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'Abdu'l-Bahá : Tltima Vontade e Testamento, A
A Última Vontade Testamento 'Abdu'l-Bahá

Título original em inglês: The Will and Testament of 'Abdu'l-Bahá

Introdução: The Passing of 'Abdu'l-Bahá

Apêndices II e III: A Commentary on the Will and Testament of 'Abdu'l-Bahá

Copyright 2006
Todos os direitos em português reservados para:
Editora Bahá'í do Brasil
Caixa Postal 1085
13800-973 - Mogi Mirim - SP
www.editorabahaibrasil.com.br
ISBN: 85-320-0146-7
1a Edição: 1954 (excertos)
2a Edição: 1982
3a Edição: 2006 (revisada e ampliada)
Tradução:
Testamento: Leonora S. Armstrong
Introdução e Apêndices: Osmar Mendes
Revisão:
Testamento: Maria Trude Alves

Introdução e Apêndices: Coordenação Nacional Bahá'í de Tradução e Revisão do Brasil

Capa: Gustavo Pallone de Figueiredo

Impressão: Prisma Printer Gráfica e Editora Ltda, Campinas - SP

SUMÁRIO
Prefácio
Introdução
O FALECIMENTO DE 'ABDU'L-BAHÁ
A ÚLTIMA VONTADE E TESTAMENTO
PRIMEIRA PARTE
SEGUNDA PARTE
TERCEIRA PARTE
APÊNDICES
Apêndice I
A INFABILIDADE E O CONHECIMENTO DE 'ABDU'L-BAHÁ
Apêndice II

COMENTÁRIOS SOBRE A ÚLTIMA VONTADE E TESTAMENTO DE 'ABDU'L-BAHÁ

Apêndice III

O TÉRMINO DA GUARDIANIA INSTAURADA NA ÚLTIMA VONTADE E TESTAMENTO DE 'ABDU'L-BAHÁ

Referências Bibliográficas
PREFÁCIO

Esta nova edição de A Última Vontade e Testamento de 'Abdu'l-Bahá fez-se necessária, uma vez que adentramos no século XXI, trazer ao público de língua portuguesa algumas novas informações acerca desta Carta Magna da Fé Bahá'í.

A Introdução inclusa nesta edição é uma carta escrita por lady Blomfield e Shoghi Effendi em janeiro de 1922, semanas depois do falecimento de 'Abdu'l-Bahá. Dirigida aos bahá'ís do mundo, esta belíssima carta descreve os últimos momentos da vida terrena dAquele que foi o "Mistério de Deus" e "Servo de Bahá", e inclui passagens de Seus Escritos, além de explanações de alguns trechos de Seu Testamento.

Foram inclusos, também, três apêndices. No apêndice I temos uma explanação sobre a infabilidade de 'Abdu'l-Bahá escrita pela Casa Universal de Justiça. No apêndice II, uma profunda e meritória explicação acerca de alguns tópicos tratados na Última Vontade e Testamento, escrita por David Hofman (1908-2003), que serviu como membro da Casa Universal de Justiça por 25 anos, de 1963, quando da sua primeira formação, até 1988, quando ele se aposentou. No apêndice III, também escrito por Hofman, encontra-se uma histórica e convincente explanação acerca do "porquê" foi finda a Guardiania (com a morte prematura de Shoghi Effendi em 1957) instaurada por 'Abdu'l-Bahá em Sua Última Vontade e Testamento.

Esperamos que o leitor aprecie esta publicação e que possa aumentar seu conhecimento acerca deste importante Documento, dando-lhe convicção e argumentos irrefutáveis acerca do destino da Fé Bahá'í e de seu inquebrantável Convênio.

Editora Bahá'í do Brasil
INTRODUÇÃO
Haifa, Palestina, janeiro de 1922
Aos bahá'ís do mundo
Queridos amigos,

Sabemos que os amados de 'Abdu'l-Bahá, em todas as partes do mundo, estão ansiosamente esperando receber alguns detalhes dos últimos eventos de Sua ímpar e maravilhosa vida. É por esta razão que escrevemos o seguinte relato.

Nós viemos a compreender, agora, que o Mestre sabia do dia e da hora em que, concluída a Sua missão sobre a terra, regressaria ao abrigo do céu. Contudo, teve muito cuidado para que Sua família não tivesse nenhuma premonição do pesar que se aproximava. Parece como se seus olhos fossem velados por Ele, com Sua sempre amorosa consideração para com entes queridos, para que não percebessem o significado de certos sonhos e outros sinais do evento culminante. Isso, compreendemos agora, era o que Ele queria para eles, com o intuito de que suas energias fossem poupadas para enfrentar a grande provação quando esta chegasse, e eles não estivessem enfraquecidos pela angústia mental, por antecipação.

Dos muitos sinais da proximidade da hora em que Ele poderia dizer de Seu trabalho na Terra - "Está terminado!" - os sonhos seguintes parecem se destacar. Menos de oito semanas antes de Sua ascensão, o Mestre relatou isto à Sua família:

Parecia que eu estava parado dentro de uma grande mesquita... No lugar do próprio Imame. Estava ciente de que um grande número de pessoas estava afluindo para dentro da mesquita; mais e mais gente se aglomerava, tomando seus lugares em fileiras atrás de mim até que se formou uma grande multidão. Então, de pé e em voz alta, entoei o "chamamento para oração". De repente, me veio a idéia de sair da mesquita.

Uma vez lá fora, indaguei a mim mesmo: "Por qual razão eu saí sem conduzir a oração? Mas, não importa; já que bradei o chamamento para a oração, a vasta multidão a entoará por si mesma."

Quando o Mestre faleceu, Sua família ponderou acerca deste sonho e o interpretou:

Ele chamava aquela vasta multidão - todas as pessoas, todas as religiões, todas as raças, todas as nações e todos os reinos - para a unidade e paz, para a irmandade e amor universais; e chamando-os, dirigiu-Se a Deus, o Todo-Amor, a cujo comando havia emitido o Chamado Magistral, passando a Mensagem Divina. Esta mesma multidão - pessoas, religiões, raças, nações e reinos - continuarão a trabalhar para aquilo que Ele havia chamado-lhes e irão se empenhar a realizá-lo por eles mesmos.

Algumas semanas após este sonho, o Mestre saiu do quarto solitário no jardim, que ultimamente ocupava e disse:

-- Tive um sonho, e vejam! A Abençoada Beleza entrou e me disse: "Destrua este quarto!"

A família, que desejava que Ele viesse dormir dentro de casa, e não estava contente com o fato dEle ficar sozinho de noite, exclamou:

-- Sim, Mestre, cremos que vosso sonho significa que o Senhor devia abandonar aquele quarto e vir para dentro de casa.

Quando Ele ouviu isso de nós, deu um sorriso significativo como Se não concordasse com a nossa interpretação. Mais tarde, compreendemos que o "quarto" realmente significava o templo de Seu corpo.

Um mês antes de Sua última hora, o dr. Sulayman Rafat Bey, um amigo turco que era hóspede na casa, recebeu um telegrama comunicando-lhe a morte repentina de seu irmão. 'Abdu'l-Bahá, dirigindo-lhe palavras de consolo, cochichou:

-- Não fique triste, pois ele está apenas sendo transferido deste plano para um mais sublime; eu também logo serei transferido, pois meus dias estão contados.

Depois, batendo levemente no ombro, olhou no seu rosto e disse:

-- E será em breve!

Na mesma semana, revelou uma Epístola para a América, a qual inclui a seguinte prece:

Yá Bahá'u'l-Abhá! [Ó Tu, Glória das Glórias] Renunciei ao mundo e seu povo, e estou com o coração partido e aflito por causa dos infiéis. Na gaiola deste mundo bato asas como um pássaro assustado e, todo dia, anseio levantar meu vôo em direção ao Teu Reino.

Yá Bahá'u'l-Abhá! Faze-me beber do cálice de sacrifício e liberta-me. Alivia-me destas angústias e provações, destas aflições e dificuldades. Tu és Quem auxilia, Quem socorre, Quem protege, Quem estende a mão de ajuda.

Na última manhã de sexta-feira de Sua vida na Terra (25 de novembro), disse às Suas filhas:

-- O casamento de Khusraw deve ser celebrado hoje. Se vocês estiverem muito ocupadas eu mesmo farei os preparativos necessários, pois deve ser celebrado hoje...

'Abdu'l-Bahá participou da prece do meio-dia, na mesquita. Quando saiu, encontrou os pobres esperando por esmolas que costumava lhes dar toda sexta-feira. Neste dia, apesar do grande cansaço, Ele ficou em pé como de costume, enquanto dava uma moeda para cada um com Suas próprias mãos. Após o almoço, ditou algumas Epístolas, Suas últimas, a Rúhí Effendi. Quando já tinha descansado, caminhou pelo jardim. Parecia estar em profundo devaneio.

Seu fiel e bom servo Isma'íl Aqá relata o seguinte:

Faz algum tempo, uns vinte dias antes do meu Mestre falecer, eu estava próximo ao jardim quando Lhe ouvi chamar um antigo crente dizendo:

-- Vem comigo, vamos admirar juntos a beleza do jardim. Veja o que o espírito de devoção pode realizar. Este lugar florescente era, anos atrás, apenas um amontoado de pedras, e agora está verdejante com folhagem e flores. Meu desejo é que, após minha partida, os amados se levantem todos para servir a Causa Divina, e agradar a Deus. Assim será! Em breve, se erguerão homens que darão vida ao mundo.

Poucos dias depois disso, Ele disse:

-- Estou tão fatigado! Chegou a hora em que devo deixar tudo e levantar vôo. Estou cansado demais para andar.

E acrescentou:

-- Foi durante os últimos dias da Abençoada Beleza [Bahá'u'lláh], quando eu estava recolhendo Seus papéis espalhados sobre o sofá no Seu gabinete em Bahjí que Ele virou para mim e disse: "É inútil recolhê-los, eu devo deixá-los e partir." Eu também terminei meu trabalho, não posso fazer mais nada, portanto, devo deixá-lo e aceitar minha partida.

Três dias antes de Sua ascensão, sentado no jardim, chamou-me e disse:

-- Estou enjoado de tanto cansaço. Traga duas de tuas laranjas para que por tua causa eu possa comê-las.

Assim fiz e, tendo acabado de comê-las, voltou-Se para mim e disse:

-- Tens algum dos teus limões doces? - ordenando que eu buscasse alguns.

Enquanto os arrancava, aproximou-Se do limoeiro dizendo:

-- Não, eu tenho que colhê-los com minhas próprias mãos.

Após comer a fruta, voltou-Se para mim e perguntou:

-- Que mais desejas?

Então com um gesto terno de Suas mãos, de forma comovente, enfática e deliberada, disse:

-- Agora está terminado, está terminado.

Estas palavras significativas penetraram a minha própria alma. Cada vez que Ele as pronunciava, sentia como se um punhal fosse cravado no meu coração. Eu entendi o que Ele quis dizer, mas nunca pensei que Seu fim estivesse tão próximo.

Foi este Isma'íl-Aqá, o jardineiro do Mestre por cerca de trinta anos, que na primeira semana após Sua ascensão, levado por desesperado pesar, quietamente se desfez de todos os seus pertences, escreveu seu testamento, foi à presença da irmã do Mestre e pediu perdão por qualquer falta que tivesse cometido. Então, entregou as chaves do jardim a um servo de confiança da Casa e levando consigo recursos com os quais pudesse encerrar sua vida no túmulo do seu amado Mestre, subiu a Montanha até aquele lugar sagrado, circulou três vezes ao redor, e teria conseguido tirar a sua vida, não fosse a oportuna chegada de um amigo, que o alcançou a tempo de evitar a consumação de sua trágica intenção.

Continuando o relato, mais tarde, na noite de sexta-feira, Ele abençoou a noiva e o noivo que acabavam de contrair matrimônio. Falou-lhes de modo comovente:

-- Khusraw - Ele disse - tu passaste tua infância e juventude a serviço desta Casa; é minha esperança que envelheças sob o mesmo teto, sempre e continuamente servindo a Deus.

Pela noite, como de costume, participou da reunião de amigos na Sua própria sala de recepção.

Na manhã de sábado, 26 de novembro, levantou-Se bem cedo, veio até a sala e tomou um pouco de chá. Pediu pelo casaco de pele que pertencera a Bahá'u'lláh. Ele freqüentemente usava este casaco quando estava com frio ou não Se sentia bem. Ele o amava muito. Então, retirou-Se ao Seu quarto, deitou-Se na cama e disse:

-- Cubra-me. Estou com muito frio. Não dormi bem a última noite, senti frio. Isso é serio, é o começo.

Depois que mais cobertores foram colocados, Ele pediu pelo casaco de pele que tinha tirado para ser colocado sobre Ele. Esse dia, Ele estava um tanto febril. Ao anoitecer, Sua temperatura subiu para 40°C, porém cedeu durante a noite. Após à meia-noite, Ele pediu por chá.

Na manhã de domingo, 27 de novembro, Ele disse:

-- Eu estou bem e vou me levantar como sempre e tomar chá com vocês, na sala.

Depois de ter Se vestido, foi persuadido a permanecer no sofá, no Seu quarto.

À tarde, mandou todos os amigos ao Santuário do Báb onde, por ocasião do aniversário da declaração do Convênio, celebrava-se uma festa oferecida por um peregrino pársi* que recém-chegara da Índia.

Às quatro da tarde, sentado no sofá de Seu quarto, disse:

-- Pede a minha irmã e a toda a família para virem tomar chá comigo.

Após o chá, recebeu o muftí de Haifa e o chefe da municipalidade, junto com outra visita. Ficaram quase uma hora. Ele falou-lhes de Bahá'u'lláh, contou Seu segundo sonho, demonstrou uma amabilidade extraordinária, e até mais que Sua habitual cortesia. Ele então Se despediu deles e acompanhou-os até a porta da rua, apesar de seus apelos de que Ele devia ficar repousando no sofá. Depois, recebeu uma visita do chefe da polícia, um inglês, que também recebeu sua porção da generosa amabilidade do Mestre. 'Abdu'l-Bahá presenteou-lhe com alguns lenços de seda persa tecidos à mão, os quais este apreciava muito.

Seus quatro genros e Rúhí Effendi vieram vê-Lo depois da reunião na montanha, e disseram:

-- O anfitrião da festa estava triste, porque o Senhor não estava lá.

Ele respondeu:

-- Mas eu estava lá; embora meu corpo estivesse ausente, meu espírito estava no meio de vocês. Eu estava presente com os amigos no Santuário. Os amigos não devem dar importância à ausência de meu corpo. Em espírito estou e sempre estarei com os amigos, mesmo que esteja bem longe.

Na mesma noite, perguntou sobre a saúde de todos os membros da casa, dos peregrinos e dos amigos em Haifa.

-- Muito bem, muito bem - disse quando informaram que ninguém estava enfermo.

Estas foram Suas últimas palavras relacionadas a Seus amigos.

Às oito da noite, depois de Se alimentar um pouco, retirou-Se para cama dizendo:

-- Estou muito bem.

Disse para toda a família ir para a cama e descansar. Duas de Suas filhas, no entanto, ficaram com Ele. Aquela noite, o Mestre fora dormir bem calmo, sem febre alguma. Acordou cerca de 01h15m da madrugada, levantou-Se e foi até a mesa onde tomou um pouco de água. Tirou o primeiro roupão, dizendo:

-- Estou com muito calor.

Voltou para a cama e quando Sua filha Rúhá Khánum, mais tarde, se aproximou, encontrou-O deitado em paz e, assim que olhou no rosto dela, pediu para levantar as cortinas, dizendo:

-- Estou com dificuldade de respirar, me dê mais ar.

Trouxeram água de rosa que Ele bebeu sentado na cama, sem ajuda alguma. Deitou-Se novamente, e quando Lhe ofereceram algo para comer, comentou com uma voz clara e inconfundível:

-- Vocês querem que eu coma algo e eu estou indo.

Olhou para elas graciosamente. Seu rosto tão calmo, Sua expressão tão serena, elas pensaram que tivesse adormecido...

Seu longo martírio havia terminado!

Na manhã de segunda-feira, bem cedo, as notícias desta repentina calamidade já havia se espalhado por toda a cidade, causando uma comoção e tumulto sem precedentes, e enchendo os corações com indescritível pesar.

E na manhã seguinte, terça-feira, em 29 de novembro [1921], o funeral foi feito - um funeral o qual nem Haifa, nem a Palestina nunca haviam visto. Tão profundo eram os sentimentos que uniu milhares de pessoas, representantes de várias religiões, raças e línguas.

O alto comissário da Palestina, sir Herbert Samuel, o governador de Jerusalém, o governador da Fenícia, os altos funcionários do governo, os cônsules de vários países residentes em Haifa, os líderes de várias comunidades religiosas, as altas personalidades da Palestina, judeus, cristãos, muçulmanos, drusos, egípcios, gregos, turcos, curdos e uma hoste de Seus amigos americanos, europeus e nativos, homens, mulheres e crianças, tanto de classes altas como de classes baixas, ao todo, cerca de dez mil, chorando a perda de seu Amado.

Esta impressionante e triunfal procissão era encabeçada por uma guarda de honra formada pela polícia municipal, seguida por escoteiros das comunidades muçulmanas e cristãs com suas bandeiras ao alto, uma companhia de coristas muçulmanos cantando versículos do Alcorão, os chefes da comunidade muçulmana encabeçados pelo muftí, um grupo de sacerdotes cristãos latinos, gregos e anglicanos, todos precediam o ataúde sagrado carregado sobre os ombros de Seus amados. Logo atrás, vinham os membros de Sua família, junto com eles, o alto comissariado britânico, o governador* de Jerusalém e o governador da Fenícia. Atrás deles vinham os cônsules e as personalidades da região, seguidos pela vasta multidão daqueles que O respeitavam e amavam.

Nesse dia, não havia nenhuma nuvem no céu, nem barulho algum em toda a cidade ou o campo por onde passaram; somente o suave, lento e rítmico cântico do Islã no chamamento à prece, ou o agitado gemido soluçante dos desamparados, chorando a perda de seu único amigo que lhes havia protegido em todas as dificuldades e tristezas, cuja generosa bondade havia salvado a eles e suas crianças, da fome, durante os terríveis anos da "grande aflição".

-- Ó Deus, meu Deus - o povo pranteava num só coro - Nosso pai nos deixou, nosso pai nos deixou!

Ó como era portentosa aquela grande multidão! Pessoas de todas as religiões, raças e cores, unidas, de coração, pela Manifestação da Servitude no trabalho de toda a vida de 'Abdu'l-Bahá.

Conforme subiam lentamente o Monte Carmelo, a Vinha de Deus, o ataúde parecia, à distância, estar sustentado por mãos invisíveis, de tão alto acima das cabeças do povo era ele carregado. Depois de duas horas de caminhada, chegaram ao jardim do Santuário do Báb.

O esquife sagrado foi cuidadosamente colocado sobre uma mesa simples coberta com um manto de linho branco. Enquanto o enorme grupo se amontoava ao redor do tabernáculo de Seu corpo que aguardava para ser depositado em Seu lugar de repouso, dentro da câmara contígua à do Báb, os representantes das várias denominações muçulmanas, cristãs e judias, todos com corações ardentes pelo fervoroso amor a 'Abdu'l-Bahá, uns levados pelo impulso do momento, outros com preparo, ergueram suas vozes em elogio e lástima, prestando sua última homenagem de despedida ao seu Amado. Tão unidos estavam em aclamá-Lo como o educador e reconciliador sábio da raça humana nesta era perplexa e triste, que parecia restar nada para os bahá'ís dizerem.

O que segue são extratos de alguns dos discursos proferidos naquela memorável ocasião.

O primeiro a falar foi Yúsuf al-Khatíb, um famoso orador muçulmano. Ele disse:

Ó concurso de árabes e persas! Por quem lamenteis? Por acaso é por Aquele que ontem era grande em Sua vida e hoje é ainda maior em Sua morte? Não derrameis lágrimas por Aquele que partiu para o mundo da Eternidade, mas, chorem pelo desaparecimento da Virtude e da Sabedoria, do Conhecimento e da Generosidade. Lamenteis por vós mesmos, pois vossa é a perda, enquanto Ele, vosso desaparecido, não é senão um honrado Caminhante passando do vosso mundo mortal ao Lar eterno. Chorais uma hora por Aquele que por quase oitenta anos chorou por vós! Olhai a vossa direita, olhai a vossa esquerda, olhai o Oriente e olhai o Ocidente, e vede que glória e grandeza desapareceram! Aquele pilar da paz se desintegrou! Aqueles lábios eloqüentes se calaram. Ai! Nesta tribulação não há coração que não sofra de angústia, não há olho que não esteja repleto de lágrimas. Ai dos pobres, pois vede, a bondade separou-se deles, ai dos órfãos, pois seu amoroso Pai não está mais com eles! Se a vida de sir 'Abdu'l-Bahá 'Abbás pudesse ser resgatada por meio do sacrifício de muitas almas preciosas, elas, com certeza, ofereceriam suas vidas alegremente pela dEle. Mas o decreto do Destino foi outro. Todos os destinos estão pré-ordenados e ninguém pode mudar o Decreto Divino. Quem sou eu para falar dos êxitos dEste líder da humanidade? São por demais gloriosos para serem louvados, demasiados para recontar. Basta dizer que Ele deixou em cada coração a mais profunda impressão, em cada língua o mais maravilhoso louvor. E alguém que deixa uma recordação tão preciosa e tão imperecível, na verdade, não está morto. Consolai-vos, pois, ó povo de Bahá! Suportai e sede pacientes; pois nenhum homem, seja do Oriente ou do Ocidente, pode jamais vos confortar; não, ele próprio está mais necessitado de consolo.

O orador seguinte foi Ibráhím Nassár, um célebre escritor cristão. Ele disse:

Eu choro pelo mundo, pois meu Senhor morreu; há outros que, como eu, choram a morte do seu Senhor... Ó, amarga é a angústia causada por esta calamidade que corta o coração! Não é somente uma perda para a nossa terra, mas, uma aflição mundial... Ele viveu por quase oitenta anos a vida dos Mensageiros e apóstolos de Deus. Ele educou as almas dos homens, foi benévolo com eles, guiou-os ao Caminho da Verdade. Desta maneira, elevou o Seu povo ao pináculo da glória, e grande será a Sua recompensa de Deus, a recompensa dos justos! Ouvi-me, ó povo! 'Abbás não está morto, nem foi extinta a luz de Bahá! Não, não! Esta luz brilhará com eterno esplendor. A lâmpada de Bahá, 'Abbas, viveu uma vida de bem, manifestou em Si mesmo a verdadeira vida do espírito. E agora Se uniu à glória, um puro anjo, ricamente revestido por atos benevolentes, nobre em Suas preciosas virtudes. Companheiros cristãos! Verdadeiramente estais carregando os restos mortais dEste Ser, eternamente pranteado, ao Seu último lugar de descanso, sabei com toda certeza que vosso 'Abbas viverá em espírito entre vós, eternamente, por meio de Suas obras, Suas palavras, Suas virtudes e toda a essência de Sua vida. Dizemos adeus ao corpo material de nosso 'Abbas, e Seu corpo material desaparece de nossa vista, mas a Sua realidade, o nosso 'Abbas espiritual, nunca sairá das nossas mentes, nossos pensamentos, nossos corações e nossas línguas.

Ó grande e honrado Adormecido! Tu foste bom conosco, Tu nos guiaste, Tu nos ensinaste, Tu viveste entre nós, com grandeza, com o pleno significado de grandeza; Tu nos tornaste orgulhosos de Tuas ações e de Tuas palavras. Tu elevaste o Oriente ao cume da glória, mostraste amorosa bondade às pessoas, as educaste na retidão e Te esforçaste até o fim, até ganhares a coroa da glória. Descanse com alegria à sombra da mercê do Senhor Teu Deus, e Ele verdadeiramente Te recompensará bem.

O escritor cristão foi seguido pelo muftí de Haifa, Muhammad Murád, que disse:

Não desejo exagerar em meu elogio a Este grande homem, pois a Sua mão disposta e auxiliadora no serviço da humanidade, e a bela e maravilhosa história de Sua vida, dedicadas a fazer aquilo que é justo e benéfico, não podem deixar de ser reconhecidas, salvo por aquele cujo coração estiver cego...

Ó honrado Viajante! Tu viveste com grandeza e morreste com grandeza. Esta grande procissão funeral não é senão uma prova gloriosa da Tua grandeza na vida e na Tua morte. Mas, ó Tu que perdemos! Tu, líder dos homens, generoso e benévolo! A quem recorrerão os pobres, agora? Quem cuidará dos famintos? E dos desolados, da viúva e do órfão?

Que o Senhor inspire a toda Tua família e a Teus parentes com paciência nesta dolorosa calamidade, e Te emirja no oceano de Sua graça e mercê! Ele, verdadeiramente, é o Deus que ouve e responde as orações.

O oitavo orador foi Salomon Bouzaglo, uma das figuras proeminentes da população judaica de Haifa, que falou muito eloqüentemente em francês. Eis aqui um resumo deste discurso:

É realmente estranho que numa era de total materialismo e falta de fé, apareça um grande filósofo como 'Abdu'l-Bahá 'Abbás, por Quem pranteamos. Ele fala a nossos corações, nossas consciências. Ele satisfaz nossas almas sedentas com ensinamentos e princípios que são a base de toda religião e moralidade. Em Seus escritos e palestras públicas, e em Suas conversas pessoais, Ele pôde sempre convencer o mais erudito e o mais ortodoxo.

Sua vida foi um exemplo vivo de auto-sacrifício, o de preferir o bem dos outros ao Seu próprio.

A filosofia de 'Abdu'l-Bahá é simples e clara, porém, sublime. Ela se harmoniza com o caráter humano. Suas virtudes superam o preconceito e a superstição. 'Abbás faleceu em Haifa, na Palestina, na Terra Santa, onde os Profetas sempre têm aparecido. A antiga glória desta terra foi restabelecida. Nós não somos os únicos que pranteiam por Ele, por Quem nos orgulhamos. Na Europa, na América, em todos os países, pessoas sedentas de justiça social e de irmandade, também choram por Ele. Foi vítima de despotismo, de fanatismo e de intolerância. Durante décadas, 'Akká - a bastilha dos otomanos - O manteve como um prisioneiro. Bagdá, a capital dos abbassidas, também serviu de prisão para Ele e Seu Pai. A Pérsia, antigo berço de filosofia divina, desterrou seus filhos, cujas idéias foram concebidas em sua terra. Não estaremos diante de uma Vontade Divina e uma marcada preferência pela Terra Prometida que foi e será o berço de todas as idéias generosas e nobres? Quem deixou uma herança tão gloriosa não está morto. Quem promulgou tão nobres princípios é imortal na memória da posteridade.

Após os nove palestrantes terem feito suas evocações no funeral, então, chegou o momento em que o ataúde que continha a Pérola da amorosa servidão foi, lentamente e triunfantemente introduzido no seu simples e santificado local de repouso.

Ó tristeza infinita! Que os pés amados não mais trilharão esta terra! Que a presença, que inspirou tal devoção e reverência, retirou-se!

Dos muitos e diversos jornais que em todo o Oriente e Ocidente publicaram, em suas colunas, relatos sobre este momentoso evento, o seguinte se destaca como o mais notável entre eles, o Le Temps, o principal jornal francês, em sua edição de 19 de dezembro de 1921, com o título "Um Conciliador", descreve graficamente a vida de 'Abdu'l-Bahá, sendo os seguintes, alguns de seus extratos:

Um profeta acabou de morrer na Palestina. Ele se chamava Abdoul Baha, e era filho de Bahaou'llah, que criou o bahaísmo, religião "unificada" que não é outra senão o bábísmo que havia observado o Conde de Gobineau. O Báb, Messias do bábísmo, se propunha modestamente a regene "o escravo de seu pai", não ambicionavam nada menos que a regeneração do mundo. Paris conheceu Abdoul Baha. Um ancião magnífico e bondoso que difundiu entre nós a palavra santa à cerca de dez anos. Ele estava vestido de uma simples manta verde oliva e portava um turbante branco.... Sua palavra era doce e calmante, como uma ladainha. Ele era escutado com um prazer recolhido, mesmo que nada pudesse ser entendido uma vez que falava persa... O bahaísmo, é em suma a religião da caridade e da simplicidade. É ao mesmo tempo amálgama do judaísmo, do cristianismo, do protestantismo e do livre pensar. Abdoul Baha invocou Zoroastro, Moisés, Muhammad e Jesus. Você pode achar que essa unificação é a um tempo muito numerosa e confusa. É que nada se compreende das coisas sacras se não se é tocado pela fé... Sob o turbante branco seus olhos refletiam inteligência e bondade. Ele era paternal, afetuoso e simples. Seu poder, parecia, lhe era dado porque sabia amar os homens e ser amado por eles. Chamado a testemunhar sobre a excelência dessa religião nós pudemos honestamente confessar nossa fé por essa fórmula: "Como as religiões são belas quando elas principiam."

