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Compilações : Revelação Bahá'í, A
A REVELAÇÃO BAHÁ'Í
Seleções das Sagradas Escrituras Bahá'ís
Bahá'u'lláh e 'Abdu'l-Bahá

Traduzido do inglês por Leonora Stirling Armstrong

Segunda Edição
Editora Bahá'í do Brasil
Rua Engenheiro Gama Lobo, 267.
Rio de Janeiro
1976
- - - - - -
Primeira Parte
Bahá'u'lláh
I-Seleções das Escrituras de Bahá'u'lláh

Excertos de "Seleções dos Escritos de Bahá'u'lláh"

1. O DIA DE DEUS

1- A Revelação que, desde tempos imemoriais, é aclamada como o Desígnio e a Promessa de todos os Profetas de Deus e o mais acalentado Desejo de Seus Mensageiros, torna-se agora acessível aos homens, em virtude da predominante Vontade do Todo-Poderoso e a Seu mando irresistível. O advento de tal Revelação foi prenunciado em todas as Sagradas Escrituras. Vede como, não obstante esse prenúncio, a humanidade se desviou de seu caminho e se excluiu de sua glória.

Dizei: Ó vós que amais ao Deus Uno e Verdadeiro! Esforçai-vos para que possais, em verdade, aceitá-Lo e conhecê-Lo e de um modo digno Lhe observar os preceitos. Esta é uma Revelação sob a qual, se um homem derramar por sua causa uma só gota de sangue, miríades de oceanos serão sua recompensa, Atentai, ó amigos, a fim de que não percais vosso direito a tão inestimável benefício, nem desprezeis seu transcendente grau. Considerai a multidão de vidas que foi e ainda está sendo sacrificada em um mundo iludido por um simples fantasma oriundo das vãs idéias de seus povos. Agradecei a Deus por haverdes atingido o Desejo de vosso coração e vos unido a Ele, a Promessa de todas as nações. Guardai, com a ajuda do Deus Uno e Verdadeiro - exaltada seja Sua glória - a integridade da condição à qual atingistes e aderi àquilo que promova Sua Causa. Ele, em verdade, vos prescreve o que é direito e o que leva a enaltecer a condição do homem. Glorificado seja o Todo-Misericordioso, o Revelador desta maravilhosa Epístola.

2 - Este é o Dia em que os mais excelentes favores de Deus manaram sobre os homens, o Dia em que Sua graça suprema se infundiu em todas as coisas criadas. Todos os povos do mundo devem reconciliar suas diferenças e, em paz e união perfeitas, se abrigar à sombra da Árvore de Seu cuidado e Sua benevolência. É mister aderirem a tudo o que, neste Dia, lhes possa elevar a condição e promover os melhores interesses. Felizes aqueles de quem a Pena toda gloriosa se dignou lembrar, e bem-aventurados os homens cujos nomes, em virtude de Nosso inescrutável decreto, preferimos ocultar.

Implorai a Deus, Uno e Verdadeiro, que conceda a todos os homens a graça de serem ajudados a cumprir o que for aceitável a Nosso ver. Breve será a presente ordem posta de lado, e uma nova se estenderá em seu lugar. Deveras, teu Senhor diz a Verdade e é o Conhecedor das coisas invisíveis.

3 - Em verdade digo, este é o Dia em que a humanidade pode contemplar a Face do Prometido e Lhe ouvir a Voz. O Chamado de Deus ergueu-se e a luz de Seu Semblante resplandeceu sobre os homens. É dever de cada um apagar da tábua de seu coração o traço de toda palavra vã e, com a mente aberta e imparcial, fixar os olhos nos sinais de Sua Revelação, nas provas de Sua Missão e nas evidências de Sua glória.

Grande, em verdade, é este Dia! As alusões que lhe são feitas em todas as Sagradas Escrituras como o Dia de Deus atestam sua grandeza. A alma de todo Profeta de Deus, de todo Mensageiro Divino, estava sequiosa de atingir este Dia maravilhoso. Todos os vários povos da terra também ansiaram por alcançá-lo. Mal, porém, o Sol de Sua Revelação se manifestara no céu da Vontade de Deus, quando todos, salvo aqueles a quem o Todo-Poderoso se dignou guiar, foram encontrados atônitos e negligentes.

Ó tu que te tens lembrado de Mim! O mais lastimável véu excluiu de Sua glória os povos da terra, impedindo que escutassem Seu chamado. Permita Deus que a luz da unidade envolva toda a terra e que se imprima na fronte de todos os seus povos o selo: "O Reino é de Deus."

4 - Pela Justiça de Deus! Estes são os dias em que Deus tem provado os corações da inteira companhia de Seus Mensageiros e Profetas e, além destes, aqueles que guardam Seu sagrado e inviolável Santuário, os habitantes do Pavilhão celestial e os que residem no Tabernáculo da Glória. A que provação severa, pois, devem ser sujeitados os que admitem companheiros para Deus!

5 - O tempo predestinado para os povos e as raças da terra é chegado agora. As promessas de Deus, como as registram as Sagradas Escrituras, foram todas cumpridas. De Sião procedeu a Lei de Deus, e Jerusalém e suas colinas e sua terra estão plenas da glória de Sua Revelação. Feliz o homem que pondera no coração o que tem sido revelado nos Livros de Deus, o Amparo no Perigo, O que subsiste por Si Próprio. Meditai sobre isto, ó vós, amados de Deus, e tornai vossos ouvidos atentos à Sua Palavra, para que, pela Sua graça e mercê, possais sorver até vos saciardes, das águas cristalinas da constância, e vos tornar tão firmes e inabaláveis como a montanha em Sua Causa.

No Livro de Isaías está escrito: "Entra na pedra e esconde-te no pó, por medo do Senhor e pela glória de Sua majestade." Homem algum que medita sobre este versículo pode deixar de reconhecer a grandeza desta Causa, ou duvidar do excelso caráter deste Dia - Dia do próprio Deus. Este mesmo versículo é seguido por estas palavras: "E somente o Senhor será exaltado naquele Dia." Este é o Dia que a Pena do Altíssimo tem glorificado em todas as Sagradas Escrituras. Nestas, não ha versículo algum que não declare a glória de Seu Santo Nome, nem Livro que deixe de dar testemunho da sublimidade deste tema excelso. Fôssemos mencionar tudo o que se expôs sobre esta Revelação, nesses Livros celestiais e Sagradas Escrituras, esta Epístola assumiria dimensões impossíveis. Incumbe a todo homem, neste Dia, por sua inteira confiança nas múltiplas graças de Deus e se levantar para difundir, com a máxima sabedoria, as verdades de Sua Causa. Então, e somente então, será toda a terra cingida da luz matinal de Sua Revelação.

6 - Dizei: Ó homens! Este é um Dia inigualável. Também inigualável deve ser a língua que celebra o louvor do Desejo de todas as nações, inigualável a ação que aspira a ser por Ele aceita. A raça humana inteira tem ansiado por este Dia, a fim de que possa, quiçá, cumprir o que for bem condizente com sua posição e digno de seu destino. Bem-aventurado o homem que os afazeres do mundo não puderam impedir de reconhecer Aquele que é o Senhor de todas as coisas.

Tão cego se tornou o coração humano que nem o rompimento da cidade, nem a redução da montanha a pó, nem mesmo a rachadura da terra, pode fazê-lo despertar de seu torpor. As alusões feitas nas Escrituras foram desveladas, os sinais nelas anotados já se manifestaram e o brado profético continuamente se ergue. E, no entanto, todos, salvo aqueles que Deus se dignou guiar, estão confusos na embriaguez de sua negligência!

Testemunhai como uma nova calamidade a cada dia aflige o mundo. Sua tribulação continuamente se aprofunda. Desde o momento em que foi revelado a Súriy-i-Ra'ís (Epístola a Ra'ís) até o dia presente, nem o mundo se tranqüilizou, nem os corações de seus povos encontraram sossego. Em um tempo, foi agitado por contendas e disputas, em outro, foi convulsionado por guerras e caiu vítima de enfermidades inveteradas. Sua doença aproxima-se da etapa do desespero completo, desde que ao Médico verdadeiro é vedado administrar o remédio, enquanto aqueles sem habilidade são vistos com favor, sendo-lhes concedida plena liberdade de ação... O pó da sedição anuviou os corações dos homens e lhes cegou os olhos. Em breve, perceberão as conseqüências daquilo que suas mãos perpetraram no Dia de Deus. Assim vos adverte Aquele que é o Onisciente, segundo ordenado por Quem é o Mais Poderoso, o Onipotente.

7 - O equilíbrio do mundo foi alterado através da influência vibrante desta nova e mais grandiosa Ordem Mundial. A vida regulada do gênero humano foi revolucionada por meio deste Sistema único, maravilhoso - cujo igual jamais foi testemunhado por olhos mortais.

Imergi-vos no oceano de Minhas palavras, para que possais desvendar-lhe os segredos e descobrir todas as pérolas de sabedoria que jazem ocultas em suas profundezas. Guardai-vos de vacilar em vossa determinação de abraçar a verdade desta Causa - uma Causa através da qual se revelaram as potencialidades da grandeza de Deus e se estabeleceu Sua soberania. Com face radiante de júbilo, apressai-vos a Ele. Esta é a imutável Fé Divina, eterna no passado, eterna no futuro. Quem buscar, que a atinja; e quanto àquele que se recusou a buscá-la - verdadeiramente, Deus é suficiente por Si Próprio, acima de qualquer necessidade de Suas criaturas.

Dize: Esta é a infalível Balança que a Mão de Deus segura, na qual são pesados todos os que estão nos céus e todos os que estão na terra, e lhes é determinado o destino - se sois dos que acreditam e reconhecem esta verdade. Dize: por seu intermédio foram enriquecidos os pobres, esclarecidos os eruditos, e aqueles que buscavam puderam ascender até a presença de Deus. Guardai-vos de fazer disso uma causa de dissensão entre vós. Estabelecei-vos tão firmemente como a montanha irremovível, na Causa de vosso Senhor, o Poderoso, o Deus de Amor.

8 - Que vossos corações não se perturbem, ó povo, quando a glória de Minha Presença se retirar e o oceano de Minhas palavras se aquietar. Em Minha Presença entre vós há uma sabedoria e em Minha ausência há ainda outra, inescrutável para todos, menos para Deus, o Incomparável, o Onisciente. Verdadeiramente, Nós vos vemos de Nosso reino de glória e ajudaremos qualquer um que se levantar para o triunfo de Nossa Causa, com as hostes da Assembléia do alto e uma companhia de Nossos anjos favorecidos.

Ó povos da terra! Deus, a Verdade Eterna, é Minha testemunha de que correntes de águas frescas e suaves jorraram das rochas, em virtude da doçura das palavras pronunciadas pelo vosso Senhor, o Predominante; e vós continuais ainda adormecidos. Rejeitai o que possuis e com as asas do desprendimento, voai além de todas as coisas criadas. Assim vos ordena o Senhor da criação, o movimento de Cuja Pena revolucionou a alma da humanidade.

Sabeis vós de que alturas vosso Senhor, o Todo-Glorioso, vos chama? Pensais que tendes reconhecido a Pena com a qual vosso Senhor, o Senhor de todos os nomes, vos manda? Não, por Minha Vida! Se apenas o soubésseis, renunciaríeis ao mundo e, de todo coração, vos apressaríeis para a presença do Bem-Amado. Vossos espíritos seriam tão extasiados pela Sua Palavra, que comoveriam o Mundo Maior - quanto mais este mundo pequeno e insignificante! Assim as chuvas de Minhas graças manaram do céu de Minha benevolência, em sinal de Meu favor - para que sejais dos agradecidos...

Acautelai-vos para que os desejos da carne e de uma inclinação corrupta não provoquem divisões entre vós. Sede como os dedos de uma só mão, os membros do mesmo corpo. Assim vos aconselha a Pena da Revelação - se sois dos que crêem.

Considerai a misericórdia de Deus e Suas dádivas. Ele vos admoesta a que façais aquilo que vos traga proveito, embora Ele Próprio bem possa dispensar todas as criaturas. Vossas más ações jamais Nos haverão de prejudicar, nem podem vossas boas obras Nos trazer proveito. Nós vos convocamos inteiramente por amor a Deus. Disto todo homem de compreensão e percepção dará testemunho.

2. DEUS E SEUS MANIFESTANTES
I - A unidade de Deus

9 - Louvor a Deus, Possuidor de tudo, Rei de incomparável glória - um louvor imensuravelmente acima da compreensão de todas as coisas criadas e elevado além do alcance das mentes dos homens. Ninguém, salvo Ele, pôde jamais cantar de um modo digno o Seu louvor, nem logrará homem algum, em qualquer tempo, descrever a plena medida de Sua glória. Quem terá a pretensão de haver atingido as alturas de Sua exaltada Essência e qual a mente que possa medir as profundidades de Seu insondável mistério? De cada uma das revelações emanadas da Fonte de Sua glória, têm aparecido evidências sagradas e infindáveis de inimaginável esplendor; de toda manifestação de Seu poder invencível, têm jorrado oceanos de luz eterna. Quão imensamente elevados são os testemunhos maravilhosos de Sua onipotente soberania, um vislumbre da qual, se apenas os tocasse, consumiria totalmente todos os que estão, nos céus e na terra! De que sublimidade indescritível são as evidências de Seu consumado poder, cujo simples sinal, por mais insignificante que seja, há de transcender a compreensão de qualquer coisa que haja vindo a existir, desde o princípio que não teve princípio, ou que venha a ser criado no futuro, até o fim que não tem fim. Todas as Personificações de Seus Nomes vagueiam no deserto da busca, sedentas e ávidas de descobrir Sua Essência, e todos os Manifestantes de Seus atributos Lhe imploram, do Sinai da Santidade, que desvende Seu mistério.

Uma gota do oceano encapelado de Sua infinita mercê adornou toda a criação com o ornamento da existência, e um alento, emanado de seu incomparável Paraíso vestiu todos os seres com o manto de Sua santidade e glória. Um orvalhar das insondáveis profundezas de Sua vontade soberana e predominante chamou do nada absoluto, elevando-a para a existência, uma criação infinita em seu âmbito e imorredoura quanto à sua duração. As maravilhas de Sua generosidade não podem cessar, e jamais será detido o fluxo de Sua graça misericordiosa. O processo de Sua criação não teve começo, nem poderá ter fim.

Em cada era e ciclo, Ele, através da luz esplendorosa emanada dos Manifestantes de Sua maravilhosa Essência, tem recriado todas as coisas, de modo que nada nos céus e na terra que reflita os sinais de Sua glória seja privado das emanações de Sua misericórdia, nem desespere das chuvas de Seus favores. Como são abrangentes as maravilhas de Sua infinita graça! Vede como têm penetrado na criação inteira. Tal é sua virtude que nem se encontra em todo o universo um só átomo que não declare as evidências de Seu poder, que não glorifique Seu santo Nome ou exprima a fulgente luz de Sua unidade. Tão perfeita e compreensiva é Sua criação, que nunca poderá mente ou coração algum, por mais agudo ou puro que seja, abranger a natureza da mais insignificante de Suas criaturas e, muito menos, sondar o mistério de Quem é o Sol da Verdade, de Quem é a Essência invisível e incognoscível. Os conceitos dos mais devotos dos místicos, as realizações dos mais hábeis dentre os homens, o mais alto louvor que língua ou pena humana pode prestar, são todos o produto da mente finita do homem e condicionados às suas limitações. Dez mil Profetas, cada um deles um Moisés, se acham atônitos no Sinai da busca, perante Sua Voz proibitiva: "Nunca tu haverás de Me contemplar!"; enquanto miríades de Mensageiros, cada um tão grande como Jesus, estão pasmados, em seus tronos celestiais, diante da interdição: "Minha Essência, tu jamais a haverá de perceber!" Desde tempos imemoriais, está Ele velado na santidade inefável de Seu sublime Ser; e eternamente permanecerá Ele envolto no impenetrável mistério de Sua Essência incognoscível. Toda tentativa de alcançar a compreensão de Sua inatingível Realidade tem terminado em confusão completa; todo esforço por se aproximar de Seu Ser excelso e formar um conceito de Sua Essência, teve como resultado desespero e malogro.

Como me sinto confuso, insignificante que sou, ao tentar sondar as sagradas profundidades de Teu conhecimento! Quão fúteis meus esforços por imaginar a magnitude do poder inerente à Tua obra - a revelação de Teu poder criador! Como podem meus olhos, que não têm a faculdade de se perceberem a si próprios, alegar haverem discernido Tua Essência, e como pode meu coração, já incapaz de entender o que significam suas próprias potencialidades, ter a pretensão de haver abrangido Tua natureza? Como posso dizer que eu Te tenha conhecido, quando a criação inteira se acha perplexa diante de Teu mistério, e como posso confessar não Te haver conhecido, quando, eis, todo o universo proclama Tua Presença e dá testemunho de Tua verdade? Os portais de Tua graça por toda a eternidade se têm mantido abertos, os meios de acesso à Tua Presença têm estado ao dispor de todas as coisas criadas, e as revelações de Tua inigualável Beleza têm-se imprimido, em todos os tempos, sobre a realidade de todas as coisas visíveis e invisíveis. Apesar desse mais benévolo favor, essa perfeita e consumada graça, sinto-me, entretanto, movido a atestar que Tua corte de santidade e glória se eleva imensuravelmente acima do conhecimento de todos, menos de Ti, e que o mistério de Tua Presença é inescrutável para todas as mentes, salvo a Tua própria. Ninguém, a não ser Tu Próprio, pode desvendar o segredo de Tua natureza, e nada, senão Tua transcendente Essência, pode abranger a realidade de Teu Ser impenetrável. Como é vasto o número daqueles seres celestiais, todo-gloriosos, que têm vagueado na selva de sua separação de Ti durante todos os dias de suas vidas e, no fim, não podido Te encontrar! Quão grande a multidão das almas santificadas e imortais que, confusas, se perderam no deserto da busca em seu empenho de contemplarem Tua face! Inúmeros são aqueles que Te amam ardentemente, a quem a chama consumidora do afastamento de Ti fez desmaiarem e pereceram, e incontáveis as almas fiéis que espontaneamente ofereceram suas vidas em holocausto na esperança de fitar a luz de Teu Semblante. Os suspiros e gemidos desses corações ardentes, que por Ti anelam, não poderão jamais alcançar Tua santa corte, nem podem os lamentos daqueles que caminham sequiosos de aparecer diante de Tua Face, atingir a sede de Tua glória.

10 - Considera tu a Deus, Uno e Verdadeiro, como sendo Aquele que está separado de todas as coisas criadas e, acima de todas elas, imensuravelmente enaltecido. O universo inteiro reflete Sua glória, enquanto Ele Próprio é independente de Suas criaturas e as transcende. É este o verdadeiro significado da unidade Divina. Aquele que é a Verdade Eterna, é o Poder único que exerce incontestável soberania sobre o mundo dos seres, e Cuja imagem é refletida no espelho da criação inteira. D'Ele depende toda a existência; d'Ele deriva a fonte do sustento de todas as coisas. É o que significa a unidade Divina; é este seu princípio fundamental.

Algumas pessoas, iludidas pelas suas vãs fantasias, têm imaginado que todas as coisas criadas sejam associadas e co-participantes de Deus e que elas mesmas sejam os expoentes de Sua unidade. Por Aquele que é o Deus Uno e Verdadeiro! Tais homens eram e continuarão a ser as vítimas da cega imitação, devendo ser contados entre aqueles que têm restringido e limitado o conceito de Deus.

O verdadeiro crente na unidade Divina é aquele que, longe de confundir a dualidade com a singeleza, recusa deixar qualquer noção de multiplicidade lhe obscurecer o conceito da unicidade de Deus e considera o Ser Divino como Aquele que, por Sua própria natureza, transcende as limitações dos números.

A essência da crença na unidade Divina consiste em considerar Aquele que é o Manifestante de Deus e Aquele que é a Essência invisível, inatingível, incognoscível, como um só e o mesmo. Significa isto que qualquer coisa que se refira Àquele, todos os Seus atos e feitos, tudo o que Ele ordene ou proíba, deve ser considerado, em todos os seus aspectos e sob todas as circunstâncias e sem nenhuma reserva, como idêntico à Vontade do Próprio Deus. É este o grau mais elevado que um verdadeiro crente na unidade Divina pode esperar atingir. Bem-aventurado o homem que alcançar este grau e for um dos que sejam constantes em sua fé.

II - Os Mensageiros de Deus

11 - A todo coração discernente e iluminado, está evidente que Deus, a Essência incognoscível, o Ser Divino, está imensamente exaltado além de todo atributo humano, tais como, existência corpórea, subida e descida, egresso e regresso. Longe esteja de Sua glória, uma língua humana celebrar adequadamente Seu louvor, ou um coração humano compreender Seu insondável mistério. Ele está, e sempre esteve, velado na eternidade antiga de Sua Essência, e permanecerá, em Sua Realidade, para todo o sempre oculto da vista dos homens. "Nenhuma visão O abrange, mas Ele abrange toda a visão; Ele é o Sutil, o Percebedor de tudo..."

Estando a porta do conhecimento do Ancião dos Dias assim fechada ante a face de todos os seres, Aquele que é a Fonte da graça infinita - segundo Suas palavras: "Sua graça transcendeu todas as coisas; Minha graça abrangeu a todos" - determinou que aquelas luminosas Jóias da Santidade aparecessem do reino do espírito, na nobre forma do templo humano, manifestando-se a todos os homens, para que dessem ao mundo o conhecimento dos mistérios do Ser imutável e relatassem as sutilezas de Sua imperecível Essência.

Esses Espelhos santificados, esses Alvoreceres da antiga glória, são todos, sem exceção, os Expoentes na terra d'Aquele que é o Orbe central do universo, sua Essência e seu Propósito final. D'Ele recebem o conhecimento e o poder; d'Ele derivam a soberania. A formosura que lhes adorna o semblante é apenas um reflexo de Sua imagem, e o que revelam, um sinal de Sua glória imorredoura. São os Tesouros do conhecimento divino e os Repositórios da sabedoria celestial. Por eles é transmitida uma graça que é infinita e revelada a Luz que jamais se esvairá... Estes Tabernáculos da Santidade, estes Espelhos Primazes que refletem a luz da glória perene, são apenas expressões d'Aquele que é o Invisível dos Invisíveis. Pela revelação destas Jóias da virtude Divina, manifestam-se os nomes e atributos de Deus, tais como conhecimento e poder, soberania e domínio, misericórdia e sabedoria, glória, generosidade e graça.

Esses atributos de Deus não são, nem jamais foram, concedidos especialmente a certos Profetas e negados a outros. Não, todos os Profetas de Deus, Seus favorecidos, santos e escolhidos Mensageiros, são, sem exceção, os portadores de Seus nomes e incorporam Seus atributos. Diferem somente na intensidade de Suas revelações, na potência comparativa de sua luz. Assim mesmo como Ele revelou: "A alguns Apóstolos fizemos exceder aos outros."

Torna-se, pois, claro e manifesto que dentro dos tabernáculos destes Profetas e Eleitos de Deus tem sido refletida a luz de Seus nomes infinitos e atributos excelsos, ainda que a luz de alguns destes atributos possa ou não ser revelada exteriormente, aos olhos dos homens, por estes Templos luminosos. Por não haverem estas Essências do Desprendimento manifestado, aparentemente, um certo atributo de Deus, não se deve inferir, em absoluto, que os Alvoreceres dos atributos de Deus e os Tesouros de Seus santos nomes, não o tivessem, realmente, possuído. Assim, pois, estas Almas iluminadas, estes belos semblantes, foram - cada um deles - dotados de todos os atributos de Deus, tais como a soberania, o domínio e outros semelhantes, embora, aparentemente, fossem privados de toda majestade terrena...

12 - Ó Salmán! A porta do conhecimento do Ser Antigo sempre esteve e para sempre permanecerá fechada à face dos homens. Nenhuma compreensão humana conseguirá jamais acesso à Sua corte sagrada. Como sinal de Sua mercê, porém, e prova de Sua benevolência, manifestou Ele aos homens os Sóis de Sua guia divina, os Símbolos de Sua divina unidade, e ordenou fosse o conhecimento destes Seres sagrados, idêntico, ao conhecimento de Seu próprio Ser. Quem os reconhecer, terá reconhecido a Deus, Quem escutar Seu chamado, terá escutado a Voz de Deus, e quem der testemunho da verdade de Sua Revelação, terá atestado a verdade do próprio Deus. Quem se afastar deles, terá se afastado de Deus, e quem neles não acreditar, em Deus não terá acreditado. Cada um deles é o Caminho de Deus que une este mundo aos domínios do além e é o Estandarte de Sua Verdade para cada um nos reinos da terra e do céu. São os Manifestantes de Deus entre os homens, as evidências de Sua Verdade e os sinais de Sua glória.

13 - Os Portadores da Incumbência de Deus tornam-se manifestos aos povos da terra como os Expoentes de uma Causa nova e os Reveladores de uma nova Mensagem. Desde que estas Aves do Trono celestial são todas enviadas do céu da Vontade de Deus e todas se levantam para proclamar Sua Fé irresistível, por isso são consideradas uma só alma, uma mesmo pessoa. Pois todas sorvem de um só Cálice do amor de Deus e participam do fruto da mesma Árvore da Unidade.

Cada um destes Manifestantes de Deus tem um grau duplo. Um é o da pura abstração e da unidade essencial. Neste respeito, se tu os chamares a todos por um só nome e lhes atribuíres as mesmas qualidades, não te terás desviado da verdade. Assim como Ele revelou: "Nenhuma distinção fazemos Nós entre quaisquer de Seus Mensageiros." Pois todos eles, sem exceção, convocam, o povo da terra para reconhecer a unidade de Deus e lhe anunciam o Kawthar de bondade e graças infinitas. Todos estão investidos do manto de Profeta e honrados com as vestes da glória. Assim Maomé, o Ponto do Alcorão, revelou: "Eu sou todos os Profetas." E disse também: "Sou o primeiro Adão, Noé, Moisés e Jesus." Afirmações similares foram feitas por Imame 'Alí. Expressões semelhantes a estas, que indicam a unidade essencial desses Expoentes da Unicidade, emanaram também dos Veículos das palavras imortais de Deus e dos Tesouros, que encerram as jóias do conhecimento Divino e foram registradas nas Escrituras. Esses Semblantes são os recipientes do Mandado Divino e os Alvoreceres de Sua Revelação. Essa Revelação está exaltada acima dos véus da pluralidade e das exigências de número. Assim Ele diz: "Nossa Causa é Uma Só." Já que a Causa é uma mesma, seus Expoentes também devem ser um só. Semelhantemente, os Imames da Fé Maometana - aquelas lâmpadas da certeza - disseram: "Maomé é nosso primeiro, Maomé é nosso último, Maomé é nosso tudo."

É claro e evidente a ti que todos os Profetas são os Templos da Causa de Deus, embora aparecendo adornados de vestes diversas. Se observares com olhos discernentes, verás que todos habitam no mesmo tabernáculo, voam no mesmo céu, se sentam no mesmo trono, proferem as mesmas palavras e proclamam a mesma Fé. Tal é a unidade dessas Essências do Ser, desses Luminares de infinito e imensurável esplendor! Portanto, se um desses Manifestantes da Santidade proclamasse, dizendo: "Sou a volta de todos os Profetas", Ele diria, realmente, a verdade. Também, em cada Revelação subseqüente, a volta da Revelação anterior é um fato, cuja verdade está firmemente estabelecida...

O outro é o grau da distinção e pertence ao mundo da criação e às suas limitações. Neste respeito, cada Manifestante de Deus tem uma individualidade distinta, uma missão definitivamente prescrita, uma Revelação predestinada e limitações especialmente designadas. Cada um deles é conhecido por um nome diferente, é caracterizado por um atributo especial, cumpre uma missão bem definida e lhe é confiada uma Revelação distinta. Assim mesmo como Ele diz: "Alguns dos Apóstolos, Nós os fizemos exceder aos outros. A alguns Deus falou e alguns Ele elevou e enalteceu. E a Jesus, Filho de Maria, demos sinais manifestos e Nós O fortalecemos com o Espírito Santo."

É por causa desta diferença em seu grau e sua missão que as palavras e expressões que fluem desses Mananciais do conhecimento Divino parecem divergir e diferir. Não fosse isso, e todas as Suas palavras - aos olhos dos iniciados nos mistérios da sabedoria Divina - seriam, na realidade, apenas expressões de uma mesma Verdade. Como a maioria dos homens não soube apreciar esses graus aos quais Nos referimos, sente-se, por isso, confusa e atônita diante das afirmações divergentes pronunciadas por Manifestantes que são essencialmente um só.

Sempre foi evidente que todas essas divergências de expressão devem ser atribuídas às diferenças de grau. Assim, quando são consideradas do ponto de vista de sua unidade e seu sublime desprendimento, são - e sempre têm sido - aplicáveis a essas Essências da Existência, os atributos de Deidade, Divindade, Suprema Unicidade e Mais Íntima Essência, desde que todas permanecem no trono da Revelação Divina, estabelecidas sobre o assento da Ocultação Divina. Com seu aparecimento, a Revelação de Deus se manifesta e, através de seu semblante, a Beleza de Deus se revela. Assim é que se têm ouvido os acentos do próprio Deus pronunciados por esses Manifestantes do Ser Divino.

Vistos à luz de seu segundo grau - o grau da distinção, da diferenciação, das limitações, características e normas temporais - eles manifestam servitude absoluta, destituição total e abnegação completa. Assim mesmo como Ele diz: "Sou o servo de Deus. Sou apenas um homem como vós..."

Se qualquer um dos Manifestantes de Deus - Aqueles que a tudo abrangem - declarasse: "Eu sou Deus", Ele, verdadeiramente, diria a verdade, sem dúvida alguma. Pois já foi demonstrado, repetidas vezes, que, através de sua Revelação, seus atributos e nomes, se tornaram manifestos no mundo a Revelação, os nomes e os atributos de Deus. Assim Ele revelou: "Aqueles dardos pertenciam a Deus; não foram Teus." E diz Ele também: "Em verdade, os que a Ti hipotecaram fidelidade, a Deus, realmente, hipotecaram fidelidade." E se qualquer deles proferisse estas palavras: "Sou o Mensageiro de Deus", Ele também estaria dizendo a verdade, a verdade indubitável. Assim mesmo como Ele diz: "Maomé não é pai de homem algum entre vós, mas Ele é o Mensageiro de Deus." Vistos a essa luz, todos eles são apenas Mensageiros daquele Rei ideal, daquela imutável Essência. E fossem todos proclamar: "Sou o Selo dos Profetas", só diriam, realmente, a verdade, além da mais leve sombra de dúvida. Pois eles todos não são mais de uma só pessoa, uma só alma, um só espírito, um único ser, uma única revelação. Todos manifestam o "Princípio" e o "Fim", o "Primeiro" e o "Último", o "Visível" e o "Oculto" - tudo o que se refere Àquele que é o Mais Íntimo Espírito dos Espíritos e a Eterna Essência das Essências. E fossem eles dizer, "Somos os servos de Deus", isto também é um fato manifesto e indisputável. Pois eles se manifestaram no máximo grau de servitude - servitude essa, cujo igual homem algum poderá jamais atingir. Assim, essas Essências da Existência em momentos em que estavam profundamente imersas nos oceanos da antiga e sempiterna santidade, ou quando se elevavam até os mais sublimes ápices dos mistérios Divinos, declaravam ser sua voz, a Voz da Divindade, o Chamado do próprio Deus.

Se os olhos do discernimento se abrissem, perceberiam que, até mesmo neste estado, essas Essências da Existência se consideravam inteiramente obliteradas e inexistentes à face d'Aquele que é o Onipresente, o Incorruptível. Parece-me que a si mesmas se julgaram um simples nada e acharam sua própria menção naquela Corte, um ato de blasfêmia. Pois, o menor sussurro do eu dentro de tal Corte é evidência de engrandecimento próprio e existência independente. Aos olhos dos que atingiram essa Corte, essa sugestão é em si uma grave transgressão. Quanto mais grave seria, se qualquer outra coisa fosse mencionada naquela Presença, se o coração do homem ou a língua, a mente ou a alma, se ocupasse com alguém que não fosse o Bem-Amado, se os olhos contemplassem qualquer outro semblante senão Sua beleza, se o ouvido se inclinasse a alguma outra melodia, senão a de Sua Voz, e os pés algum caminho trilhassem que não fosse o Seu...

Em virtude deste grau, declararam ser sua, a Voz da Divindade, e coisas semelhantes, ao passo que, em virtude de seu grau de Mensageiro, se proclamaram a si próprios os Mensageiros de Deus. Em cada instância, pronunciavam palavras de acordo com as exigências da ocasião e atribuíam a si próprios todas essas declarações - declarações que se estendem desde o reino da Revelação Divina até o reino da criação, desde o domínio da Divindade até mesmo o domínio da existência terrena. Assim é que, seja qual for sua asserção - quer se refira ao reino da Divindade, ao de Senhor, ao de Profeta, de Mensageiro, Guardião, Apóstolo ou Servo - tudo é verdade, além de qualquer sombra de dúvida. Essas afirmações, portanto, que citamos para sustentar Nosso argumento, devem ser consideradas atentamente, a fim de que as declarações divergentes, feitas por esses Manifestantes do Invisível, esses Alvoreceres da Santidade, deixem de agitar a alma e confundir a mente.

14 - Acautelai-vos, ó vós que credes na Unidade de Deus, para que não sejais induzidos a fazer distinção alguma entre os Manifestantes de Sua Causa ou a discriminar contra os sinais que têm acompanhado e proclamado sua Revelação. É este realmente, o verdadeiro sentido da Unidade Divina - se sois dos que percebem e aceitam esta verdade. Tende certeza, além disso, de que as obras e ações de cada um desses Manifestantes de Deus - ainda mais, qualquer coisa que Lhes pertença ou que Eles, no futuro, possam manifestar - são todas ordenadas por Deus e refletem Sua Vontade e Seu Desígnio. Quem fizer a mínima diferença entre as pessoas, as palavras, as mensagens, as ações e maneiras deles, se terá tornado, em verdade, descrente de Deus, terá repudiado Seus sinais e traído a Causa de Seus Mensageiros.

15 - É evidente que cada era em que um Manifestante de Deus tem vivido é divinamente ordenada e pode, em certo sentido, ser caracterizada como o Dia designado de Deus. Este Dia, entretanto, é único e deve ser distinguido dos que o precederam. A designação "Selo dos Profetas" revela plenamente seu alto grau. O Ciclo Profético, em verdade, findou. A Verdade Eterna veio agora. Ele ergueu a Insígnia do Poder e agora irradia sobre o mundo o desnublado esplendor de Sua Revelação.

III - Revelação Divina

16 - Sabei com certeza que a luz da Revelação Divina, em cada Era, foi concedida aos homens em proporção direta à sua capacidade espiritual. Considerai o sol. Como são fracos seus raios no momento em que surge acima do horizonte. Quão gradativamente seu calor e sua potência aumentam, à medida que se aproxima do zênite, capacitando, entrementes, todas as coisas criadas a adaptarem-se à crescente intensidade de sua luz. E como declina, constantemente, até alcançar o ponto do ocaso. Fosse Ele manifestar de súbito suas energias latentes, isso, sem dúvida, causaria dano a todas as coisas criadas... De igual modo, se o Sol da Verdade, nas primeiras fases de Sua manifestação, revelasse repentinamente a plena medida das potências das quais a providência do Todo-Poderoso O dotou, a terra da compreensão humana viria a definhar-se e ser consumida, pois os corações dos homens não poderiam suportar a intensidade de Sua revelação, nem refletir o esplendor de Sua luz. Esmorecidos e acabrunhados, deixariam de existir.

17 - A vitalidade da crença dos homens em Deus esmorece em todas as terras; nada senão Seu remédio salutar jamais o poderá restaurar. A corrosão da impiedade carcome as vísceras da sociedade humana; que outra coisa senão o Elixir da Sua potente Revelação poderá limpá-la e revivificá-la? Estará dentro do poder humano, ó Hakim, efetivar nos elementos constituintes de quaisquer das partículas minúsculas e indivisíveis da matéria uma transformação tão completa que a transmute no mais puro ouro? Por difícil e perplexo que isto possa parecer, a tarefa ainda maior de converter força satânica em poder celestial é uma que Nos foi possibilitado realizar. A Força capaz de efetivar tal modificação transcende a potência do próprio Elixir. O Verbo de Deus, tão somente, pode pretender a distinção de estar dotado da capacidade exigida para uma transformação tão grande e de tamanho alcance.

18 - Cada palavra que procede dos lábios de Deus é dotada de tal potência que pode instilar nova vida em todo corpo humano - se sois dos que compreendem esta verdade. Todas as maravilhosas obras que vedes neste mundo foram manifestadas mediante a operação de Sua suprema e excelsa Vontade, Seu Desígnio maravilhoso e inflexível. Com a simples revelação da palavra "Formador" efluindo de Seus lábios e proclamando Seu atributo ao gênero humano, tal força emana, que pode gerar, através de sucessivas eras, todas as múltiplas artes que as mãos do homem, podem produzir. Isto, deveras, é uma verdade certa. Mal se pronuncia esta palavra resplandecente, quando suas energias animadoras, agitando-se dentro de todas as coisas criadas, dão origem aos meios e instrumentos, pelos quais essas artes podem ser produzidas e aperfeiçoadas. Todas as admiráveis realizações que ora testemunhais são as conseqüências diretas da Revelação deste Nome. Nos dias vindouros, contemplareis, verdadeiramente, coisas das quais jamais soubestes. Assim foi decretado nas Epístolas de Deus, e ninguém pode compreender isto, salvo aqueles cuja vista é aguçada. Outrossim, no momento em que manar de Meus lábios a palavra que exprima Meu atributo "O Onisciente", toda coisa criada, segundo sua capacidade e suas limitações, será investida do poder de desenvolver o conhecimento das mais maravilhosas ciências e será capacitada a manifestá-las no decorrer do tempo, a mando d'Aquele que é o Todo-Poderoso, o Conhecedor de tudo. Sabe tu com certeza que a Revelação de todos os outros Nomes é acompanhada de uma manifestação semelhante do poder Divino. Cada uma das letras que procede dos lábios de Deus é, em verdade, uma letra-mãe, toda palavra proferida por Aquele que é o Manancial da Revelação Divina é uma palavra-mãe e Sua Epístola é uma Epístola-Mãe. Bem-aventurados os que apreendem esta verdade.

19 - Sabe tu com certeza que, assim como crês firmemente que a Palavra de Deus - exaltada seja Sua Glória - perdura para sempre, deves do mesmo modo acreditar, com fé inabalável, que sua significação jamais se poderá esgotar. Os que são seus interpretes designados, cujos corações são os repositórios de seus segredos, são os únicos, entretanto, que podem compreender sua múltipla sabedoria. Se alguém, ao ler as Sagradas Escrituras, se sente induzido a escolher delas qualquer, coisa que lhe apraza, com a qual desafiar a autoridade do Representante de Deus entre os homens, ele, em verdade, é como um morto, embora aparentemente ande e converse com seus semelhantes e de alimento e bebida com eles participe.

Oxalá pudesse o mundo acreditar em Mim! Se todas as coisas que jazem entesouradas dentro do coração de Bahá e que o Senhor, Seu Deus, o Senhor de todos os nomes, Lhe ensinou, fossem desveladas diante da humanidade, todo homem na terra ficaria estupefato.

Como é grande a multidão de verdades que a vestimenta das Palavras jamais poderá conter! Como é vasto o número de tais verdades que nenhuma expressão adequadamente descreve, cujo significado jamais se desvelará e às quais não podem ser feitas nem sequer as mais remotas alusões! Como são múltiplas as verdades que não devem ser expressas antes que venha o tempo marcado! Assim como se tem dito: "Nem tudo o que um homem sabe, pode ser revelado, nem tudo o que lhe é possível revelar deverá ser julgado oportuno, nem todo dizer oportuno pode ser considerado adaptável à capacidade dos que o ouvem."

Destas verdades, algumas podem ser reveladas somente na medida da capacidade dos repositórios da luz de Nosso conhecimento e dos recipientes de Nossa graça oculta. Suplicamos a Deus que te fortaleça com Seu poder e te capacite a reconhecer Aquele que é a Fonte de todo o conhecimento, para que te possas desligar de toda erudição humana, pois, "que proveito traria a um homem esforçar-se para adquirir erudição após haver encontrado e reconhecido Aquele que é o Objeto de todo o conhecimento?" Segura-te à Raiz do Conhecimento e Àquele que é sua Fonte, para que te vejas independente de todos os que se dizem bem versados na erudição humana e cuja pretensão nenhuma prova clara, nem o testemunho de qualquer livro esclarecedor, pode sustentar.

IV - A SEQUÊNCIA DOS PROFETAS

20 - Considerai o passado. Que grande número de homens, tanto de alta como de baixa condição, em todos os tempos, tem esperado ansiosamente a vinda dos Manifestantes de Deus nas pessoas santificadas de Seus Eleitos. Quantas vezes têm eles aguardado Seu advento, quantas vezes têm orado para que a brisa da Divina Misericórdia soprasse e a prometida Beleza surgisse detrás do véu da ocultação e se tornasse manifesta ao mundo inteiro. E sempre que se abriam os portais da graça, sempre que as nuvens da bondade divina dispensavam suas chuvas à humanidade, e a luz do Invisível brilhava sobre o horizonte do poder celestial, todos O negavam e se afastavam de Seu Semblante - o Semblante do próprio Deus...

Refleti: qual teria sido o motivo de tais atos? Que teria causado tal conduta para com os Reveladores da beleza do Todo-Glorioso? Qualquer coisa, que em tempos idos tivesse motivado a negação e oposição daqueles povos, concorre agora para a perversidade do povo desta era. Alegar haver sido incompleto o testemunho da Providência, tendo sido isto a causa da negação por parte do povo, nada mais é que blasfêmia patente. Quanto estaria longe da graça do Todo-Poderoso, de Sua amorosa providência e terna compaixão, escolher dentre todos os homens uma alma para guiar Suas criaturas e, por um lado, lhe negar a plena medida de Seu testemunho divino e, por outro, infligir severo castigo a Seu povo por se haver afastado de Seu Escolhido! Não, em todos os tempos, as múltiplas graças do Senhor de todos os seres têm envolvido a terra e a todos os que nela habitam, através dos Manifestantes de Sua Essência Divina. Nem por um momento sequer, negou Ele a Sua graça; jamais as chuvas de Sua benevolência cessaram de cair sobre a humanidade. Tal conduta, pois, não pode ser atribuída senão à mesquinhez dessas almas que caminham no vale da arrogância e do orgulho e se perdem nas selvas do afastamento, guiando-se por sua própria vã fantasia e seguindo os ditames dos dirigentes de sua Fé. Seu interesse principal é apenas a oposição; seu desejo único, desprezar a verdade. Para todo aquele que observe com discriminação, é claro e evidente que, se essas pessoas no tempo de cada um dos Manifestantes do Sol da Verdade tivessem santificado seus olhos, ouvidos e corações de tudo o que haviam visto, ouvido e sentido, não teriam sido privadas, certamente, de contemplar a beleza de Deus, nem se teriam desviado para longe das moradas da glória. Havendo, porém, pesado o testemunho de Deus segundo o padrão de seu próprio conhecimento, colhido dos ensinamentos dos dirigentes de sua Fé, e tendo verificado que estava em desacordo com a limitada interpretação destes, assim, pois, essas pessoas levantaram-se para cometer tais atos indignos...

E assim que os dias de Moisés findarem e a luz de Jesus, irradiando da Aurora do Espírito, abrangeu o mundo, todo o povo de Israel levantou-se em protesto contra Ele, clamando que Aquele cujo advento a Bíblia predissera haveria forçosamente de promover e cumprir as leis de Moisés, enquanto este jovem nazareno que tinha a pretensão de ser o divino Messias, anulara a lei do divórcio e a do sábado - as mais importantes de todas as leis de Moisés. Além disso, que dizer dos sinais do Manifestante ainda por vir? O povo de Israel, até mesmo no tempo presente, espera aquele Manifestante predito na Bíblia! Quantos Manifestantes da Santidade, quantos Reveladores da Luz eterna, têm aparecido desde os tempos de Moisés, enquanto Israel, envolto nos mais densos véus da fantasia satânica e das falsas idéias, ainda espera que o ídolo de sua própria inventiva apareça com os sinais criados por sua imaginação! Assim Deus o castigou pelos pecados, extinguindo-lhe o espírito da fé e atormentando-o com as chamas do fogo infernal. E isso não por outra causa senão porque Israel recusara compreender o significado das palavras reveladas na Bíblia relativas aos sinais da Revelação vindoura. Por jamais haver compreendido o verdadeiro significado, e vendo que tais acontecimentos, aparentemente, não se realizaram, esse povo privou-se da graça de reconhecer a beleza de Jesus e contemplar a Face de Deus. E ainda aguarda Sua vinda! Desde tempos imemoriais, até mesmo o dia de hoje, todas as raças e nações da terra apegam-se a tais pensamentos imaginários e indignos, privando-se assim das águas límpidas que manam das fontes da pureza e santidade...

Para os dotados de compreensão, está claro e manifesto que, quando o fogo do amor de Jesus consumiu os véus das limitações judaicas e Sua autoridade se tornou evidente e foi, em parte, obedecida, Ele, o Revelador da Beleza invisível, dirigindo-se um dia aos discípulos, fez referência ao Seu trespasse e, acendendo-lhes no coração a chama do pesar, disse: "Vou embora e venho outra vez a vós." E em outro lugar disse: "Vou e outro virá que vos há de dizer tudo o que Eu não vos disse e cumprirá tudo o que Eu disse." As duas declarações têm um só significado - se meditardes com percepção Divina sobre os Manifestantes da Unidade de Deus.

Quem examinar com discernimento, haverá de reconhecer que tanto o Livro como a Causa de Jesus foram confirmados na Era do Alcorão. Quanto aos nomes, o próprio Maomé declarou: "Eu sou Jesus." Ele reconheceu a verdade dos sinais, das profecias e palavras de Jesus, e testificou serem todos de Deus. Neste sentido, nem a pessoa de Jesus nem Seus escritos diferiram da pessoa de Maomé e de Seu Sagrado Livro, visto que ambos defenderam a Causa de Deus, louvaram-No e revelaram Seus mandamentos. Assim é que o próprio Jesus declarou: "Vou embora e venho outra vez a vós." Considerai o sol. Se dissesse agora, "Sou o sol de ontem", diria a verdade; e se, levando em conta a seqüência do tempo, pretendesse ser outro sol, estaria ainda dizendo a verdade. De modo semelhante, se dissermos que todos os dias são o mesmo, isso será certo e verdadeiro; e se, referindo-nos a seus nomes e designações especiais, dissermos que diferem, isso também será verdade. Pois embora sejam iguais, reconhecemos em cada, no entanto, uma designação distinta, um atributo específico, um caráter particular. Deves conceber, outrossim, a distinção, a variação e ao mesmo tempo, a unidade, que caracterizam os vários Manifestantes da Santidade, a fim de que possas compreender as alusões que o Criador de todos os nomes e atributos faz aos mistérios da distinção e da unidade, e descobrir a resposta à tua pergunta sobre a razão por que a Beleza Eterna, em várias épocas, Se tem chamado por nomes e títulos diversos...

Quando a Essência Invisível, Eterna, Divina fez levantar-se sobre o horizonte do conhecimento o Sol de Maomé, figurou entre os sofismas que os sacerdotes judeus pronunciaram contra Ele, o seguinte: que após Moisés nenhum Profeta seria mandado por Deus. Na realidade, as Escrituras mencionaram uma Alma que se haveria de manifestar, que serviria a Fé e promoveria os interesses do povo de Moisés, para que a Lei da Era Mosaica pudesse cingir toda a terra. Assim o Rei da glória eterna se referiu, em Seu Livro, às palavras pronunciadas por aqueles que vagueavam no vale do afastamento e do erro: "Dizem os judeus - A mão de Deus está encadeada. - Encadeadas sejam suas próprias mãos! E por causa daquilo que disseram, foram amaldiçoados. Não, estendidas estão ambas as Suas mãos!" "A mão de Deus está acima de suas mãos." Embora os comentadores do Alcorão tenham relatado de maneiras diversas as circunstâncias que acompanharam a revelação deste versículo, deves esforçar-te, no entanto, por compreender seu intuito. Diz Ele: Como é falso aquilo que os judeus têm imaginado! Como pode a mão d'Aquele que, em verdade, é o Rei, que fez manifestar-se o semblante de Moisés e Lhe conferiu o manto de Profeta - como pode estar encadeada e agrilhoada a mão desse Ser? Como seria concebível que a Ele faltasse o poder de fazer surgir ainda outro Mensageiro após Moisés? Vê como é absurdo o que dizem; quanto sua afirmação se desviou do caminho do conhecimento e da compreensão! Observa tu como neste Dia, também, todas essas pessoas se têm ocupado com coisas igualmente tolas e absurdas. Há mais de mil anos recitam esse versículo e pronunciam sua censura contra os judeus, completamente inconscientes de que elas mesmas, de um modo aberto, bem como secreto, estão expressando os sentimentos e as crenças do povo judaico! Deves certamente conhecer seu vão argumento de que toda a Revelação terminou, tendo-se fechado os portais da misericórdia Divina, que jamais um Sol surgirá de um alvorecer da santidade eterna, que para sempre o Oceano da perene generosidade se aquietou e os Mensageiros de Deus cessaram de se manifestar do Tabernáculo da glória antiga. Tal é o grau de entendimento dessas pessoas desprezíveis, de mentalidade estreita. Essas pessoas têm imaginado que o fluxo da onipresente graça de Deus e de Seus copiosos favores, cuja cessação mente alguma pode considerar, tenha parado. De todos os lados se têm levantado, cingindo-se de tirania e se esforçando o mais possível para extinguir, com as águas amargas de sua vã fantasia, a chama da Sarça Ardente de Deus, esquecidos de que o globo do poder, dentro de sua própria forte cidadela, protegerá a Lâmpada de Deus.

Vede como a soberania de Maomé, o Mensageiro de Deus, está hoje evidente e manifesta entre o povo. Bem sabeis o que aconteceu à Sua Fé nos primeiros dias de Sua Era. Que sofrimentos lastimáveis foram infligidos pela mão dos infiéis e dos que erraram - pelos sacerdotes daquele tempo e seus associados - sobre essa Essência espiritual, esse puríssimo e santo Ser! Quão abundantes os espinhos que Lhe espargiram no caminho! Evidentemente, aquela geração vil, em sua fantasia perversa e satânica, pensava que toda ofensa a esse Ser imortal fosse um meio de atingir a felicidade perene, desde que os reconhecidos sacerdotes, da época, tais como 'Abdu'lláh-i-Ubayy, Abú'Ámir, o eremita, Ka'b-ibn-i-Ashraf e Nadr-ibn-i-Hárith, todos, O trataram como sendo impostor e O pronunciaram um lunático e caluniador. Fizeram contra Ele tão penosas acusações que, ao querermos relatá-las, Deus proíbe que a tinta corra, que Nossa pena se mova ou a página as comporte. Tais imputações maliciosas provocaram o povo a levantar-se e atormentá-Lo. E quão feroz esse tormento, se os sacerdotes do tempo forem os principais instigadores, se eles O denunciarem a seus adeptos, O expulsarem de seu meio e O declararem um ímpio! O mesmo não aconteceu a este Servo e não foi por todos testemunhado?

Por esta razão Maomé exclamou: "Nenhum Profeta de Deus sofreu tanta injúria quanto Eu tenho sofrido." E o Alcorão relata todas as calúnias e repreensões pronunciadas contra Ele, bem como todas as aflições que, sofreu. Procurai este Livro, a fim de que vos possais talvez informar daquilo que sobreveio à Sua Revelação. Tão aflitiva era Sua situação que, por algum tempo, todos deixaram de ter contato com Ele e com Seus companheiros. Quem a Ele se associava, caía vítima da implacável crueldade de Seus inimigos...

Considerai que grande transformação se vê hoje! Vede quantos são os soberanos que se ajoelham ante Seu Nome! E quão numerosas as nações e os reinos que têm buscado abrigo à Sua sombra, que prestam lealdade à Sua Fé e se orgulham disso! Do alto do púlpito ascendem hoje as palavras de louvor proferidas com toda humildade para Lhe glorificar o Nome abençoado e das alturas dos minaretes ressoa o chamado que convoca a assembléia de Seu povo a adorá-Lo. Até aqueles reis da terra que recusaram abraçar Sua Fé e despir as vestes da descrença confessam e admitem, no entanto, a grandeza e a inexcedível majestade desse Sol de benevolência. Tal é Sua soberania terrena, cujas evidências tu vês por todos os lados. Essa soberania há forçosamente de ser revelada e estabelecida, quer seja durante a vida de cada Manifestante, ou depois de Sua ascensão à Sua verdadeira morada nos domínios do alto...

Evidentemente, as modificações efetivadas em cada Era constituem as nuvens negras que intervêm entre os olhos do entendimento humano e o Luminar Divino que irradia do alvorecer da Essência Divina. Considerai como os homens, através das gerações, vêm imitando cegamente seus pais e sendo ensinados de acordo com os costumes e as normas que os ditames de sua Fé estabeleceram. Fossem esses homens, pois, descobrir de súbito que um Homem que vivia entre eles e lhes era igual no que diz respeito a todas as limitações humanas, se levantara com o fito de abolir todos os princípios impostos pela sua Fé - princípios segundo os quais eles desde séculos haviam sido educados, tendo-se habituado a considerar como infiel, corrupto e perverso, qualquer um que os negasse ou lhes fizesse oposição - ficariam velados, certamente, e impedidos de Lhe admitir a verdade. Tais coisas são como "nuvens" que velam os olhos daqueles cujo ser interior não tenha saboreado o Salsabil do desprendimento, nem sorvido do Kawthar do conhecimento de Deus. Esses homens, ao saberem dessas circunstâncias, ficam tão velados que, sem a menor dúvida, pronunciam o Manifestante de Deus um infiel e O sentenciam a morte. Deveis ter sabido de acontecimentos semelhantes através dos séculos, e agora, nestes dias, os estais observando.

Cumpre-nos, portanto, fazer o máximo esforço para que, graças ao invisível amparo de Deus, esses véus obscuros, essas nuvens que são provações mandadas pelo céu, não nos possam impedir de contemplar a beleza de Seu luminoso Semblante, e para que nós O possamos reconhecer somente por Ele próprio.

21 - Sabe tu que, quando o Filho do Homem rendeu a Deus Seu alento, a criação inteira chorou com grande pranto. Por Ele se haver sacrificado, entretanto, infundiu-se uma nova capacidade em todas as coisas criadas. Suas evidências, segundo se testemunha em todos os povos da terra, estão agora manifestas diante de ti. A mais profunda sabedoria que os sábios têm pronunciado, a mais completa erudição que qualquer mente tenha desvelado, as artes produzidas. pelas mãos mais hábeis, a influência exercida pelo mais potente dos governantes, são apenas manifestações do poder vivificador que emana de Seu Espírito transcendente, predominante e esplendoroso.

Damos testemunho de que Ele, quando veio ao mundo, irradiou o esplendor de Sua glória sobre todas as coisas criadas. Por Seu intermédio, o leproso recuperou-se da lepra da perversidade e ignorância. Por Ele os lascivos e refratários foram curados. Através de Seu poder, nascido de Deus Todo-Poderoso, os olhos dos cegos se abriram e a alma do pecador foi santificada.

A lepra pode ser interpretada como qualquer véu que se interponha entre o homem e o reconhecimento do Senhor, seu Deus. Quem se deixa d'Ele ser excluído é, em verdade, um leproso, que não há de ser lembrado no Reino de Deus, o Potente, o Todo-Louvado. Damos testemunho de que, através do poder do Verbo de Deus, todo leproso foi purificado - curou-se toda doença e baniu-se toda enfermidade humana. Ele foi Quem purificou o mundo. Bem-aventurado o homem que, com a face irradiante de luz, a Ele se haja volvido.

V - A GLÓRIA DE DEUS

22 - Ó Judeus! Se intentais novamente crucificar Jesus, o Espírito de Deus, a Mim deveis infligir a morte, pois em Minha pessoa Ele mais uma vez se manifestou a vós. Tratai-Me do modo que vos aprouver, pois votei oferecer Minha vida em holocausto no caminho de Deus. A ninguém temerei, embora os poderes da terra e do céu coliguem contra Mim. Seguidores do Evangelho! Se nutris o desejo de imolar Maomé, o Apóstolo de Deus, a Mim deveis prender e à Minha vida pôr término, pois Eu sou Ele, e Meu Ser é Seu Ser. Fazei a Mim o que quiserdes, pois o mais profundo desejo de Meu coração é atingir a presença de Meu Mais-Amado em Seu Reino de Glória. Tal é o Decreto Divino, se disso sabeis. Seguidores de Maomé! Se for vossa vontade crivar com vossos dardos o peito d'Aquele que fez descer para vós Seu Livro, o Bayán, a Mim deveis prender e perseguir, pois Eu sou Seu Bem-Amado, a revelação de Seu próprio Ser, embora Meu nome não seja Seu Nome. Vim à sombra das nuvens de glória, investido por Deus de uma soberania invencível. Deveras, Ele é a Verdade, o Conhecedor das coisas invisíveis. Deveras, espero de vós o tratamento que destes Àquele que Me antecedeu. Disso dão testemunho, verdadeiramente, todas as coisas, se sois dos que prestam ouvidos. Ó povo do Bayán! Se resolvestes derramar o sangue d'Aquele Cuja vinda o Báb proclamou, Cujo advento Maomé predisse e Cuja Revelação o próprio Jesus Cristo anunciou, eis-Me aqui, pronto e indefeso, diante de vós. Tratai-Me segundo vossos próprios desejos.

23 - A Beleza Antiga consentiu em ser confinada por grilhões, para que a humanidade fosse livrada de sua escravidão; aceitou o encarceramento nesta irredutível Cidadela, a fim de que o mundo inteiro atingisse a verdadeira liberdade. Até a última gota, sorveu Ele da taça da tristeza, para que todos os povos, da terra alcançassem a perene felicidade e se tornassem plenos de alegria. Isso deriva da misericórdia de vosso Senhor, o Compassivo, o Mais Misericordioso. Temos aceitado o aviltamento, ó vós que acreditais na Unidade de Deus, a fim de vos enaltecer, e sofrido múltiplas tribulações para que vós pudésseis atingir o sucesso e a prosperidade. Aquele que veio edificar de novo o mundo inteiro - vede como é forçado, por aqueles que atribuíram co-participantes a Deus, a morar na mais desolada das cidades!

24 - Não Me entristece o peso de Minha prisão. Nem Me aflijo por causa de Minha humilhação ou das tribulações que as mãos de Meus inimigos sobre Mim infligem. Por Minha vida! Tudo isso é Minha glória, uma glória com a qual Deus se adornou a Si próprio. Oxalá Soubésseis isso!

A humilhação que tive de suportar desvelou a glória de que fora investida toda a criação, e através das crueldades que tenho sofrido, o Sol da justiça se manifestou, irradiando sobre os homens seu esplendor.

Minhas tristezas são para aqueles que se envolveram em suas paixões corruptas e, no entanto, pretendem estar associados à Fé que provém de Deus, o Bondoso, o Todo-Louvado.

Incumbe ao povo de Bahá morrer para o mundo e para tudo o que nele se acha, estar tão desprendido de todas as coisas terrenas que os habitantes do Paraíso possam inalar de suas vestes a fragrância da santidade, que todos os povos da terra possam reconhecer em sua face o esplendor do Todo-Misericordioso e assim, por seu intermédio, sejam difundidos os sinais e evidências de Deus, o Onipotente, a Suma Sabedoria. Os que macularam o belo nome da Causa de Deus, seguindo as coisas da carne - estes estão em erro palpável!

25 - Sabe tu, em verdade, que este Jovem, todas as vezes que volve Seus olhos para o Seu próprio Ser, se acha de todas as criaturas a mais insignificante. Quando contempla, porém, o fulgor resplandecente que Ele foi capacitado a manifestar, eis este ser transfigurado, diante d'Ele, em uma Potência soberana que penetra a essência de todas as coisas visíveis e invisíveis. Glória Àquele que, através do poder da verdade, fez descer o Manifestante de Si Próprio e Lhe confiou Sua mensagem para toda a humanidade.

3. HOMEM
1 - A alma do homem

26 - Qualquer coisa que esteja nos céus e qualquer coisa que esteja na terra é uma evidência direta da revelação, em seu âmago, dos atributos e nomes de Deus, desde que se acham entesourados dentro de cada átomo os sinais que dão eloqüente testemunho da revelação daquela Luz Superna. Parece-Me, não fosse a potência dessa revelação, e nenhum ser jamais poderia existir. Quão esplendorosos os luminares de conhecimento que brilham em um átomo, e vastos os oceanos de sabedoria que surgem dentro de uma gota! Em grau supremo, é isso verdade no caso do homem - aquele que, entre todas as coisas criadas, foi adornado com as vestes de tais dádivas e escolhido para a glória de tal distinção. Pois nele se revelam, potencialmente, todos os atributos e nomes de Deus em um grau jamais excedido por qualquer outro ser criado. Todos esses nomes e atributos lhe são aplicáveis. Assim mesmo como Ele disse: "O homem é Meu mistério e Eu sou seu mistério." Múltiplos são os versículos que foram revelados repetidamente em todos os Livros Celestiais e Sagradas Escrituras, expressando esse tema, o mais sutil e elevado. Assim mesmo como Ele revelou: "Nós seguramente lhes mostraremos Nossos sinais no mundo e dentro deles mesmos." Outra vez Ele diz: "E também dentro de vós próprios: não quereis, pois, contemplar os sinais de Deus?" E ainda outra vez, revela Ele: "E não sejais como aqueles que se esquecem de Deus e aos quais Ele, pois, fez esquecerem de si mesmos." Com referência a isto, Aquele que é o Rei eterno - que as almas de todos os que habitam no Tabernáculo místico Lhe sejam um sacrifício - tem dito: "Quem se conheceu a si próprio, conheceu a Deus."

...Do que se tem dito, torna-se evidente que todas as coisas, em sua mais íntima realidade, atestam a revelação, dentro de si, dos nomes e atributos de Deus. Cada um, de acordo, com sua capacidade, indica e expressa o conhecimento de Deus. Tão potente e universal é esta Revelação, que abrangeu todas as coisas visíveis e invisíveis. Assim revelou Ele: "Será que algo, senão Tu, tenha um poder de revelação não possuído por Ti, para que Te pudesse haver manifestado? Cegos são os olhos que Te não percebem." Outrossim falou o Rei eterno: "Coisa alguma tenho percebido, a não ser que Eu percebesse Deus dentro dela, Deus em sua frente, ou Deus depois dela." Também na tradição de Kumayl, está escrito: "Vede, uma luz irradiou do amanhecer da eternidade e eis, suas ondas penetraram a mais íntima realidade de todos os homens." O homem, o mais nobre e mais perfeito de todos os seres criados, excede a todos na intensidade desta revelação e lhe expressa mais plenamente a glória. E de todos os homens, os de maiores dotes, que mais se distinguem, os mais excelentes, são os Manifestantes do Sol da Verdade. Não, antes, todos os demais, além destes Manifestantes, vivem pela operação de sua Vontade, movem-se e existem através das emanações de Sua graça.

27 - Quanto à tua pergunta relativa à origem da criação. Sabe tu com segurança, que a criação de Deus existe desde a eternidade e continuará a existir para sempre. Seu princípio não teve princípio e seu fim não conhece fim. O nome de Deus, o Criador, pressupõe uma criação, assim como o título, o Senhor dos Homens, deve envolver a existência de um servo.

A respeito daquelas afirmações atribuídas aos Profetas da antigüidade, tais como, "No princípio havia Deus; não havia criatura para conhecê-Lo" e "O Senhor estava só; sem ninguém para adorá-Lo", o sentido destes e de outros dizeres semelhantes é claro e evidente e em tempo algum deve ser mal interpretado. Dessa mesma verdade dão testemunho estas palavras que Ele revelou: "Deus estava só; não havia nenhum outro além d'Ele. Eternamente haverá Ele de permanecer o que sempre foi." Todos os olhos discernentes perceberão prontamente que o Senhor está agora manifesto, mas que não há quem Lhe reconheça a glória. Isso significa que a morada em que o Ser Divino habita está muito além do alcance e do conhecimento de qualquer um, senão Ele. Nada no mundo contingente que possa ser expresso ou apreendido, poderá jamais transgredir os limites que, por sua natureza inerente, lhe foram impostos. Deus, tão somente, transcende tais limitações. Ele, em verdade, existe desde sempre. Nunca houve, nem pode haver jamais, igual ou associado que com Ele se una. Nome algum é comparável a Seu Nome. Nenhuma pena pode apresentar Sua natureza, ou língua alguma descrever Sua glória. Ele, para todo o sempre, permanecerá imensuravelmente exaltado acima de qualquer um, senão Ele Mesmo.

Considera tu a hora em que o supremo Manifestante de Deus se revela aos homens. Antes de vir essa hora, o Ser Antigo, que está ainda desconhecido dos homens e não deu expressão ainda ao Verbo de Deus, é, Ele Próprio, o Onisciente em um mundo destituído de qualquer homem que O tenha conhecido. Ele é, em verdade, o Criador sem criação. Pois no exato momento que precede Sua Revelação, cada uma das coisas criadas terá de render a alma a Deus. É este, em verdade, o Dia do qual foi escrito: "De quem será o Reino neste Dia?" E não se encontra quem esteja pronto para responder!

