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Compilações : Casamento Bahá'í

CASAMENTO BAHÁ'Í UMA COMPILAÇÃO PREPARADA PELA ASSEMBLÉIA ESPIRITUAL NACIONAL DOS BAHÁ'ÍS DO CANADÁ Títulos originais em inglês: Bahá'í Marriage and Family Life Consent of Parents (capítulo IV) (c) 2007 Todos os direitos em português reservados para: EDITORA BAHÁ'Í DO BRASIL Caixa Postal 1085 13800-973 - Mogi Mirim - SP www.editorabahaibrasil.com.br ISBN: 978-85-320-0167-2 1a Edição: 2007 Tradução: Osmar Mendes (salvo textos publicados anteriormente) Revisão: Coordenação Nacional Bahá'í de Tradução e Revisão do Brasil Capa: Gustavo Pallone de Figueiredo Impressão: Prisma Printer Gráfica e Editora Ltda., Campinas - SP Conteúdo Introdução VII I - A Instituição do Casamento A - A Lei do Casamento B - Comprometimentos e Responsabilidades C - Casamento como Base de Unidade D - Atitude para com o Divórcio E - Sexo no Casamento F - Casar-se novamente II - Preparação para o Casamento A - Autoconhecimento B - Escolhendo um (a) parceiro (a) para casar-se C - Castidade D - O Consentimento dos Pais E - Noivado F - A Cerimônia do Casamento III - Vida em Família A - Amor e Unidade B - Comunicação C - Testes e Dificuldades D - Igualdade entre Homens e Mulheres E - Educação das Crianças 61 F - Inter-relações dentro da Família 69 G - Morte 80 H - Trabalho e Finanças 83 I - Hospitalidade 88 J - Relações com as Instituições Bahá'ís e Comunidade 90 K - Vida em Família e o Serviço Bahá'í 97 IV - CONSENTIMENTO DOS PAIS A - Introdução 103 B - Casamento 110 C - A Lei de Deus 114 D - O Consentimento dos Pais 120 E - Preparando-se 132 F - Decidindo 139 G - Conclusão 159 Apêndice I 162 Apêndice II 165 Notas 168 Bibliografia 177 Introdução Todas as instituições da Fé Bahá'í foram estabelecidas com o propósito de que o amor e a unidade tivessem meios para se exprimirem na vida da sociedade humana. Isto é especialmente verdadeiro na instituição do casamento, a qual foi chamada por Bahá'u'lláh de "fortaleza para o bem-estar", e que é o alicerce da vida familiar. Nada é mais agradável do que podermos visualizar a nós mesmos ao entrarmos numa relação que 'Abdu'l-Bahá descreve como "atração mútua de mente e coração", "um laço que durará para sempre", possibilitando que nos tornemos "parceiros e companheiros amorosos" e "uma só entidade através do tempo e eternidade". A questão não é: -- É isso o que eu quero? A questão é: -- Será que desenvolvemos as qualidades de caráter que tornarão possível desenvolver tal relação? Esta compilação foi designada para ajudar a prepararmo-nos para o casamento, para ajudar àqueles de nós já casados, e ao progresso da vida familiar. E também, para ajudar as Assembléias Espirituais Bahá'ís em suas responsabilidades educacionais e de aconselhamento. Duas compilações bahá'ís intituladas Preservando Casamentos Bahá'ís (que aborda a questão do divórcio) e Uma Onda de Ternura (que aborda a questão da vida em família) preparadas pela Casa Universal de Justiça foram amplamente utilizadas nesta coleção. Outras questões foram introduzidas por suas capacidades de colocar mais luz nos termos e conceitos referentes às guias específicas relacionadas ao casamento bahá'í e vida familiar; para tal, utilizamos outras compilações e selecionados Escritos Sagrados Bahá'ís e, também, textos que não se encontram publicados em outros lugares.(*) (*) A Editora Bahá'í do Brasil informa que incluiu os 18 textos compilados pelo Departamento de Pesquisa da Casa Universal de Justiça em 1998, intitulado: The Consent of Parents to Marriage. Também.acrescentou o capítulo IV abordando a polêmica questão do "Consentimentos dos Pais". Este trabalho foi feito por um bahá'í neozeolandês, sr. John F. Skeaff. Que maior alegria haverá que amar e ser amado e criar uma notável família por sua unidade e harmonia? Qual esforço será melhor que este? Será esta disciplina tão estafante, se a recompensa é a felicidade? Afetuosos abraços, Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá'ís do Canadá CASAMENTO BAHÁ'Í A - A LEI DO CASAMENTO 1. E quando desejou manifestar graça e benefício aos homens, e trazer ordem ao mundo, revelou Ele observâncias e criou leis. Entre estas, estabeleceu a lei do matrimônio como fortaleza para o bem-estar e salvação, e nos exortou a observá-la, segundo a revelação do céu da santidade inscrita em Seu Mais Sagrado Livro. Diz Ele - e grande é Sua glória: "Casai-vos para que apareça de vós quem se lembre de Mim entre Meus servos; este é um de Meus mandamentos a vós; obedecei-o, em vosso próprio benefício." Bahá'u'lláh citado em Orações Bahá'ís, p. 58 2. Os atos piedosos dos monges e sacerdotes entre os seguidores do Espírito [Jesus] - que sobre Ele esteja a paz de Deus - são lembrados em Sua presença. Neste Dia, entretanto, que eles renunciem à vida de reclusão e dirijam os passos para o mundo exterior e se ocupem com aquilo que seja de proveito para eles mesmos e para os outros. Nós lhes temos concedido permissão para contraírem matrimônio, a fim de que façam surgir alguém que possa fazer menção de Deus, o Senhor do visível e do invisível, o Senhor do Trono Excelso. Epístolas de Bahá'u'lláh, p. 32 3. Relativamente à questão do matrimônio, saibam que o mandamento do casamento é eterno. Nunca será mudado ou alterado. É uma Criação Divina e não há a mais leve possibilidade de ser essa Criação Divina, o casamento, afetada por qualquer modificação. 'Abdu'l-Bahá citado em Portais para a Liberdade, p. 92 4. Certamente, em circunstâncias normais, toda pessoa deve considerar sua obrigação moral casar-se. E isto é o que Bahá'u'lláh encorajou os crentes a fazer. O casamento não é, de forma alguma, uma obrigação. No final das contas, cabe ao indivíduo decidir se deseja viver uma vida em família ou no celibato. Shoghi Effendi a um bahá'í, 3 de maio de 1936 5. Além disso, deve se ter em mente que, embora seja altamente desejável que se seja casado, o que Bahá'u'lláh enfaticamente recomendou, não é o propósito central da vida. Se uma pessoa tem que esperar um período considerável antes de encontrar um(a) esposo(a), ou se, finalmente, ele ou ela tem que permanecer solteiro, não significa que desse modo ele ou ela seja incapaz de cumprir com seu propósito na vida. Casa Universal de Justiça citada em Uma Vida Casta e Santa, pp. 17-18 B - COMPROMETIMENTOS E RESPONSABILIDADES 6. O casamento bahá'í é o compromisso recíproco das duas partes, e sua ligação mútua de coração e mente. Cada um deve, porém, exercer o máximo cuidado para familiarizar-se totalmente com o caráter do outro, para que o firme convênio entre eles seja um laço que dure para sempre. Seu propósito deve ser este: tornarem-se amorosos companheiros e camaradas, unidos um ao outro por todo o sempre... O verdadeiro casamento de bahá'ís é este: que o marido e a mulher estejam unidos física e espiritualmente, que sempre melhorem a vida espiritual um do outro, e que desfrutem de unidade sempiterna em todos os mundos de Deus. É este o casamento bahá'í. Seleção dos Escritos de 'Abdu'l-Bahá, p. 106 7. Ó vós dois, crentes em Deus! O Senhor - incomparável é Ele - fez a mulher e o homem para viverem unidos na mais íntima associação, e serem como uma só alma. São dois esteios mútuos, dois amigos íntimos que deveriam atentar para o bem-estar um do outro. Se desse modo viverem, passarão por este mundo com perfeito contentamento, êxtase, e paz interior, e tornar-se-ão objeto do favor e da graça divina no Reino do céu. Se, porém agirem de outro modo, passarão a vida em grande amargura, desejando a todo momento a morte, e ficarão envergonhados no reino celestial. Esforçai-vos, portanto, de coração e alma, por permanecerdes juntos assim como dois pombos no ninho, pois isso é ser abençoado em ambos os mundos. Seleção dos Escritos de 'Abdu'l-Bahá, p. 110 8. Ó vós dois, meus amados filhos! A notícia de vossa união, logo que chegou a mim, provocou infinita alegria e gratidão. Louvado seja Deus! Essas duas aves fiéis buscaram abrigo em um só ninho. Suplico a Deus que os capacite a criar uma família nobre, pois a importância do casamento está no criar uma família ricamente abençoada, para que, com toda a alegria, possam iluminar o mundo, como velas. Porquanto a iluminação do mundo depende da existência do homem. Se o homem não existisse no mundo, este seria como árvore sem fruto. É minha esperança que ambos vos torneis como uma só árvore e que, através das efusões da nuvem da benevolência, possais adquirir frescor e encanto, florescer e dar frutos, para que vossa linhagem perdure para sempre. Sobre vós esteja a Glória do Mais Glorioso. Seleção dos Escritos de 'Abdu'l-Bahá, pp. 107-8 9. ... isto é, ao pai e à mãe impõe-se, como um dever, envidar todos os esforços para dar instrução à filha e ao filho, para nutri-los do seio do conhecimento e criá-los no regaço das ciências e das artes. Se negligenciarem esse assunto, terão de prestar contas, e serão dignos de reprovação na presença do austero Senhor. Seleção dos Escritos de 'Abdu'l-Bahá, p. 114 10. Não existe nada nos Escritos Sagrados, especificamente sobre controle de natalidade, aborto ou esterilização, mas Bahá'u'lláh declarou que o propósito primário do casamento é a procriação de filhos, e é o propósito primário que o amado Guardião alude em muitas de suas cartas, as quais são citadas em compilações. Isto não quer dizer que um casal é obrigado a ter várias crianças tanto quanto puder. O secretário do Guardião claramente declara em seu nome, em resposta a uma pergunta, que é para o marido e a esposa decidirem quantos filhos desejam ter. A decisão absoluta de não ter filhos pode violar o propósito primário do casamento, a não ser que, é claro, exista uma razão médica dando suporte a tal decisão. Casa Universal de Justiça, a um bahá'í, 28 de janeiro de 1977 C - CASAMENTO COMO BASE DE UNIDADE 11. Diz o Grande Ser: Ó vós, filhos dos homens! O propósito fundamental que anima a Fé de Deus e Sua Religião consiste em salvaguardar os interesses e promover a unidade do gênero humano, e nutrir entre os homens o espírito de amor e amizade. Epístolas de Bahá'u'lláh, p. 187 12. ...Verdadeiramente, casam-se em obediência a Teu mandamento. Faze-os sinais de harmonia e união até o fim dos tempos. Em verdade, Tu és o Onipotente, o Onipresente, o Supremo! 'Abdu'l-Bahá citado em Orações Bahá'ís, p. 60 13. Da separação deriva toda espécie de mal e dano, mas a união das coisas criadas produz sempre os mais louváveis resultados. Através da associação - até mesmo entre as mais ínfimas partículas do mundo da existência - a graça e a generosidade de Deus tornam-se manifestas; e quanto mais alto o grau, mais momentosa é a união. "Glória àquele que criou todos os pares: entre as coisas que a terra produz, entre os próprios homens, e entre as coisas além de sua compreensão." Acima de todas as outras uniões está aquela entre os seres humanos, especialmente quando se realiza no amor de Deus. Assim se faz aparecer a unidade primária; assim é lançado no espírito o alicerce do amor. Seleção dos Escritos de 'Abdu'l-Bahá, p. 107 14. O matrimônio, entre a generalidade do povo, é um laço físico, e essa união só pode ser temporária, pois está predestinada à separação física no final. Entre o povo de Bahá, porém, o casamento deve ser união tanto física quanto espiritual, pois aqui ambos os cônjuges estão extasiados com o mesmo vinho, enamorados pela mesma Face incomparável; ambos vivem através do mesmo espírito, através deles movem, e são iluminados pela mesma glória. Essa relação entre eles é espiritual e, portanto, é laço que permanecerá para todo o sempre. Da mesma forma, no mundo físico, desfrutam de laços fortes e duráveis, pois, se o casamento é baseado tanto no espírito como no corpo, essa é uma união verdadeira e por isso haverá de durar. Entretanto, se o laço for apenas físico, e nada mais, é certo que será só temporário, tão somente, e deverá inexoravelmente terminar em separação. Portanto, quando o povo de Bahá tenciona casar, a união deve ser uma relação verdadeira, uma aproximação espiritual bem como física, de modo que através de todas as fases da vida, e em todos os mundos de Deus, sua união perdurará; porque essa verdadeira unidade é uma centelha do amor de Deus. Do mesmo modo, quando as almas amadurecem ao ponto de se tornar verdadeiros crentes, haverão de alcançar uma relação espiritual entre si, e demonstrarão uma ternura que não é deste mundo. Elas, todas elas, hão de ficar exultantes com um sorvo do amor divino, e essa união mútua, essa ligação, também haverá de permanecer para sempre. Ou seja, as almas que esquecem de si próprias, que se despem dos defeitos da humanidade, e se libertam da escravidão humana serão, sem a menor dúvida, iluminadas com os esplendores celestiais da unidade, e atingirão, todas, a verdadeira união no mundo que não fenece. Seleção dos Escritos de 'Abdu'l-Bahá, pp. 105-6 15. Quanto a tua pergunta referente a marido e mulher, sobre o vínculo entre eles e sobre os filhos lhes dado por Deus: Sabe tu, veramente, que o marido é aquele que sinceramente se volveu para Deus, está desperto pelo chamado da Beleza do Todo-Glorioso e entoa os versos da Unidade em grandes assembléias; a esposa é um ser que deseja estar transbordando com os atributos de Deus e Seus nomes e se encontra a procura deles, e o vínculo entre eles não é outro senão a Palavra de Deus. Verdadeiramente, isto motiva as multidões a se reunirem e os remotos a estarem unidos. Assim, o marido e a esposa são levados a encontrar afinidade, são unificados e harmonizados, como se fossem uma só pessoa. Através de sua mútua união, companheirismo e amor, são produzidos no mundo grandes resultados, tanto no campo material como espiritual. O resultado espiritual é o surgimento de recompensas divinas. O resultado material são os filhos que nascem no berço do amor de Deus são nutridos pelo seio do conhecimento de Deus, são criados no peito da dádiva de Deus, e são cuidados no regaço do treinamento de Deus. Tais crianças são aquelas de quem Cristo disse: "Verdadeiramente, são os filhos do Reino!" 'Abdu'l-Bahá citado em Uma Onda de Ternura, pp. 20-1 D - ATITUDE PARA COM O DIVÓRCIO(*) (*) SUGERIMOS A LEITURA DA COMPILAÇÃO PRESERVANDO CASAMENTOS BAHÁ'ÍS, PUBLICADO PELA EDITORA BAHÁ'Í DO BRASIL, QUE TRATA ESPECIFICAMENTE SOBRE O TEMA DO DIVÓRCIO BAHÁ'Í. N.E 16. Verdadeiramente, Deus ama a união e a harmonia e abomina a separação e o divórcio. Bahá'u'lláh, O Kitáb-i-Aqdas, p. 37 17. Agora os amigos na América devem viver e se comportar deste modo. Devem abster-se estritamente do divórcio, a não ser que surja algo que os obrigue a se separarem em virtude de sua aversão mútua; neste caso, com o conhecimento da Assembléia Espiritual, podem decidir se separar. Devem então ser pacientes e esperar um ano completo. Se durante este ano a harmonia não for restabelecida entre eles, então seu divórcio pode ser realizado. Não deve ocorrer que, acontecendo um ligeiro atrito ou aborrecimento entre o esposo e a esposa, o esposo pense em unir-se com alguma outra mulher, ou, Deus o proíba, a esposa também pense em outro esposo. Isto é contrário ao padrão de valor celestial e à verdadeira castidade. Os amigos de Deus devem viver e se comportar de tal modo, e evidenciar uma tal excelência de caráter e conduta, a ponto de fazer outros se admirarem. O amor entre o esposo e a esposa não deve ser puramente físico, não somente isso, deve ser preferivelmente espiritual e celestial. Estas duas almas devem ser consideradas como uma só alma. Como seria difícil dividir uma alma única! Não, grande seria a dificuldade! Em resumo, as bases do Reino de Deus estão alicerçadas na harmonia e amor, unicidade, afinidade e união, e não sobre divergências, especialmente entre o esposo e a esposa. Se um destes dois se torna a causa de divórcio, este, inquestionavelmente, cairá em grandes dificuldades, se tornará a vítima de formidáveis calamidades e sentirá grande remorso. 'Abdu'l-Bahá citado em Preservando Casamentos Bahá'ís, pp. 33-4 18. A situação com que se depara é, confessamente, difícil e delicada, mas não menos grave e na verdade vital, são as responsabilidades que necessariamente acarreta e que, como fiel e leal crente, deveria conscienciosa e meticulosamente assumir. O Guardião, portanto, embora plenamente sensível às circunstâncias especiais de seu caso(*), e por mais profunda que possa ser sua simpatia por você nesta desafiadora questão com que tão tristemente se defronta, não pode, em vista das enfáticas injunções contidas nos Ensinamentos, nem sancionar sua solicitação para contrair um segundo casamento enquanto sua primeira esposa ainda está viva e unida a sua pessoa pelos sagrados laços do matrimônio, ou mesmo sugerir ou aprovar que a divorcie somente a fim de ser permitido casar com uma nova esposa. Pois os Ensinamentos Bahá'ís não só excluem a possibilidade de bigamia mas, também, embora permitindo o divórcio, o consideram um ato repreensível, do qual só se deveria lançar mão sob circunstâncias excepcionais e quando estão envolvidas graves questões, transcendendo considerações tais como atração física ou compatibilidade sexual e harmonia. A instituição do casamento, como estabelecida por Bahá'u'lláh, embora dando a devida importância ao aspecto físico da união conjugal, considera-o como subordinado aos propósitos e às funções morais e espirituais com que foi investido por uma Providência onisciente e amorosa. Somente quando a cada um destes diferentes valores é dada sua devida importância, e somente com base na subordinação do físico ao moral, e do carnal ao espiritual, podem ser evitados tais excessos e falta de firmeza nas relações matrimoniais, como nossa época decadente está tão lamentavelmente testemunhando, e pode a vida doméstica ser restituída à sua pureza original, preenchendo a verdadeira função para a qual foi instituída por Deus. O Guardião orará, o mais fervorosamente, a fim de que possa, inspirado e guiado por um tal padrão divino e fortalecido pela ajuda e confirmações infalíveis de Bahá'u'lláh, ser capaz de ajustar satisfatoriamente suas relações com as pessoas envolvidas e assim alcançar a única solução correta para este seguramente desafiador problema em sua vida. em nome de Shoghi Effendi citado em Preservando Casamentos Bahá'ís, pp. 40-1 (*) A um bahá'í que casou com sua primeira esposa por compaixão e desejava ter permissão para casar com uma mulher por quem havia se enamorado, afirmando que sua atual esposa concordava que ele tomasse essa segunda esposa. 19. Com respeito ao divórcio, o Guardião declarou que é desencorajado, desaprovado e desagrada a Deus. A Assembléia deve disseminar entre os amigos o que quer que tenha sido revelado pela Pena de 'Abdu'l-Bahá a este respeito, de modo que todos possam ser plenamente lembrados. O divórcio é condicionado à aprovação e permissão da Assembléia Espiritual. Os membros da Assembléia devem, em tais assuntos, estudar e investigar cuidadosa e independentemente cada caso. Se existirem razões válidas para o divórcio e for verificado que a reconciliação é totalmente impossível, que a antipatia é intensa e sua remoção não é possível, então a Assembléia pode aprovar o divórcio. em nome de Shoghi Effendi citado em Preservando Casamentos Bahá'ís, p. 38 20. Shoghi Effendi deseja que eu acrescente esta nota referente ao seu casamento: ele sente que jamais, sejam quais forem as circunstâncias, um crente, qualquer que seja, pode usar a Causa ou o serviço a ela como um motivo para abandonar seu casamento; o divórcio, como sabemos, é muito fortemente condenado por Bahá'u'lláh e apenas razões de extrema gravidade o justifica. em nome de Shoghi Effendi citado em Preservando Casamentos Bahá'ís, pp. 41-2 21. Onde quer que haja uma família bahá'í, aqueles envolvidos devem de todas as maneiras fazer tudo que podem para preservá-la, porque o divórcio é rigorosamente condenado nos Ensinamentos, enquanto que harmonia, unidade e amor são mostrados como os mais altos ideais nas relações humanas. Isto deve sempre se aplicar aos bahá'ís que estejam servindo no campo de pioneirismo ou não. em nome de Shoghi Effendi citado em Preservando Casamentos Bahá'ís, p. 45 22. Ele deseja que te diga que lamenta profundamente a tristeza que surgiu em tua vida, e que, de um modo geral, concorda com tudo o que declaraste sobre o assunto do divórcio. Não há dúvida que os crentes na América, provavelmente inconscientemente influenciados pela extrema lassidão moral prevalecente e a frívola atitude com relação ao divórcio, a qual parece ser cada vez mais dominante, não levam o divórcio a sério e não parecem apreender o fato de que, apesar de Bahá'u'lláh o ter permitido, Ele apenas o permitiu como um último recurso e fortemente o condena. A existência de filhos, como um fator no divórcio, não pode ser ignorada, pois seguramente inflige um peso ainda maior de responsabilidade moral sobre o marido e a mulher ao considerarem dar tal passo. O divórcio, sob tais circunstâncias, já não diz respeito apenas a eles e aos seus desejos e sentimentos, mas também no que se refere a todo o futuro das crianças e suas atitudes com relação ao casamento. em nome de Shoghi Effendi citado em Preservando Casamentos Bahá'ís, p. 43 23. O divórcio deve ser evitado o mais rigorosamente pelos crentes e somente sob raras e urgentes circunstâncias deve-se dele fazer uso. A sociedade moderna é criminalmente laxa quanto a natureza sagrada do casamento e os crentes devem combater essa tendência diligentemente. em nome de Shoghi Effendi citado em Preservando Casamentos Bahá'ís, p. 15 24. Ele lamentou muito em saber que tencionas separar-te de teu marido. Como sem dúvida tu sabes, Bahá'u'lláh considera o laço matrimonial muito sagrado; e apenas sob circunstâncias muito excepcionais e insuportáveis o divórcio é permitido aos bahá'ís. O Guardião não te dirá que não deves divorciar de teu marido; porém, ele te exorta a considerar devotamente não apenas porque és uma fiel seguidora e ansiosa por obedecer às leis de Deus, mas também pela felicidade de teus filhos, caso não seja possível elevar-te acima das limitações que sentiste em teu casamento até agora, e desfrutá-lo juntos. Freqüentemente achamos que nossa felicidade se encontra em uma certa direção; e, contudo, se tivermos que pagar um alto preço por ela no final, poderemos descobrir que compramos realmente nem liberdade, nem felicidade, mas apenas uma nova situação de frustração e desilusão. em nome de Shoghi Effendi citado em Preservando Casamentos Bahá'ís, p. 44 25. Ele ficou muito sentido em ouvir que você e seu esposo ainda estão tão infelizes juntos. É sempre uma fonte de tristeza na vida quando pessoas casadas não conseguem viver bem juntas, mas o Guardião sente que você e seu esposo, ao contemplarem o divórcio, devem pensar no futuro de seus filhos e como este importante passo por parte de vocês irá influenciar a vida deles e sua felicidade. Se sentir a necessidade de conselho e consulta, ele sugere que consulte sua Assembléia Local; seus companheiros bahá'ís certamente farão tudo o que puderem para aconselhá-la e ajudá-la, proteger os seus interesses e os da Causa. em nome de Shoghi Effendi citado em Preservando Casamentos Bahá'ís, p. 41 26. O casamento, no Aqdas, é exposto como laço extremamente sagrado e compromissivo, e os bahá'ís deveriam compreender que o divórcio é visto como um último recurso, a ser evitado, se possível, a todo custo e que não deve ser facilmente concedido. em nome de Shoghi Effendi citado em Preservando Casamentos Bahá'ís, p. 41 E - SEXO NO CASAMENTO 27. ...Entrai nos laços do matrimônio, para que após vós um outro possa erguer-se em vosso lugar. Nós, em verdade, vos proibimos a devassidão e não aquilo que conduz à fidelidade... Bahá'u'lláh, Epístola ao Filho do Lobo, p. 59 28. Casai-vos, ó povo, para que apareça de vós quem se lembre de Mim entre Meus servos; este é um de Meus mandamentos a vós; obedecei-o, em vosso próprio benefício. Bahá'u'lláh citado em Orações Bahá'ís, p. 58 29. Une, pois, no céu da Tua misericórdia, estas duas aves do ninho do Teu amor, e torna-as o meio de atrair graça perpétua; para que, da união destes dois mares de amor, possa surgir uma onda de ternura que lance na praia da vida as pérolas de uma progênie pura e excelente. 'Abdu'l-Bahá citado em Orações Bahá'ís, p. 59 30. Bahá'u'lláh recomendou com insistência o casamento a todas as pessoas como a maneira natural e correta de vida. Entretanto, Ele também deu grande ênfase em sua natureza espiritual, a qual, embora de modo algum impedindo uma vida física normal, é o aspecto mais essencial do casamento. Que duas pessoas devam viver suas vidas em amor e harmonia é de importância muito maior do que serem consumidas pela paixão mutuamente. Um é uma grande rocha de arrimo para nela se apoiar em tempo de necessidade; a outra, a coisa puramente temporária que pode fenecer a qualquer tempo. em nome de Shoghi Effendi citado em Uma Onda de Ternura, pp. 50-1 31. A Fé Bahá'í reconhece o valor do impulso sexual, mas condena suas expressões ilegítimas e impróprias, tais como, o amor livre e outras, todas as quais considera definitivamente prejudiciais ao homem e à sociedade na qual ele vive. O uso apropriado do instinto sexual é direito natural de cada indivíduo e é precisamente por esta razão que a instituição do casamento foi estabelecida. Os bahá'ís não crêem na supressão do impulso sexual, mas, sim, na sua regulação e controle. em nome de Shoghi Effendi citado em Uma Vida Casta e Santa, p. 15 32. A pergunta que você faz, quanto ao lugar que possa ter em nossa vida um profundo laço de amor com alguém que encontramos, além de nosso esposo ou esposa, é facilmente definida em vista dos ensinamentos. Castidade implica em uma vida sexual pura e casta tanto antes como depois do casamento, Antes do casamento, absolutamente casta: após o casamento, absolutamente fiel ao nosso companheiro escolhido. Fiel em todos os atos sexuais, fiel em palavras e ações. O mundo hoje em dia está submerso, entre outras coisas, em um exagero excessivo da importância do amor físico e uma carência de valores espirituais. Na medida do possível, os crentes deveriam tentar se conscientizar disto e elevar-se acima do nível de seus concidadãos que estão dando uma ênfase demasiada ao lado puramente físico da união, o que é típico de todos os períodos decadentes da história. Fora de sua vida conjugal normal e legítima, deveriam procurar estabelecer laços de companheirismo e amor que sejam eternos e baseados na vida espiritual do homem, e não em sua vida física. Este é um dos muitos campos em que incumbe aos bahá'ís dar o exemplo e assumir a liderança para um padrão de vida verdadeiramente humano, quando a alma do homem é exaltada e seu corpo, tão somente, a ferramenta para seu espírito esclarecido. Desnecessário é dizer que isto não impede que se viva uma vida sexual perfeitamente normal, através da legítima via do casamento. em nome de Shoghi Effendi citado em Uma Vida Casta e Santa, pp. 15-16 F - CASAR-SE NOVAMENTE 33. Se alguém possui amor a Deus, tudo o que faz é útil, mas se a tarefa é feita sem amor a Deus, então é prejudicial e a causa de separação de si próprio do seu Senhor do Reino. Mas com o amor a Deus, toda a amargura é transformada em doçura e todo dom se torna precioso. 'Abdu'l-Bahá citado em Bahá'í World Faith, p. 366 34. Eu vos exorto, a cada um de vós, que concentreis o íntimo de vossos pensamentos no amor e na união. ...Pensamentos de amor constroem a fraternidade, a paz, a amizade e a felicidade. Palestras de 'Abdu'l-Bahá, Paris - 1911, p. 16 35. Sabe tu com certeza que o Amor é o segredo da santa Dispensação de Deus, é a manifestação do Todo-Misericordioso, a fonte das efusões espirituais. O amor é a benévola luz do céu, o sopro eterno do Espírito Santo que vivifica a alma humana. O amor é a causa da revelação de Deus ao homem, o laço vital que, de acordo com a criação divina, é inerente à realidade das coisas. O amor é o único meio de assegurar a verdadeira felicidade, tanto neste mundo como no vindouro. O amor é a luz que guia nas trevas, o elo vivo que une Deus ao homem, que torna certo o progresso de cada alma iluminada. Seleção dos Escritos de 'Abdu'l-Bahá, p. 24 36. Depois que o divórcio foi efetivado, é possível casar-se novamente. Mas uma nota de precaução deve ser dada. Algumas vezes pode existir uma tal solidão, imediatamente seguida ao divórcio, que leva uma pessoa a achar que qualquer um pode ser um promissor marido ou esposa. Esta solidão é geralmente ligada ao primeiro casamento. Tal combinação abre caminho para um "casar-se novamente" como o mais importante, pois alguém que já teve a experiência do casamento pode pensar que foi automaticamente preparado para um segundo casamento. Então, para ter-se uma decisão lógica e sensível, deve-se dar um tempo hábil para que perspectivas e adequadas preparações sejam adquiridas para que um novo casamento ocorra. Todas as leis bahá'ís a respeito do casamento (tais como o consentimento dos pais e ter uma cerimônia bahá'í) são obrigatórias no caso de casar-se novamente. Se todas estas leis forem observadas e o novo casamento foi contraído com o amor a Deus, este atrairá bênçãos e felicidades. de um bahá'í norte-americano, doutor em Psicologia, citado em Marriage: A Fortress for Well-Being, pp. 77-8 A - AUTOCONHECIMENTO 37. Ó Meus servos! Pudésseis vós apreender que maravilhas de Minha munificência e bondade Eu quis confiar às vossas almas, vós, verdadeiramente, vos livraríeis de apego a todas as coisas criadas e adquiriríeis um verdadeiro conhecimento de vós próprios - conhecimento esse que é o mesmo que a compreensão de Meu próprio Ser. Vós vos acharíeis independentes de tudo, menos de Mim, e perceberíeis, com vossos olhos interiores e exteriores, e tão manifestos como a revelação de Meu Nome fulgente, os mares de Minha benevolência e generosidade movendo-se dentro de vós. Seleção dos Escritos de Bahá'u'lláh, p. 241 38. Longe, longe esteja de Tua glória o que o homem mortal possa de Ti afirmar ou a Ti atribuir, ou o louvor com que ele Te possa glorificar! Qualquer dever que Tu tenhas prescrito aos Teus servos para elogiarem no máximo Tua majestade e glória, não passa de um sinal de Tua graça a eles, para que possam ascender à posição concedida ao seu ser mais íntimo, à posição em que conheçam a si próprios. Seleção dos Escritos de Bahá'u'lláh, p.18 39. ...o homem deve conhecer a si próprio e reconhecer o que leva à sublimidade ou à humilhação, à glória ou ao rebaixamento, à riqueza ou à pobreza. Epístolas de Bahá'u'lláh, p. 43 B - ESCOLHENDO UM (A) PARCEIRO (A) PARA CASAR-SE 40. Ó Filho do Espírito! Eu te criei rico; por que te empobreces? Nobre te fiz; com que te rebaixas? Da essência da sabedoria, Eu te concedi a existência; por que buscas iluminação de outro, senão de Mim? Da argila do amor te moldei; como é que te ocupas com outro? Volta teus olhos a ti mesmo, a fim de que, dentro de ti, Me possas encontrar, forte, poderoso, O que subsiste por Si próprio. Bahá'u'lláh, As Palavras Ocultas, p. 15 41. Livrai-vos de todo apego a este mundo e suas vaidades. Acautelai-vos para que delas não vos aproximeis, desde que vos levam a ser guiados por vossa própria lascívia e vossos desejos cobiçosos, impedindo-vos de entrar no Caminho reto e glorioso. Seleção dos Escritos de Bahá'u'lláh, p. 206 42. Ó Filho do Ser! Examina-te a ti mesmo, cada dia, antes de seres instado a prestar contas, porque a morte, sem prenúncio, te haverá de sobrevir e serás chamado a responder por teus atos. Bahá'u'lláh, As Palavras Ocultas, p. 32 43. Ó Meu Filho! A companhia do ímpio aumenta a tristeza, enquanto que a associação ao justo retira a ferrugem do coração. Quem busca comunhão com Deus, deve procurar a companhia de Seus amados; e quem deseja escutar a palavra de Deus, que dê ouvidos às palavras de Seus eleitos. Bahá'u'lláh, As Palavras Ocultas, p. 141 44. A consulta confere maior compreensão e transforma a dúvida em certeza. Ela é uma luz brilhante que, em um mundo escuro, indica o caminho e guia. Para tudo existe e continuará a existir um estágio de perfeição e maturidade. A maturidade da dádiva da compreensão é manifestada através da consulta. Bahá'u'lláh citado em Consulta Bahá'í, p. 12 45. Agora fala com justiça. Não deturpes o assunto, nem em teus próprios olhos, nem diante do povo. Epístolas de Bahá'u'lláh, p. 52 46. Quanto à pergunta sobre o casamento dentro da Lei de Deus: primeiro deves escolher alguém que te seja agradável, e então o assunto fica sujeito ao consentimento do pai e da mãe. Antes de fazeres a escolha, eles não têm o direito de interferir. Seleção dos Escritos de 'Abdu'l-Bahá, p. 106 47. O amor que existe entre os corações dos crentes é movido pelo ideal da unidade dos espíritos. Este amor é alcançado pelo conhecimento de Deus, de maneira que os homens sintam refletido no coração o Amor Divino. Cada um vê no outro a Beleza de Deus revelada na alma e, encontrando esse ponto de similaridade, todos são atraídos por amor recíproco. Este amor fará de todos os homens ondas de um só mar, estrelas do mesmo céu e frutos de uma só árvore. Este amor realizará o verdadeiro acordo, estabelecerá o alicerce da real unidade. Mas o amor que algumas vezes existe entre amigos não é verdadeiro amor, porque está sujeito a mutações; é uma simples fascinação. Conforme as brisas sopram, as árvores delgadas se inclinam. Se o vento vem do leste, a árvore pende para o oeste e se o vento sopra do oeste, a árvore se inclina para o leste. Esta espécie de amor é originada pelas condições acidentais da vida. Isto não é amor, é mero relacionamento, está sujeito a mudar. Hoje vemos duas almas aparentemente em estreita amizade; amanhã tudo isso pode ser mudado. Ontem estavam prontas a morrer uma pela outra; hoje evitam associar-se. Isto não é amor; é sujeição dos corações aos acidentes da vida. Cessada a causa do "amor", este também passa, não sendo, portanto, amor na realidade. Palestras de 'Abdu'l-Bahá, Paris - 1911, pp.180-1 48. Ó filho do Reino! Todas as coisas são benéficas se conjugadas ao amor de Deus; e sem Seu amor tudo é danoso, e atua como um véu entre o homem e o Senhor Reino. Quando Seu amor está presente, toda amargura torna-se doce, e cada dádiva proporciona um prazer salutífero. Por exemplo, uma melodia doce aos ouvidos traz o próprio espírito da vida ao coração impregnado de amor a Deus e, todavia, macula com lascívia a alma absorvida em desejos sensuais. Seleção dos Escritos de 'Abdu'l-Bahá, p. 163 49. É extremamente difícil ensinar o indivíduo e refinar seu caráter uma vez passada a puberdade. Nessa altura, como tem demonstrado a experiência, ainda que seja envidado todo esforço para lhe modificar alguma tendência, tudo é inútil. Poderá, talvez, melhorar um pouco durante algum tempo, mas, passados alguns dias, esquecerá tudo e regressará à sua condição habitual e seus modos costumeiros. Seleção dos Escritos de 'Abdu'l-Bahá, p. 123 50. Mas tu deves te submeter e confiar em Deus sob todas as condições, pois Ele irá te conceder aquilo que seja conducente a teu bem-estar. Verdadeiramente, Ele é misericordioso e compassivo! Pois ocorreram muitos casos de grandes dificuldades, mas que foram corrigidos, e incontáveis foram os problemas resolvidos com a permissão de Deus. Tablets of Abdu'l-Bahá Abbas, vol. 2, p. 455 51. Caso for possível, coloques juntas estas duas raças, a branca e a negra, em uma assembléia, e coloques tal amor em seus corações que eles não somente se unam, mas se casem. Estejas assegurado de que o resultado desta vontade eliminará as diferenças e disputas entre brancos e negros. 