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'Abdu'l-Bahá : Epístola ao Dr. Forel
Epístola ao Dr. Auguste Forel
'Abdu'l-Bahá

Título da tradução inglesa: Auguste Forel and the Bahá'í Faith. Originalmente publicado em alemão pela Bahá'í Verlag. Textos do Prefácio, Introdução I e II, e Apêndice escritos por Peter Mühlschlegel.

Editora Bahá'í do Brasil
Tradução :

Textos de Peter Mühlschlegel e carta do dr. Forel: Maria Trude Alves.

Epístola ao Dr. Forel: Leonora S. Armstrong, publicada na compilação de Escritos Bahá'ís: A Revelação Bahá'í, E.B.B., 1ª Edição: 1961.

PREFÁCIO

Este foi um encontro que marcou época, ainda que tenha consistido somente de uma troca de cartas.

Eis aqui, além de Forel e de sua vida instrutiva, o desafio com o qual, nós homens modernos e aqueles depois de nós, nos defrontamos. Não é somente uma questão de ter uma visão científica da vida, nem, certamente, de encontrar provas lógicas da existência de Deus; aqueles que se apegam muito à importância desta questão são, nove de cada dez, produtos de uma falsa educação. O homem é mais do que o funcionamento de seu cérebro, e a civilização humana é mais do que o constante desenvolvimento do gérmen-plasma. Nem é o desafio somente do incansável cumprimento do dever, apesar do fato de que o que a sociedade atual mais urgentemente precisa do que em qualquer outra época anterior é de mais pessoas como Forel para darem um bom exemplo.

É uma questão de a unidade pertencer ao indivisível ser humano, o indivíduo, o qual deve se desenvolver junto com a unidade espiritual e política da humanidade, pois, um não pode existir sem o outro. E não apenas a profunda psicologia repudiada por Forel, mas nossa exaustiva experiência com as guerras que se sucederam (e ainda continuam) após a morte de Forel, ensina-nos que deve haver alguma coisa além de biologia e genética, alguma coisa que a sabedoria que nos é ensinada na escola ainda mal pode sonhar. O que deve ser respondido é a fundamental questão com a qual 'Abdu'l-Bahá confronta Forel: em verdade, "esse universo infinito com todas as suas perfeições" acaba em "simulacro e desilusão", e é "absolutamente sem significado?" Se não queremos que ele o seja, devemos fazer alguma coisa a respeito, e isto significa ir além do que a ciência pode nos oferecer.

Devemos escutar aqueles que entenderam, melhor do que jamais o faremos, como dar atenção à voz do infinito, e dar sentido a isto. Acima de todos esses, estão os "Manifestantes de Deus", os Fundadores das grandes religiões reveladas, quem, de acordo com o plano redentor de Deus, impregnam o mundo inteiro de um significado. Muito além do respeito pela vida e pelo gérmen-plasma, devemos aprender a ter respeito pelo poder, pela sabedoria, pela profundidade de pensamento e pela clareza de vontade que emanam dEsses Manifestantes de Deus. Devemos responder a Seu chamado, submeter-nos à Sua vontade, permitir-nos ser desafiados por Seu amor. Bahá'u'lláh, Quem faz a mais elevada conclamação jamais feita em nosso planeta, expressa o chamado da Deidade - o desafio de moldar um novo mundo, nestas palavras:

Ó Filho do Homem! Velado em Meu Ser imemorial e na eternidade antiga de Minha Essência, conheci Meu amor por ti e assim te criei, gravando em ti Minha imagem e revelando-te Minha beleza. ... Ama-Me, a fim de que Eu te possa amar. Se não Me amas, de modo algum pode Meu amor te atingir. Sabe isto, ó servo! 1

É neste eternamente novo espírito que devemos ponderar sobre a pergunta de Forel e sobre a resposta de 'Abdu'l-Bahá, e chegar às nossas próprias conclusões.

Peter Mühlschlegel
* * *
INTRODUÇÃO
I - 'Abdu'l-Bahá

Bahá'u'lláh (1817-92), o Profeta Fundador da Fé Bahá'í, chamou a Seu primogênito, 'Abdu'l-Bahá, o "Mistério de Deus" e nós jamais seremos capazes de entender completamente este mistério.

'Abdu'l-Bahá nasceu em 23 de maio de 1844 em Teerã (quatro anos antes de Forel), no mesmo dia em que, em Shíráz, o Báb (1819-50) declarou Sua missão - trazer uma nova revelação religiosa e preparar o caminho para "Aquele a Quem Deus tornará manifesto" (Bahá'u'lláh). 'Abdu'l-Bahá tinha seis anos quando o Báb foi martirizado por Sua própria Causa em Tabríz, e aos oito anos - a mesma idade em que Forel, afligido por seus muitos escrúpulos e dúvidas, desejou jamais ter nascido - foi-Lhe permitido ver, de uma curta distância, como Seu Pai a Quem Ele amava acima de tudo o mais era conduzido em pesadas correntes para fora da "Masmorra Negra" em Teerã, a prisão subterrânea do xá, para a luz do sol por apenas alguns minutos. Pouco tempo depois disso, iniciou-se um período de exílio e humilhação para 'Abdu'l-Bahá (o neto de um ministro e descendente de antiga nobreza persa) que duraria até quando Ele tinha sessenta e cinco anos. Sua primeira parada, após uma jornada através das montanhas no inverno, foi Bagdá: onde o Jovem foi o primeiro a reconhecer em Seu Pai, o Prometido de todas as religiões do passado, bem antes de Bahá'u'lláh Se proclamar formalmente em 1863. Conforme o nome por Ele adotado - 'Abdu'l-Bahá significa em árabe "Servo de Bahá" - 'Abdu'l-Bahá ofereceu toda Sua vida à missão de pregar e defender a "Fé de Deus". Em cada lugar em Seu longo caminho através do exílio, em Constantinopla, Adrianópolis e desde 1868 na cidade-prisão de 'Akká, imbuído de uma triunfante espiritualidade fortalecida pelo sofrimento, Ele demonstrou aqueles poderes e qualidades sobre os quais Bahá'u'lláh havia estabelecido o futuro de Sua comunidade religiosa mundial. Em Seu testamento e outros escritos, Bahá'u'lláh apontou 'Abdu'l-Bahá como o Exemplo Perfeito de Sua Fé, o Intérprete de Sua Palavra e o Centro de Seu Convênio.

Entre 1892 e 1908, a perseguição a 'Abdu'l-Bahá foi particularmente severa. Então, a Revolução dos Jovens Turcos libertou-O, junto com muitos outros prisioneiros políticos e religiosos. Os contatos com o oriente, os quais até então haviam sido escassos, podiam agora ser cultivados. De 1911 a 1913, 'Abdu'l-Bahá viajou através da Europa e América do Norte visitando as jovens comunidades bahá'ís e fortalecendo sua fé diante da ameaçadora catástrofe da Primeira Guerra Mundial, a qual Ele havia claramente antecipado. Ele falou em inúmeras reuniões em universidades, igrejas, reuniões para a paz e sociedades humanitárias. Nas mentes de muitas personalidades proeminentes, tanto as mais elevadas como as menos, Suas palestras deixaram uma impressão duradoura por Suas claras elucidações sistemáticas das preocupações da cultura espiritual e religião iluminada. Seus pensamentos, preservados em Palestras de 'Abdu'l-Bahá - Paris e Londres, Respostas a Algumas Perguntas, A Promulgação da Paz Universal e em milhares de "Epístolas" e "Ensaios", tais como O Segredo da Civilização Divina, eliciam verdades eternas desde os problemas políticos mais tópicos. Isolado na Terra Santa durante a guerra, 'Abdu'l-Bahá encorajou a pequena comunidade narrando-lhes a vida de alguns dos primeiros grandes seguidores da Fé (Tributo aos Fiéis)1; ao mesmo tempo, Ele pediu aos bahá'ís do Oriente para continuarem a difundir a Fé Bahá'í seguindo Seu próprio exemplo, e viajarem resolutamente a todas os lugares do planeta como "pioneiros".

Após a libertação de Haifa do domínio turco pelo general Allenby, no verão de 1918, 'Abdu'l-Bahá aceitou a distinção de cavaleiro do Império Britânico como um presente a um "rei justo", e Seu funeral em novembro de 1921 foi a maior demonstração de unidade espiritual das religiões que a Terra Santa jamais havia até então presenciado.

II
Auguste Henri Forel

Auguste Henri Forel, nasceu em 1º de setembro de 1848, em Morges (no Canton de Vaud, Suíça) e foi um dos infatigáveis pioneiros do segundo Iluminismo biológico. Suas memórias 2 - bem como inúmeras biografias 3 - são um esplêndido recorde do desenvolvimento de uma mente excepcional, durante a última parte do século dezenove. Sua infância, passada no coração de uma família aristocrática, nas cercanias rurais não muito longe do Lago Genebra, foi dominada por sua austera mãe calvinista, que supriu o menino com uma excessiva dose de religião. Aos oito anos, ele desejou jamais ter nascido. Na adolescência, como nos conta sua autobiografia propensamente psicológica, ele "cresceu muito, possuía pouca força muscular e era totalmente inferior em todos os exercícios físicos - exceto, correr". Sua única dedicação na escola valeu-lhe o apelido de "perdrix" (perdiz). Seu tio Edouard, contudo, proveu-lhe de uma influência contrária à de sua mãe (a quem ele jamais amou ternamente). O menino foi iniciado por ele nas alegrias da pesquisa científica e, desde então, "encontrou consolo entre as formigas" em lugar do cristianismo e sua "decepção mística". Antes mesmo de ir para a universidade, ele obteve o reconhecimento dos versados no assunto por sua descrição da vida das formigas na Suíça. Ao ler Darwin, o monismo germinou nele como uma filosofia de vida: a crença de que todas as coisas existentes desenvolvem-se a partir de um único princípio, em contraste com o dualismo da religião cristã, em que a realidade espiritual e a realidade física são diferenciadas de uma maneira excessivamente dogmática.