28 - Tu Me perguntaste sobre a natureza da alma. Sabe tu, em verdade, que a alma é um sinal de Deus, uma jóia celestial cuja realidade os mais eruditos dos homens não conseguiram apreender e cujo mistério mente alguma, por aguçada que seja, pode esperar jamais desvendar. Entre todas as, coisas criadas, é a primeira a declarar a excelência de seu Criador, a primeira a Lhe reconhecer a glória, a aderir à Sua verdade e a primeira a curvar-se em adoração diante d'Ele. Se for fiel a Deus, refletirá a Sua Luz e a Ele, afinal, regressará. Se, porém, falhar em lealdade ao seu Criador, tornar-se-á vítima do eu e da paixão, em cujas profundidades, finalmente, mergulhará.

Quem quer que, neste Dia, tenha recusado permitir que as dúvidas e fantasias dos homens o desviem d'Aquele que é a Verdade Eterna - não tendo deixado o tumulto provocado pelas autoridades eclesiásticas e seculares impedi-lo, de reconhecer Sua Mensagem - será considerado por Deus, Senhor de todos os homens, como um de Seus poderosos sinais, e será contado entre aqueles cujos nomes foram inscritos pela Pena do Altíssimo em Seu Livro. Bem-aventurado quem tiver reconhecido a verdadeira estatura dessa alma, que lhe tiver admitido o grau e descoberto as virtudes.

Muito foi escrito nos livros da antigüidade sobre as várias etapas no desenvolvimento da alma, tais como concupiscência, irascibilidade, inspiração, benevolência, contentamento, beneplácito Divino e coisas semelhantes; a Pena do Altíssimo, toda via, não se inclina a estender-se sobre elas. Cada alma que, neste Dia, anda humildemente com seu Deus e n'Ele se apóia, se encontrará investida da honra e glória de todos os bons nomes e graus.

Quando o homem está adormecido, não se pode dizer que sua alma tenha sido, de modo algum, afetada inerentemente por qualquer objeto externo. Não é suscetível a alteração alguma em, seu estado ou caráter original. Qualquer variação em suas funções deve ser atribuída a causas externas. É a essas influências externas que quaisquer variações em seu ambiente, sua compreensão e percepção devem ser atribuídas.

Consideremos os olhos humanos. Embora possuam a faculdade de perceber todas as coisas criadas, o mais leve impedimento, no entanto, pode a tal ponto lhes obstruir a visão que os priva do poder de discernir qualquer objeto. Glorificado seja o nome d'Aquele que criou essas causas e lhes é a Causa, Quem ordenou que delas dependessem cada modificação e variação no mundo dos seres. Toda coisa criada no universo inteiro é apenas uma porta que conduz a Seu conhecimento, um sinal de Sua soberania, uma revelação de Seus nomes, um símbolo de Sua majestade, um indício de Seu poder, um meio de acesso a Seu Caminho reto...

Em verdade digo, a alma humana é, em sua essência, um dos sinais de Deus, um mistério entre Seus mistérios. É um dos poderosos sinais do Onipotente, o precursor que proclama a realidade de todos os mundos de Deus. Dentro dela jaz oculto aquilo que o mundo atual é completamente incapaz de apreender. Pondera tu em teu coração a revelação da Alma de Deus que se insinua em todas as Suas Leis, e vê como contrasta com aquela natureza vil e apetitiva que se rebelou contra Ele, que proíbe os homens de se volverem ao Senhor dos Nomes e os impele a seguir seus desejos lascivos e maléficos. Essa alma, em verdade, andou longe no caminho do erro...

Tu Me perguntaste, além disso, a respeito do estado da alma após sua separação do corpo. Sabe tu, em verdade, que a alma do homem, se tiver seguido os caminhos de Deus, voltará, seguramente, e se associará à glória do Bem-Amado. Pela retidão de Deus! Haverá de atingir um grau que nenhuma pena nem língua pode descrever. A alma que tiver permanecido fiel à Causa de Deus e se mantido inabalavelmente firme em Seu Caminho, haverá de possuir, após sua ascensão, tal poder que todos os mundos que o Onipotente criou podem ser beneficiados por seu intermédio. Esta alma, a mando do Rei Ideal e do Educador Divino, provê o lêvedo puro para fermentar o mundo dos seres, e fornece o poder através do qual as artes e maravilhas do mundo se tornam manifestas. Considera como a farinha necessita de lêvedo para ser fermentada. Aquelas almas que são os símbolos do desprendimento são o fermento do mundo. Medita sobre isto e sê tu dos agradecidos.

Em várias de Nossas Epístolas, referimo-nos a este tema, expondo as diversas etapas no desenvolvimento da alma. Em verdade digo, a alma humana está elevada acima de toda saída e todo regresso. É imóvel e, no entanto, voa; move-se, porém está quieta. É, em si, um testemunho que prova a existência, de um mundo que é contingente, bem como a realidade de um mundo que não tem princípio nem fim. Vê como o sonho que tiveste pode, após um intervalo de muitos anos, representar-se diante de teus olhos. Considera como é estranho o mistério do mundo que te aparece em teu sonho. Pondera em teu coração a inescrutável sabedoria de Deus e medita sobre suas múltiplas revelações...

Contempla tu as maravilhosas evidências da obra de Deus e reflete sobre seu âmbito e caráter. Aquele que é o Selo dos Profetas, disse: "Aumenta minha admiração e espanto diante de Ti, ó Deus!"

Quanto à tua pergunta se o mundo físico está sujeito a quaisquer limitações, sabe tu que a compreensão desse assunto depende do próprio, observador. Em um sentido, é limitado; em outro, está elevado além de todas as limitações. O Deus Uno e Verdadeiro existe desde sempre e continuará a existir para todo o sempre. Sua criação, semelhantemente, não teve princípio, nem terá fim. Tudo o que é criado, todavia, é precedido por uma causa. Este fato, em si, estabelece, fora de qualquer sombra de dúvida, a unidade do Criador.

Tu Me perguntaste, ademais, sobre a natureza das esferas celestes. A fim de se compreender sua natureza, seria necessário inquirir o sentido das alusões feitas nos Livros da antigüidade às esferas celestes e aos céus, e descobrir o caráter de sua relação com este mundo físico e a influência que sobre ele exercem. Todo coração maravilha-se diante de um tema tão deslumbrante e toda mente se confunde diante de seu mistério. Deus, tão somente, pode penetrar seu intuito. Os eruditos, que fixaram em alguns milhares de anos a vida desta terra, deixaram de considerar, por todo o longo período de sua observação, o número ou a idade dos outros planetas. Pensa, além disso, nas múltiplas divergências que resultaram das teorias propostas por esses homens. Sabe tu, que cada estrela fixa tem seus próprios planetas, e cada planeta, suas próprias criaturas, cujo número homem algum pode computar.

Ó tu que fixaste teus olhos em Meu semblante! O Alvorecer da Glória, neste Dia, manifestou seu esplendor, e a Voz do Altíssimo chama. Anteriormente pronunciamos estas palavras: "Não é este o dia em que um homem deva questionar seu Senhor. Compete a quem tiver escutado o Chamado de Deus, assim como foi expresso por Aquele que é o Alvorecer da Glória, levantar-se e exclamar: - Aqui estou, aqui estou, ó Senhor de todos os Nomes; aqui estou, aqui estou, ó Criador dos céus! Testifico que, através de Tua Revelação, as coisas ocultas nos Livros de Deus foram reveladas e tudo o que tenha sido assentado pelos Teus Mensageiros nas sagradas Escrituras, se cumpriu."

29 - Sabe tu que - de acordo com aquilo que teu Senhor, o Senhor de todos os homens, decretou em Seu Livro - os favores concedidos por Ele ao gênero humano têm sido e para sempre haverão de permanecer ilimitados em seu âmbito. O primeiro e proeminente entre estes favores que o Todo-Poderoso conferiu ao homem, é o dom da compreensão. Seu desígnio em conferir tal dádiva não é outro, senão o de capacitar Sua criatura a conhecer e aceitar o Deus Uno e Verdadeiro - exaltada seja Sua glória. Esse dom concede ao homem o poder de discernir a verdade em todas as coisas, conduze-o àquilo que é direito e o ajuda a descobrir os segredos da criação. O segundo em grau é o poder da visão, o principal instrumento por meio do qual sua compreensão pode funcionar. Os sentidos do ouvido, do coração e os demais, devem igualmente ser contados entre a dádiva das quais o corpo humano é dotado. Imensuravelmente elevado é o Todo-Poderoso, que criou esses poderes e os revelou no corpo do homem.

Cada uma dessas dádivas é uma indubitável evidência da majestade, do poder, da ascendência, do ilimitado conhecimento do Deus Uno e Verdadeiro - exaltada seja Sua glória. Considera tu o sentido do tato. Testemunha como seu poder se difundiu sobre todo o corpo humano. Enquanto as faculdades da visão e da audição se localizam, cada uma em centro especial, o sentido tátil abrange toda a estrutura humana. Glorificado seja Seu poder, enaltecida Sua soberania!

Esses dons são inerentes ao próprio homem. O que sobressai acima de todos os demais dons, incorruptível em sua natureza e pertencente ao próprio Deus, é o dom da Revelação Divina. Cada graça conferida pelo Criador ao homem, seja material ou espiritual, lhe é subordinada. É, em sua essência, e para sempre continuará a ser, o Pão que desce do Céu. É o supremo testemunho de Deus, a mais clara evidência de Sua verdade, o sinal de Sua consumada generosidade, o emblema de Sua misericórdia, que a tudo abrange, a prova de Sua mais terna providência e o símbolo de Sua mais perfeita graça. Quem tiver reconhecido Seu Manifestante neste Dia, terá, em verdade, participado desta suprema dádiva de Deus. Rende agradecimentos a teu Senhor por te haver concedido tão grande favor. Ergue tua voz e dize: Todo louvor a Ti, ó Tu, o Desejo de todo coração compreensivo!

30 - Considera tu a faculdade do raciocínio, de qual Deus dotou a essência do homem. Examina teu próprio ser e vê como teu movimento e tua quietude, tua vontade e propósito, tua visão e audição, teu sentido de olfato e teu poder de fala e qualquer coisa mais que se relacione ou transcenda aos teus sentidos físicos ou às tuas percepções espirituais - tudo isso procede dessa mesma faculdade e a ela deve sua existência. Tão estreitamente lhe estão relacionados que, essa relação com o corpo humano for cortada por menos de um piscar de olhos, cada um desses sentidos cessará imediatamente de exercer sua função e ficará privado do poder de manifestar as evidências de sua atividade. Está, sem a menor dúvida, claro que o devido funcionamento de cada um desses instrumentos supracitados, tem dependido e para sempre continuará a depender dessa faculdade racional, devendo esta ser considerada um sinal da revelação d'Aquele que é o Senhor soberano de tudo. Através de sua manifestação, todos esses nomes e atributos foram revelados e, ao suspender-se sua ação, todos são destruídos e perecem.

Seria inteiramente infundada a alegação de ser essa faculdade a mesma do poder da visão, já que dessa faculdade o poder da visão deriva e depende para sua atuação. Igualmente fútil seria argüir-se que essa faculdade possa ser identificada com o sentido auditivo, pois este recebe da faculdade racional a energia necessária para o desempenho de suas funções.

A mesma relação liga essa faculdade com qualquer coisa que, dentro do templo humano, tenha sido o recipiente desses nomes e atributos. Esses nomes diversos e esses atributos revelados foram gerados através desse sinal de Deus. Imensuravelmente elevado é esse sinal, em sua essência e realidade, acima de todos esses nomes e atributos. Ainda mais, tudo além desse sinal, ao ser comparado com sua glória, se esvai, torna-se inexistente, uma coisa olvidada.

Fosses tu ponderar em teu coração, desde agora até o fim que não tem fim - e com toda a inteligência e compreensão concentradas que os maiores cérebros atingiram no passado ou haverão de atingir no futuro - essa Realidade divinamente ordenada e sutil, esse sinal da revelação do Deus Sempiterno e Todo-Glorioso, nem assim poderias compreender seu mistério ou lhe avaliar a virtude. Havendo reconhecido tua incapacidade para atingir uma compreensão adequada dessa Realidade que dentro de ti habita, admitirás prontamente a futilidade de quaisquer esforços que possam ser tentados, por ti ou por qualquer das coisas criadas, para sondar o mistério do Deus Vivente, Sol de imperecível glória, Ancião dos dias infindáveis. Tal confissão de incapacidade que a consideração madura deve, no final, impelir cada mente a fazer, é, em si, o auge da compreensão humana e assinala a culminância do desenvolvimento do homem.

31 - Quanto à tua pergunta a respeito dos mundos de Deus. Sabe tu, em verdade - os mundos de Deus são incontáveis, e infinitos em seu âmbito. Ninguém os pode calcular ou compreender, salvo Deus, o Onisciente, a Suma Sabedoria. Considera teu estado enquanto dormes. Verdadeiramente, digo, este fenômeno é o mais misterioso dos sinais de Deus entre os homens - fossem eles sobre isto ponderar em seus corações. Vê tu como a coisa que presenciaste em teu sonho se realiza plenamente depois de passar algum tempo. Se o mundo no qual te encontraste em teu sonho tivesse sido idêntico ao mundo em que vives, aquilo que sucedeu nesse sonho teria necessariamente acontecido neste mundo no mesmo momento de sua ocorrência. Fosse assim, tu mesmo haverias disso dado testemunho. Assim, não sendo, porém, deve-se deduzir forçosamente que o mundo em que vives é diferente e separado daquele que conheceste em teu sonho. Este não tem começo nem fim. Seria verdade se tu sustentasses estar esse mesmo mundo - segundo decretou o Deus Todo-Poderoso e Onipotente - dentro de teu próprio ser, envolvido dentro de ti. Igualmente seria verdade afirmar que, havendo teu espírito transcendido as limitações do sono e se despojado de todo laço terreno, foi levado pelo ato de Deus, a atravessar um reino que jaz oculto na mais íntima realidade deste mundo. Verdadeiramente digo, a criação de Deus abrange mundos além deste mundo, e criaturas distintas destas criaturas. Em cada um desses mundos tem Ele ordenado coisas nas quais ninguém pode penetrar, salvo Ele, O que em tudo penetra, que possui toda sabedoria. Deves meditar sobre aquilo que te temos revelado, a fim de poderes descobrir o desígnio de Deus, teu Senhor e o Senhor de todos os mundos. Nestas palavras se têm entesourado os mistérios da Sabedoria Divina. Abstivemo-nos de nos estender sobre esse tema por causa da tristeza que Nos envolve proveniente das ações daqueles que foram criados através de Nossas palavras - se sois dos que queiram atender à Nossa Voz.

II - A Vida Após a Morte

32 - Tu Me perguntaste se o homem - sem ser os Profetas de Deus e Seus eleitos - há de reter, após a morte física, exatamente a mesma individualidade, personalidade, consciência e compreensão que lhe caracterizam a vida neste mundo. Se for o caso - tu observaste - visto que uma ligeira lesão às suas faculdades mentais, causada, por exemplo, por um desmaio ou uma doença grave, priva o homem de sua compreensão e consciência, como é que a morte, a qual deve envolver a desintegração de seu corpo e a dissolução dos elementos componentes, é incapaz de lhe destruir essa compreensão e extinguir essa consciência? Como pode alguém imaginar que a consciência, e a personalidade do homem possam ser mantidas, quando os próprios instrumentos necessários à sua existência e ao seu funcionamento já foram completamente decompostos?

Sabe tu que a alma do homem está elevada acima de todas as enfermidades do corpo ou da mente e independente delas. O fato de uma pessoa enferma mostrar sinais de fraqueza é devido aos empecilhos que se interpõem entre sua alma e seu corpo, pois a própria alma fica isenta de qualquer mal do corpo. Considera a luz da lâmpada. Embora um objeto externo possa interferir com sua irradiação, a própria luz continua a brilhar sem diminuição de intensidade. Semelhantemente, cada enfermidade que aflige o corpo do homem é um obstáculo que impede a alma de manifestar seu poder e força inerentes. Ao deixar o corpo, entretanto, ela mostrará tal ascendência e revelará tamanha influência, que força alguma na terra pode igualar. Cada alma pura, evoluída e santa será dotada de tremendo poder e com júbilo extremo se regozijará.

Consideremos a lâmpada que se oculta debaixo de um alqueire. Embora sua luz resplandeça, sua irradiação, no entanto, se esconde dos homens. Do mesmo modo, consideremos o sol que está obscurecido pelas nuvens. Observemos como seu esplendor parece haver diminuído, quando, na realidade, a fonte dessa luz permanece inalterada. A alma do homem deve ser comparada a esse sol, e todas as coisas na terra a seu corpo. Enquanto nenhum obstáculo exterior se interpõe entre eles, o corpo continuará a refletir a luz da alma em sua plenitude e a ser sustentado pelo seu poder. Logo que um véu se interpõe entre eles, porém, o brilho dessa luz parece diminuir.

Consideremos outra vez o sol quando está completamente escondido atrás das nuvens. Embora a terra esteja ainda iluminada com sua luz, a medida de luz que ela recebe é, não obstante, bem reduzida. Enquanto as nuvens não se tiverem dispersado, o sol não irradiara outra vez na plenitude de sua glória. Nem a presença da nuvem, nem a sua ausência, pode afetar de modo algum o inerente esplendor do sol. A alma do homem é o sol pelo qual seu corpo é iluminado e do qual deriva seu sustento. Assim deve ela ser considerada.

Vejamos, além disso, como o fruto, antes de se formar, jaz potencialmente dentro da árvore. Fosse a árvore despedaçada, nenhum sinal ou parte do fruto, por menor que fosse, poderia ser percebido. Ao aparecer, porém, como já observaste, manifesta-se em sua admirável beleza e gloriosa perfeição. Certas frutas, de fato, atingem seu mais pleno desenvolvimento só depois de serem tiradas da árvore.

33 - E agora a respeito de tua pergunta sobre a alma do homem e sua sobrevivência após a morte. Sabe tu que, em verdade, a alma após sua separação do corpo continuará a progredir até que atinja a Presença de Deus, em uma condição e um estado que nem a revolução dos séculos e eras, nem os acasos e as vicissitudes deste mundo, poderão alterar. Durará enquanto durar o Reino de Deus - Sua soberania, Seu domínio e Seu poder. Haverá de manifestar os sinais de Deus e Seus atributos e revelar Sua benevolência e generosidade. O movimento de Minha Pena aquieta-se quando tenta descrever, de um modo digno, a sublimidade e a glória de tão excelsa condição. Tamanha é a honra da qual a Mão da Misericórdia investirá a alma, que nenhuma língua pode revelá-la adequadamente, nem qualquer outro instrumento terreno descrevê-la. Bem-aventurada a alma que, na hora de sua separação do corpo, estiver santificada das vãs imaginações dos povos do mundo. Essa alma vive e atua segundo a Vontade de seu Criador e entra no Paraíso supremo. As Donzelas do Céu, habitantes das, mais elevadas mansões, circundá-la-ão e os Profetas de Deus e Seus eleitos procurarão sua companhia. Com eles essa alma conversará livremente, relatando-lhes o que teve de sofrer no caminho de Deus, o Senhor de todos os mundos. Se a alguém se disser o que e destinado a essa alma nos mundos de Deus, Senhor do trono nas alturas e do reino terrestre, todo o seu ser arderá instantaneamente em seu anseio por atingir essa condição excelsa, santificada e resplandecente... A natureza da alma após a morte não pode jamais ser descrita, nem é apropriado ou permissível revelar seu caráter plenamente aos olhos dos homens. Os Profetas e Mensageiros de Deus têm sido enviados com o fim único de guiar a humanidade ao Caminho Reto da Verdade. É o intuito fundamental de Sua Revelação educar todos os homens para que possam, na hora de sua morte, ascender ao trono do Altíssimo no grau máximo de pureza e santidade e com desprendimento absoluto. Da luz irradiada por essas almas, dependem o progresso do mundo e o adiantamento de seus povos. Elas são como fermento que leveda o mundo, existente; constituem a força animadora que faz manifestarem-se as artes e maravilhas do mundo. Por seu intermédio, as nuvens dispensam suas graças aos homens e a terra produz seus frutos. É mister que todas as coisas tenham uma causa, uma força motriz, um princípio animador. Essas almas, símbolos do desprendimento, têm provido e continuarão a prover o impulso supremo que move o mundo dos seres. O mundo do além é tão diferente deste mundo como este o é do mundo da criança ainda no ventre materno. Quando a alma atinge a Presença de Deus, assumirá a forma que melhor convier à sua imortalidade e for digna de sua morada celestial. Tal existência é uma existência contingente e não absoluta, desde que aquela é precedida por uma causa, enquanto esta última é independente disso. A existência absoluta confina-se estritamente a Deus, enaltecida seja Sua glória. Felizes aqueles que apreendem essa verdade. Fosses tu ponderar em teu coração a conduta dos Profetas de Deus, testificarias segura e prontamente que deve haver outros mundos, forçosamente, além deste mundo. A maioria dos verdadeiramente sábios e eruditos, através dos tempos, assim como foi anotado pela Pena da Glória na Epístola da Sabedoria, tem atestado a verdade daquilo que a sagrada Escritura de Deus revelou. Até os materialistas, em seus escritos, têm dado testemunho da sabedoria desses Mensageiros divinamente designados e tem considerado as referências que os Profetas fizeram ao Paraíso, ao fogo do inferno, às futuras recompensas e punição, como sendo motivadas por um desejo de educar e elevar as almas dos homens. Considera tu, pois, como a humanidade em geral, quaisquer que sejam suas crenças ou teorias, tem reconhecido a excelência desses Profetas de Deus e Lhes admitido a superioridade. Essas Jóias do Desprendimento são aclamadas por alguns como as personificações da sabedoria, enquanto outros crêem que sejam o Porta-Voz do próprio Deus. Como poderiam essas Almas ter consentido em se render aos inimigos, se acreditassem serem todos os mundos de Deus reduzidos a esta vida terrena? Teriam Eles sofrido voluntariamente tais aflições e tormentos como nenhum homem jamais experimentou ou testemunhou?

34 - E agora, no tocante à tua pergunta se as almas humanas continuarão a ser conscientes uma da outra, após sua separação do corpo. Sabe tu que as almas do povo de Bahá que tiverem entrado e se estabelecido dentro da Arca Carmesim, haverão de se unir e comungar intimamente umas com as outras, estando tão estreitamente associadas em suas vidas - em suas aspirações, seus objetivos e esforços, que serão como uma só alma. São, em verdade, os seres bem informados, que possuem uma visão aguçada e são dotados de compreensão. Assim foi decretado por Aquele que é o Onisciente, a Suma Sabedoria.

O povo de Bahá, os habitantes da Arca de Deus, são, todos eles, bem conscientes do estado e da condição, um do outro, e estão unidos por laços de íntima amizade. Tal estado, entretanto, deve depender de sua fé e sua conduta. Os que são do mesmo grau e condição estão plenamente conscientes da capacidade, do caráter, das realizações e dos méritos, uns dos outros. Os que são de um grau inferior, porém, são incapazes de compreender adequadamente o grau daqueles de uma categoria superior ou de lhes estimar os méritos. Cada um receberá de teu Senhor o seu quinhão. Bem-aventurado o homem que tiver volvido a face a Deus e seguido firmemente em Seu amor, até que sua alma tenha alçado vôo a Deus, o Senhor Soberano de todos, o Mais Poderoso, a Eterna Clemência, o Todo-Misericordioso.

As almas dos infiéis, entretanto, ao expirarem - e disso dou testemunho - tornar-se-ão conscientes das boas coisas que lhes escaparam e haverão de lastimar sua condição penosa e humilhar-se diante de Deus. Continuarão a fazer isso depois de se haverem separado dos corpos.

Está claro e evidente que todos os homens, após sua morte física, haverão de estimar o valor de seus atos e compreender tudo o que suas mãos fizeram. Atesto pelo Sol que brilha sobre o horizonte do Poder Divino! Os que são seguidores do Deus Uno e Verdadeiro, no momento em que partirem desta vida, haverão de sentir tão grande contentamento e alegria como seria impossível descrever, enquanto tamanho medo e tremor se apoderarão daqueles que vivem no erro, e tanta consternação os acabrunhará, como nada poderia exceder. Feliz quem tiver sorvido o vinho seleto e incorruptível da fé, através do benévolo favor e das múltiplas graças d'Aquele que é o Senhor de todas as Fés...

Este é o dia em que os bem-amados de Deus devem fixar, os olhos em Seu Manifestante e fitar qualquer coisa que esse Manifestante queira revelar. Certas tradições dos tempos idos são inteiramente infundadas, enquanto as noções que prevaleciam entre as gerações passadas e se encontram registradas em seus livros, foram, na maior parte, influenciadas pelos desejos de uma inclinação corrupta. Tu testemunhas como a maioria dos comentários e interpretações das palavras de Deus, agora correntes entre os homens, é destituída de verdade. Sua falsidade foi exposta em alguns casos, quando os véus que intervinham se romperam. Eles mesmos têm admitido seu insucesso em apreender o significado de quaisquer das palavras de Deus.

Nosso propósito é mostrar que, se os bem-amados de Deus santificassem seus corações e ouvidos dos vãos dizeres expressos anteriormente e, de toda a alma, se volvessem Àquele que é o Alvorecer de Sua Revelação e a quaisquer coisas que Ele tenha manifestado, tal procedimento seria considero altamente meritório aos olhos de Deus...

Glorifica tu Seu Nome e sê dos agradecidos. Transmite Minhas saudações aos Meus bem-amados, aqueles que Deus distinguiu com Seu amor e fez atingirem os objetivos. Toda glória seja a Deus, o Senhor de todos os mundos.

4. PARA A UNIDADE MUNDIAL
I - A Enfermidade do Mundo

35 - O mundo agoniza e sua agitação aumenta dia a dia, Sua face inclina-se para a desobediência e a descrença. Tal há de ser seu dilema que não seria apropriado ou conveniente revelá-lo agora. Sua perversidade continuará por muito tempo. E, quando chegar a hora marcada, aparecerá de súbito o que fará tremerem os membros do gênero humano. Então, somente então, será içado o Estandarte Divino e o Rouxinol do Paraíso cantará sua melodia.

36 - O MÉDICO ONISCIENTE tem Seu dedo no pulso da humanidade. Ele percebe a enfermidade e, com Sua infalível sabedoria, prescreve o remédio. Cada época tem seu próprio problema, e cada alma sua aspiração essencial. O remédio necessário para o mundo em suas aflições hodiernas não pode ser o mesmo que uma era subseqüente possa exigir. Ocupai-vos ansiosamente nos requisitos da era em que viveis, concentrando vossas deliberações em suas exigências e necessidades.

Bem podemos perceber como toda a espécie humana está rodeada de grandes aflições - aflições incalculáveis. Nós a vemos em seu leito, enferma, atormentada, desiludida. Aqueles intoxicados de presunção interpuseram-se entre ela e o infalível Médico Divino. Vede como tem enredado todos os homens, inclusive a si próprios, na malha de seus desígnios. Nem podem descobrir a causa da enfermidade, nem possuem conhecimento algum do remédio. Em sua concepção, o reto é torto, e imaginam que seu amigo seja um inimigo.

Inclinai vossos ouvidos à doce melodia deste Prisioneiro. Levantai-vos e erguei as vozes, para que talvez despertem aqueles profundamente adormecidos. Dizei: Ó vós que vos afigurais como mortos! A Mão da Bondade Divina oferece-vos a Água da Vida. Apressai-vos e sorvei até vos saciardes. Quem tiver renascido neste Dia, jamais morrerá; quem permanecer morto, não viverá jamais.

II - O Remédio do Médico Divino

37 - Ó POVOS E RAÇAS que viveis em contenda! Volvei-vos para a união e deixai brilhar sobre vós o esplendor de sua luz. Reuni-vos e, por amor a Deus, resolvi extirpar tudo o que motive entre vós a contenda. Assim o fulgor do grande Luminar do mundo envolverá toda a terra, e seu habitantes tornar-se-ão os cidadãos de uma só cidade, sentados no mesmo trono. Este Injuriado, desde os primeiros dias de Sua vida, jamais nutriu outro desejo senão este, nem terá outra vontade a não ser esta. Não pode haver dúvida alguma de que os povos do mundo, de qualquer raça ou religião que sejam, derivam sua inspiração de uma mesma Fonte Celestial e são os súditos de um só Deus. A diferença entre as ordenanças sob as quais vivem deve ser atribuída às várias necessidades e exigências da época em que foram reveladas. Com exceção de algumas que derivam da perversidade humana, todas foram ordenadas por Deus e refletem Sua Vontade e Seu Desígnio. Levantai-vos e, armados com o poder da fé, demoli os deuses das vossas vãs fantasias semeadores que são de dissensões entre vós. Aderi àquilo que vos possa aproximar e unir. É esta, em verdade, a Palavra mais excelsa que o Livro Mater fez descer e vos revelou. Disso dá testemunho a Língua da Grandeza, falando de Sua habitação de glória.

38 - Vê os distúrbios que, há muitos longos anos, afligem a terra, e a intranqüilidade que se apodera de seus povos. Tem sido assolada pela guerra, ou atormentada por calamidades repentinas e imprevistas. Embora o mundo seja envolvido de miséria e angústia, homem algum tem parado para refletir sobre a possível causa ou fonte disso. Sempre que o Verdadeiro Conselheiro pronunciava uma palavra de admoestação, eis, todos O denunciavam como instigador do mal e Lhe rejeitavam a pretensão. Como é espantoso, como é confuso, tal comportamento! Não podem ser encontrados dois homens que possa dizer estejam unidos, exterior e interiormente. Há em toda parte evidências de discórdia e malícia, se bem que todos fossem criados para harmonia e união. Diz o Grande Ser: "Ó bem-amados! Ergueu-se o tabernáculo da unidade; não considereis uns aos outros como estranhos. Sois os frutos de uma só árvore e as folhas de um mesmo ramo. Nutrimos a esperança de que a luz da justiça brilhe sobre o mundo e o santifique da tirania. Se os governantes e reis da terra, símbolos que são do poder de Deus - exaltada seja Sua glória - se levantarem e resolverem dedicar-se a tudo o que possa promover os mais altos interesses da humanidade inteira, haverá de se estabelecer entre os filhos dos homens seguramente, o domínio da justiça, e a fulgência de sua luz abrangerá toda a terra. Diz o Grande Ser: A estrutura da estabilidade e ordem do mundo foi levantada sobre os pilares gêmeos da recompensa e da punição, e por eles continuará a ser sustentada. E em outra instância, proferiu Ele, no idioma eloqüente,56 as seguintes palavras: A justiça tema seu dispor uma poderosa força, a qual outra não é, senão a recompensa e a punição pelos atos dos homens. Pelo poder dessa força se vê estabelecido em todo o mundo o tabernáculo da ordem e, por causa disso, os malévolos por medo de castigo refreiam sua natureza.

Em outra passagem escreveu Ele: Acautelai-vos, ó assembléia dos governantes do mundo! Nenhuma força há na terra que possa igualar em seu poder sobrepujante a força da justiça e da sabedoria. Afirmo que, em verdade, não há e nunca houve uma hoste mais potente do que a da justiça e da sabedoria. Bem-aventurado o rei que marcha com a insígnia da sabedoria desfraldada em sua frente e os batalhões da justiça aglomerados em sua retaguarda. É ele, em verdade, o adorno que embeleza a fronte da paz e o semblante da segurança. Não há a menor dúvida de que, se o sol da justiça, o qual as nuvens da tirania obscurecem, derramasse sobre os homens sua luz, a face da terra seria completamente transformada.

39 - O GRANDE SER, desejando revelar os requisitos da paz e tranqüilidade do mundo e do adiantamento de seus povos, escreveu: Há de vir o tempo em que se compreenderá universalmente a imperiosa necessidade de convocar uma vasta assembléia que abranja todos os homens. Os reis e governantes da terra deverão assisti-la e, participando de suas deliberações, considerar os meios de lançar entre os homens os alicerces da Grande Paz Mundial. Esta Paz exige que as Grandes Potências resolvam reconciliar-se plenamente, a fim de assegurar a tranqüilidade dos povos da terra. Se qualquer rei empregasse armas contra outro, todos unidos se levantariam e o impediriam. Se assim se fizer, as nações do mundo não mais necessitarão de armamentos além do suficiente para garantir a segurança de seus domínios e manter a ordem interna em seus territórios. Isso assegurará a paz e a tranqüilidade de todas as nações - povos e governos. Quiséramos esperar que os reis os governantes da terra - espelhos que são do benévolo e onipotente Nome de Deus - atinjam essa condição e protejam a humanidade contra a investida da tirania... Aproxima-se o dia em que uma língua universal e escrita comum terão sido adotadas por todos os povos do mundo. Quando se houver realizado isso, para qualquer cidade que alguém viajar, será como se estivesse entrando em sua própria casa. Essas são coisas obrigatórias e absolutamente essenciais. Incumbe a todo homem de percepção e compreensão empenhar-se em traduzir para a realidade e ação o que se tem escrito... É, em verdade, um homem aquele que hoje se dedica ao serviço da humanidade inteira. Diz o Grande Ser: Bem-aventurado e feliz é aquele que se levanta para promover os melhores interesses dos povos e raças da terra. Em outra passagem, Ele proclamou: Não se orgulhe quem ama sua própria pátria, mas sim, quem ama o mundo inteiro. A terra é apenas um país, e a humanidade seus cidadãos.

40 - Ó VÓS, FILHOS DOS HOMENS! O propósito fundamental que anima a Fé e a Religião de Deus é o de salvaguardar os interesses do gênero humano, promover sua união, e nutrir o espírito de amor e solidariedade entre os homens. Não a deixeis tornar-se fonte de dissensão e discórdia, ódio e inimizade. Este é o caminho reto, o fundamento fixo e imóvel. Qualquer coisa que se erga sobre este fundamento, jamais terá as forças diminuídas pelos acidentes e vicissitudes do mundo, nem tampouco será minada sua estrutura no decorrer de incontáveis séculos. É nossa esperança que os dirigentes religiosos e os governantes do mundo se levantem, unidos, para a reforma desta era e a reabilitação de suas fortunas. Depois de meditarem sobre suas necessidades, devem eles consultar mutuamente e, mediante deliberação solícita e completa, administrar a um mundo enfermo e penosamente aflito o remédio que lhe é necessário... É dever daqueles investidos de autoridade exercer moderação em todas as coisas. Qualquer coisa que passe além dos limites da moderação deixará de exercer uma influência benéfica. Considerai, por exemplo, a liberdade, a civilização, e coisas semelhantes. Não importa com quanto favor sejam vistas por homens entendidos, se forem levadas a um extremo, sua influência sobre os homens será perniciosa... Queira Deus que os povos do mundo, em conseqüência dos altos esforços de seus governantes e dos sábios e doutos entre os homens, sejam induzidos a reconhecer seus melhores interesses. Por quanto tempo persistirá a humanidade em sua desobediência? Por quanto tempo continuará a injustiça? Por quanto tempo ainda haverão de reinar entre os homens o caos e a confusão? Por quanto tempo a discórdia agitará a face da sociedade? Ai! Os ventos do desespero sopram de toda parte e a luta que divide e aflige o gênero humano aumenta dia a dia. Os sinais de caos e convulsões iminentes podem agora ser discernidos, desde que a ordem vigente se mostra lamentavelmente defeituosa. Suplico a Deus - exaltada seja Sua glória - que desperte, pela Sua graça, os povos da terra, permita que o fim de sua conduta lhes seja proveitoso, e os ajude a atingirem o que seja digno de sua posição.

41 - Ó Kamal! As alturas que o homem mortal pode atingir, neste Dia, através do mais benévolo favor de Deus, ainda não foram reveladas à sua vista. O mundo da existência jamais teve revelação igual, nem para isso possui ainda capacidade. Aproxima-se o dia, entretanto, em que as potencialidades de tão grande favor, em virtude de Seu mando, se manifestarão aos homens. Embora as forças das nações se disponham contra Ele, ainda que os reis da terra se coliguem para solapar Sua Causa, o poder de Sua grandeza permanecerá inabalado. Ele, verdadeiramente, diz a verdade e convoca todo o gênero humano no caminho d'Aquele que é o Incomparável, o Onisciente.

Todos os homens foram criados a fim de levarem avante uma civilização destinada a evoluir para sempre. O Todo-Poderoso dá-Me testemunho: Agir como os animais do campo é indigno do homem. Aquelas virtudes que convém à sua dignidade são a tolerância, a misericórdia, a compaixão e a benevolência para com todos os povos e raças da terra. Dize: Ó amigos! Bebei até vos saciardes desta corrente cristalina que flui através da graça celestial d'Aquele que é o Senhor dos Nomes. Que os outros participem de suas águas em Meu Nome, a fim de que os líderes dos homens em todas as terras possam reconhecer plenamente o objetivo para o qual foi revelado a Verdade Eterna e a razão pela qual eles próprios foram criados.

III - A Contribuição do Indivíduo

42 - A Pena do Rei Antigo jamais cessou de se lembrar dos bem-amados de Deus. Em um tempo, rios de misericórdia manaram de Sua Pena; em outro, com seu movimento foi revelado o Livro perspícuo de Deus. É Aquele com Quem pessoa alguma se pode comparar, com Cujas Palavras homem mortal jamais haverá de competir. É Aquele que, desde toda a eternidade, se acha estabelecido no assento da ascendência e da grandeza, de Cujos lábios têm procedido conselhos que satisfazem as necessidades de todo o gênero humano, e advertências que lhes podem trazer benefício.

O Deus Uno e Verdadeiro dá-Me testemunho e Suas criaturas hão de atestar que nem por um momento sequer Me deixei permanecer oculto dos olhos dos homens, nem consenti em proteger Minha Pessoa de sua injúria. Ante a face de todos os homens, me levantei e os exortei a cumprir o que Me aprouvesse. Meu objetivo não é outro senão a melhoria do mundo e a tranqüilidade de seus povos. O bem-estar da humanidade, sua paz e segurança, são irrealizáveis, a não ser que, primeiro, se estabeleça firmemente sua unidade. E essa unidade jamais será atingida enquanto se deixar de atender aos conselhos que a Pena do Altíssimo revelou.

Através do poder das palavras por Ele proferidas, torna-se possível à humanidade inteira iluminar-se com a luz da unidade, e a lembrança de Seu Nome pode inflamar os corações de todos os homens e consumir os véus que intervém entre eles e Sua glória. Um só ato reto é dotado de uma potência suficiente para elevar o pó e fazê-lo passar além do céu dos céus, para romper todo vínculo e restaurar a força que se gastou e que desvaneceu...

Sê puro, ó povo de Deus, sê puro; sê reto, sê reto... Dize: Ó povo de Deus! O que pode assegurar a vitória d'Aquele que é a Verdade Eterna - Suas hostes, Seus auxiliadores na terra, foi assentado nas Escrituras e nos Livros Sagrados e está tão claro e manifesto como o sol. Essas hostes são as ações retas, a conduta e o caráter que são, a Seu ver, aceitáveis. Se alguém, neste Dia, se levantar para promover Nossa Causa, convocando em seu auxílio as hostes de um caráter louvável e conduta íntegra, a influência que emana de tal ação será difundida, com absoluta certeza, pelo mundo inteiro.

43 - Do Alvorecer da Glória, Aquele que é a Verdade Eterna volveu Seus olhos para o povo de Bahá e lhes está dirigindo estas palavras: "Devotai-vos à promoção do bem-estar e da tranqüilidade dos filhos dos homens. Volvei vossas mentes e vontades à educação dos povos e raças da terra, para que talvez as dissensões que a dividem possam, através do poder do Maior Nome, ser apagadas de sua face, e todos os seres humanos se tornem os sustentáculos de uma só ordem e os habitantes de uma mesma Cidade. Iluminai e consagrai vossos corações; não os deixeis profanarem-se com os espinhos do ódio ou as sarças da malícia. Vós habitais em um só mundo e fostes criados mediante a operação de uma só Vontade. Bem-aventurado quem se associa a todos os homens em espírito de perfeita bondade e amor."

44 - Ó Afnán, Ó tu que descendeste de Minha Linhagem antiga! Que estejam sobre ti Minha glória e Minha benevolência. Como é vasto o tabernáculo da Causa de Deus. Tem abrigado todos os povos e raças da terra e, dentro em breve, reunirá à sua sombra a humanidade inteira. Teu dia de serviço é agora chegado. Epístolas sem conta dão testemunho das graças que te foram concedidas. Levanta-te para o triunfo de Minha Causa e, através do poder de tuas palavras, subjuga os corações dos homens. Deves demonstrar aquilo que assegure a paz e o bem-estar dos aflitos e espezinhados. Cinge-te de grandes esforços para que, porventura, possas libertar o cativo de suas correntes e capacitá-lo a atingir a liberdade verdadeira.

A Justiça, neste dia, deplora seu penoso estado e a Eqüidade geme sob o jugo da opressão. As espessas nuvens da tirania obscureceram a face da terra, envolvendo seus povos. Pelo movimento de Nossa Pena de glória, a mando do Onipotente que a tudo ordena, temos insuflado uma nova vida em cada corpo humano e imbuído cada palavra de uma potência nova. Todas as coisas criadas proclamam as evidências desta regeneração mundial. É esta a maior, a mais jubilosa nova que a pena deste Injuriado transmite à humanidade. Por que tendes receio, ó Meus bem-amados? Quem é que vos possa desalentar? Basta um toque de umidade para dissolver o barro endurecido de que é moldada essa geração perversa. O simples ato de vos reunirdes é suficiente para dissipar as forças desses seres vãos e indignos...

Todo homem de percepção deve prontamente admitir, neste dia, que os conselhos revelados pela Pena deste Injuriado constituem o supremo poder animador para o progresso do mundo e o enaltecimento de seus povos. Levantai-vos, ó povo, e, mediante a grandeza do poder de Deus, resolvei ganhar a vitória sobre vós mesmos, para que toda a terra talvez se possa livrar e santificar de sua sujeição aos deuses de suas fantasias - deuses que já infligiram tão grande prejuízo a seus infelizes devotos e que são responsáveis pela sua miséria. Esses ídolos formam o obstáculo que impediu o homem em seus esforços para progredir no caminho da perfeição. Nutrimos a esperança de que a Mão do poder Divino preste sua assistência à humanidade e a livre de seu estado de lastimável abjeção.

Em uma das Epístolas, foram reveladas estas palavras: Ó povo de Deus! Não vos ocupeis com vossos próprios interesses; concentrai os pensamentos naquilo que possa reabilitar as fortunas da humanidade e santificar os corações e almas dos homens. O melhor meio de se realizar isso é por ações puras e santas, por uma vida virtuosa e uma conduta digna. Atos valiosos assegurarão o triunfo desta Causa e um caráter santo lhe reforçará o poder. Aderi à retidão, ó povo de Bahá! É isto, em verdade, o que este Injuriado vos ordena; é a primeira escolha de Sua irrestrita Vontade para cada um de vós.

Ó amigos! Cumpre-vos refrescar e restabelecer vossas almas com os generosos favores que chovem sobre vós nesta extasiante Primavera Divina. O Sol de Sua grande glória irradiou sobre vós seu esplendor; as nuvens de Sua infinita graça, à sua sombra vos ampararam. Que alta recompensa se destina a quem se não privou de dádivas tão grandes, nem deixou de reconhecer a beleza do Mais-Amado, nestas, Suas novas vestes. Vigiai-vos a vós mesmos, pois o Ente Mau está em emboscada, pronto para vos enredar. Preparai-vos contra seus malévolos ardis e, guiados pela luz do nome de Deus, d'Aquele que tudo vê, livrai-vos das trevas que vos cercam. Seja de âmbito mundial a vossa visão e não limitada a vós mesmos. O Ente Mau é aquele que impede a elevação dos filhos dos homens e lhes obstrui o progresso espiritual.

Incumbe a todo homem, neste Dia, firmar-se naquilo que promova os interesses de todas as nações e todos os governos justos e lhes eleve a condição. Através dos versículos revelados pela Pena do Altíssimo - de cada um deles sem exceção - descerraram-se os portais do amor e da união, abrindo-se de par em par ante a face dos homens. Declaramos outrora - e Nossa Palavra é a verdade - "Associai-vos aos seguidores de todas as religiões em espírito amigável e fraterna." Qualquer coisa que tenha levado os filhos dos homens a afastarem-se uns dos outros e causado entre eles dissensões e divisões, foi, com a revelação destas palavras, anulada e abolida. A fim de enobrecer o mundo existente e elevar as mentes e almas dos homens, se fez descer do céu da Vontade de Deus aquilo que é o instrumento mais eficaz para a educação da humanidade inteira. A quinta-essência é a mais perfeita expressão de qualquer coisa que os povos da antigüidade tenham dito ou escrito, foram enviadas do céu da Vontade de Deus, o Possuidor de tudo, o Sempiterno, através desta potentíssima Revelação. Em tempos remotos se revelou: "O amor à pátria é elemento da Fé Divina". No dia de Sua manifestação, porém, a Língua da Grandeza proclamou: "Não se vanglorie quem ama sua pátria, mas sim, quem ama o mundo." Através do poder que emana destas palavras excelsas, Ele concedeu um novo impulso e determinou uma nova direção para as aves dos corações humanos, e do Sagrado Livro de Deus obliterou Ele todo vestígio de restrição e limitação.

Ó povo de Justiça! Sêde brilhantes como a luz e tão esplendorosos como o fogo que flamejou na Sarça Ardente. A intensidade do fogo de vosso amor haverá, indubitavelmente, de fundir e unificar as nações e raças da terra em conflito, ao passo que a chama feroz da inimizade e do ódio não pode resultar senão em luta e ruína. Suplicamos a Deus que proteja Suas criaturas dos maus desígnios de Seus inimigos. Ele, em verdade, tem poder sobre todas as coisas.

Todo louvor ao Deus Uno e Verdadeiro - exaltada seja Sua glória - desde que Ele, através da Pena do Altíssimo, destrancou as portas dos corações dos homens. Cada versículo revelado por esta Pena é um portal brilhante e esplendoroso que se abre para as glórias de uma vida santa, piedosa, de puras e imaculadas ações. O chamado e a mensagem que transmitimos nunca foram destinados a alcançar ou beneficiar apenas uma terra ou um só povo. A humanidade inteira deve aderir firmemente a tudo o que lhe foi revelado e concedido. Então, e só então, haverá de atingir a verdadeira liberdade. Toda a terra está iluminada com a resplendente glória da Revelação de Deus. No ano de sessenta, Ele, o Arauto da luz da Guia Divina - que a criação Lhe seja um sacrifício - levantou-se para anunciar uma nova revelação do Espírito Divino, e foi seguido, vinte anos mais tarde, por Aquele através de Cujo advento o mundo se tornou o recipiente dessa glória prometida, desse admirável favor. Vêde como a generalidade dos homens foi imbuída da capacidade de escutar a mais excelsa Palavra de Deus - a Palavra da qual devem depender a unificação e a ressurreição espiritual de todos os homens.

Inclinai vossos corações, ó povo de Deus, aos conselhos de vosso verdadeiro Amigo, vosso Amigo incomparável. Pode-se assemelhar a Palavra de Deus a uma nova árvore cujas raízes foram implantadas nos corações dos homens. Incumbe-vos estimular seu crescimento com as águas vivificadoras da sabedoria, das palavras sagradas e santas, de modo que sua raiz se fixe firmemente e seus ramos se estendam à altura dos céus e além.

Ó vós que habitais na terra! O distintivo que assinala o caráter proeminente desta Revelação Suprema consiste, por um lado, nisto, que temos apagado das páginas do santo Livro de Deus qualquer coisa que tenha sido causa de contenda, malícia e perversidade entre os filhos dos homens e, por outro lado, temos estabelecido os requisitos essenciais da concórdia, da compreensão, da unidade completa e durável. Bem-aventurados aqueles que observam Meus estatutos.

Repetidas vezes temos admoestado Nossos bem-amados para que evitassem e, ainda mais, fugissem de toda e qualquer coisa da qual pudessem perceber o odor da maldade. O mundo está em grande tumulto e as mentes de seu povo se encontram em estado de confusão completa. Suplicamos ao Todo-Poderoso que, benevolamente, os ilumine com a glória de Sua Justiça e os capacite a descobrir aquilo que lhes seja proveitoso em todos os tempos e sob todas as condições. Ele, em verdade, é Quem a tudo possui, o Altíssimo

IV As Leis de Bahá'u'lláh

45 - O primeiro dever prescrito por Deus a Seus servos é o reconhecimento dAquele que é o Alvorecer de Sua Revelação e a Fonte de Suas leis, Aquele que representa a Deidade tanto no Reino de Sua Causa como no mundo da criação. Quem cumpre esse dever atinge todo o bem, e quem dele se priva conta-se entre os extraviados, mesmo que seja o autor de todos os atos retos. Cumpre a cada um que alcança esse mais sublime grau, esse ápice de transcendente glória, observar todos os mandamentos dAquele que é o Desejo do mundo. Esses deveres gêmeos são inseparáveis. Um não é aceitável sem o outro. Assim decretou Aquele que é o Manancial da inspiração divina.

Aqueles que Deus dotou de discernimento prontamente reconhecerão que os preceitos por Ele estabelecidos constituem os instrumentos supremos para a manutenção da ordem no mundo e a segurança de seus povos. Quem deles se desvia conta-se entre os abjetos e insensatos. Verdadeiramente, Nós vos ordenamos resistir aos ditames das vossas más paixões e desejos corruptos e não transpor os limites que a Pena do Altíssimo fixou, pois são o alento de vida para todas as coisas criadas. Os mares da sabedoria divina e das palavras de Deus encapelaram-se ao sopro da brisa do Todo-Misericordioso. Apressai-vos por saciar vossa sede, ó homens de compreensão! Os que violaram o Convênio de Deus desobedecendo-Lhe os mandamentos, e voltaram-Lhe as costas, esses cometeram erro deplorável aos olhos de Deus, o Possuidor de tudo, o Altíssimo.

Ó vós, povos do mundo! Sabei com certeza que Meus mandamentos são as lâmpadas de Minha amorosa providência entre os Meus servos e as chaves de Minha clemência para as Minhas criaturas. Eis o que se fez descer do céu da Vontade de vosso Senhor, o Senhor da Revelação. Se algum homem saboreasse a doçura das palavras que os lábios do Todo-Misericordioso decidiram pronunciar, ele renunciaria aos tesouros da terra, mesmo que os possuísse todos, a fim de vindicar a verdade de ao menos um dos Seus mandamentos, os quais se irradiam da Aurora de Sua benevolência e de Seu generoso cuidado.

Dize: De Minhas leis pode-se inalar a doce fragrância de Meu manto e com sua ajuda os pendões da Vitória cravar-se-ão sobre os mais altos picos. A Língua de Meu poder, do céu de Minha glória onipotente, dirigiu à Minha criação estas palavras: "Observai os Meus Mandamentos por amor à Minha beleza." Feliz o apaixonado que dessas palavras inalou a fragrância divina de seu Mais-Amado, plenas que são do perfume de uma graça indizível. Por Minha vida! Quem sorver o vinho seleto da eqüidade, oferecido pelas mãos de Meu generoso favor, mover-se-á em torno de Meus mandamentos, que brilham sobre o Horizonte de Minha criação.

Não penseis que Nós vos revelamos um mero código de leis. Não! mais do que isso: deslacramos o Vinho seleto com os dedos da grandeza e do poder. Disso dá testemunho o que a Pena da Revelação manifestou. Meditai sobre isso, ó homens de discernimento!

Sempre que Minhas leis apareçam, semelhantes ao sol, no céu da Minha Proclamação, devem ser obedecidas fielmente por todos, ainda que Meu decreto seja de tal natureza que faça romper-se o céu de toda religião. Ele faz qualquer coisa que queira. Ele escolhe; e a ninguém compete questionar Sua escolha. O que Ele, o Bem-amado, ordenou, isso, em verdade, será amado. Aquele que é o Senhor de toda a criação dá-me testemunho disso. Quem tiver inalado a doce fragrância do Todo-Misericordioso, e reconhecido a Fonte destas palavras, acolherá alegremente, com os próprios olhos, os dardos do inimigo a fim de que ele possa estabelecer entre os homens a verdade das leis de Deus. Bem-aventurado quem se tiver volvido a isso e apreendido o que significa Seu decreto decisivo.

46 - Considerai a mesquinhez da mente dos homens. Pedem o que lhes danifica e rejeitam a coisa que lhes é proveitosa. São, em verdade, dos que se desviam. Encontramos alguns homens que aspiram à liberdade e disso se orgulham. Tais homens estão nas profundidades da ignorância.

A liberdade nos deve conduzir, finalmente, à sedição, cujas chamas ninguém pode extinguir. Assim vos adverte Aquele que é o Juiz, o Onisciente. Sabe que é no animal que se acha a personificação e símbolo da liberdade. O que convém ao homem é submeter-se a tais restrições que o possam proteger de sua própria ignorância e guardar do dano que o maléfico lhe possa causar. A liberdade faz o homem transpor os limites do direito e infringir a dignidade de sua posição. Rebaixa-o ao nível da depravação e malícia extremas.

Considerai os homens como um rebanho de ovelhas que necessitam de um pastor para sua proteção. Isso, realmente, é a verdade, a verdade certa. Aprovamos a liberdade em certas circunstâncias e nos recusamos a sancioná-la em outras. Nós, em verdade, somos o Onisciente.

Dizei: A verdadeira liberdade consiste na submissão do homem a Meus Mandamentos, embora isto pouco vos seja sabido. Fossem os homens observar o que Nós lhes mandamos do Céu da Revelação, eles atingiriam, com toda a certeza, a liberdade perfeita. Feliz o homem que tiver apreendido o Desígnio de Deus em tudo o que Ele tenha revelado do Céu de Sua Vontade, a qual abrange todas as coisas criadas. Dizei: A liberdade que vos é proveitosa só se encontra em completa servitude a Deus, a Verdade Eterna. Quem tiver experimentado sua doçura, recusará trocá-la por todo o domínio da terra e do céu.

47 - Deveis saber, verdadeiramente, que a essência da justiça e sua origem, se incorporam ambas nas leis prescritas por Aquele que é a Manifestação do próprio Deus entre os homens - se sois dos que reconhecem esta verdade. Ele, verdadeiramente, encarna o mais elevado e o infalível padrão da justiça para toda a criação. Se Sua lei fosse tal, que incutisse terror nos corações de todos os que estão no céu e na terra, essa lei seria apenas justiça manifesta. Os receios e o tumulto que a revelação dessa lei provoca nos corações dos homens devem ser comparados, realmente, ao choro da criancinha ao lhe ser tirado o leite materno - se sois dos que percebem. Fossem os homens descobrir o desígnio motivador da Revelação de Deus, e se livrariam, seguramente, de seus receios, e com seus corações cheios de gratidão, se regozijariam com alegria extrema.

48 - DEUS UNO E VERDADEIRO - exaltada seja Sua glória - sempre considerou e há de considerar os corações dos homens como Sua própria e exclusiva possessão. Tudo mais - quer seja pertinente à terra ou ao mar, seja riqueza ou glória, - Ele o legou aos reis e governantes da terra. Desde o princípio que não teve princípio, desdobrou-se em pleno esplendor em face de Seu Manifestante, a bandeira que proclama as palavras: "Ele faz qualquer coisa que queira". O que a humanidade necessita, neste Dia, é obediência àqueles que possuem a autoridade, e adesão fiel à corda da sabedoria. Os instrumentos essenciais à proteção imediata, à segurança e tranqüilidade do gênero humano foram confiadas às mãos dos governantes da sociedade humana e se acham em seu poder. É este o desejo de Deus e Seu decreto... Alimentamos a esperança de que um dos reis da terra, por amor a Deus, se levantará para o triunfo deste povo ultrajado e opresso. A tal rei caberão glória e elogios eternos... A este povo Deus prescreveu o dever de apoiar a quem lhe desse apoio, de servir seus interesses e demonstrar lealdade inabalável. Quem me segue deve, sob todas as circunstâncias, se empenhar em promover o bem-estar de quem quer que se levante para o triunfo de Minha Causa, dando-lhe em todos os tempos, provas de sua devoção e fidelidade. Feliz o homem que ouça e observe Meu conselho e ai de quem deixe de cumprir Meu desejo.

V - Ao Chegar a Vitória

49 - Quando vier a vitória, todo homem se professará crente e se apressará ao amparo da Fé de Deus. Felizes aqueles que, nos dias das provações que envolveram o mundo, se mantiveram firmes na Causa e recusaram desviar-se de sua verdade.

5. CONDUTA INDIVIDUAL E O CAMINHO DE DEUS
I - Ensinamentos Ético Gerais

50 - O princípio de todas as coisas é o conhecimento de Deus, e o fim de todas as coisas é a estrita conformidade com tudo o que tiver sido mandado do empíreo da Vontade Divina, a qual abrange tudo o que está nos céus e tudo o que está na terra.

51 - Sê generoso na prosperidade e grato no infortúnio. Sê digno da confiança de teu próximo e dirige-lhe um olhar alegre e amável. Sê um tesouro para o pobre, um conselheiro para o rico; responde ao apelo do necessitado e preserva sagrada a tua promessa. Sê imparcial em teu juízo e cauteloso no que dizes. A ninguém trates com injustiça e mostra toda humildade a todos os homens. Sê como uma lâmpada para aqueles que andam nas trevas, sê causa de júbilo para o entristecido, um mar para o sequioso, um refúgio para o aflito, um apoio e defensor da vítima da opressão. Que a integridade e retidão distingam todos os teus atos. Sê um lar para o estranho, um bálsamo para quem sofre, uma torre de força para o fugitivo. Para o cego, deves tu ser olhos, e para os pés dos errantes, uma luz que guie. Sê um adorno para o semblante da verdade, uma coroa para a fronte da fidelidade, um pilar do templo da retidão, um alento de vida para o corpo da humanidade, uma insígnia das hostes da justiça, um luminar sobre o horizonte da virtude, um orvalho para o solo do coração humano, uma arca no oceano do conhecimento, um sol no céu da bondade, uma jóia no diadema da sabedoria, uma luz radiante no firmamento de tua geração, um fruto na árvore da humildade.

52 - Dize: Livrai vossas almas, ó povo, da escravidão do eu, e purificai-as de todo apego a qualquer coisa além de Mim. A lembrança de Mim limpa de contaminação todas as coisas - pudésseis vós apenas o perceber. Dize: Fossem todas as coisas criadas despir-se inteiramente do véu da vaidade e dos desejos mundanos, a Mão de Deus, neste Dia, as vestiria, a todas elas, sem exceção, com o manto de "Ele faz qualquer coisa que Ele queira no reino da criação", para que assim o sinal de Sua Soberania se manifestasse em todas as coisas. Exaltado, então, seja Ele, o Senhor Soberano de todos, o Onipotente, o Supremo Protetor, o Todo-Glorioso, o Mais Poderoso.

Entoa, ó Meu servo, os versículos de Deus por ti recebidos, assim como os entoam os que d'Ele se aproximaram, a fim de que a doçura de tua melodia possa acender tua própria alma e atrair os corações de todos os homens. Se alguém, recluso em seu aposento, recitar os versículos revelados por Deus, os anjos do Todo-Poderoso, dispersando-se, difundirão por toda parte a fragrância das palavras emanadas de seus lábios, o que fará vibrar o coração de todo homem justo. Embora esse efeito lhe permaneça, a princípio, despercebido, cedo ou tarde, no entanto, a virtude da graça a ele concedida, deverá exercer influência sobre sua alma. Assim os mistérios da Revelação de Deus foram decretados segundo a Vontade d'Aquele que é a Fonte de poder e sabedoria.

Ó Khalíl! Deus dá-Me testemunho. Se bem que Minha Pena ainda se mova sobre Minha Epístola, ela, no entanto, no íntimo de seu coração, chora e lastimavelmente se aflige. A lâmpada acesa diante do Trono, outrossim, chora e geme por causa das coisas que a Beleza Antiga sofreu nas mãos daqueles que são apenas uma criação de Sua Vontade. Deus Mesmo sabe e atesta a verdade de Minhas palavras. Jamais um homem que tenha purificado o ouvido do alto clamor dos infiéis e o inclinado a todas as coisas criadas, poderá deixar de ouvir a voz de seu lamento e seu choro por causa da tribulação que Nos sobreveio nas mãos daqueles de Nossos servos que desacreditaram em Nós e contra Nós se rebelaram. Assim temos revelado a ti um vislumbre das aflições que Nos sobrevieram, a fim de que te tornes consciente de Nossos sofrimentos e toleres com paciência tuas tristezas.

Levanta-te em serviço a teu Senhor em todos os tempos e sob todas as circunstancias e sê um de Seus auxiliadores. Adverte ao povo, então, que preste ouvidos às palavras pronunciadas pelo Espírito de Deus, nesta Epístola radiante e resplandecente. Dize: Não lanceis, ó povo, as sementes da dissensão entre os homens e não contendais com vosso próximo. Sede pacientes sob todas as condições e ponde vossa inteira confiança em Deus. Auxiliai vosso Senhor com a espada da sabedoria e das palavras. Isto, em verdade, condiz com o grau do homem. Afastar-se disto seria indigno de Deus, o Senhor Soberano de todos, o Glorificado. O povo, entretanto, foi desviado e é, verdadeiramente, dos desatentos.

Descerrai, ó povo, os portais dos corações dos homens com as chaves da lembrança d'Aquele que é a Lembrança de Deus e a Fonte de sabedoria entre vós. Do mundo inteiro escolheu Ele os corações de Seus servos e os fez, cada um, um assento para a revelação de Sua glória. Santificai-os, pois, de toda contaminação, para que neles sejam gravadas as coisas para as quais foram criados. Isto, em verdade, é sinal do abundante favor de Deus.

Embelezai vossas línguas com veracidade, ó povo, e adornai vossas almas com o ornamento da honestidade. Guardai-vos, ó povo, de tratar qualquer um de modo traiçoeiro. Sede vós os portadores da incumbência de Deus entre Suas criaturas e os emblemas de Sua generosidade entre Seu povo. Os que seguem seus desejos lascivos e inclinações corruptas têm errado e dissipado seus esforços. São, de fato, dos perdidos. Esforçai-vos, ó povo, para que vossos olhos se dirijam à misericórdia de Deus, vossos corações se sintonizem com Sua maravilhosa lembrança, vossas almas, com toda confiança, se apóiem em Sua graça e generosidade e vossos pés trilhem a senda de Seu beneplácito. Tais são os conselhos que vos lego. Oxalá pudésseis seguir Meus conselhos!

53 - Qualquer que seja o lugar para onde formos banidos, por grande que seja a tribulação que sofrermos, aqueles que são o povo de Deus deverão, com resolução firme e confiança perfeita, manter os olhos dirigidos ao Alvorecer da Glória e se ocupar em qualquer coisa que conduza à melhora do mundo e à educação de seus povos. Tudo o que Nos tem sucedido no passado promoveu os interesses de Nossa Revelação e lhe alardeou a fama; e tudo o que Nos possa suceder no futuro, terá um resultado semelhante. Apegai-vos, do íntimo de vossos corações, à Causa de Deus - uma Causa que Aquele que a tudo ordena, o Onisciente, fez descer. Nós, com a maior benevolência e misericórdia, temos convocado todos os povos e nações e os dirigido àquilo que verdadeiramente lhes possa ser proveitoso.

O Sol da Verdade que brilha em seu esplendor meridiano Nos dá testemunho! Os que são o povo de Deus nenhuma ambição alimentam senão a de revivificar o mundo, lhe enobrecer a vida e regenerar os povos. Veracidade e boa vontade têm, em todos os tempos, lhes distinguido as relações com todos os homens. Sua conduta exterior é apenas um reflexo de sua vida interior, e esta um espelho de sua conduta exterior. Véu algum esconde ou obscurece as verdades em que sua Fé se acha estabelecida. Diante dos olhos de todos os homens estas verdades foram expostas e podem ser reconhecidas inequivocamente. Seus próprios atos demonstram a verdade destas palavras.

Todos os olhos discernentes podem, neste Dia, perceber a luz matinal da Revelação de Deus; cada ouvido atento pode reconhecer a Voz que se fez ouvir da Sarça Ardente. Tal é o ímpeto das águas da Misericórdia Divina, que Aquele que é o Alvorecer dos sinais de Deus e o Revelador das evidências de Sua glória está se associando, sem véu ou ocultação, com os povos e raças da terra e com eles conversando. Como eram numerosos aqueles que, com seus corações cheios de malícia, procuravam Nossa Presença e dela partiam, Nossos amigos amorosos e leais! Os portais da graça estão abertos de par em par diante da face de todos os homens. Em Nossas relações exteriores com eles, temos tratado de um modo igual o homem reto e o pecador, para que o malfeitor possa, porventura, atingir o oceano ilimitado do perdão Divino. Nosso nome "O Ocultador" derramou tal luz sobre os homens, que o refratário tem imaginado que ele estivesse incluído no número dos piedosos. A ninguém que Nos procura, jamais desapontaremos; tampouco o acesso à Nossa corte será negado àquele que a Nós tiver dirigido a face...

Ó amigos! Auxiliai ao Deus Uno e Verdadeiro - exaltada seja Sua glória - com vossas boas ações, com tal conduta e caráter que a Seu ver sejam aceitáveis. Quem aspira a ser um auxiliador de Deus, neste Dia, deve fechar os olhos para qualquer coisa que ele possua e abri-los para as coisas que a Deus pertencem. Que deixe de se ocupar com aquilo que seja em seu próprio benefício e se interesse naquilo que há de exaltar o nome predominante do Todo-Poderoso. Ele deve purificar seu coração de todas as paixões más e desejos corruptos, pois o temor a Deus é a arma que o pode tornar vitorioso, o instrumento primário com o qual lhe será possível atingir seu propósito. O temor a Deus é o escudo que defende Sua Causa, o broquel que capacita o Seu povo a alcançar a vitória. É um estandarte que homem algum pode rebaixar, uma força que por nenhum poder será rivalizado. Com seu auxílio, e com a permissão d'Aquele que é o Senhor dos Exércitos, os que se aproximarem de Deus puderam subjugar e conquistar as cidadelas dos corações dos homens.