'Abdu'l-Bahá citado em Bahá'í World Faith, p. 359 52. Sua afirmativa no sentido de que o princípio da unicidade do gênero humano previne qualquer bahá'í verdadeiro de considerar a raça em si como um impedimento à união, também está em completa harmonia com os Ensinamentos da Fé. Pois tanto Bahá'u'lláh como 'Abdu'l-Bahá nunca desaprovaram a idéia de casamento inter-racial, nem a desencorajaram. De fato, os Ensinamentos Bahá'ís, pela sua própria natureza, transcendem todas as limitações impostas por raça, e como tais jamais podem nem devem se identificar com qualquer escola particular de filosofia racial. Shoghi Effendi, Diretrizes do Guardião, p. 20-1 53. ...devemos alcançar um plano espiritual onde Deus está em primeiro lugar e grandes paixões humanas são incapazes de nos afastar dEle. A todo tempo vemos pessoas que, ou pela força do ódio, ou por apegos apaixonados que têm por outra pessoa, sacrificam os princípios ou se afastam por si mesmas do Caminho de Deus. Devemos amar a Deus e, nesse estado, amar a todas as pessoas indistintamente torna-se possível. Não podemos amar cada ser humano por alguma razão específica a ser buscada em cada um deles, mas nossos sentimentos por toda a humanidade devem ser motivados por nosso amor pelo Pai que criou a todos os seres humanos. em nome de Shoghi Effendi, a um bahá'í, 4 de outubro de 1950 54. Existe uma diferença entre caráter e fé; é certamente difícil aceitar este fato e entendê-lo na prática, e há que se reconhecer que pelo fato de uma pessoa acreditar e amar a Causa - mesmo estando pronto para morrer por ela - ainda assim não possua um caráter imaculado, ou tenha ainda alguns traços contrários aos ensinamentos. A gente se esforça por mudar, deixar que o Poder de Deus nos recrie e nos torne verdadeiros bahá'ís, tanto em fé como em atos. Mas o processo é lento, algumas vezes acontece da pessoa não se esforçar o necessário. E isso nos causa sofrimentos, sendo um teste difícil para a pessoa... em nome de Shoghi Effendi, a um bahá'í, 17 de outubro de 1944 55. Um casal deve estudar o caráter um do outro e despender de um tempo para conhecerem-se antes de decidirem se casar, e quando casarem-se deve ser com a intenção de estabelecer uma união eterna. Casa Universal de Justiça, a um bahá'í, 2 de novembro de 1982 C - CASTIDADE 56. Nós, em verdade, decretamos em Nosso Livro uma boa e generosa recompensa para quem quer que se afaste da maldade e leve uma vida casta e pia. Verdadeiramente, Ele é o Grande Doador, o Todo-Poderoso. Seleção dos Escritos de Bahá'u'lláh, p. 95 57. Imploro-Te, ó Tu, Formador de nações e Rei da eternidade, que protejas Tuas servas no tabernáculo de Tua castidade, e que desfaças aqueles de seus atos que sejam indignos de Teus dias. Orações e Meditações de Bahá'u'lláh, p. 185 58. A pureza e a castidade têm sido, e ainda o são, os ornamentos supremos para as servas de Deus. Deus é Minha Testemunha! O esplendor da luz da castidade difunde sua iluminação sobre os mundos do espírito e sua fragrância é levada até o Mais Excelso Paraíso. Deus fez da castidade, verdadeiramente, um diadema para as cabeças de Suas servas. Grande é a bem-aventurança daquela serva que tiver alcançado tão elevado grau. Bahá'u'lláh citado em O Advento da Justiça Divina, p. 51 59. Dize: Quem seguir seus desejos mundanos e deixar o coração apegar-se às coisas da terra, não haverá de ser contado entre o povo de Bahá. É Meu verdadeiro seguidor aquele que, se vier a um vale de puro ouro, passará adiante, tão alheio como uma nuvem, não virando para trás nem fazendo pausa. Tal homem, seguramente, é de Mim. De suas vestes poderá a Assembléia no alto inalar a fragrância da santidade... E se ele encontrasse a mais bela e graciosa das mulheres, não sentiria o coração seduzido, nem por uma ligeira sombra de desejo pela sua beleza. Tal homem, realmente, é a criação da imaculada castidade. Assim vos instrui a Pena do Ancião dos Dias, segundo ordenado pelo vosso Senhor, o Onipotente, o Todo-Generoso. Seleção dos Escritos de Bahá'u'lláh, p. 96 60. Como esta estrutura física é o trono do templo interior, qualquer coisa que aconteça a essa parte física é por ele sentida. Na realidade, o que deleita em alegria ou se entristece com dor, é essa parte interior, e não o próprio corpo. Já que este corpo físico é o trono sobre o qual o templo interior é estabelecido, Deus tem ordenado que se preserve o corpo no grau possível, de modo que nada seja experimentado que possa causar repugnância. Seleção dos Escritos do Báb, p. 100 61. Tal vida casta e santa, implicando modéstia, pureza, temperança, decoro e uma mente sadia, exige nada menos que o exercício de moderação em tudo o que diz respeito ao vestuário, à linguagem, aos divertimentos e a todas as atividades artísticas e literárias. Requer uma vigilância diária no controle dos desejos carnais e das inclinações corruptas. Não admite conduta frívola, com seu excessivo apego a prazeres triviais e, muitas vezes, mal orientados. Exige abstenção total de bebidas alcoólicas, do ópio e de outras drogas semelhantes, formadoras do vício. Condena a prostituição da arte e da literatura, a prática do nudismo e da coabitação, a infidelidade em relações maritais e toda espécie de promiscuidade, de excessiva liberdade e de vício sexual. Não pode tolerar nenhuma complacência para com teorias, padrões, hábitos e excessos de uma era decadente. Não, antes, procura demonstrar, pela força dinâmica de seu exemplo, o caráter pernicioso de tais teorias, a falsidade de tais padrões, a vacuidade dessas pretensões, a perversidade desses hábitos e o caráter sacrílego desses excessos. Shoghi Effendi, O Advento da Justiça Divina, pp. 147-8 62. No que se refere a sua pergunta, se existem quaisquer formas legítimas de expressão do instinto sexual fora do casamento; de acordo com os Ensinamentos Bahá'ís, nenhum ato sexual pode ser considerado lícito, a menos que seja realizado entre pessoas legitimamente casadas. Fora da vida conjugal, não pode haver uso lícito ou saudável do impulso sexual. Por um lado, deveria ser ensinada à juventude bahá'í a lição do autocontrole que, quando exercitada, indubitavelmente tem um efeito salutar no desenvolvimento do caráter e, em geral, da personalidade. Por outro lado, deveria ser aconselhada, não só isso, mas até encorajada, a contrair matrimônio enquanto ainda jovem e de posse de seu total vigor físico. Fatores econômicos, sem dúvida, são freqüentemente um empecilho sério ao casamento quando se é jovem, mas na maioria dos casos, são somente uma desculpa e, como tais, não deveriam ser excessivamente enfatizados. em nome de Shoghi Effendi citado em Uma Vida Casta e Santa, p. 15 D - O CONSENTIMENTO DOS PAIS 63. No Bayán estipulou-se que o matrimônio depende do consentimento de ambos os nubentes. Desejando estabelecer o amor, a unidade e a harmonia entre os Nossos servos, Nós o ainda condicionamos, conhecida a vontade dos pretendentes, à permissão dos respectivos pais e mães, para que nem inimizade nem rancor nasçam entre eles. Ademais, com isso ainda temos outros propósitos. Bahá'u'lláh, O Kitáb-i-Aqdas, p. 35 64. O casamento é condicionado ao consentimento de ambos os nubentes e de seus pais e mães, quer a mulher seja virgem, quer não. Bahá'u'lláh, O Kitáb-i-Aqdas, p. 123 65. Os arranjos matrimoniais nesta gloriosa Fé, os quais são feitos pelos pais para suas crianças enquanto elas são jovens e não atingiram a idade da maturidade [15 anos], não são aceitos. Esta questão é de responsabilidade do casal quando ambos atingem a idade da maturidade. 'Abdu'l-Bahá, de uma Epístola traduzida do persa para o inglês, citado em The Consent of Parents to Marriage, texto 3 66. Observo que tenho retardado em responder à sua pergunta com relação... ao consentimento para o casamento de sua filha: isso precisa ser feito para que se realize o casamento bahá'í. Bahá'u'lláh assim o exige e não deixou justificativa alguma para que um pai (ou mãe) mude sua opinião. Portanto, eles são livres de assim fazê-lo. Uma vez autorizado por escrito o consentimento e o casamento realizado, os pais não têm mais o direito de interferir. Shoghi Effendi, Messages to Canada, p. 47 67. É, realmente, um caso muito desagradável quando pais e filhos diferem em alguns importantes assuntos da vida, tal como o casamento, porém a melhor maneira não é desrespeitar as opiniões de cada um, nem discutir numa atmosfera carregada, mas em vez disto tentar chegar a um acordo de modo amigável. em nome de Shoghi Effendi, a dois bahá'ís, em 29 de maio de 1929 68. ...a validade do casamento bahá'í é condicionado ao consentimento somente das duas partes e dos seus pais. Então, caso outros membros de sua família mostrarem qualquer aversão ou oposição à união de sua irmã..., a aprovação deles em nenhuma circunstância invalida a união. A aprovação dos pais é suficiente, mesmo que todo o resto da família violentamente se oponha. em nome de Shoghi Effendi, a dois bahá'ís, 31 de março de 1937 69. O Aqdas requer permissão dos pais para casar-se. Não existe menção da permissão e da necessidade de qualquer outra pessoa. em nome de Shoghi Effendi, a um bahá'í, 31 de janeiro de 1955 70. Se você perseverar e explanar à mãe que você não casará com sua filha sem seu consentimento, é muito possível que ela impressione-se por sua devoção à sua Fé e lhe dê sua permissão. De qualquer modo, sua obrigação bahá'í nesta questão é muito clara. em nome de Shoghi Effendi, a um bahá'í, 6 de março de 1955 71. Bahá'u'lláh enunciou claramente que o consentimento de todos os pais ainda vivos é uma exigência do casamento bahá'í. Isso aplica-se sejam os pais bahá'ís, ou não; divorciados há muitos anos, ou não. Ele estabeleceu esta grandiosa lei a fim de fortalecer a estrutura social, estreitar ainda mais os laços do lar, e inculcar nos corações dos filhos uma indubitável gratidão e respeito por aqueles que lhes concederam vida e lançaram-lhes as almas na eterna jornada rumo ao Criador. Nós bahá'ís, devemos compreender que na sociedade atual está ocorrendo o processo exatamente oposto: pessoas jovens importam-se cada vez menos com os desejos de seus pais, o divórcio é considerado um direito natural e obtido sob os pretextos mais insignificantes, injustificáveis e indignos. As pessoas separadas, especialmente se uma delas tem a custódia total dos filhos, estão muito dispostas a menosprezar a importância do companheiro de casamento, também responsável, como um dos pais, por ter trazido estas crianças a este mundo. Os bahá'ís devem, através da rígida aderência às leis e ensinamentos bahá'ís, combater estas forças corrosivas que estão tão rapidamente destruindo a vida em família e a beleza das relações familiares, e arrasando a estrutura moral da sociedade. em nome de Shoghi Effendi citado em Preservando Casamentos Bahá'ís, pp. 42-3 72. A validade de um casamento bahá'í é dependente do livre e pleno consentimento de todos os quatros pais. A liberdade dos pais, no exercício deste direito, é irrestrita e incondicional. Podem negar o seu consentimento por qualquer razão e são responsáveis por sua decisão somente da Deus. em nome de Shoghi Effendi citado em Preservando Casamentos Bahá'ís, p. 7 73. Tivemos a impressão.... que o que ele espera da lei que exige o consentimento dos pais antes do casamento é uma exigência meramente administrativa, não se dando conta de que se trata de uma lei de grande importância que afeta as próprias estruturas da sociedade humana. Ainda mais, parece que ele não reconhece que na Fé Bahá'í os aspectos espirituais e administrativos são complementares e que as leis civis da Fé são tão obrigatórias quanto puramente espirituais. Casa Universal de Justiça, à Assembléia Espiritual Nacional do Nordeste da Ásia, 4 de dezembro de 1963 74. É perfeitamente verdadeira a noção de que a afirmativa de Bahá'u'lláh quanto à exigência do consentimento de ambos os pais vivos para a realização do casamento representa uma enorme responsabilidade sobre cada um dos pais. Quando os pais são bahá'ís, eles devem, com certeza, agir de forma objetiva concedendo ou recusando seu consentimento. Não podem evadir-se dessa responsabilidade meramente aquiescendo aos desejos dos filhos, nem devem se deixar levar por preconceitos, mas, sejam bahá'ís ou não, a decisão dos pais é obrigatória, qualquer que seja a razão que lhes leve a tomar a decisão que expressarem. Os filhos devem reconhecer e entender que o ato de dar consentimento ou não é dever dos pais. Eles têm de respeitar, sinceramente, aqueles que lhes deram vida, e cujo apoio e agrado devem sempre buscar conquistar. Casa Universal de Justiça, à Assembléia Espiritual Nacional dos E.U.A., 1o de fevereiro de 1968 75. ...o consentimento dos pais deve ser obtido em todos esses casos antes da realização do casamento. A obediência às Leis de Bahá'u'lláh impõe necessariamente algumas dificuldades em casos individuais. Ninguém deve esperar, ao tornar-se bahá'í, que a sua fé não será testada, e que devido ao nosso entendimento finito de tais assuntos, esses testes poderão ocasionalmente parecer insuportáveis. Mas somos conscientes da garantia que o próprio Bahá'u'lláh deu aos bahá'ís de que eles nunca serão chamados a passar por testes maiores que sua capacidade de suportá-los. Casa Universal de Justiça, à Assembléia Espiritual Nacional do Havaí, 29 de janeiro de 1970 76. ...Pais ou parentes adotivos, que possam atuar em lugar dos pais biológicos, não precisam, pela lei bahá'í, dar seu consentimento para o casamento dos filhos que criam, embora não haja objeção a que os filhos obtenham tal consentimento se assim o desejarem. Casa Universal de Justiça, à Assembléia Espiritual Nacional da Itália, 9 de abril de 1970 77. Os bahá'ís impedidos de se casarem por falta do consentimento de um ou mais dos pais do casal podem consultar com sua Assembléia Espiritual Local para ver se a mesma poderá sugerir uma forma para mudar a atitude de qualquer um dos pais envolvidos. Os bahá'ís, quando têm de enfrentar tais problemas, devem confiar em Bahá'u'lláh, devotar mais tempo ao serviço da Causa, ensinar e promover Sua Fé, ser absolutamente fiel às Suas injunções quanto à observância de uma vida casta e imaculada, e confiar que Ele proverá um caminho e removerá o obstáculo, ou tornará conhecida Sua vontade. Casa Universal de Justiça, a um bahá'í, 9 de setembro de 1969 78. O consentimento exigido no Kitáb-i-Aqdas é o consentimento dos pais de ambas as partes dos nubentes. Ninguém mais pode dar este consentimento e a Casa Universal de Justiça não tem quaisquer poderes de mudar esta lei nem de abrir mão desta exigência. Casa Universal de Justiça, a um bahá'í, 10 de abril de 1973 79. Ao considerar o efeito da obediência às leis em vidas individuais, deve-se ter em mente que o propósito desta vida é o de preparar a alma para a próxima vida. Aqui, deve-se aprender a controlar e direcionar os seus impulsos animais, e não de ser um escravo deles. A vida neste mundo é uma sucessão de testes e realizações, de frustrações e de realizar novos progressos espirituais. Algumas vezes o caminho pode parecer muito difícil, mas pode-se testemunhar, muitas vezes, que a alma que obedece firmemente à lei de Bahá'u'lláh, por mais difícil que possa parecer, cresce espiritualmente, enquanto que aquele que transige a lei no interesse de sua própria aparente felicidade, vê-se perseguindo uma quimera: não alcança a felicidade que procurou, retarda seu progresso espiritual e, muitas vezes, atrai para si mesmo novos problemas. Para dar um exemplo bem óbvio: a lei bahá'í exige o consentimento dos pais para o casamento. Muito freqüentemente, hoje em dia, tal consentimento é negado por pais não-bahá'ís por razões de intolerância ou preconceito; no entanto, temos visto muitas vezes o efeito profundo sobre os pais que a firmeza dos filhos em ver cumprida a lei bahá'í lhes causa, a ponto de não somente o consentimento ser, finalmente, dado, mas o caráter dos pais pode ser afetado e seu relacionamento com os filhos grandemente fortalecido. Assim, mantendo-nos obedientes à lei bahá'í em face de todas as dificuldades, não somente fortaleceremos nosso próprio caráter como também exerceremos influência em outros ao nosso redor. Casa Universal de Justiça, Messages 1963 to 1986, p. 232 E - NOIVADO 80. Quanto à questão do matrimônio e do período estipulado entre o tempo do noivado e do casamento, este é um texto decidido do Livro de Deus e não pode ser interpretado. No passado, sérias dificuldades e problemas surgiram quando um longo período de tempo decorreu entre o noivado e o casamento. Agora, de acordo com o Texto do Livro, quando o casamento for combinado, isto é, quando as partes assumem o compromisso de se casarem, e que não houver dúvida de que se casarão, não mais de noventa e cinco dias devem decorrer antes do casamento ser feito... 'Abdu'l-Bahá citado em carta da Casa Universal de Justiça à Assembléia Espiritual Nacional dos E.U.A, 11 de abril de 1982 81. O começo dos noventa e cinco dias antes do casamento é o dia no qual o consentimento [dos pais] foi dado. Shoghi Effendi, a um bahá'í, 3 de abril de 1943 82. A lei obrigando os bahá'is a se casarem dentro do período de 95 dias após o noivado não está ainda aplicável para o Ocidente. Entretanto, aos persas que residem no Ocidente, tal lei é deixada a sua consciência. Casa Universal de Justiça, a uma Assembléia Espiritual Nacional, 14 de julho de 1965 83. Quanto à observância de detalhes da lei bahá'í pertinente ao casamento, como a duração do período de noivado... pelos bahá'ís iranianos agora residindo no Ocidente, essas leis são obrigatórias se ambos os noivos forem iranianos. Porém, se um deles for um bahá'í ocidental e o outro um bahá'í iraniano, embora seja uma atitude condigna informar seu cônjuge sobre essa lei, não deve exercer pressão para que a mesma seja observada. Casa Universal de Justiça, a um bahá'í, 7 de julho de 1968 F - A CERIMÔNIA DO CASAMENTO 84. Incumbe aos dois nubentes recitar um versículo especificamente revelado, que indica estarem eles de acordo com a vontade de Deus. Bahá'u'lláh, O Kitáb-i-Aqdas, p. 123 85. No que concerne aos Versículos(*) do Casamento [eles são]†: Para os homens: "Nós todos, verdadeiramente, anuiremos à Vontade de Deus." Para as mulheres: "Nós todas, verdadeiramente, anuiremos à Vontade de Deus." Bahá'u'lláh, O Kitáb-i-Aqdas, p. 85 (*)Estes Versículos foram revelados por Bahá'u'lláh em árabe, onde Ele fez a distinção de gêneros. Assim, todas as línguas, tal como as com base no latim (francês, espanhol, português, italiano) onde também há a distinção entre os gêneros, devem seguir este padrão. n.e. †Não há uma regra de quem deva falar primeiro, se o noivo ou a noiva; fica a cargo dos noivos decidirem. n.e. 86. No caso de haver mais de uma cerimônia, o bahá'í e o civil ou a cerimônia religiosa devem ser realizados no mesmo dia. Shoghi Effendi, à uma Assembléia Espiritual Nacional, 20 de junho de 1940 87. O casamento bahá'í não deve, no presente momento, ser oprimido por qualquer tipo de molde uniforme. O que é absolutamente essencial é o que Bahá'u'lláh estipulou no Aqdas. Os amigos podem, caso eles queiram, adicionar uma seleção dos Escritos à cerimônia - todavia, a assim chamada de "Epístola do Casamento"(*) não é uma parte necessária dos casamentos bahá'ís. No Bahá'í World existe uma oração† para o casamento... ele sugere... traduzi-la, e desta forma torná-la disponível aos amigos que queiram utilizá-la, caso assim desejarem. em nome de Shoghi Effendi, Principles of Bahá'í Administration, p. 14 (*) A Casa Universal de Justiça esclarece que este escrito é uma anotação de uma palestra de 'Abdu'l-Bahá, que não possui original, nem gravação, nem foi corrigida por 'Abdu'l-Bahá. Desta forma não pode ser considerada como Escrito Sagrado, mas, sim, como "nota de peregrino". Carta da CUJ de 9/4/03 à EBB. n.e. †Esta oração e outras já estão traduzidas e podem ser encontradas na seção "Casamento" do livro Orações Bahá'ís. n.e. ‡As Assembléias Espirituais Locais devem registrar os casamentos bahá'ís em ata e no livro especial de "Atas de Casamento", além de emitir a Certidão de Casamento Bahá'í, fornecida pela Editora Bahá'í do Brasil. Outros procedimentos, tal como o Registro Oficial de casamento, devem informar-se junto ao seu Conselho Bahá'í ou à Assembléia Espiritual Nacional. ne. 88. A cerimônia do casamento bahá'í deve ser feita porque somos bahá'ís, independente de ser legalmente reconhecida ou não. em nome de Shoghi Effendi, a Assembléia Espiritual Nacional dos E.U.A., outubro de 1950 89. ... casamentos bahá'ís devem ser encaminhados às assembléias para serem oficializados.‡ em nome de Shoghi Effendi, à Assembléia Espiritual Nacional do Canadá, 23 de junho de 1950 90. ...não existe ritual de acordo com o Aqdas, e o Guardião é muito esperançoso que nenhum o seja introduzido no presente momento e nenhum modelo comum a todos é aceito. Ele acredita que a cerimônia deva ser a mais simples possível, ambas as partes recitem as palavras reveladas por Bahá'u'lláh e excertos dos Escritos, e que orações sejam lidas, caso for desejável. Não deve haver nenhuma mescla dos velhos modelos com aquele novo e simples de Bahá'u'lláh, e os bahá'ís não devem se casar em igrejas ou qualquer outro lugar de reconhecida adoração de outros seguidores de outras Fés. em nome de Shoghi Effendi citado em The Bahá'í Community, pp. 43-4 91. A cerimônia, em si, deve ser muito simples. em nome de Shoghi Effendi, Principles of Bahá'í Administration, p. 59 92. ...sua afirmativa no sentido de que o princípio da unicidade do gênero humano previne qualquer bahá'í verdadeiro de considerar a raça em si como um impedimento à união, também está em completa harmonia com os Ensinamentos da Fé. Pois tanto Bahá'u'lláh como 'Abdu'l-Bahá nunca desaprovaram a idéia de casamento inter-racial, nem a desencorajaram. De fato, os Ensina-mentos Bahá'ís, pela sua própria natureza, transcendem todas as limitações impostas por raça, e como tais jamais podem nem devem se identificar com qualquer escola particular de filosofia racial. em nome de Shoghi Effendi citado em Diretrizes do Guardião, p. 20 93. Se um bahá'í casa com uma não-bahá'í que deseja ter a cerimônia religiosa de sua própria seita, deve ficar bem claro que, primeiro, o parceiro bahá'í deve ser entendido como sendo bahá'í por religião e não obrigado a aceitar a religião do outro parceiro por causa de sua cerimônia religiosa; e segundo, a cerimônia deve ser de tal natureza que não comprometa o bahá'í a qualquer declaração de fé em outra religião que não a sua própria. Nestas circunstâncias o bahá'í pode participar da cerimônia religiosa de seu parceiro não-bahá'í. O bahá'í deve insistir em celebrar a cerimônia bahá'í antes ou depois da não-bahá'í, no mesmo dia. em nome de Shoghi Effendi citado em Diretrizes do Guardião, p. 21 94. No caso de se realizar as cerimônias bahá'í e civil no mesmo dia, uma noite não deve separar as duas cerimônias - a consumação do casamento não deve se realizar até que ambas as cerimônias tenham sido realizadas. Casa Universal de Justiça, à Assembléia Espiritual Nacional dos E.U.A., 23 de abril de 1971 95. ...a noiva e o noivo, perante duas testemunhas devem declarar: "Nós todos (as), verdadeiramente, anuiremos à Vontade de Deus." Estas duas testemunhas podem ser escolhidas ou não pela Assembléia Espiritual, porém, em todos os casos, devem ser aprovadas pela Assembléia; pode ser o coordenador e o secretário, ou outros dois membros, ou outras duas pessoas, bahá'ís ou não, ou uma variação entre estas sugestões. A Assembléia pode decidir que todos as Certidões de Casamento devem ser assinadas pelo coordenador e secretário, mas isto é um assunto diferente e não tem nada a haver com a cerimônia em si ou com as testemunhas... As testemunhas podem ser duas pessoas de confiança cujo testemunho é aceito pela Assembléia Espiritual, em cuja jurisdição o casamento é realizado. Desta forma se torna possível para um pioneiro em um posto isolado, ter seu casamento bahá'í. Casa Universal de Justiça, a uma Assembléia Espiritual Nacional, 8 de agosto de 1969 96. A consumação do casamento por um casal é, como já mencionou, um íntimo e privado assunto fora do escrutínio de outros. Enquanto a consumação normalmente implica num relacionamento sexual, a lei bahá'í que requer que a consumação se dê dentro de vinte e quatro horas da cerimônia pode ser considerada completada se o casal começou sua coabitação com a intenção de iniciar uma relação familiar. Casa Universal de Justiça, a um bahá'í, 28 de julho de 1978 97. ...pessoas que queiram casar-se depois de terem se tornado bahá'ís, devem ter uma cerimônia bahá'í e não são consideradas casadas a não ser que tenham preenchido todos os requisitos desta lei bahá'í. Casa Universal de Justiça, à Assembléia Espiritual Nacional dos E.U.A, 22 de maio de 1967 98. ...como o Guardião costumava dizer: "casamento bahá'í é algo que você faz quando for se unir pela primeira vez, não muito tempo depois da união ter se dado." Entretanto, se este casal deseja fazer uma reunião com seus amigos, na qual orações e leituras bahá'ís sejam feitas para aquele casamento, agora que eles são bahá'ís, não existe nenhuma objeção em fazê-lo, porém deve ser entendido que isto não constitui uma cerimônia bahá'í de casamento. Casa Universal de Justiça, à Assembléia Espiritual Nacional do Peru, 23 de junho de 1969 99. Embora aqueles casamentos que tiveram cerimônia civil ou religiosa antes da pessoa se tornar bahá'í são aceitos como um casamento dentro das leis bahá'ís, pessoas que desejem casar-se depois de terem se tornado bahá'í, devem obrigatoriamente ter uma cerimônia bahá'í e não são consideradas casadas a não ser que tenham preenchido todos os requerimentos da lei bahá'í. Casa Universal de Justiça, a uma Assembléia Espiritual Nacional, 22 de maio de 1967 A - AMOR E UNIDADE 100. Em todas as épocas, união e associação têm sido aprazíveis aos olhos de Deus, e separação e dissensão abominadas. Firmai-vos àquilo que Deus ama e é Seu mandamento a vós. Ele, verdadeiramente, é o Onisciente e O que tudo vê, e Ele é o Ordenador de Suprema Sabedoria. Bahá'u'lláh citado em Preservando Casamentos Bahá'ís, p. 31 101. Após o reconhecimento de Deus pelo homem e ao tornar-se firme em Sua Causa, o estado de harmonia, concórdia e unidade é superior àquele decorrente da maioria das boas ações. Isto é o que Ele, que é o Desejo do mundo, testemunhou a cada manhã e entardecer. Deus aquiesce que tu possas seguir aquilo que foi revelado no Kitáb-i-Aqdas. Bahá'u'lláh citado em Preservando Casamentos Bahá'ís, p. 32 102. Vós sois os frutos de uma só árvore e as folhas de um mesmo ramo. Tratai uns aos outros com o maior amor e harmonia, em espírito amigável e fraternal. Aquele que é o Sol da Verdade dá-Me testemunho! Tão potente é a luz da unidade que pode iluminar toda a Terra. O Deus Uno e Verdadeiro, Quem conhece todas as coisas, testifica, Ele Mesmo, a verdade destas palavras. Seleção dos Escritos de Bahá'u'lláh, p. 215 103. O advento dos Profetas e das Revelações dos Livros Sagrados é para criar amor entre as almas e amizade entre os habitantes da Terra. Amor genuíno é impossível a não ser que a pessoa dirija sua face à face de Deus e seja atraída por Sua Beleza. 'Abdu'l-Bahá citado em Bahá'í World Faith, p. 364 104. Os grandes e fundamentais ensinamentos de Bahá'u'lláh são a unicidade de Deus e a unidade da humanidade. Este é o laço de união entre os bahá'ís do mundo todo. Eles se uniram entre si e unem outros. É impossível unir a menos que se esteja unido. Cristo disse: "Sois o sal da terra; mas se o sal perder seu sabor, com que será ele salgado?" Isto prova que houve dissensão e falta de união entre Seus seguidores. Daí Sua admoestação à unidade de ação. 'Abdu'l-Bahá, A Promulgação da Paz Universal, p. 192 105. Quando amardes um membro de vossa família ou um compatriota, que o seja com um raio do Amor Infinito! Que o seja em Deus e por Deus. Se em qualquer um encontrardes os atributos de Deus, amai essa pessoa, seja ela de vossa família ou de outra. Derramai a luz de um amor ilimitado sobre todos os seres humanos que encontrardes, sejam eles de vosso país, da vossa raça, do vosso partido político, ou de qualquer outra nação... Palestras de 'Abdu'l-Bahá, Paris - 1911, pp. 25-6 106. Comparai as nações do mundo aos membros de uma família. Uma família é uma nação em miniatura. Simplesmente alargai o círculo da família e tereis uma nação. Ampliai o círculo de uma nação e tereis toda a humanidade. As mesmas condições que envolvem a família envolvem a nação. Os fatos que ocorrem na família são os fatos que ocorrem na vida da nação. Se surgisse uma dissensão entre os membros de uma família, todos brigando e pilhando uns aos outros, desconfiados e vingativos pela injúria, buscando vantagens egoístas, isso acrescentaria ao progresso e avanço da família? Ao contrário, isto seria causa de obstrução do progresso e do avanço. O mesmo ocorre na grande família das nações, pois nações nada mais são do que um agregado de famílias. 'Abdu'l-Bahá, A Promulgação da Paz Universal, pp 193-4 107. Criar uma família é sumamente importante para o homem. Enquanto é jovem, devido à autocomplacência juvenil, não se dá conta de seu significado, mas isso será uma fonte de arrependimento quando envelhecer... Nesta gloriosa Causa, a vida de um casal deveria assemelhar-se à vida dos anjos no céu - uma vida cheia de alegria e delícia espiritual, uma vida de unidade e concórdia, uma amizade tanto mental como física. O lar deve ser ordeiro e bem organizado. Suas idéias e pensamentos devem como raios do sol da verdade e a radiância das brilhantes estrelas do céu. Como dois pássaros, devem trinar melodias sobre os ramos da árvore da camaradagem e harmonia. Devem sempre estar exultantes de alegria e contentamento e serem uma fonte de felicidade para os corações dos outros. Devem ser um exemplo para os outros homens, manifestar verdadeiro e sincero amor um pelo outro e educar seus filhos de tal maneira, que proclame a fama e glória de sua família. 'Abdu'l-Bahá citado em Uma Onda de Ternura, p. 34 108. Considerai os efeitos perniciosos da dissensão e discórdia na família; em seguida refleti sobre os favores e bênçãos que descem sobre essa família quando há unidade entre seus diversos membros. Que incalculáveis benefícios e bênçãos poderiam descer sobre a grande família humana se fossem estabelecidas a unidade e a fraternidade! Neste século, quando os benéficos resultados da unidade e as maléficas conseqüências da discórdia estão tão clara-mente evidentes, os meios de se alcançar e realizar a fraternidade humana apareceram no mundo. Bahá'u'lláh proclamou e providenciou o caminho pelo qual a hostilidade e a dissensão podem ser removidos do mundo humano. Ele não deixou qualquer base ou possibilidades para a dissensão e a discórdia. Primeiro Ele proclamou a unicidade da humanidade e ensinamentos religiosos especiais para as condições humanas existentes. 'Abdu'l-Bahá, A Promulgação da Paz Universal, pp. 284-5 109. Observai quão facilmente uma família onde reina a unidade conduz seus afazeres: como progridem seus membros, como prosperam no mundo! Seus negócios vão bem, desfrutam de conforto, tranqüilidade e segurança, sua posição está garantida e chegam a ser invejados por todos. Tal família, dia a dia, só se engrandece e se eleva em honra duradoura. Seleção dos Escritos de 'Abdu'l-Bahá, p. 254 110. Se amor e acordo se manifestarem numa única família, aquela família avançará, e se tornará iluminada e espiritual; mas se inimizade e ódio existirem em seu seio, a destruição e a dispersão são inevitáveis. 'Abdu'l-Bahá, A Promulgação da Paz Universal, p. 177 111. Eu vos exorto, a cada um de vós, que concentreis o íntimo dos vossos pensamentos no amor e na união... Pensamentos de guerra trazem destruição da harmonia, do bem-estar, da tranqüilidade e do contentamento. Palestras de 'Abdu'l-Bahá, Paris - 1911, p. 17 112. Sabe tu com certeza que o Amor é o segredo da santa Dispensação de Deus, é a manifestação do Todo-Misericordioso, a fonte das efusões espirituais. O amor é a benévola luz do céu, o sopro eterno do Espírito Santo que vivifica a alma humana. O amor é a causa da revelação de Deus ao homem, o laço vital que, de acordo com a criação divina, é inerente à realidade das coisas. O amor é o único meio de assegurar a verdadeira felicidade, tanto neste mundo como no vindouro. O amor é a luz que guia nas trevas, o elo vivo que une Deus ao homem, que torna certo o progresso de cada alma iluminada. Seleção dos Escritos de 'Abdu'l-Bahá, p. 24 113. ...evolução humana ...seus primórdios no despontar da vida em família, desenvolveu-se posteriormente ao alcançar a solidariedade tribal, que por sua vez levou à constituição da cidade-estado, e cuja expansão subseqüente resultou na instituição das nações independentes e soberanas. Shoghi Effendi, A Ordem Mundial de Bahá'u'lláh, p. 56 114. ...a Causa não veio para romper laços familiares mas para fortalecê-lo; não veio para eliminar o amor mas para fortalecê-lo; não foi criada para enfraquecer instituições sociais mas para solidificá-las. em seu nome de Shoghi Effendi citado em Uma Onda de Ternura, p. 38 115. Se nós bahá'ís não podemos obter uma cordial unidade entre nós mesmos, então falhamos em compreender o propósito principal pelo qual o Báb, Bahá'u'lláh e o Amado Mestre viveram e sofreram. A fim de obter esta unidade cordial, um ponto importante sobre o qual Bahá'u'lláh e 'Abdu'l-Bahá insistiram é o de que devemos resistir à tendência natural de deixar nossa atenção focalizar as faltas e defeitos dos outros, ao invés dos nossos próprios. Cada um de nós é responsável por uma vida só, e esta é nossa própria. Cada um de nós está imensuravelmente longe de ser "perfeito como é nosso Pai Celestial" e a tarefa de aperfeiçoar nossa própria vida e caráter requer toda nossa atenção, força de vontade e energia. Se permitirmos que nossa atenção e energia sejam usadas no esforço de manter os outros corretos e remediar suas falhas, estaremos desperdiçando precioso tempo. Somos como lavradores, cada um com sua parelha de animais para conduzir e seu arado para dirigir. A fim de mantermos em linha reta nosso sulco precisamos prestar atenção ao nosso objetivo e nos concentrar em nossa própria tarefa. Se desviarmos o olhar para o lado a fim de ver como Fulano e Sicrano estão agindo e criticar seu trabalho, então nosso próprio sulco seguramente ficará torto. Em nenhum assunto os Ensinamentos Bahá'ís são tão enfáticos como quanto à necessidade de nos abstermos da crítica e maledicência e de estarmos sempre ansiosos para descobrir e extirpar nossas próprias falhas e de vencermos nossos próprios fracassos. Se professamos lealdade a Bahá'u'lláh, ao nosso Amado Mestre e ao nosso querido Guardião, então precisamos mostrar nosso amor através da obediência a estes ensinamentos explícitos. Ações, e não palavras, são o que eles exigem e nenhuma intensidade de fervor no uso de expressões de lealdade e de louvor compensarão a falta de vivência no espírito dos ensinamentos. em nome de Shoghi Effendi citado em Viver a Vida, pp. 10-1 B. COMUNICAÇÃO 116. Se estiverdes cientes de uma certa verdade, se possuirás uma jóia da qual outros são privados, reparti-a com eles em uma linguagem da maior bondade e benevolência. Se for aceita, sendo assim realizado seu propósito, tereis atingido vosso objetivo. Se alguém a recusar, deixai-o a sós e suplicai a Deus que o guie. Guardai-vos de tratá-lo de um modo pouco bondoso. Uma língua bondosa é o imã dos corações dos homens. É o pão do espírito, veste de significado as palavras, é a fonte da luz da sabedoria e compreensão... Seleção dos Escritos de Bahá'u'lláh, p. 215 117. Diz o Grande Ser: O céu da sabedoria divina recebe luz de dois luminares: a consulta e a compreensão. Consultai-vos em todos os assuntos, pois a consulta é a lâmpada que guia, que mostra o caminho e confere compreensão. Epístolas de Bahá'u'lláh, p. 187 118. Dize: Nenhum homem pode atingir a sua verdadeira posição exceto através de sua justiça. Nenhum poder pode existir exceto através da unidade. Nenhum conforto e nenhum bem-estar podem ser atingidos exceto através da consulta Bahá'u'lláh citado em Consulta Bahá'í, p. 11 119. A consulta confere maior compreensão e transmuta a conjetura em certeza. Ela é uma luz brilhante que, em um mundo escuro, orienta e mostra o caminho. Para tudo existe um estágio de perfeição e maturidade. A maturidade da dádiva da compreensão é manifesta através da consulta. Bahá'u'lláh citado em Consulta Bahá'í, p. 12 120. Em todas as coisas é necessário consultar. Deveis enfatizar energicamente esse ponto, a fim de que a consulta possa ser observada por todos. O intuito do que tem sido revelado pela Pena do Altíssimo é que a consulta possa ser plenamente praticada entre os amigos, pois ela é e sempre será cauda de percepção e de despertar, e fonte de benefício e bem-estar. Bahá'u'lláh citado em Consulta Bahá'í, p. 12 121. Resolvei todas as coisas, tanto as grandes como as pequenas, pela consulta. Sem consulta prévia, não tomeis nenhum passo importante em vossos assuntos pessoais. Interessai-vos uns pelos outros. Ajudai-vos mutuamente em vossos planos e projetos. Afligi-vos uns pelos outros. Não deixeis que ninguém, em todo país, passe necessidade. Sede amigos uns dos outros até que vos torneis como um único corpo, todos vós e cada um de vós. Bahá'u'lláh citado em Consulta Bahá'í, p. 25 122. ...confies em Deus e sejas imutável tanto pelo elogio como por falsas acusações... dependas inteiramente de Deus. Tablets of Abdu'l-Bahá Abbas, vol I, p. 158 123. Os requisitos primordiais para aqueles que se reúnem em consulta são pureza de motivo, espírito radiante, desprendimento de tudo menos de Deus, atração a Suas Fragrâncias Divinas, humildade e submissão entre Seus bem-amados, paciência e resignação em dificuldades e serviço a Seu excelso Limiar. Se por Sua graça forem auxiliados a adquirir estes atributos, ser-lhes-á concedida a vitória proveniente do Reino invisível de Bahá. Seleção dos Escritos de 'Abdu'l-Bahá, p. 78 124. Os membros devem consultar em conjunto de tal modo a não dar ocasião para ressentimentos ou discórdia. Isto pode ser atingido quando cada membro expressa com absoluta liberdade a própria opinião e expõe suas razões, não se ofendendo caso alguém se opuser, pois só pela ampla consideração dos assuntos poderá ser revelado o caminho certo. A brilhante fagulha da verdade só aparece depois do fragor de opiniões diferentes. Seleção dos Escritos de 'Abdu'l-Bahá, p. 78 125. Se eles concordam sobre determinado assunto, mesmo que esteja errado, Isto é melhor do que discordar e estar certo, pois, essa divergência produzirá a demolição dos alicerces divinos. Ainda que um dos lados esteja com a razão, se eles discordarem, isto será a causa de mil erros, mas se eles concordam e ambos os lados estão errados, como há unidade, a verdade será revelada e o errado se fará certo. 