O Morning Post*, dois dias depois de Sua ascensão, entre outros comentários altamente favoráveis, concluiu sua matéria sobre o Movimento, com as seguintes palavras:

O venerado Bahá'u'lláh morreu em 1892 e o manto de sua visão religiosa recaiu sobre seu filho Abdul'Baha, quando, depois de quarenta anos de vida em prisão, as mudanças constitucionais turcas permitiram-lhe visitar a Inglaterra, a França e a América. Suas persistentes mensagens com relação à origem divina e unidade da humanidade eram tão impressionantes como as do próprio Mensageiro. Possuía uma singular cortesia. À sua mesa, budistas e muçulmanos, hindus e zoroastrianos, judeus e cristãos, sentavam em espírito de amizade. "Os seres humanos" dizia ele, "foram criados por amor; que vivam em paz e amizade."

O New York World de dezembro de 1921 publica o seguinte:

Nunca antes de 'Abdu'l Baha, um líder de um movimento religioso oriental havia visitado os Estados Unidos... Tão recente como junho deste ano, um correspondente especial do "The World" que visitou este vidente, assim o descreveu: "Uma vez olhando para 'Abdu'l Baha, a sua personalidade fica indelevelmente estampada na mente: a majestosa figura venerável, vestida de um manto flutuante, sua cabeça coroada por um turbante branco como o seu cabelo; os penetrantes olhos fundos cujos olhares abalam o coração; o sorriso que esparge sua doçura sobre todo..."

Mesmo no crepúsculo de sua vida, 'Abdu'l Baha mantinha um vivo interesse pelos assuntos do mundo. Quando o general Allenby varreu a costa a partir do Egito, foi primeiro consultar com 'Abdu'l Baha. Quando os sionistas chegaram à sua Terra Prometida, eles procuraram 'Abdu'l Baha para conselhos. Ele tinha as mais brilhantes expectativas para a Palestina. 'Abdu'l Baha acreditava que o bolchevismo seria uma advertência para o mundo irreligioso. Ele ensinou a igualdade entre o homem e a mulher, dizendo: "O mundo da humanidade tem duas asas, o homem e a mulher. Se uma asa é fraca, então o pássaro não pode voar..."

O Times of India em sua edição de janeiro de 1922, abre um de seus editoriais desta forma:

Em tempos mais normais que o presente, a morte de 'Abdu'l Baha, que foi tristemente mencionada na Conferência Bahai de Bombaim, teria mexido com os sentimentos de muitos que, sem pertencerem à fraternidade bahai, simpatizam com seus princípios e admiram o trabalho de toda uma vida daqueles que a fundaram. Nós tomamos conhecimento, quase por acaso, do falecimento deste grande líder religioso, porém, este fato não nos impede que deixemos de lado o tumulto dos acontecimentos correntes e considerar o que este homem fez e o que almejava.

Esboçando, então resumidamente, um relato da História do Movimento, concluem:

Não nos compete, agora, julgar se a pureza, o misticismo e os elevados ideais do bahaismo continuarão inalterados após a perda do grande líder, ou especular sobre se o bahaismo, um dia, se tornará uma força, no mundo, tão grande ou maior do que o cristianismo ou islamismo; prestamos um tributo, porém, à memória de um homem que exerceu uma enorme influência em prol do bem, e quem, embora estivesse destinado a ver muitas de suas idéias aparentemente estilhaçadas na guerra mundial, permaneceu fiel às suas convicções e à sua crença na possibilidade de um reino de paz e amor, e quem, com muito mais efetividade que Tolstoi, mostrou ao Ocidente que a religião é uma força vital que jamais pode ser negligenciada.

Dos vastos números de telegramas e cabogramas de condolências que chegaram, mencionarei estes:

O SECRETÁRIO DE ESTADO DAS COLÔNIAS DE SUA MAJESTADE BRITÂNICA, SR. WINSTON CHURCHILL, TELEGRAFOU À SUA EXCELÊNCIA, O ALTO COMISSARIADO PARA A PALESTINA, DESEJANDO EXPRESSAR A ELE... COMUNICAR À COMUNIDADE BAHAI, EM NOME DO GOVERNO DE SUA MAJESTADE, SUA SIMPATIA E CONDOLÊNCIA PELO FALECIMENTO DE SIR 'ABDU'L-BAHÁ ABBAS K.B.E.

Dos Estados Unidos, esta mensagem foi enviada para a Terra Santa, em nome do corpo executivo do Bahá'í Temple Unity:

ELE FAZ O QUE LHE APRAZ. CORAÇÕES CHORAM ANTE A MAIOR TRIBULAÇÃO. AMIGOS AMERICANOS ENVIAM, ATRAVÉS DO CORPO DA UNITY, AMOR RADIANTE, INFINITA CONDOLÊNCIA, DEVOÇÃO. PERMANECENDO FIRMES, CONSCIENTES DE SUA CONSTANTE PRESENÇA E PROXIMIDADE.

O visconde Allenby, Alto Comissário para o Egito, enviou a seguinte mensagem em 29 de novembro, também por intermédio de sir Herbert Samuel, o Alto Comissário para a Palestina:

FAVOR COMUNICAR AOS FAMILIARES DO FALECIDO SIR 'ABDU'L-BAHÁ 'ABBAS EFFENDI E A COMUNIDADE BAHAI MINHA SINCERA CONDOLÊNCIA PELA PERDA DE SEU RESPEITADO LÍDER.

Os valorosos bahá'ís da Alemanha enviaram este telegrama à Folha Mais Sagrada:

TODOS OS CRENTES PROFUNDAMENTE COMOVIDOS PELA PERDA IRREVOGÁVEL DA PRECIOSA VIDA DO NOSSO MESTRE. ORAMOS PELA PROTEÇÃO CELESTIAL DA CAUSA SAGRADA E PROMETEMOS FIDELIDADE E OBEDIÊNCIA AO CENTRO DO CONVÊNIO.

O Conselho de Ministros em Bagdá expediu esta mensagem, datada de 8 de dezembro:

SUA ALTEZA SAYED ABDURRAHMAN, O PRIMEIRO-MINISTRO, DESEJA ESTENDER SUA CONDOLÊNCIA À FAMÍLIA DE SUA SANTIDADE 'ABDU'L-BAHÁ, PELA PERDA SOFRIDA.

Uma outra mensagem que chegou através do escritório do Alto Comissariado para a Palestina foi do comandante supremo da Força Expedicionária Egípcia:

GENERAL CONGREVE PEDE QUE VOCÊS TRANSMITAM SUA MAIS PROFUNDA CONDOLÊNCIA À FAMÍLIA DO FINADO SIR 'ABBAS AL-BAHAI.

A Sociedade Teológica em Londres comunicou o seguinte a um dos seguidores da Fé em Haifa:

PARA A FAMÍLIA SAGRADA, A SOCIEDADE TEOSÓFICA TRANSMITE PENSAMENTOS AFETUOSOS.

Uma figura destacada da cidade de Nazaré telegrafou:

COM O MAIS PROFUNDO PESAR E TRISTEZA, TRANSMITIMOS NOSSOS PÊSAMES NA OCASIÃO DO OCASO DA ESTRELA DALVA DO ORIENTE. SOMOS DE DEUS E A ELE REGRESSAREMOS.

Os bahá'ís de Teerã enviaram a seguinte mensagem, através de sua Assembléia Espiritual, aos bahá'ís da América e da Grã-Bretanha:

A LUZ DO CONVÊNIO PASSOU DA VISTA PARA O CORAÇÃO. DIA DE ENSINO, UNIDADE, ABNEGAÇÃO.

E finalmente, uma distinta figura da vida acadêmica da Universidade de Oxford, um renomado professor e reconhecido erudito, cujo conhecimento da Causa lhe coloca à frente de seus colegas, em sua mensagem de condolências escrita em seu nome e de sua esposa, expressa o seguinte:

A PASSAGEM ATRAVÉS DO VÉU À VIDA INTEGRAL DEVE SER ESPECIALMENTE MARAVILHOSA E ABENÇOADA PARA AQUELE QUE SEMPRE FIXOU SEUS PENSAMENTOS NO ALTO E SE ESFORÇOU A MANEJAR UMA EXALTADA VIDA AQUI EM BAIXO.

No sétimo dia depois da ascensão do Mestre foi distribuído milho, em Seu nome, a cerca de mil pobres de Haifa sem distinção de raça ou religião, para os quais Ele fora sempre um amigo e protetor. A aflição deles por causa da perda do "Pai dos Pobres" era muito comovedora. Também, nos primeiros sete dias, entre cinqüenta a cem pobres eram, diariamente, alimentados na casa do Mestre, no mesmo lugar onde fora Seu costume dar esmolas a eles.

No décimo-quarto dia houve uma festa em Sua memória, oferecida a cerca de seiscentas pessoas de Haifa, 'Akká e as áreas próximas da Palestina e da Síria, pessoas de várias religiões, raças e cores. Mais de cem pobres foram também alimentados nesse dia. Estiveram presentes o governador da Fenícia, muitos outros funcionários e alguns europeus.

A festa foi inteiramente preparada pelos membros da família do Mestre. As longas mesas estavam decoradas com fileiras de ramos de buganvílias. Suas graciosas flores de cor púrpura, mescladas com narcisos brancos e grandes travessas de laranjas douradas colhidas do jardim do amado Mestre, compunham uma pintura de encanto naquelas imponentes salas espaçosas, cuja única outra decoração era o deslumbrante, porém suave colorido dos singulares tapetes persas. Nenhum tipo de ornamentação trivial ou inútil obscurecia a extrema dignidade da simplicidade. Os hóspedes tiveram, cada um e todos, a mesma recepção de boas-vindas. Não havia "lugares de preferência". Aqui, como sempre acontecia na casa do Mestre, não se faziam distinções pessoais.

Depois do almoço, os convidados vieram para a grande sala central, esta também sem adorno salvo pelo retrato dAquele a Quem eles haviam se reunido para honrar, e alguns tapetes persas antigos pendurados na parede. Diante do retrato estava colocado um estrado de onde foram feitos discursos para a multidão absorta e silenciosa que escutava com todo o coração.

O governador da Fenícia, ao longo de seu discurso, disse o seguinte:

...A maioria de nós aqui, penso eu, temos uma clara imagem de sir 'Abdu'l-Bahá 'Abbás, de Sua digna figura caminhando, pensativo, em nossas ruas, de Seus modos corteses e graciosos, de Sua bondade, de Seu amor por crianças e flores, de Sua generosidade e cuidado em relação aos pobres e sofridos. Ele era tão gentil e tão simples que, na Sua presença a gente esquecia que Ele era, também, um grande mestre e que Seus escritos e Suas conversações têm sido um consolo e uma inspiração para centenas de milhares de pessoas no Oriente e no Ocidente...

Os outros que seguiram, falaram em reconhecimento à obra e vida de 'Abdu'l Bahá. Estes são somente alguns extratos de seus discursos:

Uma voz chamando alto, de Teerã, ecoou do Iraque, soando das terras turcas, magnetizando a Terra Santa que respondeu à sua melodia e, onde ela cresceu, desenvolveu-se e aprofundou-se até, finalmente, suas reverberações ressoaram por todo o Egito, espalharam-se através dos mares até o Ocidente e de lá, ao Novo Mundo.

Uma voz que convocando o gênero humano ao amor, à unidade e à paz; uma voz cuja fonte, tivesse sido qualquer outra coisa salvo pureza de motivo, de modo algum teria conseguido propagar suas ondas com a ligeireza de relâmpago através do mundo todo.

Viva 'Abbas, o orgulho e glória do Oriente, em uma época que tem testemunhado a ascensão do conhecimento e a queda do preconceito; Ele, que alcançou o glorioso cume de grandeza; Ele, a Quem os Estandartes do triunfo tem se apressado em acolher; Ele, cuja estrela surgiu na Pérsia, irradiando sua luz sobre as mentes dos homens, cujos sinais têm se multiplicado até que se pôs, em plena radiância, neste nosso horizonte; Ele, cujos princípios têm humilhado os povos e famílias do mundo, tal como o próprio Bahá fizera antes dEle...

Eu creio, e creio firmemente, que Aquele cuja perda nós, agora, lamentamos, tendo vivido oitenta anos neste mundo inferior, aconselhando os povos do mundo com Sua língua, guiando-os com Sua pena, pondo diante deles um belo exemplo através de Seus feitos gloriosos, Ele, agora, preferiu conduzir e guiá-los com Seu silêncio.

Vamos, então, nos nossos pensamentos e meditações render-Lhe nossos tributos. E embora no outro dia, na porta dEle, eu fiz vocês chorarem, agora é meu dever apelar e pedir a vocês que esqueçam sua dor e contenham a lamentação e parem de derramar lágrimas. Na verdade, sir 'Abbas afastou-Se de nós, em corpo, mas Ele sempre viverá conosco em Seu eterno espírito, em Seus maravilhosos feitos. Embora tenha falecido, Ele deixou para nós uma gloriosa herança na sabedoria de Seus conselhos, na retidão de Seus ensinamentos, na benevolência de Suas ações, no exemplo de Sua preciosa vida, na sublimidade de Seu esforço, no poder de Sua vontade, Sua paciência e coragem, Sua firmeza até o final.

E finalmente vamos nos dirigir aos Seus Escritos [algumas passagens de Sua Última Vontade e Testamento]:

SEUS AMIGOS

"Ó vós amados do Senhor! Nesta sagrada Dispensação, o conflito e a contenda de modo algum são permitidos. Todo agressor priva-se das graças de Deus. Incumbe a cada um demonstrar o máximo grau de amor, retidão de conduta, sinceridade e verdadeira benevolência para com todos os povos e raças da Terra, quer amigos, quer estranhos. Tão intenso deve ser o espírito de amor e bondade, que o estranho sinta-se um amigo e o inimigo, um verdadeiro irmão, não existindo entre eles qualquer diferença. Pois a universalidade é Divina e toda limitação, terrena. Portanto, deve o homem esforçar-se para que sua realidade manifeste virtudes e perfeições cuja luz irradie sobre todos. A luz do sol brilha sobre o mundo inteiro, e as chuvas misericordiosas da Divina Providência caem sobre todos os povos. A brisa vivificadora anima toda criatura vivente e todos os seres dotados de vida obtêm seu quinhão à Sua mesa celestial. De igual modo, o afeto e a bondade daqueles que servem ao Deus, Uno e Verdadeiro devem-se estender generosa e universalmente a todo o gênero humano. A esse respeito, não se pode, em absoluto, permitir qualquer restrição ou limitação.

Deveis, pois, ó meus amorosos amigos, associar-vos a todos os povos, a todas as raças e religiões do mundo, com a maior sinceridade, retidão, fidelidade, benevolência, boa vontade e amizade, para que todo o mundo existente receba, copiosamente o santo êxtase das graças de Bahá, e assim, desvaneçam do mundo a ignorância, a inimizade, o ódio e o rancor, e a escuridão da desconfiança entre as nações e raças ceda lugar à Luz da Unidade. Se membros de outros povos e nações vos forem infiéis, mostrai-lhes vossa fidelidade; se vos forem injustos, tratai-os com justiça; se afastarem-se de vós, procurai atraí-los; se vos mostrarem inimizade, sede amigos para com eles; se envenenarem vossas vidas, adoçai suas almas; se vos ferirem, sede um bálsamo para suas feridas. Tais são os atributos dos sinceros! Tais são os atributos daqueles que dizem a verdade."

"Ó vós, amados do Senhor! Empenhai-vos de todo coração em proteger a Causa de Deus das investidas dos insinceros, pois tais almas torcem o que é reto e tornam contrários os resultados dos mais benévolos esforços."

A RESPEITO DAS AFLIÇÕES E TESTES

"Ó Deus, meu Deus! Tu vês como este Teu servo injustiçado, está preso às garras de leões ferozes, de lobos vorazes, de feras sanguinárias. Misericordiosamente ajuda-me, por meu amor a Ti, a fim de que eu possa sorver profundamente do cálice que transborda de fidelidade a Ti e que está repleto de Tuas generosas dádivas; para que eu, caído sobre o pó, permaneça prostrado, esvaído, enquanto minhas vestes se tinjem de carmesim com meu sangue. É este meu desejo, o anseio de meu coração, minha esperança, meu orgulho, minha glória. Permite, ó Senhor, meu Deus, e meu Refúgio, que, em minha hora final, meu fim, semelhante ao almíscar, possa emitir sua fragrância de glória! Haverá alguma dádiva maior que esta? Não, por Tua glória! Invoco-Te para dar testemunho de que não passa dia algum sem que eu beba abundamente desse cálice - tão lastimosas são as más ações praticadas pelos rompedores do Convênio, aqueles que provocaram discórdias, demonstraram sua malícia e instigaram sedição nesta terra e Te desonraram entre Teus servos. Senhor! Defende desses rompedores do Convênio a poderosíssima Fortaleza de Tua Fé e protege Teu Santuário secreto contra a investida dos ímpios. Tu és, em verdade, o Poderoso, o Potentíssimo, o Misericordioso, o Forte."

"Senhor! Tu vês todas as coisas lamentarem-se por mim, enquanto parentes meus rejubilam-se com minhas tribulações. Por Tua Glória, ó meu Deus! Até mesmo entre meus inimigos houve quem lamentasse as minhas provações e angústias e, entre os invejosos, alguns verteram lágrimas por causa da minha angústia, do meu exílio e das minhas aflições. E isso fizeram por nada haverem encontrado em mim senão afeto e dedicação, nada testemunhado senão bondade e misericórdia. Quando viram-me levado pela correnteza das tribulações e adversidades, e exposto como alvo às setas do destino, seus corações foram tocados pela compaixão, seus olhos encheram-se de lágrimas e eles deram testemunho, declarando: "O Senhor é nossa testemunha; nada vimos nele a não ser fidelidade, generosidade e compaixão extrema." Os rompedores do Convênio, contudo, pressagiadores do mal, cresceram mais ferozmente em seu rancor, regozijaram-se quando caí vítima das mais penosas provações, tramaram contra mim e se divertiram com os dolorosos acontecimentos que me envolveram."

UMA ORAÇÃO DE PROTEÇÃO AOS SEUS AMIGOS

"Ó Senhor, meu Deus! Ajuda aqueles que Te amam a permanecerem firmes em Tua Fé, a prosseguirem em Teus caminhos e serem constantes em Tua Causa. Dispensa-lhes Tua graça, para que resistam à investida do ego e da paixão e se guiem pela luz da guia divina. Tu és o Poderoso, o Benévolo, O que subsiste por Si próprio, o Magnânimo, o Compassivo, o Onipotente, a Suprema Bondade."

AOS SEUS INIMIGOS, UMA ORAÇÃO

"Ó Senhor meu Deus! Invoco-Te com minha língua e de todo coração, não os castigueis por sua crueldade e más ações, por suas malícias e perversidades, pois eles são insensatos e ignóbeis, e não sabem o que fazem. Não discernem o bem do mal, nem distinguem o certo do errado, nem a justiça da injustiça. Seguem seus próprios desejos e andam nas pegadas dos mais imperfeitos e insensatos em seu meio. Ó meu Senhor! Tem piedade deles, protege-os de qualquer aflição, nesses tempos de dificuldades, e permite que todas as provações e dificuldades sejam destinadas a este Teu servo, caído nesta cova tenebrosa. Torna-me alvo de todas as penas, e faze de mim um sacrifício por todos os Teus amados! Ó Senhor, Altíssimo! Seja minh'alma, minha vida, meu ser, meu espírito - tudo, oferecido em holocausto por eles! Ó Deus, meu Deus! Humilde, suplicante e prostrado diante de Ti, imploro-Te, com todo o ardor de minha invocação, que perdoes a quem quer que me tenha injuriado, que absolva aquele que conspirou contra mim e me ofendeu, e apagues as más ações daqueles que foram injustos para comigo. Concede-lhes Tuas boas dádivas, torna-os alegres, alivia-os de sua dor, concede-lhes paz e prosperidade, dá-lhes Tua bênção e derrama sobre eles Tua generosidade! Tu és o Poderoso, o Benévolo, o Amparo no Perigo, O que subsiste por Si próprio!"

ENSINOU A IMPORTÂNCIA DE ENSINAR A CAUSA DE DEUS

"Ó vós que permaneceis firmes no Convênio! Ao chegar a hora em que esta ave injustiçada e de asas partidas tenha alçado vôo para o Concurso Celestial, quando ela houver se apressado para o Reino do Invisível e seu corpo mortal tiver se perdido ou escondido sob o pó, incumbirá aos Afnán, que estão firmes no Convênio de Deus e que brotaram da Árvore da Santidade; às Mãos [pilares] da Causa de Deus (sobre elas esteja a glória do Senhor) e a todos os amigos e amados - a todos, sem exceção - despertarem e se levantarem de coração e alma e de comum acordo para difundir as doces fragrâncias de Deus, ensinar Sua Causa e disseminar Sua Fé. Não devem descansar, nem que seja por um momento, nem buscar repouso. Devem se dispersar por todas as terras, passar por todas as plagas e viajar através de todas as regiões. Despertos, infatigáveis, constantes até o fim, devem eles erguer em toda parte o brado triunfal: "Yá Bahá'u'l-Abhá!" [Ó Tu, Glória das Glórias!]; devem ganhar renome no mundo, onde quer que forem, arder intensamente como uma vela, em toda reunião e em toda assembléia devem acender a chama do amor divino; para que a luz da verdade surja resplandecente no próprio coração do mundo, e uma vasta assembléia, por todo o Oriente e todo o Ocidente, reúna-se à sombra do Verbo de Deus, a fim de que as doces fragrâncias da santidade possam ser difundidas, as faces brilhem radiantemente, os corações sejam imbuídos do Espírito Divino e as almas tornem-se celestiais."

"Os discípulos de Cristo esqueceram-se de si mesmos e de todas as coisas terrenas, abandonaram toda preocupação e tudo o que lhes pertencia, purificaram-se do egoísmo e da paixão e, com desprendimento absoluto, espalharam-se por toda parte, ocupando-se em chamar os povos do mundo para a Guia Divina, até que, finalmente, conseguiram transformar o mundo em outro mundo, iluminando a face da Terra. Até sua última hora, deram provas de sua abnegação no caminho dAquele Amado de Deus e, por fim, em diversas terras, sofreram martírio glorioso. Que os homens de ação sigam suas pegadas!"

"Se qualquer pessoa, ou qualquer reunião, tornar-se um obstáculo à difusão da Luz da Fé, os amados deverão aconselhá-los, dizendo: "De todas as dádivas divinas, a maior é a dádiva do Ensino. Esta atrai para nós a Graça de Deus e é nossa primeira obrigação. Como poderemos nos privar de tão grande dádiva? Não, nossas vidas, nossos bens, nosso conforto, nosso repouso - tudo oferecemos em sacrifício pela Beleza de 'Abhá, e ensinamos a Causa de Deus". Cautela e prudência, contudo, devem ser observadas, conforme está registrado no Livro. O véu, de modo algum, deve ser subitamente tirado."

O FUNDAMENTO DA FÉ DO POVO DE BAHÁ

"É esse o fundamento da crença do povo de Bahá (seja minha vida sacrificada por Ele). Sua Santidade, o Excelso (o Báb), é a manifestação da Unidade Divina e o Precursor da Antiga Beleza. Sua Santidade, a Beleza de Abhá (seja minha vida um sacrifício por Seus amigos fiéis), é o Supremo Manifestante de Deus e a Aurora de Sua Mais Divina Essência. Todos os demais são Seus servos e fazem o que Ele ordena." Ao Sacratíssimo Livro, todos devem se voltar, e qualquer coisa que nele não esteja expressamente tratada, deve ser referida à Casa Universal de Justiça. O que essa Casa resolver, seja por unanimidade ou por maioria, será realmente a Verdade e a expressão da própria Vontade Divina. Qualquer um que divirja dessa resolução é, em verdade, dos que amam a discórdia, demonstra malícia e se afasta do Senhor do Convênio."

A RESPEITO DA LEALDADE DO POVO DE BAHÁ A RESPEITAR A AUTORIDADE E LEIS DOS SEUS PAÍSES

"Ó vós, amados do Senhor! Incumbe-vos ser submissos a todos os monarcas que sejam justos e mostrar fidelidade a todo rei virtuoso. Servi aos soberanos do mundo com a máxima sinceridade e lealdade. Prestai-lhe obediência e desejai o seu bem. Sem sua licença e permissão, não vos intrometais em assuntos políticos, porque a deslealdade ao soberano justo é deslealdade ao próprio Deus.

É esse meu conselho e é o que Deus vos ordena. Bem-aventurados aqueles que assim agem!"

UMA ORAÇÃO DO FINAL DE UMA DAS SEÇÕES DO TESTAMENTO

"Ó Deus, meu Deus! Invoco a Ti, Teus Profetas e Teus Mensageiros, Teus Santos e a todos os Teus Santificados para que dêem testemunho de haver eu declarado Tuas provas concludentemente aos Teus amados e lhes exposto com clareza todas as coisas, a fim de que vigiassem pela Tua Fé, guardassem Teu Caminho reto e protegessem Tua Lei resplandecente. Tu és, em verdade, Onisciente, o Sapientíssimo!"