54 - O primeiro e proeminente dever prescrito aos homens, depois do reconhecimento d'Aquele que é a Verdade Eterna, é o dever da constância em Sua Causa. Adere tu a esta e sê um daqueles cujas mentes estejam fixadas e alicerçadas firmemente em Deus. Nenhum ato, por meritório que seja, tem sido nem pode ser jamais, comparado a este. É o rei de todos os atos, e disto, teu Senhor, o Altíssimo, o Mais Poderoso, dará testemunho...

As virtudes e qualidades pertencentes a Deus estão todas evidentes e manifestas e têm sido mencionadas e descritas em todos os Livros celestiais. Entre elas se encontram a fidedignidade, a veracidade, a pureza de coração enquanto se comunga com Deus, a tolerância, a resignação a qualquer coisa que o Onipotente haja decretado, o contentamento com as coisas que Sua Vontade providenciou, a paciência ou, antes, a gratidão, em meio às tribulações, e a completa confiança n'Ele, sob todas as circunstâncias. Estas, segundo a estimativa de Deus, se incluem entre os mais elevados e louváveis de todos os atos. Todos os outros atos lhes são e sempre haverão de permanecer, secundários e subordinados...

O espírito que anima o coração humano é o conhecimento de Deus, e seu mais verdadeiro adorno é o reconhecimento da verdade de que "Ele faz qualquer coisa que Ele queira e ordena o que Lhe apraz." Sua vestimenta é o temor a Deus; sua perfeição, a constância em Sua Fé. Assim Deus instrui a qualquer um que se Lhe dirija e, em verdade, ama a quem se Lhe volva. Não há outro Deus, senão Ele, o Clemente, o Mais Generoso. Todo louvor a Deus, o Senhor de todos os mundos.

55 - O Maior Nome dá-Me testemunho! Como seria triste se qualquer homem, neste Dia, apoiasse o coração nas coisas transitórias deste mundo! Levantai-vos e aderi firmemente à Causa de Deus. Sede muito amorosos uns para com os outros. Inteiramente por causa do Bem-Amado, queimai o véu do ego com a chama do Fogo imorredouro, e com a face jubilosa e radiante de luz, associai-vos ao vosso próximo. Bem tendes observado, em todos os seus aspectos, a conduta d'Aquele que é a Palavra da Verdade entre vós. Bem sabeis como é difícil este Jovem permitir - ainda que seja por apenas uma noite - que o coração de qualquer um dos bem-amados de Deus se entristeça por Sua causa.

A Palavra de Deus ateou fogo no coração do mundo; como será deplorável se deixardes de vos inflamar com sua chama! Queira Deus, havereis de considerar esta abençoada noite como a noite da unidade, unir vossas almas e resolver embelezar-vos com o ornamento de um caráter bom e louvável. Seja vosso objetivo principal salvar do tremedal da extinção iminente aquele que caiu, e ajudá-lo a abraçar a antiga Fé de Deus. Vossa conduta para com vosso próximo deve ser tal que manifeste claramente os sinais do Deus Uno e Verdadeiro, porque sois os primeiros entre os homens a ser recriados pelo Seu Espírito, os primeiros a adorar e diante d'Ele curvar o joelho, os primeiros a circular em volta de Seu trono de glória. Atesto por Aquele que Me fez revelar o que Lhe aprouvesse! Estais mais conhecidos aos habitantes do Reino nas alturas do que a vós mesmos. Pensais vós serem vãs e vazias estas palavras? Oxalá tivésseis o poder de perceber as coisas que Vosso Senhor, o Todo-Misericordioso, percebe - coisas que atestam a excelência de vosso grau, que dão testemunho de vosso grande merecimento, que proclamam a sublimidade de vossa condição! Permita Deus que os desejos e paixões desenfreadas não vos impeçam daquilo que vos foi ordenado.

56 - É Nossa vontade e Nosso desejo que cada um de vós se torne uma fonte de toda bondade para os homens e um exemplo de retidão para o gênero humano. Acautelai-vos para que não considereis a vós mesmos acima de vosso próximo. Fixai vosso olhar n'Aquele que é o Templo de Deus entre os homens. Ele, em verdade, ofereceu Sua vida como resgate para a redenção do mundo. Ele, verdadeiramente, é o Todo-Generoso, o Benévolo, o Altíssimo. Se algumas diferenças surgirem entre vós, vede-Me diante de vossa face e não olheis as faltas uns dos outros, por consideração a Meu Nome e como sinal de vosso amor por Minha Causa manifesta e resplendente. Em todos os tempos gostamos de vos ver associardes uns aos outros em amizade e concórdia dentro do paraíso de Meu beneplácito, e de inalar de vossos atos a fragrância da amizade e união, da benevolência e do amor fraternal. Assim vos aconselha o Onisciente, o Fiel. Estaremos sempre convosco: se inalarmos o perfume de vosso espírito fraternal, Nosso coração certamente se regozijará, pois nada, a não ser isto, Nos pode satisfazer. Disto dá testemunho todo homem de verdadeira compreensão.

57 - Se encontrardes os rebaixados ou espezinhados, não vos afasteis deles com desdém, pois o Rei da Glória sempre os vigia e rodeia de tal ternura como ninguém pode sondar, a não ser aqueles que deixaram suas vontades e seus desejos fundirem-se na Vontade de vosso Senhor, o Benévolo, o Onisciente. Ó vós, os ricos na terra! Não deveis fugir da face do pobre que jaz no pó, mas sim, ser-lhe amigos e deixá-lo relatar as tribulações com as quais, segundo o inescrutável decreto de Deus, foi afligido. Pela retidão de Deus! Enquanto com ele conviverdes, a Assembléia no alto estará vos olhando e por vós intercedendo, estará vos elogiando os nomes e glorificando a ação. Bem-aventurados os eruditos que se não orgulham de suas habilidades; e felizes os retos que não zombam dos pecadores, mas sim, lhes ocultam os atos errados, a fim de que suas próprias faltas permaneçam velados aos olhos dos homens.

II - A Causa de Deus

58 - O Livro de Deus está aberto de par em par e Sua Palavra convoca a Ele o gênero humano. Nada mais de uma simples mancheia, entretanto, tem se mostrado disposta a aderir à Sua Causa ou tornar-se os instrumentos para sua promoção. Estes poucos têm sido dotados do Elixir Divino que pode, tão somente, transmudar no mais puro ouro, a escória do mundo, e foram capacitados a administrar o remédio infalível para todos os males que afligem os filhos dos homens. Homem algum poderá obter a vida eterna, a não ser que abrace a verdade desta Revelação inestimável, maravilhosa e sublime.

Inclinai vossos ouvidos, ó amigos de Deus, à voz d'Aquele a Quem o mundo injuriou, e segurai-vos a qualquer coisa que enalteça Sua Causa. Ele, verdadeiramente, guia qualquer um que Ele queira, a Seu Caminho reto. Esta é uma Revelação que infunde força no fraco e coroa de riqueza aquele de tudo desprovido.

Com a maior amizade e em espírito perfeitamente fraternal, aconselhai-vos juntos e dedicai os preciosos dias de vossas vidas ao melhoramento do mundo e à promoção da Causa d'Aquele que é o Senhor Antigo e Soberano de todos. Ele, em verdade, ordena a todos os homens o que é direito e proíbe qualquer coisa que lhes possa degradar a posição.

59 - A Pena do Altíssimo decretou e impôs a cada um a obrigação de ensinar esta Causa... Deus inspirará, sem nenhuma dúvida, a qualquer um que de tudo se desprenda, salvo d'Ele, e fará com que as águas puras da sabedoria e das palavras expressas, jorrem e fluam copiosamente de seu coração. Verdadeiramente, teu Senhor, o Todo-Misericordioso, é potente para fazer o que Lhe apraz e ordena qualquer coisa que Ele queira.

Fosses tu considerar este mundo e compreender como são efêmeras as coisas que lhe pertencem, outra senda não te dignarias trilhar, senão a senda do serviço à Causa de teu Senhor. Ninguém teria o poder de te impedir de celebrar Seu louvor, embora todos os homens contra ti se levantassem.

Segue tu direto e persevera em Seu serviço. Dize: Ó povo! O Dia que vos foi prometido em todas as Escrituras veio agora. Temei a Deus e não vos abstenhais de reconhecer Aquele que é o Objeto de vossa criação. Apressai-vos em direção a Ele. Isto vos é melhor do que o mundo e tudo o que nele se acha. Oxalá o percebêsseis!

60 - Os que abandonaram sua pátria com o fim de disseminar Nossa Causa - a estes, o Espírito Fiel haverá de fortalecer através de seu poder. Uma companhia de Nossos anjos escolhidos irá a seu lado, assim como ordenou Aquele que é o Todo-Poderoso, o Onisciente. Que grande ventura espera a quem tiver atingido a honra de servir o Todo-Poderoso! Por Minha vida! Ato algum, por grande que seja, é comparável a este, salvo somente as ações ordenadas por Deus, o Onipotente, o Mais Grandioso. Tal serviço é, em verdade, o príncipe de todos os atos belos, o adorno de todas as belas ações. Assim ordenou Aquele que é o Revelador Soberano, o Ancião dos Dias.

Quem se levantar a fim de difundir Nossa Causa, deverá desprender-se de todas as coisas terrenas e, em todos os tempos, considerar o triunfo de Nossa Fé seu objetivo supremo. Isto, verdadeiramente, foi decretado na Epístola Guardada. E ao determinar-se a deixar seu lar, por amor à Causa de seu Senhor, deve ele pôr em Deus sua inteira confiança, como a melhor provisão para sua jornada, e se ataviar com o manto da virtude. Assim decretou Deus, o Onipotente, o Todo-Louvado.

Se ele estiver aceso com o fogo de Seu amor e renunciar a todas as coisas criadas, as palavras por ele proferidas incendiarão aqueles que o ouvirem. Em verdade, teu Senhor é o Onisciente, O de Tudo Informado. Feliz o homem que tiver escutado Nossa voz e respondido ao Nosso chamado. Ele, em verdade, é um dos que se hão de aproximar de Nós.

61 - Se qualquer homem, neste Dia, se levantar com desprendimento absoluto de tudo o que está nos céus e tudo o que está na terra, se afeiçoar Àquele que é o Alvorecer da santa Revelação de Deus, lhe será concedido, verdadeiramente, o poder de dominar todas as coisas criadas, através da potência de um dos Nomes do Senhor, seu Deus, o Onisciente, a Suma Sabedoria. Deves tu saber, com absoluta certeza, que, neste Dia, o Sol da Verdade irradiou sobre o mundo um esplendor, cujo igual passadas eras jamais testemunharam. Que a luz de Sua glória brilhe sobre, vós, ó povo, e não sejais dos negligentes.

62 - Cinge-te de esforços redobrados, a fim de que possas, acaso, guiar teu próximo à lei de Deus, o Mais Misericordioso. Este ato, em verdade, excede todos os outros atos, aos olhos de Deus, O Que a Tudo Possui, o Altíssimo. Tal deve ser tua constância na Causa de Deus, que coisa alguma desta terra te poderá impedir de teu dever. Embora se coliguem contra ti os poderes da terra, ainda que todos os homens contigo disputem, inabalável tu te deverás manter.

Sê irrestrito como o vento, enquanto levares a Mensagem d'Aquele que fez romper a Aurora da Guia Divina. Considera como o vento, fiel àquilo ordenado por Deus, sopra sobre todas as regiões da terra, sejam habitadas ou desertas. Nem o espetáculo da desolação, nem as evidências da propriedade, lhe podem causar dor ou prazer. Sopra por todos os lados, como foi ordenado pelo seu Criador. Assim deveria ser cada um que se diz amante do Deus Uno e Verdadeiro. Cumpre-lhe fixar o olhar nos fundamentos de Sua Fé e laborar diligentemente em propagá-la. Inteiramente por amor a Deus, deve ele proclamar Sua Mensagem e no mesmo espírito aceitar qualquer resposta que as palavras por ele proferidas possam evocar no ouvinte. Quem aceitar e crer, haverá de receber a recompensa; e quem se afastar, não receberá senão a punição própria.

Na véspera de Nossa partida do Iraque, advertimos aos fiéis que antecipassem o aparecimento das Aves da Escuridão. Não pode haver dúvida alguma de que o crocitar do Corvo se fará ouvir em certas terras, assim como foi ouvido em anos recentes. Suceda o que suceder, buscai refúgio, no Deus Uno e Verdadeiro, para que Ele vos proteja dos ardis do impostor.

Em verdade digo, nesta mais poderosa Revelação, todas as Dispensações anteriores atingiram sua consumação suprema e final. Assim vos aconselha vosso Senhor, o Onisciente, a Suma Sabedoria. Louvor a Deus, Senhor de todos os mundos.

O Todo-Misericordioso concedeu ao homem a faculdade visual e o dotou do poder da audição. Alguns o descrevem como o "mundo menor", ao passo que, na realidade, ele deveria ser considerado o "mundo maior". As potencialidades inerentes à condição do homem, a plena medida de seu destino na terra, a excelência inata de sua realidade - tudo isto se deve tornar manifesto neste Dia Prometido de Deus.

A Pena do Altíssimo, em todos os tempos e sob todas as condições, tem se lembrado de Seus bem-amados, com júbilo e ternura, tendo-os aconselhado que seguissem em Seu Caminho. Feliz aquele que as mudanças e os acasos deste mundo não puderam impedir de reconhecer a Aurora da Unidade Divina e que sorveu, com inalterável resolução e em nome do Independente, o vinho lacrado de Sua Revelação. Tal homem há de ser incluído no número dos habitantes do Paraíso, no Livro de Deus, o Senhor de todos os mundos.

63 - A Pena do Altíssimo chama sem cessar; e no entanto, como são poucos aqueles que inclinaram os ouvidos à Sua voz! Os que habitam no reino dos nomes se têm ocupado com os trajes coloridos do mundo, esquecidos de que homem algum que possui olhos para perceber e ouvidos para ouvir pode deixar de reconhecer, prontamente, como são evanescentes suas cores.

Uma vida nova, nesta era, está vibrando em todos os povos da terra; contudo, ninguém lhe descobriu a causa nem percebeu o motivo. Considerai os povos do Ocidente. Vede como, em busca daquilo que é vão e insignificante, eles têm sacrificado e ainda sacrificam incontáveis vidas para seu estabelecimento e sua promoção. Os povos da Pérsia, por outro lado, embora lhes fosse confiada uma Revelação perspícua e luminosa, a glória de cuja sublimidade e renome abrangeu toda a terra, estão desalentados e imersos em uma letargia profunda.

Ó amigos! Não descuideis das virtudes das quais fostes dotados, nem menosprezeis vosso alto destino. Mister é não deixardes vossos esforços se desperdiçarem por causa das vãs fantasias que certos corações têm inventado. Vós sois as estrelas do céu da compreensão, a brisa que sopra ao romper do dia, as águas que fluem suavemente, das quais há de depender a própria vida de todos os homens, as letras inscritas em Seu sagrado pergaminho. Com a maior unidade e em espírito perfeitamente fraternal, esforçai-vos, a fim de que sejais capacitados a realizar o que for digno deste Dia de Deus. Em verdade, digo, a luta e a dissensão, e qualquer coisa que a mente do homem abomine, são inteiramente indignas de sua posição. Concentrai vossas energias na propagação da Fé de Deus. Quem é digno de tão alta vocação, que se levante e a promova. Quem não puder, deverá designar alguém que possa proclamar em seu lugar esta Revelação, o poder da qual fez tremerem os alicerces das mais fortes estruturas, esmagar em pó toda montanha e estarrecer toda alma. Fosse a grandeza deste Dia revelada em sua plenitude, todo homem, em seu ardente desejo de participar de sua grande glória, embora fosse por apenas um momento, abandonaria uma miríade de vidas - quanto mais este mundo e seus tesouros corruptíveis!

Sede vós em todas as ações guiadas por sabedoria, a esta aderindo tenazmente. Queira Deus que vós todos sejais fortalecidos para levar a efeito o que for a Vontade de Deus e, por Sua graça sejais ajudados a apreciar o grau conferido àqueles de Seus bem-amados que se levantaram para serví-Lo e Lhe glorificar o Nome. Sobre eles esteja a glória de Deus, a glória de tudo o que está nos céus e tudo o que está na terra, e a glória dos habitantes do mais sublime Paraíso, do céu dos céus.

III - O Caminho de Deus

64 - ó meu irmão, quando aquele que verdadeiramente deseja, resolve dar o passo da busca no caminho que conduz ao conhecimento do Ancião dos Dias, ele deve, antes de tudo, limpar e purificar seu coração, que é a sede da revelação dos íntimos mistérios de Deus - deve livrá-lo do pó de todo o conhecimento adquirido que o obscurece e das alusões daqueles que personificam a fantasia satânica. Terá que purificá-lo de tudo aquilo que o possa poluir - pois que é o santuário do amor imperecível do Bem-Amado - e santificar sua alma de tudo o que pertença à água e ao barro, de todos os laços sombrios e efêmeros. A tal ponto deverá ele limpar seu coração que vestígio algum, nem de amor nem de ódio, nele permaneça, para que esse amor não o incline cegamente ao erro, nem tampouco esse ódio o repila da verdade, pois vês hoje como a maioria do povo, por causa desse amor ou desse ódio, se priva da Face imortal, se desvia d'Aqueles que incorporam os mistérios divinos e vagueia, sem pastor, nas solidões do esquecimento e do erro. Aquele que busca a verdade deve, em todos os tempos, confiar em Deus, renunciar aos povos da terra, desprender-se do mundo do pó e apoiar-se n'Aquele que é o Senhor dos Senhores. Jamais quererá enaltecer-se a si próprio acima de qualquer outro; deverá, sim, apagar da tábua do coração o último traço de orgulho e vanglória, firmar-se na paciência e na resignação, observar silêncio e abster-se de palavras vãs. Pois a língua é um fogo em brasas, e o excesso de palavras é veneno mortal. O fogo material consome o corpo, enquanto que o fogo da língua devora tanto o coração como a alma. A força do primeiro dura apenas pouco tempo, mas os efeitos do último persistem por um século.

Aquele que busca deve considerar a calúnia como um erro grave e manter-se afastado de seu domínio, pois que ela apaga a luz do coração e extingue a vida da alma. Ele deve contentar-se com pouco e purificar-se de todo desejo desmedido. Deve estimar como um tesouro a companhia dos que renunciaram ao mundo, e ver que lhe traz um benefício precioso evitar os homens jactanciosos e mundanos. Incumbe-lhe, ao alvorecer de cada dia, comungar com Deus e perseverar de toda a alma na busca do Bem-Amado. Com a chama de Sua amorosa menção, deve ele consumir todo pensamento refratário e passar, com a celeridade do relâmpago, tudo, salvo Ele. É seu dever socorrer aos desvalidos e nunca negar aos necessitados seu favor. Cumpre-lhe mostrar bondade para com os animais; quanto mais para com seus semelhantes, aqueles dotados do poder da expressão. Não deve ele hesitar em oferecer a sua vida pelo Bem-Amado, nem deve permitir jamais que a censura do povo o desvie da Verdade. Que não deseje para os outros aquilo que não deseja para si próprio, nem prometa o que não cumpre. De coração deve esse que busca, evitar a companhia dos perversos e orar para que lhes sejam remidos os pecados. Deve perdoar o pecador e nunca desprezá-lo por causa de seu baixo estado, pois ninguém sabe qual será seu próprio fim. Quantas vezes um pecador, na hora da morte, atinge à essência da fé e, sorvendo a poção imortal, alça seu vôo para a Assembléia Celestial. E quantas vezes um fervoroso crente, na hora da ascensão de sua alma, se transforma a ponto de cair no mais ínfimo fogo. Visamos, com a revelação destas palavras ponderáveis e convincentes, imprimir na consciência daquele que busca, seu dever de considerar como transitório tudo, salvo Deus e de avaliar como simplesmente nada todas as coisas, a não ser Aquele que é o Objeto de toda a adoração.

Eis o que figura entre os atributos dos seres elevados e é o que distingue os espiritualistas. Essas qualidades já foram mencionadas em relação aos requisitos para os peregrinos no Caminho do Conhecimento Positivo. Quando o peregrino desprendido, que sinceramente almeja, tiver preenchido essas condições essenciais, então, e somente então, poderá ele ser contado entre aqueles que em verdade buscam. Sempre que tenha cumprido as condições entendidas no versículo: "Qualquer um que faça esforços por Nós", haverá ele de fruir da bênção conferida nas palavras "Em Nossos caminhos, seguramente, Nós o guiaremos." (67-A)

Somente quando a lâmpada da busca, do esforço zeloso, do anelo, da apaixonada devoção, do amor fervoroso, do enlevo, do êxtase, for acesa no coração de quem almeja e a brisa de Sua benevolência lhe soprar na alma, serão dispersadas as trevas do erro e dissipadas as neblinas das dúvidas e desconfianças, e as luzes do conhecimento e da certeza irradiarão por todo o seu ser. Nesta hora, o Arauto místico, trazendo as jubilosas novas do Espírito, luzirá da Cidade de Deus, resplendente como o amanhecer e, com o toque de trombeta da sabedoria, despertará de seu sono de negligência, o coração, a alma e o espírito. Então os múltiplos favores e graças emanadas do santo e eterno Espírito conferirão uma nova vida àquele que busca, a ponto de ele verificar que foi dotado de nova visão e de um ouvido novo, de um novo coração e de uma mente nova. Ele contemplará os sinais manifestos do universo e penetrará nos mistérios ocultos da alma. Fitando com os olhos de Deus, perceberá dentro de cada átomo uma porta que o conduz aos níveis da certeza absoluta. Descobrirá em todas as coisas os mistérios da Revelação Divina e as evidências de uma manifestação imperecedoura.

Afirmo por testemunho de Deus! Se aquele que trilha o reto caminho e procura ascender às alturas da justiça, lograsse alcançar este grau glorioso e supremo, ele inalaria a fragrância de Deus a uma distância de mil léguas, e presenciaria o amanhecer resplandecente de uma divina Luz guiadora surgindo acima da aurora de todas as coisas. Toda e qualquer coisa, por menor que fosse, ser-lhe-ia uma revelação que o conduziria ao Bem-Amado, Objeto de sua busca. Tão grande será o discernimento desse peregrino, que poderá discriminar entre a verdade e a mentira assim como ele distingue entre o sol e a sombra. Se as doces fragrâncias de Deus forem emitidas dos mais longínquos confins do Oriente, ele, seguramente, reconhecerá e inalará seu perfume, ainda que habite nas mais remotas regiões do Ocidente. Discernirá também, claramente, todos os sinais de Deus - Suas admiráveis palavras, Suas grandes obras, Seus atos poderosos - distinguindo-os das ações, palavras e comportamento dos homens, semelhante ao joalheiro que conhece a jóia no meio das pedras sem valor, ou àquele que distingue a primavera do outono, e o calor do frio. Quando a alma humana se purificar de todos os laços obstrutores deste mundo, haverá de perceber, infalivelmente, o alento do Bem-Amado através de desmedidas distâncias e, guiada por seu perfume, alcançar a Cidade da Certeza e nela ingressar. Ali serão discernidas, por aquele que busca, as maravilhas de Sua sabedoria antiga e no farfalhar das folhas da Árvore que floresce nessa Cidade, serão percebidos todos os preceitos ocultos. Com os ouvidos interiores, bem como os exteriores, ouvirá ele os hinos de glória e louvor ascendendo de seu pó, ao Senhor dos Senhores, e com os olhos interiores descobrirá os mistérios do "regresso" e da "revivescência". Quão indizivelmente gloriosos são os sinais, as revelações e os esplendores destinados a essa Cidade por Aquele que é o Rei dos nomes e atributos. Quem alcança essa Cidade, satisfaz sua sede sem água, e sem fogo acende a chama do amor divino. Cada folha de grama encerra os mistérios de uma sabedoria inescrutável e sobre cada roseira, miríades de rouxinóis, em êxtase jubiloso, emitem sua melodia. Suas tulipas admiráveis revelam os mistérios da Sarça Ardente e suas doces fragrâncias de santidade transmitem o perfume do Espírito Messiânico. Nessa Cidade, a riqueza é conferida sem ouro e a imortalidade, sem morte. Em cada folha estão entesouradas delícias inefáveis e dentro de cada aposento se ocultam mistérios sem conta.

Aqueles que valorosamente se empenham na busca da Vontade de Deus, uma vez que renunciem a tudo, salvo a Ele, afeiçoar-se-ão a essa Cidade e tanto se lhe prenderão que inconcebível lhes seria separar-se por um momento sequer. Provas infalíveis escutarão eles do Jacinto dessa assembléia e os mais seguros testemunhos ouvirão da beleza de sua Rosa e da melodia de seu Rouxinol. Uma vez em cerca de mil anos haverá essa Cidade de se renovar e mais uma vez ser adornada.

Cumpre-nos, pois, ó meu amigo, fazer o máximo esforço para que alcancemos essa Cidade e, pela graça e benevolência de Deus, rasguemos os "véus da glória"; de modo que, com uma constância inabalável, possamos sacrificar as nossas almas languescentes no caminho do Novo Amado. Com olhos lacrimosos Lhe devemos implorar, fervorosa e repetidamente, que nos conceda o favor dessa graça. Essa Cidade não é senão o Verbo de Deus revelado em cada era. No tempo de Moisés, foi o Pentateuco; no de Jesus, o Evangelho; no de Maomé, o Mensageiro de Deus, o Alcorão; neste dia, o Bayán, e na era d'Aquele que Deus tornará manifesto, Seu próprio Livro - Livro esse ao qual todos os Livros das eras anteriores devem se referir, o Livro que sobressai entre todos eles, transcendente e supremo. Nessas Cidades, se providencia, generosamente, o sustento espiritual e deleites incorruptíveis têm sido ordenados. O alimento que elas dispensam é o pão celestial e o Espírito que transmitem é a imperecível bênção de Deus. Às almas desprendidas, concedem o favor da Unidade e aos desvalidos, riquezas; àqueles que vagueiam nas solidões da ignorância oferecem a taça do conhecimento. Toda a iluminação, todas as bênçãos, a erudição, a compreensão, a fé e a certeza que foram conferidas a tudo o que existe no céu e na terra, se ocultam dentro dessas Cidades - nelas estão entesouradas.

65 - Ó amigo exilado e fiel! Apaga a sede da negligência com as águas santificadas de Minha graça e dispersa as trevas do afastamento com a luz matinal de Minha Presença Divina. Não permitas que a morada onde habita Meu imperecível amor por ti seja destruída pela tirania dos desejos cobiçosos, nem anuvies a beleza do Jovem celestial com o pó do eu e da paixão. Veste-te com a essência da retidão e não deixes teu coração temer, senão a Deus. Não obstruas a nascente luminosa de tua alma com os espinhos e as sarças das afeições vãs e imoderadas, nem impeças o fluxo das águas viventes que correm, da fonte de teu coração. Põe em Deus toda a tua esperança e apega-te tenazmente à Sua infalível mercê. Quem, senão Ele, pode enriquecer o destituído e livrar aquele que caiu, de seu rebaixamento?

Ó Meus servos! Fósseis vós descobrir os oceanos ocultos, ilimitados de Minha incorruptível riqueza, haveríeis, certamente, de estimar como nada o mundo - antes, a criação inteira. Deixai arder dentro de vossos corações a chama da busca, com tal veemência que vos capacite a atingir vossa suprema e excelsa meta - a condição em que vos possais aproximar de vosso Mais-Amado e com Ele vos unir...

Ó Meus servos! Que vossas esperanças vãs e fantasias fúteis não solapem os fundamentos de vossa crença no Deus Todo-Glorioso, desde que tais imaginações têm sido inteiramente improfícuas para os homens, não lhes dirigindo os passos para o Caminho reto. Pensais vós, ó Meus servos, que a Mão de Minha transcendente soberania que a tudo abrange e ampara, esteja acorrentada; que o fluxo de Minha antiga e incessante misericórdia que a tudo alcança, esteja parado; ou que as nuvens de Meus favores sublimes e inexcedíveis tenham cessado de chover sobre os homens suas graças? Podeis imaginar que as maravilhosas obras que têm proclamado Meu poder divino e irresistível, hajam sido retiradas, ou que a potência de Minha vontade e Meu desígnio tenham sido impedidos de dirigir os destinos da humanidade? Se não for assim, por que, então, vos tendes esforçado por impedir que a imorredoura Beleza de Meu Semblante sagrado e benévolo seja desvelada ante os olhos dos homens? Por que vos tendes empenhado para deter o Manifestante do Ser Onipotente e Todo-Glorioso de irradiar sobre a terra o esplendor de Sua Revelação? Fôsseis vós eqüitativos em vosso julgamento, reconheceríeis prontamente como as realidades de todas as coisas criadas estão inebriadas com o júbilo desta nova e maravilhosa Revelação, como todos os átomos da terra têm sido iluminados através do brilho de sua glória. Vão e vil é aquilo que vós tendes imaginado e ainda imaginais!

Voltai sobre vossos passos, ó Meus servos, e inclinai vossos corações Aquele que é a Origem de vossa criação. Livrai-vos de vossas afeições más e corruptas e apressai-vos a abraçar a luz do Fogo imorredouro que arde no Sinai desta misteriosa e transcendente Revelação. Não deveis corromper a Palavra de Deus, santa e primaz, que a tudo abrange, nem tentar lhe profanar a santidade ou deturpar o excelso caráter. Ó desatentos! Embora as maravilhas de Minha mercê tenham abrangido todas as coisas criadas, tanto visíveis como invisíveis, e se bem que as revelações de Minha graça e generosidade hajam penetrado todo átomo do universo, a vara, no entanto, com a qual Eu posso castigar os maldosos, é penosa, e a veemência de Minha ira contra eles, terrível. Com ouvidos santificados da vanglória, e dos desejos terrenos, escutai os conselhos que Eu, em Minha compassiva bondade, vos tenho revelado, e com vossos olhos interiores e exteriores contemplai as evidências de Minha maravilhosa Revelação...

Ó Meus servos! Não vos priveis da Luz perene e resplandecente que brilha na Lâmpada da glória Divina. Que a flama do amor de Deus arda intensamente dentro de vossos corações radiantes. Alimentai-a com o óleo da guia Divina e protegei-a no abrigo de vossa constância. Guardai-a dentro do globo da confiança e do desapego de tudo, menos de Deus, de modo que os maus sussurros dos ímpios não lhe extingam a luz. Ó Meus servos! Minha sagrada Revelação, divinamente ordenada, se pode comparar a um oceano em cujas profundidades se ocultam inúmeras pérolas de grande preço, de brilho inexcedível. É dever de cada um que busca, despertar e envidar esforços para atingir as orlas deste oceano, de modo que possa, em proporção ao ardor de sua busca e aos esforços por ele despendidos, participar de tais benefícios como foram preordenados nas ocultas e irrevogáveis Epístolas de Deus. Se ninguém estiver disposto a dirigir os passos às suas orlas, se todos deixarem de se levantar e encontrá-Lo, pode-se dizer que essa falha tenha roubado este oceano de seu poder ou lhe tenha diminuído, em algum grau, os tesouros? Como são vãs, como são desprezíveis, as fantasias que vossos corações têm maquinado e ainda maquinam! Ó Meus servos! O Deus Uno e Verdadeiro é Minha Testemunha! Este mais grandioso Oceano, este Oceano insondável, e encapelado, está perto, espantosamente perto, de vós. Vede, está mais perto de vós do que vossa veia vital! Com a celeridade de um piscar de olhos, podeis vós, se apenas o desejais, alcançar e participar deste favor imperecível, desta graça concedida por Deus, desta incorruptível dádiva, desta generosidade potentíssima e indizivelmente gloriosa.

Ó Meus servos! Pudésseis vós apreender que maravilhas de Minha munificência e bondade Eu quis confiar às vossas almas, vós, verdadeiramente, vos livraríeis de apego a todas as coisas criadas e adquiriríeis um verdadeiro conhecimento de vós próprios - conhecimento esse que é o mesmo que a compreensão de Meu próprio Ser. Vós vos acharíeis independentes de tudo, menos de Mim, e perceberíeis, com vossos olhos interiores e exteriores, e tão manifestos como a revelação de Meu Nome fulgente, os mares de Minha benevolência e generosidade movendo-se dentro de vós. Não permitais que vossas vãs fantasias e más paixões, vossa insinceridade e cegueira de coração, ofusquem o esplendor ou maculem a santidade de tão elevado grau. Sois assim como a ave que voa, com a plena força de suas poderosas asas e com completa e jubilosa confiança, através da imensidão dos céus, até que, impelida a satisfazer a fome, se volve avidamente para a água e o barro da terra em baixo e, emaranhada no enredo de seu desejo, se vê impotente para retomar seu vôo para os domínios donde viera. Sem o poder de se livrar daquilo que lhe pesa nas asas maculadas, essa ave, antes um habitante dos céus, é forçada agora a buscar sua morada no pó. Portanto, ó Meus servos, não contamineis vossas asas com o barro da desobediência e dos desejos vãos, e não as deixeis macularem-se com o pó da inveja e do ódio, para que não sejais impedidos de voar nos céus de Meu conhecimento divino.

Ó Meus servos! Através da grandeza de Deus e de Seu poder, Eu tirei do tesouro de Seu conhecimento e sabedoria e a vós revelei, as pérolas que jaziam ocultas nas profundidades de Seu sempiterno oceano. Convoquei as Donzelas do Céu para emergirem de trás do véu da ocultação e as adornei com estas palavras Minhas - palavras de consumado poder e sabedoria. Tenho, ainda, com a mão do poder divino, deslacrado o vinho escolhido de Minha Revelação e difundido sua fragrância santa, oculta, imbuída de almíscar, sobre todas as coisas criadas. Quem, a não ser vós mesmos, deverá ser culpado, se preferirdes permanecer privados de tão grande emanação da transcendente graça de Deus - graça essa que a tudo abrange - de tão brilhante revelação de Sua mercê esplendorosa?...

Ó Meus servos! Nada se irradia em Meu coração, senão a luz imorredoura da Manhã da guia divina, e de Minha boca, nada procede, senão a essência da verdade, a qual o Senhor vosso Deus revelou. Não sigais, portanto, os desejos terrenos; não violeis o Convênio de Deus, nem quebranteis a promessa que Lhe fizestes. Com determinação firme, com todo o afeto do coração e com a plena força de vossas palavras, volvei-vos a Ele e não andeis nos caminhos dos insensatos. O mundo é apenas um espetáculo teatral, vão e vazio, um simples nada, tendo a aparência da realidade. Não lhe vos afeiçoeis. Não rompais o laço que vos une com vosso Criador e não sejais dos que erraram e se desviaram de Seus caminhos. Verdadeiramente digo, o mundo é como o vapor num deserto; o sedento sonha que é água e se esforça com todo o seu poder para atingi-lo, até que o alcança, quando verifica que é mera ilusão. Pode ser comparado, também, àquilo que é apenas a imagem da bem-amada, sem vida, a qual o apaixonado procurara e, afinal, após longa busca e com grande pesar, achou não ser o que pudesse "nutri-lo nem lhe satisfazer a fome".

Ó Meus servos! Não vos entristeçais, se, nestes dias e neste plano terreno, coisas contrárias aos vossos desejos tiverem sido ordenadas e manifestadas por Deus, pois seguramente vos esperam dias de extasiante felicidade, de deleite celestial. Mundos santos, espiritualmente gloriosos, se desvendarão diante de vossos olhos. Sois destinados por Ele, neste mundo e no vindouro, a participar de seus benefícios, a obter um quinhão de suas alegrias e receber uma porção de sua graça sustentadora. A cada um destes, indubitavelmente, atingireis.

66 - Ó Salmán! Tudo o que os sábios e místicos têm dito ou escrito jamais excedeu, nem poderá esperar jamais exceder as limitações às quais a mente finita do homem foi estritamente sujeita. Não importa a altura que a mente do mais elevado dos homens possa atingir, nem a grande profundidade que o coração desprendido e compreensivo possa penetrar, essa mente a esse coração nunca poderão transcender aquilo que é a criatura de suas próprias concepções e o produto de seus próprios pensamentos. As meditações do mais profundo pensador, as devoções do mais santo dos santos, as mais altas expressões de louvor procedentes de pena ou língua humana, são apenas um reflexo daquilo que foi criado dentro deles mesmos, através da revelação do Senhor, seu Deus. Quem ponderar em seu coração esta verdade, admitirá prontamente que há certos limites que nenhum ser humano tem a possibilidade de transpor. Toda tentativa que, desde o princípio que não tem princípio, se tem feito para visualizar e conhecer a Deus, é limitada pelas exigências de Sua própria criação - criação essa, que Ele chamou à existência mediante a operação de Sua própria Vontade, para os fins de nenhum outro, senão de Si Próprio. Imensuravelmente exaltado está Ele acima das tentativas da mente humana para compreender Sua Essência, ou da língua humana para descrever Seu mistério. Nenhum laço de intercurso direto jamais O poderá ligar às coisas por Ele criadas, nem poderão as alusões mais abstrusas e mais remotas de Suas criaturas fazer jus a Seu Ser. De acordo com Sua Vontade, que prevalece no mundo inteiro, trouxe Ele à existência todas as coisas criadas. Ele está e sempre esteve velado na eternidade antiga de Sua própria Essência excelsa e indivisível, e continuará para todo o sempre a permanecer oculto em Sua majestade e glória inatingíveis. Tudo o que está no céu e tudo o que está na terra veio a existir a Seu mando, e pela Sua Vontade todos saíram do nada absoluto para o domínio do ser. Como, portanto, pode a criatura que o Verbo de Deus moldou, compreender a natureza d'Aquele que é o Ancião dos Dias?

67 - Ó peregrino na senda de Deus! Toma tu o teu quinhão do oceano de Sua graça e não te prives das coisas que jazem ocultas nas profundidades desse oceano. Sê tu dos que participaram desses tesouros. Uma gota de orvalho desse oceano, se fosse espargida sobre todos os que estão nos céus e na terra, bastaria para enriquecê-los com as graças de Deus, o Todo-Poderoso, o Onisciente, a Suma Sabedoria. Com as mãos da renúncia, tira tu dessas águas vivificadoras e esparge-as sobre todas as coisas criadas, para que sejam purificadas de todas as limitações feitas pelo homem e possam se aproximar do poderoso assento de Deus, desse sagrado e resplendente Lugar.

Não te entristeças se tu, tão somente, o fizeres. Que Deus te seja todo-suficiente. Comunga tu intimamente com Seu Espírito e sê dos agradecidos. Proclama a Causa de teu Senhor a todos os que estão nos céus e na terra. Se algum homem atender a teu chamado, expõe-lhe as pérolas da sabedoria do Senhor, teu Deus, as quais Seu Espírito fez descer a ti, e sê dos que verdadeiramente acreditam. E se alguém rejeitar tua oferta, afasta-se dele e põe tua fé e confiança no Senhor, teu Deus, o Senhor de todos os mundos.

Pela justiça de Deus! Se qualquer um abrir os lábios neste Dia e fizer menção do nome de seu Senhor, as hostes da inspiração Divina sobre ele descerão do céu de Meu Nome, o Onisciente, a Suma Sabedoria. Sobre ele haverá de baixar também a Assembléia do alto, cada um erguendo um cálice de pura luz. Assim foi preordenado no domínio da Revelação de Deus, a mando d'Aquele que é o Todo-Glorioso, o Potentíssimo.

Ocultava-se dentro do Santo Véu, preparada para o serviço de Deus, uma companhia de Seus eleitos que haverá de se tornar manifesta aos homens, que auxiliará a Sua Causa, que diante de ninguém se amedrontará, embora a inteira raça humana se levante e contra ela guerreie. São estes que, à vista dos habitantes da terra e dos habitantes do céu, haverão de se levantar e em altas vozes aclamar o Nome do Onipotente e convocar os filhos dos homens à senda de Deus, o Todo-Glorioso, o Todo-Louvado. Anda tu em seu caminho e não deixes ninguém te desalentar. Sê daqueles a que o tumulto do mundo, por mais que os agite na senda de seu Criador, jamais poderá entristecer, cujo desígnio a censura do reprovador nunca haverá de frustrar.

Sai com a Epístola de Deus e Seus sinais e une-te com aqueles que em Mim acreditaram, e anuncia-lhes as novas de Nosso mais sagrado Paraíso. Adverte, então, aqueles que a Ele associaram companheiros. Dize: Eu vos venho, ó povo, do Trono da glória, e sou portador a vós de uma mensagem de Deus, o Mais Poderoso, o Excelso, o Supremo. Em Minha mão, trago o testemunho de Deus, vosso Senhor e o Senhor de vossos antepassados. Pesai-o com a Balança certa que possuís, a Balança do testemunho dos Profetas e Mensageiros de Deus. Se vos certificardes de que esse testemunho se firma na verdade, se acreditardes que é de Deus, guardai-vos, então, de cavilardes dele, de tornardes vãs as vossas obras e vos incluirdes no número dos infiéis. É, de fato, o sinal de Deus que se fez descer através do poder da verdade, pelo qual a validez de Sua Causa foi demonstrada às Suas criaturas e as insígnias da pureza foram erguidas entre a terra e o céu.

Dize: Este é o Pergaminho selado e místico, o repositório do irrevogável Decreto de Deus, portador das palavras que o Dedo da Santidade traçou, que jazia envolvido dentro do véu do mistério impenetrável e agora foi enviado em sinal da graça d'Aquele que é o Onipotente, o Ancião dos Dias. N'Ele decretamos os destinos de todos os habitantes da terra e do céu, e registramos o conhecimento de todas as coisas, da primeira à última. Nada, em absoluto, Lhe pode escapar, nem O frustrar, quer fosse criado no passado, ou venha a ser criado no futuro - pudésseis apenas percebe-lo.

Dize: A Revelação que Deus fez descer se repetiu com a maior certeza, e a Mão estendida de Nosso poder tem amparado todos os que estão nos céus e todos os que estão na terra. Nós temos, através do poder da verdade, da própria verdade, manifestado uma infinitésima cintilação de Nosso Mistério impenetrável, e eis, aqueles que reconheceram o brilho do esplendor sináico, expiraram, ao apanharem um rápido vislumbre desta Luz Carmesim que envolve o Sinai de Nossa Revelação. Assim Aquele que é a Beleza do Todo-Misericordioso desceu nas nuvens de Seu testemunho, e o decreto foi executado segundo a Vontade de Deus, o Todo-Glorioso, o Onisciente.

Dize: Sai de Teu santo aposento, ó Donzela do Céu, habitante do Excelso Paraíso! Adorna-te de qualquer maneira que Te apraza nas Vestes sedosas da imortalidade, e põe, em nome do Todo-Glorioso, o bordado Manto de Luz. Ouve, então, o acento doce, maravilhoso, da Voz que vem do Trono de Teu Senhor, o Inatingível, o Altíssimo. Desvela Tua Face e manifesta a beleza da Donzela de olhos negros, e não permitas que os servos de Deus sejam privados da luz de Teu esplendoroso semblante. Não te entristeças se ouvires os suspiros dos que vivem na terra ou a voz de lamentação dos habitantes do céu. Deixa-os perecerem no pó da extinção. Que sejam reduzidos ao nada, desde que a chama do ódio se ateou dentro de seus peitos. Entoa, pois, diante da face dos povos da terra e do céu, na voz mais melodiosa, o antífona de louvor, em lembrança d'Aquele que é o Rei dos nomes e atributos de Deus. Assim temos decretado Teu destino. Bem podemos Nós executar Nosso desígnio.

Acautela-Te, Tu que és a Essência da Pureza, para que Te não dispas de Teu manto de fulgente glória. Não, enriquece-Te mais e mais, no reino da criação, com as vestes incorruptíveis de Teu Deus, a fim de que a bela imagem do Onipotente se reflita, através de Ti, em todas as coisas criadas, e a graça de Teu Senhor, na plenitude de seu poder, se infunda na criação inteira.

Se Tu perceberes de alguém a fragrância do amor de Teu Senhor, oferece-Te em holocausto por ele, pois Nós Te criamos para este fim e fizemos um convênio Contigo, desde tempos imemoriais e na presença da congregação de Nossos bem favorecidos, para este mesmo propósito. Não sejas impaciente se os cegos de coração lançarem sobre Ti os dardos de suas vãs fantasias. Deixa-os a sós, pois seguem as sugestões dos maus.

Exclama diante do olhar dos habitantes do céu e da terra: Sou a Donzela do Céu, a Progênie gerada do Espírito de Bahá. Minha morada é a Mansão de Seu Nome, o Todo-Glorioso. Diante da Assembléia no alto fui adornada com o ornamento de Seus nomes. Fui envolvida dentro do véu de uma segurança inviolável e jazia oculta dos olhos dos homens. Parece-Me haver ouvido uma Voz de divina e incomparável doçura, que procedia da mão direita do Deus de Misericórdia, e eis, o Paraíso inteiro se comovia e tremia perante Mim, em sua ânsia de lhe ouvir os acentos e de contemplar a beleza d'Aquele que os pronunciava. Assim temos Nós revelado, nesta Epístola luminosa, na mais doce das linguagens, os versículos que a Língua da Eternidade foi movida a expressar no Qayyúmú'l-Asmá.

Dize: Ele ordena como Lhe apraz, em virtude de Sua soberania, e faz o que quer, a Seu próprio mando. Não será interrogado acerca das coisas que Lhe apraz ordenar. Ele, em verdade, é o Irrestrito, o Todo-Poderoso, o Onisciente.

Os que desacreditaram em Deus e se rebelaram, contra Sua soberania são as desvalidas vítimas de suas inclinações e desejos corruptos. Eles haverão de regressar à sua morada no fogo infernal: vil é a morada dos que negam!

II - SELEÇÕES DE "AS PALAVRAS OCULTAS"
1. DO ÁRABE
68 - Ele é a Glória das Glórias.

Eis o que desceu do reino da glória, proferido pela língua de poder e grandeza e revelado aos Profetas de antanho. Nós lhe tiramos a quinta-essência e a revestimos com a roupagem da brevidade, em sinal de graça aos justos, a fim de que se mantenham fiéis ao Convênio de Deus, cumpram em suas vidas aquilo de que Ele os incumbiu e, no reino do espírito, obtenham a jóia da virtude divina.

69 - Ó Filho do Espírito!

Meu primeiro conselho é este: Possui um coração puro, bondoso e radiante, para que seja tua uma soberania antiga, imperecível e eterna.

70 - Ó FILHO DO ESPÍRITO!

A mais amada de todas as coisas, a Meu ver, é a Justiça; não te desvies dela, se é que Me desejas, nem a descures, para que Eu em ti possa confiar. Nela te apoiando, verás com teus próprios olhos e não com os alheios; saberás pela tua própria compreensão e não pela compreensão de teu semelhante. Pondera isto em teu coração: como te incumbe ser. Em verdade, a justiça é Minha dádiva a ti e o sinal de Minha misericórdia. Guarda-a, pois, ante os teus olhos.

71 - Ó FILHO DO HOMEM!

Velado em Meu Ser imemorial e na eternidade antiga de Minha Essência, conheci Meu amor por ti e assim te criei, gravando em ti Minha imagem e revelando-te Minha beleza.

72 - Ó FILHO DO HOMEM!

Amei tua criação, por isso te criei. Ama-Me, pois, para que Eu possa mencionar teu nome, e te inundar a alma com o espírito da vida.

73 -Ó FILHO DO SER!

Ama-Me, a fim de que Eu te possa amar. Se não Me amas, de modo algum pode o Meu amor te atingir. Sabe isto, ó servo!

74 - Ó FILHO DO HOMEM!

Se Me amas, não te prendas a ti mesmo; e se buscas Meu prazer, não consideres o teu próprio; para que tu morras em Mim e Eu possa viver eternamente em ti.

75 - Ó FILHO DO SER!

Meu amor é Minha fortaleza; quem nela entrar estará salvo e seguro e quem dela se afastar, por certo se desviará e haverá de perecer.

76 - Ó FILHO DO SER!

Tu és Minha lâmpada, e Minha luz está em ti. Que obtenhas dela o teu resplendor e não aspires a outro senão a Mim. Pois Eu te criei rico e generosamente derramei sobre ti as Minhas graças.

77 - Ó FILHO DA LUZ!

Esquece-te de tudo, menos de Mim, e comunga com Meu espírito. Eis a essência de Meu mandamento; volve-te, pois, a isso.

78 - Ó FILHO DO ESPÍRITO!

Não Me peças o que Nós não te desejamos; que estejas contente com aquilo que ordenamos por amor a ti, pois é o que te será proveitoso, se com isto te contentares.

79 - Ó FILHO DO HOMEM!

Nem sequer sussurres os pecados alheios enquanto tu próprio fores pecador. Fosses tu transgredir este mandamento, maldito serias, e disso dou testemunho.

80 - Ó FILHO DO HOMEM!

Não negues a servo Meu se a ti ele algo pedir, porque sua face é Minha face. Sê humilde, pois, diante de Mim.

81 - Ó FILHO DO SER!

Examina-te a ti mesmo, cada dia, antes de seres instado a prestar contas, porque a morte, sem prenúncio, te haverá de sobrevir e serás chamado a responder por teus atos.

82 - Ó FILHO DO SUPREMO!

Fiz da morte a mensageira de teu júbilo. Por que lamentas? A luz, Eu a fiz derramar sobre ti o seu esplendor. Por que te ocultas diante deste esplendor?

83 - Ó FILHO DO ESPÍRITO!

Com as jubilosas novas de luz, Eu te saúdo: exulta! À corte da santidade, Eu te chamo; ali permanece, a fim de poderes viver em paz para todo o sempre.

84 - Ó FILHO DO HOMEM!

Regozija-te no enlevo de teu coração, a fim de seres digno de estar em Minha Presença e de espelhar Minha beleza.

85 - Ó FILHO DO HOMEM!

Fosses tu percorrer a imensidão do espaço e atravessar a extensão do céu, nem assim encontrarias repouso, salvo em submissão a Nosso mandamento e em humildade perante a Nossa Face.

86 - Ó FILHO DO HOMEM!

Humilha-te perante Mim, para que Eu, por Minha graça, te possa visitar. Levanta-te para o triunfo de Minha causa, a fim de que tu, enquanto ainda na terra, alcances a vitória.

87 - Ó FILHO DO TRONO!

Teu ouvido é Meu ouvido; que ouças com ele. Tua vista é Minha vista; com ela deves tu ver, para que, no imo de tua alma, possas testemunhar Minha santidade sublime e Eu, dentro de Mim mesmo, te possa atestar uma posição excelsa.

88 - Ó FILHO DO HOMEM!

Para tudo há um sinal. O sinal do amor é constância sob Meu decreto e paciência em Minhas provações.

89 - Ó FILHO DO HOMEM!

Quem ama verdadeiramente, anseia pela tribulação, assim como o rebelde pela clemência, e o pecador, pela misericórdia.

90 - Ó FILHO DO HOMEM!

Se a adversidade não te sobrevier em Meu caminho, como poderás andar nas veredas dos que se contentam com Meu beneplácito? Se provações não te afligirem no teu anseio por Minha Presença, de que modo atingirás a luz em teu amor à Minha beleza?

91 - Ó FILHO DO SER!

Se teu coração anseia por este domínio eterno, imperecível, por esta vida antiga e imortal, abandona a soberania efêmera e fugaz.

92 - Ó FILHO DO SER!

Não te ocupes com esse mundo, pois com o fogo experimentamos o ouro e com o ouro pomos à prova os Nossos servos.

93 - Ó FILHO DO SER!

Teu coração é Meu lar; santifica-o para Minha descida. Teu espírito é a sede de Minha revelação; purifica-o, para que nele Eu me possa manifestar.

94 - Ó FILHO DO HOMEM!

Ascende ao Meu céu, a fim de que possas atingir o êxtase da reunião e, do cálice da glória imperecível, sorver o vinho sem igual.

95 - Ó FILHO DA BELEZA!

Por Meu espírito e Meu favor! Por Minha misericórdia e Minha beleza! Tudo o que tenho revelado a ti com a língua do poder e escrito a ti com a pena da grandeza, estava de acordo com tua capacidade e compreensão, e não com Meu estado e a melodia de Minha voz.

96 - Ó FILHOS DOS HOMENS!

Não sabeis por que Nós vos criamos a todos do mesmo pó? A fim de que ninguém se enaltecesse acima dos outros. Ponderai no coração, em todos os tempos, de que modo fostes criados. Já que vos criamos a todos da mesma substância, deveis ser como uma só alma, andando com os mesmos pés, alimentando-vos com a mesma boca e habitando na mesma terra, a fim de que, do imo de vosso ser, através de vossas ações, se manifestem os sinais da unidade e a essência do desprendimento. É esse o Meu conselho a vós, ó assembléia de luz! Atentai a esse conselho, para que possais obter, da árvore de glória maravilhosa, o fruto da santidade.

2. DO PERSA

97 - Ó VÓS QUE POSSUÍS MENTES PARA SABER E OUVIDOS PARA OUVIR!

O primeiro chamado do Bem-Amado é este: Ó rouxinol místico! Em nenhum lugar habites, senão no rosal do espírito. Ó mensageiro do Salomão do amor! Nenhum asilo busques salvo na Sabá do bem-amado e, ó fênix imortal, não te alojes senão no monte da fidelidade! Aí está tua morada se, com as asas de tua alma, voares ao reino do infinito e tentares atingir teu alvo.

98 - Ó AMIGO!

No jardim de teu coração, nada plantes salvo a rosa do amor e não te desprendas do rouxinol do afeto e do desejo. Estima a companhia dos justos e evita toda associação com os ímpios.

99 - Ó FILHO DA JUSTIÇA!

Aonde pode ir o apaixonado senão à terra de sua bem-amada? E aquele que procura, poderá ele ficar tranqüilo longe do desejo de seu coração? Para quem ama verdadeiramente, a união é vida e a separação morte. Vazio de paciência está seu peito; privado de paz, seu coração. A miríades de vidas ele renunciaria a fim de se apressar para onde se encontra a bem-amada.

100 - FILHO DO PÓ!

Em verdade, Eu te digo: De todos os homens, o mais negligente é o que disputa futilmente e procura colocar-se acima do irmão. Dize: ó irmãos! Sejam atos, e não palavras, vosso adorno.

101 - Ó FILHO DA TERRA!

Sabe tu, em verdade, o coração no qual resta ainda o menor vestígio de inveja, jamais atingirá Meu domínio eterno, nem inalará os doces e sagrados aromas que emanam de Meu reino de santidade.

102 - Ó FILHO DA GLÓRIA!

Sê veloz no caminho da santidade e entra no céu da comunhão Comigo. Purifica teu coração com o polimento do espírito e apressa-te em alcançar a corte do Altíssimo.

103 - Ó HOMEM DE DUAS VISÕES!

Fecha uma vista e abre a outra. Fecha uma para o mundo e tudo o que nele existe e abre a outra para a sagrada beleza do Bem-Amado

104 - Ó AMIGOS!

Não abandoneis a beleza eterna por uma beleza fadada a perecer, e não vos afeiçoeis a este mundo mortal de pó.

105 - Ó ESSÊNCIA DA INCÚRIA!

Miríades de línguas místicas encontram expressão num só dizer, e miríades de mistérios ocultos revelam-se numa só melodia; mas, ai! não há ouvido que escute, nem coração que possa compreender.

106 - Ó VÓS HABITANTES DO MAIS ALTO PARAÍSO!

Proclamai aos filhos da certeza que, dentro dos domínios da santidade, perto do paraíso celestial, apareceu um novo jardim, em volta do qual circulam os que residem no reino nas alturas e os habitantes imortais do excelso paraíso. Esforçai-vos, pois, para que possais atingir essa condição; desvendar de suas anêmonas os mistérios do amor e aprender de seus frutos eternos o segredo de uma sabedoria consumada e divina. Consolados são os olhos dos que aí entram e permanecem.

107 - Ó MEUS AMIGOS!

Apagai a lâmpada do erro e acendei dentro de vossos corações a tocha perene da guia divina, pois em breve os avaliadores da humanidade, na santa presença do Adorado, nada aceitarão salvo a mais pura virtude e ações de imaculada santidade.

108 - Ó FILHO DO ESPÍRITO!

Rompe tua gaiola e, assim como a fênix do amor, alça vôo para o firmamento da santidade. Renuncia a ti mesmo e, prenhe do espírito da misericórdia, habita no reino da santidade celestial.

109 - Ó MEU SERVO!

Liberta-te dos grilhões desse mundo e desprende tua alma da prisão do ego. Aproveita tua oportunidade, pois não mais te virá.

110 - Ó FILHO DE MINHA SERVA!

Fosses tu contemplar a soberania imortal, haverias de te esforçar por sair deste mundo efêmero. Mas ocultar-te um e revelar-te outro é um mistério que ninguém há de compreender, salvo o puro de coração.

111 - Ó COMPANHEIRO DE MEU TRONO!

Nenhum mal deves tu ouvir, nem ver; não te rebaixes, nem suspires, nem chores. Nenhum mal deves falar, para que não o ouças falado a ti; nem aumentes as faltas alheias, a fim de que as tuas próprias não se afigurem grandes. Não desejes a humilhação de ninguém, para que não se torne evidente tua própria humilhação. Vive, pois, os dias de tua vida, os quais são menos de um momento fugaz, mantendo sem mancha a tua mente, imaculado teu coração, puros teus pensamentos e santificada tua natureza, de modo que, livre e contente, possas abandonar essa forma mortal, recolher-te ao paraíso místico e habitar, para todo o sempre, no reino eterno.

112 - Ó QUINTA-ESSÊNCIA DA PAIXÃO!

Que te afastes de toda cobiça e procures contentar-te com o que tens; pois o cobiçoso tem sido sempre privado, enquanto aquele que se contenta é sempre objeto de amor e elogios.

113 - Ó VÓS QUE VOS ORGULHAIS DA RIQUEZA MORTAL!

A riqueza - sabei vós, em verdade - é uma forte barreira entre quem busca e seu anelo, entre quem ama e o objeto de seu amor. Os ricos, salvo um número limitado, de modo algum atingirão a corte de Sua Presença, nem na cidade do contentamento e resignação, haverão de entrar. Bem-aventurado aquele, pois, que embora rico, não é por sua riqueza impedido de entrar no reino eterno nem privado do imperecível domínio. Pelo Nome Supremo! O esplendor desse homem rico haverá de iluminar os habitantes do céu, assim como o sol se irradia sobre o povo da terra!

114 - Ó MEU FILHO!

A companhia do ímpio aumenta a tristeza, enquanto que a associação ao justo retira a ferrugem do coração. Quem busca comunhão com Deus, deve procurar a companhia de Seus amados; e quem deseja escutar a palavra de Deus, que dê ouvidos às palavras de Seus eleitos.

115 - Ó DESATENTOS!

Não penseis que os segredos dos corações estejam ocultos; não, sabei com toda a certeza que se acham gravados em caracteres claros, abertamente manifestos na santa Presença.

116 - Ó EMIGRANTES!

A língua, Eu a designei para Me mencionar; não a corrompais com a difamação. Se a flama do ego vos sobrevier, lembrai-vos de vossas próprias faltas e não das faltas de Minhas criaturas, já que cada um de vós conhece a si mesmo melhor do que aos outros.

117 - Ó FILHO DO MUNDANISMO!

Aprazível é o reino da existência, fosses tu atingi-lo; glorioso o domínio da eternidade, fosses tu passar além do mundo mortal; doce é o santo êxtase, se sorvesses do cálice místico oferecido pelas mãos do Jovem celestial. Pudesses tu alcançar esta condição, livrar-te-ias da destruição e da morte, da fadiga e do pecado.

118 - Ó FILHO DE MINHA SERVA!

A orientação sempre tem sido dada através de palavras, mas agora é dada por ações. Cada um deve manifestar ações que sejam puras e santas, pois palavras pertencem a todos, igualmente, mas ações como estas são próprias só de Nossos bem-amados. Esforçai-vos, então, de coração e alma, a fim de vos distinguirdes pelos vossos atos. Assim Nós vos aconselhamos nesta Epístola santa e resplandecente.

119 - Ó FILHO DE MINHA SERVA!

Sorve da língua do Misericordioso, o fluxo do mistério divino e, do alvorecer da prolação divina, contempla o desvelado esplendor do sol da sabedoria. No puro solo do coração, lança as sementes de Minha sabedoria divina e rega-as com as águas da certeza para que os jacintos do conhecimento e sabedoria desabrochem, frescos e verdejantes, da cidade santa do coração.

120 - Ó MEUS SERVOS!

Sois as árvores de Meu jardim; deveis dar frutos belos e maravilhosos, para que vós e outros sejais por eles beneficiados. Assim compete a cada um ocupar-se em ofícios ou profissões, pois o segredo da riqueza está nisso, ó homens de compreensão! Resultados dependem de meios e a graça de Deus vos será toda-suficiente. Árvores infrutíferas sempre foram e serão destinadas ao fogo.

III - OS SETE VALES
Em Nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso.

121 - Louvores a Deus, que fez sair do nada o ser, que gravou sobre a tábua do homem os mistérios da pré-existência1, que ensinou-lhe dos mistérios da elocução divina aquilo que ele não conhecia e tornou-o um Livro Luminoso para aqueles que acreditaram e se renderam; que o fez testemunhar a criação de todas as coisas nesta regra e ruinosa era e, do ápice da eternidade, falar com voz maravilhosa no Templo Excelente, a fim de que todo homem possa dar testemunho - em si mesmo e por si próprio - no grau do Manifestante do Seu Senhor, de que em verdade não há Deus salvo Ele, e todos os homens possam assim alcançar o cume das realidades, até que nenhum deles contemple coisa alguma, seja o que for, sem nela ver a Deus.

E louvo e glorifico o primeiro mar oriundo do oceano da Essência Divina, e o primeiro alvorecer que raiou no Horizonte da Unicidade, e o primeiro sol que se ergueu no Céu da Eternidade, e o primeiro fogo que se ateou da Lâmpada da Preexistência na candeia da singularidade: Aquele que era Ahmad no reino dos seres excelsos, e Maomé dentre a assembléia dos que estão próximos, e Mahmúd no reino dos sinceros. ...Por qualquer nome que quiserdes, invocai-O: Ele tem os mais excelentes nomes nos corações dos que sabem. E sobre Sua casa e Seus companheiros haja paz abundante, permanente eterna!

Ademais, escutamos o que o rouxinol do saber cantou nos ramos da árvore de teu ser, e aprendemos o que o pombo da certeza arrulhou nos ramos do caramanchão de teu coração. Parece-me que inalei, em verdade, as puras fragrâncias das vestes de teu amor e atingi o verdadeiro encontro contigo, ao ler tua carta. E, já que percebi a menção de tua morte em Deus e de tua vida através dEle, e de teu amor pelos amados de Deus e pelos Manifestantes de Seus Nomes e Alvoreceres de Seus Atributos - Eu, pois, revelo-te os segredos e resplandecentes sinais dos planos da glória, para te atrair à corte da santidade, proximidade e beleza, e te levar a uma condição em que nada vejas na criação salvo a Face de teu Bem-Amado, Alvo de toda a honra, e contemples todas as coisas criadas somente como no dia em que de nenhum se faz menção. Sobre isso cantou o rouxinol da unicidade, no jardim de Ghawthíyyih. Disse ele: Aparecerá sobre a tábua do teu coração um escrito dos mistérios sutis de: "Temei a Deus, e Deus dar-vos-á conhecimento", e a ave da tua alma haverá de relembrar os sagrados santuários da preexistência e elevar-se-á, nas asas do anelo, no céu de "percorre os caminhos trilhados de teu Senhor", e colherá os frutos da comunhão nos jardins de "Alimentai-vos, pois, de toda espécie de fruto".

Por Minha vida, ó amigo! Fosses tu provar desses frutos do jardim verdejante, dessas flores que desabrocham nas terras do conhecimento, ao lado das luzes cintilantes da Essência nos espelhos dos nomes e atributos - o anseio arrancaria de tuas mãos as rédeas da paciência e do comedimento, faria tua alma vibrar com a luz cintilante e te afastaria do lar terreno, alçando-te à morada primaz, celestial, no Centro das Realidades, e elevar-te-ia ao plano em que flutuarias no ar assim como andas sobre a terra, e te moverias sobre a água assim como corres sobre o solo. Portanto, que cause regozijo a Mim, e a ti, e a quem se eleva ao céu do conhecimento e cujo coração se haja refrescado por isso: o fato de haver o vento da certeza soprado sobre o jardim do seu ser, vindo da Sabá do Todo-Misericordioso.

Paz esteja sobre aquele que segue o Caminho Certo!

E mais: as etapas que marcam a jornada do peregrino desde a morada de pó até a pátria celestial são consideradas sete12. Alguns as têm denominado Sete Vales e outros, Sete Cidades. E dizem que, enquanto o peregrino não se livrar do ego e não percorrer essas etapas, jamais alcançará o oceano da proximidade e união, nem sorverá do vinho incomparável. O primeiro é o

Vale da Busca

O corcel desse Vale é a paciência; sem a paciência o peregrino dessa jornada não chegará a parte alguma e não atingirá nenhum alvo. Jamais deveria ele desanimar; ainda que se esforce por cem milhares de anos e, contudo, não logre contemplar a beleza do Amigo, nem assim deveria vacilar. Pois os que buscam a Caaba13 de por Nós, regozijam-se nas boas novas de: Em Nossos caminhos, Nós os guiaremos.14 Eles, em sua busca, se têm empenhado fortemente em servir, procurando a todo momento viajar do plano da negligência para o reino do ser. Laço algum os há de impedir, nem conselho os deterá.

Nessa jornada, o peregrino alcança uma condição em que vê todas as coisas criadas vagando aturdidas em busca do Amigo. Quantos Jacós verá ele em busca de seu próprio José! Contemplará muitos apaixonados a se apressarem em busca do Bem-Amado; testemunhará um mundo de seres ardorosos buscando o Desejado. A todo momento, encontra ele um assunto ponderoso, a toda hora, torna-se consciente de um mistério; pois já se afastou de ambos os mundos e partiu em direção à Caaba do Bem-Amado. A cada passo, o apoio do Reino Invisível assisti-lo-á, e mais ardente se tornará sua busca.

