu "recomendar ao Conselho que peça ao governo britânico para apelar ao governo do Iraque para que repare imediatamente a falta de justiça sofrida pelos requerentes". Uma passada de olhos nas atas da reunião da Comissão é suficiente para mostrar que no decorrer das longas discussões conduzidas pelos membros da Comissão os seguintes fatos importantes foram enfatizados e reconhecidos. Os representantes oficiais britânicos presentes à sessão da Comissão declararam que "de fato o Poder Mandatário reconheceu que os bahá'ís sofreram uma injustiça e desde a decisão da suprema Corte o alto comissário vem considerando que meios podem ser encontrados, seja por um ato executivo ou de outro modo, para remover os efeitos injustos daquela decisão". Além disso, foi reconhecido pelos representantes oficiais que os bahá'ís estiveram de posse legítima da propriedade, que gastaram nela quantias que excedem o valor da propriedade em si e que estavam de acordo com a provisão da própria lei turca que autoriza a compra da propriedade. No decorrer das deliberações dos membros da Comissão foram feitas ainda alusões ao fato de que a ação da comunidade xiita em relação à sagrada casa de Bahá'u'lláh constitui uma brecha na constituição e na lei orgânica do Iraque que, de acordo com o testemunho do representante oficial britânico, provê expressamente irrestrita liberdade de consciência. Uma pergunta de um dos membros havia inclusive trazido à tona da parte do representante do governo britânico a resposta que assegurava à Comissão o fato de o Poder Mandatário realmente possuir meios de exercer pressão sobre as autoridades de modo a garantir, caso necessário, que um artigo tão fundamental da Constituição fosse respeitado. Além disso, foi expresso com veemência o parecer de que a questão havia assumido uma "importância que excedia o caso específico dos bahá'ís", uma vez que "o julgamento do Supremo Tribunal estava sob suspeita de ter sido inspirado por preconceito político", com a conseqüente impressão sobre a Comissão de que "do ponto de vista moral, as condições no Iraque não estavam melhorando, que as paixões religiosas continuavam exacerbadas e a paz ainda não se havia estabelecido entre as diversas comunidades religiosas". Havia sido proposto que o relatório submetido ao Conselho fosse suplementado com a observação de que na opinião da Comissão "um país no qual o soberano e os supremos tribunais jurídicos são capazes de tamanha negação de justiça provavelmente não seria considerado qualificado para se tornar membro da Liga das Nações". As atas das reuniões da Comissão indicam ainda que, na opinião da Comissão, o conteúdo da carta enviada pelo primeiro-ministro do Iraque ao representante britânico em Bagdá e que acompanhava o texto da petição dos bahá'ís não "satisfaz nenhuma das alegações dos requerentes" e se restringem a uma mera afirmação de que o julgamento do Tribunal de Apelação foi pronunciado de acordo com as leis daquele país. Quanto ao memorando submetido Pelo Poder Mandatário referente à petição bahá'í, e que as atas mencionam rapidamente, é expressamente afirmado que o governo da sua majestade britânica considera uma ação ilegal a expulsão dos bahá'ís enquanto o caso ainda não estiver decidido, que os motivos citados para justificar tal ação dificilmente são admissíveis, e que o veredicto final do Tribunal de Apelação é insustentável, contrário à lei e corrompido por considerações políticas. As atas declaram ainda que embora qualquer petição apresentada à Comissão recorrendo de uma decisão tomada pelo Tribunal Jurídico deva ser considerada inapropriada, no entanto, como a petição apresentada pelos bahá'ís revela tal condição de parcialidade, servilidade e sectarismo, considera-se desejável sair da regra geral e considerar a petição em questão como aceitável pela Comissão. E entre as observações finais das atas das reuniões da Comissão referentes à petição bahá'í há a seguinte passagem significativa: "As revelações feitas em relação a esta petição mostram a situação atual no Iraque de um modo desfavorável. Num país em que a conduta das mais altas autoridades levou o Poder Mandatório a proferir tão severa crítica, onde O Supremo Tribunal de Justiça está sob legítima suspeita, e onde o fanatismo religioso persegue minorias e controla o poder, prevalece um estado de coisas não estruturado para garantir o bem-estar de seus habitantes. Os requerentes sofreram uma séria recusa da justiça cuja responsabilidade direta recai sobre as autoridades do Iraque. O fato de esta recusa da justiça não ter podido ser prevenida ou imediatamente sanada, foi devido ao enfraquecimento do controle do poder Mandatório no Iraque. O Mandatório tentou, porém em vão, reparar a injúria infligida aos requerentes usando os meios de influência à sua disposição no regime estabelecido pelo tratado de 1922 entre o rei Faisal e o governo do Iraque. Esses esforços não pareciam corresponder perfeitamente ao empenho resultante da declaração do governo britânico, aprovada pelo Conselho em 27 de setembro de 1924 e renovada pelo governo britânico em 1926, pela qual o tratado de aliança entre o governo britânico e o Iraque 'deveria garantir no Iraque a completa observância e execução dos princípios que a aceitação do mandato visava assegurar'." Esta grave censura, pronunciada pela Comissão do Mandato da Liga das Nações a respeito da administração da justiça e da direção geral dos assuntos no Iraque, bem como da relação da humilhação imposta à sagrada residência de Bahá'u'lláh com as obrigações incluídas no tratado da aliança entre o governo britânico e o Iraque, não somente proclama ao mundo o crescimento do prestígio daquele reverenciado e consagrado lugar, mas também testifica o alto senso de integridade que anima os membros da honrada Comissão da Liga