E agora, de Sua Vontade e Testamento nos voltamos à Suas Epístolas lendo as seguintes palavras de alerta, as quais Ele revela em Sua última Epístola geral aos Seus amados em todo o mundo:

Ó amados, guardai a Causa de Deus! Que nenhum canto de sereia vos iluda; não, antes, considerai o motivo de cada alma e ponderai o pensamento que acalenta. Sede de pronto cautelosos e prevenidos. Evitai tal pessoa, mas não sejais agressivos jamais! Abstende-vos da censura e da difamação e deixai-o nas Mãos de Deus.(1)

A predição clara e sem erros que Ele fez a respeito do glorioso destino da Causa num futuro próximo é forçosamente revelada numa carta que escreveu quando estava sob as ameaças do Comitê de Investigação durante os sombrios dias de Seu encarceramento em 'Akká:

Ora, no mundo da existência, a Mão do poder divino estabeleceu firmemente as bases desta mais sublime graça e desta maravilhosa dádiva. Tudo o que estiver latente no âmago deste Ciclo, gradualmente se tornará aparente e manifesto, pois agora é apenas o começo de seu crescimento e o alvorecer da revelação de seus sinais. Até o final deste século e desta época, tornar-se-á claro e evidente quão maravilhosa foi aquela torrente e quão grande aquela dádiva.(2)

Uma similar e ainda mais efetiva proclamação professando o despontar do Movimento, Ele o faz em uma Epístola revelada após a Grande Guerra a um amigo curdistanês, residente no Egito. Estas são Suas exatas palavras:

Agora, a respeito do versículo no Livro de Daniel, do qual pediste a interpretação, a saber: "Bem-aventurado o que espera e chega até mil trezentos e trinta e cinco dias." Estes dias devem ser calculados como anos solares e não lunares. Pois de acordo com este cálculo um século terá transcorrido desde o alvorecer do Sol da Verdade; então os ensinamentos de Deus estarão firmemente estabelecidos sobre a Terra e a Luz Divina inundará o mundo de Oriente a Ocidente. Então, neste dia, os fiéis regozijar-se-ão! (3)

Confirmando e explicando mais tarde o sentido oculto dos versos mencionados acima, Ele revela o seguinte em uma de Suas recentes Epístolas:

Ó servo de Deus! Os mil trezentos e trinta e cinco anos, antes mencionados, devem ser calculados a partir do dia da luta (hégira) de Sua Santidade Muhammad, o Apóstolo de Deus, saudações e bênção estejam sobre Ele, e que no final deste tempo os sinais estarão surgindo, a glória, a exaltação, o divulgar da Palavra de Deus através do Ocidente e do Oriente tornar-se-á evidente. (4)

Em uma de Suas últimas Epístolas, aconselhando à companhia dos amigos de Deus, Ele alenta este encorajador e renovador espírito:

Não considerem a pessoa de 'Abdu'l-Bahá, pois esta pessoa terá finalmente de se despedir de todos vocês; antes fixem o olhar no Verbo de Deus... Devem levantar-se e exaltar, serem felizes e agradecidos, mesmo se 'Abdu'l-Bahá estiver sob o fio da espada, confinado ou reduzido a frangalhos. Pois o que é de transcendente importância é o Templo Sagrado da Causa de Deus e não a moldura mortal de 'Abdu'l-Bahá. Os amados de Deus devem levantar-se com tal firmeza, que, se porventura, num dado momento, centenas de almas se tornarem alvo dos dardos das tribulações e até mesmo o próprio 'Abdu'l-Bahá, nada afete ou diminua suas firmes resoluções, suas intenções, seus ardores, seus encantamentos, seus serviços à Causa de Deus... Isto, ó amados do Senhor, é meu conselho e minha exortação a vós. Bendito seja aquele que o Senhor ajuda, mesmo se for em tentativa, nesta pura e santificada Epístola. (5)

A carta-circular publicada por ocasião da partida do Mestre deste mundo pela Assembléia Espiritual Local de Teerã, contém excertos de uma Epístola revelada quarenta anos atrás [1882] pela pena do Centro do Convênio, os quais citamos alguns:

Ó meus fiéis amados! Se algum dia acontecimentos aflitivos vierem a se desenrolar na Terra Santa, nunca se perturbem ou se agitem, nem temam, nem fiquem pesarosos, pois tudo quanto acontecer fará com que o Verbo de Deus seja exaltado e Suas divinas fragrâncias difundidas. Façam firmes seus passos e com máxima constância levantem-se para servir Sua Causa... O Espírito de Deus e Sua glória estejam sobre aquele que é firme e constante no Convênio! (6)

Entre Suas palestras a respeito de Seu passamento deste mundo, Ele assegura a nós o seguinte:

Lembrem-se, quer eu esteja ou não na terra, minha presença estará sempre com vocês. (7)

Novamente em uma Epístola endereçada a um dos amigos nos Estados Unidos da América, Ele descreve o futuro glorioso da Árvore Sagrada de Deus, aonde Ele é o Supremo Ramo:

Não temas se este Ramo for decepado deste mundo material e abandonar as suas folhas; não, as folhas hão de vicejar, pois este Ramo crescerá após ser cortado deste mundo inferior, e atingirá os mais sublimes pináculos da glória, e dará frutos tais que perfumarão o mundo com sua fragrância. (8)

Sua derradeira Epístola, graciosamente revelada para um de Seus amados em Stuttgart, Ele conduz Suas reflexões sobre este mundo transitório e dá conselhos aos Seus amados que ainda habitam nele:

Ó tu, amado do Senhor! Neste mundo mortal nada, em absoluto, permanece. Os povos da Terra moram e gastam inutilmente um número de dias nela; finalmente voltam ao pó, fazendo parte do lar do silêncio eterno, deixando para trás nenhuma realização, nenhuma bênção, nenhum resultado e nenhum fruto. Todos os dias de suas vidas são despendidos no vazio. Porém, as crianças do Reino plantam sementes no fértil solo da Verdade que, eventualmente, florescerá e trará muitas colheitas, podendo ser vantajoso com generosa graça ao crescimento da humanidade. Pode ser que obtenham vida eterna, ganhem generosidade imperecível e brilhem como estrelas radiantes no firmamento do Reino Divino. A Glória das Glórias esteja sobre tu! (9)

E agora, o que poderia parecer mais direto, mais emotivo para finalizar este triste e agitado relato de Seus últimos dias, do que Suas muito comoventes e inspiradoras palavras?

Amigos! Está chegando o tempo quando não mais estarei entre vós. Tenho feito tudo que podia ser feito. Tenho servido a Causa de Bahá'u'lláh até o máximo de minha capacidade. Tenho trabalhado dia e noite, todos os anos de minha vida. Oh! Como desejo ver os amados assumindo as responsabilidades da Causa! Agora é tempo de proclamar o Reino de Bahá! Agora é hora de amor e união! Este é o dia da harmonia espiritual dos amados de Deus! Tenho exaurido todos os recursos de minha força física, e o espírito da minha vida são as notícias bem-vindas da unidade do povo de Bahá. Estou dirigindo meus ouvidos na direção do leste e na direção do oeste, na direção do norte e na direção do sul, quiçá possa ouvir as canções de amor e companheirismo entoadas nas reuniões dos fiéis. Meus dias estão contados, e, não resta alegria alguma para mim senão esta. Oh! Como anseio ver os amigos unidos como um colar de pérolas cintilantes, como as brilhantes plêiades, como os raios do Sol, como as gazelas de um prado!

O Rouxinol místico está gorjeando para eles todos. Não vão escutar? A Ave do Paraíso está cantando. Não lhe prestarão atenção? O Anjo de Abhá está chamando-os. Não O ouvirão? O Arauto do Convênio está suplicando. Não obedecerão?

Ah, eu estou esperando, esperando ouvir as jubilosas notícias de que os crentes são a própria personificação de sinceridade e veracidade, a encarnação de amor e amizade, os símbolos vivos de unidade e concórdia. Não irão alegrar meu coração? Não satisfarão meu anseio? Não manifestarão meu desejo? Não cumprirão o desejo do meu coração? Não darão ouvidos a meu chamado?

Estou esperando, esperando pacientemente. (10)

Fechamos com uma oração revelada por 'Abdu'l-Bahá e que de agora em diante deverá ser recitada em Seu iluminado sepulcro:

Quem recitar esta oração com humildade e fervor

trará alegria e contentamento ao coração deste Servo;

será como se, na realidade, se encontrasse com Ele,

face a face.
ELE É O TODO-GLORIOSO!

Ó Deus, meu Deus! Humilde e em lágrimas, levanto as mãos suplicantes a Ti, e cubro minha face no pó desse Teu Limiar, o qual está elevado além do conhecimento do sábio, acima do louvor de todos os que Te glorificam. Bondosamente dirige a Teu servo, humilde e submisso à Tua porta, o olhar da Tua misericórdia, e imerge-o no Oceano de Tua graça eterna.

Senhor! Ele é um pobre, humilde servo Teu, extasiado, implorando-Te, cativo em Tuas mãos, rogando-Te fervorosamente, pondo em Ti sua inteira confiança, em prantos em Tua Presença, invocando-Te e pedindo nestas palavras:

Ó Senhor, meu Deus! Concede-me Tua graça, para que eu possa servir Teus bem-amados; fortalece-me em Teu serviço. Que minha fronte se ilumine com a luz de adoração em Tua santa corte e de súplica a Teu reino de grandeza. Que meu ego se esvaeça, com Tua ajuda, à entrada celestial de Tua porta, e eu me desprenda de tudo dentro de Tuas santas plagas. Senhor! Do cálice da abnegação, permite-me sorver; com suas vestes, adorna-me; em seu oceano, imerge-me. Faze-me como pó no caminho de Teus bem-amados, e permite que eu ofereça minh'alma em holocausto pela terra que as pegadas de Teus eleitos em Teu caminho enobreceram, ó Senhor de Glória nas Supremas Alturas!

Com esta prece Teu servo Te invoca ao alvorecer e à noite. Satisfaze o desejo de seu coração, ó Senhor! Ilumina seu coração e alegra sua alma. Acende esta lâmpada em serviço à Tua Causa e a Teus servos.

Tu és o Dispensador de Graças, o Compassivo, o Generosíssimo, o Benévolo, o Clemente, o Misericordioso. (11)

ASSINAM:
Sitarih Khánum (Lady Blomfield) e
Shoghi Effendi
A Última Vontade Testamento 'Abdu'l-Bahá
Primeira parte

Todo louvor Àquele que, com a proteção de Seu Convênio, resguardou o Templo de Sua Causa contra os dardos da dúvida, e com as Hostes de Seu Testamento preservou o Santuário de Sua Mais Benévola Lei e protegeu Seu Caminho Reto e Luminoso, detendo, assim, a investida da companhia dos rompedores do Convênio que ameaçavam subverter-lhe a Estrutura Divina; Àquele que velou por Sua Poderosíssima Fortaleza e Sua Fé Toda-Gloriosa, ajudado por homens a quem a calúnia do difamador não afeta, nem qualquer apelo, prestígio ou poder terreno pode desviar do Convênio de Deus e Seu Testamento, firmemente estabelecidos por Suas palavras claras e manifestas, reveladas e escritas pela Sua Pena Toda-Gloriosa e registradas na Epístola Preservada.

Saudações e louvor, bênção e glória cubram aquele ramo primaz do Loto Sagrado e Divino, que brotou abençoado, tenro, verdejante e florescente, das Santas Árvores Gêmeas, a mais maravilhosa pérola, inestimável e sem igual, que cintila dos encapelados mares Gêmeos; e desçam sobre os ramos da Árvore da Santidade, os rebentos da Árvore Celestial, aqueles que se mantiveram firmes e fiéis no Convênio, no Dia da Grande Divisão; sobre as Mãos [pilares] da Causa de Deus, que têm difundido largamente as Fragrâncias Divinas, declarado Suas Provas, proclamado Sua Fé, divulgado em toda parte Sua Lei, desprendido-se de tudo exceto dEle, simbolizado a retidão neste mundo e ateado o Fogo do Amor de Deus nos próprios corações e almas de Seus servos; e sobre aqueles que acreditaram e se compenetraram, ficando firmes em Seu Convênio e seguindo a Luz que, após meu falecimento, brilha da Aurora da Guia Divina - pois ei-lo! - ele é o ramo abençoado, sagrado, que brotou das Santas Árvores Gêmeas. Bem-aventurado quem procura abrigar-se à sua sombra, que ampara toda a humanidade.

Ó vós, amados do Senhor! A maior de todas as coisas é a proteção da Verdadeira Fé de Deus, a preservação de Sua Lei, a proteção de Sua Causa e o serviço à Sua Palavra. Dez mil almas derramaram rios de seu sagrado sangue nesse caminho, ofereceram-Lhe em holocausto suas vidas preciosas, apressaram-se, enlevadas de um santo êxtase, ao glorioso campo do martírio, içaram o Estandarte da Fé Divina e escreveram com o próprio sangue vital, sobre a Epístola do mundo, os versículos de Sua Unidade Divina. O sagrado peito de Sua Santidade, o Excelso, (seja minha vida oferecida em sacrifício a Ele) tornou-se alvo de inúmeros dardos de tribulações e, em Mázindarán, os Abençoados pés da Beleza de Abhá (seja minha vida oferecida em holocausto aos Seus amados) foram tão penosamente açoitados, que sangraram e ficaram profundamente feridos. Também, Seu pescoço foi colocado em correntes usadas em cativeiro e prenderam-Lhe os pés em um tronco. Durante um período de cinqüenta anos, caía sobre Ele, a todo instante, uma nova provação e calamidade; novas aflições e preocupações O cercavam, como no caso de, após haver sofrido vicissitudes intensas, ter ficado sem lar, vagando de lugar em lugar; e ainda, caído vítima de outros desgostos e tribulações. No Iraque, Aquele que é a Estrela Matinal do mundo foi a tal ponto exposto aos ardis do povo da malícia que Lhe eclipsaram o esplendor. Mais tarde, exilaram-No à Grande Cidade [Constantinopla] e de lá à Terra do Mistério [Adrianópolis], de onde, afinal, transferiram-No para a Maior Prisão ['Akká], penosamente injustiçado. Aquele a Quem o mundo injuriou (seja minha vida sacrificada por Seus amados) foi banido de cidade em cidade, por quatro vezes, até ser, finalmente, condenado à prisão perpétua, sendo então encarcerado nesta Prisão - uma prisão de salteadores, bandidos e homicidas. Tudo isso foi apenas uma das muitas provações que afligiram a Abençoada Beleza, sendo as demais igualmente lastimosas.

E ainda outra de Suas provações foi a hostilidade, a flagrante injustiça, a iniqüidade e a rebelião de Mírzá Yahyá. Embora aquele Injustiçado, aquele Prisioneiro, o tivesse acalentado sempre, desde seus primeiros anos, com Sua benevolência, e lhe tivesse dispensado a todo momento Seu carinhoso desvelo, exaltando-lhe o nome, protegendo-o contra todo infortúnio, tornando-o amado por aqueles deste mundo e do vindouro, e a despeito dos firmes conselhos e exortações de Sua Santidade, o Excelso [o Báb] e de Sua advertência clara e concludente:

"Acautela-te, acautela-te, para que as Dezenove Letras do Vivente e o que foi revelado no Bayán não sejam velados de ti!"

No entanto, apesar de tudo isso, Mírzá Yahyá negou-O e tratou com falsidade, não acreditou nEle, lançou as sementes da dúvida, fechou os olhos para Seus versículos manifestos e deles se afastou. Oxalá tivesse se contentado com isso! Mas não; até tentou derramar o sagrado sangue [de Bahá'u'lláh] e então, levantou um grande clamor e tumulto ao seu redor, atribuindo a Bahá'u'lláh malevolência e crueldade para com ele. Quanta sedição instigou e que tempestade de malícia fez surgir enquanto na Terra do Mistério [Adrianópolis]! Finalmente, perpetrou aquilo que causou o desterro do Sol do Mundo para esta, a Maior Prisão, e foi no Oeste desta Grande Prisão que, gravemente injustiçado, o pôr deste Sol se fez.

Ó vós que permaneceis constantes e firmes no Convênio! O Centro da Sedição, o Promotor Primaz do Mal, Mírzá Muhammad 'Alí, não mais se encontra à sombra da Causa, tendo rompido o Convênio, falsificado o Texto Sagrado, infligido uma perda lastimável à verdadeira Fé de Deus, dispersado Seu povo e, com amargo rancor, tentado injuriar a 'Abdu'l-Bahá, atacando com a máxima hostilidade este servo do Sagrado Limiar. Apanhando todos os dardos, ele os lançou com o fim de crivar o peito deste servo injuriado, não deixando de infligir a mim as mais graves feridas, e tentando extinguir, com todos os venenos, a vida deste aflito. Juro pela mais sagrada Beleza de Abhá e pela Luz que irradia de Sua Santidade, o Excelso (seja minh'alma um sacrifício pelos Seus humildes servos)! Por causa dessa iniqüidade, os que habitam o Pavilhão do Reino de Abhá têm-se lastimado, a Assembléia Celestial lamenta-se, as Donzelas Imortais do Céu erguem seu brado melancólico no Supremo Paraíso e a companhia dos anjos suspira e emite seu gemido. Tão lastimáveis tornaram-se as ações dessa iníqua pessoa que com seu machado atingiu a raiz da Árvore Abençoada, atirou-se com ímpeto contra o Templo da Causa de Deus, fez transbordarem lágrimas de sangue dos olhos dos amados da Abençoada Beleza, animou e encorajou os inimigos do Deus Uno e Verdadeiro, afastou da Causa de Deus, com seu repúdio ao Convênio, muitos que buscavam a Verdade, revitalizou as esperanças frustradas dos seguidores de Yahyá, fez-se detestado, induziu os inimigos do Máximo Nome a se tornarem audazes e arrogantes, rejeitou os versículos firmes e concludentes e lançou as sementes da dúvida. Se a prometida ajuda da Beleza Antiga não tivesse sido benignamente concedida, a todo momento, a este ser, por indigno que seja, aquele certamente teria destruído - não, mais ainda - exterminado a Causa de Deus, e subvertido completamente a Estrutura Divina. Mas, louvado seja o Senhor, o triunfante auxílio do Reino de Abhá foi recebido, as hostes do Reino do além apressaram-se para conceder a vitória. A Causa de Deus foi largamente difundida, o chamado do Verdadeiro retumbou em toda parte, os ouvidos em todas as regiões inclinaram-se para a Palavra de Deus, desfraldou-se Seu Estandarte, as insígnias da Santidade tremularam gloriosas no alto e os versículos que celebram Sua Unidade Divina foram entoados. Desta forma, a fim de que a verdadeira Fé de Deus possa ser amparada e protegida, Sua Lei possa ser resguardada e preservada, e Sua Causa mantida salva e segura, incumbe a todos manterem-se fiéis ao Texto do claro e firmemente estabelecido e abençoado versículo, revelado a respeito dele. Nenhuma outra transgressão maior que esta poderá jamais ser imaginada. Diz Ele [Bahá'u'lláh], gloriosa e santa é Sua Palavra:

"Meus amados amigos insensatos o tem considerado até mesmo como sendo meu companheiro; atearam sedição na terra e são, em verdade, os causadores de malefícios."

Considerai, como é insensato o povo! Os que estiveram em Sua Presença [Bahá'u'lláh] e contemplaram Seu Semblante, têm reverberado largamente, no entanto, tais palavras vãs até que - exaltadas sejam Suas Palavras explícitas - Ele disse:

"Se ele, por um momento, sair da sombra protetora da Causa, será seguramente reduzido ao nada."

Refleti! Quanta importância Ele dá ao ato de se desviar por apenas um momento: isto é, fosse ele inclinar-se para direita ou para esquerda na largura de um fio de cabelo, seu afastamento seria claramente estabelecido e sua completa inexistência tornada manifesta. E agora testemunhais como a ira de Deus afligiu-o de todos os lados e como ele, dia a dia, precipita-se para a destruição. Dentro em breve vereis ele e seus associados, interna e externamente, condenados à completa ruína.

Qual desvio maior do que o rompimento do Convênio de Deus? Qual desvio maior do que a interpolação e falsificação das palavras e dos versículos do Texto Sagrado, assim como Mírzá Bádí'u'lláh declarou e deu testemunho! Que desvio pode ser maior do que caluniar o próprio Centro do Convênio! Que desvio mais flagrante do que espalhar por toda parte declarações falsas e insensatas a respeito do Templo do Testamento de Deus! Qual desvio pode ser mais lastimável do que decretar a morte do Centro do Convênio, apoiando-se no sagrado versículo:

"Se alguém pretender... antes de expirarem mil anos completos,..."(1)

Enquanto que ele [Muhammad 'Alí], no tempo da Abençoada Beleza, sem qualquer pudor declarou semelhante pretensão e foi refutado por Ele da maneira acima mencionada, estando ainda existente o texto de sua pretensão, escrito de próprio punho e lacrado com seu próprio selo. Qual desvio pode ser mais completo do que acusar falsamente os amados de Deus? Qual desvio pode ser mais maléfico do que lhes causar prisão e encarceramento? Qual desvio pode ser mais grave do que entregar nas mãos do governo as Sagradas Escrituras e Epístolas, para que eles [o governo] talvez se levantassem, resolvidos a infligir morte a este injustiçado? Que desvio pode ser mais violento do que ameaçar de ruína a Causa de Deus, forjar e traiçoeiramente falsificar cartas e documentos com o fim de alarmar e perturbar o governo e levá-lo a derramar o sangue deste injustiçado, estando tais cartas e documentos atualmente nas mãos do governo? Que desvio pode ser mais odioso do que sua iniqüidade e rebelião? Que desvio pode ser mais vergonhoso do que dispersar o grupo do povo da salvação? Que desvio pode ser mais infame do que as fracas e vãs interpretações do povo da dúvida? Que desvio pode ser mais malicioso do que unir-se, de mãos dadas, aos estranhos e inimigos de Deus?

Há poucos meses, juntamente com outros, aquele que rompeu o Convênio preparou um documento repleto de calúnias e difamação, no qual - o Senhor o proíba! - entre muitas acusações difamatórias semelhantes, afigura uma em que 'Abdu'l-Bahá é imputado como um inimigo perigoso, que deseja mal ao império. A tal ponto perturbaram as mentes dos membros do governo imperial que, finalmente, um comitê de investigação foi mandado da sede do governo de sua majestade, o qual, violando todos os preceitos de justiça e eqüidade dignos de sua majestade imperial - não, mais ainda - com a mais flagrante injustiça, procedeu às suas investigações. Os inimigos do Deus Uno e Verdadeiro cercaram-nos de todos os lados, explicando e ampliando excessivamente o texto do documento enquanto eles [os membros do comitê], por sua vez, concordaram cegamente. Uma de suas numerosas calúnias foi que este servo havia içado uma bandeira nesta cidade, convocado o povo à sua sombra, estabelecido para si próprio uma nova soberania, erigido sobre o Monte Carmelo uma poderosa fortaleza, aglomerado ao Seu redor todos os povos desta terra e os obrigado a lhe serem obedientes, causado dissidência na Fé do Islã e - Deus o proíba! -feito um convênio com os seguidores de Cristo visando causar a mais grave ruptura no grande poder do império. Que o Senhor nos proteja de mentiras tão atrozes!

Segundo o direto e sagrado comando de Deus, é-nos proibido pronunciar calúnias, incumbe-nos demonstrar paz e amizade, retidão de conduta, sinceridade e harmonia para com todas as raças e povos do mundo. Devemos obedecer ao governo do país e desejar seu bem, devemos considerar a deslealdade para com um rei justo como se fosse deslealdade para com o próprio Deus, e a malevolência para com o governo como uma transgressão à Causa de Deus. Diante destas palavras decisivas e finais, como é possível que estes prisioneiros se entreguem a tais vãs fantasias - encarcerados, como poderiam manifestar tamanha deslealdade? Mas, ai! O comitê de investigações já aprovou e confirmou essas calúnias de meu irmão e dos malévolos, e já as submeteu à presença de sua majestade, o soberano. Agora, neste momento, enfurece-se uma violenta tempestade ao redor deste prisioneiro que espera - seja favorável ou desfavorável - a benévola vontade de sua majestade, que o Senhor por Sua graça o ajude a ser justo! Em qualquer condição que esteja, com calma e tranqüilidade absolutas, eu, 'Abdu'l-Bahá, estou pronto para o sacrifício de mim mesmo, resignando-me e submetendo-me inteiramente à Vontade de Deus. É esta uma transgressão tão abominável, odiosa e maléfica?

De igual modo, o Centro focal do Ódio tinha como propósito a morte de 'Abdu'l-Bahá, sendo isto provado pelo testemunho do próprio Mírzá Shu'a'u'lláh, aqui incluso. É evidente e incontestável que se ocupam, em segredo e com a maior sutileza, em conspirar contra mim. As seguintes são suas próprias palavras, por ele escritas nessa carta:

"Amaldiçôo, a todo momento, aquele que ateou essa discórdia, invocando nestas palavras: 'Senhor, não tenhas compaixão dele.' Espero que dentro em breve Deus torne manifesto aquele que não lhe tenha compaixão, aquele que aparece agora em outras vestes e sobre quem não posso explicar mais."

Nestas palavras, faz ele referência ao sagrado versículo que começa do seguinte modo:

"Antes de expirado um milênio completo, quem afirmar ser portador..." (2)

Refleti! Com que ansiedade intentam a morte de 'Abdu'l-Bahá! Ponderai em vossos corações a frase: "Não posso explicar mais" - e compreendei que intrigas estão tramando para este fim. Receiam que, se explicada muito claramente e caindo em mãos inimigas, a carta poderia impedir e frustrar seus desígnios. Esta frase apenas prediz a vinda de boas-novas, a saber, que todas as medidas necessárias a respeito disso já foram tomadas.

Ó Deus, meu Deus! Tu vês como este Teu servo injustiçado, está preso às garras de leões ferozes, de lobos vorazes, de feras sanguinárias. Misericordiosamente ajuda-me, por meu amor a Ti, a fim de que eu possa sorver profundamente do cálice que transborda de fidelidade a Ti e que está repleto de Tuas generosas dádivas; para que eu, caído sobre o pó, permaneça prostrado, esvaído, enquanto minhas vestes se tinjem de carmesim com meu sangue. É este meu desejo, o anseio de meu coração, minha esperança, meu orgulho, minha glória. Permite, ó Senhor, meu Deus, e meu Refúgio, que, em minha hora final, meu fim, semelhante ao almíscar, possa emitir sua fragrância de glória! Haverá alguma dádiva maior que esta? Não, por Tua glória! Invoco-Te para dar testemunho de que não passa dia algum sem que eu beba abundantemente desse cálice - tão lastimosas são as más ações praticadas pelos rompedores do Convênio, aqueles que provocaram discórdias, demonstraram sua malícia e instigaram sedição nesta terra e Te desonraram entre Teus servos. Senhor! Defende desses rompedores do Convênio a poderosíssima Fortaleza de Tua Fé e protege Teu Santuário secreto contra a investida dos ímpios. Tu és, em verdade, o Poderoso, o Potentíssimo, o Misericordioso, o Forte.

Em suma, ó vós, amados do Senhor! O Centro de Sedição, Mírzá Muhammad 'Alí, segundo as decisivas palavras de Deus e por causa de sua ilimitada transgressão, caiu lastimavelmente e foi cortado da Santa Árvore. Em verdade, nós não os injuriamos, mas eles injuriaram a si mesmos!

Ó Deus, meu Deus! Guarda Teus servos fiéis contra os males do egoísmo e da paixão; protege-os, com os olhos vigilantes da Tua benevolência, contra todo rancor, ódio e inveja; abriga-os na fortaleza inexpugnável de Tua Causa; e, imunes às setas da dúvida, torna-os manifestantes de Teus gloriosos sinais. Ilumina suas faces com os raios refulgentes emanados da Aurora de Tua Divina Unidade; alegra seus corações com os versículos revelados de Teu Santo Reino; fortalece-os com Teu poder, que a tudo estremece, vindo da região da Tua Glória. Tu és o Todo-Generoso, o Protetor, o Onipotente, o Misericordioso!

Ó vós que permaneceis firmes no Convênio! Ao chegar a hora em que esta ave injustiçada e de asas partidas tenha alçado vôo para o Concurso Celestial, quando ela houver se apressado para o Reino do Invisível e seu corpo mortal tiver se perdido ou escondido sob o pó, incumbirá aos Afnán, que estão firmes no Convênio de Deus e que brotaram da Árvore da Santidade; às Mãos [pilares] da Causa de Deus (sobre elas esteja a glória do Senhor) e a todos os amigos e amados - a todos, sem exceção - despertarem e se levantarem de coração e alma e de comum acordo para difundir as doces fragrâncias de Deus, ensinar Sua Causa e disseminar Sua Fé. Não devem descansar, nem que seja por um momento, nem buscar repouso. Devem se dispersar por todas as terras, passar por todas as plagas e viajar através de todas as regiões. Despertos, infatigáveis, constantes até o fim, devem eles erguer em toda parte o brado triunfal: "Yá Bahá'u'l-Abhá!" [Ó Tu, Glória das Glórias!]; devem ganhar renome no mundo, onde quer que forem, arder intensamente como uma vela, em toda reunião e em toda assembléia devem acender a chama do amor divino; para que a luz da verdade surja resplandecente no próprio coração do mundo, e uma vasta assembléia, por todo o Oriente e todo o Ocidente, reúna-se à sombra do Verbo de Deus, a fim de que as doces fragrâncias da santidade possam ser difundidas, as faces brilhem radiantemente, os corações sejam imbuídos do Espírito Divino e as almas tornem-se celestiais.

Nestes dias, a mais importante de todas as coisas consiste em guiar as nações e os povos do mundo. Ensinar a Causa é da máxima importância, pois é a pedra angular do próprio alicerce. Este servo injustiçado tem passado os dias e as noites a promover a Causa e a exortar os povos a servi-la. Nem por um momento sequer, pôde ele descansar, enquanto não difundisse pelo mundo a fama da Causa de Deus e clamasse ao Oriente e Ocidente as melodias celestiais do Reino de Abhá. Os amados de Deus devem seguir este exemplo. Este é o segredo da fidelidade, este é o requisito da servitude ao Limiar de Bahá!

Os discípulos de Cristo esqueceram-se de si mesmos e de todas as coisas terrenas, abandonaram toda preocupação e tudo o que lhes pertencia, purificaram-se do egoísmo e da paixão e, com desprendimento absoluto, espalharam-se por toda parte, ocupando-se em chamar os povos do mundo para a Guia Divina, até que, finalmente, conseguiram transformar o mundo em outro mundo, iluminando a face da Terra. Até sua última hora, deram provas de sua abnegação no caminho dAquele Amado de Deus e, por fim, em diversas terras, sofreram martírio glorioso. Que os homens de ação sigam suas pegadas!