'Abdu'l-Bahá citado em Consulta Bahá'í, p. 19 126. Lembrai, acima de tudo, os ensinamentos de Bahá'u'lláh a respeito de mexerico e conversa indecorosa sobre os outros. Histórias repetidas a respeito de outrem raramente são boas. Uma língua silenciosa é a mais protegida. Até mesmo o bem pode ser prejudicial se falado em hora imprópria, ou para a pessoa errada. Palestras de 'Abdu'l-Bahá, Londres - 1911, p. 114 127. Guardar silêncio sobre os defeitos dos outros, orar por eles e ajudá-los com bondade a corrigir seus defeitos. Olhar sempre para o bem e não para o mal. Se um homem tiver dez boas qualidades e uma só má, devemos olhar para as dez e esquecer-nos desta última; e se um homem tiver dez más qualidades e apenas uma boa, devemos olhar para esta e nos esquecermos das dez. Jamais nos consentir pronunciar uma única palavra que não seja bondosa sobre outra pessoa, ainda que seja nossa inimiga. 'Abdu'l-Bahá citado em Bahá'u'lláh e a Nova Era, p. 82 128. O homem deve consulta sobre todos os assuntos, sejam de maior ou menor importância, para que possa se tornar ciente daquilo que é bom. A consulta dá-lhe compreensão sobre as coisas e lhe permite investigar assuntos desconhecidos. A luz da verdade das faces daqueles que se empenham em consultar. Tal consulta faz com que as águas vivas fluam nos prados da realidade do homem, que os raios da glória antiga brilhem sobre ele, e que a arvore do seu ser seja adornada com frutos maravilhosos. Os membros que estão consultando, entretanto, deveriam se comportar com o maior amor, harmonia e sinceridade uns para com os outros. O principio da consulta é um dos elementos mais fundamentais do edifício divino. Mesmo em seus afazeres habituais os membros individuais da sociedade deveriam consultar. 'Abdu'l-Bahá citado em Consulta Bahá'í, pp. 20-1 129. Bahá'u'lláh também frisou a importância da consulta. Não devemos pensar que este método, digno de valor na procura de soluções, está confinado às instituições administrativas da Causa. Consulta em família, empregando plena e franca discussão e animada pela conscientização da necessidade de moderação e equilíbrio, pode ser a panacéia de conflitos domésticos. Casa Universal de Justiça citada em Preservando Casamentos Bahá'ís, p. 20 C - TESTES E DIFICULDADES 130. Ó Filho do Homem! Minha calamidade é Minha providência; exteriormente, é fogo e vingança, mas, interiormente, é luz e misericórdia. Apressa-te para ela, a fim de que venhas a ser uma luz eterna e um espírito imortal. É este o Meu mandamento a ti; observa-o. Bahá'u'lláh, As Palavras Ocultas, p.52 131. Ó Estranho Tido por Amigo! A vela de teu coração é acesa pela mão de Meu poder; não a apagues com os ventos contrários do ego e da paixão. O que sana todos os teus males é a lembrança de Mim, não te esqueças disso. Faze de Meu amor teu tesouro e estima-o assim como estimas tua própria vista e vida. Bahá'u'lláh, As Palavras Ocultas, p. 112 132. Em verdade, a coisa mais necessária é o contentamento sob todas as circunstâncias, pois ele nos protege contra a morbidez e a lassidão. Não vos rendais à aflição e à tristeza: são causadoras da maior angústia. O ciúme consome o corpo e a ira faz arder o fígado: evitai a ambos como evitaríeis a um leão. Bahá'u'lláh citado em Bahá'u'lláh e a Nova Era, p. 106 133. Se algumas diferenças surgirem entre vós, vede-Me diante de vossa face e não olheis as faltas uns dos outros, por consideração a Meu Nome e como sinal de vosso amor por Minha Causa manifesta e resplendente. Em todos os tempos gostamos de vos ver associardes uns aos outros em amizade e concórdia dentro do paraíso de Meu beneplácito, e de inalar de vossos atos a fragrância da amizade e união, da benevolência e do amor fraternal. Seleção dos Escritos de Bahá'u'lláh, pp. 233-4 134. Ó tu que és firme no Convênio! A carta que escreveste no dia 2 de maio de 1919 foi recebida. Rende louvores a Deus por seres firme e constante nas provações e por estares fortemente apegado ao Reino de Abhá. Não és abalado por aflição alguma, nem perturbado por nenhuma calamidade. Só quando o homem é provado é que o ouro puro é separado distintamente da escória. O tormento é o fogo da provação no qual o ouro puro brilha com resplendor, e a impureza é queimada e enegrecida. Louvado seja Deus! Atualmente estás firme e constante nas provações e tribulações, e por elas não és abalado. Seleção dos Escritos de 'Abdu'l-Bahá, p.108 135. Espera em Deus. Confia nEle. Louva-O e evoca-O continuamente. Ele, em verdade, transforma infortúnio em sossego, pesar em conforto, faina em paz absoluta. Ele, verdadeiramente, tem domínio sobre todas as coisas. Seleção dos Escritos de 'Abdu'l-Bahá, p. 161 136. Se a tua vida diária torna-se difícil, logo o Senhor irá te conceder aquilo que irá te satisfazer. Sê paciente em tempo de aflição e provações, suporta toda dificuldade e privação com o coração pleno, espírito atraído e língua eloqüente em lembrança do Misericordioso. Em verdade, esta é a vida do contentamento, da experiência espiritual, do repouso espiritual, das bênçãos divinas e da mesa celestial! Logo teu Senhor acabará com tua condição de dificuldades, mesmo neste mundo. 'Abdu'l-Bahá citado em Bahá'í World Faith, p. 375 137. Quanto a teu honrado esposo: incumbe a ti tratá-lo com grande bondade, levar em conta seus desejos, e ter para com ele uma atitude conciliatória em todos os momentos - até que ele veja que, porque te dirigiste ao Reino de Deus, tua ternura para com ele e teu amor a Deus têm aumentado, bem como tua consideração por seus desejos em todas as circunstâncias. Seleção dos Escritos de 'Abdu'l-Bahá, p. 109 138. Tua esposa não está em harmonia contigo, mas - mercê de Deus - a Abençoada Beleza está satisfeita contigo e te está concedendo as maiores dádivas e bênçãos. Mas esforça-te ainda para teres paciência com tua esposa; talvez ela se transforme e seu coração se ilumine. A contribuição que fizeste para o ensino é sumamente aceitável, e será mencionada eternamente no Reino Divino, pois é causa da difusão de fragrâncias e da exaltação da Palavra de Deus. Seleção dos Escritos de 'Abdu'l-Bahá, p. 108 139. Ele sente que agora que encontrou o objeto de sua procura interior e tem como uma alegria adicional em sua vida a nossa gloriosa Fé, deve ser mais bondosa com seu esposo e ter mais do que nunca consideração, e fazer tudo que estiver em seu poder para fazê-lo sentir que isto não a afastou dele, mas somente fez o seu amor por ele, e seu desejo de ser uma boa esposa para ele, maior. Se finalmente ele será capaz de se tornar um bahá'í ou não, é algo que somente o tempo pode dizer; todavia, não há dúvida onde está seu dever, e isto é de fazer com que aprecie o fato de que sua nova afiliação não interferiu de qualquer forma com a vida doméstica e o casamento dele, mas, o contrário, fortaleceu a ambos. É muito difícil, quando se encontra o que se sabe ser a verdade, de ficar inativo e ver um parente próximo completamente cego para isto. A tentação é de tentar, "despertá-los e fazer com que vejam a luz", porém isto é freqüentemente desastroso. O silêncio, o amor e a paciência conquistarão maiores vitórias em tais casos. Entretanto, seu esposo não tem o direito de lhe pedir que deixe de ser bahá'í. Isto é ir longe demais. Ninguém deve violar o vínculo sagrado que todo ser humano tem o direito de ter com seu Criador. Shoghi Effendi citado em Uma Onda de Ternura, pp. 64-5 140. Não deveríamos, no entanto, esquecer que uma das características essencial deste mundo é as adversidades e tribulações e que superando-as conseguimos nosso desenvolvimento moral e espiritual. Como diz o Mestre, os pesares são como os sulcos do arado; quanto mais profundos, tanto mais abundantes serão os frutos que colheremos. em nome de Shoghi Effendi citado em Viver a Vida, pp. 11-2 141. Devemos sempre olhar para frente e procurar fazer no futuro aquilo em que talvez tenhamos falhado no passado. Fracassos e provações, se usados corretamente, podem tornar-se os méis de purificação de nosso espírito, de fortalecimento de nosso caráter e de nos capacitar a atingir alturas mais elevadas no serviço. em nome de Shoghi Effendi citado em Viver a Vida, p. 19 142. Não devemos somente ser pacientes com os outros, infinitamente pacientes, mas também com o nosso pobre eu [ego], lembrando-nos de que, algumas vezes, até os Profetas de Deus ficaram cansados e gritaram em desespero! em nome de Shoghi Effendi, a um bahá'í, 5 de abril de 1956 143. Ele sente que deva, de todas as maneiras, fazer todo esforço para manter seu casamento intacto, especialmente para o bem de seus filhos, que, como todos os filhos de pais divorciados, podem tão somente sofrer de lealdades conflitantes, pois estão privados das bênçãos de um pai e uma mãe em um lar, para zelar por seus interesses e amá-los conjuntamente. Agora que compreende que seu esposo está doente, deve ser capaz de se reconciliar com as dificuldades que enfrentou emocionalmente com ele e, por mais que sofra, não tomar uma atitude implacável. Sabemos que Bahá'u'lláh tem, com muita veemência, desaprovado o divórcio; e incumbe, realmente, aos bahá'ís fazerem um esforço quase sobre-humano a fim de não permitir que um casamento seja dissolvido. em nome de Shoghi Effendi citado em Preservando Casamentos Bahá'ís, p. 17 144. É muito triste quando tais diferenças de opinião e crença ocorrem entre marido e mulher, pois, indubitavelmente, diminui o elo espiritual que é a fortaleza do laço familiar, especialmente em tempos de dificuldade. Entretanto, a maneira como poderia ser remediado não é agindo de tal modo a que se aliene a outra pessoa. De fato, um dos objetivos da Causa é ocasionar um laço mais íntimo nos lares. Portanto, em todos os casos desta natureza, o Mestre costumava aconselhar obediência aos desejos da outra pessoa e oração. Ore para que seu esposo possa gradualmente ver a luz e ao mesmo tempo aja de tal modo a atraí-lo para mais perto, em vez de criar prevenção. Tão logo esta harmonia esteja assegurada, serão então capaz de servir sem empecilhos. em nome de Shoghi Effendi citado em Preservando Casamentos Bahá'ís, p. 6 145. O Guardião recebeu sua carta... e soube com profunda preocupação de suas dificuldades e contratempos familiares. Ele deseja que eu a assegure de suas fervorosas orações em seu nome e em nome de seus entes queridos em casa, para que possa ser guiada e ajudada do alto a conciliar suas diferenças e de restaurar completa harmonia e companheirismo entre vocês. Ao mesmo tempo em que ele a solicitaria a fazer qualquer sacrifício a fim de ocasionar a unidade em sua família, ele não deseja que se sinta desencorajada se seus esforços não derem quaisquer resultados imediatos. Deve fazer sua parte com absoluta fé de que assim fazendo está cumprindo com seu dever como bahá'í. O resto está, seguramente, nas mãos de Deus. Quanto à atitude de seu esposo em relação à Causa; por mais temerosa que possa ser, deve sempre ter esperança que através de meios conciliatórios e amigáveis, e com esforço sábio, diplomático e paciente, pode gradualmente ter sucesso em conquistar sua simpatia para com a Fé. Sob nenhuma circunstância deve tentar ditar ou impor a ele pela força suas convicções religiosas pessoais. Nem tão pouco deve permitir que sua oposição à Causa, impeçam seriamente suas atividades... Deve agir pacientemente, diplomaticamente e com confiança que seus esforços estão sendo guiados e reforçados por Bahá'u'lláh. em nome de Shoghi Effendi citado em Uma Onda de Ternura, pp. 41-2 146. Ele ficou muito triste de ver que está tendo problemas em seu lar em virtude da Fé Bahá'í. Ele sente que deve fazer tudo que estiver em seu poder para promover o amor e a harmonia entre seu esposo e si mesma, em benefício de vocês mesmos e em benefício de seus filhos. Entretanto, deve salientar para ele que todo homem é livre de procurar Deus por si próprio e que jamais procurará influenciá-lo ou até mesmo discutir a Fé Bahá'í com ele, se não o desejar, deverá deixá-la livre para participar nas reuniões. O Guardião espera que através de paciência, tato e oração, gradualmente superará seu preconceito. em nome de Shoghi Effendi citado em Uma Onda de Ternura, pp. 52-3 147. O Guardião deseja que eu a solicite especialmente a permanecer paciente e confiante e, acima de tudo, a, que demonstre a seu esposo a máxima bondade e amor em troca de toda a oposição e ódio que recebe dele. Uma atitude conciliatória e amistosa em tais casos não é somente o dever de todo o bahá'í mais também é a maneira mais efetiva de conquistar para a Causa a simpatia e admiração de seus antigos adversários e inimigos. O amor é, em verdade, um elixir potentíssimo que pode transformar as pessoas mais vis e desprezíveis em almas celestiais. Possa seu exemplo servir para confirmar ainda mais a verdade deste belo ensinamento de nossa Fé. em nome de Shoghi Effendi citado em Uma Onda de Ternura, pp. 40-1 148. Entretanto, como sem dúvida sabe, Bahá'u'lláh afirmou que o propósito do casamento é o de promover unidade, de modo que deve ter isto em mente quando tratar com seus pais não-bahá'ís; não se pode esperar que sintam do modo como nós o fazemos em questões de amizade racial e não devemos impor nosso pontos de vista a eles, mas, preferivelmente, tratar de educá-los com amor e sabedoria. em nome de Shoghi Effendi citado em Uma Onda de Ternura, p. 65 149. Não há limite para nossas ofertas para o Templo. Quanto mais damos, melhor o é para a Causa e para nós mesmos. Todavia, o seu caso é um caso especial, desde que seu esposo não é um crente. Se tiver sucesso em convencê-lo da importância de suas doações para a Causa tanto melhor. Porém, jamais deveria opor-se a ele neste assunto e permitir que qualquer coisa perturbe a paz e a unidade de sua vida doméstica. em nome de Shoghi Effendi citado em Uma Onda de Ternura, p. 40 150. A respeito de sua outra pergunta relativa ao relacionamento tenso entre a senhora e a sua sogra e o que poder fazer para aliviar a situação, sentimos que deva, com a ajuda e em consulta com seu esposo, perseverar em seus esforços para alcançar a unidade na família. Da descrição da atitude inamistosa que sua sogra demonstra para consigo, é óbvio que não terá uma tarefa fácil. Entretanto, a questão importante é que,como um bahá'í, está consciente da admoestação de 'Abdu'l-Bahá para que se concentre nas boas qualidades do indivíduo e que esta maneira de tratar sua sogra pode fortalecê-la em sua resolução de alcançar a unidade. E, além disso, perseverança na oração lhe dará a força para continuar em seus esforços. Casa Universal de Justiça citada em Uma Onda de Ternura, p. 6 151. Ao considerar os problemas que o senhor e sua esposa estão passando, a Casa Universal de Justiça salienta que a unidade de sua família deve ter prioridade quanto a qualquer outra consideração... Por exemplo, serviço à Causa não deve gerar desatenção para com a família. É importante que disponha seu tempo de tal modo que sua vida doméstica seja harmoniosa e seu lar receba a atenção que necessita. Bahá'u'lláh também frisou a importância da consulta. Não devemos pensar que este método digno de valor na procura de soluções está confinado às instituições administrativas da Causa. Consulta em família empregando completa e franca discussão e animada pela conscientização da necessidade de moderação e equilíbrio, pode ser a panacéia de conflitos domésticos. Casa Universal de Justiça citada em Uma Onda de Ternura, p. 68 152. A Casa de Justiça identifica que aprender a não se preocupar com as faltas alheias é uma das mais difíceis tarefas que uma pessoa pode ter, e que fracassar nesta tarefa, pode tornar-se uma fértil causa de disputas entre os bahá'ís, tal como é entre os homens e mulheres em geral. Em Star of the West, volume 8, no 10, p. 138, existe um registro de uma resposta dada por 'Abdu'l-Bahá, em uma entrevista particular feita em Paris em 1913. Perguntaram-Lhe: "-- Como poderei superar o problema de ver as faltas alheias, reconhecendo erro nos outros? -- Eu te direi. Sempre que reconheceres as faltas alheias, penses em ti mesmo. Quais são minhas imperfeições? E tentes eliminá-las. Faças isto sempre que sejas tentado pelas palavras e ações alheias. Então, irás crescer, tornaste-á mais perfeito. Irás superar o ego e não terás nem tempo para pensar nas faltas dos outros..." em nome da Casa Universal de Justiça,a um bahá'í, 5 de abril de 1981 D - IGUALDADE ENTRE HOMENS E MULHERES 153. Ó Filho do Homem! Não sabeis por que Nós vos criamos a todos do mesmo pó? A fim de que ninguém se enaltecesse acima dos outros. Ponderai no coração, em todos os tempos, de que modo fostes criados. Já que vos criamos a todos da mesma substância, deveis ser como uma só alma, andando com os mesmos pés, alimentando-vos com a mesma boca e habitando na mesma terra, a fim de que, do imo de vosso ser, através de vossas ações, se manifestem os sinais da unidade e a essência do desprendimento. É esse o Meu conselho a vós, ó assembléia da luz! Atendei a esse conselho, para que possais obter, da árvore de glória maravilhosa, o fruto da santidade. Bahá'u'lláh, As Palavras Ocultas, p. 69 154. A humanidade assemelha-se a uma ave com suas duas asas - uma é o macho, a outra a fêmea. A ave, a menos que ambas as asas sejam fortes e impelidas por uma força comum, não pode voar rumo ao céu. De acordo com o espírito desta época, as mulheres devem progredir e cumprir sua missão em todos os setores da vida, tornando-se igual ao homem. Devem estar no mesmo nível que os homens e gozar de direitos iguais. Esta é minha mais ardente prece, e é um dos princípios fundamentais de Bahá'u'lláh. 'Abdu'l-Bahá citado em Bahá'u'lláh e a Nova Era, pp. 142-3 155. A Justiça Divina exige que sejam igualmente respeitados os direitos de ambos os sexos, desde que nenhum deles é superior ao outro, aos olhos do Céu. Na presença de Deus, a dignidade não depende de sexo, mas, sim, da pureza e luminosidade de coração. As virtudes humanas pertencem igualmente a todos! Palestras de 'Abdu'l-Bahá, Paris -- 1911, p. 160 156. As mulheres têm direitos iguais aos dos homens na Terra; na religião e na sociedade, são elas um elemento muito importante. Enquanto as mulheres forem impedidas de atingir suas mais altas possibilidades, os homens não estarão habilitados a alcançar o máximo da sua capacidade de grandeza. Palestras de 'Abdu'l-Bahá, Paris -- 1911, p. 130 157. No mundo da humanidade encontramos grande diferença; o sexo feminino é tratado como se fosse inferior e não lhe são permitidos privilégios e direitos iguais. Esta condição não é devida à natureza, mas, sim, à educação. Na Criação Divina não há tal distinção. À vista de Deus, nenhum sexo é superior ao outro. Por que, então, deve um sexo afirmar a inferioridade do outro, recusando privilégios e justos direitos, como se Deus tivesse concedido autoridade para tal linha de conduta? Se as mulheres recebessem os mesmos benefícios educacionais dos homens, o resultado demonstraria a igualdade de capacidade de ambos para a erudição. Palestras de 'Abdu'l-Bahá, Paris - 1911, p. 159 158. Sua Santidade Bahá'u'lláh fortaleceu muito a causa das mulheres, cujos direitos e privilégios constituem um dos maiores princípios de 'Abdu'l-Bahá. Assegurai-vos. Brevemente dia virá em que os homens se dirigirão às mulheres, dizendo: Benditas sejais! Verdadeiramente sois dignas de todas as dádivas. Verdadeiramente mereceis adornar vossas cabeças com a coroa da glória eterna porque, nas ciências e nas artes, em virtudes e perfeições, vos tornareis iguais ao homem e no que diz respeito à ternura de coração, riqueza de misericórdia e solidariedade, lhe sois superiores. Palestras de 'Abdu'l-Bahá, Paris - 1911, p. 190 159. Nesta Revelação de Bahá'u'lláh, as mulheres caminham lado a lado com os homens. Em nenhum movimento serão deixadas para trás. Seus direitos são iguais em grau aos dos homens. Elas ingressarão em todos os ramos administrativos da política. Em tudo atingirão tal nível que lhes será destinada a mais alta posição no mundo e participarão em todas as atividades. Ficai certas. Não considereis as condições atuais; num futuro não distante, o mundo das mulheres tornar-se-á inteiramente refulgente e glorioso, pois Sua Santidade Bahá'u'lláh assim determinou! Na época das eleições, o direito de voto das mulheres é inalienável; e é questão irrefutável e incontrovertida a admissão das mulheres em todos os departamentos humanos. Ninguém pode impedir isso, nem retardá-lo. Palestras de 'Abdu'l-Bahá, Paris - 1911, p. 189 160. A mulher deve então esforçar-se para atingir a maior perfeição, para ser igual ao homem em todos os aspectos, para progredir naquilo tudo em que esteve atrasada, de maneira que o homem seja compelido a reconhecer sua igualdade de capacidade e realização. Palestras de 'Abdu'l-Bahá, Paris - 1911, p. 160 161. A falha no progresso e proficiência das mulheres era devida à carência de educação e oportunidade iguais. Se lhe fosse permitida essa igualdade, não há dúvida de que ela seria equiparada ao homem em habilidade e capacidade. A felicidade da humanidade será atingida quando mulheres e homens, coordenados, avançarem igualmente, pois cada um é o complemento e assistente do outro. 'Abdu'l-Bahá, A Promulgação da Paz Universal, p. 226 E - EDUCAÇÃO DAS CRIANÇAS 162. É dever obrigatório dos pais educar seus filhos a serem firmes na fé, pois a criança que se aparta da religião de Deus não agirá de modo a conquistar o agrado de seus pais e de seu Senhor. Toda a ação louvável nasce da luz da religião, e faltando-lhe esta suprema bênção, a criança não se afetará de nenhum mal, nem se aproximará de nenhum bem. Bahá'u'lláh citado em Educação Bahá'í, p. 16 163. O temor a Deus sempre foi o fator básico na educação de Suas criaturas. Bem-aventurados aqueles que o alcançaram! Bahá'u'lláh, Epístola ao Filho do Lobo, p. 43 164. A todo o pai se ordenou a instrução do filho e da filha na arte de ler e escrever, e em tudo que se encontra registrado na Santa Epístola. Quanto àquele que desconsidera o que lhe foi prescrito: se tiver posses, os Mandatários tomarão dele o necessário para a instrução das criaturas, caso contrário, entregue-se o assunto à Casa Universal de Justiça. Verdadeiramente, fizemos dela um abrigo para os pobres e necessitados. Quem cria o seu próprio filho, ou filho de outrem, é como se criasse um filho Meu; sobre ele repousem Minha glória, Minha ternura e Minha mercê, que envolveram o mundo inteiro. Bahá'u'lláh, O Kitáb-i-Aqdas, p. 31 165. Incumbe às crianças esforçarem-se ao máximo na aquisição da arte de ler e escrever. Um domínio da escrita que satisfaça as necessidades mais urgentes será suficiente para algumas; e então, é melhor e mais adequado que dispendam o seu tempo estudando aqueles ramos do conhecimento que são de utilidade. Quanto ao que a Pena Suprema previamente prescreveu, sua razão é que, em toda a arte e ofício, Deus ama a mais elevada perfeição. Bahá'u'lláh citado em Educação Bahá'í, p. 18 166. A mãe é a primeira educadora da criança. Pois a criança, nos primeiros anos de vida, é viçosa e tenra como um jovem ramo e pode ser orientada, ela crescerá corretamente, em perfeita simetria. Está claro que a mãe é a primeira educadora e que é ela quem estabelece o caráter e a conduta da criança. 'Abdu'l-Bahá citado em Educação Bahá'í, p. 70 167. Ó vós mães amorosas, sabei que, aos olhos de Deus, a melhor das formas de adorá-Lo é a educação das crianças; é dar-lhes treinamento em todas as perfeições da humanidade. Nenhum ato mais nobre do que este pode ser imaginado. Seleção dos Escritos de 'Abdu'l-Bahá, p. 125 168. O pai deve sempre se esforçar para educar seu filho e de familiarizá-lo com os ensinamentos celestiais. Deve sempre aconselhar e exortá-lo, ensinar-lhe uma conduta e caráter louváveis, capacitá-lo a receber treinamento escolar e de ser instruído em tais artes e ciências que sejam consideradas úteis e necessárias. Em resumo, que instile em sua mente as virtudes e perfeições do mundo da humanidade. Acima de tudo, deveria continuamente lembrá-lo de se recordar de Deus, de modo que suas palpitantes veias e artérias possam pulsar com o amor de Deus. 'Abdu'l-Bahá citado em Uma Onda de Ternura, p. 26 169. Ó servas do Senhor! A congregação espiritual que estabelecestes nessa cidade iluminada é extremamente oportuna. Fizestes grandes progressos; excedestes aos demais; levantaste-vos em serviço ao Santo Limiar e obtivestes dádivas celestiais. Agora, com todo zelo espiritual, deveis reunir-vos nessa congregação iluminada, deveis recitar os Escritos Sagrados e ocupar-vos na comemoração do Senhor. Exponde Seus argumentos e Suas provas. Trabalhai pela orientação das mulheres dessa terra, ensinai as mocinhas e as crianças, de forma que as mães possam educar seus pequenos desde a primeira infância, adestrá-los plenamente, incutir-lhes bom caráter e boa moral, guiá-los a todas as virtudes da humanidade, impedir o desenvolvimento de qualquer conduta condenável, e nutri-los no regaço da educação bahá'í. Destarte, essas tenras criancinhas haverão de ser nutridas no seio do conhecimento e do amor de Deus. Desse modo haverão de crescer e florescer, e ser-lhes-ão ensinadas a retidão e a dignidade da espécie humana, a coragem e a vontade para esforçar-se e para resistir. Assim aprenderão a ter perseverança em todas as coisas, a querer progredir, a ter magnanimidade e firme determinação, castidade e pureza na vida. Dessa maneira, serão capacitadas a concluir com êxito qualquer coisa que empreendam. As mães devem considerar prioritário tudo o que se relacione com a educação de crianças. Devem fazer todo esforço nesse sentido, pois quando o ramo está verde e tenro ele crescerá em qualquer direção na qual o orientardes. Cumpre às mães, portanto, criar seus pequenos do mesmo modo como um jardineiro cultiva as plantas novinhas. Que elas, dia e noite, esforcem-se para inculcar em seus filhos a fé e a certeza, o temor a Deus, o amor ao Bem-Amado dos mundos, e todas as boas qualidades e características. Sempre que a mãe veja o filho proceder bem, deve elogiá-lo e aplaudi-lo, e alegrar-lhe o coração; e se a menor característica indesejável manifestar-se, deveria aconselhar o filho, e puni-lo usando métodos baseados na razão - até mesmo através de leve reprimenda, caso isso seja necessário. Contudo, não é permissível bater numa criança, nem insultá-la, pois o caráter da criança será totalmente deturpado se ela for sujeitada a maus-tratos ou abuso verbal. Seleção dos Escritos de 'Abdu'l-Bahá, p. 112 170. Ó servas da beleza de Abhá! Vossa carta foi recebida, e sua leitura trouxe grande alegria. Louvado seja Deus, as mulheres bahá'ís organizaram reuniões nas quais aprenderão a ensinar a Fé, difundirão as doces fragrâncias dos Ensinamentos, e farão planos para o ensino das crianças. Essa reunião deve ser completamente espiritual. Isto é, as deliberações devem restringir-se à reunião de prova claras e concludentes de que o Sol da Verdade realmente Se levantou. E, além disso, as participantes deveriam ocupar-se com todos os meios para o treinamento das meninas; com o ensino dos vários ramos do conhecimento, do bom comportamento e do modo de vida adequado; com o cultivo do bom caráter, da castidade, da constância, da perseverança, da fortaleza, da determinação e da firmeza de propósitos; com a administração do lar, a educação das crianças e qualquer coisa que se aplique especialmente às necessidades das meninas a fim de que estas - criadas na cidadela de todas as perfeições, e com a proteção de um belo caráter - quando elas mesmas forem mães, venham a educar seus filhos, desde a primeira infância, de tal maneira que eles adquiram bom caráter e boa conduta. Que também estudem a respeito de tudo o que promove a saúde do corpo e sua boa condição física, e sobre como proteger seus filhos contra doenças. Quando as coisas forem bem organizadas dessa maneira, cada criança tornar-se-á planta sem igual nos jardins do Paraíso de Abhá. Seleção dos Escritos de 'Abdu'l-Bahá, pp. 110-1 171. Deveríeis considerar de fundamental importância a questão do caráter virtuoso. Incumbe a todo pai e toda mãe aconselhar os filhos durante um longo período, e guiá-los àquelas coisas que conduzem à honra eterna. Encorajai as crianças em idade escolar, desde os primeiros anos, a proferir palestras de alta qualidade, de modo que venham a dedicar suas horas de lazer à apresentação de palestras convincentes e notáveis, expressando-se com clareza e eloqüência. Seleção dos Escritos de 'Abdu'l-Bahá, p.120 172. Treinai vossos filhos desde a mais tenra infância a serem infinitamente carinhosos e amorosos com os animais. Se um animal estiver enfermo, que as crianças tentem curá-lo; se estiver com fome, que lhe provejam alimento; se estiver sedento, saciem-lhe a sede; se cansado, proporcionem-lhe repouso. Os seres humanos, em sua maioria, são pecadores, mas os animais são inocentes. Indubitavelmente, os que não têm pecado deveriam receber a maior bondade e amor - todos exceto os animais que são nocivos, como os lobos sanguinários, os ofídios peçonhentos e semelhantes criaturas perniciosas, porquanto bondade para com estes é uma injustiça aos seres humanos e também a outros animais. Seleção dos Escritos de 'Abdu'l-Bahá, p. 142 173. A arte da música é divina e eficaz. É o alimento da alma e do espírito. Através do poder e encanto da música o espírito do homem se eleva. Tem um maravilhoso poder e efeito nos corações das crianças, pois seus corações são puros, e melodias exercem uma grande influência sobre elas. Os talentos latentes com os quais os corações destas crianças são dotados encontrarão expressão através da música. Por isso deveis vos empenhar em fazê-los proficientes; ensinai-as a cantar com excelência e eficiência. 'Abdu'l-Bahá, A Promulgação da Paz Universal, p. 62 174. Eu vos dou meu conselho, que é o seguinte: treinai estas crianças com as exortações divinas. Desde sua infância instilai em seus corações o amor de Deus, de modo que possam manifestar o temor a Deus em suas vidas e ter confiança nas dádivas de Deus. Ensinai-as a se livrar das imperfeições humanas e adquirir as perfeições divinas latentes no coração do homem. A vida do homem é útil se ele adquire as perfeições humanas. Se ele se torna o centro das imperfeições do mundo humano, a morte é melhor que a vida, e a não-existência, melhor que a existência. Portanto, esforçai-vos para que estas crianças sejam bem treinadas e educadas, e que cada uma delas atinja perfeições no mundo humano. Sabei o valor destas crianças, pois todas elas são minhas crianças. 'Abdu'l-Bahá, A Promulgação da Paz Universal, p. 64 175. A criança não deve ser oprimida ou censurada porque não é desenvolvida; ela deve ser pacientemente treinada. 'Abdu'l-Bahá, A Promulgação da Paz Universal, p. 224 176. Quanto à declaração atribuída a 'Abdu'l-Bahá que citasse em tua carta, com relação a uma 'criança problema'; estas declarações do Mestre, apesar de verdadeiras em sua essência, nunca deviam ser interpretadas literalmente. 'Abdu'l-Bahá jamais teria querido dizer que uma criança dever se abandonar a si mesmo, inteiramente livre. Na verdade, a educação bahá'í, bem como qualquer outro sistema de educação, baseia-se na convicção de que existem certas deficiências naturais em toda criança, mesmo na mais dotada, as quais seus educadores, sejam eles seus pais, professores, ou guias espirituais e preceptores, deveriam esforçar-se por remediar. Algum tipo de disciplina, seja física, moral ou intelectual, é, na verdade, indispensável, e nenhuma educação pode ser tida como completa e frutífera se desconsiderar este elemento. A criança, ao nascer, está longe de ser perfeita. Ela não apenas é frágil, mas sim realmente imperfeita e, até mesmo, naturalmente inclinada para o mal. Ela tem de ser educada; suas inclinações naturais, harmonizadas, adaptadas e controladas, e, se necessário, suprimidas ou reguladas, de modo a assegurar o seu saudável desenvolvimento físico e moral. Os pais bahá'ís não podem simplesmente adotar uma atitude de não-resistência para com seus filhos... em nome de Shoghi Effendi, citado em Educação Bahá'í, pp. 90-1 177. Com relação a teus planos; o Guardião está absolutamente de acordo com teu ponto de vista de que, por mais urgentes e vitais que sejam as exigências do trabalho de ensino, não deves, sob nenhuma circunstância, negligenciar a educação de teus filhos, pois, para com eles, tens uma obrigação não menos sagrada que para com a Causa. Qualquer plano ou arranjo que venhas a estabelecer no qual estejam combinados teus deveres para com a família e a Causa, e que vos permita recomeçar o trabalho ativo no campo do ensino pioneiro e também cuidar bem de teus filhos, de modo a não pôr em risco seu futuro na Causa, teria a aprovação sincera do Guardião. em nome de Shoghi Effendi citado em Educação Bahá'í, p. 88 178. A questão da instrução e educação das crianças, caso um dos pais seja um não-bahá'í, diz respeito apenas aos próprios pais, que deveriam decidir sobre isto da maneira que acharem melhor e mais conducente à manutenção da unidade da sua família, e ao futuro e bem-estar de seus filhos. Quando as crianças atingem a maioridade, contudo, devem receber completa liberdade para escolher sua religião, não importando a vontade e os desejos de seus pais. em nome de Shoghi Effendi citado em Educação Bahá'í, p. 93 179. Que o primeiro educador da criança é a mãe, não deveria ser surpreendente pois a orientação primária do infante é para sua mãe. Esta provisão da natureza de modo algum diminui o papel do pai na família bahá'í. Além do mais, igualdade de status não significa identidade de função. Casa Universal de Justiça citada em Uma Onda de Ternura, pp. 67-8 F - INTER-RELAÇÕES DENTRO DA FAMÍLIA 180. Os pais devem envidar todos os esforços para levar seus filhos a serem religiosos, pois, se as crianças não atingirem este que é o maior de todos os ornamentos, não obedecerão a seus pais, o que, de certo modo, significa que não obedecerão a Deus. Com efeito, tais crianças não terão consideração por ninguém e farão exatamente o que lhes aprouver. Bahá'u'lláh citado em Educação Bahá'í, p. 17 181. Nós te motivamos a retornar a teu lar como um sinal de Nossa mercê para com tua mãe, pois Nós a encontramos acabrunhada pela tristeza. Nós vos prescrevemos no Livro "a adorar tão somente a Deus e a mostrar bondade a vossos pais."