Forel estudou medicina. No inverno de 1870-71, ele se inscreveu para trabalho auxiliar em um hospital no campo em Belfort e mergulhou no ainda incerto campo da anatomia do cérebro humano após sua graduação, algo natural para alguém que tem em mente a necessidade de provar sua crença não ortodoxa a si mesmo, a sua mãe e ao mundo em geral. Em Munique, descobriu a bavarian beer-kidney* entre os paralíticos, e isto estabeleceu a base para seu futuro antagonismo contra o álcool. A declaração em sua dissertação inaugural que "todos os atributos da mente humana podem ser derivados dos atributos pertencentes à mente de animais mais elevados", quase fez com que seu velho professor de anatomia tivesse um ataque cardíaco.

*Um tipo de cerveja da Bavária. n.t.

Como psiquiatra, ele fez auto-análise e se descobriu "conversador, impulsivo e muito rápido para fazer julgamentos, mas, perseverante e rápido na colocação em prática de boas idéias... Através do pessimismo, pelo qual nada se espera do mundo e tudo de si mesmo, atinge-se vagarosa, mas firmemente, um sadio e duradouro otimismo." Ele podia se lembrar apenas do que era importante, e gostava de "dar um golpe rápido no passado e sempre olhar para o futuro". Sua imaginação vagava exclusivamente no reino intelectual.

Ele estava, portanto, bem equipado para a primeira grande peleja de sua vida, a administração do asilo mental Burghölzli perto de Zurique, para o qual ele foi indicado em 1879 aos trinta e um anos e, ao mesmo tempo, tornou-se professor de psiquiatria na Universidade de Zurique. Ele encontrou um "estábulo augeano"* e afirmou para si mesmo: abaixo os administradores corruptos, abaixo a administração indecisa do Canton, abaixo os funcionários indisciplinados e abaixo os colegas médicos que viam com ceticismo seus novos métodos. Ele conquistou o apoio leal de sua jovem esposa e de um pequeno grupo de assistentes próximos. Além de sua pesquisa científica e sua documentação, aprendeu a como promover suas idéias através de táticas políticas e de controvérsias, em palestras e escritos. Seu interesse seguinte foi o hipnotismo, um campo no qual ele ganhou uma posição de decisiva influência em pesquisas e sua aplicação médica; seu trabalho fundamental sobre este assunto já estava em doze edições em 1923. Logo ele aprendeu com sua experiência no asilo mental, a contribuição fatal feita pelo álcool ao espírito e à miséria social da humanidade.

*Expressão que pode ser entendida como "uma situação caótica". n.t.

Descobriu que não podia esperar curar o alcoolismo sem ele mesmo se abster de álcool; "rápido na colocação em prática de boas idéias", ele e sua esposa assinaram um compromisso de abstinência por dois anos. Em 1887, este ato foi adulterado como a perfeita prova de excentricidade incurável: um jornal o declarou "o mais louco de todos os lunáticos do asilo Burghölzli". Porém Forel manteve-se firme e, junto com o piedoso fabricante de sapatos Bosshardt, fundou um bem sucedido sanatório para dependentes de álcool e se atirou em uma batalha pública contra o alcoolismo. Os principais opositores de sua causa foram os apóstolos da modernização, atrás de quem seu instinto político logo denunciaria os interesses de cervejarias e destilarias, e cujos argumentos ele combateu de maneira científica. Com esta mesma finalidade, também conduziu uma experiência em si mesmo; no final dos dois anos, ele recomeçou a beber com moderação, e cuidadosamente mapeou o conseqüente declínio de suas faculdades, comprometendo-se, de uma vez por todas, à total abstinência pouco tempo depois. Ganhou de todo um grupo de colegas com seu ponto de vista, com um acordo no qual o chefe do asilo mental deveria, ele também, abster-se de álcool.

Para Forel, a batalha contra o álcool cada vez mais tomou um significado religioso. Para ele, o álcool era um veneno cultural, em verdade, a incorporação do pecado original. Ele sentia como uma obrigação dele mesmo estar entre as pessoas e se recusava a admitir que a bem sucedida cura de dependentes há muito estava intimamente ligada a conversões e despertar religiosos irracionais. Todos deveriam ser convertidos, e não somente aqueles capazes de crer. Forel também estendeu o escopo do problema do alcoolismo, relacionando-o ao problema social geral de "higiene", o qual se tornou para ele a base do progresso cultural. Os primeiros resultados da pesquisa em hereditariedade impuseram severas responsabilidades; o que, posteriormente, viria a ser para o médico e teólogo moral Albert Schweitzer "reverência pela vida", assumiu forma concreta para Forel, o entomologista e psiquiatra, como "reverência pelo gérmen-plasma", o condutor da mais elevada vida: danificar este gérmen-plasma era um pecado. Em 1892, Forel fundou o "Good Templars", primeiro abrigo na Suíça, porém bem no começo de seu comovente trabalho para esta organização, um esforço puramente humanitário contra o alcoolismo, ele deliberou sobre se o socialismo não ofereceria, talvez, uma estrutura mais ampla para sua batalha contra a decadência e mais do que isso, um pacifismo extremo.

Assim, Forel logo passou a crer que, como médico, ele deveria cuidar de toda a cultura da espécie humana. Forel, o naturalista, desde sua mais tenra infância, estudou a mais altamente desenvolvida estrutura social, a das formigas. Como um calvinista latente, ele estava sob uma forte compulsão de cumprir com sua responsabilidade no serviço à sociedade e, como médico e diretor de uma clínica, sentia a urgência das necessidades físicas e espirituais das classes mais baixas da sociedade. Como um monista e um estudante de evolução, Forel acreditava que os ensinamentos do novo Iluminismo biológico deveriam ser disseminados entre as pessoas a fim de eliminar, ou pelo menos para examinar, o severo dano infligido pela moderna condição industrial de vida em combinação com a velha estupidez e malícia humana. Forel teria que se tornar um missionário, um apóstolo ou, talvez, até mesmo um profeta. Em 1898, aos cinqüenta anos, demitiu-se de seu cargo como diretor do asilo Burghölzli e pediu para abandonar a docência, para que assim ele pudesse se estabelecer em Vaud, sua terra natal, como um neurologista independente e escritor. Ao mesmo tempo, ele assumiu prolongadas viagens de palestras por toda a Europa. Destacou-se em dezenas de congressos como um orador convincente que firmou um respeitável exemplo. "Quem poderia vê-lo e ouvi-lo sem amá-lo?" Perguntou o coordenador de uma convenção em 1901 após a palestra de Forel, e a audiência aplaudiu entusiasticamente.

Para se ter uma idéia de quanto se estendeu os limites do "ponto de vista darwiniano, mecanicista"4 de Forel, por exemplo, seu livro A Questão Sexual, por volta de 1942, já havia passado por dezenas de edições e traduzido em vinte e três idiomas. Forel baseia seu argumento no anseio do homem, "erotismo" e religiosidade, os quais podem levar aos mais diversos resultados, estendendo-se desde um erotismo estático a formas ascéticas de misticismo. Para ele, a única coisa importante é a reprodução das espécies. "Toda tentativa de solucionar a questão sexual deve estar adequadamente voltada para o futuro e para a felicidade de nossos descendentes." Foi esta mesma atitude básica, carente de sensibilidade estética, que o impediu de apreciar o maravilhoso quadro pintado por Oskar Kokoschka em 1909. Este mesmo racionalismo levou-o a desqualificar a profunda pesquisa psicológica de Freud como um "exagero para sustentar após uma conferência de psicanalistas em Zurique que a 'costumeira arrogância, excessiva auto-estima e a insípida irracionalidade' voltaram à cena."5

De acordo com Forel em A Questão Sexual, o que é importante é que "o objetivo imanente" da "reprodução" deve ser tratado "acima de tudo, de modo científico, psico-fisiológico e sociológico"; e ele passou a interferir nas grandes questões políticas de seu tempo com as mesmas perspectivas. Alguns exemplos de seus títulos ilustram quão amplo foi o escopo das questões às quais Forel dedicou-se, e certamente devemos tê-las em mente como uma valiosa expressão do espírito daquela época:

· Youth, Evolution, Culture and Narcosis (Juventude, Evolução, Cultura e Narcotismo); Munique, 1908.

· The Role of Hypocrisy, Narrow-Mindedness and Ignorance in Current Morality (O Papel da Hipocrisia, Estreiteza de Mente e Ignorância na Moralidade Atual); Munique, 1908.

· Malthusianism or Eugenics (Malthuismo ou Eugenia); Munique, 1908.

· The United States of the Earth - A Cultural Programme (Os Estados Unidos da Terra - Um Programa Cultural); Munique, 1914-15.

· Enough Destroyed, Build Up Again (Chega de Destruição, Vamos Reconstruir); Zurique, 1916.

· Supranational Peace (Paz Supranacional); 1916.

· The Future of Penal Law - Ethics of the Future (O Futuro da Lei Penal - Éticas do Futuro); 1921.

· The Path to Culture (O Caminho para a Cultura); Viena, 1924.

· The True Socialism of the Future (O Verdadeiro Socialismo do Futuro); Berlim, 1926.