no cumprimento de suas obrigações públicas. Em sua resposta formal aos requerentes bahá'ís, os membros da Comissão Permanente do Mandato, com a sanção do Conselho da Liga das Nações, emitiram esta declaração bastante satisfatória: "A Comissão dos Mandatos Permanentes, reconhecendo a legitimidade da queixa apresentada pela Assembléia Espiritual Bahá'í de Bagdá, recomendou ao Conselho da Liga ações que considerou apropriadas para reparar a injustiça sofrida pelos requerentes." Uma passagem semelhante inserida no relatório do representante finlandês no Conselho da Liga diz o seguinte: "A Comissão considerou também uma petição da Assembléia Espiritual Nacional dos bahá'ís do Iraque, uma comunidade que foi desapossada de sua propriedade por outra comunidade e está sendo incapaz de recuperá-la por meios legais. A Comissão está convencida de que esta situação, descrita como uma injustiça, deve ser atribuída somente à paixão religiosa, e pede que as injustiças sofridas pelos requerentes sejam reparadas. Eu ouso sugerir que o Conselho deve aceitar as conclusões da Comissão do Mandato sobre este caso que é um exemplo das dificuldades a serem encontradas no desenvolvimento de um novo país." Este relatório, juntamente com as observações e conclusões da Comissão, foi devidamente considerado e aprovado pelo Conselho da Liga, que por sua vez instruiu o secretário-geral a levar as conclusões da Comissão do Mandato ao conhecimento do Poder Mandatório, bem como dos requerentes envolvidos. Ternamente amados colaboradores! Muito já foi realizado no desenrolar desta questão complicada, delicada e altamente significativa. O mundo bahá'í está esperando ansiosamente e ora fervorosamente para que o Todo-Poderoso possa auxiliar graciosamente o governo, o principal responsável pelo bem-estar do Iraque, a dar "sem demora" os passos que assegurem a execução do parecer ponderado dos representantes dos Estados soberanos, membros do Conselho e signatários do Pacto da Liga das Nações. Caso seja apropriado e aconselhável, informá-los-ei de que modo deve ser expressa e prestada a admiração e a gratidão das Assembléias Espirituais Nacionais, representantes das diversas comunidades do mundo bahá'í, às autoridades da Liga das Nações que foram os principais responsáveis por esta nobre e histórica decisão. Pois ninguém pode duvidar que a publicação do veredicto pronunciado pela Comissão do Mandato ratifica a sanção internacional do triunfo da perseguida Fé de Deus sobre as hostis forças eclesiásticas e civis do Islã. Dentro dos grupos sunitas ortodoxos e implacáveis e fanáticos xiitas, as principais seitas da Fé Islâmica e que constituem respectivamente grande parte da classe governante e da população do Iraque, deve necessariamente prevalecer um sentimento de consternação. Pois por mais obscurecida que seja sua visão, eles podem ainda reconhecer neste histórico julgamento o prenúncio daquela vitória completa que está destinada a estabelecer a ascendência daquilo que, nas palavras dos membros da Comissão, é apenas "uma pequena minoria, proveniente de uma classe social inferior, e sem qualquer influência política ou social" sobre as forças conjuntas da população islâmica do Iraque. Ao concluir, não posso deixar de mencionar mais uma vez o decisivo papel desempenhado por aquele destacado e internacional paladino da Fé de Bahá'u'lláh, nosso ternamente amado Mountfort Mills nas negociações que pavimentaram o caminho para o notável sucesso já alcançado. O texto da petição bahá'í, concebido e esboçado por ele, foi reconhecido pelos membros da Comissão dos Mandatos como "um documento bem esboçado, de argumento claro e de tom moderado". Ele realmente se desincumbiu desta mais sagrada tarefa com distinção exemplar e mostrou-se digno de tão nobre missão. Eu lhes peço para que se juntem a mim em minhas orações por ele, para que o Espírito de Bahá'u'lláh continue a guiá-lo e apoiá-lo na decisão desta questão grandiosa. Seu verdadeiro irmão, 51 - 25 DE OUTUBRO DE 1929 Aos amados do Senhor e servas do Misericordioso nos Estados Unidos e Canadá. Meus bem-amados amigos, Desde aquela notável manifestação de solidariedade e auto-sacrifício bahá'í que marcou os procedimentos da memorável Convenção do ano passado, estou esperando ansiosamente as novas de um firme e contínuo apoio ao Plano, nada além do qual pode assegurar a retomada da construção do nosso amado Templo antes do término do corrente ano. DÁDIVA DO SEPULCRO DE BAHÁ'U'LLÁH Levado por um impulso a que não consigo resistir, tenho me sentido impelido a renunciar aquilo que pode ser considerado como a mais valiosa possessão na Terra Santa para o avanço daquele nobre empreendimento por cuja realização vocês empenharam seus corações. Com a amável cooperação do nosso querido irmão, Ziaoulláh Asgarzadeh, que há alguns anos doou ao Mais Sagrado Sepulcro, este precioso ornamento do túmulo de Bahá'u'lláh já foi enviado às suas margens, com a nossa mais terna esperança de que as receitas de sua venda possam enobrecer e reforçar imediatamente os inúmeros oferecimentos dos bahá'ís americanos já acumulados no altar do sacrifício bahá'í. Desde então tenho ansiado testemunhar tais evidências de espontânea e generosa resposta de sua parte que tendessem a fortalecer em mim uma confiança que jamais vacilou na inexaurível vitalidade da Fé de Bahá'u'lláh naquela terra. Não preciso, neste momento, enfatizar as altas esperanças que uma mostra tão espantosa de generosa devoção ao nosso sagrado Templo já despertou nos corações da multidão de nossos irmãos em todo o Oriente. Nem acho necessário ressaltar para aqueles que estão primariamente envolvidos com sua construção a mudança gradual de panorama que a expectativa da construção do afamado Mashriqu'l-Adhkár da América inequivocamente ocasionou nos altos círculos até