Deve-se julgar a busca pelo padrão do Majnún16 do Amor. Conta-se que, um dia, encontraram-no ocupado em peneirar o pó, enquanto lhe corriam as lágrimas. Perguntaram-lhe: Que fazes? Ao que respondeu: Busco Laylí! Ai de ti!, exclamaram, Laylí é de puro espírito e tu a buscas no pó! Disse-lhes: Eu a busco em toda parte quiçá em algum lugar eu a possa encontrar.

Sim, embora para os sábios seja vergonhoso procurar no pó o Senhor dos Senhores, isso, no entanto, indica intenso ardor na busca. Quem com zelo algo procura, haverá de encontra-lo.

O verdadeiro buscador nada procura senão o objeto de sua busca, e o apaixonado nenhum desejo nutre salvo a união com o objeto de seu amor. E jamais o buscador atingirá seu objetivo a menos que sacrifique todas as coisas. Ou seja, tudo o que tiver visto e ouvido e entendido deverá ser posto de lado, a fim de que ele possa entrar no reino do espírito, o qual é a Cidade de Deus18. Esforço é mister se quisermos procura-lo; imprescindível é o ardor para podermos sorver o mel da reunião com Ele; e se desse cálice provarmos, rejeitaremos o mundo.

Nessa jornada, o viajante habita em todas as terras, reside em todas as regiões. Em todo semblante, procura ele a beleza do Amigo; em cada país busca o Bem-Amado. Associa-se a todos os grupos e procura a companhia de cada alma, a fim de talvez poder descobrir em alguma mente o segredo do Amigo, ou em alguma face contemplar a beleza do Amado.

E, se, pela ajuda de Deus, encontrar nessa jornada um sinal visível do Amigo invisível, e inalar do mensageiro celestial a fragrância do José19 há muito perdido, entrará de imediato no

Vale do Amor

E será consumido no fogo do amor. Nessa cidade ergue-se o céu do êxtase, e brilha o sol do anelo que ilumina o mundo, e arde o fogo do amor; e quando o fogo do amor flameja, converte em cinzas a colheita da razão.

O viajante torna-se agora inconsciente de si próprio e de tudo além de si. Não vê a ignorância nem o conhecimento, nem a dúvida nem a certeza; não distingue entre a manhã da orientação e a noite do erro. Foge tanto da crença como da descrença, e o veneno mortal é para ele um bálsamo. Assim, pois, diz 'Attár:

Para o infiel, o erro - para o fiel, a fé;
Para o coração de 'Attár, um átomo de Tua dor.

O corcel desse Vale é a dor; e se não houver dor, jamais terminará essa jornada. Nessa condição, o apaixonado não pensa senão no Bem-Amado, nem busca refúgio algum salvo o Amigo. A todo o momento, o oferecem cem vidas na senda do Amado; a cada passo, joga mil cabeças aos pés do Bem-Amado.

Ó meu irmão! Enquanto não entrares no Egito21 do amor, jamais haverás de encontrar o José da Beleza do Amigo; e, a menos que abandones teus olhos exteriores, assim como Jacó, jamais haverás de abrir os olhos de teu ser interior; e, até que ardas com o fogo do amor, jamais haverás de comungar com o Amigo do Anelo.

Quem ama nada teme, nem lhe pode atingir dano algum: tu o vês frio no fogo e seco no mar.

Amante é aquele que no fogo infernal se esfria;
Sábio e aquele que no mar permanece seco.

O amor não aceita nenhuma existência nem deseja vida alguma: vê vida na morte e, na vergonha, procura glória. A fim de merecer a loucura do amor, o homem deve possuir sanidade abundante; para merecer os laços do Amigo, deve estar cheio de espírito. Bem-aventurado o pescoço preso por Seu laço; feliz a cabeça que cai ao pó no caminho de Seu amor. Portanto, ó amigo, abandona a ti mesmo a fim de poderes encontrar o Incomparável; abandona essa terra mortal para que possas buscar uma morada no ninho do céu. Sê como nada, se desejas acender o fogo da existência e te tornares apto para a senda do amor.

"O amor não aceita uma alma com vida,
O falcão não caça animal já morto."

O amor inflama um mundo a cada rotação, e devasta toda terra por onde leva sua bandeira. O ser não tem existência em seu reino; o sábio nenhum mando exerce dentro de seu domínio. O leviatã do amor engole o mestre do raciocínio e destrói o senhor do conhecimento. Ele bebe os sete mares, mas não lhe fica saciada a sede do coração, e diz: Há ainda mais? Ele rejeita a si próprio e afasta-se de todos na terra.

O amor é um estranho para a terra e para o céu;
Setenta e duas loucuras ocultam-se sob o seu véu!

Miríades de vítimas tem ele amarrado em suas correntes e miríades de sábios, ferido com sua flecha. Sabe tu que todo rubor no mundo é de sua ira, e toda a palidez nas faces dos homens é de seu veneno. Nenhum remédio concede ele, senão a morte; não anda senão no vale da sombra; nos lábios do apaixonado, porém mais doce que mel é seu veneno, e aos olhos de quem busca, o próprio aniquilamento é mais belo do que cem mil vidas. Assim, pois, devem os véus do ego satânico ser queimados pelo fogo do amor, para que o espírito possa ser purificado e limpo, e possa assim conhecer a posição do Senhor dos Mundos.

Ateia a chama do amor e consome no fogo todas as coisas,

Põe o pé, então, na terra dos que amam.

E se, confirmado pelo Criador, o apaixonado escapar das garras da águia do amor, haverá de entrar no

Vale do Conhecimento

E sairá da dúvida para a certeza, e volver-se-á da treva da ilusão para a luz do temor a Deus. Seus olhos interiores abrir-se-ão e ele conversará secretamente com seu Bem-Amado; deixará abertos os portais da verdade e da piedade, e fechará as portas das vãs fantasias. Ele, nessa condição, está satisfeito com o decreto de Deus, e vê a guerra como paz, e acha na morte os segredos da vida eterna. Com os olhos interiores e exteriores, testemunha os mistérios da ressurreição nos reinos da criação e das almas dos homens, e com coração puro apreende a sabedoria divina nas infindáveis Manifestações de Deus. No oceano, encontra ele uma gota; numa gota, contempla os segredos do mar.

Rachai o coração do átomo, e eis!
Em seu imo um sol encontrareis.

O viajante, nesse Vale, nada vê nos desígnios do Verdadeiro senão clara providência, e a todo momento diz: Defeito algum podes ver na criação do Deus de Misericórdia! Torna a fitar: vês tu alguma falha? Na injustiça vê ele justiça e, na justiça, graça. Na ignorância encontra muito conhecimento oculto e, no conhecimento, miríades de sabedorias manifestas. Ele rompe a gaiola do corpo e das paixões e se associa aos que residem no reino imortal. Ele galga as escadas da verdade interior e se apressa ao céu da significação interior. Ele é levado na arca de Mostrar-lhes-emos nossos sinais nas regiões da terra e em si próprios, e viaja no mar de até que se lhes torne manifesto ser [o Livro] a verdade. E se encontrar injustiça, terá paciência; e se notar ira, manifestará amor.

Existiu certa vez um apaixonado que há longos anos suspirava devido à separação da bem-amada, e que languescia no fogo do afastamento. Sob o domínio do amor, seu coração carecia de paciência, e seu corpo entediava-se do próprio espírito; a seu ver, a vida sem ela era uma zombaria, e o tempo o consumia. Quantos os dias em que ele não achava sossego, tão grande seu anseio por ela; quantas noites em que a dor por ela impedia-lhe o sono. De seu corpo só restava um suspiro; a ferida em seu coração transformara-o num grito de angústia. Teria ele dado mil vidas para provar, uma só vez, do cálice da sua presença, mas isso de nada lhe valeu. Os médicos não conheciam cura para seu mal, e os companheiros evitavam-lhe a companhia. Sim, os médicos não possuem remédios para quem padece de amor, a menos que o favor da bem-amada o alivie.

Finalmente, a árvore de seu anseio produziu o fruto do desespero, e o fogo de sua esperança transformou-se em cinzas. Então, uma noite, não mais podendo viver, partiu de sua casa em direção à praça. De súbito, um vigia começou a persegui-lo. Pôs-se a correr, com o vigia em seu encalço; vieram depois outros vigias, e ao fugitivo fatigado fecharam todos os caminhos. Coração em prantos, o desventurado corria de lá para cá, gemendo consigo mesmo: Certamente esse vigia é 'Izrá'íl, meu anjo da morte, pois que com tanta rapidez me persegue, ou é um tirano que me procura fazer mal. Os pés conduziam esse ser a sangrar com a fecha do amor, e seu coração lamentava. Alcançou então o muro de um jardim e com dor indizível escalou-o, porquanto era muito alto; então, esquecendo a própria vida, precipitou-se no jardim.

E eis que aí viu sua bem-amada, com uma candeia na mão, a procurar um anel que perdera. Ao contemplar a amada encantadora, esse apaixonado que havia rendido o coração suspirou profundamente e ergueu as mãos em prece, exclamando: Ó Deus! Concede Tu glória ao vigia, e riqueza e longa vida. Pois o vigia era Gabriel a guiar este pobre; ou era Isráfíl trazendo vida a este angustiado!

De fato, eram verdadeiras as suas palavras, pois descobrira muita justiça secreta nessa aparente tirania do vigia, e vira quanta misericórdia se ocultava atrás do véu. Em sua ira, o vigia havia conduzido aquele sedento do deserto do amor para o mar da amada, e iluminara a noite escura da ausência com a luz da reunião. Ele fizera entrar no jardim da proximidade aquele que estava longe, e guiara uma alma enferma ao médico do coração. Ora, tivesse o apaixonado podido prever isso, desde o início teria abençoado o vigia e por ele orado, e teria visto aquela tirania como justiça; mas já que o fim lhe estava velado, ele no começo gemia e se queixava. Os que viajam pela terra ajardinada do conhecimento, entretanto, porque vêem o fim no começo, percebem paz na guerra, e amizade na ira.

Tal é o estado dos que viajam neste Vale; mas os seres do Vales acima deste vêem o fim e o começo como uma coisa só; não! Eles não vêem nem começo nem fim; não testemunharam nem "primeiro" nem "último". Antes, os habitantes da cidade imorredoura, que residem na terra verdejante, ajardinada, nem mesmo vêem "nem primeiro nem último"; fogem de tudo o que é primeiro e repelem tudo o que é último. Pois estes transpuseram os mundos dos nomes e fugiram para além dos mundos dos atributos com a celeridade do relâmpago. Por isso é dito: A Unidade absoluta exclui todos os atributos. E fizeram sua morada à sombra da Essência.

Assim, como referência a isso, Khájih 'Abdu'lláh - que Deus, o Altíssimo, santifique-lhe o espírito amado - fez uma sutil observação e disse uma palavra eloqüente sobre o que significa Guia-nos no caminho certo, ou seja: Mostra-nos o caminho certo, isto é, honra-nos com o amor à Tua Essência, a fim de sermos libertados do volver-nos para nós mesmos e para tudo o que não seja Tu, e nos tornemos inteiramente Teus, e conheçamos a Ti somente, e apenas a Ti vejamos, e em ninguém pensemos salvo em Ti.

Ainda mais, esses seres elevam-se acima dessa condição, razão pela qual é dito:

O amor é um véu entre o amante e a amada:
Mais do que isso não me é permitido dizer.

Nesta hora, a manhã do conhecimento surge, e as lâmpadas da peregrinação e da busca se apagam.

Mesmo Moisés foi disso velado, apesar de toda luz e poder;

Tu, que nem asas tens, não tentes, portanto, ao céu te erguer.

Se fores homem de comunhão e oração, eleva-te nas asas da ajuda das Almas Santas, a fim de que possas testemunhar os mistérios do Amigo e atingir as luzes do Amado. Verdadeiramente, viemos de Deus e a Ele haveremos de retornar. Depois de passar pelo Vale do Conhecimento, que é o último plano da limitação, o peregrino alcança o

Vale da Unidade

E sorve do cálice do Absoluto e contempla os Manifestantes da Unicidade. Nesse grau ele rompe os véus da pluralidade, foge dos mundos da carne e ascende ao céu da unicidade. Com o ouvido de Deus, ele ouve; com os olhos de Deus, testemunha os mistérios da criação divina. Ele ingressa no santuário do Amigo e compartilha, como um amigo íntimo, do pavilhão do Amado. A mão da verdade ele estende de dentro da manga do Absoluto; ele revela os segredos do poder. Não vê em si próprio nem nome, nem fama, nem posição, mas encontra seu próprio louvor no louvar a Deus. Em seu próprio nome, vê ele o Nome de Deus; para ele, Todas as canções provêm do Rei, e dEle vem cada melodia. Ele assenta-se no trono de Dize, tudo vem de Deus, e repousa no tapete de Nenhum poder ou grandeza há, salvo em Deus. Ele contempla todas as coisas com a vista da unicidade, e vê os brilhantes raios do sol divino, que emanam do Alvorecer da Essência, atingir igualmente todas as coisas criadas, e as luzes da singularidade refletirem-se sobre toda a criação.

É claro para ti, ó Eminência, que, durante as etapas de sua viagem, todas as variações que o peregrino percebe nos reinos da existência procedem da sua própria visão. Daremos um exemplo disso, para que seu significado se torne inteiramente claro: considera o sol visível - embora brilhe com o mesmo esplendor sobre todas as coisas e, a mando do Rei da Manifestação, conceda luz a toda a criação, ele, no entanto, em cada lugar se manifesta e dispensa suas graças segundo as potencialidades daquele lugar. Num espelho, por exemplo, reflete seu próprio disco e formato, devido à sensibilidade do espelho; num cristal faz aparecer fogo e, em outras coisas, mostra apenas o efeito da sua irradiação, mas não seu disco inteiro. E, no entanto, através desse efeito, segundo a ordem do Criador, ele treina cada coisa de acordo com a qualidade desta, como bem podes observar.

Outrossim, as cores tornam-se visíveis em cada objeto segundo a natureza desse objeto. Num globo amarelo, por exemplo, os raios reluzem amarelos; num branco, são brancos os raios, e, num vermelho, raios vermelhos se manifestam. Portanto, essas variações são do objeto e não da luz irradiante. E, se um lugar for fechado à luz por paredes ou um teto, ficará inteiramente privado do esplendor da luz; nem poderá o sol ali brilhar. Assim é que certas almas inválidas confinaram as terras do conhecimento dentro dos muros do ego e da paixão, e as têm nublado com ignorância e cegueira, ficando privadas da luz do sol místico e dos mistérios do Eterno Bem-Amado; e têm vagueado longe da preciosa sabedoria da Fé lúcida do Senhor dos Mensageiros, sendo excluídas do santuário do Todo-Formoso e sendo banidas da Caaba do esplendor. É o quanto vale o povo desta era!

E, se um rouxinol alçar vôo do barro do ego e, aninhando-se no roseiral do coração, relatar em melodias árabes e doces canções iranianas os mistérios de Deus - das quais uma só palavra traz vida nova e fresca aos corpos dos mortos, e concede o Espírito Santo aos ossos deteriorados desta existência - verás mil garras de inveja, miríades de bicos rancorosos que O perseguem e que, com todas as forças, intentam Sua morte. Deveras, para o besouro uma doce fragrância parece fétida, e, para um homem com reuma, um perfume agradável é como nada. Razão para que, foi dito, para a orientação do ignorante:

"Limpa de tua cabeça a reuma, mal febril
E aspira o Sopro Divino, primaveril."

Em suma, as diferenças entre os objetos já se tornam agora claras. Assim, quando o viajante contempla apenas o lugar da manifestação - isto é, quando olha apenas os globos multicolores - vê amarelo e vermelho e branco. É por essa razão que o conflito tem predominado entre as criaturas, e uma tenebrosa poeira provinda de almas limitadas tem encoberto o mundo. Alguns há que miram o fulgor da luz; e alguns há que sorveram o vinho da unicidade: esses nada vêem senão o próprio sol.

Assim, por moverem-se nesses três planos distintos, a compreensão e as palavras dos viajantes têm variado, e por isso o sinal do conflito manifesta-se continuamente na terra. Pois há alguns que habitam no plano da unicidade e desse mundo falam, e alguns que residem nos domínios da limitação, e alguns nos graus do ego, enquanto outros se acham completamente velados. Assim, pois, as pessoas ignorantes da época, privadas de um quinhão do esplendor da Beleza Divina, fazem certas alegações e, em cada era e cada ciclo, infligem ao povo do mar da unicidade aquilo que elas próprias merecem. Fosse Deus punir os homens pelos seus feitos perversos, não deixaria Ele sobre a terra uma só coisa vivente! Mas até o fim de um prazo determinado, Ele lhes concede trégua...

Ó Meu irmão! Um coração puro é como um espelho; limpa-o com o polimento do amor e do desprendimento de tudo exceto de Deus, para que nele possa brilhar o sol verdadeiro e a manhã eterna alvoreça. Tu verás então, com clareza, o que significa: Nem Minha terra nem Meu céu Me contêm, mas o coração de Meu servo fiel Me contém. E tomarás tua vida em tua mão e a lançarás com infinito anelo diante do novo Bem-Amado.

Sempre que a luz da Manifestação do Rei da Unicidade se estabelece no trono do coração e da alma, o brilho dEle torna-se visível em cada membro e elemento do corpo. Então, o mistério da famosa tradição reluz em meio às trevas: Um servo é atraído a Mim em prece até que Eu lhe responda: e, quanto Eu lhe tiver respondido, torno-Me o ouvido com o qual ele ouve... Pois assim o Senhor da casa53 apareceu dentro de Seu lar, e todos os pilares da morada cintilam com Sua luz. E a ação e o efeito são daquele que concede a luz: assim é que todos se movem através dEle e se levantam pela Sua vontade. E é essa a fonte da qual bebem os que estão próximos, assim como é dito:

Uma fonte da qual haverão de beber aqueles próximos de Deus...

Que ninguém, entretanto, interprete essas palavras como expressão de antropomorfismo, nem nelas veja a descida dos mundos de Deus para os níveis das criaturas; nem devem elas levar-te, ó Eminência, a tais suposições. Pois Deus, em Sua Essência, é santificado acima de ascensão e descida, entrada e saída. Ele, desde toda a eternidade, mantém-Se livre dos atributos das criaturas humanas, e assim será para sempre. Homem algum jamais O conheceu; nunca uma alma descobriu o caminho que conduz a Seu Ser. Todo sábio místico tem vagueado longe, sem rumo no vale do conhecimento dEle; todo santo tem perdido o caminho na tentativa de compreender Sua Essência. Santificado é Ele acima da compreensão dos sábios; elevado, além do conhecimento dos que conhecem. O caminho está fechado, e procurá-lo é impiedade. Sua prova está em Seus sinais. Seu ser é Sua evidência.

Por isso, os que amam a face do Bem-Amado disseram: Ó Tu, Cuja Essência, tão-somente, mostra o caminho que conduz à Tua Essência, e que estás santificado além de qualquer semelhança com Tuas criaturas. Como pode o simples nada galopar seu corcel no campo da preexistência, ou uma sombra fugaz alcançar o sol imperecível? Disse o Amigo: Não fosses Tu, nós não Te teríamos conhecido, e disse o Amado: nem atingido Tua Presença.

Sim, os que se tem mencionado em relação aos graus do conhecimento refere-se ao conhecimento dos Manifestantes daquele Sol da Realidade59 que projeta Sua luz sobre os Espelhos. E o esplendor dessa luz está nos corações, embora se ache oculta sob os véus dos sentidos e das condições desta terra, do mesmo modo que uma vela dentro de uma lanterna de ferro. Somente ao ser removida a lanterna é que a luz da vela irradia-se.

Do mesmo modo, quando despires teu coração do invólucro da ilusão, as luzes da unicidade tornar-se-ão manifestas.

Está claro, pois, que até para os raios não há entrada nem saída - quanto menos para aquela Essência do Ser e aquele Mistério tão almejado. Ó Meu irmão, viaja nesses planos com espírito de busca, e não em cega imitação. Um verdadeiro peregrino não será impedido pela clava das palavras, nem barrado pela advertência de alusões.

"Pode uma cortina afastar o amante da amada?
Nem o muro de Alexandre os pode separar!"

Segredos são muitos, mas há miríades de estranhos. Volumes não bastarão para conter o mistério do Bem-Amado, nem essas páginas o poderão esgotar, embora nada mais seja que uma palavra, nada além de um sinal.

O conhecimento é um só ponto, mas os ignorantes o têm multiplicado.

Com base nisso, pondera também sobre as diferenças entre os mundos. Se bem que os mundos divinos sejam intermináveis, algumas pessoas, no entanto, referem-se a eles como sendo quatro: o mundo do tempo (zamán), que é o que tem tanto um princípio como um fim; o mundo da duração (dahr), o qual tem um começo, mas cujo fim não é revelado; o mundo da perpetuidade (sarmad), cujo princípio não é visível, mas sabe-se ter fim; e o mundo da eternidade (azal), que não tem começo nem fim visíveis. Embora existam muitas alegações divergentes relativas a esses pontos, causaria tédio, se delas tratássemos em detalhe. Assim, alguns têm dito que o mundo da perpetuidade não tem começo nem fim, e denominam o mundo da eternidade de o Empíreo invisível, inexpugnável. Outros têm denominado esses mundos de a Corte Celestial (Láhút), o Céu Empíreo (Jabarút), o Reino dos Anjos (Malakút) e o mundo mortal (Násút).

As jornadas na senda do amor são reconhecidas como sendo quatro: das criaturas ao Verdadeiro; do Verdadeiro às Criaturas; das criaturas as criaturas; do Verdadeiro ao Verdadeiro.

Há muitas afirmações de videntes místicos e doutores de antanho que deixei de mencionar aqui, por desagradar-Me o citar demasiadamente dos dizeres do passado; pois a citação das palavras de outrem indica erudição adquirida e não a dádiva divina. Até mesmo pouco que temos citado aqui é por deferência ao costume dos homens e segundo o modo dos amigos. Além disso, tais assuntos estão além do escopo desta epístola. Não é por orgulho que não desejamos relatar seus dizeres; antes, trata-se de uma manifestação de sabedoria e é uma demonstração de graça.

"Se Khidr fez naufragar o navio no grande oceano,
Ainda há mil acertos nesse aparente engano."

Doutro modo, este Servo considera a Si Próprio como totalmente perdido, como nada, mesmo ao lado de um dos amados de Deus, quanto mais na presença de Seus santos. Louvado seja Meu Senhor, o Supremo! Além disso, nosso objetivo é relatar as etapas da jornada do peregrino, não expor os dizeres contraditórios dos místicos.

Embora já tenha sido dado um breve exemplo acerca do princípio e do fim do mundo relativo, do mundo dos atributos, acrescentamos agora mais um, para que o pleno sentido se possa manifestar. Por exemplo: que tu, ó Eminência, consideres a ti próprio - és o primeiro em relação a teu filho, e o último em relação a teu pai. Em tua aparência exterior, és uma evidência da manifestação do poder nos reinos da criação divina; em teu interior, revelas os mistérios ocultos - que são fideicomisso divino depositado dentro de ti. E, assim, os atributos de ser primeiro e último, de exterioridade e interioridade, no sentido referido, manifestam-se em ti, para que nesses quatro estados a ti conferidos possas compreender os quatro estados divinos, e o rouxinol de teu coração, sobre todos os ramos da roseira da existência, quer visíveis ou ocultos, possa exclamar: Ele é o Primeiro e o Último, o Visível e o Oculto.

Essas afirmações são feitas na esfera daquilo que é relativo, devido às limitações dos homens. Doutro modo, aqueles seres que num só passo transpuseram o mundo do relativo e do limitado, indo habitar no belo plano do Absoluto, com sua tenda erguida nos mundos da autoridade e do comando - estes queimaram tais relatividades com uma só centelha, e apagaram tais palavras com uma gota de orvalho. Eles nadam no mar do espírito, e elevam-se no santo ar da luz. Que vida, pois, é possuída por palavras em tal plano, que se pudesse ver ou mencionar "primeiro" e "último" ou outra qualquer? Neste reino, o primeiro é, em si mesmo, o último; e o último é apenas o primeiro.

"Acende dentro de tua alma o fogo do amor:
Pensamentos e palavras queima em seu calor."

Ó meu amigo, mira-te a ti mesmo: caso não tivesses te tornado pai e gerado um filho, não terias ouvido esses dizeres. Agora esquece-te de todos eles, para que possas ser educado pelo Mestre do Amor, na escola da unicidade, e regressar para Deus, e trocar a terra interior da irrealidade66 por tua verdadeira condição, e morar à sombra da árvore do conhecimento.

Ó tu, amado! Empobrece-te a fim de que possas entrar na alta corte das riquezas; e humilha teu corpo, para que possas beber do rio da glória e atingir o pleno significado dos poemas sobre os quais perguntaste.

Dessa forma, fica claro que essas etapas dependem da visão do peregrino. Em toda cidade, verá ele um mundo, em todo vale alcançará uma fonte, em todo prado ouvirá uma canção. Mas o falcão do céu místico tem muita música maravilhosa do espírito em Seu peito, e a ave persa guarda em Sua alma várias doces melodias árabes, porém, estão ocultas, e ocultas hão de permanecer.

"Se eu as expressar, mentes inúmeras serão partidas,

E, se eu as escrever, penas sem conta serão rompidas."

Paz esteja sobre aquele que conclui essa jornada excelsa e segue o Ser Verdadeiro pelas luzes que guiam.

E o viajante, depois de haver atravessado os planos elevados dessa jornada superna, adentra o

Vale do Contentamento

Nesse Vale, ele sente as brisas do contentamento divino a soprar do plano do espírito. Ele queima os véus da penúria e, com os olhos interiores e exteriores, vê dentro e fora de todas as coisas o dia de: Deus a cada um compensará com Sua abundância. Da tristeza, ele se volve ao êxtase; da angústia, ao júbilo. Seu pesar e seus lamentos cedem lugar ao deleite e ao enlevo.

Embora aparentemente os peregrinos desse Vale habitem no pó, interiormente, no entanto, acham-se entronizados nas alturas da significação mística; alimentam-se das infindáveis graças dos significados interiores e sorvem os delicados vinhos do espírito.

A língua falha ao tentar descrever estes três Vales, e as palavras são inadequadas. A pena não escreve nesta região; a tinta deixa apenas um borrifo. Nesses planos, o rouxinol do coração tem outras canções e outros segredos que comovem o coração e fazem a alma clamar; mas este mistério de sentido interior só pode ser sussurrado de coração a coração, confiado apenas de peito a peito.

"Somente os corações, do êxtase dos sábios místicos, podem falar;

Pois não há mensageiro ou missiva que o consiga relatar."

"Por incapacidade devo silenciar,
Muita cousa a ser dita;
Palavras minhas não as podem relatar
Nem há voz que as reflita."

Ó amigo, enquanto não entrares no jardim desses mistérios, jamais teus lábios haverão de tocar o vinho imperecível deste Vale. E, se tu o provares, protegerás teus olhos de tudo o mais, e sorverás o vinho do contentamento; livrar-te-ás de todas as outras coisas, unir-te-ás a Ele, e sacrificarás tua vida em Sua vereda, e abandonarás tua alma. Todavia, não há outro nesta região a quem tenhas de esquecer: Havia Deus e nada havia além dEle. Pois quem viaja nesse plano, testemunha em tudo a beleza do Amigo. Até no fogo vê a face do Bem-Amado. Percebe na ilusão o segredo da realidade, e lê nos atributos o enigma da Essência. Pois ele já queimou os véus com seus suspiros, e penetrou os invólucros com um só olhar; com visão penetrante contempla a nova criação; com coração lúcido abarca verdades sutis. Isso é atestado adequadamente por: E fizemos aguda tua visão neste dia.

Após viajar através dos planos do puro contentamento, o peregrino alcança o

Vale da Admiração

E é sacudido nos oceanos da grandeza, e a todo instante sua admiração cresce. Aqui a aparência de riqueza se lhe afigura como a própria pobreza, e a essência da liberdade, como pura dependência. Ora se acha atônito ante a formosura do Todo-Glorioso; ora sua própria vida o deprime. Quantas foram às árvores místicas desarraigadas por este ciclone da admiração; quantas as almas por ele levadas à exaustão. Pois neste Vale, o peregrino é lançado em confusão, mas aos olhos de quem as atingiu, tais maravilhas são estimadas e benquistas. A todo o momento se lhe apresenta um mundo admirável, uma nova criação, e ele passa de espanto a espanto, estupefato ante as obras do Senhor da Unicidade.

Em verdade, ó irmão, se ponderarmos sobre cada uma das coisas criadas haveremos de testemunhar miríades de sabedorias perfeitas, e aprenderemos miríades de verdades novas e maravilhosas. Um dos fenômenos criados é o sonho. Vê quantos segredos nele se acham depositados, quantas sabedorias entesouradas e quantos mundos ocultos. Observa: estás adormecido numa morada cujas portas estão trancadas, mas, de súbito, te encontras numa cidade longínqua, onde entras sem mover os pés ou fatigar o corpo; vês sem fazer uso de teus olhos, e, sem esforço dos ouvidos, ouves; sem língua, falas. E talvez presencies no mundo exterior, dez anos depois, as mesmíssimas coisas que sonhaste essa noite.

Ora, há muitas sabedorias que ponderar no sonho, as quais ninguém pode compreender em seus elementos verdadeiros, a não ser os habitantes deste Vale. Primeiro: que mundo é esse onde, sem olhos, ouvidos, mãos ou língua, o homem usa todos eles? Segundo: como é que vês hoje, no mundo exterior, a realização de um sonho que previste no mundo do sono uns dez anos passados? Deves considerar a diferença entre esses dois mundos e os mistérios por eles encerrados, a fim de que possas atingir as confirmações divinas e as descobertas celestiais, e entrar nas regiões da santidade.

Deus, o Excelso, depositou nos homens esses sinais para que os filósofos não negassem os mistérios da vida do além, nem tivessem em pouca conta aquilo que lhes foi prometido. Pois alguns se apóiam no raciocínio e negam tudo o que a razão não compreende; entretanto, mentes fracas jamais compreenderão os temas que acabamos de relatar, pois tão-somente a Inteligência Suprema, Divina, é que os pode compreender:

"Como pode o frágil raciocínio abarcar o Alcorão,
Ou a aranha prender uma fênix em sua teia?"

Todos esses estados hão de ser presenciados no Vale da Admiração, e quem nele viaja busca sempre mais, a todo momento, e não se fatiga. Assim, o Senhor do Primeiro e do Último,76 ao expor os graus da contemplação e aos expressar Sua admiração, disse: Ó Senhor, aumenta meu assombro diante de Ti! Outrossim, medita sobre a perfeição da criação do homem, e como todos esses planos e estados nele se encerram e ocultam.

"Consideras-te apenas um ser insignificante
Quando o universo em ti se encerra?"

Devemos, pois, nos esforçar por destruir a condição animal, até que o significado da condição humana venha à luz.

Assim também Luqmán, que bebeu do manancial da sabedoria e provou as águas da mercê, ao demonstrar ao seu filho, Nathan, os planos da ressurreição e da morte, apresentou o sonho como evidência e exemplo. Relatamos isso aqui para que, através deste Servo efêmero, permaneça uma recordação daquele jovem da escola da Unidade Divina, daquele ancião na arte da instrução e do Absoluto. Disse ele: Ó filho, se podes deixar de dormir, poderás então deixar de morrer. E, se consegues não acordar após o sono, conseguirás também não ressurgir após a morte.

Ó amigo, o coração é a morada de mistérios eternos; não o faças lar de fantasias fugazes. Não dissipes o tesouro da tua vida preciosa com as ocupações deste mundo efêmero. Vens do mundo da santidade, não prendas à terra teu coração. És habitante da corte da proximidade, não escolhas o pó para tua pátria.

Em suma, é interminável a descrição dessas etapas, mas, por causa das injúrias que os povos da terra lhe infligiram, este Servo não se acha disposto a continuar:

"Resta ainda, inacabado, o relato na mão;
Mas falta-me ânimo; imploro, pois, perdão."

A pena geme, a tinta derrama lágrimas, e o rio81 do coração move-se em ondas de sangue. Coisa alguma nos pode suceder senão aquilo que Deus nos destinou.82 Haja paz sobre aquele que segue no Caminho Certo! Após haver ascendido aos altos píncaros da admiração, o viajante alcança o

Vale da Verdadeira Pobreza e Inexistência Absoluta

Este estado é o da morte do ego, e da vida em Deus; o de ser pobre no ego, e rico no Desejado. A pobreza à qual aqui nos referimos significa ser pobre nas coisas do mundo criado, mas rico nas coisas do mundo de Deus. Pois, quando o amante verdadeiro, o amigo devoto, atinge a presença do Bem-Amado, a radiante formosura dEste, e o ardor do coração do apaixonado, farão surgir uma chama que consumirá todo véu e todo invólucro. Sim, tudo o que ele possui, do coração à pele, inflamar-se-á, nada restando senão o Amigo.

"Quando as qualidades do Ancião dos Dias foram reveladas,

As qualidades das coisas terrenas foram por Moisés queimadas."

Quem tiver atingido essa condição, achar-se-á purificado de tudo o que pertence ao mundo. Razão pela qual, se for percebido que aqueles que alcançaram o mar da Sua Presença não possuem nenhuma das coisas limitadas desse mundo perecível, quer seja riqueza exterior ou opiniões pessoais, isso não importa. Pois tudo o que as criaturas possuem é limitado por suas próprias limitações, e tudo o que o Verdadeiro possui está disso santificado. Deve-se ponderar profundamente sobre essa asserção, a fim de que seu intuito se torne claro. Verdadeiramente, o justo beberá do vinho temperado na fonte de cânfora.85 Se for conhecida a interpretação de "cânfora", a verdadeira intenção tornar-se-á evidente. Esse estado é o da pobreza da qual se diz: A pobreza é Minha gloria.86 E, na pobreza, seja interior ou exterior, há muitas etapas e muitos sentidos que não julguei pertinentes aqui; reservei-os, pois, para outra ocasião, dependendo daquilo que Deus possa desejar ou o destino impor.

Esse é o plano onde são destruídos, no viajante, os vestígios de todas as coisas, e, no horizonte da eternidade, surge da treva o Semblante Divino, e torna-se manifesto o sentido de: Tudo na terra há de passar, menos a Face de teu Senhor.

Ó Meu amigo, ouve, de coração e alma, as canções do espírito, e valorizá-as como valorizas teus próprios olhos. Pois as sabedorias celestiais, à semelhança das nuvens primaveris, não regarão para sempre o solo dos corações humanos; e, embora a graça do Todo-Poderoso jamais se aquiete e jamais cesse, no entanto, para cada tempo e cada era é designado um quinhão, e uma dádiva lhe é conferida - e isso numa determinada medida. E coisa alguma há que não seja suprida de Nossos depósitos; e não a dispensamos, a não ser numa medida determinada.88 A nuvem da mercê do Bem-Amado rega somente o jardim do espírito, e só na estação primaveril é que concede esse favor. As outras estações não participam dessa, a maior das graças, nem é concedida às terras estéreis porção alguma desse favor.

Ó irmão! Nem todo mar tem pérolas; nem todos os ramos florescerão, tampouco sobre todos cantará o rouxinol. Antes, pois, que o rouxinol do paraíso místico se recolha para o jardim de Deus, e os raios da manhã celestial retornem ao Sol da Verdade, faze um esforço para que, nesse monte de pó que é o mundo mortal, possas aspirar, quiçá, uma fragrância do jardim eterno, e viver para sempre à sombra dos habitantes dessa cidade. E, quando tiveres atingido esse grau supremo e entrado nesse mais exaltado plano, então contemplarás o Bem-Amado, e tudo mais esquecerás.

"O Bem-Amado brilha agora por toda parte,
Ó homens de visão, sem véu algum que O aparte."

Abandonastes agora a gota da vida e atingiste o mar dAquele que concede a vida. É esse o alvo que pediste; se for a vontade de Deus, haverás de alcança-lo.

Nessa cidade, até os véus de luz se rompem e se esvaecem. Sua beleza véu algum tem a não ser a iluminação; Seu semblante, disfarce algum salvo a revelação. Que estranho! Embora o Bem-Amado esteja tão visível como o sol, no entanto, os desatentos buscam ainda ouropéis e vil metal. Sim, a intensidade de Sua revelação O encobriu, e a plenitude de Sua irradiação O ocultou.

"Tal qual o sol radiante a Verdade brilhou,
Mas, lástima! À cidade dos cegos chegou."

Nesse Vale, o viajante deixa para trás as etapas da unicidade da Existência e da Manifestação, e atinge uma unicidade santificada acima desses dois graus. O êxtase, tão-somente, pode abranger este tema, e não palavras ou argumento. Quem tiver permanecido nessa etapa da viagem, ou recebido um sopro dessa terra ajardinada, conhece isso de que falamos.

Em todas as viagens, o peregrino não se deve desviar da Lei nem pela grossura de um fio de cabelo, pois isso, de fato, é o segredo do Caminho e o fruto da Árvore da Verdade. Em todas essas etapas, deve ele aderir às vestes da obediência aos mandamentos, e segurar-se á corda do afastamento de todas as coisas proibidas, para que seja nutrido do cálice da Lei e informado sobre os mistérios da Verdade.

Se alguma das exposições deste Servo não for compreendida, ou levar à perturbação, ela deverá ser indagada novamente, a fim de que não reste nenhuma dúvida, e o sentido se torne tão claro como o Semblante do Bem-Amado a brilhar da Posição Gloriosa.

Para essas viagens não há término visível no mundo do tempo, mas o peregrino desprendido - se a confirmação invisível descer sobre ele e o Guardião da Causa o ajudar - pode atravessar essas sete etapas em sete passos, ou até em sete sopros; antes, até em um só sopro, se Deus assim quiser e desejar. E isso é de Sua graça àqueles de Seus servos que Lhe aprouver concedê-la.

Os que voam ao céu da singularidade e alcançam o mar do Absoluto, consideram essa cidade - que é o grau da vida em Deus - como o mais alto estado dos sábios místicos, e a mais remota pátria dos que amam. Mas, para este Ser efêmero do oceano místico, esse estado é o primeiro portal da cidade do coração, ou seja, a primeira entrada do homem na cidade do coração; e o coração é dotado de quatro etapas, as quais seriam descritas, se fosse encontrada uma alma irmã.

"Quando a pena se pôs a delinear esse grau
Despedaçou-se, e a página se rompeu."
Salám!
IV - ALGUMAS EPÍSTOLAS IMPORTANTES
1. PALAVRAS DE SABEDORIA

122 - A origem de todo o bem é a confiança em Deus, a submissão a Seus preceitos e o contentamento com Sua Santa vontade e Seu beneplácito.

A essência da sabedoria está no temor a Deus, no medo de Seu flagelo e Sua punição, e na apreensão de Sua justiça e Seu decreto.

A essência da religião consiste em se dar testemunho daquilo que o Senhor revelou, e em seguir o que Ele em Seu poderoso Livro tem ordenado.

A fonte de toda a glória está na aceitação de tudo o que o Senhor conferiu e no contentamento com aquilo que Deus prescreveu.

A essência do amor consiste em se volver o coração para o Bem-Amado, se desprender de tudo, menos d'Ele e nada desejar, salvo o que for o desejo do Senhor.

A verdadeira comemoração consiste em se mencionar o Senhor, o Alvo de todo louvor, e se esquecer de tudo além d'Ele.

A verdadeira confiança se manifesta quando o servo segue sua profissão ou vocação neste mundo, se apoia firmemente no Senhor e nada busca, senão Sua graça, desde que em Suas mãos está o destino de todos os Seus servos.

A essência do desprendimento está em se volver a face para as cortes do Senhor, em Sua Presença entrar, contemplar Seu Semblante e diante d'Ele dar testemunho.

A essência da compreensão está em se atestar a pobreza e se submeter à Vontade do Senhor, o Soberano, o Benévolo, o Todo-Poderoso.

A fonte da coragem e do poder é a promoção da Palavra de Deus e a constância em Seu amor.

A essência da caridade consiste na menção, por parte do servo, das bênçãos conferidas por seu Senhor e em Lhe render graças em todos os tempos e sob todas as condições.

A essência da fé está na escassez de palavras e na abundância de ações; se as palavras de um homem excedem as ações, saibam, verdadeiramente, que sua morte é melhor que sua vida.

A essência da verdadeira segurança está em observar silêncio, olhar para o fim das coisas e renunciar o mundo.

O começo da magnanimidade é quando o homem despende seus recursos para si próprio, sua família e os pobres entre seus irmãos de Fé.

A essência da riqueza é o amor a Mim; quem Me ama é o possuidor de todas as coisas e quem não Me ama é, em verdade, dos pobres e necessitados. Eis o que o Dedo da Glória e do Esplendor tem revelado.

A origem de todo o mal está em se afastar do Senhor e prender o coração às coisas ímpias.

O fogo mais ardente está em se duvidar dos sinais de Deus, disputar futilmente o que Ele tem revelado, negá-Lo e diante d'Ele portar-se com orgulho.

A origem de toda a erudição é o conhecimento de Deus - exaltada seja Sua glória - e este só será atingido através do conhecimento de Seu Manifestante Divino.

A essência do rebaixamento está em se retirar da sombra do Misericordioso e buscar o amparo do Ente Mau.

A origem do erro é a descrença no Deus Uno e Verdadeiro, a confiança em outra coisa, senão n'Ele e o afastamento de Seu Decreto.

O verdadeiro prejuízo cabe àquele cujos dias foram passados em completa ignorância de seu próprio ser.

A essência de tudo o que te temos revelado é a justiça; está em se livrar da vã fantasia e da imitação; com os olhos da unidade deve o homem discernir a glória de Deus, e averiguar todas as coisas com visão perspicaz.

Assim temos Nós te instruído e a ti manifestado Palavras de Sabedoria, a fim de que sejas grato ao Senhor, teu Deus, e nisso te glories entre todos os povos.

2. A EPÍSTOLA DO CARMELO

123 - Toda glória a este Dia, o Dia em que as fragrâncias da misericórdia manaram sobre todas as coisas criadas, um Dia tão abençoado que as eras passadas e os séculos idos não podem esperar jamais o rivalizar, um Dia em que o semblante do Ancião dos Dias se volve para Sua sede santa. Com isso se fizeram ouvir as vozes de todas as coisas criadas e, além delas, as da Assembléia nas Alturas, clamando: "Apressa-te, ó Carmelo, pois eis, a luz do semblante de Deus, - Quem rege o Reino dos Nomes e moldou os céus - sobre ti se ergueu."

Extasiada de júbilo, e levantando altamente sua voz, ela assim exclamou: "Seja minha vida um sacrifício a Ti por haveres Tu fixado em mim Teu olhar, me concedido Tua graça e a mim dirigido Teus passos. Separação de Ti, ó Fonte da vida eterna, quase me consumiu, e meu afastamento de Tua presença me extinguiu a alma. Todo louvor a Ti, pois me possibilitaste ouvir Teu chamado, me honraste com Tuas pegadas e me ressuscitaste a alma através da fragrância vitalizadora de Teu Dia e da voz penetrante de Tua Pena, voz esta que ordenaste fosse Teu toque e clarim em meio a Teu povo. E quando soou a hora em que Tua irresistível Fé haveria de se manifestar2, insuflaste em Tua Pena um sopro de Teu espírito e eis, a criação inteira se abalou até os fundamentos, desvelando à humanidade os mistérios que jaziam ocultos dentro dos tesouros d'Aquele que é o Possuidor de todas as coisas criadas."

Mal sua voz alcançara aquele mais excelso Lugar, quando respondemos: "Rende tu agradecimentos a teu Senhor, ó Carmelo. O fogo de tua separação de Mim rapidamente te consumia, quando ante tua face surgiu o oceano de Minha presença, alegrando teus olhos e os de toda a criação, e enchendo de deleite todas as coisas visíveis e invisíveis. Regozija-te, pois Deus, neste Dia, sobre ti estabeleceu Seu trono, te fez o ponto do alvorecer de Seus sinais e a aurora das evidências de Sua Revelação. Bem-aventurado quem a teu redor circula, quem proclama a revelação de tua glória e relata o que a generosidade do Senhor teu Deus fez sobre ti chover. Segura tu o Cálix da Imortalidade em nome de teu Senhor, o Todo-Glorioso, e a Ele rende graças, desde que, como sinal de Sua misericórdia a ti, transformou em alegria tua tristeza e em júbilo extático, teu pesar. Em verdade, Ele ama o lugar que se fez a sede de Seu trono, que Seus pés pisaram, ao qual foi conferida a honra de Sua presença, donde ergueu Seu chamado e sobre o qual derramou Suas lágrimas.

"Chama Sião, ó Carmelo, e anuncia as jubilosas novas: Veio Aquele que estava oculto dos olhos mortais! Está manifesta Sua soberania predominante; revela-se Seu esplendor que a tudo abrange. Acautela-te, para que não hesites, nem pares. Apressa-te a sair e circundar a Cidade de Deus que se fez baixar do céu, o Kaaba celestial a cujo redor têm circulado em adoração os favorecidos de Deus, os puros de coração, e a companhia dos mais excelsos anjos. Oh, quanto eu anseio por anunciar a todo lugar na superfície da terra e levar a cada uma de suas cidades, as boas novas desta Revelação - uma Revelação à qual o coração do Sinai se sentiu atraído e em cujo nome clama a Sarça Ardente: - "A Deus, Senhor dos Senhores, pertencem os reinos da terra e do céu". Verdadeiramente, este é o Dia em que tanto a terra como o mar se regozijam por causa desse anúncio, o Dia para o qual foram guardadas aquelas coisas que Deus, por uma graça além da compreensão de qualquer mente ou coração mortal, destinou à revelação. Em breve fará Deus navegar sobre ti Sua Arca, e tornará manifesto o povo de Bahá que o Livro dos Nomes mencionou."

Santificado seja o Senhor de toda a humanidade, a menção de Cujo Nome fez vibrarem todos os átomos da terra e levou a Língua da Grandeza a revelar aquilo que estivera envolto em Seu conhecimento e jazia oculto dentro do tesouro de Seu poder. Em verdade, Ele, através da potência de Seu nome, o Poderoso, o Onipotente, o Altíssimo, rege tudo o que está nos céus e tudo o que está na terra.

3. EPÍSTOLA DO RIDVÁN

124 - A Primavera Divina já veio, ó Pena Mais Excelsa, pois o Festival do Todo-Misericordioso rapidamente se aproxima. Desperta e, perante a criação inteira, magnífica o nome de Deus e celebra Seu louvor, de tal modo que todas as coisas criadas se regenerem e se façam novas. Fala; não guardes silêncio. O sol da beatitude brilha sobre o horizonte de Nosso nome, o Beatífico, porquanto o reino do nome de Deus se ataviou com o adorno do nome de teu Senhor, o Criador dos céus. Levanta-te diante das nações da terra e arma-te com o poder deste Nome Supremo, e não sejas dos que tardam.

Parece-me que tens parado e não te moves sobre Minha Epístola. Será que o brilho de Semblante Divino te tenha ofuscado, ou que as vãs palavras dos refratários te hajam enchido de tristeza e paralisado teu movimento? Acautela-te para que nada te impeça de exaltar a grandeza deste Dia - o Dia em que o Dedo da majestade do poder abriu o selo do Vinho da Reunião e convocou todos aqueles que se acham nos céus e todos que se acham na terra. Preferes tu tardar quando já soprou sobre ti a brisa que anuncia a Dia de Deus, ou és tu um dos que estão excluídos d'Ele como se o fosse por um véu?

Não tenho permitido, ó Senhor de todos os nomes e Criador dos céus, que véu algum me excluísse do reconhecimento das glórias de Teu Dia - Dia este que é a lâmpada para guiar o mundo inteiro e o sinal do Ancião dos Dias para todos os que nele habitam. Meu silêncio é por causa dos véus que tornaram cegos para Ti os olhos de Tuas criaturas, e minha mudez é devida aos obstáculos que têm impedido Teu povo de reconhecer Tua verdade. Tu sabes o que está em mim, mas eu não sei o que está em Ti. Tu és o Onisciente, a Suma Sabedoria. Por Teu Nome, que supera todos os demais nomes! Se Teu mando, que sobre tudo predomina e a tudo compele, alguma vez me atingisse, dar-me-ia o poder de ressuscitar as almas de todos os homens, através de Tua Palavra excelsa que ouvi pronunciada pela Tua língua de poder em Teu Reino de glória. Capacitar-me-ia para anunciar a revelação de Teu Semblante esplendoroso, através do qual o que jazia oculto dos olhos dos homens se tornou manifesto em Teu Nome, o Perspícuo, o soberano Protetor, O que subsiste por Si próprio.

Podes tu descobrir qualquer outro, senão Eu, ó Pena, neste Dia? Que sucedeu com a criação e suas manifestações? E com os nomes e seu reino? Aonde foram todas as coisas criadas, quer visíveis ou invisíveis? Que sucedeu com os segredos do universo e suas revelações? Eis, a criação inteira passou! Nada resta senão Minha Face, a Sempiterna, a Resplandecente, a Toda Gloriosa.

Este é o Dia em que nada pode ser visto a não ser os esplendores da Luz que irradia da face de teu Senhor, o Clemente, o Mais Generoso. Em verdade, fizemos cada alma expirar em virtude de Nossa soberania irresistível e predominante. Então chamamos para a existência uma criação nova, em sinal de Nossa graça aos homens. Sou, verdadeiramente, o Generosíssimo, o Ancião dos Dias.

Este é o Dia em que o mundo invisível exclama: "Grande é tua ventura, ó terra, pois de ti foi feito o escabelo de teu Deus, e foste escolhida para ser o assento de Seu poderoso trono".O reino da glória brada: "Oxalá pudesse minha vida se sacrificar por ti, pois Aquele que é o Bem-Amado do Todo-Misericordioso estabeleceu sobre ti Sua soberania, através do poder de Seu Nome que foi prometido a todas as coisas, quer do passado, quer do futuro".Este é o Dia em que cada coisa odorífera deriva sua fragrância das Minhas vestes, as quais exalaram seu perfume sobre toda a criação. Este é o Dia em que as águas torrenciais da vida eterna jorraram da Vontade do Todo-Misericordioso. Apressai-vos, de coração e alma, e sorvei até vos saciardes, ó Assembléia dos domínios do além!

Dize: Ele é Quem manifesta Aquele que é o Incognoscível, o Invisível dos Invisíveis - pudésseis vós apenas perceber isto. Ele é Quem expôs diante de vós a Jóia oculta e valiosa - fosseis vós buscá-la. É Aquele que é o único Bem-Amado de todas as coisas, quer do passado ou do futuro. Oxalá pudésseis a Ele prender vossos corações e n'Ele pôr vossas esperanças!

Ouvimos a voz de teu apelo, ó Pena, e te perdoamos o silêncio. Que te tornou tão gravemente perplexa?

A intoxicação de Tua Presença, ó Bem-Amado de todos os mundos, me enlevou e se apoderou de mim.

Levanta-te e proclama à criação inteira as novas de que Aquele que é o Todo-Misericordioso dirigiu os passos para o Ridván e ali entrou. Guia o povo, pois, ao deleitável jardim que Deus fez o Trono de Seu Paraíso. Nós te escolhemos para seres Nossa mais poderosa Trombeta, cujo toque há de assinalar a ressurreição de toda a humanidade.

Dize: Este é o Paraíso sobre cuja folhagem o vinho da expressão imprimiu este testemunho: "Quem estava oculto dos homens revelou-se, cingido de soberania e poder!" Este é o Paraíso, o farfalhar de cujas folhas proclama: "Ó vós que habitais os céus e a terra! Apareceu o que jamais havia aparecido. Aquele que, desde a eternidade, ocultara Sua Face da vista da criação, veio agora." Do sussurrar da brisa que sopra entre seus ramos, surge a exclamação: "Aquele que é o Senhor soberano de todos, torna-se manifesto. O Reino é de Deus." Enquanto das águas que aí manam, se pode ouvir o murmúrio: "Todos os olhos se alegram, pois Aquele que por ninguém foi visto, Cujo segredo jamais se descobriu, levantou o véu da Glória e desvelou o semblante da Beleza."

Dentro deste Paraíso, e das alturas de seus mais sublimes aposentos, exclamaram as Donzelas do Céu: "Regozijai-vos, vós que habitais os reinos do além, pois os dedos d'Aquele que é o Ancião dos Dias tocam o Sino Excelso, em nome do Todo-Glorioso, no próprio coração dos céus. As mãos da generosidade ofereceram o cálice da vida eterna. Aproximai-vos e sorvei até vos saciardes. Apreciai o sabor, ó vós que sois as próprias encarnações do anelo, vós que sois as personificações do desejo veemente!"

Este é o Dia em que o Revelador dos nomes de Deus saiu do Tabernáculo da Glória e proclamou a todos os que estão nos céus e todos os que se acham sobre a terra: "Guardai os cálices do Paraíso e todas as águas vivificadoras neles contidas, pois eis, o povo de Bahá entrou na morada beatífica da Presença Divina e sorveu o vinho da reunião, do cálice da beleza de seu Senhor, o Possuidor de tudo, o Altíssimo."

Esquece-te do mundo da criação, ó Pena, e volve-te para a face de teu Senhor, o Senhor de todos os nomes. Embeleza, então, o mundo com o ornamento dos favores de teu Senhor, o Rei dos dias eternos. Pois percebemos a fragrância do Dia em que Aquele, o Desejo de todas as nações, irradiou sobre os reinos do invisível e do visível o esplendor da luz de Seus mais excelentes nomes, envolvendo-os na fulgência dos luminares de Seus mais generosos favores - favores que ninguém pode estimar, salvo Ele, o Onipotente Protetor da criação inteira.

Não contemples as criaturas de Deus, a não ser com os olhos da benevolência e da mercê, pois Nossa terna Providência abrangeu todas as coisas criadas e Nossa graça cingiu a terra e os céus. Este é o Dia em que os verdadeiros servos de Deus participam das águas vivificadoras da reunião, o Dia em que aqueles que Lhe estão próximos podem sorver do suave rio da imortalidade, e os que crêem em Sua unidade, do vinho de Sua Presença, através de seu reconhecimento d'Aquele que é o Alvo Supremo e Final de todos, em Quem a Língua da Majestade e Glória pronuncia o chamado: "Meu é o Reino. Eu Próprio sou, em virtude de direito Meu, seu Governante."

Atrae os corações dos homens, através do chamado d'Aquele que é o único Bem-Amado. Dize: Esta é a Voz de Deus - se apenas escutardes. Este é o Amanhecer da Revelação de Deus - se apenas o soubésseis. Este é o Lugar donde raiou a Causa de Deus - fosseis reconhecê-lo. Esta é a Origem do mandamento de Deus - se apenas pudésseis julgar com eqüidade. Este é o Segredo manifesto e oculto; Oxalá o pudésseis perceber. Ó povos do mundo! Em Meu nome, o qual transcende a todos os demais nomes, rejeitai as coisas que possuís e imergi-vos neste Oceano em cujas profundezas jaziam ocultas as pérolas da sabedoria e das palavras, Oceano este que se move em Meu nome, o Todo-Misericordioso. Assim vos instrui Aquele em Cujo poder está o Livro-Mãe.

O Bem-Amado já veio. Em Sua mão direita está o Vinho lacrado de Seu nome. Feliz o homem que para Ele se volve, e se sacia e exclama: "Louvor a Ti, ó Revelador dos sinais de Deus". Pela justiça do Onipotente! Cada coisa oculta tornou-se manifesta através do poder da verdade. Todos os favores de Deus se fizeram descer, como sinal de Sua graça. As águas da vida eterna, em sua plenitude, foram trazidas aos homens. Cada cálice foi oferecido pela mão do Bem-Amado. Aproximai-vos e não tardeis, nem por um breve momento sequer.

Bem-aventurados os que alçaram vôo com as asas do desprendimento e atingiram a posição que, segundo foi ordenado por Deus, sobreleva a criação inteira - esses que nem as vãs fantasias dos sábios, nem a multidão das hostes da terra puderam desviar de Sua Causa. Quem dentre vós, ó povo, renunciará ao mundo e se aproximará de Deus, o Senhor de todos os nomes? Onde há de ser encontrado aquele que, através do poder de Meu Nome que transcende todas as coisas criadas, rejeitará as coisas que os homens possuem e se, apegará, com todo o seu poder, às coisas que Deus, o Conhecedor do invisível e do visível, lhe ordenou observar? Assim se fez descer para os homens Sua graça, cumpriu-se Seu testemunho, e Sua prova resplandeceu sobre o Horizonte da mercê. Valioso é o prêmio a ser ganho por aquele que tiver acreditado e exclamado: "Louvado és Tu, ó Bem-Amado de todos os mundos! Magnificado seja o Teu Nome, ó Tu, o Desejo de todo coração que compreende!"

Exultai, ó povo de Bahá, com o maior júbilo, aos vos lembrardes do Dia da felicidade suprema, o Dia em que a Língua do Ancião dos Dias falou, enquanto partia de Sua Casa e procedia ao Lugar do qual Ele irradiou sobre a criação inteira os esplendores de Seu nome, o Todo-Misericordioso. Deus é Nossa testemunha. Fossemos revelar os segredos ocultos desse Dia, todos os que habitam na terra e nos céus desmaiariam e viriam a falecer, salvo aqueles que serão preservados por Deus, o Todo-Poderoso, o Onisciente, a Suma Sabedoria.

O efeito inebriante das palavras de Deus sobre Aquele que é o Revelador de Suas provas indubitáveis é tal, que Sua Pena não mais se pode mover. Com estas palavras conclui Ele Sua Epístola: "Nenhum Deus há senão Eu, o Excelso, o Mais Poderoso, o Mais Excelente, o Onisciente."

4. A EPÍSTOLA DE TARÁZÁT

Em Meu Nome que sobressai supremo acima de todos os nomes.

125 -Louvor e glória são condizentes ao Senhor dos Nomes e Criador dos céus, Aquele, de Cujo oceano de Revelação as ondas surgem diante dos olhos dos povos do mundo. O brilho do Sol de Sua Causa penetra todo véu, e Sua Palavra de afirmação está além do alcance da negação. Nem a ascendência do opressor, nem a tirania do malévolo, Lhe pôde frustrar o Desígnio. Quanto é glorificada Sua soberania; quão excelso é Seu domínio!

Grande Deus! Embora Seus sinais tenham envolvido o mundo e, se bem que Suas provas e Seus testemunhos resplandeçam, manifestos como a luz, aqueles, porém, que carecem de conhecimento mostram-se desatentos - não, ainda mais, são rebeldes. Oxalá se tivessem contentado com oposição. Mas em todos os tempos maquinam derribar o sagrado Loto. Desde o alvorecer desta Revelação, as personificações do egoísmo, recorrendo à crueldade e à opressão, se têm esforçado para extinguir a Luz da manifestação divina. Deus, entretanto, lhes tendo detido as mãos, revelou esta Luz, através de Sua autoridade soberana, e a protegeu mediante o poder de Sua grandeza, até que a terra e o céu se iluminaram com seu brilho e esplendor. Louvores a Ele sob todas as condições.

Glória a Ti, ó Senhor do mundo e Desejo das nações, ó Tu que Te tornaste manifesto no Nome Supremo, através do qual as pérolas de sabedoria e afirmação apareceram das conchas do grande mar de Teu conhecimento, e os céus da revelação divina foram adornados com a luz do aparecimento do Sol de Teu semblante.

Suplico-Te, - por aquela Palavra através da qual se aperfeiçoou Tua prova entre Tuas criaturas, e Teu testemunho foi cumprido entre Teus servos - que fortaleças Teu povo naquilo por meio do qual a face da Causa se irradie em Teu domínio, os estandartes de Teu poder sejam hasteados entre Teus servos e, em todos os Teus domínios, sejam içados as bandeiras de Tua guia.

Ó meu Senhor! Tu vês como se apegam à corda de Tua graça e se seguram à orla do manto de Tua beneficência. Ordena-lhes o que os faça mais de Ti se aproximarem, e afasta-os de tudo, salvo de Ti. Ó Tu, Rei da existência - Quem protege o visível e o invisível - peço-te que a qualquer um que se levante para servir Tua Causa Tu o tornes assim como um mar que se mova segundo Teu desejo, como um ser inflamado pelo fogo de Tua Árvore Sagrada, irradiando-se do horizonte do céu de Tua Vontade. Tu és, deveras Aquele Ser Potente, que nem o poder do mundo inteiro, nem a força das nações pode enfraquecer. Nenhum Deus há, senão Tu, Uno, Incomparável, O que protege, O que Subsiste por Si Próprio.

Ó tu que sorveste do cálice de Meu conhecimento o vinho de Minhas palavras! Estas palavras sublimes foram ouvidas hoje do farfalhar do Loto divino, o qual o Senhor dos Nomes, com a mão do poder celestial, plantou no supremo Paraíso:

O primeiro Taráz

e o primeiro resplendor que despontou do horizonte do Livro Mater é que o homem deve conhecer a si próprio e reconhecer o que leva à sublimidade ou à humilhação, à glória ou ao rebaixamento, à riqueza ou à pobreza. Havendo atingido a etapa do cumprimento e alcançado sua maturidade, o homem necessita riqueza, e a riqueza que ele adquire mediante ofícios ou profissões é recomendável e digna de louvor aos olhos dos homens sábios e, especialmente, dos servos que se dedicam à educação do mundo, à edificação de seus povos. Eles são, em verdade, portadores do cálice da água vivificadora do conhecimento, e guiam ao caminho ideal. Dirigem os povos do mundo à senda certa e lhes mostram o que conduz à elevação humana, à sublimidade. A senda certa é aquela que guia o homem ao alvorecer da percepção e da compreensão verdadeira e o conduz àquilo que redundará em glória, honra e grandeza.

Alimentamos a esperança de que, através da benevolência do Sapientíssimo, do Onisciente, seja dissipado o pó que obscurece, e que se realce o poder da percepção, a fim de que o povo possa descobrir o propósito para o qual foi chamado à existência. É digna de consideração, neste Dia, qualquer coisa que sirva para diminuir a cegueira e aumentar a visão. Essa visão age como meio e guia para o verdadeiro conhecimento. Na realidade, aos olhos dos homens de sabedoria, a agudeza de compreensão depende de uma visão aguda. O povo de Bahá deve, sob todas as circunstâncias, observar o que for apropriado e condigno e, de acordo com isso, exortar a todos.

O segundo Taráz

é que se deve associar com os seguidores de todas as religiões em um espírito amistoso e fraternal, proclamar o que Aquele que falou no Sinai expôs, e observar eqüidade em todos os assuntos.

Os que estão imbuídos de sinceridade e fidelidade devem associar-se com todos os povos e raças da terra, jubilosa e radiantemente, desde que a harmoniosa associação com as pessoas tem promovido e continuará a promover unidade e concórdia, as quais por sua vez conduzem à manutenção, da ordem no mundo e à regeneração das raças. Bem-aventurados aqueles que se seguram à corda da benevolência e da terna misericórdia e estão livres de animosidade e ódio.

Este Ser Oprimido exorta os povos do mundo a observar a tolerância e retidão, as quais são duas luzes em meio à escuridão do mundo, duas fontes de educação e edificação para a humanidade. Bem-aventurados aqueles que a isso têm atingido, e infelizes os desatentos.

O terceiro Taráz

concerne ao bom caráter. Um bom caráter é, em verdade, o melhor manto que provém de Deus para os homens. Com esse manto Ele adorna os templos de Seus bem-amados. Por Minha vida! A luz de um bom caráter excede à luz do sol e a seu resplendor. Quem a isso tiver atingido será estimado como uma jóia entre os homens. Disso a glória e a elevação do mundo devem, necessariamente, depender. Um belo caráter é um meio de os homens serem guiados ao Caminho Reto e conduzidos ao Grande Anúncio. Feliz quem se adorna com os santos atributos e o caráter da Assembléia nas Alturas.

Convém fixardes os olhos, sob todas as condições, na justiça e eqüidade. Em As Palavras Ocultas foram reveladas por Nossa Augustíssima Pena estas excelsas palavras:

"Ó Filho do Espírito! A mais amada de todas as coisas, a Meu ver, é a justiça; não te desvies dela, se é que Me desejas, nem a descures, para que Eu em ti possa confiar. Nela te apoiando, verás com teus próprios olhos e não com os alheios; saberás pela tua própria compreensão e não pela compreensão de teu semelhante. Pondera isto em teu coração: como deverás ser. Em verdade, a justiça é Minha dádiva a ti e o sinal de Minha misericórdia. Guarda-a, pois, ante os teus olhos".

Aqueles que são justos e eqüitativos em seu juízo ocupam uma posição sublime e têm um excelso grau. A luz da piedade e retidão brilha, resplandecente, dessas almas. É Nossa ardente esperança que os povos e os países do mundo não se privem dos esplendores desses dois luminares.

O quarto Taráz

Concerne à fidedignidade. Verdadeiramente, é a porta da segurança para todos os que habitam na terra e um sinal de glória da parte do Todo-Misericordioso. Quem dela participa, tem participado, realmente, dos tesouros da riqueza e prosperidade. A fidedignidade é o maior portal que conduz à tranqüilidade e segurança dos povos. Dela a estabilidade de todo assunto tem, deveras, dependido e ainda depende. Todos os domínios de poder, de grandeza e de riquezas são iluminados por sua luz.