Ó meus amados amigos! Após o passamento deste injustiçado, deverão os Aghsán [Ramos], os Afnán [Brotos] do Sagrado Loto, as Mãos [pilares] da Causa de Deus e os amados da Beleza de Abhá voltar-se para Shoghi Effendi - o jovem ramo que brotou dos Dois Lotos sagrados e santificados, o fruto da união dos Dois rebentos da Árvore da Santidade - pois ele é o sinal de Deus, o ramo escolhido, o Guardião da Causa de Deus, aquele para quem devem se voltar todos os Aghsán, Afnán, Mãos da Causa de Deus e Seus amados. É o expositor das palavras de Deus e a ele sucederão os primogênitos de seus descendentes diretos.

O sagrado e jovem ramo, o Guardião da Causa de Deus, assim como a Casa Universal de Justiça a ser eleita e estabelecida universalmente, estão ambos sob o amparo e a proteção da Beleza de Abhá [Bahá'u'lláh], sendo abrigados e guiados infalivelmente pelo Excelso [O Báb] (seja minha vida sacrificada por ambos!). O que quer que decidam, provém de Deus. Quem a ele não obedecer, nem a eles, não estará obedecendo a Deus; quem se revoltar contra ele, e contra eles, terá se revoltado contra Deus; quem se lhe opuser terá feito oposição a Deus; quem com eles contender, terá contendido com Deus; qualquer um que dispute com ele, estará disputando com Deus; qualquer um que o negue, terá negado a Deus; quem nele não acreditar, deixa de crer em Deus; quem se desviar, separar e afastar dele, em verdade, terá se desviado, separado e afastado de Deus. Que a ira, a violenta indignação, a vingança de Deus caiam sobre tal homem! A poderosíssima fortaleza há de se conservar segura e inexpugnável, através da obediência àquele que é o Guardião da Causa de Deus. Incumbe a Casa de Justiça, a todos os membros dos Aghsán, Afnán, Mãos da Causa de Deus, mostrarem sua obediência, submissão e subordinação ao Guardião da Causa de Deus, dirigir-se a ele e serem humildes em sua presença. Aquele que se lhe opuser, terá feito oposição ao Verdadeiro, criará cisma na Causa de Deus, subverterá Sua Palavra e se tornará uma manifestação do Centro da Sedição. Acautelai-vos, acautelai-vos, para que não se repitam os dias após a ascensão [de Bahá'u'lláh], quando o Centro da Sedição tornou-se arrogante e rebelde e, tomando por pretexto a Unidade Divina, despojou-se e perturbou e envenenou os outros. Não resta dúvida de que o jactancioso que pretende criar dissensão e discórdia não declarará abertamente suas más intenções mas, ao contrário, semelhante ao ouro impuro, usará de diversas medidas e vários pretextos para desfazer a união do povo de Bahá. É meu objetivo demonstrar que as Mãos da Causa de Deus devem estar sempre vigilantes, e logo que descubram estar alguém começando a se opor e a protestar contra o Guardião da Causa de Deus, devem expulsá-lo da comunidade de Bahá e de modo algum aceitar dele qualquer desculpa. Quão freqüentemente o erro lastimável tem-se disfarçado nas vestes da verdade, a fim de lançar as sementes da dúvida nos corações dos homens!

Ó vós, amados do Senhor! Cumpre ao Guardião da Causa de Deus designar durante sua vida quem deve ser seu sucessor, para que não surjam divergências após seu passamento. O designado deve manifestar em seu caráter desprendimento de todas as coisas deste mundo, deve ser a essência da pureza e dar provas de possuir temor a Deus, conhecimento, sabedoria e erudição. Se, portanto, o primogênito do Guardião da Causa de Deus não manifestar em sua pessoa a verdade das palavras: "A criança é da essência secreta do pai", isto é, se não herdar a espiritualidade inerente (ao Guardião da Causa de Deus), não corresponder à sua gloriosa linhagem com um caráter digno, então ele (o Guardião da Causa de Deus) deverá escolher outro ramo para ser seu sucessor.

As Mãos da Causa de Deus devem eleger nove pessoas de seu próprio seio, as quais se ocuparão continuamente com os importantes serviços a cargo do Guardião da Causa de Deus. A eleição destas nove pessoas deve ser feita unanimente ou por maioria, dentre as Mãos da Causa de Deus, e estas, quer seja por unanimidade quer por maioria, devem aprovar a escolha daquele a quem o Guardião da Causa de Deus tenha escolhido para ser seu sucessor. Essa aprovação deve ser dada de tal modo que os votos prós e contra não se distingam (isto é, por voto secreto).

Ó amigos! As Mãos da Causa de Deus devem ser nomeadas e apontadas pelo Guardião da Causa de Deus. Todas devem estar à sua sombra e obedecer a seu imperativo. Se alguém, seja dentro ou fora do grupo das Mãos da Causa de Deus, desobedecer e tentar causar divisão, a ira e vingança de Deus cairão sobre tal pessoa, pois terá causado cisma na verdadeira Fé Divina.

As obrigações das Mãos da Causa de Deus consistem em difundir as Fragrâncias Divinas, elevar as almas dos homens, promover a educação, aperfeiçoar o caráter de todos os homens e ser, em todos os tempos e sob quaisquer condições, santificadas e desprendidas das coisas terrenas. Pela sua conduta, pelas suas maneiras, suas palavras e suas ações, devem elas manifestar temor a Deus.

Esse corpo das Mãos da Causa de Deus está sob a direção do Guardião da Causa de Deus. Ele deve continuamente exortá-las a se esforçarem o máximo que lhes for possível para difundir as doces fragrâncias Divinas e guiar todos os povos do mundo, pois é a luz da Guia Divina que faz com que todo o universo seja iluminado. De modo algum é permissível - nem por um momento sequer - deixar de obedecer a este mandamento absoluto, obrigatório para todos, pois é o meio de transformar o mundo existente no Paraíso de Abhá, de tornar celestial a face da Terra, de fazer desaparecer o conflito entre os seres humanos, raças, nações e governos, e os habitantes da Terra virem a ser como um só povo, uma só raça, e o mundo todo, um lar. Caso surjam divergências, deverão estas ser ajustadas, amigável e concludentemente, pelo Supremo Tribunal composto por representantes de todos os governos e povos do mundo.

Ó vós amados do Senhor! Nesta sagrada Dispensação, o conflito e a contenda de modo algum são permitidos. Todo agressor priva-se das graças de Deus. Incumbe a cada um demonstrar o máximo grau de amor, retidão de conduta, sinceridade e verdadeira benevolência para com todos os povos e raças da Terra, quer amigos, quer estranhos. Tão intenso deve ser o espírito de amor e bondade, que o estranho sinta-se um amigo e o inimigo, um verdadeiro irmão, não existindo entre eles qualquer diferença. Pois a universalidade é Divina e toda limitação, terrena. Portanto, deve o homem esforçar-se para que sua realidade manifeste virtudes e perfeições cuja luz irradie sobre todos. A luz do sol brilha sobre o mundo inteiro, e as chuvas misericordiosas da Divina Providência caem sobre todos os povos. A brisa vivificadora anima toda criatura vivente e todos os seres dotados de vida obtêm seu quinhão à Sua mesa celestial. De igual modo, o afeto e a bondade daqueles que servem ao Deus, Uno e Verdadeiro devem-se estender generosa e universalmente a todo o gênero humano. A esse respeito, não se pode, em absoluto, permitir qualquer restrição ou limitação.

Deveis, pois, ó meus amorosos amigos, associar-vos a todos os povos, a todas as raças e religiões do mundo, com a maior sinceridade, retidão, fidelidade, benevolência, boa vontade e amizade, para que todo o mundo existente receba, copiosamente o santo êxtase das graças de Bahá, e assim, desvaneçam do mundo a ignorância, a inimizade, o ódio e o rancor, e a escuridão da desconfiança entre as nações e raças ceda lugar à Luz da Unidade. Se membros de outros povos e nações vos forem infiéis, mostrai-lhes vossa fidelidade; se vos forem injustos, tratai-os com justiça; se afastarem-se de vós, procurai atraí-los; se vos mostrarem inimizade, sede amigos para com eles; se envenenarem vossas vidas, adoçai suas almas; se vos ferirem, sede um bálsamo para suas feridas. Tais são os atributos dos sinceros! Tais são os atributos daqueles que dizem a verdade.

E agora, com referência à Casa da Justiça que Deus ordenou como a fonte de todo o bem e isenta de todo o erro, esta deve ser eleita por sufrágio universal, isto é, pelos crentes. Seus membros devem ser manifestações do temor a Deus e auroras do conhecimento e da compreensão; devem ser constantes na Fé Divina e benévolos para com toda a humanidade. Entende-se por esta Casa, a Casa Universal de Justiça, isto é, em todos os países deve ser instituída uma Casa de Justiça secundária, e estas Casas de Justiça secundárias devem eleger os membros da Casa Universal. A esta devem-se submeter todas as questões. Esta Casa fará todas as leis e todos os regulamentos que não foram previstos explicitamente no Texto Sagrado. Resolverá todos os problemas difíceis, e o Guardião da Causa de Deus será seu sagrado dirigente e distinto membro perpétuo. Caso não esteja pessoalmente em todas as deliberações, ele deve nomear alguém para representá-lo. Se qualquer membro cometer um erro prejudicial ao bem comum, ficará a critério do Guardião da Causa de Deus a expulsão desse membro, para cujo lugar, neste caso, as pessoas deverão eleger outro. Esta Casa de Justiça decreta as leis, e o governo tem a seu cargo fazer cumpri-las. O corpo legislativo deve reforçar o executivo, e o executivo, por sua vez, deve apoiar e auxiliar o legislativo, de modo que, pela estreita união e harmonia dessas duas forças, as bases da retidão e justiça tornem-se fortes e firmes, e assim todas as regiões do mundo se transformem no próprio Paraíso.

Ó Senhor, meu Deus! Ajuda aqueles que Te amam a permanecerem firmes em Tua Fé, a prosseguirem em Teus caminhos e serem constantes em Tua Causa. Dispensa-lhes Tua graça, para que resistam à investida do ego e da paixão e se guiem pela luz da guia divina. Tu és o Poderoso, o Benévolo, O que subsiste por Si próprio, o Magnânimo, o Compassivo, o Onipotente, a Suprema Bondade.

Ó amigos de 'Abdu'l-Bahá! Como sinal de Suas infinitas graças, o Senhor favoreceu Seus servos benevolamente, providenciando uma oferta fixa em dinheiro (Huqúq) a ser-Lhe apresentada como um dever, embora Ele, o Verdadeiro, e Seus servos, em todos os tempos, tenham sido independentes de todas as coisas criadas, e Deus é, em verdade, o Possuidor de tudo, exaltado acima da necessidade de qualquer dádiva oferecida por Suas criaturas. Tal oferta fixa em dinheiro, no entanto, torna o povo firme e constante, e também, trazendo-lhe o acréscimo Divino. Deve ser feita por intermédio do Guardião da Causa de Deus, para que seja aplicada na difusão das Fragrâncias Divinas e na exaltação da Sua Palavra, para fins benévolos e o bem-estar comum.

Ó vós, amados do Senhor! Incumbe-vos ser submissos a todos os monarcas que sejam justos e mostrar fidelidade a todo rei virtuoso. Servi aos soberanos do mundo com a máxima sinceridade e lealdade. Prestai-lhe obediência e desejai o seu bem. Sem sua licença e permissão, não vos intrometais em assuntos políticos, porque a deslealdade ao soberano justo é deslealdade ao próprio Deus.

É esse meu conselho e é o que Deus vos ordena. Bem-aventurados aqueles que assim agem!

Nota: Por muito tempo este manuscrito havia sido guardado debaixo da terra, sendo assim afetado pela umidade, pois certos trechos se mostravam danificados. Foi o que se verificou ao trazê-lo para luz, mas foram deixados intocados diante de lamentáveis fatos ocorridos na Terra Santa.

Segunda parte
Ele é Deus!

Ó meu Senhor, Anelo do meu coração, Tu a Quem sempre invoco, Tu que és meu Auxiliador e meu Amparo, meu Sustentáculo e meu Refúgio! Vês que estou submerso em um oceano de calamidades que me acabrunham a alma, de aflições que me oprimem o coração, de tribulações que estão dispersando aqueles que Tu reuniste, de vicissitudes e dores que põem em debandada Teu rebanho. Cercam-me lastimáveis provações, enquanto de todos os lados há perigos que me assediam. Tu me vês imerso em um mar de tribulações inexcedíveis, mergulhado em um abismo insondável, perseguido por meus inimigos e consumido pela chama de seu ódio - chama esta acesa por meus parentes, com quem fizeste Teu poderoso Convênio e firme Testamento, no qual ordena-lhes que volvam seus corações para este injuriado, que afastem de mim os insensatos e os injustos, e que consultem este solitário a respeito de tudo em Teu Sagrado Livro, sobre o que possa causar divergência, a fim de que a Verdade se lhes revele, as dúvidas se desvaneçam e Teus Sinais manifestos sejam largamente difundidos.

Agora, no entanto, ó Senhor, meu Deus, com Teus olhos que não dormem, vês que viraram as costas para Teu Convênio e o romperam, desviando-se de Teu Testamento, com ódio e deslealdade, e que se levantaram, intentando malícia.

Ainda mais severas tornaram-se as adversidades à medida que tentavam, com crueldade insuportável, me derrotar e esmagar, enquanto difundiam por toda parte seus pergaminhos de dúvidas, lançando sobre mim calúnias inteiramente falsas. Ó meu Deus! Seu chefe não satisfeito com isto, atreveu-se a interpolar Teu Livro, a alterar fraudulentamente Teu decisivo Texto Sagrado e falsificar o que fora revelado pela Tua Pena Toda-Gloriosa. E também o que Tu revelaste para aquele que perpetrou atos da mais flagrante crueldade contra Ti, que desacreditou em Ti e negou Teus maravilhosos Sinais - isso ele inseriu maliciosamente naquilo que Tu revelastes para este Teu servo, injuriado neste mundo. Tudo isto ele fez a fim de enganar as almas dos homens e insuflar seus maus sussurros nos corações dos Teus devotos. A isto, o segundo chefe deles testificou, confessando-o de próprio punho, lacrando-o com seu selo e o difundindo por todas as regiões. Ó meu Deus! Poderia haver injustiça mais lamentável do que esta? Nem assim descansaram, mas ainda envidaram esforços com obstinação, mentiras e falsas imputações, com escárnio e calúnia, a fim de incitarem sedição no seio do governo desta terra e em outras partes, fazendo com que me julgassem semeador de sedição e instilando nas mentes aquilo que os ouvidos repugnam ouvir. Isto pôs o governo em alarma, enchendo de medo o soberano e incitando suspeitas entre os nobres. Mentes foram confundidas, assuntos foram desvirtuados, almas foram perturbadas, o fogo da angústia e tristeza foi ateado dentro dos peitos, as Sagradas Folhas [da Família] foram abaladas e convulsionadas, vertendo lágrimas dos seus olhos, enquanto seus suspiros e lamentos se faziam ouvir e seus corações ardiam de lágrimas por este Teu servo injuriado, caído vítima nas mãos desses, seus parentes - não, antes - de seus próprios inimigos.

Senhor! Tu vês todas as coisas lamentarem-se por mim, enquanto parentes meus rejubilam-se com minhas tribulações. Por Tua Glória, ó meu Deus! Até mesmo entre meus inimigos houve quem lamentasse as minhas provações e angústias e, entre os invejosos, alguns verteram lágrimas por causa da minha angústia, do meu exílio e das minhas aflições. E isso fizeram por nada haverem encontrado em mim senão afeto e dedicação, nada testemunhado senão bondade e misericórdia. Quando viram-me levado pela correnteza das tribulações e adversidades, e exposto como alvo às setas do destino, seus corações foram tocados pela compaixão, seus olhos encheram-se de lágrimas e eles deram testemunho, declarando: "O Senhor é nossa testemunha; nada vimos nele a não ser fidelidade, generosidade e compaixão extrema." Os rompedores do Convênio, contudo, pressagiadores do mal, cresceram mais ferozmente em seu rancor, regozijaram-se quando caí vítima das mais penosas provações, tramaram contra mim e se divertiram com os dolorosos acontecimentos que me envolveram.

Ó Senhor meu Deus! Invoco-Te com minha língua e de todo coração, não os castigueis por sua crueldade e más ações, por suas malícias e perversidades, pois eles são insensatos e ignóbeis, e não sabem o que fazem. Não discernem o bem do mal, nem distinguem o certo do errado, nem a justiça da injustiça. Seguem seus próprios desejos e andam nas pegadas dos mais imperfeitos e insensatos em seu meio. Ó meu Senhor! Tem piedade deles, protege-os de qualquer aflição, nesses tempos de dificuldades, e permite que todas as provações e dificuldades sejam destinadas a este Teu servo, caído nesta cova tenebrosa. Torna-me alvo de todas as penas, e faze de mim um sacrifício por todos os Teus amados! Ó Senhor, Altíssimo! Seja minh'alma, minha vida, meu ser, meu espírito - tudo, oferecido em holocausto por eles! Ó Deus, meu Deus! Humilde, suplicante e prostrado diante de Ti, imploro-Te, com todo o ardor de minha invocação, que perdoes a quem quer que me tenha injuriado, que absolva aquele que conspirou contra mim e me ofendeu, e apagues as más ações daqueles que foram injustos para comigo. Concede-lhes Tuas boas dádivas, torna-os alegres, alivia-os de sua dor, concede-lhes paz e prosperidade, dá-lhes Tua bênção e derrama sobre eles Tua generosidade! Tu és o Poderoso, o Benévolo, o Amparo no Perigo, O que subsiste por Si próprio!

Ó amigos ternamente amados! Estou agora em grande perigo e a esperança de até mesmo uma só hora de vida está perdida para mim. Sinto-me, pois, obrigado a escrever estas linhas para a proteção da Causa de Deus e a preservação de Sua Lei, a fim de salvaguardar Sua Palavra e Seus Ensinamentos. Pela Antiga Beleza! Este injuriado jamais alimentou, nem alimenta, rancor, de modo algum, contra qualquer pessoa; para com ninguém nutre ele malevolência e nenhuma palavra pronuncia que não seja para o bem do mundo. Minha suprema obrigação, no entanto, impele-me, forçosamente, a guardar e preservar a Causa de Deus. Assim, com o maior pesar, aconselho-vos, dizendo: "Guardai a Causa de Deus, protegei Sua Lei e tende receio profundo de qualquer discórdia. É esse o fundamento da crença do povo de Bahá (seja minha vida sacrificada por Ele). Sua Santidade, o Excelso (o Báb), é a manifestação da Unidade Divina e o Precursor da Antiga Beleza. Sua Santidade, a Beleza de Abhá (seja minha vida um sacrifício por Seus amigos fiéis), é o Supremo Manifestante de Deus e a Aurora de Sua Mais Divina Essência. Todos os demais são Seus servos e fazem o que Ele ordena." Ao Sacratíssimo Livro, todos devem se voltar, e qualquer coisa que nele não esteja expressamente tratada, deve ser referida à Casa Universal de Justiça. O que essa Casa resolver, seja por unanimidade ou por maioria, será realmente a Verdade e a expressão da própria Vontade Divina. Qualquer um que divirja dessa resolução é, em verdade, dos que amam a discórdia, demonstra malícia e se afasta do Senhor do Convênio. Entende-se por esta Casa, aquela Casa Universal de Justiça a ser eleita dentre todos os países, isto é, daquelas partes do Oriente e do Ocidente em que se encontrem os amados, segundo o método usual das eleições nos países ocidentais como a Inglaterra.

Incumbe a esses membros [da Casa Universal de Justiça] reunirem-se em um determinado lugar e deliberar sobre quaisquer problemas que tenham causado divergências, sobre questões obscuras e assuntos não expressamente tratados no Livro. Qualquer decisão tomada por eles terá o mesmo efeito do próprio Texto. E já que essa Casa de Justiça tem o poder de decretar leis relativas às transações diárias - leis que não estejam expressamente registradas no Livro - assim, cabe-lhe também o poder de revogá-las. Por exemplo, a Casa de Justiça decreta hoje uma certa lei e a põe em vigor, e daqui a cem anos, havendo as circunstâncias mudado radicalmente, sendo outras as condições, a Casa de Justiça de então terá o poder de alterar a lei anterior de acordo com as exigências do tempo. Poderá fazer isso porque a referida lei não faz parte do explícito Texto Divino. A Casa de Justiça é tanto a promulgadora, como a anuladora de suas próprias leis.

E agora, um dos maiores e mais fundamentais princípios da Causa de Deus é a necessidade de se afastar e evitar inteiramente os rompedores do Convênio, pois eles destruirão totalmente a Causa de Deus, exterminarão a Sua Lei e tornarão nulos todos os esforços despendidos no passado. Ó amigos! Incumbe-vos recordar com ternura as tribulações de Sua Santidade, o Excelso, e demonstrar vossa fidelidade à Sempre-Abençoada Beleza. Deve-se fazer o máximo esforço para que não provem ter sido improfícuas todas essas angústias, tribulações e aflições, para que todo esse sangue puro e sagrado não tenha sido tão profusamente derramado em vão no Caminho de Deus. Bem sabeis o que perpetraram as mãos do Centro de Sedição, Mírzá Muhammad-'Alí, e seus associados. Um de seus atos foi a corrupção do Texto Sagrado, do qual vós todos estais cientes, sabendo - louvado seja o Senhor - que se acha evidente, provado e confirmado pelo testemunho de seu irmão, Mírzá Badí'u'lláh, cuja confissão está escrita de próprio punho, tendo seu selo, e foi impressa e largamente difundida. Este é apenas um de seus atos maus. Pode se imaginar uma transgressão mais flagrante do que esta, a interpolação do Texto Sagrado? Não, pela justiça do Senhor! Suas transgressões estão escritas e registradas em um folheto separado. Queira Deus, vós o examinareis.

Em resumo, segundo o explícito Texto Divino, a menor transgressão fará desse homem uma criatura arruinada, e qual transgressão mais lastimável do que a de tentar destruir o Edifício Divino, romper o Convênio, desviar-se do Testamento, falsificar o Texto Sagrado, disseminar as sementes da dúvida, caluniar a 'Abdu'l-Bahá, apresentar pretensões para as quais Deus não deu autorização, incitar distúrbios, envidar esforços para derramar o próprio sangue de 'Abdu'l-Bahá, e muitas outras coisas das quais vós todos estais cientes. Torna-se assim evidente que, se esse homem conseguir trazer desunião para a Causa de Deus, ele a destruirá completamente e a exterminará. Guardai-vos de vos aproximardes desse homem, pois aproximar-se dele é pior do que se aproximar do fogo!

Deus Misericordioso! Após haver Mírzá Badí'u'lláh declarado de próprio punho que esse homem (Muhammad-'Alí) rompera o Convênio, e depois de proclamar sua falsificação do Texto Sagrado, ele percebeu que, mesmo que se voltasse para a Fé Verdadeira e prestasse lealdade ao Convênio e Testamento, de modo algum, estaria promovendo seus próprios desejos egoístas. Assim arrependendo-se e deplorando o que fizera, tentou secretamente recolher suas confissões impressas e intrigou maliciosamente com o Centro de Sedição contra mim, informando-lhe diariamente dos acontecimentos em meu lar. Até mesmo teve destacada participação nos atos perniciosos que foram recentemente cometidos. Louvado seja Deus, a situação recuperou sua estabilidade anterior e os amados amigos conseguiram uma paz parcial. Não obstante, desde o dia em que ele entrou de novo em nosso meio, começou outra vez a espalhar as sementes da mais lastimável sedição. Algumas de suas maquinações e intrigas serão registradas em folheto separado.

É meu propósito, entretanto, mostrar que incumbe aos amigos constantes e firmes no Convênio e Testamento manterem-se sempre despertos para que, após o passamento deste injuriado, esse ativo e enérgico perpetrador de más ações não possa causar desunião, espalhar secretamente as sementes da dúvida e sedição e extirpar completamente a Causa de Deus. Mil vezes evitai sua companhia. Sede atentos e vigilantes. Observai e examinai e se qualquer pessoa, seja aberta ou secretamente, tiver a menor associação com ele, expulsai-a de vosso meio, pois esta haverá certamente de causar desunião e prejuízo.

Ó vós, amados do Senhor! Empenhai-vos de todo coração em proteger a Causa de Deus das investidas dos insinceros, pois tais almas torcem o que é reto e tornam contrários os resultados dos mais benévolos esforços.

Ó Deus, meu Deus! Invoco a Ti, Teus Profetas e Teus Mensageiros, Teus Santos e a todos os Teus Santificados para que dêem testemunho de haver eu declarado Tuas provas concludentemente aos Teus amados e lhes exposto com clareza todas as coisas, a fim de que vigiassem pela Tua Fé, guardassem Teu Caminho reto e protegessem Tua Lei resplandecente. Tu és, em verdade, Onisciente, o Sapientíssimo!

Terceira parte
Ele é a Testemunha, o Todo-Suficiente!

Ó meu Deus, meu Bem-Amado, Desejo do meu coração! Tu sabes, Tu vês, o que sobreveio a este servo Teu, que se humilhou diante de Tua Porta, e conheces os pecados cometidos contra ele pelo povo da malícia, aqueles que romperam Teu Convênio e voltaram as costas para Teu Testamento. Durante o dia, afligiram-me com as setas do ódio e à noite, conspiraram secretamente a fim de me prejudicarem. Ao amanhecer, cometeram o que causou lamentos ao Concurso Celestial e, ao anoitecer, desembainharam contra mim a espada da tirania e, na presença dos ímpios, lançaram sobre mim seus dardos da calúnia. Não obstante suas más ações, este Teu humilde servo manteve-se paciente, suportando toda aflição e provação de suas mãos, apesar de, através de Tua força e Teu poder, ele fosse capaz de destruir suas palavras, apagar seu fogo e deter a chama de sua rebeldia.

Tu vês, ó meu Deus, como através de minha paciência, tolerância e silêncio, fiz com que aumentassem sua crueldade, sua arrogância e seu orgulho. Por Tua Glória, ó Bem-Amado! Desacreditaram em Ti e se rebelaram contra Ti, de tal modo que não me deixaram um momento sequer de repouso e tranqüilidade, para que eu pudesse me levantar, digna e apropriadamente, a fim de exaltar Tua Palavra entre a humanidade e pudesse servir em Teu Limiar de Santidade com o coração transbordando com o júbilo dos habitantes do Reino de Abhá.

Senhor! Minha taça de angústia transborda, e de todos os lados atacam-me golpes enfurecidos. Os dardos da aflição envolveram-me e as setas do sofrimento choveram sobre mim. Assim a tribulação me acabrunhou e minha força, diante da investida dos inimigos, converteu-se em fraqueza dentro de mim, enquanto fiquei só e abandonado em meio às minhas vicissitudes. Senhor! Tem compaixão de mim, faze-me subir a Ti próprio e permite que eu sorva do Cálice do Martírio, pois o mundo, com toda sua vastidão, não mais me pode conter.

Tu és, em verdade, o Misericordioso, o Compassivo, o Generoso, a Suma Bondade!

Ó vós, os verdadeiros, sinceros e fiéis amigos deste injuriado! Todos sabem e acreditam que calamidades e aflições sobrevieram a este injuriado, este prisioneiro, nas mãos daqueles que romperam o Convênio, no tempo em que, após o pôr do Sol do Mundo, seu coração fora consumido pela chama de Sua perda.

Quando, em todas as partes da Terra, os inimigos de Deus, aproveitando a ocasião do passamento do Sol da Verdade, fizeram seu ataque subitamente e com todas as suas forças; nesse tempo e em meio a tão grande calamidade, os rompedores do Convênio levantaram-se com extrema crueldade, resolvidos a causar dano e incitar um espírito de inimizade. A todo momento cometeram uma má ação e se empenharam em espalhar as sementes da mais lastimável sedição, tentando arruinar a estrutura do Convênio. Mas este injuriado, este prisioneiro, fez o possível para encobrir e velar suas ações, para que talvez se arrependessem. Sua paciência e tolerância em face dessas más ações, porém, tornaram os rebeldes ainda mais arrogantes e atrevidos; até que, por meio de folhetos escritos de próprio punho, espalharam as sementes da dúvida, imprimindo estes folhetos e os difundindo largamente pelo mundo inteiro, convictos de que, com tais tolices, pudessem invalidar o Convênio e o Testamento.