então céticos e indiferentes diante dos méritos e da praticabilidade da Fé proclamada por Bahá'u'lláh. Tampouco preciso discorrer sobre as esperanças e receios da Folha Mais Sagrada, agora no ocaso de sua vida, com a intensificação do obscurecimento de uma visão debilitada e a rápida diminuição das forças abatendo-se sobre ela, ansiando ouvir, como único consolo que resta em sua vida em rápido declínio, as novas da retomada do trabalho de um edifício cuja glória ela aprendeu a admirar através dos lábios do próprio 'Abdu'l-Bahá. Certamente, na condição atual do progresso da nossa tarefa, nunca é demais considerar o caráter desafiador desses meses restantes do ano como uma oportunidade fugaz que cabe a nós agarrar e utilizar, antes que seja tarde demais, para o benefício dos nossos irmãos em todo o Oriente, para a defesa das verdades de nossa Fé aos olhos do mundo todo, e finalmente, mas não menos importante, para a realização do desejo mais acariciado da Folha Mais Sagrada. Conforme já comuniquei no decorrer das minhas conversações com os peregrinos visitantes, um empreendimento tão imenso e significativo como a construção do primeiro Mashriqu'l- Adhkár do Ocidente deve ser apoiado, não pela munificência de poucos, mas pela contribuição conjunta de toda a massa de convictos seguidores da Fé. Não se pode negar que as emanações do poder espiritual e inspiração destinados a se irradiar do edifício central do Mashriqu'l-Adhkár dependerá grandemente do âmbito e da variedade de crentes contribuintes, bem como da natureza e do grau de abnegação das suas ofertas espontâneas. Além disso, penso que devemos considerar como um axioma e princípio orientador da administração bahá'í que a condução de toda atividade bahá'í específica, diferentemente de empreendimentos humanitários, filantrópicos ou de caráter caritativos, os quais no futuro serão administrados sob auspícios bahá'ís, somente aqueles que já se identificaram com a Fé e são considerados como seus apoiadores declarados e irrestritos devem ser convidados a se unir e colaborar. Pois fora as complicações embaraçosas que a participação de não crentes no financiamento de instituições de caráter estritamente bahá'í pode gerar na administração da comunidade bahá'í no futuro, deve-se lembrar que essas instituições especificamente bahá'ís, os quais devem ser visto à luz das dádivas que Bahá'u'lláh concedeu ao mundo, podem funcionar da melhor maneira e exercer sua influência com maior vigor no mundo se forem criadas e mantidas somente com o apoio daqueles que são totalmente cônscios e irrestritamente submissos às reivindicações inerentes à Revelação de Bahá'u'lláh. No entanto, nos casos em que um amigo ou simpatizante da Fé insiste numa contribuição monetária para a promoção da Fé, tal donativo pode ser aceito e devidamente apreciado pelos representantes eleitos dos crentes, com o entendimento explícito de que será utilizado por eles para reforçar aquele segmento do fundo bahá'í exclusivamente dedicado para objetivos filantrópicos ou caritativos. Pois, à medida que a Fé de Bahá'u'lláh amplia seu âmbito e sua influência, e os recursos da comunidade se multiplicam proporcionalmente, será cada vez mais desejável diferenciá-los daqueles da tesouraria bahá'í que são para atender às necessidades do mundo em geral e aqueles que são especificamente destinados a promover os interesses diretos da própria Fé. Desta aparente separação entre atividades bahá'ís e humanitárias não se deve, no entanto, inferir que o propósito que anima a Fé de Bahá'u'lláh esteja em divergência com os objetivos das instituições humanitárias e filantrópicas da época. Não, Todo promotor consciencioso da Fé que num estágio tão preliminar da evolução e cristalização da Causa tais medidas discriminatórias e preventivas são inevitáveis e até necessárias para que as nascentes instituições da Fé emirjam triunfantes e íntegras da atual agitação de interesses confusos e muitas vezes conflitantes que os cercam. Esta observação não pode ser considerada inapropriada na época em que, inflamados de ardente paixão por testemunharmos a rápida conclusão do Mashriqu'l-Adhkár, não estaremos apenas aptos a aceitar o desejo daqueles ainda não iniciados na Fé que desejarem dar assistência financeira à sua instituição, mas podemos até nos sentir inclinados a solicitar deles ajuda que lhes seja possível prestar. Certamente é nosso dever supremo portar-nos de tal modo no cumprimento de nossa mais sagrada tarefa que nos dias vindouros nem a língua do difamador nem a pena do malévolo possam ousar insinuar que tão formoso e significativo edifício foi erguido por nada além do exclusivo e abnegado esforço de um pequeno, porém decidido contingente dos convictos apoiadores da Fé de Bahá'u'lláh. Quão delicada a nossa tarefa, quão urgente a responsabilidade que pesa sobre nós que somos chamados, de um lado, a preservar inviolada a integridade e a identidade da Fé regeneradora de Bahá'u'lláh e, por outro lado, defender seus princípios amplos, humanitários e todo-abrangentes. Verdade que não podemos, no atual estágio do nosso trabalho, deixar de perceber o número extremamente limitado de contribuintes qualificados para o apoio de um empreendimento tão grandioso, tão elaborado e custoso. Estamos perfeitamente cientes das muitas questões, inevitavelmente suspensas, dependentes da conclusão exitosa do Plano de Ação Unificada. Estamos bem conscientes da premente necessidade de algum tipo condigno e concreto de incorporação do espírito que anima a Causa que permaneça no coração do continente americano como testemunha e como centro de reunião das múltiplas atividades de uma Fé em rápido crescimento. Mas, impelidos por essas reflexões, não iremos nos levantar e decidir, como nunca antes, apressar por todos os meios ao nosso dispor a consumação