Há pouco tempo foram reveladas da Pena do Altíssimo estas palavras sublimes:

'Agora mencionaremos a ti a fidedignidade e sua posição aos olhos de Deus, teu Senhor, o Senhor do Trono Poderoso. Houve um dia dos dias em que Nos retiramos para Nossa Ilha Verde. Lá chegando, observamos as correntes que nela fluiam, suas árvores em pleno viço e os raios solares que tremeluziam em seu meio. Volvendo a face à direita, contemplamos o que a pena é impotente para descrever; nem pode ela expor o que os olhos do Senhor do Gênero Humano testemunharam nesse mais sagrado Lugar - nesse Lugar mais sublime, abençoado e excelso. Virando, então, à esquerda, fitamos um dos Seres Belos do Mais Sublime Paraíso, pousando num pilar de luz e clamando nestas palavras: "Ó habitantes da terra e do céu! Contemplai Minha beleza e Meu resplendor, Minha Revelação e Minha fulgência. Por Deus, o Verdadeiro! Sou a Fidedignidade e sua revelação e sua beleza. Recompensarei quem quer que a Mim adira, que Me reconheça o grau e a posição e se segura à orla de Minhas vestes. Sou o maior adorno do povo de Bahá e, para todos aqueles que estão no reino da criação, sou a vestimenta de glória. Sou o instrumento supremo para a prosperidade do mundo e, para todos os seres, o horizonte da certeza." Assim fizemos Nós descer para ti o que fará os homens se aproximarem do Senhor da criação.'

Ó povo de Bahá! A fidedignidade é, verdadeiramente, a melhor das vestes para vossos templos e a mais gloriosa coroa para vossas cabeças. A ela segurai-vos firmemente, segundo o preceito de Quem ordena, d'Aquele que é de tudo informado.

O quinto Taráz

concerne à proteção e preservação dos graus dos servos de Deus. Não se deve deixar de levar em conta a verdade de qualquer assunto; antes, deve-se dar expressão àquilo que seja certo e verídico. O povo de Bahá a nenhuma alma deve negar a recompensa que lhe é devida, deve tratar com deferência os artífices e de modo diferente do povo de outrora, não deve macular suas línguas com injúrias.

Neste Dia, o sol dos ofícios brilha acima do horizonte ocidental e o rio das artes mana do mar dessa região. Deve-se falar com eqüidade e apreciar essa graça. Pela vida de Deus! A palavra "Eqüidade" brilha, radiante e resplandecente, tal qual o sol. Pedimos a Deus que, benevolamente, derrame sobre todos seu fulgor. Ele, em verdade, é poderoso sobre todas as coisas, Aquele que sempre atende às preces de todos os homens.

Nestes dias a veracidade e a sinceridade estão penosamente aflitas nas garras da falsidade, e a justiça é atormentada pelo flagelo da injustiça. A fumaça da corrupção tem envolvido o mundo inteiro de tal modo que nada se possa ver em parte alguma, senão regimentos de soldados, e nada se ouvir de qualquer região, salvo o choque das espadas. Suplicamos a Deus, o Verdadeiro, que fortaleça os portadores de Seu poder naquilo que há de reabilitar o mundo e trazer às nações tranqüilidade.

O sexto Taráz

O conhecimento é uma das admiráveis dádivas de Deus. Incumbe a todos sua aquisição. Tais artes e meios materiais que estão agora manifestos foram conseguidos em virtude de Seu conhecimento e Sua sabedoria, os quais Sua mais exaltada Pena tem revelado em Epístolas - uma Pena de cujo tesouro se manifestam pérolas de sabedoria e de palavras expressas, e as artes e os ofícios do mundo.

Neste Dia, os segredos da terra são desvendados diante dos olhos dos homens. As páginas de jornais rapidamente aparecendo são, em verdade, o espelho do mundo. Refletem os feitos e as ocupações dos diversos povos e raças - refletem e também os tornam conhecidos. São um espelho dotado de audição, visão e expressão oral. É este um fenômeno extraordinário, potente. Cumpre a seus redatores, porém, se purificarem da influência dos maus desejos e paixões e se adornarem com as vestes da justiça e eqüidade. Devem investigar as situações, tanto quanto lhes seja possível, certificando-se dos fatos, e então registrá-los por escrito.

Quanto a este Ser Injuriado, a maioria das coisas relatadas nos jornais carece de verdade. Palavras justas e verazes, em virtude de seu elevado grau e sua posição, assemelham-se a um sol que brilha do horizonte do conhecimento. As ondas que surgem deste Oceano estão visíveis diante dos olhos dos povos do mundo e as emanações da Pena de sabedoria e expressão estão em toda parte manifestas.

Dizem os jornais que este Servo fugiu da terra de Tá (Teerã) e foi ao Iraque. Misericordioso! Jamais este Injuriado - nem por um momento sequer - se ocultou. Antes, tem Ele em todos os tempos se mantido constante e visível diante dos olhos de todos os homens. Nunca Nos temos retirado, nem haveremos Nós jamais, de procurar fugir. Em verdade, é o povo insensato que de Nossa presença foge. Deixamos Nossa terra natal, acompanhados por duas escoltas montadas que representam os dois honrosos governos, o da Pérsia e o da Rússia, até chegarmos no Iraque, na plenitude de glória e poder. Louvado seja Deus! A Causa da qual este Injuriado é o Portador eleva-se como o céu e brilha, resplandecente como o sol. A ocultação nenhum acesso tem a este estado, nem há ocasião alguma para medo ou silêncio.

5. A EPÍSTOLA DE TAJALLIYÁT

126 - Ele é Quem, de Seu Domínio de Glória, a tudo ouve.

Deus testifica que nenhum outro Deus há, senão Ele, e Quem apareceu é o Mistério Oculto, o Símbolo Entesourado, o Livro de Suma Grandeza para todos os povos, e o Céu de generosidade para o mundo inteiro. É Ele o Mais Poderoso Sinal entre os homens, e o Alvorecer dos mais augustos atributos no domínio da criação. Por Seu intermédio apareceu aquilo que estivera oculto desde os tempos imemoriais e velado dos olhos humanos. É Aquele Cuja Manifestação foi anunciada pelas Escrituras celestiais, nos tempos antigos e nos mais recentes. Quem n'Ele confessa sua fé, bem como em Seus sinais e testemunhos, terá reconhecido, verdadeiramente, aquilo que a Língua da Grandeza pronunciou antes da criação da terra e do céu e antes da revelação do Reino dos Nomes. Por Seu intermédio surgiu entre a humanidade o oceano do conhecimento, e jorrou o rio da sabedoria divina, a mando de Deus, o Senhor dos Dias.

Feliz o homem de discernimento que reconheceu e percebeu a Verdade, e aquele dotado de ouvido atento que escutou Sua doce Voz; bem-aventurada a mão que tenha recebido Seu Livro com tal resolução como provém de Deus, o Senhor deste mundo e do vindouro, e feliz o fervoroso caminhante que se apressou em recorrer a Seu glorioso Horizonte, bem como aquele dotado de poder, o qual nem a sobrepujante força dos governantes, nem o tumulto incitado pelos dirigentes religiosos, pôde abalar. E infeliz quem haja rejeitado a graça de Deus e Sua bondade e negado Sua terna misericórdia e Sua autoridade; tal homem se inclui, em verdade, no número dos que por toda a eternidade têm repudiado o testemunho de Deus e Sua prova.

Grande é a bem-aventurança daquele que neste Dia, tiver rejeitado as coisas correntes entre os homens e aderido àquilo ornado por Deus, o Senhor dos Nomes, Quem amoldou todas as coisas criadas, Quem veio do céu da eternidade, através do poder do Nome Supremo e investido de tão invencível autoridade que nenhuma potência da terra consegue Lhe resistir. Disso dá testemunho o Livro Mater, o qual chama da Mais Sublime Altura.

Ó 'Alí Akbar!7 Temos repetidamente ouvido tua voz e a ti respondido com aquilo que o louvor de toda a humanidade jamais poderá rivalizar, do qual os sinceros inalam os doces aromas das palavras do Todo-Misericordioso e no qual aqueles que O amam percebem a fragrância da reunião celestial, enquanto os sedentos descobrem o murmúrio da água que é a verdadeira vida. Bem-aventurado o homem que reconheceu o que neste momento se difunde da Pena de Deus, o Amparo no Perigo, o Onipotente, o Todo-Generoso.

Testificamos que tu dirigiste a Deus tua face e para longe viajaste até atingires Sua presença, e deste ouvidos à Voz deste Ser Injuriado, sujeito à prisão por causa das iniqüidades dos que desacreditaram os sinais e testemunhos de Deus e negaram esta graça celestial, a qual fez resplandecer o mundo inteiro. Bem-aventurado o teu ouvido, pois escutou Sua Voz, e bem-aventurada tua língua, pois celebrou o louvor de Deus, Senhor dos senhores. Suplicamos a Deus que, benevolamente, ajude a te tornares assim como um estandarte para a promoção de Sua Causa e te capacite a d'Ele te aproximares, em todos os tempos e sob todas as condições.

Os eleitos de Deus e Seus bem-amados nessa terra são por Nós lembrados, e lhes damos as jubilosas novas daquilo que, em sua honra, se fez descer do Reino das palavras de se Senhor, o soberano Regente do Dia do Juízo. Faze-lhes menção de Mim e ilumina-os com a resplendente glória de Minhas palavras. Em verdade é teu Senhor o Benévolo, o Generoso.

Ó tu que magnificas Meu louvor! Dá ouvidos àquilo que o povo de tirania a Mim atribui em Meus dias. Dizem alguns deles: "Ele tinha pretensão à divindade"; outros dizem: "Ele inventou uma mentira contra Deus"; dizem outros ainda: "Ele veio para fomentar sedição". Vis e miseráveis são eles. Ei-los escravizados, em verdade, a vãs fantasias.

Deixaremos agora de usar o idioma eloqüente.8 Teu Senhor é, deveras, o Potente, o Irrestrito. Desejaríamos falar na língua persa, para que todo o povo da Pérsia se possa tornar ciente, porventura, das palavras do Senhor misericordioso e se levantar para descobrir a Verdade.

O primeiro Tajallí

que despontou do Sol da Verdade é o conhecimento de Deus - exaltada seja Sua glória. E o conhecimento do Rei dos dias sempiternos de modo algum será atingido, salvo pelo reconhecimento d'Aquele que é o Portador do Nome Supremo. É Ele, em verdade, Quem fala no Sinai, Quem está agora sentado no trono da Revelação. Ele é o Mistério Oculto e o Símbolo Entesourado. Todos os Livros de Deus, anteriores e posteriores, estão adornados com Seu louvor e exaltam Sua glória. Por Seu intermédio foi implantada no mundo o estandarte do conhecimento e, entre todos os povos, se desfraldou a insígnia da unidade de Deus somente ao atingir a presença d'Ele pode-se atingir a Presença de Deus. Tudo o que desde tempos imemoriais estava velado e oculto, revela-se agora através de sua potência. Ele se torna manifesto mediante o poder da verdade, e tem proferido uma Palavra por causa da qual todos os que estão nos céus e na terra pasmaram, salvo aqueles que o Todo-Poderoso se designou de isentar. A verdadeira crença em Deus e o reconhecimento d'Ele não podem estar completos, a não ser que seja aceito o que Ele revelou, e seja observada qualquer coisa que Ele tivesse decretado e que fosse assentada no Livro pela Pena de Glória.

Os que se imergem no oceano de Suas palavras devem, em todos os tempos, ter em grande apreço os preceitos e interditos divinamente revelados. Na realidade, Seus preceitos constituem a mais poderosa cidadela para proteger o mundo e salvaguardar seu povo - uma luz sobre aqueles que reconhecem e admitem a verdade, e um fogo para aqueles que negam e se afastam.

O segundo Tajallí

é constância na Causa de Deus - exaltada seja Sua glória - e inabalável firmeza em Seu amor. E de modo algum pode se atingir isso, senão pelo pleno reconhecimento d'Ele; e pleno reconhecimento não pode ser obtido, salvo por fé nas abençoadas palavras: "Ele faz qualquer coisa que Lhe apraza." Quem aderir tenazmente a esta palavra sublime e se saciar com as águas vivificadoras de expressão nela inerentes, será imbuído de tal constância que todos os livros do mundo serão impotentes para detê-lo do Livro-Mater. Oh, quão glorioso é esse sublime estado, esse excelso grau, esse alvo final!

Ó 'Alí Akbar! Considera como é abjeta a condição dos descrentes. Todos pronunciam as palavras: "Ele há de ser louvado em virtude de Seus atos e obedecido naquilo que Ele ordena." Entretanto, se Nós algo revelarmos que seja contrário a seus modos e desejos egoístas - ainda que seja num grau tão minúsculo como o fundo de uma agulha - eles, com desdém, o rejeitarão. Dize, jamais se poderá sondar as múltiplas exigências da consumada sabedoria de Deus. Em verdade, fosse Ele declarar que a terra era o céu, ninguém teria o direito de Lhe questionar a autoridade. Foi disso que o Ponto do Bayán deu testemunho em tudo o que a Ele se fez descer, com verdade, a mando de Deus, - Aquele que tem causado o Despertar da Aurora.

O terceiro Tajallí

concerne às ciências, artes e ofícios. O conhecimento é como asas para a vida do homem; é como uma escada pela qual ele possa ascender. Incumbe a cada um adquiri-lo. O conhecimento deve ser adquirido, porém, de tais ciências que possam prestar benefícios aos povos da terra, e não daquelas que por meras palavras começam e assim também terminam. Grande, verdadeiramente, é a prerrogativa dos cientistas e dos artífices entre os povos do mundo. Disso dá testemunho o Livro-Mater no dia de Sua volta. Feliz quem possui um ouvido atento. Na realidade, o conhecimento é um verdadeiro tesouro para o homem; é para ele uma fonte de glória, de graça, de júbilo e exaltação, de alegria e contentamento. Assim se expressou a Língua da Grandeza nesta, a Maior Prisão.

O quarto Tajallí

concerne à Divindade, Deidade e a atributos similares. Fosse um homem de percepção dirigir seu olhar para o Loto abençoado e manifesto, e para seus frutos, ele de tal modo se enriqueceria de modo a independer de tudo mais e admitir sua crença nas palavras procedentes do trono da Revelação, proferidas por Aquele que falou no Sinai.

Ó 'Alí Akbar! Informa tu o povo dos sagrados versículos de teu Senhor e faze com que conheça Seu caminho reto, Seu poderoso Anúncio.

Dize, ó povo, se julgardes com justiça e eqüidade, dareis testemunho da verdade de qualquer coisa que tenha emanado da Mais Excelsa Pena. Se sois do povo do Bayán, o Bayán Persa vos guiará com acerto e se provará ser para vós um testemunho suficiente; e se sois do povo do Alcorão, ponderai sobre a Revelação no Sinai e a Voz, proveniente da Sarça, que foi ouvida pelo Filho de 'Imrán (Moisés).

Deus Benévolo! Foi tencionado que, no tempo da manifestação do Deus Uno e Verdadeiro, a faculdade de reconhecê-Lo tivesse desenvolvida, e amadurecido, atingindo sua etapa culminante. Agora, no entanto, se demonstra claramente que nos descrentes essa faculdade deixou de se desenvolver e, de fato, tem degenerado.

Ó 'Alí! Aquilo que da Sarça aceitaram, agora recusam aceitar d'Aquele que é a Árvore do mundo da existência. Dize, ó povo do Bayán, não fales segundo os ditames da paixão e do desejo egoísta. A maioria dos povos do mundo atesta a verdade da Palavra abençoada proveniente da Sarça.

Pela Justiça de Deus! Se não fosse o cântico de louvor entoado por Aquele que foi o Arauto da Revelação Divina, este Ser Oprimido jamais teria sussurrado uma palavra que pudesse aterrorizar os corações daqueles destituídos de conhecimento e os ter levado a perecerem. Estendendo-se na glorificação d'Aquele que Deus haverá de tornar manifesto - exaltado seja Sua Manifestação - o Báb no princípio do Bayán diz: "Ele é Quem haverá de proclamar sob todas as condições, 'Em verdade, em verdade, sou Deus e nenhum Deus há, senão Eu, o Senhor de todas as coisas criadas. Verdadeiramente, todos os outros, a não se Eu, são Minhas criaturas. Ó Minhas criaturas! A Mim somente adorai.'" De modo igual, em outra ocasião, magnificando o Nome d'Aquele que há de ser tornado manifesto, Ele diz: "seria Eu o primeiro a adorá-Lo." Agora convém que se reflita sobre o significado do Adorador e do Ser Adorado, para que o povo da terra participe, porventura, de uma gota do oceano do conhecimento divino e seja capacitado a perceber a grandeza desta Revelação. Verdadeiramente, Ele apareceu e desatou a língua para proclamar a Verdade. Bem-aventurado quem reconhece e admite a verdade, e infelizes os que se opõem e desobedecem.

Ó raças da terra! Inclinai vossos ouvidos para a Voz do Loto divino que à sua sombra abriga o mundo, e não sejais do povo de tirania na terra - dos homens que repudiaram o Manifestante de Deus e Sua autoridade invencível e Lhe renunciaram os favores - eles, em verdade, se incluem no número dos desprezíveis no Livro de Deus, o Senhor de toda a humanidade.

Que a Glória que alvoreceu acima do horizonte de Minha terna mercê repouse sobre ti e sobre quem quer que contigo esteja e que preste ouvidos às tuas palavras referentes à Causa de Deus, o Onipotente, o Alvo de todo louvor.

6. A EPÍSTOLA DE ISHRÁQÁT

127 - Ó Jalíl! Aquele a Quem o mundo injuriou proclama agora: Ofuscou-se a luz da justiça e o Sol da Eqüidade se velou da vista. O ladrão ocupa o assento do protetor e guarda, enquanto o traidor se apodera da posição do fiel. Há um ano um opressor governava esta cidade e, a todo instante, causava novo dano. Pela justiça do Senhor! Cometeu ele o que aterrorizou os corações dos homens. Para a Pena de Glória, porém, a tirania do mundo nunca foi nem haverá de ser jamais um obstáculo. Na abundância de Nossa graça e benevolência, temos revelado especialmente para os governantes e ministros do mundo aquilo que conduz à segurança e proteção, à tranqüilidade e paz; talvez possam os filhos dos homens ser protegidos dos males da opressão. Ele, em verdade, é Quem protege, ampara e concede vitória. Incumbe os homens da Casa de Justiça, instituída por Deus, fixarem o olhar, dia e noite, naquilo que irradiou da Pena de Glória para o ensino dos povos, a edificação das nações, e a fim de proteger o homem e lhe salvaguardar a honra.

O primeiro Ishráq

O Sol da Sabedoria, quando surgiu acima do horizonte da Santa Revelação de Deus, proferiu estas palavras de suma glória: Os que possuem riqueza e são investidos de autoridade e poder devem mostrar a mais profunda consideração para com a religião. Em verdade, a religião é uma luz radiante e uma inexpugnável cidadela para a proteção e o bem-estar dos povos do mundo, pois o temor a Deus impele o homem a segurar-se àquilo que é bom e a evitar todo o mal. Se a lâmpada da religião se obscurecesse, caos e confusão sucederiam e as luzes da eqüidade e justiça, da tranqüilidade e paz, deixariam de brilhar. Disso dará testemunho todo homem de verdadeira compreensão.

O segundo Ishráq

Temos ordenado a todo gênero humano que estabelecesse a Paz Maior - o mais seguro de todos os meios para a proteção da humanidade. De comum acordo devem os soberanos do mundo a isso se segurar, pois é o instrumento supremo que pode garantir a segurança e o bem-estar de todos os povos e nações. São eles, realmente, as manifestações do poder de Deus e os alvoreceres de Sua autoridade. Suplicamos ao Todo-Poderoso que benevolamente os ajude naquilo que conduza ao bem-estar de seus súditos. Uma explicação completa desse assunto foi dada anteriormente pela Pena de Glória; felizes aqueles que agem desta maneira.

O terceiro Ishráq

Incumbe a cada um observar os sagrados mandamentos de Deus, desde que são o manancial de vida para o mundo. O céu da sabedoria divina é iluminado com os dois luminares, a consulta e a compaixão, enquanto dois pilares, a recompensa e a punição, sustentam o pálio da ordem mundial.

O quarto Ishráq

Nesta Revelação, as hostes que a podem tornar vitoriosa são as hostes das ações louváveis e do caráter íntegro. O dirigente e comandante dessas hostes tem sido sempre o temor a Deus - temor esse que abrange todas as coisas e sobre todas as coisas impera.

O quinto Ishráq

Os governos devem informar-se plenamente das condições dos que eles governam e lhes conferir posições de acordo com seu valor e mérito. Cumpre a todo governante e soberano considerar esse assunto com o máximo cuidado, a fim de que o traidor não usurpe a posição do fiel, nem o espoliador governe em lugar do fidedigno. Entre os oficiais que no passado têm governado nesta, a Maior Prisão, alguns - louvado seja Deus - estavam adornados de justiça, mas, quanto aos outros, Nós nos refugiamos em Deus. Pedimos a Deus Uno e Verdadeiro que os guie - cada um e todos - para que, porventura, não se privem dos frutos da fé e da fidedignidade, nem sejam impedidos da luz da eqüidade e justiça.

O sexto Ishráq

é a união e a concórdia entre os filhos dos homens. Desde o princípio do tempo, a luz da unidade tem irradiado sobre o mundo seu esplendor divino, e o maior meio para a promoção dessa unidade é que os povos do mundo entendam o idioma - escrito e falado - um do outro. Em Epístolas anteriores temos ordenado aos membros da Casa de Justiça o que escolhessem uma língua dentre aquelas já existentes, ou que adotassem uma nova, e que, igualmente, escolhessem uma escrita comum, as quais seriam ensinadas em todas as escolas do mundo. Assim virá a terra a ser considerada um só país e apenas um lar. O mais glorioso fruto da árvore do conhecimento é esta palavra excelsa: De uma só árvore sois todos vós os frutos, e de um só ramo, as folhas. Não deve o homem se gloriar do amor à pátria; antes deve ele se gloriar do amor à sua espécie. No tocante a isso, temos anteriormente revelado o que é o meio da reconstrução do mundo e da unidade das nações. Bem-aventurados aqueles que a isso atingem. Bem-aventurados os que agem desta forma.

O sétimo Ishráq

A Pena de Glória aconselha a todos a respeito da instrução e educação das crianças. Vêde o que a Vontade de Deus revelou, quando chegamos na Cidade-Prisão, e o que anotou no Mais Sagrado Livro46. A todo pai se ordena que instruísse o filho e a filha na arte de ler e escrever e em tudo o que se estabeleceu na Sagrada Epístola. De quem guarda o que lhe é ordenado, os Membros da Casa de Justiça devem, então, tomar dele o que é exigido para sua instrução, caso ele tenha recursos e, em caso contrário, cabe à Casa de Justiça. Verdadeiramente, Nós a fizemos um amparo para os pobres e necessitados. Se alguém educar seu filho ou o filho de outros, é como se estivesse educado um filho Meu. Sobre ele esteja Minha Glória, Minha Benevolência, Minha Misericórdia, as quais abrangeram o mundo.

O oitavo Ishráq

Esta passagem, escrita agora pela Pena de Glória, é considerada uma parte do Mais Sagrado Livro. Os homens da Casa de Justiça instituída por Deus têm sido incumbidos dos interesses do povo. São, em verdade, os Portadores da confiança de Deus entre Seus servos e os alvoreceres de autoridade em Seus países.

Ó povo de Deus! O que treina o mundo é a justiça, pois é sustentada por dois pilares, a recompensa e a punição. Esses dois pilares são as fontes de vida para o mundo. Desde que há para cada dia um novo problema e, para todo problema, uma solução oportuna, tais assuntos devem ser levados à consideração da Casa de Justiça, a fim de que seus membros possam agir de acordo com as necessidades e exigências do tempo. Aqueles que, por amor a Deus, se levantam para Lhe servir a Causa, recebem inspiração divina do Reino invisível. Incumbe a todos lhe serem obedientes. Em todos os assuntos de Estado, deve-se recorrer à Casa de Justiça, mas os atos de adoração devem ser observados de acordo com aquilo que Deus revelou em Seu Livro.

Ó povo de Bahá! Sois os pontos de alvorecer do amor de Deus e as auroras de Sua benevolência. Não corrompais vossas línguas com a maldição e o rebaixamento de qualquer alma e guardai os olhos de tudo que não seja condigno. Oferecei o que possuís. Se for recebido favoravelmente, tereis atingido vosso objetivo; se não, protestar é fútil. Deixai a si essa alma e volvei-vos ao Senhor, o Amparo, o Subsistente por Si Próprio. Não sejais causa de tristeza e, muito menos, de discórdia e contenda. Nutre-se a esperança de que possais obter a educação verdadeira à sombra da árvore de Sua terna misericórdia e agir de acordo com aquilo que Deus deseja. Sois todos as folhas de uma só árvore e as gotas de um só oceano.

O nono Ishráq

O objetivo da religião, assim como é revelado do céu da santa Vontade de Deus, é estabelecer unidade e concórdia entre os povos do mundo; não a façais a causa de dissensão e contendas.

A religião de Deus e Sua lei divina são os mais poderosos instrumentos e os mais seguros de todos os meios para o alvorecer da luz da unidade entre os homens. O progresso do mundo, o desenvolvimento das nações, a tranqüilidade dos povos, e a paz de todos os que habitam na terra, figuram entre os princípios e preceitos de Deus. A religião confere ao homem a mais preciosa de todas as dádivas, oferece o cálice da prosperidade, concede a vida eterna e sobre a humanidade faz manarem benefícios imperecíveis. Cumpre aos dirigentes e governantes do mundo e, em especial, aos Membros da Casa de Justiça instituída por Deus, envidarem os máximos esforços para salvaguardar a posição da religião, lhe promover os interesses e exaltar o prestígio aos olhos do mundo. De modo igual lhes incumbe informarem-se das condições de seus súditos e se familiarizarem-se com os interesses e as atividades das diversas comunidades em seus domínios.

Apelamos para as manifestações do poder de Deus - os soberanos e governantes na terra - para que se esforcem e tudo a seu alcance façam, a fim de que, porventura, possam banir deste mundo a dissensão e iluminá-lo com a luz da concórdia.

Incumbe a cada um aderir firmemente àquilo que emanou de Nossa Mais Excelsa Pena e observá-lo. Deus, o Verdadeiro, dá-Me testemunho, e todo átomo existente é impelido a testificar que tais meios que conduzem à elevação, ao progresso, à educação, à proteção e regeneração dos povos da terra, têm sido claramente expostos por Nós e revelados nos Livros Sagrados e nas Santas Epístolas, pela Pena de Glória.

Suplicamos a Deus que benevolamente auxilie Seus servos. O que este Ser Injuriado espera de cada um é justiça e eqüidade. Que ninguém se contente apenas ouvindo; antes, a todos convém ponderar o que este Injuriado revelou. Juro pelo Sol das palavras que brilha acima do horizonte do Reino do Todo-Misericordioso - e tivesse havido algum esclarecedor ou orador discernível, Nós não nos haveríamos tornado objeto de censura, do ridículo e da calúnia do povo...

V - O CONVÊNIO
Kitáb-i-Ahd

128 - Embora das vaidades do mundo, nenhuma possua o Reino da Glória, Nós, entretanto, do repositório da confiança e da resignação, temos legado a Nossos herdeiros, uma excelente e inestimável herança. Tesouros terrenos não legamos, nem acrescentamos tais cuidados como estes acarretam. Por Deus! Nas riquezas terrenas, medo se esconde e perigo se oculta. Considerai e recordai o que o Todo-Misericordioso revelou no Alcorão: "Que tribulação sobrevenha a todo caluniador e difamador, àquele que amontoa riquezas e as conta".83 Fugidias são as riquezas do mundo; tudo o que perece e muda é, e sempre foi, indigno de atenção, salvo em uma medida reconhecida.

Este Ser Injuriado, ao suportar pesares e tribulações, ao revelar os Sagrados Versículos e demonstrar provas, a outro fim não visava, senão o de apagar a chama do ódio e da inimizade, para que o horizonte dos corações dos homens se iluminasse com a luz da concórdia e atingisse a verdadeira paz e tranqüilidade. Do ponto do alvorecer da Epístola divina, brilha resplandecente o Sol destas palavras, e a cada um cumpre fixar nele seu olhar: Nós vos exortamos, ó povos do mundo, a observardes aquilo que vos eleve o estado. Segurai-vos ao temor a Deus e aderi firmemente àquilo que seja correto. Digo, deveras, que a língua é para mencionar o que é bom; não a corrompais com palavras indecorosas. Deus perdoou o passado. Doravante deverá cada um pronunciar o que for decoroso e digno, e se abster de calúnia, de aviltamento, e de qualquer coisa que motive tristeza nos homens. Elevada é a posição do homem! Há pouco tempo emanou do repositório de Nossa Pena de Glória esta Palavra excelsa: Grande e abençoado é este Dia - o Dia em que tudo o que jazia latente o homem se tornou manifesto, ou haverá de se manifestar. Elevada é a posição do homem - fosse ele se segurar à retidão e verdade e se manter firme e constante na Causa. Aos olhos do Todo-Misericordioso, o verdadeiro homem figura assim como um firmamento, do qual o sol e a lua são as faculdades de vista e ouvido e cujas estrelas são seu caráter luminoso e resplandecente. A mais elevada posição é sua, e o mundo do ser se educa através de sua influência.

Inclui-se entre o povo de Bahá, no Livro Carmesim, toda alma receptiva que, neste Dia, inalou a fragrância de Suas vestes e, com coração puro, dirigiu a face ao Horizonte todo-glorioso. Segurai vós, em Meu Nome, o cálice de Minha benevolência e então bebei até vos saciardes por Minha admirável e gloriosa lembrança.

Ó vós que habitais na terra! A religião de Deus é para amor e unidade; não a torneis causa de inimizade e dissensão. Aos olhos dos homens de discernimento e daqueles que contemplam a Mais Sublime Visão, a Pena de Glória já revelou quaisquer que sejam os meios efetivos para salvaguardar e promover a felicidade e o bem-estar dos filhos dos homens. Os insensatos da terra, no entanto, sendo nutridos em paixões e desejos maus, têm permanecido inconscientes da consumada sabedoria d'Aquele que é, em verdade, o Sapientíssimo, enquanto suas palavras e ações são incentivadas por vãs fantasias e fúteis imaginações.

Ó vós os bem-amados e fidedignos de Deus! Os reis são as manifestações do poder de Deus e os alvoreceres de Seu império e Sua riqueza. Orai por eles. Deus investiu-os do governo da terra, e escolheu os corações dos homens como Seu próprio domínio.

Conflito e contenda são terminantemente proibidos em Seu Livro. É este um decreto de Deus nesta Mais Grandiosa Revelação. É divinamente preservado de anulação e é por Ele investido do esplendor de Seu beneplácito. Ele é, deveras, o Onisciente, a Suma Sabedoria.

Incumbe a cada um apoiar aqueles alvoreceres de autoridade e fontes de mando que se embelezam com o adorno da eqüidade e justiça. Bem-aventurados são os governantes e os eruditos entre o povo de Bahá. São Meus fidedignos entre Meus servos e as manifestações de Meus mandamentos em meio a Meu povo. Sobre eles repousem Minha glória, Minhas bênçãos e Minha graça, as quais abrangeram o mundo existente. Com referência a isso, tais são as exposições reveladas no Kitáb-i-Aqdas, que, do horizonte de suas palavras, brilha, luminosa e resplandecente, a luz da graça divina.

Ó vós, Meus Ramos! Uma força tremenda - um consumo poder - jaz oculto no mundo existente. Nele, e em sua influência unificadora, fixai vosso olhar, e não nas diferenças dali procedentes.

A Vontade do Testador divino é esta: Incumbe aos Aghsán, aos Afnán e a Meus parentes - a todos sem exceção - volverem as faces para o Mais Poderoso Ramo. Considerai o que temos revelado em nosso Mais Sagrado Livro: "Quando o oceano de Minha presença tiver minguado e quando se tiver concluído o Livro de Minha Revelação, volvei vossas faces para Aquele designado por Deus. Aquele que proveio desta Raiz Antiga". Este sagrado versículo a nenhuma pessoa visa, senão ao Mais Poderoso Ramo ('Abdu'l-Bahá). Assim temos Nós benevolamente a vós revelado nossa potente Vontade e sou Eu, deveras, o Benévolo, o Todo-Poderoso. Verdadeiramente, Deus ordenou fosse o grau do Ramo Maior (Muhmmad 'Alí) inferior ao do Mais Grandioso Ramo ('Abdu'l-Bahá). Ele é, em verdade, Quem ordena, a Suma Sabedoria. Temos escolhido o "Ramo Maior" após "O Mais Grandioso", assim como decretou Aquele que é o Onisciente, O de tudo informado.

Cumpre a cada um manifestar amor para com os Aghsán, mas Deus não lhes cedeu qualquer direito à propriedade dos outros.

Ó vós, Meus Aghsán, Meus Afnán e Meus Parentes! Nós vos exortamos a temer a Deus, a realizar ações louváveis e o que é digno e decoroso e servir para elevar vosso estado. Verdadeiramente digo, o temor a Deus é o maior comandante que possa tornar vitoriosa a Causa de Deus, e as hostes que melhor convêm a esse comandante sempre foram e são um caráter íntegro e ações puras e belas.

Dize: Ó servos! Não deixeis os meios de ordem se tornarem causa de confusão, ou o instrumento de união vir a ser ocasião para discórdia. Queríamos esperar que o povo de Bahá seja guiado pelas benditas palavras: "Dize: todas as coisas são de Deus". Esta excelsa afirmação é como água para extinguir o fogo do ódio e da inimizade latente dentro dos corações e peitos dos homens. Por esta afirmação, simplesmente, povos e raças em conflito atingirão a luz da verdadeira unidade. Ele, deveras, diz a verdade e mostra o caminho. Ele é o Todo-Poderoso, o Excelso, o Benévolo.

Incumbe a cada um mostrar cortesia aos Aghsán e lhes ter consideração, para que assim seja glorificada a Causa de Deus, e exaltada Sua Palavra. Repetidamente se tem mencionado e registrado no Santo Escrito essa exortação. Feliz quem pode atingir o que lhe foi prescrito por Aquele que ordena, o Ancião dos Dias. É ordenado, além disso, que respeiteis os membros da Família Sagrada, os Afnán e os parentes. Nós vos admoestamos, ainda mais, a que sirvais todas as nações e vos esforceis pelo melhoramento do mundo.

O que conduz à regeneração do mundo e à salvação das nações e raças da terra se fez descer do céu do pronunciamento d'Aquele que é o Desejo do mundo. Dai ouvidos atentos aos conselhos da Pena de Glória. Isto vos é melhor do que tudo o que está na terra. Disso dá testemunho Meu Livro glorioso e admirável.

VI - MEDITAÇÕES

130 - Louvor e glória a Ti, ó Senhor, meu Deus! Como posso eu fazer menção de Ti, certo que estou de que nenhuma língua, por mais profunda que seja sua sabedoria, pode magnificar dignamente Teu Nome, e que a ave do coração humano, por maior que seja seu anelo, jamais pode esperar ascender ao céu de Tua majestade e sabedoria?

Se Te descrevo, ó meu Deus, como O que tudo percebe, acho-me constrangido a admitir que Aqueles que são as mais altas Personificações da percepção foram criados em virtude de Teu mando. E se Te louvo como Aquele que é o Onisciente, também sou forçado a reconhecer que os próprios Mananciais da sabedoria foram gerados por obra de Tua Vontade. E se eu Te proclamar o Incomparável, breve descobrirei que Aqueles que são a mais íntima essência da unidade foram enviados por Ti e são apenas as evidências de Tua obra. E se Te aclamar como o Conhecedor de todas as coisas, deverei confessar que Os que são a Quinta-essência do conhecimento são apenas a criação e os instrumentos de Teu Desígnio.

Enaltecido és Tu, incomensuravelmente enaltecido acima das tentativas feitas pelo homem mortal de desvendar Teus mistérios, descrever Tua glória ou até sugerir o que seja a natureza de Tua Essência. Pois tais tentativas, por mais que realizem, nunca podem esperar transcender as limitações impostas sobre Tuas criaturas, já que esses esforços são oriundos de Teu decreto e derivam de Tua invenção. Os mais sublimes sentimentos que os mais santos dos santos podem expressar em louvor a Ti, e a mais profunda sabedoria que os mais eruditos dos homens podem expor em suas tentativas de compreender Tua natureza - tudo gira em torno daquele Centro que se sujeita inteiramente à Tua soberania, que adora Tua beleza e é impelido pelo movimento de Tua Pena.

Não, ó meu Deus, antes proíbe que eu tivesse pronunciado tais palavras que impliquem necessariamente na existência de alguma relação direta entre a Pena de Tua Revelação e a Essência de todas as coisas criadas. Longe, muito longe estão Aqueles relacionados a Ti além do conceito de tal relação! Não há comparação ou semelhança que faça jus à Árvore de Tua Revelação, e estão fechados todos os caminhos para a compreensão do Manifestante de Teu próprio Ser e da Aurora de Tua Beleza.

Longe, muito longe de Tua glória esteja o que o homem mortal de Ti pode afirmar ou a Ti atribuir, ou o louvor com que ele Te glorifica! Todo dever por Ti prescrito aos Teus servos de exaltar no máximo grau Tua majestade e Tua glória é apenas um sinal de Tua graça a eles, a fim de que possam ascender para aquela condição destinada a seu mais íntimo ser, a do conhecimento de si próprios.

Ninguém, a não ser Tu, pode, em qualquer tempo, sondar Teu mistério ou louvar adequadamente Tua grandeza. Inescrutável e elevado acima dos louvores dos homens haverás Tu de permanecer para sempre. Não há outro Deus salvo Tu, o Inatingível, o Todo-Poderoso, o Onisciente, o Santo dos Santos.

131 - Glorificado és Tu, ó Senhor meu Deus! Todo homem de percepção confessa Tua soberania e Teu domínio, e toda visão discernente reconhece a grandeza de Tua majestade e a força predominante de Teu poder. Os ventos das provações são impotentes para impedir que aqueles favorecidos com Tua proximidade volvam a face para o horizonte de Tua glória, e as tempestades das tribulações devem ser infrutíferas em afastar de Tua corte aqueles devotados inteiramente à Tua vontade.

Parece-me, a lâmpada de Teu amor incandesce em seus corações, e a luz de Tua ternura está acesa dentro de seus peitos. Adversidades não podem aliená-los de Tua Causa e as vicissitudes da fortuna jamais os poderão desviar de Teu beneplácito.

Imploro-Te, ó meu Deus - por aqueles, e pelos suspiros saídos de seus corações em sua separação de Ti - guarda-os salvos do dano de Teus adversários, e nutre suas almas com aquilo que ordenaste para Teus amados, a quem nenhum medo ou tristeza atingirá.

132 - Magnificado seja Teu Nome, ó Senhor meu Deus! Não sei com que água Tu me criaste, ou que fogo acendeste dentro de mim, ou com que argila me amoldaste. A agitação de todo mar aquietou-se, menos a agitação deste Oceano que se move à mercê dos ventos de Tua Vontade. A chama de todo fogo já se extinguiu, salvo a Chama que as mãos de Tua onipotência acenderam e cujo esplendor Tu, pelo poder de Teu Nome, fizeste irradiar ante todos em Teu céu e todos sobre Tua terra. E seu ardor cresce, à medida que as tribulações se profundam.

Vê, pois, ó meu Deus, como Tua Luz foi cercada pelos ventos impetuosos de Teu decreto, como as tempestades que nela sopram e batem de todos os lados lhe fizeram realçar o brilho e crescer o esplendor. Sejas Tu louvado por tudo isso.

Imploro-Te - por Teu Nome Supremo e Tua antiqüíssima soberania - vê Teus amados cujos corações se abalaram penosamente por causa das vicissitudes que atingiram Aquele que é o Manifestante de Teu próprio Ser. Poderoso és para fazer o que Te apraz. Tu és, em verdade, o Onisciente, o Sapientíssimo.

133 - Louvado sejas, ó meu Deus! Como Te posso agradecer por me haveres assinalado e escolhido acima de todos os Teus servos para Te revelar, num tempo em que todos se haviam afastado de Tua beleza! Testifico, ó meu Deus, que, se me fossem dadas por Ti mil vidas, e eu as oferecesse todas em Teu caminho, ainda não teria conseguido retribuir sequer a menor das dádivas que me concedeste pela Tua graça.

No leito do ego estava adormecido, quando eis, Tu me despertaste com os acentos divinos de Tua voz, revelaste para mim Tua beleza e me concedeste o poder de ouvir Tuas palavras, de Te reconhecer a Ti próprio, de proclamar Teu louvor, exaltar Tuas virtudes e ser constante em Teu amor. Finalmente, caí cativo nas mãos dos refratários entre Teus servos.

Vês, pois, o exílio que sofro em Teus dias e percebes meu veemente desejo de contemplar Teu semblante, meu irreprimível anseio de entrar na corte de Tua glória, e o excitamento de meu coração sob as influências dos ventos de Tua mercê.

Suplico-Te, ó Tu que és o Governante dos reinos da criação e Autor de todos os nomes - inscreve meu nome entre os nomes dos que rodeiam desde sempre o Tabernáculo da Tua majestade e se seguram à orla da Tua terna compaixão.

Tu és, em verdade, o amparo no Perigo, O que subsiste por Si Próprio.

134 - Louvado seja Teu Nome, ó Senhor meu Deus! Tu me vês, neste dia, confinado em minha prisão, caído nas mãos de Teus adversários, e percebes como meu filho (o Mais Puro Ramo) jaz no pó ante Tua face. Ele, ó meu Senhor, é o Teu servo, para quem estabeleceste parentesco com Aquele que é o Manifestante de Ti Próprio e o Alvorecer de Tua Causa.

Ao nascer, ele se afligiu por causa de sua separação de Ti, segundo o que lhe fora ordenado através de Teu irrevogável decreto. E após haver sorvido do cálix da reunião Contigo, foi aprisionado porque acreditara em Ti e em Teus sinais. Continuou a servir Tua Beleza até entrar nesta Maior Prisão. Com isso eu o ofereci em holocausto, ó meu Deus, em Teu caminho. Bem conheces o que aqueles que Te amam têm sofrido por causa dessa tribulação que fez lamentarem os povos da terra e, além deles, a Assembléia nas alturas.

Suplico-Te, ó meu Senhor - por ele, e pelo seu exílio e encarceramento - faze descer sobre aqueles que o amavam o que lhes possa tranqüilizar o coração e abençoar as obras. Potente és para fazer o que desejas. Nenhum Deus há senão Tu, o Todo-Poderoso, o Potentíssimo.

135 - Glorificado és, ó meu Deus! Sabes que meu objeto único ao revelar Tua Causa foi a revelação de Ti e não de mim mesmo, a manifestação de Tua glória, e não da minha. Em Teu caminho, a fim de atingir Teu beneplácito, tenho desprezado repouso, prazer, deleite. Em todos os tempos e sob todas as condições, tenho contemplado Teus preceitos e dirigido os olhos às coisas que em Tuas Epístolas me ordenaste observar. Toda manhã tenho acordado à luz de Teu louvor e Tua comemoração; e tenho alcançado todo anoitecer inalando as fragrâncias de Tua mercê.

E quando a criação inteira se movia, e toda a terra se achava convulsionada, e os doces sabores de Teu Nome, louvado de todos, haviam quase cessado de se emitir sobre Teus reinos, e os ventos de Tua misericórdia se haviam virtualmente aquietado por todos os Teus domínios, Tu, pela grandeza de Teu poder, me ergueste dentre Teus servos e ordenaste que eu manifestasse Tua soberania em meio a Teu povo. Levantei-me, pois, diante de todas as Tuas criaturas, fortalecido pelo Teu apoio e poder, convoquei para Ti todas as multidões, anunciei a todos os Teus servos Teus favores e Tuas dádivas e convidei-os a volverem-se para este Oceano de cujas águas cada gota clama, declarando a todos no céu e na terra que Ele, em verdade, é a Fonte de toda a vida, o Vivificador da criação inteira. Objeto da adoração de todos os mundos, o Mais-Amado de cada coração que compreende e o Desejo de todos aqueles que de Ti estão próximos.

Embora os ventos furiosos do ódio dos malfeitores soprassem e batessem nesta Lâmpada, nenhuma vez foi Ela, em Seu amor por Tua beleza, impedida de difundir a fragrância de Sua luz. À medida que cresciam as transgressões cometidas contra Ti, de igual modo aumentava minha ânsia de revelar Tua Causa e, enquanto se profundavam as tribulações - e disso Tua glória me dá testemunho - uma parcela mais ampla de Tua soberania e Teu poder foi por mim outorgada às Tuas criaturas.

E finalmente, lançaram-me os transgressores na cidade-prisão de ´Akká, enquanto faziam meus parentes cativos em Bagdá. A grandeza de Teu poder dá-me testemunho, ó meu Deus! Cada tribulação que me tem atingido em Teu caminho aumentou minha alegria e meu júbilo. Juro por Ti, Tu que és o Rei dos Reis! Nenhum dos reis da terra tem o poder de me impedir de Tua comemoração ou do enaltecimento de Tuas virtudes. Fossem eles coligar-se - como já se coligaram - contra mim, ameaçando-me com suas espadas mais aguçadas e seus dardos mais aflitivos, eu não hesitarei em magnificar Teu Nome diante de todos os que se acham em Teu céu e sobre Tua terra. Não, antes, eu exclamaria dizendo: "Esta, ó meu Amado, é minha face que ofereci em holocausto por Tua face, e este é meu espírito que sacrifiquei por Teu espírito, e este é meu sangue que se agita em minhas veias em seu ardente desejo de se derramar por amor a Ti e em Teu caminho."

Embora - assim como Tu me vês, ó meu Deus - eu residia num lugar dentro de cujos muros voz alguma se ouve mas apenas o som do eco, se bem que todos os portais do sossego e do conforto se hajam fechado contra nós, e densa escuridão pareça nos haver cercado por todos os lados; no entanto, minh´alma arde de amor por Ti a tal ponto que nada, em absoluto, pode extinguir o fogo de seu amor ou diminuir a chama consumidora de seu desejo. Levantando a voz, clama entre Teus servos e para Ti os convoca, em todos os tempos e sob todas as condições.

Imploro-Te, pelo Nome Supremo, que abras os olhos de Teus servos, a fim de que Te possam contemplar, esplendoroso acima do horizonte de Tua majestade e glória, para que o crocitar do corvo não os impeça de escutar os tons do Pombo de Tua sublime unidade, nem as águas corruptas os desviem do puro vinho de Tua generosidade e das correntes eternas das Tuas dádivas.

Reúne-os, pois, ao redor desta Lei Divina, cujo convênio estabeleceste com todos os Teus Profetas e Teus Mensageiros, e cujos preceitos inscreveste em Tuas Epístolas e Tuas Escrituras. Eleva-os, ainda mais, a tais alturas que possam perceber Teu Chamado.

És potente para fazer o que Te apraz. Tu, em verdade, és o Inatingível, o Todo-Glorioso.

136 - Os corações que por Ti anseiam, ó meu Deus, se consumem com o fogo de seu anelo por Ti, e os olhos dos que Te amam pranteam por causa de sua aflitiva separação de Tua corte, e a voz do lamento dos que em Ti puseram suas esperanças soou através de todos os Teus domínios.

Tu Próprio, ó meu Deus, os tens protegido, por Teu poder soberano, contra ambos os extremos. Não fosse a ardência de suas almas e os suspiros de seus corações, afogar-se-iam em meio às suas lágrimas, e não fosse o fluxo das lágrimas, seriam consumidos pelo fogo de seus corações e pelo ardor de suas almas. Assemelham-se, parece-me, aos anjos que Tu criaste de neve e de fogo. Queres Tu, a despeito de tão veemente desejo, ó meu Deus, excluí-los de Tua Presença ou expulsá-los, não obstante tão grande fervor, da porta de Tua mercê? Toda esperança está prestes a se extinguir nos corações de Teus eleitos, ó meu Deus! Onde estão os sopros de Tua graça? Estão assediados de todos os lados pelos inimigos; onde estão as insígnias de Teu triunfo que prometeste em Tuas Epístolas?

Tua glória é meu testemunho! A cada amanhecer, aqueles que Te amam encontram, ao despertar, o cálix da angústia diante de sua face por haverem acreditado em Ti e reconhecido Teus sinais. Embora eu creia firmemente que tens maior compaixão deles do que eles próprios têm de si, embora eu reconheça que Tu não os afligiste com outro fim senão o de proclamar Tua Causa e habitá-los a ascender ao céu de Tua eternidade e aos recintos de Tua corte. Tu, no entanto, bem conheces a fraqueza de alguns deles e percebes sua impaciência em seus sofrimentos.

Através de Tua graça fortalecedora - imploro-Te, ó meu Deus - ajuda-os a sofrer pacientemente em seu amor por Ti e revela aos seus olhos o que Tu lhes destinaste atrás do Tabernáculo de Tua infalível proteção, a fim de que se precipitem para encontrar o que lhes é pré-ordenado em Teu caminho e, em seu amor por Ti, rivalizem uns com outros em se apressar à tribulação. E senão, revela os estandartes de Tua ascendência e torna-os vitoriosos sobre Teus adversários, para que Tua soberania se manifeste a todos os habitantes de Teu reino e a grandeza de Teu poder se demonstre entre Tuas criaturas. Poderoso és para fazer o que Te apraz. Nenhum Deus há senão Tu, o Onisciente, o Sapientíssimo.

Torna Tu constante Teu servo que acreditou em Ti, ó meu Deus, para que ele apóie Tua Causa; e salvaguarda-o de todos os perigos na cidadela de Teu cuidado e Tua proteção, tanto nesta vida como na vindoura. Tu, em verdade, reges como queres. Não há outro Deus salvo Tu, O que sempre perdoa, o Mais Generoso.

137 - Louvores a Ti, ó Senhor, meu Deus! Tu vês o que língua alguma, a não ser a Tua, pode pronunciar, e dás testemunho de coisas que outros lábios não podem relatar. Torrentes de aflições soltaram-se, os ventos de Teu juízo sopraram e das nuvens chovem os dardos das provações, e dos céus de Teu decreto jorram as setas da tribulação.

Vês, ó meu Senhor, como Teus servos, que acreditaram em Ti e reconheceram Teus sinais, se acham caídos nas mãos de Teus inimigos, como as portas do sossego e conforto se fecham contra eles, como languescem na fortaleza em que se não pode encontrar nem agrado nem esperança. Tem sofrido em Teu caminho o que nenhum homem antes deles sofreu. Disso dão testemunho os que permanecem em volta de Teu trono, os que residem na terra, e a Assembléia nas alturas.

Estes, ó meu Deus, são Teus servos que, por amor à Tua beleza, abandonaram o lar, e a tal ponto foram movidos pelos ventos brandos de seu desejo por Ti que em Teu caminho se desprenderam de todos os laços. Alguns de Teus servos que habitam em Tua terra e que têm transgredido contra Ti, já os atacaram e baniram de Tuas cidades, tornando-os cativos e entregando-os às mãos dos iníquios dentre Teu povo e dos perversos entre os maléficos em Teu reino. E finalmente, tiveram de permanecer neste lugar com o qual nenhum outro, por mais repugnante que seja, em todo o Teu domínio, pode ser comparado. Apoderaram-se deles tais provações que as nuvens por eles choram e o trovão geme por causa das múltiplas tribulações que os afligiram em seu amor por Ti e seu desejo de merecer Tua aprovação.

Bem sabes Tu, ó meu Deus, que não há em Tua terra quem possa pretender relação a Ti salvo estes, alguns dos quais sofreram martírio por amor a Ti, enquanto aos outros foi permitido sobreviver. Embora para seres como nós, ó meu Deus, não convenha pretender relação a Ti - desde que nossas más ações e nossa obstinação nos tenham impedido de alcançar as profundezas do oceano de Tua unidade e de nos imergir nas águas de Tua transcendente mercê - no entanto, ó meu Deus, nossas línguas dão testemunho, e nossos corações afirmam, e nossos membros confessam, que Tua misericórdia envolveu todas as coisas criadas e Tua compaixão excedeu a todos que estão no céu e todos que se acham na terra.

Suplico-Te - por Teu Nome Supremo, em virtude do qual se romperam todas as coisas criadas, e a criação inteira se abalou - faze descer das nuvens de Tua misericórdia o que os possa purificar de toda provação e de tudo o que Te seja odioso. Eleva-os, pois, a tais alturas que nenhuma tribulação, por maior que seja, os possa deter de Tua maravilhosa comemoração, nem sofrimento algum os afastar da corte de Tua transcendente unidade.

Por Teu poder, ó Mais-Amado de Bahá e o Desejo de seu coração! Eu mesmo exclamo a Ti, sob todas as condições, dizendo: "Oxalá eu, antes deste dia, me houvesse aproximado de Ti!" Quando ouço, porém, os suspiros daqueles de Teu povo inteiramente devotados a Ti e os de Teus servos que desfrutam da proximidade de Tua corte - aqueles que outro amigo não escolheram salvo a Ti, nenhum refúgio buscaram a não ser em Ti, e preferiram para si mesmos, em Teu caminho, o que homem algum tem escolhido nos dias dos Manifestantes de Tua transcendente unidade e das Auroras de Tua santíssima soberania - então meu coração se entristece e minh´alma se aflige, e clamo a Ti, implorando-Te que, por Teu poder que abrangeu a criação inteira, visível como invisível, os protejas de tudo o que Te seja detestável. Isso não é por causa deles mas a fim de que Teu nome, por seu intermédio, se possa estabelecer entre Teus servos, e Tua comemoração perdure em Teus domínios.

Sabes, ó meu Deus, que todos os Teus servos se afastaram de Ti e se levantaram contra Ti. Sabes que outros não tens que Te obedeçam, senão eles e os que acreditaram em Tua Revelação, através da qual foram abalados os fundamentos do universo inteiro, e as almas de todos os homens tremeram e todos os adormecidos despertaram. Tu, ó meu Deus, és o Deus de bondade, Cuja graça é imensa.

Faze descer sobre eles, pois, o que lhes possa assegurar o coração, tranqüilizar a alma, renovar o espírito e ressuscitar o corpo. Tu és, em verdade, seu Senhor e o Senhor dos mundos.

Louvado seja Deus, o Senhor de toda a criação!

138 - Glória a Ti, ó Tu que és o Senhor de todos os mundos e o Amado de todos os que Te reconheceram! Tu me vês sentado debaixo de uma espada suspensa por um fio, e bem sabes que nesse estado não faltei a meu dever para com Tua Causa nem deixei de difundir Teu louvor, declarar Tuas virtudes e cumprir tudo o que me prescreveras em Tuas Epístolas. Ainda que a espada esteja prestes a cair sobre a minha cabeça, convoco os Teus amados com tal fervor que os corações, extasiados, se dirigiram ao horizonte de Tua majestade e grandeza.

Purificai-lhes completamente os ouvidos, ó meu Senhor, para que possam escutar as doces melodias que ascenderam da direita do trono de Tua glória. Juro por Teu poder! Fosse alguém afinar os ouvidos à sua harmonia, ele se elevaria para o reino de Tua revelação, onde cada coisa criada proclama que Tu és Deus, o Onipotente, o Amparo no Perigo, O que subsiste por Si Próprio. Clareia, ó meu Deus, os olhos de Teus servos, e extasia-os pela doçura de Tuas palavras a tal ponto que calamidades não os poderão impedir de se volverem para Ti e de dirigirem os olhos ao horizonte de Tua Revelação.

Trevas envolveram todas as terras, ó meu Deus, e fizeram que a maior parte de Teus servos tremesse. Suplico-te, pelo Teu Nome Supremo, que ergas em cada cidade uma nova criação que a Ti se dirija, Te comemore entre Teus servos, desdobrando, em virtude de suas palavras e de sua sabedoria, as insígnias de Tua vitória, e se desprendendo de todas as coisas criadas.

És potente para fazer o que Te apraz. Nenhum Deus há senão Tu, o Mais Poderoso, Aquele cujo amparo é implorado por todos os homens.

139 - Louvado sejas Tu, ó meu Deus! Vês por um lado o desamparo de Teus amados e, por outro, a ascendência de Teus inimigos, ali a aflição de Teus eleitos e aqui a glória daqueles que se opuseram à Tua Causa e repudiaram Teus sinais. Estes últimos negam Tuas provas e não retribuem os benefícios temporais que Tu lhes dispensaste, enquanto os primeiros Te agradecem o que lhes sucedeu em sua ânsia de participar das dádivas eternas que Tu possues.

Como é doce pensar em Ti nos tempos de adversidade e provação, e deleitável Te glorificar enquanto cercado pelos impetuosos ventos de Teu decreto!

Bem sabes, ó meu Deus, que suporto com paciência tudo o que me atinge em Teu caminho. Ainda mais, percebo que todos os membros de meu corpo anseiam pela tribulação, para que eu possa manifestar Tua Causa, ó Tu que és o Senhor de todos os nomes! As águas do Teu amor me têm preservado no reino de Tua criação, e o fogo da minha lembrança de Ti me inflamou diante de todos os que estão no céu e na terra. Grande é minha ventura, e grande a deste fogo cuja chama declara: "Nenhum Deus há salvo Tu, que és o Objeto adorado pelo meu coração, a Origem e o Centro de minh´alma!"

Tua glória dá-me testemunho! Fossem todos os que se acham nos céus e todos os que estão na terra se reunir e tentar me impedir de Te comemorar e de celebrar Teu louvor, nenhum poder, seguramente, teriam sobre mim, e malograriam em seu propósito. Fossem os infiéis me trucidar, meu sangue, a Teu mando, levantaria a voz, proclamando: "Não há outro Deus senão Tu, ó Tu que és todo o Desejo de meu coração!" E fosse minha carne fervida na caldeira do ódio, o odor emitido se ergueria para Ti, exclamando: "Onde estás, ó Senhor dos mundos, Tu, o Desejo Único dos que Te têm conhecido!" E se eu fosse lançado ao fogo, minhas cinzas - juro pela Tua glória - declarariam: "O Jovem atingiu, em verdade, aquilo pelo qual suplicara a seu Senhor, o Todo-Glorioso, o Onisciente."

Como, pois, pode tal homem ter medo da coligação dos reis para o ofender em Tua Causa? Não, não, juro por Ti Próprio, ó Tu que és o Rei dos Reis! Tão grande é meu amor por Ti que de ninguém posso ter medo, ainda que os pobres de todos os mundos se disponham contra mim. Só, e sem apoio, me tenho levantado, pela grandeza de Teu poder, a fim de proclamar Tua Causa, sem medo da hoste de meus opressores.

A todos que habitam na terra, clamo em altas vozes, dizendo: "Temei a Deus, ó vós, servos de Deus, e não vos deixeis ser impedidos deste vinho puro que manou da direita do trono da mercê de vosso Senhor, o Mais Misericordioso. Por Deus eu juro! Melhor para vós é o que Ele possui do que as coisas por vós possuídas e as coisas que tendes buscado e agora buscais nesta vida vazia e vã. Abandonai o mundo e dirigi a face ao Horizonte todo-glorioso. Quem houver participado do vinho de Sua comemoração esquecer-se-á de qualquer outra, e quem O tiver reconhecido livrar-se-á de todo apego a esta vida e a tudo o que lhe pertence".

Imploro-Te, ó meu Deus e meu Mestre, pela Palavra através da qual os que acreditaram em Tua unidade voaram para a atmosfera de Teu conhecimento e os Teus devotos ascenderam ao céu da Tua unidade - inspira Teus amados com aquilo que lhes possa assegurar o coração em Tua Causa. Dotai-os de tal constância que nada, em absoluto, os possa impedir de se volverem para Ti.

Tu és, em verdade, o Generoso, o Munificente, o Misericordioso, o Compassivo.

140 - Tu vês, ó meu Deus, como Teus servos se têm segurado aos Teus nomes, invocando-os durante o dia e a noite. Mal se manifestara, porém, Aquele através de Cuja Palavra o reino dos nomes e o céu da eternidade foram criados, quando Dele se apartaram, rejeitando o maior de Teus sinais. Finalmente baniram-No de Sua terra natal e fizeram-No morar na mais desolada de Tuas cidades, se bem que o mundo inteiro tivesses Tu criado por Sua causa. Nesta, a Maior Prisão, estabeleceu Ele Seu assento. Embora aflito por provações cujo igual jamais foi visto pelos olhos da criação, Ele convoca o povo para Ti, ó Tu que és o Moldador do universo!

Suplico-Te - ó Tu que formaste todas as nações e animaste cada osso em desintegração - por Tua graça, habilita Teus servos a reconhecer Aquele que é o Manifestante de Ti Próprio e o Revelador de Teu transcendente poder, de modo que, por Ti fortalecidos, possam derrubar os ídolos de suas inclinações corruptas e entrar na sombra de Tua misericórdia que a tudo abrange, a qual, em virtude de Teu nome, o Mais Sublime, o Todo-Glorioso, superou a criação inteira.

Não sei, ó meu Deus, quanto tempo ainda Tuas criaturas continuarão adormecidas no leito do olvido e dos desejos maus, longe de Ti e excluídos de Tua Presença. Aproxima-os, ó meu Deus, da cena de Tua fulgente glória, e extasia seus corações com os doces sabores de Tua inspiração, através da qual os que adoram Tua unidade voaram a Ti com as asas do anelo, e os Teus devotos atingiram Aquele que é o Amanhecer da Estrela d´alva de Tua criação.

Rompe os véus que os excluem de Ti, ó meu Senhor, a fim de que Te possam contemplar, esplendoroso acima do horizonte de Tua unidade e difundindo Teu brilho donde alvoreceu Tua soberania. Por Tua glória! Fossem descobrir a doçura de Tua comemoração e apreender a excelência das coisas descidas sobre eles da direita do trono da Tua majestade, eles rejeitariam tudo o que possuem e se apressariam para a selva de seu anelo por Ti, a fim de que o olhar de Tua benevolência se lhes dirigisse, e sobre eles se difundisse o esplendor da Estrela D´alva de Tua beleza.

Que se transportem seus corações por Tua comemoração, ó meu Senhor, se enriqueçam suas almas pelas Tuas riquezas e se fortaleçam suas vontades a fim de proclamarem Tua Causa entre Tuas criaturas. Tu és, em verdade, o Generosíssimo, o Sempre-Clemente, o Mais Compassivo.

141 - Louvado seja Teu nome, ó meu Deus! Vês quão severamente tenho sido atribulado entre Teus servos, e presenciais minhas vicissitudes em Teu caminho. Bem sabes que jamais proferi uma palavra que não fosse com Tua permissão, nem abri meus lábios salvo a Teu mando e de acordo com Teu beneplácito, que todo sopro meu foi animado por Teu louvor e Tua lembrança, que não convoquei todos os homens senão para aquilo para que Teus eleitos têm sido convocados desde toda a eternidade, e que ordenei observassem apenas as coisas que os fizessem aproximar do Alvorecer da Tua benevolência, do Amanhecer dos Teus favores, do Horizonte das Tuas riquezas e do Manifestante de Tua inspiração e Tua Revelação.

Bem percebes, ó meu Deus, que não faltei a meu dever para com Tua Causa. Em todos os tempos e sob todas as condições fiz soprarem por todos os lados as brisas de Tua inspiração e difundir-se o suave olor das vestes de Tua Mercê, para que Teus servos talvez possam perceber sua fragrância e assim se dirigir a Ti.

Imploro-Te, ó meu Deus - pelas Luzes da Tua unidade e pelos Repositórios de Tua Revelação - faze descer das nuvens de Tua misericórdia o que possa purificar os corações de todos aqueles que se hajam volvido para Ti. Apaga, pois, de seus corações tudo que possa induzir Teus servos a cavilar de Tua Causa.

Tua Vontade superou a minha vontade, ó meu Deus, e tenho mostrado o que me afligiu penosamente. Tem misericórdia, pois, de mim, ó Tu que de todos os que mostram misericórdia és o Mais Misericordioso!

Ajuda Teus servos, ó meu Deus, a apoiar Tua Causa, e dá-lhes de beber daquilo que anime seus corações em Teu domínio, para que nada os impeça de se lembrarem de Ti e de louvarem Tuas virtudes, para que deixem seus lares em Teu nome e convoquem para Ti todas as multidões. Guarda-lhes a face, ó meu Deus, de se dirigir a qualquer um salvo a Ti, e o ouvido de escutar os dizeres de todos os que se voltaram de Tua beleza e repudiaram Teus sinais.

Supremo és Tu sobre todas as coisas. Não há outro Deus senão Tu, o Onisciente, o Sapientíssimo.

142 - Louvores a Ti, ó Senhor meu Deus! Vês e sabes que exortei Teus servos a voltarem-se em direção às Tuas graças, e nada lhes ordenei observar salvo as coisas por Ti prescritas em Teu Livro Perspícuo, Livro este que se fez descer segundo Teu inescrutável decreto e Teu desígnio irrevogável.

Palavra alguma posso eu pronunciar, ó meu Deus, a menos que por Ti me seja permitido, e em nenhuma direção me posso mover sem Tua sanção. Tu és, ó meu Deus, Quem me chamou à existência pela grandeza de Teu poder e me dotaste de Tua graça a fim de que eu pudesse manifestar Tua Causa. Por isso tive de me sujeitar a tais adversidades que minha língua foi impedida de Te louvar e de magnificar Tua glória.

Todo louvor a Ti, ó meu Deus, pelas coisas que me ordenaste através de Teu decreto e do poder de Tua soberania. Suplico-Te que fortaleças tanto a mim, como àqueles que me amam, em nosso amor a Ti, e nos faças constantes em Tua Causa. Juro por Teu poder, ó meu Deus! A vergonha de Teu servo é ser excluído de Ti como se o fosse por um véu, e sua glória está em Te conhecer. Armado com o poder de Teu nome, jamais sofrerei dano de coisa alguma, e com Teu amor em meu coração, todas as vicissitudes do mundo de modo algum me poderão alarmar.

Faze descer, pois, ó meu Senhor, sobre mim e sobre meus amados o que nos proteja da malevolência dos que repudiaram Tua verdade e desacreditaram em Teus sinais.

Tu és, em verdade, o Todo-Glorioso, o Mais Generoso.