E, mesmo assim, ainda estava faltando alguma coisa em todo este incansável trabalho em nome da higiene social, paz e progresso cultural. O próprio Forel percebeu nitidamente à medida que envelhecia e adoecia e as adversidades caíam pesadamente sobre ele. O monismo, do qual ele não podia abrir mão, era uma verdadeira visão impessoal da vida; a longo prazo, não faz bem a pessoa alguma, considerar-se por demais independente das forças do destino, mesmo que essa pessoa esteja gradualmente projetando luz sobre essas forças cientificamente. Podemos, portanto, entender a reação que ocorreu no Forel de setenta e dois anos quando ele ouviu pela primeira vez sobre a Fé Bahá'í na casa de seu genro, dr. Artur Brauns, em Karlsruhe em 1920. Acima de tudo, os relatos da vida e trabalho de 'Abdu'l-Bahá devem ter lhe causado uma forte impressão.

III
CARTA DO DR. FOREL A 'ABDU'L-BAHÁ
Baden, Alemanha
28 de dezembro de 1920
Estimado Senhor,

Acabo de ler algumas lindas cartas, as quais, de acordo com o sr. Wilhelm Herrigel que as traduziu para o alemão, o Senhor enviou a uma senhora, sra. dr. F.*, em 1910. Essas cartas foram realmente escritas em 1910, antes da guerra? Se assim for, fico realmente admirado diante da clareza profética de sua visão.

*Isto provavelmente refere-se ao dr. Fallscher, médico da família de 'Abdu'l-Bahá durante muito tempo em Haifa.

Entretanto, tenho uma pergunta muito importante para Lhe fazer. Devo Lhe dizer que, aos setenta e dois anos de idade, ainda sou arrebatado pelas verdades da ciência. Ainda em 1874, escrevi um extenso livro sobre o comportamento das formigas e, desde então, tenho escrito trabalhos sobre a anatomia do cérebro, hipnose, a percepção sensorial dos insetos, a higiene do sistema nervoso, a questão sexual, etc. De 1879 a 1898, fui professor de psiquiatria na Universidade de Zurique e diretor do asilo mental desta cidade. Disso tudo, o Senhor entenderá o contexto da pergunta que estou para Lhe fazer.

Além disso, li os princípios da Fé Bahá'í, ou mais precisamente interpretações deles e, adicionalmente, Seu tratado (traduzido do inglês da sra. Goodall) "contra as crenças dos naturalistas a respeito da essência de Deus"6 e o diálogo do professor E. G. Browne7 com Bahá'u'lláh em 'Akká em 1890. Por fim, li, em alemão, o livro de Mírzá Abu'l-Fadl sobre a história da Fé Bahá'í.8

Parece emergir desses escritos que o senhor acusa os naturalistas*, em geral, de erros do tipo que apenas certos partidários de um realismo austero poderiam ser culpados - materialistas como Oswald e Haeckel - que propõem uma "metafísica de energia, ou de matéria" sem qualquer justificativa real. É uma perda de tempo debater com conhecimento de causa sobre o átomo, a energia, o infinito, o universo e assim por diante; tais palavras são vazias de significado. Da minha parte, sou um monista†, no seguinte sentido: estou convencido de que o funcionamento do cérebro e o da mente humana (ou alma)‡ são simplesmente um todo inseparável. Segue-se, que não posso acreditar que a alma individual sobrevive após o cérebro ter morrido. Tal monismo pertence à esfera da ciência e está conclusivamente provado. Nas questões metafísicas, por outro lado, declaro-me um completo agnóstico, assim como o filósofo Sócrates e o grande naturalista Darwin - significando que "Deus" para mim nada mais é do que a Essência do Universo, presumivelmente absoluto, porém absolutamente incognoscível para o homem. É, por conseguinte, absolutamente inútil querer supri-Lo com quaisquer atributos, ou com qualquer sorte de propósito. "Deus", isto é, o suposto absoluto Metafísico, é a origem daquilo que é bom e daquilo que é mau para nós, assim como para qualquer outro ser. Por que? Nós não sabemos, e qualquer tentativa de explicação é inútil e, até mesmo, prejudicial. Sempre que tentarmos examinar Deus detalhadamente, ficaremos apenas girando em um círculo vicioso. Por esta razão, recusei a "confirmação" cristã aos dezesseis anos. Não pertenço a credo algum.

* Em alemão: "Naturphilosophen"; no francês de Forel: "naturalistes"; em inglês: "naturalistas", "materialistas", ou "filósofos da ciência".

†Monismo: Doutrina filosófica segundo a qual o conjunto das coisas pode ser reduzido à unidade, quer do ponto de vista de sua substância (e o monismo poderá ser um materialismo ou um espiritualismo), quer do ponto de vista das leis (lógicas ou físicas) pelas quais o universo se ordena. n.e.

‡ A palavra alemã "seele" pode ser traduzida em inglês para "mind" (mente) ou "soul" (alma).

Em Seu debate com os advogados do materialismo, contudo, o Senhor afirmou, de acordo com Herrigel e outros bahá'ís, que Deus possui consciência de Si mesmo*, vontade e poder de escolha; que Ele é perfeito. Porém, consciência de si mesmo, vontade e poder de escolha são atributos humanos, e não temos noção do que possa ser perfeição. O Seu Deus teria de ser "pessoal", em outras palavras, similar a um ser humano - um ser humano idealizado. Outras passagens nos escritos de Sua maravilhosa religião internacional não concordam com uma certa estreiteza de mente que percorre todo o livro de Mírzá Abu'l-Fadl (quem também lança um verdadeiro assalto sobre os livres pensadores). Apesar de toda minha admiração por Seus princípios humanos, devo confessar que não entendo Seus princípios "Divinos". Esta é, então, minha pergunta:

* No texto em francês, "une conscience de lui".

Posso, sim ou não, pertencer à Fé Bahá'í com o agnosticismo que mencionei acima, sem estar enganando a mim mesmo e aos outros?

Em 1916 ou 1917, publiquei um ensaio sobre o que chamei de religião científica do Social Good (Bem Social), com todos os pontos que mencionei, porém com características semelhantes à Sua religião. Em 15 de fevereiro de 1921, estarei voltando para casa, em Yvorne (Vaud), na Suíça; se o Senhor me responder, de lá poderei Lhe enviar o ensaio.

Por favor, aceite, meu caro Senhor, a expressão de minha mais sincera admiração.

(assinado) Dr. A. Forel.
Ex-professor da Universidade de Zurique
Rüppurr próximo à Karlsruhe

P.S. - Foi apenas com o objetivo exclusivo de explicar minha pergunta que expressei acima aqueles pontos os quais considerei que a Fé Bahá'í afasta-se de minha própria crença, tanto quanto posso julgar por Herrigel, etc. Para todo o resto, em particular no que se refere à moralidade ou ética humanitária, e toda a abrangente tolerância para com todas as formas de crença na terra, somente posso Lhe admirar e apoiar com todo meu fervor.

EPÍSTOLA DE 'ABDU'L-BAHÁ AO DR. FOREL
Haifa, 21 de setembro de 19211

Ó respeitosa personagem, amante da verdade! Tua carta datada de 28 de julho de 1921* foi recebida. Seu conteúdo foi-me muito agradável, indicando que - louvado seja Deus - enquanto ainda jovem buscas a verdade, sendo forte teu poder de pensamento e manifestas as descobertas de tua mente.

*Obviamente, 'Abdu'l-Bahá está se referindo à carta datada de 28 de dezembro de 1920. Esta deve ser a data que Ele recebeu a carta. n. Peter M.

Numerosas cópias da epístola que eu escrevera ao dr. Fisher foram difundidas em toda parte, e é de conhecimento geral que foi revelada no ano de 1910. Além desta, inúmeras epístolas foram escritas antes da guerra sobre o mesmo tema, como também houve referência a essas questões no jornal da Universidade de São Francisco, cuja data se sabe, acima de qualquer dúvida.2 Outrossim, os filósofos de visão larga elogiaram muito o discurso eloqüente realizado naquela Universidade*. Mandamos, pois, incluso, um exemplar do jornal. Tuas obras são, sem dúvida, de grande benefício, e se forem publicadas, envia-nos um exemplar de cada.

*Nele, 'Abdu'l-Bahá diferencia os filósofos materialistas e empíricos do ocidente moderno da filosofia padrão racionalista dos gregos e persas, e destaca a diferença entre as teorias da essência da natureza e da origem do homem. n. Peter M.

Por materialistas, cuja crença em relação à Divindade já foi explicada, não queremos dizer filósofos em geral, mas somente aquele grupo de materialistas de visão estreita, que adoram aquilo que conhecem por meio dos sentidos, dependendo dos cinco sentidos unicamente, e cujo critério de conhecimento se limita àquilo perceptível através dos sentidos. Tudo isso lhes é real, mas o que não se sujeita ao poder dos sentidos é irreal ou duvidoso. A existência da Deidade, eles a consideram inteiramente duvidosa.

É, pois, assim como escrevestes, referimo-nos aos materialistas de mentalidade estreita, e não aos filósofos em geral. Quanto aos filósofos deístas, tais como Sócrates, Platão e Aristóteles, estes, de fato, são dignos de estima e do mais alto louvor, pois prestaram relevantes serviços à humanidade. Assim também consideramos os filósofos materialistas que são moderados e capazes, e que têm prestado serviços (à humanidade).

A nosso ver, o conhecimento e a sabedoria são as bases do progresso do homem, e os filósofos dotados de visão larga merecem louvor. Perscruta cuidadosamente o jornal da Universidade de São Francisco, para que te seja revelada a verdade.