dessa tarefa tão exaustiva, mas tão meritória? Eu lhes peço, queridos amigos, que não permitam que as considerações de números ou a consciência das limitações dos nossos recursos, ou mesmo a experiência das revezes que todo empreendimento grandioso certamente encontra, turvem sua visão, diminuam suas esperanças ou paralisem seus esforços na execução de sua tarefa divinamente designada. Nem deixem, solicito-lhes, que o menor desvio dos caminhos da dedicação e do comprometimento obstruam os canais da graça vivificadora, nada além da qual pode prover a inspiração e a força vital, não somente na condução exitosa de sua construção material, mas na realização de seu elevado destino. E enquanto submetemos nossos esforços e exaurimos nossas energias no febril empenho para prover os meios necessários para a rápida construção do Mashriqu'l-Adhkár, não podemos por um momento examinar aquelas declarações que mostraram o propósito bem como as funções deste edifício simbólico e espiritualmente potente? Admitir-se-á prontamente que num tempo em que os princípios da Fé, não totalmente emergidos dos fogos da repressão, ainda não estão apropriadamente definidos nem perfeitamente entendidos, deve- se exercer a máxima cautela ao revelar a verdadeira natureza daquelas instituições que estão indissoluvelmente associadas com seu nome. O PROPÓSITO DO MASHRIQU'L-ADHKÁR Sem fazer um exame exaustivo das características distintivas e do propósito do Mashriqu'l- Adhkár, contento-me, no momento, em chamar sua atenção àquilo que julgo serem afirmações enganosas que circularam em diversos lugares e que aos poucos podem levar o verdadeiro propósito e o caráter essencial do Mashriqu'l-Adhkár a um grave mal-entendido. Deve-se ter em mente que o edifício central do Mashriqu'l-Adhkár, em torno do qual na plenitude do tempo se agruparão instituições de serviço social que proporcionarão alívio ao sofredor, sustento para o pobre, abrigo para o viajante, conforto para o desolado e educação para o insipiente, deve ser considerado à parte de suas dependências, como uma casa destinada única e inteiramente à adoração de Deus de acordo com os poucos princípios explicitamente prescritos estabelecidos por Bahá'u'lláh no Kitáb-i-Aqdas. Não se pode, no entanto, inferir desta afirmativa geral que o interior do edifício central será convertido num conglomerado de serviços religiosos conduzidos de modo semelhante aos procedimentos vigentes em igrejas, mesquitas, sinagogas e outros templos de adoração. Suas várias avenidas de acesso, todas convergindo para o salão central sob seu domo, não servirão para o ingresso daqueles aderentes sectários de fórmulas frias e credos criados pelo homem, cada um à sua maneira inclinado a observar seus ritos, recitar suas preces, fazer suas abluções e exibir o símbolo particular de sua fé em setores distintamente definidos da Casa de adoração de Bahá'u'lláh. O Mashriqu'l-Adhkár, longe de oferecer tal espetáculo de observâncias e ritos sectários, confusos e incoerentes, uma condição completamente incompatível com as provisões do Aqdas e irreconciliável com o espírito que inculca, a Casa central de Adoração Bahá'í, entesourada no interior do Mashriqu'l-Adhkár, reunirá dentro de seus refinados muros, numa atmosfera de serenidade espiritual, somente aqueles que, descartando para sempre as pompas de cerimoniais elaborados e ostentosos, são adoradores anelantes do único Deus verdadeiro, manifestado nesta era na pessoa de Bahá'u'lláh. Para eles, o Mashriqu'l-Adhkár simboliza a verdade fundamental subjacente à Fé Bahá'í de que a verdade religiosa não é absoluta, mas relativa, que a Revelação divina não é final, mas progressiva. Eles terão a convicção de que um Pai todo-amoroso e sempre vigilante, que no passado e em vários estágios da evolução da humanidade enviou Seus Profetas como Portadores de Sua Mensagem e Manifestantes de Sua Luz para a humanidade, não pode, neste período crítico de sua civilização, negar aos Seus filhos a Guia que eles tanto precisam em meio à escuridão que os envolve, e que nem a luz da ciência nem a do intelecto e sabedoria humana são capazes de dissipar. E assim, tendo reconhecido Bahá'u'lláh, a fonte da qual procede esta luz celestial, eles se sentirão irresistivelmente atraídos para procurar o abrigo de Sua Casa e se congregar nela, livres de cerimoniais e desimpedidos de credos, para prestarem homenagem ao único Deus verdadeiro, a Essência e o Orbe da verdade eterna, e exaltar e magnificar o nome de Seus mensageiros e Profetas, os quais desde tempos imemoriais até hoje, em diversas circunstâncias e em diferentes medidas, refletiram para um mundo sombrio e desobediente a luz da guia celestial. Porém, por mais inspiradora que seja a concepção da adoração bahá'í, conforme testemunhada no edifício central deste excelso Templo, não pode ser considerada como o único fator, nem mesmo o essencial, no papel que o Mashriqu'l-Adhkár está destinado a desempenhar na vida orgânica da comunidade bahá'í conforme o desígnio de Bahá'u'lláh. Separada das atividades sociais, humanitárias, educacionais e científicas reunidas ao redor das dependências do Mashriqu'l-Adhkár, a adoração bahá'í, não importa quão exaltada sua concepção e apaixonada no fervor, jamais poderá esperar realizar algo além dos resultados escassos e muitas vezes transitórios obtidos pela contemplação do asceta ou da comunhão do adorador passivo. Não posso atribuir satisfação e benefício duradouros ao próprio adorador, muito menos à humanidade em geral a menos que, e até que, a adoração seja traduzida e transfundida naquele serviço dinâmico e desinteressado à causa da humanidade que é o supremo privilégio das dependências do Mashriqu'l-Adhkár proporcionar e promover. Nem o esforço daqueles que nos recintos dos Mashriqu'l-Adhkár se empenham em