Com isto, os amados do Senhor levantaram-se, inspirados com a maior confiança e constância e, ajudados pelo poder do Reino, pela Força Divina, pela Graça do céu, pelo auxílio infalível e pelas Dádivas Celestiais, resistiram aos inimigos do Convênio em quase setenta tratados e, baseando-se em provas concludentes, evidências inequívocas e textos claros das Sagradas Escrituras, refutaram os pergaminhos da dúvida e os folhetos daninhos. O Centro de Sedição viu-se então confuso em seus ardis, afligido pela ira de Deus, mergulhado em tal degradação e infâmia que haverão de durar até o Dia do Juízo. Rebaixada e miserável é a condição do povo que comete más ações, daqueles que se encontram em lastimável privação!

E à medida que vinham perdendo sua causa, vendo inúteis seus esforços contra os amados de Deus, viram o Estandarte de Seu Testamento flutuar em todas as regiões e testemunharam o poder do Convênio do Misericordioso, com a chama da inveja ardendo dentro deles de modo indescritível. Com o máximo vigor, esforço, rancor e inimizade, seguiram outro caminho, andaram em outra vereda, delinearam outro plano: o de atear sedição no coração do próprio governo, e assim fazerem com que este injuriado, este prisioneiro, aparecesse como instigador de contenda, inimigo do governo, desprezador e oponente da coroa. Talvez causassem a morte de 'Abdu'l-Bahá e fizessem perecer seu nome, abrindo, deste modo, uma arena onde os inimigos do Convênio pudessem avançar e esporear seus corcéis, infligir a todos uma dolorosa perda e subverter as próprias bases da estrutura da Causa de Deus. Pois tão lastimável é o procedimento desse povo falso, que se torna assim como um machado batendo na própria raiz da Árvore Abençoada. Se fosse-lhes permitido continuar, essas pessoas exterminariam, em poucos dias, a Causa de Deus, Sua Palavra e a si próprias.

Os amados do Senhor devem, pois, evitá-las completamente, afastar-se delas, frustrar suas maquinações e maus sussurros, guardar a Lei de Deus e Sua religião, ocupar-se - todos, sem exceção - em difundir largamente as doces fragrâncias de Deus e envidar o melhor de seus esforços na proclamação de Seus Ensinamentos.

Se qualquer pessoa, ou qualquer reunião, tornar-se um obstáculo à difusão da Luz da Fé, os amados deverão aconselhá-los, dizendo: "De todas as dádivas divinas, a maior é a dádiva do Ensino. Esta atrai para nós a Graça de Deus e é nossa primeira obrigação. Como poderemos nos privar de tão grande dádiva? Não, nossas vidas, nossos bens, nosso conforto, nosso repouso - tudo oferecemos em sacrifício pela Beleza de 'Abhá, e ensinamos a Causa de Deus." Cautela e prudência, contudo, devem ser observadas, conforme está registrado no Livro. O véu, de modo algum, deve ser subitamente tirado. A Glória das Glórias esteja sobre vós.

Ó vós, fiéis amados de 'Abdu'l-Bahá! Incumbe-vos cuidar ao máximo de Shoghi Effendi, o broto que ramificou e o fruto que foi concebido pelas duas sagradas e divinas Árvores-de-Lótus, para que o pó do desânimo e da tristeza não lhe macule a natureza radiante, para que dia a dia lhe aumentem o contentamento, o júbilo e a espiritualidade, e assim ele cresça e se torne uma árvore frutífera.

Pois ele é, após 'Abdu'l-Bahá, o Guardião da Causa de Deus, e os Afnán, as Mãos [pilares] da Causa e os amados do Senhor devem obedecer-lhe e a ele se dirigir. Quem não lhe obedecer, terá deixado de obedecer a Deus; quem dele se afastar, ter-se-á afastado de Deus; e, qualquer um que o negue estará negando ao Verdadeiro. Acautelai-vos para que ninguém interprete erroneamente estas palavras e - do mesmo modo que aqueles que romperam o Convênio depois do Dia da Ascensão [de Bahá'u'lláh] - dê um pretexto, levante o estandarte da revolta, torne-se obstinado e abra amplamente a porta da falsa interpretação. A ninguém é concedido o direito de difundir sua própria opinião ou expressar suas convicções particulares. Todos devem se dirigir ao Centro da Causa e à Casa de Justiça, para que sejam guiados. E quem se volver para qualquer outra coisa terá, em verdade, cometido um erro lastimável.

Esteja sobre vós a Glória das Glórias!
Apêndice i
A Infalibilidade e o Conhecimento de 'Abdu'l-Bahá

1. PERGUNTAS DE DOIS BAHÁ'ÍS À CASA UNIVERSAL DE JUSTIÇA

28 de abril de 1982
À Casa Universal de Justiça
Queridos amigos,

Diversas questões relacionadas à infalibilidade de 'Abdu'l-Bahá e à autoridade e interpretação de algumas de Suas declarações têm nos preocupado recentemente. Nossas perguntas podem ser definidas como segue:

(1) Bahá'u'lláh afirma explicitamente e define a infalibilidade de 'Abdu'l-Bahá em alguns de Seus Escritos?

Temos conhecimento de muitas das declarações sobre 'Abdu'l-Bahá que são usualmente citadas nos Escritos de Bahá'u'lláh. Também estamos conscientes das declarações de Bahá'u'lláh com relação aos graus de infalibilidade e a Infalibilidade Máxima dos Manifestantes de Deus. Cientes de que tais declarações confirmam inabalavelmente a infalibilidade de 'Abdu'l-Bahá e não deixam qualquer possível desculpa para os bahá'ís não seguirem e obedecerem a Ele, não conseguimos descobrir, seja nos Escritos de Bahá'u'lláh ou nos Escritos e textos autorizados de 'Abdu'l-Bahá, qualquer afirmativa sobre a infalibilidade dEle mesmo.

(2) Qual o grau de autoridade dos escritos e das declarações autorizadas de 'Abdu'l-Bahá com relação a assuntos não relacionados diretamente com a Fé Bahá'í ou com a religião de um modo geral?

O Guardião afirma que sua infalibilidade (do Guardião) se aplica somente às declarações relacionadas estritamente com a Causa e com a interpretação dos ensinamentos. Ele diz não ser uma autoridade infalível sobre outros assuntos, como economia, ciência, etc. Tais afirmativas se aplicam também a 'Abdu'l-Bahá?

(3) Podem determinadas afirmativas de 'Abdu'l-Bahá, não relacionadas diretamente com a Fé Bahá'í, serem consideradas como verdadeiras somente quanto ao tempo e ao lugar onde foram feitas, ou são uma expressão mais universal da verdade?

Particularmente, estamos interessados em algumas das declarações de 'Abdu'l-Bahá concernentes a assuntos científicos. Tais afirmativas podem ser entendidas no contexto de um público do início do século XX, ao qual foram feitas (e então serem entendidas como possivelmente uma expressão menor da verdade do que aquela que é hoje encontrada na ciência), ou são afirmativas mais abrangentes de verdades que a ciência irá descobrir e corroborar no futuro?

Por exemplo, 'Abdu'l-Bahá faz várias afirmativas concernentes ao éter, um meio hipotético através do qual se propagam as ondas de luz. Para uma audiência do início do século XX com algum conhecimento científico, essas afirmativas poderiam ter sido entendidas instantaneamente e poderiam ter reforçado vigorosamente os pontos que 'Abdu'l-Bahá desejava enfatizar. As teorias científicas atuais, porém, não usam o conceito do éter e na verdade acredita-se, com fortes evidências, que um éter na forma mencionada nas teorias do século XIX não existe. Devemos então tomar as afirmativas de 'Abdu'l-Bahá com relação ao éter como afirmativas mais completas do que as feitas pela ciência na atualidade, e talvez uma tentativa de construir uma "teoria bahá'í sobre o éter", ou tais afirmativas podem ser interpretadas no contexto do tempo em que foram feitas?

Também temos dificuldades em interpretar as declarações de 'Abdu'l-Bahá sobre evolução.

Ficaríamos muito gratos em receber qualquer informação ou comentário que nos ajudem a solucionar essas questões.

Com o mais caloroso amor bahá'í,
[ASSINAM OS AUTORES]
2. RESPOSTA DA CASA UNIVERSAL DE JUSTIÇA
Haifa, 3 de junho de 1982
Aos srs. .... e .....
Caros amigos bahá'ís,

A Casa Universal de Justiça nos instruiu a acusar o recebimento de sua carta datada de 28 de abril e fazer os seguintes comentários concernentes às suas três perguntas.

Era desejo expresso de Bahá'u'lláh que após Ele, os amigos deveriam "voltar-se" para 'Abdu'l-Bahá. Bahá'u'lláh também disse em Seu Livro das Leis que tudo aquilo que não estivesse claro em Seus Escritos deveria ser "referido" a Seu Supremo Ramo brotado da Raiz Antiga. (Cf. A Ordem Mundial de Bahá'u'lláh, 2003, p. 182). Em uma das Epístolas de 'Abdu'l-Bahá publicada em Seleção dos Escritos de 'Abdu'l-Bahá (1993, p.194), Ele cita as passagens acima mencionadas e as interpreta como significando que "qualquer coisa que Ele ('Abdu'l-Bahá) diz é a verdade real". 'Abdu'l-Bahá diz mais, referindo-se àqueles que não O aceitam como o Intérprete da Palavra de Deus:

"Quem se desviar de minha interpretação será vítima de sua própria fantasia."

(A Ordem Mundial de Bahá'u'lláh, 2003, p. 182)

Ainda mais, na revista Star of the West - vol. XII, p. 227, 'Abdu'l-Bahá interpreta os textos da "Epístola do Ramo" como significando "qualquer coisa que Sua (de 'Abdu'l-Bahá) pena registre é correto...".

Nada existe nos Escritos que nos possa levar a concluir sobre o que Shoghi Effendi diz sobre si mesmo com relação a declarações de assuntos não relacionados diretamente à Fé se aplicam, também, a 'Abdu'l-Bahá. Porém, temos asserções que indicam que a posição de 'Abdu'l-Bahá na Fé é tal que não encontramos "paralelo" nas Dispensações do passado. Por exemplo, Bahá'u'lláh, adicionalmente à Sua referência ao Centro de Seu Convênio como o "Mistério de Deus", afirma que 'Abdu'l-Bahá deve ser considerado como uma "exaltada obra" de Deus, e "uma Palavra que Deus adornou com o ornamento de Seu próprio Ser, e o fez soberano sobre a Terra e sobre tudo o que nela existe...". E de Shoghi Effendi temos a afirmativa incontestável que o Guardião da Fé, embora tendo o "abrigo" e a "proteção" de Bahá'u'lláh e do Báb, "permanece essencialmente humano", enquanto que a respeito de 'Abdu'l-Bahá, Shoghi Effendi afirma categoricamente que "na pessoa de 'Abdu'l-Bahá as características incompatíveis de uma natureza humana e um conhecimento e perfeição super-humanos foram amalgamados e estão inteiramente harmonizados".

Com referência à sua pergunta sobre o "éter", as várias definições desta palavra conforme expressas no Dicionário Inglês Oxford, todas se referem à uma realidade física, por exemplo, "um elemento", "uma substância", "um meio", todas implicando em uma realidade física e objetiva e, conforme vocês dizem, este foi um conceito posicionado pelos cientistas do século XIX para explicar a propagação das ondas de luz. Deve ter sido assim entendido pelas audiências às quais 'Abdu'l-Bahá Se dirigia. Porém, no capítulo XVI de Respostas a Algumas Perguntas, 'Abdu'l-Bahá dedica um capítulo inteiro para explicar as diferenças entre as coisas que são "perceptíveis aos sentidos" que Ele chama de "objetivas ou sensíveis", e as realidades do "intelecto" que não têm "forma externa e nenhum lugar" e "não são perceptíveis aos sentidos". Ele dá exemplos de ambos os "tipos" de "conhecimento humano". O primeiro tipo é óbvio e não necessita de explicações adicionais. Para ilustrar o segundo, deu os seguintes exemplos: amor, pesar, felicidade, o poder do intelecto, o espírito humano e a "matéria etérea" (no original em persa a palavra "etérea" tem o mesmo sentido de "etérica"). Ele afirma claramente que: "mesmo a matéria etérea, as forças da qual se diz em física serem calor, luz, eletricidade e magnetismo, é uma realidade intelectual, não sendo sensível". Em outras palavras, o "éter" é um conceito concebido intelectualmente para explicar certos fenômenos. No tempo devido, quando os cientistas não mais puderem confirmar a existência física do "éter" através de suas esmeradas experiências, eles criarão outros conceitos intelectuais para explicar o mesmo fenômeno.

Ao considerar o vasto alcance da "infalibilidade" divinamente conferida, a pessoa deve estar atenta, evitando o entendimento literal e as limitações da mentalidade que freqüentemente caracterizam as discussões deste assunto no mundo cristão. O Manifestante de Deus (e em grau menor 'Abdu'l-Bahá e Shoghi Effendi), tem de transmitir elevados conceitos cobrindo o inteiro campo da vida humana e atividade das pessoas cujo conhecimento atual e alcance de entendimento estão muito abaixo do dEle. Ele deve usar o meio limitado da linguagem humana contra a limitada e, muitas vezes errônea, experiência decorrente do conhecimento tradicional de Sua audiência e o entendimento corrente, para elevá-la a um nível inteiramente novo de conscientização e conduta. É uma tendência humana, contra a qual o Manifestante nos adverte comparar Suas afirmativas com o padrão inexato do conhecimento adquirido da humanidade. A tendência é pegá-los e colocá-los dentro de uma ou outra das categorias existentes da ciência ou da filosofia humana, enquanto que, na realidade, eles transcendem todas e irão, se entendidos de forma apropriada, abrir novos e amplos horizontes ao nosso entendimento.

Algumas das elocuções do Manifestante são claras e óbvias. Entre essas estão as leis de conduta. Outras são elucidações que conduzem as pessoas de seu presente nível de entendimento para um novo. Outras são alusões ainda não manifestadas, cujos significados tornar-se-ão aparentes somente quando o conhecimento e entendimento do leitor crescerem. E todas integram uma grande Revelação com o objetivo de elevar a humanidade a novos patamares de sua evolução.

É bem possível que encontremos alguma afirmativa embutida em termos familiares a audiência, à qual foi feita pela primeira vez, mas que é agora estranha para nós. Por exemplo, em resposta a uma pergunta sobre a referência de Bahá'u'lláh ao "Quarto Céu", no Kitáb-i-Íqán, o Guardião, através de sua secretária, afirmou:

"Com relação à ascensão de Sua Santidade Cristo ao quarto céu, revelada no Livro da Certeza, Shoghi Effendi diz que o termo 'quarto céu' é utilizado para estar em conformidade com as teorias e os termos dos antigos astrônomos que tinham o apoio dos seguidores da seita xiita, e já que o Livro da Certeza foi originalmente revelado para orientação daquela seita, o termo em questão, portanto, foi utilizado em conformidade com suas teorias."

(Traduzido do árabe)

Ao estudar tais afirmativas, no entanto, devemos ter a humildade de apreciar devidamente as limitações de nosso conhecimento e perspectivas, e sempre nos esforçarmos para entender o propósito de Bahá'u'lláh em mencioná-las, tentando olhar para Ele com Seus próprios olhos, como se assim o fosse.

Espera-se que as explicações acima sejam úteis a vocês em seus estudos de assuntos sobre os quais demonstraram interesse.

Com amorosas saudações bahá'ís,
[ASSINA: DEPARTAMENTO DE SECRETARIADO]
Apêndice II

Comentários sobre a Última Vontade Testamento de 'Abdu'l-Bahá

POR DAVID HOFMAN (1)

A Civilização é a expressão social do espírito humano. Em todas as épocas da História este espírito expressou-se em um "Evangelho" ou "Livro", e todas as eras exigiam sua própria voz para clamar seus ideais latentes na selva da confusão vigente - um período de transição de uma era social para outra.

A Fé Bahá'í é reconhecida como a expressão do espírito desta era, e Bahá'u'lláh, seu Autor, aclamado por Seus seguidores como o Mensageiro de Deus para os dias atuais. Sua Revelação trata diretamente de todos os problemas da atualidade, de uma forma espiritual e prática.

A Última Vontade e Testamento de 'Abdu'l-Bahá, Seu filho [metaforicamente], constitui o "laço indissolúvel" entre a própria Revelação e a ordem mundial que a Revelação está destinada a promover.

"As energias criadoras liberadas pela Lei de Bahá'u'lláh, penetrando e evoluindo na mente de 'Abdu'l-Bahá, produziram, pelo próprio contato e pela íntima interação, um Instrumento que pode ser considerado a Carta da Nova Ordem Mundial, a qual é, a um tempo, a glória e a promessa desta Dispensação suprema." (2)

Nenhum ser humano afirmaria, hoje em dia, entender inteiramente A Última Vontade e Testamento de 'Abdu'l-Bahá. Para nós, "a geração da meia-luz", é dada apenas uma tênue percepção de seus aspectos básicos - as principais instituições, a luz mais brilhante e a sombra mais escura, uma visão anuviada do todo e apenas um lampejo do sutil e oculto relacionamento entre seus elementos componentes.

Mas, por isso, nos é dada também a oportunidade de nos aprofundarmos nesse mistério, buscarmos alcançar, mais e mais, na luz sempre crescente desta extraordinária alvorada, o panorama geral, e alcançarmos - pela experiência da sociedade bahá'í que o Espírito todo-poderoso de Bahá'u'lláh já propiciou e pelo esforço para entendermos o mistério de Sua Revelação - uma visão mais clara daquela Ordem Divina da qual A Última Vontade e Testamento é a Carta Magna.

Afim de obtermos um entendimento mais completo, é necessário analisarmos esse extraordinário Documento como analisaríamos uma obra de arte; livre de todas as concepções objetivas, formatos, cores, instituições, métodos, livres, particularmente, de qualquer expectativa e do conceito de "contos do passado". É essencial, considerar A Última Vontade e Testamento não como confirmação de concepções próprias, mas esperar, com paciência, até ler por completo o que o Autor tem a dizer.

Com esta atitude sempre em mente, podemos considerar a teoria política e social da Ordem Mundial de Bahá'u'lláh, a qual opera através das provisões e instituições definidas na Última Vontade e Testamento de 'Abdu'l-Bahá. Está resumida na palavra Teocracia, ou, como dito em uma Dispensação do passado: "O próprio Deus irá governar Seu povo." Tal sistema não pode ser inteiramente democrático, nem aristocrático, e nem autocrático. Deve, e o faz, fundamentar-se nas diferentes sanções e operar através de diferentes canais, sem, contudo, descartar o que representa os acervos positivos da experiência humana.

Nenhum povo moderno jamais pensaria em Deus como um Ser encarnado, administrando os assuntos deste mundo e atuando de alguma capital terrena. A concepção de Teocracia, portanto, em seu verdadeiro sentido de governança pela Vontade de Deus, não é uma nova imaginação e esperança do ser humano, mas é, definitivamente, uma nova (embora ainda pouco conhecida) experiência consciente. Os maiores esforços das pessoas, seja no exemplo do outrora poderoso sistema da cristandade, fundamentado no primado indubitável de Pedro e reforçado pelo que o gênio romano tinha para oferecer, ou no vagaroso e empírico crescimento da Constituição do império britânico, ou ainda nos incansáveis esforços dos criadores da Constituição norte-americana - de nenhum deles pode-se dizer que tiveram a estampa da perfeição que caracteriza a Teocracia. Nem, realmente, pode-se esperar que tal Sistema seja unicamente praticável em uma sociedade madura em sua generalidade. E a humanidade, mesmo agora, permanece somente no portal de entrada daquela condição, incapaz de abandonar sua juventude e avançar com alegria e destemor em seu destino.

O que se comprova, no entanto, é que os atributos de Deus se expressam de forma perfeita nesta Manifestação. "Quem viu a Mim, viu o Pai"; "quando contemplo, ó Meu Deus, os laços que a Ti me unem, sou levado a proclamar a todas as coisas: 'verdadeiramente, sou Deus!'; e quando considero meu próprio ser, sinto-me inferior à própria argila!" Portanto, durante o tempo em que o Manifestante divino reside entre os homens, a Vontade de Deus pode ser conhecida sem temor à poluição oriunda de qualquer canal através do qual ela é revelada. Somente muito raramente, porém, é o Manifestante obrigado a administrar a ordem social que Sua Revelação cria.*

O problema, portanto, é proteger a Palavra e encontrar os canais adequados e seguros para um fluxo contínuo de orientação divina após a ascensão do Profeta. Esta é uma condição essencial da Teocracia, condição sine qua non, sem a qual, qualquer ordem, não importando quão boa seja, carecerá da sanção final da interpretação autêntica do "Livro". Não é de se admirar ter Muhammad caracterizado Seu Livro e Sua Família (tendo 'Alí como seu sucessor designado) como os dotes maiores por Ele deixado a Seus seguidores. É no Livro, na palavra Escrita, e em sua interpretação conforme autorizada por Seu Autor, que um estado teocrático deve fundamentar-se.

O aspecto singular e incomparável da Revelação Bahá'í é que, pela primeira vez na história, uma provisão completa e inegável foi concebida para a proteção da Palavra e para a continuidade da guia divina, sem, de forma alguma, restringir a força criativa latente em toda alma humana, e que, quando evocada pela Palavra de Deus, é o poder motivador e impulsor da civilização. Longe de impedir a operação desta força poderosa, a Ordem Mundial de Bahá'u'lláh provê os elementos necessários para a sua expressão completa, e eliminando o temor "econômico", oferece uma abrangência maior e um período mais longo de atuação efetiva dessa força. Além disso, provê os canais adequados para sua direção e a orientação completa do Convênio, de forma a que os excessos e desperdícios, bem como a confusão comum dos primeiros dias de uma nova vitalidade, sejam evitados. Referência é feita, como comparação, a tempos como os da Renascença, ou, numa escala menor, à colonização no Oeste norte-americano.

A instituição provida pela Revelação Bahá'í para proteger o Livro de interpolações e para mantê-la aberta ao canal da Orientação divina, são a Guardiania e a Casa Universal de Justiça, os "pilares gêmeos" da Ordem Mundial de Bahá'u'lláh. O Guardião, como intérprete do que se encontra no Livro, e a Casa Universal de Justiça, como legisladora sobre assuntos não providos no Livro, estão "ambos sob a proteção e cuidados da Beleza de Abhá, sob o abrigo da guia infalível de Sua Santidade, o Excelso". O relacionamento espiritual íntimo existente entre essas duas instituições é comentado posteriormente, embora seja evidente ser este um dos aspectos da Ordem Mundial de Bahá'u'lláh no presente ainda envolto em mistério, um mistério que a experiência e a passagem do tempo esclarecerão a seu tempo muito mais do que esta presente meditação.

A Guardiania é outro mistério cujo significado completo somente será descoberto por futuras gerações. Para nós, significa, de nossa própria experiência, unidade, preservação, e uma autoridade suprema, mas para futuras gerações poderá ser tanto mais como menos. Menos, porque a Casa Universal de Justiça estará inteiramente estabelecida e ativa, e também o exercício daquelas funções que agora cabem ao Guardião; mais, em virtude do apriomoramento da instituição através do desenvolvimento completo de todos os outros componentes da Ordem Mundial Bahá'í e devido à expansão de suas atividades decorrente da guia inspiradora, defensora e amada de uma pequena mas operosa comunidade mundial, no exercício completo de seus deveres e prerrogativas como um dos pilares gêmeos, sustentáculos de uma ordem social única no planeta. Mas podemos dizer algo sobre a importância desta poderosa instituição à luz da experiência histórica. Em qualquer estado moderno, altamente desenvolvido e, portanto, complexo, alguma forma de garantia teve de ser criada ou desenvolvida para a proteção da constituição. Na Inglaterra, a constituição (elusiva e indefinida) é garantida pela monarquia. O rei é quem provê a garantia dos direitos e liberdades do indivíduo, sendo também o apoiador da autoridade constitucional. Na América do Norte, a Corte Suprema cumpre esta função.*

É um fato comprovado que os povos mais politicamente maduros deram-se conta da necessidade e buscaram prover a necessária salvaguarda da base de suas sociedades. Decorrente da experiência histórica, onde cada convênio existente foi eventualmente quebrado, e toda ordem vigente corrompida, o ser humano continua buscando uma base segura e uma casa construída sobre uma rocha.

Esta necessidade básica é atendida na Ordem de Bahá'u'lláh através da instituição inigualável da Guardiania. Não somente é o Guardião o canal da Guia divina, mas é também o protetor, o "Guardião da Causa de Deus". O Livro - o "Livro Mater" - do qual procede esta poderosa decisão, afirma ser ele seu guardião e intérprete, e ninguém mais pode exercer tal função. O Guardião está sob a proteção do Manifestante de Deus e, portanto, através dele "a poderosa fortaleza da Causa permanecerá inexpugnável e segura".

O autor não deseja estender-se além deste esclarecimento no momento, pois outros comentários sobre a Guardiania neste estágio certamente pareceriam nebulosos para uma expressão clara e segura do que se quer esclarecer.

Entendamos, neste ponto, com base na sanção inviolável da Palavra de Deus, a guia divina dada ao ser humano com relação à interpretação do que foi já revelado e como deverão ser decididas quaisquer outras adições ao Livro, quando necessárias, para a correta condução de seus assuntos. A flexibilidade da Ordem Administrativa decorre dessas funções complementares das duas instituições gêmeas. Pois a interpretação do Guardião pode variar quanto à aplicação (nunca quanto aos princípios), enquanto que a Casa Universal de Justiça tem oficialmente a prerrogativa de cancelar ou modificar suas próprias leis, quando não fazem parte do Livro.

Os vários órgãos que deverão levar às almas humanas a energia gerada pela ação da Palavra criativa são tratados a seguir. É importante enfatizar que a orientação e a energia coexistem também nessas instituições e operam através delas. Este é o processo espiritual implícito quando se diz que as instituições bahá'ís não são apenas religiosas, jurídicas, sociais ou políticas. São tudo isso ao mesmo tempo, uma Ordem orgânica, complexa, altamente desenvolvida, com instituições maduras e, portanto, muito difícil de serem estabelecidas, e sua misteriosa operação mais difícil ainda de entender, algo que a atual comunidade mundial dos bahá'ís conhece bem, tanto com os sofrimentos como com as alegrias que proporcionam.

A energia é gerada pelas massas, a orientação é difundida do alto; as duas, misturadas em seu fluxo pelas artérias desta ordem orgânica e se espraiando através de seu sistema nervoso, constituem sua força vital.

Deve-se ter em mente que a Última Vontade e Testamento é uma parte inseparável das Escrituras da Fé Bahá'í, não podendo ser dissociada do restante das elocuções de 'Abdu'l-Bahá, como de qualquer outra parte da Palavra criativa de toda a Revelação. Deve ser lembrado, também, que outras declarações do Mestre sobre as funções das Casas de Justiça, sobre consulta, sobre a condução geral dos assuntos relacionados aos direitos e obrigações dos crentes, são todas de igual importância na Ordem Mundial de Bahá'u'lláh. Mas a Última Vontade e Testamento é a Carta Magna, clara e autêntica, desta Ordem; estabelece suas instituições e define seus relacionamentos.

Através deste documento, os direitos de todos estão protegidos, e definidos a autoridade e os direitos de cada um. Deve ser considerado como um estatuto da civilização mundial, o Rol de Direitos de toda a humanidade.

Na Ordem Mundial de Bahá'u'lláh, o poder e a iniciativa são da alçada das pessoas. O poder se expressa através do controle de todos os assuntos locais pela Casa Local de Justiça - um corpo eleito pelos residentes adultos em todas as localidades, cuja instituição deve apresentar seus relatórios periodicamente (a cada 19 dias) e buscar os conselhos, opiniões e comentários da comunidade à qual serve. A inicitiva decorre da injunção direta de Bahá'u'lláh sobre cada pessoa de engajar-se em "alguma ocupação, como arte, manufatura, comércio, profissão, e outras", pois, "fizemos disso, vossa ocupação, idêntica à adoração a Deus, o Verdadeiro".