(*) Assim falou o Deus uno e verdadeiro e o decreto foi cumprido pelo Todo-Poderoso, o Sapientíssimo. Conseqüentemente, Nós te motivamos a retornar para ela e para tua irmã, a fim de que os olhos de tua mãe desse modo se possam alegrar e ela possa estar entre os gratos. Dize: Ó Meu povo! Honrai e homenageai vossos pais. Isto motivará bênçãos a caírem sobre vós das nuvens da generosidade de vosso Senhor, o Exaltado, o Grande. Quando soubemos de sua tristeza, Nós te instruímos a retornar para ela, como um sinal de mercê a ti de Nossa presença, e como uma admoestação para outros. Acautelai-vos, a fim de não cometerdes aquilo que causaria tristeza aos corações de vossos pais e mães. Segui o caminho da Verdade, que é, verdadeiramente, um caminho reto. Se alguém vos der a escolha entre a oportunidade de prestar um serviço à Mim ou a eles, escolhei servi-los, e deixai à Mim. Esta é Minha exortação e Meu mandato a ti. Observa, portanto, o que teu Senhor, o Poderoso, o Bondoso, te prescreveu. Bahá'u'lláh citado em Uma Onda de Ternura, pp. 11-2 (*) Alcorão, 46:15 182. Os frutos da árvore da existência são fidedignidade, lealdade, veracidade e pureza. Depois do reconhecimento da unicidade do Senhor, exaltado seja Ele, o mais importante de todos os deveres é o de se ter a devida consideração para com os direitos de seus pais. Este assunto tem sido mencionado em todos os Livros de Deus. Bahá'u'lláh citado em Uma Onda de Ternura, p. 10 183. Estas abençoadas palavras foram proferidas pela Língua da Grandeza na Terra do Mistério (Adrianópolis), exaltada e glorificada seja Sua elocução: Uma das características distintivas desta maior Dispensação é que os pais daqueles que reconheceram e abraçaram a verdade desta Revelação e que, na glória de Seu nome, o Senhor Soberano, sorveram o seleto, selado vinho, do cálice do amor do Deus Verdadeiro e Uno, por ocasião de sua morte, se forem aparentemente não-crentes, serão bondosamente agraciados com o perdão divino e participarão do oceano de Sua Mercê. Esta bênção, contudo, somente será concedida àquelas almas que não infligiram dano a Ele Que é o Senhor do Todo nas Alturas e o Governante deste mundo e do mundo vindouro. Bahá'u'lláh citado em Uma Onda de Ternura, p. 11 184. Prescrevemos a todo filho o dever de servir a seu pai. Por conseguinte, decretamos esta ordem no Livro. Bahá'u'lláh citado em Uma Onda de Ternura, p. 10 185. Se tu fosses demonstrar bondade e consideração a teus pais, de modo a que se sentissem comumente satisfeitos, isto também Me agradaria, pois pais devem ser sumamente respeitados e é essencial que eles se sintam contentes, desde que não te impeçam de ganhar acesso ao Limiar do Todo-Poderoso, nem te detenham de andar no caminho do Reino. Na verdade, convém a eles de te encorajar e estimular nesta direção. 'Abdu'l-Bahá citado em Uma Onda de Ternura, p. 17 186. De acordo com os ensinamentos de Bahá'u'lláh, a família, sendo uma unidade humana, deve ser educada de acordo com as regras de santidade. Todas as virtudes devem ser ensinadas à família. A integridade dos laços de família deve ser constantemente levada em consideração, e os direitos de cada um de seus membros não devem ser transgredidos. Os direitos do filho, do pai, da mãe - nenhum pode ser transgredido, nenhum deve ser arbitrário. Assim como o filho tem certas obrigações para com seu pai, do mesmo modo o pai tem certas obrigações para com seu filho. A mãe, a irmã e outros membros da família têm certas prerrogativas. Todos esses direitos e prerrogativas devem ser preservados e a unidade da família, mantida. A ofensa de um deve ser considerada ofensa de todos; o conforto de cada um, o conforto de todos; a honra de um, a honra de todos. 'Abdu'l-Bahá, A Promulgação da Paz Universal, p. 207 187. A juventude deve crescer, desenvolver-se e tomar o lugar de seus pais, para que esta abundante graça, na posteridade de cada um dos amados de Deus que sofreram grandes agonias, aumente dia a dia até que, finalmente, produza seus frutos na terra e no Céu. 'Abdu'l-Bahá citado em Educação Bahá'í, p. 74 188. Existem também alguns deveres sagrados da parte dos filhos para com os pais, deveres estes que se encontram registrados no Livro de Deus e provém dEle.(*) A prosperidade (dos filhos) neste mundo e no Reino depende do beneplácito dos pais, e, sem este, estarão na perda manifesta. 'Abdu'l-Bahá citado em Educação Bahá'í, p. 73 (*)Em "Perguntas e Respostas", um suplemento do Kitáb-i-Aqdas, Bahá'u'lláh impõe às crianças a obrigação de servir a seus pais e, categoricamente, afirma que, depois do reconhecimento da unicidade de Deus, o mais importante de todos os deveres para as crianças é ter devida consideração para com os direitos de seus pais. 189. Ó vós queridas crianças! Vosso pai é compassivo, clemente e misericordioso para convosco e deseja para vós sucesso, prosperidade e a vida eterna no Reino de Deus. Portanto, incumbe a vós, queridas crianças, procurardes o seu beneplácito, serdes guiadas pela sua guia, atraídas pelo imã do amor de Deus e educadas no regaço do amor de Deus, para que possais vos tornar belos ramos no Jardim de El-Abhá, verdejantes e regadas pela abundância da dádiva de Deus. 'Abdu'l-Bahá citado em Educação Bahá'í, p. 73 190. Ó querido de 'Abdu'l-Bahá! Sê o filho de teu pai e sê o fruto dessa árvore. Sê um filho nascido de sua alma e de seu coração, e não apenas da água e do barro. Um verdadeiro filho é aquele que brotou da parte espiritual do homem. Peço a Deus que possas ser confirmado e fortalecido em todos os tempos. Seleção dos Escritos de 'Abdu'l-Bahá, p. 126 191. Conforta tua mãe e esforça-te para fazer o que seja condizente à felicidade de seu coração. 'Abdu'l-Bahá citado em Uma Onda de Ternura, p. 19 192. Perguntas se um esposo seria capaz de impedir sua esposa de abraçar a luz divina ou uma esposa de dissuadir seu esposo de ganhar entrada no Reino de Deus. Na verdade, nenhum deles poderia impedir o outro de entrar no Reino, a não ser que o esposo tenha um excessivo afeiçoamento à esposa ou a esposa ao esposo. De fato, se qualquer um dos dois adorasse o outro a ponto de excluir Deus, então cada um deles poderia impedir o outro de procurar admissão em Seu Reino. 'Abdu'l-Bahá citado em Uma Onda de Ternura, pp. 22-3 193. A respeito de tua pergunta, sobre consulta com um pai com seu filho, ou de um filho com seu pai, em assuntos de negócio ou comércio: consulta é um dos elementos fundamentais do alicerce da Lei de Deus. Esse tipo de consulta é seguramente aceitável, quer seja entre pai e filho, ou com outros. Não há nada melhor que isso. O homem deve consultar sobre todos os assuntos, porque isso o levará à origem de cada problema e o capacitará a encontrar a solução correta. 'Abdu'l-Bahá citado em Uma Onda de Ternura, p. 25 194. É um dos ensinamentos essenciais da Fé que a unidade deve ser mantida no lar. Naturalmente, isto não significa que qualquer membro da família tem o direito de influenciar a fé de qualquer outro membro; e se isto é compreendido por todos os membros, então parece certo que a unidade seria exeqüível. em nome de Shoghi Effendi citado em Uma Onda de Ternura, pp. 57-8 195. A respeito das perguntas que lhe fez: ele está seguro que, ainda que sob certos aspectos possa ser um encargo financeiro para seus filhos, é para eles um privilégio de cuidar de si; é a mãe deles e lhes deu vida, e através da generosidade de Bahá'u'lláh estão agora atraídos à Sua Fé. Qualquer coisa que foram por si é recompensa pequena por tudo que fez por eles. em nome de Shoghi Effendi citado em Uma Onda de Ternura, p. 56 196. Tornou-o muito feliz saber da recente confirmação de sua amiga... e de seu sincero desejo de servir e promover a Fé. Ele certamente orará em seu nome para que possa, apesar de oposição de seus pais e parentes, cada vez mais ganhar em conhecimento e compreensão dos Ensinamentos e tornar-se tão animada com um zelo tal, a ponto de se levantar e trazer à Causa um grande número de seus antigos correligionários. Sob nenhuma circunstância, entretanto, dever permitir que seus pais se tornem completamente alienados dela, sendo seu penhorado dever de esforçar-se através de esforço paciente, contínuo e amoroso, por conquistar a simpatia deles para com a Fé, e até, talvez, ocasionar sua confirmação... em nome de Shoghi Effendi citado em Uma Onda de Ternura, pp. 42-3 197. A Casa de Justiça sugere que todas as declarações nas Escrituras Sagradas a respeito de áreas específicas de relacionamento entre homens e mulheres devem ser consideradas à luz do princípio geral da igualdade entre os sexos, que foi enunciado repetida e autorizadamente nos Textos Sagrados. Em uma de Suas Epístolas 'Abdu'l-Bahá afirma: "Nesta era divina as bênçãos de Deus abarcaram o mundo das mulheres. Igualdade de homens e mulheres, exceto em alguns casos negligenciáveis, foi total e categoricamente anunciada. Diferenças foram completamente removidas." Que os homens e as mulheres diferem uns dos outros em certas características e funções é um fato inescapável da natureza; o fato importante é que 'Abdu'l-Bahá considera tais desigualdades, como as que ainda persistem entre os sexos, como sendo "negligenciáveis". O relacionamento entre esposo e esposa tem que ser visto no contexto do ideal bahá'í da vida em família. Bahá'u'lláh veio para trazer a unidade ao mundo, e uma unidade fundamental é a da família. Portanto, deve-se crer que a Fé é intencionada a fortalecer a família, não a enfraquecê-la, e uma das chaves para o fortalecimento da unidade é amorosa consulta. A atmosfera dentro de uma família bahá'í, da mesma forma que dentro da comunidade como um todo, deve expressar "a idéia fundamental da Causa de Deus", a qual, o amado Guardião afirmou, "não é autoridade ditatorial, mas humilde companheirismo, nem poder arbitrário, mas espírito de franca e amorosa consulta". A família, entretanto, é uma espécie de "comunidade" muito especial. O Departamento de Pesquisa não se deparou com qualquer declaração que especificamente cita o pai como responsável pela "segurança, progresso e unidade da família", como está declarado no livro de Bahíyyih Nakhjavání, porém pode ser deduzido de várias responsabilidades a ele atribuídas, que o pai pode ser considerado como o "cabeça" da família. Os membros de uma família têm todos deveres e responsabilidades uns para com os outros e para com a família como um todo, e estes deveres e responsabilidade variam de membro para membro em virtude de seus naturais relacionamentos. Os pais têm o dever inescapável de educar seus filhos - porém o inverso não se dá; os filhos têm o dever de obedecer a seus pais - os pais não obedecem aos filhos; a mãe - não o pai - dá à luz aos filhos, amamenta-os na infância, e é, assim, o seu primeiro educador, conseqüentemente as filhas têm um direito a educação anterior aos dos filhos e, como o secretário do Guardião escreveu em seu nome, "A tarefa de criar uma criança bahá'í como enfatizado repetidamente nos Escritos Bahá'ís, é a principal responsabilidade da mãe, cujo privilégio incomparável é, verdadeiramente, o de criar em seu lar condições tais como as que seriam mais conducentes tanto para o seu bem-estar material e espiritual, como para o seu progresso. O treinamento que uma criança inicialmente recebe por intermédio de sua mãe constitui a mais rija fundação para o seu futuro desenvolvimento." Um corolário desta responsabilidade da mãe é seu direito de ser sustentado por sua esposa. Este princípio da responsabilidade do esposo de prover para a família e protegê-la pode ser visto também aplicado na lei de falta de testamento que provê que o local de residência da família passa, por ocasião da morte do pai, não para sua esposa, mas para seu filho mais velho; o filho na mesma oportunidade, tem a responsabilidade de cuidar de sua mãe. É neste contexto de deveres e responsabilidades mútuas e complementares que se deveria ler a Epístola em que 'Abdu'l-Bahá dá seguinte exortação: "Ó Servas do Senhor, O que sustenta a Si próprio! Esforçai-vos, para que possais alcançar a honra e o privilégio determinado para as mulheres. Indubitavelmente, a glória das mulheres, a maior de todas, é serviço ao Seu limiar e submissão ante Sua porta; é possuir um coração vigilante e louvor ao incomparável Deus; é sincero amor para com as outras servas e imaculada castidade; é obediência e consideração para com seus esposos e a educação e cuidado de seus filhos, e é tranqüilidade e dignidade, perseverança na recordação do Senhor, e o maior entusiasmo e atração." Esta exortação ao grau máximo de espiritualidade e auto-abnegação, não deve ser lida como uma definição legal dando ao esposo autoridade absoluta sobre sua esposa, pois, em uma carta escrita a um crente individual em 22 de julho de 1943, o secretário do amado Guardião escreveu em seu nome: "O Guardião, em seus comentários... a respeito do relacionamento de pais e filhos, esposas e esposos na América, quis dizer que há uma tendência neste país a que os filhos sejam demasiadamente independentes dos desejos de seus pais e falhos no respeito que lhes é devido. Esposas, também, em alguns casos têm a tendência de exercer um grau injusto de dominação sobre seus esposos, o que, naturalmente, não está correto, tanto quanto que o esposo deva injustamente dominar sua esposa." Em qualquer grupo, por mais amorosa que seja a consulta, existem, não obstante, pontos em que, ocasionalmente, não se pode alcançar uma concordância. Numa Assembléia Espiritual este dilema é resolvido pelo voto da maioria. Entretanto, não pode haver maioria onde somente duas partes estão envolvidas, como no caso de esposo e esposa. Existem, portanto, ocasiões em que a esposa deve submeter-se a opinião do seu esposo, e ocasiões quando o esposo deve submeter-se a opinião de sua esposa, porém nenhum deles deve jamais injustamente dominar o outro. Em resumo, o relacionamento entre esposo e esposa deve ser como exposto na oração revelada por 'Abdu'l-Bahá que é freqüentemente lida nos casamentos bahá'ís: "Verdadeiramente, casam-se em obediência a Teu mandamento. Faze-os sinais da harmonia e união até o fim dos tempos." Todos estes são relacionamentos dentro da família, porém existe uma esfera muito mais ampla de relacionamentos entre homens e mulheres que no lar, e isto também devemos considerar no contexto da sociedade bahá'í, não no das normas sociais do passado ou presente. Por exemplo, ainda que a mãe seja a primeira educadora da criança e a mais importante influência formativa em seu desenvolvimento, o pai também tem a responsabilidade de educar seus filhos, e esta responsabilidade é tão importante que Bahá'u'lláh declarou que um pai que falha em desempenhar-se dela, perde seus direitos à paternidade. Similarmente, ainda que a responsabilidade primordial de sustentar a família financeiramente é colocada sobre o esposo, isto não implica, de qualquer modo, que o lugar das mulheres é confinado ao lar. Ao contrário, 'Abdu'l-Bahá declarou: "Nesta Revelação de Bahá'u'lláh, as mulheres caminham lado a lado com os homens. Em nenhum movimento serão deixadas para trás. Seus direitos são iguais em grau aos dos homens. Elas ingressarão em todos os ramos administrativos da política. Em tudo atingirão tal nível que lhes será destinada a mais alta posição no mundo e participarão em todas as atividades. Ficai certas. Não considereis as condições atuais; num futuro não distante, o mundo das mulheres tornar-se-á inteiramente refulgente e glorioso, pois Sua Santidade Bahá'u'lláh assim determinou!" (Palestras de 'Abdu'l-Bahá, Paris - 1911, pp. 189-190) E novamente: "Assim, quando as mulheres participarem completa e igualmente nos assuntos do mundo, quando entrarem com confiança e capacidade na grande arena das leis e da política, a guerra há de cessar; pois as mulheres serão obstáculos e impedimentos para ela. Esta é uma verdade indubitável." ('Abdu'l-Bahá, A Promulgação da Paz Universal, p. 166) Na Epístola do Mundo, o próprio Bahá'u'lláh considerou que mulheres assim como homens seriam arrimos de família, ao declarar que: "Cada um, seja homem ou mulher, deve entregar a uma pessoa de confiança uma parte daquilo que ele ou ela ganha - por meio de algum ofício, ou mediante agricultura ou outra ocupação - para o ensino e a educação das crianças, sendo tal quantia gasta para esse fim com o conhecimento dos Membros da Casa de Justiça." (Epístolas de Bahá'u'lláh, p. 102) Um elemento muito importante para alcançar tal igualdade é a provação de Bahá'u'lláh que rapazes e moças devem seguir essencialmente o mesmo currículo nas escolas. Casa Universal de Justiça citada em Uma Onda de Ternura, pp. 90-1 G - MORTE 198. Ó Filho do Supremo! Fiz da morte a mensageira de teu júbilo. Por que lamentas? A luz, Eu a fiz derramar sobre ti o seu esplendor. Por que te ocultas diante deste esplendor? Bahá'u'lláh, As Palavras Ocultas, p. 33 199. Ó tu, alma convicta, serva de Deus...! Não te aflijas pela morte de teu honrado esposo. Ele, na realidade, alcançou a reunião com seu Senhor na morada da Verdade, na presença do Rei poderoso. Não julgues tê-lo perdido. O véu há de ser erguido, e então contemplarás seu semblante, iluminando, na Assembléia Suprema. Tal como Deus, o Excelso, disse: "Nós, certamente, o ressuscitaremos para uma existência feliz." Deve-se, por conseguinte, associar suprema importância à vida futura, e não a esta primeira criação. Seleção dos Escritos de 'Abdu'l-Bahá, p. 179 200. Ó serva amada de Deus! Embora a perda de um filho seja verdadeiramente de partir o coração e transcenda os limites do que o ser humano pode suportar, ainda assim, a pessoa dotada de conhecimento e compreensão tem a convicção de que o filho não foi perdido, mas ao contrário, passou deste mundo a outro, e ela há de encontrá-lo no reino divino. Essa união será por toda o eternidade, enquanto aqui neste mundo a separação é inevitável - e traz consigo uma dor pungente. Louvado seja Deus por teres fé, estares com a face volvida ao Reino sempiterno e creres na existência de um mundo celestial. Portanto, não fiques desconsolada ou abatida; não suspires, não lamentes nem chores; pois a perturbação e o luto afetam-lhe profundamente a alma no domínio divino. Esse amado filho, do mundo oculto assim se dirige a ti: "Ó mãe bondosa, rende graças à Providência divina por eu haver sido libertado de uma pequena e sombria gaiola e, tal qual as aves dos prados, haver alçado vôo ao mundo divino - um mundo espaçoso, iluminado e perenemente feliz e jubiloso. Por isso, não lamentes, ó mãe, nem te consternes; não sou dos perdidos, nem fui obliterado ou destruído. Livrei-me da forma mortal e hasteei meu estandarte neste mundo espiritual. A essa separação seguir-se-á eterna comunhão. Tu me encontrarás no céu do Senhor, imerso num oceano de luz." Seleção dos Escritos de 'Abdu'l-Bahá, pp. 182-3 201. Pergunta: - Qual a condição das crianças mortas antes de alcançarem a idade do discernimento, ou antes de nascerem? Resposta: - Essas criancinhas ficam à sombra do favor de Deus. Desde que não cometeram pecado algum, nem se macularam com as impurezas do mundo da natureza, são focos de manifestação da bondade, e o Olhar Misericordioso pousará nelas. 'Abdu'l-Bahá, Respostas a Algumas Perguntas, p. 197 202. Ó vós, duas almas pacientes! Vossa missiva foi recebida. A morte daquele amado jovem e sua separação de vós causaram a máxima dor e pesar; pois ele, na flor da idade e no verdor dos anos, alçou vôo rumo ao ninho celestial. No entanto, ele libertou-se deste abrigo repleto de sofrimentos e volveu a face em direção ao ninho eterno do Reino, e, livrando-se de um mundo escuro e exíguo, apressou-se na direção do domínio santificado da luz; nisso reside o consolo de nossos corações. A inescrutável sabedoria divina está por trás desses acontecimentos que partem o coração. É como se um jardineiro bondoso transferisse um arbusto viçoso e tenro de um local confinado para uma área muito espaçosa. Tal translado não faz o arbusto murchar, nem se atrofiar ou perecer; ao contrário, tal mudança fará com que cresça e se desenvolva, que adquira frescor e delicadeza, que obtenha verdor e dê frutos. O jardineiro bem sabe deste segredo oculto, mas as almas inconscientes destas graças supõem que ele, possuído de ira e cólera, tenha extirpado o arbusto. Não obstante, para aqueles que são cientes este fato oculto está manifesto, e tal decreto predestinado é por eles tido como uma graça. Portanto, não vos sintais consternados ou desconsolados pela ascensão deste pássaro da fidelidade; não, antes, sob todas as circunstâncias orai por esse jovem, suplicando por ele perdão, e pela exaltação de sua posição. Espero que venhais a atingir suprema paciência, serenidade e resignação, e suplico e imploro, no Liminar da Unidade, rogando humildemente perdão e clemência. A esperança que nutro das infinitas dádivas de Deus é que Ele abrigue esse pombo do jardim da fé e o faça habitar sobre os ramos da Assembléia Suprema, a fim de que gorjeie com a mais dulcíssona das melodias o louvor e a glorificação do Senhor dos Nomes e Atributos. Seleção dos Escritos de 'Abdu'l-Bahá, pp. 180-1 203. No mundo do além o homem se verá livre de muitas incapacidades das quais sofre agora. Aqueles que passaram pela morte possuem uma posição própria. Ela não é afastada da nossa; a obra deles, a obra do Reino, é nossa; mas é santificada daquilo que chamamos "tempo e espaço". Para nós o tempo é medido pelo sol. Quando não há mais alvorecer nem pôr do sol, o tempo não existe para o homem. Aqueles que ascenderam possuem atributos diferentes daqueles que ainda permanecem sobre a terra, ainda assim não há verdadeira separação. Na oração há uma mescla de estados, uma mistura de condições. Orai por eles assim como eles oram por vós. Palestras de 'Abdu'l-Bahá, Londres - 1911, p. 86 H - TRABALHO E FINANÇAS 204. Qualquer coisa que, neste Dia, vos impeça de amar a Deus, nada é senão o mundo. Fugi disso, para que sejais contados entre os bem-aventurados. Se um homem desejasse adornar-se com os ornamentos da terra, usar suas vestimentas ou participar dos benefícios que ela pode conceder, nenhum dano lhe poderia advir, se não permitisse que coisa alguma interviesse entre ele e Deus, pois Deus ordenou cada coisa boa, quer criada nos céus ou na terra, para aqueles de Seus servos que nEle, verdadeiramente, acreditam. Alimentai-vos, ó povo, com as boas coisas que Deus vos concedeu e não vos priveis de Suas graças maravilhosas. Rendei-Lhe agradecimentos e louvor e sede dos que são verdadeiramente gratos. Seleção dos Escritos de Bahá'u'lláh, p. 206 205. Ó Filho do Homem! Se a prosperidade te vier, não exultes, e, se fores atingido pela humilhação, não lamentes, pois ambas haverão de passar e não mais existir. Bahá'u'lláh, As Palavras Ocultas, p. 53 206. Ó Filho do Ser! Se a pobreza te alcançar, não te entristeças, pois, no devido tempo, o Senhor da riqueza haverá de te visitar. Não receies a humilhação, porque a glória, algum dia, virá a repousar sobre Ti. Bahá'u'lláh, As Palavras Ocultas, p. 54 207. Ó Meu Servo! Os melhores dos homens são aqueles que ganham seu sustento por meio de sua vocação e despendem em benefício de si próprios e dos seus semelhantes por amor a Deus, o Senhor de todos os mundos. Bahá'u'lláh, As Palavras Ocultas, p. 170 208. Ó tu servo do Deus Uno e Verdadeiro! Nesta Dispensação universal a maravilhosa faculdade inventiva do homem é aceita como adoração à Beleza Resplandecente. Considera que favor e benção são o engenho humano ser tido como adoração! Nos tempos antigos acreditava-se que tais habilidades não passavam de ignorância, ou até mesmo que eram uma desgraça que impedia o homem de aproximar-se de Deus. Considera tu, agora, como suas infinitas graças e abundantes favores converteram o fogo infernal em paraíso, e um monte de pó escuro em jardim luminoso. Compete aos artífices do mundo a cada minuto ofertarem mil sinais de gratidão no Limiar Sagrado, e esforçarem-se com o máximo empenho, e diligentemente seguir em suas profissões, para que seus esforços possam criar a maior beleza e perfeição ante os olhos de todos os homens. Seleção dos Escritos de 'Abdu'l-Bahá, p. 130 209. Tua carta foi recebida. Espero que possas receber proteção e ajuda sob a providência do Ser Verdadeiro, ocupar-te sempre com a menção do Senhor e demonstrar esforço para completares tua formação profissional. Precisas esforçar-te vigorosamente para te distinguires em tua profissão e teres fama nessas terras, pois, neste período misericordioso, alcançar a perfeição na profissão, é considerado adoração a Deus. E enquanto estás te ocupando em tua profissão, podes recordar do Ser Verdadeiro. Seleção dos Escritos de 'Abdu'l-Bahá, p.131 210. Certas pessoas ocupam-se unicamente com as coisas deste mundo; suas mentes são tão limitadas por aparências e interesses tradicionais que ficam cegas a qualquer outro plano de existência, ao sentido espiritual de todas as coisas! Pensam e sonham em fama terrena, em progresso material. Prazeres sensuais e ambientes confortáveis circunscrevem seu horizonte, suas mais altas ambições concentram-se no sucesso das condições e circunstâncias mundanas! Não reprimem suas mais baixas inclinações; comem, bebem e dormem! Como o animal, não pensam senão no próprio bem-estar físico. É verdade que essas necessidades devem ser atendidas. A vida é um fardo que deve ser carregado enquanto estamos na Terra, mas não devemos permitir que os cuidados com as coisas inferiores da vida monopolizem todos os nossos pensamentos e aspirações. As ambições do coração devem ascender a um objetivo mais glorioso, a atividade mental deve alçar-se a níveis mais altos! O homem deve manter na alma a visão da perfeição celestial e lá preparar uma morada para a inexaurível generosidade do Espírito Divino. Que vossa ambição seja a conquista da civilização Celestial sobre a Terra! Peço para vós a bênção suprema, a fim de que sejais tão plenos de vitalidade do Espírito Celestial que vos torneis a causa de vida ao mundo. Palestras de 'Abdu'l-Bahá, Paris - 1911, p. 93 211. Se um homem é bem sucedido em seus negócios, arte ou profissão, está, por esse meio, capacitado a aumentar seu bem-estar físico e dar ao seu corpo a quantidade de sossego e conforto em que ele se compraz. Hoje, em torno de nós, vemos como o homem se cerca de toda comodidade e ostentação modernas, e nada nega ao lado físico e material de sua natureza. Mas tende cuidado para que, pensando com demasiado zelo nas coisas do corpo, não vos esqueçais das coisas da alma; pois benefícios materiais não elevam o espírito do homem. Perfeição em coisas mundanas é um contentamento para o corpo do homem, mas, de modo algum, glorifica sua alma. Pode acontecer que a um homem que tem todos os proveitos materiais e que vive cercado dos maiores confortos que a moderna civilização lhe pode dar, seja negada a importantíssima dádiva do Espírito Santo. É realmente uma boa e louvável coisa progredir materialmente, mas, assim, o fazendo, não negligenciemos o mais importante progresso espiritual e não fechemos nossos olhos à luz Divina brilhando em nosso meio. Palestras de 'Abdu'l-Bahá, Paris - 1911, pp. 52-3 212. Devemos ser como uma fonte que está continuamente se esvaziando de tudo o que tem e está sempre sendo preenchida por uma fonte invisível. Continuamente dar para o bem de nossos semelhantes sem se deixar atemorizar pelo medo da pobreza, e confiante na infalível generosidade da Fonte de toda riqueza e todo bem - eis o segredo do bem-viver. Shoghi Effendi citado em Contribuição aos Fundos Bahá'ís, p. 1 213. Mesmo considerando que Shoghi Effendi estimula a todo crente sacrificar-se ao máximo a fim de contribuir para o Fundo da Assembléia Nacional, ainda assim ele jamais iria recomendar aos amigos incorrerem em dívidas para tal propósito. Somos solicitados a dar o que temos, não o que não possuímos, especialmente se tal ato causar sofrimento aos outros. Em tais assuntos, devemos usar de um julgamento criterioso e de sabedoria, e também confiar em outros bahá'ís devotados. em nome de Shoghi Effendi citado em Contribuição aos Fundos Bahá'ís, p. 11 I - HOSPITALIDADE 214. Abençoada é a casa que alcançou a Minha carinhosa mercê, onde Minha recordação é celebrada, e que é enobrecida pela presença de Meus amados que proclamaram Meu Louvor, se seguraram firmemente à corda de Minha graça e foram honrados por entoarem Meus versículos. Verdadeiramente, são eles os enaltecidos servos, aos quais Deus louvou no Qayyúmu'l-Asmá' e em outras escrituras. Verdadeiramente, Ele é O que tudo ouve, O que responde, Aquele que percebe todas as coisas. Bahá'u'lláh citado Orações Bahá'ís, p. 133 215. ...associai-vos aos seguidores de todas as religiões em espírito amigável e fraterna... Os que estão imbuídos de sinceridade e fidelidade devem associar-se com todos os povos e raças da Terra, jubilosa e radiantemente, desde que a harmoniosa associação com as pessoas tem promovido e continuará a promover unidade e concórdia, as quais por sua vez conduzem à manutenção, da ordem no mundo e à regeneração das raças. Bem-aventurados aqueles que se seguram à corda da benevolência e da terna misericórdia e estão livres de animosidade e ódio. Epístolas de Bahá'u'lláh, p.44 216. Ó Meus Amigos! Trilhai as veredas do beneplácito do Amigo e sabei que Seu prazer está no prazer de Suas criaturas. Isto é: homem nenhum deve entrar na casa de seu amigo a menos que seja do agrado do amigo; não deve pôr as mãos nos tesouros desse amigo nem sobrepor a própria vontade à sua ou, de modo algum, querer levar-lhe vantagem. Ponderai sobre isto, ó vós que tendes discernimento! Bahá'u'lláh, As Palavras Ocultas, p. 123 217. Ó meu Deus! Que os eflúvios de Tua generosidade e de Tuas bênçãos desçam sobre as casas cujos ocupantes tenham abraçado Tua Fé, como sinal de Tua graça e indício de benevolência de Tua presença. Seleção dos Escritos do Báb, p. 202 218. ...Meu lar é o lar da paz. Meu lar é o lar de alegria e deleite. Meu lar é o lar de risos e exaltação. Quem entrar pelos portais deste lar tem que sair com um coração jovial. Este é o lar de luz. Quem aqui entrar tem que se tornar iluminado... 'Abdu'l-Bahá citado em Uma Onda de Ternura, p. 33 219. Trata a todos os teus amigos e parentes, até mesmo aos estranhos, com espírito de máximo amor e bondade. 'Abdu'l-Bahá citado em Uma Onda de Ternura, p. 24 220. Os bem-amados de Deus, pois, devem associar-se com estranhos e amigos de forma igual, em afetuoso espírito fraternal, mostrando a todos a maior benevolência, sem considerar os graus de capacidade nem jamais questionar se merecem ser amados. Que os amigos tenham, em todas as circunstâncias, consideração e infinita bondade. Seleção dos Escritos de 'Abdu'l-Bahá, pp. 21-2 221. Suplico a Deus, de benevolamente fazer de teu lar um centro para a difusão da luz de guia divina, para a disseminação das Palavras de Deus, e para acender em todos os momentos o fogo do amor nos corações de Seus fiéis servos e servas. Sabe tu, com certeza, que cada casa, onde o hino de louvor é elevado ao Domínio da Glória, em comemoração do Nome de Deus, é verdadeiramente um lar celestial e um dos jardins de delícia no Paraíso de Deus. 'Abdu'l-Bahá citado em Uma Onda de Ternura, p. 23 222. Esta é na realidade uma casa bahá'í. Cada vez que se inaugura tal casa ou local de reunião, ela se torna uma das maiores ajudas ao desenvolvimento geral da cidade e do país a que pertence. Encoraja o progresso das letras e da ciência, e é conhecida por sua intensa espiritualidade e pelo amor que espalha entre as pessoas. Palestras de 'Abdu'l-Bahá, Paris - 1911, p. 65 J - RELAÇÕES COM AS INSTITUIÇÕES BAHÁ'ÍS E AS COMUNIDADES 223. A primeira condição é a firmeza no Convênio de Deus. Pois o poder do Convênio irá proteger a Causa de Bahá'u'lláh das dúvidas do povo do erro. É a cidadela fortificada da Causa de Deus e o sólido pilar da religião de Deus. Hoje nenhum poder conseguirá manter a unidade do mundo bahá'í exceto o Convênio de Deus; caso contrário, assim como um grandioso temporal, divergências envolverão o mundo bahá'í. É evidente que o cerne da unidade do mundo da humanidade é o poder do Convênio e nada mais. Se o Convênio não tivesse sido estabelecido nem revelado pela Pena Suprema e não tivesse o Livro do Convênio, assim como os raios do Sol da Realidade, iluminado o mundo, as forças da Causa de Deus teriam sido totalmente dispersadas e certas almas, prisioneiras de suas próprias paixões e lascívias, teriam apanhado um machado e cortado a raiz desta Árvore Abençoada. Cada pessoa teria forçado seu próprio desejo e cada indivíduo manifestado sua própria opinião! Não obstante este grandioso Convênio, algumas almas negligentes, avançando com suas armas no campo de batalha, pensaram que porventura poderiam enfraquecer as bases da Causa de Deus: mas, louvado seja Deus, todos sofreram desgostos e prejuízos, e em breve se acharão em atroz desespero. Portanto, no início os crentes devem firmar seus passos no Convênio de forma que as confirmações de Bahá'u'lláh os cerquem de todos os lados, as legiões do Concurso Supremo possam se tornar seus apoiadores e auxiliadores, e as exortações e conselhos de 'Abdu'l-Bahá, tais como figuras gravadas em pedras, tornem-se permanentes e indeléveis nas tábuas de todos os corações. 