administrar os assuntos da futura Comunidade Bahá'í, por mais desinteressado e ardoroso que este seja, haverão de frutificar e prosperar a não ser que sejam colocados em contato íntimo e comunhão diária com aquelas atividades espirituais que se concentram no santuário do Mashriqu'l-Adhkár e dele se irradiam. Nada aquém da interação direta e constante entre as forças espirituais que emanam desta Casa de Adoração, concentradas no coração do Mashriqu'l-Adhkár, e o vigor conscientemente demonstrado por aqueles que administram seus assuntos no serviço à humanidade é possivelmente capaz de prover a necessária ação capaz de remover os males que por tanto tempo e tão gravemente afligem a humanidade. Pois é certamente da consciência da eficácia da Revelação de Bahá'u'lláh, de um lado reforçada pela comunhão espiritual com Seu espírito, e do outro pela aplicação inteligente e execução fiel dos princípios e leis por Ele revelados, que deverá finalmente depender a salvação de um mundo angustiado. E de todas as instituições associadas ao Seu santo nome, certamente nenhuma salvo a instituição do Mashriqu'l-Adhkár pode mais adequadamente prover os princípios essenciais de adoração e serviço, ambos tão vitais à regeneração do mundo. Nela jaz o segredo da sublimidade e da potência da incomparável posição do Mashriqu'l-Adhkár, como uma das mais destacadas instituições concebidas por Bahá'u'lláh. Amigos ternamente amados! Não é verdade que, como fideicomissários de uma herança tão preciosa, iremos nos levantar para cumprir nosso mais elevado destino? Seu verdadeiro irmão, 52 - 17 DE JULHO DE 1932 Aos amados de Deus e servas do Misericordioso nos Estados Unidos e Canadá. Irmãos e companheiros de luto na Fé de Bahá'u'lláh, Um pesar cuja pungência lembra a tristeza devastadora causada pela súbita remoção de 'Abdu'l-Bahá do nosso meio sacudiu o mundo bahá'í até seus alicerces. A Folha Mais Sagrada, a bem-amada e preciosa remanescente de Bahá'u'lláh confiada às nossas frágeis e indignas mãos pelo nosso falecido Mestre, passou para o mundo do além, deixando um legado que o tempo jamais pode diminuir. A comunidade do Nome Supremo, em sua totalidade e em seu próprio cerne, sente o golpe desta cruel perda. Embora nos parecesse inevitável este calamitoso acontecimento e por mais aguda que fosse nossa apreensão pela sua rápida aproximação, nesta hora terrível, nós que tivemos as almas impregnadas pela influência revigorante de seu amor, ficamos prostrados e desconsolados pela consciência de sua consumação. Como pode minha solitária pena, tão extremamente inadequada para glorificar uma tão elevada posição, tão impotente para retratar a experiência de uma vida tão sublime, tão desqualificada para relatar as bênçãos que sobre mim ela derramou desde minha infância - como pode uma tal pena retribuir a grande dívida de gratidão e amor que eu lhe devo, aquela que considerava minha principal apoiadora, minha mais afetuosa consoladora, a alegria e a inspiração da minha vida? Minha tristeza é por demais imensa, meu remorso excessivamente profundo, para neste momento ser capaz de dar total vazão aos sentimentos que se agitam em meu interior. Somente futuras gerações e penas mais capazes que a minha podem e irão prestar uma homenagem digna à imponente grandeza de sua vida espiritual, ao incomparável papel que ela desempenhou por todos os tumultuados estágios da história bahá'í, às expressões de irrestrito louvor que manaram da pena de Bahá'u'lláh como também de 'Abdu'l-Bahá, o Centro do Seu Convênio, embora desconhecidas e na maioria insuspeitas pela massa de seus apaixonados admiradores no Oriente e no Ocidente, sua participação em influenciar o rumo de alguns dos principais eventos nos anais da Fé, seus sofrimentos, seus sacrifícios, a rara dádiva de infalível simpatia que ela mostrava de modo tão notável - estes e outros estão tão inextricavelmente entrelaçados com a própria trama da Causa que nenhum futuro historiador da Fé de Bahá'u'lláh pode se permitir ignorar ou subestimar. Desde os estágios finais da idade heróica da Causa, que testemunharam o aprisionamento de Bahá'u'lláh no Síyáh-Chál de Teerã, a Folha Mais Sagrada, então ainda em sua infância, teve o privilégio de provar do cálice da aflição do qual sorveram os primeiros crentes da era apostólica. Como me lembro bem dela, numa época em que suas faculdades ainda estavam intactas, recordando a desgastante ansiedade que corroia as entranhas daqueles que estavam vigilante ao seu lado, no limiar de sua casa pilhada, esperando a qualquer momento as novas da iminente execução de Bahá'u'lláh! Naquelas horas sinistras, ela relatava com freqüência, seus pais haviam perdido suas possessões terrenas tão subitamente que no período de um só dia ela caíra do estado privilegiado de ser membro de uma das mais ricas famílias de Teerã à condição de sofrer a mais manifesta pobreza. Privada dos meios de subsistência, sua ilustre mãe, a célebre Navváb, foi obrigada a colocar um punhado de farinha na mão de sua filha e fazê-la aceitá-lo como substituto de seu pão diário. Quando, tempos mais tarde, então na adolescência, a mão orientadora de seu Pai incumbiu a este reverenciado membro da Família Sagrada a missão que nenhuma menina de sua idade podia ou desejaria cumprir, com que jubilo espontâneo ela agarrou sua oportunidade e se desincumbiu da tarefa que lhe fora confiada! A delicadeza e a extrema seriedade das tarefas que de tempos em tempos era chamada a cumprir, quando a cidade de Bagdá foi varrida pelo furacão que a negligência e a perversidade de Mírzá Yahyá havia desencadeado, bem como a terna solicitude que ela demonstrava em tão tenra idade, durante o período de retiro forçado de Bahá'u'lláh nas montanhas de Sulaymáníyyih, marcaram-na como alguém capaz de assumir responsabilidade e desejosa