É também um ensinamento básico de Bahá'u'lláh que tudo o que foi revelado por Deus - Sua Revelação, Guia, Conhecimento - está em proporção direta com a capacidade de entendimento e absorção pela humanidade na época da Revelação. Portanto, em alguma extensão, dentro do período de uma Dispensação, o ser humano é o árbitro de seu próprio destino. Pois os dons e graças disponíveis a ele são conferidas de acordo com seus próprios esforços. "Aquele que se esforça em Nossa busca, a ele concederemos o espírito de fidelidade..." Por isso, o único limite imposto à expressão externa da soberania do Manifestante divino é o estágio de desenvolvimento do poder humano em responder ao chamado da Palavra de Deus. Este poder é a mais elevada faculdade do ser humano e nesta Dispensação alcança sua completa maturidade. Tal poder motivador da sociedade, surgindo de cada indivíduo, permanece indelével nas pessoas através da atuação de suas instituições e das prescrições de Bahá'u'lláh.

O Manifestante de Deus é a Fonte de tudo. Através dEle, são evocados o poder e as iniciativas das massas da humanidde. Através de Seu Convênio, especificamente centrado em 'Abdu'l-Bahá, a interpretação e a proteção são concedidas. Através da Última Vontade e Testamento de 'Abdu'l-Bahá o Convênio é preservado e estendido por toda a duração da Dispensação. Autoridade e guia divina estão sob a alçada da Casa de Justiça, e a garantia e a orientação divina estão sob a responsabilidade do Guardião. Um estreito relacionamento existe entre as partes componentes e inseparáveis da Comunidade Mundial Bahá'í.

Isso significa Teocracia. Poder e iniciativa evocados pela Palavra de Deus; autoridade conferida pela Palavra de Deus; garantia e guia dadas e mantidas pela Palavra de Deus. Tudo com base na Palavra criativa com o próprio Deus governando Seu povo.

Tal sistema, abrangente e inquestionável, está agora passando pela experiência humana. Nem a Fé cristã, nem a islâmica, podem alegar possuir autoridade escrita e insofismável da autoridade do Manifestante de Deus para qualquer sistema dentro de suas congregações de fiéis. Conseqüentemente, socialmente seu poder criativo é paralizado pelo espírito da crítica moderna, sendo incapazes de fazer qualquer contribuição significaiva para a reorganização da sociedade mundial. Sincero e altruísta é o desejo de muitas pessoas dentro dessas religiões, e outras tantas em outros grandes sistemas religiosos do mundo, aqueles mesmos sistemas que dirigem a visão de seus membros por suas própria fronteiras, o que torna pequenas as chances de suas aspirações serem realizadas, salvo através do Convênio Maior cuja promessa está entesourada em seus Livros Sagrados.

A Última Vontade e Testamento de 'Abdu'l-Bahá está dividida em três partes, cada uma delas aparentemente escrita em tempos diferentes, as últimas duas algum tempo depois da primeira. É um ponto de inferência que as Segunda e Terceira Partes tenham sido adicionads pelo Mestre após duas particularmente flagrantes violações de parte de membros traidores de Sua própria Família. A Primeira Parte tem a seguinte nota em seu final:

"Por muito tempo este manuscrito havia sido guardado debaixo da terra, sendo assim afetado pela umidade, pois certos trechos se mostravam danificados. Foi o que se verificou ao trazê-lo para luz, mas foram deixados intocados diante de lamentáveis fatos ocorridos na Terra Santa."

As Segunda e Terceira Partes mencionam as novas violações do Convênio e enfatizam a importância da preservação da Fé. O Guardião e a Casa Universal de Justiça são mencionados em ambas as partes.

Alguma noção das provações que 'Abdu'l-Bahá teve de enfrentar pode ser obtida com apenas uma rápida leitura do Testamento; como na seguinte frase:

"Ó amigos ternamente amados! Estou agora em grande perigo e a esperança de até mesmo uma só hora de vida está perdida para mim."

Sob tais condições, o único pensamento do Mestre era para os amigos e para a preservação da Fé. Ele ora por ambos, envia Seu amor e confere Suas bênçãos, e conclui com menção ao Guardião.

Vamos agora ao próprio texto. O parágrafo de abertura serve como introdução ao tema principal que é transcrito a seguir e revela seu esboço principal, que é o Convênio de Bahá'u'lláh:

"Todo louvor Àquele [Bahá'u'lláh] que, com a proteção de Seu Convênio, resguardou o Templo de Sua Causa contra os dardos da dúvida,..."

O Convênio, que protege a Fé de divisões internas e também dos rompedores, é inseparável do nome de 'Abdu'l-Bahá, cuja Última Vontade e Testamento é uma parte essencial dele, como o é a Última Vontade e Testamento de Bahá'u'lláh.

O tema principal do Convênio versa sobre a proteção da Palavra e sobre a continuidade da guia divina. No Testamento de Bahá'u'lláh este tema tem uma expressão única e bem definida: 'Abdu'l-Bahá, o Supremo Ramo, o Centro do Convênio. Na Última Vontade e Testamento de 'Abdu'l-Bahá tem duas expressões, a Guardiania e a Casa Universal de Justiça.

Esta segunda referência merece uma meditação mais aprofundada. É em si mesma uma declaração completa, perfeitamente construída e ajustada devidamente à Última Vontade e Testamento como uma unidade integral. Começa com o Guardião e termina com o Guardião, mas não antes de incluir cada membro da grande ordem mundial, destinada a construí-la:

"Saudações e louvor, bênção e glória cubram aquele ramo primaz do Loto Sagrado e Divino, que brotou abençoado, tenro, verdejante e florescente, das Santas Árvores Gêmeas,..."

O "ramo primaz" é Shoghi Effendi ; o Loto Sagrado e Divino é o Manifestante de Deus (especificamente Bahá'u'lláh neste caso), e as Árvores Gêmas são Bahá'u'lláh e o Báb, Shoghi Effendi sendo descendente de ambas as casas, a do Báb através de seu pai, e de Bahá'u'lláh através de sua mãe.

Esta é a primeira menção do Guardião e é feita imediatamente após o louvor a Bahá'u'lláh e a Seu Convênio. Observem a delicada e amorosa linguagem que o Mestre usa, e então considerem a próxima parte desta longa menção:

"...a mais maravilhosa pérola, inestimável e sem igual, que cintila dos encapelados mares Gêmeos;..."

Este é o testemunho de 'Abdu'l-Bahá ao primeiro Guardião. Os Mares Gêmeos que surgem novamente referem-se a Bahá'u'lláh e ao Báb. Podemos observar aqui que através das Escrituras Bahá'ís, o Loto Sagrado, o Oceano, o Rouxinol, são símbolos do Manifestante de Deus, e que sempre os símbolos gêmeos são mencionados, referência é feita aos dois Manifestantes desta Dispensação, Bahá'u'lláh e o Báb.

A declaração agora continua com a menção de outros na Fé, sobre os quais "saudação e louvor" são invocados. "Os ramos da Árvore de Santidade", isto é, os filhos de Bahá'u'lláh; "Os rebentos da Árvore Celestial" são os descendentes e membros de Sua família e da família do Báb; e a menção:

"...aqueles que se mantiveram firmes e fiéis no Convênio, no Dia da Grande Divisão;..."

Esta refere-se à ascensão de Bahá'u'lláh quando muitos tentaram a liderança e violaram explicitamente o Convênio escrito. A grande divisão foi entre aqueles que eram fiéis e o violador, e não faz referência alguma a um cisma. Conforme comprovado pelo tempo, o Convênio floresceu e os violadores reduzidos a nada. A seguir, encontram-se as Mãos (pilares) da Causa de Deus, aqueles que espalharam a Mensagem e simbolizando "a retidão neste mundo e ateado o Fogo do Amor de Deus nos próprios corações e almas de Seus servos". Finalmente, a menção:

"...aqueles que acreditaram e se compenetraram, ficando firmes em Seu Convênio e seguindo a Luz que, após meu falecimento, brilha da Aurora da Guia Divina - pois ei-lo! - ele é o ramo abençoado, sagrado, que brotou das Santas Árvores Gêmeas."

Aqui se encontra uma afirmativa definitiva que após o passamento de 'Abdu'l-Bahá a guia divina será dada através do Guardião, uma declaração por escrito feita ainda mais explicitamente mais tarde, sem precedente na história religiosa do mundo.

Quão grande é esta passagem, quão perfeita sua composição, quão bela sua apresentação. Abrindo com o tema da Guardiania, continuando com o inteiro corpo de crentes, volta de forma fácil e graciosa ao tema, desenvolve-o num crescendo, pára, e então conclui com aquele acorde estrondoso:

"Bem-aventurado quem procura abrigar-se à sua sombra, que ampara toda a humanidade."

Algum comentário é oportuno que se faça à expressão "toda a humanidade". Não somente os crentes, mas todo ser humano está sob a proteção do Guardião. Isso não é difícil de entender quando se é consciente de que o Manifestante de Deus é a Árvore da qual todos os seres humanos são as folhas. Todos pertencemos àquela Árvore, conscientemente, inconscientemente, ou mesmo contra a própria vontade. O Manifestante é o Senhor da Era e "todos os demais são Seus servos e obedecem ao Seu Mandamento". Diretamente do Manifestante, por Sua vontade explícita, através do Centro do Convênio, a luz da guia divina continua a brilhar através do Guardião e assim será até que Deus se manifeste uma outra vez "na nobre forma do templo humano".

Todo desenvolvimento real é o do espírito. Os marcos do progesso - que chamamos de eventos - são alcançados primeiro no mundo espiritual e mais tarde objetivado em assuntos humanos. Assim, a soberania de Cristo foi um fato espiritual no tempo de Sua Manifestação, mas houve um interregno de algumas centenas de anos até que a consciência humana o entendesse como tal. O mesmo ocorre em nossos dias com a soberania de Bahá'u'lláh e, portanto, também com a Guardiania de Shoghi Effendi.

'Abdu'l-Bahá continua instando aos bahá'ís para protegerem a Fé Divina, um dever que pode ser realizado, como Ele afirmou mais tarde, nas palavras "obediência a ele que é o Guardião da Causa de Deus". 'Abdu'l-Bahá menciona o martírio dos primeiros crentes e algumas das aflições que recaíram sobre Bahá'u'lláh e o Báb. "Dez mil almas..."; uma leitura atenta dos escritos de 'Abdu'l-Bahá leva o leitor a sentir que a menção feita não menciona exatamente, mas significa um grande número.

O Testamento continua com um relato sobre a ignominiosa traição de Yahyá, o meio-irmão de Bahá'u'lláh, uma história bem conhecida por aqueles que choraram por causa das aflições sofridas pela Abençoada Beleza. Essa história sombria não está completa, porém, há também Muhammad 'Alí, o "centro de sedição", o "promotor primaz do mal"; Badí'u'lláh, por demais fraco para ser constante na fé ou mesmo na traição; Shu'a'u'lláh, que "junto com outros" conspiraram, arquitetaram e executaram um plano traiçoeiro com todas as suas forças, motivados pelo profundo ódio existente em suas míseras naturezas que os impeliram a se oporem à Luz de Deus e a tentar destruir o Centro do Convênio. A história de suas incontáveis maquinações é certamente sem paralelo. Não é difícil imaginar porque 'Abdu'l-Bahá procurou refúgio com Seu Pai, Todo-Poderoso, cuja Luz encontrou tão perfeita expressão em Sua pessoa:

"...Misericordiosamente ajuda-me, por meu amor a Ti, a fim de que eu possa sorver profundamente do cálice que transborda de fidelidade a Ti e que está repleto de Tuas generosas dádivas;... Senhor! Defende desses rompedores do Convênio a poderosíssima Fortaleza de Tua Fé e protege Teu Santuário secreto contra a investida dos ímpios. Tu és, em verdade, o Poderoso, o Potentíssimo, o Misericordioso, o Forte."

Ele em seguida proclama que 'Alí Muhammad foi "cortado da Árvore Sagrada"; expelido da comunidade dos crentes, para quem revela uma oração:

"Ó Deus, meu Deus! Guarda Teus servos fiéis contra os males do egoísmo e da paixão; protege-os, com os olhos vigilantes da Tua benevolência, contra todo rancor, ódio e inveja; abriga-os na fortaleza inexpugnável de Tua Causa; e, imunes às setas da dúvida, torna-os manifestantes de Teus gloriosos sinais. Ilumina suas faces com os raios refulgentes emanados da Aurora de Tua Divina Unidade; alegra seus corações com os versículos revelados de Teu Santo Reino; fortalece-os com Teu poder, que a tudo estremece, vindo da região da Tua Glória. Tu és o Todo-Generoso, o Protetor, o Onipotente, o Misericordioso!"

Agora, tendo estabelecido a Guardiania e exposto os violadores (cujos crimes Ele ocultou quando afetavam somente a Ele), Ele exorta os crentes, em linguagem muito vigorosa, a se engajarem no ensino da Causa o mais amplamente possível:

"...Não devem descansar, nem que seja por um momento, nem buscar repouso. Devem se dispersar por todas as terras, passar por todas as plagas e viajar através de todas as regiões. ...e uma vasta assembléia, por todo o Oriente e todo o Ocidente, reúna-se à sombra do Verbo de Deus, a fim de que as doces fragrâncias da santidade possam ser difundidas, as faces brilhem radiantemente, os corações sejam imbuídos do Espírito Divino e as almas tornem-se celestiais."

E no meio de tais atividades, Ele deseja que os amigos "devem ganhar renome no mundo, onde quer que forem". Em outra ocasião Ele diz:

"Eu desejo para vós distinção."
Também, no Testamento cita o exemplo:

"Os discípulos de Cristo esqueceram-se de si mesmos e de todas as coisas terrenas, abandonaram toda preocupação e tudo o que lhes pertencia, purificaram-se do egoísmo e da paixão e, com desprendimento absoluto, espalharam-se por toda parte, ocupando-se em chamar os povos do mundo para a Guia Divina, até que, finalmente, conseguiram transformar o mundo em outro mundo, iluminando a face da Terra. Até sua última hora, deram provas de sua abnegação no caminho dAquele Amado de Deus e, por fim, em diversas terras, sofreram martírio glorioso. Que os homens de ação sigam suas pegadas!"

O restante da Primeira Parte delineia as características principais da Ordem Administrativa. O Guardião recebe alguns epítetos e é oficialmente designado. Todos os "ramos", "brotos", "mãos" e os crentes devem "voltar-se para Shoghi Effendi... pois ele é o sinal de Deus, o ramo escolhido, o Guardião da Causa de Deus". Assim, a autoridade do intérprete, 'Abdu'l-Bahá, é conferida ao Guardião (a sucessão é ampliada mais tarde):

"...É o expositor das palavras de Deus e a ele sucederão os primogênitos de seus descendentes diretos."

Imediatamente após, o Guardião é declarado estar:

"...sob o amparo e a proteção da Beleza de Abhá [Bahá'u'lláh], sendo abrigados e guiados infalivelmente pelo Excelso [O Báb]..."

A determinação de obediência ao Guardião e à Casa Universal de Justiça, que está também sob a mesma proteção e guia, é tão forte e enfática como qualquer outra afirmativa dos Escritos do Mestre, e tais textos exigem uma leitura constante para que a plenitude de sua força se incorpore na pessoa.

A sucessão é estabelecida, trazendo à luz outra instituição, a das Mãos da Causa de Deus. O Guardião devia, ainda em vida, nomear seu sucessor (previamente designado como seu primogênito). As Mãos da Causa de Deus teriam de eleger nove dentre seus membros, e este corpo de nove, por votação secreta, aprovar a designação indicada pelo Guardião, por unanimidade ou por maioria de votos. Se não aprovassem, o Guardião deveria designar "outro ramo para sucedê-lo". Isso significa um descendente de Bahá'u'lláh.

As Mãos da Causa são todas designadas pelo Guardião, homens e mulheres de caráter espiritual elevado. 'Abdu'l-Bahá assim os descreve, definindo seus deveres:

"...difundir as Fragrâncias Divinas, elevar as almas dos homens, promover a educação, aperfeiçoar o caráter de todos os homens e ser, em todos os tempos e sob quaisquer condições, santificadas e desprendidas das coisas terrenas. Pela sua conduta, pelas suas maneiras, suas palavras e suas ações, devem elas manifestar temor a Deus."

O inteiro corpo das Mãos da Causa está sob "a direção do Guardião da Causa de Deus", mas o pequeno número de nove que eles elegem dentre eles próprios, "as quais se ocuparão continuamente com os importantes serviços a cargo do Guardião da Causa de Deus". Assim, o Guardião conta com a ajuda de um corpo de colaboradores, eleitos da aristocracia espiritual da humanidade, e tem também sob sua direção pessoas de elevado carácter, altamente espiritualizadas, podendo ser de qualquer parte do planeta, sempre que ele decidir designá-las.

Nada existe na Última Vontade e Testamento de cuja menção poder-se-ia inferir que as Mãos da Causa têm qualquer privilégio político, social ou econômico. Eles são conselheiros espirituais e instrutores da Causa e devem obedecer as Casas de Justiça como qualquer outro crente. Pode-se concluir, porém, que as Mãos da Causa podem ser ajudadas financeiramente pelo Huquq'u'lláh, já que esse dinheiro pode ser gasto "para que seja aplicada na difusão das Fragrâncias Divinas e na exaltação da Sua Palavra, para fins benévolos e o bem-estar comum" que são os deveres primordiais das Mãos da Causa. Conforme a interpretação do Guardião, sua decisão foi que, a manutenção do caráter não eclesiástico da Fé, a direção dos assuntos, a administração da Casa de Adoração, as reuniões e as comemorações dos festivais e dos aniversários, permanecerão como direito inviolável das Casas de Justiça em cada localidade.*

O propósito para o qual essas forças deverão ser mobilizadas é:

"...pois é o meio de transformar o mundo existente no Paraíso de Abhá, de tornar celestial a face da Terra, de fazer desaparecer o conflito entre os seres humanos, raças, nações e governos, e os habitantes da Terra virem a ser como um só povo, uma só raça, e o mundo todo, um lar. Caso surjam divergências, deverão estas ser ajustadas, amigável e concludentemente, pelo Supremo Tribunal composto por representantes de todos os governos e povos do mundo."

Aqui se encontra a primeira e única menção desta importante instituição na Última Vontade e Testamento. Uma Corte Mundial de arbítrio, um Tribunal Supremo, formado por membros de todas as nações, irá, conforme o Guardião já escreveu:

"...adjudicar toda e qualquer disputa que surja entre os vários elementos que constituem esse sistema universal, sendo irrevogável a sua decisão." (3)

Em todo o teor da Última Vontade e Testamento, na verdade em todos os escritos de 'Abdu'l-Bahá, sente-se a inconfundível expressão daquele ideal de amor ilimitado, de reconciliação, amizade e universalidade, do qual Ele foi o Exemplar perfeito. Tais qualidades são ainda mais aparentes nesta poderosa Carta magna, na parte que trata das intrigas e dos ódios dos rompedores do Convênio, os quais teve de expor, e o fato do organismo ter sido mantido sadio com suas expulsões. Embora forte e veemente que tenha sido a denúncia do Mestre sobre os rompedores do Convênio, existem apenas oração e perdão para os mais agressivos opressores de 'Abdu'l-Bahá. Os rompedores do Convênio foram deixados à ira de Deus, mas para esse mesmo povo, os desprezíveis inimigos de 'Abdu'l-Bahá, existe apenas isso:

"...Ó meu Senhor! Tem piedade deles, protege-os de qualquer aflição, nesses tempos de dificuldades, e permite que todas as provações e dificuldades sejam destinadas a este Teu servo, caído nesta cova tenebrosa. ...Ó Deus, meu Deus! Humilde, suplicante e prostrado diante de Ti, imploro-Te, com todo o ardor de minha invocação, que perdoes a quem quer que me tenha injuriado, que absolva aquele que conspirou contra mim e me ofendeu, e apagues as más ações daqueles que foram injustos para comigo. ..."

Suas orações pelos crentes e pela Causa são fervorosas e simples. Igualmente as orações de proteção contra o ego e a paixão, e de segurança contra os rompedores. Ele agora os exorta:

"Ó vós amados do Senhor! Nesta sagrada Dispensação, o conflito e a contenda de modo algum são permitidos. Todo agressor priva-se das graças de Deus. Incumbe a cada um demonstrar o máximo grau de amor, retidão de conduta, sinceridade e verdadeira benevolência para com todos os povos e raças da Terra, quer amigos, quer estranhos. Tão intenso deve ser o espírito de amor e bondade, que o estranho sinta-se um amigo e o inimigo, um verdadeiro irmão, não existindo entre eles qualquer diferença. Pois a universalidade é Divina e toda limitação, terrena. Portanto, deve o homem esforçar-se para que sua realidade manifeste virtudes e perfeições cuja luz irradie sobre todos. A luz do sol brilha sobre o mundo inteiro, e as chuvas misericordiosas da Divina Providência caem sobre todos os povos. A brisa vivificadora anima toda criatura vivente e todos os seres dotados de vida obtêm seu quinhão à Sua mesa celestial. De igual modo, o afeto e a bondade daqueles que servem ao Deus, Uno e Verdadeiro devem-se estender generosa e universalmente a todo o gênero humano. A esse respeito, não se pode, em absoluto, permitir qualquer restrição ou limitação.

Deveis, pois, ó meus amorosos amigos, associar-vos a todos os povos, a todas as raças e religiões do mundo, com a maior sinceridade, retidão, fidelidade, benevolência, boa vontade e amizade, para que todo o mundo existente receba, copiosamente o santo êxtase das graças de Bahá, e assim, desvaneçam do mundo a ignorância, a inimizade, o ódio e o rancor, e a escuridão da desconfiança entre as nações e raças ceda lugar à Luz da Unidade. Se membros de outros povos e nações vos forem infiéis, mostrai-lhes vossa fidelidade; se vos forem injustos, tratai-os com justiça; se afastarem-se de vós, procurai atraí-los; se vos mostrarem inimizade, sede amigos para com eles; se envenenarem vossas vidas, adoçai suas almas; se vos ferirem, sede um bálsamo para suas feridas. Tais são os atributos dos sinceros! Tais são os atributos daqueles que dizem a verdade."

Esta citação servirá para nos lembrar que a Ordem Mundial de Bahá'u'lláh não é um mero sistema a ser estabelecido em uma sociedade em decomposição. Sua força motivadora, sua vida, seu alento, são o amor e o serviço a Deus; a Ordem Administrativa é o esquema divinamente criado através do qual a manifestação madura de tal força espiritual encontrará sua mais elevada expressão.

'Abdu'l-Bahá a seguir menciona a Casa de Justiça, explicando que se referia à Casa Universal de Justiça:

"...que Deus ordenou como a fonte de todo o bem e isenta de todo o erro,..."

Isso quer dizer o seu estabelecimento pelo próprio Bahá'u'lláh e que ela está sob a mesma proteção e guia concedidas ao Guardião:

"...esta deve ser eleita por sufrágio universal,..."

Uma determinação, mais tarde especificada, que os membros das Casas Nacionais de Justiça devem constituir o corpo eleitor da suprema Casa Universal de Justiça. O Mestre especifica as qualidades que os eleitores devem considerar ao elegerem este governo mundial.

"Seus membros devem ser manifestações do temor a Deus e auroras do conhecimento e da compreensão; devem ser constantes na Fé Divina e benévolos para com toda a humanidade."

O estreito e indissolúvel relacionamento entre os dois "Pilares" da Ordem Mundial de Bahá'u'lláh, as instituições gêmeas da Guardiania e da Casa Universal de Justiça, é então mais claramente esclarecido do que anteriormente, quando Ele menciona que estavam unidos "sob o amparo e a proteção da Beleza de Abhá, sendo abrigados e guiados infalivelmente pelo Excelso".

O Guardião, cujo direito de interpretação já havia sido estabelecido, é designado como membro líder permanente da Casa Universal de Justiça. Deve participar de suas deliberações ou enviar alguém em seu nome para representá-lo. "Ficará a critério do Guardião da Causa de Deus a expulsão" de qualquer membro que cometa um delito "prejudicial ao bem comum". Este comentário óbvio é que a guia dada à instituição não se estende aos indivíduos que por direito dela são membros. Somente o Guardião tem esta proteção e prerrogativa individual. A Casa de Justiça, porém, tem suas próprias funções claramente definidas, as quais o Guardião não pode transgredir:

"...Esta Casa fará todas as leis e todos os regulamentos que não foram previstos explicitamente no Texto Sagrado. Resolverá todos os problemas difíceis,... Esta Casa de Justiça decreta as leis, e o governo tem a seu cargo fazer cumpri-las."

A Casa de Justiça delibera sobre todos os assuntos não constantes no Livro, e legisla por votação da maioria. O Guardião tem direito apenas a um voto e não possui o direito de veto. Se ele julgar que uma decisão tomada é contrária ao espírito da Fé, certamente poderá pedir que seja reconsiderada, sendo impossível imaginar-se que a Casa de Justiça não irá buscar a verdadeira base espiritual do assunto em consulta com o Guardião.

É digno de nota, também, que recebendo as duas instituições a mesma atenção e proteção divinas, o Guardião, em virtude de sua condição de membro permanente, compartilha da autoridade outorgada à Casa de Justiça, embora não tenha individualmente poder de legislar.

Esses dois pilares da Ordem Mundial de Bahá'u'lláh, agindo em estreita harmonia, embora dentro de esferas claramente definidas, asseguram a continuidade da guia divina, não somente com relação à interpretação da Palavra revelada, mas também com respeito à aplicação prática dos princípios espirituais da Fé para assuntos mundanos, e igualmente legislam sobre aqueles assuntos que Bahá'u'lláh "deliberadamente deixou de mencionar", fora do "corpo de Suas determinações legislativas e administrativos". A autoridade, portanto, é investida à Casa de Justiça de acordo com o Testamento de Bahá'u'lláh e A Última Vontade e Testamento de 'Abdu'l-Bahá. A garantia, ou a Guardiania, vem do Guardião em virtude de sua interpretação da Palavra de Deus, a base fundamental sobre a qual a inteira estrutura é erguida. Já vimos que o poder e a iniciativa residem com a massa de crentes - no povo - que constitui a sementeira do desenvolvimento humano.

Este parágrafo sobre a Casa de Justiça se encerra com uma declaração que penetra fundo na confusão e balbúrdia da moderna administração no mundo em geral, e ainda assim mantém a marca de profunda sabedoria e simplicidade:

"O corpo legislativo deve reforçar o executivo, e o executivo, por sua vez, deve apoiar e auxiliar o legislativo, de modo que, pela estreita união e harmonia dessas duas forças, as bases da retidão e justiça tornem-se fortes e firmes, e assim todas as regiões do mundo se transformem no próprio Paraíso."*

O corpo executivo é composto, ainda com limitações, pelas Casas Nacionais e Locais de Justiça, mas haverá sem dúvida um serviço executivo permanente, como já existe em alguns países, exemplo a Liga das Nações e seus comitês sobre nutrição, drogas e tráfico de escravos brancos, padrões salariais, educação, e no secretariado de seu próprio conselho.

O mandato da Casa Universal de Justiça é claro e definitivo. Deve deliberar "sobre questões obscuras e assuntos não expressamente tratados no Livro". O que quer que decida tem o mesmo efeito do próprio texto. Mas, a despeito de tal autoridade indiscutível que lhe é concedida, suas decisões não estão no mesmo nível da Palavra de Deus, uma distinção que o Mestre claramente mantém e sobre a qual mostra suas implicações. As decisões e leis formuladas pela Casa Universal de Justiça podem ser ab-rogadas pela própria Casa Universal de Justiça, enquanto que o texto do Livro permanece supremo e inviolável por toda a Dispensação.

Os membros da Casa de Justiça mudarão, mas a instituição é criação de Bahá'u'lláh. O Guardião, em virtude de sua condição de membro permanente, dá a ela aquela continuidade de visão e abnegada que são fortes características da monarquia.