'Abdu'l-Bahá, Epístolas do Plano Divino, pp. 51-2 224. Há certos pilares que foram estabelecidos como os inabaláveis sustentáculos da Fé de Deus. O mais poderoso deles é o conhecimento e o uso da mente, a expansão da consciência e a percepção das realidades do universo e dos mistérios ocultos de Deus Onipotente. Promover o conhecimento é, assim, inescapável dever imposto a cada um dos amigos de Deus. Incumbe a essa Assembléia Espiritual, essa Assembléia de Deus, envidar todo esforço para educar as crianças de modo que, desde a infância, sejam treinadas na conduta bahá'í e nos caminhos de Deus, e, como plantas jovens, cresçam e floresçam nas águas que fluem mansamente: os conselhos e as admoestações da Abençoada Beleza. Seleção dos Escritos de 'Abdu'l-Bahá, p. 113 225. E agora ao olhar para o futuro, tenho esperança de ver os amigos em todos os momentos, em todos os lugares, e com todas as nuances de pensamentos e caráter, voluntária e alegremente reunirem-se ao redor de seus locais, e em particular, nacional centros de atividades, sustentando e promovendo seus interesses com total unanimidade e contentamento, com perfeito entendimento, genuíno entusiasmo e permanente vigor. Esta é, em verdade, a única alegria e anelo de minha vida, pois é a principal fonte da qual todas as futuras bênçãos fluirão, e a ampla base sobre a qual a segurança do Edifício Divino deverá por fim repousar. Shoghi Effendi, Administração Bahá'í, texto no 20 226. Quando crítica e palavras ásperas surgem dentro da Comunidade Bahá'í, não há remédio senão deixar o passado para trás e persuadir todos os envolvidos a virarem a página e, por amor a Deus e Sua Fé, deixarem de mencionar os assuntos que levaram a mal-entendidos e desarmonia. Quanto mais os amigos argumentarem a favor e contra, e cada lado sustentar que seu ponto de vista é o correto, pior se tornará a situação toda. Quando contemplamos a situação em que o mundo se encontra hoje, devemos certamente esquecer destes transtornos internos completamente insignificantes e nos apressar, unidos, para o resgate da humanidade. Deveis urgir vossos companheiros bahá'ís a vos apoiarem num poderoso esforço para eliminar todo pensamento crítico e toda palavra áspera, a fim de deixar o espírito de Bahá'u'lláh manar para o seio de toda a comunidade e uni-la em Seu amor e Seu serviço. Shoghi Effenfi, Diretrizes do Guardião, p. 25 227. Há um tempo determinado na Festa de 19 Dias para a comunidade expressar seus pontos de vista e fazer sugestões à Assembléia; a Assembléia e os crentes devem aguardar ansiosamente este período feliz de discussão e nem temê-lo, nem suprimi-lo. em nome de Shoghi Effendi citado em Em busca da Luz do Reino, pp. 80-1 228. Ele lamentou muito saber que você passou por tantas provações em sua vida bahá'í. Não há dúvida que muitas delas são devidas à nossa própria natureza. Em outras palavras, se somos muito sensíveis, ou se de alguma forma fomos criados em um ambiente diferente dos bahá'ís com os quais convivemos, naturalmente veremos as coisas de forma diferente e podemos achá-las muito severas, e o outro lado disso é que as imperfeições de nossos companheiros bahá'ís poderão tornar-se uma grande provação para nós. Ele acha que se você fechar os olhos para as falhas dos outros, e fixar seu amor e orações em Bahá'u'lláh, será fortalecido para superar essa verdadeira tempestade, ficando muito melhor preparado espiritualmente para superá-la ao final. Embora sofra, você estará ganhando maturidade para ser de maior ajuda tanto para seus companheiros bahá'ís como para seus filhos. em nome de Shoghi Effendi, a um bahá'í, 5 de abril de 1956 229. Os amigos devem ser pacientes uns com os outros e compreender que a Causa está ainda na sua infância e que suas instituições não estão ainda funcionando perfeitamente. Quanto maiores forem a paciência, a amorosa compreensão e indulgência que os crentes mostrarem uns para com os outros e para com suas limitações, tanto maior será o progresso da Comunidade Bahá'í inteira, considerada como um todo. em nome de Shoghi Effendi citado em Viver a Vida, p. 20 230. Parece que em todo lugar o que se mais precisa dentro da Causa é incutir nos amigos a necessidade de amor entre eles. Há uma tendência para misturar as funções da Administração e tentar aplicá-la às relações individuais - o que é abortivo, pois a Assembléia é uma Casa de Justiça que está nascendo e à qual compete administrar os assuntos da comunidade de acordo com os Ensinamentos. Porém as pessoas umas com relação às outras são governadas pelo amor, unidade, perdão e por olhos que não vêem o pecado. Uma vez que os amigos venham a entender isto, terão melhor relacionamento; no entanto, continuam brincando de Assembléia Espiritual entre si e esperam que a Assembléia se comporte como um indivíduo... em nome de Shoghi Effendi citado em Viver a Vida, p. 37 231. Devemos compreender nossa imperfeição e não nos permitir ficar demasiadamente perturbados por causa das coisas que infelizmente ocorrem, por vezes, em Convenções, outras vezes, em Assembléias ou em Comitês, etc. Tais coisas são, em essência, superficiais e no decorrer do tempo serão superadas. em nome de Shoghi Effendi citado em Viver a Vida, p. 21 232. Ele sente, com relação a seus problemas familiares, que deveria levantar estes assuntos com sua assembléia, se deseja conselho; um dos deveres destas assembléias é de aconselhar e ajudar os amigos e é seu privilégio de recorrer a sua assembléia. em nome de Shoghi Effendi citado em Uma Onda de Ternura, p. 54 233. A instituição divinamente estabelecida da Assembléia Espiritual Local opera num primeiro plano, na sociedade humana e é uma básica unidade administrativa da Ordem Mundial de Bahá'u'lláh. É relacionada aos indivíduos e famílias, os quais devem ser constantemente encorajados a se unirem na distinta sociedade bahá'í, vitalizados e salvaguardados pelas leis, regulamentos e princípios da revelação de Bahá'u'lláh. Ela protege a Causa de Deus; a Assembléia age como um amoroso pastor do rebanho bahá'í. Casa Universal de Justiça, mensagem aos bahá'is, Naw-Rúz 1974 234. Quando um crente tem um problema sobre o qual deve tomar uma decisão, ele tem várias opções a sua disposição. Se for um assunto que afeta os interesses da Fé ele deveria consultar com a Assembléia ou comitê adequados, mas os indivíduos têm muitos problemas que são puramente pessoais e não há qualquer obrigação imposta a eles para levarem estes problemas às instituições da Fé; na verdade, quando as necessidades do trabalho de ensino são de tal urgência é melhor que os amigos não sobrecarreguem suas Assembléias com problemas pessoais que eles podem solucionar por si mesmos. Um bahá'í que tem um problema pode desejar tomar sua própria decisão a respeito dele depois de orar e após pesar todos os aspectos do mesmo em sua própria mente; ele pode preferir buscar o conselho de amigos individuais ou de conselheiros profissionais, tais como seu médico ou advogado, de tal forma que ele possa considerar tais conselhos quando tomar sua decisão; ou em um caso quando várias pessoas estão envolvidas, como numa situação familiar, ele pode desejar reunir aqueles que são afetados para que possam chegar a uma decisão coletiva. Também não há qualquer objeção ao fato de um bahá'í pedir a um grupo de pessoas para consultarem sobre um problema enfrentado por ele. Deveria se ter em mente que toda consulta tem como finalidade chegar a uma solução para um problema e é bem diferente das atividades do tipo desnudamento da alma em grupo, que são populares em alguns círculos nos dias atuais e que beiram o tipo de confissão que é proibido na Fé. Sobre o assunto de confissão, a secretária do Guardião escreveu em seu nome a um crente: "Estamos proibidos de confessar a qualquer pessoa nossos pecados e faltas, como os católicos fazem a seus sacerdotes, bem como de fazê-lo em público, como algumas seitas religiosas fazem. No entanto, se nós espontaneamente desejamos reconhecer que erramos em algo, ou que temos alguma falha de caráter, e pedir as desculpas ou o perdão de outra pessoa, estamos plenamente livres para assim proceder. O Guardião deseja destacar, entretanto, que não somos obrigados a fazê-lo. Isto repousa inteiramente na decisão do indivíduo." Casa Universal de Justiça citada em Consulta Bahá'í, pp. 50-2 235. Os amigos são chamados a dar seu apoio irrestrito e cooperação à Assembléia Espiritual Local, primeiro votando em seus membros e então, com firmeza, colaborando em seus planos e programas, recorrendo a ela em tempos de transtornos ou dificuldades pessoais, orando pelo seu sucesso e regozijando-se com seu progresso em influência e prestígio. Este grande galardão, esta graça de Deus dentro de cada comunidade deve ser estimada, nutrida, apoiada, obedecida e objeto de oração. Uma vida comunitária feliz e atuante conforme é previsto quando as Assembléias Espirituais Locais são verdadeiramente eficientes, proverá uma base firme na qual os amigos encontrarão coragem, força e apoio amoroso ao compartilharem a Mensagem Divina com seus semelhantes e levarem a vida dentro de seus preceitos benevolentes. Casa Universal de Justiça, mensagem aos bahá´'is, Naw-Rúz 1974 K - VIDA EM FAMÍLIA E O SERVIÇO BAHÁ'Í 236. Ó vós duas, bem-amadas servas de Deus! Tudo quanto disser a língua do homem, ele o deve provar por seus atos. Se ele proclama ser um crente, que então aja de acordo com os preceitos do Reino de Abhá. Louvado seja Deus! vós duas tendes demonstrado, por vossas ações, a verdade de vossas palavras, e obtivestes as confirmações do Senhor Deus. Todos os dias, ao alvorecer, reunis as crianças bahá'ís e lhes ensinais as orações e meditações. Esse é ato digno do maior louvor e traz alegria aos corações das crianças: o fato de toda manhã volverem as faces para o Reino, fazerem menção do Senhor e louvarem-Lhe o Nome, e, nas mais doces vozes, entoarem e recitarem (versículos). Essas crianças são como plantas novas, e ensinar-lhes as orações é assim como deixar chuva manar sobre elas, para que cresçam tenras e viçosas, e sobre elas soprem as suaves brisas do amor de Deus, fazendo-as vibrar de alegria. Beatitude vos aguarda, e um lindo abrigo. Seleção dos Escritos de 'Abdu'l-Bahá, p. 125 237. É nosso dever e privilégio traduzir o amor e devoção que temos pela nossa amada Causa em feitos e ações que sejam úteis para o mais alto benefício da humanidade. Shoghi Effendi citado em Viver a Vida, p. 9 238. Um lar verdadeiramente bahá'í é uma verdadeira fortaleza na qual a Causa pode confiar enquanto planeja suas campanhas. Se ...amam um ao outro e gostariam de se casar, Shoghi Effendi não deseja que pensem que por fazê-lo estão privando-se do privilégio do serviço; de fato tal união intensificará sua habilidade para servir. Não há nada mais belo que ter jovens bahá'ís se casando e fundando lares verdadeiramente bahá'ís, do tipo que Bahá'u'lláh deseja que sejam. Por favor dê a ambos as amorosas saudações do Guardião. em nome de Shoghi Effendi citado em Uma Onda de Ternura, p. 39 239. ...os bahá'ís deveriam procurar ser multilaterais, normais e bem equilibrados, mental e espiritualmente. Não devemos dar a impressão de sermos fanáticos, porém ao mesmo tempo devemos viver de acordo com nossos princípios. em nome de Shoghi Effendi citado em Viver a Vida, p. 27 240. Seguramente Shoghi Effendi gostaria de vê-la e aos outros amigos, darem todo o seu tempo e energia para a Causa, pois estamos com grande necessidade de trabalhadores competentes, mas o lar é uma instituição que Bahá'u'lláh veio para fortalecer e não para enfraquecer. Muitas coisas infelizes aconteceram em lares bahá'ís justamente por se negligenciar este ponto. Sirva a Causa, mas também lembre-se de seus deveres para com o seu lar. Compete-lhe encontrar o equilíbrio e ver que um não a faça negligenciar o outro. Teríamos muito mais esposos na Causa se as esposas fossem mais ponderadas e moderadas em suas atividades bahá'ís. em nome de Shoghi Effendi citado em Uma Onda de Ternura, p. 38 241. Ele ficou particularmente satisfeito em ouvir que suas relações familiares são tão satisfatórias e sente que está fazendo a coisa certa acatando aos desejos de seu esposo e permanecendo no exterior por mais tempo. Há muito tempo o Guardião sente que os bahá'ís americanos, em alguns casos, não estão vivendo de acordo com o ideal do casamento exposto por Bahá'u'lláh. Eles são propensos a serem influenciados pela atual atitude superficial e egoísta das pessoas em relação ao laço matrimonial. Conseqüentemente, ao ver que está vivendo com êxito de acordo com o padrão bahá'í, dando o melhor de si e preservando este vínculo sagrado que tem com seu esposo, ele está realmente muito feliz. Ele espera que venha a estar em uma situação para ser um exemplo para outros. Pois ele desaprovava a maneira como alguns bahá'ís, em nome do serviço à Causa, se desembaraçaram de seus esposos, ou vão e conseguem outros novos! em nome de Shoghi Effendi citado em Uma Onda de Ternura, pp. 56-7 242. O Guardião, em vista do fato de que seu esposo na realidade não deseja estar separado de si, mas ao contrário, está desejoso de manter seu casamento intacto, sente que, como um bahá'í, não tem o direito de destrui-lo em virtude de seu desejo de servir a Fé. O casamento é uma instituição muito sagrada. Bahá'u'lláh disse que seu propósito é o de promover a unidade. Se os amigos negligenciarem, por amor à Causa, esta instituição colocam a Fé sob um prisma desfavorável ante o público. Nestes dias os povos do mundo são tão imorais e tratam a instituição do casamento tão levianamente; e nós, os bahá'ís, em contraste com os povos do mundo, estamos tentando criar um alto padrão moral e reinstalar a santidade do casamento. Se seu esposo lhe permitir realizar uma certa quantidade de trabalho de ensino e ocasionalmente viajar em prol do interesse da Fé, tanto melhor; entretanto, ele não pensa que a Fé deva ser transformada no objeto que destrói sua vida familiar. em nome de Shoghi Effendi citado em Uma Onda de Ternura, pp. 61-2 243. Seus filhos, ainda que inicialmente não sejam capazes de servir consigo no pioneirismo, estão certamente ajudando-a a assim o fazer, em virtude do espírito devotado e completa cooperação deles. A vida, na melhor das hipóteses, está tão repleta de vicissitudes inesperadas que deixar seus filhos na casa, não apresenta, ele sente, quaisquer riscos adicionais. Eles são devotados à Causa e, sem dúvida, serão inspirados por seu exemplo. em nome de Shoghi Effendi citado em Uma Onda de Ternura, p. 60 244. Sua responsabilidade em relação a seu filho e seu esposo é muito grande e o Guardião espera que seu trabalho em breve alcançará um ponto em que possa retornar, pelo menos por algum tempo, para eles e lhes dar aquele amor e encorajamento que é a grande contribuição da mulher para a vida em família. em nome de Shoghi Effendi citado em Uma Onda de Ternura, p. 56 245. Ele notou com sentimentos de admiração genuína seu anseio de servir no campo de ensino pioneiro, mas está pesaroso de ouvir que suas circunstâncias domésticas não permitem que realize este querido desejo de seu coração. Ao mesmo tempo em que entusiasticamente aprecia seu anseio de trabalhar para a Fé em territórios distantes e até então virgens, ele sente que, em vista da oposição de seu esposo, e também em consideração às necessidades de seus filhos por uma ajuda e guia próxima, deve, no momento presente, emprenhar-se em vez disto, em trabalhar em localidades virgens nas proximidades de... ou das cidades próximas. em nome de Shoghi Effendi citado em Uma Onda de Ternura, p. 47 246. Encorajamento dentro das famílias: a prática das orações obrigatórias diárias e a leitura dos Escritos Sagrados. Casa Universal de Justiça, aos bahá'ís do Canadá, janeiro de 1981 247. Ao considerar os problemas que o senhor e sua esposa estão passando, a Casa Universal de Justiça salienta que a unidade de sua família deve ter prioridade quanto a qualquer outra consideração... Por exemplo, serviço à Causa não deve gerar desatenção para com a família. É importante que disponha seu tempo de tal modo que sua vida doméstica seja harmoniosa e seu lar receba a atenção que necessita. Casa Universal de Justiça citada em Uma Onda de Ternura, p. 68 248. Ainda que serviços bahá'ís devam ser empreendidos com um espírito de sacrifício, não se pode perder de vista a importância dada em nossos Escritos Sagrados às responsabilidades depositadas nos pais em relação a seus filhos, assim como aos deveres dos filhos em relação a seus pais. Casa Universal de Justiça citada em Uma Onda de Ternura, p. 69 A. INTRODUÇÃO O tópico que se segue é sobre a lei bahá'í que determina que os bahá'ís que desejem se casar devem obter o consentimento dos pais para tal união. Poucas pessoas, nos dias de hoje, podem afirmar não terem passado por alguma experiência relacionada à ruptura de um casamento, ou têm amigos aos quais amam e admiram que se separaram ou divorciaram, ou um membro da família que teve seu casamento rompido, ou ainda elas mesmas viveram o drama de uma separação conjugal. Talvez sejam pais de filho ou filha divorciados ou separados. Os pais nesta condição têm em comum um sentimento de tristeza, e alguns sofrem a agonia e a dor de um casamento que terminou em amargura e rancor. Este sentimento é particularmente difícil para os pais bahá'ís, que deram seu consentimento para um casamento que não durou como era esperado. Ficam pensando se não poderiam ter feito algo para evitar que o desenlace ocorresse. Poderiam prever que o casamento não duraria por muito tempo? Se os pais tivessem sido melhor informados sobre suas responsabilidades ao darem o consentimento, ou melhor preparados, teriam decidido diferentemente? Este trabalho é uma busca pessoal por respostas a essas e muitas outras perguntas que os pais têm de responder quando um filho ou uma filha lhes pede consentimento para se casar. Não foi concebido para ser um trabalho completo, mas, sim, uma tentativa de apresentar os assuntos principais relacionados a esse assunto.* (*)Desejo agradecer à Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá'ís da Nova Zelândia pelo tempo e esforços que dedicaram para a revisão do livro e para a aprovação de sua publicação. Sou profundamente grato também ao Departamento de Pesquisa da Casa Universal de Justiça por sua ajuda provendo materiais para o entendimento de muitos dos assuntos relacionados com a lei do consentimento. Também, meus sinceros agradecimentos ao sr. 'Alí Nakhjavání, cujos conselhos iniciais e estímulo ajudaram na preparação do livro e que, juntamente com o dr. Richard Bauman e sra. Rosemarie Smith, bondosamente dedicaram seu precioso tempo para a leitura do manuscrito original e ofereceram valiosos comentários e sugestões. Shoghi Effendi afirma no parágrafo de abertura de seu livro O Dia Prometido Chegou: Uma tempestade de inédita violência varre atualmente a face da Terra, e não podemos prever seu curso. Os efeitos imediatos são catastróficos, mas as conseqüências finais serão gloriosas, além do que possamos imaginar. A força que a impele cresce impiedosamente em âmbito e rapidez. Seu poder purificador, se bem que despercebido, aumenta dia a dia.1 E continua, afirmando: A humanidade, vítima desse inexorável ímpeto assolador... Não percebe sua origem, nem pode sondar seu significado ou discernir seu fim. Perplexa, angustiada, impotente, vê esse grande e poderoso vento do castigo divino invadir as mais remotas e belas regiões, abalando a terra até os fundamentos e perturbando-lhe o equilíbrio; vê desintegrarem-se suas nações, sendo rompidos os lares de seus povos e arrasadas suas cidades; presencia o desterro de seus reis, a demolição de seus baluartes e o desmoronamento de suas instituições, sendo encoberta sua luz e atormentadas as almas de seus habitantes.2 É estarrecedor o impacto do que estamos observando, e o fato de que: "Seu poder avassalador aumenta cada vez mais em abrangência e ação" e é evidente no dia-a-dia em todos os aspectos dos assuntos humanos, incluindo a instituição do casamento. Em países do mundo ocidental, a ruptura do casamento atinge o nível de 50%, e em outras regiões a prática do abandono no casamento é cada vez mais comum. Casamentos estão sendo descartados como se fossem produtos que não mais atendem às nossas necessidades, que não preocupa as pessoas sobre suas conseqüências imediatas ou futuras. Os efeitos de tal descaso repercutem em toda a sociedade à medida que cresce o número de crianças que são criadas por apenas um dos membros do casal, quase sempre com tristes, se não trágicas conseqüências. As mulheres são abandonadas, relegadas à sua própria sorte, e os filhos esquecidos, sofrendo com as conseqüentes cicatrizes da desilusão, tristeza e revolta. As atitudes com relação ao casamento e à vida familiar estão ficando tão confusas que desencorajam um grande número de pessoas de tomarem a decisão de se casar. Com referência aos transtornos que afligem a humanidade, pode-se com razão argumentar que o colapso da instituição do casamento é um dos fatores que está "...sendo rompido os lares de seus povos... sendo encoberta sua luz e atormentadas as almas de seus habitantes".3 Cientistas sociais e outros estudiosos, preocupados com o futuro, buscam respostas para esse problema. O número de teorias conflitantes sobre as causas e eventuais soluções para o problema é impressionante. Alguns políticos ocidentais imputam o colapso aos "valores tradicionais", mas não apresentam soluções. Em muitas partes do mundo, a resposta tem sido uma eclosão do fundamentalismo religioso, tanto no Oriente como no Ocidente, e seus proponentes vêem isso como a melhor defesa contra a perda desses valores tradicionais, quaisquer que sejam. Infelizmente, os bahá'ís do mundo não estão isentos dos trágicos efeitos do colapso no casamento. Em verdade, a evidência mostra que os casamentos bahá'ís não são diferentes em duração daqueles da população em geral. Os crentes estão também sendo vítimas do câncer do materialismo, negativamente influenciados pelos padrões morais prevalecentes em nossas respectivas sociedades, e vítimas iludidas pelos pronunciamentos de pretensos sábios mundanos. O resultado é que nossas atitudes com relação ao casamento, e em verdade quanto a muitos outros aspectos da vida, são ainda em grande parte frutos da influência poderosa de nosso ambiente cultural. Mas a esperança está no que o Guardião prometeu, que esta tempestade será "Os efeitos imediatos são catastróficos, mas as conseqüências finais serão gloriosas"4 e que a civilização prevista por Bahá'u'lláh será uma civilização "...com uma plenitude de vida que o mundo jamais viu nem pode ainda conceber".5 Em nossos esforços para alcançarmos essa plenitude de vida, Bahá'u'lláh nos convida para examinarmos o que Ele disse sobre os problemas que estão afligindo a humanidade: O Médico Onisciente tem Seu dedo no pulso da humanidade. Ele percebe o mal e, com sua infalível sabedoria, prescreve o remédio. Cada era tem seu próprio problema e cada alma sua especial aspiração. O remédio que o mundo necessita em suas aflições hodiernas não pode ser, jamais, o mesmo daquele requisitado por uma era subseqüente. Cuidai zelosamente das necessidades da era em que viveis e concentrai vossas deliberações em suas exigências e seus requisitos.6 E em outra oportunidade, afirma que: Aqueles que Deus dotou de discernimento prontamente reconhecerão que os preceitos por Ele estabelecidos constituem os instrumentos supremos para a manutenção da ordem no mundo e a segurança de seus povos.7 A Revelação de Bahá'u'lláh abrange todo aspecto da condição humana e assim fazendo trata não somente do relacionamento do indivíduo com o Criador, mas também estabelece leis e mandamentos e cria instituições com a finalidade de remediar as dificuldades que nos afligem como indivíduos e como sociedade. Adicionalmente aos Escritos de Bahá'u'lláh, temos as interpretações autorizadas de 'Abdu'l-Bahá e do Guardião, juntamente com a sabedoria infalível e a guia da Casa Universal de Justiça. Como parte desta Revelação, Bahá'u'lláh tratou extensivamente do assunto do casamento e de muitos aspectos relacionados com essa sagrada instituição, e revelou a lei que determina que os bahá'ís, que pretendem se casar, devem obter permissão dos pais. A Casa Universal de Justiça, em uma de suas cartas, deixou claro a importância dessa lei: Em muitos casos da quebra das leis do casamento, os bahá'ís aparentemente consideram a lei que exige o consentimento dos pais antes do casamento como uma mera regra administrativa, e não parecem entender que esta é uma lei de grande importância que afeta as próprias estruturas da sociedade humana. Ainda mais, parecem não se dar conta de que na Fé Bahá'í os aspectos espirituais e administrativos são complementares e que as leis sociais da Fé são obrigatórias e devem ser consideradas como puramente espirituais.8 Para ajudar no entendimento desta obrigação dos pais, será de todo importante que eles conheçam as leis relacionadas ao consentimento, a qual é, aparentemente, algo simples, mas também para terem uma visão maior e mais completa sobre assuntos e detalhes relacionados diretamente à vida matrimonial. Por exemplo, sem um entendimento do conceito bahá'í de matrimônio, e da base sobre a qual as leis bahá'ís são estabelecidas, existe o perigo do consentimento ser considerado como uma mera formalidade. Por esta razão, algumas seções sobre "Casamento" e sobre "As Leis de Deus" foram introduzidas. Estas precedem a seção sobre "Consentimento", que trata da própria lei e dos vários aspectos de sua aplicação. Uma seção sobre "Preparando-se", tanto para os pais como para os filhos, foi também incluída porque, na opinião do autor, o casamento não é um assunto para ser deixado de lado até alguns dias antes de acontecer. Finalmente, existe uma seção sobre "Decidindo", que cobre assuntos que acho também muito importantes e que os pais certamente vão considerar úteis conhecer.* Este trabalho foi escrito inicialmente para os pais bahá'ís, mas é sumamente útil também a outros bahá'ís, jovens que estão pensando em casar-se ou, em especial, para os pais conhecerem melhor a lei bahá'í do consentimento, sendo a intenção do autor ajudar a todos no entendimento dessa importante lei bahá'í. O autor reconhece que muitos bahá'ís irão precisar da permissão de pais não-bahá'ís, mas que não tentaram dirigir-se a eles diretamente, em dúvida, sabendo que o conhecimento que têm sobre a Fé e suas atitudes quanto à mesma variam de pessoa a pessoa, e que qualquer tentativa para tratar do assunto com públicos diferentes exigiria um enfoque especial. Nesse sentido, o autor tem certeza que os Escritos oficiais da Fé são bem esclarecedores, não adiantando tentar esconder qualquer dos aspectos que possam parecer dogmáticos para uma pessoa que desconheça totalmente ou tenha pouco conhecimento da Fé. Os pais não-bahá'ís têm todo o direito de conhecer todas as implicações da lei, sob a perspectiva bahá'í, e se aceitarem a verdade dos Escritos nos quais a lei se baseia, e entenderem a infalibilidade das orientações dadas, a decisão sobre o consentimento será da alçada de sua própria consciência. Fui muito cuidadoso para evitar qualquer conotação de preconceito no uso de pronomes pessoais. Porém, as traduções dos Escritos de Bahá'u'lláh e de 'Abdu'l-Bahá, como também muitas das cartas de Shoghi Effendi e algumas da Casa Universal de Justiça, usam somente o pronome masculino, e não podem ser modificados. Na introdução do livro O Kitáb-i-Aqdas, a Casa Universal de Justiça explica que as leis aplicam-se aos dois sexos, a não ser que, para maior clareza do contexto, a menção específica ao sexo seja necessária. Isso se aplica também quanto às traduções dos Escritos das Figuras Centrais da Fé. Nas cartas citadas neste livro, o pronome se aplica igualmente aos homens e mulheres, a não ser que seja óbvio a qual dos sexos se refere. Não sou um profissional da área de casamentos, muito menos um cientista social ou um erudito. Fui levado a escrever pelo sofrimento e pela dor que testemunhei na vida de muitas pessoas, homens e mulheres, e particularmente nos filhos de famílias cujos casamentos, infelizmente, se destruíram. Minha intenção, também, ao escrever este ensaio, é estimular àqueles melhor qualificados para esta tarefa, buscando adicionar mais luz para a compreensão deste importante assunto, enriquecendo significados e escolaridade sobre o mesmo, expandindo seu escopo, e de alguma forma esperando contribuir para o fortalecimento da instituição do casamento bahá'í. John Skeaff B. CASAMENTO O casamento e a família formam um dos mais importantes elementos de qualquer sociedade. Para contribuirmos com nossa parte na construção da nova sociedade prometida por Bahá'u'lláh, na qual a ordem, a maturidade, a justiça e a unidade são características vitais, é nosso dever estudar e entender o que Bahá'u'lláh disse sobre o casamento e sobre a vida familiar. Existem muitas e excelentes compilações, artigos e livros sobre o casamento e a vida familiar, não sendo a intenção deste livro duplicar tais materiais. Porém, existem alguns Escritos sobre o casamento que são particularmente relevantes quanto ao assunto do consentimento dos pais. Particularmente importantes são aqueles que tratam do propósito e da santidade dessa instituição divinamente ordenada. Um entendimento do que significa o casamento à luz da Revelação Bahá'í levará certamente a uma melhor apreciação da natureza sagrada da responsabilidade dos pais ao darem consentimento para o casamento dos filhos. No Kitáb-i-Aqdas está escrito: Deus vos prescreveu o matrimônio. Acautelai-vos para não desposar mais de duas mulheres. Quem se contenta com uma só consorte dentre as servas de Deus viverá em tranqüilidade, assim como ela. E é lícito empregar os serviços de uma donzela, desde que com decoro. Eis o mandamento que com verdade e justiça a Pena da Revelação inscreveu. Casai-vos, ó povo, para que apareça de vós quem faça menção de Mim entre os Meus servos. Este é o Meu mandamento a vós; observai-o com firmeza para o vosso próprio bem.9 Em uma de Suas orações sobre o casamento, encontramos os seguintes versículos: E quando desejou manifestar graça e benefício aos homens, e trazer ordem ao mundo, revelou Ele observâncias e criou leis. Entre estas, estabeleceu a lei do matrimônio como fortaleza para o bem-estar e salvação, e nos exortou a observá-la, segundo a revelação do céu da santidade inscrita em Seu Mais Sagrado Livro. Diz Ele - e grande é Sua glória: "Casai-vos para que apareça de vós quem se lembre de Mim entre Meus servos; este é um de Meus mandamentos a vós; obedecei-o, em vosso próprio benefício."10 O Guardião disse que: Os Ensinamentos Bahá'ís não só encorajam a vida conjugal, considerando-a a maneira natural e normal de existência para toda pessoa sã de espírito, saudável e socialmente cônscia e responsável, como elevam o casamento ao status de uma instituição divina, seu principal e sagrado propósito sendo o de perpetuação da raça humana - a qual é a própria flor de toda a criação - e sua elevação à verdadeira posição que lhe foi destinada por Deus.11 Em Perguntas e Respostas, do Livro Sacratíssimo, O Kitáb-i-Aqdas, Bahá'u'lláh explica que o casamento não é obrigatório: Pergunta: A respeito do sagrado versículo, "Deus vos prescreveu o matrimônio"; é esse preceito obrigatório, ou não? Resposta: Não é obrigatório12 'Abdu'l-Bahá, em uma de Suas cartas escritas a um bahá'í, explicou: Quanto à pergunta sobre o casamento dentro da Lei de Deus: primeiro deves escolher alguém que te seja agradável, e então o assunto fica sujeito ao consentimento do pai e da mãe. Antes de fazeres a escolha, eles não têm o direito de interferir.13 Esses excertos nos esclarecem que embora o casamento esteja prescrito ele não é obrigatório, mas o consentimento dos pais é. O casamento foi-nos dado para nosso próprio bem, mas somos livres para escolher casar ou não, isso sem qualquer coerção ou interferência. Mas se decidirmos casar, há que se entender que concordamos obedecer às leis de nossa Fé quanto ao matrimônio e a vida familiar, iniciando pelas leis de castidade prescritas por Bahá'u'lláh14. Qualquer que seja a decisão que tenhamos tomado, isso não importa para Deus, já que Ele não depende e não se beneficia nem se prejudica com o que fizermos. O Deus Uno e Verdadeiro - exaltado seja Sua glória - nada tem desejado para Si. A lealdade do gênero humano não O beneficia, nem pode sua perversidade Lhe trazer dano. A Ave do Domínio das Palavras articula continuamente este chamado: "Todas as coisas tenho Eu desejado para ti, e a ti, igualmente, para teu próprio bem."15 Em razão da crescente idéia popular na sociedade ocidental contemporânea de que o casamento é algo já superado e irrelevante, 'Abdu'l-Bahá deixou claro que essa instituição divina durará para sempre: Relativamente à questão do matrimônio, saibam que o mandamento do casamento é eterno. Nunca será mudado ou alterado. É uma Criação Divina e não há a mais leve possibilidade de ser essa Criação Divina, o casamento, afetado por qualquer modificação.16 Então, ao descrever a natureza do casamento bahá'í, 'Abdu'l-Bahá afirma: Portanto, quando o povo de Bahá tenciona casar, a união deve ser uma relação verdadeira, uma aproximação espiritual bem como física, de modo que através de todas as fases da vida, e em todos os mundos de Deus, sua união perdurará; porque essa verdadeira unidade é uma centelha do amor de Deus.17 E o Guardião disse que: Deve ser primeiro claramente enfatizado que a instituição do casamento, conforme concebida e estabelecida por Bahá'u'lláh, é extremamente simples embora de importância vital, constituindo-se na base real da vida social.18 'Abdu'l-Bahá referiu-se ao casamento como uma "criação divina" e o Guardião define-a como uma "instituição divina". Essas definições contrastam inteiramente com muitas das atitudes prevalecentes sobre o casamento, e nos estimulam a examinar, cuidadosamente, nossas próprias idéias sobre o mesmo. O que está bem claro e definido é que esse assunto deve ser considerado com toda a seriedade, não somente pelo casal que pretende se casar, mas também pelos pais, os quais, algum dia, serão solicitados a dar o seu consentimento. C. AS LEIS DE DEUS Uma das grandes bênçãos que Deus concedeu à humanidade neste Dia é a simplicidade e clareza com que Suas leis e mandamentos foram revelados. No Kitáb-i-Aqdas, Bahá'u'lláh não somente estabeleceu instituições que irão formar as estruturas de Sua nova Ordem Mundial, como também revelou um conjunto de leis espirituais e administrativas, e exortações que tratam da conduta individual. Além do próprio Livro Sacratíssimo, existem as explanações e interpretações, infalíveis e autorizadas, que nos foram dadas por 'Abdu'l-Bahá, pelo Guardião e pela Casa Universal de Justiça. Para avaliar a lei do consentimento será de ajuda entender a natureza do Kitáb-i-Aqdas e as leis nele contidas. Bahá'u'lláh descreveu Seu Livro Sacratíssimo nas seguintes palavras: Não penseis que Nós vos revelamos um mero código de leis. Não, mais do que isso: deslacramos o Vinho seleto com os dedos da grandeza e do poder. Disso dá testemunho o que a Pena da Revelação manifestou. Meditai sobre isso, ó homens de discernimento!19 Shoghi Effendi afirmou que as leis e mandamentos que constituem o tema principal do Kitáb-i-Aqdas foram caracterizados por Bahá'u'lláh: As leis e preceitos que constituem o principal tema deste Livro, Bahá'u'lláh, ademais, caracterizou especificamente como "o sopro de vida para todas as coisas criadas", como o "mais poderoso baluarte", como os "frutos" de Sua "Árvore", como "o mais elevado meio para a manutenção da ordem no mundo e para a segurança de seus povos", como "as lâmpadas da Sua sabedoria e terna providência", como a "doce fragrância de Sua roupagem", como as "chaves" de Sua "misericórdia" para Suas criaturas.20 A Casa Universal de Justiça nos deu uma visão adicional sobre as Leis de Deus: Nesta Revelação os conceitos do passado são trazidos a um novo patamar de entendimento e as leis sociais, modificadas a fim de servir à era que ora desponta, destinam-se a conduzir a humanidade em direção a uma civilização mundial cujos esplendores agora mal se podem imaginar... A Lei de Deus para esta Dispensação atende às necessidades da inteira família humana... Através de Sua Lei, Bahá'u'lláh gradualmente desvela a significação dos novos níveis de conhecimento e conduta aos quais os povos do mundo estão sendo convocados. Ele incrusta Seus preceitos no bojo de um tratado espiritual, mantendo sempre a mente do leitor atenta ao princípio de que estas leis, independente do assunto ao qual se referem, atendem aos propósitos múltiplos de trazer tranqüilidade à sociedade humana, elevar o padrão da conduta dos homens, ampliar o horizonte da compreensão humana