Agora, a respeito das faculdades mentais: são realmente propriedades inerentes à alma, assim como a irradiação da luz é propriedade intrínseca do sol. Os raios do sol renovam-se, mas o próprio sol é sempre o mesmo, imutável. Consideremos como o intelecto humano se desenvolve e enfraquece, e pode, em algumas ocasiões, falhar, enquanto que a alma não muda. Para que a mente se manifeste, é mister que o corpo humano seja completo; só em corpo são, pode haver mente sã, mas a alma não depende do corpo. Apenas através do poder da alma é que a mente pode exercer sua influência, suas faculdades de imaginação e compreensão, enquanto que a alma é um poder livre. A mente compreende o abstrato com o auxílio do concreto, ao passo que a alma tem ilimitadas manifestações próprias. A mente é circunscrita; a alma é ilimitada. É por meio de tais sentidos como os da vista, audição, gosto, olfato e tato que a mente compreende, enquanto que a alma é independente de todos esses meios. A alma, quer esteja adormecida, quer acordada, assim como já deves ter observado, está em movimento, sempre ativa, podendo durante um sonho decifrar um problema intrincado, de solução difícil em estado de vigília. A mente, além disso, não compreende quando os sentidos param de funcionar, e também na fase embrionária e na primeira infância, a capacidade de raciocínio está totalmente ausente, mas a alma sempre se acha dotada de plenas faculdades. Enfim, são muitas as provas de que o poder da alma ainda continua a existir, não obstante a perda do raciocínio. O espírito possui, entretanto, vários graus e condições.

Quanto à existência do espírito no mineral: é indubitável serem os minerais dotados de um espírito e vida de acordo com os requisitos desta etapa. Este antigo segredo, também, tornou-se conhecido aos materialistas que agora afirmam que todas as coisas são dotadas de vida, assim como Ele diz no Alcorão: "Todas as coisas vivem."

Semelhantemente, no mundo vegetal, há o poder do crescimento, ou seja, o espírito. No mundo animal existe alguma sensibilidade, mas no humano há um poder que a tudo abrange. Em todas as etapas anteriores, está ausente a capacidade de raciocínio, porém a alma existe e se revela. Essa sensibilidade não compreende a alma, mas a capacidade de raciocínio possuída pela mente prova a existência da alma.

De igual modo, a mente prova a existência de uma Realidade invisível que abrange todos os seres, existindo e revelando-se em todas as etapas, mas cuja essência está além do alcance da mente. Assim o mundo mineral não compreende nem a natureza nem as perfeições do mundo vegetal, e este não compreende a natureza do mundo animal. Tampouco pode o animal compreender a natureza da realidade do homem - aquele ser que descobre e abrange todas as coisas.

O animal é cativo da natureza, não podendo transgredir suas regras e leis. No homem, entretanto, há um poder de descoberta - poder que transcende o mundo da natureza, controlando e intervindo em suas leis. Todos os minerais, plantas e animais são cativos da natureza. O próprio sol, com toda a sua majestade, está tão sujeito à natureza que não tem vontade própria e não se pode desviar de suas leis nem na grossura de um fio de cabelo. Do mesmo modo, todos os outros seres - sejam do reino mineral, vegetal ou animal, são incapazes de se desviar das leis da natureza - todos são seus escravos. Só o homem, embora seu corpo seja cativo da natureza, está livre no que diz respeito à sua mente e à sua alma, tendo ele predomínio sobre a natureza.

Consideremos: segundo a lei da natureza, o homem vive, move-se, tem sua existência sobre a terra; no entanto, sua alma e sua mente intervêm nas leis naturais e ele voa no ar tal como o pássaro, ou navega rapidamente sobre os mares e, semelhante ao peixe, sonda as profundezas e descobre as coisas que aí se encontram. Verdadeiramente, esta é uma séria derrota infligida sobre as leis da natureza.

Assim é o poder da energia elétrica: esta força tão violenta e insubmissa, que racha as montanhas, é, no entanto, aprisionada pelo homem dentro de um globo! Evidentemente, é uma interferência nas leis da natureza. Assim também o homem descobre aqueles segredos que, segundo as leis da natureza, deveriam permanecer ocultos, e os transfere do plano invisível para o visível; o que é, igualmente, uma interferência na lei natural. Do mesmo modo, descobre ele as propriedades inerentes às coisas, outrora segredos da natureza, aviva acontecimentos do passado já desvanecidos na memória, bem como prevê, mediante seu poder de indução, futuros sucessos ainda desconhecidos. Mais ainda: a comunicação é limitada a pequenas distâncias pelas leis da natureza, mas o homem, através do poder interior que possui, poder este que descobre a realidade de todas as coisas, une Leste a Oeste. Também isso é uma interferência nas leis naturais. Semelhantemente, segundo a lei da natureza, toda sombra é fugaz, enquanto que o homem a fixa na chapa, o que constitui, outrossim, uma interferência na lei natural. Ponderemos e reflitamos: todas as ciências, artes, ofícios, invenções e descobertas eram, outrora, segredos da natureza, devendo assim permanecer, segundo suas leis; mas o homem, graças a seu poder descobridor, intervém nas leis naturais e transfere esses segredos do plano invisível para o visível. Vemos outra vez uma interferência nas leis naturais.

Enfim, essa faculdade interior do homem, escondida da vista, arranca a espada das mãos da natureza e lhe inflige um golpe tremendo. Todos os demais seres, por maiores que sejam, carecem de tais perfeições. O homem tem os poderes da vontade e da compreensão, mas a natureza não os possui. A natureza é circunscrita; o homem, livre. À natureza falta compreensão; o homem compreende. A natureza é inconsciente dos acontecimentos passados, enquanto que o homem os conhece. Nem pode ela prever o futuro, mas o homem, com seu poder de discernimento, vê aquilo que está por vir. A natureza não tem consciência de si própria, ao passo que o homem tudo percebe.

Fosse alguém supor ser o homem apenas uma parte do mundo da natureza, sendo ele dotado dessas perfeições que nada mais seriam que manifestações do mundo natural - vindo assim a natureza a ser considerada a origem de tais perfeições, e não delas privada - à essa pessoa daríamos a seguinte resposta: a parte depende do todo, e não pode possuir perfeições das quais o todo é destituído.

Por natureza, entendemos aquelas propriedades inerentes e relações necessárias que derivam das realidades das coisas, e estas realidades, embora muito diversas, se acham, no entanto, intimamente ligadas entre si. Para estas várias realidades é necessário um agente unificador que os possa unir uma à outra. Todos os órgãos e membros, partes e elementos que constituem o corpo do homem, por exemplo, se bem que diversos, unem-se mutuamente, graças àquele agente unificador que conhecemos como alma humana, e que os faz funcionar em perfeita harmonia e absoluta regularidade, assim tornando possível a continuação da vida. O corpo humano, todavia, está inteiramente inconsciente da alma, ou seja, desse agente unificador, embora aja com regularidade, desempenhando suas funções segundo a vontade da alma.

Tratando-se agora dos filósofos: eles são de duas escolas. Sócrates, o sábio, acreditava na unidade de Deus e na existência da alma após a morte, mas como sua opinião não foi aceita pelas mentalidades estreitas de seu tempo, envenenaram-no, filósofo divino que era. Todos os sábios e filósofos divinos, ao observarem estes infinitos seres, têm achado que, neste universo grande, ilimitado, todas as coisas terminam no reino mineral, donde procede o reino vegetal, sendo que deste resulta o reino animal e este último, por sua vez, é seguido pela espécie humana. A consumação deste ilimitado universo, com toda a sua grandeza e glória, é o próprio homem, e ele labuta e sofre por algum tempo neste mundo da existência, com vários males e dores, vindo afinal a decompor-se, sem deixar atrás nenhum fruto ou traço sequer. Se assim fosse, este infinito universo com todas as suas perfeições teria terminado, sem dúvida, em ignomínia e desilusão, não tendo resultado, fruto, permanência ou efeito algum. Seria absolutamente sem sentido. Eles, (os filósofos) pois, convenceram-se de que tal não era o caso, de que esta Grande Oficina, com toda a sua força, sua deslumbrante magnificência e suas infinitas perfeições, não poderia chegar ao nada como final. A existência de uma outra vida é, portanto, certa; e assim, tal como o reino vegetal é inconsciente do mundo humano, nós, também, nada sabemos da Grande Vida do além, que se segue à vida do homem neste plano inferior. Nossa incompreensão daquela vida, entretanto, não é prova de sua inexistência. O mundo mineral, por exemplo, está completamente inconsciente do mundo do homem, não o podendo compreender, mas o fato de que se ignora uma coisa, não é prova de sua inexistência. Existem inúmeras e conclusivas provas que demonstram que esse mundo infinito não pode findar com esta vida humana.