de fazer o sacrifício que sua elevada origem exigia. Quão firme era sua fé, quão serena sua conduta, quão indulgente sua atitude, quão severas suas provações, num tempo em que as forças da separação haviam desintegrado os laços que uniam o pequeno grupo de exilados que se estabelecera em Adrianopólis e cuja sorte parecia ter caído no mais baixo abismo. Foi nesse período de extrema ansiedade, quando os rigores do inverno de severidade excepcional, juntamente com as privações resultantes de acomodações insalubres e extrema escassez financeira, prejudicaram sua saúde para sempre e a privaram da vitalidade que até então desfrutara tão completamente. O sofrimento e a tempestade daquele período exerceram uma impressão duradoura em sua mente e até a sua morte ela reteve em sua face formosa e angelical as evidências desse intenso sofrimento. No entanto, somente depois de ser confinada dentro dos muros da cidade-prisão de 'Akká, na companhia de Bahá'u'lláh, é que ela demonstrou, na plenitude de sua força e na copiosa abundância de seu amor por Ele, mais dons que depois de 'Abdu'l-Bahá a distinguem, entre os membros da Família Sagrada, como a mais brilhante incorporação de amor que se origina de Deus e daquela simpatia humana que poucos mortais são capazes de demonstrar. Banindo de sua mente e coração todo apego terreno, renunciando a própria idéia do matrimônio, permanecendo resolutamente ao lado de um Irmão a quem iria auxiliar e servir tão bem, levantou-se para dedicar sua vida ao serviço da gloriosa Causa de seu Pai. Seja na coordenação dos afazeres domésticos, nos quais era insuperável, ou nos relacionamentos sociais que tão assiduamente cultivava para proteger tanto Bahá'u'lláh como 'Abdu'l-Bahá, seja na infalível atenção que prestava às necessidades cotidianas de seu Pai ou nas suas demonstrações de generosidade, afabilidade e bondade, a Folha Mais Sagrada havia demonstrado abundantemente merecer a posição de uma das mais nobres figuras intimamente associadas ao trabalho de uma vida inteira de Bahá'u'lláh. Quão triste a ingratidão, quão cego o fanatismo, quão persistente a malevolência dos oficiais, de suas esposas e subordinados, em retribuição às múltiplas graças que ela lhes conferia tão profusamente junto com seu Irmão! Sua paciência, sua magnanimidade, sua benevolência incondicional, longe de desarmar a hostilidade daquela geração perversa, serviu apenas para inflamar seu rancor, provocar seu ciúme e intensificar seu temor. A atmosfera sombria que pairava sobre o pequeno grupo de crentes aprisionados que languescia na fortaleza de 'Akká, contrastava com o espírito de confiança, esperança e otimismo profundamente enraizados que alegravam sua serena face. Nenhuma calamidade, por mais intensa que fosse, podia obscurecer o brilho de sua face angelical, e nenhuma agitação, não importa quão severa, podia perturbar a compostura de suas maneiras graciosas e dignas. Ninguém que a conhecesse bem poderia duvidar que seu coração sensível reagia instantaneamente à mais leve injúria causada à mais insignificante das criaturas, fosse ela amiga ou inimiga. E, ainda assim, tal era o poder limitador de sua vontade - uma vontade que seu espírito de abnegação muitas vezes a levava a suprimir - que um observador superficial bem poderia ser induzido a questionar a intensidade de suas emoções e a reduzir a amplitude de sua empatia. Já dotada pela Providência das virtudes de meiguice e fortaleza, na escola da adversidade ela aprendeu, através do exemplo e das exortações do grande Injustiçado, seu Pai, a lição que ela estava destinada a ensinar à grande massa de Seus seguidores durante tanto tempo depois dEle. Armada com as capacidades que já adquirira pela longa e íntima companhia de Bahá'u'lláh, e beneficiada pelo magnífico exemplo que as atividades cada vez mais amplas de 'Abdu'l-Bahá lhe delegava, ela foi preparada para enfrentar a tempestade que a traiçoeira conduta dos rompedores do Convênio despertara e resistir aos seus mais danosos ataques. Por maiores que tenham sido seus sofrimentos desde a infância, a angústia que a ascensão de Bahá'u'lláh ocasionou em sua mente e coração estimulou-a, como nunca antes, a uma determinação que nenhuma revolta podia subjugar e que sua frágil compleição podia desmentir. Em meio à poeira e o calor da comoção engendrada pelo grupo de infiéis e rebeldes, ela se viu forçada a dissolver laços familiares, a romper amizades íntimas de longa data, a rejeitar lealdades inferiores em prol de sua suprema dedicação a uma Causa que havia amado tão ternamente e servido tão bem. O rompimento resultante encontrou-a seguindo ao lado dAquele que seu falecido Pai apontara como o Centro de Seu Convênio e o Expositor autorizado de Sua Palavra. Sua venerada mãe, bem como seu distinto tio paterno, Áqáy-i-Kalím - os dois pilares que, durante todos os diversos estágios do exílio de Bahá'u'lláh, desde Sua terra natal até o local de Seu confinamento, ao contrário da maioria dos membros de Sua família haviam demonstrado a tenacidade de sua lealdade - já haviam passado para o mundo do além. Em circunstâncias das mais trágicas, a morte havia também roubado dela o Ramo Mais Puro, seu único irmão além de 'Abdu'l-Bahá, enquanto ainda no início da juventude. Da família de Bahá'u'lláh restou somente ela para confortar o coração e apoiar os esforços do Supremo Ramo, contra quem estava solidamente arregimen-tado quase todo o grupo de seus parentes infiéis. Em sua árdua tarefa, ela era apoiada pelos diligentes esforços de Munírih Khánum, a Sagrada Mãe, e aquelas de suas filhas cuja idade permitia ajudá-la no cumprimento daquelas estupendas realizações que para sempre estarão associadas ao nome de 'Abdu'l-Bahá. Com o passamento de Bahá'u'lláh e o furioso ataque das forças da desintegração que se seguiu, a Folha Mais