e espiritualizar a vida de todos, sem exceção. De princípio a fim, a derradeira meta das leis da religião é o relacionamento de cada alma com Deus e o cumprimento de seu destino espiritual.21 O erudito bahá'í, Mírzá Abu'l-Fadl dividiu as leis em três categorias. Primeira: são as leis devocionais concernentes à adoração a Deus, que incluem as orações obrigatórias e o jejum. Segunda: são as leis em benefício exclusivo dos indivíduos e geralmente tratam da conduta pessoal relacionadas com seu desenvolvimento espiritual. Estas incluem a limpeza, as boas maneiras e o caráter moral. Terceira categoria: consiste daquelas leis que dizem respeito à sociedade. Constituem a maioria das leis reveladas no Kitáb-i-Aqdas e incluem a lei do consentimento dos pais para o casamento dos filhos.22 Seguindo-se à revelação do Kitáb-i-Aqdas, Bahá'u'lláh revelou inúmeras Epístolas contendo princípios e preceitos que, juntos com as leis e os mandamentos em seu Livro Sacratíssimo, formam a "urdidura" e o "traçado" de Sua futura Ordem Mundial.23 Com relação a essas Epístolas, o Guardião explica que: Dos princípios encerrados nessas Epístolas, o mais vital de todos eles é o princípio da unidade e da integridade da raça humana, o qual bem pode ser considerado a característica distintiva da Revelação de Bahá'u'lláh e o eixo de Seus ensinamentos.24 Com base nessas poucas citações, rapidamente podemos entender que o Livro das Leis não é simplesmente uma lista de novas regras e regulamentos religiosos entremeados com orientação espiritual, mas uma carta ou constituição para a futura Ordem Mundial. Como uma carta magna, existem muitos detalhes que são omitidos, mas a estrutura para sua provisão lá está, e tais detalhes serão providos, quando necessários, pela Casa Universal de Justiça. O Corpo Supremo da Causa explicou isso: O Kitáb-i-Aqdas, por si só, é o núcleo de uma vasta estrutura de leis bahá'ís que deverá vir à luz, nos anos e séculos vindouros, à medida que a unidade do gênero humano vier a se estabelecer e desenvolver. Portanto, para se compreender corretamente o conteúdo deste Livro, é preciso ler-se também muitas outras Epístolas de Bahá'u'lláh relacionadas a ele, bem como as interpretações de 'Abdu'l-Bahá e do Guardião, e compreender que grandes áreas de detalhamento foram deixadas por Bahá'u'lláh à Casa Universal de Justiça para preenchimento e alteração, conforme as necessidades de uma sociedade em desenvolvimento.25 Como a Fé encontra-se ainda nos primeiros estágios de seu crescimento, e a vasta maioria de seus crentes é composta de novos bahá'ís, é natural que muitas leis sejam colocadas em vigência somente em uma data futura. Shoghi Effendi colocou as leis do Kitáb-i-Aqdas no contexto dos tempos em que vivemos: Algumas leis, como o jejum, as orações obrigatórias, o consentimento dos pais para o matrimônio, a abstenção de bebidas alcoólicas e a monogamia, deveriam ser consideradas por todos os fiéis como universal e vitalmente aplicáveis nos dias de hoje. Outras foram formuladas em antecipação a um estágio de sociedade destinado a emergir das condições caóticas que hoje prevalecem.26 Para alguns bahá'ís, particularmente aqueles de origem islâmica, o conceito de obediência às leis religiosas é um fato aceito naturalmente. Mas para outros, o declínio da influência das instituições religiosas, tanto no Oriente como no Ocidente, e a crescente secularização da sociedade, tornaram em grande parte obsoleta a idéia de obediência às leis religiosas.27 Porém, como seguidores de Bahá'u'lláh, não somos os únicos a usufruir o conhecimento de leis e princípios, mas a obedecê-los28. No parágrafo de abertura do Kitáb-i-Aqdas, Bahá'u'lláh deixou claro essa obrigação: O primeiro dever prescrito por Deus a Seus servos é o reconhecimento dAquele que é o Alvorecer de Sua Revelação e a Fonte de Suas leis, Aquele que representa a Deidade tanto no Reino de Sua Causa como no mundo da criação. Quem cumpre esse dever atinge todo o bem, e quem dele se priva conta-se entre os extraviados, mesmo que seja o autor de todos os atos retos. Cumpre a cada um que alcança esse mais sublime grau, esse ápice de transcendente glória, observar todos os mandamentos dAquele que é o Desejo do mundo. Esses deveres gêmeos são inseparáveis. Um não é aceitável sem o outro. Assim decretou Aquele que é o Manancial da inspiração divina.29 A fim de sermos fiéis a Bahá'u'lláh, não podemos, por um lado, reconhecer e aceitar Sua posição como Manifestante de Deus para esta era, e de outro, pegar e escolher aquelas leis e mandamentos que nos apraz obedecer. Seria oportuno lembrar que no Livro Sacratíssimo Seu Convênio infalível está inserido, o qual diz respeito não somente ao assunto de Sua sucessão, mas também fidelidade à Sua Causa. Bahá'u'lláh nos adverte sobre a obediência: Os que violaram o Convênio de Deus desobedecendo-Lhe os mandamentos, e voltaram-Lhe as costas, esses cometeram erro deplorável aos olhos de Deus, o Possuidor de tudo, o Altíssimo.30 Fomos também ensinados que a obediência às leis e aos ensinamentos traz consigo o conhecimento que nos habilita a ajudar a transformar a sociedade, e que seguindo-as com amor e devoção liberamos energias latentes dentro de nós. O Guardião, citando 'Abdu'l-Bahá, explicou: Quão freqüentemente se ouviu o amado Mestre dizer: Se cada um dos amigos assumisse a tarefa de cumprir integralmente, e com todas as suas implicações, apenas um dos ensinamentos da Fé, com devoção, desprendimento, constância e perseverança, e o exemplificasse em todos os atos e atividades de sua vida, o mundo se tornaria outro e a face da terra refletiria os esplendores do Paraíso de Abhá. Considerai as mudanças maravilhosas que ocorreriam se os amados do Misericordioso se conduzissem em suas capacidades, tanto individuais como coletivas, de acordo com os conselhos e exortações que fluíram da Pena da Glória.31 Imagine o que poderá acontecer se formos fiéis a todos os ensinamentos! Mas Bahá'u'lláh não prometeu que seria fácil cumpri-los fielmente. Esta não é uma Causa que possa ser joguete das vossas vãs fantasias, tampouco é campo para tolos e timoratos. Por Deus! Esta é a arena da perspicácia e do desprendimento, da visão e do enaltecimento, onde cavaleiro algum pode galopar, exceto os valorosos paladinos do Misericordioso, os quais romperam todos os laços com o mundo da existência. São eles, de fato, que tornam Deus vitorioso na terra, e são a manifestação de Seu poder soberano entre a humanidade.32 D. O CONSENTIMENTO DOS PAIS Com o conhecimento de que Suas leis são a base da futura sociedade e que têm o poder de transformar nossas vidas, vejamos agora alguns dos detalhes da lei do consentimento. No Bayán estipulou-se que o matrimônio depende do consentimento de ambos os nubentes. Desejando estabelecer o amor, a unidade e a harmonia entre os Nossos servos, Nós o ainda condicionamos, conhecida a vontade dos pretendentes, à permissão dos respectivos pais e mães, para que nem inimizade nem rancor nasçam entre eles. Ademais, com isso ainda temos outros propósitos. Assim firmou-se o Nosso mandamento.33 Shoghi Effendi afirma que esta lei está explícita e não oferece espaço para ambigüidade. Enquanto os pais forem vivos, seu consentimento precisa ser obtido, não estando condicionado às relações que tenham com os filhos. Explica também que o consentimento é exigido, sejam os pais bahá'ís ou não, divorciados ou não, simpáticos à Causa ou não. Os pais darão apenas o consentimento para o casamento, não se haverá uma cerimônia bahá'í de casamento. Se, porém, os pais consentem com o casamento, mas objetam a realização de uma cerimônia bahá'í, a Casa Universal de Justiça disse que o casamento não poderá ocorrer. Os bahá'ís que se casam sem o consentimento dos pais, ou sem uma cerimônia bahá'í de casamento, devem estar conscientes de que estarão incorrendo na possibilidade de sanções administrativas.34 Em resposta a uma pergunta sobre se o consentimento é exigido dos pais de um não-bahá'í que está se casando com um (uma) bahá'í, o Guardião esclarece: ... Bahá'u'lláh afirmou que o consentimento dos pais de ambas as partes é exigido a fim de promover unidade e evitar atrito, e como o Aqdas não especifica qualquer exceção a esta regra, o Guardião considera que em todas as circunstâncias o consentimento dos pais de ambas as partes é necessário.35 Em casos de filhos adotados, a Casa Universal de Justiça disse que o consentimento deve ser obtido dos pais naturais sempre que isso seja legalmente possível. Nenhum esforço deve ser feito para encontrar os pais naturais se isso contraria as provisões estabelecidas na certidão de adoção ou às leis do país, ou se os pais legalmente deserdaram o filho ou a filha que pretende se casar. Neste último caso, é importante entender a diferença entre abandono e deserção. A Casa de Justiça explica que o "ato dos pais abandonarem um filho ou uma filha, e não terem contato com ele (ou ela) por um longo período de tempo, isso não significa tratar-se de deserção".36 Se puder ser confirmado que os pais legalmente renunciaram todos os direitos e responsabilidades com relação ao filho (ou à filha), não é necessário pedir seu consentimento para o casamento. Este ponto é tratado com mais detalhes pela Casa de Justiça em outra carta escrita em se nome: Com relação à rejeição, é necessário que a Assembléia Espiritual Nacional considere-se inteiramente satisfeita de a mesma foi confirmada legalmente, entre a srta xxx e seus pais biológicos. Em muitos casos, um pai pode fazer uma declaração radical num momento de raiva ou frustração, a qual pode ser entendida como indicativa de um corte no relacionamento com o(a) filho(a), mas tal afirmativa pode não se constituir no estabelecimento de um estado de rejeição, o qual acarreta a implicação clara de que todos os direitos e relacionamentos legais são considerados como não existentes pelos pais.37 Se a deserção ocorreu por outros meios que não a renúncia judicial dos direitos e responsabilidades, o assunto deve ser referido à Casa de Justiça.38 Considerando que as leis e costumes de adoção variam amplamente de país a país, e devido ao fato de que as condições para a adoção variam caso por caso, não será possível considerar todas as situações em detalhes. O que é importante é o princípio que se a identidade dos pais é conhecida e não existem barreiras legais para contatá-los, seu consentimento para o casamento deve ser obtido, mesmo que a criança tenha sido abandonada pelo pai ou pela mãe natural. Em situações onde o filho (ou a filha) não conheça quem são seus pais, ou se ainda estão vivos, todo esforço possível deverá ser feito para encontrá-los. Isso inclui recorrer à ajuda de firmas ou agências que possam localizá-los, como também anúncios em jornais distribuídos na área onde os pais foram conhecidos ou viveram ultimamente.39 A exigência dos filhos adotados obterem o consentimento de seus pais naturais pode ser emocionalmente difícil para quem pede, como também para os pais adotivos. Isso é natural porque em muitos casos é improvável que os filhos jamais terão qualquer contato com seus pais naturais. Os pais adotivos podem achar que a lei é arbitrária, por parecer ignorar seu papel em um dos eventos mais importante na vida de um jovem, ou de uma jovem. Em resposta a uma carta de dois crentes com relação a um caso como esse, a Casa de Justiça disse que: ... compartilha dos profundos sentimentos expressos por você com relação às relações de pais adotivos com seus filhos, e seu ponto de vista de que o papel de tais pais trabalhando pelo desenvolvimento dessas crianças é tão valioso como aquele dos pais naturais. A nobre posição, tanto dos pais naturais como dos adotivos, é afirmada por Bahá'u'lláh no Kitáb-i-Aqdas na bênção que Ele invoca para os pais que criam seus filhos e outras crianças. Ele declara: "Quem cria o seu próprio filho, ou o filho de outrem, é como se criasse um filho Meu; sobre ele repousem Minha glória, Minha ternura e Minha mercê, que envolveram o mundo inteiro." Nesse mesmo Livro das Leis, Bahá'u'lláh enunciou a lei que exige o consentimento dos pais para o casamento. Shoghi Effendi interpretou essa lei como aplicável aos pais naturais, um dos propósitos sendo "expressar uma determinada gratidão e respeito nos corações dos filhos por aqueles que lhes deram a vida e encaminharam suas almas para a jornada eterna rumo ao seu Criador". Certamente Deus é justo, e a ausência de uma exigência legal para que os pais adotivos dêem seu consentimento para o casamento de forma alguma tira o mérito altamente espiritual de seu papel de pais; nem deve diminuir o amor e a unidade entre os pais adotivos e os filhos adotados. Neste sentido, a Casa de Justiça já afirmou anteriormente que um(a) filho(a) adotado (a), embora não seja obrigado(a) a obter o consentimento de seus pais adotivos, se escolherem assim fazê-lo estarão demonstrando um sentimento de amor e respeito por eles.40 Em outra carta, tratando de circunstâncias similares, o Corpo Supremo escreveu o seguinte a dois crentes: Com respeito à sua pergunta se a lei bahá'í, nesse caso, não provocaria mais angústia e desunião do que a melhoria esperada, fomos solicitados a chamar sua atenção para o fato de que Bahá'u'lláh é, verdadeiramente, o Mais Misericordioso e o Médico Onisciente; muitas vezes acontece quando uma criança, criada por pais adotivos, entra em contato com seus pais naturais, ocorre uma grande cura, tanto nos corações e nas vidas dos pais naturais como também da criança, a qual poderá sentir-se mais segura e confiante ao ficar conhecendo alguma coisa de suas raízes. A Casa Universal de Justiça confia que a sua aceitação integral da lei de Bahá'u'lláh, juntamente com uma reflexão alicerçada por orações durante algum tempo, proverá a você discernimentos adicionais. Orações serão oferecidas nos Santuários Sagrados para sua guia e inspiração.41 Algumas vezes os pais podem assumir a posição de que seu filho, ou filha, é adulto(a), livre para casar com quem queira, não vendo razão para darem seu consentimento. Em resposta a uma situação como essa, a Casa de Justiça decidiu que: Tal atitude, se claramente estabelecida, pode levar à renúncia dos pais do direito de dar ou não consentimento e pode ser aceita pela Assembléia como liberando o filho (ou filha) da exigência de obter o consentimento de ambos os pais. Outra possibilidade é que os pais afirmem que têm tal confiança no(a) filho(a) que já lhe deu consentimento geral para casar-se com quem desejasse; neste caso, tal consentimento geral será suficiente para atender à exigência do casamento bahá'í. Em nenhum circunstância existe a rejeição, mas a declaração dos pais abre o caminho para que a lei bahá'í esteja sendo cumprida.42 Esta carta, em particular, foi escrita em resposta a um problema complexo envolvendo um crente cuja noiva estava tendo dificuldade para obter o consentimento de seus pais não-bahá'ís. O crente perguntou à sua Assembléia Espiritual Nacional se a declaração oficial dos pais da noiva sobre sua deserção atenderia à exigência do consentimento para casar-se.43 Mesmo que a liberdade dos pais de dar ou não o consentimento não tenha restrições ou condicionamentos,44 é improvável que pais bahá'ís adotem a posição acima mencionada, considerando a importância da lei. A Casa de Justiça escreveu o seguinte em resposta a uma pergunta feita pela Assembléia Espiritual Nacional envolvida no caso original: Parece improvável que os pais bahá'ís julguem não ser apropriado para seus filhos buscar o consentimento deles para se casarem. Se tal situação ocorre, então certamente tais pais precisam de algum aprofundamento no conhecimento das leis bahá'ís relacionadas ao casamento.45 Além das situações em que os pais tenham deserdado os filhos ou renunciado a seus direitos de dar ou não o consentimento, existem circunstâncias nas quais os bahá'ís não são solicitados a buscar seu consentimento. "Se um pai, por exemplo, ausentar-se a um ponto tal que seja considerado como legalmente morto", o consentimento não é exigido. Também, se o pai for considerado como legalmente insano e, por isso, incapaz de dar seu consentimento, ou se o pai foi declarado formalmente um rompedor do Convênio, a permissão não é exigida.46 Finalmente, em uma carta dirigida a um bahá'í que perguntou se a lei bahá'í exigia o consentimento de um pai que tenha abusado sexualmente da filha, a Casa de Justiça deu a seguinte resposta: Tem havido situações onde, com base em informação apresentada à Casa Universal de Justiça sobre um caso de incesto, ou outras formas de abuso sexual, foi decidido que os pais tinham perdido seus direitos de dar ou negar consentimento para o casamento do(a) filho(a). Porém, devido às circunstâncias de cada caso de abuso ser diferente, a Casa de Justiça julgará cada um separadamente. À luz da informação acima, quando você decidir casar-se, deverá consultar com sua Assembléia Espiritual Nacional, compartilhando com ela todas as informações possíveis, para que o assunto possa ser encaminhado para consideração da Casa Universal de Justiça.47 Os casamentos bahá'ís são normalmente realizados sob a jurisdição de uma Assembléia Espiritual Local, a qual, entre outras coisas48 ficará satisfeita se os noivos tiverem o necessário consentimento dos pais e que os mesmos tenham sido dados espontaneamente. Não deve insistir que o consentimento seja feito por escrito: Embora seja desejável ter o consentimento assinado por ambos os pais, esta não é uma exigência da lei bahá'í. A Assembléia Espiritual responsável pode ficar satisfeita se o consentimento for dado livremente, mas não deve insistir em um documento assinado. Evidência confiável do consentimento feito verbalmente será suficiente; alguns pais preferem afirmar oralmente seu consentimento, outros, já preferem fazê-lo por escrito.49 A lei ab-roga o costume de casamentos arranjados. Os Escritos deixam claro que os pais não têm o direito de interferir na escolha do cônjuge escolhido por seu filho(a), mas têm o direito de sancionar o casamento.50 Isso desafia os pais a serem desapegados e livres de preconceito ao tomarem sua decisão. Quanto à questão que você levantou sobre preconceito extremo como sendo uma barreira para o consentimento dos pais, Bahá'u'lláh deixou a decisão à consciência do pai ou da mãe de darem ou não o consentimento para o casamento, qualquer que seja a razão, e a Casa de Justiça não tem autoridade para interferir nessa prerrogativa. A alegação de preconceito como um motivo para recusar dar o consentimento não é, por si mesma, justificativa para cancelar a exigência de que tal consentimento deve ser obtido. Mas isso não quer dizer que o próprio preconceito seja justificável.51 Isso pode ser um grande teste de fé para ambos - filhos e pais - em sociedades onde os pais podem explicitamente, ou através de uma sutil persuasão, tentar impor um casamento ao filho (ou à filha). Tal teste torna-se cada vez mais difícil se a cultura insiste nesse direito dos pais como uma medida de obediência filial. A lei do consentimento dos pais é a primeira lei divinamente revelada desse tipo na história das religiões. Nenhum outro Manifestante de Deus obrigou Seus seguidores obedecerem a uma lei como essa, embora a prática de buscar a aprovação dos pais seja ainda seguida em muitas culturas, geralmente por diferentes razões daquelas estabelecidas nos Escritos Bahá'ís. Por que Bahá'u'lláh revelou esta lei e tornou obrigatório o consentimento? Ele faz três afirmativas nesse sentido, a primeira declarando ser Seu propósito "estabelecer amor, unidade e harmonia entre Seus servos". Este é essencialmente o objetivo de toda a Revelação e o tema principal do Kitáb-i-Aqdas. Especular como o consentimento dos pais pode contribuir para essa harmonia e unidade está além do escopo deste trabalho, não sendo apropriado neste estágio da evolução da Fé. Neste sentido, Shoghi Effendi, ao referir-se à unificação da humanidade, faz a seguinte declaração: Alegar que se haja inteirado de todos os significados implícitos do prodigioso plano de Bahá'u'lláh para a solidariedade humana universal, ou que se tenha penetrado no âmago de seu intuito, seria presunçoso mesmo por parte dos declarados aderentes de Sua Fé. Tentar conceber todas as suas possibilidades, avaliar seus futuros benefícios, descrever sua glória, seria prematuro mesmo numa etapa tão adiantada na evolução da humanidade.52 Como parte do texto da lei do consentimento, Bahá'u'lláh afirma que: "E nisso temos ainda outros propósitos." Gostaríamos muito de ter encontrado qualquer esclarecimento publicado nos Escritos que tratasse diretamente dessa declaração. Mas, o próprio Departamento de Pesquisa da Casa Universal de Justiça afirma que, até o momento, não pôde localizar uma interpretação autorizada desta passagem específica do Kitáb-i-Aqdas. Porém, referiu-se a um extrato de uma carta datada de 25 de outubro de 1947, escrita em nome do Guardião a uma Assembléia Espiritual Nacional, que provê algumas referências sobre a importância espiritual e social da lei de consentimento dos pais53: Ele estabeleceu esta grande lei para fortalecer a estrutura social, para entrelaçar mais os vínculos do lar, para depositar gratidão e respeito nos corações dos filhos para com aqueles que lhes deram a vida e enviaram suas almas na viagem eterna em direção ao seu Criador. Nós bahá'ís, devemos compreender que na sociedade atual está ocorrendo o processo exatamente oposto: pessoas jovens importam-se cada vez menos com os desejos de seus pais, o divórcio é considerado um direito natural e obtido sob os pretextos mais insignificantes, injustificáveis e indignos. As pessoas separadas, especialmente se uma delas tem a custódia total dos filhos, estão muito dispostas a menosprezar a importância do companheiro de casamento, também responsável, como um dos pais, por ter trazido estas crianças a este mundo. Os bahá'ís devem, através da rígida aderência às leis e ensinamentos bahá'ís, combater estas forças corrosivas que estão tão rapidamente destruindo a vida em família e a beleza das relações familiares, e arrasando a estrutura moral da sociedade.54 Ao considerarmos como esta lei pode fortalecer a textura social, será útil refletir sobre a declaração de Bahá'u'lláh de que todos os seres humanos foram criados para levar avante uma civilização em constante evolução. Isso não pode ocorrer sem ordem na sociedade, e considerando que a família é a unidade fundamental de todas as sociedades, Bahá'u'lláh, em Sua infalível sabedoria, estabeleceu os meios para a preservação da instituição do casamento e promoção da vida familiar. Ele fez isso com a obrigatoriedade do casamento, para que os seres humanos "possam produzir aqueles que irão fazer menção de Mim em meio a Meus servos" e tornou-o condicional ao consentimento dos pais. A Casa de Justiça confirma isso em uma referência à lei do consentimento quando afirma "que esta é uma lei de grande importância e que afeta as próprias estruturas da sociedade humana".55 A carta implica, também, no fato de que o fortalecimento da textura social está diretamente relacionado com a preservação do casamento através da estrita adesão às leis e ensinamentos bahá'ís. Mas como poderá a lei do consentimento contribuir para a preservação do casamento? Como será visto na próxima seção, esta lei coloca grande responsabilidade sobre os pais para considerarem muito seriamente um pedido de seus filhos para se casarem. Eles não podem meramente aquiescer ao desejo do casal56, mas é seu dever fazer tudo o que estiver ao seu alcance para terem a certeza de que o casamento será duradouro. Em um mundo onde o divórcio pode ser "obtido por razões as mais insignificantes, injustificáveis e esfarrapadas possíveis" talvez seja agora o tempo para fazer com que o casamento seja levado mais a sério por todos os envolvidos, noivos e pais particularmente. Atribui-se a 'Abdu'l-Bahá as seguintes palavras: "Não é o divórcio que deve ser facilitado, mas o casamento que deve ser mais difícil."57 Esta lei pode bem prover a forma para evitar uma escolha apressada e mal feita, fazendo com que o casal considere seriamente o assunto do casamento. Bahá'u'lláh também afirma que o casamento está condicionado ao consentimento dos pais "para evitar inimizade e rancor entre eles". Parece razoável assumir que com "eles", Bahá'u'lláh quer dizer os noivos e seus pais. A lei então provê uma oportunidade única para os pais se envolverem em um dos mais importantes eventos na vida dos filhos. O fato dos pais terem o direito de decidir sobre o consentimento, é para que "despertem gratidão e respeito nos corações dos filhos por aqueles que lhes deram a vida e os encaminharam para que suas almas seguissem um caminho seguro na jornada espiritual rumo ao seu Criador" e também "para combater aquelas forças corrosivas que estão bem rapidamente destruindo a vida familiar e a beleza dos relacionamentos entre as famílias, e destruindo a estrutura moral da sociedade". A Casa de Justiça, ao referir-se a esta afirmativa, escreveu que quaisquer dificuldades que um casal encontre para obter tal consentimento "mostra que a obediência a esta 'grande lei' conduz ao aumento da unidade familiar. Os padrões de hoje, com suas conseqüências destruidoras e caóticas, não podem ser usadas para avaliar as leis de Bahá'u'lláh".58 É bem natural que um casal tenha dúvidas sobre a decisão de assumir uma nova vida, que se espera seja para sempre. A lei dá a eles a oportunidade de expressarem suas preocupações e procurarem entender o envolvimento dos pais. Algumas coisas que o casal pode não ter considerado, talvez venham à luz em tal momento, e ajudarão a confirmar ou não o comprometimento com o casamento, ou faça com que o casal repense seus planos. Se os pais consideram o pedido de casamento em espírito de amor e desapego, com o entendimento de estarem tratando de uma obrigação espiritual, e se os filhos reconhecem a importância da lei e sua origem divina, eventuais rancores ou rejeições jamais ocorrerão entre eles. É importante lembrar que o lar é o local onde a criança recebe tanto os cuidados físicos, como também é nutrida emocional e espiritualmente, com o que se desenvolverá para tornar-se um ser humano sadio em todos os sentidos. Os pais, portanto, não estão apenas consentindo com um casamento, mas também criando a oportunidade para a formação de uma família na qual os filhos serão concebidos e preparados para viverem em um mundo novo, contando com pais que os amam e que irão olhar por eles até que sejam capazes, por si mesmos, de administrar suas próprias vidas. O casamento oferece ao casal uma responsabilidade incomparável.59 E. PREPARANDO-SE É importante que os pais preparem com antecedência os filhos para o casamento. O casamento é um dos eventos mais significativos na vida, e este ponto jamais deverá ficar longe da mente dos pais. Uma vida inteira de amor e atenções chegará um dia a um ponto onde o futuro dos filhos dependerá em muito do tipo de casamento que tiverem escolhido. Ainda mais, a consideração de um pedido de consentimento não é, obviamente, algo a ser feito como algo corriqueiro. Por esta razão, faz sentido para os pais prepararem os filhos com bastante antecedência. Essa preparação deve envolver os filhos e seus pais em uma educação espiritual e um processo de aprofundamento sobre os Escritos da Fé. Bahá'u'lláh explicou onde esse processo começa: O que é de suprema importância para as crianças, o que deve preceder tudo o mais, é ensinar-lhes a unidade de Deus e as Leis de Deus. Pois, sem isto, não pode incutir o temor a Deus, e, sem o temor a Deus, surgirão uma afinidade de ações odiosas e abomináveis, e serão manifestados sentimentos que transgredirão todos os limites... Os pais devem envidar todos os esforços para levar seus filhos a serem religiosos, pois, se as crianças não atingirem este que é o maior de todos os ornamentos, não obedecerão a seus pais, o que, de certo modo, significa que não obedecerão a Deus. Com efeito, tais crianças não terão consideração por ninguém e farão exatamente o quer lhes aprouver.60 Essa Epístola determina as prioridades que devem ser ensinadas aos filhos e adverte contra as conseqüências se as mesmas não forem cumpridas. Uma dessas prioridades é ensinar aos filhos as leis de nossa Fé. Quando os pais ensinam essas leis e eles mesmos as cumprem, os filhos aceitam-nas com naturalidade, como parte integrante de suas vidas. Tal educação deve ser contínua e começar logo cedo na infância, porquanto as crianças que não forem ensinadas sobre as leis de sua Fé ainda bem jovens, acharão mais difícil aceitá-las quando forem mais velhas. A importância da educação espiritual dos filhos, mostrando-lhes ser a Fé o foco principal de suas vidas, é um tema que os Escritos sagrados enfatizam muito.61 É meu desejo que essas crianças recebam a educação bahá'í, para que possam progredir tanto aqui como no Reino, e alegrem teu coração. No futuro, a moralidade degenerará em grau extremo. É essencial que as crianças sejam educadas na conduta bahá'í, para que possam encontrar felicidade tanto neste mundo como no vindouro. Se assim não for, serão assediadas por tristezas e tribulações, pois a felicidade humana está alicerçada no comportamento espiritual.62 E à medida que a profecia de 'Abdu'l-Bahá sobre a degeneração moral, cada vez mais evidente, mais crucial é a importância de ensinar aos filhos os padrões bahá'ís de uma conduta moral exemplar. Os pais: Antes, devem esforçar-se por inculcar em suas jovens mentes, gentil e pacientemente, tais princípios de conduta moral, e iniciá-los nos princípios e ensinamentos da Causa com um cuidado tão cheio de amor e tato, que lhes permitam se criar "verdadeiros filhos de Deus", inteligentes e leis cidadãos do Seu Reino. Este é o elevado propósito que o próprio Bahá'u'lláh claramente definiu como a principal meta de toda educação.63 Estreitamente associada com a conduta moral está a necessidade das crianças desenvolverem um bom caráter: Deveríeis considerar de fundamental importância a questão do caráter virtuoso. Incumbe a todo pai e toda mãe aconselhar os filhos durante um longo período, e guiá-los àquelas coisas que conduzem à honra eterna.64 À medida que as crianças crescem chegando à adolescência, o desenvolvimento dos atributos espirituais, que levam a um bom caráter e a uma conduta moral apropriada, irá ajudá-los a escolherem melhor seus amigos, sejam eles bahá'ís ou não. Isso, por sua vez, irá ajudá-los a considerarem com mais sabedoria a escolha de um(a)parceiro(a) para a vida conjugal. Os filhos devem também ser ensinados sobre o que Bahá'u'lláh chama de temor a Deus. O Guardião explica que: A criança deve ser também levada a compreender que não tememos a Deus porque Ele é cruel, mas que O tememos porque Ele é justo, e, se cometermos o mal e merecermos castigo, então Ele, em Sua justiça, pode considerar conveniente castigar-nos. Devemos amar e temer a Deus.65 Mas Deus é misericordioso e por essa razão os pais em muito aumentariam seus conhecimentos investigando esse assunto mais profundamente. Em alguma idade apropriada na vida dos filhos, os pais devem começar a ensiná-los sobre o que significa a lei da castidade: Castidade implica em uma vida sexual pura e casta tanto antes como depois do casamento, Antes do casamento, absolutamente casta: após o casamento, absolutamente fiel ao nosso companheiro escolhido. Fiel em todos os atos sexuais, fiel em palavras e ações.66 Os desafios para os filhos se manterem castos em face dos padrões morais prevalecentes em nossa sociedade são tremendos. A atitude comum dos jovens em algumas sociedades é que devem ter liberdade para explorar todos os aspectos da vida, e que a experiência pré-marital do sexo é uma necessidade como preparação para o casamento. De acordo com os ensinamentos bahá'ís, isso não é aceitável.67 Como pode um jovem aprender sobre sexo se ele não tiver uma experiência real sobre o mesmo? Primeiro, não é necessário experimentar alguma coisa para conhecê-la. Os pais devem, com muito tato e progressivamente, educar os filhos sobre o aspecto fisiológico do sexo. Isso pode ser algo sobre o qual sintam-se desconfortáveis, mas é preferível que os filhos aprendam sobre sexo com seus pais do que com seus companheiros da mesma idade, cujo conhecimento pode ser enganoso ou inteiramente errado. A Casa de Justiça tratou desse assunto: A Casa de Justiça enfatiza que a educação sexual, principalmente a educação concernente aos aspectos fisiológicos do sexo, é um assunto delicado, exigindo sabedoria e bom julgamento de parte dos pais que podem compartilhar informações com seus filhos e responder às suas perguntas de acordo com o estágio de desenvolvimento da criança e do grau de seu esforço em entender. Ainda mais, trata-se de um assunto que precisa ser colocado em seu próprio contexto do desenvolvimento espiritual e emocional das pessoas, da natureza da família e do propósito da vida humana...68 Considerando a natureza sensível do problema, os pais podem preferir buscar o aconselhamento e ajuda de profissionais, antes de conversarem sobre esse assunto com o(a) filho(a). Segundo, os pais precisam ajudar os filhos a entenderem que o sexo pré-marital não é garantia de que o sexo não será um problema no casamento. De fato, normalmente o oposto pode ser o caso. Os filhos devem entender que, antes do casamento, a lei da castidade exige que o aspecto físico de um relacionamento deve ficar em um segundo plano para que uma adequada intimidade emocional e intelectual possa ser desenvolvida. Se o casal decide se casar, devem ambos despender o tempo devido para desenvolverem confiança mútua sem a interferência de um dos impulsos mais fortes no ser humano - o sexo. A pessoa aprende confiar observando como o seu companheiro(a) se comporta para com ela (ele) e como trata as outras pessoas, em diferentes níveis de intimidade, e descobrindo como se conduz mental e emocionalmente. Isso exige muitas conversas e troca de experiências. Sem estabelecer este laço e este tipo de intimidade, o casal tornar-se-á vulnerável e pode incorrer no erro de confundir sexo com o verdadeiro amor.69 Os pais precisam ajudar os filhos a entenderem que as leis bahá'ís existem para nossa própria felicidade e bem-estar, mesmo que possa parecer difícil entendê-las naquela idade da vida. A educação dos filhos sobre os ensinamentos da Fé deve ser provida de uma forma consistente com o crescimento intelectual e espiritual das crianças. Os pais precisam ser pacientes e não muito rígidos em suas demandas, evitando que a interação com os filhos se torne uma batalha de vontade contra vontade, em vez de ser sempre uma conversa e consulta amorosa, com o objetivo de chegarem à verdade para o interesse de ambos. Tal enfoque não compromete os ensinamentos; ao contrário, cria as condições necessárias para um bom entendimento e crescimento. A oração é vital para isso. Os pais devem dar o exemplo. É no ambiente da família que a educação básica e a capacitação dos filhos ocorre, não nas aulas bahá'ís, embora estas colaborem em muito como complemento de uma forma de educação que começa no lar. Com os filhos chegando à maturidade e deixando o lar, os pais vêem diminuída sua influência sobre suas vidas e pouco ou nenhum envolvimento na escolha de seus amigos. Isso pode lhes causar alguma ansiedade, já que, cedo ou tarde, seus filhos certamente desejarão se casar e, como pais, hão de querer ajudar na escolha da melhor pessoa para companheiro(a) matrimonial. Este é um assunto particularmente sensível pelo fato dos pais não terem o direito de interferir no processo da escolha.70 A Casa Universal de Justiça tratou deste assunto em uma carta a um bahá'í: Os assuntos que você levantou são melhor considerados à luz dos ensinamentos bahá'ís sobre relacionamentos na