Tratemos agora da Essência da Divindade: essa Essência, realmente, de modo algum pode ser determinada por qualquer coisa fora de sua própria natureza, nem pode, em absoluto, ser compreendida. Pois aquilo que o homem pode conceber é uma realidade que tem limitações, e não uma realidade ilimitada; é circunscrita, não abrangendo tudo; pode ser compreendida pelo homem, e é por ele controlada. Outrossim, é certo que todos os conceitos humanos são contingentes e não absolutos, tendo uma existência mental, e não material. Além disso, a diferença de grau no mundo contingente é obstáculo à compreensão. Como pode, pois, o contingente conceber a Realidade do Absoluto? Como já dissemos, a diferença de grau no plano contingente impede a compreensão. Aos minerais, plantas e animais, faltam as faculdades mentais do homem, faculdades estas que descobrem a realidade de todas as coisas, enquanto que o homem compreende todos os graus que lhe são inferiores. Cada grau superior compreende o que lhe é inferior, e descobre sua realidade, mas o inferior é inconsciente daquele que lhe é superior e, portanto, incapaz de o compreender. Assim, o homem não pode compreender a Essência da Divindade mas, através de sua faculdade de raciocínio e observação, suas faculdades intuitivas e o poder revelador de sua fé, pode crer em Deus e descobrir a abundância de Sua Graça. Embora seja invisível a Essência Divina, e intangível a existência da Deidade, provas concludentes afirmam a existência daquela Realidade invisível. A Essência Divina como ela é em si mesma, entretanto, ultrapassa toda descrição. Desconhece-se, por exemplo, a natureza do éter, mas o fato de que existe, é provado pelos seus efeitos, sendo o calor, a luz e a eletricidade suas ondas. Através dessas ondas, a existência de éter é, portanto provada. E quando consideramos a emanação da Graça Divina, certificamo-nos da existência de Deus. Observamos, por exemplo, que a existência dos seres depende da reunião dos vários elementos, sendo sua inexistência resultado da decomposição de seus elementos constituintes; pois a decomposição implica na dissociação dos vários elementos. Observamos que a junção de elementos dá origem à existência dos seres, e se sabemos que estes, ou seja o efeito, são infinitos, como pode a Causa ser finita?

Ora, a formação é de três espécies, e de três somente: acidental, necessária e voluntária. A reunião dos vários elementos constituintes dos seres não pode ser acidental, pois para todo efeito deve haver uma causa. Tampouco pode ser compulsória, porque assim a formação teria que ser propriedade inerente às partes constituintes, e a propriedade inerente de uma coisa, de modo algum, pode dela se desassociar, assim como a luz, que revela as coisas, o calor, que causa a expansão dos elementos, e os raios que são as propriedades intrínsecas do sol. Nesta hipótese, seria impossível que qualquer formação viesse a decompor-se, já que as propriedades inerentes de uma coisa não se separam dela. Resta a terceira espécie da formação, ou seja a voluntária; isto é, uma força invisível, descrita como o Poder Antigo, é a causa da reunião desses elementos, sendo que cada formação dá origem a um ser distinto.

Quanto aos atributos e perfeições, tais como a vontade, o conhecimento, o poder e outras qualidades que atribuímos àquela Realidade Divina, estes são os sinais que refletem a existência dos seres no plano visível e não as perfeições absolutas da Essência Divina, as quais não podem ser compreendidas. Por exemplo, ao considerarmos os seres criados, observamos infinitas perfeições, disso inferindo que o Poder Antiqüíssimo, de quem depende a existência destes seres, não pode ser ignorante; assim, dizemos que Ele é o Onisciente. De certo, não é impotente, deve ser então, Todo-Poderoso; nem pobre, deve ser o Possuidor de todas as coisas; nem inexistente, deve ser Eterno. Com isso intentamos mostrar que, ao atribuirmos àquela Realidade Universal tais perfeições, estamos apenas negando imperfeições, e não afirmando atributos inacessíveis à inteligência humana. Assim dizemos, pois, que Seus atributos são incognoscíveis.

Em suma, essa Realidade Universal, com todas as suas realidades e atributos que aludimos, é santa e exaltada acima de todas as mentes e da compreensão. Quando, porém, refletimos neste infinito universo, com largueza de visão, percebemos que o movimento sem uma forma motriz, ou seja, um efeito sem causa, é impossível; que todo ser veio a existir sob numerosas influências e está sujeito a reações contínuas. Também estas influências derivam de outras ainda. Por exemplo, as plantas crescem e florescem por causa das emanações das chuvas vernais, enquanto a própria nuvem é formada por vários outros agentes, os quais, por sua vez, a outros ainda reagem. Plantas e animais crescem e desenvolvem-se sob a influência daquilo que os filósofos de nosso tempo denominam hidrogênio e oxigênio, e reagem sob os efeitos destes dois elementos, os quais, por sua vez, são formados ainda sob outras influências. O mesmo se pode dizer dos demais seres, quer afetando as outras coisas ou sendo por elas afetados. Tal processo de causalidade continua, mas seria claramente absurdo afirmarmos que é assim indefinidamente. Assim, essa corrente de causas deve forçosamente conduzir, afinal, Àquele que é o Eterno, o Todo-Poderoso, O que depende de Si próprio, e é a Última Causa. Essa Realidade Universal não pode ser percebida; não pode ser vista. Assim tem que ser, necessariamente, pois a tudo abrange, não podendo ser circunscrita; e tais atributos qualificam o efeito e não a causa.

Ao refletirmos, percebemos, que o homem é como um minúsculo organismo contido dentro de um fruto; este fruto desenvolveu-se da flor, a qual cresceu da árvore, sendo esta sustentada pela seiva, que é formada de terra e água. Como pode este pequenino organismo compreender a natureza do jardim, formar algum conceito do jardineiro e compreender seu ser? Isto é manifestamente impossível. Pudesse este organismo compreender e refletir, perceberia que o jardim, a árvore, a flor e o fruto de modo algum teriam vindo a existir por si sós, nessa ordem e perfeição. Da mesma maneira, a alma sábia e reflexiva saberá com certeza que este infinito universo com toda a sua grandiosidade e perfeita ordem não poderia ter vindo à existência por si mesma.

De modo semelhante, há no mundo da existência forças que os olhos não vêem, tais como a do éter, já mencionada, a qual não pode ser sentida, não pode ser vista, mas dos efeitos que o éter produz, isto é, das suas ondas e vibrações, aparecem a luz, o calor e a eletricidade. Assim também são os poderes do crescimento, da sensibilidade, da compreensão, do pensamento, da memória, da imaginação e do discernimento; todas estas faculdades internas são imperceptíveis à vista e aos demais sentidos, mas se tornam evidentes pelos efeitos que produzem.

Agora, quanto ao Poder infinito que não conhece limitações; a própria limitação prova a existência do ilimitado, sendo o limitado conhecido através do ilimitado, como também a própria pobreza prova a existência da riqueza. Sem riqueza, não haveria pobreza; sem conhecimento, a ignorância seria inconcebível, assim como a treva, sem a luz. A própria escuridão é prova da existência da luz, pois é a ausência da luz.

Agora referente à natureza, consiste apenas nas propriedades essenciais e relações necessárias inerentes às realidades das coisas. E embora estas realidades infinitas sejam de caráter diverso, unem-se, estreitamente e na maior harmonia. À medida que nossa vista se alarga e o assunto é estudado cuidadosamente, torna-se evidente que cada realidade é apenas um requisito essencial das demais realidades. Portanto para conectar e harmonizar essas diversas e infinitas realidades, é imprescindível um Poder unificador universal, a fim de que cada parte da criação existente possa desempenhar sua própria função em perfeita ordem. Consideremos o corpo do homem, vendo na parte (isto é, no corpo humano) um indício do todo. Notemos como as várias partes do corpo humano se acham intimamente ligadas e unidas em completa harmonia entre si. Cada parte é essencial às demais e tem uma função própria. A mente é aquele agente que unifica todas as partes componentes, ligando-as umas com as outras, de tal modo que cada uma delas possa desempenhar sua função específica em perfeita ordem, tornando assim possíveis a reação e a cooperação. Todas as partes funcionam sob certas leis essenciais à existência. Se algum dano atingir esse agente unificador, universal, que dirige todas estas partes, cessará, de certo, o devido funcionamento dos membros e das partes constituintes. E embora se não sinta nem veja esse agente unificador universal no templo do homem, e tampouco se conheça sua realidade, esse agente manifesta-se, no entanto, com o máximo poder, através de seus efeitos.

Assim se torna evidente e provado que os infinitos seres neste maravilhoso universo cumprem suas funções devidamente só em virtude de serem dirigidos e controlados por aquela Realidade Universal, de modo que a ordem seja mantida no mundo. Como no exemplo do corpo humano, há indiscutível evidência de inter-relação e cooperação entre suas partes constituintes, porém isso não basta; é mister um agente unificador universal que dirija e controle as partes componentes para que estas, por sua interação e cooperação, possam desempenhar em perfeita ordem, respectivamente, suas funções necessárias.

Bem sabes - louvado seja o Senhor - que tanto a interação como a cooperação se acham evidentes e provadas entre todos os seres, quer sejam grandes ou pequenos. No caso dos corpos grandes, a interação está tão manifesta como o sol, enquanto que nos corpos pequenos, embora a interação seja desconhecida, a parte é, no entanto, um indício do todo. Assim, pois, todas essas interações estão ligadas por aquele poder que tudo abrange - seu pivô e centro, sua origem e sua força motriz.

Como observamos no exemplo do corpo humano, a cooperação entre suas partes constituintes está claramente estabelecida, sendo que cada parte presta serviços às demais partes componentes do corpo. Assim, a mão, o pé, os olhos, os ouvidos, a mente, a imaginação, todas as partes cooperam, ajudando cada uma às demais partes do corpo humano, sendo, porém, todas essas interações ligadas por um poder invisível que tudo abrange e que as faz aparecerem com perfeita regularidade. Este poder é a faculdade interior do homem, ou seja, seu espírito e sua mente, sendo ambos invisíveis.

Outro exemplo vemos nas oficinas com a sua maquinaria: observemos como existe interação entre as várias partes e seções, como estas se ligam umas às outras. Todas estas relações e interações, entretanto, estão ligadas a um poder central, sendo este a sua força motriz, seu pivô e sua origem. Esse poder central é a força do vapor ou a habilidade da mente perita.

Tornou-se, pois, evidente e provado que a interação, a cooperação e a inter-relação entre os seres se acham todas sob o controle e a vontade de um Poder impulsor que é a origem, a força motriz e o pivô de todas as interações no universo.