Sagrada, então no auge de sua vida, elevou-se às alturas de sua grande oportunidade e cumpriu condignamente sua tarefa. Se eu fosse me estender sobre as incessantes maquinações a que Muhammad-'Alí, o arquiviolador do Convênio de Bahá'u'lláh e seus desprezíveis apoiadores, indignamente lançou mão, sobre a agitação que sua campanha astutamente dirigida de difamação e calúnia produziu nos quartéis-generais diretamente ligados ao sultão 'Abdu'l-Hamid e seus conselheiros, sobre as provações e investigações que isso acarretou, sobre a rigidez do encarceramento que novamente se impôs, e sobre os perigos que foram revividos, extrapolaria os limites do tributo que me sinto movido a prestar à sua memória. Basta dizer que se não fosse pela sua incansável vigilância, seu tato, sua cortesia, sua extrema paciência e heróica fortaleza, graves complicações poderiam ter ocorrido e o peso das preocupações aflitivas de 'Abdu'l-Bahá teriam aumentado consideravelmente. E quando a tempestuosa nuvem que obscurecera o horizonte da Terra Santa foi finalmente dissipada e o chamado erguido pelo nosso amado 'Abdu'l-Bahá concedeu nova vida a certas cidades dos continentes americano e europeu, a Folha Mais Excelsa recebeu o afeto e as bênçãos ilimitadas dAquele que melhor podia avaliar suas virtudes e apreciar seus méritos. O declínio de sua preciosa vida já se iniciara, e o peso da idade avançada começara a turvar o esplendor de seu semblante. Esquecida de si mesma, desdenhando repouso e conforto, e intrépida diante dos obstáculos que ainda permaneciam no seu caminho, atuando como a honrosa anfitriã do número sempre crescente de peregrinos do Oriente e do Ocidente que enchiam a residência de 'Abdu'l-Bahá, continuou a mostrar aqueles mesmos atributos que nas fases anteriores de sua carreira haviam conquistado tanta admiração e amor. E quando, na seqüência da inescrutável sabedoria de Deus, o confinamento de 'Abdu'l-Bahá chegou ao fim e o Plano por Ele concebido nas horas mais sombrias de Seu confinamento veio a se materializar, com confiança inabalável Ele incumbiu à Sua digna e honrada irmã a responsabilidade de dar atenção ás inúmeras situações que surgiam durante Sua prolongada ausência da Terra Santa. Tão logo 'Abdu'l-Bahá pisou as costas do continente europeu e americano, nossa amada Khánum se viu quase submersa em mensagens emocionantes, cada uma expressando o irresistível avanço da Causa de um modo que a despeito de sua vasta gama de experiências lhe pareciam quase inacreditáveis. Os anos que ela se aqueceu ao sol das vitórias espirituais de 'Abdu'l-Bahá estavam talvez entre os mais radiantes e felizes de sua vida. Quando ainda pequena, correndo no quintal da casa de seu Pai em Teerã, na companhia dAquele cujo destino um dia seria o do escolhido Centro do indestrutível Convênio de Deus, dificilmente poderia sonhar que esse irmão seria capaz de realizar, em domínios tão distantes e entre raças tão completamente remotas, tão grande e memorável vitória. Não me aventurarei a descrever o entusiasmo e júbilo que se expandia em seu peito ao saudar 'Abdu'l-Bahá em Seu retorno triunfal do Ocidente. Ela estava atônita diante da vitalidade que a despeito de Seus inimagináveis sofrimentos Ele fora capaz de mostrar. Estava perdida de admiração diante da magnitude das forças que Seus pronunciamentos haviam liberado. Estava plena de gratidão a Bahá'u'lláh por tê-la capacitado a testemunhar as evidências de tão brilhante vitória para Sua Causa assim como para Seu Filho. O romper da Grande Guerra lhe deu ainda outra oportunidade de revelar o verdadeiro valor de seu caráter e de liberar as energias latentes de seu coração. Durante todo aquele sombrio conflito, a residência de 'Abdu'l-Bahá em Haifa era cercada por um grupo de homens, mulheres e crianças famintas que a má administração, a crueldade e a negligência dos oficiais do governo otomano haviam levado a buscar alívio para suas aflições. Dia após dia, essas desamparadas vítimas de desprezível tirania recebiam das mãos da Folha Mais Sagrada e da generosidade de seu coração inesquecíveis evidências de um amor que eles haviam aprendido a invejar e admirar. Suas palavras de carinho e conforto, a comida, o dinheiro, as roupas que ela generosamente oferecia, os remédios que a seu próprio modo ela preparava e cuidadosamente ministrava - tudo isso tinha o seu papel em confortar os desconsolados, em devolver visão aos cegos, em dar abrigo aos órfãos, em curar os enfermos e em socorrer os desabrigados e errantes. Em maio às trevas do tempo da guerra, ela havia alcançado elevado nível de realizações espirituais. Poucos, se é que havia algum, entre os inúmeros benfeitores da sociedade que em diversas medidas tiveram o privilégio de aliviar as dificuldades e sofrimentos resultantes desse feroz conflito, doou-se tão generosa e desinteressadamente quanto ela; poucos exerceram aquela indefinível influência sobre os beneficiários de suas dádivas. A idade parecia ter acentuado a ternura de seu amoroso coração e ampliado ainda mais a amplitude de sua empatia. A visão do terrível sofrimento ao seu redor aguçou suas energias e revelou tais potencialidades que seus mais íntimos companheiros não haviam suspeitado. A ascensão de 'Abdu'l-Bahá, tão tragicamente inesperada, foi um golpe terrível do qual ela jamais se recuperou completamente. Para ela, Aquele a quem chamava de "Áqá", havia sido um refúgio em tempos de adversidade. Ela, nEle depositara sua única confiança. Encontrara nEle ampla compensação para as perdas que sofrera, as deserções que testemunhara, a ingratidão que lhe haviam mostrado amigos e familiares. Ninguém jamais poderia imaginar que uma mulher de sua idade, fisicamente tão frágil, de coração tão sensível, tão sobrecarregada com preocupações de quase oitenta anos de incessante