143 - Agradeço-Te, ó meu Deus, por me haveres feito alvo das setas de Teus adversários em Teu caminho. Ofereço-Te o mais alto louvor, ó Tu que és o Conhecedor do visível e do invisível e o Senhor de toda a existência, por haveres permitido que eu fosse aprisionado por amor a Ti e me haveres feito sorver do cálix da angústia, a fim de que eu pudesse revelar Tua Causa e glorificar Tua Palavra.

Qual das minhas tribulações devo relatar ante Tua face, ó meu Senhor? Deverei eu recitar diante de Ti o que me sucedeu nos dias de antanho nas mãos dos iníquos entre Tuas criaturas, ou descrever as provações que me cercaram nestes dias por meu amor a Teu beneplácito?

Graças a Ti, ó Tu, o Senhor de todos os nomes, e glória a Ti, ó Criador dos céus, por tudo o que, nestes dias, suportei das mãos daqueles de Teus servos que transgrediram contra Ti, e de Teu povo que se tornou refratário para Contigo.

Inclue-nos, nós Te imploramos, entre aqueles que se mantiveram firmes em Tua Causa até que suas almas alçaram vôo, afinal, para o céu da Tua graça. És, em verdade, o Sempre-Clemente, o Mais Misericordioso.

144 - Glorificado és Tu, ó meu Deus! Rendo louvor a Ti por me haveres dado o poder de revelar Tuas palavras e manifestar Tuas provas e Teus testemunhos de tal modo que toda prova teve de girar em volta de minha vontade e todo testemunho abranger meu beneplácito. Tu me vês, ó meu Senhor, à mercê de Teus adversários, que repudiaram Teus sinais, refutando Teu testemunho e se voltando de Tua beleza, resolvidos a derramar Teu sangue. Suplico-Te, ó Tu que és o Senhor de todos os nomes - por Teu nome, através do qual dominaste todas as coisas criadas - com Tua graça, ajuda Teus servos e Teus amados a segurarem-se firmemente à Tua Causa. Dá-lhes de beber, pois, daquilo que lhes possa animar o coração em Teus dias. Capacita-os, ainda mais, ó Meu Senhor, a fixar seu olhar sobre Teu beneplácito, em todos os tempos, e Te dar graças pelas evidências de Teu irrevogável decreto. Pois Tu, em verdade, és digno de louvor em tudo o que fizeste no passado ou que fizeres no futuro, e deves ser obedecido em tudo o que tens querido ou vieres a querer, e amado em tudo o que tens desejado ou venhas a desejar. Com os olhos de Tua misericórdia, contempla aqueles que Te são caros, e nada mandas descer para eles senão o que lhes possa trazer proveito, através de Tua graça e Tuas dádivas.

Nós Te suplicamos, ó Tu que és a Nuvem da Generosidade e o Amparo dos aflitos, que nos ajudes a Te comemorar, a tornar conhecida Tua Causa e a nos levantar em Teu apoio. Embora simples fraqueza, seguramo-nos, no entanto, a Teu Nome, o Mais Poderoso, o Onipotente.

Abençoa, ó Deus, aqueles que se têm mantido firmes em Tua Causa, a quem as más sugestões dos que perpetram atos iníquios não impediram que se voltassem em direção à Tua face, aqueles que de todo coração se apressaram para Tua graça, até sorverem, afinal, da água que é a vida verdadeira, oferecida pelas mãos da Tua generosidade.

Potente és tu para fazeres o que Te apraz. Nenhum Deus há senão Tu, o Poderoso, o Generosíssimo.

SEGUNDA PARTE
'ABDUL'L-BAHÁ
VII - O CONVÊNIO
1 - O CENTRO DO CONVÊNIO

145 - Sua Santidade Abraão - haja paz sobre Ele - fez um convênio a respeito de Sua Santidade Moisés, e deu as boas novas de Sua vinda. Este fez um convênio relativo ao Prometido, isto é, Sua Santidade Cristo, e anunciou a boa nova de Sua Manifestação ao mundo. Sua Santidade Cristo fez um convênio referente ao Paracleto, dando a nova de Seu advento. Sua Santidade, o Profeta Maomé, fez um convênio sobre Sua Santidade o Báb, o qual foi o Prometido de Maomé, pois Maomé dera a notícia de Sua vinda. Pelo Báb foi feito um convênio referente à Abençoada Beleza de Bahá´u´lláh, sendo dadas as boas novas de Seu advento, pois Este foi o Prometido de Sua Santidade o Báb. Bahá´u´lláh fez um convênio relativo a um Prometido que se haveria de manifestar após mil ou milhares de anos. Ele também, com Sua Pena Suprema, entrou num grande Convênio e Testamento com todos os bahá´ís, segundo o qual ordenou a todos que, após Sua própria partida, seguissem o Centro do Convênio, não vacilando em sua obediência a Ele, nem sequer na grossura de um fio de cabelo.

No Livro de Aqdas deu Ele um mandamento positivo em duas passagens claras, e apontou explicitamente o Intérprete do Livro. Também em todas as Epístolas Divinas, sobretudo no Capítulo do Ramo - cujas alusões todas se referem ao serviço de ´Abdu´l-Bahá, isto é a ´Abdu´l-Bahá - tudo o que era necessário para explicar o Centro do Convênio e o Intérprete do Livro, foi revelado pela Pena Suprema. Ora, ´Abdu´l-Bahá, na qualidade de Intérprete do Livro, diz que o Capítulo do Ramo se refere a ´Abdu´l-Bahá, isto é, ao serviço de ´Abdu´l-Bahá, e a nenhum outro.

146 - Em ciclos anteriores, a Pena Suprema não fez por escrito um Convênio distinto, nem nomeou um personagem distinto para estabelecer a norma, diferenciando o falso do verdadeiro, de modo que fosse estabelecida como verdade, qualquer coisa que ele dissesse, e como mentira, tudo o que ele repudiasse. O mais que Sua Santidade Jesus Cristo fizera, foi dar uma simples sugestão, um símbolo, apenas indicando a solidez da fé de Pedro. Ao mencionar sua fé, Sua Santidade disse, "Tu és Pedro", que significa pedra, "e sobre essa pedra edificarei Minha igreja." Isso foi uma sanção da fé de Pedro; não o indicou como o Expositor do Livro, mas apenas confirmou sua fé.

Na Dispensação da Abençoada Beleza (Bahá´u´lláh) porém, entre suas características distintivas, há esta: Ele não deixou Seu povo perplexo mas sim, lhe fez um Testamento e Convênio, do qual apontou um Centro. Escreveu-o com a própria Pena, revelando-o no Kitáb-i-Aqdas, o Livro das Leis, e no Kitáb-i-Ahd, o Livro do Convênio, apontando-O (´Abdu´l-Bahá) o Expositor do Livro. Deve-se perguntar a Ele (´Abdu´l-Bahá) o que significam os textos dos versículos. Tudo o que Ele diz é correto. Além disso, em numerosas Epístolas Ele (Bahá´u´lláh) registrou isso com declarações claras, suficientes, válidas e eficazes. Na Epístola do Ramo, diz Ele explicitamente: "Tudo o que o Ramo diz está certo, correto, e toda pessoa Lhe deve obedecer com sua vida, com seu coração e sua língua. A não ser por Sua vontade, ninguém há de pronunciar uma palavra sequer." Este é um texto explícito da Abençoada Beleza, de modo que não há desculpa para pessoa alguma. Nenhuma alma deve falar por si mesma. Tudo o que Sua língua (a de ´Abdu´l-Bahá) pronuncia, ou Sua pena registra, está certo, segundo o texto explícito de Bahá´u´lláh na Epístola do Ramo.

147 - A Abençoada Beleza é o Sol da Verdade, e Sua Luz, a luz da verdade. Do mesmo modo é o Báb o Sol da Verdade, e Sua luz a luz da verdade... Minha posição é a de servo - meu serviço é completo, puro e real, firmemente estabelecido, durável, óbvio, explicitamente revelado e não sujeito a outra interpretação qualquer... Eu sou o Intérprete da Palavra de Deus; tal é minha interpretação.

2 - O PODER DO CONVÊNIO

148 - Há um poder nesta Causa - um poder misterioso - muito, muito além do conhecimento dos homens e dos anjos; este poder invisível é a causa de todas essas atividades exteriores. Move os corações. Racha as montanhas. Administra os assuntos complicados da Causa. Inspira os amigos. Esmaga em mil pedaços todas as forças da oposição. Cria novos mundos espirituais. Eis o mistério do Reino de Abhá!

149 - Tão firme e poderoso é este Convênio que, desde o princípio dos tempos até o dia presente, nenhuma Dispensação produziu outro igual.

150 - O espírito desta era é o Convênio e o Testamento de Deus. É como a artéria que pulsa no corpo do mundo.

151 - Volve tua face para o Reino do Convênio, com teu coração a pulsar com amor a Deus, tua alma atraída às fragrâncias de Deus, tua língua falando do aparecimento do Reino de Deus, tua percepção rompendo os véus e revelando a realidade das coisas - e com um poder capaz de mover o coração de todos no mundo.

Isso é uma confirmação do Senhor da fulgência, enquanto tudo mais nunca há de te dar proveito! É graças a isso que tua face há de luzir, teu coração dilatar-se de alegria, tua alma tornar-se pura, fortalecendo-se tuas costas, regozijando-se teu espírito, e vindo todo o teu ser a se animar. Deixa atrás de ti o povo da suspeita e adere aos sinais manifestos.

152 - O mundo do Convênio assemelha-se à Árvore Abençoada que cresce, na maior delicadeza e formosura, na margem do rio da Água da Vida, desenvolvendo-se dia a dia e aumentando seu verdor.

153 - Hoje o poder vibrante que se manifesta por todas as regiões é o poder do Convênio que, feito uma artéria, bate e pulsa no corpo do mundo. Quem permanece mais firme no Convênio recebe maior ajuda, assim como testemunhais claramente que as almas firmes se tornam iluminadas, são atraídas e confirmadas.

154 - O Convênio de Deus assemelha-se a um oceano vasto e insondável, do qual há de surgir uma onda que lance à terra toda a espuma acumulada.

Hoje, toda pessoa sábia, vigilante e dotada de previsão desperta, e os mistérios do futuro lhe são desvendados. Nada senão o poder do Convênio pode inspirar e impulsar os corações humanos.

155 - Sabe tu, em verdade, o Convênio é um Orbe que brilha e cintila pelo universo. Em verdade, sua luz dissipará as trevas, seu mar lançará a densa espuma das suspeitas na praia da perdição. Em verdade, nada no mundo jamais será capaz de resistir o poder do Reino. Se toda a humanidade se reunisse, não poderia impedir o sol de luzir, os ventos de soprarem, as nuvens de emitirem suas chuvas, nem poderia privar as montanhas de sua firmeza ou as estrelas de sua irradiação. Não! Por teu Senhor, o Clemente! Tudo está sujeito à corrupção; mas o Convênio de teu Senhor continuará a predominar sobre todas as regiões.

156 - Este Convênio é o Convênio Antigo, o Iluminador dos horizontes... É o Testamento e o Convênio, e é mencionado em todos os Livros anteriores e nas Epístolas ulteriores... É a santa fragrância da Sua Santidade, o Criador, e o Sopro de Vida de Seu Jardim. É a forte cidadela e, portanto, um abrigo seguro para todos os seres criados. É, numa palavra, a soma de todos os Escritos Sagrados, antigos e modernos!

157 - Agora, no mundo da existência, a Mão do poder divino lançou firmemente o alicerce desta suprema graça e desta dádiva maravilhosa. Tudo o que estiver latente no âmago deste sagrado ciclo aparecerá gradativamente, tornando-se manifesto, pois agora é apenas o começo de seu crescimento e o alvorecer da revelação de seus sinais. Antes do término deste século e desta era, se fará claro e evidente como foi maravilhosa essa primavera, e celestial essa dádiva!

3 - FIRMEZA NO CONVÊNIO

158 - Deveis vos segurar àquilo que procede do Centro do Convênio. O que sai de meus lábios e o que está escrito por minha pena é a realidade. Com isso podeis irrigar a vinha de Deus. Com isso tornareis verdejante a árvore da Causa de Deus. Isso fará difundir-se pelo mundo o nome do Reino de Deus. Por meio disso, o sol da realidade brilhará e as nuvens da misericórdia derramarão suas chuvas.

159 - Hoje, a mais importante questão é firmeza no Convênio, porque isso evita divergências.

160 - Quem está firme no Convênio e Testamento é dotado hoje de olhos que vêem e ouvidos atentos, e avança dia a dia no reino divino até tornar-se um anjo celestial.

161 - Ó vós amados de Deus, sabei que a constância e firmeza neste novo e maravilhoso Convênio é, em verdade, o espírito vivificador dos corações que transbordam do amor do Senhor Glorioso; em verdade, é o poder que penetra nos corações do povo do mundo! Vosso Senhor prometeu, seguramente, aos Seus servos firmes e constantes, que os faria bem sucedidos em todos os tempos, lhes exaltando a palavra e propagando o poder, difundindo a luz, fortalecendo os corações, elevando os estandartes, auxiliando as hostes, fazendo brilharem suas estrelas e crescer a abundância das chuvas de misericórdia que sobre eles caem, habilitando os leões corajosos a ganharem a vitória.

Apressai-vos, apressai-vos, ó vós crentes firmes! Apressai-vos, apressai-vos, ó vós constantes! Abandonai o desatento, afastai-vos do ignorante, segurai a corda forte, sede firmes nesta Grande Causa, iluminando-vos com esta Luz Manifesta e sendo pacientes e fiéis nesta sábia Religião! Havereis de ver as hostes de inspiração descerem sucessivamente do Mundo Supremo, a incessante força de atração proceder das alturas do céu, a abundância contínua manar do Reino de El Abhá e os ensinamentos de Deus penetrarem com o máximo poder, enquanto os que não atendem se encontram, de fato, em prejuízo visível.

162 - Certificai-vos, com a máxima segurança, de que Deus, realmente, em tudo ajudará àqueles que permanecerem firmes em Seu Convênio, através de Sua confirmação e Seu favor, cuja luz irradiará até ao leste da terra, bem como ao oeste. Ele os tornará os sinais que guiam as criaturas, semelhantes as estrelas que cintilam e resplandecem de todos os horizontes.

163 - Ó vós que estais firmes no Convênio! ´Abdu´l-Bahá ocupa-se, sem cessar, em comunicação ideal com toda Assembléia Espiritual que esteja instituída através da graça divina, e cujos membros, com a máxima devoção, se volvam para o Reino Divino, mantendo-se firmes no Convênio. A estes Ele se afeiçoa de coração, e se prende por laços eternos. Assim a correspondência com eles é sincera, constante e ininterrupta.

164 - Ó vós coortes de Deus! Se observardes que uma alma tenha volvido a face completamente para a Causa de Deus, centralizando seu intuito na penetração da Palavra de Deus e servindo a Causa dia e noite com a máxima fidelidade; se das suas maneiras e ações nem o mais ligeiro odor de egoísmo puder ser inalado, nem for visto em sua personalidade o menor traço de preconceito - verificando-se, antes, que peregrina na selva do amor de Deus, extasiada com o vinho do conhecimento de Deus, ocupada inteiramente na difusão das fragrâncias divinas e atraída aos sinais de Seu Reino - devereis saber, pois, com toda certeza, que tal pessoa é confirmada pelos poderes do Reino, amparada pelo céu da Grandeza, e haverá de brilhar, reluzir e cintilar, assim como a estrela d´alva, em plena fulgência e esplendor, do horizonte da graça eterna. Se, porém, estiver poluída com o mínimo traço de paixão, desejo, ostentação ou interesse próprio, infrutíferos serão, certamente, os resultados de todos os esforços e essa alma se achará destituída de graça e desesperada.

165 - Hoje, os que se mantêm firmes no Convênio voam, pelas graças do Espírito Santo, em regiões elevadas, enquanto os vacilantes se vêem deprimidos, tristes e aflitos com mil dores e calamidades. Isso é porque lhes foram cortadas as confirmações do Reino de Abhá. Eles se privaram da Luz do Sol da Verdade e nada recebem dos sopros do Espírito Santo. São semelhantes àquelas almas que se levantaram para agitar as mentes dos homens depois do tempo de Cristo. Cada um, por todos os meios mais sutis, reuniu em seu redor um grupo de pessoas, mas todos, afinal, tiveram de enfrentar desilusão, prejuízo e malogro. E isso foi porque o resultado de seus princípios parecia com uma Árvore destituída de raízes, ou com a espuma do oceano. Uma árvore sem raiz, por mais alta ou robusta que pareça, há finalmente de murchar; e a espuma do oceano, por temível que seja em aparência, há de se esvaecer afinal.

Numa palavra - o Convênio é como o oceano que preserva a unidade bahá´í, e aquelas pessoas como a espuma em sua superfície. Manifestam uma atividade temporária mas, dentro em breve, assim como Judas Iscariot e seus associados, e também aqueles que aprovaram sua conduta, serão completamente esquecidas. O oceano do Convênio, por outro lado, move-se por toda a eternidade, pois preserva a unidade bahá´í.

Hoje, o Senhor dos Exércitos é o Defensor do Convênio, as forças do Reino o protegem, almas celestiais prestam-lhe seus serviços, e anjos o promovem e difundem. Se for considerado com percepção, ver-se-á que todas as forças do universo, em última análise, servem ao Convênio. No futuro, isso se tornará evidente e manifesto. Em vista deste fato, que poderão essas pessoas fracas conseguir?

166 - Seguramente, pois, se os crentes não estiverem unidos na vontade de Deus, nenhuma ajuda receberão. Isto é especialmente necessário porque todos eles se acham sob a Tenda do Convênio nesta Revelação. Somente na união há força. Sob a mesma tenda existe união e harmonia. O Convênio de Deus, neste Dia de Manifestação, é um salva-vidas, uma Arca de Salvação. Todos os verdadeiros seguidores da Abençoada Perfeição estão amparados e protegidos nesta Arca. Quem a deixar, confiando em sua própria vontade e força, haverá de se afogar e ser destruído. Pois a Abençoada Perfeição não deixou possibilidade de discórdia, divergência e dissensão. O Convênio assemelha-se ao mar e os crentes aos peixes no mar; se um peixe sai da água, não pode viver. Nada há que o possa igualar, nada tão efetivo como o Convênio de Deus para realizar e manter a unidade.

167 - Todos os Livros anteriores estão subordinados a este Livro do Convênio, por haver este sido revelado subseqüentemente. Ele o denominou o "Livro do Convênio". Considerai, pois: se os amigos permanecerem firmes no Convênio, poderá algum mal entendido surgir entre eles? Não, por Deus! Só entre aquelas almas que têm más intenções, que pensam em liderança e na formação de um partido. Tais pessoas, apesar de haverem escrito com sua própria pena epístolas nas quais execravam os viladores, denunciando-os por terem destruído a base do monumento erigido por Sua Santidade Bahá´u´lláh, e declarando que Ele escrevera este Convênio com Sua própria pena, e quem se desviava, pois, no mínimo grau, do Centro do Convênio, era do povo da traição e bem merecia a ira de Deus - não obstante tudo isso, acham-se presentemente, elas mesmas, entre os pioneiros na violação. É em conseqüência de seus motivos pessoais, pois haviam pensado em conseguir predomínio e riqueza, e ao compreenderem que não viriam a realizar seu objetivo se permanecessem firmes no Convênio, desviaram-se dele... Sua mentira está agora manifesta. A despeito disso, algumas almas não estando cientes desse fato, vacilam quando essas pessoas lançam as sementes da suspeita... O Convênio de Deus é como um oceano vasto e insondável, donde há de surgir uma onda que lançará em terra toda a espuma acumulada.

VIII. A ÚLTIMA EPÍSTOLA DO MESTRE À AMÉRICA

168 - Ó vós amigos de Deus! ´Abdu´l-Bahá pensa em vós e vos menciona dia e noite, porque os amigos de Deus lhe são queridos. Todo dia, à alvorada, suplico ao Reino de Deus, pedindo que recebais abundantemente os sopros do Espírito Santo, de modo a vos tornardes velas brilhantes, guiando os outros com sua luz e dissipando a escuridão do erro. Assegurai-vos de que as confirmações do Reino de Abhá vos hão de atingir continuamente.

Através do poder da primavera divina, das chuvas que jorram das nuvens celestiais, e do ardor do Sol da Realidade, a Árvore da Vida está principiando a crescer. Dentro em breve, haverá de produzir botões, folhas e frutos, e estender sua sombra sobre Oriente e Ocidente. Esta Árvore da Vida é o Livro do Convênio.

Na América, nestes dias, ventos severos cercam a Lâmpada do Convênio, na esperança de que esta Luz brilhante se extinga e esta Árvore da Vida seja desarraigada. Certas almas fracas, instáveis, maliciosas e ignorantes, abaladas pelo terremoto do ódio e da animosidade, empenharam-se em eliminar o Convênio e Testamento Divino e em tornar lamacenta a água límpida, a fim de poderem nela pescar. Levantaram-se contra o Centro do Convênio, assim como fizera o povo do Bayán contra a Abençoada Beleza, a todo momento pronunciando uma calúnia. Todo dia, procuraram eles um pretexto e secretamente fazem surgir dúvida, a fim de que o Convênio de Bahá´u´lláh seja completamente aniquilado na América.

Ó amigos de Deus! Despertai, despertai; sede vigilantes, sede vigilantes! Sua Santidade, o Báb, fez um Convênio para Bahá´u´lláh com todo o povo do Bayán, a fim de que, no dia do aparecimento de "Aquele que Deus tornará manifesto" e da irradiação da Luz de Bahá´u´lláh, eles pudessem crer e assegurar, levantar-se em serviço e difundir a Palavra de Deus. Mais tarde, os seguidores do Bayán, inclusive Mírzá Yahyá e muitos outros, investiram contra a Abençoada Beleza, inventando toda espécie de calúnia, incitando dúvida na mente do povo e, baseando-se nos Livros de Sua Santidade o Báb - repletos de referências a "Aquele que Deus tornará manifesto", - tentaram provar ser Bahá´u´lláh falso. Todo dia escreviam e espalhavam um panfleto contra Bahá´u´lláh, causando confusão e perplexidade entre o povo; infligiam a maior injúria e crueldade, ainda contando-se firmes no Convênio de Sua Santidade, o Báb. Quando, porém, a Luz do Convênio de Sua Santidade o Báb iluminou o universo, todas as almas fiéis e sinceras foram livradas das trevas da violação do povo do Bayán e reluziram, feitas velas brilhantes.

Bahá´u´lláh, em todas as Epístolas, proibiu que os amigos fiéis e firmes se associassem ou reunissem com os violadores do Convênio de Sua Santidade o Báb, dizendo que ninguém se devesse aproximar deles, porque seu sopro era como o veneno da serpente, o qual mata instantaneamente.

Em "Palavras Ocultas" Ele diz: "Estimai a amizade do justo, mas retirai tanto a mente como a mão da companhia do malévolo".

Dirigindo-se a um dos amigos, Ele diz: "Está claro à Vossa Excelência que, dentro em breve, Satanaz, vestido de homem, chegará nessa terra e se empenhará em desviar os amigos da Beleza Divina por tentações que incitem os desejos egoístas, fazendo que sigam nas pegadas de Satanaz, em vez de andarem no caminho reto e glorioso, e que se afastem da Praia Abençoada do Rei da Unidade. É uma informação secreta que confiamos aos eleitos para que não sejam privados de sua posição louvável por se haverem associado às personificações do ódio. Incumbe, pois, a todos os amigos de Deus evitar qualquer pessoa em quem percebam a emanação de ódio à gloriosa Beleza de Abhá, ainda que tal pessoa cite todas as Expressões Celestiais e se segure a todos os Livros." Continua Ele - glorioso seja Seu Nome! - "Protegei-vos com a máxima vigilância para não vos emaranhardes no enredo da decepção e fraude." É o que aconselha a Pena do Destino.

Em outro discurso, Ele diz: "Portanto, evitando-se a essas pessoas, se estará seguindo o caminho mais próximo para atingir o beneplácito divino, pois o sopro de tais pessoas é infeccioso como veneno."

Em outra Epístola, Ele diz: "Ó Kázim, fecha teus olhos para o povo do mundo; do cálix oferecido pelos portadores celestiais sorve da água do conhecimento, e não escutes os ditos ineptos das manifestações de Satanaz, as quais ocupam hoje os postos de observação no glorioso caminho de Deus e impedem o povo por todos os meios de decepção e fingimento. Breve presenciarás a defecção do povo do Bayán; vê-lo-ás afastar-se do Manifestante do Misericordioso".

Em outra Epístola, Ele diz: "Esforçai-vos o mais possível para vos protegerdes, porque Satanaz aparece em vestes diversas e apela para cada um de acordo com os modos de cada um, até torná-lo semelhante a ele - então o deixa em paz".

Em outra Epístola, Ele diz: "Afastai-vos de qualquer homem em quem percebas inimizade por este Servo, embora ele apareça nas vestes da piedade do povo anterior e do ulterior, ou se levante na adoração dos dois mundos".

Diz Ele em outra Epístola: "Ó Mihdí! Informa-te por meio destas palavras, e evita as manifestações do povo do inferno, aqueles nos quais se manifestam os Nimrods e Pharees, Tagut e os vatídicos."

E outra vez diz: "Dizei, ó meu amigo e meus puros! Escutai a Voz deste Cativo Amado nesta Grande Prisão. Se perceberdes em qualquer homem o mais ligeiro sopro de violação, evitai-o e afastai-vos dele." Diz ele então: "Em verdade, são manifestações de Satanaz."

Em outra Epístola, diz Ele: "E volvei a face para o Grande Semblante, pois dentro em breve os nauseabundos odores das pessoas maléficas passarão por essas regiões. Queira Deus permaneçais protegidos durante esses dias".

No décimo oitavo capítulo do Evangelho segundo S. Mateus versículos 6 a 9, diz Sua Santidade Cristo: "Mas qualquer que ofender um destes pequeninos que crêem em Mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma mó de atafona e se submergisse na profundeza do mar.

"Ai do mundo por causa das ofensas, porque é mister que venham ofensas, mas ai daquele homem por quem a ofensa vem!

"Portanto, se a tua mão ou o teu pé te ofender, corta-o e atira-o para longe de ti; melhor te é entrar na vida coxo ou aleijado do que, tendo duas mãos ou dois pés, ser lançado no fogo eterno.

"E se o teu olho te ofender, arranca-o e atira-o para longe de ti".

E no vigésimo primeiro capítulo, versículo 38, do Evangelho segundo S. Mateus, Ele diz: "Mas os lavradores, vendo o filho, disseram entre si: Este é o herdeiro; vinde, matemo-lo e apoderemo-nos de sua herança. E, lançando mão dele, o arrastaram para fora da vinha e o mataram".

Também no vigésimo segundo capítulo, versículo 14, do Evangelho segundo S. Mateus, Ele diz: "Porque muitos são chamados mas poucos escolhidos."

Nos Santos Escritos de Sua Santidade Bahá´u´lláh, em mil passagens, pelo menos, os violadores do Convênio são execrados e condenados. Serão mencionadas algumas das passagens celestiais.

Em suma, todos os amigos na América sabem que os fundadores dessa sedição - isto é, os violadores do Convênio - são pessoas cujos objetivos são conhecidos por todos os amigos, mas, apesar disso - Oh Deus Glorioso, deixam-se enganar por eles!

Louvado seja Deus, vós sabeis com perfeita clareza que Sua Santidade Cristo foi extremamente benévolo e amoroso, mas havia pessoas como Judas Iscariot que - pelos seus próprios atos - se separaram de Cristo. Que culpa, pois, teria Cristo? Ora, dizem os Náqizín que ´Abdu´l-Bahá é despótico, expulsa pessoas e excomunga, do mesmo modo do Papa. Não é verdade, em absoluto! Qualquer pessoa que haja saído (da Causa), agiu assim por causa de suas próprias ações, intrigas e tramas. Se levantarem tal objeção contra ´Abdu´l-Bahá, também o deverão fazer contra a Abençoada Beleza, que, por ordem distinta e concludente, proíbe os amigos associação e familiaridade com os violadores dentre o povo do Bayán.

Súplica: Ó Senhor do Convênio! Ó Estrela luminosa do mundo! ´Abdu´l-Bahá, perseguido, caiu nas mãos de pessoas que aparentam de ovelhas mas na realidade são lobos ferozes; usam de toda sorte de opressão, tentando destruir a base do Convênio - e ainda se professam bahá´ís. Investem contra a raiz da Árvore do Convênio - e se consideram perseguidos - semelhantes ao povo do Bayán que violou o Convênio de Sua Santidade o Báb, e de seis direções atirou setas de opróbrio e calúnia contra Teu Abençoado Corpo. A despeito dessa grande opressão, eles se chamam a si próprios oprimidos. A toda hora maquinam novas intrigas e astúcias e produzem nova calúnia.

Yá-Bahá´u´l-Abhá! Protege desses ladrões, a Fortaleza de Tua Causa e salvaguarda as lâmpadas do Reino contra esses ventos malévolos!

Yá-Bahá´u´l-Abhá! ´Abdu´l-Bahá nem por um momento descansou antes de haver erguido Tua Causa e feito flutuar sobre o mundo o Estandarte do Reino de Abhá. Agora se levantaram algumas pessoas com intrigas e más intenções para espezinhar esta bandeira na América, mas minha esperança está em Tuas confirmações. Não me deixes só, solitário e oprimido! Já que prometeste, verbalmente e por escrito, que protegerias este veado do pasto de Teu amor contra os ataques dos cães do ódio e da animosidade, e salvarias esta ovelha perseguida das garras e dos dentes dos lobos ferozes - espero agora que Tua promessa definitiva se cumpra e Tuas graças apareçam. És o verdadeiro Protetor, e és o Senhor do Convênio! Protege, pois, esta Lâmpada que Tu acendeste, contra os ventos severos.

Yá Bahá´u´l-Abhá! Abandonei o mundo e seu povo; meu coração está dilacerado por causa dos infiéis, e estou fatigado. Na gaiola deste mundo, bato as asas feito um pássaro assustado, e anseio pela fuga para Teu Reino.

Yá Bahá´u´l-Abhá! Faze-me beber do cálice do sacrifício e liberta-me! Alivia-me destas dificuldades, durezas, aflições a vicissitudes! Tu és o Amparo, o Auxílio, o Protetor e o Sustentáculo!

Agora mencionaremos alguns escritos, orações e versículos da Abençoada Beleza, nos quais é proibida a associação com os violadores. Na Oração Iraniana, Ele diz:

"Protege este Servo das dúvidas das pessoas que se afastaram de Ti e se acham privadas do mar da Tua sabedoria. Ó Deus! Ó Deus! Protege este Servo, por Tua graça e generosidade, contra o mal de Teus inimigos que quebrantaram Teu Convênio e Testamento."

Em outra passagem, Ele diz: Ó Meu Deus e Alvo de Minha vida! Protege este fraco com Tua poderosa mão contra a voz dos Náiq."

Diz Ele também: "Tomaste aquele a quem odeio para ser teu amado, e escolheste Meu inimigo como teu amigo."

E também: "A companhia dos ímpios aumenta desgosto, enquanto a associação aos retos limpa o óxido do coração. Quem procura comungar com Deus, deve se tornar companheiro de Seus amados; e quem deseja escutar a Palavra de Deus, que ouça as palavras de Seus eleitos."

Diz Ele também: "Não vos associeis aos maléficos porque sua companhia muda a luz da vida no fogo do remorso. Se buscas as graças do Espírito Santo, associai-vos aos puros, porque estes sorveram do cálix eterno oferecido pelas mãos do Servo da eternidade."

E diz Ele ainda: "A essência do aviltamento consiste em se sair da sombra do Misericordioso e procurar o abrigo do Mau."

E também: "Ó vós servos! Neste coração nada existe salvo o fulgente esplendor do Amanhecer da União, e nada se expressa senão a verdade absoluta proveniente de nosso Senhor. Não sigais, pois, o ego; não desrespeiteis o Convênio de Deus nem violeis Seu Testamento. Procedei com perfeita constância, e de coração, alma e língua, volvei-vos para Ele, e não sejais dos desatentos."

Diz Ele ainda: "Vós vos esquecestes do Convênio de Deus e violastes Seu Testamento".

E outra vez: "Se alguém vos vier com o livro dos maléficos, ponde-o atrás de vós."

"Entre o povo se encontram os que violaram o Convênio e os que seguiram o que lhes foi ordenado pelo Onisciente, pelo Sapientíssimo. Minha aflição não provém de Meu encarceramento e Minha perseguição ou daquilo que Me vem de Meus servos rebeldes, mas sim, das ações daqueles que se atribuem a este Perseguido e, no entanto, cometem entre o povo o que degrada a honra de Deus. Em verdade, eles são dos sediciosos."

Outrossim, falando pelos violadores, Ele diz: "Tu fizeste os púlpitos para Tua menção, a fim de que fosse proclamado Tua Palavra e manifestada Tua Causa, e nós a eles subimos para anunciar a violação de Teu Convênio e Testamento."

Diz Ele também: "Aceitai o que vos foi ordenado, e não sigais aqueles que violaram o Convênio e Testamento de Deus, pois ei-los! são o povo do erro!"

Outra vez Ele diz: "Os que violaram o Convênio de Deus, apesar de Seus mandamentos, e se afastaram, são o povo do erro, diante do Mais Opulento, o Excelso."

E diz ainda: "Os que têm sido fiéis ao Convênio de Deus são dos mais elevados, aos olhos do Senhor excelso. Os que se tornaram desatentos pertencem ao povo do fogo - segundo testemunha teu Senhor, o Amado, o Independente."

Também Ele diz: "Bem-aventurado o servo ou a serva que crê, e ai dos politeístas que violaram o Convênio de Deus e Seu Testamento, e se desviaram do Meu Caminho Reto."

Também Ele ora: "Imploro-te que não me prives daquilo que Tu possuis ou que ordenaste para Teus eleitos que não violaram Teu Convênio e Testamento.

"Dize: Morrei com vosso ódio! Em verdade, veio Aquele por Quem os pilares do mundo foram abalados e por Cuja causa os pés tropeçaram - salvo dos que não violaram o Convênio mas seguiram o que Deus revelou em Seu Livro."

E Ele diz ainda: "A Assembléia Suprema rogará por aquele que se adornar com as vestes da fidelidade entre o céu e a terra; mas quem viola o Convênio é amaldiçoado pelo céu e pela terra."

Também diz: Segurai-vos àquilo que vos foi revelado, com um poder superior ao das mãos dos descrentes que violaram o Convênio de Deus e Seu Testamento e se afastaram da Face."

Diz Ele também: "Ó Yahyá! Em verdade, o Livro veio! Toma-o, com um poder procedente de Nós, e não sigas aqueles que violaram o Convênio de Deus e Seu Testamento e negaram o que foi revelado pelo Poderoso e Onisciente."

De modo semelhante, Ele diz: "Despertei esta manhã, ó Meu Deus, à sombra de Tua grande generosidade e, através de Teu poder, tomei a pena para Te mencionar com tal menção que seja uma luz para os puros e fogo para os maléficos que violaram Teu Convênio, negaram Teus versículos e recusaram o kawthar da vida que apareceu a Teu mando e foi revelado pelo dedo de Tua Vontade."

Aqui, numa Epístola a ´Abdu´l-Bahá, Ele diz também: "Ó Deus! Este é um Ramo que brotou da Árvore da União, do sadrat de Tua Unidade. Ó Deus! Tu O vês dirigir a Ti seu olhar, e se segurar à corda das Tuas Graças. Protege-O à sombra de Tua Mercê! Tua sabes, ó Meu Deus, que Eu não O desejo salvo para o fim para o qual Tu O desejas, e não O escolho senão para aquilo para que Tu O escolhes. Ajuda-O com as Hostes de Tua terra e Teu céu. Auxilia, ó Deus, aqueles que O auxiliam e escolhe aqueles que O escolhem. Confirma quem Dele se aproxima, e rebaixa aquele que O nega e repudia. Ó Deus, Tu vês que, a este momento de Revelação, Minha pena se agita e Meu Ser está trêmulo. Peço-Te, por Minha impaciência em Teu Amor e Meu desejo de proclamar Tua Causa, que ordenes para Ele e Seus amigos o que ordenaste para Teus Mensageiros e os fiéis de Tua Revelação. Em verdade, és o Poderoso, o Onipotente! Por Deus, ó povo, Meus olhos choram, e os olhos de ´Alí choram na Assembléia Suprema; Meu coração estremece, e o coração de Maomé estremece nas Cortes de Abhá; Meu coração e os corações dos Profetas lamentam com o povo do conhecimento - se sois dos que possuem visão. Minha tristeza não é por Mim próprio, mas por Aquele que vem depois de Mim, à sombra da Causa, com um reinado claro e inegável; porque aqueles não reconhecerão Sua Manifestação, mas sim, negarão Seus sinais e versículos, disputando-Lhe o poder, sendo-Lhe hostis e traindo Sua Causa - assim como fizeram com Sua Pessoa naqueles dias - e ereis testemunhas."

Diz Ele outra vez, numa Epístola a ´Abdu´l-Bahá: "Ó Maior Ramo! Em verdade, Tua doença causou-me tristeza, mas Deus Te curará, e Ele é o Mais Generoso e o Melhor Auxiliador. Glória esteja sobre Ti e sobre aqueles que Te rodeiam! Desdita e tormento sobre aquele que a Ti se opõe e Te atormenta! Bem-aventurado é quem se mostra ser Teu amigo, e amaldiçoado aquele que a Ti se opõe!"

De igual modo, Ele diz: "Será possível que, após o alvorecer do sol de Teu Testamento do horizonte de Tua Epístola Suprema, qualquer pé se desvie do Caminho certo? Dissemos, ó Minha Pena Suprema, que convém fazeres o que Te foi ordenado por Deus, o Excelso, o Grande. Não perguntes sobre aquilo que dissolva teu coração e o dos habitantes do Paraíso que envolvem Tua maravilhosa Causa. Não deverias saber o que Nós temos ocultado de Ti. Teu Senhor é o Velador e o Conhecedor. Volve Tua face luminosa para o aspecto mais imponente e dize: Ó Meu Deus Misericordioso! Adora o céu do Bayán com as estrelas da constância, confiança e verdade. És realmente, o Poderoso sobre o que quiseres. Não há outro Deus salvo Tu, o Sábio e o Generoso."

Em suma, através destas Palavras Sagradas e das de Sua Santidade Cristo, torna-se claro, evidente e provado, que o homem se deve associar aos que se mantenham firmes no Convênio e Testamento, e deve ser o amigo dos puros, pois dos maus companheiros provém a infecção das más qualidades. É como a lepra; o homem não pode ser amigo de um leproso e a ele se associar sem se contagiar. Este mandamento é medida de proteção.

Considerai este texto do Novo Testamento: os irmãos de Sua Santidade Cristo vieram a Ele, dizendo: "Estes são vossos irmãos." Ele respondeu serem Seus irmãos aqueles que acreditavam em Deus, e assim se recusou a ter contacto com os próprios irmãos.

Outrossim, Qurratu´l-Ayn, célebre no mundo inteiro, quando veio a crer em Deus e se sentir atraída pelos Sopros Divinos, abandonou os dois filhos mais velhos - apesar de serem seus dois filhos primogênitos - porque não se tornaram crentes, e não mais se encontrou com eles. Disse ela: "Todos os amigos de Deus são meus filhos, mas estes dois não o são. Não me associarei a eles."

Considerai! O Jardineiro Divino corta da boa árvore o ramo seco ou fraco, e nela enxerta um ramo de outra árvore. Não só une, mas também separa. É o que diz Sua Santidade Cristo: que de todo o mundo homens virão e entrarão no Reino, e os filhos do Reino serão expulsos. O neto de Noé, Canaan, era, aos olhos de Noé, detestável, enquanto outros Lhe eram aceitáveis. Os irmãos da Abençoada Beleza desligaram-se Dele, e nunca mais a Abençoada Beleza com eles se encontrou. Disse-lhes: "Esta é uma separação eterna entre vós e Mim." Isso não foi porque a Abençoada Beleza fosse despótica, mas sim porque essas pessoas, por suas próprias ações e palavras, se privaram das graças e dádivas da Abençoada Beleza. Sua Santidade Cristo não exerceu despotismo no caso de Judas Iscariot e Seus próprios irmãos, mas eles, sim, se separaram.

Enfim, o ponto é este: ´Abdu´l-Bahá é extremamente bondoso, mas quando a doença é lepra, que hei de fazer? Assim como no caso de uma moléstia corpórea devemos impedir contacto e infecção, aplicando as leis sanitárias - porquanto as moléstias físicas infecciosas solapam os fundamentos da humanidade - de modo igual, as almas abençoadas devem ser protegidas contra a menor contaminação pelas moléstias espirituais fatais, pois, senão, a violação, feita uma praga, se tornará contagiosa, e todos perecerão. Nos primeiros anos, após a Ascensão da Abençoada Beleza, o centro de violação estava isolada; pouco a pouco, a infecção se espalhou, e isto foi em conseqüência da associação.

IX -EXERTOS DAS EPÍSTOLAS DO PLANO DIVINO
1. É NECESSÁRIO O DESPRENDIMENTO

169 - Tendes observado que 'Abdu'l-Bahá, em extrema fraqueza física, fragilidade e indisposição, sem forças para se locomover - ainda assim viajou por muitos países, na Europa e na América, e nas igrejas, reuniões e convenções ocupava-se na propagação dos princípios divinos e convocava as pessoas à manifestação do Reino de Abhá. Tendes também observado como as confirmações da Abençoada Perfeição envolveram todos. De que adianta o descanso físico, tranqüilidade, luxo e apego a esse mundo corpóreo? É evidente que o homem que busca essas coisas, no final sofrerá remorso e perda.

Deve-se, portanto, fechar completamente os olhos a tais considerações, anelar a vida eterna, a elevação da humanidade, o desenvolvimento espiritual, o Espírito Santo, a promoção da Palavra de Deus, a orientação dos habitantes do globo, a promulgação da paz universal e a proclamação da unidade do mundo da humanidade! Esta é a tarefa! De outro modo, tal como outros animais e aves, haverá de se ocupar com os requisitos desta vida física, cuja satisfação é a maior aspiração do reino animal, tendo que andar pela terra como os quadrúpedes.

Considerai! Não importa quanto o homem venha a ganhar em posses, riqueza e opulência neste mundo, ele não se tornará tão independente como uma vaca. Essas vacas engordam, vagando livremente pelo vasto planalto. Todas as pradarias e várzeas são para sua pastagem, e todas as fontes e rios para lhes satisfazer a sede! Por mais que elas pastem, os campos não se esgotarão! É evidente que elas conseguiram estas dádivas materiais com a máxima facilidade.

Ainda mais ideal é a vida do pássaro. Um pássaro, no cume de uma montanha, nos altos ramos oscilantes, constrói para si próprio um ninho mais belo que os palácios dos reis! O ar é extremamente puro, a água fresca e transparente como cristal, o panorama atraente e acolhedor. Em tal glorioso ambiente, ele passa seus limitados dias. Todas as colheitas das planícies são suas, tendo conseguido todas essas posses sem o menor esforço. Por conseguinte, não importa o quanto o homem possa progredir neste mundo, não atingirá ele a condição do pássaro! Torna-se evidente, pois, que no que tange as coisas deste mundo, ainda que se esforce e trabalhe até a morte, não será ele capaz de conquistar a abundância, a liberdade e a vida independente de um pequeno pássaro. Isto vem provar e estabelecer o fato de que o homem não foi criado para esse mundo efêmero - foi criado, sim, para a aquisição de infinitas perfeições a fim de atingir a sublimidade do mundo da humanidade, aproximar-se do limiar divino e sentar no trono da soberania sempiterna!

Sobre vós esteja Bahá'u'l-Abhá!
2. OS MEIOS DA UNIDADE

170 - Deus diz no Alcorão: "E segurai-vos todos à cadeia de Deus e não vos dividais." 21

No mundo contingente há muitos centros coletivos, os quais conduzem os filhos dos homens à associação e unidade. Por exemplo, o patriotismo é um centro coletivo; o nacionalismo é um centro coletivo; a identidade de interesses é um centro coletivo; a aliança política é um centro coletivo; a união de ideais é um centro coletivo e a prosperidade do mundo da humanidade depende da organização e promoção de centros coletivos. Não obstante, todas as instituições acima são, na realidade, a matéria e não a substância, acidentais e não eternas, temporárias e não duradouras. Com o surgimento de grandes revoluções e sublevações todos esses centros coletivos irão se desfazer. Porém, o Centro Coletivo do Reino, incorporando as instituições e os ensinamentos divinos, é o Centro Coletivo eterno. Ele estabelece relação entre o Ocidente e o Oriente, organiza a unicidade do mundo humano e desintegra os alicerces da discórdia. Supera e engloba todos os demais centros coletivos. Assim como o raio de sol, dispersa por completo a escuridão que envolve todas as regiões, concede a verdadeira vida e produz a fulgência da iluminação divina. Através dos sopros do Espírito Santo, realiza milagres; o Oriente e o Ocidente abraçam-se, o Norte e o Sul tornam-se íntimos e associados, opiniões conflitantes e contenciosas desaparecem, propósitos antagônicos são postos de lado, a lei da luta pela sobrevivência é revogada e o pálio da união da humanidade é erguido no ápice do globo, projetando sua sombra sobre todas as raças humanas. Por conseguinte, o verdadeiro Centro Coletivo é o corpo dos ensinamentos divinos, o qual abrange todos os graus e envolve todas as relações universais e leis necessárias à humanidade.

Ponderai! Os povos do Oriente e do Ocidente achavam-se na maior estranheza. Em que alto grau de conhecimento mútuo e entrosamento eles agora se encontram! Quão afastados estão os habitantes da Pérsia dos países remotos da América! Observai agora, quão grande tem sido a influência do poder celestial que reduziu a distância de milhares de quilômetros a um passo! Como diversas nações que não mantinham relações ou afinidade umas com as outras estão agora unidas e harmonizadas entre si mediante essa força divina. Verdadeiramente a Deus pertence o poder tanto no passado como no futuro! E, em verdade, Deus é poderoso sobre todas as coisas!

Considerai as flores de um jardim! Apesar de se diferenciarem pela sua espécie, pela sua cor e pela sua forma, uma vez que sejam regadas pelas chuvas de uma só primavera, revivificadas pelos sopros de uma mesma brisa, revigoradas com os raios de um mesmo sol, esta diversidade lhes aumenta o encanto e a beleza. Que desagradável seria aos olhos se todas as flores e plantas, folhas e frutos, ramos e árvores deste jardim fossem da mesma forma e cor! A diversidade de coloração, forma e formato enriquece e embeleza o jardim e engrandece o seu efeito. De forma semelhante, quando as nuanças peculiares do pensamento, do temperamento e do caráter são combinadas através do poder e influência de um agente central, a beleza e glória da perfeição humana revelam-se e se tornam manifestas. Nada, a não ser a potência celestial do Verbo de Deus, o qual rege e transcende a realidade de todas as coisas, é capaz de harmonizar os pensamentos, sentimentos, idéias e convicções divergentes dos filhos dos homens.

Portanto, os crentes em Deus em todas as Repúblicas da América devem, através do poder divino, tornar-se a causa da promoção dos ensinamentos celestiais e do estabelecimento da unidade da humanidade. Cada uma dessas destacadas almas deve levantar-se e espalhar o sopro da vida por todas as partes da América, conferindo às pessoas um novo espírito e batizando-as com o fogo do amor de Deus, com a água da vida e com os sopros do Espírito Santo, a fim de que o seu segundo nascimento venha a se realizar. Pois está escrito no Evangelho: "O que nasceu da carne é carne, e o que nasceu do Espírito é espírito."22

Portanto, Ó vós crentes em Deus nos Estados Unidos e Canadá! Selecionai pessoas de destaque, ou melhor, que elas próprias, uma vez desprendidas do repouso e do conforto do mundo, levantem-se e viajem através do Alasca, da República do México e, ao sul do México, nas Repúblicas da América Central, tais como Guatemala, Honduras, El Salvador, Nicarágua, Costa Rica, Panamá e Belize; através das grandes Repúblicas da América do Sul, tais como Argentina, Uruguai, Paraguai, Brasil, Guiana Francesa, Guiana Holandesa23 , Guiana Inglesa24 , Venezuela, Equador, Peru, Bolívia e Chile; também pelo grupo de ilhas das Índias Ocidentais, tais como Cuba, Haiti, Porto Rico, Jamaica e São Domingo; pelo grupo das Antilhas Menores, as ilhas das Bahamas e as Ilhas Bermudas; de modo igual as ilhas ao leste, oeste e sul da América do Sul tais como Trinidad, Ilhas Falkland,25 Ilhas Galápagos, Juan Fernandez e Tobago. Visitai especialmente a cidade da Bahia, na costa oriental do Brasil. Em anos passados esta cidade foi batizada pelo nome de BAHIA e isso foi, sem dúvida, através da inspiração do Espírito Santo.

Conseqüentemente, os crentes em Deus devem demonstrar o maior esforço, levar a melodia divina por aquelas regiões, promulgar os ensinamentos celestiais e espargir sobre todos o espírito da vida eterna, de forma que essas repúblicas venham a se tornar tão iluminadas com os esplendores e as fulgências do Sol da Realidade, que possam se tornar objetos de louvor e elogios dos demais países. Deveis semelhantemente dar atenção especial à república do Panamá, porquanto naquele ponto o Ocidente e o Oriente se acham unidos pelo canal do Panamá e também por se encontrar situado entre dois grandes oceanos. Aquele local será de grande importância no futuro. Os ensinamentos, uma vez lá estabelecidos, unirão o Oriente e o Ocidente, o Norte e o Sul.

Portanto, a intenção deve ser pura, os esforços exaltados e enobrecidos, para que possais estabelecer afinidade entre os corações do mundo humano. Esse propósito glorioso não poderá ser estabelecido exceto mediante a promoção dos ensinamentos divinos os quais são os fundamentos das santas religiões.

Considerai o quanto as religiões de Deus serviram ao mundo da humanidade! Como a religião da Tora26 veio trazer glória, honra e progresso à nação Israelita! Como os sopros do Espírito Santo de Sua Santidade Cristo criaram afinidade e união entre comunidades divergentes e famílias beligerantes! Como o poder sagrado de Sua Santidade Maomé tornou-se o meio de união e harmonia das tribos contenciosas e dos diversos clãs da Península Arábica - a tal ponto que mil tribos foram fundidas em uma só; as lutas e a discórdia foram eliminadas; todas elas, unificadas e em harmonia, empenharam-se no avanço da cultura e da civilização e foram assim libertadas dos mais baixos níveis de degradação, erguendo-se às alturas de glória eterna! Será possível encontrar neste mundo fenomenal um Centro Coletivo maior que este? Em relação a este Centro Coletivo divino, o centro coletivo nacional, o centro coletivo patriótico, o centro coletivo político e o centro coletivo cultural e intelectual são como brincadeiras de criança!

Esforçai-vos, então, a fim de que o Centro Coletivo das sagradas religiões - para cuja implantação todos os Profetas se manifestaram e que nada mais é senão o espírito dos ensinamentos divinos - seja difundido por todas as partes da América, de modo que cada um de vós possa brilhar no horizonte da realidade como a estrela matinal, a iluminação divina venha a superar a escuridão da natureza e o mundo da humanidade se torne iluminado. Esta é a maior tarefa! Se nela fordes confirmados, este mundo tornar-se-á um novo mundo, a superfície desta terra tornar-se-á um deleitável paraíso e instituições eternas serão fundadas.

3. AS CONDIÇÕES ESSENCIAIS AO BOM ÊXITO

171 - A Pessoa Abençoada do Prometido é denominada no Livro Sagrado como o Senhor das Hostes - os exércitos celestiais. Exércitos celestiais significam aquelas almas que são inteiramente libertas do mundo humano, transformadas em espíritos celestiais e tornaram-se anjos divinos. Tais almas são os raios do Sol da Realidade que iluminarão todos os continentes. Cada uma está segurando uma trombeta na mão, insuflando o sopro de vida sobre todas as regiões. Estão libertas das qualidades humanas e dos defeitos do mundo da natureza, caracterizam-se pelos atributos de Deus e são atraídas pelas fragrâncias do Misericordioso. Assim como os apóstolos de Cristo que estavam plenos dEle, estas almas também se tornaram plenas de Sua Santidade Bahá'u'lláh; isto é, o amor de Bahá'u'lláh dominou todo órgão, parte e membro de seus corpos, de modo a não se deixarem influenciar pelas instigações do mundo humano.

Estas almas são os exércitos de Deus e os conquistadores do Oriente e do Ocidente. Se qualquer um deles volver sua face em alguma direção e convocar os povos ao Reino de Deus, todas as forças ideais e confirmações divinas se apressarão ao seu auxílio e apoio. Ele contemplará todas as portas abertas e todas as sólidas fortificações e inexpugnáveis castelos demolidos. Completamente sozinho atacará os exércitos do mundo, derrotará as alas da direita e da esquerda das hostes de todos os países, atravessará as fronteiras das legiões de todas as nações e dirigirá sua investida ao próprio centro dos poderes da terra. Este é o significado das Hostes de Deus.

Qualquer alma dentre os seguidores de Bahá'u'lláh que venha a atingir esta condição, será conhecida como o Apóstolo de Bahá'u'lláh. Portanto, esforçai-vos, com coração e alma, para que possais atingir esta sublime e elevada posição, estabelecer-vos no trono de glória eterna e coroar vossas cabeças com o diadema brilhante do Reino, cujas jóias cintilantes resplandecerão pelos séculos e ciclos.

Ó vós bondosos amigos! Elevai vossa magnanimidade e alçai vôo em direção ao ápice do céu, de modo que dia após dia vossos abençoados corações possam tornar-se iluminados mais e mais, através dos raios do Sol da Realidade, isto é, Sua Santidade Bahá'u'lláh; a cada instante os espíritos possam obter uma nova vida, e a escuridão do mundo da natureza possa ser inteiramente dissipada; deste modo podeis vos tornar a encarnação da luz e a personificação do espírito, inteiramente alheios às coisas sórdidas deste mundo e atentos às questões do mundo divino.

Contemplai os portais que Bahá'u'lláh abriu diante de vós! Considerai quão excelsa e sublime é a condição a que fostes destinados atingir; quão incomparáveis são os favores com os quais fostes dotados. Fôssemos nos inebriar com este cálice, a soberania deste globo terrestre tornar-se-ia mais ínfimo, à nossa estima, que brinquedo de criança. Fossem eles colocar na arena a coroa do governo do mundo inteiro, e convidar cada um de nós a aceitá-la, indubitavelmente não condescenderíamos e recusaríamos aceitá-la.

Atingir esta condição suprema é, contudo, condicionada à realização de certas condições:

A primeira condição é a firmeza no Convênio de Deus. Pois o poder do Convênio irá proteger a Causa de Bahá'u'lláh das dúvidas do povo do erro. É a cidadela fortificada da Causa de Deus e o sólido pilar da religião de Deus. Hoje nenhum poder conseguirá manter a unidade do mundo bahá'í exceto o Convênio de Deus; caso contrário, assim como um grandioso temporal, divergências envolverão o mundo bahá'í. É evidente que o cerne da unidade do mundo da humanidade é o poder do Convênio e nada mais. Se o Convênio não tivesse sido estabelecido nem revelado pela Pena Suprema e não tivesse o Livro do Convênio, assim como os raios do Sol da Realidade, iluminado o mundo, as forças da Causa de Deus teriam sido totalmente dispersadas e certas almas, prisioneiras de suas próprias paixões e lascívias, teriam apanhado um machado e cortado a raiz desta Árvore Abençoada. Cada pessoa teria forçado seu próprio desejo e cada indivíduo manifestado sua própria opinião! Não obstante este grandioso Convênio, algumas almas negligentes, avançando com suas armas no campo de batalha, pensaram que porventura poderiam enfraquecer as bases da Causa de Deus: mas, louvado seja Deus, todos sofreram desgostos e prejuízos, e em breve se acharão em atroz desespero. Portanto, no início os crentes devem firmar seus passos no Convênio de forma que as confirmações de Bahá'u'lláh os cerquem de todos os lados, as legiões do Concurso Supremo possam se tornar seus apoioadores e auxiliadores, e as exortações e conselhos de 'Abdu'l-Bahá, tais como figuras gravadas em pedras, tornem-se permanentes e indeléveis nas tábuas de todos os corações.

A segunda condição é: amor e amizade entre os crentes. Os amigos divinos devem ser atraídos e enamorados uns aos outros e estar sempre prontos e desejosos de sacrificar suas próprias vidas uns pelos outros. Se uma alma dentre os crentes encontrar uma outra, deveria ser como se alguém sedento com lábios ressecados chegasse à fonte da água da vida, ou um amante encontrasse sua verdadeira amada. Pois, uma das maiores sabedorias divinas relativas ao advento dos santos Manifestantes é que: As almas possam vir a conhecer umas às outras e se tornar íntimas entre si; o poder do amor de Deus possa torná-las as ondas de um só mar, as flores de um só jardim, e as estrelas do mesmo céu. Esta é a sabedoria do aparecimento dos santos Manifestantes! Quando a maior das dádivas se revelar nos corações dos crentes, o mundo da natureza será transformado, a escuridão do ser contingente desaparecerá e a iluminação celestial será atingida. Então o mundo inteiro se tornará o Paraíso de Abhá e cada um dos crentes em Deus se transformará numa árvore abençoada a produzir frutos maravilhosos.

Ó vós amigos! Amizade, amizade! Amor, amor! Unidade, unidade! - a fim de que o poder da Causa Bahá'í possa surgir e se tornar manifesta no mundo da existência. Meus pensamentos estão direcionados a vós e meu coração se agita dentro de mim mediante vossa menção. Se soubésseis como minha alma arde com vosso amor, tão grande felicidade inundaria vossos corações que vos tornaríeis enamorados uns pelos outros.

A terceira condição é: Instrutores devem viajar continuamente a todas as partes do continente, ou melhor, a todas as partes do mundo, mas devem fazê-lo como 'Abdu'l-Bahá, que viajou pelas cidades da América. Ele estava santificado e livre de todo apego e na máxima simplicidade. Assim como disse Sua Santidade Cristo: "... sacudi a poeira dos vossos pés." 14 Observastes que enquanto na América, muitas almas, com máxima súplica e solicitude, desejavam ofertar-lhe alguns presentes, mas este servo, consoante as exortações e admoestações da Abençoada Perfeição, nunca aceitou nada, ainda que em certas ocasiões estivesse na mais precária das condições. Mas por outro lado, se uma alma por amor a Deus, espontaneamente e com pureza de intenção, deseja fazer uma contribuição (para despesas do instrutor), o instrutor poderá aceitar uma pequena quantia para deixar o contribuinte feliz, mas deve viver no maior contentamento.

O propósito é este: O motivo do instrutor deve ser puro, seu coração independente, seu espírito atraído, seu pensamento em paz, sua resolução firme, sua magnanimidade elevada e uma tocha acesa no amor de Deus. Se ele atingir tal condição, seu sopro santificado irá influenciar até a pedra; caso contrário nenhum resultado haverá. Enquanto uma alma não se aperfeiçoar, como poderá eliminar os defeitos dos outros? A menos que esteja desprendida de tudo salvo Deus, como pode ensinar desprendimento aos outros?

Em suma, ó vós crentes em Deus! Esforçai-vos para que possais manter todos os meios para a promulgação da religião de Deus e a difusão de Suas fragrâncias.

Entre outras coisas é a realização das reuniões de ensino, de modo que estas almas abençoadas e os mais velhos entre os crentes possam reunir os jovens do amor de Deus em escolas de instrução e ensinar-lhes todas as provas divinas e os irrefutáveis argumentos, explicar e elucidar a história da Causa, interpretando inclusive as profecias e provas que estão registradas e preservadas nos livros e epístolas divinos a respeito da manifestação do Prometido, a fim de que os mais jovens possam ter perfeito conhecimento em todos esses níveis.

Do mesmo modo, sempre que possível, um comitê deve ser organizado para a tradução das Epístolas. Almas sábias que dominam e estudam perfeitamente o persa, o árabe e outros idiomas estrangeiros, ou que conhecem um dos idiomas estrangeiros, devem começar a traduzir Epístolas e livros que contenham as provas desta Revelação, publicando estes livros e distribuindo-os pelos cinco continentes do globo.

De modo semelhante, a revista Star of the West deve ser publicada com a máxima regularidade, porém o seu conteúdo deve ser a promulgação da Causa de Deus, de modo que tanto o Oriente e como o Ocidente, possam ser informados dos acontecimentos mais importantes.

Em suma, em todas as reuniões, sejam públicas ou privadas, nada deve ser discutido exceto aquilo que está em consideração, e todos os artigos girem em torno da Causa de Deus. Conversas promíscuas não devem ser permitidas e disputas são totalmente proibidas.

Os instrutores que viajam por diferentes partes devem saber o idioma do país em que entram. Por exemplo, uma pessoa que é fluente no idioma japonês pode viajar ao Japão, ou uma pessoa que é fluente no idioma chinês pode apressar-se à China e assim por diante.

Em suma, após essa guerra mundial, as pessoas obtiveram extraordinária capacidade para ouvir atentamente os ensinamentos divinos, pois a sabedoria desta guerra é a seguinte: Ficará claro a todos que o fogo da guerra consome o mundo, enquanto que os raios da paz o iluminam. Um é morte e o outro é vida; isto é extinção e aquilo imortalidade; um é suprema calamidade e o outro a maior graça; isto é escuridão, aquilo é luz; isto é humilhação eterna e aquilo glória eterna; um é o destruidor das bases do homem e o outro é o criador da prosperidade da raça humana.

Por conseguinte, um certo número de almas deve se levantar e agir de acordo com as condições supracitadas, apressando-se a todas as partes do mundo, especialmente da América para Europa, África, Ásia e Austrália, e viajar pelo Japão e pela China. Igualmente, instrutores e crentes devem viajar da Alemanha para os continentes da América, África, Japão e China; em resumo devem viajar por todos os continentes e ilhas do globo. Desse modo, em um curto prazo de tempo, os mais maravilhosos resultados serão alcançados, a bandeira da paz universal tremulará no ápice do mundo e as luzes da unidade do mundo da humanidade iluminarão o universo.

Em suma, ó vós crentes em Deus! O texto do Livro divino é o seguinte: Se duas almas brigam e se desentendem por causa de um dos assuntos divinos, divergindo e disputando, ambas estão erradas. A sabedoria desta incontroversa lei de Deus é a seguinte: Que entre duas almas em meio aos crentes em Deus, nenhuma contenda ou disputa deve surgir; que eles conversem um com outro com infinito amor e amizade. Caso apareça o menor traço de controvérsia, devem guardar silêncio e ambas as partes devem encerrar suas discussões, mas perguntando a realidade da questão ao Intérprete. É este o mandamento irrefutável!

Sobre vós esteja Bahá'u'l-Abhá!
X. EPÍSTOLA À HAYA

Uma Carta escrita por ´Abdu´l-Bahá à Organização Central para uma

Paz Durável, Haya, 17 de dezembro de 1919

172 - Ó vós estimados que sois pioneiros entre aqueles que procuram o bem-estar do mundo humano!

As cartas que enviastes durante a guerra não foram recebidas, mas uma com data de 11 de fevereiro de 1916 acaba de chegar às minhas mãos, e imediatamente uma resposta está sendo escrita. Vossa intenção merece mil elogios porque estais servindo o mundo humano, e isso conduz à felicidade e ao bem-estar de todos. A recente guerra provou ao mundo e ao povo que a guerra é destruição enquanto que a Paz Universal é construção; a guerra é morte, enquanto que a paz é vida; a guerra é rapacidade e sede de sangue, mas a paz é beneficência e bondade; a guerra pertence ao mundo da natureza, mas a paz é do fundamento da religião de Deus; a guerra é treva sobre treva, enquanto que a paz é luz celestial; a guerra é o destruidor da estrutura da humanidade, a paz é a vida eterna do mundo humano; a guerra é como um lobo devorador, a paz é como os anjos do céu; a guerra é a luta pela existência, enquanto que a paz é auxílio mútuo e cooperação entre os povos do mundo e a causa de beneplácito do Verdadeiro no reino celestial.

Não há pessoa alguma cuja consciência não ateste que nenhuma questão no mundo hoje é mais importante do que a da Paz Universal. Todo homem justo dá testemunho disso e venera essa estimada Assembléia porque tem em mira a transformação dessa treva em luz, dessa sede de sangue em benevolência, desse tormento em êxtase; aspira a ver essa dificuldade ser substituída por sossego, e essa inimizade e esse ódio por amizade e amor. Portanto, o esforço dessas almas estimadas é digno de aprovação e louvor.

As pessoas sábias, porém, que percebem as relações essenciais que emanam da realidade das coisas opinam que uma questão isolada é incapaz, por si só, de exercer a devida influência sobre a realidade humana, pois antes de se unirem as mentes dos homens, nada de importante será realizado. Presentemente, a Paz Universal é questão de grande importância, mas a unidade de consciência é essencial, a fim de que o fundamento da questão se torne seguro, seja firmemente estabelecido e de estrutura forte.

Sua Santidade Bahá´u´lláh, pois, há cinqüenta anos passados, expôs essa questão da Paz Universal num tempo em que estava encarcerado injustamente na fortaleza de ´Akká. Escreveu sobre esse assunto importante da Paz Universal a todos os grandes soberanos do mundo, e estabeleceu-o entre Seus amigos no Oriente. O horizonte do leste estava em completa escuridão, as nações mostravam o maior ódio e inimizade umas para com outras, as religiões tinham sede de sangue umas das outras, e havia treva sobre treva. Num tempo como este, Sua Santidade Bahá´u´lláh brilhou do horizonte do leste e iluminou a Pérsia com a luz destes ensinamentos.