Assim, toda disposição e formação que não seja perfeita em sua ordem, nós a denominamos acidental, enquanto que aquilo que é regular, segundo a ordem, perfeito em suas relações, estando cada uma de suas partes em seu lugar próprio, como requisito essencial das demais partes constituintes, a isso chamamos uma composição formada segundo a vontade e o conhecimento. Sem a menor dúvida, esses infinitos seres e a associação desses elementos diversos devem ter procedido de uma Realidade que de modo algum careceria de vontade ou compreensão. Isso está claro e provado à mente; ninguém o pode negar. Não se quer dizer, todavia, que a Realidade Universal ou seus atributos tenham sido compreendidos. Homem algum jamais compreendeu nem sua Essência, nem seus verdadeiros atributos. O que sustentamos, porém, é que esses infinitos seres, essas relações necessárias, essa disposição perfeita, devem ter procedido, forçosamente, de uma fonte que não está privada de vontade e compreensão; que essa infinita composição, manifestada em formas infinitas, deve ter sido causada por uma Sabedoria que a tudo abarca. Isso ninguém pode contestar, salvo aquele que é obstinado e nega a evidência clara e inequívoca; aquele a quem se refere o sagrado versículo: "Eles são surdos, eles são mudos, eles são cegos e não mais regressarão."

Agora com relação à pergunta se as faculdades da mente e da alma são uma só, a mesma realidade; essas faculdades são apenas as propriedades inerentes da alma, tais como o poder da imaginação, do pensamento, da compreensão - poderes esses que são os requisitos essenciais à realidade do homem, assim como o raio solar é propriedade intrínseca do sol. O corpo do homem assemelha-se a um espelho, sua alma ao sol, e suas faculdades mentais são como os raios que emanam dessa fonte de luz. O raio pode deixar de cair sobre o espelho, mas de modo algum pode desassociar-se do sol.

Em suma, o ponto é este: o mundo humano é sobrenatural em relação ao reino vegetal, embora não o seja em realidade. Relativamente à planta, são sobrenaturais a realidade do homem e seus poderes de audição e vista, e é impossível que a planta compreenda essa realidade e a natureza dos poderes da mente humana. Também, de modo algum é possível que o homem compreenda a Essência Divina e a grande Vida do além. As emanações da bondade dessa Essência Divina são, entretanto, concedidas a todos os seres, e cabe ao homem ponderar em seu coração sobre a efusão da Graça Divina, sendo a alma considerada um de seus sinais, e não sobre a própria Essência Divina. É isso o limite absoluto para o entendimento humano. Como já mencionamos, essas perfeições que atribuímos à Essência Divina, nós as deduzimos da existência e da observação dos seres e não porque tenhamos compreendido a essência e a perfeição de Deus. Quando dizemos que a Essência Divina, compreende e é livre, não queremos dizer que tenhamos descoberto a Vontade e o Propósito Divino, mas apenas que tomamos conhecimento delas através da Graça Divina, que se revela e manifesta na realidade das coisas.

Quanto aos nossos princípios sociais, isto é, aos ensinamentos de Sua Santidade Bahá'u'lláh, largamente disseminados há cinqüenta anos atrás, neles, em verdade, se acham incluídos todos os demais ensinamentos. Evidentemente, a humanidade não poderá progredir de modo algum sem esses princípios. Todas as comunidades do mundo encontram nesses Ensinamentos Divinos a realização de suas mais altas aspirações. Esses Ensinamentos são como a árvore que, dentre todas as árvores, produz os melhores frutos. Filósofos, por exemplo, acham a solução perfeita para seus problemas sociais, nesses ensinamentos divinos, bem como uma exposição verídica e nobre de assuntos filosóficos. Também os homens de fé percebem a realidade da religião, claramente revelada nesses ensinamentos celestiais, e verificam que eles constituem, indubitavelmente, o verdadeiro remédio para os males e as enfermidades de todo o gênero humano. Se esses sublimes ensinamentos forem difundidos, a humanidade libertar-se-á de todos os perigos, de todos os males crônicos. Outrossim, os princípios econômicos bahá'ís incorporam as mais altas aspirações de todas as classes de trabalhadores e dos economistas das várias escolas.

Enfim, as aspirações de todos os grupos e partidos realizam-se nos Ensinamentos de Bahá'u'lláh e, à medida que forem declarados em igrejas, em mesquitas e em outros lugares de adoração, seja entre os seguidores de Buda ou de Confúcio, em círculos políticos ou entre materialistas, todos darão testemunho de que esses Ensinamentos trazem uma vida nova à humanidade e constituem o remédio imediato para todos os males da vida social. Ninguém pode achar defeitos em qualquer desses Ensinamentos; não, uma vez difundidos, serão todos aclamados, e todos os homens admitirão sua necessidade vital, exclamando: "De fato, isso é a verdade e, fora da verdade, nada há senão erro manifesto."

Em conclusão, estas poucas palavras são escritas, e para cada um serão uma clara e concludente evidência da verdade. Pondera-as em teu coração. A vontade de todo soberano prevalece durante seu reinado, a vontade de todo filósofo acha expressão num punhado de discípulos durante sua vida, mas o Poder do Espírito Santo brilha radiantemente nas realidades dos Mensageiros de Deus e de tal forma lhes fortalece a vontade que exercem influência sobre uma grande nação durante milhares de anos, regenerando a alma humana e ressuscitando a humanidade. Considera quão grande é esse poder! É um Poder extraordinário, constituindo prova suficiente da veracidade da missão dos Profetas de Deus, e concludente evidência do poder de uma Inspiração Divina.

Esteja sobre ti a Glória das Glórias!
APÊNDICE
COMO DR. FOREL REAGIU À EPÍSTOLA DE 'ABDU'L-BAHÁ?

Shoghi Effendi (1896-1957), apontado por 'Abdu'l-Bahá para ser o "Guardião da Fé de Deus", considerava esta Epístola como "uma das mais influentes que o Mestre escreveu." 1 Porém, do que ela realmente trata?

Forel apresentou a si mesmo como monista. Para ele, o mundo é um todo contínuo. Este todo pode, é verdade, ser subdividido em estágios, formas, classes, espécies, etc., mas tais classificações são expedientes intelectuais, como os graus de longitude e latitude de nosso globo terrestre. Assim, podemos supor (embora não possamos ter certeza) que a civilização humana é o mais alto estágio ou forma de desenvolvimento possível neste universo, e Deus, Forel escreve, é "nada mais do que a Essência do Universo, presumivelmente absoluto, mas para o homem absolutamente incognoscível". Caso este Deus, "a Essência do Universo", seja também uma construção intelectual como as linhas imaginárias do globo terrestre, ou caso Ele possua uma substância e, portanto, também "atributos" e possivelmente até mesmo "propósito", Forel deixa sem solução, sendo sua posição a de um "completo agnóstico". Ele descreve a questão como "absolutamente inútil". Não é preciso ser um psicólogo profundo para ver aqui um caso de repressão genuína, ainda que um ponto de vista puramente intelectual ou científico. Ao abordar qualquer discussão sobre os possíveis atributos e propósito de Deus, Forel é cauteloso em função do dogmatismo que ele experimentara com sua mãe calvinista, e com um amigo jesuíta. Ele sabe que é quase impossível ter uma conversação intelectual, usando lógica, com um dogmático convicto. Subconscientemente, contudo, ele tem uma forte necessidade de ser convencido deste exato ponto, reconhecer atributos e propósitos nesta Essência do Universo, este Deus; pois ele convive com um terrível e consumidor medo, o medo do colapso de toda a civilização humana.

Mesmo quando ainda um jovem palestrante universitário, Forel chocou seus professores em Munique - o argumento foi sobre atributos, de fato sobre aqueles da mente humana, todos os quais, ele asseverava, "poderiam ser derivados dos atributos pertencentes à mente de animais superiores". O cientista em Forel achava impossível provar que o homem era diferente dos animais. Pois como poderia ele, se a civilização humana era apenas um episódio transitório na história da natureza voltando para trás em milhões de anos? Como poderia, se a raça humana estava perecendo por sua própria estupidez e malevolência: com apenas aqueles atributos que eram derivados de animais superiores, os quais nem a religião no decorrer dos séculos nem nossa recém-adquirida ciência no decorrer de décadas foram capazes de eliminar antes de sua caótica erupção na Primeira Guerra Mundial? Como poderia, se tal processo de degeneração estava ocorrendo, as formigas, aquelas criaturas socializadas que ele tão incansavelmente estudara, parecerem provavelmente mais adequadas do que a humanidade para ganhar a mão superior e exercer o domínio do mundo. Não devemos nos omitir de mencionar aqui que algumas das mais desagradáveis ficções científicas do século vinte podem ser seguidas no tempo através das pesquisas e idéias de Forel. Durante muito tempo, uma questão tipicamente foreliana foi: "O que podemos fazer para nos tornar mais como as formigas e ainda assim, ao mesmo tempo, permanecermos humanos?"

Estas suprimidas questões metafísicas atormentavam imensamente o idoso Forel, não apenas porque ele havia vivenciado a Primeira Guerra Mundial do seguro posto de observação que era a Suíça, mas também, porque sofreu severamente com as agruras da idade avançada, e viu sua maior esperança destruída com a morte por embolia de seu filho mais velho pouco antes de seu exame público para medicina. Isto aconteceu quando a questão do significado da vida e da civilização humana realmente dominou Forel. Não obstante, o jesuíta Wasmann, a quem Forel valorizava por seu trabalho de pesquisa e recebeu como convidado por alguns dias em 1918, foi incapaz de convencê-lo de que ele devia "deixar para lá ou deixar Roma decidir" essas questões que estavam além do escopo da ciência. Forel, portanto, deve ter ficado completamente fascinado por um movimento religioso que tinha escrito em suas insígnias aproximadamente todos os objetivos do esforço de toda sua vida pela cultura e higiene social, a qual tanto sacrifício fez por eles e que foi representada por tão extraordinária personagem como 'Abdu'l-Bahá.