tribulação, pudesse sobreviver por tanto tempo a um golpe tão devastador. E ainda assim, a história, não menos do que os anais da nossa Fé imortal, há de lhe registrar tal participação no avanço e consolidação da comunidade de âmbito mundial, que a mão de 'Abdu'l-Bahá ajudará a moldar, que nenhum dentre os remanescentes de Sua família pode rivalizar. Quais bênçãos irei relatar, as quais em sua solicitude, ela derramou sobre mim nas horas mais críticas e agitadas da minha vida? Para mim, tão terrivelmente necessitado da graça vitalizadora de Deus, ela era o símbolo vivo de muitos atributos que eu havia aprendido a admirar em 'Abdu'l-Bahá. Ela era para mim uma contínua lembrança de Sua personalidade inspiradora, de Sua serena resignação, de Sua munificência e magnanimidade. Para mim, ela era a encarnação de Sua cativante graciosidade, de Sua ternura e amor todo-ambrangente. Até mesmo uma breve alusão àqueles incidentes de sua vida, cada um dos quais eloqüentemente a proclama como uma filha digna de herdar aquela preciosa herança que Bahá'u'lláh lhe legou, seria demasiadamente longa. Uma pureza de vida que se refletia até mesmo nos mais minuciosos detalhes de suas ocupações e atividades diárias; um coração tão terno que obliterava toda diferença de credo, classe e cor; uma resignação e serenidade que evocava à mente a calma e a heróica firmeza do Báb; uma predileção natural por flores e crianças, tão características de Bahá'u'lláh; uma simplicidade não afetada; uma extrema sociabilidade que a tornava acessível a todos; uma generosidade e amor desinteressados e ao mesmo tempo indiscriminados que refletiam tão claramente os atributos do caráter de 'Abdu'l-Bahá; uma doçura de temperamento, uma delicadeza que nenhuma tristeza podia anuviar; uma disposição tranqüila e modesta que servia para aumentar mil vezes o prestígio de sua excelsa posição; uma natureza generosa que desarmava instantaneamente o mais implacável inimigo - estes estão entre os mais destacados atributos de uma vida santa que a história reconhecerá como sendo dotada de uma potência celestial que poucos heróis do passado possuíam. Não é de admirar que em Epístolas que figuram como testemunhas eternas à beleza de seu caráter, Bahá'u'lláh e 'Abdu'l-Bahá prestaram atributos tocantes àquelas coisas que testificam sua excelsa posição entre os membros de sua família, que a declaram como um exemplo para seus seguidores e um objeto digno da admiração de toda a humanidade. A esta altura, preciso apenas citar a seguinte passagem de uma Epístola dirigida por 'Abdu'l- Bahá à Sagrada Mãe,(22) cujo tom revela inequivocamente o caráter daqueles laços que O unem a uma irmã tão devotada. (22) Munírih Khánum, a esposa de 'Abdu'l-Bahá. "À minha honrada e distinta irmã transmite a expressão de minha sincera e intensa saudade. Dia e noite, ela vive em minha lembrança. Não ouso mencionar os sentimentos que sua separação despertou em meu coração, pois o que quer que eu tente expressar por escrito certamente será anuviado por lágrimas que tais sentimentos evocarão nos meus olhos." Ternamente amada Folha Mais Sagrada! Através da névoa das lágrimas que enchem meus olhos, enquanto escrevo estas linhas, posso ver claramente tua nobre figura diante de mim, posso reconhecer a serenidade de tua bondosa face. Embora a sombra do túmulo nos separe, ainda posso olhar dentro de teus olhos azuis, olhos de profundo amor, e em sua calma serenidade posso sentir o imenso amor que tiveste pela Causa de teu Todo-Poderoso Pai, o laço que te unia aos mais humildes e insignificantes entre seus seguidores, o caloroso afeto que por mim nutrias em teu coração. A memória da inefável beleza de teu sorriso para sempre continuará a me alegrar e animar no tortuoso caminho que estou destinado a seguir. A lembrança do toque de tua mão me obrigará a seguir firmemente o teu caminho. Quando a adversidade estiver no seu momento mais sombrio, a doce magia de tua voz há de me lembrar de segurar firme o manto a que tu te agarraste tão firmemente durante todos os dias de tua vida. Leva esta mensagem a 'Abdu'l-Bahá, teu excelso e divinamente designado Irmão: Se a Causa, pela qual Bahá'u'lláh labutou e trabalhou, pela qual Tu sofreste anos de tristeza agonizante, pela qual fluíram torrentes de sangue sagrado, em dias vindouros vier a encontrar tempestades mais severas que aquelas pelas quais ela já passou, continua Tu a proteger com Teu cuidado e sabedoria toda-abrangente Teu frágil e indigno filho escolhido. Intercede por mim, ó nobre e favorecida filha de um Pai celestial, tanto quanto as massas batalhadoras daqueles que ardorosamente te amam, que juraram lealdade imorredoura à tua memória, cujas almas foram nutridas pelas energias de teu amor, cuja conduta foi moldada pelo exemplo inspirador de tua vida, e cujas mentes são incendiadas pelas imperecíveis evidências de tua vigorosa fé, tua inabalável constância, teu invencível heroísmo e tua grande renúncia. O que quer que nos suceda, por mais penosas que sejam as vicissitudes que a infante Fé de Deus possa ainda conhecer, nós nos comprometemos, diante do assento da misericórdia de teu glorioso Pai, a transmitir às gerações ainda por nascer a glória indiminuta e íntegra daquela tradição da qual tu foste o mais brilhante exemplo. No mais íntimo recôndito de nossos corações, ó tu excelsa Folha do Paraíso de Abhá, nós erguemos para ti uma mansão resplandecente que o tempo jamais poderá destruir, um santuário que há de emoldurar eternamente a incomparável beleza de teu semblante, um altar no qual arderá para sempre teu profundo amor. Nota editorial da edição em inglês: As próximas quatro mensagens após esta última, acrescentadas na edição de 1968, foram incorporadas ao vol. II: Esta Hora Decisiva [1932- 1946].


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