A Casa Nacional de Justiça, ou Casa "secundária" conforme denominada no Testamento, é uma contribuição do próprio 'Abdu'l-Bahá às instituições da ordem mundial. A Casa Universal de Justiça e as Casas Locais de Justiça foram designadas por Bahá'u'lláh, mas foi o Mestre que instituiu o corpo secundário ou intermediário:

"...em todos os países deve ser instituída uma Casa de Justiça secundária, e estas Casas de Justiça secundárias devem eleger os membros da Casa Universal."

"Huquq", ou o pagamento de dinheiro com normas estabelecidas, determindo por Bahá'u'lláh, deve ser feito:

"...Deve ser feita por intermédio do Guardião da Causa de Deus, para que seja aplicada na difusão das Fragrâncias Divinas e na exaltação da Sua Palavra, para fins benévolos e o bem-estar comum."

O valor não é mencionado aqui (na realidade é um percentual de 19% da renda da pessoa após ter deduzido todas as despesas), mas o Mestre menciona aos amigos que Deus é independente de todas as coisas criadas e que esta oferta é um favor por Ele concedido para tornar "o povo firme e constante, e também, trazendo-lhe o acréscimo Divino".

As maquinações de Muhammad-'Alí e seus companheiros conspiradores foram uma fonte constante de perigo para o Mestre, e uma vez Ele foi obrigado a escrever o seguinte:

"Este injuriado jamais alimentou, nem alimenta, rancor, de modo algum, contra qualquer pessoa; para com ninguém nutre ele malevolência e nenhuma palavra pronuncia que não seja para o bem do mundo. Minha suprema obrigação, no entanto, impele-me, forçosamente, a guardar e preservar a Causa de Deus. Assim, com o maior pesar, aconselho-vos, dizendo: 'Guardai a Causa de Deus, protegei Sua Lei e tende receio profundo de qualquer discórdia. É esse o fundamento da crença do povo de Bahá (seja minha vida sacrificada por eles). Sua Santidade, o Excelso (o Báb), é a manifestação da Unidade Divina e o Precursor da Antiga Beleza. Sua Santidade, a Beleza de Abhá (seja minha vida um sacrifício por Seus amigos fiéis), é o Supremo Manifestante de Deus e a Aurora de Sua Mais Divina Essência. Todos os demais são Seus servos e fazem o que Ele ordena.'"

A sentença final é um repúdio direto à acusação que os rompedores fizeram contra 'Abdu'l-Bahá, que diziam ter Ele afirmado estar no mesmo grau do Manifestante, e com isso provava ser um impostor, de acordo com as palavras explícitas do Testamento de Bahá'u'lláh, onde é afirmado claramente que após Ele nenhum Manifestante surgiria antes que se completasse mil anos de Sua Revelação. (É interessante observar terem os rompedores do Convênio recorrido ao antigo método de usar determinadas sentenças para fins deturpados, ignorando totalmente o conteúdo básico da frase). Foram apenas alguns dos próprios seguidores do Mestre, os quais, em sua imaturidade e em incontido amor, inocentemente apoiaram aquela acusação, insistindo na mesma posição de 'Abdu'l-Bahá com a de Cristo e a de Bahá'u'lláh, porém 'Abdu'l-Bahá, a Quem viram e a Quem haviam entregue seus corações, estando remoto, nem sequer podia imaginar, perfeito Mestre que era, igualar-Se a Eles. Entende-se tal sentimento. A criança compara seu Pai celestial, desconhecido, com a figura de seu próprio pai, e muitas a confundiram como realidade. Endende-se que isso tenha ocorrido, apesar das repetidas afirmativas contrárias do Mestre, pois não é raro que as pessoas se apeguem inabalavelmente aos seus sentimentos, mantendo suas opiniões mesmo ao custo de sacrifícios pessoais. Achavam que as afirmativas de humildade de 'Abdu'l-Bahá eram feitas para levantar véus sobre Sua posição de Centro do Convênio, a fim de impedir que pessoas indignas e maldosas alcançassem um entendimento que somente iria prejudicá-Lo. Seja como for, o que ocorreu foi que deram sem querer apoio aos rompedores, que não perdiam tempo para levantar acusações contra 'Abdu'l-Bahá, em especial ao ter sido comparado com Cristo. Assim, a Causa de Deus sofreu muito, devido "à falta de inteligência de seus amigos", como o Guardião menciona, não apenas do ódio de seus inimigos.

O Testamento se encerra com uma reafirmação de seu tema principal - a Guardiania de Shoghi Effendi:

"Ó vós, fiéis amados de 'Abdu'l-Bahá! Incumbe-vos cuidar ao máximo de Shoghi Effendi, o broto que ramificou e o fruto que foi concebido pelas duas sagradas e divinas Árvores-de-Lótus, para que o pó do desânimo e da tristeza não lhe macule a natureza radiante, para que dia a dia lhe aumentem o contentamento, o júbilo e a espiritualidade, e assim ele cresça e se torne uma árvore frutífera."

Pois ele é, segundo 'Abdu'l-Bahá, o Guardião da Causa de Deus; e os Afnán, as Mãos da Causa de Deus e os amados do Senhor, todos devem obedecê-lo e voltar-se para ele. Aquele que não o obedece, não obedeceu a Deus; aquele que volta as costas a ele, afastou-se de Deus, e aquele que o nega, terá negado ao Ser Verdadeiro. Estejamos atentos, para evitar que alguém possa interpretar falsamente essas palavras, ou como aqueles que romperam o Convênio após o Dia da Ascensão (de Bahá'u'lláh), e por algum pretexto espúrio levante a bandeira da revolta, mostre-se obstinado e abra de par em par a porta da falsa interpretação. A ninguém é dado o direito de externar sua própria opinião, ou expressar suas convicções particulares sobre este ponto. Todos devem seguir a orientação oficial e voltar-se para o Centro da Causa e para a Casa Universal de Justiça. Quem se volta para qualquer outro que seja:

"...terá, em verdade, cometido um erro lastimável. Esteja sobre vós a Glória das Glórias!"

E a frase abaixo, não pode ser tirada de seu contexto e aplicada a tudo o mais além da sucessão:

"A ninguém é concedido o direito de difundir sua própria opinião ou expressar suas convicções particulares."

Na verdade, tal afirmativa, aplicada em qualquer outro contexto, estaria em direta contradição com o princípio bahá'í da consulta e seria uma negação total do direito outorgado por Deus de livre expressão. Refere-se apenas à designação do primeiro Guardião, sobre o que ninguém deve questionar.

Pelo momento, naturalmente, toda probabilidade de eventual dúvida ou alguma negação ser levantada é algo superado, pertence ao passado, mas as lamentáveis provações sofridas por 'Abdu'l-Bahá provaram somente, e de forma muito clara, como a obscuridade existente na natureza humana está sempre atenta a tirar vantagem de uma súbita oportunidade, causando, como, no caso, os transtornos que causaram, na ausência da presença física de Figuras como o Báb e Bahá'u'lláh. Ele queria evitar a repetição daqueles dias tenebrosos. A História prova que Ele conseguiu, e que o Convênio, que O envolvia, não foi quebrado, embora o abalo sofrido. Violado por muitos, como são contados os traidores, mas graça aos fiéis, embora não muito numerosos na época, a poderosa fortaleza do Convênio permaneceu "inexpugnável e segura", firme e intacta em sua eficácia como um abrigo para toda a humanidade. Melhor dizendo, ganhou em força através da eliminação de elementos inorgânicos, embora ao custo de muitas tribulações impostas aos Fundadores da Fé, tribulações como somente os Seres Sagrados podem suportar.

Podemos imaginar o que acontece ao "Judas" em cada Dispensação. A cena do povo gritando "crucifiquem-No"; que se junta sobre os telhados das casas em Tabríz para ver Sua execução; que brame por sangue e dificilmente se satisfaz com a cena de Seu bastinado; o turba que junta pedras do chão para arremessá-las contra a Majestade acorrentada. Essas qualidades são vistas em todas as revelações, e devem ocorrer, para provar mais uma vez e sempre a vitória da vida sobre a morte, naquelas transcendentes "almas puras e imaculadas" dos Manifestantes de Deus. Os instrumentos das trevas sem dúvida destruiram-se para que a Luz pudesse adentrar. "Pai, perdoa-lhes pois não sabem o que fazem."

Para aqueles que cometem pecado contra o Espírito Santo - que é reconhecer a Verdade e receber sua luz, e então colocar-se contra ele, utilizando-se erradamente do poder que lhes foi dado - está escrito no Evangelho não existir perdão. Para um bahá'í, a eternidade significa a duração de uma Dispensação, ao fim da qual existe um "novo céu e uma nova terra" e "todas as coisas são renovadas". Talvez um ser torturado, consciente de Deus mas excluído do "céu", é dada outra chance no Dia do Julgamento, quando o Senhor da Era purifica todas as coisas.

Quanto mais freqüentemente alguém ler A Última Vontade e Testamento, mais e mais ficará intrigado e deliciado ao mesmo tempo diante de suas qualidades artística e estética. Sua construção, a forma, a estrutura e a unidade, tudo proclama tratar-se de uma obra criativa, majestosamente fruto de uma mente equilibrada que sabe como harmonizar os valores subjetivos e as formas objetivas de expressão. Escrito sob pressão e dificuldades, jamais perdeu aquela qualidade que eleva uma obra de arte, música ou pintura, ao reino da arte verdadeira.

Em resumo, o objetivo primário é o reino de Deus na Terra; o tema, definido imediatamente após a Introdução, é a proteção e a guia divinas, um tema que tem duas fases, a Guardiania e a Casa Universal de Justiça, um tema que é repetido em cada parte do trabalho, que é perceptível nas muitas variações (princípios de ação e instituições subsdiárias) e se expande e desenvolve no corpo central do documento. Provê a frase final do documento. Drama e contraste são providos pela oposição dos rompedores, uma sombra tão escura e forte que chegou a "ameaçar subverter o próprio Edifício Divino". Acima de tudo está a glória de Bahá'u'lláh, e em toda a obra, a repetição dos temas maiores e menores, nas provações e perseguições dos Seres Superiores, no amor ilimitado derramado igualmente sobre amigos e opositores, exala o espírito de harmonia e elevado drama, o Dia e a Noite do cosmos, que, pela criação dá forma em madeira ou pedra, pintura ou música, linguagem ou ordem social, e nós, humanos, esforçamo-nos perpetuamente para entesourar.

Apêndice III

O Término da Guardiania Instaurada na Última Vontade e Testamento de 'Abdu'l-Bahá

POR DAVID HOFMAN (1)

Quando, em novembro de 1957, o Guardião da Fé Bahá'í faleceu súbita e prematuramente sem deixar um herdeiro, o mundo bahá'í viu-se diante de uma situação inesperada ao constatar ser inaplicável uma das provisões básicas da Última Vontade e Testamento de 'Abdu'l-Bahá.

Decidi desta forma fazer um relato histórico sobre aqueles portentosos anos entre o passamento do Guardião e a eleição da Casa Universal de Justiça, e o papel de suprema importância desempenhado pelas Mãos da Causa de Deus naquele interregno. Aqueles momentosos e emocionantes tempos se passaram, enquanto que as esperanças, os temores e as especulações que engendraram são desconhecidos da grande maioria dos novos bahá'ís. A Casa Universal de Justiça emitiu suas declarações oficiais sobre a nova situação e sua resolução a respeito, mas o relato sintético feito nestas considerações finais registra algo do aspecto subjetivo daqueles dias e como o Convênio de Bahá'u'lláh preservou a unidade e a própria vida de Sua Causa. A despeito de tão desastroso golpe como aquele que abalou a infante Fé, tirando a vida, subitamente, daquele centro da Guia divina e da autoridade máxima no qual todos inabalavelmente confiavam [Shoghi Effendi], os princípios fundamentais da Ordem Mundial de Bahá'u'lláh não foram alterados, Seu Convênio manteve-se inviolável, e A Última Vontade e Testamento de 'Abdu'l-Bahá permaneceu como a Carta Magna da Nova Ordem Mundial.

A súbita e inesperada morte do Guardião da Fé em novembro de 1957 foi um golpe que abalou profundamente a comunidade mundial bahá'í. O choque foi também um motivo de apreensão que atingiu às próprias bases da Fé, já que Shoghi Effendi não deixou nenhum testamento e ninguém sabia como seria mantida agora a característica suprema e sem paralelo da Ordem Mundial de Bahá'u'lláh - a continuidade da guia divina, que a Fé havia usufruído ininterruptamente por noventa e quatro anos.

O tema da Última Vontade e Testamento de 'Abdu'l-Bahá, "guia e proteção divina, a Guardiania e a Casa Universal de Justiça" tornara-se um baluarte de segurança no coração e na alma de todo bahá'í. Mas o Guardião se fora e não havia sucessor; a Casa Universal de Justiça não havia ainda sido formada. A validade do Convênio de Bahá'u'lláh estava em jogo.

Agora, se alguma vez isso ocorreu no passado, mais que nunca era um momento propício para divisão, dúvidas e desintegração. Mas o que ocorreu foi exatamente o contrário; houve consolidação, renovação do vigor e resolução mais forte de continuar levando avante as tarefas determinadas pelo Guardião, bem como o aumento da conscientização do privilégio de ser bahá'í. O amor pelo Guardião tornou-se a fonte de maior dedicação, sacrifício e serviços à Causa, e os crentes no mundo inteiro tornaram-se ainda mais conscientes de sua unidade. O poder misterioso do Convênio, exercendo sua influência protetora, benigna e vitalizadora, tornou-se bem visível no curso da década seguinte à do passamento do Guardião, e sua operação é o tema que trataremos a seguir.

Não precisamos enfatizar o doloroso e esmagador sentimento de tragédia daquele tempo. Alguma menção, porém, deve ser feita ao relacionamento entre os crentes e o seu Guardião, para facilitar o entendimento dos elementos da crise e os acontecimentos que dela decorreram.

Shoghi Effendi assumiu a Guardiania em 1921, um jovem de vinte e quatro anos de idade em seu segundo ano estudando no Colégio Balliol, em Oxford. Rapidamente assumiu a posição definida por 'Abdu'l-Bahá e, durante os anos que se seguiram, por sua inabalável devoção aos interesses da Causa, por sua capacidade de tornar visível aos bahá'ís seus horizontes iluminados, por seus atenciosos e amorosos cuidados com o entendimento ainda inadequado e imaturo quanto à suprema grandeza da Revelação de Bahá'u'lláh, por seus poderosos escritos, por seu constante desafio aos crentes, mobilizando-os e direcionando vitoriosamente suas capacidades latentes para os serviços à Fé, por estas e por todas as ações de sua vida, Shoghi Effendi tornou-se o "amado Guardião", o reconhecido "Sinal de Deus" na Terra, e como seu ilustre ancestral, descrito por E. G. Browne, o "objeto de uma devoção e amor que reis bem invejariam e imperadores desejariam em vão".

O amor pelo Guardião, fé em Bahá'u'lláh e a gestão dos Intendentes-Chefes da Fé, foram fatores primordiais para levar a comunidade bahá'í durante o hiato entre o fim de uma das fontes de guia divina e o início de outra. As poderosas forças construtivas geradas por esses três fatores atuaram, sob a abrangente proteção do Convênio, para fortalecer a infante Fé a absorver o choque e em seguida restaurá-la para ser o canal prometido e autêntico da guia divina, seu aspecto distintivo supremo.

Referência já foi feita à designação, em 1951, do "primeiro contingente" das Mãos da Causa de Deus. Durante os próximos anos imediatos, o Guardião aumentou o número de Mãos para dezenove, mantendo esse número até menos de dois meses antes do seu falecimento, quando, em uma carta geral dirigida ao mundo bahá'í, o número desses membros de alto nível da Fé foi elevado para vinte e sete. Na mesma carta, as Mãos da Causa de Deus foram designadas como "Intendentes-Chefes da embriônica Comunidade Mundial" de Bahá'u'lláh.(2)

Em 1953, o Guardião da Fé havia lançado o primeiro Plano global de Ensino na história bahá'í. Conhecido como o Plano de Dez Anos ou como a Cruzada Mundial de Dez Anos, seu objetivo era implantar a bandeira da Fé em todas as partes do mundo e elevar o número de Assembléias Espirituais Nacionais - os pilares que sustentam a Casa Universal de Justiça - de doze para mais de cinqüenta. Todas as comunidades no mundo bahá'í receberam suas metas nesse empreendimento grandioso de expansão da Fé e estavam ativamente empenhadas no trabalho quando ocorreu o inesperado golpe.

O anúncio do falecimento do Guardião foi feito ao mundo bahá'í por sua viúva, a Mão da Causa de Deus, Amatu'l-Bahá Rúhíyyih Khánum. Imediatamente após o funeral, em Londres, que envolveu uma procissão de mais de sessenta carros desde Kensington até o Cemitério North London, em Southgate, onde um grande número de crentes lá já se encontrava, Rúhíyyih Khánum convocou amigos bahá'ís de todas as partes do mundo para se juntarem às Mãos da Causa, para orar por elas e voltar-se a elas, para receberem suas orientações sobre a continuidade do Plano e do andamento geral da Causa.

Dentro de poucos dias após o funeral, os "Intendentes-Chefes" realizaram seu primeiro conclave, na Mansão de Bahá'u'lláh em Bahjí, junto ao Seu Santuário - para os bahá'ís o lugar mais sagrado em todo o planeta.

O tão ansiosamente esperado anúncio procedente daquela reunião compara-se a todos os outros importantes documentos da Fé. Reconhecendo a natureza da crise, conscientes de suas próprias responsabilidades e a obrigação suprema de proteger e preservar a unidade da Causa, as Mãos da Causa chamaram a atenção para as magnificentes realizações do Guardião ao estabelecer firmemente a Fé através do mundo, desta forma assentando as estruturas para a formação da Casa Universal de Justiça e com a criação da instituição* que iria gerir os assuntos da Fé até a eleição do Corpo Supremo da Causa, e ainda dentro dos objetivos da Cruzada Mundial de Dez Anos, guiar o progresso da Causa até 1963. Eles declararam oficialmente que o Guardião não deixara nenhum Testamento e não designara nenhum herdeiro.

Assumindo seu papel designado de Intendentes-Chefes, as Mãos da Causa cuidaram da infante Fé até a eleição daquela Instituição, através da qual a prometida guia divina fluiria novamente. Anunciaram que o plano do Guardião devia ser seguido sem interrupção e sem desvios de qualquer natureza, e que elas (as Mãos) decidiriam e anunciariam a data para a eleição da Casa Universal de Justiça, na forma definida pelo Mestre em Sua Última Vontade e Testamento:

"Quando aquele corpo divinamente ordenado veio a existir, todas as condições da Fé podiam novamente ser examinadas, e as medidas necessárias para suas futuras operações determinadas em consulta com as Mãos da Causa."3

O objetivo das Mãos era claro, nobre e imediatamente atendeu às expectativas dos crentes. Todas as Assembléias Espirituais Nacionais existentes naquela época telegrafaram e enviaram mensagens às Mãos da Causa de Deus, reconhecendo-as como a verdadeira autoridade e Direção principal da Fé naquele tempo, hipotecando total lealdade e obediência em seus nomes e nos das comunidades que representavam. A unidade da Fé era irrepreensível.

Seguindo tão fielmente quanto possível a intenção de 'Abdu'l-Bahá determinada em Sua Última Vontade e Testamento, as Mãos da Causa selecionaram entre seus próprios membros (27 Mãos da Causa) um corpo de nove para servirem como "As Mãos da Causa residentes na Terra Santa" para atuarem como a direção central da Fé. Essas nove, que se tornaram conhecidas como os Custódios, obtinham sua autoridade do inteiro corpo de Mãos da Causa de Deus, cuja autoridade havia sido conferida pelo próprio Bahá'u'lláh em muitas passagens de Seus Escritos, confirmada por 'Abdu'l-Bahá em Sua Última Vontade e Testamento, e cada uma delas havia sido designada por Ele como os "Intendentes-Chefes da embriônica Comunidade Mundial".

Em todos os tempos da História, o Convênio de Deus, revelado pelos Profetas, foi objeto de ataques daqueles que desejavam destruí-lo. Nesta Dispensação, o próprio Manifestante de Deus e subseqüentemente 'Abdu'l-Bahá e o Guardião tiveram de confrontar-se com as tentativas de violação do Convênio e subversão da unidade da fé. No período entre o passamento do Guardião e a formação da Casa Universal de Justiça, as Mãos da Causa foram compelidas a tratar com mais uma dessas tentativas. Mason Remey, uma Mão da Causa, designado para presidente do Conselho Internacional Bahá'í pelo Guardião, signatário da primeira e das posteriores declarações das Mãos da Causa após o passamento do Guardião, anunciou a si mesmo como o segundo Guardião hereditário da Fé. Fez esta extraordinária afirmativa com base no fato de ter sido escolhido para presidente do Conselho Internacional Bahá'í pelo próprio Guardião, julgando-se, por isso, como o líder da Casa Universal de Justiça. Para os bahá'ís, a pretensão de Remey foi julgada inacreditável, algo ridículo e risível, a aberração de um homem idoso. Porém, um pequeno grupo de crentes acreditou nele e o seguiu, para terminarem em completa obscuridade.* A violação não foi tão séria como as anteriores tentativas, embora tenha causado enorme pesar às Mãos da Causa que se viram forçadas a expulsar da Fé um de seus próprios membros.

As Mãos na Terra Santa, baseando sua autoridade em textos escritos e apoiadas pelos representantes eleitos de todas as comunidades bahá'ís no mundo, foram reconhecidas pelo governo de Israel como a liderança mundial da Fé em sucessão à sua eminência Shoghi Effendi Rabbani e também autorizadas a tomar posse de todas as propriedades bahá'ís e todos os bens em nome de Shoghi Effendi em Israel. A integridade legal e constitucional da Fé no Centro Mundial estava preservada, e as Mãos da Terra Santa foram capazes de atuar desde aquele Centro como a Autoridade máxima de uma reconhecida religião independente.

Dentro da comunidade bahá'í a liderança espiritual das Mãos na Terra Santa foi gratamente recebida com total aceitação, e foi o primeiro bálsamo para seu doloroso golpe sofrido com a perda do Guardião. E então ocorreu algo, maravilhoso e sem precedente na história da humanidade, o qual demonstrou mais claramente que nunca o poder majestoso do Convênio de Bahá'u'lláh para preservar Sua Fé e levantar em seus serviços homens e mulheres incorruptíveis, mesmo no exercício de poder absoluto. As Mãos da Causa de Deus, "Intendentes-Chefes da embriônica Comunidade Mundial" de Bahá'u'lláh, concordaram com a aclamação expressa da inteira comunidade mundial bahá'í à autoridade suprema na condução dos assuntos da Fé. Além disso, as Mãos da Causa na Terra Santa receberam todo o amor e veneração dos bahá'ís, que os reconheceram como membros designados pelo próprio Guardião. Devemos lembrar que os mais antigos de uma Fé, investidos com tal poder e apoiados com tanto amor, não pensaram em si mesmos, em sua reputação ou fama, suas próprias idéias, seu conforto ou importância. Tudo foi superado pelos cuidados da Causa de Deus, seguindo fielmente o plano do Guardião. Foi um triunfo do amor. O Guardião havia determinado um curso de ação para a Fé, para levá-la a um destino definido quando do Ridván de 1963. A meio caminho daquela viagem, ele, o capitão, foi abatido e momentaneamente o navio ficou sem liderança. As Mãos da Causa assumiram o leme, resolutos em seu único propósito de seguir o curso definido pelo Guardião e chegar ao porto seguro com a eleição da Casa Universal de Justiça.

A posição era clara: o plano do Guardião devia ser completado sob a direção central de seus próprios membros designados e quando aquela tarefa fosse feita, ou a vitória prevista, consideração devia ser dada à eleição da Casa Universal de Justiça.

Os bahá'ís partiram para o trabalho firmemente decididos. Com um único objetivo em mente, e unidos como nunca antes, seguiram avante para ganhar, para seu amado há pouco partido, as metas cuja realização ele tanto gostaria de presenciar. Viajaram como pioneiros para cidades grandes e pequenas, para vilas e aldeias, em seus próprios países ou no exterior, para áreas remotas e inóspitas, para ilhas, florestas e desertos, estabelecendo-se, muitas vezes sozinhos, algumas vezes com parentes e familiares, para implantar a bandeira de Bahá'u'lláh e cumprir com algumas das metas definidas pelo Guardião e até então não alcançadas, transformando para sempre algumas regiões no estrangeiro em uma pátria bahá'í. Em muitos desses postos pioneiros começaram a ser formadas gradualmente comunidades de crentes nativos, que mais tarde elegeriam suas próprias Assembléias Espirituais Locais e ainda, combinadas com outras comunidades locais, elegeriam suas Assembléias Espirituais Nacionais, os pilares sustentáculos da Casa Universal de Justiça. Assim, por exemplo, no início da Cruzada Mundial de Dez Anos, em 1953, haviam duas Assembléias Espirituais Nacionais na América Latina. No final da Cruzada, em abril de 1963, eram vinte e duas as Assembléias Nacionais existentes nessa área, cujos membros foram eleitores da Casa Universal de Justiça.

Não existe falta de evidência para mostrar que o Guardião constantemente tinha em mente a eleição da Casa Universal de Justiça. Referiu-se a ela durante todo o seu ministério; escreveu sobre sua própria participação em suas deliberações; e em uma carta à Assembléia Espiritual Nacional das Ilhas Britânicas, datada de 25 de março de 1951, indicou a conclusão da Cruzada de Dez Anos como o tempo apropriado para a sua formação.4 Em janeiro de 1951 anunciou o primeiro passo para o seu estabelecimento. Foi a designação do Conselho Bahá'í Internacional, o qual, escreveu, iria evoluir de um corpo designado através dos estágios de uma Corte Bahá'í (para tratar de assuntos relacionados a status pessoal na Terra Santa), em um corpo eleito, e finalmente florescer em a Casa Universal de Justiça, a Instituição Suprema sobre a qual disse:

"A posteridade considerá-la como um último refúgio para uma civilização cambaleante."

Ele designou oito, e depois nove, membros do Conselho. Cinco Mãos da Causa estavam entre os escolhidos, uma delas como membro de ligação entre o Guardião e o Conselho, uma como presidente, outra como vice-presidente, ainda outra como secretário-geral, e uma última como membro sem um cargo especial. As Mãos da Causa convocaram uma eleição deste corpo, em 1961, limitando seus membros a nove, podendo ser eleitos bahá'ís de qualquer parte do mundo exceto as próprias Mãos da Causa. (Mais tarde afirmariam aos bahá'ís sua preferência em não serem eleitos para a Casa Universal de Justiça). E assim o Conselho Bahá'í Internacional entrou em seu "estágio final precedente a eleição da Casa Universal de Justiça"; serviu por um período de dois anos sob a direção das Mãos da Causa de Deus residentes na Terra Santa e deixou de existir com a eleição da Casa Universal de Justiça. Na mensagem de seu conclave em 1959, as Mãos da Causa asseguraram aos crentes que:

"...todos os esforços foram feitos para estabelecer uma Corte Bahá'í na Terra Santa anterior à data definida para essa eleição. Devemos, porém, ter em mente que o próprio Guardião amorosamente indicou essa meta, devido à forte tendência à secularização das cortes religiosas nesta parte do mundo podia não ser realizada."

Foi de fato confirmado não ser aconselhável, se não impossível, conforme o Guardião previu, estabelecer tal corte de justiça.

Portanto, de acordo com a intenção claramente expressa do Guardião, como também dentro da autoridade dos Intendentes-Chefes, organizar a eleição da instituição legislativa suprema da Ordem Mundial de Bahá'u'lláh, a "fonte de todo o bem e livre de todo erro".*

O brilhante sucesso das Mãos da Causa de Deus é um assunto de destaque para a história da Fé. A celebração do Ridván em 1963 foi marcada por tal júbilo, por tão portentosos acontecimentos, tão grande sentimento da misericórdia divina, que lembrou o primeiro Ridván, quando o próprio Rei dos Reis, na véspera de Seu segundo banimento fizera o primeiro anúncio público de Sua Revelação. No Centro Mundial da Fé, membros das cinqüenta e seis Assembléias Espirituais Nacionais então existentes no mundo reuniram-se na Casa de 'Abdu'l-Bahá, e em reverente solenidade depositaram seus votos para a eleição dos 9 membros da Casa Universal de Justiça. Em Londres, no grandioso Albert Hall, sete mil bahá'ís de todas as partes do planeta, alguns em seus trajes típicos, coloridos, das regiões onde residiam, reuniram-se para comemorar o centésimo aniversário da Declaração de Bahá'u'lláh e para celebrar a vitória completa da Cruzada Mundial de Dez Anos. Os nove membros da Casa Universal de Justiça, recém-eleitos, estavam presentes ao Congresso.