Um destes ensinamentos foi a declaração da Paz Universal. Membros das várias nações, religiões e seitas que O seguiam uniram-se a tal ponto que foram instituídos grupos extraordinários representantes das diversas nações e religiões do Oriente. Cada pessoa que entrava em suas reuniões via apenas uma nação e um ensinamento, um só caminho e uma só ordem, pois os ensinamentos de Sua Santidade Bahá´u´lláh não se limitaram ao estabelecimento da Paz Universal.

Entre estes ensinamentos figura a independente investigação da realidade, a fim de que o mundo humano se salve das trevas da imitação e atinja a verdade, dispa e rejeite as vestes rotas e antiquadas de mil anos atrás e se atavie no manto tecido com a maior pureza e santidade no tear da realidade. Como a realidade é una, não podendo ser múltipla, portanto as opiniões divergentes devem fundir-se, afinal, em uma só.

E entre os ensinamentos de Sua Santidade Bahá´u´lláh figura a unidade do gênero humano; que todos os seres humanos são as ovelhas de Deus e Ele é o bondoso Pastor. Esse Pastor trata com bondade todas as ovelhas, porque Ele as criou, ensinando, providenciando e protegendo a todas. Indubitavelmente, o Pastor é bondoso para com todas as ovelhas: havendo entre elas algumas às quais faltam conhecimentos, estas devem ser educadas; havendo imaturas, estas devem ser ensinadas até atingirem a madureza; se há doentes, precisam ser curadas. Não deve existir ódio ou inimizade, mas sim, esses seres imaturos e enfermos devem ser tratados como se fosse por um médico benévolo.

E um dos ensinamentos de Sua Santidade Bahá´u´lláh é que a religião deve ser causa de amizade e amor. Se se torna motivo de alienação, não necessitamos dela, pois a religião é como um remédio: se agrava o mal, torna-se desnecessária.

E um dos ensinamentos de Bahá´u´lláh é que a religião deve estar em harmonia com a ciência e a razão, a fim de exercer uma influência sobre os corações dos homens. O fundamento deve ser sólido e não consistir em imitações.

E entre os ensinamentos de Bahá´u´lláh, figura esta: preconceitos de religião, raça, política, classe e pátria destroem a estrutura da humanidade. Enquanto esses preconceitos predominarem, o mundo humano não encontrará repouso. Por um período de 6.000 anos, a história informa-se acerca da humanidade, a qual durante todo esse tempo não ficou livre de guerra, contenda, assassínio e sede de sangue. Em cada período, se tem travado guerra em um ou outro país por causa de algum preconceito - de religião, raça, política ou pátria. É um fato claro e provado, pois, que todos os preconceitos destroem a estrutura humana e, enquanto persistirem, a luta pela existência haverá de continuar predominante, acompanhada de sede de sangue e rapacidade. Assim, pois, como no passado, o mundo humano não se livrará das trevas da natureza, não atingirá iluminação, a menos que abandone os preconceitos e adquira a moral do Reino.

Se esse preconceito e inimizade resultam da religião, (lembremo-nos de que) a religião deveria ser a causa de amizade; senão, é infrutífera. E se esse preconceito for o de nacionalidade, (lembremo-nos de que) toda a humanidade é da mesma nação, havendo todos os homens originados da árvore de Adão, que foi a raiz da árvore. A árvore é uma só, e todas essas nações são como os ramos, enquanto os indivíduos humanos são como suas folhas, flores e frutos. Assim a formação de várias nações, a carnificina conseqüente e o aniquilamento da estrutura da humanidade são por causa da ignorância humana e por motivos egoístas.

Quanto ao preconceito patriótico, também é devido à absoluta ignorância, pois a superfície da terra é uma só pátria. Cada um pode viver em qualquer parte do globo terrestre; o mundo todo, pois, é a terra natal do homem. Essas divisões foram inventadas pelo homem; não foram determinadas na criação. A Europa é um só continente, a Ásia é apenas um continente, e a África e a Austrália também o são, mas alguns homens, por motivos pessoais e interesses egoístas, dividiram cada um desses continentes e consideraram certa parte como seu próprio país. Deus não estabeleceu fronteira alguma entre a França e a Alemanha; são contínuas. Sim, nos primeiros séculos, pessoas egoístas a fim de promoverem seus próprios interesses, fixaram fronteiras e divisões, às quais deram cada vez mais importância, vindo tudo isso, em subseqüentes séculos, a causar inimizade intensa, rapacidade e carnificina. Assim continuará por um tempo indefinido, e se esse conceito de patriotismo ficar limitado dentro de um certo círculo, será a causa primária da destruição do mundo. Nenhuma pessoa sábia e justa reconhecerá essas distinções imaginárias. Cada área limitada que chamamos de pátria, esta consideramos nossa terra natal, ao passo que o globo terrestre é a terra natal de todos, e não qualquer área restrita. Enfim, por alguns dias vivemos nesta terra, e então nela somos sepultados - é nosso túmulo eterno. Vale a pena entregarmo-nos à carnificina e despedaçarmos uns aos outros por esta eterna sepultura? Não, longe disso, tal conduta não pode agradar a Deus, nem será aprovada por qualquer homem de juízo são.

Considerai! Os animais manos não têm brigas patrióticas. Mostram, sim, a maior amizade uns para com outros, e vivem juntos em harmonia. Se um pombo do Leste e um do Oeste, por exemplo, ou um pombo do Norte e um do Sul, chegam, por acaso, num lugar na mesma ocasião, imediatamente associam em harmonia. Assim é com todos os animais mansos e as aves. Os animais ferozes, porém, ao se encontrarem, atacam e lutam uns com outros, despedaçam uns aos outros, sendo-lhes impossível viver em paz juntos no mesmo lugar. São anti-sociais - ferozes, selvagens, combatentes.

Com referência ao preconceito econômico: evidentemente, sempre que os laços entre as nações se fortalecem, sendo acelerado o intercâmbio de comodidades, e algum princípio econômico é estabelecido num país, isso afetará, afinal, os outros países, e benefícios universais resultarão. Por quê, pois, esse preconceito?

Quanto ao preconceito político, o que deve ser seguido é a política de Deus, a qual é superior, indiscutivelmente, à humana. Devemos seguir a Política Divina, a qual é aplicável a todos igualmente. Ele trata a todos de modo igual, sem distinção, e isso é a base das Religiões Divinas.

E um dos ensinamentos de Sua Santidade Bahá´u´lláh é a adoção de um idioma que possa ser difundido universalmente entre os homens. A Pena de Bahá´u´lláh revelou este ensinamento a fim de que os mal entendidos entre os seres humanos fossem eliminados por meio de uma língua universal.

E entre os ensinamentos de Bahá´u´lláh, figura a igualdade do homem e da mulher. O mundo humano tem duas asas, sendo uma a mulher e a outra o homem, e a ave só poderá voar quando ambas se tiverem desenvolvido igualmente. Se uma asa permanece fraca, o vôo é impossível. Antes que o mundo feminino se torne igual ao masculino na aquisição de virtudes e perfeições, não serão atingidos devidamente o sucesso e a prosperidade.

Um dos ensinamentos de Bahá´u´lláh é a voluntária repartição dos bens com o próximo, o que é superior à igualdade, consistindo nisto, que o homem não se prefira a si próprio, mas sim, sacrifique a vida e os bens pelos outros. Isso, entretanto, não deve ser introduzido pela coerção, de modo a tornar-se uma lei que o homem seja constrangido a obedecer. Não, antes, o homem deve, voluntária e espontaneamente, sacrificar seus bens e sua vida pelos outros, e de boa vontade dar aos pobres, assim como fazem os bahá´ís na Pérsia.

Figura entre os ensinamentos de Sua Santidade Bahá´u´lláh, a liberdade do homem; que ele, através do Poder ideal, se emancipe e liberte do cativeiro ao mundo natural, pois enquanto o homem permanece cativo à natureza, é animal feroz, porque a luta pela existência é uma das exigências do mundo natural. Essa questão da luta pela existência é o manancial de todas as calamidades e é a aflição suprema.

E figura entre os ensinamentos de Bahá´u´lláh, esta: que a religião é um poderoso baluarte. Se for abalada a estrutura da religião, caos resultará, e a ordem das coisas haverá de se transtornar completamente. No mundo humano há duas salvaguardas que protegem o homem contra as más ações. Uma é a lei, que pune o indivíduo, mas esta impede apenas o crime manifesto e não o pecado oculto, enquanto que a salvaguarda ideal, isto é, a religião de Deus impede tanto o crime oculto como o manifesto, educa o homem, eleva a moral, obriga a adoção das virtudes e é o poder predominante que garante a felicidade do mundo humano. Por religião entendemos, porém, o que se averiguou através da investigação, e não o que se baseia em simples imitação - o fundamento das Religiões Divinas, e não as imitações humanas.

Um dos ensinamentos de Bahá´u´lláh é que a civilização material, embora seja um dos meios do progresso do mundo humano, antes de ser acompanhado pela civilização divina, não trará felicidade ao homem, o que é o resultado desejado. Consideremos! Essas belonaves que reduzem uma cidade a ruínas dentro de uma hora são o resultado da civilização material, como também o são as armas de Krupp e Mauser, dinamita, submarinos, torpedos, aviões armados - todos estes instrumentos de guerra são os frutos malignos da civilização material. Tivesse a civilização material sido acompanhada da divina, essas armas ferozes jamais teriam sido inventadas. Não, antes, a energia humana teria sido dedicada inteiramente a invenções úteis, e concentrada em descobertas louváveis. A civilização material é como o vidro de uma lâmpada, a divina é a própria lâmpada. O vidro, sem a luz, permanece escuro. Ou a civilização material é semelhante ao corpo, o qual por mais belo e elegante que seja, e embora dotado de graça infinita, é morto. A civilização divina assemelha-se ao espírito, donde o corpo deriva sua vida, e sem o qual se torna um cadáver. Está assim evidente que o mundo humano necessita dos sopros do Espírito Santo. Sem espírito, o mundo humano carece de vida; sem essa luz, o mundo humano está em escuridão completa. O mundo da natureza é um mundo animal, e o homem, até que renasça deste mundo, isto é, se desprenda do mundo da natureza, permanecerá essencialmente animal. São os ensinamentos de Deus que convertem esse animal numa alma humana.

Um dos ensinamentos de Bahá´u´lláh é a necessidade de se promover a educação. Cada menino deve ser instruído nas ciências tanto quanto for necessário. Se os pais podem pagar as despesas dessa educação, está bem; em caso contrário, deve a comunidade providenciar o ensino desse menino.

E entre os ensinamentos de Bahá´u´lláh figuram a justiça e o direito. Até que estes se estabeleçam no plano da existência, tudo permanecerá em desordem e imperfeição. O mundo humano é um mundo de opressão e crueldade, um reino de agressão e erro.

Enfim, tais ensinamentos são numerosos. Esses múltiplos princípios que constituem a maior base para a felicidade do homem e provêm da graça do Misericordioso, devem suplementar o princípio da Paz Universal e com este ser coordenados, a fim de que haja resultados. Em caso contrário, a realização da Paz Universal (por si só) no mundo humano, é difícil. Quando os ensinamentos de Sua Santidade Bahá´u´lláh são acrescentados ao da Paz Universal, parecem uma mesa fornecida com toda espécie de alimentos frescos e deliciosos e, nesta mesa de graças infinitas, cada alma pode achar o que deseja. Se a questão for restrita à Paz Universal somente, não serão atingidos os extraordinários resultados há tanto esperados e almejados. Tão vasto deve ser o âmbito da Paz Universal que todas as comunidades e religiões nela vejam realizada sua mais alta aspiração. Os princípios ensinados pela Sua Santidade Bahá´u´lláh são de tal natureza, presentemente, que todas as comunidades do mundo, sejam religiosas, políticas ou éticas, antigas ou modernas, neles encontram a expressão de seu mais alto desejo.

Os religionários, por exemplo, vêem nos ensinamentos de Sua Santidade Bahá´u´lláh o estabelecimento da Religião Universal - religião esta que está em perfeita harmonia com as condições atuais, que efetua realmente a cura imediata da enfermidade incurável, alivia toda dor e concede o antídoto infalível para todo veneno mortal. Pois se queremos dispor e organizar o mundo humano de acordo com as presentes imitações religiosas e assim lhe assegurar felicidade, é impraticável e impossível, como, por exemplo, pela execução das leis do Velho Testamento (Taurat), e também das outras religiões segundo as presentes imitações. A base essencial de todas as religiões divinas, porém, - a parte que trata das virtudes do mundo humano e é o fundamento de seu bem-estar - é encontrada nos ensinamentos de Bahá´u´lláh na mais perfeita apresentação.

De modo semelhante, com referência aos povos que clamam por liberdade: a liberdade moderada que garante o bem-estar do mundo humano e mantém e preserva as relações universais, encontra-se em seu mais pleno poder e desenvolvimento nos princípios de Sua Santidade Bahá´u´lláh.

No que diz respeito aos partidos políticos, também: o que constitui a maior política para dirigir o mundo humano, ou seja a Política Divina, encontra-se nos ensinamentos de Sua Santidade Bahá´u´lláh.

Semelhantemente, no que concerne ao partido da "igualdade", que busca a solução dos problemas econômicos: até agora, todas as soluções propostas se têm provado impraticáveis, com exceção das propostas nos ensinamentos de Sua Santidade Bahá´u´lláh, as quais não causam tribulação à sociedade.

E assim com os outros grupos: quando averiguamos profundamente o assunto, descobrimos que as mais altas aspirações desses grupos são encontradas nos ensinamentos de Bahá´u´lláh. Estes constituem o poder que abrange tudo entre todos os homens, e estes princípios são praticáveis. Há alguns ensinamentos do passado, como as do Taurat, que não podem ser executados no tempo atual. É o mesmo com as outras religiões e os preceitos dos vários grupos.

Quanto à questão da Paz Universal, por exemplo, Sua Santidade Bahá´u´lláh diz que se deve estabelecer o Tribunal Supremo; embora já exista a Liga das Nações, não tem ainda a capacidade para estabelecer a Paz Universal. O Tribunal Supremo, descrito por Bahá´u´lláh, no entanto, cumprirá essa sagrada tarefa com o maior poder e eficácia. E Seu plano é este: as assembléias nacionais de cada país e nação - isto é, os parlamentos - devem eleger duas ou três pessoas, as mais distintas da nação e bem informadas sobre as leis internacionais e as relações entre governos, bem como conhecedoras das necessidades essenciais do mundo humano de hoje. O número desses representantes deve ser proporcional ao número dos habitantes do país. A eleição dessas pessoas escolhidas pela assembléia nacional, ou seja o parlamento, deve ser confirmada pelo senado, pela câmara dos deputados e pelo gabinete bem como pelo presidente ou monarca, de modo que essas pessoas sejam as escolhidas pela nação inteira como também pelo governo. Dentre essas pessoas serão eleitos os membros do Supremo Tribunal, e assim toda a humanidade terá voz, pois cada um desses delegados representa plenamente sua nação. Quando o Supremo Tribunal decidir sobre alguma questão internacional, quer por unanimidade quer por maioria, não mais haverá pretexto ou motivo de objeção para o acusado. No caso de qualquer dos governos ou nações desrespeitar a irrefutável decisão do Supremo Tribunal, ou tardar em executá-la, as demais nações levantar-se-ão contra tal governo, desde que todos os governos e nações do mundo apoiarão esse Supremo Tribunal. Considerai que fundamento firme é esse! Uma Liga limitada e restrita, porém, não realizará devidamente o fim almejado. Eis a verdade acerca da situação - o que acabamos de expor.

Consideremos quão poderosos são os ensinamentos de Bahá´u´lláh. Num tempo em que Sua Santidade estava na prisão de ´Akká, sob as restrições e as ameaças de dois reis sanguinários, Seus ensinamentos difundiram-se, no entanto, com todo poder na Pérsia e em outros países. Se um ensinamento, ou um princípio, ou uma comunidade cair sob a ameaça de um monarca poderoso e sanguinário, será aniquilada dentro de pouco tempo. Há cinqüenta anos os bahá´ís na Pérsia e em muitas regiões vivem abaixo de restrições severas e sob ameaça de espada e dardo. Milhares de almas têm dado a vida na arena do sacrifício, vítimas das espadas da opressão e da crueldade. Milhares de famílias estimadas foram destruídas - crianças perdendo seus pais, e estes seus filhos. Milhares de mães têm chorado e lamentado a perda dos filhos decapitados. Toda essa opressão e crueldade, essa pilhagem e esse sanguinarismo, não impediram a difusão dos ensinamentos de Bahá´u´lláh. Difundiram-se cada dia mais, e seu poder se pôs em maior evidência.

Pode acontecer que alguma pessoa insensata dentre os persas assine seu nome ao conteúdo das Epístolas de Bahá´u´lláh, ou as explicações dadas nas cartas de ´Abdu´l-Bahá e as mande a essa estimada Assembléia. Deveis estar cientes deste fato, pois qualquer persa em busca de fama ou com alguma outra intenção, tomará o conteúdo inteiro das Epístolas de Sua Santidade Bahá´u´lláh e o publicará em seu próprio nome, ou no de sua comunidade, assim como aconteceu no Congresso Universal de Raças em Londres antes da guerra. Um persa entrou naquele Congresso com a substância das Epístolas de Sua Santidade Bahá´u´lláh, e as expôs e publicou em seu próprio nome, enquanto estavam nas palavras exatas de Bahá´u´lláh. Algumas dessas pessoas foram à Europa, causando confusão no espírito do povo e nos pensamentos de alguns orientalistas. Deveis vos lembrar disso, pois nenhuma palavra destes ensinamentos foi ouvida na Pérsia antes do tempo de Bahá´u´lláh. Investigai o assunto para que se vos torne evidente. Algumas pessoas são como papagaios: aprendem e cantam qualquer nota que ouçam, mas elas próprias são inconscientes daquilo que pronunciam. Há atualmente na Pérsia uma seita composta por algumas almas que se chamam bábís, pretendendo ser adeptos de Sua Santidade o Báb, mas não têm a mínima compreensão de Sua Santidade. Possuem alguns ensinamentos secretos inteiramente opostos aos ensinamentos de Bahá´u´lláh, e na Pérsia se sabe disso. Quando, porém, essas pessoas vêm à Europa, escondem seus próprios ensinamentos e expõem os de Bahá´u´lláh, pois sabem que estes são poderosos e, portanto, os proclamam publicamente em seu próprio nome. Dizem que esses ensinamentos secretos derivaram do Livro do Bayan, da autoria de Sua Santidade o Báb, mas quando tiverdes acesso a este Livro, o qual se traduziu na Pérsia, descobrireis a verdade: que os ensinamentos de Bahá´u´lláh estão completamente opostos aos dessa seita. Acautelai-vos para que não descuideis deste fato. Caso queirais investigar mais o assunto, pedi informações da Pérsia.

Enfim, ao se viajar pelo mundo, onde quer que se encontre a construção, é resultado da harmonia e do amor, enquanto tudo o que esteja em ruínas demonstra o efeito da inimizade e do ódio. Apesar disso, o mundo humano não se tornou consciente, não despertou do sono da negligência. Novamente se envolve em divergências, em disputas e contenda, para organizar as fileiras da guerra e percorrer a arena da batalha e luta.

Assim é com o universo e sua corrupção, a existência e a inexistência. Todo ser contingente é feito de vários e numerosos elementos; a existência de tudo é resultado da composição. Quer isso dizer, quando há uma composição entre elementos simples, surge um ser; é desse modo que se realiza a criação dos seres. E, ao ser perturbada tal composição, sucede a decomposição, separam-se os elementos, e esse ser é aniquilado. Isto é, o aniquilamento de tudo consiste na decomposição, na separação dos elementos. Cada combinação, pois, e cada cor de folhas, flores e frutas, contribuem ao realce da beleza e encanto dos demais, fazendo um jardim admirável, da maior formosura, do mais deleitável perfume e frescor. De modo semelhante, quando a variedade de pensamentos, idéias, opiniões, caracteres e princípios morais do mundo humano vêm sob o controle de um Poder Supremo, essa influência de composição entre os elementos é a causa da vida, enquanto que a dissociação e separação causam a morte. Numa palavra, a atração e harmonia são a causa da produção de frutos e resultados úteis, enquanto o repulso e a inharmonia entre as coisas motivam distúrbios e aniquilamento. Da harmonia e atração, deriva a vida de todos os seres contingentes, tais como a planta, o animal e o homem; da inharmonia e repulsão origina a decadência e se manifesta o aniquilamento. Tudo, pois, que seja causa de harmonia, atração e união entre os homens, é a vida do mundo humano, e o que motiva diferenças, repulso e separação é causa da morte da humanidade. Quando se passa um jardim onde canteiros de vegetais, flores e ervas fragrantes todos se combinam para formar um todo harmonioso, isso é evidência de que tal jardim e plantação se devem ao cultivo e cuidado de um jardineiro perfeito, mas quando se vê um jardim em desordem, confuso, sem plano, isso indica que foi privado dos cuidados de um jardineiro hábil, ou, antes, que é apenas uma aglomeração de ervas selváticas. Evidentemente, pois, a amizade e harmonia provam que houve cultivo pelo verdadeiro Educador, enquanto que a separação e dispersão indicam a incultura, a falta de educação divina.

Se alguém objetar que, em vista das diferenças existentes entre as comunidades, nações e raças do mundo - no que diz respeito a formalidades, costumes, gostos, temperamentos, moral, pensamentos e opiniões - é impossível que a unidade ideal se manifeste e a união completa se realize entre os homens, dizemos serem de duas espécies as diferenças: uma leva à destruição, assim como a diferença entre povos guerreantes e nações rivais, que se destroem mutuamente e extirpam as famílias uns dos outros, não permitindo sossego ou conforto, devotando-se, antes, à carnificina e à rapacidade. Isso é condenável. A outra diferença, porém, consiste na variação, coisa que manifesta as graças divinas e é a própria perfeição. Consideremos as flores do roseiral: embora sejam de diferentes tipos, cores variadas e formatos diversos, no entanto, já que bebem da mesma água, são bafejadas pela mesma brisa e crescem graças ao calor e à luz do mesmo sol, essa variação faz cada uma realçar a beleza e o esplendor das demais. A diversidade de modos, costumes, hábitos, pensamentos, opiniões e temperamentos é o adorno do mundo humano. Isso é louvável. Essa variação, assim como a diferença entre as partes do corpo humano, faz manifestar-se a beleza, a perfeição. Desde que essas diferentes partes estejam sob o controle do espírito dominante, o qual penetra em todos os órgãos e membros, e governa todas as artérias e veias, tal variação fortalece o amor e a harmonia, essa multiplicidade é o maior meio de promover a unidade. Se, num jardim, as flores e ervas fragrantes, os ramos, folhas, inflorescência e frutos das árvores forem de um só tipo e formato, da mesma cor e disposição, não se realçará sua beleza ou seu encanto, mas quando existe variedade no mundo da unidade, mostrar-se-ão, em grau máximo, sua glória, beleza, sublimidade e perfeição.

Hoje nada, a não ser o poder do Verbo de Deus, que envolve a realidade das coisas, pode reunir os pensamentos, as mentes, os corações e espíritos à sombra da mesma Árvore. Ele é o Potente em todas as coisas, Aquele que vivifica as almas e preserva e governa o mundo humano. Louvado seja Deus! Neste dia, a luz do Verbo de Deus irradiou sobre todas as regiões e, de todas as comunidades, nações, tribos, raças, religiões e seitas, vieram almas reunir-se à sombra da Palavra da Unidade, na mais íntima amizade, harmonia e união!

XI. EPÍSTOLA AO DR. FOREL

Uma carta escrita ao Dr. Auguste Forel, Suíça, em 1921

173 - Ó respeitosa personagem, amante da verdade! Tua carta com data de 28 de julho de 1921, foi recebida. Seu conteúdo foi-me muito agradável, indicando que - louvado seja Deus - enquanto ainda jovem buscas a verdade, sendo forte teu poder de pensamento e manifestas as descobertas de tua mente.

Numerosas cópias da epístola que eu escreva ao Dr. Fisher foram difundidas em toda parte, e é de conhecimento geral que foi revelada no ano de 1910. Além desta, inúmeras epístolas foram escritas antes da guerra sobre o mesmo tema, como também houve referência a essas questões no Jornal da Universidade de San Francisco, cuja data se sabe, fora de qualquer dúvida. Outrossim, os filósofos de visão larga elogiaram muito o discurso eloqüente realizado naquela Universidade. Mandamos, pois, incluso, um exemplar do Jornal. Tuas obras, são, sem dúvida, um grande benefício; se forem publicadas, envia-nos um exemplar de cada.

Por materialistas, cuja crença a respeito da Divindade já foi explicada, não queremos dizer filósofos em geral, mas somente aquele grupo de materialistas de visão estreita, que adoram aquilo que conhecem por meio dos sentidos, dependendo dos cinco sentidos unicamente, e cujo critério de conhecimento se limita àquilo perceptível através dos sentidos. Tudo isso lhes é real, mas o que não se sujeita ao poder dos sentidos é irreal ou duvidoso. A existência da Deidade, eles a consideram inteiramente duvidosa.

É, pois, assim como escrevestes; referimo-nos aos materialistas de mentalidade estreita, e não aos filósofos em geral. Quanto aos filósofos deistas, tais como Sócrates, Platão e Aristóteles, estes, de fato, são dignos de estima e do mais alto louvor, pois prestaram relevantes serviços à humanidade. Assim também consideramos os filósofos materialistas que são moderados e capazes, e que têm prestado serviços (à humanidade).

A nosso ver, o conhecimento e a sabedoria são a base do progresso do homem, e os filósofos dotados de visão larga merecem louvor. Perscruta cuidadosamente o Jornal da Universidade de San Francisco, para que te seja revelada a verdade.

Agora, a respeito das faculdades mentais: são realmente propriedades inerentes à alma, assim como a irradiação da luz é propriedade intrínseca do sol. Os raios do sol renovam-se, mas o próprio sol é sempre o mesmo, imutável. Consideremos como o intelecto humano se desenvolve e enfraquece, e pode, em algumas ocasiões, falhar, enquanto que a alma não muda. Para que a mente se manifeste, é mister que o corpo humano seja completo; só em corpo são, pode haver mente sã, mas a alma não depende do corpo. Apenas através do poder da alma é que a mente pode exercer sua influência, suas faculdades de imaginação e compreensão, enquanto que a alma é um poder livre. A mente compreende o abstrato com o auxílio do concreto, ao passo que a alma tem ilimitadas manifestações próprias. A mente é circunscrita; a alma é ilimitada. É por meio de tais sentidos como os da vista, audição, gosto, olfato e tato que a mente compreende, enquanto que a alma é independente de todos esses meios. A alma, quer esteja adormecida, quer acordada, assim como já deves ter observado, está em movimento, sempre ativa, podendo durante um sonho decifrar um problema intrincado, de solução difícil em estado de vigília. Além disso, ao cessar o funcionamento dos sentidos, a mente não compreende, e também na fase embrionária e na primeira infância, capacidade de raciocínio está totalmente ausente, mas a alma sempre se acha dotada de plenas faculdades. Enfim, são muitas as provas de que o poder da alma ainda continua a existir, não obstante a perda do raciocínio. O espírito possui, entretanto, vários graus e condições.

Quanto à existência do espírito no mineral: é indubitável serem os minerais dotados de um espírito e vida de acordo com os requisitos desta etapa. Este antigo segredo, também, tornou-se conhecido aos materialistas que agora afirmam que todas as coisas são dotadas de vida, assim como Ele diz no Alcorão "Todas as coisas vivem."

Semelhantemente, no mundo vegetal, há o poder do crescimento, ou seja, o espírito. No mundo animal existe alguma sensibilidade, mas no humano há um poder que a tudo abrange. Em todas as etapas anteriores, está ausente a capacidade de raciocínio, porém a alma existe e se revela. Essa sensibilidade não compreende a alma, mas a capacidade de raciocínio possuída pela mente prova a existência da alma.

De igual modo, a mente prova a existência de uma Realidade invisível que abrange todos os seres, existindo e revelando-se em todas as etapas, mas cuja essência está além do alcance da mente. Assim o mundo mineral não compreende nem a natureza nem as perfeições do mundo vegetal, e este não compreende a natureza do mundo animal. Tampouco pode o animal compreender a natureza da realidade do homem - aquele ser que descobre e abrange todas as coisas.

O animal é cativo da natureza, não podendo transgredir suas regras e leis. No homem, entretanto, há um poder de descoberta - poder que transcende o mundo da natureza, controlando e intervindo em suas leis. Todos os minerais, plantas e animais são cativos da natureza. O próprio sol, com toda a sua majestade, está tão sujeito à natureza que não tem vontade própria e não se pode desviar de suas leis nem na grossura de um fio de cabelo. Do mesmo modo, todos os outros seres - sejam do reino mineral, vegetal ou animal, são incapazes de se desviar das leis da natureza - todos são seus escravos. Só o homem, embora seu corpo seja cativo da natureza, está livre no que diz respeito à sua mente e à sua alma, tendo ele predomínio sobre a natureza.

Consideremos: segundo a lei da natureza, o homem vive, move-se, tem sua existência sobre a terra; no entanto, sua alma e sua mente intervêm nas leis naturais e ele voa no ar tal como o pássaro, ou navega rapidamente sobre os mares e, semelhante ao peixe, sonda as profundezas e descobre as coisas que aí se encontram. Isso é, em verdade, uma séria derrota que inflige às leis da natureza.

Assim é o poder da energia elétrica: esta força tão violenta e insubmissa, que racha as montanhas, é, no entanto, aprisionada pelo homem dentro de um globo! Evidentemente, é uma interferência nas leis da natureza. Assim também o homem descobre aqueles segredos que, segundo as leis da natureza, deveriam permanecer ocultos, e os transfere do plano invisível para o visível; o que é, igualmente, uma interferência na lei natural. Do mesmo modo, descobre ele as propriedades inerentes às coisas, outrora segredos da natureza, aviva acontecimentos do passado já desvanecidos na memória, bem como prevê, mediante seu poder de indução, futuros sucessos ainda desconhecidos. Mais ainda: a comunicação é limitada a pequenas distâncias pelas leis da natureza, mas o homem, através do poder interior que possui, - poder este que descobre a realidade de todas as coisas, une Leste a Oeste. Também isso é uma interferência nas leis naturais. Semelhantemente, segundo a lei da natureza, toda sombra é fugaz, enquanto que o homem a fixa na chapa, o que constitui, outrossim, uma interferência na lei natural. Ponderemos e reflitamos: todas as ciências, artes, ofícios, invenções e descobertas eram, outrora, segredos da natureza, devendo assim permanecer, segundo suas leis; mas o homem, graças a seu poder descobridor, intervém nas leis naturais e transfere esses segredos do plano invisível para o visível. Vemos outra vez uma interferência nas leis naturais.

Enfim, essa faculdade interior do homem, escondida da vista, arranca a espada das mãos da natureza e lhe inflige um golpe tremendo. Todos os demais seres, por maiores que sejam, carecem de tais perfeições. O homem tem os poderes da vontade e da compreensão, mas a natureza não os possui. A natureza é circunscrita; o homem, livre. À natureza falta compreensão; o homem compreende. A natureza é inconsciente dos acontecimentos passados, enquanto que o homem os conhece. Nem pode ela prever o futuro, mas o homem, com seu poder de discernimento, vê o que há de vir. A natureza não tem consciência de si própria, ao passo que o homem tudo percebe.

Fosse alguém supor ser o homem apenas uma parte do mundo da natureza, sendo ele dotado dessas perfeições que nada mais seriam que manifestações do mundo natural - vindo assim a natureza a ser considerada a origem de tais perfeições, e não delas privada - a essa pessoa daríamos a seguinte resposta: a parte depende de todo, e não pode possuir perfeições das quais o todo carece.

Por natureza, entendemos aquelas propriedades inerentes e relações necessárias que derivam das realidades das coisas, e estas realidades, embora muito diversas, se acham, no entanto, intimamente ligadas entre si. Para estas várias realidades é necessário um agente unificador que os possa unir uma à outra. Todos os órgãos e membros, partes e elementos que constituem o corpo do homem, por exemplo, se bem que diversos, unem-se mutuamente, graças àquele agente unificador que conhecemos como alma humana, e que os faz funcionar em perfeita harmonia e absoluta regularidade, assim tornando possível a continuação da vida. O corpo humano, todavia, está inteiramente inconsciente da alma, ou seja desse agente unificador, embora aja com regularidade, desempenhando suas funções segundo a vontade da alma.

Tratando-se agora dos filósofos: eles são de duas escolas. Assim Sócrates, o sábio, acreditou na unidade de Deus e na existência da alma após a morte, mas como sua opinião não foi aceita pelas mentalidades estreitas de seu tempo, envenenaram-no, filósofo divino que era. Todos os sábios e filósofos divinos, ao observarem estes infinitos seres, têm achado que, neste universo grande, ilimitado, todas as coisas terminam no reino mineral, donde procede o reino vegetal, sendo que deste resulta o reino animal e este último, por sua vez, é seguido pela espécie humana. A consumação deste ilimitado universo, com toda a sua grandeza e glória, é o próprio homem, e ele labora e sofre por algum tempo neste mundo da existência, com vários males e dores, vindo afinal a decompor-se, sem deixar atrás nenhum fruto ou traço sequer. Se assim fosse, este infinito universo com todas as suas perfeições teria terminado, sem dúvida, em ignomínia e delusão, não tendo resultado, fruto, permanência ou efeito algum. Seria absolutamente sem sentido. Eles, (os filósofos) pois, convenceram-se de que tal não era o caso, de que esta Grande Oficina, com toda a sua força, sua deslumbrante magnificência e suas infinitas perfeições, não poderia chegar ao nada como final. A existência de uma outra vida é, portanto, certa; e assim, tal como o reino vegetal é inconsciente do mundo humano, nós, também, nada sabemos da Grande Vida do além, que se segue à vida do homem neste plano inferior. Nossa incompreensão daquela vida, entretanto, não é prova de sua inexistência. O mundo mineral, por exemplo, está completamente inconsciente do mundo do homem, não o podendo compreender, mas o fato de que se ignora uma coisa, não é prova de sua inexistência. Há numerosas provas concludentes de que este mundo infinito não pode terminar com esta vida humana.

Tratemos agora da Essência da Divindade: essa Essência, realmente, de modo algum pode ser determinada por qualquer coisa fora de sua própria natureza, nem pode, em absoluto, ser compreendida. Pois aquilo que o homem pode conceber é uma realidade que tem limitações, e não uma realidade ilimitada; é circunscrita, não abrangendo tudo; pode ser compreendida pelo homem, e é por ele controlada. Outrossim, é certo que todos os conceitos humanos são contingentes e não absolutos, tendo uma existência mental, e não material. Além disso, a diferença de grau no mundo contingente é obstáculo à compreensão. Como pode, pois, o contingente conceber a Realidade do Absoluto? Como já dissemos, a diferença de grau no plano contingente impede a compreensão. Aos minerais, plantas e animais, faltam as faculdades mentais do homem, faculdades estas que descobrem a realidade de todas as coisas, enquanto que o homem compreende todos os graus que lhe são inferiores. Cada grau superior compreende o que lhe é inferior, e descobre sua realidade, mas o inferior é inconsciente daquele que lhe é superior e, portanto, incapaz de o compreender. Assim, o homem não pode compreender a Essência da Divindade mas, através de sua faculdade de raciocínio e observação, suas faculdades intuitivas e o poder revelador de sua fé, pode crer em Deus e descobrir a abundância de Sua Graça. Embora seja invisível a Essência Divina, e intangível a existência da Deidade, provas concludentes afirmam a existência daquela Realidade invisível. A Essência Divina per se, entretanto, ultrapassa toda descrição. Desconhece-se, por exemplo, a natureza do éter, mas o fato de que existe, é provado pelos seus efeitos, sendo o calor, a luz e a eletricidade suas ondas. Provamos, pois, a existência do éter, por estas ondas. E quando consideramos a emanação da Graça Divina, certificamo-nos da existência de Deus. Observamos, por exemplo, que a existência dos seres depende da reunião dos vários elementos, sendo sua inexistência resultado da decomposição de seus elementos constituintes; pois a decomposição implica na desassociação dos vários elementos. Observamos que a reunião de elementos dá origem à existência dos seres, e se sabemos que estes, ou seja o efeito, são infinitos, como pode a Causa ser finita?

Ora, a formação é de três espécies, e de três somente: acidental, necessária e voluntária. A reunião dos vários elementos constituintes dos seres não pode ser acidental, pois para todo efeito deve haver uma causa. Tampouco pode ser compulsória, porque assim a formação teria que ser propriedade inerente às partes constituintes, e a propriedade inerente de uma coisa, de modo algum, pode dela se desassociar, assim como a luz, que revela as coisas, o calor, que causa a expansão dos elementos, e os raios que são as propriedades intrínsecas do sol. Nesta hipótese, seria impossível que qualquer formação viesse a decompor-se, já que as propriedades inerentes de uma coisa não se separam dela. Resta a terceira espécie da formação, ou seja a voluntária; isto é, uma força invisível, descrita como o Poder Antigo, é a causa da reunião desses elementos, sendo que cada formação dá origem a um ser distinto.

Quanto aos atributos e perfeições, tais como a vontade, o conhecimento, o poder e outras qualidades que atribuímos àquela Realidade Divina, estes são os sinais que refletem a existência dos seres no plano visível e não as perfeições absolutas da Essência Divina, as quais não podem ser compreendidas. Por exemplo, ao considerarmos os seres criados, observamos infinitas perfeições, disso inferindo que o Poder Antiqüíssimo, de quem depende a existência destes seres, não pode ser ignorante; assim dizemos que Ele é o Onisciente. De certo, não é impotente, mas sim, Todo-Poderoso; nem pobre, mas sim, Possuidor de tudo; nem inexistente, mas Sempiterno. Com isso intentamos mostrar que, ao atribuirmos àquela Realidade Universal tais perfeições, estamos apenas negando imperfeições, e não afirmando atributos inacessíveis à inteligência humana. Assim dizemos, pois, que Seus atributos são incognoscíveis.

Enfim, aquela Realidade Universal, com todas as qualidades que lhe atribuímos, é santa e exaltada acima de todas as mentes e compreensões. Quando, porém, refletimos neste infinito universo, com largueza de visão, percebemos que o movimento sem uma forma motriz, ou seja um efeito sem causa, é impossível; que todo ser veio a existir sob numerosas influências e está sujeito a reações contínuas. Também estas influências derivam de outras ainda. Por exemplo, plantas crescem e adquirem viço através da efusão das chuvas vernais, enquanto a própria nuvem é formada por vários outros agentes, os quais, por sua vez, a outros ainda reagem. Plantas e animais crescem e desenvolvem-se sob a influência daquilo que os filósofos de nosso tempo denominam hidrogênio e oxigênio, e reagem sob os efeitos destes dois elementos, os quais, por sua vez, são formados sob outras influências, ainda. O mesmo se pode dizer dos demais seres, quer afetando as outras coisas ou sendo por elas afetados. Tal processo de causação continua, mas seria claramente absurdo afirmarmos que é assim indefinidamente. Não; essa cadeia de causação tem forçosamente de conduzir, afinal, Àquele Que é o Sempiterno, o Todo-Poderoso, O que depende de Si Próprio, e é a Última Causa. Essa Realidade Universal não pode ser percebida; não pode ser vista. Assim tem que ser, necessariamente, pois a tudo abrange, não podendo ser circunscrita; e tais atributos qualificam o efeito e não a causa.

Ao refletirmos, percebemos, que o homem é como um minúsculo organismo contido dentro de um fruto; este fruto desenvolveu-se da flor, a qual cresceu da árvore, sendo esta sustentada pela seiva, que é formada de terra e água. Como pode este pequenino organismo compreender a natureza do jardim, formar algum conceito do jardineiro e compreender seu ser? Isto é manifestamente impossível. Pudesse este organismo compreender e refletir, perceberia que o jardim, a árvore, a flor e o fruto de modo algum teriam vindo a existir por si sós, nessa ordem e perfeição. Da mesma maneira, a alma sábia e refletida saberá com certeza que este infinito universo com toda a sua grande e (perfeita) ordem não poderia ter vindo as existir por si só.

De modo semelhante, há no mundo da existência forças que os olhos não vêem, tais como a do éter, já mencionada, a qual não pode ser sentida, não pode ser vista, mas dos efeitos que o éter produz, isto é, das suas ondas e vibrações, aparecem a luz, o calor e a eletricidade. Assim também são os poderes do crescimento, da sensibilidade, da compreensão, do pensamento, da memória, da imaginação e do discernimento; todas estas faculdades internas são imperceptíveis à vista e aos demais sentidos, mas se tornam evidentes pelos efeitos que produzem.

Agora, quanto ao Poder (infinito) que não conhece limitações; a própria limitação prova a existência do ilimitado, sendo o limitado conhecido através do ilimitado, como também a própria fraqueza prova a existência da saúde. Sem riqueza, não haveria pobreza; sem conhecimento, a ignorância seria inconcebível, assim como a treva, sem a luz. A própria escuridão é prova da existência da luz, pois é a ausência da luz.

Ora, concernente à natureza: consiste apenas nas propriedades essenciais e relações necessárias inerentes às realidades das coisas. E embora estas realidades infinitas sejam de caráter diverso, unem-se, estreitamente e na maior harmonia. À medida que nossa vista se alarga e o assunto é estudado cuidadosamente, torna-se evidente que cada realidade é apenas um requisito essencial das demais realidades. Para assim ligar e harmonizar essas diversas e infinitas realidades, é imprescindível um Poder unificador universal, a fim de que cada parte da criação existente possa desempenhar sua própria função em perfeita ordem. Consideremos o corpo do homem, vendo na parte (isto é, no corpo humano) um indício do todo. Notemos como as várias partes do corpo humano se acham intimamente ligadas e unidas em completa harmonia entre si. Cada parte é essencial às demais e tem uma função própria. A mente é aquele agente que unifica todas as partes componentes, ligando-as umas com as outras, de tal modo que cada uma delas possa desempenhar sua função específica em perfeita ordem, tornando assim possíveis a reação e a cooperação. Todas as partes funcionam sob certas leis essenciais à existência. Se algum dano atingir esse agente unificador, universal, que dirige todas estas partes, cessará, de certo, o devido funcionamento dos membros e das partes constituintes. E embora se não sinta nem veja esse agente unificador universal no templo do homem, e tampouco se conheça sua realidade, esse agente manifesta-se, no entanto, com o máximo poder, através de seus efeitos.

Assim se torna evidente e provado que os infinitos seres neste maravilhoso universo cumprem suas funções devidamente só em virtude de serem dirigidos e controlados por aquela Realidade Universal, de modo que a ordem seja mantida no mundo. Como no exemplo do corpo humano, há indiscutível evidência de inter-relação e cooperação entre suas partes constituintes, porém isso não basta; é mister um agente unificador universal que dirija e controle as partes componentes para que estas, por sua interação e cooperação, possam desempenhar em perfeita ordem, respectivamente, suas funções necessárias.

Bem sabes - louvado seja o Senhor - que tanto a interação como a cooperação se acham evidentes e provadas entre todos os seres, quer sejam grandes ou pequenos. No caso dos corpos grandes, a interação está tão manifesta como o sol, enquanto que no dos pequenos, embora a interação seja desconhecida, a parte é, no entanto, um indício do todo. Assim, pois, todas essas interações estão ligadas por aquele poder que tudo abrange - seu pivô e centro, sua origem e sua força motriz.

Como observamos no exemplo do corpo humano, a cooperação entre suas partes constituintes está claramente estabelecida, sendo que cada parte presta serviços às demais partes componentes do corpo. Assim a mão, o pé, os olhos, os ouvidos, a mente, a imaginação, todas as partes cooperam, ajudando cada uma às demais partes do corpo humano, sendo, porém, todas essas interações ligadas por um poder invisível que tudo abrange e que as faz aparecerem com perfeita regularidade. Este poder é a faculdade interior do homem, ou seja, seu espírito e sua mente, sendo ambos invisíveis.

Outro exemplo vemos nas oficinas com a sua maquinaria: observemos como existe inter-ação entre as várias partes e seções, como estas se ligam umas às outras. Todas estas relações e interações, entretanto, estão ligadas a um poder central, sendo este a sua força motriz, seu pivô e sua origem. Esse poder central é a força do vapor ou a habilidade da mente perita.

Tornou-se, pois, evidente e provado que a interação, a cooperação e a inter-relação entre os seres se acham todas sob o controle e a vontade de um Poder impulsor que é a origem, a força motriz e o pivô de todas as interações no universo.

Assim, toda disposição e formação que não seja perfeita em sua ordem, nós a denominamos acidental, enquanto que aquilo que é regular, segundo a ordem, perfeito em suas relações, estando cada uma de suas partes em seu lugar próprio, como requisito essencial das demais partes constituintes, a isso chamamos uma composição formada segundo a vontade e o conhecimento. Sem a menor dúvida, esses infinitos seres e a associação desses elementos diversos devem ter procedido de uma Realidade que de modo algum careceria de vontade ou compreensão. Isso está claro e provado à mente; ninguém o pode negar. Não se quer dizer, todavia, que a Realidade Universal ou seus atributos tenham sido compreendidos. Homem algum jamais compreendeu nem sua Essência, nem seus verdadeiros atributos. O que sustentamos, porém, é que esses infinitos seres, essas relações necessárias, essa disposição perfeita, devem ter procedido, forçosamente, de uma fonte que não está privada de vontade e compreensão; que essa infinita composição, manifestada em formas infinitas, deve ter sido causada por uma Sabedoria que a tudo abarca. Isso ninguém pode contestar, salvo aquele que é obstinado e nega a evidência clara e inequívoca; aquele a quem se refere o sagrado versículo: "(São) surdos, mudos, cegos, e não mais regressarão".

Consideremos agora a pergunta: se as faculdades da mente e da alma humana são uma só, a mesma realidade. Essas faculdades são apenas as propriedades inerentes da alma, tais como o poder da imaginação, do pensamento, da compreensão - poderes esses que são os requisitos essenciais à realidade do homem, assim como o raio solar é propriedade intrínseca do sol. O corpo do homem assemelha-se a um espelho, sua alma ao sol, e suas faculdades mentais são como os raios que emanam dessa fonte de luz. O raio pode deixar de cair sobre o espelho, mas de modo algum pode desassociar-se do sol.

Em suma, o ponto é este: o mundo humano é sobrenatural em relação ao reino vegetal, embora não o seja em realidade. Relativamente à planta, são sobrenaturais a realidade do homem e seus poderes de audição e vista, e é impossível que a planta compreenda essa realidade e a natureza dos poderes da mente humana. Também, de modo algum é possível que o homem compreenda a Essência Divina e a grande Vida do Além. As emanações da bondade dessa Essência Divina são, entretanto, concedidas a todos os seres, e cabe ao homem ponderar em seu coração sobre a efusão da Graça Divina, sendo a alma considerada um (de seus sinais), e não sobre a própria Essência Divina. É isso o limite absoluto para o entendimento humano. Como já mencionamos, essas perfeições que atribuímos à Essência Divina, nós as deduzimos da existência e da observação dos seres e não porque tenhamos compreendido a essência e a perfeição de Deus. Quando dizemos que a Essência Divina, compreende e é livre, não queremos dizer que tenhamos descoberto a Vontade e o Propósito Divino, mas apenas que tomamos conhecimento delas através da Graça Divina, que se revela e manifesta na realidade das coisas.

Quanto aos nossos princípios sociais, isto é, aos ensinamentos de Sua Santidade Bahá´u´lláh, largamente disseminados há cinqüenta anos atrás, neles, em verdade, se acham incluídos todos os demais ensinamentos. Evidentemente, a humanidade não poderá progredir de modo algum sem esses princípios. Todas as comunidades do mundo encontram nesses Ensinamentos Divinos a realização de suas mais altas espirações. Esses ensinamentos são como a árvore que, dentre todas as árvores, produz os melhores frutos. Filósofos, por exemplo, acham a solução perfeita para seus problemas sociais, nesses ensinamentos divinos, bem como uma exposição verídica e nobre de assuntos filosóficos. Também os homens de fé percebem a realidade da religião, claramente revelada nesses ensinamentos celestiais, e verificam que eles constituem, indubitavelmente, o verdadeiro remédio para os males e as enfermidades de todo o gênero humano. Se esses sublimes ensinamentos forem difundidos, a humanidade libertar-se-á de todos os perigos, de todos os males crônicos. Outrossim, os princípios econômicos bahá´ís incorporam as mais altas aspirações de todas as classes de trabalhadores e dos economistas das várias escolas.

Enfim, as aspirações de todos os grupos e partidos realizam-se nos ensinamentos de Bahá´u´lláh e, à medida que forem declarados em igrejas, em mesquitas e em outros lugares de adoração, seja entre os seguidores de Buda ou de Confúcio, em círculos políticos ou entre materialistas, todos darão testemunho de que esses ensinamentos trazem uma vida nova à humanidade e constituem o remédio imediato para todos os males da vida social. Ninguém pode achar defeitos em qualquer desses ensinamentos; não, uma vez difundidos, serão todos aclamados, e todos os homens admitirão sua necessidade vital, exclamando! "De fato, isso é a verdade e, fora da verdade, nada há senão erro manifesto".

Em conclusão, estas poucas palavras são escritas, e para cada um serão uma clara e concludente evidência da verdade. Pondera-as em teu coração. A vontade de todo soberano prevalece durante seu reinado, a vontade de todo filósofo acha expressão numa mão-cheia de discípulos durante sua vida, mas o Poder do Espírito Santo brilha radiantemente nas realidades dos Mensageiros de Deus e de tal forma lhes fortalece a vontade que exercem influência sobre uma grande nação durante milhares de anos, regenerando a alma humana e ressuscitando a humanidade. Considera quão grande é esse poder! É um Poder extraordinário, constituindo prova suficiente da veracidade da missão dos Profetas de Deus, e concludente evidência do poder de uma Inspiração Divina.

Esteja sobre ti a Glória das Glórias!
XII. DEUS E SEUS MANIFESTANTES
1. DEUS ULTRAPASSA A COMPREENSÃO HUMANA

174 - Lemos no Velho Testamento que Deus disse: "Façamos o homem à Nossa própria imagem". No Evangelho, Cristo disse: "Eu estou no Pai e o Pai está em Mim". (1) No Alcorão, Deus disse: "O homem é Meu Mistério e Eu sou o seu". Bahá'u'lláh escreve que Deus disse: "Teu coração é Minha morada; purifica-o para Minha descida. Teu espírito é meu lugar de revelação; limpa-o para Minha manifestação".

Todas estas palavras sagradas nos mostram que o homem é feito à imagem de Deus; todavia a Essência de Deus é incompreensível ao pensamento humano, pois o conhecimento limitado não pode ser aplicado a este infinito Mistério. Deus contém tudo: Ele não pode ser contido. O que contém é superior ao conteúdo. O todo é maior que suas partes.

As coisas que são compreendidas pelo homem não podem estar fora de sua capacidade de entendimento, e assim é impossível que o coração do homem entenda a natureza da Majestade de Deus. Nossa imaginação pode apenas retratar o que é capaz de criar.

O poder de entendimento difere em grau nos diversos reinos da criação. As espécies -- mineral, vegetal e animal, -- todas elas são incapazes de compreender qualquer criação além da própria. O mineral não pode imaginar o poder de crescimento da planta. A árvore não pode compreender o poder de movimento do animal, nem pode entender o que significa possuir o sentido do olfato, da vista ou da audição. Todos eles pertencem à criação física.

O homem também participa desta criação; mas não é possível a nenhum dos reinos inferiores compreender o que se passa na mente do homem. O animal não pode compreender a inteligência de um ser humano; conhece apenas o que é percebido pelos sentidos animais, não pode imaginar algo de abstrato. Um animal não pode aprender que o mundo é redondo, que a terra gira em torno do sol; não pode conceber a construção do telégrafo sem fio. Estas coisas são possíveis somente ao homem. O homem é a mais elevada obra da criação -- de todas as criaturas, a mais próxima de Deus.

Todos os reinos superiores são incompreensíveis aos inferiores; portanto, como seria possível que a criatura, o homem, entendesse o Onipotente Criador de tudo?

O que imaginamos não é a Realidade de Deus; Ele, o Incognoscível, o Inconcebível, está muito além da mais avançada concepção do homem.

Todas as criaturas existentes dependem da Divina Bondade. A Divina Providência confere a própria vida. Assim como a luz do sol ilumina o mundo inteiro, a Misericórdia do Deus Infinito irradia-se sobre todas as criaturas. Assim como o sol amadurece os frutos da terra e dá vida e calor a todos os seres vivos, do mesmo modo o Sol da Verdade cintila sobre todas as almas, enchendo-as com a chama da compreensão e amor divino.

A superioridade do homem sobre o resto das criaturas é novamente observada nisto: o homem possui uma alma na qual habita o espírito divino; as almas das criaturas inferiores são inferiores em sua essência.

Não há dúvida, portanto, de que, entre todas as criaturas, o homem está mais próximo da natureza de Deus, e, conseqüentemente, recebe maior dádiva da Generosidade Divina.

O reino mineral possui o poder de existência. A planta tem o poder de existir e de crescer. O animal, além da existência e do crescimento, tem a capacidade de se locomover e o uso das faculdades dos sentidos. Na espécie humana encontramos todos os atributos dos reinos inferiores, com o acréscimo de mais amplas características. O homem é a soma de todas as espécies, pois contém todas elas.

Ao homem é concedida a dádiva especial do intelecto, por meio do qual é capaz de receber maior parcela da luz Divina. O Homem Perfeito é um espelho polido refletindo o Sol da Verdade, manifestando os atributos de Deus.

O Senhor Cristo disse: "Aquele que Me tem visto, tem visto o Pai" -- Deus manifestado no homem.

O sol não deixa sua posição nos céus, não desce para o espelho, pois as ações de subir e descer, de ir e vir, não pertencem ao Infinito, são métodos das coisas finitas. No Manifestante de Deus -- o espelho perfeitamente polido -- aparecem as qualidades do Divino numa forma que o homem é capaz de compreender, temos necessariamente de aceitar.

Nosso Pai não nos considerará responsáveis pela rejeição de dogmas que não somos capazes de entender ou neles acreditar, pois Ele é sempre infinitamente justo para com Seus filhos.

Este exemplo é, porém, tão lógico que pode ser facilmente compreendido por todas as mentes inclinadas a considerá-lo.

Que cada um de vós se transforme em uma lâmpada reluzente, cuja chama seja o Amor de Deus! Que vossos corações se inflamem com o fulgor da unidade! Que vossos olhos se iluminem com o resplendor do Sol da Verdade!

A cidade de Paris é muito bela; no mundo atual seria difícil encontrar cidade mais civilizada e mais bem organizada no desenvolvimento material. Mas a luz espiritual não tem brilhado sobre ela há longo tempo; seu progresso espiritual está muito aquém de sua civilização material. É necessário um poder supremo para despertá-la à realidade da verdade espiritual, para insuflar o sopro da vida em sua alma adormecida. Vós todos deveis unir-vos neste trabalho de acordá-la, reanimando seu povo com a ajuda daquela Força Superior.

Quando uma doença é simples, um pequeno remédio será suficiente para curá-la, mas quando um ligeiro mal se transforma numa terrível doença, então um remédio muito forte deve ser aplicado pelo Médico Divino. Há certas árvores que florescem e frutificam num clima fresco, outras há que necessitam de raios de sol mais quentes para levá-las à perfeita maturidade. Paris é uma dessas árvores para cujo desabrochar espiritual é necessário um grande e flamejante Sol do Divino Poder de Deus.

Peço a todos vós, a cada um de vós, que sigais devotamente a luz da verdade nos Ensinamentos Sagrados, e Deus vos fortalecerá por Seu Espírito Santo, para que assim sejais capazes de sobrepujar as dificuldades e de destruir os preconceitos que causam separação e ódio entre o povo. Que vossos corações se encham do grande amor de Deus, a tal ponto que seja sentido por todos; pois cada homem é servo de Deus e todos têm direito de participar da Divina Generosidade.

Especialmente àqueles cujos pensamentos são materiais e retrógrados demonstrai o máximo de amor e paciência, conquistando-os, desse modo, para o convívio comunitário, pela irradiação de vossa bondade.

Se fordes fieis em vosso intenso trabalho, seguindo o Sagrado Sol da Verdade, sem desvio, então despontará nesta bela cidade o abençoado dia da fraternidade universal.

2. A FONTE DA UNIDADE

175 - Que é a verdadeira unidade? Ao observarmos o mundo humano, encontramos várias expressões coletivas da unidade. O homem, por exemplo, se distingui do animal por seu grau ou reino, e essa compreensiva distinção inclui toda a posteridade de Adão, constituindo uma grande família humana. Isso se pode considerar a unidade fundamental ou física da espécie humana. Além disso, existe uma distinção entre os vários grupos humanos segundo a linhagem, sendo que cada grupo forma uma unidade racial separada dos demais. Há também a unidade de língua entre aqueles que empregam o mesmo idioma como meio de comunicação; há unidade nacional onde vários povos vivem sob a mesma forma de governo, tais como francês, alemã, britânica, etc.; e há ainda unidade política, que conserva os direitos civis dos partidos ou facções do mesmo governo. Todas essas unidades são imaginárias, carecendo de base real, pois delas não procede nenhum resultado verdadeiro. A verdadeira unidade visa efeitos verdadeiros, divinos. Dessas espécies limitadas de unidade que acabamos de mencionar, só procedem resultados limitados, enquanto que a unidade ilimitada produz um resultado ilimitado. Da unidade que se restringe aos membros da mesma raça ou nacionalidade, por exemplo, se houver algum resultado, este será limitado. É como uma família solitária, que vive só; não pode exercer uma influência ilimitada, universal.

A unidade cujos resultados são ilimitados é primariamente aquela unidade do gênero humano que reconhece todos como servos de um só Deus, abrigados à sombra da fulgente glória do Todo-Glorioso, pois todos respiram a mesma atmosfera, vivem sobre a mesma terra, movem-se sob o mesmo céu, recebem o esplendor do mesmo sol, e estão sob a proteção de um só Deus. É esta a maior unidade, cujos resultados, se a humanidade a apoiar, serão duráveis mas até agora a humanidade não a aceitou, preferindo aderir aos tipos limitados de unidade, como a unidade de raça, de pátria ou de interesse próprio, e por isso não se manifestaram grandes resultados. É certo, no entanto, que o esplendor e as graças de Deus a todos abrangem, que as mentes se têm desenvolvido e as percepções se têm tornado mais agudas, sendo divulgadas as ciências e artes, e que existe, pois, a capacidade para a proclamação e a difusão da verdadeira unidade do gênero humano, a qual haverá de produzir resultados maravilhosos. Reconciliará todas as religiões, criará amor entre nações belicosas, amizade entre reis hostis, e trará paz e felicidade ao mundo humano. Unirá Oriente e Ocidente, removerá para sempre os fundamentos da guerra e hasteará a insígnia da Paz Suprema. Essas unidades restritas são sinais, pois, daquela grande unidade que desenvolverá a consciência humana e fará dos homens uma só família.

Uma outra espécie de unidade é a espiritual, que emana dos sopros do Espírito Santo. É maior que a unidade do gênero humano. Esta, ou a solidariedade humana, assemelha-se ao corpo, enquanto a unidade que provem do sopro do Espírito Santo é o espírito que anima o corpo. É a unidade perfeita. Cria na humanidade tal condição que cada um se sacrificará pelos outros, o maior desejo de cada um será de dar a própria vida, e tudo o que a esta pertence, em benefício dos outros. Tal foi a unidade que existia entre os discípulos de Sua Santidade Jesus Cristo, e que era um verdadeiro vínculo ligando os profetas e as almas santas do passado. É esta a unidade que atrai a influência do Espírito Divino e se está insuflando nos bahá´ís, tanto que cada um oferece a vida pelo outro e se esforça com toda sinceridade a fim de lhe dar prazer. Foi esta a unidade que fez vinte milhares de pessoas na Pérsia darem a vida pelo amor e devoção que lhe tinham. Obrigou o Báb a tornar-se alvo de mil setas, e a Bahá´u´lláh a sofrer exílio e prisão por quarenta anos. Essa unidade é o próprio espírito do corpo do mundo e, a não ser que o anime, é impossível que esse corpo atinja vida. Sua Santidade Jesus Cristo - que minha vida Lhe seja oferecida em holocausto! - difundiu essa unidade, entre os seres humanos. Cada alma que acreditou que Jesus Cristo foi ressuscitado através desse espírito, subiu ao zênite da glória infindável, alcançou a vida eterna, atingiu o segundo nascimento e elevou-se ao auge da felicidade.

Na Palavra de Deus há ainda outra unidade - a unidade dos Manifestantes de Deus, de Suas Santidades Abraão, Moisés, Jesus Cristo, Maomé, o Báb e Bahá´u´lláh. Esta é uma unidade divina, celestial, radiante, misericordiosa, uma única Realidade que aparece em Suas sucessivas manifestações. Por exemplo, o sol é um só, o mesmo, mas os lugares em que alvorece são vários. Durante o tempo de verão, nasce do ponto da eclíptica mais para o norte; no inverno, aparece no ponto sul. Em cada mês durante esse intervalo, aparece de uma certa posição no zodíaco. Embora sejam diferentes esses pontos donde nasce, é o mesmo sol que irradia de todos. O sol simboliza a realidade do profeta, e os pontos zodiacais donde nasce, são os santos Manifestantes de Deus.

Há também a Unidade ou Entidade Divina, que está santificada acima de todo conceito da humanidade. Não pode ser compreendida nem concebida, porque é uma Realidade infinita e não se pode tornar finita. As mentes humanas são incapazes de abranger esta Realidade, visto que todos os pensamentos e conceitos que se lhe referem são criações intelectuais finitas e não a Realidade do Ser Divino que tão somente se conhece a Si Próprio. Se nós, por exemplo, formarmos uma concepção da Divindade como sendo uma Entidade vivente, todo-poderoso, absoluta, eterna, isto será apenas um conceito apreendido por uma realidade intelectual humana. Tal conceito não seria a Realidade exterior, visível, que ultrapassa a capacidade da mente humana para compreender ou conceber. Nós mesmos temos uma entidade externa, visível, mas nosso conceito até mesmo desta entidade é o produto de nosso próprio cérebro, de nossa própria compreensão restrita. A Realidade da Divindade está santificada além deste grau de conhecimento e compreensão. Sempre esteve oculta e isolada em Sua própria santidade, além de nosso poder de abrangê-La. Embora essa Realidade Divina transcenda nossa compreensão, Suas luzes, graças, sinais e virtudes, têm-se manifestado na realidade dos Profetas, assim como o sol resplandece em diversos espelhos. A santa Realidade de cada um Deles é como um refletor, enquanto a Realidade Divina é como o sol. Se bem que se reflita dos espelhos, tornando resplandecentes neles Suas virtudes e perfeições, o Sol não desce de Seu próprio lugar de majestade e glória em busca de habitação nos espelhos; não, permanece em Seu céu de santidade. O mais que se pode dizer é que Sua Luz se torna manifesta e evidente nos espelhos, ou seja nos Manifestantes. A graça, pois, que daí procede é uma só, mas os que recebem esta graça são muitos. É esta a Unidade de Deus; é esta a unidade - Unidade da Divindade, santa acima de subida ou descida, ou incorporação, que transcende compreensão ou ideação - a Divina Unidade. Os Profetas são Seus espelhos; por seu intermédio é que Sua Luz se revela e Suas virtudes se tornam resplandecentes, mas o Sol da Realidade jamais desce de Seu próprio altíssimo lugar e condição. Esta é unidade, unicidade, santidade; é esta a glorificação com a qual louvamos e adoramos a Deus.

3. A RELIGIÃO É PROGRESSIVA

176 - A religião é a expressão externa da Realidade Divina. Portanto, deve ser coisa vivente, coisa que se mova, que progrida. Se estacionar, se não progredir, carecerá da vida divina - estará morta. Os institutos divinos estão continuamente ativos e evolucionários, e sua revelação, pois, deve ser progressiva e contínua. Todas as coisas estão sujeitas à reforma. Este é um século de vida e renovação. Ciências e artes, indústria e invenção têm sido reformadas. Leis e princípios éticos têm sido reconstituídos, reorganizados. O mundo do pensamento passou por uma regeneração. As ciências das épocas antigas e filosofias do passado são hoje inúteis. As exigências atuais clamam por novos métodos de solução; defrontamos com problemas mundiais sem precedentes. Rapidamente velhas idéias e velhos modos de pensar se tornam obsoletos. Leis antigas e sistemas éticos arcaicos não mais satisfazem os requisitos das condições modernas, pois este, claramente, é o século de uma vida nova, o século da revelação da realidade e o maior, pois, de todos os séculos. Consideremos como as realizações científicas destes últimos cinqüenta anos excederam e eclipsaram o conhecimento e o progresso de todas as épocas anteriores em conjunto! Seria possível reconciliar as declarações e as teorias dos astrônomos antigos com nosso conhecimento atual dos mundos solares e sistemas planetários? A máscara da obscuridade que anuviava os séculos medievais poderia enfrentar o anseio do mundo hodierno por visão e compreensão nítidas? E o despotismo dos governos antigos corresponderá ao chamado por liberdade que surgiu do coração da humanidade neste ciclo de iluminação? Obviamente, dos costumes, instituições e pontos de vista do passado, não se notam resultados vitais. Em vista disto, deverão as cegas imitações de formas ancestrais e interpretações teológicas continuar a guiar e controlar a vida religiosa e o desenvolvimento espiritual da humanidade hoje? Deverá o homem, dotado da faculdade de raciocínio, seguir irrefletidamente e aderir a dogmas, credos e crenças hereditárias que não suportam a análise do raciocínio, neste século da realidade esplendorosa? Inquestionavelmente, isso não pode satisfazer o cientista, pois, quando ele encontra premissa ou conclusão contrária às presentes normas de prova e sem fundamento real, ele rejeita o que outrora havia aceito como padrão e correto, e avança sobre bases novas.