Vimos que Forel concentrou todas suas dúvidas referentes à existência de um Deus pessoal que possui consciência, vontade, poder, etc., na questão de se ele pode permanecer um monista e agnóstico e, ao mesmo tempo, tornar-se um bahá'í. É equivocado e superficial dizer que 'Abdu'l-Bahá declina dessa pergunta somente porque Ele não a responde diretamente. Ao contrário, 'Abdu'l-Bahá apodera-Se da pergunta de Forel de um modo muito mais completo e preciso do que somente responder com um "sim" ou "não" que Forel solicitou. Em verdade, Ele lida com a razão pela qual Forel tem, afinal, para fazer essas abruptas perguntas.

'Abdu'l-Bahá menciona três tipos de filósofos: os "materialistas de mente estreita" que expressamente rejeitam a Deus, os "filósofos materialistas, que são moderados e capazes" e que deixam a questão da existência de Deus em aberto, e os "filósofos deístas, que acreditam em Deus". 'Abdu'l-Bahá vê os filósofos moderados e deístas como "dignos de estima e do mais alto louvor" pelos serviços que prestaram à humanidade.

'Abdu'l-Bahá, então, expressa diversos argumentos diferentes ou "provas" para lidar com as duas principais objeções de Forel, repetindo algumas dessas provas de formas diferentes. A primeira objeção de Forel foi que o homem é meramente um animal entre muitos, pois ele acreditava que estava cientificamente provado que as faculdades mentais do homem são meramente o funcionamento do cérebro, assim o homem morre quando seu cérebro morre, não havendo, portanto, outra vida. Em primeiro lugar, Ele faz uma distinção entre a mente (ou intelecto) e a alma, a mente sendo o agente ativo da alma, da qual a própria mente depende. Na comparação enunciada por 'Abdu'l-Bahá, "...a irradiação da luz é propriedade intrínseca do sol. Os raios do sol renovam-se, mas o próprio sol é sempre o mesmo, imutável." E ainda: "Para que a mente se manifeste, é mister que o corpo humano seja completo; ... mas a alma não depende do corpo." Em segundo lugar, o homem é capaz de transcender a natureza de diversas formas, como um resultado de seus poderes da vontade e compreensão. "Só o homem, embora seu corpo seja cativo da natureza, está livre no que diz respeito à sua mente e à sua alma, tendo ele predomínio sobre a natureza... O homem tem os poderes da vontade e da compreensão, mas a natureza não os possui. A natureza é circunscrita; o homem, livre." Portanto, o homem possui certos atributos ou perfeições que a natureza não tem, e uma vez que "...a parte depende do todo, e não pode possuir perfeições das quais o todo é destituído", conclui-se que o homem não pode ser apenas "uma parte do mundo da natureza". Em terceiro, 'Abdu'l-Bahá observa que "todos os sábios e filósofos divinos" chegaram à conclusão de que a vida do homem não pode terminar simplesmente com a dissolução deste corpo; pois se assim o fosse "este infinito universo com todas as suas perfeições teria terminado, sem dúvida, em ignomínia e desilusão, não tendo resultado, fruto, permanência ou efeito algum." Todos esses três argumentos rejeitam a noção de que o homem é puramente uma entidade natural, sem a possibilidade de uma vida após a morte.

Havendo tratado a primeira objeção de Forel, 'Abdu'l-Bahá então vai para a segunda, em que Deus pode somente ser, para o homem, um absoluto Metafísico completamente desconhecido e que, conseqüentemente, jamais podemos Lhe atribuir qualidades como vontade, consciência de Si mesmo ou poder de escolha. 'Abdu'l-Bahá responde a isto de modo amplo, com vários argumentos. Ele elucida que o corpo humano é composto de muitas partes diferentes que se interagem e relacionam-se umas com as outras de acordo com suas diferentes "realidades". E ainda, essas partes diferentes são essenciais umas às outras. "Notemos como as várias partes do corpo humano se acham intimamente ligadas e unidas em completa harmonia entre si. Cada parte é essencial às demais e tem uma função própria." Mas, isto não é suficiente. É necessário um "agente que unifica todas as partes componentes, ligando-as umas com as outras, de tal modo que cada uma delas possa desempenhar sua função específica em perfeita ordem, tornando assim possíveis a reação e a cooperação." Assim como o homem, também todo o universo consiste de um número infinito de partes de "realidades"; "...embora estas realidades infinitas sejam de caráter diverso, unem-se, estreitamente e na maior harmonia. À medida que nossa vista se alarga e o assunto é estudado cuidadosamente, torna-se evidente que cada realidade é apenas um requisito essencial das demais realidades. Portanto, para conectar e harmonizar essas diversas e infinitas realidades, é imprescindível um Poder unificador universal, a fim de que cada parte da criação existente possa desempenhar sua própria função em perfeita ordem." Este poder unificador é Deus. 'Abdu'l-Bahá também expressa um argumento suplementar a este, separado, porém sustentando-o. Este é o argumento baseado nos três tipos de formação - acidental, necessária e voluntária. "A reunião dos vários elementos constituintes dos seres não pode ser acidental, pois para todo efeito deve haver uma causa. Tampouco pode ser compulsória, porque assim a formação teria que ser propriedade inerente às partes constituintes... Nesta hipótese, seria impossível que qualquer formação viesse a decompor-se, já que as propriedades inerentes de uma coisa não se separam dela." Portanto, ela deve ser voluntária, ou o resultado de uma vontade, "...uma força invisível, descrita como o Poder Antigo". Assim, 'Abdu'l-Bahá estabelece a noção de um Deus sutilmente diferente, e consideravelmente mais substancial do que, um mero "absoluto Metafísico". Tendo chegado à existência de uma Realidade Divina, Ele, então, mostra que podemos ir além e dizer que essa Realidade Divina deve ser Onisciente, Toda-Poderosa, Possuidora de todas as coisas, Eterna, Auto-Dependente e a Causa Primordial. Porém, ao dizer essas coisas, nós, como seres humanos limitados, não estamos, 'Abdu'l-Bahá claramente declara, reivindicando ter conhecimento ou compreensão daquela "Realidade Universal", a qual "é santa e exaltada acima de todas as mentes e da compreensão". Estamos meramente tirando conclusões de nossas próprias limitadas observações: "...ao atribuirmos àquela Realidade Universal tais perfeições, estamos apenas negando imperfeições, e não afirmando atributos inacessíveis à inteligência humana. Assim dizemos, pois, que Seus atributos são incognoscíveis." Deus, em verdade, assim como Forel assevera, não pode ser compreendido, porém, como 'Abdu'l-Bahá demonstra, isto verdadeiramente não significa que não há o que possamos dizer sobre Ele.

É de importância decisiva, ao abordarmos esta corrente de argumentação, que não a tratemos da mesma forma que trataríamos uma prova científica, testando-a em questões de detalhes. Jamais podemos descrever com precisão científica um curso de eventos em que nós mesmos estamos ativamente envolvidos, nem "provar" quaisquer asserções que fizermos sobre Ele, e o mesmo é verdade de uma filosofia de vida, seja lá quão impressiva ela possa parecer ser do ponto de vista lógico ou estético. No final, é sempre uma questão de acreditar, e esta pertence ao âmbito da vontade. Entretanto, as razões para se crer nesta filosofia de vida, raramente, pode ter sido tão lindamente compilada como a Epístola de 'Abdu'l-Bahá a Forel.

O que é mais cativante é a suave transição que 'Abdu'l-Bahá faz do domínio natural para a filosofia espiritual. O homem é como um micróbio em uma fruta em uma árvore de um jardim. Ele não pode imaginar a essência de Deus mais do que o micróbio pode conceber a essência do jardineiro. Ele pode apenas reconhecer a existência de Deus, apreender Sua intenção e tentar cumpri-la. Este é o ponto. Proclamar a existência de Deus é responsabilidade dos Profetas os quais, na hierarquia social descrita por 'Abdu'l-Bahá, ocupam "a condição mais elevada, a suprema esfera, a mais nobre, a mais sublime posição na criação...". 2

"...O Poder do Espírito Santo brilha radiantemente nas realidades dos Mensageiros de Deus e de tal forma lhes fortalece a vontade que exercem influência sobre uma grande nação durante milhares de anos, regenerando a alma humana e ressuscitando a humanidade."

É apenas lógico que 'Abdu'l-Bahá declare no final: "...aos ensinamentos de... Bahá'u'lláh... se acham incluídos todos os demais ensinamentos..., são como a árvore que, dentre todas as árvores, produz os melhores frutos."