família. Deve haver um espírito de respeito mútuo e consideração entre os pais e os filhos, no qual os filhos buscam o conselho e orientação dos pais, e estes propiciam capacitação e educação aos filhos. O fruto desse relacionamento é que as crianças crescem e alcançam a maturidade com seus poderes de análise e julgamento mais aprimorados, de forma a poderem dirigir o curso de suas vidas de uma forma que leve ao seu melhor bem-estar. No contexto deste respeito mútuo, os pais são convocados a mostrar sabedoria e discrição quando seus filhos estão criando amizades que possam, por fim, levá-los ao casamento. Precisam considerar atentamente as circunstâncias sob as quais alguns conselhos devam ser dados e as condições em que suas intervenções possam ser interpretadas como interferência. Por sua vez, os filhos devem reconhecer que seus pais estão profundamente interessados em seu bem-estar e que os pontos de vista dos pais merecem respeito e cuidadosa consideração. Como é de seu conhecimento, a escolha inicial do(a) parceiro(a) do casamento é feita pelos dois interessados em se casarem, e o consentimento dos pais vivos é então solicitado, sendo uma exigência formal para a realização do casamento. Neste sentido, como em todos os aspectos das relações humanas, a consulta é de grande valia para a solução de dúvidas e desentendimentos e para todos os envolvidos chegarem à conclusão de qual seja o melhor curso de conduta à luz dos ensinamentos bahá'ís.71 Esta carta abre o caminho para os pais mostrarem seu interesse nas amizades que os filhos desenvolvem, e coloca tal interesse no contexto dos ensinamentos bahá'ís sobre o relacionamento familiar. Um dos pontos mais importantes que a Casa de Justiça destaca é que, quando os filhos procuram os pais em busca de aconselhamento, o processo de capacitação e maturidade tem início, fruto do qual "é que os filhos chegam à idade adulta com os seus poderes de discriminação e julgamento refinados, de forma a poder determinar o curso de suas vidas de uma forma que melhor os leve a uma condição de bem-estar". Certamente os filhos têm o direito de escolher seus amigos e aquela, ou aquele, com quem desejam se casar, sem a interferência, mas devem lembrar que os pais têm o direito de dar ou não consentimento para o casamento. Particularmente, quando um (uma) jovem está formando um relacionamento mais sério, os pais não devem sentir-se intimidados quanto a compartilhar seus pontos de vista sobre a adequação do casal, sem a imposição de pontos de vistas sobre um ou outro membro do casal. Por outro lado, os filhos devem entender que é natural os pais mostrarem interesse em seu bem-estar e felicidade futura. É aqui que um equilíbrio harmonioso deve ser encontrado. Se os pais não fizerem o esforço devido para educar os filhos nas leis e nas verdades espirituais da Fé, a lei do consentimento poderá tornar-se um teste severo para eles. Sob tais circunstâncias, a filha (ou o filho), não entendendo inteiramente a natureza espiritual das leis e da obrigação de obedecê-las, pode decidir casar-se sem o consentimento. Unicamente com o aprofundamento nos Escritos Sagrados e esforçando-se para viver a vida bahá'í, poderá uma pessoa entender que a obediência às leis é o único caminho para a felicidade real. F. DECIDINDO Inevitavelmente chega o dia quando um(a) filho(a) pede permissão para se casar e a responsabilidade pela decisão de dar ou não o consentimento deve ser enfrentada pelos pais. Existem muitas coisas práticas que devem ser consideradas e estas serão mencionadas adiante, mas o primordial a ser entendido é a responsabilidade dos pais. Existem duas cartas bem interessantes da Casa Universal de Justiça que destacam bem essa responsabilidade: É perfeitamente correta a noção de que a afirmativa de Bahá'u'lláh quanto a exigência do consentimento de ambos os pais vivos para a realização do casamento representa uma grave responsabilidade sobre cada um dos pais. Quando os pais são bahá'ís, eles devem, com certeza, agir de forma objetiva concedendo ou recusando seu consentimento. Não podem evadir-se dessa responsabilidade meramente aquiescendo aos desejos dos filhos, nem devem se deixar levar por preconceitos, mas, sejam bahá'ís ou não, a decisão dos pais é obrigatória, qualquer que seja a razão que lhes leve a tomar a decisão que expressarem. Os filhos devem reconhecer e entender que o ato de dar consentimento ou não é dever dos pais. Eles têm de respeitar, sinceramente, aqueles que lhes deram a vida, e cujo apoio e agrado devem sempre buscar conquistar.72 Em outra carta, a Casa de Justiça deixa claro que: ... a responsabilidade dos pais em dar seu consentimento é irrestrita e incondicional, mas ao desincumbirem-se dessa responsabilidade são responsáveis perante Deus pela decisão que tomarem.73 De fato, os pais são responsáveis perante Deus por tal decisão e não devem simplesmente anuir ao desejo do(a) filho(a) o que deve levá-los a considerarem muito seriamente um pedido de casamento. Para o cumprimento de tal responsabilidade, vários assuntos são dignos de consideração. Primeiro, o fato da lei de Bahá'u'lláh exigir o consentimento de ambos os pais. Isto é, a mãe e o pai devem ambos dar sua aprovação, ou então não haverá casamento. Isso pode parecer óbvio, mas o fato é que os dois são livres para decidir, sem a intimidação ou coerção do outro cônjuge. Isso toca diretamente no âmago do relacionamento entre marido e mulher, e particularmente no princípio da igualdade entre os sexos. Em muitas sociedades, essa igualdade não foi ainda estabelecida, resultando que o marido normalmente é quem toma as decisões pela família, e a esposa apenas aquiesce. Nestes casos, a mãe precisa exercer seu direito e não meramente concordar para evitar um conflito matrimonial. Os homens têm de entender que as mulheres normalmente possuem um discernimento maior em assuntos de relacionamento humano, e por essa razão sua opinião deve ser considerada com muita atenção. Obviamente, é preferível que ambos, pai e mãe, concordem formalmente em sua resposta ao pedido do(a) filho(a), mas não é necessário emitir autorizações separadas, estando os dois de acordo, podendo ser uma só em nome do casal. Qualquer que seja a decisão tomada, a consulta entre marido e mulher não deve ser uma batalha entre "forças de vontade", ou uma tentativa de persuadir o ponto de vista do outro, mas, sim, um processo de consideração de mentes abertas. Ao consultarem sobre que decisão tomar, os pais devem demonstrar um grau de desapego como nunca antes tiveram em decisões relacionadas com a vida dos filhos. Devem, portanto, refletir bem sobre a seguinte afirmativa de Bahá'u'lláh: A tal ponto deverá ele purificar seu coração, que vestígio algum, seja de amor ou de ódio, nele permaneça, para que esse amor não o incline cegamente ao erro, nem tampouco esse ódio o repila da verdade.74 Deve ser difícil dizer não e enfrentar o desprazer resultante e o desapontamento dos nubentes. Isso será particularmente assim se o(a) filho(a) tiver sido um jovem, ou uma jovem, obediente às decisões e orientações dos pais durante toda a vida. Quantas vezes os pais evitam tomar decisões difíceis por não quererem desagradar os filhos ou levantar neles raiva ou até ódio, ou ainda levar a uma discussão agressiva! Tudo o que foi feito no passado deve ser deixado de lado, diante da consideração daquilo que deverá ser melhor para os filhos no futuro, na companhia de outra pessoa à qual estará se unindo pelos laços sagrados do matrimônio. Dar consentimento apenas para agradar o casal e evitar desapontamento viola o espírito da lei e desconsidera a responsabilidade dos pais de tratarem do assunto de uma forma desapaixonada e sincera. A Casa de Justiça afirmou, em uma carta citada anteriormente nesta seção, que "não devemos nos deixar levar por preconceitos". Este é um desafio para os pais, decidir se o tipo de pessoa com a qual sua filha (ou filho) deve casar-se harmoniza-se com ela (ou ele). Preocupações legítimas quanto à compatibilidade do casal nunca deverão ser confundidas com um assunto relacionado exclusivamente com raça, nacionalidade ou cultura. A realidade é que a humanidade está entrando em um período de diversidade cultural, o qual foi previsto por Bahá'u'lláh, e muito dessa diversidade está sendo promovida através de casamentos inter-raciais e multiculturais. 'Abdu'l-Bahá disse que ao buscar um(a) companheiro(a) para se casar, "primeiro tu deves escolher alguém que seja de teu agrado". Quando o casal "é do agrado um do outro", a atração entre eles ocorre de uma forma que estimula a convivência mútua. Sob tais circunstâncias, sentimentos positivos prevalecem, enquanto os negativos são suprimidos.75 Para tratar dessa tendência, os Escritos bahá'ís tornam obrigatório que o casal busque conhecer-se mutuamente, principalmente o caráter um do outro. O casamento bahá'í é o compromisso recíproco das duas partes, e sua ligação mútua de coração e mente. Cada um deve, porém, exercer o máximo cuidado para familiarizar-se totalmente com o caráter do outro, para que o firme convênio entre eles seja um laço que dure para sempre. Seu propósito deve ser este: tornarem-se amorosos companheiros e camaradas, unidos um ao outro por todo o sempre.76 Não deverá ser assumido, porém, que porque a pessoa é bahá'í, seu par deverá adquirir virtudes divinas na mesma proporção. Quando o casamento é entre bahá'ís, há a vantagem de haver entre eles um laço comum de fé, mas este não é necessariamente o caso de que a todo bahá'í é assegurado um bom caráter. Ele tem de construi-lo com esforços próprios. Existe uma diferença entre caráter e fé; é certamente difícil aceitar este fato e entendê-lo na prática, e há que se reconhecer que pelo fato de uma pessoa acreditar e amar a Causa - mesmo estando pronto para morrer por ela - ainda assim não possua um caráter imaculado, ou tenha ainda alguns traços contrários aos ensinamentos. A gente se esforça por mudar, deixar que o Poder de Deus nos recrie e nos torne verdadeiros bahá'ís, tanto em fé como em atos. Mas o processo é lento, algumas vezes acontece da pessoa não se esforçar o necessário. E isso nos causa sofrimentos, sendo um teste difícil para a pessoa...77 Conhecer bem o caráter um do outro leva tempo e esforço, e por esta razão os pais devem desencorajar o casal de apressar-se a casar. Os noivos, ao decidirem se casar, "devem pensar não somente no efeito que o casamento terá sobre si mesmos, mas também nos efeitos que o caráter de cada um terá sobre os filhos que virão e que serão os frutos do casamento".78 O que ocorre, surpreendentemente, é o fato dos pais terem exatamente a mesma obrigação de conhecer o caráter do casal, responsabilidade igual ao que o próprio casal deve ter. As leis bahá'ís colocam a responsabilidade nos nubentes de se assegurarem do caráter de um e de outro, responsabilidade que também recaí sobre os pais, que devem dar seu consentimento a aqueles que se unem.79 Isso significa que ambos os pais (os do noivo e os da noiva) devem familiarizar-se com o caráter e a conduta da pessoa com a qual seu filho ou sua filha deseja casar-se. Pode parecer estranho dizer que os pais devem estar familiarizados com o caráter de seus próprios filhos, porquanto normalmente eles acham que já o estão. Mas o relacionamento com os filhos, até então, tem sido um relacionamento de genitores, mas com a maturidade alcançada pelos filhos é de se esperar que a conduta deles mude em alguns aspectos, por exemplo: na forma como tratam os pais e na forma como convivem com outras pessoas de sua idade.80 Os pais, portanto, devem reavaliar o caráter e a conduta dos filhos, com relação à pessoa que escolheu para se casar e não mais simplesmente como eram e como agiam para com eles, os pais. Uma das razões para os pais conhecerem o caráter do casal é que sentimentos negativos que o casal eventualmente desconheça poderá com certeza, e inesperadamente, vir à tona após o casamento, tornando-se uma fonte de sérias dificuldades no futuro. Michael Cavanaugh, em seu livro Before the Wedding: Look Before You Leap [Antes do Casamento, Olhe Antes de Dar Esse Salto], diz que: Uma verdade evidente do casamento é que muitos dos problemas conjugais foram, anteriormente, problemas pré-conjugais que foram ignorados ou não levados a sério. Muitas pessoas divorciadas podem afirmar com precisão que os problemas que as levaram ao divórcio já existiam, de uma forma ou de outra, antes do casamento.81 Para familiarizar-se com o caráter do casal, é importante entender o que 'Abdu'l-Bahá disse sobre este assunto. Ele explica que uma pessoa possui três tipos de caráter: inato, herdado e adquirido.82 Nosso caráter inato é essencialmente comum a todos os seres humanos e é de origem divina. Todos recebemos uma mente, uma alma, um espírito e também faculdades como falar, tocar, cheirar e ouvir e a capacidade da razão. Toda pessoa possui essas faculdades em graus diferentes, e essas diferenças nada têm a ver com o bem e o mal, com o certo e o errado, sendo meramente diferenças de capacidade. 'Abdu'l-Bahá deixa claro que as diferenças de capacidade não são as causas das diferenças de caráter, e que o caráter natural ou inato de um ser humano "é criação de Deus, é puramente boa".83 Por outro lado, nosso caráter herdado tem sua raiz numa combinação de influências genéticas e intra-uterinas84 que adquirimos de nossos pais naturais: As qualidades herdadas variam, como se sabe, segundo a força ou fraqueza de constituição: de pais fortes nascem filhos robustos, e de pais fracos, filhos fracos... é natural crianças de pais débeis terem uma constituição débil e nervos fracos.85 Nosso caráter adquirido, porém, é influenciado pela educação, cultura, meio ambiente e por nossa própria vontade. Esses fatores, combinados com o caráter herdado, moldam nossa conduta e podem perverter nossas capacidades naturais ou desenvolver aquelas qualidades e atributos que são dignos de louvor. De acordo com Cavanaugh, existem seis tendências em nossa constituição que são potencialidades que temos para diferentes maneiras de conduta.86 Os pais e todos aqueles interessados em casar-se vão achar oportunos e úteis conhecê-los. INTELIGÊNCIA é a capacidade de usar a razão e o entendimento, e a abrangência desse dom é em grande parte herdada. 'Abdu'l-Bahá explica que "o entendimento é o poder pelo qual o homem adquire conhecimento dos diversos reinos da criação e dos vários estágios da existência, assim como de grande parte do que é invisível"87 e descreve a inteligência como intermediária entre o corpo e o espírito.88 É o que separa o homem do reino animal. Alguns cientistas sociais sugerem existir duas grandes categorias de inteligência. A primeira é a que pode ser chamada de inteligência acadêmica. Determina nossa habilidade de adquirir conhecimento sobre as artes e as ciências, como também sobre o mundo físico. Todos possuímos inteligência acadêmica, mas em diferentes graus e em diferentes formas. Por exemplo, alguém pode ser rápido na compreensão de intrincados problemas de matemática, enquanto outros podem achar fácil aprender as habilidades de um artesão ou de um artista. Um gênio em uma área de conhecimento pode ser totalmente inepto em outra. Essa forma de inteligência determina nossa habilidade de compartilhar experiências e entendimento, e afeta nossa decisão ao analisarmos situações e chegarmos a determinadas conclusões. Tais recursos, que temos, utilizando a inteligência acadêmica, são importantes no casamento. De acordo com o cientista de comportamento humano, Daniel Goleman, existe um segundo tipo de inteligência, que ele denomina "inteligência emocional". Define-a como a habilidade de entendermos outras pessoas e agirmos de forma mais sábia em nossos relacionamentos. É uma parte chave daquilo que faz com que as pessoas tenham uma boa conduta nas coisas práticas da vida. Envolve o conhecimento de nós mesmos, o domínio das emoções, motivando-nos a evitar a gratificação dos impulsos e tendências inferiores, aumentando nossa sensibilidade com relação aos sentimentos e formas de agir de outras pessoas, reconhecendo o valor de suas emoções.89 Como ocorre com a inteligência acadêmica, todos possuímos inteligência emocional em graus variados e a manifestamos de diferentes formas. A inteligência acadêmica parece ter somente uma pequena relação com a inteligência emocional. Uma pessoa pode ser brilhante academicamente, mas incapaz de expressar sentimentos ou empatia pelos outros. SENSIBILIDADE é um aspecto de nossa inteligência emocional que afeta a forma pela qual as pessoas percebem situações e reagem a elas. É o que cria a empatia pelos sentimentos e pensamentos dos outros. Nossos sentidos externos de visão e audição atuam sobre nossos poderes internos de imaginação, pensamento, compreensão e memória, para criar uma consciência e percepção do que ocorre à nossa volta. Nossa sensibilidade é uma função que nos mostra quão observadores somos e como processamos tais observações que afetam nossas reações a elas. Esta tendência é importante em um casamento, porquanto o casal normalmente se comunica de uma forma não verbal e isso requer que ambos, marido e mulher, estejam sempre atentos e percebam os sentimentos um do outro. Se formos incapazes de perceber ou sentir com empatia algo que acontece com outras pessoas, dificilmente teremos a condição ideal de responder de forma apropriada ao que observamos. RESISTÊNCIA ao estresse físico, emocional e psicológico determina como reagiremos e agiremos sob tais circunstâncias. O estresse é um fato da vida e não é necessariamente um mal. Normalmente nos inspira a impulsos elevados, a sermos bravos e heróicos em nossas ações, mas também pode ser uma fonte de um tipo de conduta que os outros poderão achar não apropriada. Obviamente, quanto maior for a nossa resistência, melhor poderemos enfrentar o estresse e menos seremos uma fonte de aborrecimento e estresse para os outros. Em algum grau, a resistência ao estresse pode ser melhorada através de cuidados com a saúde e com aconselhamento psicológico, particularmente se o problema provém de alguma doença física ou à falta de compreensão da origem do problema. Contudo, uma inabilidade de conviver adequadamente com o estresse pode levar a dependência de vários tipos de medicamentos para tratar de problemas como depressão, dores, sono irregular, letargia, etc. Tais medicamentos podem ajudar as pessoas a levarem uma vida normal e produtiva, mas se utilizados por um longo período de tempo não serão necessariamente a solução do problema. TEMPERAMENTO pode ser definido como aquelas qualidades e disposições que são parte de uma pessoa desde o nascimento e são geralmente herdadas. O temperamento é a soma total das tendências naturais de uma pessoa decorrente de sua constituição biológica e pode ser definida em termos de humor que exemplifica a vida emocional. Goleman refere-se ao trabalho de Jerome Kagan, o qual sugere existirem pelo menos quatro tipos de temperamento: o tímido, o ousado, o otimista, e o melancólico.90 Por exemplo, algumas pessoas são naturalmente tímidas, podendo parecer estar distantes e desligadas, carecendo de autoconfiança, enquanto outras são extrovertidas, autoconfiantes e sentem-se à vontade para expressar seus sentimentos e emoções. Ainda outras, são alegres e geralmente positivas quanto à vida e as coisas à sua volta. Existem também aquelas, no fim da escala, que vêm sempre o lado pior das coisas, estão sempre deprimidas, destacam mais os enfoques negativos da vida. Mesmo que o temperamento seja em grande parte herdado, filhos dos mesmos pais podem ter temperamentos completamente diferentes. SOCIABILIDADE é a medida de como nos comportamos socialmente ou interagimos com outras pessoas, podendo ser definida como "habilidades no trato com as pessoas". A falta de tais habilidades podem causar estranheza nos outros, que nos acharão alienados, arrogantes ou insensíveis, enquanto que a posse de tais habilidades nos possibilitarão exercer influência social de uma forma positiva, inspirando os outros, criando um relacionamento mais íntimo e deixando as pessoas à vontade. Muitas dessas habilidades são aprendidas cedo na infância, no lar e no lazer com outras crianças, sendo levadas à idade adulta. Não estão necessariamente relacionadas com o número de vezes que temos com outras pessoas, mas, sim, como nos conduzimos em sua presença. Por exemplo, alguém pode ter grande necessidade de relacionar-se com um grande número de pessoas, mas lhe falta traquejo social para criar amizade com elas, enquanto que outros podem sentir-se confortáveis na presença de um pequeno grupo e possuir aquelas qualidades de atrair os outros para ele, ou ela. SEXUALIDADE é um magneto enormemente poderoso de atração às pessoas, tanto do homem pela mulher, como da mulher pelo homem, sendo um componente vital de qualquer casamento. Shoghi Effendi disse que: A Fé Bahá'í reconhece o valor do impulso sexual, mas condena suas expressões ilegítimas e impróprias, tais como, o amor livre e outras, todas as quais considera definitivamente prejudiciais ao homem e à sociedade na qual ele vive. O uso apropriado do instinto sexual é direito natural de cada indivíduo e é precisamente por esta razão que a instituição do casamento foi estabelecida. Os bahá'ís não crêem na supressão do impulso sexual, mas, sim, na sua regulação e controle.91 Muitas pessoas normais e saudáveis têm um equilíbrio de hormônios sexuais que criam nelas o desejo de manterem relações mais íntimas com alguém do sexo oposto. O grau desse desejo é parte da estrutura física e psicológica da pessoa e, como ocorre com outras características, varia de pessoa para pessoa. Porém, algumas adquiriram o que se pode descrever apenas como tendências anormais, como homossexualidade e promiscuidade sexual. De acordo com os ensinamentos bahá'ís, estas últimas não são formas de conduta aceitáveis.92 Em uma carta escrita a um bahá'í, a Casa Universal de Justiça destacou a obrigação do controle dos impulsos sexuais: Ao reconhecerem a origem e a força divina do impulso sexual no ser humano, a religião ensina que tal impulso deve ser controlado, e a lei de Bahá'u'lláh restringe sua expressão ao relacionamento matrimonial. Um homossexual solteiro está, portanto, na mesma posição de qualquer outra pessoa que não tenha se casado. A lei de Deus exige a prática da castidade.93 Na seção "Preparando-se", foi sugerido que refreando-se, desde o período pré-marital, o casal tem a oportunidade de estabelecer intimidade entre os dois sem a interferência da prática sexual antes do casamento. Isso não quer dizer que não possam ou não devam tratar de assuntos relacionados ao sexo propriamente dito. Ao contrário, é importante que falem sobre a sexualidade de cada um de forma franca e sincera, para que não ocorram surpresas inesperadas após o casamento, ou em meses e anos no futuro. Esta breve descrição ajudará os casais e os pais a entenderem as tendências de comportamento que dão origem aos diversos tipos de caráter. Se, por razões hereditárias, ou devido ao ambiente onde a pessoa viveu na infância, algumas dessas tendências tornarem-se exageradas, podem representar barreiras significativas para um relacionamento saudável e duradouro. A questão é se as características do caráter são inatas ou se foram formadas ao longo da vida, com raízes na infância. Não existe forma infalível de afirmar qual é a diferença, exceto assumir que se uma ou outra característica do caráter existe desde a infância é porque é inata. Mas se foi adquirida, pode ser modificada, porém a evidência de qualquer modificação deve ocorrer antes do casamento. Se tratar-se de uma tendência inata é improvável que possa ser alterada, sendo recomendável reconhecer que nada poderá ser modificado no decorrer do casamento.94 'Abdu'l-Bahá explica: É extremamente difícil ensinar o indivíduo e refinar seu caráter, uma vez passada a puberdade. Nessa altura, como tem demonstrado a experiência, ainda que seja envidado todo esforço para lhe modificar alguma tendência, tudo é inútil. Poderá, talvez, melhorar um pouco durante algum tempo, mas, passados alguns dias, esquecerá tudo e regressará à sua condição habitual e seus modos costumeiros.95 Todos têm um grau de tolerância para diferentes tipos de conduta, e porque ninguém é perfeito, o casal irá certamente combinar como irão conviver como esposo e esposa, e suas reações diante de eventuais desentendimentos que vierem a ocorrer. Mas devem ser entendimentos conscientes; não devem ser esquecidos com o tempo, nem deve o casal assumir que tudo será corrigido após o casamento. Portanto, se um dos dois tem algum problema quanto à conduta do outro, precisa pensar bem sobre o casamento e os pais devem pensar duas vezes antes de dar seu consentimento. Ao avaliar o caráter dos nubentes, os pais devem também consultar o casal sobre os assuntos que sejam de fundamental importância para o casamento, mas que são freqüentemente descurados pelos noivos antes do casamento. Possivelmente os dois assuntos mais importantes são dinheiro e sexo.96 O casal deve fazer um esforço sincero para combinar como será coordenado o assunto dinheiro entre eles e quais serão as prioridades em suas despesas. Também, como certamente desejam ter filhos, devem consultar sobre quantos filhos pretendem ter, quando e que despesas prevêem que terão, inclusive para ir pensando desde logo em economizar e começar as reservas financeiras para as despesas com o nascimento dos filhos. Devem considerar, também, como irão, cada um, distribuir seu tempo e recursos para os serviços da Fé, e que tipo de vida visualizam para si mesmos. Importante, ainda, que o casal tenha uma idéia clara do que cada um espera de seu par e como antevêem seu futuro juntos. Um dos grandes desafios do casamento é o assunto da definição do que se espera da mulher em seu papel de transformadora da vida familiar e da sociedade. Será o casamento uma parceria verdadeira, ou uma luta pelo domínio no relacionamento? Será um casamento "tradicional", ou um onde existe igualdade compartilhada de responsabilidades? A tradição cultural pode ter uma grande influência nesses assuntos. O casal já terá pensado sobre como os dois irão tratar de conflitos e como irão resolver diferenças de opinião? Igualmente importante será considerar o relacionamento do casal com os dois pares de pais. Os pais são usualmente úteis na vida do casal, especialmente quando chegam os filhos. Deve haver uma consulta franca sobre o quanto de envolvimento o casal terá com ambos os pais, e vice-versa. Tendo os pais dado o seu consentimento, devem evitar interferências na vida do casal após o matrimônio, juntos ou individualmente, pois podem ser prejudiciais ao bom relacionamento. Isso é mais patente no caso de casamentos inter-raciais e multiculturais, onde pode ocorrer que a convivência familiar regular seja parte da cultura de um dos cônjuges, mas não do outro. Não existem respostas corretas ou erradas a essas questões, mas quaisquer que sejam as respostas, o casal deve explorá-las em profundidade e com franqueza e sinceridade, e os pais devem satisfazer-se com o que ouvirem. Consultar sobre esses assuntos produzirá revelações surpreendentes sobre o caráter das pessoas, porquanto vão ao âmago da igualdade no relacionamento. Pode também fazer com que o casal reconsidere seus planos familiares. Em algumas circunstâncias, os pais podem achar difícil levar a cabo suas obrigações com relação ao consentimento. Em um mundo onde as pessoas se movem de lugar a lugar em busca de trabalho, ou por outras razões, e onde os jovens bahá'ís estão se estabelecendo como pioneiros em diferentes partes do mundo, é possível que os pais possam jamais encontrar com a pessoa com a qual seu filho (ou filha) deseja casar-se. Também, os pais podem ficar muito afastados de seus filhos e têm apenas algum ou até nenhum contato com eles por um longo período de tempo. Estas e outras dificuldades não isentam os pais da responsabilidade de serem conscientes, ativos e inteligentes participantes do processo de tomada de decisão na vida da família. Eles precisam esforçar-se ao máximo para conhecer o casal antes dos dois tomarem qualquer decisão; não podem evadir-se desta responsabilidade meramente concordando com o desejo do filho, ou da filha. Devem buscar colocar-se acima de seus interesses e problemas pessoais e ter em mente as obrigações que a lei colocou sobre seus ombros. Tendo considerado todos esses fatores, os pais precisam, inevitavelmente, tomar uma decisão. Não podem ignorar o pedido e não seria razoável retardar sua decisão indefinidamente. Se decidirem dar seu consentimento, arranjos devem ser feitos para o processo de casamento ser logo iniciado.97 Podem ocorrer casos em que, por uma razão ou outra, os pais dêem o consentimento de forma relutante. Naturalmente, são livres para decidir da forma que quiserem. A liberdade dos pais em dar ou recusar o consentimento para o casamento dos filhos é irrestrita e incondicional. A responsabilidade dos pais nesse sentido está baseada em sua consciência e eles são responsáveis perante Deus. Isso não quer dizer que não hajam casos quando dão o consentimento de forma relutante; esta atitude é algo que os próprios pais devem saber, da mesma forma que os filhos saberão se estão ou não pressionando seus pais para lhes darem o consentimento desejado, mesmo diante de algumas circunstâncias especiais. Portanto, não é correto dizer que quando os pais dão sua permissão para o casamento, tal decisão é feita com toda sinceridade. Por outro lado, alguns pais podem ser persuadidos pelos filhos a darem sinceramente seu consentimento depois de uma fase inicial em que demonstram relutância em fazê-lo. Não existem leis imutáveis nesse sentido pelas quais julgar a natureza do consentimento dos pais para o casamento dos filhos. O livre consentimento dos pais é necessário e obrigatório mesmo que sua decisão seja negativa em decorrência de algum preconceito. Sob a lei bahá'í, o casamento não pode ser realizado mesmo sob circunstâncias como essas.98 O autor nada encontrou no curso de seus estudos que pudesse impedir os pais de dar seu consentimento condicionalmente. Por exemplo, eles podem decidir que o casal deve passar por um aconselhamento pré-marital, ou que sua filha deve completar seus estudos universitários antes do casamento. Os pais têm o direito de retardar seu consentimento até que determinadas condições sejam cumpridas, ou devem confiar que suas condições serão atendidas e permitir que os arranjos para o casamento continuem. Estes são assuntos para os pais decidirem e para os filhos aceitarem. Porém, nenhum bahá'í pode aceitar uma condição que viole qualquer lei bahá'í ou que exija que o bahá'í peça para sair da Fé. A outra possibilidade é que a permissão para o casamento seja negada. Neste caso, o casal sentir-se-á inteiramente arrasado. Dependendo das circunstâncias, o casal pode achar que os pais foram injustos ou irracionais ao tomarem a decisão que tomaram. Tal fato poderá servir como um teste severo de fé. A Casa de Justiça já tratou de muitos apelos de bahá'ís que julgaram que a decisão de seus pais foi injusta. Em resposta a uma Assembléia Espiritual Nacional com relação a uma situação dessa natureza, o Corpo Supremo escreveu: Embora tenhamos a maior simpatia pelas pessoas envolvidas nessas circunstâncias lamentáveis, não podemos chegar a outra conclusão senão que o consentimento dos pais precisa ser obtido em todos os casos antes do casamento ser realizado. A obediência às leis de Bahá'u'lláh certamente poderá criar dificuldades em alguns casos individuais. Ninguém deve esperar que, ao se tornar bahá'í, sua fé não seja testada, e que, devido ao nosso conhecimento finito de tais assuntos, esses testes possam algumas vezes parecer indesejáveis. Mas estamos seguros da certeza dada pelo próprio Bahá'u'lláh aos Seus seguidores que eles nunca serão chamados a ombrear um teste maior que sua capacidade de suportá-lo.99 De forma semelhante, encontramos que: Os bahá'ís impedidos de se casarem, por falta do consentimento de um ou mais dos pais, podem consultar com sua Assembléia Espiritual Local para ver se a mesma arranjará algum meio para mudar a atitude do pai (ou pais) envolvido. Os bahá'ís, quando têm de enfrentar tais problemas, devem confiar em Bahá'u'lláh, devotar mais tempo a serviço da Causa, ensinar e promover Sua Fé, ser absolutamente fiel às Suas exigências quanto a observância de uma vida casta e imaculada, e confiar que Ele proverá um caminho e removerá o obstáculo, ou tornará conhecida Sua vontade.100 Ainda mais, "através da preservação da lei bahá'í, apesar de todas as dificuldades, não só fortalecemos nosso próprio caráter, mas também, influenciamos aqueles ao nosso redor".101 E em outra carta, diz que: ... Ao enfrentar os testes que lhe confronta, é de se esperar que seu amor por Deus e por seus pais irá aumentar. Você será fortalecido em sua determinação de manter um relacionamento amoroso com seus pais conforme Bahá'u'lláh determinou nas seguintes palavras de uma Epístola: "Os frutos da árvore da existência são fidedignidade, lealdade, veracidade e pureza. Depois do reconhecimento da unicidade do Senhor, exaltado seja Ele, o mais importante de todos os deveres é o de se ter a devida consideração para com os direitos de seus pais. Este assunto tem sido mencionado em todos os Livros de Deus." A Casa Universal de Justiça irá oferecer ardentes orações nos Santuários Sagrados para que os corações de seus pais sejam inspirados e iluminados para ver e considerar os melhores interesses de sua filha. Poderá ser de ajuda nesse sentido pedir a intercessão da Assembléia Espiritual Local da área onde seus pais vivem, ou de algum bahá'í sábio e maduro, para contatarem seus pais e gradualmente familiarizá-los com os preceitos da Fé, removendo os mal-entendidos que tenham sobre a Causa. Você é fortemente aconselhado pela Casa de Justiça a continuar sua atitude amorosa para com seus pais, e ter certeza que sua obediência sincera aos pais irá atrair as bênçãos de Bahá'u'lláh e assegurará sua felicidade futura.102 Para os bahá'ís que tiveram negada a permissão para casar-se, da parte de pais não-bahá'ís, por razões que o casal acredita serem baseadas unicamente em preconceito, tal ocorrência será especialmente difícil de considerar. A Casa de Justiça assim se manifestou sobre um caso desses: Muito freqüentemente nos dias de hoje tal consentimento é negado por pais não-bahá'ís por razões de intolerância ou preconceito racial; no entanto, temos visto muitas vezes o efeito profundo sobre os próprios pais quando há firmeza dos filhos na obediência às leis bahá'ís, a um ponto tal que faz com que o caráter dos pais acaba sendo afetado e seu relacionamento com os filhos grandemente fortalecido.103 Embora os pais não tenham a obrigação de justificar a sua decisão e não lhes seja exigido serem cooperativos,104 será natural que queiram ter a confiança do casal e por isso compartilham com eles as preocupações que os levaram à decisão tomada. É, realmente, um caso muito desagradável quando pais e filhos diferem em alguns importantes assuntos da vida tal como o casamento, porém a melhor maneira não é desrespeitar as opiniões de cada um, nem discutir numa atmosfera carregada, mas em vez disto tentar chegar a um acordo de modo amigável.105 Tal enfoque representa para o casal a oportunidade de entender as razões da "recusa" dos pais em lhes conceder o consentimento e uma oportunidade para chegarem a novos discernimentos em seu relacionamento. Sob tais circunstâncias, o casal pode reavaliar sua decisão de casar-se. Se os pais não desejam discutir as razões de sua negativa, ou demonstram não quererem cooperar de forma alguma, o casal certamente sentir-se-á ainda mais aborrecido e