Os Profetas divinos revelam e fundam a religião. Estabelecem certas leis e princípios celestiais para a orientação da humanidade. Ensinam e difundem o conhecimento de Deus, estabelecem ideais éticos louváveis e inculcam os mais elevados padrões de virtude no mundo humano. Pouco a pouco, interpretações humanas e imitações dogmáticas das crenças ancestrais vêm a nublar esses ensinamentos celestiais, essas bases da realidade. Atualmente se encontra quase que esvaecida a realidade essencial que os Profetas tanto se esforçaram por estabelecer na mente e no coração do homem, passando pelos maiores sofrimentos, pelas torturas da perseguição. Alguns desses Mensageiros celestiais têm sido mortos, outros encarcerados; todos são desprezados e rejeitados enquanto proclamam a Realidade da Divindade. Pouco após Sua partida deste mundo, a verdade essencial de Seus ensinamentos desvanece, e imitações dogmáticas predominam.

Já que as interpretações humanas e imitações cegas divergem largamente, a desarmonia e contenda religiosa têm surgido entre os homens, a luz da verdadeira religião se extinguiu e a unidade do mundo humano foi destruída. Os Profetas de Deus expressam o espírito de união e concórdia. São os Fundadores da Realidade Divina. Se as nações do mundo, pois, abandonarem as imitações e investigarem a realidade que baseia a Palavra revelada de Deus, concordarão e serão reconciliados. Pois a realidade é uma só e não múltipla.

As nações e religiões estão imersas em imitações cegas e obstinadas. Um homem é judeu porque seu pai era judeu. O maometano segue implicitamente nas pegadas de seus antepassados no que diz respeito à crença e à observância. O budista é fiel à sua herança de budista. Isto é, professam a crença religiosa cegamente e sem investigação, tornando impossíveis a concórdia e união. Evidentemente, pois, essa situação não será remediada sem uma reforma no campo religioso. Em outras palavras, a realidade fundamental das religiões divinas deve ser renovada, reformada e novamente articulada para a humanidade.

Da semente da realidade, a religião cresceu até tornar-se uma árvore cheia de ramos e folhas, flores e frutos. Após algum tempo, esta árvore entrou em fase de decadência. Murcharam e pereceram suas folhas e flores; a árvore envelheceu e deixou de dar frutos. Não é razoável o homem segurar-se à árvore velha, insistindo que sua força vital não tenha sofrido diminuição, que seja inigualável seu fruto e eterna sua existência. A semente da realidade deve ser lançada novamente nos corações humanos, a fim de que cresça uma árvore nova, e novos frutos divinos refresquem o mundo. Assim os povos agora tão divergentes quanto à religião, unir-se-ão, abandonando imitações, e será estabelecida uma fraternidade universal baseada na própria realidade. Cessarão a guerra e contenda entre os homens; todos reconciliar-se-ão como servos de Deus. Pois todos estão abrigados debaixo da árvore de Sua providência e mercê. Deus é bondoso a todos; a todos dispensa graças, assim como declarou Sua Santidade Jesus Cristo, que Deus "faz cair chuva sobre os justos e os injustos"; quer isso dizer, a misericórdia de Deus é universal. Toda a humanidade se acha sob a proteção de Seu amor e mercê, e a todos Ele aponta o caminho do progresso.

Há duas espécies de progresso, o progresso material e o espiritual. O primeiro é atingido através da observação da existência em nosso redor e constitui a base da civilização. O progresso espiritual depende dos sopros do Espírito Santo, e é o despertar da alma consciente do homem para perceber a Realidade da Divindade. O progresso material assegura a felicidade do mundo humano. O progresso espiritual assegura a felicidade e a eterna continuação da alma. Os Profetas de Deus fundam as leis da civilização divina. São a raiz e a origem fundamental de todo o conhecimento. Deles derivam os princípios da fraternidade humana. As várias formas de fraternidade que existem, como a de família, a de raça, a de nação e a de associação por motivos éticos, são apenas provisórias, passageiras. Essas formas de fraternidade não garantem a harmonia mas, ao contrário, motivam muitas vezes a dissensão; não impedem a guerra e a contenda; pelo contrário, são egoístas, restritas, e causas frutíferas de inimizade e ódio entre os seres humanos. A fraternidade espiritual incentivada e estabelecida pelos sopros do Espírito Santo, une as nações e remove a causa da guerra e contenda. Transforma a humanidade numa só grande família, e estabelece a base da unidade do gênero humano. Difunde o espírito da concórdia internacional, e assegura a Paz Universal. Portanto, devemos investigar a realidade básica desta fraternidade celestial. Devemos abandonar todas as imitações e promover a realidade dos ensinamentos divinos. Segundo estes princípios e atos, e com a ajuda do Espírito Santo, há de se realizar tanto a felicidade espiritual como a material. Só quando todos os povos estiverem unidos pelos laços do Espírito Santo nesta verdadeira fraternidade, e os preconceitos, nacionais ou de qualquer espécie, forem apagados na realidade desta fraternidade espiritual, poderá o homem atingir o verdadeiro progresso, a prosperidade e a felicidade duradoura. Este é o século do nacionalismo novo, do nacionalismo universal. As ciências avançam, as indústrias progridem, a política passa por uma reforma, proclama-se a liberdade, a justiça desperta. Este é o século do movimento, de estímulo e realizações divinas, o século da solidariedade humana e do serviço altruístico, o século da Paz Universal e da realidade do Reino Divino.

XII. SOBRE O CRISTIANISMO
1. PROFECIAS RELATIVAS À VINDA DE CRISTO

177 - Na Bíblia há profecias sobre a vinda de Cristo. Os judeus ainda esperam a vinda do Messias e oram a Deus, dia e noite, para apressar Seu advento.

Quando Cristo veio, eles O denunciaram e mataram, dizendo: "Este não é Aquele a quem nós esperamos. Observai! Quando o Messias vier, sinais e prodígios testificarão que em verdade, Ele é o Cristo. Conhecemos os sinais e as condições, e eles não apareceram. O Messias procederá de uma cidade desconhecida. Sentar-se-á no trono de Davi, e vede, Ele virá com uma espada de aço, e com um cetro de ferro Ele reinará! Cumprirá a lei dos Profetas, conquistará o Leste e o Oeste e glorificará o Seu povo eleito, os judeus. Estabelecerá um reinado de paz, durante o qual até os animais deixarão de ser inimigos do homem. Vede! Pois o lobo e o cordeiro beberão da mesma fonte, o leão e a corça deitar-se-ão no mesmo pasto, a serpente e o rato partilharão do mesmo ninho, e todas as criaturas de Deus repousarão."

Segundo os judeus, Jesus, o Cristo, não preencheu nenhuma dessas condições, porque seus olhos estavam fechados e eles não podiam ver.

Ele veio de Nazaré, um lugar não desconhecido. Não carregou nenhuma espada em Sua mão, nem mesmo uma vara. Não se sentou no trono de Davi; foi um homem pobre. Reformou a Lei de Moisés e não observou o Sábado. Não conquistou o Leste e o Oeste, mas sim, sujeitou-se à Lei Romana. Não exaltou os judeus; ao contrário, ensinou igualdade e fraternidade e repreendeu os escribas e os fariseus. Não inaugurou nenhum reinado de paz, pois durante Sua vida a injustiça e a crueldade chegaram a tal extremo que Ele Próprio foi vitimado e sofreu morte ignominiosa sobre a cruz.

Assim os judeus pensavam e falavam, pois não entendiam as Escrituras nem as gloriosas verdades nelas contidas. A letra eles sabiam de cor, mas do espírito vivificante nada compreenderam.

Escutai, e eu vos explicarei o significado disso. Embora tivesse vindo de Nazaré, que era um lugar conhecido, Ele veio também do Céu. Seu corpo nasceu de Maria, mas Seu Espírito veio do Céu. A espada que ele carregava era a espada da Sua língua, com a qual separou o bom do mau, o verdadeiro do falso, o fiel do infiel e a luz da treva. Sua Palavra era realmente uma espada afiada! O trono no qual Cristo se sentou é o Trono Eterno de onde Ele reina para sempre, um trono celestial, não terreno, pois as coisas da terra passam, mas as coisas celestiais não passam. Ele reinterpretou e completou a Lei de Moisés e cumpriu a Lei dos Profetas. Sua palavra conquistou o Leste e o Oeste. Seu Reino é eterno. Ele exaltou aqueles judeus que O reconheceram. Eram homens e mulheres de nascimento humilde, mas o contato com Ele os fez grandes e deu-lhes dignidade perpétua. Os animais que haviam de viver reunidos significavam as diferentes seitas e raças que, outrora em estado de guerra, agora conviveriam em amor e caridade, bebendo conjuntamente a água da vida da Fonte Eterna -- Cristo.

Assim, todas as profecias espirituais relativas à vinda de Cristo foram cumpridas; mas os judeus fecharam os olhos a fim de que não vissem e os ouvidos para que não escutassem, e a Realidade Divina de Cristo passou por entre eles despercebida, não amada e não reconhecida.

É fácil ler as Escrituras Sagradas, mas, somente com o coração limpo e a alma pura, é que se pode compreender seu verdadeiro significado. Peçamos a Deus ajuda para nos capacitar a entender os Livros Sagrados. Imploremos olhos para vermos, ouvidos para ouvirmos e corações que anseiem pela paz.

XIV. O HOMEM
1. AS DUAS NATUREZAS NO HOMEM

178 - No homem há duas naturezas: a superior, ou espiritual, e a inferior, ou material. Em uma, ele se aproxima de Deus, na outra, vive somente para o mundo. Sinais de ambas as naturezas encontram-se nos homens. No aspecto material, ele manifesta falsidade, crueldade e injustiça; tudo isto é efeito de sua natureza inferior. Os atributos de sua natureza Divina são expressos em amor, misericórdia, bondade, verdade e justiça, os quais são todos manifestações de sua natureza superior. Todos os bons costumes, todas as qualidades nobres, pertencem à natureza espiritual do homem, enquanto que todas as suas imperfeições e ações pecaminosas nascem de sua natureza material. Quando a natureza Divina do homem domina sua natureza material, temos um santo.

O homem tem o poder de fazer tanto o bem quanto o mal; se seu poder para o bem predomina e suas inclinações para fazer o mal são vencidas, então o homem, na verdade, pode ser chamado de santo. Mas se, ao contrário, rejeita as coisas de Deus e permite que suas paixões maléficas o dominem, então ele não é melhor do que um simples animal.

Santos são os homens que têm libertado do mundo da matéria e que têm sobrepujado o pecado. Vivem no mundo, mas não lhe pertencem, estando seus pensamentos sempre no plano do espírito. Suas vidas são passadas em santidade e seus atos produzem amor, justiça e piedade. Eles são iluminados do alto; são quais lâmpadas brilhantes e reluzentes nos lugares escuros da terra. Esses são os santos de Deus. Os apóstolos, que foram os discípulos de Jesus Cristo, eram exatamente como os outros homens; eles, como seus companheiros, eram atraídos pelas coisas do mundo e cada qual pensava apenas em seu próprio interesse. Pouco conheciam da justiça, nem as perfeições divinas eram encontradas no seu meio. Mas, quando seguiram Cristo e n'Ele acreditaram, sua ignorância deu lugar à compreensão, a crueldade foi transformada em justiça, a falsidade, em verdade e a treva, em luz. Tinham sido do mundo; tornaram-se espirituais e divinos. Tinham sido filhos da escuridão; tornaram-se filhos de Deus, tornaram-se santos! Diligenciai, portanto, em seguir os seus passos, deixando para trás todas as coisas do mundo e lutando para alcançar o Reino Espiritual.

Rogai a Deus para que vos fortaleça na virtude divina, a fim de que sejais como anjos no mundo e fachos de luz descobrindo os mistérios do Reino àqueles compreensivos de coração.

Deus enviou Seus Profetas ao mundo para ensinarem e iluminarem o homem, para lhe explicarem o mistério do Poder do Espírito Santo, para habilitarem-se a refletir a luz e, por sua vez, ser a fonte de orientação ao próximo.

Os Livros Celestiais -- a Bíblia, o Alcorão e os demais Escritos Sagrados, foram concedidos por Deus como guias nas sendas da virtude Divina, do amor, da justiça e da paz.

Conseqüentemente, eu vos digo que vos esforceis para seguirdes os conselhos desses Livros Abençoados e de tal modo ordenardes vossas vidas, que possais, seguindo os exemplos que vos foram demonstrados, tornar-vos vós próprios, os santos do Altíssimo

2. O PODER DO ESPÍRITO SANTO

179 - No ensinamento de Bahá'u'lláh está escrito: "Somente o Poder do Espírito Santo torna o homem capaz de progredir, pois o poder do homem é limitado e o Poder Divino é infinito". O estudo da história nos faz concluir que todos os homens verdadeiramente grandes, os benfeitores da raça humana, aqueles que impeliram o homem a amar o direito e odiar o errado e que ocasionaram real progresso têm sido, todos eles, inspirados pela força do Espírito Santo.

Os Profetas de Deus não foram todos graduados nas escolas da filosofia erudita; eram realmente, na maioria, homens de nascimento humilde, aparentemente incultos, desconhecidos, sem nenhuma importância aos olhos do mundo; algumas vezes faltava-lhes até o conhecimento da leitura e da escrita.

O que ergueu esses grandes Seres acima dos demais homens, e diante o qual foram capazes de se tornarem Instrutores da verdade, foi o Poder do Espírito Santo. Sua influência sobre a humanidade, em virtude dessa poderosa inspiração, foi grande e penetrante.

A influência dos filósofos mais sábios, sem esse Espírito Divino, tem sido relativamente insignificante, embora extensiva sua cultura e profunda sua erudição.

Os intelectos incomuns, por exemplo, de Platão, Aristóteles, Plínio e Sócrates, não influenciaram os homens tão intensamente que almejassem sacrificar a vida pelos ensinamentos deles; ao passo que alguns daqueles homens simples tanto comoveram a humanidade que milhares de pessoas se tornaram mártires voluntários em defesa de suas palavras; pois essas palavras foram inspiradas pelo Espírito de Deus! Os profetas de Judá e Israel -- Elias, Jeremias, Isaías e Ezequiel -- foram homens humildes e assim também os apóstolos de Jesus Cristo.

Pedro, o chefe dos apóstolos, costumava dividir o produto de sua pesca em sete partes e quando, havendo retirado uma porção para uso de cada dia, chegava à sétima parte, sabia que era o dia do Sábado. Considerai isto!, e então pensai em sua futura posição; que glória atingiu, porque o Espírito Santo operou grandes obras através dele.

Compreendemos que o Espírito Santo é o fator energético na vida do homem. Quem quer que receba este poder é capacitado para influenciar todos aqueles com os quais entra em contato.

Os maiores filósofos, sem este Espírito, são impotentes, suas almas inanimadas, seus corações mortos! A não ser que o Espírito Santo sopre em suas almas, não podem operar boa obra. Nenhum sistema de filosofia tem sido capaz de mudar para melhorar as maneiras e costumes de um povo. Filósofos eruditos, não iluminados pelo Espírito Divino, freqüentemente têm sido homens de moralidade inferior; não têm proclamado em suas ações a realidade de suas belas frases.

A diferença entre os filósofos espirituais e os demais é demonstrada por suas vidas. O Instrutor Espiritual prova Sua crença em Seu próprio ensinamento, sendo Ele próprio o que recomenda aos outros.

Um humilde, sem instrução, mas cheio do Espírito Santo, é mais poderoso do que o homem de profunda erudição e da mais nobre origem, sem essa inspiração. Aquele que é educado pelo Espírito Divino pode conduzir os outros, em seu tempo, a receberem o mesmo Espírito.

Peço que cada um de vós se instrua pela força do Espírito Divino,a fim de ser o meio de educar o próximo. A vida e a moral de um homem espiritual são, em si mesmas, um ensinamento àqueles que o conhecem.

Não penseis em vossas próprias limitações, atentai unicamente o benefício que vem do Reino da Glória. Considerai a influência de Jesus Cristo sobre Seus apóstolos e refleti, pois, no efeito que eles tiveram sobre o mundo. Esses homens simples foram capacitados, pelo poder do Espírito Santo, a propagar as boas novas!

Assim, possais todos vós receber a assistência Divina! Nenhuma capacidade é limitada quando o Espírito de Deus a guia.

A terra por si só não apresenta qualidades próprias de vida; é árida e seca, até que seja fertilizada pelo sol e pela chuva; todavia, a terra não necessita lamentar suas próprias limitações.

Que vos seja dada vida! Que a chuva da Misericórdia Divina e o calor do Sol da Verdade fertilizem vossos jardins, para que inúmeras flores de rara fragrância e amor cresçam em abundância. Afastai vossas faces da contemplação de vossas próprias personalidades finitas e fixai vossos olhos sobre o Resplendor Eterno; então, vossas almas receberão, na medida plena, o Poder Divino do Espírito e as Bênçãos da Generosidade Infinita.

Se assim vos mantiverdes preparados, transformar-vos-eis numa flama ardente para o mundo da humanidade, numa estrela guia e numa árvore frutífera, convertendo toda a escuridão e angústia em luz e felicidade através do fulgor do Sol da Misericórdia e das bênçãos infinitas das Boas Novas.

Este é o significado do poder do Espírito Santo, o qual peço seja derramado profusamente sobre vós.

3. SOFRIMENTO E TRISTEZA

180 - Neste mundo somos influenciados por dois sentimentos: Felicidade e Tristeza.

A felicidade nos dá asas! Nos tempos de felicidade nossa energia é mais vital, nosso intelecto mais lúcido e nossa compreensão menos obscurecida. Parecemos mais capazes de enfrentar o mundo e de encontrar nossa esfera de utilidade. Mas, quando a tristeza nos visita, ficamos fracos, nossa força nos abandona, nossa compreensão é vaga e nossa inteligência embaraçada. As realidades da vida parecem burlar nossa percepção, os olhos dos nossos espíritos deixam de descobrir os mistérios sagrados e nos tornamos mesmo como seres mortos.

Nenhum ser humano é insensível a essas duas influências; mas toda a aflição e toda a tristeza existentes provêm do mundo da matéria -- o mundo espiritual concede sempre a felicidade.

Se sofremos, isso é o resultado das coisas materiais, e todas as provações e perturbações vêm deste mundo de ilusão.

Por exemplo, um comerciante pode perder seu negócio e sobrevém a depressão; um trabalhador é despedido e terá que defrontar com a fome; um fazendeiro faz má colheita e a angústia enche seus pensamentos; a casa de um homem é devorada por um incêndio e imediatamente fica ele sem teto, arruinado e em desespero.

Todos estes exemplos servem para vos mostrar que as provações que perseguem todos os nossos passos, que toda a nossa aflição, sofrimento, vergonha e dor, nascem do mundo da matéria; enquanto que o Reino espiritual nunca gera tristeza. Um homem vivendo com seus pensamentos nesse Reino conhece felicidade perpétua. Não escapa aos males aos quais todo ser humano está sujeito, mas eles tocam apenas a superfície de sua vida; as profundezas são calmas e serenas.

Hoje a humanidade está oprimida pela tribulação, pela tristeza e pela dor, ninguém escapa; o mundo está encharcado de lágrimas; mas, graças a Deus, o remédio está às nossas portas. Afastemos nossos corações do mundo da matéria e vivamos no mundo espiritual! Somente isso nos pode dar liberdade! Se estamos cercados de dificuldades, temos apenas de recorrer a Deus e por Sua grande Misericórdia seremos socorridos.

Se a aflição e a adversidade nos visitarem, volvamos nossas faces para o Reino e a consolação celestial será abundante.

Se estivermos doentes e aflitos, imploremos a cura a Deus e Ele responderá à nossa prece.

Quando nossos pensamentos estiverem cheios das amarguras deste mundo, volvamos nossos olhos para a doçura da compaixão de Deus e Ele nos enviará a calma celestial! Se estivermos presos ao mundo da matéria, nosso espírito pode elevar-se aos Céus e seremos, em verdade, livres!

Quando nossos dias estiverem se aproximando de seu fim, pensemos nos mundos eternos e ficaremos cheios de felicidade!

Vedes em torno de vós provas da insuficiência das coisas materiais -- vedes que a felicidade, o conforto, a paz e a consolação não são encontrados nas coisas transitórias do mundo. Não é então insensatez recusar a busca desses tesouros onde podem ser encontrados? As portas do Reino espiritual estão abertas a todos, e fora, a escuridão é absoluta.

Graças a Deus que nesta assembléia vós tendes esse conhecimento, pois em todas as tristezas da vida podeis obter suprema consolação. Se vossos dias na terra estão contados, sabeis que a vida eterna vos espera. Se a ansiedade material vos envolve numa nuvem escura, o fulgor espiritual ilumina vosso caminho. Verdadeiramente, aqueles cujos pensamentos são iluminados pelo Espírito do Altíssimo têm a consolação suprema.

Eu próprio estive encarcerado quarenta anos -- um ano apenas teria sido impossível suportar, pois ninguém sobreviveu naquela prisão mais do que isto! Mas -- agradeço a Deus -- durante todos esses quarenta anos, eu fui supremamente feliz! Todos os dias, ao despertar, era como se estivesse ouvindo boas novas, e todas as noites tinha um infinito júbilo. A espiritualidade era o meu conforto e voltar-me para Deus era o meu maior contentamento. Se assim não tivesse sido, imaginais admissível que eu pudesse ter vivido durante aqueles quarenta anos na prisão?

Assim, a espiritualidade é a maior dádiva de Deus e "Vida Eterna" significa "Volta a Deus". Oxalá vós todos aumenteis dia a dia, em espiritualidade, sejais fortalecidos em toda a bondade, ajudados cada vez mais pela consolação Divina, tornados livres pelo Espírito Santo de Deus, e o poder do Reino Celestial viva e atue entre vós.

Este é o meu mais ardente desejo e rogo a Deus que vos conceda este favor.

XV. ALGUNS ENSINAMENTOS ÉTICOS E SOCIAIS

1. - PRIMEIRO DISCURSO PÚBLICO DE ´ABDU´L-BAHÁ NO OCIDENTE

181 - Ó nobres amigos, vós que buscais a Deus!

Louvado seja Deus! Hoje a luz da Verdade brilha sobre o mundo em sua plenitude; as brisas do jardim celestial sopram por todas as regiões; em todas as terras o chamado do Reino se faz ouvir, e todo coração fiel sente os sopros do Espírito Santo. O Espírito de Deus está concedendo vida eterna. Nesta era maravilhosa, o Oriente se esclarece, o Ocidente está fragrante, e em toda parte a alma aspira o sagrado perfume. O mar da unidade do gênero humano encapela suas ondas de alegria, pois há verdadeira comunicação entre os corações e as mentes dos homens. Ergue-se a bandeira do Espírito Santo, podendo os seres humanos vê-la e se certificar de ser este um dia novo.

É um novo ciclo do poder humano. Todos os horizontes do mundo estão luminosos, e o mundo se há de tornar um verdadeiro jardim, um paraíso. É a hora da unificação dos filhos dos homens, da reconciliação entre todas as raças e todas as classes. Estais libertos das superstições antiquadas que faziam os homens permanecerem ignorantes e destruíam as bases da verdadeira humanidade.

A dádiva de Deus a esta era esclarecida é o conhecimento da unidade do gênero humano e da unidade básica da religião. A guerra há de cessar entre as nações e, pela vontade de Deus, a Maior Paz virá, o mundo se mostrará como um mundo novo, e todos os homens viverão como irmãos.

Nos tempos antigos, o instinto de guerrear desenvolveu-se na luta com animais selvagens, o que já se tornou desnecessário. Agora, a cooperação e o entendimento mútuo demonstraram que contribuem para o maior bem-estar da humanidade. A inimizade agora é apenas o resultado do preconceito.

Em "Palavras Ocultas", Bahá´u´lláh diz: "A justiça deve ser amada acima de tudo". Louvado seja Deus, nesse país se ergueu o estandarte da justiça, e um grande esforço está sendo feito para que todas as almas tenham seu lugar justo e eqüitativo. Este é o desejo de todas as naturezas nobres e é, hoje, o ensinamento para o Oriente e o Ocidente, os quais, assim, virão a compreender-se e respeitar-se mutuamente, abraçando-se como amigos que se encontram após longa separação.

Há um só Deus, a humanidade é uma só; os fundamentos da religião são apenas um. Adoremos a esse Deus único, dando-Lhe louvor por todos os Seus grandes Profetas e Mensageiros que têm manifestado Seu esplendor e Sua glória.

Estejam convosco as bênçãos do Eterno em toda Sua plenitude, para que toda alma, segundo sua medida, Dele possa receber livremente. Amém.

2. - O MUNDO ESTÁ ENFERMO

182 - Ó vós amigos de Deus! O mundo assemelha-se ao corpo humano, e está doente, débil e enfermo. Os olhos carecem de vista, os ouvidos de audição; suas faculdades se esvaíram completamente. Os amigos de Deus devem-se tornar médicos sábios, tratando e curando essa pessoa enferma de acordo com os ensinamentos divinos, a fim de que - queira Deus - ela possa talvez recuperar a saúde e encontrar a cura eterna, sendo-lhe restituídos os poderes que perdeu. Assim poderá essa pessoa, o mundo, obter saúde, vigor e pureza, e manifestar a maior formosura e graça.

O primeiro remédio a ser aplicado é a orientação dos homens, de modo que se possam dirigir a Deus, escutar os mandamentos divinos, e avançar com ouvidos que ouçam, e olhos que vejam. Após se haver aplicado esse remédio rápido e certo, então, segundo os ensinamentos divinos, devem eles ser treinados na moral da Assembléia Suprema, a esta conformando seus atos e procedimentos; e devem ser animados e inspirados com as graças do Reino de Abhá. Urge purificar os corações e livrá-los de todo vestígio de ódio e rancor, de modo que mostrem veracidade, conciliação, retidão e amor para com todo ser humano, e Oriente e Ocidente se abracem como dois afetuosos amigos, fazendo assim desaparecerem do mundo humano a inimizade e a animosidade e se estabelecer em seu lugar a paz universal!

Ó vós amigos de Deus! Sede bondosos para com todos os povos e nações, senti amor por todos eles, esforçai-vos o mais possível a fim de purificar os corações e trazer felicidade às almas. Sede vós assim como uma chuva suave para todo prado, uma água de vida para cada árvore. Sede como almíscar fragrante para cada narina e uma brisa ressuscitadora para todo enfermo. Sede como água salutar para o sequioso, e um guia sábio para o desorientado, um pai ou mãe afetuosa para o órfão e, com a maior alegria e fragrância, um filho ou uma filha para aquele curvado de velhice. Sede um valioso tesouro para o indigente; considerai o amor e a união como um paraíso deleitável, e a desavença e a hostilidade como o tormento do fogo infernal. Esforçai-vos de toda a alma; não procureis descanso corporal; suplicai e pedi de coração, e buscai o auxílio e favor divinos, a fim de que possais fazer deste mundo o Paraíso de Abhá, e deste globo terrestre a arena do Reino Supremo. Se fizerdes um esforço, essas luzes certamente haverão de brilhar, essa nuvem de misericórdia emitirá chuva; soprará essa brisa restauradora da alma, e o perfume desse fragrante almíscar será difundido.

3. - DISSIPAI ESSAS TREVAS
183 - Ó povos do mundo!

O alvorecer do Sol da Realidade é seguramente para a iluminação do mundo e a manifestação da misericórdia. Entre os membros da família de Adão, os frutos são louváveis e todas as sagradas graças são concedidas com abundância. É absoluta mercê e uma graça completa, a iluminação do mundo, amizade e harmonia, amor e união; ainda mais, é misericórdia e unidade, a eliminação da discórdia e a unificação de todos os habitantes da terra na maior liberdade e dignidade. Disse a Abençoada Beleza (Bahá´u´lláh): "Todos são os frutos de uma só árvore, as folhas do mesmo ramo". Ele assemelhou o mundo existente a uma árvore, sendo todas as almas como folhas, flores e frutos, todos os quais devem manifestar o máximo frescor, delicadeza e doçura, e isso depende da união e amizade. Eles devem, pois, ajudar uns aos outros com todas as suas forças e procurar a vida eterna. Assim os amigos de Deus devem manifestar a misericórdia do Senhor Compassivo no mundo existente e mostrar a graça do Rei visível e invisível. Devem purificar a vista e ver os seres humanos como as folhas, as flores e os frutos da árvore da criação, e devem pensar sempre em fazer bem a alguma pessoa, em mostrar amor, consideração e carinho e ajudar a alguém. Não devem ver inimigo algum, nem julgar qualquer pessoa um malévolo. Devem considerar toda pessoa na terra seu amigo, todo homem estranho como se o conhecessem intimamente, e todo estrangeiro como se fosse um companheiro. Não devem ser restritos por qualquer laço mas sim, completamente desprendidos. Neste dia, o favorecido no Limiar da Grandeza é aquele que oferece a taça da fidelidade e concede a pérola da generosidade ao inimigo, até ao opressor caído; aquele que dá a mão para assistir ao semelhante e que vê em cada inimigo violento um amigo afetuoso.

São estes os mandamentos da Abençoada Beleza; são estes os conselhos do Maior Nome. Ó vós, queridos amigos! O mundo ocupa-se com guerra e luta, e a humanidade está no maior perigo e conflito. A escuridão da infidelidade já amortalhou o mundo, ocultando a iluminação da fidelidade. Todas as nações e raças do mundo lutam e guerream ferozmente umas contra outras. É demolida a estrutura do homem. Milhares de famílias vagueiam, desconsoladas. Milhares de almas, todo ano, se maculam de sangue e de pó na arena da batalha e contenda; derribou-se a tenda da felicidade, a tenda vida. Os homens eminentes tornam-se comandantes, jactam-se da carnificina, e gloriam-se da destruição. Diz um: "Com a espada cortei a nuca de uma nação", e outros: "Arrasei um reino, baixando-o ao pó" e ainda outro: "Abati o fundamento de um governo". Eis o pivô em torno do qual resolvem o orgulho e a glória do homem. Em todas as regiões se desprezam a amizade e a retidão, e rejeitam a reconciliação e o amor à verdade. A Religião da Abençoada Beleza é o arauto da paz, da reforma, do amor e da reconciliação, que se estabeleceu no ápice do mundo e proclamou sua mensagem aos povos.

Assim, pois, ó vós, amigos de Deus! Apreciai o valor desta preciosa Revelação, agi de acordo com suas ordenanças, segui na senda reta, no caminho certo. Mostrai-a aos povos. Erguei a melodia do Reino e difundi largamente os ensinamentos do Senhor amoroso, a fim de que o mundo se torne outro mundo, a terra escurecida se ilumine e o corpo inanimado do homem obtenha nova vida. Toda alma pode buscar vida eterna através dos sopros do Misericordioso. A vida neste mundo mortal chega rapidamente ao seu fim, e esta glória terrena, a riqueza, o conforto e a felicidade pertencentes ao mundo muito breve se desvanecerão e deixarão de existir. Convocai os povos a Deus e chamai as almas à conduta própria da Assembléia Suprema. Para os órfãos, sede pais bondosos; para os desafortunados, um refúgio e amparo. Para os pobres, sede um tesouro de riqueza; e para os enfermos, um remédio, uma cura. Ajudai a todo ser opresso, protegei a todo desamparado; lembrai-vos constantemente de servir a todas as criaturas humanas. Não ligueis importância à ambição, ao desprezo, à arrogância, opressão e inimizade. Não deveis admitir tais qualidades, mas sim, agir de modo contrário. Sede bondosos em verdade e não só aparente ou exteriormente. Cada um dos amigos de Deus deve concentrar seus pensamentos nisto, para que possa manifestar a misericórdia de Deus e a generosidade Daquele que perdoa. Ele deve fazer bem a todas as almas com quem se encontra e lhes prestar benefício, tornando-se causa de elevar a moral e corrigir os pensamentos, de modo que a luz esclarecedora possa irradiar e a graça de Sua Santidade, o Misericordioso, envolver a todos. O amor é luz em qualquer casa em que brilhe, enquanto inimizade é treva, onde quer que esteja.

Ó amigos de Deus! Esforçai-vos para que essa escuridão se desvaneça completamente, o Mistério Oculto seja revelado, e a realidade das coisas se torne evidente e manifesta.

4. - Ó EXÉRCITO DA VIDA!

184 - Ó Exército da Vida! Oriente e Ocidente se unem em adoração às estrelas cujo esplendor se esvaeceu, e se volvem em prece para horizontes escurecidos. Ambos têm descuidado totalmente da ampla base das sagradas leis de Deus, e desatendido os méritos e as virtudes de Sua religião. Vieram a considerar certos costumes e convenções como o fundamento da Fé Divina, nestes se estabelecendo firmemente. Imaginam que tenham atingido um glorioso pináculo de êxito e prosperidade, quando realmente se baixaram às ínfimas profundezas da negligência e se privaram inteiramente das generosas dádivas de Deus.

A pedra angular da religião de Deus é a aquisição das virtudes divinas e a participação em Suas múltiplas graças. O fim essencial da fé é o enobrecimento do ser interior do homem com as emanações de graça do alto. Se isso não for atingido, será, em verdade, uma privação - privação esta que é o verdadeiro fogo eterno.

Incumbe, pois, a todos os bahá´ís ponderarem no coração esse assunto delicado e vital, para que não se contentem com o clamor e a vacuidade da doutrina religiosa, do mesmo modo das outras religiões. Não, antes, devem exemplificar em todo aspecto da vida os atributos e as virtudes que nascem de Deus, distinguindo-se pela sua conduta bondosa. Pelos atos e não pelo nome, devem justificar sua pretensão de ser bahá´ís.

É um verdadeiro bahá´í aquele que se esforça dia e noite a fim de progredir e avançar no caminho das realizações humanas, aquele cujo desejo mais fervoroso é viver e agir de tal maneira que enriqueça e ilumine o mundo; cuja fonte de inspiração é a Essência da virtude divina, e cujo objetivo na vida é de tal modo se comportar que seja causa de infinito progresso. Só quando atinge essas graças perfeitas, pode-se dizer dele que é bahá´í.

Nesta sagrada era, glória culminante de épocas e ciclos passados - fé não consiste apenas em reconhecer a Unidade Divinas, mas sim, em ter uma vida que manifeste as virtudes e perfeições nas quais tal crença implica.

Sua Santidade, o Excelso - que Lhe seja oferecida em holocausto minha vida - já nos mostrou o modo de se comportar, já nos guiou à senda da abnegação, ensinando-nos a desprezar o repouso terreno e sacrificar nossa vida pelos outros. Aquele sagrado Ser, a despeito de Sua elevada posição, e Seu Espírito sublime, escolheu correntes e prisão a fim de que nós pudéssemos obter a iluminação divina. Durante todos os dias de Sua vida, nem por um momento descansou. Não procurava tranqüilidade nem deitava a cabeça no leito do conforto e segurança. Passou Seus dias cercado de aflições e sofrimentos. Como podemos nós segui-Lo e ainda permanecer tranqüilos e inativos?

Ó meus amigos, levantai-vos a fim de cultivardes as sementes puras espalhadas largamente nos corações dos homens. Dedicai-vos inteiramente ao serviço da humanidade. Assim o mundo se tornará um paraíso; assim a superfície da terra há de espelhar a glória do Reino de Abhá. Se falhardes nisto, grande será vossa privação e lastimável vossa perda.

Ó servo da verdade, desejas tu alcançar a soberania da terra e do céu? Não busques senão o verdadeiro serviço no limiar da Beleza de Abhá. Queres tu ganhar a benção da liberdade neste mundo e no vindouro? Não desejes senão a submissão à Sua Santa Vontade. Aspiras tu a descobrir o verdadeiro caminho que leve a Deus? Segue a senda do Seu Convênio. Desejas tu contemplar a luz do esplendor eterno? Fixa teu olhar em Sua abundante graça concedida do Reino de Abhá.

5. HARMONIA NA DIVERSIDADE
185 - O Criador de tudo é o Deus Único.

Deste mesmo Deus, toda a criação originou-se, e Ele é a única meta para onde se dirigem as aspirações de toda a natureza. Esta concepção foi corporificada nas palavras de Cristo, quando Ele disse: "Eu sou o Alfa e o Omega, o princípio e o fim." O homem é a soma da Criação e o Homem Perfeito é a expressão do pensamento integral do Criador -- a Palavra de Deus.

Considerai o mundo dos seres criados: quão variados e diferentes são em espécie, embora sejam de uma só origem. Todas as diferenças que apresentam são de cor e forma exteriores. Essa diversidade de tipos é evidente em toda a natureza.

Contemplai um lindo jardim cheio de flores, arbustos e árvores. Cada flor tem um encanto diferente, uma beleza peculiar, sua linda cor e delicioso perfume próprio. Igualmente as árvores, quão variadas são em tamanho, em crescimento, em folhagem e que diferentes frutos produzem! Contudo, todas as flores, arbustos e árvores brotam da mesmíssima terra, o mesmo sol brilha sobre eles e as mesmas nuvens lhes dão chuva.

Assim é com a humanidade. É composta de diversas raças, e seus povos são de cor diferente -- brancos, pretos, amarelos, pardos e vermelhos -- , mas todos eles provêm do mesmo Deus e todos são Seus servos. Esta diversidade entre os filhos dos homens não tem, infelizmente, o mesmo efeito que entre o reino vegetal, onde as características são mais harmoniosas. Entre os homens existe múltipla animosidade, e isto é o que origina a guerra e o ódio entre as diversas nações do globo.

Diferenças unicamente de sangue também fazem com que se destruam e matem uns aos outros. Ah! que isto ainda deva ser assim! Observemos preferencialmente a variação da beleza, a beleza da harmonia, e aprendamos uma lição do reino vegetal. Se contemplásseis um jardim cujas plantas fossem da mesma forma, cor e perfume, absolutamente não vos pareceria belo, mas, ao contrário, monótono e tedioso. O jardim que é agradável à vista e que alegra o coração é aquele onde estão crescendo, lado a lado, flores de todos os matizes, formas e perfumes, e o alegre contraste da cor é que produz encanto e beleza. Assim é com as árvores. Um pomar repleto de árvores frutíferas é uma delícia; assim é uma plantação com muitas espécies de arbustos. É precisamente a diversidade e a variedade que constituem seu encanto; cada flor, cada árvore, cada fruta, além de sua beleza própria, ressalta, pelo contraste, as qualidades das demais e mostra apropriadamente a graça especial de cada uma delas.

Assim deveria ser entre os filhos dos homens! A variedade na família humana deveria ser a causa do amor e da harmonia, como na música, em que muitas notas diferentes se harmonizam na composição de um perfeito acordo. Se encontrardes pessoas de raça e cor diferentes das vossas, não vos encerreis em vosso invólucro de convencionalidade; ao contrário, sede alegres e mostrai-lhes bondade. Imaginai-as como diferentes rosas coloridas crescendo no belo jardim da humanidade, e regozijai-vos por estardes entre elas.

Do mesmo modo, quando encontrardes aqueles cujas opiniões difiram das vossas, não lhes vireis vossas faces. Todos estão procurando a verdade, e há muitos caminhos que conduzem a isso. A verdade tem muitos aspectos, mas permanece sempre e perpetuamente única.

Não permitais que a diferença de opinião, ou a diversidade de pensamento, vos separe dos vossos semelhantes ou seja a causa de disputa, ódio e conflito em vossos corações.

Ao contrário, buscai diligentemente a verdade e fazei de todos homens vossos amigos.

Todos os edifícios são feitos de muitas pedras diferentes, todavia existe mútua dependência entre elas, de tal maneira que, se uma for deslocada, o edifício inteiro sofrerá; se uma for defeituosa, a estrutura será imperfeita.

Bahá'u'lláh delineou o círculo da unidade; ele fez um plano para a união de todos os povos e para a reunião de todos sob a proteção da tenda da unidade universal. Esta é a obra da Generosidade Divina e todos nós devemos esforçar-nos, de corpo e alma, até que tenhamos a realidade da unidade no nosso meio e, assim trabalhando, a força nos será concedida. Abandonemos todo o pensamento egoístico e empenhemo-nos somente na obediência e submissão à Vontade de Deus. Somente deste modo tornar-nos-emos cidadãos do Reino de Deus e alcançaremos a vida eterna.

6. ALGUNS PRINCÍPIOS BAHÁ'ÍS

186 - A verdade pode ser comparada ao sol! O sol é o corpo luminoso que dispersa todas as sombras; do mesmo modo, a verdade dissipa as sombras de nossa imaginação. Assim como o sol vivifica os corpos dos homens, assim a verdade vivifica suas almas. A verdade é um sol que se levanta de diversos pontos do horizonte.

Algumas vezes o sol desponta do centro do horizonte; no verão, se levanta mais ao norte, e no inverno, mais ao sul -- mas é sempre o mesmíssimo sol, embora sejam diferentes os pontos de seu nascimento.

De maneira semelhante, a verdade é una, embora suas manifestações possam ser muito diferentes. Certos homens têm olhos e vêem. Esses amam o sol, não importa de que ponto do horizonte possa surgir; e quando o sol deixa o céu do inverno para aparecer no céu do verão, sabem como encontrá-lo novamente. Outros admiram somente o ponto do qual o sol se ergue e quando ele se eleva em sua glória de outro lugar, ficam na contemplação diante do nascente anterior. Ah!, estes homens são privados das bênçãos do sol. Aqueles que verdadeiramente estimam o próprio sol reconhecê-lo-ão, qualquer que seja o ponto em que nasça, e imediatamente volverão as faces na direção de seu resplendor:

Devemos amar o próprio sol e não simplesmente o lugar do seu aparecimento. Do mesmo modo, os homens de coração iluminado adoram a verdade em qualquer horizonte que surja. Não se apegam à personalidade, mas seguem a verdade e assim podem reconhecê-la, não importa de onde venha. É esta mesma verdade que ajuda a humanidade a progredir, que vivifica todas as criaturas, pois é a Árvore da Vida!

Em Seu ensinamento, Bahá'u'lláh nos faz a explanação da verdade e eu desejo falar-vos sucintamente a respeito disto, pois vejo que sois capazes de compreender.

I -- -- Primeiro princípio de Bahá'u'lláh:
Busca da Verdade

O homem deve libertar-se de todo o preconceito e do resultado de sua própria imaginação, a fim de ser capaz de buscar a verdade livremente. A verdade é una em todas as religiões e por seu intermédio pode ser realizada a unidade do mundo.

Todos os povos têm uma crença fundamental em comum. Sendo una, a verdade não pode ser dividida e as diferenças que se evidenciam entre as nações resultam apenas do seu apego ao preconceito. Se os homens procurassem somente a verdade, encontrar-se-iam unidos.

II -- -- Segundo princípio de Bahá'u'lláh:
A Unidade do Gênero Humano

O Deus todo-amoroso e único concede Sua divina Graça e Favor a todo o gênero humano; todos são servos do Altíssimo, e Sua Bondade, Misericórdia e amorosa Benevolência são dispensadas com profusão a todas as Suas criaturas. A glória da humanidade é herança de cada um.

Todos os homens são folhas e frutos de uma mesma árvore, são ramos da árvore de Adão; todos têm a mesma origem. A mesma chuva cai sobre todos, o mesmo calor do sol os faz crescer, a mesma brisa os refrigera. As únicas diferenças existentes que os mantêm separados são estas: há crianças necessitando de guia -- incultos, de instrução -- doentes, de assistência e cura; assim, eu digo que a totalidade do gênero humano é envolvida pela Misericórdia e Graça de Deus. Como os Escritos Sagrados nos afirmam: "Todos os homens são iguais diante de Deus. Ele não faz distinção de pessoas."

III -- -- Terceiro princípio de Bahá'u'lláh:
A Religião deve ser a causa do Amor e da Afeição

A religião deve unir todos os corações e fazer com que as guerras e disputas desapareçam da face da terra, dar origem à espiritualidade e trazer vida e luz a cada coração. Se a religião torna-se causa de aversão, ódio e divisão, melhor seria deixá-la, e tirar-se de tal religião constituiria ato verdadeiramente religioso. Pois é claro que o propósito de um remédio é curar; mas se o remédio agrava a doença, é melhor deixá-lo de lado. Qualquer religião que não seja fonte do amor e da unidade, não é verdadeira religião. Todos os santos profetas foram como médicos para a alma; deram prescrições para a cura da humanidade; assim qualquer remédio que cause doença não provém do grande e supremo Médico.

IV -- -- Quarto princípio de Bahá'u'lláh:
Unidade da Religião e da Ciência

Podemos imaginar a ciência como uma asa e a religião como a outra; um pássaro necessita de duas asas para voar, uma apenas seria inútil. Qualquer religião que conteste a ciência ou a ela se oponha é mera ignorância -- pois ignorância é o oposto do conhecimento.

A religião que consiste somente de ritos e cerimônias de preconceito não é verdadeira. Diligenciemos fervorosamente para sermos o elo de união entre a religião e a ciência.

Ali, genro de Maomé, disse: "O que está em conformidade com a ciência está também em conformidade com a religião". Tudo quanto a inteligência do homem não possa compreender, a religião não deve aceitar. A religião e a ciência andam de mãos dadas e qualquer religião contrária à ciência não é verdadeira.

V -- - Quinto princípio de Bahá'u'lláh:

Preconceitos de Religião, Raça ou Seita Destroem o Alicerce da Humanidade

Todas as divisões no mundo, ódio, guerra e derramamento de sangue têm origem num ou outro desses preconceitos.

O mundo inteiro deve ser considerado um único país, todas as nações como uma só nação, todos os homens como pertencentes a uma só raça. Religiões, raças e nações são apenas divisões feitas pelo homem, necessárias somente em seu pensamento; diante de Deus não há persas, nem árabes, nem franceses, nem ingleses; Deus é Deus para todos, e para Ele toda a criação é uma só. Devemos obedecer a Deus e esforça-nos em seguí-Lo, abandonando todos os nossos preconceitos e estabelecendo a paz sobre a terra.

VI -- - Sexto princípio de Bahá'u'lláh:

Igual Oportunidade para obter os meios de Existência

Todos os seres humanos têm direito de viver; têm direito ao descanso e certa parcela de bem-estar. Assim como um homem rico pode viver em seu palácio cercado de luxo e do maior de todos os confortos, assim um homem pobre deve ter as coisas necessárias à vida. Ninguém deve morrer de fome; todos devem ter as roupas suficientes; um homem não deve viver com excesso enquanto outro não tem meios possíveis de subsistência.

Procuremos, com toda a força que temos, criar condições mais felizes, para que nenhuma só alma seja desprovida.

VII -- - Sétimo princípio de Bahá'u'lláh:
A Igualdade dos Homens -- Igualdade Perante a Lei

A Lei deve reinar, não o indivíduo; assim o mundo transformar-se-á num lugar de beleza e uma verdadeira fraternidade se implantará. Havendo alcançado a solidariedade, os homens terão encontrado a verdade.

VIII -- Oitavo princípio de Bahá'u'lláh:
Paz Universal

Um Supremo Tribunal será eleito pelos povos e governos de todas as nações, no qual membros de cada país e governo se reunirão em unidade. Todas as disputas serão submetidas a esta Corte, cuja missão será evitar a guerra.

IX -- - Nono princípio de Bahá'u'lláh:

A Religião não deve Relacionar-se com Questões Políticas

A religião está interessada pelas coisas do espírito; a política, pelas coisas do mundo. A religião deve atuar na área do pensamento, enquanto o campo da política situa-se no mundo de condições exteriores.

É missão do clero educar as pessoas, instruí-las, dar-lhes bons conselhos e ensinamentos para que possam progredir espiritualmente. Nada tem o clero a ver com questões políticas.

X -- - Décimo princípio de Bahá'u'lláh:
Educação e Instrução das Mulheres

As mulheres têm direitos iguais aos dos homens na terra; na religião e na sociedade, são elas um elemento muito importante. Enquanto as mulheres forem impedidas de atingir suas mais altas possibilidades, os homens não estarão habilitados a alcançar o máximo da sua capacidade de grandeza.

XI -- - Décimo primeiro princípio de Bahá'u'lláh:

O Poder do Espírito Santo, meio único de Conseguir o Desenvolvimento Espiritual

Somente por meio do sopro do Espírito Santo é que o desenvolvimento espiritual pode ser efetivado. Não importa o progresso do mundo material, não importa o esplendor com que se adorne, nunca será algo senão um corpo sem vida, a não ser que possua alma, pois é a alma que anima o corpo; o corpo isoladamente não tem significação real. Desprovido das bênçãos do Espírito Santo, o corpo seria inerte.

Eis aqui explanados muito sucintamente, alguns dos princípios de Bahá'u'lláh.

Em resumo, cumpre a todos nós sermos amantes da verdade. Procuremo-la em todas as épocas e em todos os países, tendo cuidado para nunca nos prendermos a personalismos. Vejamos a luz onde quer que brilhe, e sejamos capazes de reconhecer a luz da verdade, não importa de onde surja. Inalemos o perfume da rosa entre os espinhos que a cercam; bebamos a água corrente de todas as fontes puras.

7. - SEGURANÇA COLETIVA

187 - A verdadeira civilização hasteará sua bandeira no próprio imo do mundo no dia em que certo número de eminentes soberanos, de intenções nobres - brilhantes exemplos de devoção e determinação - se levantarem, para o bem e a felicidade de todos os homens, e, firmes, resolutos e com visão clara, estabelecerem a causa da Paz Universal. Devem fazer desta Paz objeto de consulta universal e tentar por todos os meios ao seu alcance reunir os governos do mundo, numa conferência. Deverão concluir um tratado inviolável e estabelecer um convênio cujas cláusulas sejam sãs, bem definidas e claras. Tal convênio deve ser promulgado ao mundo e ratificado pela decisão unânime da humanidade inteira.

Tão grande e nobre empreendimento - verdadeira fonte de tranqüilidade para todos no mundo - deve ser consagrado por todos os habitantes da terra. Todas as nações e raças se devem envidar em garantir a estabilidade e permanência deste Convênio supremo. Nesse tratado universal, os limites e fronteiras de todas as nações seriam fixados definitivamente, os princípios que baseiam as relações entre governos seriam expostos expressamente, sendo averiguado com toda clareza qualquer convênio ou compromisso inter-governamental.

Do mesmo modo, os armamentos de cada governo devem ser estritamente limitados, pois se qualquer governo aumentar seus preparativos para guerra e suas forças armadas, isso incitará suspeitas nos outros governos. O princípio fundamental que baseia esse convênio solene seria de tal maneira determinado que, se um dos governos do mundo viesse mais tarde a violar alguma de suas cláusulas, os demais governos da terra se levantariam para reduzi-lo a absoluta submissão - sim, a humanidade inteira, com todo o poder a seu dispor, resolveria destruir esse governo. Se este, maior dos remédios, for aplicado ao corpo enfermo do mundo, a humanidade seguramente se livrará de seus males e haverá de permanecer sã e salva para sempre...

Algumas pessoas, ignorando de que é capaz o homem, se para tanto se esforça, acreditam ser esta realização impraticável, ou mesmo acima das capacidades humanas. Não é verdade, entretanto. Ao contrário, graças à infalível misericórdia do Senhor, à benevolência dos favorecidos de Deus, aos esforços extraordinários de almas sábias e capazes, e aos pensamentos e idéias dos nobres dirigentes de nossos tempos, nada, em absoluto, pode ser considerado inatingível. Somente, porém, com o máximo esforço e a mais firme determinação, se poderá realizar esse fim. Inúmeras coisas olhadas como meros sonhos e ficções da fantasia em épocas passadas, já se provaram hoje praticáveis e fáceis de realização. E uma causa, pois, tão grande e sublime como esta - a estrela d´alva no firmamento da verdadeira civilização, promovendo a glória, o progresso, o bem-estar e a prosperidade de todos os seres humanos - como pode tal causa ser considerada uma impossibilidade? Com toda a certeza, dia virá em que sua luz esplendorosa ilumine a assembléia dos homens.

8. O DEVER DE SE MOSTRAR BONDADE AO DESCONHECIDO

188 - Quando o homem volve sua face para Deus, encontra a luz do Sol em toda a parte; todos são seus irmãos. Não deveis permitir que o convencionalismo vos faça parecer frios e antipáticos a indivíduos estranhos de outros países. Evitai olhá-los sob a suspeita de malfeitores, ladrões e grosseiros. Julgais que é necessário muito cuidado a fim de que o relacionamento com tais pessoas, possivelmente indesejáveis, não seja perigoso.

Peço que o egoísmo não ocupe vosso pensamento. Sede bondosos com os estrangeiros, quer venham da Turquia, do Japão, da Pérsia, da Rússia, da China ou de qualquer outro país do mundo.

Ajudai-os a sentirem-se como em suas casas; procurai saber onde estão hospedados, perguntando se podeis auxiliá-los em alguma coisa; tentai tornar suas vidas um pouco mais felizes.

Assim, mesmo que aconteça ser verdade o que suspeitastes de início, procurai, não obstante, ser bondosos para com eles -- esta bondade ajudá-los-á a se tornarem melhores.

Afinal de contas, por que povos estrangeiros devem ser tratados como estranhos?

Deixai que aqueles que se encontrarem convosco saibam, sem proclamardes o fato, que sois realmente bahá'ís.

Praticai o Ensinamento de Bahá'u'lláh, o da benevolência a todas as nações. Que a demonstração de amizade unicamente com palavras não vos satisfaça; deixai vosso coração incendiar-se de afetuosa bondade por todos aqueles que cruzarem vosso caminho.

Ó vós, das nações ocidentais, sede bondosos para com aqueles que procedem do mundo oriental para permanecerem entre vós. Esquecei vosso formalismo na interlocução; não estão acostumados a isso. Às pessoas do Oriente esse comportamento parece frio, inamistoso. Mostrai-vos, antes, simpáticos. Deixai transparecer que estais plenos de amor universal.

Quando encontrardes um persa, ou qualquer outro estrangeiro, falai-lhe como a um amigo; se ele se mostrar solitário, tentai ajudá-lo, auxiliai-o prontamente; se estiver triste, consolai-o; se pobre, socorrei-o; se oprimido, defendei-o; se aflito, confortai-o. Assim fazendo, podeis manifestar que, não apenas com palavras, mas de fato e verdadeiramente, considerais todos os homens como vossos irmãos.

Que proveito há em concordar que é boa a amizade universal e em falar da solidariedade da raça humana como um grande ideal? A não ser que estes pensamentos sejam transportados para o plano de ação, eles são inúteis.

Continua a existir o erro no mundo, precisamente porque as pessoas falam somente de seus ideais e não se esforçam em pô-los em prática. Se as boas palavras fossem convertidas em ações, muito cedo a desgraça do mundo seria transformada em conforto.

O homem que faz um grande bem e não fala nele, está no caminho da perfeição.

Aquele que pratica uma pequena boa ação e a exagera em sua conversa, vale muito pouco.

Se vos amo, não necessito estar falando constantemente do meu amor -- conhecê-lo-eis sem quaisquer palavras. Por outro lado, se não vos amo, isso também sabereis -- e não me acreditareis quando eu vos repetir, em mil palavras, que eu vos amo.

As pessoas fazem muitas afirmações de bondade, multiplicando lindas palavras, porque desejam ser consideradas as maiores e as melhores entre as demais, buscando fama aos olhos do mundo. Aqueles que fazem o maior bem usam pouquíssimas palavras concernentes às suas ações.

Os filhos de Deus executam suas obras sem ostentação, obedecendo às Suas leis.

Minha esperança é que estejais sempre livres da tirania e da opressão; que vosso trabalho seja incessante até que a justiça reine em toda a terra; que guardeis pureza em vossos corações e que vossas mãos estejam livres de iniqüidade.

Isto é o que o próximo acesso a Deus exige de vós e é o que de vós espero.

9. BONDADE COM OS ANIMAIS

189 - Ó vós amados do Senhor! O Reino de Deus tem por alicerce a eqüidade e a justiça, bem como a misericórdia, a compaixão e a bondade para com toda alma vivente. Esforçai-vos, pois, de todo coração, para tratardes de forma compassiva todo o gênero humano - exceto aqueles que têm algum intuito egoísta e pessoal, ou alguma moléstia na alma. Não se pode mostrar bondade ao tirano, ao impostor ou ao ladrão, pois longe de despertá-los para o erro de seu procedimento, isso os fará seguir em sua perversidade como antes. Não importa quanta benevolência derrameis sobre o mentiroso, ele apenas há de mentir ainda mais, pois crerá ter-vos logrado, enquanto vós o compreendeis muitíssimo bem, e apenas permaneceis silentes em virtude de vossa extrema compaixão.

Em breves palavras, não é somente a seu próximo que os amados de Deus devem tratar com mercê e compaixão; antes incumbe-lhes manifestar a máxima benevolência a toda criatura vivente. Isto porque em todos os aspectos físicos, e naquilo que se refere ao espírito animal, os mesmos idênticos sentimentos são compartilhados por homem e animal. O homem, todavia, não tendo ainda apreendido esta verdade, crê que as sensações físicas confinam-se a ele, razão pela qual é injusto e cruel para com os animais.

E na verdade, entretanto, considerando-se as sensações físicas, que diferença há? Os sentimentos são idênticos quer se inflija dor a um ser humano, quer a um animal. Diferença alguma há quanto o isso. E, na realidade, comete-se um ato mais condenável ferindo-se um animal, porque o homem possui linguagem, tem a possibilidade de apresentar queixa, protestar e lastimar-se; se for ferido, pode recorrer às autoridades, e estas o protegerão de seu agressor. O pobre animal, porém, é mudo e incapaz de exprimir sua dor ou levar seu caso às autoridades. Se uma pessoa infligir mil males a um animal, ele não poderá defender-se dela por meio da fala, nem tampouco poderá levá-la à força a julgamento. Portanto, é essencial que manifesteis a máxima consideração ao animal e lhe sejais ainda mais bondosos que com vosso semelhante.

Treinai vossos filhos desde a mais tenra infância a serem infinitamente carinhosos e amorosos com os animais. Se um animal estiver enfermo, que as crianças tentem curá-lo; se estiver com fome, que lhe provejam alimento; se estiver sedento, saciem-lhe a sede; se cansado, proporcionem-lhe repouso.

Os seres humanos, em sua maioria, são pecadores, mas os animais são inocentes. Indubitavelmente, os que não têm pecado deveriam receber a maior bondade e amor - todos exceto os animais que são nocivos, como os lobos sanguinários, os ofídios peçonhentos e semelhantes criaturas perniciosas, porquanto bondade para com estes é uma injustiça aos seres humanos e também a outros animais. Por exemplo, se fordes piedosos em relação a um lobo, isto nada mais será que tirania para com o cordeiro, pois um lobo é capaz de destruir um rebanho inteiro de ovelhas. Um cão atacado de raiva, se lhe for dada a oportunidade, pode matar mil animais e homens. Portanto, compaixão para com animais ferinos e vorazes é crueldade para com os pacíficos - e assim é que aos perigosos deve-se dar o tratamento apropriado. Aos animais abençoados, no entanto, a máxima bondade deve ser oferecida; quanto mais, melhor. Ternura e benevolência são princípios fundamentais do Reino celestial de Deus. Cumpre-vos ter esta questão em mente com extrema atenção.

10. CASAMENTO BAHÁ'Í

190 - O matrimônio, entre a generalidade do povo, é um laço físico, e essa união só pode ser temporária, pois está predestinada à separação física no final.

Entre o povo de Bahá, porém, o casamento deve ser união tanto física quanto espiritual, pois aqui ambos os cônjuges estão extasiados com o mesmo vinho, enamorados pela mesma Face incomparável; ambos vivem através do mesmo espírito, através deles movem, e são iluminados pela mesma glória. Essa relação entre eles é espiritual e, portanto, é laço que permanecerá para todo o sempre. Da mesma forma, no mundo físico, desfrutam de laços fortes e duráveis, pois, se o casamento é baseado tanto no espírito como no corpo, essa é uma união verdadeira e por isso haverá de durar. Entretanto, se o laço for apenas físico, e nada mais, é certo que será só temporário, tão somente, e deverá inexoravelmente terminar em separação.

Portanto, quando o povo de Bahá tenciona casar, a união deve ser uma relação verdadeira, uma aproximação espiritual bem como física, de modo que através de todas as fases da vida, e em todos os mundos de Deus, sua união perdurará; porque essa verdadeira unidade é uma centelha do amor de Deus.

Do mesmo modo, quando as almas amadurecem ao ponto de se tornar verdadeiros crentes, haverão de alcançar uma relação espiritual entre si, e demonstrarão uma ternura que não é deste mundo. Elas, todas elas, hão de ficar exultantes com um sorvo do amor divino, e essa união mútua, essa ligação, também haverá de permanecer para sempre. Ou seja, as almas que esquecem de si próprias, que se despem dos defeitos da humanidade, e se libertam da escravidão humana serão, sem a menor dúvida, iluminadas com os esplendores celestiais da unidade, e atingirão, todas, a verdadeira união no mundo que não fenece.

10. - ORAÇÃO

191 - Ó tu amigo espiritual! Perguntaste se havia alguma sabedoria em orar. Sabe tu que a prece é indispensável e obrigatória, e que o homem sob pretexto algum está isento de orar, a não ser que esteja demente ou impedido por um obstáculo intransponível. A sabedoria em orar está nisto: que une o servo ao Ente Verdadeiro, porque neste estado o homem se volve, de coração e alma, para Sua Alteza, o Todo-poderoso, procurando Sua associação e desejando Seu amor e Sua compaixão. Quem ama, encontra sua maior felicidade em conversar com o objeto do seu amor; e a maior das graças para quem busca, é conhecer o alvo das suas aspirações; eis porque cada alma atraída ao Reino de Deus espera, de todo coração, ter oportunidade de implorar e suplicar diante de seu Bem-Amado, pedindo Sua mercê e Seu favor e a graça de se imergir no oceano das Suas palavras, da Sua misericórdia e generosidade.

Além de tudo isso, a oração e o jejum despertam a alma e tornam-na vigilante, contribuindo para sua preservação e sua proteção contra as provações.

11. - A OBRIGAÇÃO DE DIFUNDIR A MENSAGEM

192 - É fato conhecido e evidente que hoje a invisível ajuda divina envolve aqueles que espalham a Mensagem. E se se descuidar da tarefa de difundir a Mensagem, a ajuda será retirada inteiramente, pois é impossível que os amigos de Deus sejam assistidos, a não ser que se dediquem à divulgação da Mensagem.

12. - CONSULTA

193 - Os requisitos primários para aqueles que desejam participar de uma consulta, são pureza de motivo, um espírito radiante, desprendimento de tudo que não seja de Deus, atração às Suas divinas Fragrâncias, humildade entre Seus amados, paciência e resignação em dificuldades, e serviço ao Seu excelso Limiar. Se, graças ao auxílio divino, adquirirem estes atributos, a vitória ser-lhes-á concedida pelo invisível Reino de Bahá. Neste Dia, as assembléias para consulta são de importância máxima - uma necessidade vital. É essencial e obrigatório que sejam obedecidas. Seus membros devem consultar mutuamente de tal modo que não surja ocasião para mal entendidos ou discórdia. Isto pode ser realizado quando cada membro expressa com absoluta liberdade sua própria opinião e expõe seu argumento. Se alguém se opuser, ele não deverá, em absoluto, se sentir ofendido, pois até que as questões sejam plenamente ventiladas, não se revelará o caminho certo. A brilhante centelha da verdade mostra-se só após o impacto das várias opiniões. Se, depois da deliberação, houver uma decisão unânime, muito bem; mas se - oxalá Deus o proíba - surgirem diferenças de opinião, deverá predominar a maioria das vozes.

A primeira condição é absoluto amor e harmonia entre os membros da Assembléia. Eles devem estar inteiramente livres de alienação e manifestar em si próprios a Unidade Divina, porque são as ondas do mesmo mar, as gotas do mesmo rio, as estrelas do mesmo céu, os raios do mesmo sol, as árvores de um só pomar e as flores de um só jardim. Se não houver harmonia de pensamento e absoluta unidade, essa reunião dispersar-se-á; essa Assembléia virá a ser nada.

A segunda condição: ao reunirem-se, devem volver a face para o Reino nas alturas e pedir o auxílio dos Domínios da Glória, procedendo, então, a expressar seus pareceres com a maior devoção, cortesia, dignidade, cautela e moderação. Em todos os assuntos devem eles procurar a verdade e não insistir em impor sua própria opinião, porque a obstinacia e a persistência de cada um em apoiar seus próprios pareceres levarão, afinal, à discórdia e contenda, permanecendo assim oculta a verdade. Os honrados membros devem com toda liberdade expressar seus próprios pensamentos, e de modo algum é permissível que menosprezem os pensamentos uns dos outros. Cada um deve expor a verdade com moderação e, no caso de surgir divergência de opinião, há de prevalecer a maioria das vozes, à qual todos devem obedecer e submeter-se. Tampouco é permitido que qualquer um dos honrados membros, durante a reunião ou depois, censure uma decisão já tomada, ou lhe faça objeção, ainda que a decisão não seja certa, pois tal crítica impediria que qualquer decisão fosse levada a efeito. Em suma, quando um assunto é tratado em harmonia e com amor e pureza de motivo, seu resultado é luz, e quando o menor traço de alienação predominar, o resultado será treva sobre treva...

Se estas condições forem assim preenchidas, tal Assembléia será de Deus; senão, isso levará à frieza e alienação que procedem do Ente Mau. Todas as ponderações se devem limitar a assuntos espirituais, referentes à educação das almas, à instrução das crianças, à assistências aos pobres e fracos entre todas as classes no mundo inteiro, à bondade para com todos os povos, à difusão das Fragrâncias Divinas e à exaltação da Santa Palavra de Deus. Se se esforçar para cumprir estas condições, a Graça do Espírito Santo ser-lhe-á concedida e essa Assembléia tornar-se-á o centro das bênçãos divinas, será assistida pelas hostes da confirmação divina e receberá dia a dia uma nova efusão do Espírito.


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