Em uma passagem escrita em 1921 para suplementar seu testamento de 1912 e que ele pediu para ser lida em sua cremação em 1931, Forel declara:

Foi somente em 1920, em Karlsruhe, que tomei conhecimento da supraconfessional religião mundial dos bahá'ís, a qual foi fundada no Oriente setenta anos atrás pelo persa Bahá'u'lláh. É a verdadeira religião do bem-social humano, sem dogmas e sem clero, reunindo todos os seres humanos que habitam este pequeno globo terrestre. Eu me tornei um bahá'í. Possa esta religião viver e prosperar para o bem da humanidade; este é meu mais ardente desejo. 3

Aqui temos um claro reconhecimento da Fé, porém, ao mesmo tempo, há uma contradição nas primeiras partes deste mesmo testamento em que Forel expressa idéias monísticas incompatíveis com os ensinamentos bahá'ís. Ele fala do "assim chamado criador pessoal... Deus", que "está ficando cada vez mais silencioso diante das descobertas da ciência", de "profetas" que enganaram os homens ao lhes apresentar "uma ou mais divindades com face humana" e "os quais, em seu êxtase, acreditaram que haviam escutado ou visto as revelações pessoais dessas pseudo-deidades". O velho Forel não pôde se desprender parece, daquelas idéias que lhe deram um sentido e uma direção a sua vida batalhadora. Ele respondeu à pergunta que fez a 'Abdu'l-Bahá como se, sim ou não, ele poderia se tornar um bahá'í e permanecer um monista, forçando um pouco uma resposta afirmativa - "rápido na colocação de boas idéias em prática" - após 'Abdu'l-Bahá ter sabiamente Se omitido de dar um "sim" ou "não" em Sua memorável resposta.

Há duas explicações possíveis que podemos dar a esta contradição. Forel sentiu tão pouca necessidade consciente por respostas às questões metafísicas, transcendentais que mal notou as explanações prontas oferecidas pelos ensinamentos bahá'ís, sem mencionar, examiná-los detidamente; o fato de que há uma comunidade religiosa com um futuro promissor, cujos objetivos morais e humanitários coincidem quase que perfeitamente com os objetivos pelos quais ele havia lutado durante toda sua vida, ofereceu a Forel todo consolo que necessitava após as aflições por ele sofridas em sua idade avançada. E ainda mais, os contatos bahá'ís de Forel devem ter achado difícil mudar as convicções básicas de alguém que, apesar de toda sua conscientização, "deixou sua imaginação trabalhar em um nível puramente intelectual".

Temos em nosso poder o rascunho de uma carta em francês, sem data e datilografada, com a qual Forel respondeu a Shoghi Effendi logo após o falecimento de 'Abdu'l-Bahá. Shoghi Effendi, parece, havia encaminhado a tradução inglesa da Epístola de 'Abdu'l-Bahá a Forel e perguntava se ele concordava com sua publicação. Eis aqui a tradução do texto integral:

Estimado Senhor,

Acabei de receber sua gentil mensagem e várias traduções da resposta que o muito estimado 'Abdu'l-Bahá 'Abbás gentilmente deu à carta que Lhe enviei em janeiro de 1921. Espero que tenhas recebido as condolências que enviei à tua família, bem como, meus modestos ensaios. Infelizmente, não posso responder em inglês; posso ler, mas não posso escrevê-lo. Permita-me, uma vez mais, expressar quão imensurável pesar o falecimento de 'Abdu'l-Bahá trouxe também a mim.

Certamente, autorizo que publiques a extensa e interessante resposta que 'Abdu'l-Bahá Se deu ao trabalho de me enviar. Para ser sincero, contudo, devo dizer que divirjo da opinião de 'Abdu'l-Bahá em um ponto, embora, de coração, seja um seguidor dos doze princípios bahá'ís.

Tendo estudado exaustivamente os cérebros dos homens e dos animais, sua estrutura e função psicológica, a ciência fez com que me tornasse um monista, e isto quer dizer, provou-me que a mente humana, com seu poder de sentir e compreender, é idêntica ao funcionamento do cérebro. Entende-se que a mente morre com o cérebro, e não posso acreditar que continue vivendo após o indivíduo ter morrido.

Conforme desejo de 'Abdu'l-Bahá, e em vista do fato de que és Seu sucessor legal, estou te enviando dois dos mais importantes livros: um livreto Life and Death* e diversos ensaios. Recomendo principalmente L'Activité Psychique† (Brain and Soul‡, Bonn, 1894). Meu ensaio sobre The Religion of the Social Good§ ou a religião científica escrito em abril de 1919, ou seja, antes de conhecer os bahá'ís em Karlsruhe em dezembro de 1920.

*Vida e Morte.;†A Atividade Psíquica.;‡Cérebro e Alma.;§A Religião do Bem-Social.

A simples e curta pergunta que peço-te para responder de forma sucinta, no lugar de teu pranteado Avô, é esta:

"Posso, sim ou não, me considerar um bahá'í, sem ser hipócrita após a confissão de fé que acabo de fazer?"

Se leres Life and Death, L'Activité Psychique e The Religion of the Social Good, ficarás completamente inteirado de minha visão científica.

Nosso mútuo amigo, Isfahání, disse-me que posso ser um bahá'í sincero: o fato de que católicos, protestantes, budistas, muçulmanos, judeus e brâmanes possam se tornar bahá'ís sem terem que renunciar a suas religiões parece confirmar isto. Também o faz o sexto princípio bahá'í, em que não pode haver contradição alguma entre ciência e religião, e que a investigação da verdade está acima de tudo mais.

Serei breve, pois não quero escrever uma dissertação metafísica sobre o absoluto, o qual é desconhecido para o homem; ou seja, sobre o que deve ser Deus, ou sobre a agnosia universal.

Desculpe-me por esta carta, que é muito longa, porém desejei ser claro e ir ao ponto, pois desejo ser um bahá'í sem más interpretações e sem hipocrisia, um bahá'í de "esquerda" se desejares, mas com os mesmos direitos de que dispõem os direitistas. Gostaria de perguntar ao próprio 'Abdu'l-Bahá, mas agora é tarde. É por isso que te peço para responder no lugar dEle.

Por favor, aceite, caro Senhor, a expressão de meu mais devotado e fraterno sentimento.

(Assinado) Dr. A. Forel
Ex-professor de Psiquiatria
da Universidade de Zurique

P.S. - Não concordo, de modo algum, com os outros ensaios em La Libre Pensée (O Livre Pensar).

Não conhecemos a resposta, ainda, de Shoghi Effendi. O Departamento dos Arquivos Internacionais Bahá'ís ainda está pesquisando a resposta do Guardião da Fé Bahá'í. Mas nossa questão aqui é o modo como Forel reagiu à Epístola de 'Abdu'l-Bahá. Devemos dizer que ele se tornou bahá'í, e freqüentemente reconheceu sua crença em Bahá'u'lláh com uma convicção racional,* porém permaneceu um filho do segundo - Iluminismo biológico - e não encontrou o caminho para as verdades que vão além do que é cientificamente provável. Ou, se encontrou esse caminho, já não podia mais fazer uso dele.

*Por exemplo, em 1923, ele enviou um livro e uma carta cheio de entusiasmo sobre a Fé ao escritor francês Romain Rolland e, em 1926, escreveu ao ministro das Relações Exteriores Francês solicitando que alguma coisa fosse feita para ajudar as vítimas bahá'ís das perseguições em Jahrum, Pérsia.

Numa carta datada de 10 de setembro de 1931, escrita em nome de Shoghi Effendi à filha do falecido professor Forel, é declarado que, com relação às contradições no testamento de Forel, de fato, ele não entendeu adequadamente os ensinamentos básicos da Fé Bahá'í, porém, "jamais alguém pode reivindicar ter apreendido esta Revelação em profundidade, principalmente neste estágio embrionário de desenvolvimento em que a Fé Bahá'í ainda encontra-se".

REFERÊNCIAS
PREFÁCIO

1. Bahá'u'lláh. As Palavras Ocultas; Editora Bahá'í do Brasil; 6ª ed., 2002, árabe 3 e 5.

INTRODUÇÃO

1. 'Abdu'l-Bahá. Tributo aos Fiéis; Editora Bahá'í do Brasil, 2004.

2. Auguste Henri Forel, Rückblick auf mein Leben; Zurique, Büchergilde Gutenberg, 1935. Traduzido para o inglês por Bernard Miall com o título de Out of My Life and Work; Londres, George Allen & Unwin Ltd., 1937.

3. Por exemplo Annemarie Wettley, August Forel, Ein Arztleben im Zwiespalt Seiner Zeit; Salzburgo, Otto Müller Verlag, 1953.

4. Ibid., p. 109.
5. Rückblick auf mein Leben, p. 235.

6. Helen S. Goodall e Ella Goodall Cooper, Daily Lessons Received at Acca, Janeiro de 1908; Chicago, Bahá'í Publishing Society, 1908, pp. 30-5.

7. Edward G. Browne (1862-1926), professor de árabe na Universidade de Cambridge.Ver H. M. Balyuzi, Edward Granville Browne and the Bahá'í Faith; Londres, George Ronald, 1970.

8. Mírzá Abu'l-Fadl de Gulpáygán, Geschichte und Wahrheitsbeweise der Bahá'í-Religion; Stuttgart, 1919. A primeira tradução inglesa surgiu com o título de The Bahá'í Proofs.

EPÍSTOLA DE 'ABDU'L-BAHÁ AO DR. FOREL

1. Texto original em persa publicado pela primeira vez no Cairo, Egito, em 1922. Esta tradução foi feita por Leonora S. Armstrong, e publicada pela primeira vez em português em 1961, em A Revelação Bahá'í .

2. 'Abdu'l-Bahá refere-Se a Sua palestra na Universidade de Stanford, Palo Alto, Califórnia, em 1912, a qual foi publicada no jornal local e também está incluída na compilação de Suas palestras na América, intitulada A Promulgação da Paz Universal.

APÊNDICE

1. Shoghi Effendi, A Presença de Deus; Editora Bahá'í do Brasil, 1981, p. 415.

2. 'Abdu'l-Bahá. O Segredo da Civilização Divina; Editora Bahá'í do Brasil, 2003, p. 24.

3. Citado em The Bahá´í World, Vol. XIII, p. 818, no original em francês.


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