frustrado, acreditando que foram tratados de forma injusta. Porém, jamais deverão ceder a uma eventual tentação de casar-se violando a lei bahá'í, pois a penalidade espiritual ultrapassa a satisfação temporária de estabelecerem uma união física. Negar permissão não significa que o assunto está encerrado para sempre, ou que os pais não irão mudar de opinião. O casal pode tentar persuadir os pais a reconsiderarem sua decisão e buscarem o aconselhamento de sua Assembléia Espiritual106. Talvez, com a passagem do tempo, os pais adquiram uma perspectiva mais favorável do relacionamento e dêem seu consentimento. É também possível que o casal decida não continuar insistindo no assunto durante algum tempo e mais tarde voltar a tratar do consentimento com os pais, ou decidam definitivamente não mais se casar. Nada existe nos Escritos, porém, que um casal que já tenha obtido o consentimento de todos os pais, não possam desistir do casamento; eles são inteiramente livres para mudar de idéia. Da mesma forma que um pai, ou a mãe, mudando de idéia, pode retirar sua permissão a qualquer tempo antes do casamento ocorrer, mas neste caso o casal não poderá se casar. Se o casal tem o consentimento de todos os pais vivos, e então decide não casar, e um dos nubentes decide casar-se com outra pessoa, novo consentimento para o casamento precisa ser dado novamente por todos os pais vivos.107 G. CONCLUSÃO Existem alguns pontos que devem ser enfatizados entre os assuntos apresentados nas seções anteriores. O primeiro é que a lei do consentimento é aplicada universalmente. Isso significa que todos os bahá'ís, independentemente de onde vivam no mundo ou qualquer que seja a raça ou grupo étnico a que pertençam, todos estão obrigados a observar essa lei. Ainda mais, a obtenção do consentimento dos pais não é apenas um ato administrativo, como a assinatura de uma certidão de casamento. É uma lei que os bahá'ís e seus pais devem levar muito a sério, porque não obedecê-la teria conseqüências de longo prazo, não somente para o casal como para seus filhos, mas também para o futuro da sociedade humana, embora essa realidade não seja ainda evidente à nossa limitada visão. O segundo ponto é que os pais devem se preparar com bastante antecedência para o dia em que seus filhos decidirem se casar. Isso significa educá-los desde cedo nos Ensinamentos da Fé. Nós prescrevemos para todos os homens aquilo que conduzirá à exaltação da palavra de Deus entre Seus servos e, também, ao progresso do mundo da existência e à elevação das almas. Para este fim, o maior meio é a educação da criança. A esta, cada um e todos devem se apegar com firmeza. Nós, verdadeiramente, conferimos a vós esta incumbência em numerosas epístolas, assim como em Meu Mais Sagrado Livro. Feliz aquele que à ela presta obediência. Pedimos a Deus que assista a cada um e a todos na obediência a este mandamento inescapável que surgiu e se tornou manifesto através da pena do Ancião dos Dias.108 Se os pais falharem nesta determinação, correm o risco de perder seus filhos para as atrações mundanas, moralmente restritas, a um crasso materialismo e filosofias confusas que grassam nas sociedades de hoje. Educados e aprofundados nos ensinamentos, os pais e os filhos terão um elevado padrão de conduta em suas vidas e uma compreensão comum de suas responsabilidades com respeito às leis do casamento. Terceiro, ao considerar se dão ou não consentimento, os pais precisam agir com o máximo desapego possível. Não devem sentir-se tímidos em fazer perguntas difíceis aos filhos e insistir em respostas quando vêem existir falta de sinceridade ou de boa vontade. O processo deve continuar até que se sintam satisfeitos com as respostas. Tanto quanto possível, o casal deve evitar colocar pressão sobre os pais, e respeitar o fato de que os pais são responsáveis perante Deus na decisão que tomarem. O casal deve lembrar também que o que está acontecendo é para seu próprio bem e pode ter uma grande influência no curso de suas vidas. A descrição do processo de decidir pode parecer analítico e frio, carente de calor humano e de emoções associadas com uma decisão tão importante na vida dos filhos. Nada mais longe da verdade do que um pensamento desses. Todo o processo deve ser uma oportunidade para alegria, felicidade, amor e compreensão, e um tempo para compartilhar afeições. A lei provê uma oportunidade maravilhosa para o casal e os pais examinarem seu relacionamento, sabendo estarem se engajando em um processo iniciado por Deus para o bem-estar da humanidade. Decidir se dão ou não o consentimento não é uma ciência exata. Pois cada situação será diferente, não havendo uma fórmula universal para se chegar a uma conclusão. É, portanto, normal que os pais sintam-se apreensivos ao dar a permissão, por saberem que o casamento é uma luta e ficam imaginando se o casal entende realmente as conseqüências do passo que estão querendo dar. Esta apreensão pode ser diminuída através de uma consulta aberta e franca com o casal, e com os pais do outro nubente, no processo de se chegar a uma decisão final. Mas, por fim, como corolário, além de todo o esforço feito, cabe aos pais invocar a ajuda de Bahá'u'lláh através da oração e da súplica. Eles não são responsáveis pelo sucesso do casamento; isso será responsabilidade do casal. Os pais não podem antever o futuro e predizer o curso de eventos que ocorrerá com o casal, e influenciar sempre em seu relacionamento. O que podem fazer é ajudar com tudo o que lhe for possível com vistas a um casamento que se pressupõe será bem sucedido, confiando em seu melhor julgamento e intuição. APÊNDICE I Em uma carta datada de 6 de fevereiro de 1973, dirigida à todas as Assembléias Espirituais Nacionais, a Casa Universal de Justiça lançou um desafio aos bahá'ís para obedecerem às leis de Deus em suas vidas pessoais. Muito desta carta foi realmente em resposta a algumas perguntas feitas anteriormente à Casa de Justiça por um bahá'í. Uma parte dessa carta, abaixo transcrita, é dedicada a uma explicação sobre a importância da obediência às leis de Deus pelos indivíduos e pela sociedade. Assim como existem leis que governam nossas vidas físicas, exigindo que alimentemos nossos corpos com determinados alimentos, mantendo-os dentro de um certo grau de temperatura, e assim por diante, para evitar problemas com a saúde física, assim também existem leis que governam a nossa vida espiritual. Essas leis são reveladas à humanidade em cada era através de um Manifestante de Deus, e obediência a elas é de vital importância para todo ser humano, bem como para a humanidade inteira, para que tenham um desenvolvimento apropriado e harmonioso. Ainda mais, esses diferentes aspectos são interdependentes. Se uma pessoa viola as leis espirituais que afetam seu próprio desenvolvimento, estará causando algum mal não somente a si mesma, mas também à sociedade na qual vive. De forma semelhante, a condição da sociedade tem um efeito direto sobre as pessoas que precisam viver dentro dela. Como você destaca, é particularmente difícil seguir as leis de Bahá'u'lláh na sociedade atual, cuja prática aceita é tão contrária aos padrões de vida da Fé. No entanto, existem certas leis que são tão fundamentais ao funcionamento saudável da sociedade humana que precisam ser obedecidas quaisquer que sejam as circunstâncias. Dando-se conta do grau da fragilidade humana, Bahá'u'lláh determinou que algumas leis deviam ser aplicadas apenas gradualmente, mas essas, também, uma vez conhecidas, devem ser seguidas, ou a sociedade não irá ser reformada, afundando cada vez mais em uma condição deteriorante. É tarefa desafiadora dos bahá'ís obedecer a lei de Deus em suas próprias vidas, e gradualmente colaborar para que o restante da humanidade também a aceite. Ao considerar o efeito da obediência às leis na vida das pessoas, devemos ter em mente que o propósito desta vida é prepararmos a alma para a vida eterna. Aqui, precisamos aprender a controlar e direcionar nossos impulsos animais, não ser um escravo deles. A vida neste mundo é uma sucessão de testes e realizações, de quedas e de novos avanços espirituais. Algumas vezes o caminho pode parecer muito árduo, mas a pessoa pode testemunhar, mais e mais, que a alma que firmemente obedece a lei de Bahá'u'lláh, por mais difíceis que sejam, cresce espiritualmente, enquanto que aquele que descura em sua obediência à lei divina, buscando mais o que julga ser sua maior felicidade pessoal, é visto como tendo seguido apenas uma quimera: a pessoa não atinge a felicidade que pensou iria alcançar, retarda seu progresso espiritual e freqüentemente cria novos problemas para si mesma. A lei que trata do consentimento dos pais para o casamento dos filhos e os ensinamentos bahá'ís sobre castidade e sexualidade, citadas em capítulos precedentes, efetivamente comprovam o equilíbrio desejado e saudável necessário à vida das pessoas. O texto completo desta carta pode ser encontrado em Messages from the Universal House of Justice, 1968-1973, pp. 105-112. Os textos a seguir são excertos da mensagem do Ridván do ano 2000, da Casa Universal de Justiça aos bahá'ís do mundo, na qual a Casa de Justiça refere-se aos pais com relação à educação dos filhos. APÊNDICE II ...existe um desafio premente a ser enfrentado: Nossas crianças precisam ser nutridas espiritualmente e integradas na vida da Causa. Não podem ser deixadas ao léu em um mundo tão cheio de perigos morais. No atual estado da sociedade, as crianças enfrentam um destino cruel. Milhões e milhões, num país após o outro, são deslocadas socialmente. As crianças se vêem alienadas dos pais e de outros adultos, quer vivam em condições de riqueza, quer de penúria. Essa alienação tem suas raízes em um egoísmo que nasce do materialismo que está no âmago da descrença geral que domina os corações das pessoas em toda parte. O deslocamento social das crianças em nosso tempo é um sinal irrefutável de uma sociedade em declínio; esta condição não é, entretanto, confinada a alguma raça, classe, nação ou condição econômica. Permeia todas elas. Entristece nossos corações constatar que em tantas partes do mundo as crianças são usadas como soldados, exploradas como trabalhadores, vendidas para uma virtual escravidão, forçadas à prostituição, tornadas em objeto de pornografia, abandonadas por pais concentrados em seus próprios desejos e sujeitas a formas de abuso numerosas demais para ser mencionadas. Muitos desses horrores são infligidos pelos mesmos pais aos seus próprios filhos. Os danos espirituais e psicológicos decorrentes não podem ser estimados. Nossa comunidade mundial não pode escapar das conseqüências deste estado de coisas. Esta constatação nos deveria mobilizar a todos em um esforço urgente e contínuo, no interesse de nossas crianças e do futuro... As crianças são o tesouro mais precioso que uma comunidade possui, pois nelas está a promessa e a garantia do futuro. Elas carregam a semente do caráter da futura sociedade, que será formada pelo que os adultos que constituem a comunidade fizerem ou deixarem de fazer com relação a elas. E agora desejamos dirigir algumas palavras aos pais, que têm a responsabilidade primária pela educação de seus filhos. Apelamos a eles para que dêem uma atenção constante à educação espiritual de seus filhos. Alguns pais parecem pensar que esta é uma responsabilidade exclusiva da comunidade; outros crêem que, a fim de preservar a independência dos filhos na investigação da verdade, a Fé não deveria ser ensinada a eles. Ainda outros se sentem inadequados para assumir tal tarefa. Nada disso é correto. O amado Mestre disse que: "cabe ao pai e à mãe, como um dever, esforçarem-se ao máximo no treinamento de sua filha ou filho", adicionando que "se negligenciarem tal assunto, serão responsabilizados e merecedores de repreensão na presença do severo Senhor". Independente do nível de sua educação, os pais encontram-se em uma posição crítica quanto ao dever de configurar o desenvolvimento espiritual de seus filhos. Jamais deverão subestimar sua capacidade de moldar o caráter moral dos filhos. Pois eles exercem uma influência indispensável através do ambiente que conscientemente criam no lar com seu amor a Deus, seu esforço para aderir às Suas leis, seu espírito de serviço à Causa, sua ausência de fanatismo e sua libertação dos efeitos corrosivos da fofoca. Cada pai e cada mãe que crê na Abençoada Beleza tem a responsabilidade de conduzir-se de tal forma a despertar a obediência espontânea dos filhos a qual os Ensinamentos atribuem tão alto valor. Naturalmente, além desses esforços no lar, os pais devem apoiar as aulas bahá'ís de crianças providas por sua comunidade. Deve-se ter em mente, também, que as crianças vivem em um mundo que as informa sobre as duras realidades através de experiências diretas com os horrores já descritos ou através das mensagens inevitáveis dos meios de comunicação de massa. Muitas das crianças, por isso, são forçadas a uma maturação prematura, e entre elas encontram-se aquelas que buscam modelos de disciplina diferentes para guiarem suas vidas. Contra este obscuro cenário de uma sociedade decadente, as crianças bahá'ís devem brilhar como emblemas de um futuro melhor. NOTAS IV. CONSENTIMENTO DOS PAIS 1. O Dia Prometido Chegou, p. 5. 2. Ibid, pp. 5-6. 3. Ibid, pp. 5-6. 4. Ibid, p. 5. 5. Ibid, p. 170. 6. Seleção dos Escritos de Bahá'u'lláh, p. 162. 7. O Kitáb-i-Aqdas, K2, p. 17. 8. De uma carta datada de 29 de agosto de 1965, escrita pela Casa Universal de Justiça à Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá'ís dos Estados Unidos, citada em Lights of Guidance, nº 1236. 9. O Kitáb-i-Aqdas, K63, p. 34. 10. Orações Bahá'ís, p.58. 11. De uma carta datada de 15 de abril de 1939, escrita em nome de Shoghi Effendi, a um bahá'í, citada em Preservando Casamentos Bahá'ís, p. 9. 12. O Kitáb-i-Aqdas, P46, p.98. 13. Seleção dos Escritos de 'Abdu'l-Bahá, p. 106. 14. De uma carta datada de 03 de Maio de 1936, escrita pelo Guardião a um bahá'í: "...Naturalmente sob circunstâncias normais, qualquer pessoa pode considerar o casamento como um dever moral. E isso é o que Bahá'u'lláh encoraja aos crentes fazerem. Mas o casamento de forma alguma é uma obrigação. Em última instância, cabe ao próprio indivíduo decidir se deseja ter uma vida familiar ou viver em estado de celibato." 15. Seleção dos Escritos de 'Abdu'l-Bahá, p. 195. 16. Portais para a Liberdade, p. 92. 17. Seleção dos Escritos de 'Abdu'l-Bahá, p. 105. 18. De uma carta datada de 6 de Julho de 1395, escrita em nome do Guardião à Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá'ís da Índia, citada em Lights of Guidance, p. 1263. 19. O Kitáb-i-Aqdas, K5, p. 18. 20. A Presença de Deus, p. 296. 21. O Kitáb-i-Aqdas, pp. 1-2. 22. A Revelação de Bahá'u'lláh - Vol. III, pp. 361-2. 23. A Presença de Deus, p.435. 24. Ibid, pp. 297-8. 25. A Revelação de Bahá'u'lláh - Vol. III, p. 349. 26. Ibid, pp.352-3. 27. Shoghi Effendi trata deste assunto em A Ordem Mundial de Bahá'u'lláh, na seção intitulada "O Desenvolvimento da Civilização Mundial". 28. The Bahá'í Life: Excerpts from the Writings of the Guardian, p. 1. 29. O Kitáb-i-Aqdas, K1, p. 17. 30. Ibid, K2, pp. 17-8. 31. De uma carta de 12 de janeiro de 1923, de Shoghi Effendi aos bahá'ís da Pérsia, citada em Viver a Vida, p. 7. 32. O Kitáb-i-Aqdas, K178, p.67. 33. Ibid, K65, p. 35. 34. De uma carta datada de 26 de junho de 1956, escrita em nome do Guardião à Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá'ís do Canadá, citada em Diretrizes do Guardião, pp. 21-2: Quanto à sua questão de aplicar a sanção da suspensão do direito de voto a pessoas que se casam sem o consentimento dos pais, isto deve ser feito doravante. As leis do Kitáb-i-Aqdas são explícitas e absolutamente não sujeitas a qualquer ambigüidade. Enquanto os pais estiverem vivos, o consentimento deve ser obtido; isto não é condicionado ao seu relacionamento com seus filhos. Se o paradeiro dos pais não for legalmente conhecido, em outras palavras, se eles estiverem legalmente mortos, então, obviamente, não é necessário aos filhos obterem seu consentimento. Não é uma questão de os filhos não saberem o atual paradeiro dos pais, é uma questão legal - se os pais estiverem vivos, devem ser indagados. De uma carta datada de 10 de outubro de 1936, escrita em nome do Guardião a um bahá'í, citada em Ligths of Guidance, nº 1234: O consentimento dos pais é também uma obrigação válida para todos os bahá'is, sendo seus pais bahá'ís ou não, se simpatizam ou não com a Causa. No caso da morte de ambos os pais, o consentimento de um tutor não é exigido. De uma carta datada de 25 de outubro de 1947, escrita em nome do Guardião a Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá'ís dos Estados Unidos e Canadá, citada no Kitáb-i-Aqdas, n92, p. 173: Bahá'u'lláh enunciou claramente que o consentimento de todos os pais ainda vivos é uma exigência do casamento bahá'í. Isso aplica-se sejam os pais bahá'ís, ou não; divorciados há muitos anos, ou não... De uma carta datada de 23 de julho de 1984, escrita em nome da Casa Universal de Justiça a um bahá'í, citada em Ligths of Guidance, nº 1246: O princípio da lei bahá'í que determina o consentimento bahá'í para o casamento é que os pais consentem com o casamento do homem e da mulher que decidiram se casar. Não se trata de consentimento para a realização de alguma cerimônia em particular. Obviamente, quando os noivos são bahá'ís, deduz-se que o casamento do casal será com a realização da cerimônia bahá'í de casamento. Em alguns casos, porém, pode ser difícil para os pais não-bahá'ís darem o consentimento para a participação do(a) filho(a) em uma cerimônia religiosa bahá'í, e nesse caso a relevância do princípio é importante. Em outras palavras, se pais não-bahá'ís consentem com o casamento, a cerimônia bahá'í pode ser realizada, a não que eles expressem formalmente sua objeção à realização de uma cerimônia bahá'í, em cuja eventualidade o casamento não poderá ser realizado. 35. De uma carta datada de 12 de agosto de 1941, escrita em nome do Guardião à Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá'ís dos Estados Unidos e Canadá, citada em Diretrizes do Guardião, p. 22. 36. De uma carta datada de 22 de agosto de 1997, escrita em nome da Casa Universal de Justiça à uma Assembléia Espiritual Nacional. 37. De uma carta datada de 5 de setembro de 1993, escrita em nome da Casa Universal de Justiça à uma Assembléia Espiritual Nacional. 38. De uma carta datada de 15 de maio de 1994, escrita em nome da Casa Universal de Justiça à uma Assembléia Espiritual Nacional: Considerando que as condições da sociedade em geral têm piorado, tem havido um número crescente de casos nos quais um pais abandona o(a) filho(a). Neste caso, o consentimento do pais deve ainda ser buscado, a não ser que se comprove ter o pai rejeitado o(a) filho(a). Tal condição de rejeição pelo pai pode ser estabelecida de várias formas. Uma é que se o pai deu o(a) filho(a) em adoção e, em assim fazendo, renunciou legalmente a todos os direitos e responsabilidades sobre a criança; em tais circunstâncias um(a) filho(a) adotado(a) não precisa buscar o consentimento do pai natural para o seu casamento. Quando ocorre a rejeição, mas seus direitos e responsabilidade não foram legalmente confirmados, mas apenas expressos por outros meios, como declaração oral ou por escrito, então cada caso deve ser referido à Casa Universal de Justiça... 39. De uma carta datada de 4 de julho de 1977, escrita em nome da Casa Universal de Justiça à uma Assembléia Espiritual Nacional: Quando a identidade dos pais naturais é conhecida, e eles estão vivos, seu consentimento deve ser obtido. Se a identidade não é conhecida, todo esforço deve ser feito para encontrá-los para que se saiba oficialmente seus nomes e seus paradeiros, a não ser em casos de adoção, conforme a lei, havendo a ordem do tribunal concedendo a adoção, ou se o contrato de adoção o proíbe. Se todo contato com os pais foi perdido, todo esforço deve ser feito para encontrá-los. Isso inclui contatar aquelas pessoas, firmas ou entidades que possam saber de seus paradeiros, como também através de anúncio em jornais na cidade onde residiam pela última vez. Cabe a Assembléia Espiritual determinar quando cada forma de busca tenha sido esgotada, e que a única suposição razoável é que os pais, ou um deles, faleceram. O fato do pai não conhecer seu (sua) próprio filho(a) não desobriga o (a) filho (a) da obrigação de buscar obter o consentimento dele, e da mãe, para o seu casamento. Nem mesmo o fato de um pai ter se mudado para outro país afeta esta obrigação. 40. De uma carta datada de 22 de maio de 1989, escrita em nome da Casa Universal de Justiça a dois bahá'ís. 41. De uma carta datada de 1 de maio de 1990, escrita em nome da Casa Universal de Justiça a dois bahá'ís. 42. De uma carta datada de 5 de setembro de 1993, escrita em nome da Casa Universal de Justiça à Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá'ís da Austrália. 43. De uma carta datada de 29 de setembro de 1998, escrita pelo Departamento de Pesquisa da Casa Universal de Justiça para a Casa de Justiça. 44. De uma carta datada de 9 de outubro de 1975, escrita em nome da Casa Universal de Justiça a um bahá'í, citada em Ligths of Guidance, nº 1254. 45. De uma carta datada de 13 de março de 1994, escrita em nome da Casa Universal de Justiça à Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá'ís da Austrália. 46. De uma carta datada de 30 de maio de 1971, escrita pela Casa Universal de Justiça à Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá'ís do Alaska, citada em Lights of Guidance, nº 1244. 47. De uma carta datada de 8 de dezembro de 1997, escrita em nome da Casa Universal de Justiça a um bahá'í. 48. Em uma carta datada de 23 de Maio de 1985 à Assembléia Espiritual Nacional, citada em Lights of Guidance, nº 1284, a Casa Universal de Justiça, elucidando sobre a cerimônia do casamento bahá'í e a responsabilidade da Assembléia Espiritual Local, diz que: O próprio casal realiza a cerimônia ao afirmarem um ao outro, na presença de pelo menos duas testemunhas, a frase prescrita de: "Nós todos (as), verdadeiramente, anuiremos à vontade de Deus." Esta cerimônia é realizada sob a jurisdição de uma Assembléia Espiritual que tem a responsabilidade de assegurar que as diversas exigências da Lei bahá'í, tais como a obtenção do consentimento dos pais, foram atendidas, e cujas testemunhas sejam aceitas pela Assembléia, a qual, então, emite a certidão de casamento. 49. De uma carta datada de 11 de abril de 1978, escrita em nome da Casa Universal de Justiça à Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá'ís da Guiana, citada em Lights of Guidance, nº 1253. 50. A questão do envolvimento dos pais na escolha de amigos de seus filhos, imposta como uma interferência direta, é explorada na seção "Preparando-se". 51. De uma carta datada de 13 de Outubro de 1997, escrita em nome da Casa Universal de Justiça a um bahá'í. 52. Shoghi Effendi, A Ordem Mundial de Bahá'u'lláh, p. 43. 53. De uma carta datada de 29 de setembro de 1998, escrita pelo Departamento de Pesquisa da Casa Universal de Justiça à Casa de Justiça. 54. De uma carta datada de 25 de outubro de 1947, escrita em nome do Guardião à uma Assembléia Espiritual Nacional dos Estados Unidos e Canadá, citada em Preservando Casamentos Bahá'ís, p. 14. 55. De uma carta datada de 29 de agosto de 1965, escrita em nome da Casa Universal de Justiça à uma Assembléia Espiritual Nacional, citada em Lights of Guidance, nº 1236. 56. De uma carta datada de 1 de Fevereiro de 1968, escrita em nome da Casa Universal de Justiça à Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá'ís dos Estados Unidos, citada em Lights of Guidance, nº 1236. 57. Lady Blomfield, The Chosen Highway, p. 213 58. De uma carta datada de 14 de Janeiro de 1985, escrita em nome da Casa Universal de Justiça a um bahá'í. 59. Michael E. Cavanaugh em Before the Wedding: Look Before You Leap, p. 129. 60. Bahá'u'lláh, citado em Educação Bahá'í, pp. 16-7. 61. A Casa Universal de Justiça tornou a educação espiritual das crianças um dos temas centrais de sua Mensagem do Ridván do ano 2000, dirigida aos bahá'ís do mundo, com alguns de seus principais excertos transcritos no Apêndice II. 62. Seleção dos Escritos de 'Abdu'l-Bahá, p. 114. 63. De uma carta datada de 9 de julho de 1939, escrita em nome de Shoghi Effendi a um bahá'í, citada em Educação Bahá'í, p. 91. 64. Seleção dos Escritos de 'Abdu'l-Bahá, p. 120. 65. De uma carta datada de 15 de fevereiro de 1957, escrita em nome de Shoghi Effendi a alguns bahá'ís, citada em Educação Bahá'í, p. 99. 66. De uma carta datada de 28 de setembro de 1941, escrita em nome do Guardião a um bahá'í, citada em Preservando Casamentos Bahá'ís, p. 27. 67. Shoghi Effendi, O Advento da Justiça Divina, pp. 46-8. 68. De uma carta datada de 25 de setembro de 1981, escrita em nome da Casa Universal de Justiça à uma Assembléia Espiritual Nacional, citada em Lights of Guidance, nº 1205. 69. Katz and Liu, False and Other Romantic Illusions, pp. 53-4. 70. Veja Nota 9. 71. De uma carta datada de 25 de julho de 1988, escrita em nome da Casa Universal de Justiça a um bahá'í. 72. De uma carta datada de 1º de fevereiro de 1968, escrita pela Casa Universal de Justiça à Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá'ís dos Estados Unidos, citada em Lights of Guidance, nº 1237. 73. De uma carta datada de 9 de outubro de 1975, escrita em nome da Casa Universal de Justiça a um bahá'í, citada em Lights of Guidance, nº 1254. 74. Seleção dos Escritos de Bahá'u'lláh, p. 198. 75. Maggie Scarf, Intimate Partners: Patterns in Love and Marriage, p. 14 76. Seleção dos Escritos de 'Abdu'l-Bahá, p. 106. 77. De uma carta datada de 17 de outubro de 1944, escrita em nome do Guardião à um bahá'í. 78. De uma carta datada de 19 de abril de 1981, escrita em nome da Casa Universal de Justiça a um bahá'í. 79. De uma carta datada de 30 de março de 1967, escrita pela Casa Universal de Justiça à Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá'ís dos Estados Unidos, citada em Lights of Guidance, nº 1230. 80. Malcolm Gladwell, Do Parents Matter? New Yorker Magazine, 17 July 1998. 81. Michael E. Cavanaugh em Before the Wedding: Look Before You Leap, p. 146. 82. Respostas a Algumas Perguntas, p. 178. 83. Ibid, p. 180. 84. Significando que ocorrem entre a concepção e o nascimento 85. Respostas a Algumas Perguntas, p. 179. 86. Michael E. Cavanaugh em Before the Wedding: Look Before You Leap, p. 148. 87. Palestras de 'Abdu'l-Bahá - Paris, 1911, p. 29. 88. Ibid, p. 91. 89. Daniel Goleman, Emotional Intelligence, pp. 43-44. 90. Ibid, p. 215. Aqui, Goleman refere-se a Jerome Kagan em Initial Reactions to Unfamiliarity, Current Directions in Psychological Science (Dez. 1992). A descrição completa sobre os tipos de temperamento está em Galen's Prophesy. 91. De uma carta datada de 05 de setembro de 1938, escrita em nome de Shoghi Effendi a um bahá'í, citada em Uma Vida Casta e Santa, p. 15. 92. Em uma carta datada de 14 de março de 1973, a um bahá'í, citada em Lights of Guidance, nº 1225, a Casa Universal de Justiça explica que: ... a Lei Bahá'í restringe a permissão do relacionamento sexual de um homem somente com a mulher com a qual está casado. Também em uma carta datada de 6 de fevereiro de 1973, escrita pela Casa Universal de Justiça a todas as Assembléias Espirituais Nacionais, está escrito: Muitos problemas sexuais, tais como homossexualidade e transexualidade podem com certeza ter aspectos médicos, e em tais casos recursos devem certamente ser tomados para a obtenção da melhor assistência médica possível. Mas está claro nos ensinamentos de Bahá'u'lláh que a homossexualidade não é uma condição de normalidade em uma pessoa, e sim uma distorção de sua natureza, a qual deve ser controlada e superada. Isso pode exigir um esforço muito grande, mas também uma pessoa heterossexual terá de fazer grande esforço para controlar seus desejos. O exercício do auto-controle neste como em tantos outros aspectos da vida tem um efeito benéfico para o progresso da alma. Deve-se lembrar, ainda mais, que embora o fato de ser casado seja altamente desejável, e Bahá'u'lláh fortemente assim o recomenda, o casamento não é o ponto central da vida de uma pessoa. Se a pessoa deve esperar um tempo considerável antes de encontrar a esposa ou esposo ideal, ou se, por fim, ele ou ela decide permanecer solteiro, não significa que sejam, por isso, incapazes de cumprir com o propósito de sua vida. (Message of the Universal House of Justice: 1968-1973, pp. 110-1) 93. De uma carta datada de 9 de janeiro de 1977, escrita em nome da Casa Universal de Justiça a um bahá'í, citada em Lights of Guidance, nº 1226 94. Michael E. Cavanaugh em Before the Wedding: Look Before You Leap, pp. 147-8. 95. Seleção dos Escritos de 'Abdu'l-Bahá, p. 123. 96. Maggie Scarf, Intimate Partners: Patterns in Love and Marriage, p. 197. 97. O tempo de anúncio de um noivado é interessante. Em uma carta datada de 17 de janeiro de 1971 à Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá'ís da Austrália, publicada em Lights of Guidance, nº 1256, a Casa Universal de Justiça disse que: As Leis do Kitáb-i-Aqdas com relação ao período de noivado não ainda não foram aplicadas aos bahá'ís no Ocidente e, portanto, não há exigência de que os noivos obtenham o consentimento dos pais antes de anunciar seu noivado. Porém, não existe objeção para que se informe os crentes de que seria sábio para eles assim fazê-lo, a fim de evitar algum embaraço posterior se o consentimento para o casamento não for dado. Mas em uma carta datada de 24 de fevereiro de 1981, escrita em seu nome a um bahá'í, cujo pedido de casamento havia sido negado, a Casa Universal de Justiça afirmou que: Quanto a você continuar indefinidamente buscando o consentimento de seus pais, nada há na lei de Bahá'u'lláh que impeça tais esforços, mas nenhum noivado deve ser anunciado até que o consentimento seja obtido. 98. De uma carta datada de 21 de maio de 1986, escrita em nome da Casa Universal de Justiça a um bahá'í. 99. De uma carta datada de 29 de janeiro de 1970, escrita pela Casa Universal de Justiça à uma Assembléia Espiritual Nacional. 100. De uma carta datada de 9 de setembro de 1969, escrita pela Casa Universal de Justiça a um bahá'í. 101. De uma carta datada de 6 de fevereiro de 1973, escrita pela Casa Universal de Justiça à todas as Assembléias Espirituais Nacionais, citada em Uma Vida Casta e Santa, p. 21. 102. De uma carta datada de 14 de agosto de 1983, escrita em nome da Casa Universal de Justiça a um bahá'í. 103. De uma carta datada de 6 de fevereiro de 1973, escrita em nome da Casa Universal de Justiça a um bahá'í, citada em Messages from the Universal House of Justice, 1968-73, p. 107. 104. De uma carta datada de 20 de setembro de 1994, escrita em nome da Casa Universal de Justiça a um bahá'í. 105. De uma carta datada de 29 de maio de 1929, escrita em nome do Guardião a um bahá'í. 106. De uma carta datada de 28 de outubro de 1984, escrita em nome da Casa Universal de Justiça a um bahá'í, citado em Lights of Guidance, nº 1241. 107. De uma carta datada de 2 de outubro de 1995, escrita em nome da Casa Universal de Justiça a um bahá'í. 108. Bahá'u'lláh, citado em Educação Bahá'í, pp. 14-5. Bibliografia 'ABDU'L-BAHÁ ? A Promulgação da Paz Universal. 1ª ed. Mogi Mirim: Editora Bahá'í do Brasil, 2005. ? Epístolas do Plano Divino. 1ª ed. Mogi Mirim: Editora Bahá'í do Brasil, 2001. ? 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Mogi Mirim: Editora Bahá'í do Brasil, 2004. ? Seleção dos Escritos de Bahá'u'lláh. 2ª ed. Mogi Mirim: Editora Bahá'í do Brasil, 2004. ? BLOMFIELD, Lady. The Chosen Highway. Wilmette, Illinois: Bahá'í Publishing Trust, 1970. CASA UNIVERSAL DE JUSTIÇA ? Consulta Bahá'í. 1ª ed. Rio de Janeiro: Editora Bahá'í do Brasil, 1988. ? Contribuição aos Fundos Bahá'ís. 1ª ed. Mogi Mirim: Editora Bahá'í do Brasil, 2004. ? Em Busca da Luz do Reino. 1ª ed. Rio de Janeiro: Editora Bahá'í do Brasil, 1986. ? Educação Bahá'í - Uma Compilação. 1ª ed. Rio de Janeiro: Editora Bahá'í do Brasil, 1981. ? Messages from the UHJ [1968-1973]. 1ª ed. Chicago, BPT of USA, 1976. ? Preservando Casamentos Bahá'ís. 1ª ed. Mogi Mirim: Editora Bahá'í do Brasil, 2003. ? The Consent of Parents to Marriage. edição eletrônica. Haifa: Depto de Pequisa da Casa Universal de Justiça, 1998. ? Uma Onda de Ternura. 1ª ed. Rio de Janeiro: Editora Bahá'í do Brasil, 1986. ? Uma Vida Casta e Santa. 1ª ed. Mogi Mirim: Editora Bahá'í do Brasil, 2001. ? Viver a Vida. 1ª ed. Rio de Janeiro: Editora Bahá'í do Brasil, 1975. COMPILAÇÕES ? Bahá'í World Faith. Wilmette, BPT of USA, 1976. ? Orações Bahá'ís. 11ª ed. Mogi Mirim: Editora Bahá'í do Brasil, 2004. ? Lights of Guidance. Hornby Helen.New Delhi, India: Bahá'í Publishing Trust. ? Marriage: A Fortress of Well-Being. National Spiritual Assembly of the Bahá'ís of Canada, 1ª ed. Wilmette, BPT of USA, 1988. ? The Bahá'í Life - Excerpts From the Writings of the Guardian. National Spiritual Assembly of the Bahá'ís of Canada, 1ª ed. Wilmette, BPT of USA, 1973. ? The Bahá'í Community. National Spiritual Assembly of the Bahá'ís of Canada, 1ª ed. Wilmette, BPT of USA, 1963 ? CAVANAUGH, Michael E. Before The Wedding: Look Before You Leap. Louisville, Kentucky: Westminster/ John Knox Press, 1994. ? ESSLEMONT, John E. Bahá'u'lláh e a Nova Era. 9ª ed. Mogi Mirim: Editora Bahá'í do Brasil, 2001. ? GLADWELL, Malcolm. Do Parents Count? 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Mogi Mirim: Editora Bahá'í do Brasil, 1960. ? Principles of Bahá'í Administration. 1ª ed. London, BPT of UK, 1982. ? TAHERZADEH, Adib. A Revelação de Bahá'u'lláh, vol III. 1ª ed. Mogi Mirim: Editora Bahá'í do Brasil, 2004. *Desejo agradecer à Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá'ís da Nova Zelândia pelo tempo e esforços que dedicaram para a revisão do livro e para a aprovação de sua publicação. Sou profundamente grato também ao Departamento de Pesquisa da Casa Universal de Justiça por sua ajuda provendo materiais para o entendimento de muitos dos assuntos relacionados com a lei do consentimento. Também, meus sinceros agradecimentos ao sr. 'Alí Nakhjavání, cujos conselhos iniciais e estímulo ajudaram na preparação do livro e que, juntamente com o dr. Richard Bauman e sra. Rosemarie Smith, bondosamente dedicaram seu precioso tempo para a leitura do manuscrito original e ofereceram valiosos comentários e sugestões. *Excertos dos Escritos de Bahá'u'lláh e de 'Abdu'l-Bahá, e de cartas de Shoghi Effendi e da Casa Universal de Justiça foram usados para tratar de vários assuntos apresentados, cuja maioria já se encontra publicada em outros livros. Muitas das cartas escritas por, ou em nome de Shoghi Effendi e da Casa Universal de Justiça, foram publicadas no livro de referências coletadas por Helen Hornby: Lights of Guidance. Tais referências são identificadas nas notas ao final do livro, mencionando o número da citação, ao invés da página. Cartas da Casa Universal de Justiça, não constantes dessas fontes, são de quatro compilações enviadas ao autor por seu Departamento de Pesquisa. Um livro, de Michael E. Cavanaugh, intitulado Before the Wedding: Look Before You Leap, [Antes do Casamento: Olhe Antes de Dar Esse Salto], foi particularmente útil com relação aos assuntos que devem ser considerados antes do casamento. O livro de Daniel Goleman, Inteligência Emocional, foi também oportuno para o entendimento da conduta que decorre de vários tipos de caráter. Por mais benéficas que sejam essas e outras referências, elas jamais deverão ser vistas sob o mesmo prisma dos Escritos Sagrados e suas interpretações pelo Guardião ou das elucidações da Casa Universal de Justiça.


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