A Casa Universal de Justiça, assim que eleita, imediatamente estabeleceu sua sede em Haifa, em um edifício do lado oposto à Casa do Mestre e do Guardião. Gradualmente foi formando a equipe de colaboradores e em sucessivas reuniões com as Mãos da Causa residentes na Terra Santa foram feitas as transferências da direção administrativa, do Fundo Bahá'í Internacional e das propriedades da Fé. As Mãos da Causa haviam já preparado o esboço de um novo plano e este, depois de uma análise bem detalhada e muitas consultas, tornou-se o Plano de Nove Anos, lançado no Ridván de 1964. Seu objetivo foi uma vasta expansão da Fé em todas as partes do mundo com a meta específica, entre muitas outras, de aumentar o número das 56 Assembléias Espirituais Nacionais que havia eleito a primeira Casa Universal de Justiça para 108 em 1973, o ano centenário da revelação do Livro Sacratíssimo, O Kitáb-i-Aqdas.* Além deste crescimento em tamanho, o Plano de Nove Anos tinha como objetivo desenvolver a coesão da já grande e mundialmente espalhada comunidade bahá'í, para que rapidamente se tornasse, com seu desenvolvimento, uma sociedade orgânica única e unificada. "Participação Universal" na vida bahá'í foi o grande tema, com a meta de todo bahá'í engajar-se em tão importantes atividades como a oração diária obrigatória, participação nas Festas de Dezenove Dias, ensino da Fé, contribuição aos fundos bahá'ís, obediência às leis bahá'ís do casamento, observação do Jejum anual e comemoração dos nove Dias Sagrados nos quais o trabalho deve ser suspenso. Além desses, 219 projetos que exigiam a cooperação mútua de duas ou mais Assembléias Espirituais Nacionais foram incluídos no Plano.† Após o Plano de Nove Anos, seguiu-se o Plano de Cinco Anos, para o período de 1974 a 1979, durante o qual o vigor e a ação decidida da comunidade mundial bahá'í foram canalizados para a realização dos objetivos do Plano seguinte, de Sete Anos, concluído em 1983.

Mas em 1963, a questão abrasadora e vital para os bahá'ís era a Guardiania. Inevitavelmente havia especulações particulares, pessoas ansiosas por declarações oficiais que esclarecessem em definitivo este assunto tão importante. No geral, porém, os crentes em todas as partes mostravam-se confiantes e pacientes com relação ao tempo quando a divinamente inspirada Casa Universal de Justiça oficialmente esclareceria tudo o que ainda, para alguns, era motivo de grande ansiedade.

Durante o mês de outubro, no mesmo ano de sua eleição, a Casa Universal de Justiça consultou muito, em várias sessões com as Mãos da Causa de Deus residentes na Terra Santa, sobre os assuntos vitais da Fé. Após essas consultas, reuniu-se por sete vezes consecutivas no salão central de Bahjí. Daquelas reuniões resultou a seguinte declaração:

"Após orações e cuidadoso estudo dos Textos sagrados sobre a questão de apontar um sucessor para Shoghi Effendi como Guardião da Causa de Deus, e após prolongada consulta que incluiu considerações das propostas das Mãos da Causa de Deus residentes na Terra Santa, a Casa Universal de Justiça deliberou que não seria possível apontar ou legislar a possibilidade de apontar um segundo Guardião para suceder Shoghi Effendi."

Esta declaração definitiva, cuidadosamente redigida, embora esperada, agiu como força catalisadora em todos os pensamentos dúbios e especulações que os bahá'ís tinham em mente, ou até mesmo já formados ou expressos. A posição, embora difícil de exercer, era agora clara. Tanto quanto a mente humana podia conceber, a Ordem Mundial de Bahá'u'lláh teria de se desenvolver, por um tempo indefinido, sem um Guardião.

A comunidade bahá'í, reconhecendo sua incapacidade de avaliar a sabedoria do decreto da Providência, aceitou a situação, cada qual dentro dos recursos espirituais que possuía. Os pilares gêmeos da Ordem Administrativa de Bahá'u'lláh torna-se um único pilar, e a Casa Universal de Justiça era agora o único centro da Causa e a autoridade à qual todos deviam voltar-se. Com a sabedoria decorrente do fato incontestável compreendeu não haver texto algum que afirmasse claramente que a Guardiania continuaria; por outro lado, provisão foi deixada pelo próprio Bahá'u'lláh no caso da linha dos Aghsán (e com ela a linha da Guardiania) chegar a um fim.* Foi também reconhecido que Bahá'u'lláh, em Seu Livro Sacratíssimo, tinha especificamente criado a Casa Universal de Justiça e confirmado a ela a guia divina. Algo confirmado pelo texto da Última Vontade e Testamento de 'Abdu'l-Bahá, que deixa claro que a guia conferida a cada um dos "pilares gêmeos" é independente da guia conferida ao outro, o que ficou demonstrado pelo ministério do Guardião, que um pilar podia existir e funcionar por si mesmo.

A despeito de tais considerações, a comunidade mundial bahá'í sabia que passara por um forte abalo; e seu único recurso era voltar-se para a luz da guia divina que brilhava novamente, desta vez da Casa Universal de Justiça, e dedicar-se integralmente aos serviços de seu Senhor. Isso os amigos fizeram, e gradualmente, à medida que novas vitórias eram conquistadas e a Fé se expandia em números e em sua distribuição geográfica, com os novos contingentes de pioneiros partindo para suas metas e a Causa de Deus sendo ainda vista como realmente uma bênção divina, vasto número de jovens, encontrando nela algo real para seus ideais, diante de um mundo em declínio que somente podia frustrar ou reprimir tal idealismo, entraram na Fé decididamente, fazendo com que o espírito de alegria e todo o entusiasmo que havia distinguido o Grande Congresso do Jubileu em 1963 continuassem a inspirar os seguidores de Bahá'u'lláh.

As Mãos da Causa de Deus sofreram certamente mais profundamente do que todos os outros crentes com o choque do passamento do Guardião. Elas foram designadas por ele como seus representantes e muitos como companheiros diretos de trabalho; nove deles bem próximos, poderiam ter sido informados de sua designação do sucessor, dando sua aprovação à mesma. Qual era sua posição? Como "Intendentes-Chefes", de forma brilhante e devotada desincumbiram-se de suas funções durante aquele interregno até a eleição da Casa Universal de Justiça. Agora, o segundo canal de guia divina, estabelecido no Texto sagrado, viera à existência sob sua proteção. Poderia a autoridade do Guardião, ou qualquer parte dela, recair sobre elas? Poderiam elas designar novas Mãos a fim de perpetuar a Instituição?

Estas e outras questões relevantes foram gradualmente sendo consideradas pela Casa Universal de Justiça e declarações francas de uma natureza geral foram emitidas. Foi rapidamente aceito e gradualmente entendido que a Casa Universal de Justiça, embora impedida de interpretar a Palavra Revelada, era agora o único líder da Fé, com total autoridade para promover e estabelecer a Ordem Mundial de Bahá'u'lláh. Era o canal da guia divina, o centro ao qual todos deviam voltar-se. Em uma carta dirigida às Mãos da Causa, datada de 27 de março de 1964, esclarecendo a relação entre a Instituição das Mãos da Causa e a Casa Universal de Justiça, esta escreveu que:

"A autoridade indiscutível e a segurança da guia divina conferida sobre a Casa Universal de Justiça nas Escrituras Sagradas, a faz, neste momento, a suprema e a instituição central da Fé, a qual todos devem se dirigir e, também, o único corpo investido de autoridade e inspiração requerida, capaz de guiar a Causa de Deus e manter inquebrantável o Convênio de Bahá'u'lláh."

As Mãos da Causa, desde o momento da eleição da Casa Universal de Justiça, resolveram fazer tudo o que pudessem para apoiar e ajudar a instituição mais elevada da Ordem Administrativa. Eles agora, de forma amorosa e mesmo com gratidão, aceitaram esta decisão em assuntos de autoridade. Gradualmente foi reconhecido pelos bahá'ís que um dos novos aspectos da Ordem de Bahá'u'lláh é que, diferente do passado, posição não é necessariamente acompanhada de autoridade. Os membros da sagrada família, parentes do Báb, e determinadas pessoas designadas usufruiam de posições superiores à generalidade da massa de crentes. Mas sempre, a autoridade está restrita somente às instituições da Ordem Mundial.

As Mãos da Causa de Deus foram reconhecidas como ocupando a posição mais elevada da Ordem Administrativa, acima de todos os outros membros, com exceção da Casa Universal de Justiça - não seus membros, mas a Instituição - o "órgão supremo" da Comunidade Bahá'í Mundial.

Em novembro de 1964, um conclave das Mãos da Causa foi realizado na Terra Santa com a duração de quatorze dias. A Casa Universal de Justiça aproveitou a oportunidade para consultar com elas, após o que foi preparada uma carta geral e enviada ao mundo bahá'í, que incluía o seguinte:

"Estando de acordo, a Casa Universal de Justiça deu sua inteira atenção a este assunto e após estudar os Textos sagrados e ouvir os pontos de vista das Mãos da Causa, chegou a seguinte decisão:

Não existem maneiras de apontar ou de se legislar a possibilidade de apontar Mãos da Causa de Deus. A responsabilidade em decidir os assuntos de nomenclaturas gerais que afetam a instituição das Mãos da Causa, a qual foi formalmente exercida pelo amado Guardião, agora se volve para a Casa Universal de Justiça como a instituição suprema e central da Fé, para a qual todos devem se dirigir."

O próprio Bahá'u'lláh havia designado algumas Mãos da Causa; 'Abdu'l-Bahá esclareceu suas funções e deveres específicos e referiu-se a alguns outros bahá'ís como Mãos da Causa; o Guardião designou alguns postumamente, e outros ainda em vida, vinte e sete dos quais estavam em atividade quando de seu falecimento; ele instituiu os Corpos Auxiliares, cujos membros eram nomeados pelas Mãos da Causa e atuavam como seus "representantes, conselheiros e ajudantes". Ele também instituiu o Fundo Continental para cobrir financeiramente, em cada continente, as despesas com seu trabalho. No entanto, de acordo com o Texto Sagrado e por desígnio da Providência, nenhuma nova Mão da Causa poderia ser designada, a Casa Universal de Justiça havia desde logo se conscientizado da importância vital desta instituição ao anunciar como uma meta do Plano de Nove Anos o "desenvolvimento da Instituição das Mãos da Causa, em consulta com o corpo de Mãos da Causa, com vistas à extensão no futuro de suas funções designadas de proteção e propagação".

Com o desenrolar do Plano de Nove Anos e o crescimento da Ordem Administrativa, tornou-se aparente que o número cada vez menor de Mãos da Causa iria cada vez menos poder prover seus serviços vitais à inteira comunidade bahá'í, e a implementação desta meta tornava-se cada vez mais urgente. Alguma instituição, cujos membros seriam designados, não eleitos, e que estariam se dedicando fundamentalmente ao bem-estar espiritual da Fé, incluindo a de suas instituições administrativas, foi julgado ser imperativo, e na verdade como uma parte integral da textura da Ordem Mundial de Bahá'u'lláh. A Casa Universal de Justiça, após longas deliberações, estabeleceu em 1968 onze Corpos Continentais de Conselheiros e determinou a eles a direção dos Corpos Auxiliares e o controle dos Fundos Continentais. Designou os membros Conselheiros e solicitou às Mãos da Causa de Deus ajudarem esses novos servidores a assumirem suas funções, anunciando que, a partir de então, as Mãos da Causa, liberadas da rotina diária da administração dos Corpos Auxiliares, "serão capazes de concentrar suas energias nas responsabilidades primordiais de proteção e propagação geral, 'preservando a saúde espiritual das comunidades bahá'ís' e 'a vitalidade da Fé dos bahá'ís em todo o mundo'".

As Mãos da Causa, como sempre, responderam com todas as suas energias a esta nova decisão. Uma avaliação de seu papel atual inevitavelmente faz lembrar os apóstolos de antigamente, os quais, nas palavras da Última Vontade e Testamento de 'Abdu'l-Bahá:

"...abandonaram toda preocupação e tudo o que lhes pertencia, purificaram-se do egoísmo e da paixão e, com desprendimento absoluto, espalharam-se por toda parte, ocupando-se em chamar os povos do mundo para a Guia Divina,... Até sua última hora, deram provas de sua abnegação no caminho dAquele Amado de Deus..."

Alguns em trabalhos de erudição, outros cuidando dos peregrinos em visita ao Centro Mundial, outros "iluminando os caminhos do ensino em toda a superfície do planeta", outros ainda, em constante estímulo e visitas às Assembléias Espirituais, tanto as nacionais como as locais, nos continentes onde residiam, recebendo o amor, a reverência e o carinho dos amigos que nelas buscavam inspiração, orientação e a ajuda infalível. Freqüentemente, também representavam a Casa Universal de Justiça em ocasiões importantes, como quando da eleição de novas Assembléias Espirituais Nacionais, ou na realização de Conferências Intercontinentais, e algumas vezes contatando oficialmente Chefes de Estado ou importantes personalidades, e também sempre que representantes de alto nível da Fé se faziam necessários em várias oportunidades e eventos nacionais e internacionais. Desta forma, as Mãos da Causa, mesmo com a diminuição gradativamente de seu número, continuaram a prestar inestimáveis serviços à vida da Causa em seu contínuo crescimento.

As Mãos da Causa tiveram um papel vital saliente no vitorioso estabelecimento, consolidação e desenvolvimento dos Corpos Continentais de Conselheiros, e com isso compensando em boa parte a grande perda para a Ordem Mundial de Bahá'u'lláh que foi o passamento do amado Guardião. As funções das Mãos da Causa, vitais para a Comunidade Bahá'í Mundial, foram preservadas através de uma instituição que se mostrou capaz de desenvolver a expansão e a evolução da própria Ordem. De fato, o rápido desenvolvimento desta nova instituição, desde a sua criação em 1968, foi um dos pontos altos da história da Fé durante aqueles quatorze anos.

Apesar do grande aumento no número dos membros dos Corpos Auxiliares, tornou-se logo aparente que as necessidades de contato e apoio direto aos amigos e às instituições administrativas de uma comunidade em sólida expansão, somente poderiam ser atendidas devidamente por um corpo muito grande de Conselheiros e seus membros auxiliares. Os Corpos de Conselheiros podiam apoiar, aconselhar e estimular as Assembléias Espirituais Nacionais, e os membros do Corpo Auxiliar fazer o mesmo com as Assembléias Espirituais Locais, mas o crescente corpo de crentes necessitava de aprofundamento espiritual e encorajamento por amigos bem experientes e aprofundados na Fé. Para atender a esta necessidade vital, a Casa de Justiça adicionou um novo componente à Instituição. Os membros do Corpo Auxiliar foram autorizados a designar Ajudantes, os quais podiam agir em seus nomes e como seus representantes nas comunidades locais. Esta ação abriu uma nova porta através da qual a influência benigna deste importante e grande braço da Ordem Administrativa podia atuar em toda a estrutura da sociedade bahá'í. Seu trabalho de encorajamento, o apoio aos planos e diretrizes das instituições legislativas, e a ajuda em superar os constantes desafios à essência espiritual da vida bahá'í - são um poderoso fator para a manutenção da unidade, provendo um vigor missionário e uma visão universal à comunidade bahá'í - em outras palavras, garantindo a proteção e a propagação da Fé.

Dois importantes desenvolvimentos consolidaram ainda mais e facilitaram o trabalho deste pilar da Fé. Em 1973, a Casa Universal de Justiça estabeleceu o Centro Internacional de Ensino como a instituição responsável e orientadora do trabalho dos Corpos Continentais de Conselheiros. Sua sede é no Centro Mundial da Fé e é uma daquelas "instituições de âmbito mundial, de direcionamento mundial e de repercussão mundial" previstas pelo Guardião, operando do grande arco no Monte Carmelo, juntamente com outros monumentos e instituições em construção no Monte Carmelo, nas proximidades do Santuário sagrado do Báb e de outras instituições administrativas da crescente Fé Mundial. As Mãos da Causa são seus membros fundadores, e seu núcleo executivo em Haifa é composto por essas Mãos residentes na Terra Santa e pelos Conselheiros designados pela Casa Universal de Justiça. O estabelecimento desta augusta instituição reforçou imensamente o prestígio, a capacidade e a eficácia deste braço designado da Ordem Administrativa da Fé.

Em 1981, a Casa de Justiça reduziu o número de Corpos Continentais de Conselheiros para cinco, conforme a designação geográfica dos continentes.

O número de Conselheiros não diminuiu, mas cada Corpo foi fortalecido e recebeu a autoridade de organizar seu trabalho abrangendo todo o continente. O Centro Internacional de Ensino permaneceu como elo entre os Corpos Continentais de Conselheiros e a Casa Universal de Justiça. Estes foram os principais desenvolvimentos na Ordem Administrativa desde o passamento do Guardião, e correu paralelo com uma expansão da própria Fé, que agora possui 132 Assembléias Espirituais Nacionais e 23.600 Assembléias Espirituais Locais.* O vigor, o entusiasmo e a unidade da comunidade bahá'í crescem a cada dia que passa e demonstram a um mundo em crescente deterioração o poder socialmenmte curador e construtivo da Revelação de Bahá'u'lláh.

Uma palavra pode ser dita agora sobre a relação entre os "pilares gêmeos" da Ordem Mundial de Bahá'u'lláh. No ensaio original foi comentado que "...este é um dos aspectos da Ordem Mundial de Bahá'u'lláh no momento envolto em mistério, um mistério que a experiência e a passagem do tempo irão esclarecer, muito mais que esta meditação". Tal clarificação irá, Deus o permita, não mais ser feita com relação à pessoa do Guardião, mas sobre o braço de um organismo do qual ele era a cabeça, com todos os seus componentes de Mãos da Causa, e depois dos Conselheiros, membros do Corpo Auxiliar e ajudantes, e possivelmente ainda outros até agora não revelados - mostrando que existem e estão em operação por alguns anos, enquanto que a Casa Universal de Justiça também está, até esta data, em ativa supremacia da Fé por cerca de duas décadas

Uma das interessantes características da Ordem Administrativa Bahá'í pode ser chamada à existência, a qualquer tempo, para servir a uma instituição administrativa cujos membros serão eleitos, Na realidade, é certamente seguro afirmar que os dias da Ordem Administrativa estão apenas se iniciando, a maioria dos crentes podendo servir em uma Assembléia Espiritual Local. Os membros designados da Fé são inevitavelmente menores em números. É a tarefa da presente geração de bahá'ís compreender o relacionamento operacional entre esses dois braços da Ordem Administrativa - o eleito e o designado - e ao mesmo tempo buscar entender os princípios subjacentes nesse relacionamento.

Na Ordem Mundial de Bahá'u'lláh todos os bahá'ís e suas instituições buscam os mesmos fins, a saber, o estabelecimento daquela Ordem Mundial e a promoção de "uma civilização em permanente evolução". Não existe competição de interesses, nenhum luta por poder, nenhum membro eleito ou designado deseja assumir o peso da autoridade e responsabilidade das instituições administrativas (os "governantes", como Bahá'u'lláh as chamou), e nenhuma instituição eleita tem qualquer coisa a perder ou temer dos membros designados (chamados os "eruditos") no desempenho de suas funções. Ambos apóiam e completam o trabalho um do outro, e quanto mais estreita e amorosa for a cooperação entre os membros eleitos e os designados maiores serão os benefícios da sociedade à qual ambos servem.

Neste aspecto da Ordem Mundial de Bahá'u'lláh pode-se ver ainda outro exemplo daquela presciência que harmoniza e complementa pragmatismo com idealismo, evitando os perigos aos quais qualquer um dos dois, sozinhos, estariam sujeitos, e ao mesmo tempo assegura para a sociedade os benefícios inegáveis que podem fluir da combinação de ambos. A designação dos "eruditos" provê à sociedade as altas qualificações dos membros escolhidos, sem se afastar, por mínimo que seja, do direito indubitável dos corpos eleitos - os "governantes" - conferido a essas instituições nos Textos sagrados. Na Ordem Mundial de Bahá'u'lláh não existem linhas cruzadas. A autoridade administrativa está investida nas instituições eleitas; essas instituições e os crentes em geral são guiados e estimulados pelos membros eleitos no sentido dos supremos objetivos da Fé, sejam de natureza imediata ou de longo prazo, como a conquista das metas dos planos de ensino e o desenvolvimento do caráter e das qualidades divinas inatas em cada ser humano, a par do aprofundamento do conhecimento e compreensão das Palavras de Deus.

A tarefa específica dos membros designados para proteção e propagação da Fé é também uma responsabilidade das Assembléias Espirituais - locais e nacionais - mas estas são autônomas na tomada de decisões administrativas, no recebimento e aplicação dos recursos contribuídos aos seus respectivos fundos, e na condução dos assuntos gerais de suas comunidades. O relacionamento compartilhado entre esses dois braços da Ordem Administrativa, atuando com vistas a fins idênticos, envolve constante troca de informações, de forma a que as Mãos da Causa e os Corpos Continentais de Conselheiros possam, sempre que julgarem necessário, chamar a atenção das instituições administrativas para todos os assuntos que afetem o bem-estar da Fé e que precisam da atenção das mesmas, seja internamente no trabalho da própria instituição, ou na comunidade em geral. As Assembléias Espirituais receberão constantemente total ajuda tanto das Mãos da Causa, como dos Conselheiros e dos membros do Corpo Auxiliar, com vistas a um aproveitamento máximo das energias dos crentes na execução de suas diretrizes.

Neste estágio inicial no crescimento da Fé, novas Assembléias Espirituais estão sendo formadas anualmente e o valor de um amoroso aconselhamento e ajuda de parte dos membros designados da Fé é algo de inestimável valor em seu desenvolvimento. Apenas algumas das atuais Assembléias Espirituais Nacionais, e ainda menos Assembléias Espirituais Locais podem ser chamadas de veteranas.

Mas mesmo nos estágios de maturidade da civilização bahá'í, quando todas as instituições administrativas estiverem estabelecidas, inteiramente desenvolvidas e com experiência prática de atuação, as funções dos "eruditos" serão essenciais e fatores primordiais para o bem-estar geral das comunidades.

A administração bahá'í é uma experiência divina na aplicação das leis e dos princípios espirituais nos assuntos humanos, ou, conforme texto escrito em nome do Guardião, em 1933, em carta dirigida a um novo crente:

"A administração bahá'í é... em verdade, um laboratório indispensável onde você pode colocar em prática o conhecimento que adquire dos Ensinamentos."

As leis e princípios espirituais são constantemente lembrados e promovidos na sociedade bahá'í pelos membros designados; e a aplicação dessas leis e princípios é feita pelas instituições eleitas, cujos membros são livremente escolhidos, em votação secreta, pelos bahá'ís adultos de cada comunidade. A guia divina, com sua infalibilidade, flui através da suprema Casa Universal de Justiça para todas as instituições da Ordem Mundial de Bahá'u'lláh, assegurando os meios para a realização completa do propósito de Deus para a humanidade.

O Convênio de Bahá'u'lláh, incessantemente ativo na promoção da unidade humana, tem demonstrado seu poder de proteção da Fé durante as tempestades de provações pelas quais passou, expurgando tudo o que poderia afetar essa unidade e fortalecendo-a em todos os sentidos para manter sempre renovado o vigor e a dedicação de seus membros. E como a vida orgânica desta Ordem divinamente concebida se desenvolve, os poderes benéficos e as influências entesouradas no embrião pelo Testamento de seu Autor irão inevitavelmente exercer seu papel criativo até que alcance o estágio de maturidade e este mundo torne-se, efetivamente, o há muito prometido Reino de Deus, descortinando em sua plenitude a beleza e a visão dos Profetas do passado e a realidade das sublimes elocuções de Bahá'u'lláh.

Referências Bibliográficas
Introdução
1. Seleção dos Escritos de 'Abdu'l-Bahá, p. 287.

2. 'Abdu'l-Bahá citado em A Ordem Mundial de Bahá'u'lláh, p. 276.

3. 'Abdu'l-Bahá citado em Bahá'u'lláh e a Nova Era, p. 239.

4. Sem tradução prévia para o português.

5. Excertos deste texto encontram-se traduzidos em A Presença de Deus, p. 417.

6. Ibid.
7. Ibid.
8. Seleção dos Escritos de 'Abdu'l-Bahá, p. 288.
9. Sem tradução prévia para o português.

10. 'Abdu'l-Bahá citado em Bahá'u'lláh e a Nova Era. p. 60.

11. Orações Bahá'ís. 11ª ed., pp. 441-3.
A Última Vontade e Testamento
Primeira Parte

1. Seleção dos Escritos de Bahá'u'lláh. Seção CLXV.

2. Bahá'u'lláh, O Kitáb-i-Aqdas; versículo 37.
Apêndices
Apêndice II

1. Ensaio originalmente publicado no The Bahá'í World, vol. IX 1940-44 (Wilmette: Bahá'í Publishing Committee, 1945).

2. Shoghi Effendi, A Ordem Mundial de Bahá'u'lláh, p. 186.

3. A Ordem Mundial de Bahá'u'lláh, p. 274.
Apêndice III

1. Prefácio e Epílogo de A Commentary on the Will and Testament of 'Abdu'l-Bahá. George Ronald, edição revisada, 1982.

2. O Kitáb-i-Aqdas. p. 205.

3. Proclamação feita pelas Mãos da Causa aos Bahá'ís do Oriente e do Ocidente, em 25 de novembro de 1957. (Ver The Bahá'í World, Vol. XIII, pp. 341-345).

4. Ver Unfolding Destiny , p. 261. London: Bahá'í Publishing Trust, 1981.

*Áqá Rustam Ardashír.
* *Sir Ronald Storrs.

*Este jornal britânico foi incorporado ao Daily Telegraph em 1937.

*Notavelmente no caso de Muhammad.
*Esta é a única similaridade das instituições.

*A nomeação de um número de Mãos em 1951 que foi seguida de outras, foi um assunto de interesse supremo para o mundo bahá'í. As Mãos, em cada continente, eram assistidas por um Corpo Auxiliar, membros que eram nomeados pelas próprias Mãos. Quatro Mãos residentes em Haifa, serviam ao Guardião e eram membros do Conselho Internacional Bahá'í.

*Para um estudo mais profundo do relacionamento entre essas duas funções, ver Seu ensaio sobre política, publicado em O Segredo da Civilização Divina.

*O Conselho Internacional Bahá'í.

*Eles fracassaram fragorosamente nos tribunais de Illinois em sua reivindicação para a posse do Templo-Mater do Ocidente e outras propriedades bahá'ís.

*O próprio 'Abdu'l-Bahá, em um momento sombrio de Sua vida ameaçada instruiu por escrito Hájí Mírzá Táqí Afnán; primo do Báb e principal encarregado da construção do Templo de 'Ishqábád, para organizar a eleição da Casa Universal de Justiça se materializassem-se as ameaças que pesavam contra Ele.

* *Foram eleitas 114 assembléias em 1973.

†Por exemplo, a Assembléia Espiritual Nacional da África Ocidental, que devia ser dividida em três Assembléias Espirituais Nacionais independentes, recebeu a meta de adquirir três terrenos para a construção de seus respectivos Templos Bahá'ís e três Hazíratu'l-Quds, com a ajuda das Assembléias Espirituais Nacionais do Alasca, Burma, Alemanha, Índia, Pérsia e Estados Unidos.

*Por exemplo, no Kitáb-i-Aqdas Bahá'u'lláh estabeleceu o direito dEle próprio, "o Revelador dos Sinais" receber "as doações dedicadas à caridade", e continua: "Após Ele, a decisão estaria afeta aos Aghsán (Ramos) e depois deles, a Casa de Justiça - se já tiver sido estabelecida no mundo - de forma a que possam usar essas doações para benefício dos Lugares sagrados desta Causa, e para tudo aquilo que lhes foi ordenado por Deus, o Onipotente, o Todo-Poderoso."

*No Ridván de 1982.

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